Dia 9 de dezembro, online
A “Mamãs Sem Dúvidas” organiza no próximo dia 9 de dezembro, entre as 21h e as 22h30, mais uma edição do “EGO - Especial...

O evento começará com a intervenção de Ana Pacheco, fisioterapeuta especialista em Fisioterapia Pélvica, intitulada “Fisioterapia Pélvica na Gravidez? Quando começar?”. Durante a sessão, será explicado em que consiste esta especialidade de fisioterapia, os benefícios associados e qual a altura adequada para iniciar as sessões.

Segue-se a apresentação de Diana Santos, formadora do Laboratório BebéVida, sobre “Células Estaminais: Uma Escolha de Amor”. A sessão demonstrará os benefícios da criopreservação das células estaminais do cordão umbilical, uma prática crucial para o tratamento de diversas doenças graves, como certos tipos de cancro e doenças genéticas, assim como as inovações e os potenciais benefícios para a saúde futura do bebé e da sua família.

O último momento do evento será dinamizado por Cláudia Boticas, enfermeira especialista em Saúde Materna e Obstetrícia, que abordará os “Mitos e Verdades sobre a Gravidez”.  A apresentação esclarecerá os mitos mais comuns associados à fase de gestação.

Para além de toda a informação partilhada, os participantes habilitam-se a concorrer um cabaz especial para os pais e o bebé, que contém uma ecografia emocional, um ninho, um Kit Travel com produtos Uriage, uma mala de maternidade, uma mochila Peekaboo e dois peluches mascotes.

A inscrição para o evento é gratuita, mas obrigatória, podendo ser efetuada através do seguinte link: https://mamassemduvidas.pt/especial-gravida-online/.

STOP Insónia! vai ser apresentado dia 5 de dezembro
Quantas noites mal dormidas já teve? Quantas vezes demos por nós a lutar para adormecer ou a acordar várias vezes ao longo da...

Para ajudar a resolver este problema, a editora PACTOR apresenta a nova obra “STOP Insónia!”, um guia de autoajuda com exercícios e meditações para dizer adeus à angústia e ao stress das noites mal dormidas e encontrar soluções eficazes para melhorar o sono e o bem-estar, quebrando padrões de comportamento que mantêm o problema.

“A insónia é uma dificuldade pela qual qualquer pessoa pode passar. (…) Contudo, quando falamos de insónia como uma dificuldade que acontece pelo menos três vezes por semana, durante pelo menos três meses, ou seja, quando a insónia é crónica, o sofrimento e o impacto que traz são muito significativos.”

Da autoria de Maria João Martins (Coordenadora), Alícia Marques, Andreia Ferreira, Joana Martins, Sandra Xavier, Sofia Caetano, psicólogas clínicas da Universidade de Coimbra, e Célia Lavaredas, Médica de Medicina Geral e Familiar da mesma instituição, este livro oferece um programa de desenvolvimento e treino de competências, que inclui estratégias de autoajuda, com base em descobertas científicas recentes sobre o sono e nas Terapias Cognitivo-Comportamentais de terceira geração.

“A nossa ilusão de que somos capazes de controlar o sono é, muitas vezes, o que nos impede de relaxar e de entrar no processo de cair no sono. Ao incluir estratégias focadas na compaixão, as autoras permitem-nos ativar o conceito de que devemos ser bons para nós mesmos, o que, por sua vez, ajuda o nosso sistema nervoso a descontrair e libertar-se. (…) Focado no desenvolvimento de aptidões específicas, este livro irá motivar o leitor a aprender novas formas de lidar com o problema da insónia", escreve Maja Schaedel,Psicóloga clínica, cofundadora da Good Sleep Clinic, no prefácio da obra. 

Concentrando-se em técnicas de mindfulness, aceitação e compaixão, o “STOP Insónia!” tem exercícios práticos, meditações guiadas, espaço para reflexões pessoais e registo das práticas. Esta novidade literária é útil quer para o público em geral como para profissionais de saúde, psicólogos e terapeutas que se interessam e pretendem conhecer técnicas comprovadas para ajudar os seus pacientes.

 
“Não é a doença que me limita, mas sim a acessibilidade”
Amanhã, Dia Mundial da Pessoa com Deficiência, é lançado um novo episódio do Podcast Vidas, que conta a história de Isabela...

A MPS é uma doença genética rara que afeta a capacidade do nosso corpo de metabolizar certas moléculas o que faz com que estas se possam acumular em diversos órgãos e tecidos. Esta excessiva acumulação pode causar vários sintomas, que incluem dismorfismo facial, aumento do fígado e baço, rigidez articular, problemas respiratórios, cardíacos e neurológicos.

Com sete tipos diferentes e vários subtipos, as MPSs manifestam-se, na maioria dos casos, nos primeiros cinco anos de vida.

O testemunho de Isabela convida-nos a refletir sobre os desafios enfrentados pelas pessoas com deficiência. Isabela acredita que ainda há um longo caminho a percorrer na consciencialização para a inclusão destas pessoas, lutando, ela própria, diariamente, contra o capacitismo e a falta de acessibilidade.

Como membro da Associação Portuguesa de Doenças do Lisossoma (APL), Isabela acredita que este tipo de associações contribui ativamente para a melhoria da qualidade de vida dos portadores de doenças lisossomais e das suas famílias, promovendo o acesso a cuidados médicos, tratamentos adequados e apoio psicossocial tão necessário.

“Fui diagnosticada quando tinha seis anos de idade. A minha mãe começou a notar algumas anomalias físicas, como o andar que era diferente do das outras crianças e os joelhos tortos.

De facto, quando era mais nova, por vezes, questionava-me sobre o porquê de as coisas serem mais complicadas para mim e porque é que as outras crianças me tratavam de maneira diferente. Achava que o problema era meu. Hoje em dia, com 20 anos, não é a doença que me limita, mas sim a acessibilidade (os sítios altos, os degraus e as longas distâncias).

As pessoas com MPS, têm que viver um dia de cada vez. Todos nós temos o nosso ritmo e a sociedade tem que respeitar esse ritmo", revela Isabel Antunes, convidada do podcast.

O Dia Mundial da Pessoa com Deficiência tem como objetivo consciencializar e construir uma sociedade mais inclusiva, onde todos, independentemente das suas limitações, possam viver com qualidade de vida. Esta é uma visão totalmente alinhada com o propósito da Sanofi de através da ciência, melhorar a vida das pessoas, ao mesmo tempo que reafirmamos o nosso compromisso para com uma sociedade mais diversa, equitativa e inclusiva.

Neste episódio, Isabela reforça a importância do diagnóstico precoce, do tratamento adequado para melhorar a qualidade de vida das pessoas com MPS e do papel da sociedade perante as pessoas que vivem com deficiência, apelando à inclusão e compreensão sobre os diferentes tipos de limitações destas pessoas.

O podcast Vidas, que conta agora com 13 episódios, é o primeiro podcast português a focar-se exclusivamente em entrevistas a doentes e aos seus familiares para que estes possam partilhar as suas histórias.

SPOT distingue Helena Gatinho
A reportagem “Dando a mão à palmatória” escrita pela jornalista Helena Gatinho, publicada na revista Visão Saúde, é a grande...

O trabalho jornalístico explorou a importância e a complexidade da cirurgia da mão, destacando os desafios no tratamento de lesões e patologias. “Apesar de se tratar de uma parte relativamente pequena do corpo, a mão reveste-se de uma importância excecional, dada a função que desempenha em muitos - senão na maior parte – dos nossos gestos e atividades. E tudo isto porque a mão está apetrechada de uma quantidade imensa e complexa de estruturas, as quais lhe dão mobilidade, precisão e sensibilidade.”, refere Helena Gatinho, na reportagem.

“A profundidade e abrangência com que esta reportagem explorou as várias dimensões da cirurgia da mão garantiram-lhe o prêmio desta primeira edição”, explica João Gamelas, presidente da SPOT e membro do júri.

Nesta primeira edição do prémio, o júri foi constituído por João Gamelas, presidente da SPOT; João Gonçalves, diretor executivo da APORMED; Ana Maurício d´Avó, Diretora de Comunicação na APIFARMA; Isabel Moiçó, jornalista experiente e reconhecida na área, e Andreia Garcia, professora doutorada em ciências da comunicação e docente na ESCS-IPL.

O prémio, no valor de 1.000€ (mil euros), vai ser entregue no dia 10 de dezembro, pelas 14 horas, na sede da SPOT.

 
Gonçalo Trafaria esclarece receios mais comuns durante a lavagem nasal dos bebés
No mais recente episódio do podcast “Por Falar em Segurança”, promovido pela B. Braun, o fisioterapeuta e osteopata Gonçalo...

“A lavagem nasal pode ser realizada desde o primeiro dia de vida do bebé”, começa por explicar Gonçalo Trafaria. Entre os conselhos para tornar esta prática mais confortável para os bebés, o especialista sugere evitar realizá-la sempre na mesma divisão da casa, abraçar a criança com uma toalha para maior segurança e permitir que a criança imite a técnica nos seus brinquedos, facilitando uma relação mais natural com o procedimento. 

Por outro lado, “não há limite de lavagens nasais durante o dia”, desfazendo uma das grandes preocupações dos pais. Segundo o especialista, “será a quantidade de secreções que vai balizar o número de vezes que aqueles pais vão lavar o nariz”. Além disso, o profissional deixa claro que a lavagem nasal “é uma técnica relativamente simples e que não deve doer”.  

Durante a conversa, Gonçalo Trafaria explica também que não existe uma época do ano específica para a lavagem, embora possa ser mais predominante durante as estações frias. “No inverno, a lavagem nasal torna-se urgente e primordial de realizar, mas depois existem outros momentos ao longo do ano em que a lavagem nasal é fundamental”, continua. Um dos exemplos citados é a secura nasal incentivada pelo uso dos ares condicionados durante a primavera ou verão. 

