Doença Venosa Crónica
Seja por medo ou desconhecimento, muitos doentes receiam submeter-se a cirurgia para tratar as variz

Muitas pessoas que têm varizes ainda tardam em procurar aconselhamento médico, seja por medo ou por desconhecimento. Por outro lado, muitos doentes que procuram avaliação por cirurgia vascular para tratamento das suas varizes, confessam o seu receio em submeter-se a uma cirurgia. Este medo resulta, na maioria das vezes, de histórias contadas por terceiros que revelam a sua experiência menos favorável e a apresentam como regra e não como excepção. Afinal toda a gente tem uma amiga, um familiar ou vizinho que já foi operado às varizes!

Contudo, a cirurgia de varizes é uma cirurgia segura, com raras complicações e, actualmente, os métodos utilizados são cada vez menos invasivos, permitindo uma recuperação mais confortável e rápida.

Mito 1: As varizes não devem ser operadas porque as veias retiradas na cirurgia fazem falta para a circulação
As varizes são, por definição, veias superficiais, dilatadas e tortuosas.

As veias das nossas pernas estão divididas em 2 grupos: o sistema venoso profundo e o sistema venoso superficial.

Quando falamos de varizes e veias safenas (as mais frequentemente envolvidas na cirurgia de varizes) falamos de sistema venoso superficial. Em termos de função, é um sistema muito limitado, que muito pouco contribui para a drenagem venosa das pernas. Esta é assegurada pelo sistema venoso profundo, no qual nunca mexemos numa cirurgia de varizes.

Além disso, as veias a tratar são veias doentes, já desprovidas da sua função.

Portanto, a cirurgia de varizes em nada prejudica a circulação das pernas. 

Mito 2: As varizes ressurgem sempre após a cirurgia e por isso não vale a pena ser operado
Como na maioria das doenças, existe sempre o risco de recidiva, isto é, de as varizes voltarem a surgir. Contudo, este risco é diminuido com uma avaliação cuidada, com o estudo das varizes e da sua origem com eco-Doppler e uma correcta selecção do tratamento para cada caso.

O cumprimento dos conselhos médicos pós-operatórios é também essencial para obtenção de bons resultados.

Mito 3: O pós-operatório é muito complicado, obrigando a internamento, repouso absoluto no leito e andar com canadianas
Actualmente, muitos destes procedimentos são realizados em regime de ambulatório, isto é, o doente tem alta hospitalar no próprio dia da intervenção.

O paciente, em lugar de estar obrigado a repouso absoluto, é encorajado a levantar-se e movimentar-se muito precocemente após a cirurgia, para prevenir complicações.

Habitualmente os pacientes, dependendo de cada caso específico, estão aptos para retomar a sua actividade diária ao fim de 2 ou 3 dias. Muitos pacientes vão mesmo trabalhar logo no dia seguinte à cirurgia.

Mito 4: Após a cirurgia é necessário ficar com ligaduras nas pernas durante uma semana a 10 dias
Na maioria dos casos, após a cirurgia os doentes devem usar meia de contenção elástica. As ligaduras, tradicionalmente colocadas nas pernas após a cirurgia, além de muito desconfortáveis raramente estão indicadas, tendo vantagem a sua utilização em casos específicos de varizes com complicações da pele associadas.

Mito 5: A escleroterapia, vulgarmente chamada de “secagem”, é uma alternativa à cirurgia
Muitas vezes a escleroterapia é o único tratamento necessário. Isto aplica-se quando as veias “principais” estão bem e os pequenos “derrames” ou pequenas veias superficiais são a única coisa a tratar.

Contudo, quando há realmente doença venosa, há que tratar a causa, isto é, a origem das varizes para que o tratamento resulte o mais definitivo possível e, nestes casos, pode ser necessária a cirurgia.

Mito 6: Uma vez que não causam incómodo nem dor, não há necessidade de operar
Muitos pacientes com varizes dizem não ter necessidade de cirurgia pois não se importam com a questão estética nem têm dor nem quaisquer queixas relacionadas com as suas varizes.

Há que realçar que a doença venosa não é uma doença estática mas que tem tendência a agravar e a complicar. Assim, o tratamento das varizes está recomendado, mesmo quando não há queixas e deve ser o mais precoce possível para obtenção dos melhores resultados.

Quem tem varizes tem o risco de ter complicações como:

- alterações da pele: como eczema, hiperpigmentação (ficar com áreas castanhas nas perna), fragilização da pele e, por fim, úlceras (feridas) de muito difícil cicatrização

- tromboflebites - Este fenómeno consiste  na formação de coágulos no interior da variz que assim fica ocluída e inflamada. Nestes casos, frequentemente consegue palpar-se um cordão endurecido, avermelhado e extremamente doloroso ao longo do trajecto da flebite. Trata-se de uma situação que deve beneficiar de tratamento expedito uma vez que apresenta algum risco de complicações sérias, nomeadamente extensão da trombose para veias mais profundas (Trombose Venosa Profunda) ou entrada em circulação de fragmentos do trombo (Embolia Pulmonar).

- sangramento das varizes (decorrente de qualquer pequeno traumatismo)

Resulta assim, bem claro, que as varizes são muito mais do que um problema estético, podendo condicionar, além de grande incómodo e prejuízo da qualidade de vida, complicações diversas. Assim, o seu tratamento está indicado e deve ser o mais precoce possível para garantir um melhor e mais definitivo resultado. Depois de instaladas algumas destas complicações, tais como as alterações cutâneas, dificilmente se obterá um resultado óptimo.

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Estudo
A maioria dos coordenadores das Unidades de Saúde Familiar identifica a falta de material para tratar utentes como o principal...

O estudo "O Momento Atual da Reforma dos Cuidados de Saúde Primários em Portugal 2015/2016", revela que "91% das Unidades de Saúde Familiar (USF) referem ter tido falta, no último ano, de material considerado básico" para a sua atividade normal.

Segundo os resultados divulgados, dessas unidades, 32% referem ter "faltado material entre três e dez vezes" e 36,3% "mais de dez vezes".

