SRNOM e Banco Carregosa
A Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos e o Banco Carregosa, dando continuidade à parceria de sucesso iniciada em 2016,...

A Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos (SRNOM) e o Banco Carregosa incentivam os investigadores a apresentar os seus projetos a este prémio. As duas entidades criaram esta distinção como um estímulo a uma atividade em clara expansão e que é uma das maiores oportunidades de desenvolvimento na área das ciências e tecnologias da saúde em Portugal.

A 1ª edição do Prémio distinguiu Liane Costa, jovem médica e investigadora do Centro Hospitalar de São João (Porto), com uma investigação sobre «o impacto do excesso de peso e da obesidade no funcionamento dos rins e na saúde dos vasos sanguíneos de crianças de 8-9 anos». Eduardo Rodrigues Pinto, médico gastroenterologista no Centro Hospitalar de São João, e Mário Sousa, professor do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) foram distinguidos com as Menções Honrosas.

O Prémio Banco Carregosa/SRNOM é uma distinção de âmbito nacional destinada a pessoas singulares ou coletivas com projetos relevantes na área da investigação clínica e tem um valor total de 25 mil euros, distribuídos da seguinte forma: 20 mil para o projeto vencedor e cinco mil para duas menções honrosas.

As candidaturas estão abertas até 6 de Outubro e devem ser formalizadas através do preenchimento do formulário de candidatura, que se indica abaixo, e enviadas para [email protected] e por correio registado para Prémio Carregosa / SRNOM Rua Delfim Maia, 405 4200-256 Porto.

A cerimónia de atribuição do Prémio Carregosa/SRNOM - 2017 terá lugar em data a anunciar.

As informações sobre o regulamento do prémio bem como o formulário de candidatura podem ser consultados em http://bit.ly/2BCSRNOM .

Desde 2009
O programa de rastreio do cancro da mama, que está a ser implementado na região Norte desde 2009, estendeu-se a 75 concelhos e...

A Administração Regional de Saúde do Norte (ARS Norte) iniciou em 2009 um programa de rastreio do cancro da mama, que se estende agora aos concelhos de Vila Pouca de Aguiar, no distrito de Vila Real, e Torre do Moncorvo, distrito Bragança.

Até meados de julho, serão convidadas, por carta, a fazer uma mamografia cerca de 2.600 mulheres elegíveis com idades compreendidas entre os 45 e os 69 anos, inscritas no centro de saúde de Vila Pouca de Aguiar.

O local de realização é a unidade móvel de rastreio estacionada junto àquele centro de saúde.

Em Torre de Moncorvo, o convite é dirigido a cerca de 1.300 utentes e o rastreio será feito também numa unidade móvel.

De acordo com dados fornecidos à agência Lusa pela ARS Norte, nestes oito anos o programa abrangeu quase 25% da população feminina da região norte, com idades compreendidas entre os 45 e 69 anos, e foi gradualmente alargando a sua cobertura, abarcando, no final do ano passado, 75 concelhos (87%) e 20 agrupamentos de centros de saúde (83%).

Segundo a ARS, entre 01 janeiro e 31 maio de 2017, foram rastreadas 84.513 mulheres, realizadas 4.778 consultas de aferição e referenciadas para os hospitais 528 mulheres com resultado positivo.

Em 2016, foram convidadas 268.412 mulheres e rastreadas 155.057, foram ainda realizadas 6.961 consultas de aferição e o número de casos positivos referenciados para o hospital foi 766.

Desde o final do ano passado que todos os ACES da região estão abrangidos e as unidades de rastreio são já 19 (quatro fixas e 15 móveis).

A ARS Norte contratou os serviços da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), para a realização de mamografias, consultas e exames complementares, sempre que estes forem necessários, bem como para o envio das cartas convite.

O exame de rastreio é a mamografia, que todas as mulheres elegíveis (isto é sem motivos de exclusão) com idades compreendidas entre os 45 e os 69 anos, inscritas nas unidades de saúde dos cuidados de saúde primários de toda a região Norte, são convidadas a fazer a cada dois anos.

Atualmente, segundo dados da LPCC, em Portugal, com uma população feminina de cinco milhões, surgem 6.000 novos casos de cancro da mama por ano, ou seja 11 novos casos por dia, morrendo por dia quatro mulheres com esta doença.

Parlamento da Saúde
A venda de dados em saúde, investir as receitas no Serviço Nacional de Saúde e a criação de um “título de impacto social em...

Estas propostas para “melhorar o futuro da saúde em Portugal” traduzem o trabalho desenvolvido nos últimos seis meses pelos 60 deputados do ‘Health Parliament Portugal’ (HPP),

Em declarações, a presidente do HPP, Ana Castro, adiantou que há propostas relacionadas “com a partilha, a proteção dos dados e a valorização dos dados em saúde” que são transversais aos grupos das Tecnologias de Informação, da Ética e do Doente no Centro da Decisão.

“Dentro desta área há várias recomendações que têm algumas implicações, não só a nível do Serviço Nacional de Saúde, mas também a nível social, porque as pessoas estando mais informadas podem participar melhor nestas decisões, e nos dados que vamos obter em saúde”, disse a médica.

Entre essas recomendações estão a criação de “um modelo que permita aos cidadãos partilharem os seus dados em saúde através de um consentimento informado para que os mesmos possam ser utilizados em resposta a necessidades concretas” e uma proposta para “legislar a cedência ou venda de dados em saúde e investir as receitas” no SNS.

Ana Castro destacou também medidas na área da saúde mental, como a criação do “primeiro título de impacto social da saúde mental”, através do qual “alguns investidores sociais vão financiar um projeto”, sendo depois remunerados pela entidade pública.

Esta medida permitirá também que “as pessoas com doença mental possam ser integradas na sociedade”, explicou.

Muitas das recomendações hoje apresentadas no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa, perante mais de 150 personalidades ligadas ao setor da saúde, entre as quais o ministro Adalberto Campos Fernandes, prendem-se com a literacia em saúde, que “é muito baixa” em Portugal.

“A literacia em saúde vai permitir à população ter comportamentos mais saudáveis e atuar na área da prevenção primária”, sublinhou.

Numa outra fase, vai permitir que “os doentes possam perceber qual é o fluxo que devem seguir dentro do SNS e que acesso lhes é permitido”, diminuindo assim as barreiras no acesso à saúde.

São propostas também medidas “realmente inovadoras” na área dos cuidados continuados, que defendem o aproveitamento de unidades desativadas para aumentar a resposta, mas também para serem “escolas de formação” para uma medida proposta: o estatuto do cuidador informal.

No fundo, é “o Estado reconhecer o estatuto do cuidador informal como se fosse uma profissão”, explicou.

Para Ana Castro, “mais do que as recomendações apresentadas” está o facto de algumas propostas já estarem a ser postas em prática.