“Queremos que este episódio seja uma ferramenta para apoiar os pais com orientações claras e práticas para que se sintam mais confiantes nos cuidados com os seus filhos”, explica Isabel Dias, Medical & Scientific Affairs Manager da B. Braun. “Sabemos que práticas como a lavagem nasal são frequentemente motivo de dúvida e queremos ajudar as famílias a compreender melhor a sua importância, promovendo uma abordagem mais tranquila e informada para a saúde dos mais pequenos”. 

O podcast, que já conta com episódios dedicados à hidrocefalia, conceito TIME e infeção do local cirúrgico, está disponível aqui

 
Objetivo é a angariação de fundos
O Movimento de Defesa da Vida (MDV), Instituição Particular de Solidariedade Social que se dedica ao fortalecimento da família,...

Esta iniciativa tem como objetivo angariar fundos que permitam dar resposta a necessidades urgentes das famílias do Projecto Família® - atividade principal da instituição.

A campanha “Presentes Solidários” tem como conceito relembrar qual o verdadeiro significado do Natal: a família, a união e a esperança. Através da compra dos artigos - o Livro "O dia em que as palavras voltaram para casa", um Jogo do Galo, um sortido de gomas, bolachas ou chá -é possível apoiar o MDV e, em simultâneo, oferecer um presente especial a quem mais se gosta.

O valor das receitas da campanha reverte a favor do Projecto Família®, um programa de intervenção programa de intervenção dirigido a famílias com crianças e jovens em risco de institucionalização, desenvolvido em contexto domiciliário, com o objetivo de garantir que permaneçam em segurança junto das suas famílias. Em 2023 neste programa foram apoiadas 353 famílias e 541 crianças.

Ana Avillez, responsável pela Comunicação e Angariação de Fundos da instituição, sublinha que que “estas campanhas são de extrema importância, porque dão efetivamente resposta às necessidades crescentes de muitas das famílias que acompanhamos. Os presentes solidários, para além de serem uma campanha de angariação de fundos, têm também como significado reunir a família e os amigos, demonstrando o espírito de amor e união por aqueles que nos rodeiam”.

A aquisição destes artigos, bem como dos packs de Natal criados especialmente para esta iniciativa, pode ser feita através do preenchimento de um formulário .

 
Dia Internacional das Pessoas com Deficiência | 3 de dezembro
O Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, celebrado anualmente a 3 de dezembro, foi proclamad

Dentro desse contexto, a deficiência auditiva apresenta desafios únicos. Apesar de avanços notáveis nos dispositivos como implantes cocleares e próteses auditivas, a acessibilidade plena — desde serviços de saúde até inclusão social — continua a ser uma meta distante. Para quem utiliza essas tecnologias, como nós, os benefícios são incontestáveis, mas as falhas no acesso, no suporte e na compreensão pública das nossas necessidades ainda limitam o impacto positivo destas inovações. 

Neste artigo, propomos reflectir sobre os progressos já alcançados e, principalmente, sobre o muito que ainda precisa de ser feito para que a acessibilidade auditiva seja uma realidade, e não apenas um ideal. 

A Situação Atual da Acessibilidade das Pessoas com Deficiência Auditiva em Portugal 

Em Portugal, a acessibilidade para pessoas com deficiência auditiva que utilizam tecnologias de reabilitação auditiva tem registado avanços, mas ainda enfrenta desafios significativos em várias áreas. O acesso às tecnologias, as políticas públicas e as iniciativas de inclusão em educação e emprego são essenciais, mas muitas vezes insuficientes para garantir uma verdadeira igualdade de oportunidades. 

1. Tecnologias Disponíveis 

Portugal oferece acesso a uma gama de tecnologias de reabilitação auditiva, algumas disponíveis através do Sistema Nacional de Saúde (SNS), outras acessíveis apenas pelo setor privado, devido ao custo elevado. 

Próteses Auditivas: 

As próteses auditivas continuam a ser uma solução para muitas pessoas com perda auditiva leve a severa. Contudo, o custo elevado e a falta de financiamento integral pelo SNS tornam o acesso difícil, especialmente para famílias de baixo rendimento. 

Implantes Auditivos: 

  • Implantes Cocleares: Disponíveis através do SNS para pessoas com surdez severa a profunda. Portugal tem centros especializados no procedimento, mas o número limitado de vagas, longas listas de espera e a falta de acompanhamento técnico especializado para manutenção dificultam o uso ideal. 
  • Implantes Osteointegrados: Indispensáveis para perdas auditivas condutivas ou mistas, mas menos acessíveis devido a critérios restritivos e altos custos. 
  • Implantes de Ouvido Médio: Uma solução mais recente, mas ainda pouco utilizada em Portugal, possivelmente devido ao seu custo e falta de conhecimento sobre a tecnologia. 

Acessórios e Manutenção: 

Muitos dispositivos requerem acessórios caros (baterias, cabos, processadores de som). Estes custos nem sempre são subsidiados, o que pode limitar a sua utilização prolongada. 

A ausência de técnicos especializados fora das grandes cidades deixa muitas pessoas sem suporte adequado em zonas rurais. 

2. Legislação e Políticas Públicas 

Portugal possui legislação que visa garantir os direitos das pessoas com deficiência, mas a implementação muitas vezes fica aquém do esperado. 

  • Decreto-Lei n.º 163/2006: Define as condições de acessibilidade em edifícios públicos e privados. Contudo, raramente inclui critérios específicos para acessibilidade auditiva, como sistemas de som amplificado ou aro de indução/loop magnético. 
  • Lei n.º 38/2004: Estabelece os direitos das pessoas com deficiência, incluindo a necessidade de igualdade de acesso à saúde e educação. Apesar disso, faltam regulamentos específicos para atender às necessidades de quem utiliza tecnologias auditivas. 

Planos de Inclusão e Emprego: 

O Instituto Nacional para a Reabilitação (INR) tem promovido políticas de inclusão, mas programas específicos para pessoas com deficiência auditiva ainda são escassos, e o cumprimento das quotas para emprego de pessoas com deficiência raramente é fiscalizado. 

3. Inclusão na Educação 

O sistema educativo português tem promovido a inclusão, mas continua a apresentar barreiras significativas para alunos com deficiência auditiva: 

Apoios Tecnológicos: 

Embora alguns alunos tenham acesso a sistemas FM ou outros dispositivos para melhorar a audição em sala de aula, a disponibilidade depende da escola ou da região. 

Muitos professores desconhecem como utilizar esses sistemas, o que limita a sua eficácia. 

Ambientes Acústicos Inadequados: 

Salas de aula sem tratamento acústico tornam difícil para estudantes com tecnologias auditivas captar o som com clareza, especialmente em ambientes ruidosos. 

Falta de Formação: 

Professores e funcionários escolares raramente recebem formação sobre as necessidades específicas de alunos com deficiência auditiva, prejudicando a sua inclusão plena. 

4. Inclusão no Emprego 

Apesar de existir legislação para promover a contratação de pessoas com deficiência, a realidade para os usuários de tecnologias auditivas em Portugal continua desafiadora: 

Falta de Sensibilização: 

Empregadores muitas vezes desconhecem as capacidades das pessoas com deficiência auditiva, perpetuando preconceitos e limitando as oportunidades de emprego. 

Adaptação de Ambientes: 

Poucas empresas adaptam os seus espaços ou fornecem ferramentas de apoio, como telefones compatíveis com próteses auditivas ou sistemas de amplificação para reuniões. 

Quota de Contratação: 

A Lei das Quotas para pessoas com deficiência exige que empresas públicas e privadas com mais de 75 funcionários tenham entre 1% e 2% de trabalhadores com deficiência. No entanto, a fiscalização é limitada e os dados sobre o cumprimento dessa medida são escassos. 

5. Desafios Persistentes e Propostas de Melhoria 

Embora Portugal tenha dado passos significativos, especialmente no acesso às tecnologias auditivas pelo SNS, muitos desafios permanecem: 

Ampliação do Acesso: 

É necessário expandir o financiamento para próteses e implantes auditivos, garantindo que a manutenção e acessórios sejam mais acessíveis. 

Adaptação dos Espaços Públicos: 

Introduzir sistemas de som amplificado ou loop magnético e/ou bluetooth auracast em locais como escolas, teatros e transportes públicos. 

Investimento em Formação: 

Promover programas de sensibilização para professores, empregadores e profissionais de saúde. 

Fiscalização de Leis: 

Garantir que a legislação existente seja aplicada, especialmente no cumprimento das quotas de emprego. 

Portugal tem o potencial de se tornar uma referência em acessibilidade auditiva na Europa, mas para isso é crucial que se passe da teoria à prática, com ações concretas e eficazes. 

Experiências Pessoais: Reflexões Sobre a Acessibilidade   

António Ricardo Antunes Miranda. Nasceu a 14 de Março de 1978. À nascença já enfrentava as suas limitações físicas, pois foi-lhe diagnosticado um problema no olho esquerdo - coloboma, deformação na íris, ou síndrome de olho de gato -, que provocou a perda da visão central desse olho. O direito não foi afectado! No entanto, já era algo limitativo, porque algumas actividades que exigiam descer e subir escadas, na ginástica ou educação física (tinha medo de exercícios mais arrojados), ou ver em profundidade (tal como exemplo, servir à mesa), haviam situações aparatosas. Apesar disso, a educação foi sempre tratada como se de uma pessoa normal, e na infância brincava com a sua naturalidade. 

Na adolescência, aos 15-16 anos, começou a sentir dificuldades em ouvir sons subtis ou agudos, como um tic-tac de um relógio ou um canto de um galo. Foi por aí, que começou a aventura auditiva, já a usar prótese(s) auditiva(s), no fim do ensino secundário complementar, e depois, na universidade, que conseguiu com êxito concluir o curso exigente de Engenharia Electrotécnica e de Computadores, de Controlo e Robótica, no IST/Lisboa. Nas salas de aula ou anfiteatros, com má  acustica e presença de ruído (colegas a sussurrar, etc), necessitava do apoio de colegas para lhe passar apontamentos das aulas que não percebia ou tinha dificuldade em ouvir. Com o evoluir da situação ou perda auditiva, foi descoberta a patologia de otosclerose, que foi sempre agravando a condição auditiva.  

