Saúde Mental
O relatório final da comissão de acompanhamento na área da saúde mental estima que nos territórios afetados pelos incêndios...

A comissão de acompanhamento na área da saúde mental às populações afetadas pelos grandes incêndios de 2017 estima que "a prevalência pontual de perturbações psiquiátricas graves suba aproximadamente 01% (de uma base de 02 a 03%)" e aumente 05 a 10% nas perturbações ligeiras a moderadas (de uma base de 10%).

A restante população deverá "recuperar habitualmente sem patologia relevante", conclui a comissão, no relatório final a que a agência Lusa teve acesso.

"Para responder a esta heterogeneidade de cenários, é necessário desenvolver um sistema com diversas camadas de apoio e intervenção, complementares entre si, que atenda às necessidades dos diferentes grupos", defende a comissão de acompanhamento, presidida por António Leuschner.

A comissão considera que a resposta em saúde mental "foi célere e efetiva nos dois grandes incêndios da região Centro", em junho e outubro de 2017, sendo que o facto de haver já no terreno equipas comunitárias de saúde mental "foi uma enorme mais-valia para a eficiência da resposta".

Ao todo, as equipas comunitárias de saúde mental "realizaram perto de cinco mil consultas de psicologia e psiquiatria, e mais de um quarto desse número de domicílios de saúde mental relacionados com os incêndios", sublinha o relatório.

Para além disso, a comissão considera também positiva a colaboração institucional com outras instituições, como os fuzileiros, autarquias, INEM, misericórdias e Cruz Vermelha.

Anexado ao relatório, está também presente uma proposta de folheto para distribuir junto das populações com soluções para lidar com o luto, feito pelo diretor do Centro de Bioética da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, António Barbosa.

Nesse documento, intitulado "O meu luto", o especialista refere que partilhar as experiências vividas e os seus sentimentos com alguém de confiança ou com um profissional de saúde pode "contribuir para aliviar os sintomas e ajudar a lidar com os acontecimento e as memórias traumáticas".

António Barbosa refere que o medo e a ansiedade, quando se tornam constantes e excessivos, poderão ser combatidos através de vários recursos, como respirar profunda e lentamente, organizar um diário ou participar num grupo de apoio.

Na proposta de folheto são também apresentadas medidas sobre como lidar com as insónias e com a má alimentação, apontando também para medidas de "autocuidado".

O "autocuidado", refere, pode assumir a forma de descanso e relaxamento, a prática de atividade física para libertar a tensão, o convívio com familiares e amigos ou falar sobre o luto, que pode ajudar a pessoa a "lidar com a perda".

Para aniversários ou datas marcantes relacionadas com a pessoa que morreu ou a data em que a pessoa faleceu, António Barbosa define várias estratégias, nomeadamente anotar no calendário os momentos que poderão ser difíceis e pensar no que poderá fazer durante esses momentos.

No dia em concreto, a pessoa deve libertar-se das suas expectativas e das dos outros, fazer algo que normalmente não faria em memória do ente querido, criar um momento que honre e reconheça a perda ou falar "com o falecido", interiormente ou em voz alta, sendo que esta forma de verbalizar o que a pessoa quer dizer pode "proporcionar conforto".

O especialista aponta ainda para a importância da comunidade, da necessidade de se olhar para o futuro e da ajuda de profissionais que a pessoa pode e deve procurar.

 

Investigação
Mastigar pastilha elástica durante o exercício físico pode ser um aliado contra o excesso de peso em homens com mais de 40 anos...

“Combinar exercício físico e pastilha elástica pode ser uma maneira eficaz de controlar o peso”, escrevem os investigadores na revista Journal of Phisical Therapy Science, citados hoje pela AFP.

No estudo, os investigadores examinaram “o ritmo cardíaco, a distância percorrida, a velocidade de marcha, o número de passos e gasto energético” de 46 atletas japoneses com idades entre os 21 e os 69 anos.

A estes foi pedido que caminhassem ao seu “ritmo natural” durante 15 minutos numa pista de atletismo. Metade mastigou duas pastilhas elásticas durante o percurso e a outra metade ingeriu os ingredientes das pastilhas em forma de pó dissolvido em água.

No final, perceberam que aqueles que mastigavam pastilha elástica apresentaram, globalmente, uma frequência cardíaca mais elevada.

Verificaram ainda que os homens com idade superior a 40 anos, quando mastigavam pastilha elástica, tendiam a andar mais rápido, percorrendo uma maior distância, o que os fazia gastar mais calorias.

 

 

SNS
O presidente da Associação Nacional da Unidades de Saúde Familiar (USF-AA), João Rodrigues, criticou este fim de semana que só...

Em declarações à agência Lusa no final do primeiro dia do 10.º Encontro Nacional das USF - Unidades de Saúde Familiar, que decorreu em Gondomar, o presidente da USF-AN criticou o Governo por decisões que considera "contraditórias".

Lembrando que de acordo com "as cotas publicadas em janeiro, em 2018 podem abrir 25 USF 'modelo A' e 20 'modelo B'", João Rodrigues criticou o facto de as segundas "só poderem transitar em outubro" apesar de já "aprovadas pelo parecer técnico nacional".

O Ministério da Saúde publicou recentemente um estudo, com dados de 2015, a validar esta informação, "dizendo haver uma eficiência de 103 milhões de euros anuais se todo o país estivesse em USF 'modelo B'", enfatizou João Rodrigues.

Insistindo que as USF 'modelo B' "produzem mais qualidade nos cuidados e custos menores em termos de resultado final", o dirigente elencou as mais-valias destas unidades.

"Há menos internamentos evitáveis. Por exemplo, um utente diabético vigiado numa USF 'modelo B' é menos internado, pois é melhor controlado, sendo que estes doentes vão menos ao serviço de urgência. E um doente quando recorre ao serviço de urgência hospitalar está a disparar a despesa e também porque está mais doente", disse.

Dando conta que em 2018 abriram 10 USF 'modelo A', João Rodrigues revelou um questionário feito em janeiro pela associação "aos coordenadores das USF 'modelo A'", vincando que "91% deles responderam querer ir para o 'modelo B'".

Sobre os serviços de Avaliação Psicológica de Condutores e que dificuldades têm tido os médicos de família para passar atestados para cartas de condução, o presidente da USF-AN manteve o tom crítico, afirmando que "continua tudo na mesma".

Salientando que os "profissionais não estão preparados tecnicamente para fazer esse tipo de avaliação, desde logo, por falta de materiais", lembrou a "promessa deste Governo" de "criação de centros especializados" para garantir que "estão em banho-maria".

O primeiro de dois dias do 10.º Encontro Nacional das USF - Unidades de Saúde Familiar abriu com uma homenagem a António Arnaut, considerado o "pai" do Serviço Nacional de Saúde, que esta semana faleceu em Coimbra.

