António Arnaut
Um livro com propostas para uma nova Lei de Bases da Saúde, redigido em coautoria com o médico do BE João Semedo, foi o...

Antigo ministro dos Assuntos Sociais do II Governo Constitucional, liderado por Mário Soares após a revolução do 25 de Abril, advogado e escritor, António Duarte Arnaut morreu hoje aos 82 anos, nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), onde estava internado.

No dia 06 de janeiro, devido à doença oncológica de que padecia há alguns anos, já não esteve na apresentação, em Coimbra, da sua última obra escrita, intitulada “Salvar o SNS - Uma nova Lei de Bases da Saúde para defender a democracia”, concebida em colaboração com João Semedo, ex-coordenador nacional do Bloco de Esquerda, de quem era amigo.

Na sessão, na antiga Igreja do Convento de São Francisco, em que estiveram presentes centenas de pessoas, incluindo os líderes do PS e do BE, António Costa e Catarina Martins, respetivamente, António Arnaut foi representado pelo filho, o também advogado António Manuel Arnaut.

No livro, o socialista e o bloquista defendem a exclusão das parcerias público-privadas do Serviço Nacional de Saúde (SNS), conquista da revolução democrática de 1974 da qual António Arnaut foi o principal impulsionador, tendo empenhado quase metade da vida na sua defesa e aperfeiçoamento.

Há quatro anos, ao ser distinguido pela Universidade de Coimbra (UC) com o grau de doutor “honoris causa”, o advogado e antigo grão-mestre do Grande Oriente Lusitano (GOL) – Maçonaria Portuguesa disse que “nem sempre a lei realiza o direito” e assumiu-se como “cidadão comprometido com o povo e a Pátria”.

“Creio que foi esta rebeldia e também a minha intervenção cívico-social – para ajudar, embora modestamente, a construir uma sociedade mais livre, justa e solidária – que justificaram a alta distinção que me vai ser conferida”, afirmou na ocasião, antes de receber as insígnias doutorais.

Na cerimónia, teve como apresentante Constantino Sakellarides, professor da Escola Nacional de Saúde Pública, enquanto o elogio do candidato coube a José Manuel Pureza, catedrático da Faculdade de Economia de Coimbra, atual deputado do BE e vice-presidente da Assembleia da República.

Na obra “Salvar o SNS - Uma nova Lei de Bases da Saúde para defender a democracia”, Arnaut, presidente honorário do PS desde 2016, e Semedo propõem que o SNS deve apostar nas carreiras dos profissionais de saúde e na eliminação das taxas moderadoras.

Defendem ainda o regresso do Serviço Nacional de Saúde à gestão da administração pública, o respeito pelos contratos e direitos laborais, a reforma dos modelos de organização, funcionamento e articulação das unidades de saúde públicas e destas com a comunidade.

A redação do prefácio coube a Januário Torgal Ferreira, bispo católico emérito das Forças Armadas.

Militante socialista número 4, António Arnaut esteve na fundação do PS, na antiga Alemanha Federal, em 1973, um ano antes do derrube da ditadura fascista em Portugal, tendo assumido o trabalho de relator do congresso.

Entre outras distinções, muitas das quais concedidas por diferentes entidades nos últimos anos, foi agraciado com o grau de Grande-Oficial da Ordem da Liberdade e com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.

António Arnaut foi presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Penela, após o 25 de Abril, e ainda deputado e ministro dos Assuntos Sociais.

De 2002 a 2005, exerceu um mandato como grão-mestre do GOL, alguns anos após ter presidido ao Conselho Distrital de Coimbra da Ordem dos Advogados.

Publicou mais de 30 livros, alguns na área jurídica, mas também sobre a Maçonaria e sobre o escritor Miguel Torga, seu amigo, além de ensaios diversos, poesia e prosa. Estreou-se muito jovem na poesia, há 64 anos.

Como advogado, já tinha abandonado há décadas a barra dos tribunais e a política ativa, à qual prometeu não regressar.

Em 2007, em entrevista à agência Lusa a propósito da publicação do seu livro “Rio de Sombras”, declarou que preferia terminar um dia a vida pública como escritor.

Trata-se de um romance histórico em que o cofundador do PS questiona em que medida a ação político-partidária será ainda “compatível com a lisura de caráter” e com a ética.

Num registo que recusou ser autobiográfico, pergunta o autor: “Há ainda na política lugar para a ética, como queria Hegel, ou apenas para a astúcia, como ensinou Maquiavel? E, se for este o caso, como parece pelo número cada vez maior dos seus discípulos, devem as pessoas sérias afastar-se da vida partidária, como ato de protesto, ou afrontar as labaredas em que se podem queimar?”.

“Sou essencialmente um intelectual. Estou mais virado para as coisas do espírito”, afirmou na altura à Lusa.

Ainda ligado, mas pouco, à sociedade de advogados de Coimbra que ajudou a erguer, a que pertence o filho António Manuel, na prática já não exercia advocacia, atividade que o consagrou como eloquente referência dos palcos da Justiça.

Também a política, na qual se iniciou como opositor à ditadura de Salazar, e o PS já não o entusiasmavam como outrora.

“A primeira coisa que fiz na vida foi escrever poesia e hei de morrer como escritor. A vida política não me permitiu publicar mais”, lamentou também.

Ganhou o gosto pela literatura, ainda criança, quando o avô materno, António Freire “Moço”, proprietário rural e “excelente contador de histórias”, lhe facultava alguns dos autores clássicos portugueses.

Na casa de António “Moço”, na aldeia natal da Cumieira, concelho de Penela, distrito de Coimbra, o pequeno Arnaut começou por ler as obras completas de Camilo Castelo Branco e Guerra Junqueiro, que um parente tinha trazido do Brasil.

No livro de ficção “Rude Tempo, Rude Gente”, publicado em 1985, dedica um post-scriptum ao seu avô. António Arnaut via a poesia como “a linguagem autêntica do belo”.

Entendia que entre a poesia e o conto, géneros literários que marcam a sua obra, “há uma parede meeira”, que separa e une dois vizinhos, como aquelas que dividem inúmeros prédios, urbanos e rústicos, realidade que bem conheceu nas andanças de advogado.

Com Torga, que morreu em Coimbra, em 1995, além da amizade tinha “muitas afinidades políticas e literárias”.

Entusiasta há vários anos de uma solução governativa que aproximasse o PCP e o BE ao Partido Socialista (como veio a verificar-se em finais de 2015 com a formação do atual executivo de António Costa), António Arnaut, quando José Sócrates se desfilou do PS, no início deste mês, afirmou que o antigo primeiro-ministro, principal arguido do processo Operação Marquês, já se devia ter desvinculado do partido há mais tempo.

