Distinção
O investigador Nuno Alves, do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC)/ Instituto de Investigação e Inovação em Saúde ...

O projeto com o primeiro prémio, com o título "Identification of Thymic Epithelial Stem Cells in vivo", recebe um prémio de 20 mil euros, "um dos mais elevados em Portugal nesta área de investigação", segundo informação dos promotores - a Crioestaminal e a Associação Viver a Ciência.

As duas menções honrosas foram entregues às investigadoras Rita Fior, da Fundação Champalimaud, com o projeto "Molecular mechanisms of innate immune evasion and recognition", e Susana Solá, do Instituto de Investigação do Medicamento da Universidade de Lisboa (iMed.ULisboa), com o projeto "Metabolic Control of Neural Repair by Diet and Gut Microbiome during Aging".

Na quarta-feira, os vencedores do Prémio Crioestaminal e das menções honrosas, que este ano teve 72 candidaturas, apresentam os seus trabalhos numa cerimónia, no Porto.

 

EMA deixa o Alerta
A Agência Europeia do Medicamento recomenda que o medicamento Esmya, usado em tratamento pré-operatório e sintomas de miomas...

O Comité de Avaliação e Risco em Farmacovigilância (PRAC) da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) informa, numa nota publicada na página da Internet do Infarmed, ter sido notificado de casos de lesões hepáticas graves, incluindo casos de insuficiência hepática aguda que necessitaram de transplante, pelo que iniciou em fevereiro uma revisão do medicamento.

Na nota, o Comité informa que finalizou a revisão de segurança do Esmya, contendo acetato de ulipristale, concluiu que este medicamento não deve ser utilizado em mulheres com problemas hepáticos e que antes de cada novo ciclo de tratamento deverão ser realizados testes da função hepática.

A EMA recomenda também que o tratamento não deve ser iniciado se os níveis de enzimas hepáticas forem superiores ao dobro do limite normal.

“Os testes de função hepática devem ser realizados uma vez por mês durante os primeiros dois ciclos de tratamento e duas a quatro semanas após a interrupção do tratamento. Se o resultado do teste não for normal (níveis de enzimas hepáticas mais de três vezes superiores ao limite normal), o médico deve parar o tratamento e monitorizar a doente”, é referido.

A Agência salienta ainda que o Esmya só deve ser utilizado em mais de um ciclo de tratamento em mulheres sem indicação para cirurgia.

“Em mulheres que aguardam a cirurgia o tratamento com Esmya deverá ser de apenas um ciclo”, é referido na nota.

“As doentes devem ser informadas para a necessidade de monitorização da função hepática e a de contactar o médico caso desenvolvam sintomas de lesão hepática (tais como cansaço, amarelecimento da pele, escurecimento da urina, náuseas e vómitos)”, é ainda recomendado.

Em Portugal, o medicamento Esmya, contendo acetato de ulipristal, está indicado para o tratamento pré-operatório e intermitente de sintomas moderados a graves de miomas uterinos em mulheres adultas em idade reprodutiva.

IPMA
Quase todas as regiões do país apresentam hoje um risco muito elevado e elevado de exposição à radiação Ultravioleta (UV),...

De acordo com o IPMA, em risco muito elevado estão as regiões de Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Viseu, Guarda, Coimbra, Castelo Branco, Portalegre e Madeira.

As regiões de Vila Real, Bragança, Leiria, Santarém, Évora, Setúbal, Beja, Faro e São Miguel (Açores) apresentam hoje risco elevado de exposição à radiação UV.

O IPMA colocou ainda Lisboa e as ilhas das Flores, Terceira e Faial (Açores) em risco moderado de exposição à radiação UV.

Para as regiões com risco 'muito elevado' e ‘elevado’, o IPMA recomenda o uso de óculos de sol com filtro UV, chapéu, ‘t-shirt’, guarda-sol e protetor solar, além de desaconselhar a exposição das crianças ao sol.

Os índices UV variam entre 1 e 2, em que o risco de exposição à radiação UV é baixo, 3 a 5 (moderado), 6 a 7 (elevado), 8 a 10 (muito elevado) e superior a 11 (extremo).

O IPMA prevê para hoje no continente períodos de céu muito nublado, apresentando-se muito nublado no litoral a sul do Cabo carvoeiro até meio da manhã, períodos de chuva ou aguaceiros a partir do final da manhã e possibilidade de ocorrência de trovoada.

A previsão aponta ainda para vento em geral fraco do quadrante sul, soprando temporariamente de noroeste durante a tarde no litoral oeste, neblina ou nevoeiro matinal em alguns locais, pequena subida da temperatura mínima na região Norte e s subida da máxima.

As temperaturas mínimas vão variar entre os 11 graus (Évora e Leiria) e os 16 (em Lisboa) e as máximas entre os 21 (no Porto e em Viana do Castelo) e os 28 (em Braga e Santarém).

Na Madeira prevê-se períodos de céu muito nublado, aguaceiros, em especial nas vertentes norte e terras altas e vento moderado a forte de noroeste, soprando forte nas terras altas.

No Funchal as temperaturas vão oscilar entre os 16 e os 22 graus Celsius.

Para os Açores prevê-se céu muito nublado, diminuindo de nebulosidade durante a tarde, períodos de chuva fraca, passando a aguaceiros fracos e vento moderado a bonançoso.

Em Santa Cruz das Flores vão variar entre os 15 e os 23, na Horta entre os 15 e os 21, em Angra do Heroísmo entre os 13 e 20 e em Ponta Delgada entre os 13 e os 20 graus.

 

 

 

Ex-Bastonário
O ex-bastonário da Ordem dos Médicos Germano de Sousa espera que o Presidente da República tenha em conta "o problema&quot...

Germano de Sousa foi um dos ex-bastonários recebidos, no Palácio de Belém, em Lisboa, por Marcelo Rebelo de Sousa  que são “contra a eutanásia e contra a despenalização”.

Os restantes ex-bastonários que vão a Belém são José Manuel Silva, Pedro Nunes, Carlos Ribeiro e Gentil Martins.

Em declarações à agência Lusa, Germano de Sousa afirmou que tem “uma consideração muito grande pela sua capacidade intelectual e ética” e espera que o Presidente tenha em consideração o “problema de ordem constitucional” dos projetos do PAN, BE, PS e PEV.

É preciso ter em conta, afirmou, “se esta lei é ou não constitucional, dado que a Constituição é clara quanto à inviolabilidade da vida humana”.

Questionado sobre se espera um veto presidencial, caso a lei passe no parlamento, o médico apenas afirmou: “Espero que o sr. Presidente da República julgue em consciência”.

Os quatros projetos de lei para despenalizar e regular a morte medicamente assistida em Portugal vão ser debatidos e votados, na generalidade, em 29 de maio na Assembleia da República.

O partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN) foi o primeiro a apresentar um projeto, ainda em 2017, seguido pelo BE, pelo PS e o Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV).

Todos os diplomas preveem que só podem pedir, através de um médico, a morte medicamente assistida pessoas maiores de 18 anos, sem problemas ou doenças mentais, em situação de sofrimento e com doença incurável, sendo necessário confirmar várias vezes essa vontade.

 

 

Comissão de Educação e Treino
Rui Campante Teles, cardiologista de intervenção português, acaba de ser eleito para integrar a direção da Associação Europeia...

“Esta nomeação é uma honra para a APIC e para a nossa Cardiologia de Intervenção” sublinha João Brum Silveira, presidente da Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular.

Rui Campante Teles é atualmente o Coordenador do Registo Nacional de Cardiologia de Intervenção e o Coordenador da campanha Corações de Amanhã, ambas iniciativas promovidas pela Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular.

A Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC), uma entidade sem fins lucrativos, tem por finalidade o estudo, investigação e promoção de atividades científicas no âmbito dos aspetos médicos, cirúrgicos, tecnológicos e organizacionais da Intervenção Cardiovascular.  Para mais informações: www.apic.pt.

Eutanásia
Seis bastonários da Ordem dos Médicos, incluindo o atual, entregam, na quarta-feira, ao Presidente da República uma declaração...

“Esta carta foi assinada pelos seis bastonários dos últimos anos da Ordem dos Médicos. Como bastonários temos obrigação de defender o código deontológico e, como tal, não somos a favor da despenalização da eutanásia”, afirmou o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães.

Além de Miguel Guimarães, assinam a declaração José Manuel Silva, Pedro Nunes, Germano de Sousa, Carlos Ribeiro e Gentil Martins.

De acordo com Miguel Guimarães “esta é uma altura” em que importa ao Presidente da República “conhecer a posição das pessoas que lideraram a Ordem dos Médicos nos últimos anos”.

A discussão da despenalização da eutanásia está agendada para dia 29 de maio, na Assembleia da República, e o bastonário considera que o “debate é curto”, uma vez que “pouco se falou do assunto nos últimos anos”.

“Os portugueses têm de ter consciência daquilo que a Assembleia da República está na iminência de aprovar. Embora o parlamento tenha legitimidade para decidir, a verdade é que, à exceção do PAN, nenhum partido discutiu este tema na altura das eleições”, disse.

Segundo o bastonário, esta declaração espelha uma “reflexão” dos médicos que, “melhor do que qualquer cidadão, conhecem as práticas”.

“A maior parte das pessoas não estão informadas, ainda não se sabe distinguir eutanásia de distanásia. É necessária mais informação, mais debate, melhor esclarecimento, para que as pessoas formem uma opinião e a transmitam aos partidos políticos”, concluiu o bastonário.

O parlamento vai discutir quatro projetos de lei sobre a morte medicamente assistida ou a despenalização da eutanásia, projetos do PAN, Bloco de Esquerda, PS e Partido Ecologista Os Verdes.

Publicado em Diário da República
Gabinete do Secretário de Estado Adjunto e da Saúde publicou, em Diário da República, a criação de um Grupo de Trabalho que se...

Nas palavras do Presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC), João Morais, "a Sociedade Portuguesa de Cardiologia saúda a criação do Grupo de Trabalho para Insuficiência Cardíaca e destaca a importância da sua composição, na qual a Sociedade está representada através de várias personalidades, peritos nesta área do conhecimento. Ao definir a insuficiência cardíaca como uma prioridade nacional, a SPC está convicta que será possível reduzir, nos anos mais próximos, a mortalidade por doenças do aparelho circulatório, retirando-as do lugar cimeiro que hoje ocupam."

Em Portugal, a Insuficiência Cardíaca representa um flagelo para a saúde dos portugueses, com uma prevalência de, de acordo com o Estudo EPICA, 4.36% nos adultos, atingindo, no entanto, os 12.67% na população dos 70 aos 79 anos e 16.4% nos idosos com mais de 80 anos. Estes números, que já se apresentam alarmantes, podem vir, no entanto, a sofrer um aumento nos próximos anos se nada for feito para cessar a evolução desta síndrome. É importante salientar ainda que a Insuficiência Cardíaca se enquadra no grupo de doenças cardiovasculares -líderes nas causas de mortalidade em Portugal-, e que a população portuguesa está cada vez mais envelhecida, o que significa um aumento da prevalência destas doenças.

Após o sucesso no combate ao Enfarte Agudo do Miocárdio ao longo das últimas décadas, a Sociedade Portuguesa de Cardiologia trava agora uma nova batalha: recentemente, a SPC repensou a sua estratégia enquanto sociedade e elegeu a Insuficiência Cardíaca como uma das prioridades. Deste modo, é de braços abertos que recebe a criação de um Grupo de Trabalho do Governo dedicado a esta patologia, apostando na prevenção, no diagnóstico precoce e no tratamento, assim como na reabilitação. É fulcral, por outro lado, referir também os custos económicos crescentes que esta doença acarreta e que se estima que dupliquem a cada 5 anos, sobrecarregando o SNS.

A colaboração com outras entidades que procuram dar resposta a este problema é também um aspeto positivo, uma vez que permite uma visão mais abrangente e multidisciplinar, tão importante no âmbito das doenças cardiovasculares.

A Sociedade Portuguesa de Cardiologia espera, assim, que este grupo e a aposta num trabalho conjunto venham, por fim, contribuir para a redução dos números associados à Insuficiência Cardíaca, culminando naquele que é o derradeiro objetivo da SPC: melhorar a saúde cardiovascular dos portugueses.

Neste momento a Sociedade Portuguesa de Cardiologia integra outros dois Grupos de Trabalho: Grupo de Trabalho para a definição de critérios a observar nos Programas de Reabilitação Cardíaca, e Grupo de Trabalho para a Requalificação do Programa Nacional de Desfibrilhação Automática Externa.

Liga Portuguesa Contra o Cancro
Trinta mil pessoas são esperadas no domingo nas caminhadas "O que nos Liga", que vão decorrer em 78 municípios...

Em conferência de imprensa, o presidente do núcleo regional do Centro, Carlos Oliveira, disse que as caminhadas em simultâneo têm como objetivo a consciencialização social para a prevenção do cancro e a comemoração do Dia do Voluntário, "homenageando assim o trabalho, dedicação e carisma dos cerca de 1.500 voluntários da região".

A iniciativa insere-se nas comemorações dos 50 anos do núcleo regional do Centro da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), que abrange uma população de cerca de 1,5 milhões de habitantes nos 78 concelhos abrangidos.

