Estudo
E se beber água com uma bactéria típica da flora intestinal fosse capaz de curar os principais sintomas do autismo? À primeira...

Uma descrição detalhada das experiências, coordenados pelo pesquisador uruguaio Mauro Costa-Mattioli, do Baylor College of Medicine (EUA), acaba de sair na Cell, uma das mais importantes revistas científicas do mundo, escreve o Diário Digital.

“Temos de ter muito cuidado, ainda há muitos estudos pela frente. A mensagem definitivamente não é que os pais de crianças com autismo deveriam sair por aí a encher os seus filhos de probióticos na esperança de que eles fiquem curados. Mesmo assim, estou extremamente empolgado com as perspetivas”, disse Costa-Mattioli.

Estudos como o do uruguaio, revelando correlações entre os micro-organismos que habitam o nosso corpo e os aspetos mais insuspeitos da saúde humana, ganharam massa crítica nos últimos anos, conta a zoóloga britânica Alanna Collen no seu livro “10% Humano”.

Para ela, manipular a microbiota – ou seja, a coleção de milhares de espécies microbianas que fizeram do organismo humano o seu lar – poderia ter impactos positivos na epidemia global de obesidade, em doenças autoimunes tão diferentes quanto a esclerose múltipla e a diabetes e numa lista de problemas mentais que, além do autismo, inclui a depressão e o transtorno bipolar.

Aqui, é crucial frisar o verbo "poderia" porque, como enfatiza Costa-Mattioli, trata-se de uma área de pesquisa extremamente nova, com conhecimento novo a ser gerado o tempo todo num ritmo muito rápido (e, às vezes, contraditório).

O ponto de partida está resumido no título do livro de Collen: só 10% das células no corpo de uma pessoa são realmente dela. Os outros 90% pertencem a bactérias e outros microrganismos que exploram diferentes partes do corpo (como a pele gordurosa do nariz ou as regiões quentes e húmidas das virilhas).

Nesse processo evolutivo de longo prazo, os micróbios não só aprenderam a aproveitar-se das condições do organismo humano para se reproduzir como também aprenderam, em muitos casos, a oferecer diferentes vantagens aos seus hospedeiros – é, afinal, um jogo de "ganha-ganha", no qual a saúde da pessoa permite que a comunidade microbiana fique mais próspera, e vice-versa.

É por isso que uma flora intestinal vigorosa e diversificada é benéfica, como os médicos já sabem há bastante tempo. Os micróbios do intestino ajudam os seres humanos (e muitos outros animais) a digerir alimentos difíceis, produzem nutrientes que o nosso organismo não é capaz de fabricar e competem com outros seres unicelulares que, se estivessem sozinhos, causariam doenças.

Há indícios de que o tipo de microbiota pode influenciar diretamente a propensão a engordar. Alguns testes em animais de laboratório e pessoas sugerem que essa abordagem seria um caminho para enfrentar muitos casos de excesso de peso, que não teriam relação direta com o quanto a pessoa come e se exercita, mas sim com a variedade de espécies de bactéria no seu organismo.

Vitamina D
A vitamina D, também conhecida como a vitamina do sol, é uma vitamina lipossolúvel (que se dissolve

Ao contrário das outras vitaminas, a vitamina D pode ser produzida pela pele, através da exposição aos raios ultravioletas. A vitamina D pode ser encontrada, essencialmente, de duas formas moleculares distintas e com origens diferentes: a vitamina D2 – ergocalciferol - de origem vegetal e a vitamina D3 – colecalciferol - de origem animal.

Outra particularidade da Vitamina D deve-se ao seu complexo metabolismo, mais precisamente ao facto das vitaminas D2 e D3 serem biologicamente inativas.

Ou seja, para o organismo poder utilizar a vitamina D primeiro as vitaminas D2 e D3 têm que ser ativadas, ou seja, têm que ser transformadas.

A primeira transformação ocorre no fígado, onde se forma a 25-hidroxivitamina D, e depois no rim, onde se obtém a 1.25-dihidroxivitamina D.

Vitamina D e Saúde

Uma das principais funções da vitamina D, e talvez a mais conhecida, é ser responsável por regular o metabolismo ósseo. Esta vitamina é essencial para o desenvolvimento saudável e para a manutenção dos ossos e dentes. Por um lado, promove e otimiza a absorção do cálcio, por outro lado, evita a eliminação renal do cálcio.

Mas o papel da vitamina D na nossa saúde não fica por aqui. As diversas funções que desempenha em distintos tecidos e órgãos fazem da vitamina D essencial para a saúde do nosso organismo.

Desempenha um papel importante ao nível muscular, ao nível do sistema imunológico e ao nível do sistema nervoso, uma vez que previne o declínio cognitivo.

 Relativamente ao sistema cardiovascular, a vitamina D desempenha um papel protetor, uma vez que parece reduzir o risco de enfarte, de doença coronária e de insuficiência cardíaca.

Ainda, a Vitamina D revela um efeito preventivo da obesidade e da diabetes mellitus, pois tem a capacidade de melhorar a sensibilidade à insulina.

Durante a gravidez, a Vitamina D diminui o risco de eclampsia.

Fontes de Vitamina D

A principal fonte de vitamina D é o sol! Para o organismo, mais precisamente a pele,  conseguir produzir uma dose adequada (cerca de 80%) de vitamina D é necessária a exposição solar, sem protetor solar, durante cerca de 15 minutos, pelo menos 3 vezes por semana.

Contudo, para além da exposição solar, é essencial um correto aporte desta vitamina através da alimentação, nomeadamente através da ingestão adequada de alimentos naturalmente ricos em Vitamina D.

Alimentos naturalmente ricos em Vitamina D

  • Leite e derivados (iogurte e queijo)
  • Creme vegetal para barrar
  • Gema de ovo
  • Peixe, nomeadamente os peixes gordos, como a cavala, salmão, atum, sardinha
  • Ostras
  • Óleo de fígado de bacalhau

NOTA: Alguns medicamentos e as bebidas alcoólicas podem reduzir a absorção da vitamina D e, consequentemente, a sua disponibilidade no organismo.

Carência de Vitamina D

Parece que a prevalência de falta de Vitamina D está a aumentar. Este facto pode ser explicado, pelo aumento dos cuidados aquando da exposição solar (menos exposição ao sol e uso de protetores solares), pela diminuição da ingestão de alimentos ricos em vitamina D, como por exemplo a diminuição do consumo de peixe e a utilização de medicamentos que diminuem a disponibilidade da vitamina D.

A deficiência em vitamina D pode originar fraqueza muscular, raquitismo (nas crianças), osteomalácia ou osteoporose.

O risco de carência de Vitamina D é maior nos indivíduos pouco expostos ao sol e que passam poucas horas ao ar livre, nas crianças, nos idosos, durante a gravidez (uma vez que as necessidades de vitamina D estão aumentadas) e durante a menopausa (fase em que um correto aporte de vitamina D e cálcio é vital, uma vez que a descalcificação óssea aumenta, como consequência da diminuição da produção de estrogénio).

Saiba mais em: https://amesacomcatarinaoliveira.wordpress.com/

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Liga Portuguesa Contra o Cancro
A Liga Portuguesa Contra o Cancro lançou a campanha “Há quanto tempo não vê as suas costas”, que visa alertar para a...

