Ordem dos Psicólogos
Uma maior intervenção dos psicólogos na diabetes pouparia 63 milhões de euros por ano ao Serviço Nacional de Saúde, disse o...

À margem da sua intervenção no 7.º Encontro do Serviço de Pediatria do Centro Hospitalar de Leiria, Diamantino Santos alertou para a falta de psicólogos no Serviço Nacional de Saúde (SNS), considerando que a sua existência em maior número contribuiria para uma poupança de milhões de euros.

"A população procura psicólogos, mas não encontra resposta, porque muito poucos estão a trabalhar no SNS. Há programas, como por exemplo, na diabetes, em que uma intervenção permitiria poupar 63 milhões de euros por ano. Imagine-se isso dedicado à saúde mental propriamente dita ou a certas patologias, como a obesidade ou as hipertensões", sublinhou o psicólogo.

Diamantino Santos explicou que o valor referido tem por base vários estudos internacionais, que comparam grupos experimentais e grupos de controlos em determinada intervenção psicológica, tendo em conta o número de consultas, o valor de cada uma, a adesão à medicação, uma diminuição do uso de medicamentos, menos patologias associadas, entre outros fatores.

"Havendo uma diminuição, há uma poupança clara", sublinhou.

O psicólogo afirmou que não se trata de "propor um milagre" em que "o psicólogo resolve tudo". "Agora, integrado numa equipa multidisciplinar, é um coadjuvante para que todos estes processos possam decorrer, sobretudo com uma melhoria na qualidade de vida das pessoas e com menor custos".

O psicólogo revelou ainda que Portugal está muito longe dos rácios recomendados. "Todas as regiões têm um rácio substancialmente inferior àquele que é a recomendação internacional, que é de um psicólogo para cinco mil pessoas".

Diamantino Santos exemplificou com a região de Lisboa, que "tem apenas 49% dos psicólogos que seriam necessários".

"Estamos a falar de uma região densamente povoada e os pedidos de consultas são inúmeros. Posso dizer que há pouco tempo num hospital central em Lisboa havia um psicólogo para 30 mil utentes", acrescentou, lamentando que o Governo se centre na "velha questão dos custos".

"O que se poupa é substancialmente muito maior do que os custos com os psicólogos. Não é uma despesa, é um investimento para o futuro, porque tem benefícios na qualidade de vida das pessoas", referiu ainda o vogal da Ordem dos Psicólogos.

A falta de especialistas impede um trabalho ao nível da prevenção, tendo impactos na saúde mental "mais à frente", com "custos superiores para o erário público", frisou.

"Devíamos ter psicólogos a trabalhar não só a nível preventivo - dos cuidados de saúde primários -, mas também ao nível dos cuidados de saúde secundários e até terciários, para permitir uma resposta adequada em termos de cuidados de saúde à população", considerou.

Diamantino Santos criticou ainda os responsáveis por alguns hospitais que sugerem a redução do tempo de consultas para dez ou 15 minutos. "Menos de 30 minutos não é uma consulta, é uma conversa".

Segundo dados apresentados pelo vogal da Ordem no encontro, existem 2.897 psicólogos na Região Centro, que cobre sete distritos: Castelo Branco (171), Coimbra (885), Guarda (170), Leiria (556), Portalegre (134), Santarém (450) e Viseu (531). Destes, 50% são psicólogos clínicos, 30% educacionais e os restantes ligados às diversas vertentes da psicologia.

Em Portugal
Conselho de peritos que emite pareceres técnicos em casos graves recebe quatro processos por semana e está a demorar a responder.

A perna de uma mulher foi amputada porque os médicos cortaram uma artéria em vez de uma veia durante uma cirurgia às varizes. Um homem operado por causa de uma sinusite acabou por ficar cego. Um médico esqueceu-se de uma pinça no abdómen do doente durante uma cirurgia. São exemplos de casos que chegaram a tribunal, mas há muitas queixas de alegada má prática médica que não deram origem a acusação, muitas por não terem fundamento, outras porque obter e fazer prova neste tipo de situações é muito difícil.

Em Portugal, é impossível aceder a números rigorosos sobre denúncias daquilo que comummente se designa como negligência médica. Mas há alguns dados que permitem ter uma ideia aproximada da evolução deste fenómeno. O mais expressivo é o número de queixas em casos que resultaram em morte ou incapacidades graves que chegam ao Conselho Médico-Legal do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLCF), órgão ao qual os magistrados podem recorrer desde 2001 para pedir pareceres técnico-científicos em processos complexos.

Em 2014 (últimos dados disponíveis) atingiu-se o valor mais elevado de sempre. Entraram nesse ano no conselho 213 processos, a esmagadora maioria dos quais relativos a situações de eventual negligência médica. Os números não diferem muito dos de anos anteriores, sobretudo desde 2008, quando se observou um pico (ver infografia), mas em 2014 há uma diferença: nesse ano, pela primeira vez, o total de pareceres emitidos pelo conselho foi muito inferior ao de processos entrados (125).

Mas há inúmeros casos que escapam a este crivo. Há pessoas que enviam denúncias não só para as autoridades judiciais, mas também para as ordens que representam os profissionais e ainda para organismos como a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS). As queixas podem resultar em sanções penais, civis, disciplinares.

Nos processos-crime, o que se consegue saber, com rigor, é o número de inquéritos da que será ainda a única secção do Ministério Público especializada na investigação deste tipo de crimes. Com 103 inquéritos pendentes, a 6.ª Secção do DIAP (Departamento de Investigação e Ação Penal) de Lisboa recebeu, ao longo do ano passado, 65 novos casos, mais uma dezena do que em 2014, adiantou ao jornal Público a procuradora Emília Serrão.

Sublinhando que a quantidade de inquéritos tem variado de ano para ano, a magistrada explica que, desde 2011, os números se cifram anualmente “entre 67 e 65”, incluindo as participações enviadas pela IGAS. Certo é que a maior parte acaba por ser arquivada. A percentagem de acusações “ronda os 4%”, estima a magistrada. Razões? Este tipo de crime é “muito difícil de investigar” por causa da dificuldade de “obtenção de prova”, além de que “não é fácil que o médico deponha contra outro médico e há sempre uma opinião divergente”, explica.

Mas não só: o facto de se verificar, nos últimos dois a três anos, “grandes atrasos” na resposta aos pedidos de parecer do Conselho Médico-Legal do INMLCF também terá alguma influência. “Embora se reconheça que [os peritos] vêm fazendo um grande esforço e que trabalham para todo o país, aguarda-se mais de um ano”, frisa a magistrada.

Acentuando que os “pareceres são normalmente emitidos em menos de um ano”, apesar de por vezes haver “pareceres que demoram mais tempo”, a assessoria do INMLCF justifica a diminuição abrupta verificada em 2014 na elaboração destas perícias com o facto de se ter procedido “à recomposição” do Conselho Médico-Legal e ter sido mudado o Conselho Diretivo do instituto. “Há processos com três ou mais volumes de informação clínica, ultrapassando por vezes as mil páginas, a qual é minuciosamente analisada”, acrescenta.