António Arnaut
O presidente da Cruz Vermelha e antigo diretor-geral da Saúde, Francisco George, lembrou hoje António Arnaut como um homem que,...

“O país perde uma figura, mas ganhou o Serviço Nacional de Saúde (SNS) que ele fundou. Perde uma figura política de impressionável transparência, mas ganhou um SNS para sempre”, afirmou Francisco George.

O especialista em saúde pública afirmou que António Arnaut foi responsável por colocar “Portugal no topo a nível internacional”, no que diz respeito à “saúde da população, em particular das mães e das crianças”.

Francisco George recordou ainda a capacidade de “tomada de decisão inabalável” do antigo ministro dos Assuntos Sociais.

“A decisão, uma vez tomada, era inabalável para ele. Ia para a frente, não recuava, não estava sujeito a pressões, a interesses. Isto na perspetiva do interesse público, do interesse de todos os portugueses, no interesse dos mais pobres, mais vulneráveis”, afirmou.

O antigo ministro dos Assuntos Sociais António Arnaut, fundador do Serviço Nacional de Saúde e cofundador do PS, morreu hoje em Coimbra, aos 82 anos, disse fonte dos socialistas.

 

António Arnaut
A Ordem dos Enfermeiros considera que “morreu um dos últimos homens bons e sérios da Saúde”, manifestando pesar pelo...

Numa nota assinada pela bastonária Ana Rita Cavaco, a Ordem manifesta o seu “enorme pesar” e lembra que Arnaut “foi sempre um defensor e amigo dos enfermeiros”.

O antigo ministro dos Assuntos Sociais António Arnaut, fundador do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e cofundador do PS, morreu hoje em Coimbra, aos 82 anos, disse fonte dos socialistas.

António Arnaut, advogado, nasceu na Cumeeira, Penela, distrito de Coimbra, em 28 de janeiro de 1936, e estava internado nos hospitais da Universidade de Coimbra.

Presidente honorário do PS desde 2016, António Arnaut foi ministro dos Assuntos Sociais no II Governo Constitucional, Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano e foi agraciado com o grau de Grande-Oficial da Ordem da Liberdade e com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.

Poeta e escritor, António Arnaut envolveu-se desde jovem na oposição ao Estado Novo e participou na comissão distrital de Coimbra da candidatura presidencial de Humberto Delgado.

Nos últimos 11 anos
O transporte inter-hospitalar pediátrico permitiu nos últimos 11 anos “levar os cuidados intensivos” a cerca de 15 mil crianças...

“O objetivo deste transporte é levar os cuidados intensivos até à criança e não a criança até aos cuidados intensivos. Isso sem dúvida foi uma grande mais-valia e traduz-se em muito menos morbilidade e mortalidade neste tipo de situações críticas”, afirmou Francisco Abecasis, coordenador médico responsável pelo transporte inter-hospitalar (TIP) pediátrico Sul.

De acordo com o perito do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) para a área da pediatria, a criação deste serviço permitiu reduzir a taxa de “morbilidade e mortalidade neste tipo de situações críticas” que afetam desde recém-nascidos prematuros a jovens até 18 anos.

“Estamos a falar de crianças em estado muito crítico, mas a taxa de mortalidade quer antes, durante ou imediatamente a seguir ao transporte é abaixo de 0,5%, são números muito baixos, o que quer dizer que a esmagadora maioria das crianças que é transportada por nós chega com sucesso ao seu destino e consegue depois que as coisas corram bem”, disse.

Para o responsável e membro das equipas TIP a estabilização dos doentes é um dos maiores desafios.

“Em termos de recém-nascidos há o grande prematuro, a extrema prematuridade, podemos estar a falar de recém-nascidos que têm 500 gramas de peso e que nascem num hospital que não está preparado para isso e, portanto, uma série de cuidados têm que ser tidos e, depois, há a doença aguda em crianças mais velhas, quer o trauma, (…) quer infeções graves como meningites graves ou sépsis, que são situações em que os doentes estão muito instáveis e precisam de muitas manobras de estabilização”, explicou.

Atualmente há quatro ambulâncias de TIP no país: TIP Norte (no Porto), TIP Centro (em Coimbra), TIP Sul Lisboa e TIP Sul Algarve (em Faro), o que permite cobrir “a totalidade do território continental”, algo que “poucos países na União Europeia” conseguem.

De acordo com o responsável está a ser trabalhada uma “solução juntamente com o INEM, os Açores e a Madeira” para que o sistema de transporte possa ser alargado.

“Estamos também a trabalhar numa solução juntamente com o INEM e com as regiões autónomas de tentar que este sistema de transporte possa também ir buscar crianças às ilhas quando assim for necessário e, então aí, poderíamos dizer que todo o Portugal está coberto por este sistema de transporte”, disse.

O transporte inter-hospitalar pediátrico deu os primeiros passos “no final da década de 80”, com o transporte neonatal e pediátrico. Em 2005, Coimbra começou a efetuar o transporte de crianças e jovens até aos 18 anos e, em 2010, surgiu em Lisboa o SAV (Suporte Avançado de Vida) pediátrico.

Da fusão do SAV pediátrico com o transporte de recém-nascidos de alto risco, foi oficialmente constituído como “meio de emergência médica do INEM”, o TIP, em 2013.

Em média, desde 2007, são transportadas quatro crianças por dia em “situações críticas”, que precisam de “cuidados intensivos”, tendo o transporte uma taxa de mortalidade “abaixo dos 0,5%”.

Saúde e Justiça
A Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, os Serviços Prisionais e a Procuradoria da República da Comarca de...

O protocolo, de acordo com um comunicado da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), tem como principal objetivo “promover uma intervenção mais célere e eficaz” da justiça nos processos de suspensão provisória mediante a implementação de respostas de reinserção dirigidas a comportamentos criminais específicos e envolvendo a comunidade.

Trata-se de um protocolo que é fruto da colaboração entre as entidades da justiça e da saúde, que se desenvolve há ano e meio, e que permitiu desenvolver atividades estruturadas para dar resposta a necessidades de intervenção, prevenção da reincidência e redução do número de dependências.

O principal objetivo é promover "uma intervenção mais célere e eficaz da Justiça nos processos de suspensão provisória mediante a implementação de respostas de reinserção social dirigidas a comportamentos criminais específicos e envolvendo a comunidade através da cooperação de instituições que seguem, igualmente, objetivos de prevenção criminal e de reinserção social, com potencial redução de custos para o erário público".

