Estudo
O novo gene identificado como C6orf106 ou "C6" tem um papel-chave na regulação da resposta imunológica do corpo...

Um grupo de cientistas australianos identificou um gene que pode ajudar a desenvolver novos tratamentos contra a gripe, a artrite e mesmo o cancro.

A informação é revelada hoje pela Organização para a Investigação Industrial e Científica da Commonwealth da Austrália (CSIRO).

O estudo acaba de ser publicado no Journal of Biological Chemistry.

Gene controla a produção de proteínas
O novo gene identificado como C6orf106 ou "C6" tem um papel-chave na regulação da resposta imunológica do corpo perante infeções e doenças, segudo a mesma fonte.

O gene controla a produção de proteínas relacionadas com doenças infeciosas, assim como cancro e a diabetes, revelou a organização em comunicado.

"As citocinas [um termo genérico empregado para designar um extenso grupo de moléculas envolvidas na emissão de sinais entre as células] reguladas pelo 'C6' estão ligads a uma grande variedade de doenças, incluindo o cancro, a diabetes e (..) a artrite reumatóide", explicou o investigador da CSIRO Cameron Steward.

 

No Canadá
Em média, 1 em 10 crianças que se inscrevem em estudos pediátricos de fase I ficam melhores após o ensaio, mas 1 em 50 morrem...

Desenvolvido pela Universidade McGil, no Canadá, o estudo acredita que os ensaios pediátricos de fase I são fundamentais para estabelecer a segurança e a dosagem de medicamentos contra o cancro em crianças.

Regulamentações nacionais e internacionais, entretanto, estabelecem limites ao risco permitido para pesquisas que envolvem menores.

No novo estudo, escreve o Sapo, os investigadores analisaram estudos sobre cancro pediátrico de fase I, publicados entre 2004 e 2015, e identificaram 170 estudos que envolveram 4 604 pacientes; de seguida, agruparam as taxas de resposta objetivas e a ocorrência de eventos secundários relacionados com a utilização de fármacos.

No geral, a taxa de resposta entre todos os estudos foi de 10,29%, mas a taxa foi significativamente diferente para tumores sólidos em comparação com malignidades hematológicas.

A taxa global de eventos secundários fatais de grau 5 foi de 2,09% e houve uma média de 1,32 eventos secundários de graus 3 e 4 relacionados com medicamentos.

Em geral, os eventos secundários e as taxas de resposta foram semelhantes aos observados em estudos sobre cancro em adultos de fase I.

Os autores observaram várias limitações no seu estudo, incluindo a heterogeneidade nos tipos de cancro e os tratamentos incluídos nos estudos.

"Os nossos dados, juntamente com uma análise ética cuidadosa, fornecem uma base empírica para novas discussões sobre o status terapêutico dos estudos de fase I em crianças", disseram os autores.

"Em particular, estes dados fornecem evidências que servirão para refinar o risco / benefício em estudos de fase I e identificar os estudos que apresentam maiores desafios para atender a padrões de risco aceitável em crianças”, concluíram.

 

Raquel Varela
Os dados provisórios sobre as situações de “burnout” que atingem os professores portugueses indicam valores “altíssimos” e...

“Não posso revelar os dados antes do dia 06 de julho [sexta-feira] mas, neste momento, os dados provisórios apontam para uma taxa de 'burnout' altíssima. Ou seja, nós temos um número de professores estatisticamente muito relevante que está a trabalhar em condições de adoecimento grave”, disse a coordenadora da investigação que tem como base questionários a 19 mil professores portugueses, a nível nacional.

“São três questionários validados à escala internacional e conseguimos recolher, de forma voluntária 19 mil inquéritos a professores portugueses. Temos neste momento cerca de dois milhões de dados a serem tratados”, adiantou Raquel Varela.

A pesquisa é uma parceria entre a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova, coordenada por Raquel Varela e que conta com a participação de académicos de várias universidades, entre elas do Instituto Superior Técnico e de instituições brasileiras.

O estudo sobre “burnout” ou desgaste investiga as condições e vida e de trabalho dos professores em todos os graus de ensino incluindo nos setores público e privado.

Para Raquel Varela, os dados que vão ser analisados podem vir a ter reflexos políticos, sindicais ou jurídicos, tal como aconteceu na sequência de estudos semelhantes realizados no Brasil.

“A questão sindical é dos sindicatos, mas estudos semelhantes no Estado de São Paulo (Brasil) - que tem mais professores do que Portugal - levaram, por exemplo a uma queixa-crime do sindicato que responsabilizou o Estado pelo adoecimento dos professores”, disse a coordenadora do projeto.

“’Burnout’ significa que a pessoa esgotou. Colapsou-se. É multifatorial, mas há uma questão que estamos a concluir e que vai ao encontro com os trabalhos internacionais: há uma dissociação entre as expectativas criadoras, inovadoras, autónomas das pessoas e aquilo que é a realidade dos locais de trabalho”, refere Raquel Varela acrescentado que o estudo destaca a “realidade” que afeta os docentes portugueses.

“Uma realidade profundamente hierarquizada, vigilante, corta a autonomia e tudo isso diminui a produtividade e leva ao adoecimento dos professores e dos profissionais que estão em ‘burnout’”, diz.

Segundo os investigadores, este estudo pretende também compreender de que forma é que a saúde mental dos professores está afetada pelas condições de trabalho e de que forma as condições de trabalho afetam as condições familiares.

Consumo de medicamentos tem estado a aumentar
Em Portugal, o tratamento da Diabetes e das suas complicações representa cerca de 10% da despesa em

A Diabetes, uma doença crónica e progressiva, pode levar a complicações que se dividem em microvasculares e macrovasculares. As complicações microvasculares são: retinopatia diabética, que pode progredir até cegueira; nefropatia diabética, que pode levar à insuficiência renal com necessidade de diálise ou transplante; e a neuropatia diabética, que causa muitas vezes úlceras na perna e no pé que podem levar à necessidade de amputação. As complicações macrovasculares são as que podem levar ao enfarte agudo do miocárdio (EAM) e ao acidente vascular cerebral (AVC).

Estas complicações são responsáveis pela mortalidade e morbilidade da doença, que se traduz num forte impacto socioeconómico em todo o Mundo. Na maioria dos países ocidentais, por exemplo, a Diabetes é a principal causa de amputações não traumáticas, de cegueira e de doença renal terminal e 8 em cada 10 doentes com Diabetes morrem por doença cardiovascular.

Segundo os dados do Relatório do Observatório Nacional da Diabetes  "Diabetes Factos e Números - o ano de 2015" e do “Programa Nacional para a Diabetes 2017”, esta doença foi responsável por mais de 4% das mortes das mulheres e mais de 3% das mortes nos homens, ou seja, por ano morrem cerca de 2.200-2.500 mulheres e 1.600-1.900 homens por Diabetes em Portugal. O número médio de anos potenciais de vida perdidos (APVP) por diabetes em 2015 foi, no sexo masculino, de 8,2 APVP/óbito e no sexo feminino, de 8,0 APVP/óbito.

