Procuradoria-Geral da República
Quatro arguidos, incluindo o ex-presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e do INEM, que está detido, é o balanço...

Em resposta, o gabinete de imprensa da Procuradoria-Geral da República (PGR), indicou que "além de um detido, foram, até ao momento, constituídos arguidos dois advogados e uma representante, à data dos factos, da Associação Portuguesa de Hemofilia".

O ex-presidente da ARS e do INEM Luis Cunha Ribeiro foi detido ontem de manhã no decorrer da investigação da Unidade de Combate à Corrupção da PJ e do Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa.

Ainda segundo a PGR, o interrogatório judicial de Luis Cunha Ribeiro deverá começar na quarta-feira à tarde.

Os restantes três arguidos serão ouvidos mais tarde.

Entretanto, a sociedade de advogados PLMJ confirmou que foi constituído arguido um advogado daquela firma durante as buscas de uma investigação sobre negócios de plasma na qual estará envolvido um seu cliente e, segundo a RTP 3, trata-se de Paulo Farinha Alves.

Durante a manhã, a PGR revelou que estavam a decorrer mais de 30 buscas em estabelecimentos oficiais relacionados com a saúde, incluindo o Ministério e o INEM, duas buscas em escritórios e locais de trabalho de advogados e outras em território suíço.

"No inquérito investigam-se suspeitas de obtenção, por parte de uma empresa de produtos farmacêuticos, de uma posição de monopólio no fornecimento de plasma humano inativado e de uma posição de domínio no fornecimento de hemoderivados a diversas instituições e serviços que integram o Serviço Nacional de Saúde (SNS)", refere a nota da PGR.

Para o efeito - explica - "um representante da referida empresa de produtos farmacêuticos e um funcionário com relevantes funções no âmbito de procedimentos concursais públicos nesta área da saúde terão acordado entre si que este último utilizaria as suas funções e influência para beneficiar indevidamente a empresa do primeiro".

Os factos em investigação ocorreram entre 1999 e 2015 e os suspeitos terão obtido vantagens económicas que procuraram ocultar, em determinadas ocasiões com a ajuda de terceiros.

Em causa estão factos suscetíveis de integrarem a prática de crimes de corrupção ativa e passiva, recebimento indevido de vantagem e branqueamento de capitais.

Estudo
A cientista portuguesa Carla Ribeiro descobriu o mecanismo das células resistentes ao HIV, denominadas “Langerhan cells” e que...

O estudo, liderado pela portuguesa e publicado a 07 de dezembro na revista Nature, explica o mecanismo que torna determinadas células naturalmente resistentes ao HIV .

“Nestas células, o HIV-1 é destruído por um processo chamado autofagia, que ocorre dentro das células e é capaz de digerir micróbios como uma trituradora”, explicou, em comunicado, Carla Ribeiro, do departamento de Experimental Immunology do Academic Medical Center, em Amesterdão, Holanda.

Segundo a cientista, a autofagia é ativada nas “Langerhan cells”, que residem em diferentes tecidos humanos, incluindo vagina, prepúcio e intestino, “através da ação de um fator restritivo que é funcional apenas neste tipo de células”.

“O mesmo fator restritivo não funciona noutras células, sendo estas por consequência infetadas com HIV”, explica Carla Ribeiro.

A descoberta, segundo o comunicado, vai permitir aos investigadores “desenvolver novos métodos preventivos contra o HIV, mas também destruir o vírus após a infeção”.

“No entanto, é preciso haver mais investigação nesta área para que novas terapias possam ser desenvolvidas”, acrescenta.

Dificuldade de deglutição
A terapeuta da fala Inês Tello Rodrigues esclarece neste artigo uma série de questões relacionadas c

O que é a disfagia?

A disfagia (do grego dýs - dificuldade e phageĩn - comer) é uma perturbação na deglutição, ou seja, é o nome dado à dificuldade em engolir alimentos (sólidos ou líquidos). Esta dificuldade pode ocorrer desde o trajecto inicial do alimento, dentro da boca, até à sua transição para o esófago e para o estômago.

Existem vários tipos de Disfagia consoante o local onde ocorrem as dificuldades em engolir.

Como se manifestam estas alterações na Deglutição?

A pessoa com disfagia pode apresentar dificuldade em mastigar, em preparar e manter o alimento dentro da boca, de engolir, ou apresentar dor a engolir (odinofagia).

São sinais de alerta de uma alteração da Deglutição:
- Voz alterada ou rouca após a alimentação,
- Sensação de alimento preso na garganta,
- Engasgamento frequente ou falta de ar durante a alimentação,
- Tosse frequente durante e após as refeições,
- Perda de peso acentuada num curto período de tempo,
- Infecções respiratórias recorrentes.

Qual a faixa etária mais afetada?

A disfagia pode ocorrer em qualquer faixa etária, desde o bebé prematuro  ao idoso mas é mais comum na população envelhecida ou em pessoas com condições neurológicas (por exemplo, AVC, Doença de Alzheimer, Doença de Parkinson).

Porque motivo os idosos parecem engasgar-se mais do que pessoas jovens?

As estruturas do corpo envolvidas na deglutição passam, naturalmente, por alterações decorrentes do envelhecimento. Essas mudanças podem originar uma maior lentidão, falta de força ou incoordenação dos músculos responsáveis pelos movimentos necessários para engolir, favorecendo, assim, a ocorrência de engasgos nestas pessoas. Também o facto de muitas pessoas idosas não possuírem dentes ou terem próteses mal adaptadas, aumenta o risco de surgirem dificuldades em engolir.

Quais as consequências da Disfagia?

A disfagia representa um sintoma que pode trazer alterações graves ao nível pulmonar e nutricional da pessoa, como a desnutrição, desidratação e pneumonias de aspiração (entrada acidental de um alimento para os pulmões). As dificuldades em deglutir também afectam a socialização e a autoimagem do indivíduo e limitam, frequentemente, o prazer associado à refeição, com consequências muito negativas para a qualidade de vida.

Para além das referidas complicações, a disfagia repercute-se no aumento da mortalidade e no aumento dos custos globais de saúde. A título de exemplo, mais de 50% de todas as pessoas que sofreram um AVC apresentam dificuldades graves na deglutição, em fase aguda, e a prevalência de Disfagia pode manter-se nos 15%, mesmo após 3 meses de evolução do AVC.

Que tipos de tratamento existem?

A intervenção em casos de Disfagia deverá ser em equipa e contar, entre outros, com intervenção médica, de um terapeuta da fala e de um nutricionista para avaliação e intervenção nas alterações na deglutição. Esta interligação multidisciplinar pode tomar várias formas e é fundamental para assegurar o bem estar físico e nutricional da pessoa com disfagia.

Qual o papel do Terapeuta da Fala na Disfagia?

O terapeuta da fala pode efectuar uma avaliação da deglutição oro-faríngea para identificar quais as alterações e as dificuldades existentes. Ajuda a definir com a equipa médica e de enfermagem se é segura a alimentação por via oral (pela boca) ou se há necessidade de uma via alternativa de alimentação, como por exemplo, uma sonda nasogástrica.

Este profissional pode igualmente recomendar estratégias específicas para mudar a consistência e a quantidade dos alimentos ingeridos, alterar a postura da pessoa durante e após as refeições e efectuar um plano de exercícios especificamente indicados para garantir uma deglutição segura e eficaz.

Existe uma falta sensibilização da população para este tema?

Sim. Os sinais de alarme das alterações da deglutição são muito frequentemente ignorados pela população em geral ou associados ao processo normal de envelhecimento.

