Estudo “Perceção sobre uso de antibióticos”
A manutenção de comportamentos como o consumo inapropriado de antibióticos promete agravar os problemas relacionados com a...

Com o objetivo de avaliar o estado atual do conhecimento dos portugueses em relação ao consumo de antibióticos e o potencial impacto destes comportamentos no problema da resistência aos antimicrobianos, o Grupo de Investigação e Desenvolvimento em Infeção e Sépsis (GISID), com o apoio do Centro de Estudos Aplicados da Universidade Católica Portuguesa, promoveu a realização de um inquérito nacional sobre o consumo de antibióticos. Este estudo vem na sequência de um inquérito semelhante realizado em 2020, e que servirá agora de base comparativa. O estudo agora realizado irá ainda permitir avaliar se alguns dos comportamentos e perceções relativos à toma de antibióticos foi influenciado pela pandemia da COVID-19.

O estudo mostra que:

  • Em apenas 2 anos houve um aumento significativo no número de inquiridos que afirmou tomar antibióticos: 83%, mais 10% que em 2020.
  • Há mais mulheres a tomar antibióticos (45% vs. 39% homens) e são principalmente os homens quem mais os evita, mesmo quando prescritos pelo médico (3%).
  • 53% dos inquiridos revelou que a prescrição do antibiótico foi feita por um médico em ambiente de ambulatório (consultório), uma ligeira diminuição face a 2020 (55%). Em segundo lugar, com 19% surge a prescrição médica em ambiente de urgência e em 3º lugar a prescrição no contexto de um tratamento dentário (15%). No total, 94% das respostas incidem na prescrição por um profissional médico.
  • 77% não consegue identificar o antibiótico que toma e nem sempre quem diz saber os identifica corretamente.
  • Aumentou o número de pessoas que referem que a duração do tratamento é a informação mais importante ao ser-lhe prescrito um antibiótico (de 37% em 2020 para 52% em 2022).
  • Apenas 50% dos respondentes entrega os medicamentos que já não usa na farmácia. São principalmente as mulheres que o fazem (30% vs. 20% dos homens), e pessoas com mais de 65 anos (15%) e entre os 35-65 (entre 9% e 10%). Não se verificam diferenças significativas face a 2020 quanto ao comportamento para com os medicamentos remanescentes.
  • 14% dos inquiridos admitem ter antibióticos armazenados em casa. 57% destes afirma tê-lo desde o último tratamento. São mais os homens quem armazena medicamentos em casa (58% vs. 42%) e os mais velhos (+55 anos) são quem menos o faz.
  • Aumentou o número de respondentes a indicar que são as infeções causadas por bactérias as que devem ser tratadas com antibióticos (42% em 2022 vs. 36% em 2020).
  • 28% dos inquiridos consideram que o uso do antibiótico está limitado à medicina humana (25% em 2020). Denota-se uma melhoria no conhecimento quanto a outras áreas de consumo de antibióticos apontadas, em que “todas as anteriores” (Medicina veterinária + Agropecuária) é referida em 62% das respostas e “Medicina veterinária” em 34% das respostas.
  • 30% não conhecia o conceito de resistência aos antimicrobianos – uma ligeira descida face a 2020 em que 34% nunca tinha ouvido falar do termo. Dos 70% que já conhecia, 55% são mulheres, e principalmente nas faixas etárias mais velhas: >65 anos (22%), 55-65 (17%), 45-55 (19%) e 35-45 (20%).
  • São sobretudo as mulheres (52%) que consideram que a resistência aos antimicrobianos é um problema associado ao consumo de antibióticos, salientando-se que a faixa que dá menos relevância ao tema é a dos mais jovens (<=25 anos apenas 10% conhece o assunto).
  • 13% das pessoas consideram ser possível obter antibióticos na farmácia sem receita médica, uma percentagem ligeiramente menor que em 2020 (16%).
  • Com a COVID-19, 9% das pessoas admite ter tomado antibiótico. Destas, 57% foram mulheres.

 

11 de fevereiro
O Seminário de Oncologia Pediátrica, uma iniciativa da Fundação Rui Osório de Castro (FROC), que este ano assinala a sua 9ª...

Em conversas moderadas pela Fernanda Freitas, com a participação de vários peritos e profissionais credíveis, e com a partilha de testemunhos - pais ou sobreviventes de cancro pediátrico - vai-se falar sobre os desafios da parentalidade na doença, exercício físico durante e depois do tratamento e a adolescência e a transição para o adulto. 

“Durante este dia os participantes podem assistir a conversas esclarecedoras e têm também a possibilidade de colocar dúvidas aos nossos convidados. Para quem não gosta de se expor, pode enviar-nos antecipadamente por escrito, para o email da Fundação, que garantimos que as suas dúvidas serão respondidas ao longo do dia, pois o grande objetivo deste dia é esclarecer e tranquilizar” começa por explicar Cristina Potier, Diretora-Geral da FROC. 

“Há alguns anos que a Fundação Rui Osório de Castro tem vindo a questionar a não existência de números relativos ao Cancro Pediátrico. Durante o ano de 2022 foram finalmente disponibilizadas as estatísticas relativas ao período entre 2010 e 2019. Ana Maia Ferreira, responsável pelo Registo Português de Oncologia Pediátrica, estará presente para apresentar estes dados,” continua a explicar. 

Durante este dia haverá ainda um bloco de tempo dedicado aos novos tratamentos e investigação em Portugal. “Sendo a investigação uma das áreas que apoiamos, este assunto não poderia ficar de fora. Apenas através com investigação conseguiremos perceber melhor a doença, melhorar os tratamentos e assim a qualidade de vida durante e depois do tratamento,” acrescenta Cristina Potier.

Serão também homenageados o vencedor e menções honrosas da 7ª edição do Prémio Rui Osório de Castro/Millennium BCP, que apoia projetos que promovem a melhoria dos cuidados prestados a crianças com doença oncológica e que foram conhecidos no passado dia 16 de Janeiro. 

Este ano este seminário conta também com umas palavras pela Marine Antunes, Fundadora do projeto Cancro com Humor e também ela sobrevivente de Cancro Pediátrico.

No momento em que se está a desenhar a Estratégia Nacional de Combate ao Cancro, a Fundação Rui Osório de Castro convidou o seu responsável, José Dinis, que irá fechar este dia. “Espera-se que o programa nacional de alguma forma espelhe o plano europeu que dá um foco sem precedentes ao cancro pediátrico através da investigação e acompanhamento dos sobreviventes,” termina de explicar Cristina Potier.

É um seminário aberto a todos pois, apesar do programa ser sempre criado a pensar nas famílias, qualquer pessoa poderá participar, como voluntários, estudantes, profissionais de saúde, assistentes sociais e profissionais de outras organizações sociais que trabalham na área, de forma gratuita, sendo apenas necessária uma inscrição prévia em www.froc.pt

Minisom recomenda a realização de exame auditivo
A Minisom, uma marca Amplifon, recomenda, neste início do ano, fazer um exame auditivo, que pode ser realizado gratuitamente em...

A audição é um sentido fundamental para a qualidade de vida. Ouvir bem é viver melhor, é emocionar-se e partilhar. Por esse motivo é importante realizarmos um exame auditivo, pois é normal que com a idade, percamos capacidades ao nível deste sentido, o que terá impacto direto na nossa qualidade de vida, afetando tanto o nosso comportamento como a forma como nos relacionamos com os que se encontram à nossa volta.