“O grupo das Barreiras aos Cuidados de Saúde já foi convidado pelo Ministério da Saúde para integrar um grupo de trabalho para o projeto o SNS + Proximidade, onde já está a implementar algumas destas medidas”, contou.

“Portanto, isto não termina aqui porque as pessoas fizeram estas recomendações” e agora têm “a oportunidade de poderem continuar as negociações com os diferentes ministérios, secretarias de Estado, para implementar algumas delas”, vincou.

Os 60 deputados foram divididos em seis comissões parlamentares e tiveram como mentores e curadores Maria de Belém Roseira, Paulo Macedo, Manuel Pizarro, Francisco Ramos, Artur Santos Silva e Alexandre Quintanilha, entre outras personalidades.

Portugal foi o terceiro país a acolher o Health Parliament, depois de ter passado por Bruxelas e pelo Reino Unido.

Escola Superior de Enfermagem de Coimbra
Oito projetos foram apresentados na Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, no âmbito da 14ª edição do concurso de ideias e...

Um dispositivo inovador que visa melhorar a segurança dos profissionais e reduzir o risco de infeção associada à punção endovenosa, venceu a fase regional do 14º Concurso Poliempreende na Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC), realizada hoje (dia 29 de junho).

Inês Mendes, Diana Carvalho, Mónica Oliveira, Joana Costa, Tânia Neto, e Daniel Ventura (finalistas de Enfermagem da ESEnfC), Pedro Parreira são os promotores deste projeto na área da saúde (ver FOTO EM ANEXO), intitulado “SPV – Safe Puncture Valve” e que, em setembro, vai concorrer com os principais projetos de vocação empresarial de cada um dos institutos politécnicos do país, que se vão defrontar na final do Poliempreende (etapa nacional), a decorrer em Bragança.

Oito projetos de ideias de negócio, envolvendo cerca de quatro dezenas de estudantes e docentes da ESEnfC, foram apreciados por um júri constituído por Maria da Conceição Bento (Presidente da ESEnfC), Luís Figueiredo (Pharmilab), Luís Andrade (Instituto Pedro Nunes), Patrícia Marques (JP Cruz), Maria Clara Lopes (UCC Norton de Matos) e Nuno Barbosa (Vygon - Portugal).

Em 2017, os prémios atribuídos no âmbito da fase regional do 14º Poliempreende na ESEnfC foram patrocinados pelo PIN – Poli Entreprenuership Innovation Networks, COMPETE 2020, Portugal 2020 e União Europeia, através do FEDER (Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional) e pela empresa Vygon.

O Poliempreende é um concurso que engloba a comunidade escolar das instituições de ensino superior politécnico portuguesas e que tem por objetivos fomentar a promoção do espírito empreendedor e o desenvolvimento de competências que contribuam para o enriquecimento pessoal e profissional.

Mieloma múltiplo
Especialistas do Porto receberam uma bolsa de 15 mil euros para encontrar biomarcadores que indiquem a resistência a...

O mieloma múltiplo é uma doença sem cura, originada por um crescimento anormal de uma proteína criada pelas células plasmáticas (plasmócitos), e que se manifesta, geralmente, ao atingir órgãos como os rins, os ossos e a medula óssea, explicou o médico Rui Bergantim, do serviço de hematologia clínica do Hospital São João, do Porto.

Atinge, habitualmente, indivíduos entre os 60 e os 65 anos, sendo a maior parte dos sintomas "muito genéricos e inespecíficos", como as dores ósseas e na lombar, o cansaço, os edemas nos membros inferiores e a diminuição da força, o que leva, muitas vezes, a um diagnóstico tardio.

As opções atuais de tratamento para o mieloma múltiplo são escolhidas de acordo com as comorbilidades dos pacientes (doenças que se desenvolvem ao mesmo tempo que outras já presentes no organismo), a idade e a possibilidade de transplante de medula óssea.

De acordo com Rui Bergantim, e segundo dados publicados pelo Globocan (plataforma que fornece estimativas sobre a incidência, a mortalidade e a prevalência dos principais tipos de cancro em 184 países), relativos ao ano 2012, estima-se que, em Portugal, surjam 513 novos casos de mieloma múltiplo por ano.

O objetivo do projeto distinguido é, segundo o especialista, identificar a resistência e a sensibilidade dos doentes antes que estes iniciem o tratamento, através de uma análise sanguínea, de forma a evitar a toma de medicação desnecessária, aumentar a eficácia terapêutica e diminuir os gastos do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Este prémio é a primeira bolsa atribuída para Investigação em Mieloma Múltiplo, uma iniciativa da Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL), da Sociedade Portuguesa de Hematologia (SPH) e da Amgen Biofarmacêutica.

Ao longo do projeto, que terá a duração de um ano, os especialistas pretendem estabelecer padrões de associação entre os biomarcadores identificados e apontar as principais alterações citogenéticas (ao nível dos cromossomas) relacionadas com a doença.

Esperam ainda explorar novas metodologias, como as biopsias líquidas, de modo a evitar a realização de biopsias ósseas, consideradas invasivas e dolorosas.

Segundo Rui Bergantim, nos últimos anos, foi possível aumentar muito a sobrevida [tempo de vida após o diagnóstico] dos doentes portadores de mieloma múltiplo, devido à evolução da medicina, transformando "uma doença que era fatal, em crónica".

"Há dez anos, os doentes diagnosticados com esta patologia tinham uma sobrevida inferior a dois anos", no entanto, hoje em dia, "conseguem ter entre cinco a dez anos", período que o especialista acredita "vir a aumentar no futuro".

Com o auxílio desta bolsa, os investigadores vão dar início aos testes das cerca de 140 amostras de sangue recolhidas até ao momento, contando ter resultados no próximo ano.

Da equipa de investigação fazem também parte a especialista em hematologia clínica do Hospital de São João, Fernanda Trigo, e a professora da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, Maria Helena Vasconcelos, também líder do grupo "Cancer Drug Resistance", do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S).

A cerimónia de entrega da bolsa ocorreu quinta-feira, na Fundação Calouste Gulbenkian, num evento que contou com a presença do ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes.

Baixa lisboeta
Os valores de poluentes prejudiciais para a saúde são elevados na avenida da Liberdade, em Lisboa, apesar das Zonas de Emissão...

Poucos dias antes da proibição da entrada de táxis com mais de 17 anos que não respeitem as normas sobre emissões, na Baixa lisboeta, fixada para segunda-feira, a Associação Sistema Terrestre Sustentável, Zero, vem alertar que, "na avenida da Liberdade, em Lisboa, já há valores bastante elevados de ultrapassagem de dióxido de azoto e em relação às partículas inaláveis, as PM10, [está] sensivelmente a metade".

É possível ter até 35 dias por ano o valor limite de PM10, e, segundo as contas dos ambientalistas, já foi atingida metade do número de dias.

Mas, alertou Carla Graça, nos próximos meses haverá menos vento e menor dispersão de poluentes, sendo "provável que nos próximos tempos também se verifique maior nível de partículas, mesmo com redução do trafégo devido às férias".