É fundamental estar atento a sinais de engasgamento persistente, alterações na voz e tosse durante e após as refeições. Em caso de dúvida deve sempre consultar o seu médico assistente e um terapeuta da fala para mais esclarecimentos e orientações.

Adicionalmente, poucas são as pessoas que sabem reagir a uma situação de engasgamento por obstrução total ou parcial das vias aéreas.

Lembre-se de nunca oferecer água à pessoa e deixá-la sempre tossir. Aprenda a Manobra de Heimlich. Esta manobra provoca uma elevação do diafragma e aumenta a pressão nas vias aéreas, forçando a saída do corpo estranho e salvando, frequentemente, a vida da pessoa que se engasgou. 

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Três gerações ao serviço da saúde dos portugueses
No dia 16 de dezembro, a família Espregueira-Mendes celebrará os 90 anos de tradição e serviços prestados na área da Ortopedia...

Na próxima 6ª feira (16 dezembro) realiza-se, no Museu Futebol Clube do Porto, uma cerimónia com o objetivo de celebrar os 90 anos de dedicação e serviços prestados pela família Espregueira-Mendes à cidade do Porto, ao FC Porto e ao país. Presentes estarão diversas personalidades (Rui Moreira, Presidente da Câmara Municipal do Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa, Presidente do FC Porto, D. António Francisco dos Santos, Bispo do Porto, António Oliveira, Presidente da Sociedade Portuguesa de Ortopedia, entre muitas outras individualidades) que se juntam numa iniciativa única carregada de emoção, tradição e história. O evento assinala também a criação de uma sala de exposições de arte – Espaço João Espregueira Mendes – a inaugurar em 2017, no Museu Futebol Clube do Porto.

No âmbito destas comemorações, António Oliveira, Presidente da Sociedade Portuguesa de Ortopedia, refere que «são três gerações - e uma única vontade - na história de uma família dedicada à Ortopedia e à Traumatologia Desportiva que alia a nobreza de carácter aos valores de humanidade e competência e que tem contribuído para que a escola médica portuguesa, do FC Porto, a nossa cidade e o nosso país sejam mais prestigiados no Mundo.»

Era uma vez…
A história da família Espregueira-Mendes remonta a 1926, quando João de Espregueira-Mendes, nascido em 1900, regressa de estágio com o famoso ortopedista Vittorio Putti – quem o convenceu a trocar Ginecologia pela nova especialidade de Ortopedia - no Instituto Rizolli em Bolonha, na mais antiga universidade do mundo. O então jovem especialista, abre o seu consultório na Rua Cândido dos Reis nº 100, em edifício emblemático do arquiteto. Marques da Silva, vislumbrando a Torre dos Clérigos, que inspira a sua retidão e verticalidade, iniciando um notável percurso profissional na Ortopedia e Traumatologia. Nesse ano, recebe ainda ao seu cuidado e supervisão oito camas de Ortopedia, no Hospital de Santo António, no Porto.

João de Espregueira-Mendes desempenhou, até 1956, as funções de Regente do curso de Ortopedia da Faculdade de Medicina, no Hospital de Santo António, tendo ocupado, entre 1960 e 1961, o cargo de Presidente da Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia. Paralelamente, exerceu o seu sentido cívico, no Porto, entre os anos 40 e 60, como Presidente da Junta Provincial do Douro, Presidente da Junta Distrital do Porto e Presidente do Instituto Maternal do Norte onde teve um papel primordial na saúde materno infantil. Dedicou também especial atenção à maternidade Júlio Dinis, onde esteve como diretor durante 14 anos. Foi também vereador da Câmara Municipal do Porto durante vários anos, ocupando o cargo de Presidente em 1942.

O médico portuense contribui, com um doente seu, para o “Milagre de São João de Brito”, canonizado pelo Vaticano nos anos 50. Nessa época, João de Espregueira Mendes recebeu na consulta a visita de Joaquim, um menino de 9 anos de idade, com tuberculose destrutiva do calcâneo e repercussão grave no seu estado geral de saúde. Após várias tentativas de tratamento, informou a mãe da criança que nada haveria a fazer. A mãe, devota do Beato João de Brito, colocou a sua imagem debaixo do travesseiro de Joaquim, hoje padre. Durante algum tempo, não houve notícias do rapaz até que, meses depois, vê Joaquim entrar no consultório, vivo e de boa saúde. Estupefacto, o médico radiografou o menino e verificou que não existia nenhum sinal de tuberculose ou lesão antiga nas radiografias dos dois calcâneos! Este foi o último milagre consagrado que serviu como prova final para que o Vaticano canonizasse João de Brito.

A 2ª Geração
João Manuel Espregueira Mendes, nascido em 1931 e licenciado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto em 1958, inicia a sua atividade dedicada à Ortopedia no Hospital de São João em 1960. No mesmo ano, inicia funções no serviço de Ortopedia no Hospital de Crianças Maria Pia, onde permanece até 1963. Mais a norte, no Hospital de Viana do Castelo, dirige o serviço de Ortopedia durante 14 anos (1962 e 197), seguindo-se a direção do serviço de Ortopedia do Hospital de Luanda - foi laureado duas vezes: uma pelo General Comandante em Ordem da Região e outra pelo Diretor do Hospital Militar de Luanda.

Após o regresso de Angola (1965), João Manuel Espregueira-Mendes retoma as suas funções no Serviço de Ortopedia do Hospital de São João e continua a obra de seu pai no Hospital de Santa Maria no Porto, onde permaneceu durante mais de 25 anos. Aqui, o seu prestígio e sucesso na Traumatologia Desportiva fizeram com que este fosse considerado pela imprensa nacional da época como o “Hospital dos Atletas”.

Volvidos 50 anos de Ortopedia e Traumatologia (1986), João Manuel Espregueira Mendes, conjuntamente com o seu filho João Duarte, inaugura a primeira Clínica Espregueira Mendes no Porto. Esta clínica marca uma importante viragem na história da Ortopedia da família Espregueira-Mendes. A visão e iniciativa de criarem uma instituição dedicada à traumatologia desportiva, reunindo todas as valências e fisioterapia no mesmo espaço, inédita em Portugal, disponibilizam uma nova fase do percurso: o conceito da equipa, do trabalho de grupo, um grupo que faz escola e contribui para o prestígio da escola médica da cidade Invicta.

João Manuel Espregueira Mendes foi uma referência da Traumatologia Desportiva portuguesa, ao serviço do FC Porto, e um líder dentro e fora do bloco operatório, tendo revolucionado a cirurgia ligamentar do joelho em Portugal. Em fevereiro de 1998, foi-lhe atribuída, a título póstumo, a medalha de ouro da cidade do Porto, por Fernando Gomes, então presidente da CMP, tendo sido também homenageado diversas vezes pelo FC Porto e galardoado com o Dragão de Ouro e Dragão de Honra, entregue pelo Presidente Jorge Nuno Pinto da Costa que lembrou e homenageou” uma figura ímpar na Medicina e na Ortopedia em Portugal”. Este percurso justifica bem a escolha do seu nome para o novo espaço no Museu do FC Porto!

E estamos na 3ª Geração…
João Duarte Espregueira Mendes, nasceu em 1960 e licenciou-se em Medicina em 1985, na Universidade do Porto. Ainda na qualidade de aluno de medicina, é convidado pelos professores Alexandre Sousa Pinto e Joaquim Pinto Machado para monitor de Anatomia. Desde cedo, opta pela especialidade de Ortopedia, dando continuidade à história de ortopedistas da família Espregueira-Mendes. Em 1988, inicia o internato complementar de ortopedia no Hospital Geral de Santo António, no Porto e obtém a mais alta classificação atribuída no Internato Complementar - 20 valores - e a mesma classificação no grau de Especialista pela Ordem dos Médicos. Em julho de 1988, concorre para Assistente de Ortopedia na Faculdade de Medicina de Porto e ingressa no Hospital de São João, então dirigido pela figura ímpar da Ortopedia que foi o Prof. Doutor Carlos Lima.