De resto, há uma explicação suplementar: por vezes, depois de chegarem a acordo nas negociações quanto a pedidos de indemnização, “os acusadores perdem o interesse na apresentação da queixa”, indica Emília Serrão.

Sendo poucas, as acusações deduzidas têm, contudo, vingado e, excetuando o caso do Avastin (em que seis doentes ficaram total ou parcialmente cegos no Hospital de Santa Maria, em 2009), os tribunais da Relação têm confirmado as decisões, destaca a procuradora.

Dois mundos à parte
Juristas especializados neste tipo de casos têm vindo a defender que o sistema instituído em Portugal não beneficia nem os doentes nem os médicos, que ficam a aguardar pela conclusão de processos que se arrastam anos a fio nos tribunais. Habitualmente, nos hospitais públicos, cabe ao paciente provar que houve culpa com dolo, o que é complexo. “É muito difícil provar que houve culpa”, sustenta André Dias Pereira, professor auxiliar da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, que destaca o exemplo de França, onde existem sistemas de conciliação que integram juízes e peritos médicos e os doentes são rapidamente ressarcidos.

A vice-presidente da Associação Portuguesa do Direito à Saúde, Filomena Girão, realça que é fundamental harmonizar as regras que regulam o sector público e privado e caminhar para “uma objetivação da culpa”, notando que o que a maior parte dos queixosos pretende não são “indemnizações milionárias”.

Defendendo também uma harmonização da legislação, André Dias Pereira continua sem entender as discrepâncias entre o sistema público e privado em Portugal. Nos hospitais públicos, cabe ao lesado provar a culpa, ao contrário do que sucede no privado. Também o prazo de prescrição do direito de indemnização, se houver responsabilidade contratual, é de 20 anos no privado e de apenas três no público. De igual forma, as regras de acesso ao processo clínico por parte do doente ou dos familiares após a morte variam. No público, em teoria o acesso é direto, enquanto no privado deve ser intermediado por outro profissional de saúde. São dois mundos à parte no mesmo país.

Oito anos até à sentença
Também o tempo que os processos demoram nos tribunais se tem revelado um problema. Um estudo recente revelou que a justiça demora cerca de oito anos, em média, até chegar a uma sentença. Mas há quem espere muito mais: em Dezembro, o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem condenou o Estado português ao pagamento de uma indemnização de 39 mil euros, por danos morais, à viúva de um homem que morreu com uma septicemia (infeção generalizada), após uma operação para extração de pólipos nasais, há quase duas décadas.

Depois de ter recorrido a todas as instâncias possíveis em Portugal por acreditar que a morte do marido, em 1998, se devera a sucessivos atos de negligência médica, sem que os tribunais e a Ordem dos Médicos lhe dessem razão, Isabel Fernandes invocou o artigo 2.º (direito à vida) da Convenção Europeia dos Direitos do Homem e pôs em causa a demora dos processos judiciais que interpôs. O tribunal europeu deu-lhe razão.

À Ordem dos Médicos (OM) chegam todos os anos muitas queixas. Só em 2015, a OM abriu 649 processos, decidiu 592 e arquivou 561. Menos do que em 2014, ano em que mudaram os conselhos disciplinares e “houve um esforço para dar sequência a processos que vinham do passado”, explica o bastonário José Manuel Silva. No ano passado, a OM condenou 31 médicos, metade com penas de advertência, 14 de censura e dois médicos foram suspensos por um ano. Mas a OM não faz triagem nem especifica os motivos que deram origem aos processos.

Estudos revelam
Tratar a depressão e evitar a deficiência de vitamina D pode reduzir o risco de complicações cardiovasculares, segundo dois...

"A nossa investigação mostra que um tratamento eficaz e rápido da depressão parece reduzir o risco de complicações cardiovasculares que, de outra forma, aumentariam significativamente", disse Heidi May, médico epidemiologista do Medical Center Institute Intermountain Heart em Salt Lake City, no Utah.

O estudo foi apresentado na conferência do American College of Cardiology, celebrada em Chicago, escreve o Sapo. Os investigadores analisaram os dados de pacientes com depressão que fazem parte do sistema de saúde "Intermountain Healthcare", que abrange mais de cem mil pessoas.

Depois, compilaram informações de 7.550 pacientes que responderam a pelo menos dois questionários durante um mínimo de um a dois anos. Em seguida, foi feito um acompanhamento destes pacientes para comprovar se tinham sofrido algum problema cardiovascular relevante, como enfarte, acidente vascular cerebral ou insuficiência cardíaca.

No final do estudo, os que já não estavam deprimidos apresentaram uma taxa similar de complicações cardiovasculares graves semelhante à daqueles que nunca tinham sofrido de depressão.

No entanto, os investigadores consideram que é necessário fazer estudos clínicos para corroborar estes resultados. Para eles, os sintomas da depressão podem causar mudanças fisiológicas que podem levar rapidamente a problemas cardiovasculares.

Um grupo de cientistas descobriu também que níveis baixos de vitamina D pareciam estar vinculados a ataques de coração, acidentes vasculares cerebrais ou acidentes por insuficiência cardíaca. Para o estudo foram examinados 4.200 participantes com idades entre 52 e 76 anos, um quarto dos quais eram diabéticos e 70% tinham doenças coronárias.

Gilead Génese 2015
A 'reciclagem' de medicamentos para a cura da sida ou fisioterapia em casa para doentes com fibrose quística são dois...

As bolsas serão entregues aos responsáveis pelos projetos distinguidos, na terça-feira, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, numa cerimónia com a presença do ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes.

Na edição de 2015, que contou com o patrocínio do Presidente da República e à qual se apresentaram cerca de 60 candidaturas, foram selecionados, por comissões externas, 13 projetos - oito científicos e cinco comunitários.

Para o total de bolsas a conceder, o programa disponibilizou, no ano passado, 280 mil euros, indicou, numa nota à imprensa, a farmacêutica, que atribui os apoios financeiros desde 2013.

O programa Gilead Génese destina-se a financiar a investigação e as boas práticas de acompanhamento de doentes, no cancro e linfomas, no VIH/sida, nas hepatites B/C e na fibrose quística (doença genética que afeta diversos órgãos, incluindo pulmões, pâncreas e intestinos).

Um dos projetos selecionados está a cargo do Instituto de Investigação do Medicamento, da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, e pretende provar que medicamentos usados no tratamento de certas doenças podem ser utilizados para curar pacientes com sida.

O investigador e docente João Gonçalves disse que a sua equipa identificou sete fármacos, associados ao tratamento de doenças neurológicas, que podem ser úteis para a cura da infeção do VIH/sida, lembrando que existem medicamentos para o cancro que já são usados no tratamento da diabetes.

A farmacêutica Gilead Sciences decidiu ainda subsidiar projetos, na área científica, que visam, entre outros, o estudo da eficácia de novos medicamentos em doentes com fibrose quística, o diagnóstico precoce da disfunção renal em seropositivos e a produção em coelhos de anticorpos que neutralizem o VIH.