Apesar das limitações já em vigor para a circulação automóvel, "há de facto tendência para que estes valores continuem a ser ultrapassados", disse a ambientalista em declarações à agência Lusa.

Para a Zero, esta "é uma questão não só de cumprimento da legislação, mas até de salvaguarda das pessoas que vivem e trabalham" na zona da Baixa lisboeta.

Em 2015, acrescenta, a estação de monitorização da qualidade do ar da avenida da Liberdade voltou a apresentar resultados para as PM10 e o dióxido de azoto acima do limite previsto na legislação nacional e europeia, e no ano seguinte, com condições meteorológicas mais favoráveis, só o limite anual de dióxido de azoto não foi cumprido.

"Não há suficiente fiscalização e continuamos a ver automóveis antigos a frequentar a zona da Baixa", mesmo tendo em conta a exceção para moradores, acrescentou.

Esta situação não tem a ver com os automóveis de alta cilindrada, que emitem mais dióxido de carbono, um gás com efeito de estufa diferente dos poluentes que têm impacto direto na saúde humana, nomeadamente nas vias respiratórias.

Em janeiro de 2015, a terceira fase das Zonas de Emissão Reduzida (ZER) entrou em vigor trazendo maiores restrições para os veículos ligeiros na zona da Baixa de Lisboa (rua Alexandre Herculano, praça do Comércio, Cais do Sodré e Campo das Cebola) e depois até Entrecampos.

As novas regras contemplaram "um período de exceção para os taxistas de modo a que se pudessem adaptar", para renovarem a frota e aplicarem filtros nos automóveis, lembrou Carla Graça.

Agora as limitações passam a abranger também os táxis fabricados antes de 1 de janeiro de 2000, a partir de segunda-feira, já que 01 de julho é sábado e a norma é válida para dias úteis das 07:00 às 21:00.

Além do aumento da fiscalização pela PSP e pela Polícia Municipal, os ambientalistas esperam incentivos à utilização de transportes públicos e facilidade de andar a pé ou de bicicleta.

Carla Graça disse ainda que os corredores para bicicleta não existem ou não são os mais indicados, "a convivência entre o ciclista e o automobilista não é fácil, muitas vezes com risco" para o primeiro e ser peão em Lisboa "continua a não ser fácil" porque há muitas barreiras.

Instituto Português do Mar e da Atmosfera
Portugal continental, com exceção do distrito de Bragança, a Madeira e algumas ilhas dos Açores apresentam hoje um risco ‘muito...

De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), apenas o distrito de Bragança e a ilha açoriana da Terceira apresentam um risco ‘elevado’.

Para as regiões com risco 'muito elevado' e 'elevado', o Instituto recomenda o uso de óculos de sol com filtro ultravioleta (UV), chapéu, ‘t-shirt’, guarda-sol e protetor solar, além de desaconselhar a exposição das crianças ao sol.

Os índices UV variam entre menor do que 2, em que o UV é 'Baixo', 3 a 5 ('moderado'), 6 a 7 ('elevado'), 8 a 10 ('muito elevado') e superior a 11 ('extremo').

Para o continental, o IPMA prevê para hoje aguaceiros fracos no Norte e Centro até meio da tarde e vento por vezes forte na costa ocidental durante a tarde e nas terras altas.

Nos Açores são esperados períodos de céu muito nublado com boas abertas e na Madeira também se aguardam períodos de céu muito nublado, mas com possibilidade de ocorrência de aguaceiros fracos nas vertentes norte e terras altas. O vento vai soprar moderado a forte na Madeira.

Ordem dos Médicos
A psiquiatria deverá ser a especialidade com um tempo mínimo de intervalo entre consultas mais alargado, que na medicina geral...

O bastonário Miguel Guimarães já tinha anunciado que a Ordem estava a avançar na definição de tempos padrão de consultas por especialidade, que terão de passar a ser cumpridos nos serviços públicos e privados, para melhorar a relação médico/doente. A ideia é definir por especialidade um tempo padrão, que se traduz no tempo mínimo de intervalo entre a marcação de consultas.

Em entrevista, Miguel Guimarães adiantou que cada colégio de especialidade da Ordem está a ter em conta quatro fatores na definição destes tempos mínimos: história clínica e exame físico, utilização dos sistemas informáticos, o tempo necessário para explicar ao doente aquilo que o médico está a fazer ou os passos subsequentes e as dúvidas que podem surgir aos profissionais e têm de ser esclarecidas.

“A psiquiatria vai ser, seguramente, a [especialidade] que terá o tempo mais alargado. Outras especialidades, como a ortopedia, poderão ter tempos mais curtos”, exemplificou.

O bastonário sublinha que não quer antecipar-se nem influenciar a decisão dos colégios de especialidade, mas calcula que, na medicina geral e familiar, o tempo padrão entre consultas possa rondar os 30 minutos.

“Não me vou sobrepor aos especialistas na área. Como bastonário, vou tentar que haja bom senso no que se vai definir. Não estamos a fazer isto para ‘chatear’ ninguém, estamos a fazê-lo para melhorar a relação médico/doente”, declarou o representante dos médicos.

Há largos anos, as consultas de especialidade, por exemplo nos hospitais, não tinham intervalo de marcação entre elas, ou seja, na prática todos os doentes eram marcados para a mesma hora e iam esperando à medida que iam sendo chamados.

Atualmente, há tempos de intervalo de marcação entre consultas, mas a Ordem tem considerado que há uma escassez de tempo na maioria das consultas, o que prejudica a relação entre médico e doente.

Na medicina geral e familiar, a falta de tempo com o doente é particularmente complicada, porque os médicos de família abarcam um conjunto vasto de conselhos e de cuidados.

Desde que tomou posse, em fevereiro, Miguel Guimarães tem assumido a sua preocupação com a perda de qualidade da relação entre médico e doente e com a humanização dos cuidados de saúde, frisando que os tempos de consulta são cada vez mais curtos.

Outra das apostas da Ordem é libertar os médicos de tarefas administrativas e burocráticas, que se acumulam e retiram tempo à parte clínica.

A utilização dos sistemas informáticos é uma das questões mais prementes nesta área, com o bastonário a defender que são lançadas demasiadas aplicações que não vão sendo integradas umas nas outras, fazendo com que quase todo o tempo de uma consulta seja por vezes consumido com a informática.

Há ainda que melhorar os equipamentos e computadores das unidades de saúde, muitos deles obsoletos, bem como as redes internas, que ainda são lentas e roubam tempo às consultas.

No caso dos atestados-médicos para as cartas de condução, que passaram há mais de um mês a ter de ser transmitidos eletronicamente, Miguel Guimarães avisa que há uma “sobrecarga efetiva” dos médicos com uma tarefa que é clínica, mas tem um lado burocrático.