Infarmed
Um dos medicamentos para prevenir a malária está esgotado em Portugal, confirmou hoje a Autoridade do Medicamento (Infarmed),...

A informação foi confirmada à agência Lusa por fonte oficial do Infarmed, após uma notícia da Visão online que dá conta que as “últimas embalagens de mefloquina se venderam no início de maio”.

A reposição de stock de mefloquina está prevista para 27 de julho, estando o Infarmed “neste momento a avaliar alternativas para o abastecimento do mercado com esta substância”.

De acordo com a Autoridade do Medicamento os medicamentos com mefloquina têm alternativa terapêutica na sua indicação principal (Atovaquona + Proguanilo), que pode ser utilizada e “não tem ruturas notificadas”, ou seja, está disponível no mercado.

 

Novas diretrizes
A Organização Mundial de Saúde (OMS) aprovou hoje um plano para reduzir em 90% as mortes provocadas por cólera, adotou uma...

A porta-voz da OMS, Fadela Chaib, afirmou hoje em conferência de imprensa em Genebra que a cólera é responsável por 95.000 mortes por ano, afetando 2,9 milhões de pessoas em países com poucas infraestruturas, sistemas de saúde deficitários e em situações de conflito social.

A resolução insta a OMS a aumentar a sua capacidade para ajudar os países que lutam contra a cólera, reforçando a sua liderança global e papel de coordenação nesta área.

Além disso, os delegados que participam na Assembleia Mundial da Saúde adotaram outra resolução que desafia o diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, e os Estados-membros a apoiar a reunião de alto nível da Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro, onde será discutido o "caminho para acabar com a tuberculose”.

A resolução exige que os Estados-membros aumentem os esforços para eliminar a doença e, a OMS, apela para que se desenvolva uma nova estratégia global para a investigação e inovação médica no campo da tuberculose.

Segundo a OMS em 2016 morreram 1,7 milhões de pessoas, sendo a tuberculose uma das dez principais causas de morte no mundo.

Também a estratégia a cinco anos da organização para erradicar a poliomielite foi revista durante o encontro, reforçando os sistemas de vacinação e procedimentos de urgência nos países que têm as ferramentas necessárias para manter o “mundo livre” da doença.

A Assembleia Mundial de Saúde é o principal órgão de decisão da OMS, responsável por aprovar as diretrizes e recursos do trabalho a realizar pela organização.

 

 

Listas de espera
O Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa vai contratar a privados mamografias para casos de mulheres sem sinais de...

A informação foi hoje revelada pelo administrador do IPO de Lisboa, Francisco Ramos, que admitiu que há dificuldades em realizar “no melhor prazo” mamografias de seguimento a mulheres que estão há mais de cinco anos sem a doença e que devem realizar um exame anual.

“Estamos com seis meses de atraso para as mamografias das mulheres que tiveram o seu diagnóstico há mais de cinco anos. Estamos a tentar organizar as equipas para aumentar essa capacidade. E para resolver de forma mais rápida esse acumulado de atrasos, vamos temporariamente comprar serviços ao exterior e com isso reduzir de forma rápida esse atraso”, afirmou Francisco Ramos aos jornalistas.

O esclarecimento do administrador do IPO foi prestado na sequência de uma notícia do Diário de Notícias de hoje que dava conta de atrasos nas mamografias de mulheres

Francisco Ramos espera que já durante o próximo mês seja possível começar a encaminhar para privados algumas mulheres para estas mamografias, que devem abranger cerca de 400 casos.

O responsável entende que as mulheres não têm razões para estar preocupadas, sublinhando que o IPO continua a responsabilizar-se e a acompanhar “todos os seus doentes em todas as fases da doença” e no acompanhamento do pós-doença.

Mesmo em relação às mamografias anuais após os cinco anos de sucesso de tratamento da doença, o IPO de Lisboa continua a garantir os exames, embora reconheça os atrasos.

Sublinhando que os casos de cancro têm aumentado todos os anos, Francisco Ramos nota ainda que o IPO está a trabalhar para aumentar a sua capacidade para efetuar mamografias e reduzir os tempos de espera, reorganizando as equipas.

Mas, dentro de dois ou três anos, o administrador assume que é provável que o IPO tenha de comprar um novo equipamento para ter capacidade de responder a toda a procura.

O IPO de Lisboa realiza “milhares de mamografias por mês” e tem, por norma, “capacidade de fazer todos os seus exames de diagnóstico e terapêutica”, segundo o responsável.

Os atrasos registados devem-se fundamentalmente ao aumento do número de doentes. Francisco Ramos indica que todos os anos aparecem entre 1.000 a 1.200 novos casos de cancro da mama e que 80% a 85 % sobrevivem ao fim de cinco anos, continuando a precisar de monitorização.

“Todos os anos temos 800 a 900 novas mulheres que atingem os cinco anos de tratamento e precisam de fazer mamografia anual”, nota.

A prioridade clínica tem sido realizar exames para doentes no início dos seus tratamentos, para verificar a evolução da doença.

Tendo em conta o aumento de doentes sobreviventes e com necessidade de acompanhamento, o IPO tem ainda em curso um projeto que pretende fazer com que as mulheres que ao fim de cinco anos não têm sintomas passem a ser seguidas nos centros de saúde, sempre em articulação com o IPO.

“Não é uma decisão administrativa. É um trabalho técnico e clínico”, assegurou.

O IPO de Lisboa recebe mais de seis mil novos doentes com cancro e mantém em seguimento 57 mil pessoas. Dos seis mil novos casos, mais de mil são mulheres com cancro da mama.

Posição da Sociedade Portuguesa de Senologia
Sociedade Portuguesa de Senologia esclarece as notícias que dão conta da falta de capacidade do IPO na realização de exames de...

Sobre as notícias veiculadas esta manhã, a propósito do seguimento de sobreviventes de cancro da mama no Instituto Português de Oncologia de Lisboa, a Sociedade Portuguesa de Senologia vem esclarecer:

Conscientes do aumento das taxas de sobrevida dos doentes com cancro da mama e, como tal, do número de sobreviventes, a Sociedade Portuguesa de Senologia apresentou no final do ano passado o consenso “Sobreviventes de Cancro: Guidelines de Seguimento”, no qual procura responder à questão “por quanto tempo necessitam os sobreviventes de cancro de um controlo na instituição de tratamento inicial”.

Neste consenso procura-se dar guidelines para o momento em que o sobrevivente deve passar a ser acompanhado por um médico de família. Os objetivos são diminuir o número de sobreviventes seguidos por oncologistas e senologistas para que novos e atuais doentes possam ter um maior acompanhamento e dar aos médicos de família um papel crescente no acompanhamento dos sobreviventes através de informação e ferramentas que lhes permitam seguir os sobreviventes com conhecimentos alicerçados.