Em 2007, com a perda auditiva mais evoluída, foi-lhe recomendada a cirurgia de implante coclear num dos ouvidos, continuando com prótese auditiva no outro.  

Nunca teve sucesso na actividade profissional, mas sempre foi uma pessoa bastante concentrada e em busca da perfeição, mesmo com as deficiências, aceitou trabalhar meio ano no Brasil num gabinete de projectos em São Paulo, para o Mundial de futebol de 2014, que permitiu o contacto com outras pessoas com deficiência auditiva no Brasil, pois já tinha fundado (juntamente com outros amigos) a OUVIR - Associação Portuguesa de Portadores de Próteses e Implantes Auditivos, de que começou a actividade como presidente. O ruído e a má acústica sempre foram um entrave, os piores inimigos na comunicação oral. E em espaços com muitas pessoas, o trabalho em open spaces ou espaços abertos perturbava, e por vezes, tinha de desligar os aparelhos auditivos. Gosta de cinema, de ouvir música e de ler e interagir nas redes sociais. É uma pessoa comunicativa e interessada pela cultura. Nunca usufruiu de acessibilidade como o aro de indução ou loop magnético, nem outra tecnologia assistiva. Mas, foi sempre fundamental, e cada vez mais a legendagem escrita, porque também desenvolveu uma condição, que é o síndrome de Charles-Bonnet, de ouvir sons e vozes, por vezes confundido por esquizofrenia.  

Nos últimos anos, e após pandemia de covid, passou a usar muito a comunicação online e videoconferência com recurso a legendagem acessível. Mas, claro, gosta de conversar oralmente e não se limita às actividades interiores. No entanto, as suas responsabilidades, e hobbies, nem sempre lhe permitem perder o contacto com o mundo virtual e chats com pessoas que tem incumbências comuns. 

José Miguel Rodrigues de Almeida. Nascido em 1975 e aos 14 meses sofreu uma queda de cerca de 1,50 metros de altura, que originou estado de coma durante 3 meses e sem falar até aos 5 anos. 

Volvidos 39 anos, iniciou um quadro muito idêntico a AVC isquémico, com paralisia de Bell, espasmos hemifaciais, perda súbita de audição, tonturas, vertigens, náuseas, pressão no olho do lado da paralisia. 

Após muitas opiniões médicas, encontrou um neurocirurgião que trata e opera casos raros como este. 

Trata-se de microcompressão no VII e VIII par de nervos cranianos dt (nervo Vestibular e Glossofaríngeo), na zona de AICA. Ficou sem uma parte da zona cranial (occipital, ângulo pontocerebelar), tendo uma plastia, que mesmo assim, deixa passar algum líquido cefalorraquidiano, causando alguns transtornos de dor crónica occipital. 

Realizou-se uma cirurgia inédita a nível mundial em 2016, e iniciou-se estudos fisiológicos no seu corpo para casos futuros.  

Nesta cirurgia, foram colocadas 32 peças de teflon, para minimizar a causa e não para tratar. Por já ter cofose no ouvido esquerdo, foi realizado uma cirurgia para implante coclear. No lado oposto, usa um aparelho auditivo, para melhor escuta e perceção de palavras, sons e espaço. 

Desde a primeira cirurgia, já ocorreram mais 5. Sendo a última, para colocar um elétrodo PEN (estimulador de nervo periférico) na zona occipital, para aliviar a dor crónica. 

Ficou com hipersensibilidade a fatores como a Pressão Atmosférica, e eletromagnéticos. Quando estes alteram rapidamente, o seu corpo não consegue acompanhar a rapidez e entra em falência, dor, sintomatologia e patologia.  

Trabalhou como Técnico de Emergência Pré-Hospitalar, tendo sido colaborador do Estado de 2008 a 2022, no INEM e, foi de igual tempo, Bombeiro. Formou-se em Espanha em Osteopatia, e atualmente exerce a atividade e estuda na Universidade Jean Piaget. 

Está reformado por invalidez relativa, com incapacidade de 77%. Está em constante adaptação aos meios por onde anda.  

Como experiência de pessoa com incapacidade, nota que a Sociedade de forma geral, não está preparada para receber e entender tais pessoas. Sobre a surdez, os ruídos são constantes abafando os sons naturais e até mesmo os sons vocais. Logo uma conversa em locais como num café ou restaurante, pode comprometer o diálogo e compreensão, não só com as pessoas com quem convive, como também, com quem o pode vir atender. Procura locais com pouco nível de ruído, de forma a que possa entender de forma nítida. Não se trata bem de isolamento, mas sim de procura de bem-estar e homeostase para o seu caso. Como tem algumas suturas de dimensões consideradas, em alguns locais nota que, algumas pessoas, sentem maior emoção gerando medo e até pânico. Já lhe aconteceu por duas vezes, estar sentado a uma mesa para almoçar, e ser convidado pelo gerente a mudar de mesa por clientes terem acesso visual às suturas e não conseguirem suportar tal visão. O mesmo acontece com o Implante Coclear, que é constantemente questionado o que é aquele aparelho e para que serve. 

«João Paulo Martins Mota. Tenho 50 anos de idade. Sofro de hipoacusia neurossensorial bilateral severa a grave desde criança. 

Só deram conta que tinha algum problema, pois não respondia às questões das educadoras.  

Como o meu pai, tinha epilepsia, pensaram que também poderia estar a desenvolver esta patologia. Electroencefalogramas atrás de electroencefalogramas, medicação de psiquiatria, chegou-se à conclusão, que o problema não era psiquiátrico, mas sim da audição.  

Andei a ser seguido pelo otorrino no Hospital Maria Pia até aos meus 17 anos e 364 dias. 

A partir dos 18 anos de idade, andei a ser seguido no Hospital de São João, pelo otorrinolaringologista Dr. Eduardo Cardoso, que incansavelmente fez de tudo para descobrir a causa da hipoacusia neurossensorial bilateral. Após imensos exames, despistes o Dr. Eduardo chegou à conclusão que não sabe explicar a hipoacusia neurossensorial bilateral, se foi na gestação, se foi através de uma otite mal curada... causa inespecífica. 

Em relação à perda de audição, fez com que falasse mais tarde.... só com 7 anos de idade é que desenvolvi a fala. 

Durante o meu percurso escolar, apesar de ter sido aconselhado pelo médico de otorrino, a utilização bilateral de aparelhos auditivos, nunca utilizei, por vergonha, ser alvo de chacota através dos meus colegas. 

Durante o secundário e faculdade nunca utilizei os aparelhos auditivos, por vergonha, e de ser alvo de chacota pelos meus colegas, que levavam a que me refugiasse no meu canto, me isolava de todos.  

Quando comecei a trabalhar como administrativo no atendimento numa unidade de saúde, comecei a ter imensas dificuldades de ouvir os utentes, devido ao aumento da perda de audição.  

Com a utilização das próteses auditivas, eu passei a ouvir aquilo que não ouvia, face á perda de audição. Veio sem dúvida alguma, revolucionar a minha forma de estar, de conviver com os meus colegas de trabalho sem qualquer problema. 

E aqui foi uma colega de trabalho, Adelaide João, a quem agradeço, pois, graças a ela, por me incentivar a utilizar as próteses auditivas sem ter vergonha, e sem medos....ainda me lembro de ela me dizer, utilizas óculos correto, essas próteses é a minha coisa, é para passares a ouvir melhor e é para o teu bem-estar físico e mental. 

A partir daí nunca mais tive vergonha de utilizar as próteses auditivas, pois com elas, devolveram a qualidade de vida que há muito desconhecia existir. 

Só acho mal é uma situação que deve mudar....se eu tenho hipoacusia neurossensorial bilateral grave a severa, nunca mais irei ter uma audição normal..... só a tenho porque tenho as próteses auditivas, e daí a Associação Ouvir, lutar junto dos nossos governantes que tenhamos acesso ao atestado médico multiusos de incapacidade a partir dos 30% (para quem sofre de perda de audição). E haver legendas em todos os programas, de modo que cheguem a todas as pessoas. 

Só espero que não sejamos esquecidos, pois apesar de sofrermos de perda auditiva, somos pessoas como outras quaisquer.»

Desafios Específicos para a Comunidade Que Usa Tecnologia de  Reabilitação Auditiva 

Infra-estrutura Pública: 

  • Ambientes sem preocupações com a acústica ou ausência de amplificação sonora. 
  • Falta de dispositivos como sistemas FM ou loop magnético em espaços públicos. 

Sistemas de Saúde e Reabilitação: 

  • Falta de acompanhamento continuado para usuários de implantes e próteses. 
  • Custos elevados de acessórios ou baterias, não totalmente cobertos pelo SNS. 

Consciencialização Social: 

  • Pouca sensibilização sobre as necessidades das pessoas com reabilitação auditiva. 
  • Ausência de formação para profissionais em ambientes como escolas ou serviços públicos. 

Importância da Legendagem Escrita: 

  • A legendagem não é apenas uma ferramenta para a comunidade surda, mas essencial para pessoas que utilizam tecnologias auditivas e enfrentam dificuldades em ambientes ruidosos ou com baixa qualidade sonora. 

Análise da situação atual em Portugal: há legendagem acessível na televisão, cinema, plataformas de streaming? 

Resposta: 

A situação atual da acessibilidade à legendagem em Portugal apresenta avanços importantes, mas ainda está aquém do ideal para as pessoas com deficiência auditiva. Aqui está um panorama: 

  • Televisão 

Na televisão portuguesa, as principais emissoras (RTP, SIC e TVI) são obrigadas a garantir legendagem para determinados programas, especialmente no horário nobre e para conteúdo noticioso e informativo. No entanto, a cobertura permanece limitada. Um estudo da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) revela que algumas emissoras ainda enfrentam dificuldades em cumprir as quotas obrigatórias de horas legendadas, e a qualidade das legendas (como sincronização e clareza) varia muito. 