Por outro lado, a atividade pretende promover o exercício físico e destacar a "matriz solidária das comunidades" da região Centro.

"Um terço das mortes por cancro são atribuídas a fatores que decorrem de hábitos alimentares errados e à inatividade física", frisou o médico Carlos Oliveira, salientando que a atividade física é uma "parte importante de uma vida saudável, independentemente da idade".

As 78 caminhadas "O que nos Liga" podem vir a entrar no livro de recordes do Guinness Book pela "maior mobilização comunitária na luta contra o cancro", adiantou o presidente do núcleo regional do Centro.

A iniciativa conta com o apoio do Turismo Centro de Portugal, representado na conferência de imprensa de apresentação pelo presidente Pedro Machado, que se associou à causa.

"Esta é uma forma também de promover o nosso território, uma vez que é uma ação simultânea nos 78 municípios e a predisposição que as caminhadas representam num dos nossos produtos mais fortes hoje", sublinhou.

Com esta ação, "de alguma forma, vai-se também reforçar essa aptidão que o Centro de Portugal e estes territórios têm para o desenvolvimento da chamada componente ativa ou de uma vida saudável", acrescentou Pedro Machado.

Instituto Nacional de Estatística
Doenças do aparelho circulatório e tumores malignos foram os responsáveis por mais de metade das 110.970 mortes registadas em...

As doenças circulatórias mataram mais mulheres, fazendo 32.805 vítimas (55,1 por cento), do que homens, com a idade média de morte nos 81,1 anos.

Em relação a 2015, houve uma pequena descida de 0,2%, mas mesmo assim perderam-se 47.923 potenciais anos de vida para as doenças circulatórias.

Em "Causas de Morte 2016", os números do Instituto Nacional de Estatística (INE) traduzem um aumento de 2,7 por cento nas mortes por tumor maligno em relação a 2015, subindo para 27.357, com uma idade média de 73,1 anos e custando 111.072 potenciais anos de vida perdidos para as doenças.

Os tumores malignos da traqueia/brônquios/pulmão e os do cólon, reto e ânus foram os mais mortíferos, tirando a vida a mais de 8.000 pessoas.

As doenças do aparelho respiratório fizeram 13.474 mortes em 2016, mais quatro do que no ano anterior, atingindo mais os homens (52,2%), e em 9,9% dos casos, antes dos 70 anos, custando 14.963 anos potenciais de vida.

Mais de 36% das mortes aconteceram antes dos 70 anos.

A quase totalidade das mortes deveu-se a doenças, mas 4,4% aconteceram por "causas externas de lesão e envenenamento", 2,6% por acidentes e 0,9% por suicídio.

Os 981 suicídios em 2016 representaram uma descida de 13,3% em relação ao ano anterior.

Entrevista
Considerada uma das principais causas de morte por cancro entre as mulheres, o cancro do ovário é, e

O que é o cancro do ovário e como se classifica? Quais os subtipos mais frequentes?

O cancro do ovário tem origem no ovário, que é o órgão reprodutivo feminino responsável pela produção de óvulos e também de hormonas como estrogénio e progesterona. O cancro desenvolve-se especificamente a partir de células em que ocorreram mutações que permitem o seu crescimento de forma descontrolada.

A maioria (85%-90%) dos cancros do ovário tem origem em células epiteliais, da camada exterior do ovário, e designam-se por carcinomas epiteliais. Estes podem ser de diferentes tipos, destacando-se: seroso, mucinoso, endometrioide, de células claras. Outros cancros do ovário, menos frequentes, têm origem em células germinativas - tumores de células germinativas (disgerminomas, tumores embrionários,…)­ - ou em células do estroma (tumores da granulosa, tumores de Sertoli-Leydig). Os pontos seguintes serão abordados especificamente para o cancro do ovário epitelial.

Qual a incidência do cancro do ovário e seu prognóstico?

O cancro do ovário é a 9ª neoplasia mais frequente na população europeia do sexo feminino. Frequentemente surge em estadios avançados – III e IV da FIGO, o que se explica por um lado por se tratar de doença de crescimento silencioso que só em fases avançadas causa sintomas, e também, por não estar previsto qualquer programa de rastreio. A sobrevivência 5 anos após o diagnóstico é cerca de 46% e aos 10 anos cerca de 35%. Assim, associa-se a um prognóstico ainda reservado, sendo a 5ª causa de morte por cancro no sexo feminino.

Quais os fatores de risco associados?

O risco para cancro do ovário aumenta com a idade, sendo raro o diagnóstico antes dos 40 anos. Factores como: endometriose, menarca precoce e/ou menopausa tardia, nuliparidade ou 1ª gravidez após os 30 anos, história de infertilidade, obesidade e uso de terapêutica hormonal de substituição, estão associados a maior predisposição para desenvolvimento de cancro do ovário. A história familiar de cancro, em particular de cancro do ovário e da mama, está associada a aumento do risco. Nos factores de risco hereditários, destaca-se a presença de mutações germinativas BRCA 1 ou BRCA 2, responsáveis por cerca de 10-15% dos cancros do ovário, e o Síndrome de Lynch.

Apesar de se tratar de uma doença frequentemente assintomática em estadios iniciais, a que sinais devemos estar atentos? Quais os principais sintomas?

A ocorrência de queixas como: dor pélvica, hemorragia vaginal anómala, distensão abdominal, náuseas, perda de apetite, emagrecimento involuntário, cansaço, alterações do funcionamento intestinal, queixas urinárias, podem, entre outros possíveis diagnósticos, ser indícios de neoplasia do ovário pelo que se aconselha avaliação e orientação médica.

Como é feito o seu diagnóstico? E qual a importância do diagnóstico precoce?

A suspeita de cancro do ovário justifica a orientação para consulta de especialidade de ginecologia para avaliação por exame ginecológico, em que pode ser identificada massa pélvica ou outra alteração. Entre os exames radiológicos utilizados para diagnóstico, destaca-se a ecografia pélvica transvaginal que permite avaliar a presença de tumefação ovárica suspeita. O doseamento do marcador tumoral CA125, se elevado, aumenta a suspeita de malignidade da neoformação ovárica. Outros exames radiológicos que podem apoiar o diagnóstico são - a RMN pélvica para caracterização da lesão, a TAC torácica e abdominopélvica (permite despistar a metastização à distância e caracterizar a lesão ovárica), a PET (tomografia de emissão de positrões) que permite o despiste de metastização à distância através de uma avaliação metabólica baseada na captação anómala de FDG pelas células do tumor.

A detecção em estadios precoces, em que é possível uma cirurgia citorreductora completa (em que é removido todo o tumor, não sendo identificável doença residual após a intervenção) associa-se a melhor prognóstico.