Paralelamente a este consenso com os médicos de família, há ainda um trabalho a desenvolver com a sociedade em geral e os doentes em particular, no sentido de criar uma consciência de que não existe riscos acrescidos para os sobreviventes que forem acompanhados nos cuidados de saúde primários. As taxas de sobrevida são idênticas se o seguimento depois dos cinco anos de sobreviventes de cancro da mama for feito nos IPOS e instituições da especialidade ou for feito nos cuidados de saúde primários.

Neste processo de transferência de seguimento dos doentes, existe a questão da ligação efetiva que o doente / sobrevivente tem com o médico oncologista que o acompanhou durante todo o tratamento, mas é uma questão que deverá ser gerida caso a caso. É urgente aliviar a carga existente nos serviços de oncologia, para receberem os novos casos de cancro que aumentam a cada ano.

 

 

 

Entrevista
As doenças cutâneas são bastante frequentes mas nem sempre lhes é dada a devida atenção.

O que é a Dermatite de Contacto e quais os seus principais sintomas?

A dermatite de contacto refere-se a um grupo de alterações da pele no qual surge uma reação cutânea após o contacto direto com o agente causal. O termo dermatite é equivalente a eczema, o qual pode ser agudo (um único episódio), limitado ou não ao local do contacto com eritema, pápulas ou vesículas ou crónico (persistente) observando-se neste caso sinais de cronicidade como o espessamento da pele. Quase sempre se acompanha por prurido. 

Quais os tipos mais frequentes de Dermatite de Contacto?

As formas mais frequentes de dermatite de contacto são a irritativa e a alérgica. Dentro desta, existe o subtipo fotoalérgica, que apenas é desencadeada quando o agente é exposto à radiação solar ultravioleta.

O que distingue a Dermatite de contacto irritativa da Dermatite de contacto alérgica?

A dermatite de contacto irritativa pode ocorrer após uma única exposição a um agente irritativo (por exemplo um desengordurante). Mas habitualmente, trata-se de uma situação onde a exposição repetida a substâncias como detergentes, solventes ou a imersão frequente em água levam à lesão da barreira cutânea. As manifestações clínicas geralmente são limitadas aos locais de contacto. Este tipo de reação é mais comum nos atópicos (doentes que já têm história prévia de eczema, rinite ou asma) ou noutras condições onde a pele já está previamente comprometida.

A dermatite de contacto alérgica exige uma sensibilização prévia a um determinado alérgeno específico. Esse agente é apresentado à pele várias vezes até que se dá uma verdadeira reação alérgica, sob a forma de eczema. Este tipo de reação é designado por hipersensibilidade retardada, podendo desencadear-se apenas 48 a 96h após o contacto com a substância. As manifestações clínicas tipicamente extravasam a área de contacto.

Quais são, por exemplo, as substâncias ou agentes que causam cada uma das variantes da erupção cutânea?

Como referido na questão anterior as substâncias causadoras de dermatites irritativas são detergentes, solventes, sabões, mas também podem ser por exemplo factores mecânicos (o caso de um trabalhador que exerça sempre o mesmo tipo de movimento de fricção). Este tipo de dermatite de contacto é mais comummente observado nos profissionais que têm trabalhos húmidos, com imersão frequente das mãos em água ou que contactam com agentes detergentes.

As substâncias que mais frequentemente estão implicadas no eczema de contacto alérgico são os metais, as fragrâncias e os conservantes. Os acrilatos (colas das unhas de gel) também têm tido especial destaque, quer a nível profissional, quer a nível pessoal, pelo que hoje em dia se tornaram um dos alérgenos testados de forma sistemática em doentes com suspeita de dermatite de contacto.

É fácil identificar as suas causas? Como é feito o diagnóstico?

A distinção entre as 2 formas nem sempre é fácil, podendo mesmo coexistir formas clínicas e polissensibilizações (ou seja, alergia a mais do que uma substância). Não raramente a dermatite irritativa, ao lesar a barreira cutânea, predispõe à sensibilização alérgica posterior. Para o esclarecimento diagnóstico, os doentes são referenciados à consulta de Alergologia cutânea, na qual se realizam as chamadas provas epicutâneas. Nestes testes, colocam-se em contacto com a pele várias baterias com uma variedade de alérgenos selecionados consoante a história clínica. Dada a reação poder apenas decorrer após várias horas de contacto, as leituras são efectuadas às 48 e 96h. Cada positividade é interpretada individualmente e é-lhe atribuída a sua relevância. Esta pode ser atual, isto é, com impacto na história do doente e a sua evicção resulta na melhoria clínica.


A especialista do Hospital de Egas Moniz e Cuf Descobertas, Cristina Amaro, destaca o eritema, as pápulas ou vesículas como os principais sintomas 

Quando se deve consultar o médico?

O eczema deve ser investigado caso persista. O doente deve ser enviado a uma consulta de Dermatologia para que seja realizada uma história clínica pormenorizada.

Qual o prognóstico da Dermatite de Contacto? Quanto tempo demora a erupção passar?

Teoricamente a evicção dos factores causais, sejam irritativos ou alérgicos, resulta numa melhoria clínica. O prognóstico é variável consoante a gravidade e a existência de predisposição a outras dermatoses de base, como o eczema atópico. Dependendo da área anatómica, podemos ter quadros bastante debilitantes como no eczema das mãos. Quando a dermatose tem relevância profissional poderá ser mais difícil a evicção total dos factores envolvidos.

Qual o tratamento indicado e quais os principais cuidados a ter?

Por vezes é necessário adicionar medidas terapêuticas como o uso de creme emoliente (creme hidratante) para restruturar a barreira cutânea, assim como medicação anti-inflamatória como por exemplo os corticosteróides.

Quais as principais medidas de prevenção?

A prevenção é primordial. O uso de medidas de proteção adequado é uma das principais recomendações. Os doentes devem evitar a manipulação das substâncias irritativas ou alérgicas utilizando, por exemplo, luvas que impeçam o contacto com esses químicos. As luvas devem ser individualizadas para cada caso, no que respeita ao seu tamanho, composição e capacidade de proteção. A utilização concomitante de luvas de algodão minora o efeito oclusivo das luvas de proteção. A aplicação regular de creme emoliente também constitui uma medida de prevenção.

Quais as complicações possíveis? O quadro pode evoluir para uma condição mais grave?

