Programa de formação de jovens
Após um ano de pandemia, a Glintt vai voltar a apostar no programa de formação de jovens “Academia Glintt” com o intuito de...

A 5ª edição do programa Academia Glintt tem como objetivo reforçar a sua equipa, através da entrada de novos colaboradores, na área de tecnologia e na área da saúde. Como já é habitual no programa, o processo de recrutamento é, essencialmente, dirigido a recém-licenciados e mestres de diversas áreas, desde ciências farmacêuticas, engenharia informática, engenharia biomédica, farmácia a informática de gestão. Este programa ocorre desde 2016, no entanto, em 2020, devido à pandemia Covid-19, acabou por ficar adiado.

Ao todo, já incluiu nos seus quadros cerca de 249 recém-licenciados e mestres, de um total de 4281 candidaturas.

Segundo Inês Pinto, Human Resources Business Partner da Glintt “este é um projeto muito importante para a Glintt, pelo espírito que criamos à volta desta iniciativa e pelo envolvimento de todos os colaboradores na formação e aculturação dos novos trainees”.

Continua referindo que, “a disputa pela contratação do melhor talento tem sido uma realidade constante, tendo em conta que a oferta e a procura estão bastante desequilibradas. É por termos consciência desta realidade que procuramos fomentar uma cultura muito própria dentro da Glintt, de forma a que os nossos colaboradores sintam que são parte do nosso sucesso. Trabalhamos diariamente para lhes proporcionar os desafios mais aliciantes e as melhores condições para que criem connosco relações duradoras.”

A Academia Glintt é um programa de formação remunerado, que pretende integrar jovens recém-formados (recém-licenciados e recém-mestres) no mercado de trabalho. Tem a duração de 12 meses e permite aos participantes trabalhar em projetos reais da empresa, sempre com o acompanhamento de elementos seniores, de forma a proporcionar a aquisição de conhecimento e experiência em ambiente real de trabalho.

De forma a responder aos desafios de um mercado cada vez mais exigente e competitivo, a Glintt investe na valorização contínua da sua equipa e na contratação dos melhores profissionais para os seus projetos.

Para a multinacional, a integração de jovens talentos tem constituído um dos seus pilares estratégicos, o que se traduz numa elevada retenção de know-how, na fidelização dos clientes e na cooperação contínua com os parceiros de negócio.

As candidaturas estão a decorrer até dia 30 de junho, sendo que a Academia se iniciará a 20 de setembro. Mais informações em: https://academia.glintt.com/

Medicina
O Governo definiu a distribuição de um total de 200 lugares para médicos em zonas consideradas carenciadas. Estão previstos...

Estes incentivos destinam-se, de acordo com o despacho publicado em Diário da República, a especialidades clínicas como anatomia patológica, anestesiologia, angiologia e cirurgia vascular, cardiologia, cirurgia geral, cirurgia maxilofacial, cirurgia pediátrica, dermatovenereologia, doenças infeciosas, gastroenterologia, medicina no trabalho, medicina intensiva, medicina interna, oncologia médica, neurologia, pediatria, pneumologia, psiquiatria, entre outras.

O documento indica ainda o limite máximo de 152 postos de trabalho para o conjunto de especialidades médicas, 42 lugares para a área da medicina geral e familiar e seis para a saúde pública.

Segundo os dados disponibilizados pelo Ministério da Saúde, os centros hospitalares do Oeste, da Cova da Beira e do Algarve, o Hospital de Espírito Santo de Évora e as unidades locais de saúde do Baixo Alentejo, da Guarda, do Litoral Alentejano, do Nordeste e do Norte Alentejano terão dez lugares, enquanto o Centro Hospitalar do Baixo Vouga e para o Hospital Distrital da Figueira da Foz têm previsto um posto de trabalho com incentivos.

Para médicos de medicina geral e familiar, estão previstos 15 postos de trabalho para a Administração Regional de Lisboa e Vale do Tejo, seguindo-se as administrações regionais de saúde do Centro (sete), do Norte (oito), do Alentejo e do Algarve, com seis cada.

Os seis lugares da área da saúde pública estão distribuídos pelas administrações regionais do Alentejo e Lisboa e Vale do Tejo e pelas unidades locais de saúde do Baixo Alentejo, Litoral Alentejano, Norte Alentejano e Guarda.

 

As recomendações de uma Pediatra
A necessidade de dormir é fisiológica e o sono é essencial ao bem-estar do bebé e dos pais.

A importância do sono do bebé

De uma forma geral, os bebés dormem bastante, podendo chegar a dormir 18 horas por dia, especialmente no primeiro ano de vida. Contudo, trata-se de um sono polifásico, o que significa que estas horas são divididas por vários períodos relativamente curtos de sono, sem ritmo circadiano (período de 24 horas no qual se baseia o ciclo biológico dos seres vivos) e sem distinção entre o dia e a noite. Esta fase dará lugar, já no segundo ano de vida, a um sono bifásico, em que o bebé dorme a sesta e um período noturno longo.

O sono é essencial na recuperação física e psíquica. Mas é particularmente importante nos bebés, já que permite, para além de recuperar energia, a estimulação do desenvolvimento do sistema nervoso central, a produção de hormonas de crescimento, o reforço do sistema imunitário e a ativação da memória. É, por isso, importante respeitar o ritmo de sono do bebé e garantir que as perturbações de sono são evitadas. Neste sentido, a Sociedade Portuguesa de Pediatria e a Associação Portuguesa do Sono estabeleceram um consenso relativo à quantidade de horas de sono recomendadas por dia para as crianças:

  • Bebés entre 0 e 3 meses: entre 14 a 17 horas
  • Bebés entre 4 e 11 meses: entre 12 a 15 horas
  • Bebés entre 1 e 2 anos: entre 11 a 14 horas
  • Crianças entre 3 e 5 anos: entre 10 a 13 horas
  • Crianças entre 6 e 13 anos: entre 9 a 11 horas

À medida que o bebé cresce, os seus padrões de sono sofrem alterações e são adaptados aos ciclos de sono dos pais. Regra geral, o ciclo de sono do bebé começa a tornar-se mais regular por volta dos 6 meses de idade, sendo que aos 3 meses já o bebé consegue estabelecer um ciclo de dia/noite. Porém, cada caso é um caso e não é correto idealizar padrões.

Como ensinar o bebé a dormir

É indiscutível que uma boa higiene do sono é crucial para a saúde física e mental do bebé. Mas esta preocupação deve começar quando ele está ainda na barriga da mãe. Nesse período, a secreção da hormona que regula o sono, a melatonina, é regulada pelo organismo da grávida, pelo que deverá haver um cuidado redobrado para que exista uma rotina de sono e que este seja de qualidade.