Os dados para o estudo, desenvolvido pelos médicos André Rosa Biscaia e António Pereira e pela psicóloga Ana Rita Antunes, foram obtidos através de um questionário realizado aos coordenadores das USF em funções.

A finalidade foi "tomar o pulso à reforma e estabelecer um guião de forma a saber o que é necessário para que as condições das USF continuem a melhorar", indicou André Rosa Pereira.

Cerca de 62,9% dos 450 coordenadores participaram no inquérito, efetuado em abril de 2016, o que, segundo o médico, demonstra o "empenho das USF na monitorização, avaliação e melhoria da reforma".

A falta de equipamento informático, a falha nos sistemas de informação e a falta de recursos humanos para o atendimento telefónico foram outros dos problemas mais referidos pelos coordenadores.

De acordo com André Rosa Biscaia, a maior parte dos utentes recorre ao atendimento telefónico para contactar as unidades de saúde, mas este método "é uma fonte de problemas e de conflito diário nas USF", situação que "piorou com as alterações nos contratos".

"Passados dez anos da reforma, só metade da população é que está coberta" por uma destas unidades, referiu o médico, para quem este é o principal fator negativo, podendo, no entanto, ser colmatado com a abertura das 44 unidades que efetuaram a candidatura para tal.

Apesar da insatisfação quanto a estes fatores, verifica-se "uma melhoria no acesso da população aos cuidados, uma maior satisfação dos profissionais e dos utentes quanto aos serviços, bem como uma maior eficiência", acrescentou.

Naquela que é a sétima edição deste estudo, 92% dos coordenadores indicaram que uma maior autonomia dos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES) podia trazer melhorias e resolver os problemas com maior celeridade e eficiência.

O "O Momento Atual da Reforma dos Cuidados de Saúde Primários em Portugal 2015/2016" vai ser apresentado hoje, na Universidade de Aveiro, durante o 8.º Encontro Nacional das USF - Unidades de Saúde Familiar, subordinado ao tema "Cuidados de Saúde Primários: a aposta do novo ciclo político?".

Risco para a saúde
O Governo anunciou que vai retirar do mercado a taloamina e todos os produtos fitofarmacêuticos que contenham aquela substância...

“Os serviços da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária notificaram as empresas produtoras de fitofármacos sobre a taloamina, um co-formulante utilizado nos compostos herbicidas à base de glifosato, tendo em vista a retirada imediata desta substância do mercado”, refere, em comunicado, o Ministério da Agricultura.

O Governo justifica a decisão com o “processo de reavaliação comunitária da substância ativa glifosato e face aos recentes estudos que determinam o potencial carcinogénico de certas formulações com base nesta substância ativa”.

“Foi identificada a taloamina como substância potencialmente carcinogénica”, refere no comunicado.

O Ministério da Agricultura considera que “os produtos fitofarmacêuticos contendo o co-formulante em questão são suscetíveis de constituir risco grave para a saúde humana ou animal ou para o ambiente”, razão pela qual devem ser imediatamente proibidos.

Segundo o comunicado, todos os produtos fitofarmacêuticos que contenham taloamina “devem ser cancelados”, tendo as empresas até 30 de junho para procederem à recolha dos produtos, “data a partir da qual a sua venda é rigorosamente proibida”.

“As autorizações de venda estão canceladas a partir dessa mesma data”, sublinha o Ministério da Agricultura.

A proibição, segundo o Ministério da Agricultura, determina a saída de 17 produtos do mercado, de um total de 83 que contém glifosato.

Vírus Zika
A Organização Mundial de Saúde e a Organização Panamericana de Saúde pediram às mulheres grávidas que não viajem para o Brasil...

Num comunicado conjunto, as duas organizações consideraram que os atletas e o público da competição precisam de mais informações sobre os riscos do vírus Zika e as formas de prevenir a infeção.

Os homens que vão ser pais devem praticar "sexo seguro" (uso de preservativo) ou abster-se durante a gravidez, quando regressarem aos seus países de origem vindos de zonas brasileiras afetadas pelo Zika.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Organização Panamericana de Saúde (OPAS) recomendam também que não se vá para zonas empobrecidas, com falta de saneamento, que se use repelente, roupas claras que cubram a maior parte do corpo, e que se consulte um médico antes de partir para o Brasil.

O Brasil é um dos países mais afetados pelo atual surto de Zika na América Latina, que tem despertado preocupação considerável entre aqueles que pretendem ir aos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos do Rio 2016, que terá lugar entre 05 de agosto e 18 de setembro.

A maior preocupação é o aumento alarmante de casos de microcefalia derivada do Zika no país, com 1.271 casos confirmados, entre outubro de 2015 e abril de 2016 de acordo com a OPAS.

No Dia Mundial da Hipertensão
No âmbito das comemorações da Sociedade Portuguesa de Hipertensão para Dia Mundial da Hipertensão, o Externato Educação Popular...

“Com Peso e Medida” é uma comédia musical da autoria de Rosa Lobato de Faria e Nuno Ramos Vieira, com música de João Melo, que promove estilos de vida saudáveis junto de crianças, tendo como objetivo principal incentivar a adoção de boas práticas alimentares e a realização de atividade física, promovendo o consumo de frutas e legumes em vez de alimentos ricos em açúcar e gorduras.

Implementada em 2010 de norte a sul do país, a peça já atingiu mais de 30.000 crianças do ensino básico e pré-escolar. O seu conteúdo insere-se nos objectivos da Organização Mundial de Saúde, no âmbito da luta contra a obesidade infantil, e contou com a validação técnica do Ministério da Educação (DGE) e Ministério da Saúde (DGS/Plataforma de Luta Contra Obesidade).

Em Portugal, cerca de 32% das crianças com idades compreendidas entre os sete e os nove anos apresentam excesso de peso, sendo 11% obesas. Quanto às crianças em idade pré-escolar, cerca de 24% apresentam excesso de peso e 7%.

17 de Maio 2016
Hora: 10h00
Duração: 40 minutos
Local: Externato Educação Popular
Morada: Rua João da Mota e Silva, 3 / 1070 - 042 Lisboa

Em Maio
Corrida realiza-se anualmente e combina quatro grandes vertentes: solidária, histórica, turística e desportiva.