Na vertente comunitária, foram contemplados com bolsas projetos destinados, nomeadamente, a promover o rastreio e o diagnóstico de VIH/sida, sífilis e hepatites em imigrantes, em Coimbra, o acompanhamento domiciliário de idosos com VIH/sida, no Porto, e o exercício físico e a fisioterapia em casa de doentes com fibrose quística, na região Norte.

Inquérito revela
Cerca de 10% dos licenciados da Escola Superior de Tecnologia de Saúde de Lisboa em 2013/14 emigraram, principalmente para o...

Em declarações, o docente David Tavares explicou que o tratamento dos resultados do inquérito ainda se encontra em fase preliminar, mas já permitiu detetar grandes tendências deste novo tipo de emigrante, para além do peso, recente, da emigração nas saídas profissionais.

Aliás, David Tavares lembrou que o primeiro estudo sobre a inserção profissional dos recém-diplomados da Escola é de 2008/09 e que “a questão da emigração não se colocava na altura”.

O trabalho de campo do inquérito foi realizado no último trimestre de 2015 e cobriu 374 diplomados, tendo registado uma percentagem de respostas de 80%, destacou Tavares, que é professor coordenador na Escola Superior de Tecnologia de Saúde de Lisboa (ESTeSL), onde leciona Sociologia da Saúde.

O estudo identificou que a maior parte destes emigrantes nas ilhas britânicas está colocada no serviço nacional de saúde e que a saída para o estrangeiro lhe apareceu como solução de recurso.

Outro traço relevante apurado foi o de as colocações no Reino Unido terem resultado, de forma predominante, de resposta a concursos, e não do recurso a redes de contactos pessoais.

Aliás, a qualidade destes cursos portugueses motiva deslocações de recrutadores potenciais aos politécnicos para promover destinos, como o Reino Unido, salientou David Tavares, que já foi presidente do Conselho Científico da ESTeSL e consultor da ONU.

O inquérito permitiu ainda identificar uma estabilização superior nos vínculos profissionais destes emigrantes em relação aos que ficaram em Portugal, uma vez que 60% daqueles têm contrato por tempo indeterminado, o que compara com 25% do universo total de licenciados.

Da mesma forma, 50% dos emigrantes estão ‘muito satisfeitos’ com a sua situação profissional, contra 24% do conjunto, o que lhes permite começarem a apontar para projetos profissionais de médio prazo, como ‘aumentar a formação’ (47% entre os emigrados; 25% entre os que ficaram) e ‘progredir na carreira’, com valores respetivos de 37% e 25%.

Esta satisfação é também baseada no entendimento de que a função desempenhada é a mais adequada à formação escolar, com 87% dos emigrados a considerarem as suas funções totalmente adequadas ao curso tirado, bem acima da média global de 48%.

Em termos remuneratórios, mesmo relativizando com o nível de vida, 80% dos colocados no Reino Unido ganham mais do equivalente a 1.500 euros líquidos, uma realidade distante da portuguesa, concluiu David Tavares, que acaba de publicar o livro “Introdução à Sociologia da Saúde” e coordena esta área temática na Associação Portuguesa de Sociologia.

A Lusa e o Observatório da Emigração vão organizar o seminário de formação “Indicadores da Emigração”, destinado a jornalistas. A iniciativa vai decorrer hoje, dia 04 de Abril, entre as 09:00 e as 13:00, nas instalações da Agência em Lisboa.

Em 2015
As situações de doentes carenciados que chegam à Liga Portuguesa Contra o Cancro têm vindo a aumentar, tendo a instituição...

Em declarações, a propósito dos 75 anos da instituição, o presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), Vítor Veloso, adiantou que a instituição acode a estas situações, que "são cada vez mais prementes e cada vez mais numerosas”.

“Queremos auxiliar o doente oncológico não só no que diz respeito ao apoio psicoemocional, mas também economicamente”, dando-lhes “dinheiro para transportes, medicamentos, alimentação, renda de casa, eletricidade e para muitas coisas, porque efetivamente o país não está bem e há pessoas muito carentes”, disse Vítor Veloso.

Fundada a 04 de abril de 1941 pelo médico Francisco Gentil para suprir as carências do Estado em matéria de financiamento do tratamento do cancro, a LPCC tem vindo a expandir o seu trabalho, mobilizando os seus recursos financeiros para a prevenção e apoio à investigação da doença, nunca descuidando o apoio ao doente.

Vítor Veloso estima que, ao longo dos 75 anos, a Liga Portuguesa Contra o Cancro tenha apoiado, “no mínimo, meio milhão de habitantes”.

“O trajeto da Liga foi sempre crescendo e, neste momento, (…) somos a maior organização não-governamental do país a nível dos cuidados de oncologia”, disse Vítor Veloso, lembrando que a instituição vive exclusivamente de donativos da população, de heranças e dos contributos do IRS.

Uma das mais importantes iniciativas da LPCC é o programa nacional de rastreio de cancro da mama. No ano passado, foram realizadas 295.122 mamografias em 27 unidades móveis e seis fixas.

Segundo Vítor Veloso, a instituição foi pioneira nos cuidados continuados e paliativos: “Há 20 anos já tínhamos o maior centro no Porto e que ainda é o maior do país”.

Dados da Liga referem que, em 2015, foram acompanhados 7.332 doentes nos seus centros de dia e 97 doentes nos seus lares.

Este ano, o núcleo regional do Norte vai avançar com a construção de um lar com várias valências (cuidados continuados, paliativos e centro de dia), revelou o responsável.

“Temos que pensar nos lares de cuidados continuados e de cuidados paliativos na medida em que há um défice muito grande de camas e os nossos hospitais que deviam estar a tratar doentes estão a acolher esses doentes que não estão bem nos hospitais e estão a gastar muito dinheiro ao Estado”, sublinhou.

O apoio à investigação também faz parte da missão da Liga, que atribuiu, no ano passado, 533.984 euros em 24 bolsas de investigação.

“Ajudamos a criar bolsas para jovens investigadores, porque não queremos que vão para fora”, disse Vítor Veloso, adiantando que a instituição também apoia a formação de médicos e outros profissionais de saúde.

Em 2015, a Liga ministrou 109 ações de formação para 4.204 profissionais de saúde. Também realizou 634 ações de sensibilização nas escolas, que envolveram 86.854 alunos do ensino básico e secundário, e 30 campanhas de prevenção dirigidas à população.

Nos últimos dez anos a Liga “cresceu muito” e soube adaptar-se: “Hoje somos uma organização não-governamental modernizada, apta e adaptada a tudo o que o doente oncológico e a sua família necessitam”, sublinhou.

Também cada vez mais defende “os direitos dos doentes oncológicos que, infelizmente, são muitas vezes atropelados ou ignorados”.

A cerimónia das comemorações dos 70 anos da Liga decorre na segunda-feira, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Esta semana
O movimento “Direito a morrer com dignidade” vai entregar na Assembleia da República, esta semana, a petição pela...