Em relação aos internamentos, a Diabetes foi o diagnóstico principal em 25.766 utentes e um diagnóstico associado em 162.348 casos. Estes números representam 16% de todos os utentes saídos dos Hospitais do SNS em 2015 (excluindo internamentos com duração <24 h). As principais causas de internamento foram: doenças do aparelho circulatório, em 26% dos casos; doenças do aparelho respiratório em 15%; e doenças do aparelho digestivo em 10%.

Particularizando os casos em que a Diabetes foi o diagnóstico principal, as alterações circulatórias periféricas representaram 24% dos casos. Importa salientar que, incluindo os internamentos <24 horas, as manifestações oftálmicas assumem uma importância preponderante, pois representam 71% dos casos.

A duração média dos internamentos associados a descompensação ou complicação da Diabetes foi 11,6 dias, superior à duração média de todos os internamentos em 2015 (7,8 dias).

A letalidade intra-hospitalar (Sistema Nacional de Saúde) da Diabetes foi 25,9%, ou seja mais de 1/4 das pessoas que morrem nos hospitais em 2015 tinham esta doença. Em termos de custos, as hospitalizações em que o diagnóstico principal foi Diabetes foram responsáveis por um encargo de 40,4 milhões de euros, valor que cresce para 434,6 milhões de euros se considerarmos todas as hospitalizações com Diabetes.

Também ao nível dos Cuidados de Saúde Primários é possível observar o “peso” da Diabetes. Em 2015, estavam registados 846.955 utentes com Diabetes na Rede de Cuidados de Saúde Primários do SNS (num total de 12.470.910 utentes registados). O número total de utentes com Diabetes que utilizou os Serviços (pelo menos uma consulta) foi 681.685, tendo sido realizadas 2.109.496 consultas de Diabetes. Verificou-se que as Consultas de Diabetes representaram 7.3% das consultas nos Cuidados de Saúde Primários e que, em média, os utentes com Diabetes tiveram 3,1 consultas/ano.

O consumo de medicamentos para a Diabetes tem estado a aumentar em toda a Europa e Portugal não é excepção. Em 2000, a dose diária definida por 1000 habitantes por dia de antidiabéticos não insulínicos e insulinas era de 50,6 e em 2015 foi 67,1, o que corresponde a um aumento de 33%. Algumas das razões apontadas para este incremento são o aumento da prevalência, o aumento do número e da proporção de pessoas tratadas e o aumento das doses médias usadas. Em termos absolutos, em 2015 foram vendidas 10,3 milhões de embalagens de antidiabéticos não insulínicos e insulinas, o que corresponde a 22 milhões de euros de encargos diretos para o utente e 238,8 milhões de euros para o SNS. Especificando os dois grupos, antidiabéticos não insulínicos e insulinas, foram vendidas 8,9 milhões de embalagens (196,6 milhões de euros) de antidiabéticos não insulínicos e 1,4 milhões de embalagens (64,3 milhões de euros) de insulina.

Em Portugal, o tratamento da Diabetes e das suas complicações representa cerca de 10% da despesa em saúde o que corresponde a cerca de 1% do PIB Nacional. Com o envelhecimento da população e aumento da prevalência da doença, nascem cada vez mais problemáticas relacionadas com a realidade social do nosso país que, muito além de números, afetam os portugueses e as suas famílias. É, portanto, urgente atuar na prevenção, diagnóstico precoce e seguimento ajustado da doença.

*este artigo não foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico, por opção do autor

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Ordem dos Médicos Veterinários
A Ordem dos Médicos Veterinários assina um protocolo referente ao Cheque Veterinário com a Câmara Municipal de Aveiro e com a...

No ano passado, na região centro, foram recolhidos nos Centros de Recolha Oficial (CRO) 8 401 animais, dos quais 591 foram esterilizados. Também nesta zona, só nos primeiros quatro meses deste ano, foram recolhidos mais de 700 animais, segundo dados da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária.

Agora, a menos de três meses da entrada em vigor da Lei nº 27/2016, que veio aprovar as medidas para a criação de uma rede de Centros de Recolha Oficial de animais e estabelecer a proibição do abate de animais errantes como forma de controlo da população, a Ordem dos Médicos Veterinários, a Câmara Municipal de Aveiro e a Junta de Freguesia de Avanca unem esforços, com a assinatura de protocolos que visam a implementação do Cheque Veterinário no distrito.

O Programa de Apoio de Saúde Preventiva a Animais em Risco, mais conhecido por Cheque Veterinário, foi lançado pela Ordem dos Médicos Veterinários com o objetivo de dotar os municípios com os instrumentos necessários para o cumprimento desta diretiva, bem como promover uma aproximação aos médicos veterinários. 

Desta forma, e com a assinatura destes protocolos, espera-se implementar uma rede de cuidados primários médico-veterinários para animais em risco no distrito de Aveiro, nomeadamente no que se refere à vacinação, desparasitação, identificação eletrónica e esterilização.

Esta iniciativa da Ordem dos Médicos Veterinários conta já com a adesão de inúmeros municípios, nomeadamente da Câmara Municipal de Braga, Câmara Municipal de Esposende, Câmara Municipal do Fundão, Câmara Municipal de Ílhavo, Câmara Municipal de São Brás de Alportel, Câmara Municipal de Oeiras e Associação de Municípios de Aguiar da Beira, Penalva do Castelo e Sátão.

 

Movimento Doentes pela Vacinação
A Pneumonia não é sazonal. Tal como surge, independentemente do mês em que estamos, pode ser prevenida em qualquer altura do...

Segundo um estudo recente, o simples ato de vacinação pode reduzir o risco de hospitalização por Pneumonia em 73% 1. Sem dúvida, excelentes notícias num País onde em média, por semana, morrem 161 pessoas, vítimas da doença, e se gastam mais de 1.5 milhões de euros, só em tratamentos e internamentos.*

A Pneumonia mata, também no verão, e pode reduzir drasticamente a qualidade de vida de quem a contrai. Pessoas com mais de 65 anos ou, de alguma forma, debilitadas, estão mais fragilizadas e por isso devem preveni-la ao longo de todo o ano.

Mas nem tudo são más notícias. Um estudo recente demonstrou a eficácia da vacinação antipneumocócica na redução dos internamentos de adultos a partir dos 65 anos.1 Dados particularmente felizes para Portugal onde a Pneumonia mata, em média, 23 pessoas por dia.