Segundo o bastonário, baseando-se na informação transmitida pelos clínicos, pode levar 30 a 45 minutos passar um atestado para a carta de condução, além da exigência de exames de especialidade que “muitas vezes ultrapassam” a capacidade dos médicos de medicina geral e familiar e das respetivas estruturas dos centros de saúde.

O Ministério da Saúde comprometeu-se a criar centros de avaliação médica e psicológica, destinados especificamente para avaliar os candidatos a condutores e condutores para emissão de atestado médico.

Miguel Guimarães diz ter do ministro da Saúde a garantia de que vão avançar dentro de “duas ou três semanas”, passando a designar-se como serviços de avaliação médica e psicológica, porque ao serem constituídos como centros teriam implicações legais que tornavam o processo mais demorado.

Ordem dos Médicos
A Ordem dos Médicos calcula que faltem no Serviço Nacional de Saúde entre quatro a cinco mil clínicos especialistas para...

“Faltam milhares de médicos no Serviço Nacional de Saúde (SNS), vários milhares. Estamos a fazer um trabalho de fundo para saber quantos faltam exatamente”, afirma em entrevista à agência Lusa o bastonário Miguel Guimarães.

Cerca de 45 mil médicos estão registados na Ordem e trabalham no SNS 27.900, mas, destes, dez mil clínicos estão em formação interna de especialidade. Significa que, na prática, há cerca de 18 mil médicos especialistas a trabalhar no SNS.

“Dezoito mil médicos especialistas daria 1,8 médicos por mil habitantes. Este número é claramente insuficiente. Para atingirmos aquilo que seria a média indicada pela OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico] precisávamos, seguramente, de cerca de mais quatro ou cinco mil médicos especialistas dentro do SNS”, explica o bastonário.

Todos os hospitais necessitam de mais médicos, mas, segundo Miguel Guimarães, há situações “caóticas e assustadoras”. No hospital de Vila Real, por exemplo, há 11 anestesiologistas quando deviam estar no quadro 41 médicos desta especialidade.

Outro caso identificado pelo bastonário é o do Hospital Fernando Fonseca (Amadora-Sintra), onde faltarão cerca de 100 médicos especialistas, o que obriga este hospital a uma necessidade de contratação externa de médicos, vulgarmente designados como tarefeiros.

A propósito da imposição de reduzir em 35% o gasto com os médicos tarefeiros, a Ordem diz que todos os hospitais estão com dificuldades, embora haja algumas situações mais críticas do que outras.

“É uma péssima medida do Ministério das Finanças. Infelizmente, o ministro das Finanças, que é louvado porque percebe de Finanças, não percebe nada de pessoas. É lamentável que o nosso ministro da Saúde aceite que o ministro das Finanças faça uma coisa dessas. Não aceito muito bem que o ministro das Finanças não perceba de pessoas, mas percebo. Agora, o ministro da Saúde tem de dizer que não consegue com menos 35% assegurar determinado tipo de serviços”, comentou o bastonário.

Para Miguel Guimarães, um dos “grandes desafios a que o Governo não está a conseguir dar solução” é a capacidade de ser concorrencial e de reter médicos no SNS.

Em quatro ou cinco anos já emigraram 3.500 médicos, a maioria jovens, e com isto “o Governo está a perder a capacidade de inovação e a capacidade de acompanhar o desenvolvimento daquilo que é a nova medicina”, argumenta.

Outro “drama a que se assiste no país”, diz o bastonário, é o envelhecimento da população médica, que é atualmente superior ao da população em geral.

“O número de médicos que dentro de alguns anos se vai reformar, sobretudo em áreas como Bragança, Beja ou outras, vai causar uma perturbação muito grande naquilo que são os cuidados de saúde nessas regiões. E nada está a ser feito, objetivamente, para acautelar esta matéria, o que pode ter consequências desastrosas. É necessário começar a contratar para poder substituir pessoas”, sustentou Miguel Guimarães.

Ordem dos Médicos
A Ordem dos Médicos considera que a utilização de antibióticos em excesso se deve, em parte, à falta de proximidade na relação...

Em entrevista, o bastonário dos Médicos, Miguel Guimarães, recorda que a medicina começa na relação médico/doente, considerando que uma melhor comunicação e maior proximidade favorecem utentes e profissionais, inclusivamente no campo da prescrição de fármacos.

“Utilizam-se antibióticos em excesso porque a relação médico/doente não é tão próxima como devia ser. Se fosse mais próxima, provavelmente havia menos necessidade de usar antibióticos. É mais fácil medicarmos um doente do que não medicarmos”, afirmou Miguel Guimarães.

O representante da classe médica insiste que há uma elevada pressão na relação entre médico e doente, além da responsabilidade associada, levando à prática de uma medicina defensiva.

“A medicina defensiva está a crescer porque as condições de trabalho não são as melhores. Neste momento, no nosso país, são particularmente más”, indicou.

O que ocorre, com a falta de tempo entre médico e doente e com as deficientes condições de trabalho, é que os médicos tentam proteger-se e acabam, por vezes, por atuar por excesso, “o que é mau”, reconhece Miguel Guimarães.

A este propósito, o bastonário alude ainda ao “elevado nível de responsabilidade que os médicos têm em termos de sociedade civil”, pagando até indemnizações aos doentes não por erro médico ou negligência mas por “complicações que eram previsíveis no decurso de um tratamento”.

“Os médicos têm grande pressão e em última análise tentam proteger-se e atuam por excesso. Temos de desaconselhar esta atuação. É uma situação a que a Ordem vai ter particular atenção para tentar definir recomendações clínicas que protejam os próprios médicos para que, em determinadas circunstâncias, os médicos se sintam mais confortáveis para fazer só o que devem fazer e não medicina defensiva”, afirmou Miguel Guimarães.

Um exemplo desta medida defensiva é a realização de um exame que o médico está seguro de que não será necessário, mas avança com a prescrição por temer eventuais queixas formais por parte do doente.

Ainda no que respeita ao uso excessivo de antibióticos, apontado no recente relatório do Observatório dos Sistemas de Saúde, o bastonário lembra que há cada vez infeções mais complexas, uma realidade não exclusivamente nacional.

“Mas também é verdade que o investimento que tem sido feito pela indústria farmacêutica na procura de novas soluções de antibióticos praticamente não existe. Nos últimos 10 anos não apareceu nenhum antibiótico novo, o que surge são réplicas dos que já existem”, sustentou o representante dos médicos.

A investigação nesta área está atualmente a ressurgir, mas a eventual falta de lucro destes fármacos para a indústria pode ser uma das causas para durante tantos anos ter havido pouco investimento.

Infarmed recomenda
O Infarmed recomenda cautela na utilização de valproato/ácido valproico durante a gravidez, devido ao risco de “malformações...

Em comunicado, o Infarmed – Autoridade Nacional do Medicamento adianta que publicou uma nova infografia informativa no seu portal na Internet dedicada a estes medicamentos, que se destinam a tratar epilepsia, doença bipolar e a prevenir enxaquecas.

