Greve dos enfermeiros
O Supremo Tribunal Administrativo admitiu hoje a intimação apresentada pelo Sindicato Democrático dos Enfermeiros Portugueses,...

A informação foi avançada pelo advogado Garcia Pereira, que integra a equipa de advogados que apresentou uma intimação para contestar a requisição civil imposta pelo Governo à greve cirúrgica dos enfermeiros.

Segundo Garcia Pereira, o Supremo Tribunal Administrativo (STA) considerou que, tendo em conta a situação concreta e o processo urgente, a intimação “mostra-se como o mais adequado para assegurar a tutela célere e efetiva do direito fundamental à greve” dos enfermeiros.

O Sindicato Democrático dos Enfermeiros (Sindepor) entregou na segunda-feira a intimação para a proteção de direitos, liberdades e garantias da classe, contestando a requisição civil decretada pelo Governo, que abrange quatro dos 10 hospitais onde decorre a greve em blocos operatórios, conhecida como greve cirúrgica.

No despacho liminar hoje proferido pelo STA, considera-se que “é de admitir a presente intimação”, ordenando-se a notificação da decisão tomada às “entidades demandadas” (Ministério da Saúde) e dando o prazo de cinco dias para que apresentem a sua defesa.

O Governo decretou uma requisição civil aos enfermeiros em greve nos blocos operatórios de quatro dos 10 hospitais onde até final do mês decorre a greve cirúrgica.

Na intimação entregue na segunda-feira ao Supremo Tribunal Administrativo, o Sindicato Democrático dos Enfermeiros pedia ao tribunal que declarasse em 48 horas a nulidade da requisição civil decretada pelo Governo, alegando “especial urgência”, e defende o pagamento de 10 mil euros diários se o executivo mantiver a decisão.

Por considerar a requisição civil de enfermeiros decretada pelo Governo na quinta-feira passada de “insanável invalidade”, o sindicato defende que o tribunal condene a ministra da Saúde “e, solidariamente, todos os membros do Conselho de Ministros, a começar pelo primeiro-ministro” a receber uma sanção compulsória.

O pedido é justificado “dada a relevância dos bens jurídicos violados, o elevado número de pessoas atingidas e a gravidade e elevado grau de intencionalidade da conduta”, lê-se na intimação para a proteção de direitos, liberdades e garantias da classe

O Conselho de Ministros decretou a 07 de fevereiro uma requisição civil na greve dos enfermeiros em blocos operatórios em curso desde 31 de janeiro, alegando incumprimento da prestação de serviços mínimos.

A requisição civil foi feita aos enfermeiros do Centro Hospitalar e Universitário de S. João, Centro Hospitalar e Universitário do Porto, Centro Hospitalar de Entre o Douro e Vouga e Centro Hospitalar de Tondela-Viseu.

Dados divulgados na segunda-feira pelo Ministério da Saúde indicam que a greve, que decorre desde 31 de janeiro, levou ao adiamento de 56% das 4.782 cirurgias previstas na primeira semana da paralisação.

A primeira “greve cirúrgica”, decretada pelo Sindepor e pela Associação Sindical dos Enfermeiros Portugueses (APSE) decorreu em blocos operatórios de cinco centros hospitalares entre 22 de novembro e 31 de dezembro de 2018, tendo levado ao adiamento de mais de 7.500 cirurgias.

Ministério da Saúde
O número de urgências hospitalares registou uma subida ligeira no ano passado, com mais de 6,36 milhões de atendimentos, depois...

Os dados da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) mostram que entre 2017 e 2018 os atendimentos em urgência nos hospitais do SNS subiram 0,8%, correspondendo a um acréscimo de cerca de 48 mil episódios.

Segundo os números, no total os hospitais públicos receberam no ano passado cerca de 6.366.000 episódios de urgência, o que dá uma média diária superior a 17 mil casos atendidos.

Em 2017, o número de episódios de urgência tinha registado uma redução de 1,4% quando comparado com 2016, indo no sentido dos objetivos traçados pelo então ministro Adalberto Campos Fernandes, que definia, contudo, uma diminuição das urgências mais ambiciosa e que não se concretizou.

Aliás, no relatório do acesso aos cuidados de saúde no SNS de 2017, o Ministério traçava o objetivo de ir reduzindo a atividade dos serviços de urgência e de redirecionar os utentes para cuidados programados de proximidade.