Em janeiro de 1999, a sua equipa cria de raiz o Serviço de Ortopedia e Traumatologia do novo Hospital São Sebastião (Santa Maria da Feira), serviço inserido num novo modelo de gestão dos hospitais públicos que se torna uma referência na área da Ortopedia e Traumatologia em Portugal. Em 2005, ingressam na Escola de Medicina da Universidade do Minho com a regência da Ortopedia e Traumatologia. No domínio académico e, particularmente, da medicina do desporto desenvolveram também Pós-graduações na Faculdade de Medicina do Porto dedicadas ao ensino online.

De 2004 a 2008, presidiu à Sociedade Portuguesa de Artroscopia e Traumatologia Desportiva entre 2004 a 2008, seguindo-se a presidência da ESSKA – European Society of Sports Traumatology, Knee Surgery & Arthroscopy, 2012 a 2014, dando a Portugal a única presidência ibérica na Sociedade Europeia de Traumatologia Desportiva. Atualmente, é membro do board da Sociedade Mundial de Traumatologia Desportiva ISAKOS e da Patellofemoral Foundation.

Em 2006, a equipa Espregueira-Mendes inaugura a Clínica do Dragão - Espregueira-Mendes Sports Centre em parceria com o Grupo Sonae, hoje uma unidade de referência no mundo nas lesões desportivas. Foi a primeira clínica portuguesa acreditada pela ESSKA e ISAKOS, a primeira da península ibérica e ainda a única portuguesa acreditada como FIFA Medical Centre of Excellence.

Com 15 prémios e várias distinções internacionais que incluem dois prémios “Jorge Mineiro”, um prémio “Carlos Lima,” dois prémios da ESSKA e o prémio BES Inovação, têm igualmente recebido a confiança de doentes e atletas dos cinco continentes e dos mais prestigiados clubes do mundo: Real Madrid, Paris S. Germain, Lyon, Juventus, Barcelona, Roma, Galatazaray, Tottenham, AC Milan, Arsenal, Al Ahli, Al Jazeera, West Bromwich, entre muitos outros. A equipa liderada pelo Professor Doutor João Espregueira-Mendes tem hoje um enorme prestígio internacional e lugar de relevo na investigação e inovação com mais de 400 conferências, 250 publicações científicas, 36 capítulos de livros, 8 livros publicados (6 na conceituada Springer/Nature) e 8 patentes internacionais. Com grande mérito para a parceria com os 3Bs do Professor Doutor Rui Reis e Universidade do Minho.

Programa
19:30h Receção dos convidados.
20:00 Sessão comemorativa - 90 anos - três gerações - da família Espregueira-Mendes na Ortopedia e na Traumatologia Desportiva!

Oradores
António Oliveira - Presidente da Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Diretor do Serviço de Ortopedia do Hospital de Santo António;
D. António Francisco dos Santos, Bispo do Porto
João Espregueira-Mendes - Diretor da Clínica do Dragão - Espregueira-Mendes Sports Centre – FIFA Medical Centre of Excellence.

Jantar comemorativo

2ª edição da pós-graduação Lisbon Series – Cuidados Paliativos Não Oncológicos
Segundo a Organização Mundial de Saúde, apenas 5% a 10% das mortes ocorre de forma súbita e inesperada, sendo que cerca de 70%...

Como referem os coordenadores do curso, Manuel Luís Capelas e José Luís Pereira, “os doentes não oncológicos requerem cuidados, por vezes, mais especializados que os doentes com cancro, sendo o percurso de vida com a doença muitas vezes mais prolongado, menos previsível e mais gerador de sofrimento, a nível pessoal e familiar, do que o da doença oncológica”. Surge, assim, esta pós graduação, composta por várias unidades que abordarão as necessidades específicas deste tipo de doentes. Serão abordados cuidados ao doente com Insuficiência Cardíaca, Respiratória, Renal, com Doença Neurodegenerativa (nomeadamente as demências), Esclerose Lateral Amiotrófica e Esclerose Múltipla, com SIDA, e em situação crítica (unidades de cuidados intensivos e em serviço de urgência), assim como, não poderia deixar de ser, cuidados ao idoso (vulnerabilidade e fragilidade).

O curso irá decorrer entre janeiro e julho de 2017, destinando-se a todos os profissionais de saúde que queiram adquirir conhecimentos e capacidades adicionais de forma a melhor cuidar dos seus doentes, quer estes sofram ou não de uma doença oncológica e necessitem de cuidados paliativos.

Para mais informações consultar: http://www.ics.lisboa.ucp.pt/site/custom/template/ucptpl_fac.asp?SSPAGEID=975&lang=1&artigoID=3135

Artigo de Opinião
Num mundo em que a cada segundo uma pessoa adulta fica cega e a cada minuto uma criança fica cega, e

De um modo sumário, as causas da cegueira dividem-se em dois grupos. A cegueira curável, cuja causa maior é a catarata, mas que uma cirurgia com recurso a novas tecnologias, Facolaser, pode reverter com enorme margem de segurança e eficácia, e a cegueira irreversível, cujas causas são, no adulto, a retinopatia diabética (RD), a degenerescência macular da idade (DMI) e o glaucoma.

Aqui constata-se algo terrível. Em primeiro lugar, depois de surgir a patologia, o processo é irreversível. Em segundo lugar, a maior parte destes casos podia e devia ter sido evitada. Na RD é essencial a educação do doente para um melhor controlo metabólico e para uma deteção precoce da doença. Um tratamento adequado e atempado, repito, adequado e atempado, é essencial na redução dos casos de cegueira por RD.

Na DMI, o que se referiu para a RD, aqui tem ainda mais expressão, pois o controlo metabólico, o controlo da tensão arterial e a educação para uma vida saudável são de uma importância essencial, pois a “fatura” paga-se mais tarde. Essenciais são também a deteção precoce e o tratamento adequado.

O glaucoma, o “assassino silencioso” da visão só se combate com a educação, entenda-se, com a informação das pessoas, pois só a sua deteção precoce, o tratamento adequado e a compliance do doente permitem controlar a doença e evitar a cegueira.

Na criança, as causas mais importantes de cegueira são a catarata e o glaucoma congénitos e a retinopatia do prematuro. Só a deteção e tratamento precoce permitem melhorar os resultados de intervenção terapêutica nestas crianças.

A OMS estima que em 2020, se não forem tomadas medidas de âmbito mundial e regional, haverá no mundo 75 milhões de cegos e 225 milhões de grandes amblíopes.

É fundamental que, não descurando na medicina curativa, colocando ao dispor dos doentes as novas metodologias de diagnóstico e tratamento, devemos investir fortemente na deteção precoce das doenças, através de rastreios e em campanhas de educação das pessoas.

Neste campo, das campanhas de educação das pessoas, deveria ser manifesta a responsabilidade social dos órgãos de comunicação social: jornais, revistas, rádio e televisão, não se excluindo a responsabilidade dos órgãos oficiais, como o Serviço Nacional de Saúde e a medicina privada.

A luta contra a cegueira é de todos e também nossa, que trouxemos para este campo de batalha o que de melhor há em inovação no diagnóstico e no tratamento, e com décadas de campanhas de rastreios e educação junto da população, para bem da janela que nos liga ao mundo, a visão.

Foto: 
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Ordem dos Médicos
A Ordem dos Médicos propôs ao Governo a criação de um livro de reclamações para profissionais de saúde que obedeça às mesmas...