“Os benefícios destes medicamentos superam os riscos, mas a sua utilização durante uma gravidez deve ser avaliada com cautela e celeridade, porque estas substâncias podem causar malformações graves nos bebés e afetar o seu desenvolvimento”, alerta o Infarmed.

No caso em que os medicamentos são apenas usados para prevenção de enxaquecas, em caso de gravidez ou suspeita de gravidez o instituto recomenda a interrupção imediata do tratamento.

“Nas restantes doenças – bipolar e epilepsia – o tratamento não deve ser interrompido. Essa decisão caberá ao médico, que deverá ser contactado com a máxima urgência”, acrescenta o comunicado.

O Infarmed recomenda ainda que “a gravidez em mulheres que utilizam estes medicamentos” seja “planeada de forma a garantir o controlo da doença, aconselhando-se o uso de um contracetivo até que haja um aconselhamento com o médico e uma decisão quanto ao tratamento mais adequado e seguro”.

O organismo de saúde refere ainda que “tem estado a acompanhar em proximidade e atentamente a informação relativa ao uso destas substâncias” e que estes medicamentos se mantêm em “monitorização adicional”.

A Agência do Medicamento de França concluiu que o fármaco para epilepsia e distúrbio bipolar Valproato provocou entre 2.150 a 4.100 malformações congénitas em crianças de mães tratadas com o fármaco nos últimos 50 anos.

A conclusão, divulgada no ‘site’ da agência francesa, consta de um estudo feito desde a altura em que este medicamento começou a ser disponibilizado, em 1967, até 2016. Mais conclusões serão apresentadas no segundo semestre deste ano.

Produtos biológicos
A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica diagnosticou nos últimos dois anos tranquilidade no setor dos produtos...

O inspetor-geral da A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), Pedro Gaspar, disse que a instituição faz regularmente despistes a pesticidas em produtos comercializados, sem visar especificamente os biológicos, e que em dois anos e 600 amostras, 125 das quais de produtos de rótulo biológico, houve apenas um caso de presença de um pesticida não autorizado.

No âmbito de fiscalização específica do circuito biológico, orientada por um plano operacional coordenado com o Ministério da Agricultura, houve nos últimos dois anos mais de 300 intervenções, que deram origem a 35 processos, mas todos por questões de higiene ou rotulagem.

Estes resultados apontavam "para um setor com alguma tranquilidade", o que este estudo "não confirma".

No trabalho da Visão, inclui-se a análise em laboratório de 113 produtos – frutas, legumes e sementes - identificados nas lojas como biológicos, através da qual se encontraram pesticidas não permitidos na agricultura biológica e numa das análises efetuadas, a uma couve identificada como proveniente da agricultura biológica, foi encontrada uma quantidade de glifosato 12 vezes superior ao máximo permitido por lei para couves de produção convencional.

Pedro Gaspar afirmou que "serão tidos em conta todos os contributos" do estudo da Visão, que "é sempre complementar" ao que a ASAE pensava sobre o setor biológico.

"Vai ser objeto de avaliação" e a ASAE admite recolher mais elementos "se vir que há necessidade de reforçar alguma área" da fiscalização e despistes de mercado já existentes.

ASAE
Água oxigenada servia para disfarçar má qualidade e higiene do leite, informa a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica.

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), através da Unidade Regional do Centro, realizou várias ações de fiscalização junto de diversas explorações pecuárias, com o objetivo de verificar as condições de armazenamento e transporte de leite cru, com destino a unidades industriais de fabrico de queijo, por forma a garantir a Segurança Alimentar, escreve o Sapo.

As investigações dirigidas a vários produtores de leite e, que decorreram durante os últimos dois meses, iniciaram-se com a deteção de uma viatura para transporte do leite sem qualquer sistema de refrigeração, adianta o organismo em comunicado.

No decurso das operações, foram "realizadas análises às amostras ao leite que se encontrava a ser transportado revelando as mesmas a adição de peróxido de hidrogénio, vulgo, água oxigenada, suspeitando-se que a mesma estaria a ser utilizada para ocultar a má qualidade higiénica do leite, em vez da utilização de refrigeração, facto este confirmado pela temperatura medida aquando das inspeções", explica a ASAE.

"Como resultado da ação foi instaurado um processo por suspeita de crime contra a genuinidade, qualidade ou composição de géneros alimentícios, em concurso com infrações de natureza contraordenacional, nomeadamente o incumprimento dos requisitos de temperatura durante o processo de produção, recolha e transporte de leite cru e a falta de requisitos de higiene do leite", acrescenta a nota de imprensa.

"Foram apreendidos 830 litros de leite cru e 40 litros de água oxigenada, num valor que ronda os 800 euros", conclui.

Estudo
Cientistas espanhóis identificaram uma proteína do cancro que controla a disseminação da doença a partir da pele para outros...

A partir de ratos de laboratório geneticamente modificados para desenvolver cancro de pele humana, a equipa descobriu que a proteína em causa desempenha um papel importante na promoção ou inibição da metástase - quando o cancro se espalha de uma área (ou órgão) para outra.

A Midkine é uma proteína secretada pelos melanomas, o tipo mais grave de cancro de pele, antes de se transportar para uma parte diferente do corpo e aí iniciar a formação de um novo tumor (o tumor secundário), concluíram os investigadores. Em humanos, segundo o Sapo, os cientistas detetaram níveis elevados de Midkine nos gânglios linfáticos de pacientes com cancro de pele, dando mais um indício do início do processo de metastização, informou a equipa na revista científica Nature.

Segundo os cientistas, isso aconteceu quando ainda não havia células tumorais nos gânglios linfáticos, comenta Marisol Soengas, do Centro Nacional de Pesquisa do Cancro em Madrid, coautora do estudo.

A deteção precoce do melanoma é fundamental, uma vez que depois do processo de metastização o prognóstico do paciente geralmente é desfavorável.

Os cientistas acreditaram durante vários anos que o melanoma atingia os órgãos que pretendia colonizar através dos vasos linfáticos. No entanto, remover os gânglios linfáticos próximos de um melanoma não evita a formação de metástases.

Neste estudo, observou-se que a Midkine se dirigiu diretamente para o novo local do cancro independentemente da formação de vasos linfáticos à volta do tumor original. "Estes resultados indicam uma mudança de paradigma no estudo da metástase do melanoma", comenta Soengas. Os cientistas não sabem, no entanto, se a Midkine é transportada através do sangue, da linfa ou de ambos.

Entidade Reguladora da Saúde
O impacto da diretiva que desde 2014 permite o reembolso das despesas dos portugueses com cuidados de saúde noutros Estados...

De acordo com a “Análise do Impacto da Diretiva dos Cuidados de Saúde Transfronteiriços”, da Entidade Reguladora da Saúde (ERS), este “tem sido bastante reduzido em Portugal, não figurando assim como um mecanismo que efetivamente aumenta de forma significativa o acesso aos cuidados de saúde”.