Já após o nascimento, a aprendizagem deve continuar e ser reforçada. As primeiras semanas de vida do bebé são importantes para que os bons hábitos sejam impostos desde cedo e que se mantenham nos anos vindouros. Para isso, deve seguir algumas dicas e garantir que são aplicadas desde o primeiro momento:

  1. Mantenha o berço do bebé no quarto dos pais até aos 6 meses de idade, altura em que deverá começar a habituar a criança a dormir sozinha.
  2. Adapte as sestas e a sua duração às necessidades de descanso do bebé, mantendo uma regularidade de horários, variando apenas cerca de 30 minutos entre a semana e o fim de semana.
  3. Crie uma rotina da hora de ir dormir, habituando o bebé a deitar-se após o jantar e sempre à mesma hora, seguindo um ritual.
  4. Habitue o bebé desde cedo a dormir no berço e não ao colo ou na cama dos pais, por exemplo. Isto fará com que comece a perceber que o berço é o espaço próprio para dormir.
  5. Esforce-se para que o bebé adormeça já deitado no berço, para que ele aprenda a adormecer, não dependendo da intervenção de ninguém.
  6. Tenha atenção à temperatura do quarto para que não ultrapasse os 20ºC.
  7. Garanta que o bebé dorme num ambiente escuro, de modo a que o sono não seja prejudicado. Não há problema em ter uma luz de presença, por exemplo.
  8. Dê uma chucha ao bebé quando ele já estiver habituado à amamentação. A chucha pode ser muito útil na hora de dormir, uma vez que acalma. No entanto, deve ser retirada até aos 2 anos de idade, de modo a evitar a dependência e outros problemas clínicos.
  9. Garanta que o bebé dorme confortável, deitado num colchão firme e sem roupa solta na cama.
  10. Procure manter o bebé deitado durante o período de sono, evitando pegar nele depois de o deitar.
  11. Espere alguns minutos antes de responder aos apelos da criança. Se notar que mesmo assim o bebé não adormece, verifique se há motivos para algum incómodo (fome ou dor, por exemplo), mas evite ligar a luz ou pegar ao colo.
  12. Assegure-se de que existe uma redução dos estímulos depois do jantar, evitando brincadeiras mais animadas e a utilização de equipamentos eletrónicos.
  13. Procure garantir que o seu filho se sente seguro na cama. Se ajudar, pode deixar a porta do quarto aberta.

Os maus hábitos de sono são difíceis de corrigir. A criança que se habitua a adormecer ao colo passa a precisar deste estímulo para conseguir voltar a adormecer sempre que acordar, da mesma forma que a criança que se habitua a ser confortada sempre que chora durante a noite passa a precisar dessa atenção para se acalmar. É, por isso, crucial que todos estes cuidados sejam implementados desde o início e que os pais não baixem os braços nem desmotivem à primeira complicação. Ensinar um bebé a dormir pode ser um desafio, mas é verdadeiramente imperativo para o bem-estar e a saúde da criança, assim como da família.

Para ajudar os pais, a Médis criou um programa de saúde disponível através da app Médis ou da área de cliente no site que ajuda a planear, a receber e a cuidar do seu bebé desde o 1º momento. Saiba mais aqui.

Foto: 
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Inquérito online
Segundo o estudo EpireumaPT, 56% da população Portuguesa sofre de uma doença reumática. No entanto, muitos são aqueles que...

Muitas destas patologias são invisíveis (e até incompreendidas) e os diagnósticos são maioritariamente tardios, devido, principalmente, às dificuldades de implementação da Rede Nacional de Especialidade Hospitalar e de Referenciação de Reumatologia.

Ao longo dos anos, as diversas associações nacionais de doentes de doenças reumáticas, têm recebido inúmeras reclamações de utentes, referentes à desvalorização por parte de profissionais de saúde aquando do diagnóstico ou queixas do foro reumático.

“Tendo como referência o estudo “Invalidation in Patients with Rheumatic Diseases: Clinical and Psychological Framework” realizado por Santiago et al 2017 (5), neste projeto pretendemos avaliar a desvalorização das doenças reumáticas no contexto da saúde”, escrevem as entidades na apresentação deste projeto.

“Sendo este um assunto recorrente nas associações e redes sociais”, este estudo irá avaliar a existência da desvalorização nos diversos contextos da saúde e o grau da mesma. “Sendo que existe uma linha muito ténue entre uma resposta que o doente não concorde e discriminação (e até mesmo falta de respeito), pretendemos perceber em que “grau” estas situações recorrentes acontecem”, acrescentam.

Para participar deste estudo basta responder a um questionário disponibilizado em https://forms.gle/aR2uBMDdLV3aPNkE7.

Os critérios de inclusão neste projeto de investigação determinam que os participantes devem residir em Portugal, terem sido diagnosticados com, pelo menos, uma doença reumática e terem 18 anos ou mais.

 

Webinar “Saúde e Tecnologia”
A Samsung Electronics Co. Ltd. aliou-se à Fundação Portuguesa de Cardiologia para promover, no próximo dia 20 de maio pelas...

A parceria entre tecnologia e saúde existe há séculos, e tem sido essencial para a evolução de ambos os setores. Uma revolução ao nível dos cuidados, mas também no papel do paciente quanto à prevenção e tratamento de inúmeras doenças, nomeadamente, as doenças cardiovasculares. As soluções desenvolvidas a partir da combinação entre estas duas grandes áreas tem sido fundamental para o desenvolvimento de novas respostas para os atuais desafios.

“Estamos empenhados em oferecer o melhor que a tecnologia pode oferecer em todas as áreas em que estamos inseridos, com destaque para a saúde e para a prevenção de doenças, como é o caso das doenças associadas ao coração.”, afirma José Correia, Diretor de Marketing de Produto Mobile da Samsung. “A parceria com a Fundação Portuguesa de Cardiologia é uma excelente oportunidade para discutirmos em conjunto o propósito da tecnologia como peça essencial para o futuro dos cuidados de saúde, do nosso bem-estar e da promoção de um estilo de vida ativo”.

“A pandemia de Covid-19 obrigou à reestruturação de vários setores de atividade e mudou a forma como as pessoas interagem entre si e, neste sentido, a Fundação Portuguesa de Cardiologia não podia deixar passar mais um ano sem marcar aquele que é o mês mais importante em termos de sensibilização para as doenças cardiovasculares. Desde o dia 1 de maio que temos realizado diversas iniciativas para profissionais de saúde e cidadãos em geral com o objetivo de sensibilizar para a importância da prevenção no que toca às doenças do coração. No próximo dia 20 será mais um momento de partilha de conhecimento e a possibilidade de discutirmos o papel da tecnologia no futuro da saúde”, salienta Manuel Oliveira Carrageta, presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia.

 

Webinar “O papel da Telessaúde para dar resposta a todos os doentes que não podem ficar esquecidos”
No próximo dia 24 de maio, vai decorrer, o webinar, “O papel da telessaúde para dar resposta a todos os doentes que não podem...

Para dar vida a esta iniciativa, podemos contar com a participação de Henrique Martins, com a intervenção “O investimento em Telessaúde veio para ficar? Que mecanismos precisam os sistemas de saúde para uma melhor abrangência”, Dulce Brito, que abordará “A redução de internamentos na insuficiência cardíaca”, e Teresa Magalhães, com “Os desafios e vantagens da Telessaúde para a gestão de recursos hospitalares”.

 Os Sistemas de Informação (SI) da Saúde, como a telessaúde e a telemonitorização permitem monitorizar de forma proativa e contínua o estado fisiológico e as condições de saúde de cada doente. Desta forma, é possível detetar atempadamente sintomas de agudização, permitindo ainda a intervenção imediata no domicílio do doente, o que facilita o acesso entre doente e o prestador de cuidados de saúde, promovendo a Saúde de Proximidade. Contribui-se assim para a redução das idas às urgências e dos internamentos hospitalares.