É muito importante verificar a nossa audição para desta forma detetar, precocemente, uma possível perda auditiva. Quanto mais cedo formos diagnosticados, mais cedo poderemos corrigir esta perda com aparelhos auditivos. Não fazê-lo, terá consequências muito negativas para o nosso dia a dia, como:

  • Dificuldade na nossa comunicação com os outros
  • Gerar insegurança e falta de confiança
  • Provocar falta de concentração e stress
  • Gerar isolamento e solidão

A melhor forma de combater a perda auditiva é detetá-la o quanto antes e ter um diagnóstico precoce. Por esse motivo, a Minisom oferece uma revisão auditiva, que inclui uma audiometria, um relatório completo e orientações sobre a melhor solução para cada caso.

Entrevista | Prevenção do Cancro do Colo do Útero
Estima-se que cerca de 75 a 80% das pessoas sexualmente ativas entra em contacto com o vírus que est

O cancro do colo do útero, considerado o segundo tipo de cancro mais frequente entre mulheres (de acordo com os dados oficiais são registados todos os anos 1000 novos casos da doença), é uma das complicações da infeção por HPV. Assim começo por perguntar em que consiste o Papilomavírus Humano? Como se transmite e qual a sua incidência?

O HPV, sendo um pequeno vírus, é um dos maiores carcinogéneos humanos, isto é, danifica as células até se transformarem em cancro. Este é o responsável pela infeção sexualmente transmissível mais frequente do mundo, que pode ocorrer durante o sexo vaginal, oral, anal ou durante o contacto íntimo de “pele com pele” entre pessoas em que uma esteja infetada. Existem mais de 200 genótipos diferentes de HPV, mas são só 14 os genótipos de alto risco que têm a capacidade de despoletar os cancros. No cancro do colo do útero este vírus é observado em 99.7% dos casos, mas também contribui para cancros em outras partes do corpo, como a vagina (70%), a vulva (40%), o ânus (84%), o pénis (47%) e a cabeça/pescoço (72% da orofaringe – base da língua/amígdalas). O cancro da orofaringe representa 78% dos cancros relacionados com o HPV no homem. A nível mundial são estimados 528 000 novos casos de cancro no colo do útero, 19 960 na vagina e vulva, 10 500 no pénis, 42 000 e 18 000 na orofaringe e 13 000 e 14 300 no ânus (respetivamente no homem e na mulher). Pelo exposto, as doenças associadas ao HPV mantêm-se um importante problema de saúde pública.

Pode-se falar em grupos de risco?

Não existem grupos de risco. Qualquer pessoa estará em risco a partir do início da atividade sexual. Basta ter tido um único parceiro durante toda a vida - independentemente da orientação sexual ou do tempo de inatividade sexual - para se poder estar infetado. Infelizmente, muitas mulheres com cancros avançados são aquelas que não têm atividade sexual há muito tempo ou com idades mais avançadas (por exemplo, viúvas, divorciadas sem companheiros nos últimos anos), que creem já não estarem em risco e, como tal, não realizam regularmente o teste Papanicolau. Provavelmente, este viés de raciocínio contribui para que, em Portugal, mais de metade das mortes por esta causa ocorra acima dos 65 anos.

Que fatores contribuem para o aumento do risco de infeção persistente por HPV?

Alguns fatores aumentam o risco de infeção persistente e a progressão para cancro. Dos fatores externos destacam-se: o serótipo do vírus (só o HPV 16 e o HPV 18 são responsáveis por cerca de 75% dos cancros), tabagismo (aumenta 3-4x o risco), imunossupressão (toma de medicamentos que baixam as defesas para tratamento de doenças autoimunes ou em transplantados), terapêuticas hormonais (contracetivos e terapêutica de substituição), início precoce da atividade sexual, múltiplos parceiros sexuais e multiparidade ou presença simultânea de outros vírus e bactérias. Por outro lado, os fatores intrínsecos, de onde se destacam a imunidade natural, a imunidade adquirida (através da vacinação contra o HPV), fatores de variação genética destes mecanismos e a fase reprodutora da mulher, também influenciam o risco de persistência desta infeção.

Esta infeção pode ser assintomática?

Esta infeção é quase sempre assintomática e transitória. Cerca de 80% dos indivíduos adquirem a infeção em alguma altura da vida, mas a maioria resolve espontaneamente (aproximadamente 90%) ao fim de 1 a 2 anos. O sintoma mais frequente induzido pelo HPV apresenta-se sob a forma de patologia benigna como são os condilomas ou verrugas genitais. Por outro lado, a perda de sangue com as relações sexuais, apesar de poderem aparecer em outros contextos, são um dos poucos sinais de alerta, sendo mandatório nestas situações excluir a presença de infeção por HPV. Só em fases mais avançadas da infeção, em que já ocorreu transformação maligna, é que podem surgir sintomas como dor, corrimento com cheiro fétido, dores nas relações, entre outros.

Como pode ser prevenida?

O uso do preservativo está indicado na prevenção de todas as infeções de transmissão sexual. Contudo, por não cobrir a totalidade da pele da região genital, não protege completamente da transmissão do HPV (apenas em cerca de 70% dos casos). Adicionalmente, a arma mais importante na prevenção é a vacinação contra o HPV. Tratando-se este de um vírus que não causa virémia (não circula no sangue), a imunidade inata e a adaptativa natural que desencadeia é muito fraca, não gerando uma resposta imunológica eficaz contra uma reinfeção ou reativação pelo mesmo serótipo viral. Então, quando o sistema imunitário da pessoa não tem força para eliminá-lo, este permanece inativado (“adormecido”), reativando (“acordando”) quando as defesas envelhecem (imunossenescência) ou se encontram mais frágeis (por imunodepressão ou imunossupressão). A solução é de uma forma artificial colocar um antigénio (parte do agente infecioso) no corpo através de uma vacina, gerando uma resposta imune e prevenindo as doenças por esse patogéneo. As vacinas são uma das formas mais bem-sucedidas, seguras e de baixo custo de proteger a saúde.

Em que consiste o rastreio do HPV e a quem se destina? Qual a importância do diagnóstico precoce?

O rastreio do cancro do colo do útero destina-se a mulheres que já tenham iniciado a sua atividade sexual e consiste na realização de uma colheita, em posição ginecológica, de células do colo uterino com uma escovinha. Neste material pode-se avaliar duas coisas: a presença do vírus HPV de alto risco (e assim identificar as mulheres infetadas e com potencial de desenvolver lesões pré-malignas ou malignas – a opção mais recomendada) e/ou o teste Papanicolau/citologia cervical/colpocitologia (deteta os danos já provocados, ou seja, células pré-cancerígenas e cancerígenas – exame realizado isoladamente antes do advento da testagem do HPV). Quando estes testes estão alterados, as mulheres são encaminhadas para um exame mais específico com um colposcópio (tipo um microscópio), que permite uma análise mais pormenorizada do colo do útero e a identificação/biópsia das áreas alteradas. Desta forma, consegue-se realizar um diagnóstico precoce das lesões, imprescindível para tratamentos menos agressivos (com impacto positivo na fertilidade futura), evitando-se assim o desfecho mais grave desta infeção. Nos homens tem-se investigado a pesquisa do HPV no sémen e em zaragatoas da glande, contudo estes testes ainda não se encontram acessíveis de forma difusa.