“A partir dos 65 anos, todos nos devíamos vacinar. A vacinação deve ser uma preocupação ao longo da vida, em particular depois dos 65 anos, e em casos de maior fragilidade, como acontece com os doentes crónicos. Estudos como este só vêm dar força aos nossos apelos” começa Isabel Saraiva, fundadora do MOVA – Movimento Doentes pela Vacinação. “Com a diminuição das taxas de internamento diminui, também, o número de mortes associadas à Pneumonia. Estes 73% de redução nos internamentos levam-nos a crer que a imunização destas faixas etárias pode prevenir milhares de hospitalizações. Custos que podem ser evitados, já para não falar nas devastadoras mortes e no absentismo”, acrescenta.

Na União Europeia, a vacinação antipneumocócica está indicada, na população adulta, para a prevenção de doença invasiva e pneumonia causada por Streptococcus pneumoniae. Nos adultos com idade igual ou superior a 18 anos e idosos, basta uma dose. Pela sua importância na proteção da população, faz parte, desde julho de 2015, do Programa Nacional de Vacinação (PNV) e está recomendado e é gratuito para todas as crianças e jovens com risco acrescido para doença invasiva pneumocócica.2

Em junho de 2015, a Direção-Geral da Saúde (DGS), emitiu uma norma que recomenda a vacinação de todos os adultos pertencentes a grupos de risco acrescido para doença invasiva pneumocócica, nomeadamente pessoas com Diabetes mellitus, Asma, DPOC, Doença Cardíaca Crónica e doentes imunocomprometidos. É recomendada e gratuita para algumas populações de doentes com alto risco de Doença Invasiva Pneumocócica.3

*Custos Diretos dos Internamentos hospitalares de adultos com diagnóstico principal de Pneumonia Adquirida na Comunidade em Portugal Continental no período entre 2000 e 2009 (data em submissão): Froes F, Diniz A, Serrado M, Nunes B. Hospital admissions of adults with community acquired pneumonia in Portugal between 2000 and 2009. Eur Respir Journal 2013

1 McLaughlin J, et al. Effectiveness of 13-Valent Pneumococcal Conjugate Vaccine Against Hospitalization for Community-Acquired Pneumonia in Older US Adults:  A Test-Negative Design. Clin Infect Dis 2018 doi: 10.1093/cid/ciy312.

2 Direção-Geral da Saúde. Norma 012/2015 de 23 de junho de 2015, atualizada a 6 de novembro de 2015. Disponível em https://www.dgs.pt/directrizes-da-dgs/normas-e-circulares-normativas/nor.... Acedido a 30 de maio de 2018.

3 Direção-Geral da Saúde. Norma 011/2015 de 23 de junho de 2015, atualizada a 6 de novembro de 2015. Disponível em https://www.dgs.pt/directrizes-da-dgs/normas-e-circulares-normativas/nor.... Acedido a 30 de maio de 2018.

3 a 5 de julho
Na agenda estão reuniões com o Governo Regional, Saudaçor, autarquias, instituições do setor solidário e social, unidades de...

A Ordem dos Nutricionistas vai visitar, entre os dias 3 e 5 de julho, a Região Autónoma dos Açores, zona do país onde se registam os maiores níveis de obesidade e diabetes. Na agenda estão, entre outras, reuniões com o Presidente do Governo Regional, Vasco Cordeiro, e com o Secretário Regional de Saúde, Rui Luís.

Inserida no périplo que a Ordem dos Nutricionistas está a fazer pelo país desde o passado mês de abril, a iniciativa tem com o objetivo perceber de que forma estão distribuídos os nutricionistas pelo arquipélago e apresentar soluções que contribuam para melhorar a saúde da população nos Açores.

Atualmente, dos 109 nutricionistas que exercem a sua atividade nos Açores, apenas 12 estão nos cuidados de saúde hospitalares, um número que Alexandra Bento, Bastonária da Ordem dos Nutricionistas, considera “significativamente baixo para um governo que tem a saúde da população como uma das suas grandes prioridades”.

Em 2009, com o objetivo de reduzir o problema da obesidade infantil, o governo regional contratou um nutricionista para todos os centros de saúde. “Nove anos passados, o que os mais recentes dados do COSI nos dizem é que valeu a apena, já que os Açores foi a região do país onde o excesso de peso em crianças e jovens mais diminuiu”, afirma a Bastonária.

“Com a redução da obesidade infantil, já demos provas de que a contratação de nutricionistas é essencial para atuar, não apenas no tratamento, como também e principalmente na prevenção e promoção da saúde”, sustenta Alexandra Bento considerando que “é chegada a hora de se reforçar o número de nutricionistas no Serviço Regional de Saúde.

“Como temos vindo a afirmar, é muito mais vantajoso, quer para o Estado, quer para os cidadãos, promover a saúde antes que a doença chegue. O Estado aplica de forma mais eficiente o dinheiro dos seus contribuintes e os cidadãos ganham com mais anos de vida saudáveis”, conclui a Bastonária da Ordem dos Nutricionistas.

Recorde-se que na Região Autónoma dos Açores a prevalência de excesso de peso e obesidade na população adulta a partir dos 18 anos atinge quase os 70%, a diabetes afeta 10% dos açorianos, e 70% apresenta valores de colesterol acima do que é recomendado.

Esta iniciativa está inserida no ‘Ciclo de Visitas da Bastonária da Ordem dos Nutricionistas’, que, iniciado em abril, já passou por quatro regiões do país. Com o objetivo de fazer um levantamento da realidade profissional dos nutricionistas, este périplo, que decorre até ao próximo mês de novembro, deverá passar por mais de 40 instituições de norte a sul do país, incluindo ilhas.

Costa da Caparica
Pela praia de São João da Caparica, Mário grita “olha a fruta fresca”, anunciando a presença do “Capitão Fruta”, uma...

Remetendo para o imaginário de um herói que pretende, sobretudo, chegar até aos mais novos, o “Capitão Fruta” vai percorrer durante o verão a Caparica (no concelho de Almada, distrito de Setúbal) vendendo salada de fruta e sumos naturais.

Para já, são quatro os jovens que carregam uma mochila refrigerada com cinco/seis quilos de fruta da época, limonada e sumo ‘tutti-frutti’.

“Olha a melancia. Olha a meloa. É só fruta da boa”, apregoa Mário, um dos jovens que vestem a camisola do “Capitão Fruta” e que explicou tratar-se de um produto que se vende por si próprio - nem seria preciso chamar a atenção dos veraneantes com as frases chamativas.

“Identifico-me com o projeto. É uma onda saudável na praia. E acho que é um produto que se vende mesmo sem nós o vendermos”, diz o ‘capitão’ de 26 anos, reconhecendo que “será mais vendido em dias quentes”.