  • Cinema 

Nos cinemas, a legendagem acessível não é uma prática regular para pessoas com deficiência auditiva. Muitas sessões legendadas são voltadas para quem não entende a língua original dos filmes, e raramente incluem legendas completas com indicações de sons do ambiente ou diálogos específicos necessários para pessoas com deficiência auditiva. 

  • Plataformas de Streaming 

As plataformas de streaming, como Netflix, Disney+ e Amazon Prime Video, oferecem legendagem em português, incluindo algumas opções mais acessíveis (com descrição de som). No entanto, o mesmo não acontece de forma consistente em serviços locais ou em conteúdos menos populares. 

Desafios Restantes 

  • Qualidade e Consistência: Embora existam boas práticas definidas pela ERC, como um guia para legendagem acessível, a aplicação ainda não é uniforme. 
  • Falta de Fiscalização: Apesar de obrigações legais, faltam mecanismos de monitoramento eficazes e sanções rigorosas para emissoras e plataformas que descumprem as normas. 

A proposta de uma Lei Nacional de Acessibilidade poderia incluir metas mais ambiciosas para expandir a legendagem acessível a todas as plataformas audiovisuais, com incentivos para promover essa acessibilidade e sanções para descumprimento. Esse passo seria crucial para transformar o acesso à informação e cultura em um direito garantido para todas as pessoas com deficiência auditiva. 

Ausência de legendas automáticas ou precisas em conteúdos de redes sociais (desafios em plataformas como YouTube, Instagram, TikTok) pode ser uma limitação na comunicação também. 

Propostas para fomentar a obrigatoriedade da legendagem em audiovisuais e transmissões ao vivo, pode passar por uma Lei Nacional de Acessibilidade actualizada e bem estruturada, que inclua a tecnologia mais avançada de detecção e transcrição e tradução (quando necessário) das vozes originais. 

Educação do Público: 

  • Falta de compreensão sobre como legendas facilitam a inclusão, mesmo para aqueles que ouvem parcialmente. 
  • Necessidade de campanhas de sensibilização junto aos media e produtores de conteúdo. 

Propostas para Melhorar a Acessibilidade Auditiva em Portugal 

  • Garantir acessibilidade acústica em espaços públicos e privados (salas de aula, auditórios, transportes). 
  • Melhorar o acompanhamento e financiamento das tecnologias auditivas no SNS. 
  • Campanhas de sensibilização para promover a inclusão da comunidade que utiliza dispositivos auditivos. 
  • Estímulo à investigação e inovação tecnológica acessível. 
  • Tornar legendagem obrigatória em todas as transmissões audiovisuais, eventos públicos e plataformas digitais. 
  • Apoiar inovações tecnológicas para legendagem em tempo real. 
  • Garantir formação de profissionais para criar legendas de alta qualidade. 

Conclusão : Rumo a uma Lei Nacional de Acessibilidade das Pessoas com Deficiência Auditiva 

Apesar dos avanços alcançados em Portugal, a acessibilidade para pessoas com deficiência auditiva continua a ser desigual e limitada. Para superar estas barreiras, propomos a criação de uma Lei Nacional de Acessibilidade para Pessoas com Deficiência Auditiva, que contemple medidas rigorosas e abrangentes, incluindo a promoção de inovações tecnológicas como o Bluetooth Auracast, mas também continuar a instalar o Loop Magnético. 

Esta tecnologia, capaz de transmitir som diretamente para dispositivos auditivos compatíveis (próteses, implantes cocleares e outros), tem o potencial de transformar a acessibilidade auditiva em espaços públicos, ambientes culturais e até no quotidiano. 

Esta lei deveria consolidar e expandir as obrigações legais existentes, focando-se especificamente na inclusão das pessoas que utilizam tecnologias de reabilitação auditiva. Para isso, sugerimos as seguintes disposições: 

Medidas de Caráter Obrigatório e Fiscalização:  

1. Comunicação Social (Televisão, Rádio e Podcasts): 

  • Legendagem Obrigatória: Todos os programas televisivos (em direto e gravados), conteúdos de streaming e vídeos publicados em redes sociais devem ser legendados. 
  • Multas para Não-Conformidade: Aplicação de coimas às emissoras e criadores de conteúdos que não cumprirem os critérios de acessibilidade. 

2. Espaços Públicos e Cultura: 

  • Sistemas de Acessibilidade Auditiva: Implementação obrigatória de tecnologias como o Bluetooth Auracast em cinemas, teatros, salas de conferência, transportes públicos e outros espaços de uso coletivo. 

Este sistema permite que o som seja transmitido diretamente para os dispositivos auditivos dos utilizadores, eliminando ruídos e barreiras acústicas. 

  • Inclusão de Loop Magnético e Amplificação Sonora: Adicionalmente, como alternativa, para garantir acessibilidade em locais onde o Bluetooth Auracast ainda não esteja amplamente implementado, e até porque nem todos as tecnologias de reabilitação auditiva suportam o Bluetooth. 
  • Fiscalização Regular: Garantia de que esses sistemas estão instalados, operacionais e acessíveis. 

3. Serviços Públicos e Municipalizados: 

  • Adaptação de Espaços: Integração do Bluetooth Auracast em repartições públicas, sistemas de chamada sonora e zonas de espera para facilitar a comunicação com pessoas que utilizam tecnologias auditivas. 
  • Formação de funcionários e adaptação de sistemas de chamada sonora, garantindo que pessoas com tecnologias auditivas consigam interagir eficazmente. 
  • Sinalização Universal/Visual e Acústica: Indicação clara em todos os espaços adaptados, promovendo a utilização das tecnologias disponíveis, sistemas claros e inclusivos para emergências ou comunicações essenciais. 
Incentivos e Benefícios 

Para facilitar a adesão a estas tecnologias e promover a sua implementação: 

1. Incentivos Fiscais e Financeiros: 

  • Subsídios ou reduções fiscais para entidades que integrem o Bluetooth Auracast e/ou Loop Magnético ou sistemas similares em seus espaços e serviços. 
  • Apoio à aquisição de dispositivos compatíveis para instituições públicas e privadas. 

2. Campanhas de Sensibilização e Reconhecimento: 

  • Certificação de boas práticas para empresas e instituições que liderem na implementação de tecnologias como o Bluetooth Auracast e Loop Magnético. 
  • Divulgação da tecnologia para garantir que as pessoas com deficiência auditiva compreendam o seu funcionamento e benefícios. 

3. Parcerias Tecnológicas: 

  • Estímulo ao setor privado para acelerar a adoção de tecnologias compatíveis, com destaque para equipamentos de áudio e dispositivos auditivos em Portugal. 

4. Apoio Financeiro: 

  • Subsídios para serviços municipalizados e empresas culturais que implementem sistemas de acessibilidade. 
  • Financiamento público para a adaptação de espaços e aquisição de tecnologias. 
  • A implementação desta lei traria um impacto significativo não só para as pessoas com deficiência auditiva, mas também para toda a sociedade, que se tornaria mais justa, inclusiva e igualitária. 
Convite à Ação: 

Apelamos ao Governo, às entidades públicas e privadas e à sociedade civil que unam esforços para tornar esta visão uma realidade. A inclusão é um direito, não um privilégio, e Portugal tem a oportunidade de liderar pelo exemplo. 

Com medidas concretas e comprometimento, podemos construir um futuro onde todos, independentemente das suas capacidades auditivas, tenham acesso pleno ao som e à informação que os rodeia. 

Sugestão Tecnológica: 

Impacto do Bluetooth Auracast e Outras Medidas 

A inclusão do Bluetooth Auracast como medida obrigatória na acessibilidade auditiva marca uma nova era de inovação e inclusão em Portugal. Esta tecnologia não só elimina barreiras sonoras como também promove uma experiência auditiva personalizada, essencial para ambientes desafiadores como aeroportos, transportes públicos e espaços culturais. 

Combinando inovação, legislação rigorosa e incentivos eficazes, podemos transformar Portugal num modelo de acessibilidade auditiva, garantindo que todos, independentemente das suas capacidades, tenham acesso pleno ao som e à informação no seu quotidiano. 

Foto: 
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Candidata da Lista B venceu as eleições que decorreram na passada sexta-feira
Sofia Ramalho foi eleita esta sexta-feira Bastonária da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), numas eleições para as quais...

Nestas eleições participaram três listas.  A Lista A – “Psicólog@s Pel@s Psicólog@s”, com Ana Conduto como candidata a Bastonária; aLista B – “Mais Ordem, Mais Profissão” com Sofia Ramalho como candidata a Bastonária e a Lista C – “Reforçar a Psicologia - Todos Somos Ordem”, com Eduardo Carqueja como candidato a Bastonário.

A lista B venceu a Direção Nacional com 2824 votos, seguida pela lista A com 2704 e pela lista C com 1634. Houve 81 votos em branco e 7 nulos.

Além da direção Nacional da Ordem dos Psicólogos foram ainda eleitas as direções das Delegações Regionais, do Conselho Fiscal, do Conselho Jurisdicional, do Conselho de Supervisão e dos Colégios de Especialidade. A lista B venceu todos os órgãos, com excepção da Delegação Regional do Sul, na qual venceu a lista A.

"O Corpo pode resistir à Perda de Peso"
A Lilly Portugal acaba de lançar a campanha de disease awareness “O corpo pode resistir à perda de peso”, com o apoio de...

Esta campanha de sensibilização apresenta-se em múltiplos formatos, acessíveis a todos, e dirige-se não só às pessoas com excesso de peso ou obesidade, mas também aos respetivos familiares e amigos, para que possam incentivá-los a procurar opções de tratamento junto de um profissional de saúde.