Tendo em conta que entre 50 a 80% dos indivíduos adquirem infeção por HPV em algum momento das suas vidas, o que falta fazer em termos de prevenção?

A prevenção primária através da vacinação contra o HPV é a nossa maior arma, particularmente antes do início da atividade sexual. Neste âmbito a vacinação gratuita no PNV foi um grande passo. Em termos de saúde pública, a vacinação em massa depois dos 25 anos tem uma relação de custo/benefício discutível, contudo sem dúvida que é benéfica numa perspetiva de proteção individual, pelo que deve ser sempre aconselhável. Atualmente, o principal entrave para uma vacinação mais abrangente é o custo da mesma, que ainda não é comparticipada fora do PNV. Esta limitação muitas vezes é ultrapassada com a realização de um esquema de administração alargado, permitindo-se assim um menor impacto no orçamento familiar. Certamente que a comparticipação seria um grande contributo para estender a vacinação a outros grupos, com vista à eliminação dos cancros associados a este vírus e, consequentemente, a redução dos gastos no diagnóstico e tratamento dessas neoplasias malignas.

Qual a importância da vacinação? Quem a pode e deve tomar? Há um limite de idade para que possa ser administrada?

Visto que não existe nenhum tratamento que elimine imediatamente o HPV, a vacinação contra o mesmo é de extrema importância. De facto, esta vacina apresenta potencial para prevenir 90% dos cancros e, em maior percentagem, a doença benigna associada ao HPV. Por isso, foi introduzida a administração gratuita desta vacina no PNV, pelos 10 anos, às meninas (desde 2008) e aos meninos (desde 2020). Nos restantes grupos etários ela pode ser adquirida na farmácia. A vacina atualmente comercializada protege contra 7 serótipos de HPV de alto risco, aqueles com um comportamento mais agressivo. De salientar ainda, que quem já realizou a vacina anterior que protegia apenas contra 2 serótipos de HPV de alto risco, pode realizar a vacina mais recente. Inicialmente, pensava-se que esta só seria útil para quem não tivesse começado a atividade sexual. No entanto, vários estudos têm demonstrado a sua eficácia em mulheres mais velhas (sem limite de idade de acordo com a Agência Europeia do Medicamento), com especial recomendação naquelas com história de infeção/lesão prévia pelo HPV (podendo reduzir em mais de 80% as recidivas) e aconselhada em homens (particularmente naqueles em que foi identificado o HPV nas companheiras).

No que diz respeito ao cancro do Colo do útero, a que sintomas devemos estar atentas? E com que periodicidade os rastreios devem ser realizados?

Como já referido anteriormente, esta infeção é quase sempre assintomática, logo nunca devemos esperar por sintomas para realizar o rastreio, porque aí já pode ser tarde e as opções terapêuticas mais limitadas. A chave é as mulheres realizarem o rastreio regular (com a pesquisa do HPV AR e/ou teste Papanicolau). Este rastreio pode ser realizado no âmbito de um programa de rastreio organizado em articulação com os centros de saúde ou de forma oportunista pelos ginecologistas. Atualmente, em Portugal, o rastreio pode ser feito de forma gratuita por mulheres entre os 25 e os 60 anos, com teste de HPV de alto risco, a intervalos de cinco anos. Este é um rastreio que está muito bem organizado e deve ser aproveitado por todas as mulheres incluídas nesta faixa etária. Fora do SNS poderá fazer-se de três em três anos. De salientar que mesmo as mulheres vacinadas, as pertencentes ao grupo etário de mais de 60 anos ou aquelas já submetidas a remoção do útero com história de infeção prévia por HPV, devem manter a vigilância/rastreio regular.

Diria que, hoje, os portugueses estão mais despertos para esta doença?

Em pleno século XXI, a minha resposta deveria ser sim. Apesar de concordar que atualmente seja a altura em que os portugueses estão mais informados acerca deste assunto (pela implementação da vacinação no PNV e pelas ferramentas online disponibilizadas), continuo a achar que se mantém aquém do desejado para uma sociedade tão evoluída, onde a informação circula a uma velocidade sem precedentes. Acredito que o maior entrave se prende com o facto de tratar-se de um assunto relacionado com a intimidade, onde existem ideias erradas pré-concebidas e muitas lacunas no conhecimento. Frequentemente presencio nas consultas a surpresa aquando da explicação da patologia, pois encontra-se estigmatizado que esta infeção se relaciona apenas com quem tem múltiplos parceiros, o que contrasta com a perceção da comunidade científica para a qual é considerado como um evento “natural” que afeta qualquer pessoa sexualmente ativa.

O que é que todos temos mesmo de saber sobre o HPV e cancro do colo do útero?

  • Todos os indivíduos que tenham iniciado a sua atividade sexual estão em risco de contrair a infeção por HPV.
  • A vacinação contra o HPV é a nossa maior arma.
  • A combinação da vacinação contra o HPV e o rastreio têm o potencial para eliminar o cancro do colo do útero no futuro. 
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Maior proximidade a cuidados de saúde
A rede CUF alargou a sua presença a mais um distrito, com a abertura da Clínica CUF Leiria, que iniciou a sua atividade hoje,...

A nova Clínica CUF Leiria garante uma oferta alargada de cuidados de saúde para toda a família, com consultas em mais de 20 especialidades médicas e cirúrgicas - entre as quais Medicina Geral e Familiar, Pediatria, Ginecologia-Obstetrícia, Oftalmologia, Cardiologia - cuidados de enfermagem, análises clínicas e outros exames complementares de diagnóstico como Raio-X, Mamografia e Ressonância Magnética - a disponibilizar até ao final do primeiro semestre. Posteriormente, em data a anunciar, a clínica disponibilizará, para situações de saúde inesperadas, a consulta sem marcação de Medicina Geral e Familiar.

Com um corpo clínico diferenciado, equipamentos médicos modernos e instalações que asseguram todas as condições de segurança e conforto, a mais recente unidade da rede CUF conta com uma equipa de mais de 100 colaboradores. 

Implementada na Urbanização da Quinta da Malta, numa área superior a 1.300 metros quadrados, a Clínica CUF Leiria resulta de um investimento de mais de 8 milhões de euros.

Para o Presidente da Comissão Executiva da CUF, Rui Diniz, a abertura da Clínica CUF Leiria trata-se de "um importante passo para a estratégia de expansão e consolidação da rede CUF que vai permitir aumentar a oferta de cuidados de saúde diferenciados à população da região e dar resposta às suas necessidades de prevenção, diagnóstico e tratamento". A abertura da clínica representa a primeira fase de um projeto que ficará concluído com a abertura do Hospital CUF Leiria. 

Representando um investimento de 50 milhões de euros, o futuro Hospital CUF Leiria, a construir em parceria com a Mekkin - um grupo multinacional sediado em Leiria - irá disponibilizar, a uma área de influência de mais de meio milhão de habitantes da região Centro, cuidados de saúde diferenciados, onde se incluem diversas valências como Internamento, Bloco Operatório e Hospital de Dia Médico e Oncológico, sendo uma unidade hospitalar capaz de responder até aos casos mais complexos.

 

 

31 de janeiro
A Direção-Geral da Saúde (DGS) entrega o Prémio Nacional de Saúde 2019 a Constantino Sakellarides no dia 31 de janeiro de 2023,...