O Movimento Cívico para a Despenalização da Morte assistida efetuou a sua primeira reunião pública, na Escola Secundária Pedro Nunes, em Lisboa, à qual se seguirão outras em diferentes capitais de distrito, como informou a atriz Fernanda Lapa, uma das participantes.

Na reunião, à qual assistiram cerca de 20 pessoas, o pediatra Jaime Teixeira Mendes recordou que os médicos fazem o Juramento de Hipócrates (460-370 antes de Cristo), mas recordou que no seu tempo havia eutanásia, nomeadamente através da ingestão de cicuta.

O clínico afirmou que nas faculdades de medicina os futuros médicos não foram preparados para enfrentar a questão da morte assistida, e disse que, atualmente, “são treinados para a obsessão terapêutica”.

Fernanda Lapa, a abrir os trabalhos, realçou que este é “um movimento apartidário” e ao qual “pertence quem tem fé e os que não têm fé”.

A atriz apelou ainda para o apoio financeiro para as atividades do movimento, que “não tem fundos próprios, nem apoios públicos ou privados”.

Quanto ao documento a entregar ao parlamento, é afirmado que “a morte assistida é um direito do doente que sofre e a quem não resta outra alternativa por ele tida como aceitável ou digna, para pôr termo ao seu sofrimento”, e recorda que a “Constituição da República Portuguesa define a vida como direito inviolável, mas não como dever irrenunciável”.

Considera o documento que “a criminalização da morte assistida no Código Penal fere os direitos fundamentais relativos à liberdade” e sublinha que “a despenalização da morte assistida não a torna obrigatória para ninguém” e “apenas a disponibiliza como uma escolha legítima”.

Defende a petição que “um Estado laico deve libertar a lei de normas alicerçadas em fundamentos confessionais”.

Por lado, lê-se no texto que, “em Portugal, os direitos individuais no domínio da autodeterminação da pessoa doente têm vindo a ser progressivamente reconhecidos e salvaguardados: o consentimento informado, o direito de aceitação ou recusa de tratamento, a condenação da obstinação terapêutica e as Diretivas Antecipadas de Vontade (Testamento Vital)”.

“É, no entanto, necessário, à semelhança de vários países, avançar mais um passo, desta vez em direção à despenalização e regulamentação da morte assistida”, sublinham os subscritores.

No debate, um dos participantes, João Ribeiro Santos, da comissão coordenadora, referiu as legislações já existentes neste sentido de despenalização da morte assistida, na Bélgica, Holanda e Luxemburgo, monarquias que fazem parte da União Europeia e estiveram na sua fundação.

João Semedo, ex-líder do Bloco de Esquerda, usando da palavra, anunciou a realização de um seminário, a agendar, que reúna, médicos, enfermeiros, filósofos, e outras personalidades ligadas a esta temática, para “um debate sério, aberto e o mais amplo possível”.

“A morte assistida consiste no ato de, em resposta a um pedido do próprio – informado, consciente e reiterado – antecipar ou abreviar a morte de doentes em grande sofrimento sem esperança de cura”, assim define o documento que será levado à Assembleia da República.

Secretário-geral da ONU
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, apelou, no Dia Mundial da Consciencialização sobre o Autismo, para que se reforce a...

“Insto a que se promovam os direitos das pessoas com autismo e que se assegure a sua plena participação e inclusão como membros valiosos da sociedade para que possam contribuir para criar um futuro de dignidade e oportunidade para todos”, disse Ban Ki-moon numa mensagem.

O secretário-geral das Nações Unidas alertou também para o facto de os direitos, as perspetivas e o bem-estar das pessoas com autismo e de todas as pessoas com incapacidade, dever fazer parte da nova agenda para o desenvolvimento acordada no ano passado pelos líderes mundiais.

“A participação em pé de igualdade e a ativa intervenção das pessoas com autismo será essencial para o desenvolvimento das sociedades inclusivas contempladas nos objetivos do Desenvolvimento Sustentável”, salientou.

Ban Ki-moon recordou que o autismo afeta milhões de pessoas em todo o mundo, que não é bem compreendido em muitos países, embora em muitas sociedades sejam incluídas pessoas que são autistas.

O secretário-geral da ONU advertiu que as atitudes de rejeição não só violam os Direitos Humanos das pessoas com autismo, mas desperdiçam um enorme potencial humano.

A assembleia-geral da ONU declarou em 2007, por unanimidade, o dia 02 de abril como sendo o Dia Mundial da Consciencialização sobre o Autismo.

Primeira reunião do Conselho Social do Creating Health
Entre associações de doentes, sociedades científicas e instituições de I&DT, dezenas de entidades estiveram representadas...

O Creating Health é um gabinete de apoio à captação de fundos para investigação e inovação em Saúde, criado há um ano no seio do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa. O Conselho Social deste gabinete, presidido por Jorge Sampaio, contou, em apenas um ano de existência, com a adesão por parte de mais de 30 entidades que atuam na área da saúde, entre associações de doentes (11), sociedades médicas (8), instituições do ensino superior (2) e de I&D (3), Hospitais (1) e Fundações/ONG (6), e continua aberto a novas adesões.

Como explica Ricardo Baptista Leite, fundador do Creating Health, o Conselho Social foi concebido para ser um espaço onde organizações com fins públicos da melhoria da saúde coletiva possam ter um espaço para partilhar e aprender com as melhores práticas, e criar redes e massa crítica para a construção de consórcios dirigidos para projetos futuros.

Na primeira reunião do Conselho Social, Jorge Sampaio louvou a criação de iniciativas como esta que junta atores do sector na partilha de boas práticas e no estabelecimento de parcerias que têm como objetivo a melhoria da saúde coletiva.

Para o presidente do Conselho Social, “a questão da captação de fundos, sobretudo fundos europeus e fundos internacionais verticais é complexa e cheia de um saber-fazer próprio”. Sublinhou ainda que “importa envolver a nossa diplomacia em Bruxelas e um conjunto de organismos multilaterais (...), desenvolver esforços junto das grandes fundações e iniciativas filantrópicas e do setor privado na área da saúde (...) e não descurar a participação em grandes eventos internacionais que realmente contem, de forma a marcar presença e estabelecer contactos, explorar oportunidades, potenciar plataformas de diálogo e de cooperação...”.

Foi consensual para as instituições representadas que a consolidação de sinergias a nível local e o alargamento da cooperação à esfera europeia é o caminho a seguir para conseguir aumentar o financiamento comunitário e a criação de inovação na saúde em Portugal.

O Conselho Social identificou áreas prioritárias para a inovação em saúde como a medicina e cuidados personalizados ou o apoio à literacia em saúde, através de inovação que esteja adequada às verdadeiras necessidades da sociedade. Para o Conselho, a comunidade de países de língua portuguesa é uma oportunidade a ter em atenção na estratégia de ação das várias instituições.

O envelhecimento populacional, o elevado peso das doenças crónicas, a crescente utilização da telemedicina ou mesmo a renovação geracional dos profissionais de saúde, foram desafios e preocupações partilhadas pelas instituições.