“A Ordem dos Médicos não pode deixar de verificar que persistem os problemas de grave subfinanciamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS), com o inevitável cortejo de consequências negativas para os doentes”, refere uma nota hoje divulgada.

A Ordem recorda que a decisão de propor ao Ministério da Saúde a criação de um livro de reclamações para profissionais de saúde foi tomada em setembro de 2015 pelo Conselho Nacional Executivo, tendo entretanto ficado parada porque se aproximava o período eleitoral e depois porque o clima político sofreu alterações.

Passado um pouco mais de um ano, embora admitindo que existe um ambiente de diálogo “mais saudável e um conjunto de decisões mais positivas do que no passado”, a Ordem dos Médicos aponta para a persistência de problemas de subfinanciamento e quer a contribuição dos profissionais para a melhora das instituições.

Assim, o livro de sugestões ou de reclamações para profissionais de saúde, eventualmente apenas em formato digital, deveria obedecer às mesmas regras e ser enviado às mesmas instituições que auditam o Livro Amarelo que está à disposição dos utentes, para que possa ser objeto de escrutínio independente.

“A Ordem dos Médicos pretende que esta proposta seja entendida como uma contribuição positiva e não como uma crítica e gostaria que este livro de sugestões/reclamações se pudesse transformar num ‘livro de cabeceira’ e de melhoria contínua da qualidade de todas as instituições de saúde e do próprio Ministério da Saúde”, refere o comunicado hoje divulgado.

Estudo
Tratamentos mais amplos a parasitas intestinais, abrangendo crianças e adultos, ajudariam a melhorar significativamente a saúde...

Susana Vaz Nery, a investigadora portuguesa que integrou a equipa responsável pelo estudo da Australian National University (ANU) - publicado esta semana na revista cientifica Lancet - explicou que os dados mostram que a eficácia dos tratamentos é maior se abrangerem mais do que apenas as crianças.

"Esta é a primeira vez que os investigadores demonstraram que a expansão de programas de medicação para todos os membros da comunidade provavelmente conduzirá a um melhor controlo de vermes intestinais nas crianças", explicou Vaz Nery, da Escola de Saúde Pública da ANU.

Atualmente, as diretrizes internacionais recomendam principalmente o tratamento antiparasitário para crianças, mas este estudo mostra os benefícios de uma estratégia de tratamento mais alargada.

O estudo incluiu um projeto-piloto, conduzido ao longo de um ano a cerca de 500 crianças em Timor-Leste e cujos resultados, segundo a investigadora "apoiam a mesma conclusão" de que "os tratamentos beneficiam mais se toda a comunidade for tratada".

Vaz Nery explicou que até recentemente este grupo de doenças de que os parasitas intestinais fazem parte, "não tinham grande visibilidade em termos de financiamento" por não serem doenças com tanto impacto mortal como outras, como a malária, que tinham mais apoio internacional.

Apesar do seu impacto significativo no desenvolvimento infantil e de mais de mil milhões de pessoas em todo o mundo estarem em risco, as doenças acabavam por não suscitar tanto debate internacional.

"A OMS tem vindo a desenvolver um conjunto de diretrizes que vão sendo modificadas conforme o contexto internacional muda. Como as crianças são o principal grupo afetado, as diretrizes recomendam esta desparasitação focada apenas em crianças", explicou.

O objetivo é que este estudo, uma meta análise comparativa de estudos sobre a aplicação das diferentes modalidades de tratamento, possa ajudar a um debate que torne os critérios de tratamento ainda mais eficazes.

Atualmente, recorda, as campanhas implementadas em países endémicos têm o apoio das próprias companhias farmacêuticas que doam estes medicamentos desde 2012.

Cada pastilha custa 30 cêntimos e o tratamento obriga a uma ou duas doses por ano, dependendo da prevalência, sendo que será necessário ampliar significativamente o apoio caso se opte por ampliar o tratamento a toda a comunidade.

Naomi Clarke, da equipa de investigadores responsáveis pelo estudo, recorda o impacto que os parasitas podem ter nas crianças mais pobres, com crescimento e desenvolvimento precários, perda de sangue intestinal crónica e anemia, em alguns casos.

"Cerca de 880 milhões de crianças em todo o mundo estão expostas a vermes intestinais. Crianças com vermes intestinais podem não desenvolver a sua plena capacidade física e intelectual. Isso torna mais difícil quebrar o ciclo da pobreza", destacou Clarke.

Procuradoria-Geral da República
A Procuradoria-Geral da República revelou hoje que estão em curso mais de 30 buscas em estabelecimentos oficiais relacionados...

De acordo com uma nota da Procuradoria-Geral da República (PGR), as buscas domiciliárias e não domiciliárias em Portugal decorrem na área da Grande Lisboa e do grande Porto.

Além dos estabelecimentos oficiais ligados à área da saúde, duas das buscas realizam-se em escritórios e locais de trabalho de advogados.

No decurso destas diligências foi, igualmente, efetuada uma detenção, que uma fonte ligada ao processo confirmou ter sido Cunha Ribeiro, ex-presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo.

Segundo a PGR, participam na operação três juízes de instrução criminal, oito magistrados do Ministério Público, oito dezenas de elementos da Polícia Judiciária (PJ), seis peritos da Unidade de Perícia Financeira e Contabilística da PJ e nove peritos da Unidade de Tecnologia e Informação da PJ.

"No inquérito investigam-se suspeitas de obtenção, por parte de uma empresa de produtos farmacêuticos, de uma posição de monopólio no fornecimento de plasma humano inativado e de uma posição de domínio no fornecimento de hemoderivados a diversas instituições e serviços que integram o Serviço Nacional de Saúde (SNS)", refere a nota da PGR.

Para o efeito - explica - "um representante da referida empresa de produtos farmacêuticos e um funcionário com relevantes funções no âmbito de procedimentos concursais públicos nesta área da saúde terão acordado entre si que este último utilizaria as suas funções e influência para beneficiar indevidamente a empresa do primeiro".

Os factos em investigação ocorreram entre 1999 e 2015.

De acordo com a informação da PGR, os suspeitos terão obtido vantagens económicas que procuraram ocultar, em determinadas ocasiões com a ajuda de terceiros.

Em causa estão factos suscetíveis de integrarem a prática de crimes de corrupção ativa e passiva, recebimento indevido de vantagem e branqueamento de capitais.

Nesta investigação, o Ministério Público é coadjuvado pela Unidade Nacional de Combate à Corrupção da PJ.

Em Lambeth
Os serviços de saúde de Lambeth, no sul de Londres, lançaram um folheto em língua portuguesa para incentivar a numerosa...

O folheto contém instruções sobre como registar-se no posto médico para ter acesso a um médico de família e, consequentemente, ao sistema nacional de saúde britânico, que é gratuito.

O documento sugere também que os cidadãos portugueses mostrem exames médicos que tenham trazido de Portugal ao novo médico de família, para este conhecer os seus problemas de saúde.

Inclui também outras informações sobre o funcionamento do sistema de saúde, nomeadamente as alternativas aos médicos de família para casos de emergência e o acesso a exames ou vacinas.

A iniciativa partiu de Vikesh Sharma, um médico com consultório em Lambeth, ao qual chegou em 2013 e onde se apercebeu de alguns problemas da comunidade portuguesa.

Em Lambeth, um sexto dos cerca de 300 mil habitantes fala português, mas no centro de saúde Grantham Centre Practice a percentagem é ainda mais elevada: um terço dos 6.000 utentes são lusófonos.