Os casos diagnosticados em fase inicial - estadio I -apresentam uma sobrevivência aos 5 anos de 95%, que desce em estadios mais avançados: estadio II - 78%, no estadio III - 65% e no estadio IV (com metastização à distância) - 35%.

Como se faz o estadiamento do cancro do ovário?

A avaliação clínica através do exame ginecológico realizado por ginecologista experiente, complementada por exames radiológicos como a TAC toraco-abdominal, a RMN pélvica e a PET, permite estabelecer o estadiamento do cancro do ovário. A identificação de lesões à distância, como metástases pulmonares ou hepáticas, estabelece o estadio IV. Em função da extensão local do tumor, nomeadamente o envolvimento de órgãos vizinhos e do peritoneu, é estabelecido o estadiamento I, II ou III, e definido o tratamento e permite uma estimativa do prognóstico. O estadiamento clínico-radiológico é importante para a decisão de tratamento, especificamente para avaliar as condições para cirurgia de citorredução, que tem por objetivo a remoção completa do tumor.

Qual o padrão atual do tratamento de primeira linha?

Com a exceção do estadio IV, em que são identificadas metástases à distância, a primeira opção de tratamento a considerar é a cirurgia. No cancro do ovário a cirurgia consiste numa abordagem de citorredução máxima, ou seja, na remoção completa de todos os locais de tumor com o objetivo de, no final da intervenção, não ser identificada “doença residual”. De facto, esta ausência de “doença residual” está associada a melhor prognóstico. Nos casos em que não seja possível este tipo de cirurgia quer pela irressecabilidade da doença, pela sua extensão e localização, quer por serem previsíveis significativas complicações inerentes a uma intervenção cirúrgica demasiado extensa, pode ser considerada a realização de quimioterapia como tratamento inicial – designada por quimioterapia neoadjuvante – devendo ser planeada a cirurgia após 3 ciclos deste tratamento.

Nos casos em que é realizada a cirurgia, inicialmente, é estabelecido o estadiamento patológico, identificado o tipo histológico do tumor e o seu grau de diferenciação, através da avaliação da peça cirúrgica por um médico especialista em Anatomia Patológica. De acordo com esta informação, e com a referência do cirurgião acerca da presença/ausência de doença residual após a cirurgia, é estabelecida a indicação para quimioterapia em função do risco de expectável recorrência. A todas as doentes em que é referida “doença residual” após a cirurgia, é proposta quimioterapia complementar. A grande maioria das doentes sem evidência de doença residual é, igualmente, considerada para tratamento com quimioterapia.

Apenas podem ser excluídas para quimioterapia as doentes com tumores “borderline” ou em estadios muito precoces (IA ou IB) em que o tumor está limitado a um ou aos dois ovários, não tendo sido identificado fora destes órgãos, desde que o seu tipo histológico seja de baixo grau (G1). 

A quimioterapia consiste no tratamento com 2 fármacos – carboplatina e paclitaxel – administrados de 3/3 semanas até um total de 6 ciclos de tratamento. Nos casos considerados de alto risco de recorrência, em particular os que apresentam doença residual após a cirurgia, pode ser considerada a associação de bevacizumab (anticorpo monoclonal anti VEGF, com ação anti-angiogénica, ou seja, destrói os vasos que irrigam o tumor), administrado durante a quimioterapia e após a sua conclusão como tratamento de manutenção.

Qual a abordagem terapêutica indicada para as fases mais avançadas?

As doentes em estadios IV ou em que há referência a doença residual após a cirurgia, estão associados à pior sobrevivência. Nestes casos é possível, para além da quimioterapia com carboplatina e paclitaxel, associar bevacizumab durante e após o término da quimioterapia até um máximo de 18 a 22 ciclos.

Os casos de recorrência de cancro do ovário são divididos em função do intervalo livre de tratamento, especificamente o tempo desde o término do último tratamento à base com platino. São considerados platino-refractários quando há recorrência ou progressão durante o tratamento, platino-resistentes quando a recorrência ocorre nos primeiros 6 meses após ter terminado o tratamento à base de platino e sensíveis ao platino se a recorrência ocorre pelo menos 6 meses após o término do tratamento. Os casos considerados platino-sensíveis podem ainda ser divididos em “parcialmente sensíveis” se a recorrência ocorre entre os 6 e os 12 meses e “sensíveis” se ocorre pelo menos 12 meses após terem completado o tratamento.

Nos carcinomas do ovário sensíveis, ou parcialmente sensíveis, está indicado o re-tratamento com esquema à base de platino e pode ser considerada a associação de bevacizumab ao tratamento com carboplatina e gemcitabina, em particular se a doente não foi tratada previamente com este fármaco.

Mais recentemente, e em particular para doentes com mutação BRCA germinativa ou somática, pode ser considerado o tratamento de manutenção com inibidor da PARP após resposta à quimioterapia à base de platino. Os inibidores da PARP – olaparib, niraparib e talozaparib – são fármacos de administração oral, que, apesar de terem apresentado maior eficácia em doentes com mutação BRCA, mostraram também ser eficazes na ausência desta mutação. Em particular, o niraparib foi aprovado para todas as doentes com cancro do ovário platino-sensível que apresentem resposta após re-tratamento à base do platino independentemente da mutação BRCA e o mesmo é esperado para o olaparib após uma aprovação inicial apenas para doentes com mutação.

Nas doentes resistentes ou refractárias ao platino está indicada a alteração do tratamento para monoterapia com doxorrubicina lipossomica peguilhada, paclitaxel semanal, topotecano. Nestes casos pode ser associado bevacizumab, o que demonstrou ser mais eficaz que a quimioterapia isolada.

Qual a relevância da imunoterapia no tratamento do cancro do ovário?

As doentes com cancro do ovário platino-resistente ou refractário apresentam prognóstico muito reservado. A investigação de novas formas de tratamento, nomeadamente no âmbito da imunoterapia, poderá vir a trazer novas opções de tratamento neste grupo de doentes, assim como opções mais eficazes para doentes platino-sensíveis. Cerca de 2% dos carcinomas do ovário apresenta instabilidade de microssatélites e para este pequeno subgrupo o tratamento com imunoterapia, com pembrolizumab, é já considerado.

Vários ensaios clínicos estão em curso, nomeadamente para avaliação da combinação de imunoterapia com quimioterapia, inibidor da PARP ou inibidor da VEGF.

Que outras terapias alvo estão em estudo para o tratamento desta doença?

São várias as terapêuticas alvo que estão a ser avaliadas no cancro do ovário, a maioria relacionadas com mutações associadas a deficiência da recombinação homóloga, como a mutação BRCA.

Que necessidade existe por responder em Portugal no tratamento do cancro ovário recorrente?