O documento refere que, entre 2014 e 2016, foram deferidos dois pedidos de autorização prévia, que culminaram na deslocação de dois utentes portugueses a Itália e ao Reino Unido.

Cinco outros utentes pediram reembolso para cuidados que realizaram no estrangeiro, mas os pedidos foram indeferidos, prossegue a análise da ERS.

Em relação às entradas de doentes em Portugal, em 2015 foram registados 153 pedidos de reembolso de cuidados prestados por doentes oriundos da Suécia, 68 da Dinamarca, 30 da Bélgica, 14 da Noruega e sete do Reino Unido

De acordo com a ERS, entre as causas para esta reduzida procura conta-se “a falta de informação” sobre esta possibilidade, a dificuldade de compreensão dos procedimentos subjacentes à sua utilização e “a existência de constrangimentos financeiros que inviabilizam a deslocação e estada no estrangeiro e o adiantamento do valor dos cuidados”.

Segundo a lei que estabelece as normas de acesso a cuidados de saúde transfronteiriços, os beneficiários do Serviço Nacional de Saúde (SNS) têm direito ao reembolso das despesas diretamente relacionadas com tratamentos prestados noutro Estado-membro da União Europeia, desde que sejam tidos como cuidados de saúde que caberia ao Estado português garantir, através da sua estrutura de saúde pública.

O diploma estabelece que as prestações de saúde com direito a reembolso são as previstas na tabela de preços do SNS, mas salvaguarda que este direito (ao reembolso) “pressupõe a existência de uma avaliação prévia por um médico de medicina geral e familiar” do SNS ou por serviços regionais de saúde que “determinem a necessidade dos cuidados”.

Um inquérito por questionário empreendido pela ERS junto de utentes e profissionais do setor da saúde apurou que “a grande maioria dos respondentes não tenciona recorrer a cuidados de saúde fora de Portugal e que o nível de conhecimento dos utentes sobre esta matéria é inadequado”.

“A reduzida procura de cuidados transfronteiriços poderá também decorrer do facto das despesas associadas à deslocação e estadia não estarem cobertas, dos utentes terem que adiantar o valor dos cuidados, e de ser apenas reembolsado o valor que os cuidados teriam custado em Portugal, de acordo com as regras previstas para utilização da Diretiva”, lê-se no documento da ERS.

Governo
O Conselho de Ministros aprovou hoje a alteração da composição da Comissão de Candidatura Nacional para a instalação da Agência...

Na conferência de imprensa do Conselho de Ministros de hoje, a ministra da Presidência, Maria Manuel Leitão Marques, anunciou que foi aprovada a resolução que altera a composição da Comissão de Candidatura Nacional para a instalação da Agência Europeia do Medicamento, que passa a integrar representantes das cidades de Lisboa e do Porto.

Tendo presente o calendário que fixa que as candidaturas dos Estados-membros têm que ser oficialmente apresentadas até 31 de julho de 2107, o Governo acrescenta, em comunicado do Conselho de Ministros, que "a Comissão de Candidatura Nacional apresentará brevemente elementos que permitam a decisão sobre qual a cidade que Portugal vai candidatar para acolher a Agência Europeia de Medicamentos".

De acordo com a mesma nota, "procede-se assim à reformulação de composição da Comissão de Candidatura Nacional, associando a Câmara Municipal do Porto, promovendo-se o consenso no processo de avaliação e decisão interna de candidaturas que irá decorrer à luz dos procedimentos de relocalização endossados pelo Conselho Europeu de 22 e 23 de junho".

"Mantendo-se o imperativo de um alinhamento estratégico comum entre as várias entidades nacionais relevantes que permita que Portugal apresente uma frente de candidatura abrangente e coerente nos propósitos e na mensagem a difundir, foi decidido atender à manifestação de vontade da cidade do Porto no sentido de acolher a Agência Europeia de Medicamento", refere ainda o comunicado do Conselho de Ministros.

Em 19 de junho, a Câmara do Porto anunciou que aceitou integrar esta comissão, nomeando para essa missão o ex-presidente do Infarmed Eurico Castro Alves e o vereador Ricardo Valente.

Depois da polémica que gerou a decisão do executivo de candidatar Lisboa para a instalação da Agência Europeia do Medicamento, o Governo decidiu, em 17 de junho, reabrir o processo de candidatura de Portugal para incluir também a cidade do Porto.

De acordo com uma nota do ministério então revelada, o Governo decidiu reabrir o processo de candidatura, referindo que só o Porto, a par de Lisboa, "parece reunir condições para uma candidatura muito exigente e competitiva em termos europeus".

"Neste contexto, o Governo tomou a iniciativa de contactar a Câmara Municipal do Porto para que a cidade se associasse, no âmbito da Comissão de Candidatura Nacional, ao processo de avaliação que irá decorrer à luz dos critérios oficiais definitivos", lia-se na nota.

A reabertura do processo de candidatura de Portugal, de modo a incluir também o Porto, pretende, segundo o Governo explicou, "gerar soluções alternativas qualificadas, promotoras de uma única candidatura nacional, forte e afirmativa em termos europeus".

Estudo
São boas notícias para quem tem fobia a agulhas. Investigadores da Universidade de Emory, na Geórgia, EUA, desenvolveram um...

É uma nova alternativa à vacinação convencional: um penso pequeno, com micro-agulhas (mas indolor), semelhante a um penso rápido. Um estudo publicado na revista científica The Lancet provou que, para além da aplicação ser igualmente eficaz, os voluntários preferiram o novo método ao tradicional.

São boas notícias para quem tem fobia a agulhas, escreve o Observador. Os investigadores da Universidade de Emory, na Geórgia, EUA, que desenvolveram este método confortável, dizem que ele serve de proteção ao vírus da gripe de forma equivalente à toma da vacina. Trata-se de um pequeno penso que, segundo os seus criadores, é mais barato, pode ser enviado pelo correio e permite que as pessoas se auto-vacinem em casa. Para além disso, não precisa de refrigeração pois consegue manter-se estável, durante um ano, a uma temperatura até 40ºC.

“Este produto, que pode ser auto-administrado e tolerado por todos, tem potencial para melhorar a cobertura da vacinação da gripe na população”, disse Nadine Rouphael, co-autora do estudo, num vídeo explicativo ao canal de Youtube do Instituto de Tecnologia da Geórgia.

Para o estudo foram recrutadas 100 pessoas, de idades compreendidas entre os 18 e os 49 anos, que ainda não tivessem sido vacinadas contra o vírus da gripe. Os voluntários foram distribuídos aleatoriamente por quatro grupos: um que recebeu a tradicional vacina no músculo do braço, e três que receberam os pensos: um administrado por profissionais, outro pelos próprios e, por fim, um que ficou com o penso placebo. Este era removido após 20 minutos, depois da dissolução das micro-agulhas.