Tem como principal objetivo alertar para que a obesidade, embora seja considerada uma doença crónica em Portugal há cerca de 20 anos, é associada a estigma e discriminação e continua a ser subdiagnosticada e subtratada. Dado que a obesidade resulta de vários fatores, incluindo comportamentais, ambientais, socio-económicos e genéticos, o seu reconhecimento como uma doença, e não como uma escolha de estilo de vida que é culpa do indivíduo, é fundamental para que as pessoas com esta patologia possam receber tratamento adequado.

É ainda importante perceber que a abordagem da obesidade pode contribuir não apenas para a perda de peso per si, mas também para a melhoria da saúde6, nomeadamente através da melhoria de complicações relacionadas com o peso como a diabetes mellitus tipo 2, a hipertensão arterial e a dislipidemia, entre outras.

Neste contexto, esta campanha conta com o apoio da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM), Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO), Sociedade Portuguesa de Cirurgia de Obesidade e Doenças Metabólicas (SPCO) e Associação Portuguesa de Pessoas que Vivem com Obesidade (ADEXO), na expectativa de oferecer uma resposta mais completa e disponível ao doente.

Para Paula Freitas, presidente da SPEDM, “A obesidade é uma doença crónica, complexa e multifatorial. As pessoas com obesidade têm uma elevada carga de doenças e são discriminadas e estigmatizadas. É tempo de agir na abordagem da doença e do estigma associado!” à qual, Luísa Veiga, na qualidade de membro da direção da SPEO, acrescenta que “As campanhas de consciencialização sobre a obesidade desempenham um papel crucial na educação da população sobre os riscos que esta patologia representa para a saúde. Além de promoverem a adoção de hábitos alimentares saudáveis e a prática regular de atividade física, informam sobre o desenvolvimento de novos fármacos, inovadores no tratamento da obesidade, que complementados com as abordagens terapêuticas tradicionais proporcionam alternativas eficazes para a prevenção desta patologia e doenças associadas.”

John Preto, presidente da SPCO, reforça que “A saúde pesa mais que o preconceito: lutem contra o estigma, não contra as pessoas.”. Carlos Oliveira, presidente da ADEXO, concorda com esta visão – “À semelhança da missão da ADEXO, estas campanhas permitem ver a obesidade com outros olhos e garantir que o doente obeso tem condições dignas de tratamento, com vista a melhorar a qualidade de vida e o bem-estar das pessoas com obesidade.”

Alícia de Castro, diretora geral da Lilly Portugal, remata afirmando que “Pretendemos desconstruir preconceitos e aumentar a literacia sobre a obesidade enquanto doença. Queremos capacitar os doentes, as suas famílias e os profissionais de saúde a trabalharem juntos para alcançar soluções que melhorem a qualidade de vida e combatam as dificuldades associadas a esta condição. Porque muitas vezes o corpo pode resistir à perda de peso e é preciso atuar”.

1ª edição realizou-se ontem
O Monsantos Open Air foi palco da cerimónia de entrega de prémios da 1.ª edição dos One Health Pet Awards, uma iniciativa que...

A gala, que teve como anfitrião o animador de rádio Paulo Fernandes, começou com um conjunto de seminários com o intuito de educar e sensibilizar o público sobre a profunda ligação entre humanos e os seus animais de estimação, sob os temas: O processo de luto pela perda de um animal de companhia, ministrado por Sofia Gabriel, Psicóloga Clínica na MIND; Linguagem Corporal Canina - O que saber na ótica do utilizador, orientado por Luisa Fechner, Clã do Cão e Saber mais sobre o meu cão pode mudar o mundo?, guiado por Carolina Brandão e Filipa Barreto – Médicas Veterinárias.

A cerimónia de entrega de prémios foi marcada por momentos de grande inspiração e partilha de conhecimento. Um dos destaques do programa foi a mesa-redonda, moderada por Xavier Canavilhas, da Ordem dos Médicos Veterinários, que contou com a partilha de opiniões de investigadores e especialistas de renome na abordagem One Health, como Margarida Reis, Ana Margarida Alho e, ainda, o espanhol Santiago Vega García, Diretor do Observatório One Health da Universidade CEU Cardenal Herrera, cuja experiência e visão enriqueceram o debate, trazendo uma perspetiva internacional sobre o conceito One Health.

Devido à elevada procura, o evento registou lotação esgotada, levando a organização a recorrer à transmissão via streaming para garantir que todos os interessados, incluindo quem não se encontrava em Lisboa, pudessem acompanhar a cerimónia. 

Houve ainda espaço para a atribuição do Prémio “Personalidade One Health” a Carlos Gonçalo das Neves, Chief Scientist da European Food Safety Authority (EFSA), pelo seu trabalho de investigação desenvolvido em torno do conceito One Health, saúde animal, biodiversidade e ameaças emergentes.

A cerimónia também foi marcada pela atribuição do Prémio “Pawrtners in Life”, atribuído por votação online a Pedro Aumari de Oliveira e à sua cadela-guia Java. Este prémio destaca histórias de ligação e heroísmo entre os animais e os seus tutores, reforçando o impacto positivo dessas relações na saúde integrada.

"Esta primeira edição representa um marco no reconhecimento de projetos que promovem a saúde integrada, incentivando a inovação e a cooperação entre diversas áreas de conhecimento", afirma Bernardo Soares, Healthcare Director da UPPartner "O compromisso da UPPartner é deixar uma marca positiva no nosso planeta e com a criação do projeto One Health Pet Awards pretendemos continuar a inspirar a promoção de boas práticas e valorizar iniciativas que reforcem a ligação entre a saúde humana, animal e ambiental, criando um futuro mais sustentável e equilibrado”.

Houve ainda espaço para a apresentação do projeto de investigação científica intitulado “A relação entre humanos e animais de companhia impacta a saúde mental?”, que pretende aprofundar o impacto positivo dos animais de companhia no bem-estar emocional e psicológico das pessoas. Este estudo, que visa aprofundar o impacto positivo dos animais de companhia no bem-estar emocional das pessoas, vai ser desenvolvido pela agência de comunicação e marketing UPPartner, impulsionadora dos One Health Pet Awards, em parceria com investigadores de Universidades portuguesas e estrangeiras: Gonçalo Graça Pereira (Professor na Egas Moniz School of Health and Science), Joana Pereira (Professora na Egas Moniz School of Health and Science), Luísa Guardão (Médica Veterinária e investigadora do ICBAS - Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto), Paula Silva (Professora do ICBAS - Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto), Karina Silva (Investigadora do ICBAS - Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto), João Graça (Professor de Psicologia na Universidade de Groningen), Ana Junça da Silva (Professora de Psicologia no ISCTE-IUL) e Daniel Silva (Investigador da UBI – Universidade da Beira Interior). Este estudo visa aprofundar o impacto positivo dos animais de companhia no bem-estar emocional das pessoas.

O evento contou com a presença de 200 pessoas, na sua maioria profissionais do setor e investigadores que trabalham sob alçada do conceito One Health. 

Modernização da atividade cirúrgica pediátrica
A ULS São João iniciou o seu programa de cirurgia robótica na Pediatria. A primeira utente pediátrica a ser submetida a uma...

A cirurgia robótica apresenta múltiplas vantagens para o utente em termos de conforto pós-operatório, com menor dor associada, e de rapidez na recuperação, permitindo encurtar o período de internamento após a intervenção. Tem também associada uma maior precisão cirúrgica, anulando o trémulo do cirurgião pediátrico, e um menor risco de erro associado a qualquer intervenção cirúrgica pela uniformização dos procedimentos. Também para os profissionais, o robot cirúrgico pode em muito beneficiar o trabalho do cirurgião, quer em termos ergonómicos, quer em termos dos graus de rotação (ou seja, ao manipular instrumentos, o braço do robot tem maior liberdade do que o pulso humano).

“De futuro, queremos avançar para cirurgias mais complexas e em idades inferiores”, afirma Miguel Campos, diretor do serviço de Cirurgia Pediátrica.

O início do programa da cirurgia robótica na Pediatria representa um significativo avanço na modernização da sua atividade cirúrgica pediátrica no São João.

 
Dia 4 de dezembro
Realiza-se no próximo dia 4 de dezembro, em Santiago de Besteiros, Tondela, a Conferência dos 25 anos da Fresenius Kabi em...

“O papel da Indústria Farmacêutica nacional no contexto da estratégia para os medicamentos críticos” vai ser o tema em discussão, num painel constituído por membros da Comissão Europeia, concretamente da Health Emergency Preparedness and Response (HERA), representada por Pierre François Baulieu, pelo Diretor-Geral da Medicines for Europe, Adrian van den Hoven, pelo Vice-President Governmental Affairs & Public Policy da Fresenius SE, David Jauch, pela presidente da APOGEN, Maria do Carmo Neves e por um representante do INFARMED.

A cerimónia termina com a visita inaugural à expansão da Unidade de Produção de Penicilinas.

Trata-se de um momento de comemoração dos 25 anos da Fresenius Kabi em Portugal, enquanto companhia com o maior complexo industrial de produção de medicamentos do país, localizado no interior (centro), em Santiago de Besteiros. Conta com mais de 850 colaboradores, constituindo-se como um importante motor de desenvolvimento local e nacional, com produção de um portefólio alargado de medicamentos essenciais para o SNS, contribuindo para a autonomia nacional da produção de medicamentos.

 
 
 
Massa crítica de CoLABs essencial à introdução de soluções úteis e em tempo real nos hospitais
Promover a retenção de talento e a introdução de produtos e serviços inovadores e de valor para os doentes, numa crescente...

“Os CoLABs podem ser protagonistas da aproximação entre a ciência e os cuidados de saúde, retendo o talento, apoiando as start-ups e as empresas que operam neste importante ecossistema de inovação, assim como melhorando as competências digitais e funcionais das equipas médicas e promovendo a participação ativa dos doentes e respetivas comunidades nestes processos. Acima de tudo, importa medir, avaliar e valorizar aquele que é o real impacto destas atividades para a sociedade”, afirmou Ana Povo, Secretária de Estado da Saúde, nesta ampla reflexão sobre o papel dos laboratórios colaborativos em Portugal.