Numa análise temporal mais alargada, de nove anos, 2018 surge como o quarto ano com maior número de urgências registadas, a par com 2010, 2011 e 2016.

De 2010 a 2018, o SNS registou anualmente quase sempre mais do que seis milhões de episódios de urgência, com exceção de 2012, em que se ficou nos 5,93 milhões.

Administração Central do Sistema de Saúde
Os centros de saúde fizeram no ano passado mais cerca de 370 mil consultas nos cuidados primários do que em 2017, representando...

Números da Administração Central do Sistema de Saúde mostram que foram feitas em 2018 mais de 31 milhões de consultas médicas nos centros de saúde e unidades de saúde familiares.

Os números, ainda provisórios, do Ministério da Saúde apontam também para mais consultas realizadas nos hospitais públicos e para uma ligeira redução do número de cirurgias em 2018, ano em que decorreu a primeira greve dos enfermeiros em blocos operatórios.

No que respeita aos cuidados primários, o número de consultas médicas ultrapassou os 31 milhões pela primeira vez desde 2013.

Nos seis anos analisados, 2018 foi o ano com maior número de consultas nos centros de saúde e 2014 foi o ano com número mais reduzido.

Aumentaram também no ano passado as consultas de enfermagem, atingindo um total superior a 19 milhões, um acréscimo de 1,5% em relação a 2017.

Um ligeiro crescimento do número de consultas no SNS foi registado também nos hospitais, com uma variação de 0,8% entre 2017 e 2018, ano em que se fizeram mais de 12,1 milhões de consultas hospitalares.

A variação nas primeiras consultas foi de apenas 0,5%, sendo de 0,9% nas consultas subsequentes, quando comparados valores entre 2017 e 2018.

No caso das cirurgias, os hospitais do SNS registaram no ano passado uma redução de 0,5%, como a própria ministra da Saúde já tinha anunciado na semana passada no parlamento.

Assim, em 2018 os hospitais do SNS realizaram 670.455 cirurgias, quase menos quatro mil do que no ano anterior.

Na semana passada, a ministra Marta Temido tinha destacado na comissão parlamentar de Saúde que as cirurgias tiveram “apenas uma contração de 0,5%”, isto num ano “particularmente difícil”.

A ministra não aludiu diretamente à greve dos enfermeiros em blocos operatórios, mas no final de 2018, entre 22 de novembro e final de dezembro, os enfermeiros estiveram em greve às cirurgias programadas em cinco hospitais público.

Segundo os dados do próprio Ministério da Saúde, a primeira greve cirúrgica levou ao cancelamento ou adiamento de mais de 7.500 cirurgias naqueles cinco hospitais.

Na análise aos dados assistenciais dos hospitais referentes a 2018, volta a haver um incremento da percentagem de cirurgias realizadas em ambulatório, que já ultrapassam os 65%, tendo registado um aumento de dois pontos percentuais face ao ano anterior.

A percentagem de cirurgias feitas sem necessidade de internamento tem vindo sempre a aumentar desde 2013, passando de 55,9% do total de cirurgias nesse ano para 65,5% em 2018.

Estudo
Uma boa noite de sono pode prevenir doenças cardiovasculares ao regular um mecanismo anti-inflamatório que foi identificado por...

Os resultados do estudo, descritos num comunicado do Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue dos Estados Unidos, onde a experiência foi feita, serão publicados pela revista científica Nature.

O autor principal do estudo, Filip Swirski, explicou, citado no comunicado, que se trata de um mecanismo biológico em que uma hormona do cérebro, a hipocretina, controla a produção de células inflamatórias na medula óssea e ajuda a proteger os vasos sanguíneos de lesões.

"Este mecanismo anti-inflamatório é regulado pelo sono e diminui quando o sono é frequentemente perturbado ou perde qualidade", defendeu o investigador.

No estudo, os cientistas focaram-se num grupo de ratinhos que foram geneticamente modificados para desenvolverem aterosclerose, doença que se caracteriza pela acumulação de gorduras nas paredes das artérias e que pode dificultar o fluxo do sangue.

O grupo foi dividido ao meio: metade dos roedores foram privados de um sono normal, enquanto os restantes não.

Com o passar do tempo, os ratinhos que tinham perturbações no sono desenvolveram maiores lesões nas artérias, como depósitos de gorduras, do que os animais que mantinham padrões de sono normais. Além disso, os ratinhos com problemas no sono produziram mais células inflamatórias no sistema circulatório e menos hipocretina, hormona do cérebro que terá um papel-chave na regulação dos estados de sono e vigília.