De entre os vários projetos que vão ser desenvolvidos no âmbito do protocolo encontra-se o 'Licença.com', que se destina a arguidos indiciados pela condução sem habilitação legal, que contempla uma entrevista inicial e a frequência de uma sessão de sensibilização denominada “condução habilitada e comportamento rodoviário responsável”.

Existe ainda o projeto 'Taxa.Zero', que é destinada a arguidos indiciados pela prática de crime de condução em estado de embriaguez, e o projeto 'Adição.Sem', para aqueles que estão indiciados pela prática do crime de posse de droga para consumo e que exceda a quantidade necessária para o consumo médio individual durante o período de dez dias.

Há ainda o projeto 'Ser.Pró', que se destina a arguidos entre os 16 e os 21 anos, indiciados por crimes de furto, ameaça, desobediência, injúrias e outros não violentos.

Segundo os responsáveis, graças à "avaliação positiva" destes projetos, é previsível, a curto prazo o seu alargamento a nível nacional, nomeadamente à Área Metropolitana do Porto.

O protocolo será assinado na terça-feira pela ARSLVT, Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais e Procuradoria da República da Comarca de Lisboa, no Palácio da Justiça, em Lisboa.

António Arnaut
O bastonário da Ordem dos Médicos descreveu hoje António Arnaut como um homem lutador e que manteve sempre a preocupação de...

O bastonário da Ordem dos Médicos descreveu hoje António Arnaut como um homem lutador e que manteve sempre a preocupação de salvar o Serviço Nacional de Saúde, considerando que todos os portugueses lhe devem estar gratos.

“É uma grande perda para o país, não só pelo seu papel fundamental no Serviço Nacional de Saúde (SNS), mas por toda a sua atividade política, como grande defensor dos direitos, liberdades e garantias”, afirmou Miguel Guimarães.

O bastonário dos Médicos considera que a figura de António Arnaut é insubstituível, destacando as suas “posições irreverentes”, tentando sempre “puxar pela carroça com o objetivo de salvar o SNS”.

Miguel Guimarães lembrou a obra recente que Arnaut lançou conjuntamente com João Semedo, um livro intitulado precisamente “Salvar o SNS”.

O bastonário, que recordou que António Arnaut chegou a receber a medalha de mérito da Ordem dos Médicos, considera que todos os portugueses devem compreender a “grande dádiva que é o SNS e devem lutar por ele”.

O antigo ministro dos Assuntos Sociais António Arnaut, fundador do Serviço Nacional de Saúde e cofundador do PS, morreu hoje em Coimbra, aos 82 anos, disse fonte dos socialistas.

Aos 82 anos
O antigo ministro dos Assuntos Sociais António Arnaut, fundador do Serviço Nacional de Saúde e cofundador do PS, morreu hoje em...

António Arnaut, advogado, nasceu na Cumeeira, Penela, distrito de Coimbra, em 28 de janeiro de 1936, e estava internado nos hospitais da Universidade de Coimbra.

Presidente honorário do PS desde 2016, António Arnaut foi ministro dos Assuntos Sociais no II Governo Constitucional, Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano e foi agraciado com o grau de Grande-Oficial da Ordem da Liberdade e com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.

Poeta e escritor, António Arnaut envolveu-se desde jovem na oposição ao Estado Novo e participou na comissão distrital de Coimbra da candidatura presidencial de Humberto Delgado.

Especialistas
Durante a gravidez e lactação, as mulheres têm diferentes necessidades de hidratação e devem aumentar a ingestão de água para...

Peritos reunidos no III Congresso Internacional e V Nacional de Hidratação, organizado pela Cátedra Internacional de Estudos Avançados em Hidratação (CIEAH) e que decorreu no Palácio Euskalduna em Bilbau, argumentam que a hidratação é fundamental para satisfazer as necessidades do líquido corporal da mãe e do bebé. Além disso, a gravidez é uma fase propícia para a promoção de hábitos de hidratação e alimentação saudável, o que irá incentivar a criança a crescer num ambiente e estilo de vida adequados.

No caso de mulheres grávidas, “a água é necessária para formar o líquido amniótico em torno do bebé, apoiar o aumento do volume de plasma sanguíneo e produção de leite materno. Além disso, nas primeiras etapas da gravidez, os vómitos podem causar perdas de líquido”, sugere Adriana Ortiz Andrellucchi, professora associada de Medicina Preventiva e Saúde Pública da Universidade de Las Palmas de Grã Canaria e investigadora da Cátedra Internacional de Estudos Avançados em Hidratação (CIEAH).

A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA, na sigla em Inglês) aconselha que, devido ao aumento do peso corporal e consumo de energia durante a gravidez, deve-se acrescentar 300 ml na ingestão diária dos 2 litros recomendados em mulheres adultas. “Deve-se encorajar as mulheres grávidas, a aumentar a sua ingestão de água e outros líquidos para satisfazer as novas necessidades fisiológicas do seu corpo e do bebé”, acrescenta Ortiz Andrellucchi.

De acordo com a EFSA, entre 70% e 80% da hidratação diária deve provir de diferentes tipos de bebidas, preferencialmente água, enquanto os restantes 20% a 30% são consumidos pela ingestão de alimentos.

A gravidez é geralmente acompanhada por um aumento de peso entre 10 e 15 quilos. O feto representa aproximadamente 25%, correspondendo 5% à placenta e 6% ao líquido amniótico. A água geralmente representa cerca de dois terços do aumento do peso materno. No final do primeiro trimestre, a água representa 94% do peso do bebé.

Hidratação durante o período de lactação
As mães que estão em período de aleitamento perdem quantidades significativas de líquidos durante a amamentação. Estima-se que a quantidade de leite ingerida pelos bebés seja de aproximadamente 700 ml / dia, o que varia de acordo com a exigência do bebé. “A composição do leite materno varia durante o consumo. No começo tem mais água para hidratar o bebé e no fim tem mais gordura, o que permite que o bebé fique saciado e é onde estão as gorduras adequadas para o desenvolvimento neurológico das crianças”, diz Ortiz Andrelluchi.

Além disso, a professora ressalva, “a desidratação também pode levar à fadiga num momento que em si, pode ser bastante stressante”.

A este respeito, a EFSA conclui que a ingestão de água nas mães que amamentam deve compensar a perda de água que ocorre e recomenda, portanto, a adição de uma quantidade adicional de 700 ml / dia ao consumo diário de referência para as mulheres.