Em Portugal ainda não é realizada por rotina a pesquisa de mutação BRCA no carcinoma epitelial do ovário, que, para além de estar associada a maior sensibilidade ao tratamento com platino, é um potencial alvo para tratamento com inibidor da PARP. A pesquisa de mutação germinativa através da análise do sangue e, em caso desta ser negativa, a pesquisa de mutação somática no tumor, deve ser considerada para definir a estratégia terapêutica em particular no carcinoma do ovário platino-sensível recorrente. Para além da mutação BRCA outras alterações a nível do tumor podem associar-se a um estado BRCAness e podem também ser estudadas para eventual definição do tratamento.

A mutação germinativa levanta questões associadas a aumento do risco de cancro do ovário, e também de ouros tumores, pelo que a articulação com consulta de risco familiar de cancro deve ser reforçada em Portugal.

O que se pode esperar do futuro?

No futuro a caracterização molecular do cancro do ovário permitirá identificar mais alvos, contribuir para o desenvolvimento de novas terapêuticas e definir o tratamento de cancro do ovário de forma individualizada. O recurso a plataformas para caracterização do perfil genómico do tumor, através do tecido tumoral ou de biopsias líquidas, será a forma de identificar mutações específicas associadas a maior eficácia de determinados tratamentos, para inclusão em ensaio clínico ou para tratamento na prática clínica corrente.

Em matéria de prevenção, o que pode ser feito? Faz sentido a existência de um rastreio para o diagnóstico precoce?

A prevenção do cancro do ovário passa por reconhecer os fatores de risco evitáveis e reduzir a exposição. Apesar de não estar preconizado programa de rastreio populacional, a identificação de doentes de risco aumentado de forma a estabelecer programas de vigilância permite aumentar a probabilidade de diagnóstico em fase precoce que está associado a melhor sobrevivência. A forma de vigilância consiste no exame ginecológico, ecografia pélvica transvaginal e doseamento do marcador tumoral CA125 (que poderá contribuir para o diagnóstico diferencial entre lesão benigna e maligna).

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
APCP e SECPAL assinam um memorando de colaboração
A Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos e a Sociedad Española de Cuidados Paliativos assinaram no passado dia 18 de maio...

Esta parceria surge como resultado dos últimos desenvolvimentos relativos ao debate sobre a Eutanásia e Suicídio Medicamente Assistido que decorrem em Portugal e Espanha, mas sobretudo ao relevante interesse público dedicado ao fim de vida em ambos os países, onde a acessibilidade e qualidade destes cuidados são uma necessidade urgente de saúde pública.

Duarte Soares, presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP), sublinha que caso as propostas de despenalização da Eutanásia venham a ser aprovadas “estaremos perante uma mudança de paradigma preocupante. O Estado Português, que tarda em cumprir as recomendações nacionais e internacionais no acesso a cuidados paliativos, terá agora a obrigação de matar os nossos concidadãos, sempre que os pedidos forem aprovados. Esta é uma votação prematura, que não serve o interesse dos nossos concidadãos. A verdadeira urgência está na luta por um direito humano e prioridade de saúde pública que, apesar de universal, tem sido sistematicamente negligenciado. A necessidade de, enquanto sociedade, oferecermos cuidados de fim de vida humanizados e da mais alta qualidade - incluindo cuidados paliativos - a todos e cada um dos nossos concidadãos”.

Este memorando refere também a importância do cumprimento das políticas nacionais e internacionais para o fim de vida de todos os cidadãos e também a urgência de assegurar o fácil e atempado acesso a todos os níveis e tipologias de serviços de cuidados paliativos, estando alguns grupos de pacientes ainda mais afastados deste tipo de serviços, nomeadamente as crianças, os idosos ou os portadores de doenças não oncológicas.

Estudo
Um novo estudo publicado no “The Journal of Nutrition” mostrou que consumir uma porção de iogurte no início de uma refeição...

O estudo conduzido por investigadores da Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, pretendeu descobrir se o iogurte exercia benefícios sobre a inflamação do organismo, anulando-a ou, pelo menos, diminuindo-a.

Num primeiro ensaio, escreve o Sapo, os cientistas recrutaram 120 mulheres em fase de pré-menopausa, metade das quais obesas.

Metade das participantes receberam cerca de 350 mililitros diários de iogurte magro, durante nove semanas. A outra metade recebeu um alimento não lácteo. Como resultado, as participantes que tinham consumido iogurte evidenciavam uma redução significativa dos marcadores inflamatórios.

No segundo ensaio, durante nove semanas, as mulheres receberam uma refeição altamente calórica para exercer stress sobre o seu metabolismo. A refeição consistia num pequeno-almoço rico em gordura e hidratos de carbono com cerca de 900 calorias. Metade das participantes iniciaram a refeição com uma porção de iogurte e a outra metade com um alimento não lácteo.

Nas horas que se seguiram à refeição, durante a digestão da mesma, as mulheres que tinham consumido iogurte exibiam uma redução significativa dos marcadores de endotoxinas, uma toxina inflamatória.

Nas participantes obesas, os níveis de glicose após o consumo da refeição desceram mais rapidamente no grupo do iogurte, o que demonstra igualmente um melhor metabolismo da glicose.

Os investigadores concluíram que o consumo de cerca de 250 mililitros de iogurte de baixa gordura antes de uma refeição poderá ser uma estratégia viável para melhorar o metabolismo depois da refeição e ajudar a reduzir o risco de doenças metabólicas e cardiovasculares, lê-se no estudo.

Porto
Uma cirurgia por microlaparascopia extraperitoneal, que o Centro Materno Infantil do Norte diz ser "pioneira em Portugal...

"O procedimento é pioneiro no nosso país", afirma Hélder Ferreira, coordenador da Unidade de Cirurgia Ginecológica Minimamente Invasiva do Centro Hospitalar do Porto, a que está associado o Centro Materno Infantil do Norte (CMIN). "Consiste numa abordagem minimamente invasiva ao cancro do útero por via extraperitoneal e tem muitos benefícios em termos de tratamento, por permitir à paciente uma recuperação mais rápida, menos complicações pós-cirúrgicas e uma menor taxa de recorrência da doença", revelou.

O ginecologista e cirurgião disse que a formação nessa técnica inovadora se revela particularmente útil numa altura em que "a incidência do cancro do útero e endométrio está a aumentar nas sociedades ocidentais devido à obesidade, à hipertensão arterial, à diabetes, à dislipidemia e à terapia hormonal de substituição".

A cirurgia em causa será realizada no âmbito de uma reunião médico-científica em que profissionais de Ginecologia, Obstetrícia, Oncologia e outras especialidades clínicas seguirão pelo auditório do CMIN, em tempo real, duas intervenções conduzidas no bloco operatório por cirurgiões de referência internacional.