Ao darem um suplemento de hipocretina a ratinhos com aterosclerose e com perturbações no sono, os cientistas verificaram que tendiam a produzir menos células inflamatórias e a desenvolver lesões nas artérias mais pequenas, ao contrário dos roedores com os mesmos problemas de base, mas que não receberam uma dose reforçada da mesma hormona.

Segundo os autores do estudo, os resultados sugerem que a perda da hormona cerebral hipocretina durante noites mal dormidas contribui para a inflamação e a aterosclerose.

Contudo, ressalvam que tem de ser feito mais trabalho de investigação, em particular com pessoas, para se validar os resultados e testar o uso terapêutico da hipocretina em doenças cardiovasculares ou distúrbios do sono.

ADSE
O conselho de administração do grupo Lusíadas Saúde anunciou ontem que está a “analisar opções para a cessação das atuais...

“O conselho de administração do grupo Lusíadas Saúde está a analisar opções para a cessação das atuais convenções existentes com a ADSE, por considerar que o imperativo de garantia de qualidade e segurança clínica dos seus clientes (beneficiários desse subsistema público) poderá vir a ser sistemicamente afetado com as regras e procedimentos atualmente vigentes”, refere o grupo em comunicado.

Segundo o documento, em causa estão as regularizações 'a posteriori' e a definição da tabela de preços.

“A regularização dos preços dos atos médicos 'a posteriori' (mais de dois anos depois nos casos atuais em discussão) por parte da ADSE, sem ter em linha de conta o tratamento e atos prestados a cada cliente, de acordo com as suas necessidades específicas, e sem que o grupo Lusíadas Saúde possa ter conhecimento dos elementos comparadores que pudessem justificar tal redução”, salienta.

Já em relação à tabela de preços, o grupo refere que existe uma tabela “desajustada da realidade atual”.

“Tratam-se de valores incompatíveis com os padrões de segurança e qualidade com que alinhamos a nossa prestação de serviços e com o nível de experiência que fazemos questão de garantir a todos os clientes que nos procuram, incluindo os beneficiários da ADSE”, frisa o comunicado.

O grupo Lusíadas Saúde salienta que no contexto de cessação das atuais convenções, e depois de diversas reuniões internas com as suas unidades operacionais e respetivas direções clínicas, vai assegurar “o adequado acompanhamento e tratamento aos clientes” da ADSE que se encontrem a ser assistidos nas unidades do grupo e que criará uma “tabela própria para que os mesmos beneficiários possam aceder” às unidades de saúde, podendo depois “pedir o reembolso à ADSE em regime livre”.

“O Grupo Lusíadas Saúde continua a manter-se, no entanto, totalmente disponível para a construção de soluções de parceria que garantam um compromisso justo, equilibrado, seguro, previsível e sustentável para todos os intervenientes, passível de garantir, acima de tudo, a qualidade dos atos e a segurança clínica para os clientes das suas unidades de saúde”, explica.

O documento diz ainda que após a análise do conteúdo contratual das convenções em vigor, serão comunicados às partes os procedimentos operacionais relevantes, em especial “quanto aos prazos da cessação das convenções e consequente cessação da marcação de atos em regime convencionado”.

A Lusíadas Saúde tem uma rede de 12 hospitais e clínicas de norte a sul do país.

A ADSE tem estado no centro da atenção mediática e política nos últimos dias, com a suspensão de convenções por parte de dois grupos, a José de Mello Saúde (que gere os hospitais CUF) e o Grupo Luz Saúde.

OMS
A Organização Mundial de Saúde recomendou a toma da vacina da febre amarela para viajantes estrangeiros que tencionem visitar o...

Segundo o comunicado ontem difundido pela organização, a vacina deve ser tomada pelo menos 10 dias antes da viagem, por quem pretender visitem os estados brasileiros do Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Tocantins, Santa Catarina e São Paulo.

A Organização Mundial de Saúde (OMS), na sua página da internet, declara que, de dezembro de 2018 a janeiro de 2019, registaram-se 36 casos de febre amarela confirmados em humanos, que culminaram oito mortes, em 11 municípios brasileiros.

Desses 11 municípios afetados, nove estão localizados no estado de São Paulo e os outros dois pertencem ao Paraná, estado que desde 2015 não tinha casos confirmados de febre amarela, e que faz fronteira com a Argentina e o Paraguai.