Porém, o médico notou que a taxa de inscrição dos portugueses junto dos centros de saúde era baixa, que recorriam muito aos serviços de emergência dos hospitais e que deixavam agravar doenças por falta de acompanhamento.

A principal barreira é a dificuldade na comunicação em língua inglesa, mas existem também elementos culturais, como a diferença de funcionamento das consultas.

O vereador português em Lambeth Guilherme Rosa considerou "promissora" esta iniciativa, que ajude a comunidade a lidar com problemas de saúde mental ou doenças como os diabetes.

A cônsul-geral de Portugal em Londres, Joana Gaspar, espera que o esforço ajude a ultrapassar a falta de confiança dos portugueses no uso dos serviços de saúde britânicos.

"Existe uma barreira linguística, mais a barreira cultural, e [os portugueses] não se sentem à vontade para recorrer aos serviços públicos que têm à sua disposição, recorrendo apenas em casos de emergência, quando os casos de saúde já são muitas vezes irreversíveis", lamentou.

O documento foi lançado durante um seminário na segunda-feira à noite, que reuniu representantes de outras entidades e organizações que trabalham com minorias étnicas ou com a comunidade portuguesa em particular.

Vikesh Sharma defendeu a necessidade de olhar para o problema de uma forma mais global, que inclua aspetos como a educação, língua ou habitação.

"Ao criar essas relações, podemos reduzir as desigualdades ao nível da saúde", disse.

Cuidado Centrado na Funcionalidade
O serviço de enfermagem do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) vai implementar em 2017 o programa Cuidado...

Segundo António Marques, diretor de enfermagem, que abrange 2.700 profissionais, a implementação deste programa resulta de um estudo pioneiro em Portugal realizado este ano no CHUC por um grupo de enfermeiros.

"A investigação decorreu este ano e, por isso, temos resultados e vamos incorporá-los na prática quotidiana e tirar partido deles, que era uma das nossas intenções", disse o responsável à agência Lusa, salientando que o projeto se insere na linha estratégica da investigação em cuidados de enfermagem.

O estudo abrangeu as quatro enfermarias de Medicina A do Hospital da Universidade de Coimbra, que são as áreas com mais idosos, dividido por um grupo de controlo, em que foi mantida a prática habitual, e outro caso, no qual foi implementado o programa educativo sobre o Cuidado Centrado na Funcionalidade.

Os dados foram recolhidos em quatro momentos (até duas semanas antes da hospitalização, entre o terceiro e o quinto dia de internamento, na alta e três meses após a alta), numa amostra de 101 idosos internados.

De acordo com António Marques, o estudo confirmou "que mais de metade dos utentes tem uma perda de funcionalidade a partir da linha de base que lhe foi diagnosticada até ter alta hospitalar".

"Constatámos ainda que 41,6% das pessoas incluídas no estudo não recuperaram o estado funcional que tinham antes da hospitalização e o que é curioso é que estas pessoas recorrem muito mais ao serviço de urgência após terem alta do que as pessoas que não tiveram episódios de internamento", salientou.

O diretor de enfermagem dos CHUC salientou que o "cidadão que foi cuidado no hospital e teve declínio na funcionalidade procurou a urgência 39,6% a mais, em comparação com aquele que não teve declínio".

O objetivo da implementação do programa de Cuidado Centrado na Funcionalidade é aumentar a taxa de funcionalidade do idoso, uma vez que o "declínio é fator preditor para recorrer mais à urgência".

"É um trabalho muito recente e temos de estabelecer um rumo realista, não sei qual a percentagem que podemos estimar ganhar neste domínio, mas estou convencido, por causa de resultados comparados a outros níveis, que, no mínimo, somos capazes de conseguir mais de 10% de recuperação da funcionalidade", sublinhou António Marques.

Desde 2012, com a criação de um núcleo de investigação em enfermagem, que o CHUC tem desenvolvido um plano estratégico que contempla 30 projetos de melhoria, que, segundo António Marques, apresentam uma taxa de consecução de 94%.

Entre eles, destacam-se também o projeto do Sistema de Classificação de doentes por Graus de Dependência dos Cuidados de Enfermagem, para a determinação da carga de trabalho, que tornou o CHUC no "maior produtor de dados do país".

Os dados, de acordo com a direção de enfermagem dos CHUC, revelaram um desagravamento da sobrecarga de trabalho dos enfermeiros e a qualidade e fiabilidade dos serviços subiu de 42 para 88%, "o melhor resultado no país".

Outro dos projetos com grande impacto prende-se com o internamento de pessoas dependentes, em que, nos últimos quatro anos, foram introduzidas medidas corretivas que permitiram aumentar o número de serviços de excelência (acima de 90%) e reduzir a zero os que estavam abaixo de 75%.

O projeto "Sucesso e Benchmarking", que visou a partilha de experiências bem-sucedidas e a sua adaptação em diversos contextos, contou com a apresentação de 56 iniciativas e a participação de 1.106 enfermeiros, culminando na publicação de duas coletâneas de comunicações.

“Cancro 2020: Podemos fazer (ainda) melhor”
Um estudo sobre cancro defende que os doentes devem poder escolher livremente o local onde querem ser tratados e que os...

Estas são algumas das conclusões do estudo “Cancro 2020: Podemos fazer (ainda) melhor”, que será hoje apresentado em Lisboa.

Trata-se de um projeto promovido pela Escola Nacional de Saúde Pública, da Universidade Nova de Lisboa, e que resulta da análise de um conjunto de especialistas em saúde e peritos nacionais.

“Pretendemos contribuir para a redefinição dos modelos organizacionais e de financiamento, numa altura em que a eficiência do Serviço Nacional de Saúde (SNS) depende da capacidade das instituições para trabalharem em conjunto, numa estratégia verdadeiramente orientada para as necessidades dos doentes e para a criação de valor em saúde”, afirma Rute Simões Ribeiro, a investigadora principal do estudo.

A quarta edição deste “Think Tank” focou-se em duas doenças oncológicas das mais prevalentes em Portugal e no mundo: o cancro da mama e o cancro colorretal.

Os peritos defendem que os doentes possam escolher livremente onde querem ser tratados e deixa uma recomendação aos profissionais de saúde: “Devem aprender a explicar com clareza aos doentes a sua situação, usando linguagem comum”.

Entre as várias conclusões do estudo consta a de que “as instituições devem ser organizadas em função e benefício do doente”.

“Todos os doentes devem receber a mesma qualidade de tratamento, independentemente do hospital onde são seguidos”, defendem os especialistas.

Na opinião destes peritos, todos os doentes devem ser ouvidos e avaliados por equipas multidisciplinares, defendendo ainda a existência de uma “rede de cuidados de excelência”.

Outra conclusão vai no sentido de o financiamento dos hospitais abranger os ganhos em saúde para os doentes e sociedade.

A partir de hoje
Todos os alimentos são obrigados, a partir de hoje, a conter a informação nutricional, apresentada de forma mais clara,...

Estas novas regras de rotulagem nutricional, que emanam de um regulamento europeu, exigem maior visibilidade nos rótulos e mais informação sobre alergénios, entre outras disposições.

Este regulamento entrou em vigor a 13 de dezembro de 2014, mas previa um regime transitório, até hoje, designadamente para produtos que não costumavam conter informação nutricional detalhada, como é o caso da carne fresca de porcinos, ovinos e aves, bem como da origem vegetal de óleos refinados e gorduras.

Assim, embora alguns géneros alimentares já estejam adaptados às novas regras desde 2014, só a partir de hoje é que se torna obrigatória a rotulagem sobre a informação nutricional.

Além de terem de ser mais legíveis, os rótulos terão de indicar de forma clara e uniforme a presença de alergénios alimentares - como soja, frutos secos, glúten ou lactose – em alimentos pré-embalados, assim como os restaurantes e os cafés terão de fornecer esta informação.