Por vezes, como dito anteriormente, o eczema pode extravasar a área de contacto e sofrer uma generalização pelo tegumento cutâneo. Nestes casos, a terapêutica pode ter que passar pelo uso de medicação oral. Há ainda uma outra condição designada por dermatite de contacto sistémica. Esta resulta da exposição por via sistémica (por exemplo através da absorção pelas mucosas do olho, anal, por via endovenosa ou inalatória) a alérgenos aos quais o doente se sensibilizou previamente através da pele, com aparecimento de quadros cutâneos mais complexos. 

Para terminar, que outras considerações gostaria de fazer sobre o tema?

Esta é uma área em constante atualização tendo em conta o desenvolvimento de novos produtos cosméticos e industriais. Os cosméticos têm vindo a tornar-se nos últimos anos os maiores causadores de dermatite de contacto alérgica dado o seu uso generalizado.

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Investigador inglês
O bioquímico britânico Paul Nurse, que recebeu o prémio Nobel de Fisiologia e Medicina em 2001, considerou hoje que um dos...

"É um mito, pensarmos que o cancro é uma doença única. De facto, trata-se de um número grande de doenças, cerca de 300 ou 400, que têm uma característica comum: a reprodução celular descontrolada", disse à agência Lusa o cientista, a propósito de uma sessão sobre o ciclo do controlo celular, que decorre hoje no Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S).

Segundo o investigador inglês que na década de 1970 descobriu como é controlado o ciclo celular em todos os organismos - através do estudo de células de levedura -, esse é um dos motivos pelos quais é "tão difícil tratar o cancro: existem muitas doenças diferentes no cancro".

A descoberta do controlo do ciclo celular revolucionou o conhecimento sobre patologias onde esse ciclo é afetado, com grande impacto nas doenças em que ocorre proliferação descontrolada das células, como é o caso do cancro.

Outro dos mitos associados ao cancro prende-se com o facto de a doença ser causada "somente por fatores externos", referiu Paul Nurse, que em 2001 foi galardoado com o prémio da academia sueca, distinção partilhada com dois outros investigadores cujos contributos foram igualmente relevantes para o estudo do ciclo celular.

"O cancro pode, de facto, ser causado por fatores externos. O mais óbvio: quem fumar tabaco tem mais probabilidade de desenvolver cancro do pulmão e quem tem pele clara e se expõe ao sol, sem proteção, tem mais probabilidade de ter cancro de pele", indicou o investigador, que foi diretor da Universidade Rockefeller, em Nova Iorque.

Contudo, continuou, existem outros fatores que influenciam a doença, como a herança genética herdada dos pais.

Além disso, "de todas as vezes que uma célula se divide e se reproduz, ocorrem erros", o que vai decorrendo "ao longo da vida de todos os seres humanos", continuou o presidente da instituição académica Royal Society entre 2010 e 2015.

"Consoante se vai envelhecendo, esses danos podem acumular, não havendo nada que se possa fazer acerca disso. Só o facto de estarmos vivos vai resultar em danos nos genes que podem provocar cancro e, quanto mais tempo vivemos, maior a probabilidade de ocorrerem incidentes", notou o investigador britânico, que trabalhou no Imperial Cancer Research Fund (atualmente Cancer Research UK), do qual se tornou diretor em 1996.

De acordo com Paul Nurse, apesar das melhorias conseguidas no tratamento do cancro, este nunca poderá ser erradicado, visto que, embora seja possível alterar os fatores externos que podem originar a doença, o mesmo não acontece com a herança genética recebida dos pais e com a divisão celular.

"O que estamos a aprender é a controlar a divisão celular, principalmente através da manipulação do sistema imunitário", de forma "a se controlar uma parte do processo", reduzindo assim os riscos.

Relativamente à prevenção, o "grande problema" identificado pelo cientista prende-se com o facto de, na comunidade científica, haver investigadores que utilizam somente a genética para estudar o cancro, enquanto outros estudam somente os fatores externos, quando, na realidade, "ambos são importantes e precisam de ser estudados juntos".

"Não é suficiente saber muito sobre os genes ou sobre os fatores externos que podem levar a doenças, o que é mesmo importante é estudá-los juntos", acrescentou.

Paul Nurse, que passou também pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, defende que a informação credível sobre o cancro provém de estudos epidemiológicos que envolvem "amostras significativas e controladas", a partir dos quais é possível conseguir "resultados e evidências sensíveis e criteriosas", sendo nesses que "as pessoas devem acreditar".

O cientista inglês foi responsável pela criação do Francis Crick Institute, do qual se tornou diretor em 2011, um centro de investigação sediado em Londres que junta várias instituições no mesmo espaço, à semelhança do que acontece no i3S.

Segundo Paul Nurse, através do trabalho desenvolvido no centro, os investigadores têm procurado "entender como a vida funciona e como usar essa informação e conhecimento para pensar de forma correta sobre as doenças e sobre como as controlar".

Procura disparou o ano passado
O direito a indicar que procedimentos médicos se deseja numa situação de doença terminal ou estado de inconsciência ainda só...

O direito a deixar expresso que procedimentos médicos se desejaria ou recusaria numa situação terminal ou em que não existam perspetivas de recuperação e o doente não possa manifestar a sua vontade está previsto em Portugal desde 2014 e, até ao momento, houve mais de 20 mil portugueses a preencher o seu testamento vital. Porém, a adesão parece estar de novo a abrandar depois de a procura ter disparado no ano passado.

Nos primeiros quatro meses deste ano, apesar de se ter acentuado a discussão sobre o tema da eutanásia e das preocupações com os cuidados em fim de vida, houve apenas 2230 portugueses a apresentar a sua Directiva Antecipada de Vontade. No ano passado, no mesmo período, foram entregues 5003 testamentos vitais.

Dados fornecidos ao i pela SPMS (Serviços Partilhados do Ministério da Saúde) – a entidade que gere o Registo Nacional do Testamento Vital, – revelam que até 23 de maio estavam registados no país 20 949 testamentos vitais. A SPMS dá nota de que, no ano passado, dando cumprimento a uma resolução da Assembleia da República que recomendou ao governo que fosse reforçada a divulgação e incentivo ao registo do testamento vital, houve um reforço da comunicação. Neste ano e meio, o número de testamentos vitais praticamente triplicou, assinala a SPMS.

Os dados detalhados disponibilizados no portal da transparência do Serviço Nacional de Saúde mostram que são as diretivas entregues em 2017 que explicam em grande parte essa evolução. O salto é notório: em 2014 foram entregues 876 testamentos vitais, em 2015 foram 1139, em 2016 totalizaram 4199 e no ano passado houve então um recorde de 12 035 testamentos vitais registados. Este ano, a manter-se o atual ritmo, não chegarão aos 10 mil. Apesar da evolução crescente até aqui, o total de testamentos vitais até ao momento tendo em conta a população residente no país permite concluir que apenas 0,2% dos portugueses utilizou este direito.