O Running-Challenge – Linhas de Torres Vedras, a corrida solidária não competitiva que se realiza anualmente nesta rota histórica, terá lugar no dia 22 de maio. As inscrições para a edição de 2016, organizada pela Revista Spiridon e pela Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger (APSA), são acompanhadas por um donativo à associação, como forma de promover o seu trabalho na integração social de pessoas com Síndrome de Asperger.

A APSA esteve também envolvida na última edição da prova de 100 quilómetros ao longo da Rota Histórica das Linhas de Torres Vedras. Esta corrida pretende comemorar os 200 anos da retirada de Napoleão do país e a interrupção da construção deste sistema defensivo, em 1813.

A prova é constituída por três desafios (Madrugada, Manhã e Tarde) que totalizam 100 quilómetros ao longo de 15 horas, num percurso que inclui a passagem por seis concelhos e 15 fortes. Estão inscritas equipas de estafetas que vão percorrer no mínimo 5km.

Este ano a Federação Equestre Portuguesa (FEP) associou-se à corrida e foi introduzida mais uma modalidade de participação: a cavalo. Esta é uma experiência que se pretende testar para poder eventualmente consolidar no próximo ano.

Além de promover um estilo de vida saudável e o contacto com a natureza, o objetivo do Running Challenge é também destacar o património histórico, cultural e natural destes caminhos pedestres, devidamente marcados com sinalização específica, promovendo a sua utilização noutras ocasiões.

A corrida solidária Running-Challenge – Linhas de Torres Vedras para além da colaboração da Federação Equestre Portuguesa, conta ainda com o apoio da Secretaria de Estado do Desporto, do Exercito Português, GNR e PSP, assim como das Câmaras Municipais de Arruda dos Vinhos, Loures, Mafra, Sobral de Monte Agraço, Torres Vedras, Vila Franca de Xira e Lisboa, concelhos nos quais está inserido este património turístico-militar. Relativamente às entidades estrangeiras, estão envolvidas a British Historical Society of Portugal e a The Friends of the Lines of Torres Vedras.

Mais informação no site do evento: www.running-challenge.com. As inscrições para as três categorias – Individual, Estafetas e Cavaleiros – podem ser feitas em http://www.running-challenge.com/inscricao/.

No Portinho da Arrábida
Escalada, Rappel CanoRaft – estes são alguns dos desafios que a Associação de Jovens Diabéticos de Portugal organiza a 22 de...

A Associação de Jovens Diabéticos de Portugal (AJDP), em conjunto com a Wind, agenda para dia 22 de Maio várias atividades físicas ao ar livre. Pelas 10h30 convidam os jovens com diabetes a reunirem-se na Arrábida para uma manhã de jogos na praia e nas montanhas. Após um piquenique de partilha e convívio têm início, pelas 14h30 as atividades radicais, onde os jovens podem escolher entre Escala e Rappel, circuito de obstáculos, ou um percurso de CanoRaft ao longo das enseadas da serra da arrábida com percurso pedestre.

A presidente da AJDP, Paula Klose, refere que “envolver os jovens com diabetes em atividades de aventura, motiva-os a superar o preconceito que tantas vezes têm face à diabetes. Percebem que não têm limitações e, por estarem em grupo, convivem e partilham experiências. Para além da componente social estão a fazer desporto, o que ajuda a controlar os níveis de glicemia, conseguindo benefícios ao nível da saúde”.

As inscrições estão abertas até dia 19 de maio, através do email: [email protected], ou do número de telemóvel: 911508614. A participação neste dia, sem as atividades radicais é gratuita, com atividades radicais é 7,50 € por pessoa e uma atividade para sócios AJDP e 15€ por pessoa e uma atividade para não sócios.

Organização Mundial de Saúde
A Organização Mundial de Saúde aprovou um novo tratamento para a tuberculose multirresistente, um passo decisivo para...

Calcula-se que cerca de 480.000 pessoas contraem tuberculose multirresistente (TBMR) todos os anos, o que representa mais ou menos 5% dos 9,6 milhões de casos de tuberculose registados anualmente.

A tuberculose multirresistente é muito difícil de tratar, ao contrário da tuberculose simples, exigindo que os pacientes tomem dolorosas injeções e milhares de comprimidos durante um período de 18 a 24 meses, por vezes com efeitos secundários graves, que podem incluir a surdez.

O antigo tratamento da TBMR “é praticamente uma tragédia”, disse Mario Raviglione, diretor do Programa Mundial de Luta Contra a Tuberculose da Organização Mundial de Saúde (OMS).

O novo tratamento, que a OMS vai agora incentivar todos os países a adotarem, dura até nove meses e espera-se que cure mais de 80% dos casos.

Também é mais barato, devendo custar 400 dólares (350 euros) por paciente, comparado com os 1.500/3.000 dólares (1.315/2.630 euros) do tratamento antigo, disse Raviglione aos jornalistas.

Cerca de 30% dos doentes de TBMR com um tipo especialmente complicado da doença não poderão beneficiar do novo tratamento e para identificar a elegibilidade de um doente para a nova terapia a OMS também aprovou um novo teste de diagnóstico que indica a natureza exata de uma infeção de tuberculose no prazo de 48 horas.

A tuberculose é uma doença bacteriana que infeta sobretudo os pulmões e mata cerca de 1,5 milhões de pessoas anualmente, principalmente em países de rendimento baixo e médio. Calcula-se que 190.000 pessoas morram de TBMR todos os anos.

Estudo
Investigadores da Universidade do Porto estão a desenvolver um estudo sobre os efeitos da atividade física, realizada de forma...

O projeto "Efeitos da atividade física ao longo da vida na disfunção cerebral - Relevância dos mecanismos mitocondriais na doença de Alzheimer e no Envelhecimento" foi iniciado em 2013, pelo Centro de Investigação em Atividade Física, Saúde e Lazer (CIAFEL) da FADEUP.

Em declarações, um dos coordenadores, José Magalhães, disse que através dos "benefícios já reconhecidos do exercício físico noutros contextos da doença" pretendem "perceber de que forma esta ferramenta não farmacológica pode também atenuar ou reverter algumas consequências deletérias associadas a esta patologia".