Em declarações, o presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), Vítor Veloso, explicou que esta campanha “visa dar continuidade às campanhas anteriores” sobre o cancro da pele, mas desta vez com enfoque na necessidade de se observar as costas, já que uma percentagem significativa destes tumores começa por manifestar-se nesta zona do corpo.

“As costas são uma região que pouca gente vê, esporadicamente pode ver pelo espelho, mas não vê com nitidez” e, por isso, "queremos que os portugueses comecem a estar mais atentos aos sinais nesta zona do corpo", disse o oncologista.

 Além desta região do corpo, os portugueses também devem observar outras zonas em que aparecem muitos sinais, como o couro cabeludo, pescoço, orelhas, nádegas e plantas dos pés.

O presidente da liga adiantou que esta campanha também é para relembrar que a exposição solar, sem as devidas precauções, aumenta comprovadamente o risco de desenvolver este tipo de cancro.

Segundo o oncologista, “é necessário explicar que, além da proteção solar, [os portugueses] devem também ficar atentos aos novos sinais que aparecem na pele e que podem ser indício de cancro de pele”, salientou.

“O cancro da pele é o cancro mais comum do mundo, o que aparece em maior número, felizmente na grande maioria é curável, desde que seja tratado convenientemente, mas aqui interessa-nos sobretudo um deles, que sob o ponto de vista oncológico merece muito respeito, que é o melanoma”, frisou Vítor Veloso.

A fadista Cuca Roseta, as atrizes Liliana Santos e Sara Matos, Sónia Morais Santos e os irmãos Sérgio e Nélson Rosado são os nomes que dão “as costas” por esta campanha e se associaram à LPCC num vídeo que apela à importância de estar atento aos sinais que aparecem nas costas.

Neste vídeo, que será partilhado nas redes sociais, os embaixadores convidam os portugueses a tirar uma fotografia às suas costas, a partilhá-la na sua página de Facebook, Instagram e/ou Twitter e a convidarem os seus amigos a juntarem-se ao movimento “Eu vigio as minhas costas”.

O cancro de pele é geralmente causado pela exposição excessiva aos raios ultravioleta e "é mais comum em pessoas com mais de 50 anos, mas pode afetar qualquer pessoa”, alerta a Liga.

“Embora seja também um dos tipos de cancro mais tratáveis e com maior taxa de recuperação, o conhecimento público sobre os sintomas do cancro de pele é reduzido, o que torna a deteção precoce vital”, acrescenta.

A incidência dos vários tipos de cancros da pele tem vindo a aumentar em todo o mundo, estimando-se que em Portugal, em 2016, serão diagnosticados mais de 12.000 novos casos e cerca de 1.000 serão novos casos de melanoma.

Em Lisboa
A primeira campanha nacional de sensibilização para a escoliose pediátrica, que é hoje lançada em Lisboa, pretende alertar e...

Segundo os responsáveis pela campanha, a escoliose é uma doença que se carateriza por um desvio tridimensional da coluna que surge quando ocorre um desalinhamento das vértebras.

Patrocinada cientificamente pela Sociedade de Ortopedia e Traumatologia e pela Sociedade Portuguesa de Pediatria, a campanha tem ainda o objetivo de ajudar as crianças e jovens a “compreender e ultrapassar o impacto que a deformidade possa ter na sua qualidade de vida e autoestima”.

Na página do Facebook da campanha explica-se que a grande maioria das escolioses (80-90%) não tem uma causa conhecida e surge em crianças e adolescentes sem outras doenças.

Além disso, é ainda esclarecido que a “escoliose estruturada não está ligada a más posturas ou diferenças no comprimento dos membros, nem tem nada a ver com traumatismos ou sobrecarga (como o transporte de mochilas pesadas)”.

Os responsáveis pela campanha sublinham que “há curvaturas naturais”, enquanto outras não o são e dão uma ajuda para identificar uma curvatura na coluna: “se a criança estiver muito direita e se um dos seus ombros ou um dos lados da anca estiver mais alto que o outro deve ter uma curvatura na coluna”.

A campanha será hoje apresentada no Jardim Zoológico de Lisboa e terá como “embaixadora” uma girafa chamada Josephine.

No Algarve
O recurso à telemedicina para a dermatologia no Algarve permitiu a redução em 20 dias do tempo de espera para uma consulta...

A informação foi avançada pelo presidente do conselho de administração dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), Henrique Martins, a propósito da Semana de eHealth, que começa hoje em Lisboa e decorre até sexta-feira.

O encontro, que reunirá especialistas nacionais e internacionais visa promover, à escala mundial, o debate e a partilha de conhecimentos sobre o recurso às novas tecnologias para a saúde.

Um dos temas em debate será a telemedicina, uma aposta deste governo e que, de acordo com Henrique Martins, já proporcionou a redução de 190 para 170 no número de dias de espera para uma consulta de dermatologia no Algarve.

Nesta zona do país, mais de metade dos doentes de dermatologia são referenciados pelos médicos de família, primeiro para teledermatologia (rastreio dermatológico) e depois, caso o dermatologista entenda, para uma consulta presencial, disse.

Nas situações sem necessidade de consulta, o caso é despistado e o médico de família informado da indicação do dermatologista.

“Esta tecnologia é algo que está a começar a resolver a lista de espera para as consultas de dermatologia convencionais”, disse.

Antes deste recurso, a lista de espera era ainda maior, uma vez que nesta região apenas existia um dermatologista.

“Só havia um dermatologista e continua a haver só um, mas agora, com esta possibilidade, ele consegue ver primeiro as fotografias, faz um primeiro rastreio, e depois já só gasta tempo de consulta com o doente frente a ele, com certos doentes", disse.

O mesmo aconteceu em Bragança. Nas regiões onde há mais dificuldade de acesso, “a telemedicina pode ser e já está a ser útil”.

Segundo Henrique Martins, existem em Portugal outras áreas em que a telemedicina funciona bem, como teleimagiologia e a telepatologia.

Há ainda outras experiências em curso, como o uso da telemedicina na Via Verde do AVC (acidente vascular cerebral), em fase de experimentação na zona Centro, ou o recurso a este instrumento na saúde dos reclusos porque poupa muito na deslocação e permite melhores cuidados de saúde dos reclusos.

Administração Regional de Saúde
O Algarve tem falta de 164 médicos nos hospitais e centros de saúde, situação que a Administração Regional de Saúde quer...

Segundo dados da Administração Regional de Saúde (ARS)/Algarve, atualmente, os hospitais de Portimão e Faro têm falta de aproximadamente 100 médicos, enquanto nos cuidados de saúde primários podem ser acolhidos 64.

“Dentro de seis anos, provavelmente, a região terá o número de médicos necessários e suficientes”, explicou Moura Reis, acrescentando que só não se atreve a dar um prazo menor porque os fluxos de médicos formados nas especialidades não são estáveis de ano para ano.

Os responsáveis pelo serviço público de saúde no Algarve estão a promover uma estratégia para conseguir os médicos das diferentes especialidades necessários, recorrendo, para isso, a diferentes tipos de contratação.