A outra cirurgia também prevista para sábado é um "tratamento laparoscópico de endometriose muito severa com comprometimento da função renal e reprodutiva". Tem como finalidade evitar a remoção de um rim cujo desempenho está ameaçado pela doença, que se caracteriza pelo alojamento de células do endométrio uterino noutros órgãos, afeta "10 a 15% da população feminina em idade reprodutiva, pode ser muito incapacitante e, apesar de raras vezes manifestada nas suas formas mais graves, infelizmente se mantém subdiagnosticada".

Segundo Hélder Ferreira, são "duas cirurgias altamente inovadoras", tanto em Portugal como nos outros 14 países representados no evento, e o modo como serão filmadas e transmitidas para o auditório do CMIN também constitui "uma novidade", na medida em que recorre ao sistema Ultra HD (4K) para "garantir aos profissionais na plateia um detalhe de imagem muito superior ao que é habitual" nos hospitais nacionais.

"Será a primeira vez que em Portugal se transmitem cirurgias em resolução Ultra HD recorrendo a uma câmara laparoscópica de maior definição", explicou o cirurgião. "Isso possibilita a identificação de estruturas anatómicas de dimensões mínimas - como pequenas artérias, veias, nervos, canais linfáticos - e permite magnificar a imagem dos tecidos do doente, viabilizando assim ainda maior precisão na técnica cirúrgica, mais eficácia e segurança no procedimento, maior radicalidade na remoção da doença e menos perdas de função nos órgãos por ela afetados", defendeu.

Para conduzir as duas cirurgias o CMIN convidou "quatro ‘experts’ de reputação mundial", incluindo o francês Arnaud Wattiez, especialista em endometriose severa, professor de Ginecologia na Universidade de Estrasburgo, diretor do curso de Cirurgia Ginecológica no Instituto de Investigação em Cancro Digestivo (IRCAD), chefe do Departamento de Ginecologia do Hospital Latifa do Dubai e presidente da Academia Europeia de Cirurgia Ginecológica (EAGS).

Além da belga Pascale George, perita em laparoscopia ginecológica no Centro Hospitalar do Norte do Luxemburgo, os outros cirurgiões convidados são os espanhóis Juan Gilabert-Estellés, diretor da Escola Europeia de Endoscopia Ginecológica e ‘expert’ em oncologia e cirurgia minimamente invasiva, e ainda Alberto Vázquez, reconhecido pelo seu trabalho em medicina reprodutiva no Instituto Valenciano de Infertilidade e no Instituto Universitário Dexeus de Barcelona.

Entre os 200 médicos de 15 nacionalidades a reunir no auditório do CMIN para acompanhar essas cirurgias contam-se profissionais de países como Suíça, Reino Unido, França, Rússia, Holanda, Bélgica, Uruguai, Estónia, Brasil e Sudão, sendo que todos terão "oportunidade de apresentar em tempo real as suas dúvidas sobre as cirurgias".

Sindicato
O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses advertiu hoje que além do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, há vários hospitais que...

O Diário de Notícias adianta na sua edição de hoje que a saída de enfermeiros (desde janeiro terão saído mais de cem) obrigou o Hospital de Santa Maria a fechar camas e um setor de cirurgia devido à falta de recursos humanos.

Em declarações hoje, Guadalupe Simões, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), disse que o que se está a acontecer no hospital de Santa Maria está a passar-se na maior parte dos hospitais portugueses, como por exemplo no Hospital da Cova da Beira, no Centro Hospitalar do Porto e na Unidade Local de Matosinhos.

“O Santa Maria já encerrou um serviço de cirurgia, mas prevê-se que noutros hospitais possam vir a ser encerrados serviços resultado daquilo que é a não autorização do Ministério da Saúde e Ministério das Finanças de contratar enfermeiros”, avançou.

De acordo com Guadalupe Simões, se não forem contratados enfermeiros, a Unidade Local de Saúde de Matosinhos pode vir a ter que encerrar serviços assim como o Centro Hospitalar do Porto.

“Estamos a falar de grandes hospitais nas grandes cidades. Nos hospitais no interior ainda é mais grave porque a oferta é menor. A Unidade Local de Saúde de Castelo Branco, o Centro Hospitalar Médio Tejo, o hospital da Cova da Beira, todos estes hospitais estão numa situação de pré-ruptura e o Ministério da Saúde está a assistir a isto quase de forma passiva”, disse.

Na opinião de Guadalupe Simões, a situação vai-se agravar com a passagem dos enfermeiros com contrato individual de trabalho a 01 de julho para as 35 horas.

“Todas as instituições reportaram para o Ministério da Saúde a necessidade de contratar enfermeiros decorrente dessa situação e hoje quando analisamos o balanço social dos hospital entre outubro de 2017 e abril deste ano (que são os dados disponíveis) na sua maioria todos perderam enfermeiros, têm hoje menos enfermeiros do que em outubro de 2017 e estamos a dois meses da entrada em vigor de uma lei que foi negociada e recebeu o aval do Ministério das Finanças para que se concretizasse e é na situação que estamos hoje de pré-ruptura e que rapidamente vai entrar em rutura”, considerou.

Segundo a dirigente do SEP, a situação não se resolve sem a contratação de enfermeiros.

“O que é estranho e deveras preocupante é que o governo na negociação da passagem dos enfermeiros para as 35 horas impôs que esta medida entrasse em vigor a 01 de julho contrariamente à nossa exigência precisamente para durante estes primeiros seis meses do ano se fizesse um plano de contratação de enfermeiros em função das necessidades”, disse.

Segundo Guadalupe Simões, essas reuniões nunca se concretizaram, tendo estado marcadas várias vezes, mas que foram desmarcadas pelo Governo.

“O que se assiste é a uma série de obstáculos na contratação. Não se contratam enfermeiros de forma efetiva, não há autorização para substituir enfermeiros com ausências prolongadas desde que sejam contratos de trabalho em funções públicas e mesmo nos contratos individuais de trabalho só estão a ser substituídas as enfermeiras com licenças de parentalidade, mesmo estes contratos no que diz respeito às ausências por motivo de doença não estão a ser autorizadas as substituições. É o caos que está instalado”, concluiu.

De acordo com o Diário de Notícias, o número de enfermeiros está muito abaixo do necessário e só desde o início do ano mais de cem profissionais abandonaram o Centro Hospitalar Lisboa Norte e nem metade desse número foi contratado para compensar as saídas.

Instituto Português do Mar e da Atmosfera
Todas as regiões do país apresentam hoje um risco muito elevado e elevado de exposição à radiação Ultravioleta, segundo...

O país está em risco muito elevado, com exceção para Bragança e para o grupo ocidental dos Açores (Flores e Corvo), que estão com níveis elevados.