Este estudo, em particular, centra-se no papel do exercício na funcionalidade de "um organelo celular muito associado à produção de energia à produção de energia, mas que desempenha outras funções celulares, a mitocôndria", esclareceu António Ascensão, outro dos coordenadores do projeto.

Segundo o investigador, a mitocôndria está "implicada na produção de espécies reativas de oxigénio e na sinalização celular. Por isso, pensa-se ter um papel fundamental nos mecanismos de adaptação induzidos pelo exercício físico em muitas patologias".

O estudo é realizado com cobaias animais, nos quais os investigadores induziram condições que mimetizam a disfunção cognitiva associada a esta patologia, explicou José Magalhães.

Utilizando animais distribuídos por vários grupos experimentais, nos quais é ou não induzida a patologia e é imposta ou não a prática de exercício físico, é fornecida uma panóplia de condições que permite aos investigadores analisar e comparar os diferentes resultados.

Deste modo, é possível verificar em que medida as características comportamentais ou bioquímicas associadas à doença podem ser atenuadas ou revertidas, pela prática regular de exercício físico, esclareceu o coordenador.

A prática de exercício físico, "ainda que mecanicamente centrada no músculo esquelético, promove a libertação de um conjunto de proteínas e moléculas que a partir dele se espalham para todo o corpo, acabando por ter efeitos à distância e afetando positivamente um conjunto importante de órgãos", referiu António Ascensão.

Este projeto surgiu na sequência de outros trabalhos realizados pelo mesmo grupo, nos quais foram observados efeitos benéficos do exercício físico na melhoria da funcionalidade de diversos tecidos, nomeadamente no tecido cardíaco, hepático ou adiposo.

Na investigação colaboram ainda investigadores da Faculdade de Medicina e do Instituto de Biologia Molecular e Celular da da Universidade do Porto (UPorto), do Centro de Neurociências e Biologia Celular, da Universidade de Coimbra e do Departamento de Fisiologia e Imunologia da Faculdade de Biologia da Universidade de Barcelona.

O projeto, que finaliza em inícios de 2017, foi financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) em cerca de 100 mil euros.

Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa
Investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa obtiveram uma solução líquida de níquel e alumínio, com água,...

Pela primeira vez, cientistas conseguiram obter uma formulação nova, neste caso líquida, para materiais que já existem, mas em estado sólido, o cloreto de níquel e o cloreto de alumínio.

Ao fim de dois anos de tentativas e erros, a equipa, que inclui cientistas de instituições estrangeiras, sintetizou, com água, o pó de níquel e alumínio e verificou que o líquido verde gerado funciona como catalisador, substância que acelera a velocidade de reações químicas e que se mantém inalterada, no final, por não interferir com os reagentes.

Segundo a coordenadora da equipa em Portugal, Carla Nunes, trata-se de um catalisador promissor para as indústrias petrolífera e farmacêutica e para a biomedicina, uma vez que é mais barato, desenvolve-se facilmente, não polui o ambiente, porque tem água na sua composição, é reutilizável e resistente.

A investigadora e professora da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa explicou que o líquido, de cor verde devido ao níquel, poderá ser usado para "partir" as moléculas do crude, das quais se obtém o gasóleo ou a gasolina, ou para sintetizar, de forma mais rápida, um princípio ativo de um medicamento.

Além disso, adiantou, o facto de ser um líquido que tem na sua base alumínio, um "material biocompatível e resistente", permite que possa ser transformado num material maleável e ser, eventualmente, usado na criação de implantes, para a substituição de ossos.

Os resultados da investigação foram publicados na revista ACS Nano, especializada em nano materiais.

Da equipa científica fazem ainda parte investigadores da Universidade Osaka Prefecture, no Japão, do Laboratório Rutherford Appleton, no Reino Unido, do Instituto de Química Clermont-Ferrande e do Centro Nacional de Investigação Científica, ambos em França.

Organização Mundial de Saúde
Mais de oito em cada dez habitantes de cidades que monitorizam a qualidade do ar estão expostos a níveis de poluição superiores...

O mais recente índice da qualidade do ar urbano, que atualiza dados de 2014, abrange cerca de 3.000 cidades em 103 países e conclui que 98% das cidades em países de médio e baixo rendimento com mais de cem mil habitantes não cumprem as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Já nos países ricos, a percentagem de cidades em incumprimento desce para 56%.

A OMS recorda que a poluição do ar faz aumentar os riscos de acidente vascular cerebral, doença cardíaca, cancro do pulmão e doenças respiratórias crónicas e agudas, como a asma.

"A poluição do ar é uma importante causa de doença e morte", disse a diretora-geral adjunta da OMS para a Saúde da Família, da Mulher e da Criança, Flavia Bustreo, aplaudindo o facto de o número de cidades que monitoriza a qualidade do seu ar ter quase duplicado desde 2014.

"Quando o ar sujo cobre as nossas cidades, as populações urbanas mais vulneráveis - os maios novos, os mais velhos e os mais pobres - são os mais afetados", acrescentou a responsável, citada num comunicado da OMS.

Numa análise da evolução dos níveis de partículas finas e inaláveis ao longo de cinco anos (2008-2013) em 795 cidades de 67 países, a OMS concluiu que os níveis de poluição aumentaram globalmente cerca de oito por cento, apesar de melhorias em algumas regiões.

Apesar disso, mais de metade das cidades monitorizadas nos países de alto rendimento e mais de um terço em países de médio e baixo rendimento reduziram os seus níveis de poluição do ar em mais de 5% em cinco anos.

Em geral, os níveis de poluição do ar das cidades foram menores em países de alto rendimento, particularmente na Europa, Américas e na região do Pacífico ocidental.

Os maiores níveis de poluição do ar foram registados nos países de baixo e médio rendimento, em particular no Mediterrâneo oriental e no sudeste asiático, onde algumas médias anuais excedem em cinco a dez vezes os limites da OMS.

Nestas regiões, assim como nos países pobres da região do Pacífico Ocidental, os níveis de poluição aumentaram mais de 5% em dois terços das cidades analisadas.