Nas praias da Caparica desde 15 de junho, o projeto nasceu, segundo António Malta, um dos quatro sócios, da necessidade que identificaram de haver fruta na praia. Já com alguma experiência em venda de sumos naturais, o responsável explica que o projeto está a dar os primeiros passos e a limar arestas.

“Tem estado mau tempo, ainda não tirámos as devidas conclusões, o tempo não tem ajudado. No entanto, no domingo passado percebemos que pode tornar-se impossível a logística de distribuir fruta de praia em praia”, refere António Malta, admitindo que, com as praias cheias de pessoas, é difícil sair para ir fazer o abastecimento de fruta fresca fora.

Quanto à aceitação dos veraneantes, António, Mário e Bernardo, outro dos jovens ‘capitães’, são perentórios: as pessoas estão a aderir “muito bem”, apesar de o tempo “não estar a ajudar muito”, já que ainda não houve muitos dias de muito calor.

“Em julho esperamos já ter tudo montado, finalizar o sistema de confeção da salada de fruta e dos sumos mais perto”, perspetiva António Malta, enquanto Mário reconhece que “todos os projetos novos têm de ir progredindo, nunca baixando os braços”.

Bernardo, ‘capitão’ de 27 anos, reconhece que o “sonho de muita gente é ter um escritório na praia” e, apesar de ser “cansativo e puxado” andar durante várias horas no areal carregado, o trabalho é ao mesmo tempo “revitalizante”.

“O caminhar é desgastante, mas a pouco e pouco vamos ganhando resistência”, diz, lembrando que até “dá para fazer uma pausa, dar um mergulho e descansar um pouco” ao longo da jornada.

“Andamos a vender saúde e nós termos também saúde é bom. Não andamos aqui só para arrecadar números”, frisa.

Pablo Bruno, arquiteto e designer da marca e outro dos sócios, explica à Lusa que este é também um projeto com “consciência ambiental” e com “preocupações saudáveis”, por isso recorre-se a fruta da época e alguma biológica. Embora não possam evitar o plástico das suas embalagens, estão a pensar em algumas medidas.

“Não se trata de substituir o plástico, porque não o conseguimos fazer, mas vamos implementar em julho algumas campanhas dizendo às pessoas que nos tragam determinado número de plásticos para trocar por brindes de verão. Ajudar a consciencializar para a reciclagem”, indica Pablo.

Paulo Almeida, na praia com as filhas e algumas amigas destas, ficou rendido ao projeto, considerando que vai no “caminho correto” daquilo que segue em casa: dar uma alimentação saudável.

“De certeza que vamos consumir mais fruta. Eles são superdivertidos, uma equipa superengraçada, que chama a atenção, têm sempre um sorriso e sabem cativar as crianças”, diz Nuno Silva, também a aproveitar o dia de praia, adiantando que num dia a família vai comer uma bola de Berlim e noutro dia a fruta, equilibrando as alternativas.

Nuno Silva, outro veraneante que também experimentou a novidade no areal da Caparica, entende que o projeto poderá tornar-se numa alternativa efetiva.

“Ainda está muito incutido a bola de Berlim na praia e não a fruta, mas aos poucos as pessoas vão começar a ter outro tipo de ideia e a optar por algo mais saudável, vão começar a comer mais fruta”, comenta.

Artur Palma, também na praia também com os filhos, reconhece que o projeto é uma “boa iniciativa” levando ao areal produtos naturais “em vez das bolas de Berlim, de que toda a gente gosta, mas que têm muito açúcar”.

A dar o exemplo desde pequenino, Manuel, de 04 anos, na praia com os pais e o irmão Mateus, não hesitou em responder para a câmara que prefere a fruta ao tradicional bolo da praia.

Desde sábado passado
As cafetarias das unidades de saúde públicas estão proibidas de venderem salgados, produtos de charcutaria, bolos,...

O despacho foi publicado a 28 de dezembro de 2017, mas o Governo deu seis meses para as entidades procederam às alterações, se tal não implicasse o pagamento de indemnizações ou outras penalizações, na revisão dos contratos em vigor.

Os bares dos hospitais e centros de saúde vão deixar de poder vender águas aromatizadas, bebidas energéticas e bebidas com cola ou extrato de chá, guloseimas tipo rebuçados, caramelos, pastilhas com açúcar, gomas, snacks doces ou salgados, designadamente tiras de milho, batatas fritas e pipocas.

O despacho proíbe ainda, nos novos contratos a venda de chocolates em embalagens superiores a 50g, chocolates com recheio, bebidas com álcool e molhos como ketchup, maionese ou mostarda e obriga a que seja disponibilizado aos utentes água potável gratuita e de garrafa.

Os novos contratos a celebrar para concessão de espaços destinados à exploração de bares, cafetarias e bufetes também não podem ter a publicidade ou vender refrigerantes ou refeições rápidas, designadamente hambúrgueres, cachorros quentes, pizzas ou lasanhas.

Foi igualmente definida uma lista de alimentos permitidos bares, cafetarias e bufetes dos hospitais, entre eles leite simples meio-gordo/magro, iogurtes meio-gordo/magro, queijos curados ou frescos e requeijão, sumos de fruta e/ou vegetais naturais, bebidas que contenham pelo menos 50 % de fruta e/ou hortícolas e monodoses de fruta.

Esta lista integra ainda o pão, “preferencialmente de mistura com farinha integral e com menos de 1 g de sal por 100 g” de produto, que pode ter como recheio queijo meio-gordo/magro, fiambre com baixo teor de gordura e sal e de preferência de aves, carnes brancas cozidas, assadas ou grelhadas, atum ou outros peixes de conserva com baixo teor de sal e ovo cozido.

No âmbito destas alterações, a Ordem dos Nutricionistas pediu na sexta-feira uma auditoria aos bares, cafetarias e bufetes do SNS para verificar o cumprimento desta legislação.

“Esta inspeção é essencial para verificarmos se existe, de facto, uma melhoria na oferta alimentar nos bares do SNS, conforme definido legalmente”, a bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Alexandra Bento, acrescentando que, em Portugal, há “sérios erros alimentares” e que há “uma forte evidência científica de que a alimentação é um dos principais fatores modificáveis que mais contribui para a mortalidade e morbilidade dos cidadãos”.

Alimentação saudável
Investigadores da Universidade do Algarve, dez chefes de cozinha e uma empresa de cultivo de plantas halófitas estão a...

As halófitas são plantas comestíveis que nascem e vivem junto à água salgada, em sapais como a Ria Formosa, ambientes extremos cujas condições desencadeiam mecanismos de defesa que fazem com que as plantas concentrem uma elevada qualidade nutricional e outros benefícios para a saúde.