Jovens mais interessados Quanto ao perfil de quem aderido a estas diretivas antecipadas de vontade, a SPMS indica que há mais mulheres a preencher o testamento vital: ao todo, houve 13 705 mulheres a aderir e 7244 homens. O maior número de registos ocorre entre os 65 e os 80 anos, em ambos os géneros, mas a SPMS sublinha que tem havido uma forte tendência de crescimento na faixa entre os 35/50 anos e, também, um interesse cada vez maior nas gerações mais jovens.

Há mais de um ano que a SPMS monitoriza diariamente não só o número de testamentos vitais criados e registados bem como os acessos feitos por parte de utentes e profissionais. Os dados permitem perceber que nos primeiros quatro meses do ano faleceram 58 doentes que tinham o seu testamento vital ativo, embora não haja indicação sobre se as diretivas alteraram de alguma forma as terapêuticas administradas. Também não é possível saber que tipo de cuidados são mais vezes solicitados ou prescindidos no país.

O formulário do testamento vital está disponível na área do cidadão do portal do Ministério da Saúde.

Para ficar ativo, tem de ser entregue pessoalmente na sede do agrupamento de centros de saúde da área de residência do doente. O testamento tem uma validade de cinco anos e pode ser alterado a qualquer momento ou cancelado. Os titulares podem designar um procurador de cuidados de saúde, que pode ser chamado a decidir em nome do doente.

No formulário disponibilizado pelo registo, que não é de uso obrigatório, os titulares devem indicar em que situações clínicas pretendem que o testamento vital produza efeitos, sendo que o documento servirá de guia aos profissionais de saúde quando o doente for incapaz de expressar a sua vontade de forma autónoma.

Não ser submetido a meios invasivos de suporte artificial de funções vitais, participar em estudos de fase experimental ou recusar medidas que visem apenas retardar o processo natural de morte são alguns dos cuidados sobre os quais o titular é levado a refletir.

Exames de seguimento
Serviço de Radiologia do IPO de Lisboa assumiu, num documento interno, que não consegue assegurar todas as mamografias de...

O Instituto Português de Oncologia de Lisboa não consegue dar resposta a todas as mulheres que precisam de fazer exames de seguimento do cancro da mama e está a encaminhá-las para unidades de saúde familiar e outros organismos de saúde.

 A notícia é avançada pelo Diário de Notícias.

As dificuldades são assumidas numa circular interna do serviço de radiologia elaborado no último mês, escreve o referido jornal. Nesse documento, o IPO admite que não pode assegurar mamografias de vigilância a 12 meses a utentes que ainda não tiveram alta ao fim de cinco anos da cirurgia, já que o número de pedidos é superior ao de vagas.

A solução proposta pelo hospital, "não sabendo quando poderá ser agendado o exame", passa por sugerir às doentes que contactem os médicos de família para marcar as mamografias noutro local.

Atrasos de 16 meses

No final de abril, 38 mulheres acompanhadas no Instituto de Oncologia ainda não tinham realizado a mamografia prevista para novembro e dezembro de 2017, o que equivale a uma espera de 16 meses.

Na mesma data, 450 mulheres já tinham ultrapassado os 12 meses de espera. 

O cancro da mama é o tipo de cancro mais comum entre as mulheres (não considerando o cancro da pele) e corresponde à segunda causa de morte por cancro na mulher.

Em Portugal, anualmente, são detetados cerca de 6.000 novos casos de cancro da mama. 1.500 mulheres morrem com a doença.

 

Doenças da tiroide
Estima-se que, em Portugal, cerca de um milhão de pessoas sofra de alguma patologia relacionada com

A tiroide é um órgão endócrino com a forma de uma borboleta, que se localiza na base da face anterior do pescoço imediatamente adiante da traqueia e que é responsável pela produção das hormonas tiroideias tri-iodotironina (T3) e tiroxina (T4). A produção das hormonas tiroideias é estimulada pela TSH (hormona estimulante da tiroide) de origem hipofisária. Por outro lado a secreção da TSH é influenciada pelas hormonas tiroideias.

As hormonas tiroideias exercem amplas ações através de recetores nucleares influenciando assim a expressão de imensos genes em todas as nossas células. As hormonas tiroideias têm um importante papel no desenvolvimento neurológico fetal e neonatal, no crescimento e no metabolismo dos lípidos, proteínas e glúcidos. Para além disso, têm efeitos cardiovasculares e influenciam o humor e a atividade cognitiva, assim como o sistema reprodutor.

As doenças da tiroide podem ser divididas em estruturais e funcionais. As doenças estruturais que envolvem as alterações da morfologia e da localização da tiroide podem associar-se ou não a disfunção da tiroide.

A tiroide pode ser alvo de anomalias congénitas do desenvolvimento da tiroide em que se incluem a agenesia (ausência da tiroide), a hemiagenesia, o quisto do canal tireoglosso e a tiroide ectópica sublingual.

Muitas destas doenças acompanham-se de hipotiroidismo congénito e são diagnosticadas precocemente através do rastreio neonatal (teste do “pézinho”).

O aumento de volume da tiroide denomina-se bócio. Quando se identificam nódulos num individuo com bócio falamos em bócio nodular (multinodular se há mais do que um nódulo). Os nódulos da tiroide são muitos frequentes podendo ser encontrados em 50 a 60% dos indivíduos saudáveis; em geral não se acompanham de sintomas e a função tiroideia é normal. A presença de nódulos da tiroide obriga a uma investigação do estado da função tiroideia e a uma avaliação do risco de cancro da tiroide. Em alguns casos é necessária a realização de uma citologia aspirativa com agulha fina da tiroide (vulgar “biopsia da tiroide”) para exclusão de malignidade.

A disfunção da tiroide inclui o hipotiroidismo e o hipertiroidismo. O hipotiroidismo que resulta da perda de função da glândula tiroideia é o tipo de disfunção mais frequente. De acordo com o estudo PORMETS, da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo, a sua prevalência em Portugal é de cerca de 5% e atinge 4 vezes mais as mulheres do que os homens. O diagnóstico laboratorial do hipotiroidismo é feito através do doseamento da TSH que se encontra aumentada. Se os níveis sanguíneos das hormonas tiroideias também forem baixos falamos em hipotiroidismo clinico, que como o nome indica se pode fazer acompanhar de sintomatologia clinica. Se apenas a TSH está aumentada falamos de hipotiroidismo subclínico, uma forma inicial da doença em que os sintomas são escassos ou ausentes, porque a produção deficiente das hormonas tiroideias é compensada à custa de uma maior estimulação pela TSH.