Cursos pós-graduados 2018-2019 em sete áreas de intervenção em Saúde
A Escola Superior de Enfermagem de Coimbra tem disponíveis 185 vagas para a frequência, a partir do próximo ano letivo, de uma...

Os cursos, com início entre outubro deste ano e março de 2019, são nas áreas de “Enfermagem - Gestão de Unidades de Cuidados” (15 vagas), “Enfermagem - Supervisão Clínica” (15 vagas), “Enfermagem de Reabilitação” (40 vagas), “Enfermagem de Saúde Infantil e Pediatria” (25 vagas), “Enfermagem de Saúde Materna e Obstetrícia” (25 vagas), “Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria” (25 vagas) e “Enfermagem Médico-Cirúrgica” (40 vagas) – os primeiros dois na vertente de mestrado e os cinco seguintes com as hipóteses de mestrado e de pós-licenciatura de especialização.

Para mais informações e eventuais esclarecimentos, podem os interessados aceder ao sítio da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC) na Internet, em www.esenfc.pt (menu “Estudar”), assim como contactar a Área Académica da ESEnfC (números de telefone 239 487 257 e 239 802 850, ou e-mail [email protected]).

 

Nutricionistas
Sob o tema ‘Alimentação das Crianças’, amanhã, terça-feira 22 de maio, Alexandra Bento, Bastonária da Ordem dos Nutricionistas,...

Com esta segunda etapa de reuniões e visitas, a Ordem dos Nutricionistas pretende chamar a atenção para a importância do reforço de nutricionistas no Serviço Nacional de Saúde (SNS) e para a criação da figura do nutricionista escolar.

Recorde-se que Portugal é o quinto país com mais crianças obesas na Europa, com uma em cada três a apresentar excesso de peso ou obesidade.

Reforçar o número de nutricionistas no SNS tem sido uma reivindicação constante por parte da Ordem, tendo levado à inscrição no Orçamento do Estado para 2018 a contratação de 40 novos nutricionistas. A Ordem relembra, no entanto, que “seis meses passados ainda não foi aberto qualquer concurso”.

A criação da figura do nutricionista escolar tem sido, por outro lado, outra das grandes bandeiras da Ordem, que tem apresentado, para o efeito, inúmeras propostas e iniciativas.

Já em fevereiro deste ano, por exemplo, a Ordem dos Nutricionistas apresentou uma proposta à Secretária de Estado Adjunta e da Educação, alertando para a necessidade de ter nutricionistas nas escolas para assegurarem a adequação das refeições servidas às crianças, embora ainda não tenha recebido qualquer resposta até ao momento.

Esta segunda ronda de visitas está integrada no ‘Ciclo de Visitas da Bastonária da Ordem dos Nutricionistas’, iniciativa que pretende fazer um levantamento da realidade profissional dos nutricionistas, conhecendo, de forma aprofundada, o contexto real de trabalho destes profissionais.

Liderada por Alexandra Bento, a comitiva da Ordem dos Nutricionistas começará o périplo pelas 13h30, com uma reunião com o Presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte, Pimenta Marinho, à qual se seguirá uma série de visitas a várias unidades hospitalares, centros de saúde e escolas da região norte do país.

30 de maio - Dia Mundial da Esclerose Múltipla
Para assinalar o Dia Mundial da Esclerose Múltipla, que terá lugar o próximo dia 30 de maio, a comunidade científica e as...

Em alinhamento com as estruturas internacionais dedicadas a esta causa e fazendo jus à campanha de 2018 com o mote #bringinguscloser, juntam-se nesta iniciativa o Grupo de Estudos de Esclerose Múltipla da Sociedade Portuguesa de Neurologia (GEEM), e as associações dos doentes e familiares, Associação Nacional Esclerose Múltipla (ANEM), Associação Todos com a Esclerose Múltipla (TEM), e Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla (SPEM), que desenvolveram #PARAvencerEM de forma a promover testemunhos de inúmeras personalidades que promovam o #EMpowerment da pessoa com Esclerose Múltipla (E.M.).

Alexandre Lourenço, Ana Paula Martins, Carlos Pereira Alves, Isabel Galriça Neto, João Cerqueira, Luís Loureiro, Maria Antónia Almeida Santos, Maria de Belém Roseira, Maria do Céu Machado, Maria João Martins, Miguel Guimarães, Paulo Almeida, Ricardo Baptista Leite, Susana Protásio são as personalidades que cederam testemunhos - os vídeos já estão online.

O que se pretende com o resultado final é que a pessoa com E.M. se capacite e assuma um papel mais ativo na gestão da sua doença e se coloque efetivamente no centro das decisões.

De forma a contextualizar sobre o impacto e a realidade, partilhamos os dados da E.M. em Portugal:

  • A E.M. afeta mais de 8.000 pessoas em Portugal (Gisela Kobelt, 2009) e cerca de 2.500.000 pessoas em todo o mundo (dados da Organização Mundial de Saúde)
  • A esclerose múltipla é uma doença crónica e auto-imune, com efeitos nas capacidades físicas e neurológicas dos doentes.
  • Atinge sobretudo os jovens, em particular as mulheres numa proporção de dois para um em relação aos homens.
  • Quase dois quintos dos doentes precisam de ajuda de um amigo ou familiar – uma parte teve que mudar de trabalho ou reduzir horas para o fazer.

 

Opinião
Desde 2010 que o dia 19 de Maio serve para celebrar os progressos em medicina familiar e para promov

O Dia Mundial do Médico de Família foi criado pela World Organization of National Colleges, Academies and Academic Associations of General Practitioners/Family Physicians (WONCA), uma Organização Não Governamental sem fins lucrativos que colabora estreitamente com a Organização Mundial de Saúde e que é geralmente conhecida como Organização Mundial de Médicos de Família.

A WONCA foi criada em 1972, agregando hoje dezenas de organizações locais ou regionais de mais de 130 países ou territórios, que representam cerca de 500.000 médicos de família e cerca de 90% da população mundial.

Em Portugal, a parceira da WONCA é a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), anteriormente designada Associação Portuguesa dos Médicos de Clínica Geral (APMCG), a quem cabe a organização, no nosso país, do Dia Mundial do Médico de Família, que em cada ano tem tido um lema diferente: em 2017 foi “Vencer o Sedentarismo… Adeus Depressão”, em 2016 foi “Portugal em movimento e sem fumo!” e em 2015 a mensagem central foi “O Médico de Família é essencial na promoção da saúde dos portugueses”.