Na região de África, os dados sobre a poluição do ar urbano são escassos, mas os números disponíveis revelam níveis acima da mediana.

Segundo a OMS, a poluição do ar ambiente, provocada por elevadas concentrações de partículas inaláveis e partículas finas, é o maior fator de risco ambiental para a saúde, causando mais de três milhões de mortes prematuras por ano em todo o mundo.

"A poluição do ar urbano continua a aumentar a um nível alarmante, provocando o caos na saúde humana", disse a diretora do departamento de Saúde Pública, Ambiente e Determinantes Sociais da Saúde da OMS, Maria Neira, citada no comunicado.

Segundo as recomendações da OMS, reduzir a poluição por partículas inaláveis de 70 para 20 microgramas por metro cúbico (μg/m) faria reduzir as mortes relacionadas com a poluição do ar em cerca de 15%.

Organização Mundial de Saúde
Metade das 12 cidades portuguesas analisadas pela Organização Mundial de Saúde excediam em 2014 o limite fixado por esta...

Em Portugal, Ílhavo, com 15 microgramas por metro cúbico, Albufeira (com 14), Coimbra (12), Faro, Lisboa e Vila do Conde (as três com 11), foram as cidades que ultrapassaram o limite de 10 microgramas por metro cúbico estipulado pela OMS para as partículas finas PM2.5, embora se encontrem no grupo dos níveis mais baixos, entre as quase 3.000 localidades analisadas pela organização.

Se a avaliação for feita com base nos limites fixados pela União Europeia, menos exigentes - de 25 microgramas por metro cúbico para o poluente PM2.5 - todas as cidades cumpriam.

O relatório internacional publicado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) revela que mais de 80% dos habitantes de áreas urbanas que monitorizam a poluição do ar estão expostos a níveis de poluentes que excedem os limites fixados por esta instituição, principalmente nas cidades de mais baixo rendimento.

A poluição do ar é causada por várias substâncias, como estas partículas que podem entrar no aparelho respiratório e constituem, segundo a OMS, um risco para a saúde ao aumentar a mortalidade nas infeções respiratórias e causar doenças, como cancro do pulmão, ou problemas cardiovasculares.

A base de dados da OMS reúne informação sobre cerca de 3.000 cidades de 103 países e permitiu a comparação com valores de 2008, concluindo que a poluição do ar nos centros urbanos aumentou 8%, apesar das melhorias registadas em algumas regiões.

Quanto às partículas inaláveis PM10, com base no limite de 20 microgramas por metro cúbico da OMS, somente Ílhavo excedia, com 21 microgramas, seguindo-se Albufeira, com 19.

No entanto, segundo as regras europeias para o PM10, que apontam para uma média anual de 40 microgramas por metro cúbico, todas as cidades portuguesas apontadas pela OMS cumprem.

Francisco Ferreira, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, especialista em qualidade do ar, alertou que estes valores foram obtidos em estações de medição chamadas "de fundo" e referem-se a áreas envolventes das cidades, mas os problemas de poluição mais graves registam-se em zonas de tráfego automóvel intenso ou de atividade industrial.

Em resposta a um pedido de comentário aos valores da OMS nas cidades portuguesas, Francisco Ferreira salientou que "os níveis acima da legislação são sempre registados em estações de tráfego, como a avenida da Liberdade, em Lisboa".

Por outro lado, a concentração destes poluentes depende muito das condições meteorológicas e, acrescentou, "em 2014, estas foram relativamente favoráveis, não havendo ultrapassagens [dos limites] dos poluentes".

O especialista realçou que, "em vários países, incluindo Portugal, o poluente que está a tornar-se mais problemático é o dióxido de azoto".

Os últimos dados disponíveis na Agência Portuguesa do Ambiente (APA) sobre qualidade do ar, de 2014, referem duas excedências do valor limite diário de PM10 e três no valor limite anual de dióxido de azoto, nas regiões do Porto Litoral, Entre Douro e Minho e Área Metropolitana Lisboa Norte.

Estudo
As taxas de aborto diminuíram 41% nos últimos 25 anos nos países desenvolvidos, mas mantiveram-se quase inalteradas nos países...

Publicado na revista científica The Lancet, o estudo do Instituto Guttmacher, uma organização que visa melhorar a saúde sexual e reprodutiva nos EUA e no Mundo, e da Organização Mundial de Saúde conclui ainda que as leis restritivas do aborto não reduzem o número de interrupções voluntárias da gravidez.

Com efeito, sugerem os autores do estudo, a incidência do aborto nos países onde é legalmente proibido, e muitas vezes realizado sem condições de segurança, é tão alta como nos países onde é legal.

"Nos países desenvolvidos, a queda continuada das taxas de aborto deve-se em grande medida ao aumento do uso de contraceção moderna, que deu às mulheres um maior controlo sobre o momento e o número de filhos que querem ter", disse a principal autora, Gilda Sedgh, do instituto sediado em Nova Iorque, citada num comunicado da revista Lancet.

Já nos países em desenvolvimento, acrescentou a investigadora, "os serviços de planeamento familiar não parecem acompanhar o desejo de famílias mais pequenas. Mais de 80% das gravidezes não desejadas são experienciadas por mulheres com uma necessidade não satisfeita de métodos modernos de contraceção, e muitas gravidezes não desejadas acabam em aborto".

O estudo agora publicado baseia-se em dados recolhidos em sondagens representativas a nível nacional, estatísticas oficiais e outros estudos, assim como informação sobre os níveis das necessidades não satisfeitas de contraceção e sobre a prevalência do uso de contraceção e o método usado.

Os investigadores usaram um modelo estatístico para estimar níveis e tendências na incidência do aborto para todas as grandes regiões e sub-regiões do mundo entre 1990 e 2014.

Nesses 25 anos, a taxa de aborto no mundo caiu de 40 em cada mil mulheres em idade fértil (15-44 anos) em 1990-94 para 35 em cada mil mulheres em 2010-14, mas a evolução não foi idêntica em todas as regiões do mundo.