O Presidente dos Centros Académicos Clínicos, José Fragata, destacou a relevância dos CoLABs na área da saúde, afirmando que “são verdadeiras ferramentas de implementação para a tão necessária ponte entre o conhecimento académico a as especialidades clínicas praticadas nos Centros Académicos Clínicos. A inovação aplicada dos CoLABs pode acelerar o desenvolvimento e a implementação de soluções inovadoras em ambiente clínico, contribuindo para a inovação clínica feita em ambiente académico, com impactos para a qualidade da prestação de cuidados.”

“Os CoLABs são catalisadores de conhecimento e inovação por excelência, sendo responsáveis pelo desenvolvimento de produtos e serviços escaláveis, internacionalizáveis e com impacto para os cuidados de saúde em Portugal. No caso específico dos mais de 15 projetos de investigação que já conduzimos e que representam mais de 2,3 milhões de euros em dotação financeira, 37 publicações científicas e a colaboração com mais de 35 empresas e start-ups, mais de 180 profissionais de saúde e mais de 300 doentes, temo-nos empenhado, ao longo dos últimos cinco anos, no desenvolvimento de projetos inovadores, capazes de aportar um real valor à vida das pessoas e de contribuir para uma saúde mais integrada, transparente e sustentável”, comentou Ana Rita Londral, Diretora Executiva do VOH.CoLAB. 

 
BIOCHIP-PATHFINDER vence na categoria EIT Health
A final da edição de 2024 do programa Jumpstarter do EIT (Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia) realizou-se ontem, dia 28...

Este programa, promovido pelo Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia, um organismo da União Europeia, decorre durante sete meses, onde os participantes devem identificar e validar o melhor modelo de negócio para as suas ideias inovadoras baseadas na ciência, com o objetivo de transformar estas ideias em startups prontas para entrar no mercado. Este ano, a iniciativa recebeu 600 candidaturas, das quais 180 foram selecionadas para a formação, e destas, foram escolhidas as 49 melhores equipas para competir em Budapeste, divididas em 9 categorias, que abrangeram vários setores, desde o alimentar até ao energético.

Em cada categoria foram selecionados três vencedores, que receberam coletivamente prémios no valor de 150.000€. Na categoria EIT Health, a equipa portuguesa BIOCHIP-PATHFINDER foi a grande vencedora, que competiu com a WellscanPro, do Kosovo e a NexThera Tech, também de Portugal. 

O BIOCHIP-PATHFINDER é o primeiro laboratório plasmónico em chip orientado por IA alguma vez descrito, um dispositivo inovador de diagnóstico no local de prestação de cuidados, que pretende responder à urgente necessidade de detetar de forma rápida e eficaz a RAM (resistência antimicrobiana) que, anualmente, contribui para cerca de 5 milhões de mortes. Este sistema de deteção tudo-em-um é uma ferramenta de diagnóstico ultra-rápida, precisa, portátil, automatizada, acessível e fácil de utilizar, baseada em fenótipos, que irá apoiar a prescrição de antibióticos em tempo real, permitindo reduzir a disseminação da infeção e contribuindo para diminuir as taxas de mortalidade.

Na categoria EIT InnoEnergy, a equipa StoreNow conquistou o primeiro lugar, tendo competido com as equipas Deltasort, da Croácia, e Rehemp, da Sérvia. A StoreNow é uma plataforma digital que faz a ligação entre os proprietários de habitações interessados em instalar sistemas de armazenamento de bateria e as empresas ou instaladores que oferecem soluções de energia renovável. Através da plataforma, os utilizadores podem avaliar rapidamente o desempenho económico, técnico e ambiental das principais opções de armazenamento, sem a necessidade de recorrer a consultores externos.

Entre as 49 equipas que chegaram à final de Budapeste, encontrava-se também a equipa portuguesa Wonky Wonders, empresa de snacks, que competiu na categoria EIT Food.

Piotr Boulange, representante do programa EIT Jumpstarter, referiu que “O número de startups estabelecidas em países não ocidentais através de programas como o EIT Jumpstarter está a aumentar todos os anos, e muitas empresas que participaram em edições anteriores já atingiram avaliações multimilionárias. Este facto é particularmente importante para colmatar o défice de financiamento no ecossistema europeu de inovação. O programa ajuda a criar novos empregos, traz novas competências e estimula o empreendedorismo na região.”

O representante do programa mencionou ainda que “Considerando que cada euro investido no programa gera 30 euros de financiamento externo para novas empresas, o EIT Jumpstarter é um verdadeiro trampolim para fundadores talentosos.”

A próxima edição do programa terá início em janeiro, mas as pré-inscrições já estão disponíveis e podem ser feitas aqui. Em 2025, o EIT Jumpstarter prevê um apoio adicional aos talentos dos Balcãs Ocidentais e da Ucrânia e um novo prémio para reconhecer a melhor startup recém-criada na região mediterrânica e nas regiões ultraperiféricas da União Europeia.

Desde 2017, o programa EIT Jumpstarter já formou 1.180 talentos, o que levou à criação de 124 novas startups e 2.100 novos postos de trabalho nos países considerados inovadores emergentes e moderados, de acordo com o Painel Europeu da Inovação. Estas startups atraíram ao todo 150 milhões de euros de investimento externo até à data. O EIT Jumpstarter está aberto a mais de 22 países e regiões e é liderado pelo EIT Health, com o apoio do EIT Food, EIT InnoEnergy, EIT Manufacturing, EIT RawMaterials, EIT Urban Mobility e EIT Culture & Creativity.

 
Dia Mundial da Luta Contra a Sida | 1 de dezembro
O tempo vai decorrendo, e, de forma mais ou menos repentina, verificamos que já passaram mais de 40

A “pandemia VIH” está controlada?

Apesar de todos os avanços, não podemos fazer esta afirmação. Continuam a aparecer nas nossas consultas novos casos de doença VIH, muitos em estádios avançados. Isto significa que a cadeia de transmissão não foi cortada e a testagem é insuficiente. Este corte na cadeia seria possível se todos os casos estivessem diagnosticados, em tratamento e com viremias indetectáveis no sangue. UMA PESSOA COM CARGA VIRAL INDETECTÁVEL NÃO TRANSMITE O VÍRUS.

A generalidade da população está bem informada sobre esta patologia?

Infelizmente isto ainda não é uma realidade. O desconhecimento em relação às formas de transmissão e de prevenção continua a gerar comportamentos de risco que seriam evitáveis. Temos de saber que uma única relação sexual não protegida pode transmitir o vírus; que não é pelo aspecto exterior que se afere se alguém é ou não portador do VIH; que todas as idades podem contrair o vírus, numerosos novos doentes nos chegam com idades entre os 60 e 80 anos; todos deveríamos ser testados para o VIH pelo menos uma vez na vida e sempre que existam comportamentos de risco.

Já não existe discriminação contra os doentes por terem VIH?

Infelizmente existe. Por vezes até em locais onde todos os doentes deveriam estar mais protegidos, como os Hospitais. A génese deste estigma está no medo e no desconhecimento. Tal como na questão anterior, a ignorância em relação às formas de transmissão está na origem destes comportamentos. Não é demais reafirmar sempre que o vírus NÃO SE TRANSMITE por abraços, beijos, saliva, talheres, utensílios, contactos sociais do dia-a-dia…

Por outro lado, muito foi feito e houve grandes progressos ao longo destes anos:

  • A terapêutica antiretrovírica tem grande eficácia, na maior parte dos casos com um único comprimido diário.
  • O controle virológico e imunitário sob terapêutica possibilita que falemos numa doença crónica controlável, não numa doença fatal como há 30 anos.
  • A disponibilização de Profilaxia Pré Exposição, PREP, pode prevenir a transmissão da doença nalguns grupos específicos.
  • A disponibilização de Profilaxia Pós Exposição. PEP, reduz a possibilidade de transmissão após um contacto de risco.
  • A transmissão através da utilização de Drogas endovenosas teve uma drástica redução, graças aos programas virados para esta população no final do século XX.
  • A transmissão vertical, de mãe para filho durante a gravidez ou o parto, praticamente desapareceu em Portugal, sendo os últimos raros casos alvo de investigação. O rastreio e terapêutica durante a gravidez é fundamental.
  • Aparecem agora novas formas de tratamento, consistindo nomeadamente em duas injecções intramusculares de 2-2 meses, sem comprimidos.

Os objectivos actuais nos cuidados às pessoas que vivem com o VIH continuam a ser o controle virológico e imunológico, mas também vão muito para lá destes propósitos. O bem-estar global e o controle de outras doenças associadas constituem uma meta fundamental. É neste sentido que as numerosas unidades espalhadas pelo país exercem a sua actividade. Especialistas em Medicina Interna, Infecciologia ou outras especialidades trabalham diariamente para o controle desta patologia e de todas as comorbilidades a ela associada.

Da parte da população, a procura de informação, o rastreio sistematizado e o apoio sem discriminação são os comportamentos que realmente todos gostaríamos de ver generalizados.

A todos um feliz Primeiro de Dezembro, Dia Mundial de Luta Contra a SIDA.

 
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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Na área da Proteção contra as Radiações e Saúde
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu e designou, novamente, a Unidade Científico-Pedagógica (UCP) de Imagem Médica e...

Esta designação, com efeitos a partir do próximo dia 14 de dezembro, tem como missão providenciar aconselhamento técnico à OMS na identificação de prioridades no âmbito da investigação na área das radiações ionizantes e no apoio ao desenvolvimento de documentos e normas técnicas, elaborados pela referida organização.