Em 2018, o Dia Mundial do Médico de Família tem o lema oficial “Juntos pela Saúde” e é dedicado a uma temática central em todas as sociedades modernas e que integra o núcleo duro dos valores de uma democracia inclusiva: a obtenção de uma cobertura universal de saúde, o fim das desigualdades no acesso à saúde e o papel de liderança que o médico de família pode e deve exercer nesta luta que a todos interessa e diz respeito.

Segundo a APMGF, e como em anos anteriores, será também interessante o envolvimento de parceiros locais (autarquias, clubes, associações, escolas, ginásios, lares, etc.) nas actividades organizadas na comunidade pelos médicos de família. Pretende-se deste modo divulgar projetos e serviços em que os médicos de família contribuem, de facto, para uma melhor saúde do indivíduo, da família e da comunidade em que estão inseridos (por exemplo na prevenção da doença e promoção da saúde), sem esquecer os princípios da equidade e da igualdade de direitos.

O Médico de Família e os Cuidados Primários de Saúde

O exercício da Medicina Familiar insere-se nos Cuidados Primários de Saúde (CPS), que se baseiam em estruturas comunitárias simples e de fácil acesso (centros de saúde, consultórios particulares, pequenas clínicas, etc.), por oposição aos Cuidados Secundários de Saúde, baseado em estruturas maiores e mais centralizadas (hospitais, grandes clínicas, maternidades, “sanatórios”, etc.), vocacionadas para o tratamento de doenças por equipas de saúde especializadas.

O conceito de “Cuidados Primários de Saúde” foi definido em 1978, na Conferência Internacional da OMS de Alma-Ata, no Cazaquistão, na qual 134 países (entre os quais se encontrava Portugal) e 67 organismos internacionais chegaram a acordo sobre a seguinte definição: “Os cuidados primários de saúde são cuidados essenciais de saúde baseados em métodos e tecnologias práticas, cientificamente bem fundamentadas e socialmente aceitáveis, colocadas ao alcance universal de indivíduos e famílias da comunidade, mediante sua plena participação e a um custo que a comunidade e o país podem manter em cada fase de seu desenvolvimento, no espírito de autoconfiança e autodeterminação. Fazem parte integrante tanto do sistema de saúde do país, do qual constituem a função central e o foco principal, quanto ao desenvolvimento social e económico global da comunidade".

A partir deste conceito básico, cada país ou região organiza os seus próprios CPS, necessariamente de forma diferente de local para local, reflectindo as diferentes características socio-económicas locais e os modelos organizacionais específicos dos respectivos sistemas de saúde.

Idealmente, os cuidados primários de saúde devem representar sempre o primeiro nível de contacto dos indivíduos, da família e da comunidade com o seu sistema nacional de saúde, devendo os cuidados de saúde ser levados o mais proximamente possível aos lugares onde pessoas vivem e trabalham, constituindo-se assim como o primeiro elemento de um continuado processo de assistência à saúde (que pode ficar limitado ao atendimento primário ou ter continuidade para outros níveis mais “elevados” do sistema de saúde).

Dando corpo teórico a estas ideias basilares, a Drª Barbara Starfield, pediatra e Mestre em Saúde Pública norte-americana, estabeleceu em 1998 quatro pilares fundamentais dos Cuidados Primários de Saúde:

1 - Cuidados de primeiro contacto: espera-se dos CPS que sejam mais acessíveis à população, em todos os sentidos, e que assim sejam o primeiro recurso de saúde a ser procurado e a porta de entrada para o sistema de saúde; para o doente, isto quer dizer que quando tiver um problema de saúde vai procurar o seu médico ou enfermeiro de família em primeiro lugar;

2 – Cuidados longitudinais (ao longo da vida):a pessoa atendida mantém o seu vínculo com o serviço ao longo do tempo, de forma que quando haja uma nova necessidade esta seja atendida de forma mais eficiente (ao longo dos anos os profissionais de saúde e os doentes passam a conhecer-se melhor e resolvem melhor os seus problemas de saúde;

3 – Cuidados compreensivos (globais, holísticos): os CPS devem fornecer ou tratar de quem forneça todos os tipos de cuidados de saúde (preventivos, agudos, crónicos, paliativos ou de suporte) com a preocupação de entender o doente como um todo e não apenas como algum ou alguns dos seus órgãos ou sistemas;

4 – Coordenação/integração com os restantes níveis de cuidados de saúde: o nível primário é responsável por todos os problemas de saúde, continuando co-responsável por eles mesmo quando os encaminhe para outros níveis assistenciais (mesmo quando parte substancial do cuidado à saúde de uma pessoa seja realizado em outros níveis de atendimento, o nível primário tem a incumbência de organizar, coordenar e/ou integrar esses cuidados, já que frequentemente são realizados por profissionais de áreas diferentes ou terceiros, e que portanto têm pouco diálogo entre si); além do vínculo com outros serviços de saúde, os serviços do nível primário podem operar visitas ao domicílio, reuniões com a comunidade e ações intersectoriais.

É evidente que este modelo pressupõe a existência de equipas multidisciplinares, que incluem necessariamente os médicos de família mas não dispensam enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, assistentes sociais, higienistas orais, técnicos de saúde pública, auxiliares de acção médica, assistentes operacionais, motoristas e tantos outros que caibam nas competências assistenciais de cada unidade local de saúde, que são basicamente a educação para a saúde, a prevenção, diagnóstico e tratamento das doenças e ainda a reabilitação.

De modo a melhorar a qualidade dos cuidados primários de saúde e rentabilizar o tempo de trabalho e os recursos logísticos, muitas equipas organizam-se em diferentes patamares assistenciais, podendo organizar consultas ou atendimentos específicos, como Saúde dos Adultos, Saúde Infantil e Juvenil, Planeamento Familiar, Saúde Materna, Vacinação, Cuidados Continuados Domiciliários, Diabetes, Hipertensão Arterial, Evicção Tabágica, Saúde Oral, Urgência Básica, Úlcera Varicosa, Preparação para o Parto, entre tantos outros.

Em alguns países, estas equipas incluem mesmo médicos de especialidades ditas “hospitalares” (como dermatologia, pediatria, psiquiatria, ginecologia, cardiologia ou reumatologia) que fazem o atendimento de doentes selecionados pelos médicos de família que necessitam de uma orientação médica especializada mas não necessariamente de recorrer aos serviços mais diferenciados dos hospitais. Quando este modelo funciona bem, o atendimento dos doentes é mais rápido, cómodo e económico e ajuda ao aperfeiçoamento científico e técnico dos profissionais de saúde dos CPS.