 Os objetivos dos programas de telessaúde passam também por elevar a qualidade dos serviços de saúde prestados aos cidadãos, fazendo com que se sintam acompanhados de forma contínua na sua doença e melhorando significativamente a sua qualidade de vida. Além disto, pretendem ainda contribuir para a Literacia em Saúde, promovendo o papel ativo do doente na gestão da doença, dignificar o papel do médico e fomentar a aprendizagem contínua e em equipa entre profissionais de saúde.

A sessão arranca às 15h e poderá ser acompanhada através do link /linde.up.events/activities/view/5978, cuja abertura e encerramento será efetuada pela Diretora da Linde Saúde, Maria João Vitorino.

 

Opinião
O SNS sobre o qual todos falam, bem ou mal, é um serviço público aos cidadãos que dele esperam capac

Os médicos de família devem exercer a promoção da saúde e a prevenção de doença, assumindo de vez um papel decisivo na chamada “prevenção primária”.

Este período terrível de combate à infeção pela COVID-19 deixou os utentes longe dos seus médicos e os centros de saúde entrincheiraram-se em “muros” que, dificultam o acesso e a proximidade, os princípios fundamentais dos Cuidados Primários e da Medicina Geral e Familiar.

Não é possível cumprir o objectivo dos cuidados antecipados à população, reduzindo o risco de aparecimento de determinadas patologias e atuar sobre os factores de risco de modo atempado e precoce, se o acesso aos médicos de família não for retomado urgentemente!

Quando pensamos no acidente vascular cerebral, o AVC, temos de recordar que a idade é, também, como no caso da COVID-19, o mais importante e mais forte fator de risco. E não devemos esquecer o peso da história familiar de AVC, como possível preditor de eventos.

Mas se estes fatores, idade ou genética, são fatores de risco que os médicos não podem modificar, outras questões são tidas como modificáveis. Por exemplo, os benefícios da atividade física regular e continuada, bem como o seu impacto no controlo da hipertensão arterial, da diabetes e do peso. Ou a importância de cumprir os tratamentos indicados pelos médicos, tomando os medicamentos diariamente, nos horários e doses prescritas.

Foto: 
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Investigação da Faculdade de Educação e Psicologia da Católica
Os resultados desta investigação foram publicados na reconhecida revista “International Journal of Environmental Research and...

O tema do impacto da tecnologia na vida dos jovens durante o confinamento foi provavelmente um dos mais debatidos no último ano. Esta temática tem vindo a ser estudada por uma equipa de docentes e investigadores, da qual também fazem parte estudantes do mestrado em Psicologia da Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica no Porto.  Recentemente, publicaram o artigo intitulado “Protective Factors in the Use of Electronic Media According to Youth and Their Parents: An Exploratory Study”, no Special Issue "Media Use during Childhood and Adolescence" (secção Digital health) da revista International Journal of Environmental Research and Public Health.

O objetivo dos investigadores Luísa Campos, Lurdes Veríssimo, Bárbara Nobre, Catarina Morais e Pedro Dias – autores do artigo que faz parte do projeto “Media Activity and Mental Health” do Centro de Investigação para o Desenvolvimento Humano  (CEDH) da Faculdade – era perceber como se pode “proteger” os jovens, quer a nível pessoal, quer a nível familiar, no que diz respeito ao impacto negativo do uso dos Meios de Comunicação Eletrónicos (MCE), ou seja quais os fatores que podem proteger os jovens relativamente ao uso dos MEC (telemóveis, computadores, tablets, etc.).

“O principal resultado obtido indica que a diminuição do impacto negativo percebido pelos jovens dos meios de comunicação eletrónicos (MCE) é mais determinada pela frequência de atividades extracurriculares (ex. praticar desporto, independentemente do tempo que lá estão), do que pelo menor tempo de utilização dos MCE”, explica Luísa Campos uma das autoras do artigo. A investigadora vai mais longe e afirma: “Mais do que estarmos preocupados em, por exemplo, reduzir o tempo de ecrã, deveríamos centrarmo-nos na integração dos jovens em atividades que lhes permitam desenvolver competências socio emocionais para, assim, estarem protegidos do possível impacto negativo dos MCE. Acreditamos que este artigo dá importantes pistas para pais e profissionais (como por exemplo, professores, treinadores, psicólogos) em relação ao papel protetor da frequência de atividades extracurriculares relativamente ao uso dos MCE”.

O estudo envolveu 1413 participantes - 729 jovens (entre os 11 e os 17 anos) e os seus pais, que estudavam em escolas públicas e privadas, de todas as regiões de Portugal (incluindo as regiões autónomas dos Açores e da Madeira).

Vencedor recebe 10 mil euros
O prazo de candidaturas à 3ª edição do Prémio MSD de Investigação em Saúde, uma distinção que tem como objetivo reconhecer e...

Desta forma, todas as equipas de trabalho com atividade num estabelecimento de prestação de cuidados de saúde, de natureza pública ou privada, ou em instituições científicas sem fins lucrativos podem submeter os seus protocolos científicos até dia 6 de junho, através do site do Prémio: www.premiomsdinvestigacaoemsaude.pt

Todos os projetos submetidos serão avaliados pela sua criatividade, relevância para a população-alvo, estrutura, objetivo, metodologia e exequibilidade. Ao Grande Vencedor será atribuído um prémio no valor de 10 000€ e será ainda concedida uma menção honrosa no valor de 1 500€ a cada uma das duas candidaturas finalistas.

A Comissão de Avaliação é constituída pelos seguintes elementos: Prof.ª Doutora Catarina Resende de Oliveira, Prof.ª Doutora Emília Monteiro, Prof. Doutor Henrique Luz Rodrigues, Prof. Doutor Jorge Torgal Garcia, Prof. Doutor Manuel Abecasis, Prof.ª Doutora Mariana Monteiro e Prof. Doutor Nuno Sousa.

Os vencedores da 3ª edição do Prémio MSD de Investigação em Saúde serão conhecidos na Conferência Leading Innovation, Changing Lives, que decorrerá no dia 6 de novembro.

Para consultar o regulamento do Prémio e a ficha de candidatura, visite o site.

Acesso universal e justo às vacinas
A proposta norte-americana de levantar as patentes das vacinas Covid-19 resultou num confronto ideológico no Parlamente Europeu...

A Comissão Europeia, representada na quarta-feira perante o hemiciclo europeu pelo seu vice-presidente económico, Valdis Dombrovskis, defende que "o acesso universal e justo às vacinas deve ser a prioridade da comunidade internacional" e que o método mais eficaz é "aumentar a produção” das mesmas, refere a agência Efe.

Bruxelas não se opõe ao debate sobre a liberalização dos direitos dos medicamentos no seio da Organização Mundial do Comércio (OMC), em detrimento de conhecer os detalhes da proposta de Administração de Joe Biden, mas insiste que "isso vai demorar".

Segundo a informação avançada hoje pela comunicação social, a Comissão Europeia vai apresentar "em breve" uma proposta à OMC com base em três ideias que Bruxelas tem tido desde que os Estados Unidos impulsionaram, a nível global, o debate sobre a liberalização das patentes, anteriormente suscitado pela Índia, África do Sul ou Brasil.

 

Estudo
De acordo com um estudo conduzido na Catalunha, a forma ativa da vitamina D consegue reduzir "significativamente" a...