Outra obrigatoriedade passa a ser a indicação do país de origem, o que até agora só era obrigatório para a carne fresca de bovino (requisito que foi estabelecido durante a crise da BSE), as frutas e os legumes, o mel e o azeite.

A carne fresca de porco, ovinos, caprinos e aves passa agora também a estar abrangida por esta obrigatoriedade.

Os óleos ou gorduras vegetais têm de indicar a sua origem vegetal específica.

Toda a outra informação - valor energético, lípidos, ácidos gordos saturados, hidratos de carbono, açúcares, proteínas e sal – terá de estar obrigatoriamente indicada nos rótulos de todos os alimentos.

Outra obrigatoriedade é a da indicação da data de congelação da carne, produtos à base de carne e produtos de pesca congelados.

A dimensão dos carateres também foi alvo de correção, passando a ser obrigatória uma dimensão mínima para facilitar a leitura dos rótulos.

Organização Mundial de Saúde
A taxa de mortalidade por malária caiu quase 30% desde 2010, mas em 2015 ainda morreram no mundo 429 mil pessoas devido à...

"Fizemos progressos excelentes, mas o nosso trabalho está incompleto. Só no ano passado, o saldo global da malária atingiu os 212 milhões de casos e as 429 mil mortes", escreveu a diretora-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Margaret Chan, no prefácio do documento.

Publicado anualmente pela OMS, o relatório de 2016 conclui que a taxa de incidência (novos casos) de malária caiu 41% em todo o mundo, entre 2000 e 2015, e 21% entre 2010 e 2015.

Já a taxa de mortalidade diminuiu 62% globalmente entre 2000 e 2015 e 29% entre 2010 e 2015.

Entre as crianças com menos de cinco anos, a taxa de mortalidade terá caído 69% nos últimos 15 anos e 35% nos últimos cinco.

Ainda assim, em 2015, o paludismo matou 303 mil crianças com menos de cinco anos em todo o mundo (70% de todas as mortes).

Entre 2000 e 2015, 17 países eliminaram a malária, ou seja, estiveram pelo menos três anos sem casos indígenas da doença, e seis destes países foram certificados como livres de malária pela OMS.

Além destas, há outras boas notícias destacadas no documento, nomeadamente no diagnóstico e tratamento das crianças e mulheres da África Subsaariana, região que concentra 90% dos casos e 92% das mortes por malária.

Segundo o relatório, em 2015 mais de metade (51%) das crianças com febre que recorreram aos cuidados de saúde públicos em 22 países africanos foram sujeitas a um teste de diagnóstico de malária, quando em 2010 apenas 29% o faziam.

Também a percentagem de mulheres grávidas que receberam as três doses recomendadas de tratamento preventivo da malária aumentou cinco vezes, de 6% em 2010, para 31% em 2015.

A proporção da população em risco na África Subsaariana que dorme sob uma rede mosquiteira tratada com inseticida ou protegida por vaporização residual aumentou de 37% em 2010 para 57% em 2015.

"Estamos definitivamente a ver progressos", afirmou o diretor do Programa Global de Malária da OMS, Pedro Alonso, citado num comunicado da organização.

Contudo, o mesmo responsável alertou que "o mundo ainda está a lutar para alcançar os níveis elevados de cobertura que são necessários para vencer esta doença".

Os autores do relatório confirmam que cerca de 43% da população em risco na África Subsaariana não está ainda protegida pelos métodos primários de controlo do vetor da malária, as redes mosquiteiras e a vaporização residual e em muitos países os sistemas de saúde não têm recursos suficientes e são pouco acessíveis às pessoas mais vulneráveis.

Em 2015, 36% das crianças com febre não foram levados aos serviços de saúde em 23 países africanos.

No relatório, a diretora-geral da OMS considera "uma prioridade urgente" o aumento do financiamento dos programas de controlo da malária.

Segundo o relatório, o financiamento quase estagnou entre 2010 e 2015, ano en que totalizou 2,9 mil milhões de dólares, menos do que metade do objetivo.

"Para alcançarmos as nossas metas globais, as contribuições, tanto das fontes domésticas como internacionais, devem aumentar substancialmente, alcançando 6,4 mil milhões de dólares anuais até 2020", escreve Margaret Chan.

A malária é provocada por um parasita do género Plasmodium, que é transmitido aos seres humanos através da picada de uma fêmea do mosquito Anopheles.

Existem várias espécies, mas o Plasmodium falciparum é o mais perigoso para os humanos e o mais prevalente em África, onde se concentram 90% das mortes pela doença.

Os primeiros sintomas da malária são febre, dores de cabeça e vómitos e aparecem entre 10 e 15 dias depois da picada do mosquito, mas se não for tratada, a malária por P. falciparum pode progredir para uma fase grave e acabar por matar.

O combate à doença passa por uma diversidade de estratégias, que passam pela prevenção, através do uso de redes mosquiteiras impregnadas de inseticida e pulverização do domicílio, assim como pelo diagnóstico e tratamento dos casos confirmados com medicamentos anti-maláricos.

Ainda não existe qualquer vacina para a doença, mas a OMS anunciou no mês passado que a primeira vacina contra a doença será lançada em 2018 na África Subsaariana.

Comece já hoje a prevenir
As doenças cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte em Portugal.
Estetoscópio e coração a ilustrar a doença coronária

Em Portugal, 70% da população tem colesterol elevado, 20% é fumadora e obesa, 40% é hipertensa, a maioria é sedentária (somos o país da União Europeia com menos praticantes de atividade física), o número de diabéticos tem vindo a aumentar consideravelmente e estamos a adoptar uma dieta cada vez menos mediterrânica. Tudo isto contribuiu para que as doenças cardiovasculares representem a principal causa de morte em Portugal (cerca de um terço).

O coração é um músculo cuja função é impulsionar o sangue a todos os pontos do corpo através das artérias. As artérias coronárias estão situadas na superfície do coração para alimentar o músculo cardíaco (miocárdio). As duas principais são a artéria coronária direita e a artéria coronária esquerda. Esta última, por sua vez, compreende duas artérias secundárias muito importantes: a artéria descendente anterior e a artéria circunflexa. Cada uma destas artérias leva sangue a uma determinada zona do coração. As artérias coronárias saudáveis têm um interior liso flexível, que deixa passar livremente o sangue. Quando existem obstáculos à passagem de sangue no interior das artérias, existirão zonas do coração que não vão ser devidamente irrigadas. Esta disfunção é designada por doença coronária.

A doença coronária consiste no desenvolvimento de placas ateroscleróticas no interior das artérias coronárias. Estas placas são formadas por depósitos de gordura e de outras substâncias na parede das artérias coronárias, que estreitam a entrada dos vasos, impedindo a normal circulação sanguínea no seu interior e a correta irrigação dos tecidos do coração.

Fatores de risco da doença coronária

Para a formação de placas de aterosclerose nas artérias coronárias contribuem um conjunto de factores de risco, essencialmente relacionados com o estilo de vida. É possível influir e modificar alguns fatores de risco. Contudo, existem outros que não são modificáveis, mas, que também, podem contribuir significativamente para o desenvolvimento da doença coronária.

Fatores de risco modificáveis

Tabagismo, sedentarismo, stress, obesidade e excesso de peso, hipertensão arterial, hipercolesterolémia, diabetes mellitus.

Fatores de risco não modificáveis

Idade avançada, género masculino, história familiar.

Nós deixamos alguns conselhos:

Por tudo o que dissemos, comece já hoje a prevenir.