No ano em que a Direção-Geral da Saúde comemorou o seu 120.º aniversário (2019), o Júri de Atribuição do Prémio Nacional de Saúde deliberou distinguir o Professor Constantino Sakellarides com o Prémio Nacional de Saúde, pelo notável percurso académico e profissional e pela brilhante carreira em vários sectores do sistema de saúde. Os seus contributos foram valiosos para a melhoria da eficiência e da qualidade do sistema de saúde português e para o prestígio da Saúde Pública em Portugal.

Atribuído anualmente, o Prémio Nacional de Saúde, criado em 2006, visa distinguir uma personalidade que, pela relevância e excelência no âmbito das Ciências da Saúde, tenha contribuído para a obtenção de ganhos em saúde ou para o prestígio das organizações de saúde no âmbito do Serviço Nacional de Saúde.

Constantino Sakellarides licenciou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (1967). Mestre em Epidemiologia pela Escola de Saúde Pública da Universidade do Texas (EUA, 1972), e Doutorado em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade do Texas (EUA, 1975), é Professor Catedrático Jubilado da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa, da qual foi também Diretor. Entre outros, Constantino Sakellarides foi Diretor para as Políticas e Serviço de Saúde da OMS/Europa, Diretor-Geral da Saúde (1997-1999), e Presidente da Associação Europeia de Saúde Pública. Entre 2016 e 2018, na qualidade de Consultor do Ministro da Saúde, foi responsável pelo desenho e coordenação da iniciativa “SNS + Proximidade”. Foi membro fundador e primeiro Presidente da Fundação para a Saúde – SNS.

O júri do Prémio Nacional de Saúde 2019 foi constituído pelo Professor Doutor Walter Friederich Alfred Osswald, que presidiu, o Bastonário da Ordem dos Médicos, a Bastonária da Ordem dos Enfermeiros, a Bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, o Bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, o Bastonário da Ordem dos Psicólogos, o Bastonário da Ordem dos Biólogos, a Bastonária da Ordem dos Nutricionistas, o Diretor do Instituto de Higiene e Medicina Tropical e o Diretor da Escola Nacional de Saúde Pública.

A Cerimónia de entrega do Prémio, cujo programa se encontra disponível aqui, será transmitida em streaming nas redes sociais da DGS.

Dados INEM
Os Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) atenderam 1.527.380...

De acordo com dados do INEM, foram atendidas, em média, 4.185 chamadas de emergência por dia, um aumento de 10% face ao ano transato. Os números apresentados correspondem a pedidos de ajuda efetuados via 112 para assistência a vítimas de acidente ou doença súbita, pedidos de triagem por parte dos parceiros no Sistema Integrado de Emergência Médica e chamadas transferidas diretamente pelo SNS 24.

Na sequência destas chamadas, foram acionados 1.402.091 meios de emergência médica pré-hospitalar. com um aumento de 11% comparativamente com 2021 (mais 135.679 acionamentos).

Em 2022, os CODU transferiram para o SNS 24 103.018 chamadas que não correspondiam a situações emergentes. Já o SNS 24 transferiu para o CODU 46.432 chamadas que foram consideradas emergentes pelos profissionais daquele serviço.

 

Sessões de esclarecimento decorrem em escolas básicas e secundárias a nível nacional
A Associação Nacional de Centros de Diálise (ANADIAL) vai realizar várias sessões de esclarecimento sobre a doença renal...

As sessões de esclarecimento estão adaptadas para os alunos que se encontrem no ensino básico e secundário, e vão ser realizadas na Escola Secundária João Gonçalves Zarco, em Matosinhos; nas Escolas do Cadaval, no Cadaval; nas Escolas Professor Reynaldo dos Santos, em Vila Franca de Xira; na Escola Secundária de Silves, em Faro; na Escola Secundária Campos Melo, na Covilhã; na Escola Básica e Secundária Frei Gonçalo de Azevedo e na Escola Básica da Venda do Pinheiro, ambas em Mafra; na Escola Profissional de Desenvolvimento Rural do Rodo, no Peso da Régua; nas Escolas de Sever do Vouga, em Aveiro; na Escola Secundária de Camarate e na Escola Secundária José Cardoso Pires, ambas em Loures.

“Com esta iniciativa pretendemos contribuir de forma positiva para o programa de educação em saúde das várias escolas, bem como prevenir e reduzir a incidência da doença renal crónica. Vamos continuar a promover diversas ações de consciencialização, ministradas por médicos e enfermeiros, em escolas básicas e secundárias de norte a sul do país, proporcionando aos alunos a oportunidade de aprender a cuidar da saúde dos seus rins”, explica Jaime Tavares, presidente da ANADIAL.

A campanha “A vitória contra a doença renal começa na prevenção” conta com o apoio da Associação de Doentes Renais de Portugal, da Associação Portuguesa de Enfermeiros de Diálise e Transplantação, da Associação Portuguesa de Insuficientes Renais, da Sociedade Portuguesa de Nefrologia e da Sociedade Portuguesa de Transplantação.

A doença renal crónica caracteriza-se pela deterioração lenta e irreversível da função dos rins. Como consequência da perda desta função, existe retenção no sangue de substâncias que normalmente seriam excretadas pelo rim, resultando na acumulação de produtos metabólicos tóxicos no sangue (azotemia ou uremia). 

 

Tumores
Mais frequente após a menopausa, o Cancro do Ovário é um dos cancros mais mortais entre as mulheres.

O Cancro do Ovário

O cancro do ovário consiste no crescimento anormal de células de localização ovárica. Uma vez que os ovários são constituídos por três tipos de células: células epiteliais, células germinativas e células do estroma; podem existir diferentes tipo de tumores que se encontram divididos em dois grandes grupos: tumores epiteliais e os não epiteliais.

No entanto, a situação mais frequente é a que envolve células epiteliais e que se designa por carcinoma epitelial do ovário, dos quais há vários subtipos, de que se destacam, pela sua frequência e/ou agressividade, o carcinoma endometrioide, o carcinoma seroso de alto grau, o carcinoma de células claras, entre outros.

Sintomas

A sintomatologia do cancro do ovário é inespecífica ou mesmo ausente nos estádios iniciais, no entanto surgem devido ao crescimento de uma massa anómala e consequente compressão ou envolvimento de outras estruturas ou órgãos.

A dor pélvica persistente, as alterações do ciclo menstrual ou hemorragia vaginal anormal, a distensão pélvica /abdominal, as queixas urinárias ou as alterações do trânsito intestinal, podem ser a manifestação inicial desta patologia.

Numa fase mais avançada pode ocorrer aumento do volume abdominal, alterações do estado geral como cansaço, náuseas / vómitos, diminuição do apetite e emagrecimento involuntário.

Fatores de risco

Idade: incidência do cancro do ovário aumenta com a idade, ocorrendo a maioria dos casos após a menopausa.

Predisposição genética: o maior fator de risco para cancro do ovário é a história familiar. Numa mulher de 35 anos, tendo havido história de cancro de ovário num familiar, aumenta a probabilidade de desenvolver esta patologia durante a vida de 1,6 para 5,0%. As mulheres com síndromes de cancro do ovário hereditário têm uma probabilidade de desenvolver a neoplasia ao longo da vida entre 25 a 50%.