O estudo analisou 8.076 doentes adultos tratados com vitamina D antes da pandemia e comparou-os a uma população de características semelhantes. Os pacientes que tomam este suplemento tinham 34% menos probabilidade de morrer de Covid-19 do que pacientes não suplementados, por isso os autores avaliaram a possibilidade de que a vitamina D pode ser útil para conter formas graves de Covid-19.

O estudo foi promovido pela Parc Taulí Health Corporation em Sabadell, pela Universidade de Barcelona, pelo Instituto do Hospital del Mar de Investigaciones Médicas e pela Agência para a Avaliação da Qualidade e Saúde da Catalunha e contou com o apoio da revista Biomedicines.

 

 

Procedimento de Appleby
O Centro de Referência de Cancro Hepatobilio-pancreático do Centro Hospitalar Universitário São João (CHUSJ), disponibiliza...

De acordo com Humberto Cristino, cirurgião do Centro de Referência de cancro Hepatobilio-pancreático do CHUSJ, "os tumores do pâncreas localmente avançados com envolvimento do tronco celíaco são muitas vezes considerados inoperáveis. No entanto, atualmente e envolvendo uma abordagem multidisciplinar a cirurgia pancreática de ressecção, com a remoção completa do tumor, é o único tratamento potencialmente curativo dos tumores pancreáticos."

"Nestes pacientes a ressecção cirúrgica agressiva do corpo e cauda do pâncreas com ressecção em bloco do tronco celíaco pode ser realizada com intenção curativa. Esta intervenção, conhecida como procedimento de Appleby, ou pancreatectomia distal com ressecção do tronco celíaca, tem sido cada vez mais realizada em centros de excelência selecionados como o nosso, um dos únicos em Portugal a realizá-la", explica o médico.

 

Situação Epidemiológica
Nas últimas 24 horas, foram registadas duas mortes associadas à Covid-19 e identificados mais 511 novos casos de infeção. Nos...

Segundo o boletim divulgado, foram registas duas mortes associadas à Covid-19, desde o último balanço, em todo o território do país: uma na região Centro e uma na região Norte.

Quanto ao número de novos casos, o boletim epidemiológico divulgado hoje, pela Direção Geral da Saúde, mostra que foram diagnosticados 511 novos casos. A região de Lisboa e Vale do Tejo contabilizou 250 novos casos e a região norte 143. Desde ontem foram diagnosticados mais 40 na região Centro, 10 no Alentejo e 27 no Algarve. Quanto às regiões autónomas, no arquipélago da Madeira foram identificadas mais 17 infeções e 24 nos Açores.

Quanto ao número de internamentos, há atualmente 211 doentes internados, menos 22 que ontem. Também as unidades de cuidados intensivos contam agora com menos 10 doentes. Estão, atualmente, nas UCI 56 doentes internados.

O boletim desta quarta-feira mostra ainda que, desde ontem, 417 pessoas recuperaram da Covid-19, elevando para 804.176 o total daqueles que conseguiram vencer a doença desde o início da pandemia.

No que diz respeito aos casos ativos, o boletim epidemiológico divulgado hoje pela DGS, revela que existem 22.089 casos, mais 92 que ontem.  As autoridades de saúde mantêm sob vigilância mais 37 contactos, estando agora 18.413 pessoas em vigilância.

 

Entrevista Sociedade Portuguesa de Enfermagem Oncológica
Ser empático, saber comunicar, estar atento às necessidades do doente e seus familiares são, de acor

Fundada em 1995, quais os princípios orientadores da Sociedade Portuguesa de Enfermagem Oncológica? Qual a sua missão e quais os principais marcos a assinalar ao longo das últimas décadas?

A Sociedade Portuguesa de Enfermagem Oncológica (SPEO) foi criada a 21 de junho de 1995, com sede na Liga Portuguesa Contra o Cancro - Núcleo Regional do Norte, na cidade do Porto. Foi a primeira associação criada em Portugal na área da enfermagem oncológica e, por isso, aquela com mais anos de história neste campo de ação. Em 1997 foi declarada como uma Instituição de Utilidade Pública nos termos do Decreto-Lei nº 460/77, de 7 de novembro, conforme consta no despacho publicado no DR, II série nº 267, de 18 de novembro de 1997 e retificado em DR, II série, nº243, de 21 de outubro de 1998.

Centrada na importância inequívoca de contribuir para que os enfermeiros sejam mais significativos para as pessoas que vivem ou já viveram com cancro e suas famílias, por meio do desenvolvimento e divulgação de conhecimento próprio da disciplina de enfermagem que suporte a prescrição de intervenções autónomas de enfermagem, a SPEO tem como missão promover a investigação e a formação contínua dos enfermeiros oncologistas, visando o seu desenvolvimento profissional, em prol da melhoria contínua dos cuidados de enfermagem. Pretende, de igual modo, contribuir para o empowerment da população em geral em matéria de saúde, promovendo atividades voltadas para a prevenção e o diagnóstico precoce do cancro.

A SPEO tem, ao longo do tempo, caminhado no sentido de acompanhar as necessidades atuais dos enfermeiros em geral e dos enfermeiros oncologistas em particular. Neste sentido, é foco desta Sociedade desenvolver atividades de interação com a comunidade e promover o desenvolvimento e a dinamização de formação acreditada em enfermagem oncológica e de investigação.

O congresso da SPEO, realizado a cada dois anos, pretende contribuir para uma prática de enfermagem baseada na evidência, centrando o seu programa em áreas como a da investigação em enfermagem oncológica, no sentido de dar conta dos avanços desenvolvidos na atualidade neste domínio. 

Da história desta Associação importa salientar, também, a relevância da Revista Evidências, enquanto instrumento de divulgação de conhecimento disciplinar no domínio da enfermagem oncológica, contribuindo para o corpo de conhecimentos, a esta parte. 

Trabalhamos todos os dias para reafirmar o papel da SPEO e o seu posicionamento enquanto instituição de utilidade pública de referência no âmbito da enfermagem oncológica; este é o nosso desafio e o nosso contributo à comunidade em geral, contribuindo para que os enfermeiros oncologistas em sejam mais significativos para a pessoa que vive ou já viveu com cancro e sua família.

Sabendo que, só na Europa, o cancro é a segunda causa de morte, e que todos os anos há casa vez mais casos da doença, qual a importância do papel do enfermeiro nesta área? O que significa cuidar na oncologia? Quais são os principais desafios que enfrenta o enfermeiro especialista em oncologia?

Segundo a previsão da Organização Mundial de Saúde, o número de pessoas diagnosticadas com cancro será de 22 milhões em 2030. O aumento significativo do número de casos de pessoas com cancro põe a descoberto duas grandes áreas para as quais a intervenção dos enfermeiros é sensível.

A primeira área diz respeito à prevenção e ao diagnóstico precoce do cancro. O enfermeiro assume um papel determinante na sensibilização da população para comportamentos de procura de saúde. Como referiu Lalonde, já em 1974, “(…) é mais fácil convencer alguém que sofre a consultar o médico, do que alguém que não sofre a mudar de hábitos nocivos, a pensar num futuro longínquo, até porque os hábitos se tornaram muitas vezes automáticos, inseridos num quotidiano e de difícil alteração”. Importa, então, sensibilizar a população para a velha máxima de que “é melhor prevenir do que remediar”, por meio da criação de medidas que priorizem a prevenção da ocorrência da doença e contribuam para a atribuição de maior responsabilidade à pessoa na relação saúde/doença. Os enfermeiros desempenham um papel preponderante no âmbito da promoção da saúde porque são dos profissionais de saúde que estabelecem uma relação de maior proximidade com os cidadãos, estando melhor posicionados para informá-los e consciencializá-los acerca dos fatores de risco comportamentais.