Para as regiões com risco 'muito elevado' e ‘elevado’, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) recomenda o uso de óculos de sol com filtro Ultravioleta (UV), chapéu, ‘t-shirt’, guarda-sol e protetor solar, além de desaconselhar a exposição das crianças ao sol.

Os índices UV variam entre 1 e 2, em que o risco de exposição à radiação UV é baixo, 3 a 5 (moderado), 6 a 7 (elevado), 8 a 10 (muito elevado) e superior a 11 (extremo).

O IPMA prevê para hoje no continente períodos de céu muito nublado, em especial por nuvens altas, possibilidade de ocorrência de precipitação fraca no litoral oeste a sul do Cabo Mondego e no interior Norte e Centro, a partir da manhã.

A previsão aponta ainda para vento fraco a moderado do quadrante sul, soprando temporariamente de noroeste durante a tarde no litoral a norte do Cabo Carvoeiro.

Está também prevista neblina ou nevoeiro matinal em alguns locais, pequena descida da temperatura mínima, com exceção do interior Norte e Centro e pequena subida da temperatura máxima.

As temperaturas mínimas vão oscilar entre os 08 graus Celsius (Braga) e os 14 (em Lisboa) e as máximas entre os 19 (no Porto e em Viana do Castelo) e os 28 (Santarém).

Estudo
O consumo diário de um ovo pode reduzir significativamente o risco de doenças cardiovasculares, com a probabilidade de AVC a...

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte e incapacidade em todo o mundo, especialmente pelas cardiopatias isquémicas e acidentes vasculares cerebrais (AVC). Ao contrário do resto do mundo, onde é mais frequente a doença isquémica, na China a principal causa de morte prematura é o derrame cerebral.

No estudo lembra-se que os ovos são uma fonte importante de colesterol mas que também contêm proteínas de alta qualidade, muitas vitaminas e componentes bioativos, como os fosfolipídeos (lípidos que contém ácido fosfórico) e os carotenoides (importantes na alimentação e antioxidantes).

A investigação agora publicada refere que estudos anteriores que analisaram a associação entre comer ovos e a saúde foram inconsistentes.

No estudo publicado ontem, uma equipa de investigadores da China e do Reino Unido, liderada pela Escola de Saúde Pública da Universidade de Pequim, propôs-se examinar as relações entre o consumo de ovos e as doenças cardiovasculares, usando dados de um estudo a decorrer e que junta mais de 500 mil pessoas adultas (30-79 anos) de 10 diferentes regiões da China.

Os participantes, recrutados entre 2004 e 2008, foram questionados sobre a frequência do consumo de ovos e foram acompanhados para determinar a sua morbilidade e mortalidade.

A análise dos resultados mostrou que em comparação com pessoas que não consomem ovos o consumo diário de ovos está associado a um risco menor de doenças cardiovasculares.

Os consumidores diários de um ovo baixaram em 18% o risco de uma doença cardiovascular. Só em relação a um AVC a probabilidade baixou 26%.

O consumo diário de ovos levou também a uma redução de 25% no risco de cardiopatia isquémica.

Os autores notam que o estudo foi de observação, pelo que não se pode tirar uma conclusão categórica de causa e efeito, mas salientam o tamanho da amostra.

“O presente estudo revela que há uma associação entre o consumo moderado de ovos (um por dia) e uma menor taxa de eventos cardíacos”, disseram os autores.

Ordem dos Médicos
O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, afastou ontem, no Porto, a possibilidade de rever o código deontológico e...

Numa intervenção no final do ciclo de debates organizado pelo Conselho Nacional da Ordem dos Médicos e que ontem versou as "decisões sobre o fim da vida", Miguel Guimarães respondeu desta forma à pergunta feita pelo antigo bastonário Germano de Sousa, que quis saber o que iria fazer o bastonário em caso de despenalização.

"Não vou mudar o código deontológico", afirmou Miguel Guimarães sobre o resultado da discussão agendada para 29 de maio na Assembleia da República (AR), reforçando que, tão pouco, fará um "referendo interno para mudar um código que resulta de leis internacionais e que é um código de conduta profissional".

Apesar da resiliência demonstrada, o bastonário afirmou que se a "AR, ou em sede de referendo nacional, os portugueses decidirem que existe despenalização da eutanásia, obviamente que a função em termos disciplinares relativamente aos médicos acaba por resultar em nada", explicando que "ficam automaticamente despenalizados em função da lei do país".

Reiterando uma afirmação recorrente no debate que juntou cerca de 50 pessoas na secção regional do norte da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães questionou a "legitimidade da AR para tomar esta decisão".

"Não tendo, sequer, esta questão sido discutida amplamente, será que deveriam ser os deputados a decidir sobre questões de liberdades individuais dos portugueses?", perguntou o bastonário, lamentando que a decisão seja tomada "por pouco mais de 100 deputados".

No final de um debate que começou com um minuto de silêncio em memória de António Arnaut, considerado o "pai" do Serviço Nacional de Saúde (SNS) que hoje faleceu em Coimbra, Miguel Guimarães lembrou a obra do antigo deputado socialista, para lembrar que o SNS "é hoje alvo de ameaças sérias".

Frisando que em Portugal "as desigualdades sociais na Saúde são alarmantes", observou que "só quem tem condições económicas tem acesso fácil".

Voltando ao tema da eutanásia, o também médico considerou "não se poder argumentar, honestamente, com o sofrimento quando não estão criadas as condições para acabar com o sofrimento", reivindicando a "melhoria" desse serviço.

Como exemplo disso, afirmou que "os cuidados paliativos chegam a uma percentagem muito pequena, entre 15 e 17%, da população portuguesa", pedindo por isso "maior acesso à Saúde" para as pessoas e que, essa sim, "deveria ser uma preocupação central da AR".

Primeiro-ministro
O primeiro-ministro confirmou ontem que o Governo da República vai comparticipar metade da construção do novo hospital da...

“Confirmamos aquilo que já tínhamos anteriormente acordado quanto a comparticipação da República na construção do hospital. É fundamental trabalharmos em conjunto para que este projeto possa ser classificado como de 'Interesse Comum'”, disse António Costa após uma reunião com o presidente do Governo da Madeira, na Quinta Vigia.

O chefe do Governo adiantou que esta situação vem “permitir ao Estado fazer aquilo que é correto, que é pagar em 50% as despesas com a construção e equipamento” do novo hospital, adiantando que o “cronograma apresentado pela região prevê um custo total de 314 milhões de euros”.

O governante vincou que este projeto “será pago e começará a ser inscrito no Orçamento do Estado a partir de 2019, mas criando as condições para que ainda este ano possa ser lançado o concurso público internacional”

O custo inicial da construção e equipamento do novo hospital estava estimado em 340 milhões de euros, explicando António Costa que o valor baixou para 314 milhões de euros devido a uma boa negociação com os encargos com as expropriações.