As respostas dos anticorpos geradas pela vacina, através da análise de amostras de sangue, foram semelhantes aos grupos que receberam injeção. Cerca de 96% dos voluntários afirmaram que o método era indolor, sendo que 70% deles disseram preferir o penso à injeção. Para Mark Prausnitz, professor do Engenharia Química e Biomolecular do Instituto de Tecnologia da Geórgia, a criação pode ter bons resultados. “Um dia, esperemos num futuro próximo, será muito mais fácil para as pessoas ter acesso às vacinas”, afirma.

Tudo o que precisa saber
Vários estudos indicam que a toma de suplementos nutricionais sem necessidade de suplementação extra

De acordo com o Decreto-Lei nº136/2003, de 28 de Junho, republicado a 23 de Junho de 2015, os suplementos alimentares “são géneros alimentícios que se destinam a complementar e/ou suplementar o regime alimentar normal e que constituem fontes concentradas de determinadas substâncias nutrientes ou outras com efeito nutricional ou fisiológico, estremes ou combinadas” comercializadas em forma doseada. Podem encontrar-se disponíveis em cápsulas, pastilhas, comprimidos, pílulas “e outras formas semelhantes de líquidos ou pós, ampolas de líquido, frascos com conta-gotas”.

Os ingredientes utilizados na sua composição encontram-se autorizados pela Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA), excepto quando se tratam de novos alimentos. Um novo alimento é, neste sentido, definido como um alimento que não tem uma história significativa de consumo na União Europeia até 15 de maio 1997, estando sujeito a uma avaliação de segurança antes de ser colocado no mercado.

“Na maioria dos países europeus estes produtos - os suplementos alimentares - encontram-se notificados junto da Autoridade Nacional competente, sendo esta, no caso de Portugal, a Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV)”, começa por explicar Pedro Lôbo do Vale, presidente da Associação Portuguesa de Alimentação Racional e Suplementos Alimentares, que descreve este como processo “moroso”. “Envolve a descriminação de todos os ingredientes do produto, das alegações nutricionais e de saúde constantes no rótulo (caso existam), bem como de outras informações – dados do notificante, do distribuidor e fabricante – e dados referentes a notificações prévias do suplemento alimentar noutros países da União Europeia”, acrescenta.

De acordo com o especialista, só após rigorosa avaliação são colocados no mercado.

“Regularmente a ASAE (Autoridade de Segurança Alimentar e Económica) recolhe, junto dos operadores económicos, vários produtos para serem analisados – por exemplo, relativamente aos metais pesados – verificando se cumprem todos os limites e requisitos estabelecidos na lei”, refere o especialista em Medicina Geral e Familiar que reforça a necessidade destes se distinguirem dos fármacos “controlados pelo INFARMED e cuja avaliação é obrigatoriamente mais intensa devido aos potenciais riscos de interações e efeitos secundários, característicos do estatuto do medicamento”.

Muito procurados, sobretudo pelos seguidores de um estilo de vida saudável que crêem nos benefícios e segurança dos produtos naturais, a verdade é que, embora raros, alguns não estão totalmente isentos de riscos e há até substâncias proibidas.

“A maioria das pessoas reconhece nos produtos naturais algum tipo de ação benéfica no organismo, que irá contribuir para melhorar o estado de saúde, o que, em muitos casos é verdade”, afirma Pedro Lôbo do Vale.

De acordo com o especialista, quando comparado, o suplemento alimentar ou produto natural que “existe com a mesma função que um determinado medicamento”, terá  muito menos efeitos secundários.

A ideia de que um suplemento alimentar é sinónimo de produto natural está, no entanto, relacionada com a origem das matérias-prima, diz-nos o senso comum.

“Atendendo a esta definição, mesmo tendo em conta que a grande maioria dos suplementos alimentares são preparados em laboratório, a sua essência é, de facto, natural”, refere.

“Os comprimidos de Valeriana não têm apenas raiz de Valeriana prensada, têm um extrato, que consiste numa preparação laboratorial, mas efetivamente a essência do suplemento alimentar é um componente que existe naturalmente, no caso a raiz de uma planta. Ou, noutros casos, quando os ingredientes utilizados em são idênticos a componentes que existem naturalmente no nosso organismo, como é o caso da “isoflavonas” de soja que são estruturalmente semelhantes aos estrogénios femininos”, explica.

Quanto à sua fiabilidade e segurança, o especialista afirma que os casos reportados de risco para a saúde pública são “praticamente inexistentes e muito inferiores” até a alguns alimentos, dando como exemplo os casos de encefalopatia espongiforme bovina, nitritos em enchidos, azeite adulterado, brucelose, salmonelose ou dioxinas em ovos registados.

A lista das proibições recai sobre todas as substâncias tóxicas, presentes na natureza. “Efedra, cicuta, digitalis, entre muitas outras, não fazem parte dos ingredientes permitidos em suplementos alimentares”, adverte.


A toma de um suplemento alimentar é feita, em média, por um perído de três meses.

Suplementação extra: não é comum haver sobredosagem de nutrientes

Alguns estudos revelam que a toma de suplementos nutricionais sem necessidade de suplementação extra tem vindo a aumentar, nos últimos anos. Em Portugal, dados recentes indicam que uma larga percentagem da população utiliza ou já utilizou estes produtos sob a forma de comprimidos, xaropes ou extratos.

“Quando uma pessoa procura um suplemento alimentar, procura-o tendo em conta algum problema em concreto para promover o seu bem-estar ou como preventivo”, justifica o presidente da Associação Portuguesa Alimentação Racional e Suplementos Alimentares.

Os suplementos de equinácea, vitamina D ou C e zinco são os mais procurados, no Inverno, para reforçar o sistema imunitário. Valeriana e passiflora são utilizadas para melhorar o sono e os multivitamínicos constam da lista do produtos mais procurados pelos desportistas/atletas que pretendem melhorar a sua performance. Em qualquer dos casos, o seu consumo raramente é considerado excessivo.

“Relativamente aos perigos de um possível excesso de consumo de vitaminas e minerais, raramente os suplementos alimentares ultrapassam, em muito, o valor de referência do nutriente. Por tal razão, não é comum haver sobredosagem de nutrientes, muito pelo contrário”, afiança o especialista que dá como exemplo o facto de que metade da população portuguesa apresenta carência de vitamina D podendo beneficiar com a sua suplementação.

De acordo com Pedro Lôbo do Vale, o mais importante a ter em atenção é que a toma regular dos suplementos alimentares seja feita tendo em conta os limites diários indicados pelo fabricante. “Em caso de dúvida, deve contactar o técnico de saúde ou o médico”, aconselha.

“Se houvesse, efetivamente, risco iminente decorrente da toma de algum suplemento alimentar, a própria FDA (Food and Drug Administration), no caso dos EUA, ou a EFSA (Autoridade para a Segurança Alimentar Europeia), na Europa, teriam interdito ou restringido o seu uso. Note-se, por exemplo, o alerta veículado pela Organização Mundial de Saúde em relação ao consumo excessivo de carne”, justifica.