Os sintomas e sinais do hipotiroidismo são variados e poucos específicos, podendo incluir alterações da memória e concentração, depressão, astenia, fadiga muscular, mialgias, ganho ponderal, pele seca, cabelo fino, intolerância ao frio, bradicardia, obstipação, rouquidão e irregularidades menstruais.

As formas subclínicas predominam sobre as formas clínicas (prevalência de 3.3% e 1.6% respetivamente). Devido à presença de sintomatologia pouco específica ou ausente o hipotiroidismo passa muitas vezes despercebido não sendo diagnosticado em cerca de 71% dos casos.

A principal causa do hipotiroidismo é a tiroidite crónica autoimune, cujo diagnóstico é feito através do doseamento dos anticorpos anti-tiroideus (anticorpos anti-tireoglobulina e anti-peroxidase tiroideia) no sangue. A prevalência desta doença aumenta com a idade e é cerca de 3 vezes maior na mulher do que no homem.

O hipotiroidismo clínico tem sempre indicação para terapêutica hormonal de substituição. No tratamento é usada apenas a T4, a principal hormona produzida na tiroide. A T4 pode converte-se no nosso organismo em T3 a hormona tiroideia mais ativa. Esta conversão depende de um sistema de deiodinases que tem em vista as necessidades celulares, permitindo assim uma disponibilização mais fisiológica das hormonas em falta.

O hipotiroidismo subclínico não tem sempre indicação para tratamento hormonal. A indicação para o tratamento depende dos valores da TSH, da presença de uma patologia causal (em particular a tiroidite autoimune), da presença de sintomatologia sugestiva de hipotiroidismo, da idade, de doenças associadas e de fatores relacionadas com a fertilidade e gravidez.

A tireotoxicose é uma entidade clinica resultante do excesso de hormonas tiroideias a nível dos tecidos e tem uma prevalência aproximada de 2.5%. O hipertiroidismo é uma forma de tireotoxicose em que existe hiperfunção da glândula tiroideia e em que a TSH se encontra diminuída no sangue. Tal como no hipotiroidismo podem existir formas clínicas e subclínicas de acordo com a presença ou não de elevação dos níveis sanguíneos de alguma das hormonas tiroideias.

Os principais sintomas e sinais do hipertiroidismo incluem o emagrecimento, irritabilidade, intolerância ao calor, palpitações, taquicardia, hipersudorese e hiperdefecação.

As principais causas de hipertiroidismo são a doença de Graves e o bócio nodular tóxico. No caso da doença de Graves, de etiologia autoimune, em que toda a glândula apresenta uma produção aumentada de hormona tiroideias, para além da tiroide podem ser atingidos outros tecidos, nomeadamente o olho provocando exoftalmia. No bócio nodular tóxico, um ou mais nódulos produzem hormonas tiroideias em excesso.

O tratamento do hipertiroidismo depende da sua causa e numa fase inicial envolve o tratamento com um fármaco inibidor da síntese das hormonas tiroideias, habitualmente o tiamazol.

 

Dr. Luís Raposo
Assistente Graduado de Endocrinologia-Nutrição do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental / Investigador da EPIUnit – Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto
Endocrinologista na Clínica de Santo António 

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Seminário
A saúde que se faz em Portugal faz-se bem e tem um grande potencial de desenvolvimento, contudo precisa de construir uma...

Antecipando a sua intervenção no seminário “O grande potencial do desenvolvimento da saúde”, que decorre hoje na Universidade Portucalense, no Porto, Luís Portela considerou que a saúde no nosso país se faz bem nas três vertentes, nomeadamente na investigação, cuidados e empresarial, apesar de por vezes merecer críticas.

A nível da investigação Portugal evoluiu muito nos últimos 10 a 15 anos, dado o número de investigadores na área das ciências da saúde ser o dobro do que era há 10 anos e o número de publicações científicas ser duas vezes e meia superior, explicou.

“Temos gente muito boa que publica nos melhores sítios, nos melhores jornais da especialidade”, vincou.

Também a área dos cuidados de saúde tem estado “bastante bem”, considerou, apesar de entender que há sempre melhorias a fazer.

Luís Portela asseverou que globalmente os indicadores são favoráveis, dado a esperança média de vida à nascença ter aumentado substancialmente e a mortalidade infantil ter diminuído muito, sendo das mais baixas do mundo.

Quanto à vertente empresarial, o presidente não executivo recordou que apesar das condições difíceis dos últimos anos devido à crise económica, as empresas da área da saúde continuaram a investir razoavelmente em investigação, tanto que, na área das patentes entre as 20 empresas que mais patenteiam em Portugal ou a partir de Portugal para o mundo 10 são da área da saúde.

O número de exportações duplicou nos últimos 10 anos, tendo o país exportado em 2016 e 2017 cerca de 1,4 mil milhões de euros, o que é o dobro do que exportava há 10 anos e mais do que exportam todos os vinhos e cortiças, avançou.

Considerando que a saúde em Portugal tem um grande potencial de desenvolvimento, Luís Portela frisou que para “dar o salto” precisa de ser melhor conhecida no exterior.

“Os europeus conhecem-nos pelos bons vinhos e pela cortiça, mas não nos conhecem pela saúde que se faz, precisamos de construir uma reputação internacional em torno da saúde”, entendeu.

Luís Portela adiantou que Portugal tem muito conhecimento nas instituições e universidades, conhecimento esse que tem de ser transferido para as empresas, sejam elas nacionais ou internacionais, acrescentando ser importante criar riqueza a partir do conhecimento acumulado.

Na sua opinião, Portugal tem oportunidade de negócio na área do medicamento, prestação de cuidados e investigação porque oferece qualidade de serviços a preços razoáveis e competitivos a nível internacional.

“Há capacidade de negócio, há capacidade de atrair empresas multinacionais”, terminou.

Diploma
O parlamento aprovou, sem votos contra, em votação final global, o texto proveniente da Comissão de Saúde que alterou o decreto...

A esquerda parlamentar e o PAN votaram a favor da versão final do diploma acordada no âmbito da Comissão Parlamentar de Saúde, tendo o PSD e o CDS-PP optado pela abstenção.

Em fevereiro deste ano, o Governo aprovou legislação para definir o regime jurídico do internato médico, estabelecendo, também, os princípios gerais a que deveria obedecer o respetivo processo.

No entanto, este decreto foi contestado imediatamente pelo BE e pelo PCP, que avançaram com pedidos de apreciação parlamentar do diploma.

BE e PCP consideraram que o Governo estava a manter normas introduzidas pelo anterior executivo PSD/CDS-PP - normas que bloquistas e comunistas caracterizaram como sendo "responsáveis pela quebra da unidade formativa dos médicos e pela criação de cada vez mais profissionais sem especialidade".