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Especialistas debateram o impacto da nutrição e da canábis na autoimunidade
O que é que a comida picante tem a ver com as doenças autoimunes? Ou o chocolate? Ou ainda o café? A resposta foi dada por...

De facto, o que comemos tem influência nas doenças autoimunes, reforça o especialista. “A nutrição pode ser um caminho extraordinário para sabermos lidar melhor com este tipo de doenças. Saber, por exemplo, que a comida picante, muito típica de países asiáticos, pode proteger contra as doenças autoimunes devido à capsaícina, um composto que existe em forma de uma pomada para as dores musculoesqueléticas. Também a curcumina, que existe no açafrão, é um fator protetor. Ou seja, a natureza encerra em si mecanismos claramente protetores, que nós não temos conseguido usar.”

Outros alimentos há, como o chocolate que, em pequenas quantidades, pode também ser benéfico, embora em grandes doses passe a tornar-se inimigo da balança. “Já o café, pode ser mau para a artrite reumatoide, mas pode ser bom para a esclerose múltipla. E também fumar canábis pode ter um efeito protetor, ou calmante, para as doenças autoimunes, apesar de estar bem demonstrada a associação prejudicial do tabaco a algumas destas doenças”, acrescenta o especialista.

Aquilo que falta, refere Carlos Vasconcelos, é a “aplicação da nutrição na prática clínica. As pessoas pensam que a dieta é uma coisa necessariamente difícil e aborrecida e não é; pensam que é necessariamente cara e não tem de ser. O que é preciso é que haja mais informação e nutricionistas disponíveis para isso.”

A forma como o ritmo circadiano pode influenciar este tipo de doenças foi outro dos temas do encontro. “Se pegarmos na mesma pessoa e lhe fizermos uma análise, por exemplo, aos glóbulos brancos às 8h00 e às 20h00, o número às vezes duplica e não é devido à presença de uma infeção. Outro exemplo são os corticoides, que queremos evitar mas que por vezes temos mesmo que dar nas doenças autoimunes: estes poderão funcionar melhor tomados a horas noturnas. Tem tudo a ver com o ritmo circadiano e isto é algo de que pensamos pouco e no qual deveríamos investir mais, havendo aqui um importante caminho a percorrer”, explica Carlos Vasconcelos.

“Outro tema extraordinário é o relacionado com os helmintas (parasitas onde se incluem as ‘lombrigas’, etc) e a sua importância na prevenção e tratamento das doenças autoimunes. Estes parasitas, a que já chamaram ‘velhos amigos’ do ser humano, arranjaram mecanismos para fazer com que o sistema imune não os atacassem (e assim eles podem viver ‘em paz’ nos intestinos). Existem relatos publicados de doentes autoimunes tratados com ovos desses parasitas. Ora, algumas das moléculas que são responsáveis por essa tolerância imunológica foram já identificadas e poderão vir a ser usadas como um medicamento para o tratamento destas doenças.”

O 11º Congresso Internacional de Autoimunidade, que terminou domingo, em Lisboa, é o único encontro em que se é dado destaque às mais de 100 doenças autoimunes que se conhece hoje em dia e que junta cerca de dois  mil participantes de todo o mundo em apresentações sobre as novas técnicas terapêuticas, ferramentas de diagnóstico e investigação atualizada em diferentes áreas. É presidido por um internista, Yehuda Shoenfeld, figura cimeira da autoimunidade mundial, e conta com quatro especialistas de Medicina Interna em lugares de destaque: Carlos Vasconcelos, no cargo de presidente honorário, e Jorge Martins, Carlos Dias e Luís Campos em três das cinco vice-presidências.

Universidade de Coimbra
Aumentar o leque de alternativas ao consumo de proteína animal no mercado foi o objetivo que levou quatro estudantes da...

A gama “Legutê” é composta por três variedades de patês - feijão, ervilha e tremoço - 100% naturais, ricos em proteína, fibra, vitaminas e antioxidantes e com baixo teor de gordura e zero colesterol.

A ideia surgiu na unidade curricular “Empreendedorismo: da ideia ao negócio” do mestrado em Biodiversidade e Biotecnologia Vegetal do Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC). Bruno Simões, Jéssica Tavares, Mariana Correia e Tércia Lopes investigaram e, “ao verificarmos que a oferta de proteína não animal no mercado é deficitária”, avançaram para o desenvolvimento de um produto inovador que tivesse por base as leguminosas familiares da dieta tradicional mediterrânica.

Após a realização de várias experiências, as leguminosas eleitas foram o feijão, a ervilha e o tremoço. É uma forma de «reinventar o consumo de leguminosas. O Legutê é um produto prático e ideal para qualquer ocasião, distingue-se pela resposta a uma oferta escassa de proteína não animal, sendo indicado para vegetarianos. Para além disto, é rico em fibras, vitaminas e sais minerais», salientam os estudantes.

Com a produção desta nova gama de patês de leguminosas, os jovens pretendem ainda contribuir para a “diminuição de desperdícios alimentares. Queremos transformar os excedentes da indústria alimentar destas leguminosas em matéria-prima.”

A próxima fase passa por «alargar o conceito a outras leguminosas e, também, pela procura de investidores junto da indústria alimentar ou, quem sabe, criar uma start-up, tendo em vista a comercialização dos novos patês de grande valor nutritivo.»

O projeto foi escolhido para disputar a final da fase nacional do concurso internacional Ecotrophelia, promovido pela PortugalFoods, que vai decorrer na próxima sexta-feira, 25 de maio

Instituto Português do Mar e da Atmosfera
Todas as regiões do país apresentam hoje um risco muito elevado e elevado de exposição à radiação Ultravioleta, segundo...

Todas as regiões do país apresentam risco muito elevado, com exceção de Castelo Branco, a ilha do Porto Santo e o grupo oriental dos Açores (São Miguel e Santa Maria), que estão com níveis elevados.

Para as regiões com risco 'muito elevado' e ‘elevado’, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) recomenda o uso de óculos de sol com filtro Ultravioleta (UV), chapéu, ‘t-shirt’, guarda-sol e protetor solar, além de desaconselhar a exposição das crianças ao sol.

Os índices UV variam entre 1 e 2, em que o risco de exposição à radiação UV é baixo, 3 a 5 (moderado), 6 a 7 (elevado), 8 a 10 (muito elevado) e superior a 11 (extremo).

O IPMA prevê para hoje no continente períodos de céu muito nublado, apresentando-se em geral muito nublado na faixa costeira ocidental a sul do Cabo Carvoeiro e aguaceiros nas regiões do interior, em especial durante a tarde, sendo em geral fracos e dispersos.