Aumentar a presença portuguesa nos painéis de avaliação internacionais dos programas de financiamento europeus, foi também um dos objetivos consensuais desta primeira reunião.

Para Joana Camilo, Diretora Executiva do Creating Health, “Contamos com o Conselho Social para uma interação biunívoca, para nos ajudar e aconselhar sobre de que forma é que o Gabinete pode maximizar o seu impacto através das ações direta e indiretamente promovidas”.

Durante a reunião foi ainda anunciado que, em 2016, o Creating Health disponibilizará várias ações para apoiar a capacitação de instituições na captação de investimento e ainda a aposta na colaboração estratégica com países como Espanha, França ou Bélgica.

O Creating Health diferencia-se pela sua base universitária e por ser especializado na área da saúde. Trata-se de uma iniciativa sem fins lucrativos, criada através do apoio de várias instituições. Este projeto conta ainda com o Alto Patrocínio do Presidente da República e com Alto Patrocínio do Governo de Portugal.

O gabinete dirige-se a todas as entidades nacionais que se integrem na academia, organizações científicas, instituições de saúde, organizações não-governamentais, como associações de doentes, e entidades empresariais públicas e privadas, no recurso a fundos públicos e privados dirigidos para a investigação e inovação em Saúde. Para mais informação visite www.creatinghealth.pt.

Universidade do Porto
Investigadores da Universidade do Porto estão a realizar um estudo nacional sobre o estado nutricional dos idosos para aumentar...

Com o projeto "Nutrition UP 65 - nutritional strategies facing an older demography" pretende-se gerar conhecimento para que se criem intervenções baseadas na evidência científica que "levem a pequenas mudanças, práticas e económicas, que se tornem em hábitos", disse a coordenadora Teresa Amaral.

Durante a investigação, promovida pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto (FCNAUP), vão ser inquiridas 1.500 pessoas, com 65 anos ou mais, numa amostragem representativa dos idosos portugueses, de acordo com a idade, o género, o nível de ensino e a área regional do país.

As entrevistas vão permitir a recolha de material sobre dados sociodemográficos, o estilo de vida, o estado de saúde, a perceção do estado de saúde, a medicação, o estado nutricional, incluindo a antropometria, os indicadores funcionais, a fragilidade e a sarcopenia.

Os níveis de vitamina D e o estado de hidratação também vão ser avaliados (através de análises clínicas).

Segundo informação disponibilizada na página oficial do Nutrition UP 65, alguns estudos revelam que a desnutrição em pessoas idosas na Europa é elevada e para "piorar este cenário, as tendências atuais indicam que nesta faixa etária a prevalência de obesidade e de obesidade sarcopénica também vai aumentar".

As alterações no estado nutricional têm implicações na fragilidade - associada à uma maior morbilidade e mortalidade nos idosos. Os baixos níveis de vitamina D, a desidratação e o elevado consumo de sódio também associam-se a complicações clínicas, lê-se ainda na página.

Os dados recolhidos durante a fase de inquérito vão ser utilizados para melhorar a literacia e já estão a ser postos em prática programas educativos orientados para os profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, nutricionistas, dietistas, entre outros) que têm contacto com a população idosa.

Estes são acreditados e creditados pela Universidade do Porto e vão ter enfoque na avaliação e na monitorização do estado nutricional e na implementação de suporte nutricional.

Relativamente às pessoas idosas, aos seus cuidadores - formais e informais - e aos preparadores de alimentos, foi criada uma rede de voluntários a nível nacional, que integra estudantes e ex-estudantes da FCNAUP, com o objetivo de ministrar formação básica em alimentação saudável e em planeamento e preparação de refeições, referiu Rui Valdiviesso, investigador da FCNAUP.

"Queremos que os voluntários atuem no seio das suas comunidades, com as quais têm uma ligação afetiva e cultural, onde conhecem os hábitos de vida das pessoas e o seu padrão alimentar", acrescentou.

Este projeto conta com a participação dos investigadores Cláudia Afonso, Patrícia Padrão, Pedro Moreira, Nuno Borges e Alejandro Santos, e com os assistentes de investigação Rita Guerra, Ana Sousa, Rui Valdiviesso e Luísa Álvares, da FCNAUP.

No Nutrition UP 65 colaboram ainda as investigadoras Cátia Martins, do Departamento para a Pesquisa do Cancro e Medicina Molecular da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia, e Graça Ferro, da Unidade Local de Saúde do Alto Minho, EPE.

O estudo, iniciado em abril de 2015, vai ser finalizado em abril de 2017, e foi financiado pelo EEAGrants - Programa Iniciativas de Saúde Pública - em 519 mil euros, tendo sido 15% desse montante assegurado pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto.

Escola de Medicinas Alternativas e Complementares do Porto
É uma das terapias mais populares da Medicina Tradicional Chinesa e já foi reconhecida pela Organização Mundial da Saúde. Saiba...

A EMAC – Escola de Medicinas Alternativas e Complementares do Porto, está a promover um curso de Auriculopuntura, uma técnica complementar da Medicina Tradicional Chinesa utilizada no diagnóstico e tratamento de problemas de saúde. Também conhecida por Auriculoterapia, é frequentemente utilizada como complemento da Acupuntura tradicional.

Esta terapia é citada há mais de 2500 anos, tendo sido objeto de estudo por especialistas em todo o mundo. Na base estão as orelhas, que possuem mais de 110 pontos estratégicos que beneficiam da proximidade com o cérebro, estando diretamente ligados com vários órgãos e funções do organismo. Quando estimulados, enviam ao cérebro impulsos que o obrigam a “ouvir” rapidamente a área ativada. Para a estimulação dos pontos auriculares podem ser usadas agulhas de Acupuntura, sementes de mostarda ou microesferas, que se mantêm em contacto com a orelha cerca de 20 a 30 minutos.

A técnica da Acupuntura Auricular é aplicada no tratamento de diversas doenças como distúrbios do sono, alterações menstruais, ansiedade, depressão, alergias, dores articulares, dores na coluna, cefaleias, hipertensão arterial e distúrbios digestivos. Também auxilia nos tratamentos de perda de peso e abandono de vícios como o álcool ou tabagismo.

O curso de Auriculopuntura vai ser orientado por Carlos Nogueira, médico espanhol especialista em Acupunctura pelo Comité Internacional de Avaliação da República Popular da China, e fundador do Centro de Enseñanza de la Medicina Tradicional China, em Espanha. Com uma longa trajetória clínica e de ensino, Carlos Nogueira é atualmente docente em Medicina Natural na Faculdade de Medicina da Universidade de Santiago de Compostela e Faculdade de Ciências de Orense da Universidade de Vigo.

O curso arranca no próximo dia 10 de abril (domingo), nas instalações da EMAC, no Porto, e terá a duração de 8 horas. É destinado a estudantes e especialistas em Acupuntura e profissionais de saúde que pretendam usar a acupuntura auricular como uma ferramenta terapêutica complementar. Para mais informações ou inscrições: [email protected] ou 225 105 910 / 917 458 292. 