A admissão mais comum surge após a especialização médica, mas o Algarve também recorre a médicos que queiram ir para a região através do regime de mobilidade, a contratos individuais de trabalho, a empresas de prestação de serviços, à mobilidade parcial e ao regresso de médicos reformados.

“Apostamos nelas todas”, afirmou Moura Reis, dando como exemplo os concursos já em curso para as especialidades de Ortopedia, Anestesia, Pediatria, Obstetrícia e Ginecologia e, em breve, o concurso para Medicina Interna.

No caso da Medicina Geral e Familiar, o concurso de 2016 tem 30 vagas e para o ano está prevista a abertura de mais 34, o que perfaz as 64 vagas identificadas pela ARS/Algarve.

“Há sempre necessidade. Quando digo 30 este ano e 34 para o ano que vem é para poder dar médico de família a todos os algarvios, mas fica no limite”, sublinhou o presidente daquele organismo.

Segundo o responsável, os médicos que forem trabalhar para a região “são médicos para a vida", ou seja, são médicos que vão "para ficar”.

No caso das especialidades hospitalares, a região depara-se com uma falta de médicos em diversas áreas, mas as mais dramáticas são Ortopedia, Anestesia, Oncologia, Pediatria, Neurocirurgia, Ginecologia e Obstetrícia.

Um acordo com um hospital do nordeste transmontano vai possibilitar o envio rotativo de equipas formadas por dois ortopedistas e um anestesista, garantindo o atendimento a monotraumas na região, com consultas nos hospitais de Faro e Portimão e cirurgia ortopédica apenas em Faro.

O perigo de mal-estar entre médicos que já estão a trabalhar na região e os que aceitem ir, com melhores condições, devido à criação de medidas de discriminação positiva para atrair clínicos, não é motivo de preocupação para Moura Reis.

“Os que chegam podem estar em situações discriminatórias positivas melhores do que os que cá estão, mas é por um período de tempo. Não é permanente”, observou.

Moura Reis espera também que o total preenchimento de vagas noutros pontos do país ajude os médicos a escolher o sul para trabalhar, à semelhança do que já ocorre com os enfermeiros e técnicos de saúde.

“No concurso de 30 médicos de Medicina Geral e Familiar, temos 10 [algarvios] a concorrer, 20 terão de vir de outros lados”, referiu.

Em Lisboa
Revestido de amarelo, o Quiosque da Saúde não passa despercebido na freguesia lisboeta de Alcântara, onde é procurado...

“Pelo menos a gente chega aqui e é bem recebida. […] Nas urgências estamos ali horas e horas e nunca mais somos atendidos”, comenta Olívia Semedo, uma das utentes do Quiosque, considerando que o projeto “é muito bom”.

Numa manhã de sexta-feira na cidade de Lisboa, com o trânsito rodoviário e a passagem do comboio na ponte 25 de Abril como música de fundo, o dia de trabalho no Quiosque da Saúde arranca calmamente às 09:00, preparando-se o material de enfermagem para prestar os cuidados de saúde primários a todos quantos precisarem.

“Normalmente, são pessoas que moram na zona e que não têm tanta facilidade de acesso aos centros de saúde. Há muitas delas que não têm médico de família, o tempo de espera para uma consulta é mais elevado, então veem o Quiosque como um acesso facilitado”, diz a enfermeira de serviço Carla Amaral.

Os principais serviços prestados são a avaliação de tensão arterial, colesterol e glicemia, bem como a conversa terapêutica.

Inaugurado no final de janeiro deste ano, o Quiosque da Saúde de Alcântara, que funciona três dias por semana - segunda, quarta e sexta-feira -, realizou 350 consultas até 10 de junho, o que corresponde a uma média de seis consultas por dia.

Apesar de o número de utentes não ser ainda muito representativo, o balanço em termos de funcionamento do equipamento “é bastante positivo”, considera a coordenadora do projeto Joana Feliciano, sublinhando que o Quiosque não pretende sobrepor-se ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), mas potenciar o acesso aos cuidados de saúde com uma resposta simples, fácil e próxima.

Natural de Estremoz (Évora), Olívia Semedo, de 54 anos, mudou-se para Lisboa há cerca de um ano para cuidar de uma idosa de 84 anos, na freguesia de Alcântara.

Como ainda não tem médico de família atribuído na capital, a alentejana opta por ir ao Quiosque e aproveita e leva também a senhora de quem cuida.

“Este Quiosque é útil para a população”, diz, defendendo que poderia oferecer mais serviços, como exames ao coração.

De passagem para o Mercado Rosa Agulhas, Maria Simão, de 73 anos, preparava-se para ir às compras quando viu o Quiosque da Saúde e decidiu espreitar.

Curiosa, perguntou à enfermeira se podia medir a tensão arterial e a glicemia. Logo depois, está de mangas arregaçadas, a ser atendida.

Para Maria Simão, “é excelente este apoio às pessoas” e os preços também são acessíveis. Satisfeita com o atendimento prestado, refere que o projeto deveria ser alargado a outras zonas da cidade, porque “muitas vezes as pessoas têm muita dificuldade em ir ao centro de saúde”.

Alberto Tomas, de 58 anos, não poupa nos elogios ao atendimento: “A enfermeira é muito simpática, é muito atenciosa, dá sempre uma palavrinha amiga”.

Com uma frequência bimensal, Alberto pede uma avaliação da tensão, colesterol e glicemia no Quiosque. Vai continuar a ir ao médico de família para fazer outras análises, apesar de considerar que lá “é infernal o tempo de espera”.

“Fiquei toda contente quando cá vi isto”, comenta Belmira Gonçalves, de 72 anos, que faz rastreios de 15 em 15 dias, acompanhada do marido.

Como é diabética, Belmira tem uma máquina em casa para medir a glicemia capilar, mas quando dúvida do aparelho vem confirmar ao Quiosque.

“Tudo quanto seja para bem do povo acho que é muito bem”, advogou.

Idealizado pela Associação Conversa Amiga (ACA), o projeto Quiosque da Saúde começou na zona de Olaias, em Lisboa, com a instalação de um equipamento em novembro de 2014, crescendo com a criação de um Quiosque na freguesia de Pegões, no concelho do Montijo (Setúbal), e depois outro em Alcântara.

Cuidados de saúde primários
O projeto Quiosque da Saúde, que visa facilitar o acesso da população aos cuidados de saúde primários, vai ter novos...

O presidente da Associação Conversa Amiga (ACA), Duarte Paiva, disse que a expansão da rede de Quiosques da Saúde vai começar em setembro deste ano, com a instalação de um equipamento na freguesia lisboeta de São Domingos de Benfica.

Ainda na capital, as juntas de freguesia de Alvalade e da Misericórdia “mostraram interesse” em acolher o projeto, da responsabilidade da associação, informou Duarte Paiva, explicando que as propostas estão ainda em análise.

Junto da ACA, a junta da Misericórdia apontou a necessidade da colocação de dois Quiosques na freguesia, enquanto Alvalade pretende apenas uma banca.

Segundo o responsável pelo projeto, está em estudo uma possível localização de um equipamento no Porto, uma vez que existe interesse de algumas organizações locais.