A febre amarela é transmitida por mosquitos e tem como sintomas dor de cabeça, febre baixa, fraqueza e vómitos, dores musculares e nas articulações. Na sua fase mais grave, pode causar inflamação no fígado e nos rins, sangramentos corporais, e pode levar à morte, sendo que a vacina é a forma de prevenção mais eficaz.

Ainda de acordo com a OMS, o Brasil pode estar a atravessar a terceira onda de um surto de febre amarela. A primeira aconteceu durante o período sazonal de 2016–2017, com 778 casos humanos, incluindo 262 mortes, e a segunda durante o período sazonal de 2017–2018, com 1.376 casos em humanos, incluindo 483 mortes.

"Embora seja cedo para determinar se este ano terá os altos números de casos em humanos observados nos dois últimos grandes picos sazonais, há indicações de que a transmissão do vírus continua a propagar-se em direção ao sul e em áreas com baixa cobertura vacinal", diz o comunicado da Organização Mundial de Saúde.

ADSE
A ADSE precisa de 80 mil novos beneficiários nos próximos cinco anos para compensar os que vão abandonando a instituição,...

O mesmo estudo, divulgado em finais do ano passado, mostra que um terço dos beneficiários da ADSE terá mais de 70 anos em 2022 sem a entrada de novos utentes.

Feito por uma consultora a pedido da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada, o estudo identifica o envelhecimento e um maior consumo por parte dos utentes como os “principais riscos da ADSE”, sugerindo a necessidade de alargar o universo dos beneficiários, bem como criar regras para moderar o consumo.

A ADSE tem estado no centro da atenção mediática e política nos últimos dias, estando em causa a suspensão de convenções por parte de dois grupos, a José de Mello Saúde (que gere os hospitais CUF) e o Grupo Luz Saúde.

A análise feita a pedido da associação que representa os privados indica que a ADSE “tem sido sustentável”, apresentando saldos positivos, mas a manutenção da situação atual “levará a uma situação de défice a partir de 2021”.

Entre 2012 e 2017 o número de beneficiários da ADSE caiu em média 1,9% ao ano, prevendo-se que a este ritmo o subsistema tenha 1,118 milhões de beneficiários dentro de cinco anos. Para que em 2022 se atinja de novo o atual valor de 1,2 milhões de beneficiários, o estudo sugere que é preciso que entrem no sistema 82 mil.

O estudo mostra ainda que entre 2012 e 2017 o número de renúncias de beneficiários quase duplicou.

O estudo elaborado pela empresa Deloitte identifica como um dos principais riscos à sustentabilidade o padrão de consumo dos beneficiários da ADSE, que consomem em média mais 26% que os utentes dos seguros.

Utentes da ADSE ou dos seguros consomem o mesmo tipo de valências, tendo ambos como utilizações mais frequentes as consultas, seguidas da imagiologia. Contudo, o consumo pelos beneficiários da ADSE é superior.

Os utentes com ADSE têm uma média de 6,7 episódios por ano, enquanto no caso dos utentes dos seguros a média é de 5,3.

É recomendado pela análise encomendada pela hospitalização privada que seja promovida uma “moderação de consumo”, nomeadamente através de mecanismos de regulação, rejeitando que um corte nos preços pagos pela ADSE resolva as questões da sustentabilidade.

A estrutura etária mais envelhecida dos utentes da ADSE em comparação com os dos seguros é uma das explicações para os “consumos mais elevados”.

Aliás, o estudo alerta que, caso não entrem novos beneficiários, a estrutura etária vai envelhecer, conduzindo a um aumento dos níveis de consumo, o que terá impacto na despesa da ADSE.

Quanto à parte financeira, a ADSE mostra-se sustentável por enquanto. Em 2017, as receitas foram de 619 milhões de euros e os custos de 561 milhões, com um excedente de 66 milhões.

Contudo, as previsões do estudo apontam para um défice num futuro próximo, com um saldo negativo de 17 milhões em 2022.

A ADSE, que desde 2012 é um subsistema autossuficiente e sem financiamento do Orçamento do Estado, vive das contribuições dos seus beneficiários. Atualmente, 5,2% de titulares estão isentos de pagamento.

O estudo da Deloitte promovido pelos hospitais privados recorreu aos planos de atividade e relatórios de conta públicos da ADSE e ainda a uma amostra anonimizada de cidadãos em que metade são beneficiários da ADSE e outra metade tem seguro de saúde.