No Japão
Um grupo de cientistas japoneses anunciou ter desenvolvido um método para cultivar células capazes de regenerar o tecido...

A equipa de investigadores da Universidade de Keio (Tóquio) conseguiu produzir em laboratório células similares às do miocárdio, com uma taxa de sucesso de 90%, empregando uma forma de cultivo que reduz o risco de se reproduzirem de modo cancerígeno.

Estas células de pluripotência induzida (iPS, sigla em inglês) – de “elevada pureza” –, até agora apenas testadas em animais, vão começar a ser utilizadas em testes clínicos no próximo ano para garantir que podem ser implantadas de forma segura em pacientes humanos, informou o centro universitário em comunicado.

O diretor da investigação, Keiichi Fukuda, assinalou que esta tecnologia representa “um grande passo em frente” que torna possível a criação artificial de células do miocárdio que poderiam utilizar-se em pacientes que tenham sofrido paragens cardíacas.

Espera-se que a aplicação clínica das células iPS possa ampliar as possibilidades dos tratamentos regenerativos e constitua um importante progresso para a medicina personalizada.

O pioneiro na geração de iPS, o japonês Shinya Yamanaka, foi galardoado em 2012 com o Prémio Nobel da Medicina pelo método que concebeu para criar este tipo de células.

As células iPS são células humanas maduras que são “reprogramadas” para ficarem num estado primitivo e versátil, a partir do qual podem ser conduzidas a desenvolverem-se em qualquer tipo de célula do corpo.

Estudo
Um estudo sobre a mediatização da saúde na imprensa portuguesa concluiu que os jornais promovem “uma cobertura responsável” do...

A investigação, que faz parte da tese de doutoramento de Rita Araújo, investigadora no Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho, analisou a cobertura dada pelos jornais portugueses aos casos de suicídio.

“Ficámos surpreendidos positivamente com os resultados, percebemos que a cobertura que se pratica em Portugal não apresenta os traços sensacionalistas que foram identificados noutros países pela Organização Mundial de Saúde”, disse Rita Araújo.

Segundo Rita Araújo, nos jornais generalistas portugueses raramente são apresentados detalhes de suicídios.

“Os títulos geralmente são factuais (não apelam ao sensacionalismo) e quando há retratos de casos específicos de situações de suicídios são sempre enquadrados numa perspetiva da saúde mental”, sublinhou a investigadora, que participa, em Guimarães, no Simpósio da Sociedade Portuguesa de Suicidologia, com o tema “Crise Suicidária: Prevenção, intervenção e pósvenção”.

Para realizar o estudo, a equipa de investigadoras, formada por Rita Araújo, Felisbela Lopes e Zara Pinto-Coelho, baseou-se na literatura que existe noutros países (Austrália, Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha).

“O que nos dizem os estudos desses países é que, de facto, os media nem sempre têm os comportamentos mais responsáveis no que toca à cobertura dos suicídios”, disse Rita Araújo.

Contudo, “verificámos que em Portugal as coisas não são assim, a situação não é tão alarmista como se verifica noutros países”, disse, comentando que a análise permitiu concluir que os jornalistas portugueses estão a fazer "um bom trabalho”.

Rita Araújo adiantou que há uma série de normas nacionais e internacionais sobre como os profissionais dos Media devem noticiar os suicídios.

Entre essas normas estão evitar fazer uma cobertura sensacionalista, evitar dar pormenores sobre o caso, o método utilizado para cometer o suicídio e “evitar as generalizações”.

“Dizer que determinada pessoa cometeu o suicídio porque estava com depressão não quer dizer que todas as pessoas com depressão o vão fazer”, explicou.

Há vários estudos que comprovam que as notícias sobre o suicídio têm o poder de criar novos suicídios, um fenómeno denominado “efeito de imitação”.

“A cobertura mediática do suicídio tem alguns riscos e pode levar a ondas de suicídio”, advertiu, defendendo que deve haver “um debate mais alargado no seio da profissão sobre a forma como isso deve acontecer”.

Geralmente, os jornalistas sabem que não devem noticiar o suicídio, mas muitas vezes não sabem porquê, frisou.

Para a investigadora, “noticiar o suicídio por si só pode não fazer sentido”: “O que é preciso é alertar para as causas do suicídio, para os fatores de risco e dar mais notícias sobre a saúde mental em geral, falar sobre os fatores de riso e quem são aqueles que estão mais em perigo de cometer suicídio”.

“É muito importante perceber que a cobertura do suicídio em si mesma não promove comportamentos suicidas, mas a forma como a cobertura é feita pelos jornalistas pode promover”, vincou.

Estudo
A obesidade afeta cerca de 641 milhões de adultos ou 13% da população mundial adulta e pode chegar até 20% em 2025 se o ritmo...

“Em 40 anos, passamos de um mundo onde as pessoas obesas são mais do que aquelas que estão com baixo peso”, disse o professor Majid Ezzati, do Imperial College de Londres, que coordenou o estudo divulgado na revista médica britânica The Lancet.

Segundo o estudo, um em cada oito adultos é obeso, um rácio que mais do que duplicou desde 1975 e que vai aumentar para um em cada cinco até 2025.

O estudo, considerado um dos mais abrangentes feito até ao momento, teve como base dados de cerca de 19 milhões de pessoas com 18 anos ou mais, residentes em 186 países.

O coordenador do estudo alertou para a ameaça de uma crise de “obesidade severa” e de doenças provocadas pelo alto teor de gordura, de dietas ricas em açúcar, que provocam aumento da tensão arterial e do colesterol.

“Haverá consequências para a saúde de uma magnitude que não sabemos”, afirmou Majid Ezzati.

O estudo refere que nos homens a obesidade triplicou de 3,2% da população em 1975 para 10,8% em 2014 (cerca de 266 milhões de homens).

Nas mulheres, a obesidade cresceu de 6,4% em 1975 para 14,9% em 2014 (cerca de 375 milhões).

Em 2014, as pessoas mais gordas do mundo viviam nos países da Polinésia e Micronésia, onde 38% dos homens e mais de metade das mulheres são obesos, refere o estudo.

Cerca de 118 milhões dos obesos do mundo vivem nos Estados Unidos, Reino Unido, Irlanda, Austrália, Canadá e Nova Zelândia.

No outro extremo, segundo o estudo, Timor-Leste, Etiópia e a Eritreia são os países onde vivem as pessoas com menos peso do mundo.

Estudo
A percentagem da população mundial obesa ultrapassou em quatro décadas o número de pessoas mal nutridas, quando em 1975 não...

O número total de pessoas obesas em todo o mundo subiu de 105 milhões, em 1975, para 641 milhões, em 2014. A percentagem de homens obesos em todo o mundo mais do que triplicou (de 3,2% para 10,8%) e a das mulheres mais do que duplicou (6,4% para 14,9%), de acordo com o que é o mais exaustivo estudo mundial sobre o índice de massa corporal (IMC) até agora realizado, divulgado pela prestigiada revista médica britânica.