O projeto Quiosque da Saúde começou na zona de Olaias, em Lisboa, com a instalação de um equipamento em novembro de 2014, e crescendo com a criação de uma banca na freguesia de Pegões, no concelho do Montijo (Setúbal), em novembro de 2015, e com a colocação de um equipamento na freguesia lisboeta de Alcântara, no final de janeiro deste ano.

Os três equipamentos já proporcionaram um total de 2.106 consultas, segundo os dados até 16 de junho deste ano.

Em Olaias foram prestadas 1.603 consultas ao longo de um ano e meio, em Pegões foram 143 os atendimentos em cerca de meio ano e no recente Quiosque de Alcântara realizaram-se 360 nos cinco meses de funcionamento.

Os utentes são maioritariamente pessoas idosas, uma vez que a idade média ronda os 62 anos, com uma maior presença do sexo feminino (66%).

Os principais motivos da visita são a facilidade de acesso aos cuidados de saúde primários e a falta de médico de família.

Os tratamentos de enfermagem, a avaliação de tensão arterial, colesterol e glicemia, bem como a conversa terapêutica, destacam-se na tipologia das consultas prestadas.

Dos três espaços em funcionamento, prevê-se uma alteração na localização do Quiosque da Saúde de Olaias, na freguesia lisboeta do Areeiro, que “é o único equipamento, quer dos que existem, quer dos que estão a ser projetados, que não conta com nenhum tipo de parceria, nem apoio da junta”, explicou o representante da ACA, referindo que “é completamente insustentável” a associação continuar a suportar sozinha todos os custos.

A associação tentou negociar com a autarquia do Areeiro, mas esta recusou apoiar o projeto.

A vogal com o pelouro de Ação Social da Junta de Freguesia do Areeiro, Patrícia Leitão, esclareceu que a autarquia já tem “dois postos médicos com muitas mais valências do que teria o Quiosque da Saúde”, pelo que “não se justifica duplicar um encargo para um serviço que já é prestado gratuitamente” às pessoas mais carenciadas.

De acordo com o presidente da ACA, pretende-se agora que o equipamento das Olaias seja transferido para a freguesia de Arroios, de forma a “manter a proximidade” com os utentes.

O custo da aplicação de um equipamento é de “cerca de 10 mil euros”, ficando as juntas de freguesia responsáveis por 40%.

Os restantes 60% são suportados pela ACA, através das parcerias estabelecidas, nomeadamente com a Fundação PT e a Tecnifar, e com a contribuição dos utentes.

Academia das Ciências de Lisboa
Um cientista do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) recebeu o Prémio Montepio, de 10...

O objetivo do projeto era "perceber de que maneira determinadas proteínas, que formam uma estrutura denominada microtúbulos (parte integrante do esqueleto da célula), regulam a divisão celular", disse o investigador distinguido com o Prémio Montepio, Jorge Ferreira.

Para além disso, pretendia-se verificar quais as alterações e consequências para a célula quando essas proteínas estruturais eram alteradas.

Verificou-se, ao longo do estudo, que com a manipulação dessas proteínas, fundamentais para o processo de divisão celular, ocorriam alguns erros relevantes "para o normal desenvolvimento da célula", referiu o investigador.

Em última análise, foi possível identificar qual o mecanismo regulador do processo de divisão celular, permitindo "definir um conjunto de fatores essenciais para que o trânsito das células, através desse processo, ocorra normalmente".

O cancro "é um dos problemas que está, muitas vezes, associado a defeitos na divisão celular", indicou o investigador, acrescentando que outro dos propósitos do estudo foi tentar estabelecer a relação entre esses erros e a patologia.

"Quando uma célula se divide, o expectável é que as células-filhas sejam iguais à célula-mãe mas, nos casos de formações anómalas, ao invés de seguirem o processo normal, formava-se uma única célula com o dobro do material genético", explicou.

Neste momento e durante os próximos três anos, o investigador vai dar continuidade ao trabalho, com um financiado cedido pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).

O professor da Faculdade de Medicina foi premiado pela tese de doutoramento "Regulação espacial e temporal da função dos microtúbulos pelas proteínas "End Binding"", finalizada em fevereiro de 2013.

Para o investigador, que se sente "grato pela distinção", "todas as iniciativas que permitam dar mais visibilidade à ciência que é feita em Portugal são extremamente importantes".

"Acima de tudo, uma distinção como esta leva-nos a transmitir ao público em geral aquilo que fazemos de uma maneira mais inteligível e, ao mesmo tempo, mostra que o que fazemos tem impacto, que todo o trabalho e esforço valeram a pena, sendo também um incentivo para continuar a trabalhar em ciência".

Esta é a primeira edição do Prémio Montepio, que distingue a excelência na investigação científica desenvolvida em dissertações de doutoramento em universidades portuguesas, financiada pelo mecenato do Montepio Associação Mutualista, lê-se num comunicado do i3S.

Para o concurso, eram elegíveis as teses desenvolvidas nos anos letivos 2012/2013 e 2013/2014, na área das Ciências Exatas e Naturais.

O prémio, que foi atribuído com igual mérito à investigadora Paula Gonçalves, da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, vai ser entregue no dia 07 de julho, no salão nobre da Academia das Ciências de Lisboa.

Observatório europeu
Todas as semanas as autoridades europeias detetam duas novas substâncias psicoativas e, embora o consumo permaneça baixo, há...

Publicado pelo Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (OEDT) para assinalar o Dia Internacional Contra o Abuso e o Tráfico de Droga, que se assinala neste domingo, o relatório, o primeiro sobre respostas de saúde pública às novas drogas, manifesta preocupação com a "rápida emergência" das novas substâncias psicoativas (NSP).

"O mercado de NSP é complexo e o rápido aparecimento de novos produtos significa que urge desenvolver intervenções de suporte no domínio da saúde. As primeiras respostas às novas drogas na Europa foram essencialmente reguladoras e centradas em instrumentos legislativos de combate à oferta. Mas, à medida que o fenómeno evolui, é crucial formular e aplicar respostas eficazes em termos de saúde pública no que toca ao consumo destas substâncias", disse o diretor do OEDT, Alexis Goosdeel, citado num comunicado.

Segundo o relatório, só em 2015 foram detetadas pela primeira vez 98 novas substâncias através do sistema de alerta rápido da UE, aumentando para 560 o número total de novas drogas monitorizadas pelo organismo.

Destas 560 novas drogas, 70% foram detetadas nos últimos cinco anos.

Embora muitas destas drogas acabem por desaparecer rapidamente do mercado, algumas são hoje relevantes nos mercados das drogas ilícitas.

As NSP, também conhecidas como 'estimulantes legais' incluem canabinóides sintéticos, estimulantes (incluindo catinonas), alucinogénios e opióides desenhados para imitarem os efeitos das drogas clássicas.

Um estudo realizado em 2014 entre jovens europeus de entre 15 e 24 anos concluiu que 8% já tinham experimentado estas drogas e 3% tinham usado uma NSP no ano anterior.

A nível nacional, a prevalência do uso de NSP entre os mesmos jovens variava entre 9,7% na Irlanda e 0,2% em Portugal.

Embora a prevalência seja baixa, os autores do relatório do OEDT alerta que alguns grupos são particularmente vulneráveis aos riscos do uso e dos seus efeitos, nomeadamente 'frequentadores da noite', homens que têm sexo com outros homens, reclusos, jovens e pessoas que injetam drogas.