“Por viverem em condições muito agressivas, acabam por desenvolver todo um conjunto de compostos químicos que são benéficos para a nossa saúde, compostos que são antioxidantes, como algumas vitaminas”, explica a coordenadora científica do projeto “Xtreme Gourmet”, Luísa Barreira.

No laboratório do Centro de Ciências do Mar (CCMAR) da Universidade do Algarve (UAlg), investigadores analisam o perfil nutricional das plantas em termos de proteínas e lípidos, mas também o perfil de ácidos gordos, de minerais, o tipo de fibras que contêm e fazem ensaios que permitem comparar a atividade antioxidante entre várias plantas.

A especialista em Biotecnologia Marinha revela que a equipa está a procurar a possibilidade de os extratos preparados destas plantas terem atividade antidiabética, ou seja, capacidade para inibir algumas enzimas que existem no organismo e que são o alvo das terapias antidiabéticas.

De acordo com a investigadora, devido ao sal estas plantas – entre as quais, a salicórnia (a mais conhecida), os “sea fingers” (dedos do mar) ou a ínula - possuem também minerais em quantidades elevadas, alguns deles essenciais ao organismo, como o ferro e o manganês.

Enquanto Luísa coordena o controlo das propriedades nutricionais e químicas, o engenheiro agrónomo Miguel Salazar desenvolve os métodos de cultura das plantas em estufa, testadas depois para consumo por um conjunto de dez ‘chefs’ de cozinha, coordenados por Leonel Pereira.

Há muitos anos que o ‘chef’ Leonel Pereira, coordenador do grupo de chefes que avalia as plantas, usa as halófitas nos seus pratos, com lugar de destaque nos menus que prepara no seu restaurante em Almancil, detentor de uma estrela Michelin.

Apesar de estas plantas terem como ponto forte salgar a comida, como uma alternativa mais saudável do que o sal, Leonel Pereira lamenta que as halófitas, muitas vezes, estejam apenas reduzidas a esse papel e enaltece as suas características cítricas, que dão subtileza aos pratos.

“Como crítico e como coordenador do projeto, estou sempre a pedir às pessoas e aos chefes para não olharem para elas como simples decoração ou porque sabem um bocadinho a sal, até porque o nosso manual de avaliação tem muitos outros pontos”, explica.

O essencial, defende, é “ser criativo” e “olhar para o produto”, tendo a sensibilidade de perceber que planta se deve usar em cada prato – Leonel Pereira recomenda que se use mais com peixe e marisco - já que por vezes pode haver combinações desastrosas.

Por seu turno, Miguel Salazar, proprietário da empresa que comercializa as plantas, espera conseguir que as halófitas sejam consumidas de uma forma mais frequente, trabalhando no desenvolvimento de técnicas de cultivo que as tornem mais saborosas e benéficas, em termos de saúde.

No que respeita à salicórnia, que é a planta mais conhecida, o engenheiro agrónomo acredita que é uma “questão de tempo” até que entre na rotina alimentar das pessoas, à semelhança da rúcula, “que era uma grande desconhecida e agora é habitual nas nossas mesas”.

O “Xtreme Gourmet” iniciou-se há um ano e meio e é um projeto de investigação e desenvolvimento apoiado pelo Algarve CRESC 2020.

Apresentado em Coimbra
O Movimento de Parkinson Precoce, apresentado sexta-feira passada em Coimbra, pretende sensibilizar a população, alertando para...

O movimento, constituído por um grupo de pessoas com Parkinson com idades entre os 41 e os 58 anos de idade, pretende informar a população sobre os sintomas desta doença, para garantir uma sinalização precoce, disse a presidente e fundadora da organização, Isabel Ferreira.

Segundo a responsável, a sintomatologia desta doença pode ser atribuída pelas pessoas "à própria velhice", o que muitas vezes dificulta o diagnóstico.

O diagnóstico precoce é fundamental, vincou, salientando que este permite um tratamento mais rápido e eficaz e, como consequência, um aumento da qualidade de vida do doente.

"Há esta ideia criada na sociedade de que é uma doença em que se treme. Há muito doente de Parkinson que nunca tremeu", salientou, referindo que a doença "não é exclusiva da população idosa", havendo casos de portadores com 25 anos de idade.

O Movimento de Parkinson Precoce, que pretende dar voz aos portadores desta doença, foi lançado na Casa da Mutualidade, onde foi apresentada uma exposição de fotografia da organização, que estará depois patente em Mortágua, Tábua, Caldas da Rainha e Leiria.

Equipa liderada por português
Uma equipa internacional liderada pelo investigador Cláudio Gomes do BioISI - Instituto de Biossistemas e Ciências Integrativas...

A descoberta, publicada a 29 de Junho na revista científica Science Advances*, da prestigiada American Association for the Advancement of Science, revela que uma proteína inflamatória de abundante no cérebro e produzida como resposta a danos nas células nervosas pode ter uma nova função e constituir a primeira linha de defesa na supressão da formação de agregados amilóide.

“A proteína S100B acumula-se junto das placas [depósitos] de amilóide nos cérebros com Alzheimer, e o nosso trabalho revela agora que essa “coincidência” tem uma razão de ser, dado que descobrimos que a proteína S100B interage com a proteína beta-amilóide, atrasando a sua agregação”, explica Joana Cristóvão, estudante de doutoramento e primeira autora do estudo. “Em estudos com culturas de células observamos que a proteína S100B reverte a toxicidade induzida por agregados da proteína beta-amilóide, o que reforça este novo papel na defesa anti agregação”, continua a jovem investigadora.

A proteína S100B era já bem conhecida pelo seu papel multifuncional em processos de sinalização celular e neuroinflamação, sendo mesmo um biomarcador de lesões cerebrais traumáticas e de envelhecimento – curiosamente, dois fatores de risco da Doença de Alzheimer. “A nova função que agora evidenciamos para a proteína S100B como regulador da agregação proteica estabelece um novo elo entre dois processos celulares que estão profundamente afetados em várias doenças neurodegenerativas: agregação proteica e neuroinflamação”, elucida o Professor Cláudio Gomes, coordenador do estudo. No seu entender, “esta investigação desvenda novas funções das alarminas S100 que serão comuns entre patologias neurodegenerativas para além da Doença de Alzheimer, o que abre perspetivas sobre a possibilidade de desenvolvimento futuro de terapias direccionadas para estes alvos.”

A doença de Alzheimer afecta milhões de pessoas em todo o mundo e resulta da acumulação de formas tóxicas da proteína beta-amilóide sob a forma de agregados que causam a morte dos neurónios, resultando em demência.

Este processo neurodegenerativo é acompanhado de importantes alterações bioquímicas no cérebro, como as que resultam da abundante produção de moléculas da resposta neuro-inflamatória. De entre estas destacam-se as chamadas alarminas, como a proteína S100B, que foi agora objeto de atenção especial.