Fatores reprodutivos e endócrinos: A nuliparidade, menarca precoce (< 12 anos), menopausa tardia (> 52 anos), endometriose, síndrome de ovário poliquístico e a exposição a terapêutica hormonal de substituição parecem igualmente estar associados a um aumento de risco de cancro do ovário.

Obesidade: Mulheres com um índice de massa corporal ≥ 30 Kg/m2 têm um risco aumentado de desenvolver cancro do ovário.

Diagnóstico

Em caso de suspeita clínica a identificação de alteração a nível do ovário através da ecografia pélvica, geralmente por via endovaginal.

O diagnóstico é, geralmente, feito através de exames de imagem, como a ecografia endovaginal, o TAC ou a RMN pélvica. Frequentemente associa-se a avaliação, no sangue, do marcador tumoral CA125 que, apesar da sua inespecificidade, em caso de estar elevado aumenta a suspeita de carcinoma do ovário.

O diagnóstico definitivo, no entanto, só é feito após a remoção do tumor na cirurgia e na avaliação por um anatomopatologista. Nesta altura é confirmado o diagnóstico de cancro do ovário e descritas as suas características, nomeadamente o subtipo histológico.

Prevenção

Os hábitos de vida saudáveis diminuem o risco de cancro em geral. Especificamente em relação ao cancro do ovário, ter um peso saudável e evitar ou reduzir o tempo de terapêutica hormonal de substituição, contribui para a redução do risco.

É de extrema importância que as mulheres consultem regularmente o seu ginecologista para vigiar possíveis alterações

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Fungos e mofo
Os encarregados de educação de uma pré em Castelo de Paiva lutam por condições melhores nos edifícios que os filhos frequentam...

A ciência desempenhou um importante papel na sua classificação e estudo e dois especialistas elucidam-nos acerca do tema.

“Os fungos são organismos eucariontes diversos e complexos, o que os levaram a adquirir um reino só para eles, além dos reinos das plantas, dos animais, das bactérias e dos protozoários. O avanço da genética molecular, ao longo do século XX, possibilitou a inclusão da análise do DNA e de análises filogenéticas na taxonomia, deixando de ser baseada somente na morfologia, o que sustenta até hoje o reino Fungi.”, explica Dalila, Bióloga e mestre em infeciologia.

Continuando com a explicação, Fabiano de Abreu também ele biólogo e neurocientista refere que “o termo mofo ou bolor é utilizado para a característica que alguns fungos têm em apresentar a textura de poeira e diferentes colorações quando estão se reproduzindo. Processo que envolve a libertação de muitos esporos e metabólitos secundários, também conhecidos como micotoxinas. No entanto, essas micotoxinas podem fornecer benefícios adaptativos aos fungos, do ponto de vista fisiológico, e o ser humano aprendeu a utilizá-las para benefício próprio e de grande poder econômico nos setores farmacêutico, alimentício e da indústria química.”

Como referem os especialistas, a maioria dos mofos são patógenos oportunistas, amplamente dispersos em ambientes internos e domésticos, cuja liberação de seus esporos desencadeiam processos alérgicos ou agravam alergias respiratórias (asma, rinite, sinusite). Os principais e frequentes sintomas da alergia ao mofo são: espirros, congestão e coriza nasal, tosse, coceira na garganta, irritação nos olhos e chiado no peito.

Além da questão alérgica, vale ressaltar que a toxicidade dos mofos leva a uma resposta inflamatória crónica e até a uma reação autoimune, já que o indivíduo não consegue eliminar essas biotoxinas e acabam se acumulando no corpo, levando a um tratamento prolongado. As reações são as mais variadas como dores de cabeça, cansaço repentino, dores musculares, tosse crônica, problemas visuais. Além de estarem associadas a sintomas psiquiátricos como ansiedade e depressão, através de problemas de atenção, insónia, falta de clareza mental e perda de memória.

Estes problemas são particularmente graves quando os mofos estão concentrados em ambientes onde as crianças passam muitas horas como as escolas e infantários. Infelizmente existem ainda muitos edifícios onde funcionam estabelecimentos de ensino no concelho em que este problema está presente.

Em Bairros, os pais já comunicaram com a câmara e não obtiveram resposta. Foi-lhes dito que iam averiguar, mas passadas semanas o problema persiste e nada foi feito. Os encarregados de educação queixam-se que os filhos estão constantemente com tosses e alergias e não duvidam que está relacionado com a questão. Os mesmos prometem não desistir.

27 de janeiro
A ARRISCA – Associação Regional de Reabilitação e Integração Sociocultural dos Açores realiza amanhã, dia 27 de janeiro, das...

A sessão vai contar com a participação de Rui Tato Marinho, diretor do Programa Nacional para as Hepatites Virais, que vai abordar o “Programa Nacional para as Hepatites Virais – No caminho da eliminação da Hepatite C em Portugal”; Francisco Pascual, presidente da Socidrogalcohol (Sociedade Científica Espanhola de Estudos sobre o Álcool e Alcoolismo e outras dependências de drogas), que irá expor os “Programas de microeliminação de VHC em grupos vulneráveis – Contribuições da Socidrogalcohol” e Benjamim Climent, membro da Sociedade Espanhola de Medicina de Urgências e Emergências. A moderação ficará a cargo de Sérgio Oliveira, editor da Revista Dependências, e como comentadora Maria Antónia Duarte, diretora do Serviço de Gastrenterologia do Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada.

“Dos 1 211 utentes da ARRISCA – Associação Regional de Reabilitação e Integração Sociocultural dos Açores, apenas 291 estão atualmente rastreados à hepatite C. O nosso objetivo era rastrear cerca de 60% dos utentes até dezembro de 2022, mas só cerca de 25% foi alcançado”, alerta Suzete Frias, diretora-geral da ARRISCA, acrescentando que “os números estão ainda muito aquém daqueles que a associação aspirava há uns meses aquando da apresentação do projeto “HépaerradiCar”. Daí, neste momento ser fundamental alargar aos profissionais das unidades de saúde de ilha e outros parceiros formação neste âmbito”.

A ARRISCA pretende informar e sensibilizar a comunidade local sobre as hepatites virais, encorajando a prevenção, diagnóstico através de rastreio precoce e tratamento, no sentido de cumprir as respetivas metas para 2030, ou seja, a Erradicação da Hepatite Viral como ameaça global à Saúde Pública.

Esta iniciativa conta com o apoio da AbbVie, Rotary Club de Ponta Delgada e Laboratórios Germano de Sousa e com a chancela do Governo dos Açores.

2, 3 e 4 de fevereiro de 2023
O 17.º Congresso Português do AVC, organizado pela Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral (SPAVC) entre os dias 2 a...

A sessão de abertura, agendada para 2 de fevereiro, às 12h05, ficará marcada pela homenagem àquele que foi o fundador da SPAVC e uma figura incansável na missão de reduzir a mortalidade devido ao AVC em Portugal, o Prof. José Castro Lopes. A sessão vai contar com os discursos de vários médicos neurologistas, colegas do homenageado, bem como de um dos seus netos.

O Prof. Manuel Correia começará com o tema “O Neurologista Hospitalar”, seguido do Prof. José Ferro, com a palestra sobre “A causa vascular nacional”. A Prof.ª Patrícia Canhão fará uma apresentação denominada “A comunidade científica plural e ao serviço da população” e o atual presidente da Direção da SPAVC, Prof. Vítor Tedim Cruz, fará uma abordagem sobre “A visão de futuro e a cultura do mérito”. Por fim, Frederico Castro Lopes fará uma sentida homenagem e louvor ao seu avô com a apresentação “O meu avô médico.”