“Temos agora um cronograma concreto que fixa o calendário do pagamento das prestações para o apoio, o cofinanciamento à construção e equipamento”, declarou, esclarecendo que os executivos têm trabalhado em conjunto para seja revista a posição da entidade competente que deu um parecer negativo a que este fosse considerado um Projeto de Interesse Comum.

Numa conferência de imprensa conjunta, o presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, complementou que a Madeira “está em condições de abrir este concurso internacional logo a seguir ao Verão”, destacando que esta foi uma “reunião de trabalho aberta e fraca” e os responsáveis dos dois executivos “vão continuar a trabalhar no sentido de resolver as questões e os interesses fundamentais da região”.

António Costa mencionou que outras das questões abordadas neste encontro foi a dívida da Madeira à República [1.500 milhões de euros], apontando que se registou "um avanço” no sentido de “conseguir fazer repercutir em benefício da Região Autónoma a redução da taxa de juro que a República tem beneficiado, de forma a que a Madeira não tenha de pagar mais do que a República vai pagando aos seus credores”.

O governante acrescentou ser necessário “aprofundar agora qual é a modalidade técnica adequada para que esta repercussão se verifique”.

O chefe do Governo central realçou que este tema tem de ser “tratado em conjunto, para garantir a continuidade territorial, que é o problema do subsídio de mobilidade”.

“Creio que é consensual entre todos que o atual modelo beneficia, sobretudo, as transportadoras, sem acrescentar benefício aos residentes e com elevadíssimo custo para o Estado”, salientou, mencionando que esta modalidade representou um aumento de 400% naquilo que a República paga, quando apenas se regista um acréscimo de 40% das deslocações dos residentes na Madeira

António Costa considerou ser necessário continuar a trabalhar para encontrar “uma solução conjunta” para os temas da dívida da Madeira e do subsídio de mobilidade.

Quanto à situação das dívidas dos subsistemas de saúde [PSP, Forças Armadas e GNR] à Madeira, anunciou que “vão ser anuladas as liquidações posteriores a maio de 2016”, dado haver um acordo de reciprocidade entre os sistemas nacional e regional de Saúde.

Relativamente às verbas anteriores a essa data, ficou acordado “o montante da liquidação, que é cerca de 17 ME, faltando negociar o processo de pagamento”.

Estados Unidos
Cientistas criaram uma vacina contra o vírus da poliomielite que pode ser dada em duas doses com uma só injeção, divulgou o...

O vírus da poliomielite, uma doença infecciosa que afeta especialmente o cérebro e a espinal medula, podendo levar à paralisia dos músculos, é muito contagioso e atinge sobretudo crianças muito novas.

O poliovírus pode transmitir-se através da ingestão de água ou alimentos contaminados por fezes.

Em Portugal, onde a doença foi oficialmente eliminada em 2002, a vacina é administrada cinco vezes como medida profilática às crianças com 2, 4 e 6 meses e 1,5 e 5 anos.

Segundo um comunicado do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), a nova vacina poderá facilitar a imunização de crianças em regiões remotas de países onde a poliomielite persiste e onde é difícil a administração da vacina convencional em várias injeções.

A vacina criada foi 'encapsulada' num polímero biodegradável conhecido como PLGA e injetada em ratinhos.

Investigadores do MIT desenharam com este material nanopartículas (partículas microscópicas) capazes de libertar uma primeira dose da vacina no momento da injeção e uma segunda dose 25 dias depois da injeção.

A análise a amostras de sangue recolhidas dos roedores permitiu concluir que tiveram uma resposta imunitária contra o vírus da poliomielite tão ou mais forte do que os anticorpos dos ratinhos que receberam duas injeções da vacina convencional contra a doença.

Os resultados do estudo foram publicados na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

António Arnaut
Uma das últimas mensagens de António Arnaut, que hoje morreu aos 82 anos, foi um alerta sobre o risco de o Serviço Nacional de...

O alerta de António Arnaut, considerado o “pai” do Serviço Nacional de Saúde (SNS), foi deixado por mensagem escrita, dirigida ao III Congresso da Fundação Para a Saúde, que decorreu na sexta-feira e no sábado, em Coimbra, e divulgada pelo presidente da fundação José Aranda da Silva, através da sua conta no Facebook.

A culpa é da "filosofia neoliberal que visou a destruição do Estado Social e reduziu o SNS a um serviço residual para os pobres", lê-se na mensagem, com a data de 18 de maio.

“É preciso reconduzir o SNS à sua matriz constitucional e humanista. Há agora condições políticas e parlamentares para realizar essa tarefa patriótica e o governo propôs-se fazê-lo”, escreveu.

O presidente honorário do PS comentou, há pouco mais de duas semanas, aos microfones da TSF, a notícia da desfiliação do ex-líder e antigo primeiro-ministro José Sócrates.

Foi em 04 de maio que Arnaut, histórico e fundador do PS, afirmou: “Sócrates não tem de se queixar de ninguém. Tem de se queixar é de si próprio.”

“Não é com a condenação moral que muitos camaradas de José Sócrates lhe fazem que nós estamos a fazer o jogo da Direita. Pelo contrário: fazemos o jogo da direita se deixássemos ficar sem uma palavra de condenação um comportamento que se afasta de todas as regras da Ética e da lisura republicana”, disse.

Desde o início do ano, porém, foram poucas as suas aparições públicas, as últimas das quais, em Coimbra, cidade onde viveu.

Por motivos de saúde, Arnaut não esteve, a 06 de janeiro, na apresentação do livro com João Semedo, do Bloco de Esquerda (BE), “Salvar o SNS – Uma nova Lei de Bases da Saúde para defender a democracia”.

Na sessão, o primeiro-ministro, António Costa, sem se comprometer com calendários, afirmou que esta "é uma excelente altura" para se fazer uma reflexão sobre o SNS, que está próximo de comemorar 40 anos de existência.

E o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, admitiu que “está no momento” de conceber uma nova Lei de Bases da Saúde e que estão criadas as condições para avançar com o processo.

António Arnaut, advogado, nasceu na Cumeeira, Penela, distrito de Coimbra, em 28 de janeiro de 1936, e estava internado nos hospitais da Universidade de Coimbra.

Presidente honorário do PS desde 2016, foi ministro dos Assuntos Sociais no II Governo Constitucional, Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano e foi agraciado com o grau de Grande-Oficial da Ordem da Liberdade e com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.

Poeta e escritor, António Arnaut envolveu-se desde jovem na oposição ao Estado Novo e participou na comissão distrital de Coimbra da candidatura presidencial de Humberto Delgado.

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