Segundo os autores, a taxa de aborto do mundo desenvolvido diminuiu de 46 em cada mil mulheres em idade fértil (15-44 anos) para 27 (menos 41%), sobretudo como resultado da Europa de Leste, onde a taxa caiu mais de metade (de 88 para 42) à medida que contracetivos modernos se tornaram acessíveis.

Já no mundo em desenvolvimento, a taxa de aborto manteve-se virtualmente inalterada, com um declínio de apenas dois pontos (39 para 37 em cada mil mulheres em idade fértil).

Em média, foram realizados 56 milhões de abortos por ano em todo o mundo entre 2010 e 2014.

A seguir à Europa de Leste, a maior queda nas taxas de aborto registaram-se na Europa do Sul (38 para 26), na Europa do Norte (22 para 18), e na América do Norte (25 para 17).

Em África, onde a grande maioria dos abortos é ilegal, a taxa manteve-se praticamente inalterada, passando de 33 abortos em cada mil mulheres em 1990–94 para 34 em 2014.

A proporção estimada de gravidezes que terminam em aborto tem-se mantido relativamente estável ao longo dos anos, com uma média mundial de um aborto em cada quatro gravidezes (25%) entre 2010 e 2014.

Nos países desenvolvidos, a proporção de gravidezes que terminam em abortos caiu de 39% em 1990-94 para 28% em 2010–14, enquanto nos países em desenvolvimento aumentou de 21% para 24% no mesmo período.

A região com a proporção mais elevada foi a América Latina, que tem leis altamente restritivas, onde uma em cada três gravidezes (32%) resultou em aborto em 2010-2014.

O estudo concluiu que as taxas de aborto são semelhantes em países com leis mais ou menos restritivas: Nos países onde o aborto é proibido ou permitido apenas para salvar a vida da mulher, a taxa é de 37 abortos por mil mulheres, enquanto nos Estados onde é permitido por lei a taxa é de 34.

Estudo
As grávidas são aconselhadas a tomar suplementos vitamínicos com ácido fólico para prevenir problemas congénitos nos bebés, mas...

As conclusões foram apresentadas numa conferência em Baltimore, no estado norte-americano de Maryland, e ainda não foram publicadas ou avaliadas pelos pares, por isso, os investigadores da Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health aconselharam prudência na interpretação dos resultados.

“Este pode ser um daqueles casos em que demasiada quantidade de uma coisa boa faz mal”, disse o principal autor do estudo, Ramkripa Raghavan, um investigador daquela escola.

“Dizemos às mulheres para não se esquecerem de tomar folato no início da gravidez. Aquilo que precisamos de perceber agora é se deverá haver recomendações adicionais relativas a qual será a dose ideal ao longo da gravidez”, acrescentou.

O folato é uma vitamina B que está naturalmente presente em frutos e vegetais. Uma versão sintética, o ácido fólico, é habitualmente usada como complemento em cereais e pão e é incluída em suplementos vitamínicos.

Quando as grávidas não ingerem folato suficiente, os seus bebés enfrentam um risco mais elevado de defeitos congénitos ao nível cerebral e da espinal medula.

Relatório
A despesa do Estado com medicamentos nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde cresceu 7,8% em 2015, em comparação com o ano...

De acordo com a monitorização do consumo de medicamentos em meio hospitalar, hoje publicada pela Autoridade do Medicamento (Infarmed), entre janeiro e dezembro do ano passado a despesa com medicamentos nas unidades do SNS foi de 1.034,3 milhões de euros.

Dentro do total da despesa, o ambulatório hospitalar (consulta, hospital de dia e cirurgia de ambulatório) correspondeu em 2015 a quase 80% da despesa global.

Continua a crescer também a despesa dos medicamentos para tratamento do cancro, com um aumento de 13% para 234 milhões de euros.

Numa análise ao peso por subgrupos terapêuticos, os medicamentos imunomoduladores (para o sistema imunológico), os citotóxicos (para o cancro) e os antivíricos são responsáveis por perto de 60% do total do valor dos fármacos em meio hospitalar.

Já nos medicamentos órfãos – destinados a tratamento e controlo de doenças raras –, a despesa aumentou mais de 10% em relação a 2014, tendo atingido no ano passado os 82,8 milhões de euros (oito por cento da despesa total).

Em termos de unidades consumidas, houve também um aumento, mas menor em termos percentuais do que na despesa. Em 2015 foram consumidas 239 milhões de unidades de medicamentos, mais 2,4% do que no ano anterior.

IPO de Lisboa
As inscrições para o rastreio gratuito anual ao cancro da pele, no IPO de Lisboa, no âmbito do dia do Euromelanoma, esgotaram...

Em todo o país, 44 serviços de dermatologia estão, durante o dia de hoje, a fazer rastreios gratuitos ao cancro da pele, sendo o Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa um deles, que abriu na semana passado 90 vagas, que foram preenchidas em menos de 24 horas.

Apesar disso, o telefone continuava a tocar incessantemente com pessoas a tentarem ainda marcar o seu rastreio.

Esta preocupação, no entanto, não se traduz no dia-a-dia em cuidados de proteção e prevenção, como revela a diretora do serviço de dermatologia do IPO, Manuela Pecegueiro, que não se surpreende com a procura, já que, durante o ano, a afluência é grande por parte de pessoas com suspeitas de cancro, muitas vezes em consequência da falta de cuidado com o sol.

“É como os espetáculos de música rock, são logo esgotados no primeiro dia, mas depois vêm todos muito preocupados com o escaldão e com os cuidados a ter com o sol, mas estou convencida de que muitos não cumprem, até porque alguns têm sinais de agressão solar, mesmo não tendo cancros da pele”, afirmou.

Por isso, sublinha que o principal objetivo do rastreio é transmitir a mensagem de que “o sol é um pau de dois bicos, faz bem à saúde, mas também pode fazer mal”, e é preciso prevenir o aparecimento de cancros de pele.

Segundo a médica, esta mensagem tem de ser continuamente repetida, porque, de uma maneira geral, os portugueses continuam a não ter cuidado.