A previsão aponta ainda para vento fraco a moderado predominando do quadrante oeste, neblina ou nevoeiro matinal, em especial no interior da região Sul e nas regiões do litoral Norte e Centro e pequena descida da temperatura mínima na região Centro.

As temperaturas mínimas vão variar entre os 10 graus Celsius (na Guarda, Bragança e Viana do Castelo) e os 14 (em Faro) e as máximas entre os 19 (na Guarda) e os 27 (em Santarém).

Eutanásia
Os médicos favoráveis à despenalização da eutanásia não devem ser estigmatizados, alerta o oncologista Jorge Espírito Santo,...

“O pior que pode acontecer é quem entende que o doente tem direito a escolher, e se disponibiliza para o apoiar nessa escolha, ser transformado numa espécie de assassino sem escrúpulos e sem emoção”, afirmou Jorge Espírito Santo, médico que tem assumido a sua posição a favor da despenalização da morte assistida.

O clínico é perentório ao afirmar que “rejeita em absoluto” esses rótulos, sublinhando que são ainda piores quando são veiculados por médicos.

Jorge Espírito Santo participa hoje, no Porto, num debate sobre “Decisões sobre o fim de vida”, que é promovido pela Ordem dos Médicos.

O médico argumenta que a defesa da despenalização da eutanásia não vai contra a deontologia médica nem contra o juramento de Hipócrates.

“O nosso juramento não é uma tabela de lei, é um modelo de comportamento. Um modelo que tem espinhas dorsais e um ADN que não muda: pôr o interesse do doente em primeiro lugar. O interesse do meu doente é a minha primeira preocupação”, refere.

Em entrevista à agência Lusa, recorda que já foi abandonado o “modelo paternalista da prática médica” e insiste que ao colocar o interesse do doente em primeiro lugar nunca se estará a infringir o juramento médico.

“Percebo que haja médicos com interpretação diferente da minha. Ninguém pode é ser estigmatizado pela sua interpretação do código de comportamento. No essencial, no que é a determinante e a espinha dorsal da profissão, estamos todos de acordo: o médico tem de pôr o interesse do seu doente como primeiríssima das suas preocupações”, afirma.

Para o oncologista há outra questão essencial neste debate sobre a eutanásia que deve ser esclarecida: não estamos perante uma questão religiosa.

Trata-se, antes, de uma questão “de cidadania e de liberdade de escolha”.

“Quem acha que a sua doutrina o inibe de fazer essa escolha, não a fará. Não tem é a de impor. Vivemos num estado laico e de direito. Este é o nosso contexto e a questão não é e não pode ser religiosa”, argumenta.

Aliás, para o oncologista a defesa da despenalização da eutanásia existe precisamente porque as pessoas têm o direito de escolher: “Não é justo condenar alguém apenas pelas nossas convicções, a tolerar uma situação que para a própria pessoa não é tolerável. O que defendo é que haja direito de escolha”.

Jorge Espírito Santo lembra que a eutanásia não está prevista nem existirá apenas para o doente oncológico terminal, sendo abrangidas outras situações em que exista “sofrimento intolerável e irreversibilidade da situação clínica”.

Sobre o debate muitas vezes imposto “eutanásia versus cuidados paliativos”, o médico lembra que são situações que de forma alguma se excluem e que não pode ser confundida a necessidade de cuidados paliativos com a possibilidade de se optar por uma antecipação da morte.

“Todas as situações devem ter acesso a cuidados paliativos que, por definição, são os que aliviam sintomas e melhoram o bem-estar. Mas os cuidados paliativos têm o seu âmbito de ação e nem todas as situações podem ser manejadas a contento dos doentes com os cuidados paliativos”, defende.

O oncologista nota até que “dos 10 países em que a qualidade da morte é melhor, com efetivo acesso a cuidados paliativos, em cinco foi despenalizada a morte medicamente assistida”.

Espírito Santo assume que, “tal como quase todos os oncologistas”, conhece doentes que já manifestaram vontade de antecipar a sua morte.

Aliás, o médico refere que a sua posição sobre a morte assistida é muito fruto da sua experiência profissional e do contacto que foi tendo com situações “muito complicadas e que implicaram muito sofrimento”.

“Alguns doentes, mas muito poucos, foram capazes de verbalizar o pedido, que obviamente não pôde ter sequência”, indicou.

Apesar de reconhecer que o ato da eutanásia em si não é um ato médico, o especialista refere que “tudo o que está à sua volta é um ato médico”, todo o trabalho de avaliação do pedido, de acompanhamento, de preparação e até da escolha do método a utilizar para abreviar a morte.

Jorge Espírito Santo reconhece que “os médicos estão treinados para curar” e que muitas vezes encaram a morte “como uma derrota”, mas rejeita que só uma “pequena minoria” de clínicos seja favorável à despenalização da morte assistida

A este propósito, recordou um inquérito feito em Portugal a oncologistas em que quase 40% dos que responderam “manifestaram abertura” em relação à eutanásia.

O médico sublinha que o cunho tão penalizador da eutanásia está ainda muito ligado a experiências feitas por médicos nazis durante a Segunda Guerra Mundial. Contudo, lembra que mesmo etimologicamente a eutanásia significa “boa morte”.

“O que se pretende é exatamente isso. É que, na sua escolha final, cada pessoa tenha o direito de partir o mais tranquila e confortavelmente que seja possível”, concluiu.

 

Registo Oncológico
O secretário regional da saúde dos Açores, Rui Luís, admitiu que anualmente "surgem cerca de 1.100 novos casos de cancro...

"O Registo Oncológico, numa série de 1997 a 2014, revela-nos que todos os anos surgem nos Açores cerca de 1.100 novos casos de cancro", informou Rui Luís citado numa nota do Gabinete de Apoio à Comunicação Social (GACS) do Governo Regional dos Açores.

Segundo a mesma nota, esse número foi revelado por Rui Luís no âmbito das Jornadas de Radioncologia, que decorreram na passada sexta-feira, em Ponta Delgada.

Rui Luís falava sobre o investimento feito pelo Governo Regional em "programas de rastreios oncológicos" como forma de "prevenção primária" adequada "à realidade arquipelágica".

"Temos quatro rastreios a funcionar nos Açores, tendo sido rastreadas cerca de 180 mil pessoas e, por essa via, já foram detetados perto de 400 cancros, o que tem sido muito positivo, porque são deteções precoces e é fundamental para a evolução no tratamento", afirmou Rui Luís.