O Centro Colaborador continuará, nos próximos quatro anos, sob a liderança do Prof. Doutor Graciano Paulo e da Prof. Doutora Joana Santos que, alinhados com os altos padrões da OMS, continuarão a trabalhar no sentido de melhorar a prestação de cuidados de saúde, através do desenvolvimento de estratégias de redução de dose nos doentes, profissionais e população em geral.

Para Joana Santos, docente e investigadora de IMR e líder do Centro Colaborador, “esta designação é tão relevante para a instituição como para a comunidade global de saúde pois os centros colaboradores desempenham um papel essencial na promoção de práticas seguras no uso da radiação em práticas médicas, potenciando a investigação”.

Para Graciano Paulo, Presidente da ESTeSC e líder do Centro Colaborador da OMS, “esta designação é o reconhecimento do trabalho de excelência que a ESTeSC tem vindo a desenvolver na área da proteção contra as radiações, sendo motivo de orgulho integrar a lista de apenas 20 instituições a nível mundial, que têm este reconhecimento e poder trabalhar no sentido de reduzir a exposição à radiação ionizante, promovendo boas práticas na prestação de cuidados de saúde”. 

 
 
Summer Medical School - International Program é dirigido a jovens estudantes de todo o mundo
Depois do sucesso a nível nacional e do programa em parceria com o Tecnológico de Monterrey, México (em 2024), a NOVA Medical...

Este programa de verão foi especificamente desenhado para imergir os participantes num ambiente de aprendizagem inovador, focado nas tendências que estão a moldar o futuro da saúde, nomeadamente o desafio da longevidade, uma prioridade política e social para uma sustentabilidade dos sistemas de saúde e da economia. Entre 21 e 25 de julho de 2025, os participantes terão acesso a conteúdos académicos e científicos de excelência, incluindo sessões interativas e workshops hands-on no Kitchen Lab da Instituição.

A Summer Medical School Lifestyle distingue-se pelo seu caráter internacional, atraindo participantes de todo o mundo e preparando os jovens para desempenharem papéis críticos no combate às doenças crónicas e na promoção da saúde populacional, com competências relevantes no autocuidado e literacia em saúde. Esta abordagem global não só enriquece os participantes, como também permite o intercâmbio de ideias e práticas que transcendem fronteiras.

“O que estamos a oferecer é a oportunidade dos participantes mergulharem nos conceitos da Medicina dos 4 P’s: Preventiva, Personalizada, Participativa e Preditiva, com foco na promoção da saúde e na adoção de tecnologias inovadoras no cuidado ao paciente. Inovação, conhecimento e networking internacional são as palavras-chave, sendo o espaço perfeito para reunir jovens com um espírito inovador e curiosidade científica”, explica Conceição Calhau, Subdiretora para a Extensão à Comunidade da NOVA Medical School.

O programa é integralmente em inglês, dando acesso a uma rede de networking internacional, sobretudo com os expertises da NOVA Medical School – líderes de opinião na área da medicina, ciências da nutrição, saúde pública e tecnologias emergentes, que podem manter-se no seguimento das suas trajetórias académicas e profissionais.

A professora Conceição Calhau refere ainda que “é fundamental que as novas gerações sejam preparadas para integrar práticas de saúde baseadas em evidências e estilos de vida adequados. Este programa vai além do ensino tradicional: é uma verdadeira imersão no futuro da saúde global. Pretendemos que estes jovens tenham a oportunidade de expandirem os seus conhecimentos e competências, em particular na prevenção de doenças e nas mais recentes abordagens inovadoras em cuidados médicos, numa experiência única de aprendizagem e inovação”.

Este programa oferece mais do que conhecimento técnico, prático e científico. Proporciona uma experiência social única, onde os participantes aprendem a trabalhar em equipa, desenvolver competências práticas e tornar-se promotores de saúde na sua comunidade. O impacto vai além do presente: forma profissionais conscientes e comprometidos com a construção de um futuro melhor.

O valor da inscrição cobre o alojamento em quartos individuais numa Residência de Estudantes em Lisboa, acompanhamento por monitores da NOVA Medical School, refeições nutricionalmente adequadas – com supervisão de ementas pela equipa de nutrição da escola -, consulta de nutrição, acesso ao programa Académico e Científico com oradores de renome, certificado de participação e, ainda, um sunset que encerra em festa uma semana intensiva de aprendizagem.

Esta iniciativa é, também, um marco importante para a instituição de ensino e posiciona a NOVA Medical School na vanguarda da capacitação de jovens, mesmo antes do acesso ao ensino superior: “A NOVA Medical School é uma das instituições mais prestigiadas a nível internacional no campo da educação e investigação médica e que forma os futuros líderes da saúde. Este programa é o espelho disso, com a participação de professores e especialistas líderes nas suas áreas”, explica Conceição Calhau. A professora não tem dúvidas de que esta “é uma oportunidade única para estes jovens, que irão não só aprender, como também conhecer colegas de várias partes do mundo, criando uma rede internacional que pode perdurar além do verão”.

 
Análise dos investigadores Carolina Santos e Pedro Pita Barros ao Orçamento do Estado
O orçamento do Estado para 2025 reforça o compromisso do Governo com a melhoria contínua do SNS. No entanto, e apesar dos...

A análise é revelada na mais recente Nota do Observatório da Despesa em Saúde – Orçamento do Estado para a Saúde 2025, da autoria dos investigadores Carolina Santos e Pedro Pita Barros, detentor da Cátedra BPI | Fundação ‘la Caixa’ em Economia da Saúde, no âmbito da Iniciativa para a Equidade Social, uma parceria entre a Fundação ‘la Caixa’, o BPI e a Nova SBE.

A análise – baseada na informação disponibilizada no Orçamento do Estado 2025, bem como na Nota Explicativa do Orçamento do Estado 2025 do Ministério da Saúde e no posterior Aditamento à Nota Explicativa – revela que, em 2025, a despesa efetiva consolidada em saúde aumentará 7,2% em termos nominais e 4,5 em termos reais, face ao orçamentado em 2024 e o peso relativo da despesa pública em saúde, no contexto da despesa primária das Administrações públicas, será de 13,3% em 2025. No entanto, e apesar dos reforços orçamentais, persistem desafios como a subexecução da despesa de capital, atrasos no pagamento a fornecedores externos do SNS e riscos de derrapagem na despesa com pessoal (o aumento de 13,79% no orçamento da despesa com pessoal no SNS deixa uma reduzida almofada financeira para cobrir aumentos de despesa que advenham de contratações e valorizações salariais ainda não contempladas).

A análise revela ainda que o Orçamento do Estado 2025 dá continuidade à integração de cuidados iniciada em 2024 e aposta em medidas que visam aumentar a cobertura da população por médicos de família, nomeadamente através da contratualização com os setores privado e social, com a criação das Unidades de Saúde Familiares modelo C. No entanto, e apesar do Orçamento do Estado para 2025 não apresentar estimativas do impacto orçamental das medidas apresentadas para o setor da saúde nem detalhe o contributo que os fundos do Plano de Recuperação e Resiliência têm nas principais iniciativas apresentadas, o documento inclui iniciativas (hospitalização domiciliária, monitorização do doente crónico à distância, implementação do Registo de Saúde Eletrónico Único) que podem trazer ganhos de eficiência aumentando a produtividade do SNS, "o que poderá ajudar a reverter (ou pelo menos a mitigar) a tendência de longo prazo de perda de produtividade no SNS que se observa pelo menos desde 2015" referem os investigadores. 

As principais políticas de saúde listadas no Orçamento do Estado foram agrupadas e analisadas em cinco grandes domínios:

Reforço e modernização do SNS

O investimento nos profissionais do SNS continuará a ser uma prioridade, com foco na valorização do trabalho, reconhecimento das contribuições e apoio à formação e investigação, promovendo o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional através de melhorias salariais para médicos e farmacêuticos. O documento mantém as políticas de investimento em infraestruturas e equipamentos do SNS (com a conclusão de obras em curso e novos projetos, como os hospitais do Oeste e o novo Hospital Central do Algarve) e prevê um reforço significativo nas infraestruturas destinadas aos Cuidados de Saúde Primários.

A modernização do setor da saúde será impulsionada pelos fundos do PRR (que apoiarão o fortalecimento da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, da Rede Nacional de Cuidados Paliativos e da Rede de Cuidados de Saúde Mental) mas, não especifica os encargos futuros associados a estes investimentos realizados com fundos do PRR, o que dificulta uma visão clara da pressão orçamental na área da saúde nos próximos anos.

Melhoria do acesso, qualidade e eficiência

O Orçamento do Estado 2025 apresenta diversas medidas para melhorar o acesso e a qualidade dos cuidados de saúde. Prevê-se a criação de novos Centros de Referência, o fortalecimento da saúde mental, a promoção da hospitalização domiciliária e a expansão das redes de Cuidados Continuados e Cuidados Paliativos. Serão priorizados o cumprimento dos tempos máximos de resposta para consultas, cirurgias e diagnósticos, com destaque para a introdução de uma prioridade clínica para doentes oncológicos.

Outra novidade é a criação das Unidades de Saúde Familiar (USF) modelo C, que oferecerão maior autonomia e flexibilidade, podendo ser contratualizadas com o setor social ou privado. Para garantir que estas Unidades ampliam a resposta assistencial e não atuam simplesmente como um mecanismo de redistribuição interna dos recursos do SNS, os profissionais de saúde que integram a equipa, bem como os sócios ou acionistas da entidade promotora da USF modelo C, não podem ter ou ter tido qualquer tipo de vínculo contratual por tempo indeterminado ou sem termo, conforme o caso, ao setor público da saúde nos últimos três anos, pelo que, segundo os investigadores "a gestão dos recursos humanos nessas unidades pode ser um desafio e gerar conflitos com a autonomia pretendida".