Em contrapartida, no mesmo período, a percentagem de pessoas subnutridas caiu mais modestamente, cerca de um terço, tanto no caso dos homens (de 13,8% para 8,8%) como no das mulheres (de 14,6% para 9,7%).

Por outro, a esperança média de vida aumentou de menos de 59 anos para mais de 71 anos, a um ritmo de 3,6 meses por ano ao longo das últimas quatro décadas, pelo que, demonstra o estudo, o mundo está não apenas mais gordo como mais saudável.

Mas também mais desigual, como decorre do facto de ser bastante mais acelerada a progressão da obesidade que o avanço população global - sobretudo nas regiões mais pobres do mundo - que consegue fugir à subnutrição.

No período em análise, a média mundial do IMC, corrigido dos fatores relacionados com a idade, subiu dos 21,7 para 24,2 nos homens, e de 22,1 para 24,4 nas mulheres, o que resulta na conclusão de que a humanidade engordou ao ritmo médio de 1,5 quilos por década.

Se a taxa de obesidade mantiver o atual ritmo de escalada, em 2025, cerca de um quinto dos homens (18%) e das mulheres (21%) em todo mundo serão obesos, e mais de 6% dos homens e 9% das mulheres sofrerão de obesidade severa (35,0 ou mais).

“Nos últimos 40 anos, passámos de um mundo em que a prevalência da subalimentação mais do que duplicava a da obesidade para um mundo em que há mais pessoas obesas do que subnutridas”, sintetiza Majid Ezzati, professor da Escola de Saúde Pública do Imperial College em Londres, citado pela The Lancet.

“Se a atual tendência se mantiver, não apenas o mundo irá falhar o objetivo de em 2025 atingir a prevalência da obesidade verificada em 2010, como a taxa de mulheres com obesidade severa será superior à das mulheres subnutridas”, acrescenta.

Com exceção de algumas sub-regiões da África Subsaariana e da Ásia, a tendência de alteração do peso nos pratos da balança da obesidade e da subnutrição verifica-se a nível global, assim como em todas as regiões do mundo – aconteceu em 2004 no caso das mulheres e em 2011 nos homens.

Com efeito, a subalimentação mantém-se como um problema muito sério de saúde pública nas regiões mais pobres do planeta, e os autores do estudo alertam mesmo para o perigo da tendência do aumento da obesidade vir a provocar um efeito de negligência das políticas públicas direcionadas ao flagelo da subnutrição.

Por exemplo, no sul da Ásia, cerca de um quarto da população é subalimentada e as percentagens de homens e mulheres subnutridos nas regiões da África Oriental e Central são respetivamente de 15% e 12%.

Timor-Leste, Etiópia e Eritreia são os países com os IMC mais baixos em todo o mundo. Timor-Leste tem o índice de massa corporal mais baixo nas mulheres (20,1) e a Etiópia o mais baixo no caso dos homens (20,1). Mais de um quinto dos homens na Índia, Bangladesh, Timor-Leste, Afeganistão, Eritreia e Etiópia e mais de um quarto das mulheres no Bangladesh e Índia são subnutridos.

O índice de massa corporal é um indicador adotado pela OMS (Organização Mundial de Saúde), usado para o diagnóstico do baixo peso, sobrepeso e da obesidade. O IMC é calculado a partir dos dados do peso e altura.

O estudo divulgado pela The Lancet resulta do levantamento e análise dos dados relativos ao IMC de adultos (mais de 18 anos) entre 1975 e 2014 constantes em 1698 estudos da população de 186 países, cobrindo 99% da população mundial com aquela faixa etária.

Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge
A atividade gripal revelou-se, na semana passada, esporádica, com tendência para diminuir, indica o boletim de vigilância...

De acordo com o relatório semanal, publicado todas as quintas-feiras, a taxa de incidência da síndrome gripal foi, entre 21 e 27 de março, de 7,6 casos por cem mil habitantes.

Na semana precedente, de 14 a 20 de março, a atividade gripal foi considerada baixa, com tendência estável, tendo-se registado 21,7 casos por cem mil habitantes.

O boletim hoje divulgado volta a referir que os vírus da gripe circulantes "são, na sua maioria, semelhantes aos vírus contemplados na vacina antigripal da época 2015/2016".

De 21 a 27 de março, foram admitidos seis novos casos de gripe nas 21 unidades de cuidados intensivos dos hospitais que reportaram informação, tendo a taxa de admissão se situado nos 3,4 por cento.

Três dos pacientes tinham doença crónica associada.

Desde o início da época gripal, em outubro, foram indicados 167 casos de gripe admitidos nas unidades de cuidados intensivos hospitalares, dos quais 69,5 por cento acusavam doença crónica subjacente.

Dos 91 pacientes com estado vacinal conhecido, apenas sete estavam vacinados contra a gripe.

O boletim volta a mencionar que a mortalidade observada, "por todas as causas", apresenta números de acordo com o esperado.

Na semana passada, a temperatura mínima do ar foi, em média, 5,3ºC, abaixo do normal, salienta o documento.

A época gripal 2015/2016 começou em outubro e termina em maio.

Serviços domiciliários
A Misericórdia do Porto está disponível para, em parceria com o governo, avançar com um projeto que visa "o apoio a idosos...

A revelação foi feita pelo provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto (SCMP), António Tavares, que explicou inserir-se esta iniciativa no recentemente apresentado Programa Nacional para as Reformas, "que prevê o reforço da rede nacional dos cuidados continuados e na prestação de serviço de apoio domiciliário aos idosos".

O projeto irá associar-se a outro já em curso da responsabilidade da SCMP, denominado Chave de Afetos, de componente tecnológica, permitindo ao beneficiar dispor " de uma série de serviços sem ter de sair de casa".

"Neste âmbito, aos idosos seria fornecida alimentação, roupa, os cuidados com a mesma bem como da habitação e, dessa forma, evoluir-se para o retardamento da sua institucionalização e para uma nova geração no apoio domiciliário, acrescentando-lhe a componente de saúde, com o serviço de enfermagem e médico", descreveu António Tavares.

Como componente desse esforço de resposta ao desafio lançado pelo governo, a Santa Casa propõe disponibilizar o Centro de Dia para Doentes de Alzheimer e a unidade de cuidados continuados de saúde mental, única no país, do hospital Conde Ferreira, para fazer o acompanhamento nas mais variadas situações.

"Com isto, evita-se que tenham de fazer deslocações consecutivas para receberem tratamento e adia-se o mais possível a sua institucionalização", reforçou o provedor da Santa Casa revelando "estarem disponíveis para aumentar o número de camas em mais 50 ou 100 nos cuidados continuados".

"Temos essa disponibilidade quer para a saúde mental quer noutras variáveis caso a Área Metropolitana do Porto tenha essa dificuldade para suprir, respondendo desta forma ao apelo do senhor ministro", sublinhou.