“Será certamente uma sessão muito emotiva que ficará marcada pela gratidão que todos temos para com o Prof. Castro Lopes, um exemplo notável pelos valiosos contributos na área da doença vascular cerebral”, refere o Prof. Vítor Tedim Cruz. O também presidente do Congresso recorda o Prof. Castro Lopes como “um profissional persistente e inovador, um exemplo ao longo de muitos anos, que muito contribuiu para a comunidade científica e profissional que se dedica ao AVC”.

A Presidente da Comissão Científica da SPAVC e do evento, Prof.ª Patrícia Canhão, relembra o Prof. Castro Lopes como “um profissional exímio que incentivou e desenvolveu inúmeras ações focadas na formação dos profissionais de saúde, para melhorar os cuidados aos doentes com AVC”. A neurologista acrescenta ainda que “o Prof. Castro Lopes inspirou e incentivou muitos médicos jovens e sensibilizou a população em geral para a importância e responsabilidade que cada um de nós tem na prevenção do AVC”.

O 17.º Congresso Português do AVC representa o retorno ao presencial após a pandemia e vai contar, novamente, com a participação de especialistas de renome em diversas áreas de interesse, quer do panorama nacional, quer além-fronteiras. O evento inclui também seis cursos formativos pré e pós Congresso. De destacar ainda a opção de participação virtual para não residentes em Portugal continental.

As inscrições na modalidade presencial ou virtual (para residentes fora de Portugal continental) estão abertas e podem ser formalizadas online. Todos os profissionais de saúde interessados, bem como estudantes, podem desde já garantir o seu lugar neste fórum de discussão sobre AVC.

 

Dia Internacional da Epilepsia assinala-se a 13 de fevereiro
Celebra-se no dia 13 de fevereiro, o Dia Internacional da Epilepsia, uma iniciativa conjunta da International Bureau for...

Este ano o foco recai sobre o estigma experienciado pelas pessoas com epilepsia e o propósito das várias iniciativas planeadas é chegar mais perto da comunidade e sensibilizá-la para esta doença. Por isso, o CHUC e a DC-LPCE aproveitam esta data para contribuir para uma melhor literacia em saúde da nossa comunidade. Só promovendo um melhor conhecimento desta patologia e a desconstrução dos vários mitos a ela associados, será possível ultrapassar o preconceito tão enraizado, ainda, na nossa sociedade em relação às pessoas com epilepsia.

Uma das iniciativas é a campanha “50 milhões de passos pela epilepsia” (https://50millionsteps.org/),i cujo objetivo é dar um passo por cada pessoa com epilepsia no mundo, como forma de sensibilizar e alertar para os problemas que as pessoas com epilepsia, seus familiares e cuidadores enfrentam.

Para que esta iniciativa alcance o seu propósito e seja um sucesso a nível internacional, queremos exortar a comunidade a participar enviando, até ao dia 6 de fevereiro, uma fotografia a correr ou a andar usando roupa ou acessório roxo (cor tradicionalmente associada à epilepsia) para o endereço de email: [email protected] ou [email protected] .

 

 

 

 

Projeto CryoEM@NOVA
A NOVA School of Science and Technology | FCT NOVA anuncia hoje um financiamento de 2,5 milhões de euros, por parte da União...

Integrado na Unidade de Ciências Biomoleculares Aplicadas (UCIBIO-i4HB) da FCT NOVA, o projeto CryoEM@NOVA conta com a coordenação do Investigador Coordenador Hartmut Luecke e visa, ao longo dos próximos cinco anos, implementar e dar formação aos seus investigadores em cryoEM, uma área com um impacto significativo nas ciências biológicas.

O projeto CryoEM@NOVA foi desenvolvido em colaboração com Maria João Romão, Professora Catedrática na FCT NOVA e Diretora da UCIBIO, que coordena a implementação do projeto, juntamente com Eurico Cabrita e Ana Luísa Carvalho, membros integrados da UCIBIO. “O financiamento é muito importante não só para a nossa unidade de investigação (UCIBIO) e laboratório associado i4HB, mas também para Portugal, pois vai permitir criar o primeiro grupo especializado em cryoEM dedicado à investigação e formação nesta técnica de ponta para a Biologia Estrutural. Complementando com a nossa experiência em Cristalografia de Raios-X e em Ressonância Magnética Nuclear, será uma excelente oportunidade única para a formação de novos investigadores nacionais e estrangeiros em Biologia Estrutural”, realça Maria João Romão.

A Biologia Estrutural é essencial para a compreensão, ao nível atómico, da relação estrutura-função em sistemas biológicos e imprescindível para a descoberta de novos fármacos, com um impacto transversal em múltiplas áreas desde a saúde ao ambiente. Os métodos tradicionais de Biologia Estrutural têm sido a Cristalografia de Raios-X e a Ressonância Magnética Nuclear mas, nos últimos anos, o esforço dedicado a melhorar a rapidez e eficiência na determinação de estruturas 3D de macromoléculas biológicas levou ao crescimento exponencial da utilização da Crio-Microscopia Eletrónica. A crio-microscopia eletrónica é

uma técnica para a obtenção de imagens de amostras biológicas a temperaturas muito baixas (tipicamente -196 ºC) o que permite aos investigadores obter informação estrutural e funcional de grandes complexos de proteínas num estado próximo do nativo, que outras técnicas de biologia estrutural não permitem.

A cryoEM tem sido utilizada para determinar as estruturas de alta resolução de vários vírus, incluindo o SARS-CoV-2 que causa a COVID-19. Esta informação estrutural permite aos cientistas perceber o mecanismo pelo qual os vírus infetam as células e é a base para o desenvolvimento de tratamentos mais efetivos. Outras aplicações incluem a determinação da estrutura de complexos proteicos envolvidos na doença de Alzheimer, cancro ou da fibrose quística, contribuindo para o entendimento do mecanismo molecular destas patologias e para a identificação de possíveis alvos para o desenvolvimento de novos fármacos. Este enorme potencial foi reconhecido com a atribuição do Prémio Nobel da Química, em 2017 e tem sido acompanhado por um grande crescimento do número de infraestruturas cryoEM em todo o mundo.

A nova equipa irá constituir o polo FCT NOVA do consórcio CryoEM-PT, do atual Roteiro Nacional de Infraestruturas de Investigação, da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Integrado na rede CryoEM-PT, o polo da FCT NOVA dará apoio à preparação, expedição e tratamento de dados de cryoEM de amostras de utilizadores do primeiro Crio-Microscópio Eletrónico em território português, instalado no Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL) em Braga, e com inauguração prevista para fevereiro de 2023.

A iniciativa ERA Chairs Actions traduz-se num mecanismo de financiamento da Comissão Europeia que apoia instituições de ensino superior e de investigação, no sentido de atrair e manter recursos humanos qualificados com o objetivo de potenciar a investigação de excelência nas suas áreas de ação.

Hospital de Santa Maria acolhe ação formativa Day at the Cath Lab
A Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC) está a promover a iniciativa formativa Day at the Cath Lab (D@CL),...