No que toca à gestão e qualidade, o Sistema Nacional de Avaliação em Saúde (SINAS) será revitalizado para promover melhores práticas no SNS, e as normas de orientação clínica serão reforçadas para garantir cuidados mais qualificados e centrados nas pessoas. Entre as melhorias já implementadas pelo Plano de Emergência e Transformação (PET) do SNS, destacam-se os novos centros para eventos agudos de menor complexidade e o canal SNS GRÁVIDA, que oferece atendimento direto para grávidas. Porém, o Orçamento do Estado 2025 não reporta os efeitos alcançados com estas medidas.

Promoção da saúde e Prevenção da doença 

O Orçamento do Estado 2025 prevê iniciativas específicas nos programas de vacinação contra o vírus da gripe e o vírus sincicial respiratório e o lançamento de um Programa de Prevenção de Doenças e Promoção da Saúde, com foco no combate à obesidade, melhoria da saúde oral e promoção do envelhecimento ativo. "No entanto, não é claro em que medida o Programa de Prevenção de Doenças e Promoção da Saúde vai promover sinergias com o Plano de Ação de Envelhecimento Ativo e Saudável 2023-2026, se haverá duplicação e desperdício de recursos ou se haverá um vazio, adiando-se decisões e ações".

Em relação à prevenção, está prevista a implementação de rastreios oncológicos e não oncológicos, uma meta mais ambiciosa do que a apresentada em 2024, que incluía apenas programas piloto para os cancros do pulmão, próstata e estômago.

Digitalização na saúde

O Orçamento do Estado 2025 destaca iniciativas de digitalização na saúde, com enfoque na uniformização dos sistemas de informação e na criação do Registo de Saúde Eletrónico Único (RSEU), que consolidará dados de saúde atualmente fragmentados entre entidades públicas, privadas e sociais. No entanto, e apesar da importância do RSEU para melhorar a integração de cuidados, os investigadores realçam que não são detalhados os seus ganhos de eficiência nem as suas especificidades. "De facto, dependendo das características do RSEU, as melhorias poderão ir desde a qualidade e quantidade de informação disponível, até à forma como esta é a apresentada e à rapidez com que é transmitida. Em qualquer caso, o desenvolvimento do RSEU é inevitável, e é importante que permaneça relevante na atenção e investimento, político e económico".

O incentivo à monitorização remota de doentes crónicos e a criação da Agência Nacional de Saúde Digital são outras das medidas apresentadas. Contudo, e devido à falta de clareza sobre os objetivos e as competências desta nova entidade – e sobre como se articulará com a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) e os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) – a nova agência pode agravar fragilidades existentes no sistema de decisão e investimento em saúde digital. "Na ausência de uma estratégia clara de digitalização para o SNS e na atribuição inequívoca de responsabilidades (…) a criação da Agência Nacional de Saúde Digital corre o risco de exponenciar as fragilidades já observadas no SNS em matéria de capacidade de decisão quanto a estratégias e a investimentos em digitalização e sistemas de informação", realçam os investigadores.

Política do medicamento

Embora não sejam especificadas as medidas necessárias para a sua continuidade, manter-se-á a promoção da prescrição de medicamentos genéricos e biossimilares e serão implementadas medidas para acelerar decisões sobre o financiamento de inovações terapêuticas por meio da reformulação do Sistema Nacional de Avaliação de Tecnologias de Saúde (SiNATS). "Contudo, não foram divulgadas informações adicionais sobre como será conduzida essa reestruturação. Nesse contexto, será essencial compreender em maior detalhe os mecanismos que serão implementados para lidar com a incerteza associada à qualidade e ao valor de novos produtos, bem como a regulamentação que será aplicada a produtos que não configurem inovações terapêuticas."

Em 2025, o orçamento para a saúde registará um aumento significativo, com um acréscimo de 1.132 milhões de euros (7,2%) em relação ao orçamentado para 2024 e 1.351 milhões de euros (8,8%) face à estimativa de execução para 2024. À semelhança do que aconteceu em 2024, a componente com maior peso é a aquisição de bens e serviços (49,8%) e as despesas com pessoal (42,0%). Face à estimativa de execução de 2024 a despesa com pessoal aumentará 6,4% e a aquisição de bens e serviços crescerá 3,3%. "O facto de entre 2015 e 2023 a execução da despesa com pessoal ter ficado, em média, 2,5% acima do orçamentado e a execução da despesa com aquisição de bens e serviços ter ficado, em média, 4,0% acima do orçamentado sugere que terá de ser feito um grande esforço de controlo destas despesas, para que a sua execução em 2025 não supere o orçamentado" referem os investigadores.

 
Conclusões das X Jornadas de Cardiologia e Hipertensão do Algarve
No âmbito das X Jornadas de Cardiologia e Hipertensão do Algarve, realizadas nos dias 15 e 16 de novembro, cardiologistas,...

No simpósio ‘Estenose aórtica. Diagnóstico e Perspetivas terapêuticas’, Rui Teles, cardiologista de intervenção na Unidade Local de Saúde de Lisboa Ocidental - Hospital de Santa Cruz, referiu que “a estenose aórtica é uma das doenças mais comuns das válvulas do coração, atingindo uma em cada 15 pessoas em Portugal. Pode ser fatal em 50% dos doentes, dois anos após o diagnóstico, caso não seja devidamente tratada.”

Quando há uma estenose, ou aperto, a válvula aórtica não abre completamente e vai ficando cada vez mais estreita, o que impede o fluxo normal do sangue do ventrículo esquerdo para a artéria aorta, durante a sístole (contração) ventricular. “Os cardiologistas clínicos, os médicos de medicina interna e os médicos de medicina geral e familiar têm um papel importante no diagnóstico atempado e na referenciação dos doentes com estenose aórtica”, acrescenta o cardiologista.

Jorge Mimoso, Diretor do Serviço de Cardiologia na Unidade Local de Saúde do Algarve, e membro da Comissão Organizadora do evento, reforçou que “o tratamento da estenose aórtica é um tema de extrema importância, dada a incapacidade atual do Serviço Nacional de Saúde (SNS) de dar resposta aos doentes em lista de espera e à crescente taxa de mortalidade”. O especialista frisou ainda: “como diretor do serviço de Cardiologia, tenho trabalhado incansavelmente para que o tratamento desta doença seja uma realidade no Algarve, de forma a permitir que os doentes dessa região possam ser tratados localmente, evitando a necessidade de percorrer mais de 300 km (centro mais próximo para o tratamento da doença) para receber o tratamento adequado”.

De acordo com a iniciativa ‘Valve For Life’ da Associação Portuguesa de Cardiologia de Intervenção (APIC), em Portugal, cerca de 50% dos centros apresentam um tempo de espera médio na ordem dos 150 dias para o tratamento por cateterismo. O cardiologista de intervenção, Rui Teles, refere que “a sobrecarga nos serviços de cardiologia e de cirurgia cardíaca muito tem contribuído para o aumento nos tempos de espera.” Neste sentido, os especialistas sugerem que é imprescindível aumentar a capacidade de oferta para estas técnicas de tratamento.

A estenose aórtica é uma doença grave, que afeta principalmente pessoas com mais de 70 anos, limitando as suas capacidades e diminuindo a qualidade de vida. Se não for detetada atempadamente, pode levar a um desfecho fatal.

Organizado pela Liga dos Amigos do Serviço de Cardiologia (LASC) do Hospital de Faro, uma organização sem fins lucrativos dedicada à prevenção e sensibilização para as doenças cardiovasculares, o evento representou um momento importante para todos os participantes, que puderam debater o panorama nacional dos cuidados na área de Cardiologia.

 
Iniciativa pretende sensibilizar para os cuidados visuais
Este sábado, 30 de novembro, o Centro Cultural de Viana do Castelo será palco do RITMO ÍRIS, uma iniciativa inovadora que une...

O RITMO ÍRIS é a primeira experiência do género em Portugal, oferecendo ao público a oportunidade de explorar a visão através de diferentes ritmos e estímulos sensoriais que promovem uma compreensão mais profunda dos cuidados oculares e da saúde visual. “Este tema é acutilante nos tempos atuais, uma vez que a prevenção da doença ocular e o seu tratamento, desde os casos mais simples de miopia, por exemplo, permitem uma melhor qualidade de vida e bem-estar em todo o ciclo de vida”, explica a presidente da SPLS, Cristina Vaz de Almeida. 

A iniciativa surge num momento em que as doenças oculares e a perda de visão continuam a impactar milhões de portugueses, reforçando a importância da prevenção e do diagnóstico precoce. "É um evento que procura ser interativo, dinâmico, experiencial baseado nos princípios da literacia em saúde com modelos que evocam a razão e emoção para estimular o início da mudança de comportamentos", continua a especialista em literacia em saúde. 

Durante o evento, os participantes vão envolver-se em várias estações interativas, onde vão vivenciar de forma prática e imersiva as mudanças na visão que ocorrem ao longo da vida. “Em cada etapa do percurso estarão stands dedicados a uma determinada patologia, com especial relevo nessa fase do ciclo de vida”, diz Sérgio Azevedo, coordenador da unidade de gestão e estratégia da SPO e diretor do serviço de oftalmologia da Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM). 

“Em cada stand vão ocorrer ainda ações de sensibilização, interação com os participantes, visualização de vídeos, realização de alguns meios complementares de diagnóstico e disponibilizados alguns folhetos informativos sobre a patologia, entre outras atividades”, continua o médico. A experiência é desenhada para todas as idades. 

“Cientes da importância de promover a saúde visual ao longo do ciclo de vida, acolhemos com elevado interesse a realização deste evento no nosso concelho”, acrescenta o presidente da Câmara de Viana do Castelo, Luís Nobre. “Esta é uma oportunidade para a população vianense participar numa iniciativa que se apresenta com um formato inovador e que proporciona aos visitantes uma experiência singular de promoção da saúde”. 

A primeira edição do evento vai decorrer no Centro Cultural de Viana do Castelo, em colaboração com o Serviço de Oftalmologia da ULSAM, e pretende-se que se possa repetir noutros locais do país. A iniciativa é gratuita e aberta ao público. Para mais informações, consulte o site da Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde. 

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