No entanto, para este especialista é importante que procure ajuda especializada antes de recorrer à suplementação. “Mais do que ter cuidado, é necessário perceber se o suplemento alimentar é indicado para o objetivo que motiva a sua toma. Por exemplo, em caso de risco de desenvolvimento de problemas de foro cardiovascular será indicado tomar um suplemento alimentar à base de Ómega-3. Por outro lado, quem toma um suplemento para promoção de energia deve ter em conta se sofre de hipertensão ou taquicardia”, explica.

Ler com atenção os folhetos informativos, cumprir as dosagens indicadas e contar com a supervisão de um especialista são as regras essenciais para uma suplementação segura.

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Estudo
Junho é o mês da fertilidade. Para assinalar a data, o IVI apresenta um estudo intitulado “As motivações das dadoras de óvulos”...

Espírito altruísta das dadoras
A dadora atual é uma mulher jovem, sensibilizada de um modo geral para a importância da solidariedade na nossa sociedade e em particular para a problemática da infertilidade. “É muito frequente que partilhe connosco que já é dadora de sangue ou medula óssea. Ou que nalgum momento da sua vida já se cruzou com alguém que teve dificuldades em engravidar. Esse facto tocou-lhe e quis informar-se mais acerca do tema”, explica a autora do estudo.

Os números confirmam a tendência, 75% das dadoras de óvulos, doam por altruísmo. “Conheço quem não pode ter filhos, e contribuir com a minha ajuda pode mudar a vida de alguém. É a felicidade de um casal”, partilhou uma dadora da clínica.

Onde procuram informação
Apesar da doação de óvulos ser um tema para o qual ainda é necessário um longo trabalho de sensibilização. No IVI notamos que hoje a dadora nos chega muito mais esclarecida. Pesquisa na internet, conversa com algumas amigas e amigos, fala com o companheiro ou com alguém da família, que a incentivam e reforçam o seu orgulho num gesto que pode ter um impacto tão significativo na vida de alguém. Por vezes já abordou o tema com o médico de família e/ou ginecologista e vem devidamente informada.

Quando vem a uma primeira consulta, de um modo geral, já vem informada. “Coloca questões muito específicas e procura tranquilizar-se em relação aos efeitos do tratamento e eventuais riscos. Coloca algumas questões acerca da vivência de quem está do outro lado do tratamento -  a mulher recetora - mostrando-se solidária e empática”, reforça a psicóloga clínica.

Algumas dadoras vêm porque uma amiga que já doou as incentiva a vir. Vêm confiantes e motivadas. Tranquilas porque a amiga partilhou o processo com elas e seguras pelo acompanhamento que na clínica é proporcionado. Prevalece o sentimento de poder ajudar outra mulher em algo que é tão profundo e transformador na vida de uma pessoa como ter um filho.

Quando já tem filhos deseja ajudar outra mulher a engravidar, mostra-se solidária referindo “deve ser terrível não conseguir, se eu posso e não me prejudica, não tenho porque não fazê-lo”, “todas as mulheres que realmente o desejam deviam poder ser mães”, conta-nos a Dra. Filipa Santos.

A recompensa económica
Para algumas mulheres a recompensa também é um fator que pesa na sua decisão, no entanto, no fim do processo o que guardam para si é o contributo que mudou a vida de alguém. “No estudo que desenvolvemos apenas 25% das dadoras de óvulos, alegam que a recompensa as incentivou num primeiro momento a procurar informação e depois se associa a outras motivações como a possibilidade de ajudar e também a realização de exames médicos”, detalha a autora do estudo.

“Doei porque penso que sabe bem ajudar quem precisa, pois um dia podemos ser nós a precisar. A questão económica pode ser uma ajuda”, conta uma dadora.

São mulheres conscientes que a doação de óvulos é um contributo essencial para que alguém consiga ter um filho, como uma peça do puzzle sem a qual o puzzle não pode existir, ao mesmo tempo não sendo o todo do puzzle. Sabem que há outros intervenientes e que há uma série de etapas que têm de ocorrer para alcançar o objetivo final da tão desejada gravidez.

Em conclusão, “durante o estudo concluímos que de uma forma geral as dadoras de óvulos sentem-se bem com o processo, sentem-se muito acompanhadas e seguras”, reforça a autora do estudo. 

Recorde-se que a doação é um ato voluntário, solidário e altruísta, existindo uma compensação económica pelos incómodos causados, cujo valor é fixado por lei e foi atualizado no passado dia 1 de maio de 2017, sendo de 843€ por doação de óvulos.

Dados sobre o estudo
A Dra. Filipa Santos, é psicóloga clínica do IVI Lisboa e trabalha em infertilidade há 11 anos.

O universo estudado foi de 258 dadoras e os dados foram recolhidos no primeiro semestre do ano de 2017. Do universo total de dadoras, 68% são jovens trabalhadoras, frente a 16% de estudantes, 12% atualmente desempregadas e 4% trabalhadoras e estudantes.

Especialista
O presidente do European Venous Forum, a decorrer até sábado, no Porto, afirmou hoje que atualmente as intervenção cirúrgicas...

“Hoje, em 2017, podemos dizer com grande segurança que todos os doentes que tenham necessidade de algum tipo de intervenção cirúrgica por varizes podem e devem ser feitos em ambulatório, sem necessidade de anestesia geral, com um regresso à sua atividade laboral no dia seguinte, na enormíssima maioria dos casos”, disse Armando Mansilha.

Em declarações, o responsável pelo encontro, especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular, salientou que “ninguém deve ficar internado, nem acamado”.

“Isto é, claramente, um enorme avanço para as pessoas e também para todos nós em termos de custos, porque é possível hoje em dia tratar cirurgicamente, por diferentes tipos de intervenções que devem ser adaptadas a cada doente, com custos menores”, frisou.

Segundo Armando Mansilha, que é também professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, “é recomendável tratar estes doentes numa fase muito mais precoce, de forma que não venham, por um lado, a ter sintomas incapacitantes, e, por outro lado, não venham a ter complicações relevantes, como seja trombose venosa ou a tromboflebite e a úlcera venosa”.

Nesta reunião, “a maior de sempre a nível internacional na área da doença venosa”, com mais de 900 especialistas, de 32 países, será também discutida a “mudança de paradigma” no tratamento oral da trombose venosa, da doença tromboembolica venosa, da trombose venosa e da embolia pulmonar, disse.

Essa “mudança de paradigma” tem a ver com “os novos anticoagulantes orais, de ação direta, de última geração, que são cada vez mais considerados como primeira linha em praticamente todas as situações”, salientou.

Ao longo de três dias serão passados em revista os novos desenvolvimentos na prática e investigação clínica, diagnóstica e técnicas médicas.

Em destaque está também a apresentação da atualização das Recomendações Mundiais em Flebologia da revista Angiology, referência para a prática clínica nesta área.

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