Esta investigação foi conduzida no BioISI - Instituto de Biossistemas e Ciências Integrativas da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Portugal) em colaboração com investigadores do I3S - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (Portugal), Universidade de Freiburg (Alemanha) e Universidade Técnica de Munique (Alemanha). O estudo foi financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT, Portugal), Fundação Bial (Portugal) e pelo Deutsche Forschungsgemeinschaft (Alemanha).

* J. S. Cristóvão, V. K. Morris, I. Cardoso, S. S. Leal, J. Martínez, H. M. Botelho, C. Göbl, R. David, K. Kierdorf, M. Alemi, T. Madl, G. Fritz, B. Reif, C. M. Gomes, The neuronal S100B protein  is a calcium-tuned suppressor of amyloid-b aggregation. Sci. Adv. 4, eaaq1702 (2018).

 

Especialista explica
A Esclerose Sistémica é uma doença reumática auto-imune, rara, caracterizada pela presença de fibros

Embora a sua etiologia não esteja claramente estabelecida, a objetivação de inflamação e hiperreatividade vascular da micro e macrocirculação associadas à deposição de colagénio nos tecidos parecem estar implicadas na fisiopatogenia da doença.

A prevalência estimada é de 2-20 milhão/pessoa/ano, sendo mais frequente no sexo feminino (3 mulheres: 1 homem) e com um pico de incidência entre a 3ª e 5ª décadas de vida.

Trata-se de uma doença com prognóstico reservado e uma morbilidade e mortalidade estimada em 66% a 10 anos.

Deve suspeitar-se desta patologia nos doentes que apresentam fenómeno de Raynaud (alteração da coloração das extremidades corporais, geralmente dos dedos das mãos/pés, tipicamente com 3 fases - palidez, cianose, rubor - precipitada pela exposição ao frio) que surge tardiamente (idade > 40 anos), com crises dolorosas e sinais de isquemia digital (ex: úlceras das polpas dos dedos), associado ou não a espessamento cutâneo, e que analiticamente possuam anticorpos antinucleares positivos.

A sua classificação depende da extensão do envolvimento cutâneo, da presença ou ausência de atingimento de orgão, podendo dividir-se em forma cutânea limitada (incluindo o síndrome de CREST) ou cutânea difusa.

O CREST caracteriza-se pela presença de Calcinose, fenómeno de Raynaud, Dismotilidade Esofágica, Esclerodactilia e Telangiectasias. O atingimento cutâneo abrange apenas as extremidades distais dos membros e da face. Nestes doentes o aparecimento de hipertensão arterial pulmonar confere um prognóstico mais grave.

A forma cutânea difusa é caracterizada pelo aparecimento mais abrupto do fenómeno de Raynaud, sendo que a esclerose cutânea pode atingir toda a superfície corporal e ser rapidamente progressiva (12-18 meses). Cerca de 90% destes doentes têm envolvimento multiorgânico, com envolvimento do pulmão (doença pulmonar interstiticial) e doença renal.

O diagnóstico é efetuado de acordo com as manifestações clínicas e a positividade dos anticorpos antinucleares e/ou outros anticorpos mais específicos, nomeadamente anticorpos anticentrómero e anti-Scl70, bem como por outros exames complementares de diagnóstico (capilaroscopia, radiografia/TC pulmonar, ecocardiograma, etc.).

O tratamento é sintomático e, dependendo do quadro clínico, pode inculuir imunossupressores e/ou antifibróticos.

A suspeição do diagnóstico e a referenciação destes doentes de forma precoce à Reumatologia é essencial para uma orientação adequada.

 

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Estudo
Um estudo da ONG Global Action Plan prova que um simples passeio por uma cidade muito movimentada e poluída faz pior à saúde...

É tudo uma questão de altura em relação ao solo. Os poluentes, ou pelo menos a maioria, são mais pesados do que o ar, pelo que tendem a concentrar-se junto ao solo. É por isso que a norma define a altura onde devem ser colocados os sensores que analisam o ar que respiramos, para evitar que, posicionados a 15 ou mais metros, determinem uma percentagem de produtos tóxicos inferior à real. O mesmo raciocínio pode – e deve – ser aplicado às crianças, uma vez que o facto de terem o nariz mais próximo do solo, especialmente se se deslocarem num carrinho de bebé, expõe-nas a um risco muito superior ao que os pais podem imaginar.

A situação, que já era conhecida no plano teórico, foi agora materializada em números pela Global Action Plan, ONG que avaliou a poluição em diversas cidades no Reino Unido (Manchester, Glasgow, Leeds e Londres) para determinar qual a diferença média entre os poluentes inalados por um adulto e por uma criança. E a conclusão é que os petizes inspiram 30% mais de poluentes. Tal provoca danos ao nível dos pulmões e vias respiratórias, muitas vezes irreversíveis, que depois geram doenças crónicas, escreve o Observador. Pena que o trabalho não tenha considerado igualmente o que acontece nos parques de estacionamento cobertos, onde o problema é similar e ‘ataca’ as crianças mesmo antes de os pais detectarem um ambiente particularmente poluído.

O estudo revela ainda que as crianças que vão para a escola de carro a gasolina ou diesel respiram 2,5 vezes mais produtos tóxicos (partículas de fumo e NOx), comparativamente às que se deslocam a pé por ruas com pouco tráfego. Apesar do estudo não especificar, esta realidade deve ser mais evidente em veículos que circulem de vidros abertos, ou que não estejam equipados com filtros mais eficazes para o ar que entra no habitáculo, através do sistema de ventilação.

 

Estudo
Cientistas do Instituto de Oncologia Vall d'Hebron, em Barcelona, descobriram o segredo das chamadas células tumorais...

Algumas células resistentes a tratamentos oncológicos libertam-se dos tumores e viajam através da corrente sanguínea e linfática, reinstalando-se noutros órgãos. Lá, ficam adormecidas, dias, meses e até anos, acabando por provocar recidivas oncológicas, escreve o Sapo. Estes "cavalos de Tróia", as DTC, são um enigma para a ciência, que desconhece exatamente o seu modo de funcionamento, sobretudo porque este é muito variável de cancro para cancro e de caso clínico para caso clínico.

O investigador e professor universitário Héctor G. Palmer, do Grupo de Células Estaminais e Cancro do Instituto de Oncologia Vall d'Hebron, em Barcelona, descobriu, porém, que é uma enzima chamada TET2 que controla a sobrevivência destas células, revela um novo estudo.

Essa enzima pode funcionar também como biomarcador para identificar estas células descritas como "autênticas bombas-relógio". Ao jornal espanhol El País, Héctor G. Palmer explicou que esta descoberta, fruto de uma investigação de 10 anos, possibilita a criação de fármacos que persigam e eliminem este tipo de células resistentes.