“Ou os portugueses são surdos ou acham que só acontece ao vizinho do lado, e nunca lhes acontece a eles. Ainda há pouco um doente me dizia que vinha cá preocupado consigo próprio, mas que passava à hora de almoço na praia de Carcavelos e a praia estava cheia, incluindo crianças. Por isso penso que a mensagem tem de se continuar a transmitir para ultrapassar as barreiras”, afirmou.

Dois dos utentes que foram ao serviço do IPO são exemplo disso, pois, para ambos, esta foi a primeira vez que fizeram o rastreio e apenas porque apanharam sustos.

Paulo Camilo já teve um basiloma e, com o aparecimento de umas novas manchas, ficou preocupado e foi verificar se seriam sinais de risco.

“Surgiu um ponto no nariz, a ferida não cicatrizava e decidi ir ao médico. Foi assim que foi detetado [o basiloma]", explicou, acrescentando que as manchas que lhe surgiram agora na pele deixaram-no logo em alerta, mas “felizmente não são perigosas e vão desaparecer com o tempo”.

Quanto a cuidados de prevenção, admite que não os tinha, mas agora usa “creme protetor com fartura, especialmente no verão, mas no inverno também”.

Com Maria José Leitão foi ligeiramente diferente: o caso não se passou consigo, mas com o pai. No entanto foi suficiente para deixar toda a família em alerta.

“Era um sinal que o meu pai tinha, foi reencaminhado para o tirar cá, tirou-o e achámos que devíamos ver para prevenir. Eu vim hoje e os meus irmãos. Também vêm cá fazer um rastreio”, disse.

Maria José Leitão reconhece contudo que nem sempre teve cuidado com o sol, mas afirma já ter “há algum tempo”.

“Meto todos os dias protetor solar e tenho mais cuidado para não apanhar sol nas horas piores”.

O problema, como explica a médica Manuela Pecegueiro, é que “a pele tem memória e não se vai esquecer nunca do escaldão". "Mais tarde ou mais cedo, vai reclamar”.

Estudo
Uma equipa de investigação do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) concluiu que as mulheres portuguesas...

"A prevalência de excesso de peso passou de 37% para 55%, o que reflete a falta de eficiência das recomendações para a sua manutenção durante e imediatamente após a gravidez", indicou à Lusa Ana Henriques, uma das investigadoras envolvidas no projeto.

De acordo com o estudo, a satisfação com a imagem corporal da mulher tem um impacto significativo na evolução do seu peso, nomeadamente em mulheres com um Índice de Massa Corporal (IMC) normal antes de engravidar.

Mais concretamente, as mulheres mais satisfeitas com a sua imagem são aquelas que melhor controlam o seu próprio peso nesses primeiros anos.

Por outro lado, "as mulheres com IMC normal antes da gravidez, que se sentem acima da sua silhueta ideal, têm mais do dobro do risco de virem a ter excesso de peso quatro anos depois do parto e mais do triplo do risco de virem a ser obesas do que as mulheres que se sentem satisfeitas com a sua silhueta", explicou Ana Henriques.

Para a investigadora, os resultados mostram a importância das questões psicológicas associadas à regulação do peso, como as crenças, as expetativas e a perceção relacionadas com a imagem corporal, que podem ser trabalhadas e ter um papel relevante na prevenção da obesidade.

Este estudo foi desenvolvido no âmbito do projeto Geração 21 (G21), cujo objetivo principal é caraterizar o desenvolvimento pré-natal e pós-natal, identificando os seus determinantes, no sentido de melhor perceber o estado de saúde na infância e, mais tarde, na adolescência e na idade adulta.

Outro dos aspetos estudados pela equipa está relacionado com a trajetória social da mulher, desde a infância até à vida adulta, e qual o seu efeito na satisfação com a imagem corporal destas mães.

Segundo Ana Henriques, os resultados foram distintos tendo em conta se a criança G21 é o primeiro filho ou não.

Em mulheres com mais do que um filho (multíparas) verificou-se a influência deste fator, sendo que as mulheres com uma trajetória social descendente (posição social mais elevada na infância do que a que na vida adulta) têm maior probabilidade de se sentirem insatisfeitas com o corpo.

Curiosamente, nas mulheres que foram mães pela primeira vez (primíparas), não foi encontrado qualquer efeito.

Neste grupo particular, a insatisfação com a imagem corporal pode estar atenuada devido ao "encantamento associado à maternidade e ao facto de existirem boas expetativas associadas a retomar o tamanho e forma corporais que tinham antes da gravidez".

A primeira fase do projeto G21 decorreu entre abril de 2005 e agosto de 2006, período no qual foram recrutados 8647 recém-nascidos, em cinco hospitais públicos com maternidade, da área metropolitana do Porto.

Quando as crianças tinham quatro a sete anos de idade foram reavaliadas, estando neste momento a decorrer a avaliação dos dez anos, nas instalações da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP).

Em todas as etapas são avaliadas as crianças e as respetivas mães, através de questionários e uma avaliação física que engloba antropometria, medição da pressão arterial e, em alguns casos, uma colheita de sangue.

No G21, coordenado por Henrique Barros, estão envolvidos diversos profissionais de saúde, desde médicos a enfermeiros, nutricionistas, psicólogos e dentistas.

Este projeto é financiado pelo Programa Operacional de Saúde - Saúde XXI, pela Administração Regional de Saúde do Norte - IP, pela Fundação para Ciência e Tecnologia (FCT) e pela Fundação Calouste Gulbenkian.

Centro de Neurociências e Biologia Celular
Investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) descobriram que a progressão da doença Machado-Joseph pode...

A substância química resveratrol “está pronta a ser testada em ensaios clínicos”, adianta a Universidade de Coimbra (UC) numa nota enviada hoje à agência Lusa.

Os resultados da investigação, publicados na revista científica Nature Communications, sugerem que “os efeitos positivos verificados em ratinhos, que mimetizam a doença Machado-Joseph, não se revelam apenas ao nível dos sintomas”.

Também se observa “um bloqueio efetivo do desenvolvimento da doença”, sublinha a UC.

“O estudo sugere que uma ligeira redução de calorias” ou a administração de resveratrol “contribuem para a melhoria da coordenação motora, marcha, equilíbrio, neuropatologia e ativam o processo de reciclagem dos elementos envelhecidos e danificados das células (autofagia)”, explicita Cláudia Cavadas, coordenadora de uma das duas equipas do CNC da UC, envolvidas na investigação.