Existe uma falta de dados geral sobre os riscos das NSP para a saúde pública, mas "há evidências crescentes de uma associação com emergências hospitalares, consequências agudas severas e mesmo algumas mortes, embora em muitos casos a intoxicação fatal envolva normalmente outras drogas em simultâneo.

O relatório exemplifica que, ao contrário da canábis natural, os canabinóides sintéticos têm sido associados a AVC, danos nos rins e fígado e teme-se que o seu uso exacerbe sintomas psiquiátricos.

No relatório, o OEDT conclui que, dada a falta de informação específica sobre a melhor resposta a dar às NSP na saúde pública, a solução poderá passar por adaptar as respostas já existentes e comprovadamente eficazes com as drogas estabelecidas a estas novas substâncias.

Novos fármacos
A unidade de investigação iNOVA4Health, que junta mais de 140 cientistas e profissionais a trabalhar na procura de novos...

"Todos os projetos que estavam previstos no programa arrancaram, os últimos [iniciaram-se] há dois meses e estão 23 em curso", disse Manuel Carrondo.

A unidade de investigação iNOVA4Health, que junta o iBET (Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica), instituições da Universidade Nova de Lisboa (ITQB, Faculdade de Ciências Médicas e CEDOC) e o Instituto Português de Oncologia de Lisboa Francisco Gentil, arrancou há cerca de um ano.

O objetivo é juntar esforços para ligar cientistas e profissionais que trabalham na procura e aplicação de fármacos adequados a cada paciente de doenças crónicas e neurodegenerativas, no que se chama medicina translacional, aumentando a competência de Portugal na área.

Os projetos de investigação já a decorrer centram-se sobretudo nas patologias em que o programa está especializado, como doenças crónicas ou cancro, com novos produtos, como biomarcadores, utilização de células para controlo de cancro, alternativas para problemas de artrite reumatoide ou cardiovasculares.

"Estas ferramentas vão permitir melhorar o tratamento ou alargar a oportunidade de cura", realçou Manuel Carrondo.

O programa trata sobretudo de doenças crónicas, que, apontou, "têm um peso maior, quer na qualidade de vida das pessoas, quer nos custos de um Sistema Nacional de Saúde".

Para o cientista, "o mais importante deste processo é que estão a trabalhar em conjunto grupos que nunca trabalharam juntos, gente de investigação fundamental a trabalhar com clínicos, pessoas do desenvolvimento de processos de fabrico a trabalhar com investigadores fundamentais".

Manuel Carrondo salientou o entusiasmo dos participantes na iNOVA4Health: "As pessoas percebem que têm imenso a beneficiar ao trabalhar em interfaces" e entrar num processo mais transnacional, que tem que ver com uma medicina de maior precisão, mais individualizada, a qual "precisa de maiores competências científicas e maior conhecimento", criado ao longo deste projeto.

A iniciativa prevê que cada um dos projetos tenha cerca de 50 mil euros por ano e, além do apoio aos 23 já em curso, deverá abranger mais três a cinco novos, por ano, "enquanto estes vão obtendo outras fontes de financiamento", acrescentou.

E, nesta altura, os projetos já conseguiram obter outros financiamentos externos, como colaborações com empresas multinacionais.

Entre a obtenção de uma cura para um problema de saúde e a chegada de um produto ao mercado, em farmacêutica, podem decorrer entre sete a 12 anos, enquanto o primeiro trabalho, desenvolvido pelo cientistas, para demonstrar o interesse de um produto pode demorar dois a cinco.

"A ideia é que as coisas cresçam, alarguem as competências na área de Lisboa e tragam mais parceiros de desenvolvimento e de financiamento", resumiu Manuel Carrondo também vice-presidente do IBET.

Ministério da Saúde
Quinze instituições hospitalares de Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve vão passar a cooperar em especialidades médicas,...

Os protocolos de afiliação, 25 num total, foram assinados na quarta-feira, em Lisboa, entre as administrações regionais de saúde de Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve e as 15 instituições hospitalares do Serviço Nacional de Saúde, e visam "melhorar o serviço prestado aos utentes, contribuindo para a otimização de recursos humanos e materiais", refere o ministério em comunicado.

A cooperação estende-se, por exemplo, a consultas, cirurgias, partilha de médicos em especialidades como Anatomia Patológica, Psiquiatria, Oncologia, Radioterapia, Ortopedia, Dermatologia, Urologia/Litotrícia, Hematologia ou Cirurgia Vascular, bem como à compra de material clínico como próteses, reagentes, ventiladores, roupa e fardamento, e ao transporte de doentes, à telemedicina ou à teleradiologia.

O Centro Hospitalar de Lisboa Central (hospitais São José, Santo António dos Capuchos, Santa Marta, Dona Estefânia, Curry Cabral e Maternidade Alfredo da Costa) afiliou-se com o Hospital de Santarém e o Centro Hospitalar Médio Tejo.

O Centro Hospitalar Lisboa Norte (hospitais Santa Maria e Pulido Valente) coopera com o Centro Hospitalar do Oeste (unidades das Caldas da Rainha, Peniche e Torres Vedras) e com o Centro Hospitalar do Algarve (hospitais de Faro, Portimão e Lagos).

O Hospital Garcia de Orta, em Almada, assinou protocolo com o Centro Hospitalar de Setúbal (Hospital São Bernardo) e com o Centro Hospitalar Barreiro-Montijo, enquanto o Centro Hospitalar Lisboa Ocidental (hospitais São Francisco Xavier, Santa Cruz e Egas Moniz) com o Hospital Fernando Fonseca, na Amadora.

Na região do Alentejo, a cooperação foi fixada entre o Hospital do Espírito Santo de Évora e as unidades locais de saúde do Baixo Alentejo, do Norte Alentejano e do Litoral Alentejano.

Após saída do Reino Unido da União Europeia
A Associação de Farmácias de Portugal defendeu que a sede da Agência Europeia do Medicamento, em Londres, seja transferida para...

A Associação de Farmácias de Portugal (AFP) justifica-se, em comunicado, com a saída do Reino Unido da União Europeia, na sequência de um referendo, na quinta-feira, que deu a vitória à não permanência do país na UE.

"Com a saída do Reino Unido da União Europeia, a EMA [sigla em inglês para Agência Europeia do Medicamento] terá de ser relocalizada noutro país e a AFP considera que Portugal reúne as condições essenciais para ser um dos candidatos a acolher a agência", refere a nota, pedido que o Estado português envide "esforços para atrair" para Portugal a EMA.

"Portugal tem de apresentar os seus argumentos e unir esforços para, junto da Comissão Europeia, fazer a defesa deste projeto", afirmou a presidente da Associação de Farmácias de Portugal, Manuela Pacheco.

Segundo a AFP, o país "tem técnicos altamente qualificados nas áreas do medicamento e da saúde e centros de investigação de excelência", além de "uma localização privilegiada, estando no centro entre a Europa e os Estados Unidos, onde grande parte dos medicamentos são lançados e aprovados, primeiro, pela FDA [Food and Drug Administration, agência norte-americana para o medicamento]".