Novas terapias
A maioria dos fármacos utilizados - como a a quimioterapia - consegue matar algumas células cancerosas que se propagam pelo corpo, mas não as adormecidas que permanecem escondidas. Os tumores são formados por células alteradas que crescem e se multiplicam de forma contínua.

As células que não morrem ficam no corpo, algumas delas escondidas, podendo a qualquer momento dar origem a novas formações tumorais. Para identificar estas células, foi decisivo definir a atividade do fator TET2. "Este fator organiza a atividade do genoma e obriga a célula a dormir, sem que esta perca o seu potencial maligno", esclarece o investigador ao referido jornal. A investigação prova ainda que a eliminação de TET2 mata as células tumorais adormecidas.

"A partir do momento em que identificámos a TET2 como o calcanhar de Aquiles destas células, temos estado a focar-nos no desenvolvimento de novos inibidores para bloquear a atividade desta enzima. Este novo arsenal anti-cancro é, assim, uma promessa para contrariar a resistência [destas células] e prevenir o regresso da doença em alguns doentes", explica a investigadora Isabel Puig, da equipa de Héctor Palmer, e a principal autora deste estudo publicado na revista científica "Journal of Clinical Investigation".

Estudo
A esperança de vida máxima de um ser humano já foi atingida? Talvez não, segundo um estudo com centenários italianos publicado...

Os cientistas debatem há muito tempo se a esperança de vida máxima das pessoas já foi ou não atingida. Um estudo de 2016 publicado na revista Nature argumentou que sim, em 1997, quando a francesa Jeanne Calmant morreu com 122 anos. Mas as novas descobertas tornadas públicas pela revista Science apontam para a possibilidade de se estar a prolongar a longevidade humana.

Com base em dados de mais de 3.800 centenários de Itália, escreve o Sapo, os investigadores descobriram que o risco de morte diminui, chegando a estabilizar acima dos 105 anos.

Um risco que acaba por nivelar
"À medida que envelhecemos, a nossa saúde e risco de morte pioram cada vez mais rápido. Mas em idades extremas, eles param de piorar", comenta o coautor Kenneth Wachter, professor de estatística da Universidade da Califórnia, em Berkeley, à agência de notícias France Presse.  "Não melhoram, mas param de piorar. Nivelam-se", disse à AFP.

Os investigadores estudaram dados sobre todos os habitantes da Itália com 105 anos ou mais entre 2009 e 2015, num total de 3.836 casos documentados. Concentrando-se na mortalidade entre as pessoas nascidas nos mesmos anos (1896 e 1910), encontraram ligeiros declínios na taxa de mortalidade.

Isso sugere que, com o passar do tempo, as pessoas estavam a viver um pouco mais do que as que nasceram nos anos anteriores. "As melhorias lentas, mas distintas, ao longo do tempo que vemos no nível da estabilização além da idade de 105 anos, dão a esperança de que um limite fixo para a esperança de vida não está a ser observado atualmente", explicou Wachter.

O estudo sugere que fatores socioeconómicos e melhorias no atendimento médico podem ser fatores que aumentam a longevidade humana. Mas "padrões semelhantes de estabilização da mortalidade em idade extrema são observados em outras espécies", lê-se no relatório.

Se este estudo for confirmado por outras investigações, pode significar que o limite da esperança de vida humana ainda não foi atingido.

A esperança de vida global aumentou quase continuamente desde o século XIX, mas estabilizou nas últimas décadas.

Os bebés nascidos nos Estados Unidos hoje, por exemplo, podem esperar viver quase 79 anos, em comparação com os 47 anos vividos pelos americanos nascidos em 1900.

As pessoas que vivem até a velhice extrema são, no entanto, raras. Desde a morte de Calment, a tendência geral é a pessoa mais velha do mundo atingir os 115 anos de idade.

Reino Unido
Escândalo envolvendo a administração de diamorfina a centenas de doentes, ao longo de doze anos, leva britânicos a debaterem...

"Ela sempre manteve que foi uma médica trabalhadora e dedicada, fazendo o melhor pelos doentes numa parte do serviço que tinha recursos muito inadequados. Pedimos que respeitem a nossa privacidade. E ela não fará mais quaisquer comentários". Foi desta forma, numa declaração lida pelo marido sem direito a perguntas, que Jane Barton, médica suspeita de ter precipitado a morte de centenas de doentes, ao longo de décadas, respondeu às acusações de que é alvo.

Durante mais de uma década, começando no final dos anos 1980, a assistente clínica do Gosport War Memorial Hospital, no Reino Unido, prescreveu e ordenou que fossem administrados a pacientes poderosos opiáceos. Nomeadamente Diamorfina, escreve o Diário de Notícias, que é essencialmente o equivalente da heroína para uso médico. A prática, confirmou agora um inquérito independente, foi não só totalmente inadequada para os quadros clínicos das pessoas em causa, sobretudo idosos, como contribuiu decisivamente para acelerar o fim de vida de centenas deles.

Pelo menos 456 mortes foram relacionadas diretamente com o uso indevido da medicação, mas há suspeitas de que o verdadeiro total seja bastante superior. "Tendo em contas os registos desaparecidos, devem ter havido pelo menos mais 200 pacientes cujas vidas foram encurtadas em consequência direta do padrão de prescrição e administração de opiáceos que se tinha tornado a norma no hospital naquele período", disse o reverendo James Jones, antigo bispo de Liverpool, que presidiu à comissão de inquérito.

Durante os doze anos em que trabalhou naquele hospital Jane Barton assinou um total de 854 certidões de óbito.

O facto de existirem denúncias sobre este caso desde os anos 1980 - primeiro de pessoal do próprio hospital e depois de muitos familiares -, para além de uma investigação, concluída em 2009, já ter relacionado a clínica com doze mortes sem que esta tivesse sido punida, está a gerar uma onda de indignação no Reino Unido, com muita gente a exigir uma revisão do funcionamento das instituições ligadas ao serviço nacional de saúde daquele país.

A primeira-ministra Theresa May já admitiu no parlamento que este caso terá de implicar reformas. "Temos de garantir que estas coisas não se repetem no futuro", disse, admitindo que "as conclusões [do inquérito] são obviamente perturbadoras".

Cintesis
O Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde anunciou hoje ter desenvolvido um sistema que garante a proteção...

Da autoria de Rui Guimarães, investigador do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (Cintesis) e responsável pelo acesso à informação do Centro Hospitalar de São João (CHSJ), o novo sistema chama-se DARE – Data Reuse Certificate for Research - já se encontra implementado no CHSJ, embora ainda em fase piloto.

O sistema garante a proteção dos dados e reduz o risco da informação de saúde – os registos clínicos que resultam da prestação de cuidados – poderem ser usada de forma fraudulenta, quando reutilizada no âmbito da investigação científica.