O governante anunciou, também, a criação de uma "rede de referenciação oncológica" nos Açores, destacando a importância da prevenção, do diagnóstico, do tratamento e do acompanhamento dos doentes oncológicos da Região.

"Na última reunião do Conselho Consultivo de Combate à Doença Oncológica foi analisada uma proposta de criação de uma Rede de Referenciação Oncológica, havendo abertura por parte da Direção Regional de Saúde, pelo que penso que, muito em breve, teremos uma ferramenta importante para melhorar as condições de diagnóstico dos doentes oncológicos", revelou Rui Luís à margem de uma mesa redonda sobre 'Insularidade e Investimentos em Oncologia'.

O secretário regional da saúde referiu, ainda, que estão a ser elaborados protocolos de abordagem comum entre os três hospitais dos Açores (hospitais de Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Horta) para o diagnóstico, tratamento e seguimento da doença oncológica.

Ministério
O Ministério da Saúde assegurou que o tempo de espera para a realização da primeira consulta hospitalar de obesidade é inferior...

O presidente da Associação de Doentes Obesos e Ex-obesos de Portugal (ADEXO), Carlos Oliveira, acusou os hospitais de controlarem as entradas nas primeiras consultas para a obesidade para não terem grandes listas de espera.

Numa resposta, o Ministério da Saúde (MS) refutou estas acusações afirmando que o tempo máximo de resposta garantido para a consulta de obesidade é inferior a outras especialidades.

"Se a ADEXO tem conhecimento de alguma situação desta natureza em algum hospital, deverá informar a ACSS [Administração Central do Sistema de Saúde] para a situação ser averiguada junto do hospital", defendeu.

Em declarações, o presidente da ADEXO afirmou que as consultas estão a ser feitas, mas "o problema é que só deixam entrar em função das [pessoas] que saem em cirurgia": "Um hospital este ano fez por exemplo 60 cirurgias, o ano passado tinha uma lista de espera, este ano tem a mesma lista de espera, alguma coisa não está bem".

"Se deixassem entrar todas as pessoas que se querem inscrever, as listas eram substancialmente superiores", sustentou.

O Ministério da Saúde disse que não emitiu qualquer orientação nesse sentido. "Pelo contrário, a orientação que existe é para que sejam inscritos em Lista de Inscritos para Cirurgia todos os utentes que tenham necessidades cirúrgicas identificadas pelos profissionais de saúde que têm competência para efetuar essa avaliação".

Lembrou ainda que os doentes inscritos no Programa de Tratamento Cirúrgico da Obesidade (PTCO) têm um plano determinado em portaria com orientações emanadas pela ACSS e pela Direção-Geral da Saúde.

O processo inicia-se com a referenciação pelos Cuidados de Saúde Primários ou por uma entidade hospitalar para tratamento cirúrgico da obesidade para um centro de tratamento autorizado pela DGS, explicou o MS.

Esse hospital dispõe de 60 dias para realizar a primeira consulta de especialidade, que é uma consulta multidisciplinar, posteriormente o Hospitalar dispõe de outros 60 dias para elaborar o plano de cuidados (proposta cirúrgica) e, a partir dessa data, um Tempo Máximo de Resposta Garantido (TMRG) de seis meses para proceder à cirurgia.

Reforçar equipas
O Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa, com sede em Penafiel, anunciou a contratação de 15 novos médicos, de várias...

Segundo um comunicado, foram admitidos especialistas de anestesiologia, cirurgia geral, infeciologia, medicina interna, nefrologia, otorrinolaringologia, patologia clínica, pediatria e pneumologia, áreas com carências no centro hospitalar.

"O Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (CHTS) vê assim minorada a carência de especialistas e pode continuar o combate às listas de espera de cirurgia e consulta externa", assinala-se no comunicado.

Admite-se também que "subsistem ainda algumas limitações em várias especialidades", mas ressalva-se que a contratação agora anunciada "é um momento de satisfação".

No comunicado destaca-se que, pela primeira vez, foi contratado para o CHTS um especialista de infeciologia, "dando assim mais um passo na diferenciação dos cuidados prestados à população".

Especialista
O diretor do serviço de doenças infeciosas do Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, admitiu que nos últimos anos...

"Nós temos tido ultimamente cerca de 10, 12, 14 casos por ano", adiantou Francisco Melo Mota aos jornalistas, à margem do curso de atualização em virologia clínica que decorreu sexta-feira no Hospital de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel.

O especialista lembrou que "no início do ano 2000" já se tinham registado "números bastante elevados", tendo em conta a população nos Açores, um cenário que foi depois alterado com "um decréscimo bastante acentuado".

Porém, agora há novamente uma subida – nos últimos dois/três anos o número “aumentou ligeiramente” -, mas o responsável sublinhou também que muitos doentes de outras ilhas têm optado para ir para São Miguel (a maior ilha do arquipélago) devido ao estigma relacionado com a doença.

Francisco Melo Mota defende, por isso, uma aposta na prevenção, para contrariar o aumento de casos.

"A doença neste momento não tem cura ainda, quer dizer, por mais que se diga que as pessoas têm uma ótima qualidade de vida, nós temos doentes com mais de 20 anos em tratamento, mas não há cura, ficam presos o resto da vida, por assim dizer, à medicação", sublinhou.

Também o presidente da direção da Sociedade Portuguesa de Virologia alertou para o "pico" nas doenças sexualmente transmissíveis em Portugal, como é o caso da SIDA, associando este fenómeno ao "excesso de confiança" da população e com o aparecimento das "terapêuticas eficazes" no tratamento do VIH/SIDA.

"As pessoas acham que não têm de se proteger e aquilo que nós assistimos no nosso dia-a-dia - e eu nunca assisti a isso e já sou microbiologista há mais de 30 anos - é um recrudescimento das doenças de infeção sexual, precisamente porque as pessoas agora não se protegem, acham que já não há doenças propriamente mortais e a SIDA nalguns locais está a reaparecer", disse Paulo Paixão.

Nos Açores há ainda outro vírus que causa preocupação – o da hepatite C, que aparece sobretudo associada à toxicodependência.

"Ainda nos aparecem muitos doentes [com hepatite C], pelo que estamos a ver cada vez há mais. Deveria porventura haver uma maior incidência na prevenção do uso de drogas ilícitas, endovenosas essencialmente, claro. Números exatos não lhe consigo dizer, mas neste momento nós temos cerca de 200 doentes à espera de fazer o Fibroscan (exame ao fígado) para poderem ser propostos a tratamento", disse.

 

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