A Associação de Farmácias de Portugal apela "a todos os intervenientes do setor do medicamento para que, unidos ao Estado português, cooperem na candidatura de Portugal à sede da EMA".

A Agência Europeia do Medicamento é a entidade que avalia os pedidos de autorização de comercialização de fármacos na União Europeia.

Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral
A Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral emitiu um parecer alertando para as exigências que a prática da...

O AVC é a principal causa de morte em Portugal e representa a doença neurológica aguda de maior relevância, tendo em conta a sua incidência, espectro de idades em que ocorre e a incapacidade que provoca.

Ao longo dos passados 15 anos o tratamento do AVC tem sido alvo de uma grande evolução, tendo passado de um niilismo terapêutico para a obrigatoriedade de uma cadeia de cuidados altamente complexa e especializada.

Dentro do vasto espectro de doentes com AVC isquémico agudo, existe um subgrupo muito importante, em que ocorre uma oclusão aguda de um grande vaso cerebral (cerca de 25%). Este tipo de AVC está frequentemente associado a défices neurológicos graves e, até há pouco tempo, o único tratamento validado para recanalização vascular consistia na administração de alteplase por via endovenosa. Contudo, a publicação de vários ensaios clínicos aleatorizados, já em 2015, veio demonstrar o benefício da trombectomia mecânica no tratamento do AVC isquémico com oclusão aguda de grande vaso.

Na sequência da publicação de tais evidências, as recomendações das principais Sociedades Científicas de AVC passaram a integrar este tratamento na abordagem terapêutica do AVC isquémico agudo, sublinhando que o tratamento endovascular seja realizado em centros diferenciados e que a decisão de trombectomia mecânica deve ser multidisciplinar e incluir um neurointervencionista qualificado, treinado e experiente.

As Sociedades europeias que regulam a prática médica, o tratamento do AVC e a intervenção neurovascular (UEMS, ESO, ESNR e ESMINT), postulam que a prática de neurointervenção deve ser apenas efetuada em centros onde exista acesso a unidades dedicadas a doentes com AVC (Unidade de AVC), Cuidados Intensivos (de preferência Unidades de Cuidados Neuro-Intensivos), Neurologia, Neurorradiologia, Neurocirurgia, devendo ser garantida toda a cadeia de cuidados de modo contínuo. Mais se recomenda que os procedimentos sejam efetuados por operadores experientes em intervenções neurovasculares, exigindo número mínimo de casos por operador e instituição, não englobando apenas as trombectomias mecânicas, mas um conjunto de outras técnicas do foro neurovascular.

O parecer pode ser lido na íntegra aqui.

Sediada na Escola Superior de Enfermagem de Coimbra
É apresentada publicamente, em Lisboa, a Associação Portuguesa de Acessos Vasculares, que ficará sediada na Escola Superior de...

A Associação Portuguesa de Acessos Vasculares (APOAVA), que será apresentada, pelas 14h30, no Centro de Congressos de Lisboa, durante o 4º Congresso Mundial de Acessos Vasculares (WoCoVA 2016), tem como fim o desenvolvimento de um conjunto de atividades relacionadas com os acessos vasculares, como sejam consultoria técnico-científica, ações de educação e formação, organizações de feiras e congressos, edições e publicações científicas de livros, revistas, vídeos e outros formatos.

Esta é uma associação que pretende integrar profissionais de áreas científicas multidisciplinares (como a Enfermagem, a Medicina, a Microbiologia e as Análises Clínicas), que contribuam para produzir e divulgar conhecimento, otimizando práticas profissionais para a qualidade de cuidados relacionados com os acessos vasculares.

Os acessos vasculares permitem uma das modalidades de tratamento mais utilizadas na assistência à saúde da maioria dos pacientes hospitalizados, sendo mesmo um recurso vital para alguns. Têm como funções, por exemplo, a administração de fluidos, nutrientes, medicações, sendo necessários à monitorização hemodinâmica, à hemodiálise e à quimioterapia.

Enquanto procedimento invasivo, o acesso vascular não é inócuo e está associado a riscos de infeções.

Esta é, pois, uma área onde importa continuamente investigar e melhorar práticas.

Além de Anabela Salgueiro, também os professores da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC) João Graveto, Pedro Parreira e Verónica Coutinho integram a APOAVA.

A ESEnfC assinala, em 2016, os 135 anos de ensino de Enfermagem em Coimbra e em Portugal, além dos dez anos de fusão das duas instituições de ensino superior que lhe deram origem: as anteriores escolas Dr. Ângelo da Fonseca e de Bissaya Barreto.

Sociedade Portuguesa de Cardiologia
Nas palavras do Presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia e Cardiologista Miguel Mendes, esta medida é “promotora do...

“Se, recentemente, passaram a ser utilizadas imagens chocantes nos maços de tabaco com o intuito de dissuadir a experimentação e o uso do tabaco, a medida que prevê a diminuição do preço do tabaco, embora pequena, vai favorecer o início do consumo nos jovens e potenciar o aumento do consumo dos atuais fumadores”, afirma Miguel Mendes.

“Não há qualquer justificação para ziguezagues da orientação” adverte o cardiologista, lembrando ainda que o tabagismo provoca doenças cardiovasculares, cancro e doença pulmonar obstrutiva crónica e tem elevados custos para a Saúde, em termos pessoais, sociais e financeiros.

Outras informações:

O tabaco
Fumar constitui importante fator de risco para doenças pulmonares e cardiovasculares graves, como o cancro do pulmão e o enfarte do miocárdio.

Estima-se que cerca de 30 por cento da morte cardiovascular esteja na direta dependência do tabaco. O tabagismo é a causa mais importante de morte e doença evitável!

O fumo do tabaco contém mais de 4000 substâncias químicas, várias das quais com efeitos tóxicos, irritantes ou cancerígenos. A nicotina é uma dessas substâncias, sendo ela a droga psicoativa responsável pela dependência provocada pelo tabaco.

O que ganha se parar
Além do preço de um maço de cigarros estar “pela hora da morte”, apenas 20 minutos depois de apagar o ultimo cigarro a sua tensão arterial e o pulso começam a normalizar – e a diminuir o risco de enfarte do miocárdio.

Decorridas 8 horas a quantidade de oxigénio no seu sangue aumenta!

Após 72 horas já respira melhor, sentindo-se com mais energia para realizar as atividades de que gosta! Sintomas respiratórios como a tosse, expetoração, pieira e infeções pulmonares começam a esbater-se.

Os cabelos, a pele, as mãos e principalmente o hálito vão ficar mais frescos e saudáveis.

Um ex-fumador reduz para metade o risco de sofrer uma doença cardiovascular, respiratória ou cancerígena e diminui o risco de morrer antes de tempo. Pelo contrário, vive mais e com melhor qualidade de vida. As estatísticas dizem que as pessoas que deixam de fumar vivem, em média, mais 10 anos, quando comparadas com aquelas que continuam a fumar.

A família e os amigos também vão beneficiar, pois o tabagismo é um fator de risco para quem fuma e para todos os que o rodeiam.

Ministro da Saúde admite
O ministro da Saúde admitiu que a ADSE venha a ter autonomia e que até à sua eventual mutualização tenha uma fase transitória...