Alertando para o facto de "muitas destas pessoas irem precisar do apoio do governo através da contratualização, e isso está previsto", António Tavares espera, por isso, "poder vir a contar com a ARS e com a Segurança Social nestes projetos".

"No fundo, trata-se de um ‘upgrade' nestes serviços, reunindo-se a componente social e médica, para não falar do voluntariado, cuja importância no apoio que presta é bem conhecida", considerou o provedor para quem, através desta solução "irá reduzir-se o consumo de medicamentos, das depressões e dos casos de solidão".

Estudo
Um novo estudo revela a estrutura do vírus do Zika, avanço que os investigadores responsáveis, da Universidade de Purdue, nos...

O estudo, publicado na página de Internet da revista científica Science, conclui que a estrutura do Zika é muito semelhante à de outros flavivírus, a família de vírus que inclui o dengue, a febre-amarela ou a febre do Vale do Nilo.

Apesar das semelhanças, em particular com o dengue, o Zika parece ter uma estrutura ligeiramente diferente numa região que, no dengue, facilita a ligação aos anticorpos e aos recetores do hospedeiro.

Para o autor do estudo, Richard Kuhn, quaisquer regiões que sejam únicas no vírus do Zika têm o potencial de explicar diferenças na forma como o vírus é transmitido e como se manifesta enquanto doença.

"A estrutura do vírus fornece um mapa que mostra potenciais regiões do vírus que poderão ser alvo de um eventual tratamento, usadas para criar vacinas eficazes ou para melhorar a nossa capacidade de diagnosticar e distinguir a infeção por Zika de outros vírus relacionados", disse Kuhn, que é também diretor do departamento de Ciências Biológicas da Universidade de Purdue.

Para o cientista, "determinar a estrutura aumenta muito aquilo que se compreende do Zika, um vírus de que tão pouco se sabe, e ilumina as áreas mais promissoras para se testar investigar de forma a combater a infeção".

"A maioria dos vírus não invade o sistema nervoso ou o feto em desenvolvimento graças a barreiras sangue-cérebro e à placenta, mas a associação com malformações no desenvolvimento do cérebro de fetos em grávidas infetadas com o Zika sugere que este vírus o faz", disse Devika Sirohi, que também participou na investigação.

Reconhecendo que "não é claro como é que o Zika consegue aceder a estas células e infetá-las", Sihori explicou que as diferenças encontradas na estrutura do vírus "podem ser cruciais e justificam mais investigação".

Os investigadores estudaram um vírus do Zika isolado de um paciente infetado durante a epidemia na Polinésia Francesa e determinaram a estrutura a uma resolução quase atómica, explicou Michael Rossmann, coautor do estudo.

Kuhn e Rossmann estudam os flavivírus, família a que pertence o Zika, há mais de 14 anos. Foram os primeiros a mapear a estrutura de um desses vírus ao determinar a estrutura do dengue em 2002. Em 2003 foram os primeiros a determinar a estrutura do vírus da febre do Vale do Nilo e são agora os primeiros a fazê-lo com o Zika.

Um surto de Zika afeta atualmente a América do Sul, e o Brasil, o país mais afetado, já registou mais de um milhão e meio de casos.

O vírus é transmitido aos seres humanos pela picada do mosquito 'Aedes aegypti', que existe em 130 países, e na maioria dos casos provoca apenas sintomas gripais benignos, ou não provoca sintomas de todo.

No entanto, o vírus tem sido associado a casos de microcefalia, doença em que os bebés nascem com o crânio anormalmente pequeno e défice intelectual, e a casos de Síndroma Guillain-Barré, uma doença neurológica grave.

Na semana passada, o Brasil confirmou 907 casos de microcefalia e 198 de bebés que morreram devido a este problema congénito desde o início do surto.

As autoridades estão ainda a investigar se a malformação afeta outros 4.293 bebés com sintomas parecidos.

Associação de Doentes com Artrite Reumatóide
A Associação de Doentes com Artrite Reumatóide contesta a reduzida comparticipação estatal aos medicamentos considerados de...

Segundo o secretário-geral da Associação de Doentes com Artrite Reumatóide (Andar), António Vilar, um dos fármacos de base para a artrite reumatóide é comparticipado a 20%, quando na maioria dos países europeus a comparticipação anda entre os 90 e os 100%.

Aliás, este mesmo medicamento recebe em Portugal uma comparticipação de 95%, quando usado noutras doenças, como a doença inflamatória do intestino, uma situação que os reumatologistas consideram injusta e discriminatória.

Outro dos medicamentos base para a artrite reumatóide tem o escalão B de comparticipação, o que significa que o Estado paga 69%.

Para a Andar, estes fármacos deviam ser comparticipados com o escalão máximo de 95%, até porque a sua reduzida comparticipação pode desviar doentes da adesão à terapia e fazer com que precisem depois de recorrer aos medicamentos biotecnológicos, integralmente comparticipados, mas muito mais dispendiosos para o Estado.

De acordo com os reumatologistas, só cerca de 25% dos doentes com artrite reumatóide necessitam de ser tratados pelos medicamentos mais caros, os biotecnológicos.

“Ter uma comparticipação adequada nos fármacos de base faria com que muitos doentes nem chegassem a ter de fazer os biotecnológicos”, sublinhou o reumatologista José Canas da Silva.

A questão da terapêutica e da comparticipação deverá ser abordada nas XVI Jornadas da Andar, que decorrem terça-feira em Lisboa.

Apesar de ser necessário melhorar o acesso à medicação de base, aumentando a comparticipação, nos últimos 25 anos subiu de forma significativa o número de doentes em remissão, passando de oito para 30%, o que significa que atualmente quase um terço dos doentes se encontra em remissão.

Ordem dos Nutricionistas
De forma a assegurar que todos os nutricionistas possuem as mesmas competências para o exercício da profissão, a Ordem dos...

Este documento inédito irá permitir harmonizar o perfil de competências das licenciaturas e será apresentado publicamente às 15h30 de amanhã, sexta-feira, dia 1 de Abril, na Casa do Infante no Porto (R. Alfândega, 10, à Ribeira do Porto), numa cerimónia que contará com a presença da Bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Alexandra Bento, e dos responsáveis dos 13 estabelecimentos de Ensino Superior.

Com a convergência da profissão de dietista para a profissão de nutricionista estabelecida legalmente em setembro de 2015, tornou-se ainda mais premente a adequabilidade das licenciaturas à profissão de nutricionista, de forma a assegurar a excelência, qualidade e harmonia na formação superior do nutricionista.

Numa iniciativa inédita em Portugal, a Ordem dos Nutricionistas e os estabelecimentos de Ensino Superior uniram esforços para desenvolver um documento orientador que estabeleça os princípios básicos da formação académica dos nutricionistas. Princípios como as competências para cada uma das áreas profissionais, domínios científicos e o número mínimo e máximo de créditos destes domínios.

Serão estes princípios e outros detalhes sobre o “Referencial para a Formação Académica do Nutricionista” que serão apresentados pela primeira vez em público na sessão de sexta-feira, dia 1 de abril.

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