O investigador explicou que a DARE atribui um selo de qualidade que “certifica, de forma expressa e inequívoca, o enquadramento jurídico que consente o acesso do investigador aos registos clínicos, tornando a investigação transparente, reprodutível e auditável”.

Trata-se de um certificado que é conferido aos investigadores que solicitam a reutilização de registos clínicos para fins de investigação científica e que atesta o enquadramento jurídico que consente a reutilização, para além de garantir a idoneidade das fontes, a sua identificação exaustiva e a indicação da entidade com a responsabilidade legal pela guarda das mesmas.

Ou seja, o investigador terá de “identificar todos os processos que consultou no âmbito da autorização que lhe foi concedida”, sustentou o especialista em Informática Médica.

“É este rasto que garante que a investigação científica realizada com base nos registos de saúde é reprodutível e transparente”, explica, considerando que esta garantia é do interesse dos titulares dos registos clínicos (ou seja, dos doentes), dos investigadores, das universidades, dos centros de investigação e das revistas científicas que publicam os estudos.

Em comunicado, o Cintesis refere que a investigação clínica depende, cada vez mais, da reutilização dos dados clínicos que diariamente as entidades prestadoras de serviços de saúde recolhem. A utilização de grandes conjuntos de dados da saúde possibilita, por exemplo, uma melhor prevenção das epidemias, permitindo que as autoridades públicas utilizem melhor os dados de saúde para efeitos de investigação e de reforma dos sistemas de saúde.

Rui Guimarães afirma que “há um enorme potencial de investigação nestes dados e é natural que a sua reutilização cresça nos próximos anos”.

Defende, por isso, “a necessidade de se acautelarem eventuais más práticas” uma vez que “a fraude na investigação científica decorre da omissão das fontes, da manipulação da informação e da difícil reprodutibilidade dos estudos”.

Apesar da existência, em todo o espaço europeu, de um quadro legal, transposto pelos Estados Membros para os seus ordenamentos jurídicos, onde se consagra o direito que os investigadores têm de reutilizar registos clínicos para fins de I&D, “a verdade é que não se conhece qualquer menção expressa e inequívoca aos termos e enquadramento jurídico que consentiu o acesso aos registos clínicos reutilizados nas investigações”.

“Nem por parte dos investigadores, para quem são uma fonte de informação incontornável, nem por parte das instituições, que têm a responsabilidade da guarda de tão sensível património”, sublinha o investigador do Cintesis.

O especialista denuncia “esta completa e total omissão do enquadramento jurídico que tem vindo a sustentar a reutilização de registos clínicos para fins de investigação não garante a proteção dos direitos, privacidade, sigilo e confidencialidade das pessoas a quem os registos clínicos dizem respeito”.

O especialista espera que a médio prazo este instrumento “venha a ser um pré-requisito imperativo das editoras das revistas científicas, como condição prévia para a garantia de uma maior qualidade e idoneidade da informação que suporta a investigação científica de natureza clínica”.

O seu objetivo é “alargar o âmbito da DARE, ao domínio da Ética, com as comissões de ética institucionais a certificarem, ao lado do Direito, que aquela investigação em concreto tem um parecer deontológico”, disse.

Ordem dos Nutricionistas
A Ordem dos Nutricionistas pediu uma auditoria aos bares, cafetarias e bufetes do Serviço Nacional de Saúde para verificar o...

Numa nota enviada às redações, a Ordem dos Nutricionistas recorda que o prazo de adaptação à lei termina no sábado e que a auditoria foi solicitada à Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS).

“Esta inspeção é essencial para verificarmos se existe, de facto, uma melhoria na oferta alimentar nos bares do Serviço Nacional de Saúde (SNS), conforme definido legalmente”, sustenta Alexandra Bento, bastonária da Ordem dos Nutricionistas.

O despacho foi publicado a 28 de dezembro de 2017, mas o Governo fixou um prazo de seis meses para estes espaços se adaptarem à nova lei.

Findo este prazo, o que acontece no dia 30 de junho, produtos como doces, refrigerantes, salgados e refeições rápidas ou com molhos, entre outros, já não deverão integrar a oferta disponibilizada pelos bufetes, cafetarias e bares do SNS.

A bastonária da Ordem dos Nutricionistas recorda que, em Portugal, há “sérios erros alimentares” e que há “uma forte evidência científica de que a alimentação é um dos principais fatores modificáveis que mais contribui para a mortalidade e morbilidade dos cidadãos”.

“A execução e monitorização destas medidas, que em si são bastante positivas, deverão ser consideradas uma prioridade, de modo a que a legislação surta efeitos concretos na melhoria da saúde da população a que serve”, sublinha.

O Governo já tinha emitido em setembro de 2016 um despacho que proibia alimentos prejudiciais à saúde disponíveis nas máquinas de venda automática. No mesmo sentido, na altura, a Ordem dos Nutricionistas solicitou igualmente uma inspeção à IGAS.

A IGAS é o serviço central da administração direta do Estado que assegura o cumprimento de leis em todos os domínios da prestação dos cuidados de saúde, quer pelos organismos do Ministério da Saúde ou por este tutelados, quer ainda pelas entidades privadas, pessoas singulares ou coletivas, com ou sem fins lucrativos.

Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica
Portugal continental vai registar nos próximos sete dias concentrações de pólenes muito elevadas, sobretudo nas regiões do...

De acordo com o boletim polínico da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC), entre hoje e o dia 05 de julho, em Lisboa (região de Lisboa e Setúbal) os pólenes estão em níveis muito elevados, com predomínio dos pólenes das ervas gramíneas e parietária, o mesmo acontecendo no Algarve, em Portimão, sobretudo o pólen das ervas gramíneas e da árvore oliveira.

O boletim da SPAIC indica que estão previstos níveis moderados de pólen atmosférico para as regiões do Norte e Centro Norte Litoral.

No Porto (região de Entre Douro e Minho), os níveis de concentração são moderados, com predomínio dos pólenes das ervas gramíneas e parietária e da árvore castanheiro.

Já em Coimbra (região da Beira Litoral), os pólenes apresentam níveis moderados, com predomínio dos das ervas gramíneas e parietária, seguidos pelos pólenes da árvore castanheiro.

Mais para o interior, em Castelo Branco (região da Beira Interior), os pólenes encontram-se em níveis muito elevados e na atmosfera predomina o pólen das ervas gramíneas, seguido pelo da árvore castanheiro.

Nas ilhas, a SPAIC refere que em Ponta Delgada (Açores) os pólenes estão em níveis moderados, com predomínio das ervas gramíneas, parietária e tanchagem e das árvores palmeiras, e no Funchal (região autónoma da Madeira) os níveis de concentração são baixos, com destaque para os pólenes das ervas gramíneas e parietária.

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