"O Governo prevê dar autonomia à ADSE e tem de o fazer com segurança", afirmou o ministro Adalberto Campos Fernandes, questionado pela oposição sobre notícias que dão conta que o plano de atividades do subsistema dos funcionários públicos admite voltar a ser financiada pelo Estado.

Para o ministro da Saúde, até à eventual mutualização da ADSE poderá haver uma fase transitória em que o subsistema passe a ter duas tutelas (Finanças e Saúde).

O relatório da comissão de reforma do modelo de assistência na doença aos servidores do Estado deverá ser conhecido no dia 30 deste mês, acrescentou Campos Fernandes.

Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica
Os pólenes vão estar em níveis elevados e muito elevados em todas as regiões de Portugal Continental, a partir de sexta-feira e...

De acordo com o Boletim Polínico, entre sexta-feira e o dia 30 de junho, os níveis de pólenes vão manter-se em níveis muito elevados em todo o Continente, sendo baixos na Região Autónoma da Madeira e moderados nos Açores.

Na região de Trás-os-Montes e Alto Douro os pólenes vão estar em níveis muito elevados, predominando os pólenes das ervas gramíneas, do castanheiro e da erva parietária.

Na zona do Porto, também com níveis muito elevados, terão predomínio as ervas gramínea, parietária e tanchagem e as dos castanheiros.

Já na Beira Interior o predomínio será de gramíneas, paritária e castanheiros e muito elevados os níveis de pólenes.

Com níveis de pólenes elevados, na região de Lisboa e Setúbal, as previsões apontam para um predomínio das ervas gramíneas e parietária.

No Alentejo, os pólenes estarão em níveis muito elevados, devido às ervas gramíneas.

Na região do Algarve, onde os pólenes terão níveis elevados, predominarão as gramíneas.

Zika:
Cientistas europeus anunciaram hoje a descoberta de anticorpos que atacam o Zika, um passo que esperam vir a permitir o...

Os anticorpos - os "soldados da frente" do sistema imunitário - "neutralizaram eficazmente" o Zika em células humanas em laboratório, e foram também eficazes contra um outro vírus semelhante, a dengue, anunciou a equipa.

A descoberta “pode levar ao desenvolvimento de uma vacina universal” contra as duas doenças, esperam os cientistas.

As moléculas capazes de neutralizar o Zika foram retiradas de pessoas que já tinham sido infetadas com dengue e cujos sistemas imunitários produziram anticorpos para combater a doença.

“Os anticorpos poderiam ser usados, por exemplo, para proteger mulheres grávidas com risco de contrair o vírus Zika”, disse Felix Rey, especialista em virologia no Instituto Pasteur, em França, coautor dos estudos.

“Nunca esperámos descobrir que os vírus da dengue e do Zika são tão próximos que alguns anticorpos produzidos contra o vírus da dengue possam também neutralizar o vírus do Zika de forma tão potente”, acrescentou.

No entanto, Rey admitiu que até se conseguir uma vacina eficaz, há um longo caminho a percorrer: “Ainda há muito a fazer, nomeadamente realizar um ensaio clínico. Isto pode levar algum tempo”, explicou.

Benigno para a maioria das pessoas, o Zika tem sido ligado a lesões cerebrais severas – microcefalia – em bebés, e a um raro problema neurológico em adultos, tal como a síndrome de Guillain-Barre, que pode causar paralisia e morte.

Num surto que começou no ano passado, cerca de 1,5 milhões de pessoas foram infetados com Zika no Brasil, num total mundial de cerca de dois milhões de pessoas, e mais de 1.600 bebés nasceram com cabeças e cérebros anormalmente pequenas.

O Zika e a dengue são transmitidos pelo mosquito ‘Aedes aegypti’, e pertencem à mesma família de vírus (‘Flaviviridae’).

Ainda não existe qualquer prevenção para o Zika, mas há uma vacina contra a dengue, que causa sintomas semelhantes a uma gripe, como febre, dores de cabeça, náusea, vómitos, dores musculares e uma urticária parecida com sarampo.

Em 1% dos casos, a dengue causa uma febre hemorrágica, responsável pela morte de cerca de 22.000 pessoas por ano, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). A doença é endémica no Brasil.

A investigação fez uma revelação preocupante: para além dos dois anticorpos que destroem o Zika, a maioria das moléculas ativas contra a dengue podem aumentar a potência do Zika.

Isto sugere que uma prévia exposição ao vírus da dengue “pode aumentar a infeção por Zika”, disse Gavin Screaton, do Imperial College London, outro dos autores dos estudos.

“Isto pode explicar por que o atual surto tem sido tão severo e por que ocorre em áreas onde a dengue é prevalecente”, referiu.

Esta descoberta sublinhou a importância de utilizar os anticorpos corretos na vacina contra o Zika, disse Rey.

Doença rara progressiva e incapacitante
Conhecida como uma epilepsia genética da infância, a Síndrome de Dravet é uma doença rara, progressi
Dravet

A Síndrome de Dravet é “uma epilepsia genética da infância caracterizada por convulsões resistentes a fármacos, muitas vezes induzidas por febre” e que frequentemente resulta na deterioração cognitiva e motora.

Estima-se que tenha uma prevalência de 1 em 20 mil nascimentos, com maior incidência no sexo masculino, e que, em Portugal, afete 500 pessoas. “Das quais mais de 80 por cento não estará identificada”, avança a Associação Síndrome de Dravet – Portugal, em comunicado.

De acordo com Ana Isabel Dias, Neurologista Pediátrica no Hospital Dona Estefânea, esta síndrome “é uma doença genética, sendo cerca de 85 por cento dos caso devidos a uma mutação ou deleção no gene SCN1A, que codifica os canais de sódio que interferem na excitabilidade dos neurónios. Os restantes casos serão devidos a alterações em outros genes, muitos deles ainda desconhecidos”.

Manifestando-se  durante o primeiro ano de vida, “geralmente entre os cinco e os oito meses, em crianças previamente saudáveis”, as suas crises podem apresentar-se como “estado de mal epilético febril, com duração de mais de 20 minutos, sobretudo nos primeiros anos de vida”.

Cada criança pode registar até 500 ataques por dia, sendo que, em casos mais graves, uma crise pode deixá-la em coma.

Os dados revelam ainda que 15 por cento das crianças com esta síndrome morre antes de atingir a adolescência.

A especialista Ana Isabel Dias explica que o dianóstico “é baseado em achados clínicos e electroencefalográficos (EEG). No ínicio o EEG é geralmente normal e as alterações só surgem mais tarde”.

O diagnóstico precoce é fundamental sendo designado como “uma questão de vida”.

Patrícia Fonseca, presidente da Associação Síndrome de Dravet – Portugal afirma que “a síndrome de Dravet não pode ser confundido com outras formas de epilepsia. É urgente diagnosticar e identificar corretamente as pessoas com Síndrome de Dravet e é imprescindível um diagnóstico precoce que combine o diagnóstico clínico com um diagnóstico genético”.

“O teste genético pode identificar uma alteração SCN1A, confirmando o diagnóstico”, acrescenta a neurologista.

“Nas famílias com uma mutação conhecida SCN1A, a hereditariedade é autossómica dominante e o aconselhamento genético é possível, embora a variação das manifestações clínicas numa família possa ser grande. Nos caso com mutações de novo, o aconselhamento genético pode ajudar no processo de tomada de decisão para futuros filhos”, explica Ana Dias.