Regressando à citação de Lalonde, é mais fácil convencer alguém que sofre a procurar os serviços de saúde (porque tem, em princípio, consciencialização do desvio da saúde) do que alguém que não reconhece essa necessidade porque se sente são. O enfermeiro tem de, nestes casos, adentrar no universo individual e subjetivo da pessoa para compreender aqueles que são os seus comportamentos de risco e o contexto emocional, social e cultural em que ocorrem e identificar aquelas que são as suas necessidades reais e/ou potenciais, pois só profissionais intencionalmente interessados em explorá-las, estarão mais capacitados para lhes dar resposta.

O cancro, sendo uma doença mais relacionada com os nossos hábitos e comportamentos do que com a componente hereditária (esta não modificável), exige que sejam mobilizados esforços individuais e coletivos que contribuam para a sua prevenção e diagnóstico precoce.

O diagnóstico precoce do cancro aumenta exponencialmente a probabilidade de sucesso do seu tratamento, sendo fundamental, por isso, existir uma atitude proativa e de autovigilância ao longo da vida. De forma genérica, qualquer pessoa deve procurar os serviços de saúde quando deteta alguma anormalidade, quando identifica algo diferente do habitual e, de um modo geral, as pessoas fazem-no nessas situações porque são confrontadas com uma mudança (se interpretada e valorizada). Acontece, porém, que o cancro é, muitas vezes, silencioso e, aquando da presença de sintomas, estes são frequentemente inespecíficos.

Torna-se extremamente relevante, assim, sensibilizar as pessoas para a importância do diagnóstico precoce através da autovigilância contínua, onde os rastreios assumem, também, um papel de relevo. Os enfermeiros são responsáveis, neste contexto, por informar acerca dos sinais de alerta que, quando presentes, devem motivar a procura dos recursos de saúde. Esta sensibilização não se deve centrar apenas nos adultos, mas, antes, iniciar-se no contexto escolar, por meio de atividades desenvolvidas pelos enfermeiros no âmbito da saúde escolar.

A segunda área prende-se com o tratamento do cancro e com o acompanhamento dos sobreviventes.

No tratamento do cancro são usados diferentes tipos de terapêuticas que podem ser locais (p.e: cirurgia) ou sistémicas (p.e: quimioterapia). O próprio diagnóstico de cancro e/ou a implementação dessas terapêuticas levam, não raras vezes, a sentimentos de inadequação porque a pessoa se considera portadora de um corpo imperfeito e, daí, desviante face ao socialmente normalizado. Ao vivenciar as incapacidades corporais associadas às repercussões dos tratamentos, a pessoa afasta-se dos atributos de independência e eficiência, assim como dos padrões estéticos de beleza definidos socialmente, acabando por experimentar sentimentos discriminatórios por parte dos outros e, por vezes, por parte dela própria, a que se chama de internalização do estigma, assente no princípio “assim a veem, assim ela se encara”.

O enfermeiro, enquanto profissional de saúde e educador, atua como intermediário entre a ciência e o senso comum. Cabe-lhe descodificar a estranheza do processo de tratamento do cancro, quer participando no processo de tratamento nas suas diferentes fases, quer promovendo a adesão e a gestão ao regime terapêutico, além de contribuir, também, para a construção e reconstrução de novos significados no sentido de um processo de adaptação saudável.

Mesmo após a cura, o cancro deixa habitualmente marcas indeléveis devido às sequelas tardias a longo prazo dos tratamentos, a nível físico, mas, igualmente, psicológico. Além dos efeitos secundários, também as cicatrizes, a amputação, a alopécia permanente (entre outros), perpetuam a memória da doença e dos tratamentos, fazendo com que a alegria de estar vivo colida com o medo permanente da recidiva, sendo muito frequente referirem-se à vida como “um dia de cada vez”.

Ser sobrevivente de cancro é mais do que uma questão binária. Quer isto dizer que a pessoa não é doente um dia e no dia seguinte é sobrevivente. Importa evoluir além de uma vertente exclusivamente tecnológica e biomédica, caminhando-se no sentido da humanização dos cuidados e da qualidade de vida da pessoa que vive com cancro ou dele sobreviveu, assim como das suas famílias.

Sabendo que a Oncologia é uma área particularmente difícil, muitas vezes associada a doenças terminais, quais as principais caraterísticas que não podem faltam ao enfermeiro que trabalha nesta área?

A pronta resposta a esta questão seria a que, de facto, os enfermeiros oncologistas devem ter características específicas para trabalhar na área da Oncologia, mas, na minha opinião, a estes enfermeiros não podem faltar as mesmas características que a um outro enfermeiro, independentemente do contexto onde trabalha.

É certo que a realidade em Oncologia é desafiadora e caracteriza-se por exigências de diversas índoles, em razão das particularidades que o cancro exibe e que afetam profundamente o modus vivendi da pessoa com doença oncológica e sua família. O impacte que provoca, abarcando aspetos de natureza múltipla, longe de se resumir à dimensão biomédica, afeta quer os portadores da doença, como os profissionais de saúde que deles cuidam.

Parece-me, porém, que o cancro, embora se distinga das outras doenças pela sua multiplicidade, uma vez que não corresponde a uma doença única, mas a várias e, dada a sua conotação negativa, expressa numa associação imediata ou quase imediata ao sofrimento, à mutilação, à perda de projetos de vida e à morte, apenas coloca a descoberto características que, noutros contextos, embora necessariamente presentes nos enfermeiros, podem não resultar tão evidentes.

Assim, o enfermeiro oncologista, tal como o enfermeiro que trabalha noutro contexto, deve ser empático; saber comunicar verbal e não verbalmente de forma eficaz; ter inteligência emocional que lhe permita reconhecer os seus sentimentos e os dos outros, sendo capaz de lidar com eles; estar atento às necessidades da pessoa e família, recolhendo, validando e priorizando dados que suportem as sucessivas tomadas de decisão ao longo do processo de enfermagem, oferecendo suporte antes, durante e após o diagnóstico, assim como durante e após o tratamento e deter conhecimento técnico-científico atual suportado no estado da arte e aplica-lo na prática clínica, em prol da qualidade dos cuidados de enfermagem e de ganhos em saúde. Estas são, a meu ver, as características definidoras de um enfermeiro competente, pese embora releve mais, porventura, aquele que é o foco de atenção do enfermeiro oncologista. Parece-me, sim, que esse é o ponto central desta reflexão e que se prende com o sentido da profissão e da disciplina de enfermagem.

O enfermeiro oncologista que se centre na doença, ou seja, no cancro, está ancorado ao modelo biomédico e, por isso, muito focado na gestão de sinais e sintomas. Ora, o foco de atenção da enfermagem não é a doença, mas, antes, as respostas humanas a processos de vida que exijam adaptação, como é o caso da pessoa que vive com cancro e que vivencia um processo de transição saúde/doença.