A ligeira redução de calorias tem de ser “extremamente controlada, sem incorrer no risco de malnutrição e com a presença de todos os nutrientes essenciais ao organismo”, salienta a investigadora.

Luís Pereira de Almeida, coordenador da equipa parceira na investigação, salienta que “os efeitos benéficos obtidos são explicados através de um “regulador de informação” presente nas células, chamado ‘sirtuina 1’, uma enzima cujos níveis aumentam no cérebro através da redução calórica ou administração de resveratrol”.

“Estamos neste momento a desenvolver todos os esforços para testar os resultados do resveratrol em contexto de ensaios clínicos, algo que depende somente de financiamento”, acrescenta Luís Pereira de Almeida, citado pela UC.

Com “grande prevalência nos Açores”, a doença Machado-Joseph é “incurável, fatal e hereditária” e é caracterizada pela “descoordenação motora, atrofia muscular, rigidez dos membros, dificuldades na deglutição, fala e visão, associadas a um progressivo dano de zonas cerebrais específicas”.

A investigação foi financiada por fundos europeus, através do Compete (Programa Operacional Fatores de Competitividade), via Fundação para a Ciência e a Tecnologia, pelos programas europeus E-Rare (cooperação transnacional entre organizações de financiamento de investigação em doenças raras) e JPND (fundo europeu de projetos de investigação sobre a doença neurodegenerativa), pela AFM (associação internacional de doentes neuromusculares) e pelo fundo privado Richard Chin and Lily Lock Machado-Joseph Research Fund.

No Hospital do Espírito Santo de Évora
Nova abordagem subcutânea é menos invasiva do que o convencional cardiodesfibrilhador transvenoso e reduz risco de complicações.

O primeiro Cardiodesfibrilhador Subcutâneo (CDI-S) do Alentejo para prevenção da Morte Súbita foi implantado no passado dia 5 de maio no Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE), num homem de 37 anos.

“O CDI Subcutâneo Emblem SICD é uma grande mais-valia para o doente, já que o implante não interfere com o tecido vascular e responde à necessidade do doente de forma menos invasiva. É menos traumático”, afirma o Dr. Pedro Dionísio, coordenador da Unidade de Pacing e Arritmologia do Serviço de Cardiologia do HESE, que realizou a cirurgia.

“Para o doente, sentir que o dispositivo está fora do coração e que cumpre na totalidade o que precisa, no caso desfibrilhar, é uma satisfação enorme”, conclui o Dr. Pedro Dionísio.

Sendo um implante subcutâneo, menos invasivo, diminui o risco de complicações para o doente – como risco de endocardites, reposicionamento ou extração do elétrodo, ou lesões vasculares – e liberta tecido que pode ser necessário no futuro.

Após o implante de um CDI Subcutâneo, o doente não tem limitações de movimento dos braços, o que não se verifica com um CDI Transvenoso. Além disso, o novo sistema de CDI Subcutâneo, Emblem SICD, é compatível com ressonância magnética, 1.5Tesla, corpo inteiro.

O doente intervencionado com CDI Subcutâneo em Évora sofre de síndrome de Brugada – uma arritmia hereditária que pode conduzir à Morte Súbita – e havia sido submetido a duas cirurgias anteriores relacionadas com um CDI Transvenoso de que era portador desde os 27 anos.

“Graças ao novo sistema totalmente subcutâneo (sem elétrodos intravasculares ou intracardíacos) eliminam-se as principais disfunções relativas aos eletrocatéteres e podem abandonar-se definitivamente os antigos”, explica o Dr. Pedro Dionísio.

A Implantação realizada em Évora contou também a colaboração do Dr. Diogo Cavaco (dos Hospitais de Santa Cruz e da Luz, em Lisboa) e do Serviço de Anestesia do HESE (Dr. Juan Moralejo).

APDP assinala 90.º aniversário no próximo dia 13 de maio
No dia em que celebra o seu 90.º aniversário, a mais antiga associação de pessoas com diabetes recebe o Presidente da República.

A 13 de maio, Marcelo Rebelo de Sousa vai visitar as instalações da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP), incluindo o Museu, e tomar contacto com a realidade da diabetes, com os doentes e com a equipa médica multidisciplinar que trabalha diariamente nas diversas especialidades da APDP, uma das maiores Clínicas de Diabetes da Europa.

“O combate tem de persistir: estima-se que 43% das pessoas com Diabetes ainda não tenham sido diagnosticadas, ultrapassando já o milhão os portugueses que vivem com esta doença, umas das principais causas de morbilidade crónica, de perda de qualidade de vida e de mortalidade”, alerta Luis Gardete Correia, presidente da APDP.

O número de utentes observados na Associação tem vindo a aumentar, situando-se agora nos 19 mil por ano. Com mais de 145 mil inscritos, a APDP acompanha hoje mais do dobro das pessoas que acompanhava no ano de 2000, sendo que 70% das pessoas com Diabetes tipo 2 acompanhadas são tratadas com insulina. A associação realizou em 2015 um total de 53.880 consultas e exames.

A Clínica Diabetológica presta cuidados integrados e diferenciados em áreas que cobrem, além da diabetologia, a nutrição, a pediatria, a oftalmologia, a cardiologia, a podologia, a nefrologia, a urologia, a saúde reprodutiva, a psicologia/psiquiatria, cirurgia oftalmológica e a hemodiálise.

A APDP é, desde 2009, o único centro nacional reconhecido pela Federação Internacional de Diabetes como Centro de Educação da Federação Internacional da Diabetes (IDF) e, desde 2011, a nível europeu, é também reconhecida como clínica de referência no tratamento de crianças e jovens (Centre of Reference for Pediatric Diabetes).

Programa das comemorações do 90.º aniversário da APDP - Rua Rodrigo da Fonseca, n.º 1, Lisboa

17h00 | Sessão comemorativa: entrega do Prémio Ernesto Roma e das medalhas às pessoas com mais de 50 anos de diabetes

19h00 | Visita do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa

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