Se fuma…deixe de fumar; caminhe pelo menos 30 minutos por dia (contribui para a diminuição da tensão arterial, alívio do stress e melhoria do sono), reduza o consumo de sal…use ervas aromáticas; coma menos gordura e mais verdura; reduza o consumo de álcool; tome os medicamentos segundo as instruções dos profissionais de saúde…não os pare de tomar sem eles terem tomado conhecimento; seja positivo em tudo o que faz…faça novos amigos e faça o favor de ser feliz!

Continue no Caminho Para Um Coração Saudável…

Bibliografia: Texto elaborado a partir de publicações da Sociedade Portuguesa de Hipertensão: “7 dias do coração” (2013) e “Dia Europeu do Doente Coronário” (2012).

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico e/ou Farmacêutico.
"Rationing - Missed care: An international and multidimensional problem"
Investigadores do Porto estão a participar num projeto de 31 países destinado a encontrar possíveis soluções para o...

Com o projeto "Rationing - Missed care: An international and multidimensional problem" (Racionamento - Cuidados perdidos: Um problema internacional e multidimensional), pretende-se perceber a dimensão do problema, quantificando-o, bem como determinar as principais causas e possíveis intervenções para o mitigar.

"Por diversos motivos, incluindo recursos humanos insuficientes, aumento da procura por cuidados de saúde, restrições financeiras, decisão clínica, entre outros, os cuidados de enfermagem são por vezes racionados", indicou o investigador do Centro de Engenharia e Gestão Industrial (CEGI) do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC) Mário Amorim Lopes.

Este racionamento leva a que "não seja possível contratar mais gente", passando um enfermeiro que supervisione entre dez a 15 camas de internamento a ter que se ocupar de 20 ou 30, não conseguindo prestar "o mesmo nível e qualidade de serviço", explicou à Lusa o investigador.

"No limite, isto pode colocar a vida dos pacientes em risco, para além de conduzir ao burnout [distúrbio depressivo, precedido de esgotamento físico e mental intenso] do profissional, o que pode ter repercussões na sua própria saúde", referiu.

Outro dos objetivos desta iniciativa é encontrar uma base metodológica para abordar o problema do racionamento, que tem implicações na prática clínica mas que também suscita considerações éticas e filosóficas, assim como questões económicas e sociais.

"Ao contrário do entendimento generalizado, os gastos em saúde não são uma despesa, mas um investimento", indicou Mário Amorim Lopes, acrescentando que "uma população doente tem um elevado custo económico, que excede em larga medida os custos de tratamento".

Para o investigador, não obstante o prejuízo pessoal, esta situação afeta também a produtividade do país, o consumo e, em última análise, o crescimento económico, tornando-se assim fundamental perceber que ganhos podem ser gerados com o aumento de determinada despesa em saúde e, em particular, nos cuidados de enfermagem.

Os quatro grupos de trabalho vão abordar diferentes áreas, voltando-se o primeiro para a conceptualização, a organização e as metodologias, enquanto o segundo vai estudar as intervenções e conceções com base em evidências.

As dimensões éticas do racionamento dos cuidados de enfermagem fica a cargo do grupo 3 e, finalmente, a quarta equipa vai focar o seu trabalho nas áreas da educação e da formação.

O projeto, que envolve cerca de 80 investigadores de 31 países, associações que representam os enfermeiros e a Organização Mundial de Saúde (OMS), por exemplo, é financiado pela agência europeia Cost - European Cooperation in Science and Technology.

Os envolvidos esperam que os resultados obtidos nestes estudos culminem na publicação de artigos científicos, na promoção de conferências, de seminários e de 'workshops', assim como na disseminação a decisores políticos, a instituições e à sociedade civil.

Ordem dos Médicos
Os atestados médicos eletrónicos para a carta de condução vão poder ser passados por todos os médicos e o processo entrará em...

Segundo um comunicado emitido pela Ordem dos Médicos, “a implementação do processo de desmaterialização da emissão de atestados para cartas de condução vai ser adiado para 1 de abril”.

“Pretende-se dar tempo suficiente para descomplexificar, preparar e testar todos os procedimentos de forma exaustiva, bem como permitir tempo suficiente para as necessárias avaliações e adaptações, assim como para a formação dos profissionais, evitando sobrecargas e tensões desnecessárias”, refere o comunicado.

Segundo a Ordem, o processo entrará em vigor em simultâneo no setor público e privado, já que os atestados eletrónicos para a carta de condução “podem ser emitidos por todos os médicos”.

Na semana passada, o Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos pedia ao Governo uma alteração legislativa para que os atestados médicos eletrónicos para a carta de condução deixem de ser obrigatoriamente passados por profissionais do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

O presidente do Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos manifestou-se preocupado com a “sobrecarga” de trabalho que os médicos de família passariam a ter a partir de janeiro devido à obrigatoriedade de atestados médicos eletrónicos para as cartas de condução serem passados pelos profissionais do SNS.

Direção-Geral da Saúde
Nem todas as unidades de saúde garantem descontaminação de materiais e equipamentos. Materiais como seringas continuam a ser...

A participação das unidades de saúde na campanha para prevenir infeções nos hospitais e outras unidades de saúde aumentou entre 2014 e 2015 e houve melhorias em praticamente todos os índices de precauções básicas de controlo de infeção. Mas os níveis alcançados em 2015 continuam muito abaixo dos objetivos, de acordo com o relatório de uma auditoria realizada e publicada no site da Direção-Geral da Saúde (DGS).

O documento quantifica em 266 o universo de unidades de cuidados hospitalares, primários e continuados inscritas na plataforma da campanha. Mas nota que, dessas, apenas 237 inseriram os dados necessários — um número que equivale a apenas 27,7% do total de unidades de saúde existentes em Portugal. Assim se conclui que pouco mais de um quarto do total de hospitais públicos e privados, agrupamentos de centros de saúde e unidades de cuidados continuados (no continente e ilhas) aderiu à campanha. Em 2014, apenas 21,6% o tinham feito.

Muito acima da média estão os hospitais públicos, com uma adesão de mais de 96%, e os centros de saúde da Madeira, com uma adesão de 100% tanto em 2015 como no ano anterior. Os hospitais privados continuaram em 2015 abaixo da média de 27,7% (com 23,8%), sendo que em 2014 apenas 8,9% tinham participado na campanha.

Seringas e descontaminação
Este trabalho — da responsabilidade do Programa de Prevenção e Controlo de Infeção e de Resistências aos Antimicrobianos (PPCIRA) — refere, por exemplo, que 10% das unidades de saúde utilizavam medidas injetáveis de dose múltipla; e em 4,2% dessas unidades eram usadas seringas de uso múltiplo, para biópsias.

As unidades de saúde garantiram que o processo de descontaminação era adequado. O relatório recomenda formação na segurança de injetáveis e transfusões, já que, "para além dos problemas relacionados com a infeção [...], um dos eventos adversos mais frequentes são erros medicamentosos".

Por outro lado, em 6,3% das unidades de saúde continuavam em 2015 a ser reutilizados materiais que, à partida, eram de uso único. Nos restantes 93,7% não eram reutilizados em 2015 esses materiais (o que corresponde a um aumento relativamente aos 90,9% de 2014). Em síntese: o documento identifica melhorias em todos os critérios relativos à descontaminação, mas o indicador continua abaixo dos desejáveis 100%.

Também em 2015, existia em 84,5% das unidades de saúde um protocolo interno de descontaminação de materiais e equipamentos que o documento diz ser necessário em todas. A percentagem era ainda mais baixa (78,6%) em 2014.