É inquestionável a importância de se tratar o cancro, caso a pessoa o aceite de forma informada e reúna condições para o mesmo. Fazê-lo guarda relação com o campo de atuação da Medicina porque se centra no diagnóstico da doença e no seu tratamento; no entanto e, porque a pessoa não se resume a um diagnóstico médico nem a um corpo, é fundamental ajudar esta pessoa e a sua família a lidar com as mudanças impostas pelo novo diagnóstico e pelo tratamento instituído. É fundamental ajudar esta pessoa e a sua família a adaptarem-se à nova condição, numa fase marcadamente instável e de grande vulnerabilidade, de forma a que as mudanças sejam integradas fluidamente no conceito de si e as consigam gerir com mestria. Tratar o cancro dá mais anos à vida, mas facilitar a adaptação às mudanças que decorrem desse processo dá mais vida aos anos e esse é, para mim, o papel significativo dos enfermeiros oncologistas.

Em modo de síntese, parece-me que mais do que as características que o enfermeiro oncologista deve possuir, a pedra angular a atender é o foco de atenção do enfermeiro (o de uma Enfermagem Avançada ou o de uma Prática de Enfermagem Avançada). Pergunto de que valem as características acima mencionadas, mesmo que presentes, se dirigidas para um foco divergente do mandato social da profissão? Tratar-se-ão [os enfermeiros] de, metaforicamente, timoneiros que entram no navio sem timão nem bússola, nunca tendo a certeza do seu destino, como nos diz Leonardo da Vinci…

Tendo em conta o estado da Saúde em Portugal, sobretudo no rescaldo de um momento particularmente difícil para todos os serviços, onde fica o conceito de “medicina humanizada”? O que tem de mudar ou melhorar para que seja possível prestar cuidados mais humanizados?

Por definição, a Enfermagem é uma atividade humana exercida por seres humanos a seres humanos, pelo que releva perguntar o porquê de se humanizar os cuidados, quando estes são prestados por humanos a humanos? Não seria de esperar que o respeito pela vontade do outro e pela sua dignidade, enquanto princípios ético-morais a que o enfermeiro está obrigado, suportassem a sua prática assistencial?

Numa era marcadamente caracterizada pelo desenvolvimento das tecnologias modernas, orientadas para o diagnóstico precoce do cancro e para o seu tratamento, a humanização dos cuidados corre o risco de ser colocada em segundo plano, num contexto tecnicista. Por outro lado, também se evoluiu para o espartilhamento da doença, “fatiando-se” o corpo em áreas de especialidade, o que, apesar das vantagens inerentes à profundidade do conhecimento desenvolvido, veiculado e aplicado na prática clínica face às afeções respetivas, poderá acompanhar-se de um maior enfoque “na parte”, esquecendo-se do “todo”.

A saúde está longe de ser a mera ausência de doença e os enfermeiros estão longe de ser significativos para os cidadãos se não os entenderem, cada um, per si, como ser humano único com necessidades singulares, de acordo com a premissa de que a “pessoa” e o “contexto” são duas realidades que não se repetem.

Parece-me que fica claro, então, que só é possível a prestação de cuidados de enfermagem humanizados quando “o outro” deixa de ser cuidado enquanto alguém fragmentado com necessidades puramente biológicas e o recetor de um procedimento técnico e realizado para dar cumprimento a um objetivo, num contexto de embotamento afetivo.

Outra questão que merece atenção e que precisa ser desconstruída prende-se com a noção de que a equipa de saúde detém o poder e o conhecimento, enquanto a pessoa recetora dos cuidados deve acatar passivamente as orientações dos profissionais de saúde, como se fosse incapaz de fazer julgamentos sobre si e sobre a sua saúde. Esta realidade acontece, a meu ver, em ambos os sentidos e por múltiplos motivos. 

É premente que a pessoa a quem comumente se denomina de “doente” seja encarada como “cliente”. Na minha opinião, acredito que contrária à de outros, renomear o doente de cliente, não potencia a desumanização dos cuidados e uma relação mais distante na prestação de cuidados de enfermagem. Encarar a pessoa como um cliente é aceitá-la como alguém igualmente detentora de poder, com direitos que têm de ser respeitados, com vontades que têm de ser atendidas e com projetos que devem ser considerados.

A humanização dos cuidados em saúde representa hoje uma grande preocupação para os serviços de saúde em Portugal, até pela crescente exigência da sociedade. É imperativo que os cuidados de saúde atendam às necessidades do ser humano na sua essência, no respeito pelo seu conforto, fomentando-se medidas de melhoria contínua da qualidade dos cuidados prestados, segundo a assunção de que a pessoa é alguém que não se resume meramente a um ser com necessidades biológicas, mas como um agente biopsicossociocultural e espiritual.

A situação de pandemia que vivenciamos expôs os profissionais de saúde a situações limite de pressão física e emocional, capaz de prejudicar a humanização dos cuidados. O toque passou a ser permeado por uma luva e os rostos perderam o sorriso, agora oculto pela máscara. O contacto e a proximidade foram obrigatoriamente quebrados pela pandemia e nunca se falou tanto, outrora, em distanciamento.

Assim, as instituições prestadoras de cuidados de saúde têm o dever de colocar à disposição dos seus profissionais os recursos técnicos e humanos ajustados às necessidades, de forma a evitar situações de exaustão. Importa assim, implementar estratégias que subsidiem emoções positivas como a preparação técnica e psicológica dos profissionais de saúde para lidarem com situações adversas (como a que vivemos) porque falar em humanização dos cuidados exige que o foco seja o recetor desses cuidados, mantém também aqueles que os prestam.

Para além do doente oncológico, há um trabalho importantíssimo a fazer junto das famílias.  Quais as principais dificuldades/receios que as famílias experienciam no âmbito da doença oncológica? Qual o papel do enfermeiro nesta dinâmica? 

O familiar cuidador, na maioria das vezes, não tem formação na área da saúde e desempenha este papel sem ter preparação técnica e emocional para tal. Podem surgir sentimentos de insegurança e ansiedade, associados à inexperiência e à carga de trabalho que os cuidados ao familiar doente podem acarretar, percorrendo um caminho quase solitário, num papel que, geralmente, lhe é imposto.

Quando a situação de doença oncológica surge no seio da família emergem mudanças no estilo de vida familiar e surgem preocupações relacionadas com o sofrimento e a morte. De considerar relevante que a aquisição deste papel surge em simultâneo com a transição do doente no seu processo de doença, não sendo um processo linear e previsível, logo não pode ser considerado isolado.

O enfermeiro deve integrar, em todo o processo, a família cuidadora, mostrando disponibilidade e fornecendo informação, reduzindo a ansiedade e ajudando-a no processo de transição. O enfermeiro é fundamental para a adaptação da família ao novo papel e à nova situação, promovendo a educação e a aceitação, diminuindo a ansiedade provocada pela doença e pelos cuidados necessários no domicílio. Cabe, assim, ao enfermeiro identificar as necessidades e atuar sobre as mesmas, potenciando tomadas de decisão informadas. São estas intervenções que promovem a capacitação da família e a harmonia do sistema familiar neste processo de mudança.

Em matéria de prevenção, qual o contributo do enfermeiro especialista em oncologia?