"Defender a formação médica de qualidade é defender um dos pilares fundamentais da democracia, o Serviço Nacional de Saúde (SNS). Defender a formação médica implica defender a especialização de todos os médicos", considerou o BE no momento da apreciação parlamentar do decreto do Governo.

Já o PCP avançou com alterações ao diploma inicial do Governo para "preservar e garantir a qualidade da formação médica especializada, criar condições para o alargamento das idoneidades formativas no SNS, tendo em vista que todos os médicos tenham acesso à formação pós-graduada".

 

INEM
Um homem sofreu ontem à tarde queimaduras em 40% do corpo durante uma queimada na freguesia de S. Pedro de France, no concelho...

“Foi transportado pelo helicóptero do INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica), a partir do aeródromo de Viseu, para Coimbra”, referiu.

A mesma fonte disse que, segundo informação da GNR, a extensão das queimaduras se terá ficado a dever à roupa que o homem trazia vestida.

À localidade de Figueiredo, na freguesia de S. Pedro de France, deslocaram-se uma ambulância do INEM, a Viatura Médica de Emergência e Reanimação, os Bombeiros Voluntários de Viseu (para a extinção da queimada), uma equipa de ambiente e uma patrulha da GNR.

 

Tecnonologia
Investigadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (Estados Unidos) construíram um sensor ingerível, com bactérias...

A abordagem “bactérias num chip” combina sensores feitos com células vivas e componentes eletrónicos de muito baixa potência, que convertem a resposta bacteriana num sinal “wireless” que pode ser lido por um telemóvel.

“Combinando sensores biológicos modificados com componentes eletrónicos de muito baixa potência podemos detetar sinais biológicos no corpo e quase em tempo real ter novas capacidades de diagnóstico para aplicações de saúde no ser humano”, disse Timothy Lu, professor do Instituto.

Segundo o estudo, publicado hoje na edição on-line de 24 de maio da revista Science, os investigadores criaram sensores que respondem a uma componente do sangue (heme) e outros que podem responder a uma molécula que é um marcador de inflamações.

Na última década os biólogos fizeram grandes progressos no uso de bactérias para responder a estímulos, como poluentes ambientais ou marcadores de doenças. Para tornar essas bactérias mais úteis em aplicações do mundo real os investigadores decidiram combiná-las com um chip eletrónico que pode traduzir a resposta das bactérias num sinal wireless.

A ideia, disseram os investigadores, era “empacotar” as células bacterianas num dispositivo que as libertaria à passagem pelo estômago.

Os primeiros sensores ingeríveis foram testados em porcos e mostraram que podem determinar corretamente se há algum sangue presente no estômago. Segundo os investigadores o sensor pode ser projetado para ser usado apenas uma vez ou para permanecer no aparelho digestivo durante vários dias ou mesmo semanas, enviando sinais continuamente.

Atualmente, se há uma suspeita de sangramento devido a uma úlcera gástrica é necessário fazer uma endoscopia, que muitas vezes é feita através de sedação.

“O objetivo com este sensor é contornar um procedimento desnecessário apenas ingerindo a cápsula, sabendo em pouco tempo se há ou não um problema de sangramento”, disse Mark Mimee, um dos principais autores do estudo.

Os investigadores procuram agora reduzir o tamanho do sensor e estudar quanto tempo as células bacterianas podem sobreviver no aparelho digestivo. E esperam também desenvolver sensores para outras situações gastrointestinais além do sangramento.

O presidente do Conselho Regional Sul da Ordem dos Médicos defendeu ontem um aumento do financiamento da saúde no Orçamento de...

"É preciso dar mais importância e aumentar o PIB (Produto Interno Bruto) `per capita´ dedicado à saúde, de forma a responder, não só aos problemas da emergência, mas também aos problemas da prevenção, do tratamento e da evolução dos cuidados de saúde", disse à agência Lusa Alexandre Valentim Lourenço, após uma visita ao serviço de urgência do Hospital São Bernardo, em Setúbal, a que se seguiu uma reunião com médicos daquela unidade hospitalar para debater os problemas do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

"O PIB `per capita´ antes da intervenção da `troika´ andava à volta dos 6,5% para a saúde no SNS, no anterior Governo era de 5,3% e atualmente está nos 4,8%. Estamos mais abaixo do que estávamos na altura da intervenção da `troika", disse, salientando que alguns países europeus gastam "oito e nove por cento" do PIB na saúde.

Confrontado com o crescimento do setor privado na área da saúde, Alexandre Valentim Lourenço reconheceu que o dinheiro do Estado canalizado para o setor privado seria mais útil no SNS.

"Ao canalizar para o exterior contratualizações à peça, para empresas que, muitas vezes, não têm rosto, e que não estão sob a alçada dos diretores clínicos e diretores de serviço, estamos a piorar muito a qualidade. E, por isso, esse dinheiro que é investido fora do sistema, se for colocado no SNS, claramente, vai permitir melhorar muito o SNS", disse.

Referindo-se ao Hospital São Bernardo, o presidente do Conselho Regional Sul da Ordem dos Médicos considerou que o serviço de urgência está subdimensionado para a população e carente, quer de recursos humanos, quer de espaço, e lembrou que há a promessa de um novo serviço de urgência para aquela unidade hospitalar de Setúbal, mas que tarda em ser concretizada.

"Há um serviço de urgência prometido há muitos anos e que não vemos meio de ser efetivado. A qualidade da assistência aos doentes da região está afetada por esta falta de capacidade do serviço de urgência de responder às populações. O serviço de urgência canibaliza toda a capacidade do hospital de trabalhar de uma forma calma. Vive-se em função da urgência, que funciona mal e, por isso, os médicos e outros recursos são desviados para o serviço de urgência, não se fazendo aquilo que o hospital sabe fazer bem", disse.

"Não há médicos novos - os concursos são sistematicamente atrasados - e os que se mantêm no hospital estão a atingir o limite de idade e um cansaço extremo e não conseguem responder às solicitações", acrescentou Alexandre Valentim Lourenço, advertindo que estes problemas, comuns a vários hospitais, estão a atingir alguns serviços que estavam protegidos, como a maternidade e a urgência pediátrica.

As críticas à situação no Hospital São Bernardo e no SNS foram partilhadas por Pinto de Almeida, do Sindicato Independente dos Médicos, que sublinhou o esforço de muitos médicos para minimizarem os prejuízos para a população decorrentes da falta de médicos e de outros profissionais na área da saúde.

"O SNS está com uma grande carência de médicos - não só de médicos, mas de outras áreas profissionais também - e aquilo que notamos é que uma grande percentagem dos médicos está com idades elevadas, mas continuam sem invocar as regalias que teriam, de escusa ao serviço de urgência, para tentar que os serviços se mantenham a funcionar. Se não houvesse esse esforço, provavelmente grande parte dos serviços já teriam entrado em falência", disse Pinto de Almeida.