De acordo com Miguel Nobre Menezes, cardiologista responsável pelo programa desta edição do D@CL, “espera-se que os cardiologistas de intervenção se sintam mais confortáveis para começar a implementar esta técnica e que desfrutem de um dia de partilha de experiências entre colegas de vários centros”.

E acrescenta: “A experiência com biópsia endomiocárdica transradial ventricular esquerda em Portugal é limitada. Temos recebido referenciações de todos os pontos do país. Seria ideal implementar a técnica em mais centros, uma vez que o seu uso em Portugal continua a ser ainda pouco frequente. Acreditamos, assim, que esta é uma oportunidade única para abordar um tema inovador e útil”.

Carlos Braga, cardiologista de intervenção e responsável pela iniciativa D@CL, da APIC, explica: “Com este D@CL pretende-se chamar a atenção para a atualidade e a complexidade técnica dos casos que requerem biópsia endomiocárdica percutânea e promover a atividade formativa para os cardiologistas de intervenção com interesse na área”.

De acordo com o responsável pela iniciativa, “o D@CL é uma iniciativa que também permite aos cardiologistas de intervenção conhecerem o dia a dia de uma Unidade de Cardiologia do país, num ambiente informal, hands on e de proximidade.”

Maior Congresso Europeu de Digitalização da Saúde decorre em Lisboa de 7 a 9 de junho
O Health Cluster Portugal em colaboração com a SPMS (Serviços Partilhados do Ministério da Saúde) anunciam que a HIMSS (Health...

A digitalização da saúde tem assumido uma importância crescente e afigura-se essencial na prestação de cuidados. A saúde portuguesa tem sabido inovar nesta área posicionando Portugal nos mercados internacionais como uma referência tecnológica e de qualidade. A concretização da Conferência Europeia da HIMSS em 2023 no nosso país é mais um dos passos estratégicos dados por Portugal. O HCP e a SPMS têm-se assumido como parceiros estratégicos e ativos da HIMSS com o objetivo de potenciar a inovação portuguesa nesta área.

A marca Health Portugal marcará presença nesta conferência com um pavilhão dedicado, no qual entidades nacionais apresentarão, sob a égide da marca, o que de melhor Portugal está a fazer nas áreas da digitalização e dados em saúde.  Será um momento de exposição da oferta nacional a entidades nacionais e estrangeiras, que reforçará o posicionamento externo deste sector com consequente impacto nas exportações de produtos e serviços nacionais.

A SPMS, enquanto entidade responsável pelos sistemas de informação do Serviço Nacional de Saúde, pelo Centro Nacional de TeleSaúde e pela marca SNS 24, marcará presença nesta conferência com um stand, onde apresentará as melhores soluções digitais e sustentáveis que têm sido desenvolvidas em Portugal, quer para cidadãos, quer para profissionais de saúde.

Segundo o Presidente do Health Cluster Portugal, Guy Villax, o “Health Cluster Portugal identificou no seu Plano de Estratégico para 2030 a necessidade de trazer para Portugal um grande evento nas áreas da Digitalização, dos Dados e da Smart Health e, desde logo, apontou a HIMSS Europe como a primeira escolha. A captação de iniciativas como esta induz melhorias e acrescenta visibilidade à inovação em Saúde que se faz no nosso país, com consequências muito positivas na geração de valor e no aumento das exportações”.

Luís Goes Pinheiro, presidente da SPMS refere que “é um grande orgulho que a HIMSS, uma organização sem fins lucrativos, tenha escolhido Portugal para a realização do maior evento europeu de Saúde em Lisboa. A SPMS está comprometida em tornar este evento um dos mais memoráveis de sempre. O HIMSS23 Europe é uma grande oportunidade para partilhar conhecimento e juntarmo-nos aos melhores profissionais, dos setores da saúde e da tecnologia, para descobrir as melhores inovações em Saúde. Para a SPMS, em particular, será bastante importante mostrar como Portugal está a avançar no que respeita à Saúde Digital, nomeadamente na telessaúde. Por outro lado, será igualmente relevante partilhar a aprendizagem feita com a pandemia Covid-19 e mostrar os resultados do que aprendemos e como os estamos a usar para o futuro”.

Esta Conferência envolve mais de 3 000 participantes, decisores, reguladores, profissionais de saúde, entidades do sector público e privado das tecnologias da saúde, de mais de 60 países, nomeadamente Europa e Estados Unidos da América.

Neurocientista explica
Esgotamento provocado pela ansiedade pode prejudicar a sua saúde física e mental, mas existem alguns

O Burnout é uma síndrome caracterizada pelo esgotamento extremo físico e mental, exaustão, tensão emocional e queda na produtividade. Está relacionada diretamente com rotinas e condições de trabalho e tem se tornado cada vez mais comum.

No entanto, de acordo com o neurocientista com especialização avançada em Nutrição Clínica, Fabiano de Abreu Agrela, existem alguns hábitos e cuidados que podem ajudar a reduzir os sintomas.

“Uma das principais indicações para quem possui ou quer prevenir o Burnout é definir horários para descanso, evitar levar o trabalho para os momentos de lazer, garantir oito horas de sono, de noite não de madrugada, além de evitar o uso de eletrónicos antes de dormir, ler um livro e refletir sobre o que foi lido ajuda a relaxar e descansar melhor à noite”.

“Para evitar a queda na disposição é importante reservar 30 minutos ao acordar para fazer uma caminhada e cuidar da alimentação, é importante ter uma alimentação equilibrada, como a dieta mediterrânea e japonesa”, ressalta.

“Mas além dos cuidados físicos, devemos ter atenção às nossas necessidades mentais, o ser humano não pode ficar estagnado. Tenha metas alcançáveis, pratique jogos de lógica e separe momentos para passar com a família, amigos e entrar em contato com a natureza”. 

Suplementação também é fundamental

A suplementação também pode ser uma importante aliada nesse processo, ajudando a reforçar a ação do organismo no combate ao esgotamento, insónia e ansiedade.

“A suplementação com Ómega 3 DHA+EPA é muito importante para ajudar na regulação do humor, também é indicado o uso de vitaminas do complexo B e vitamina C junto com as principais refeições, ajudando a combater a fadiga e irritabilidade”, alerta Fabiano de Abreu.

“O uso de melatonina natural alguns minutos antes de dormir ajuda no combate à insónia e proporciona uma melhor noite de descanso, o que contribui bastante para melhorar a produtividade e melhorar a saúde mental”, acrescenta.

Ansiedade X Burnout

No entanto, tomar esses cuidados e desenvolver esses hábitos não é uma tarefa fácil, pois o Burnout surge combinado com a ansiedade excessiva, o que afeta o sistema límbico e prejudica a comunicação do cérebro com a região frontal do cérebro, que está ligada à tomada de decisões, foco e criatividade.

Por isso é tão difícil desenvolver bons hábitos quando se está com desequilíbrios emocionais derivados da ansiedade, o que evidencia a importância de contar com ajuda profissional durante todo o tratamento.

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Real-World Evidence in Clinical and Health Technology Assessment
O Instituto de Saúde Baseada na Evidência (ISBE) promove no dia 2 de fevereiro, em Lisboa, uma conferência internacional sobre...

“Real-World Evidence in Clinical and Health Technology Assessment” é o título da sessão, que pretende trazer a debate uma área de conhecimento cada vez mais importante para os sistemas de saúde.