A doença oncológica tem um impacte significativo nas pessoas e sociedade, com implicações ao nível da saúde, social, económico e dos direitos humanos. O enfermeiro especialista possui um conhecimento aprofundado num domínio específico de enfermagem, com competências comuns e específicas, que lhe conferem responsabilidade profissional, ética e legal, e capacidade para melhorar a qualidade dos cuidados e gerir adequadamente os cuidados de acordo com as necessidades de saúde da pessoa com doença oncológica. No âmbito do seu exercício profissional, a prevenção da doença oncológica baseia-se no ideal de possibilitar o mais elevado nível de saúde e bem-estar ao indivíduo, família e comunidade. Neste sentido, os diferentes níveis de prevenção da doença oncológica devem estar aliados à educação para a saúde. Esta constitui-se como uma atividade importante no quotidiano das práticas dos Profissionais de Saúde. Enquanto enfermeiros especialistas entendemos que nenhuma sociedade será saudável, de uma forma global, se não estiver esclarecida dos fatores de risco que podem influenciar o aparecimento das doenças e, consequentemente, a perda de saúde.

Promover e educar para a saúde no âmbito da oncologia é uma questão de cidadania, sendo emergente o investimento de toda a sociedade nesta área, sobretudo, dos Enfermeiros, que se constituem um dos grupos profissionais com maior responsabilidade, competência e capacidade de intervenção. Devido à sua competência acrescida, os Enfermeiros Especialistas em Oncologia, planeiam intervenções de prevenção adequando-as à dimensão social, cultural, espiritual e económica, pelo conhecimento privilegiado do contexto onde se insere a população, assim como as suas crenças, costumes e hábitos de vida de primordial importância.

Foto: 
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
81,3% dos cuidadores sentem que não têm serviços e apoios suficientes
A Associação de Apoio ao Doente com Cancro Digestivo, Europacolon Portugal, lança um novo portal online para prestar apoio aos...

Em Portugal, 75,4% das famílias sofreram grandes alterações na sua rotina desde que começaram a exercer a funções de Cuidadores Informais. Desta forma, o portal “Cuidar dos Cuidadores” é uma ferramenta que proporciona um “safe space” onde os Cuidadores possam partilhar as suas experiências e oferecer conselhos e apoio uns aos outros, em torno de todo o tipo de questões desde os desafios sociais e financeiros que enfrentam, até às melhores formas de cuidar da sua própria saúde mental e bem-estar, visto que cerca de 53,2% considera que não tem suporte emocional suficiente.

Para Vítor Neves, presidente da Europacolon Portugal, entidade que coordena o projeto em Portugal “neste momento, existem pessoas extraordinárias cujo trabalho é cuidar de um membro da família ou amigo com cancro colorretal e são muitas vezes vistos como o exército esquecido, razão pela qual o Projeto “Cuidar dos Cuidadores” é uma adição tão importante ao trabalho da Europacolon Portugal. Esta plataforma representa assim mais um passo desafiante para aquela que é a 2ª causa de morte em Portugal, uma doença do individuo, dos seus familiares e amigos”

O portal – conhecido como “Connect – Cuidar dos Cuidadores” irá inicialmente ser testado em Portugal, Polónia e Finlândia. Este inclui várias funcionalidades, entre elas, o recurso a videochamada, permitindo que os Cuidadores se reúnam regularmente e conversem entre si, bem como muitos outros recursos e informações úteis.

O Projeto “Cuidar dos Cuidadores” é apoiado, em Portugal, pela Merck, Amgen e Boehringer Ingelheim e está a ser lançado em parceria com 2 Grupos membros da DiCE - Colores na Finlândia e Europacolon Polónia. Esta será a oportunidade de os Cuidadores partilharem os seus pensamentos e preocupações com outros, pois encontram-se numa posição semelhante, e ainda terão a garantia de que não estão por sozinhos nesta atividade tão desgastante.

 

 

 

Iniciativa arranca às 9h00
A Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC), organiza, amanhã (dia 20 de maio), o Simpósio Internacional de Enfermagem...

A iniciativa, promovida pela Unidade Científico-Pedagógica (UCP) de Enfermagem Médico-Cirúrgica, compreende quatro painéis: “Desafios da formação especializada para o desenvolvimento de competências em enfermagem”, “Desafios na prestação de cuidados de enfermagem”, “Contributos da Investigação para o desenvolvimento de boas práticas em enfermagem” e “Gestão integrada do processo de saúde/doença: desafios na articulação e continuidade dos cuidados de enfermagem”.

Face à reorganização da formação da Enfermagem Médico-Cirúrgica em quatro áreas, este simpósio foi, pois, idealizado em articulação com os domínios de exercício profissional dos enfermeiros (docência/formação, prestação de cuidados, investigação, assessoria/gestão).

A sessão de abertura está prevista para as 9h00, com a presença da Presidente da ESEnfC, Aida Cruz Mendes, da coordenadora da UCP de Enfermagem Médico-Cirúrgica, Maria Isabel Fernandes, do coordenador da Unidade de Investigação em Ciências da Saúde: Enfermagem (UICISA: E), João Apóstolo, e do presidente do Conselho Técnico-Científico da Escola, Paulo Queirós.

No âmbito da sua missão, a UCP de Enfermagem Médico-Cirúrgica contribui para a formação de 1º ciclo, 2 º ciclo e formação pós-graduada não conferente de grau em Enfermagem, capacitando os estudantes para a prestação de cuidados à pessoa em situação crítica, crónica, paliativa e perioperatória, e respetiva família/cuidador.

Mais informações e inscrições no simpósio no sítio do evento na Internet: www.esenfc.pt/event/EMC

 

 

Psicologia e Ciências do Comportamento
O Prémio ISPA 2021, que visa distinguir jovens cientistas na área da Psicologia e Ciências do Comportamento, é hoje entregue à...

O recurso a estímulos visuais, como fotografias ou desenhos, é prática comum na área da psicologia experimental e cognitiva, nas quais trabalha a investigadora do polo do William James Center for Research na Universidade de Aveiro. Este novo repositório de imagens é constituído por 1171 fotografias de 126 objetos de uso diário, divididas em seis categorias: acessórios de mulher, frutas, utensílios de cozinha, objetos de escritório, brinquedos e vegetais. O seu potencial abrange áreas científicas que trabalhem com a perceção, a memória, a atenção e o comportamento: “criamos esta base de imagens para usar nas minhas experiências para a tese de doutoramento, mas claro já a pensar na sua potencial utilidade para a comunidade científica. Esperamos sinceramente que tenha impacto”, avança a investigadora.

Natália Fernandes explica que manipularam cada objeto em diferentes condições: mãos limpas, mãos enlameadas, mãos com molho e mãos com chocolate. “Isto é um aspeto metodológico extremamente importante: num estudo de memória, por exemplo, utilizando esta base de imagens, todos os participantes poderão recordar exatamente a mesma informação, ou seja, o mesmo objeto. O que irá variar será o modo como este é originalmente processado na fase de codificação da informação”, avança.

O principal problema com as bases de dados anteriores é que só permitem aos investigadores comparar o que acontece quando expostos a diferentes itens ou estímulos: uma imagem que mete nojo vs. uma que não mete, por exemplo. Isto acarreta os chamados problemas de seleção de itens, características inerentes e incontroláveis destes objetos que podem enviesar a nossa perceção e assim afetar o processo em estudo, levantando questões sobre as conclusões que daí se tirem.