"Na prática, o que foi construído desde o ex-ministro da Saúde Paulo Macedo, foi um SNS a duas velocidades. Há uma política de concentração excessiva de recursos humanos e técnicos em determinados hospitais, em função do reconhecimento dos centros de referenciação, e o que acontece a seguir é que vemos um afunilamento de cuidados, a falta de contratação de pessoas e o despovoar de todo um território relativamente à prestação de cuidados de saúde. As pessoas depois recorrem a meia dúzia de centros onde há problemas gravíssimos", acrescentou o dirigente do Sindicato dos Médicos da Zona Sul, Jorge Espírito Santo, que também participou no encontro realizado no Hospital São Bernardo.

Para Jorge Espírito Santo, é "necessário garantir que o SNS continue a ser capaz de formar médicos e de lhes proporcionar condições adequadas de trabalho".

Alerta SPAIC
Portugal continental vai ter ao longo dos próximos sete dias níveis de pólenes elevados em quase todo o país, sendo apenas...

De acordo com informação da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica, até final do mês vão predominar, entre outras, concentrações elevadas de pólen de gramíneas, parietária e urtiga, carvalhos e oliveira.

Enquanto na Madeira são esperados níveis baixos de pólenes, e moderados nos Açores, na zona do Porto os carvalhos e oliveiras, e as gramíneas, parietária, tanchagem e urtiga serão responsáveis por níveis elevados de pólen.

Mais a sul, na região de Coimbra, mas também em Castelo Branco e em Lisboa e Setúbal e na zona do Algarve, as ervas, as oliveiras e os carvalhos tornam elevadas as concentrações de pólen.

No Alentejo interior, na zona de Évora, predominam os pólenes dos sobreiros e das oliveiras e das ervas gramíneas e tanchagem, também em níveis elevados, segundo o boletim polínico da Sociedade.

 

 

Dos 18 aos 24 anos
A Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa acolhe, na segunda e terça-feira, rastreios às doenças...

Ao fazerem o rastreio, os jovens, que derem o seu consentimento, estão a participar num estudo promovido pelo INSA, que visa obter dados relativos à prevalência em Portugal das DST causadas pelas bactérias Chlamydia trachomatis, (Clamídia Genital), Neisseria gonorrhoeae (Gonorreia), Mycoplasma genitalium e pelo parasita Trichomonas vaginalis (Tricomoníase), que segundo a Organização Mundial da Saúde, causam mais de 350 milhões de novas doenças por ano, no mundo, sendo as mais frequentes nos jovens sexualmente ativos.

A maioria das DST não causa sintomas, ou seja, os infetados não sentem necessidade de procurar diagnóstico, não são tratados e continuam a transmitir a infeção aos seus parceiros. É necessário atuarmos ao nível da prevenção e da sensibilização, sobretudo porque a população jovem também desconhece as consequências das DST na sua saúde reprodutiva”, afirma em comunicado Maria José Borrego, Investigadora e Coordenadora do Laboratório Nacional de Referência das Infeções Sexualmente Transmissíveis do INSA.

As DST que são objeto do estudo são curáveis pela simples toma de antibiótico, mas quando não tratadas, podem causar doença inflamatória pélvica e infertilidade e, por outro lado, potenciam o risco de aquisição e transmissão do VIH/sida, adverte a investigadora, adiantando que o conhecimento da prevalência das DST permitirá “implementar medidas de prevenção adequadas”.

 

 

Subsídio de doença
O Governo aprovou hoje medidas para reforçar a proteção social dos trabalhadores independentes, como a atribuição mais célere...

Num ‘briefing’ aos jornalistas, o ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Vieira da Silva, apresentou as medidas para o reforço da proteção social para os trabalhadores independentes, considerando que a alteração “mais relevante” ocorre no subsídio de doença a atribuir a estes trabalhadores.

“Passa a ser considerado um período de 10 dias para o processamento do subsídio de doença. Antes desta reforma, os trabalhadores independentes só tinham proteção 30 dias após o atestado de incapacidade para o trabalho”, disse Vieira da Silva, acrescentando que, assim, se aproxima a atribuição deste subsídio ao regime dos trabalhadores por conta de outrem (três dias).

Na proteção ao desemprego, considerou o ministro, também “são introduzidas alterações relevantes”, sobretudo no prazo de garantia por cessação de atividade, ajustando-o ao prazo previsto para trabalhadores por conta de outrem.

O decreto-lei que altera os regimes jurídicos de proteção social dos trabalhadores independentes, aprovado hoje, reduz a metade o período que dá acesso ao subsídio por cessação de atividade: assim, os trabalhadores independentes economicamente dependentes (de uma só entidade contratante) passam a ter acesso ao subsídio por cessação de atividade com 360 dias de desconto (contra os atuais 720).

Outra alteração é que para o acesso a esta proteção passam a “relevar, apenas para efeito de prazo de garantia, os períodos cumpridos no âmbito do regime dos trabalhadores independentes e cumulativo aos períodos cumpridos no regime de trabalhadores por conta de outrem”, disse Vieira da Silva.

Isto quer dizer que “um trabalhador independente que, por exemplo, transforme a sua relação de trabalho numa relação de trabalho por conta de outrem e ela finaliza por motivo de desemprego tem direito, para o subsídio de desemprego, contar a totalização do tempo que esteve a descontar, incluindo como trabalhador independente, coisa que hoje não era possível”, explicou o ministro.

“É uma questão de princípio, porque uma pessoa é contribuinte e os dois sistemas contributivos protegem na situação de desemprego. Portanto, é lógico que haja a totalização do período de descontos para efeito do prazo de garantia”, afirmou o ministro.

O decreto-lei aprovado hoje introduz também uma alteração ao regime de proteção no desemprego dos empresários em nome individual, no conceito de redução do volume de negócios, "que era extremamente exigente por considerar que era preciso uma quebra de 60%".

“Esse valor passou para 40%, aumentando potencialmente o número dos profissionais enquadrados nesta medida”, disse Vieira da Silva.

O Conselho de Ministros aprovou também alterações na dimensão da parentalidade, através do alargamento do direito a subsídio de assistência a filhos e a netos dos trabalhadores independentes, à semelhança do que acontece com os trabalhadores dependentes, o que não estava previsto no regime anterior.

Vieira da Silva estima que estas novas medidas custem cerca de seis milhões de euros por ano à Segurança Social, mas surgem numa “lógica de equilíbrio”, lembrando que foi reforçada a taxa contributiva a cobrar às empresas e alargada a base de incidência, o que também implica um aumento das receitas da Segurança Social.

Estas medidas devem entrar em vigor em julho deste ano, disse o ministro.

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