A dificuldade no diagnóstico, que muidas vezes confunde esta síndrome com outras patologias pode levar a prescrição de medicamentos contraindicados e fatais para os portadores da doença.

O impacto desta patologia em bebés e crianças é severo, levando à necessidade de um acompanhamento diário 24 horas por dia. “Uma pequena distração e uma crise pode surgir. E dependendo do tipo de crise, se não houver intervenção imediata, a criança poderá não sobreviver”, avança a Associação.

Distúrbios de coordenação, crescimento e nutrição, transtornos cognitivos ou perturbações do comportamento são os principais problemas ao longo da vida.

“Pelos dois anos de idade o atraso no desenvolvimento é já muitas vezes aparente, com atraso na linguagem, desequílibrio e dificuldades na coordenação motora. Podem surgir perturbações do sono”, revela a especialista em neurologia.

“São frequentes também as perturbações de comportamento, com agitação e dispersão da atenção”, acrescenta.

No tratamento da doença podem ser usados alguns medicamentos epiléticos, que devem ser adaptados caso a caso.

“O principal objetivo do tratamento é reduzir a frequência das crises e prevenir a ocorrência do estado de mal epilético”, explica Ana Isabel Dias.

No entanto, “alguns medicamentos,  como a carbamazepina, a fenitoína e a lamotrigina, devem ser evitados pois podem agravar o quadro”.

“Para melhorar a sua qualidade de vida, estes doentes deverão beneficiar de apoios especializados e individualizados, eventualmente em instituições de ensino especial, com terapias de estimulação global, de modo a otimizar as suas capacidades”, acrescenta a especialista, revelando a importância destas famílias terem uma vida tão normal quando possível. “É importante ter um ou mais cuidadores alternativos e integrar os irmãos nas atividades”, revela.

“A associações de familiares têm um papel essencial nestes e noutros aspetos, nomeadamente em dar visibilidade à Síndrome de Dravet e incentivar a investigação científica para o desenvolvimento de novas terapêuticas”, conclui.

Pedro esperou até aos dois anos pelo diagnóstico

Pedro teve as primeiras crises convulsivas aos cinco meses e “esperou” até aos dois anos para ter o diagnóstico certo que lhe permitia ter acesso à medicação adequada à sua doença. “Uma sorte”, nas palavras da mãe.

“A síndrome apareceu na nossa vida aos cinco meses e meio. O Pedro era aparentemente uma criança normal até que teve a sua primeira convulsão”, começa por explicar Sandra Tavares, mãe do menino.

“Depois dessa crise seguiram muitas outras sempre diagnosticadas como convulsões febris”, conta, revelando que uma das mais graves durou cerca de uma hora.

“O Pedro fez vários exames e pensou-se que sofresse de epilepsia”, acrescenta Sandra.

No entanto, com o aumento do número de episódios os pais começaram a investigar. “Os próprios médicos não sabiam do que se tratava. Nós decidimos procurar informações e acabámos por ir a um especialista no Porto, no Hospital de São João”, conta.
O Pedro tinha 20 meses quando fez um teste genético que permitia identificar a doença de que sofria. Sete meses depois confirmava-se o diagnóstico.

“Foi uma sorte termos ido ao Porto porque foi imediatamente medicado para o Dravet”, afirma a mãe. “A medicação para a epilepsia era contraindicada para o caso do Pedro”, acrescenta.

Antes de diagnosticada a patologia, as crises apareciam sem aviso. “Era um sufoco. Nós não conseguíamos controlar. Confesso que tínhamos uma vida de loucos. No entanto, ainda hoje o Pedro tem de ser vigiado 24 horas por dia. Costumo dizer que os pais do Dravet não dormem. Eu e o pai acordamos, à vez, várias vezes por noite só para ver se o nosso filho está a respirar”, revela.

Apesar de não o eliminar totalmente, a medicação controla o número de crises. “Cada caso é um caso. O medicamento que funciona para uma criança pode não funcionar para a outra. E há várias condicionantes”, afirma Sandra.

“A medicação deixa de funcionar e tem de se adaptar uma nova. O próprio crescimento das crianças leva a que a medicação deixe de fazer efeito, por exemplo”, justifica.

“O Pedro antes de fazer a medicação podia ter 10 crises por semana. Ainda hoje em dia, sempre que há um quadro febril, há convulsão”, diz.

Sandra explica que por isso mesmo sabe quando Pedro está a ficar doente. “Nós damos conta que ele vai ficar doente quando faz convulsão. E só como exemplo, na última virose que durou quatro dias, o Pedro teve três crises por dia”, revela.

Sempre que surge uma crise a criança é colocada na posição lateral de segurança e os pais esperam que ela passe por si. “Esperamos dois ou três minutos para que passe. Se não passar utilizamos um medicamento administrado via retal, que tem de andar sempre com o Pedro”, explica.

“Em Portugal só existe este medicamento. Sabemos que noutros países há medicação que não tem de ser administrada via retal mas se o quisermos temos de o pagar na totalidade”, revela. “Por enquanto, nós conseguimos dar alguma privacidade ao nosso filho, mas e quando ele tiver 15 anos e tiver uma crise e tivermos de usar este fármaco na rua? Não sei que consequências isso vai ter para o Pedro. Em termos sociais não é fácil...”, acrescenta.

Sandra admite que não tem sido fácil lidar com a doença mas que faz o possível para ter uma vida normal.

“Depois do diagnóstico primeiro passamos pela fase da negação, depois do desespero e há um dia em que acordamos, lavamos a cara e pensamos «ok, é com isto que temos de viver!». Há uma tomada de consciência e fazemos o que podemos para que a nossa vida seja o mais normal possível”, diz.

“Não nos privamos de fazer as atividades que temos de fazer diariamente, mas tomamos sempre as devidas precauções”, acrescenta a mãe.

Ao contrário do que acontece com crianças com quadros mais graves, Pedro frequenta um colégio.

“Por opção, ao contrário de outras familias que não têm mesmo hipótese, eu não deixei de trabalhar e vou trabalhar completamente descansada porque sei que o Pedro tem um acompanhamento excelente. São muito vigilantes e estão despertos desde o início para a sua situação”, afiança.

Com cinco anos, Pedro expressa-se como uma criança de três. “O Pedro iniciou a terapia da fala aos três anos, e eu como sou professora, embora dentro das minhas limitações também, fui começando a fazer essa terapia. Embora não tenha o discurso de uma criança de cinco anos tem muito vocabulário e para nós foi uma conquista”, revela.

“Se estivermos à espera do diagnóstico mais consequências existirão no futuro para estas crianças”, alerta, mostrando a importância de um diagnóstico precoce.

“Apesar de todo o drama do Dravet, o Pedro tem um quadro «simpático» porque é autónomo. E todo este processo se ficou a dever a termos tido um diagnóstico cedo”, afirma.

“Quanto mais tarde a medicação é ajustada à doença mais consequências terá. Por isso, quanto mais cedo existir um diagnóstico mais rápida é a intervenção. E o teste genético é a única forma que existe de confirmar a doença”, conclui Sandra Tavares.

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