A Evidência da Vida Real (Real World Evidence) é definida como evidência clínica sobre o uso e potenciais benefícios ou riscos de intervenções médicas, com base em dados coligidos rotineiramente a partir de várias fontes.

Os dados de vida real são essenciais para melhorar os cuidados de saúde, tendo o potencial de melhorar o diagnóstico de doenças e os tratamentos. Pode, por isso, conduzir a uma melhoria dos resultados nos doentes e na qualidade e eficiência dos cuidados médicos.

A Evidência da Vida Real pode ajudar a obter melhores medicamentos para cada doente e é especialmente relevante em áreas como a oncologia ou as doenças raras.

Os organismos internacionais e nacionais que regulam o acesso ao medicamento baseiam as suas decisões em dados concretos para definir se um novo fármaco melhora os resultados de saúde para uma população de doentes e se é custo-efetivo.

Como parte do conceito de “Big Data”, a Evidência da Vida Real captura uma realidade que os estudos de causalidade não conseguem apreender. Assim, é possível completar o conhecimento necessário para tomar boas decisões em saúde.

A conferência promovida pelo ISBE irá apresentar e discutir o posicionamento científico/metodológico da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) sobre o uso de Evidência da Vida real na avaliação de tecnologias em saúde, bem como as necessidades e prioridades da Indústria Farmacêutica para fins regulatórios. 

Neste encontro presencial estarão especialistas internacionais, que vão dar uma visão detalhada e atualizada desta área, bem como definir caminhos futuros.

A conferência, integrada na reunião anual do ISBE, será no dia 2 de fevereiro, entre as 15:00 e as 18:00, na Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, parceira desta iniciativa.

 

Parentalidade
É comum as crianças demonstrarem interesse em aprender algo novo, como um instrumento musical, teatr

O foco deve estar no que elas querem

O primeiro passo para o sucesso das crianças numa atividade nova é que seja algo que elas gostam e em que, realmente, tenham interesse! É comum os adultos deixarem-se levar pelos seus próprios sonhos de infância, e esperar que o caminho da criança seja semelhante. No entanto, garantir que esta parte para um novo desporto ou passatempo com interesse próprio é um passo muito importante para que sejam mais felizes naquilo que praticam.

Mostrar entusiasmo e participar!

Melhor do que palavras motivacionais e apoio exterior, o envolvimento por parte dos encarregados de educação nas atividades pode ser um grande apoio para os mais pequenos. Quer seja uma atividade que os pais já tenham praticado ou não, perceber como o hobby funciona e até participar nos treinos pode contagiar as crianças com ainda mais entusiasmo. No entanto, um envolvimento muito exagerado também as pode pressionar de uma forma menos positiva, pelo que há que ter uma atitude moderada.

Recompensas podem ser uma boa ideia

Praticar um desporto ou qualquer atividade já é algo gratificante por natureza, quer seja vencendo um jogo ou sentir a evolução das competências. Ainda assim, criar um sistema de recompensas pode ser uma boa ideia para motivar a criança a melhorar aspetos específicos, como o espírito de equipa. O sistema pode consistir, por exemplo, em definir prémios para as pequenas vitórias, como marcar um golo ou fazer uma apresentação à frente de uma plateia. Neste caso, é importante garantir que a motivação ainda está na própria atividade, e não apenas na recompensa. Ver as recompensas como uma forma de ‘salvar’ a motivação quando ela já não existe não é o que se pretende.

Estar presente

Estar na plateia ou nas bancadas a apoiar, levá-las aos treinos/aulas, fazer perguntas sobre o hobby e mostrar curiosidade são algumas das melhores formas de motivar. Acima de tudo, trata-se de encontrar o equilíbrio entre apoiar e dar espaço.

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Universidade de Coimbra
Uma equipa de investigação, coordenada pela Universidade de Coimbra (UC), que analisou o último ano de vida de crianças com...

«Esta investigação corrobora a urgência de se dotarem os serviços de pediatria nacionais de equipas com formação adequada na área de cuidados paliativos pediátricos, por forma a garantir resposta adequada a crianças com doenças avançadas e, na sua maioria, progressivas, cuja evolução para o fim de vida pode ser possível antecipar e planear, garantindo os melhores cuidados», sublinha a equipa de investigação.

Atualmente, «a literatura internacional é, ainda, escassa no que respeita ao consumo de recursos hospitalares com crianças com doença crónica complexa no seu último ano de vida», contextualizam as investigadoras. Adicionalmente, em Portugal «são apenas cinco as equipas especializadas em cuidados paliativos pediátricos, e, apesar de existirem várias em fase de desenvolvimento, há ainda um grande défice em termos de recursos, formação e cobertura geográfica», destaca a equipa.

A investigação analisou dados de 2016 a 2020, referentes ao último ano de vida de 72 crianças, entre 1 e 18 anos de idade, com doenças crónicas complexas (nomeadamente doenças oncológicas, neurológicas ou cardiovasculares). Foi realizado um estudo comparativo com dois grupos: um grupo que foi acompanhado por uma equipa especializada de cuidados paliativos pediátricos e um grupo que não foi acompanhado. Foram analisados três principais domínios: o impacto do acompanhamento por cuidados paliativos pediátricos na utilização de recursos hospitalares, na terapêutica instituída e nos cuidados prestados na última semana de vida.

Na análise de dados referentes ao grupo que foi acompanhado por uma equipa especializada em cuidados paliativos pediátricos foi possível atestar «a menor utilização de procedimentos e terapêuticas invasivas e de falecimentos em unidade de cuidados intensivos, com otimização da gestão de recursos hospitalares», explica a equipa de investigação. Contudo, verificou-se que a maioria das crianças ainda não é referenciada para cuidados paliativos pediátricos nesta fase. «É, por isso, importante a sensibilização dos profissionais de saúde no sentido de envolverem estas equipas logo que identifiquem uma situação de doença crónica complexa causadora de sofrimento», elucidam as investigadoras.

A equipa de investigação destaca ainda a importância de «prosseguir a investigação sobre cuidados paliativos pediátricos no que respeita ao impacto na qualidade de vida de crianças e família, na sobrecarga associada ao tratamento e aos custos associados aos consumos hospitalares». «Além disso, será fundamental analisar o impacto do apoio domiciliário em cuidados paliativos pediátricos na vida das crianças e da sua família, pais, irmãos, avós e outros, bem como a possibilidade de redução de internamentos hospitalares, com redes de suporte domiciliário bem estruturadas», rematam as investigadoras.

O estudo envolveu investigadoras e docentes da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC) e também médicas do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra: Andreia Nogueira (pediatra da equipa de cuidados paliativos pediátricos do CHUC), Bárbara Gomes (investigadora da FMUC), Cândida Cancelinha (coordenadora do estudo, docente da FMUC e médica coordenadora da equipa de cuidados paliativos pediátricos do CHUC), Diana Correia (aluna da FMUC) e Marisa Loureiro (investigadora da FMUC).

O artigo científico “The needs of children receiving end of life care and the impact of a paediatric palliative care team: a retrospective cohort study” encontra-se publicado no European Journal of Pediatric, e está disponível em https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36445514/. Este é o mais recente resultado do Grupo de Investigação em Cuidados Paliativos, Fim de Vida e Luto do Coimbra Institute for Clinical and Biomedical Research (iCBR) da FMUC: www.uc.pt/en/fmuc/icbr/researchlines/palliative.

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