Recorrendo aos estímulos desta nova base de dados, “por exemplo, se tivermos umas mãos cobertas com chocolate, podemos de facto dizer ao participante que elas estão cobertas de chocolate ou com diarreia e o processamento será completamente diferente – mas o objeto de interesse mantém-se. É diferente de termos de recordar

uma cobra, uma pessoa a vomitar ou uma vassoura, coisas muito distintas”, clarifica Natália Fernandes.

A jovem investigadora tem doutoramento em Psicologia pela Universidade de Aveiro e pertence ao William James Center for Research da mesma Universidade.

O Prémio ISPA visa distinguir jovens cientistas (com menos de 35 anos e que tenham obtido o último grau há menos de 5 anos) cujos trabalhos de investigação tenham sidos realizados numa instituição de I&D nacional e publicados em revistas internacionais nos últimos três anos.

Além dos percursos profissionais dos candidatos, são valorizados a originalidade e a fundamentação científica do trabalho apresentado, bem como o impacto da contribuição científica para a área disciplinar em que se insere.

Relatório DGS
Segundo os dados hoje divulgados, mais de 1,4 milhões de pessoas já completaram a vacinação contra a Covid-19 e cerca de 3,2...

O relatório semanal da vacinação divulgado pela Direção-Geral da Saúde (DGS), dá conta que, no total, 1.437.436 portugueses já se encontram totalmente vacinados contra o vírus SARS-CoV-2 e 3.223.964 já receberam a primeira dose.

Os dados revelam ainda que, no grupo etário dos maiores de 80 anos, 89% (598.852 idosos) já recebeu as duas doses da vacina e 95% (642.013) já foi vacinado com a primeira dose.

Quanto à faixa etária entre os 65 e os 79 anos, 89% (1.429.900 pessoas) também já foi vacinado com a primeira dose, enquanto 23% (361.651) tem a vacinação completa contra a Covid-19.

No que se refere às pessoas entre os 50 e 64 anos, 33% (717.587) também já recebeu a primeira toma da vacina, percentagem que baixa para os 10% (212.076) no que concerne à vacinação completa.

Por regiões, o Norte e Lisboa e Vale do Tejo já ultrapassaram os 1,5 milhões de doses administradas, seguindo-se o Centro (897.494 doses), o Alentejo (267.299), o Algarve (176.298), a Madeira (122.216) e os Açores (92.389).

No que se refere à cobertura vacinal da população por regiões, o Alentejo lidera na vacinação completa (19%), enquanto o Centro tem 18% da população vacinada, o Norte, Lisboa e Vale do Tejo e a Madeira 13%, o Algarve 12% e os Açores 11%.

Segundo a DGS, Portugal recebeu 5.197.920 vacinas, tendo sido distribuídas pelos postos de vacinação e pelas regiões autónomas dos Açores e da Madeira um total de 4.686.071 doses.

3ª Corrida/Caminhada Virtual Solidária
No âmbito do movimento “Maio, Mês do Coração”, a plural+udifar em parceria com a Fundação Portuguesa de Cardiologia, vai...

É neste âmbito que as duas entidades desafiam a comunidade a juntar-se ao movimento “Maio, Mês do Coração” para participar na 3ª Corrida/Caminhada Virtual de componente solidária, que decorrerá nos dias 28, 29 e 30 de maio, podendo ser realizada a correr ou caminhar, em qualquer parte do país e a qualquer hora, desde que com a devida segurança.

Cada participante poderá escolher participar na corrida de 10 km ou na caminhada de 5 km. A 3ª Corrida/Caminhada Virtual não será cronometrada. O principal objetivo desta iniciativa é o de promover a prática de exercício físico em todas as faixas etárias.

A inscrição é gratuita e deve ser realizada no site do evento: https://acorrer.pt/eventos/info/2796. Caso o participante pretenda fazer um donativo à Fundação Portuguesa de Cardiologia poderá fazê-lo no momento da inscrição selecionando qual o valor a doar.

Nos dias estabelecidos para a corrida/caminhada virtual (28, 29 e 30 de maio), o participante ativa uma aplicação que possibilite o registo da atividade e realiza a prova na qual se inscreveu a correr ou a andar no horário e dia que lhe for mais conveniente, ficando a escolha do percurso da sua inteira responsabilidade.

Após a realização da corrida/caminhada virtual, o participante deverá enviar o comprovativo - foto/screenshot da aplicação (telemóvel, relógio, etc.) onde tenha indicado a distância percorrida; tempo (duração) e nome/foto do participante.

Entre o conjunto de atividades que se vão realizar no âmbito do movimento “Maio, Mês do Coração” inclui-se ainda o Webinar sobre "Nutrição e Coração: Mitos", com a nutricionista Dra. Joana Carolina Gante, que vai decorrer no dia 21 de maio, pelas 16h, na Página de Facebook e YouTube da plural+udifar.

Neurocientista explica em que consiste esta doença do foro da ansiedade
O filme «Mulher à Janela», o novo sucesso da Netflix, aborda a agorafobia, uma doença do foro da ansiedade. O neurocientista e...

Segundo Fabiano de Abreu, não estão a surgir novos transtornos, mas a condição social atual acaba por resultar na abordagem de doenças pouco faladas, tal como acontece com a agorafobia. A patologia ganha destaque no filme «A Mulher à Janela», uma das produções mais vistas atualmente na plataforma de streaming Netflix Portugal.

Na obra, Anna Fox, personagem principal interpretada pela atriz Amy Adams, possui agorafobia. A partir da janela da sua mansão, em Nova Iorque, ela observava a vida na cidade até que acaba por testemunhar um crime, num acontecimento que agrava o seu transtorno.

Fabiano de Abreu considera que o filme traça um paralelo com a vida real: “A agorafobia é um tipo de ansiedade que até é relativamente comum, mas acaba por ser despoletada pela ocorrência de alguns episódios de ataques de pânico. Um indivíduo que apresenta tal distúrbio tende a ficar dentro de casa, pois tem medo de sair, já que considera que pode ser perigoso, mesmo não sendo”. Para o neurocientista, a obra apresenta de forma interessante o medo e a reclusão que são resultados de um trauma relacionado à perda. A reclusão, nesse sentido, acontece devido ao medo de estar em lugares ou situações que possam desencadear ataques de pânico ou constrangimentos.

A agorafobia é uma doença crónica que pode durar anos ou toda a vida. Entre as pessoas que apresentam este tipo de transtorno, 30 a 50% também sofrem de síndrome do pânico. A doença afeta mais mulheres do que homens, numa relação de 2 para 1. Os principais sintomas passam por medos relacionados com estar numa multidão, enfrentar filas, lugares fechados, transportes públicos, espaços abertos e solidão. "As situações são antecipadas no imaginário e são desencadeadas por um simples medo do que poderia ou não acontecer. A pessoa faz uma projeção de uma realidade que, na maioria das vezes, não vai acontecer”, explica.

A maior parte dos casos surge antes dos 35 anos de idade e o diagnóstico é feito por um período de seis meses ou mais. Durante esse tempo, o médico ou psicólogo acompanha o paciente, avaliando o nível do medo e da ansiedade. Caso a ansiedade não diminua, iniciam-se os tratamentos.

O processo é desafiante, já que é realizado através de terapia de exposição, no qual o indivíduo é auxiliado a aprender novas formas de se comportar perante situações que originam o medo. Também faz parte do processo a terapia cognitivo-comportamental, podendo ser necessário o uso de antidepressivos inibidores seletivos de recaptação da serotonina (ISRSs).

Páginas