Condições para isolamento
Por outro lado, os exemplos de evolução positiva são vários. Melhoraram, por exemplo, as condições para isolamento dos utentes e a avaliação individual do risco de infeção do doente desde a sua admissão até à alta hospitalar. Concretamente, em 2015, havia condições para isolamento dos utentes em 82,6% das unidades de saúde (e este dado inclui o isolamento através das precauções de contacto), quando essa percentagem era de 81,5% em 2014.

O documento salienta, por outro lado, o aumento de 10,3 pontos percentuais no critério da avaliação de risco individual de infeção: 72,6% das unidades de saúde tinham, em 2015, aplicado o sistema de acompanhamento desde a admissão do doente até à alta hospitalar, quando em 2014 essa percentagem era de apenas 59,7%.

Entre Janeiro e Novembro
Cada vez mais doentes sobrevivem através de medicamentos inovadores que o SNS não comparticipa. A maior parte é para...

Entre Janeiro e Novembro houve 1678 doentes que só puderam ser tratados com medicamentos inovadores nos hospitais portugueses mediante um mecanismo conhecido como “autorização de utilização excecional” (AUE). Esta autorização serve para dar resposta aos casos em que os fármacos estão no mercado, mas o Serviço Nacional de Saúde ainda não decidiu se os vai ou não comparticipar.

O problema é que em Portugal as autorizações acabam por ser utilizadas durante longos períodos, já que a decisão sobre as comparticipações chega a demorar dois anos. Como os hospitais não têm todos os mesmos critérios na hora de solicitar estas autorizações, o processo acaba por gerar desigualdades entre doentes e muita despesa para os hospitais. O exemplo mais mediático até agora foi o dos novos tratamentos para a hepatite C.

A demora na avaliação dos medicamentos e a chegada de cada vez mais fármacos ao mercado tem-se espelhado no aumento das AUE. Em 2015 foram concedidas um total de 1485 autorizações excecionais e neste ano, só até dia 17 de Novembro, o valor já estava próximo das 1700, indicam os dados enviados ao jornal Público pela Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed).

“Os utentes terão sempre acesso aos medicamentos de que necessitam e as AUE serão aprovadas enquanto as avaliações estiverem em curso. Estamos a fazer uma melhor gestão dos recursos e a aumentar a acessibilidade aos medicamentos inovadores”, garantiu ao jornal Público o organismo, em resposta escrita.

O Infarmed garante também que, com as avaliações que estão quase a terminar, será possível reduzir bastante estes valores. “Neste momento existem cerca de 40 novos medicamentos com financiamento aprovado ou em fase final de aprovação. Além destes 40 medicamentos espera-se a concretização de mais dez processos de medicamentos inovadores até ao final do ano”, esclarece a autoridade. Segundo a Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma), há pelo menos mais 15 inovadores para além dos processos que o Infarmed prevê terminar.

“Com estas aprovações concedidas, será possível uma redução de 34% nesse total, correspondente a 578 AUE”, reforça o regulador do medicamento, assegurando que, “relativamente aos prazos de conclusão dos processos dos medicamentos inovadores”, estão a “caminhar para a resolução dos atrasos, sendo uma das principais medidas a constituição da Comissão de Avaliação de Tecnologias de Saúde (CATS)”.

Fármacos de fim de linha
Esta comissão recentemente criada conta com 100 peritos e vai ter mais 20 profissionais para agilizar os processos — que, por lei, devem ser concluídos em 75 dias. A maior parte destes medicamentos utilizados através das AUE são para tratamentos na área da oncologia, que reúne o “maior número de aprovações”. Mas também há fármacos para áreas como o VIH, diabetes, hepatite C, hemofilia e doenças respiratórias. Ou seja, quase sempre são medicamentos de fim de linha, em que os doentes já tentaram todas as outras terapêuticas, sem sucesso, e resta-lhes uma última hipótese.

Há um mês, durante um congresso organizado pela Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares, o presidente do Infarmed, Henrique Luz Rodrigues, anunciou que tem como objetivo terminar com as AUE que são dadas devido a atrasos nas aprovações das comparticipações. “Se os medicamentos forem aprovados atempadamente, as AUE não têm razão de ser”, frisou.

Um dos problemas das AUE é que acabam por gerar uma despesa sem controlo para os hospitais, que durante o período excecional têm de pagar os medicamentos de acordo com o preço imposto pela farmacêutica — que normalmente é superior àquele a que o Infarmed chega após a análise da comparticipação. O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, avançou no Parlamento, no início de Novembro, que o valor das autorizações ascendia aos 60 milhões de euros anuais.

Por isso, a tutela já propôs um acordo com a indústria. Se o Infarmed começar a cumprir o prazo de 75 dias, os laboratórios estão disponíveis para ceder gratuitamente ao Estado os tratamentos que forem necessários durante estes dois meses e meio. A partir desse prazo, voltam a cobrar um preço tabelado e superior ao que se consegue após as negociações da comparticipação.

Glifosato
Diploma procede à primeira alteração à lei de 2013 que regula a distribuição, venda e aplicação de pesticidas que têm como...

Não chegou a haver maioria para aprovar o fim do uso do glifosato — nem entre os partidos da Assembleia da República nem entre os 28 Estados-membros da União Europeia. Agora, o Governo português avança com um projeto de decreto-lei para alterar a legislação existente desde 2013 que, na prática, passa a proibir este tipo de produtos, que contêm o glifosato, em locais públicos.

Se o diploma avançar tal como está, escreve o jornal Público, o uso de pesticidas com glifosato será proibido nos “jardins infantis, jardins e parques urbanos de proximidade e nos parques de campismo", mas também "nos hospitais e noutros locais de prestação de cuidados de saúde ou lares e residências para idosos", nas escolas e estabelecimentos de ensino, sendo a exceção os dedicados às ciências agrárias.

O diploma procede à primeira alteração à lei de 2013 que “regula a distribuição, venda e aplicação de pesticidas para uso profissional, e define os procedimentos de monitorização à utilização desses produtos”. E estabelece que “a aplicação” de herbicidas deste tipo apenas pode ser utilizada em circunstâncias especiais: quando não houver “meios e técnicas de controlo alternativos” ou “quando se esteja perante um risco para a agricultura, floresta ou ambientes naturais".

Nestes casos, estabelece o diploma, deve ser dada preferência aos produtos “cuja utilização é permitida em modo de produção biológico”, produtos “de baixo risco ou que apresentem baixa perigosidade” e que “não exijam medidas particulares de redução do risco para o homem ou o ambiente”.

Efeitos nocivos
A Organização Mundial da Saúde (OMS) e outras agências da ONU referiram, em Maio deste ano, ser pouco provável o glifosato — o ingrediente ativo da fórmula de alguns herbicidas — provocar cancro, como defendem organizações para a defesa do ambiente. Nas discussões deste ano no Parlamento sobre o uso do glifosato, não houve consenso acerca dos estudos científicos publicados sobre os eventuais efeitos nocivos do herbicida na saúde humana.

Em Maio, na discussão parlamentar de uma proposta do Bloco de Esquerda chumbada na Assembleia com os votos contra da direita e dos comunistas, para proibir a aplicação de produtos que contêm glifosato, o ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos, disse estar globalmente de acordo com as medidas apresentadas pelos bloquistas e anunciou que o Governo preparava legislação que ia no sentido dessa proibição.

Nesse mesmo mês, a Comissão Europeia concluiu que "os Estados-Membros não estavam preparados para assumir a responsabilidade por uma decisão sobre esta substância ativa". E na véspera de expirar a licença para utilização deste herbicida, cuja utilização foi aprovada em 2002 na União Europeia, decidiu prolongar por ano e meio a licença de uso do glifosato até 31 de Dezembro de 2017.

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