ADSE
Os cinco maiores grupos privados da saúde faturaram à ADSE 878 milhões de euros entre 2015 e 2018, 58,3% da despesa total que o...

A análise do economista, eleito pelos representantes dos beneficiários para o conselho diretivo da ADSE, aponta para “um grande problema de concentração” nos grandes prestadores privados da saúde, referiu Eugénio Rosa.

Nos anos de 2015, 2016, 2017 e 2018, quase 60% da despesa total que a ADSE teve com o regime convencionado (em que os prestadores têm uma relação contratual com o subsistema) foi para cinco grupos privados: Luz, José de Mello Saúde, Lusíadas, Trofa e Grupo Hospitais Privados do Algarve.

“Foram feitas no passado muitas convenções com estes cinco grupos e permitiu-se que dominassem grande parte da faturação da ADSE”, afirmou à Lusa o economista.

Num documento de análise publicado no seu site na Internet, Eugénio Rosa afirma que a “captura da ADSE por parte” dos cinco grandes grupos privados de saúde ajudou esses prestadores a eliminar também a concorrência e a aumentar o “poder sobre a ADSE”.

“É urgente alterar esta situação, reduzindo o poder destes cinco grandes grupos privados e saúde sobre a ADSE, e criar uma situação de maior equilíbrio”, refere Eugénio Rosa no documento publicado no final do mês passado.

O economista ressalva que os cinco grandes grupos privados de saúde são, contudo, “indispensáveis à prestação de serviços aos beneficiários”, mas insiste na necessidade de “assinar novas convenções com pequenos e médios prestadores”.

Ontem, em declarações, Eugénio Rosa sublinha que, ao diversificar as convenções, a ADSE “estaria mais à vontade”, ao mesmo tempo que a concorrência no setor seria impulsionada.

A ADSE tem estado no centro da atenção mediática e política nos últimos dias, estando em causa a suspensão de convenções por parte de dois grupos, a José de Mello Saúde (que gere os hospitais CUF) e o Grupo Luz Saúde.

Dados do final do ano passado da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada indicam que quatro milhões de portugueses recorrem por ano aos hospitais privados, sendo que 800 mil são beneficiários da ADSE.

Números da mesma associação mostram que os hospitais privados representam quase metade dos hospitais do país e um terço das camas hospitalares.

"Cleanman"
Uma equipa do Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial (INEGI), no Porto, desenvolveu o ...

Em declarações, Ana Reis, investigadora do INEGI responsável pelo projeto, contou que tudo surgiu a "partir da identificação de uma necessidade" por parte de uma empresa de produtos de higiene sediada no Norte do país, que recorreu ao INEGI para a criação do equipamento.

"A empresa contactou-nos e explicou-nos que procurava um sistema que pudesse dispensar toalhetes e que, ao mesmo tempo, estando incorporado no próprio urinol, fizesse a limpeza antibacteriana", afirmou.

O "cleanman", que segundo a investigadora, foi desenvolvido com o propósito de ser o "menos intrusivo possível para os utilizadores", é colocado ao lado do urinol e integra um sistema "inteligente e automatizado".

Assim, após usarem o urinol, "os homens retiram uma toalhita, fazem a sua higiene e colocam-na no vaso coletor, que vai automaticamente esconder os resíduos e ativar a descarga para a higiene do urinol e do cesto onde são colocadas as toalhitas", explicou Ana Reis.

Segundo a investigadora, apesar do sistema incluir "funcionalidades que já existem", é o único que "incorpora tudo num só produto", tornando-se assim "inovador em termos de hábitos".

"Tentamos criar um sistema do qual se conseguisse tirar um toalhete sem tocar em nada, sem odor e sem contacto visual. No fundo, a nossa ideia foi incorporar tudo num só produto, de maneira a ser também mais apelativo para o utilizador", frisou.

Ana Reis adiantou que o "cleanman", apesar de ser ainda "um protótipo", já foi testado no instituto e num restaurante em Ovar, distrito de Aveiro, onde os resultados "foram surpreendentes".

"O equipamento esteve várias semanas em teste, contávamos as pessoas que entravam, fazíamos a contagem do consumo de papéis e depois fazíamos algumas entrevistas, para termos uma ideia da utilização. Os resultados foram bastante interessantes, a maioria dos homens disseram-nos que esta ideia já deveria ter sido feita e que era realmente uma necessidade", contou.

A equipa do INEGI, que já submeteu o pedido de patente europeia, está neste momento a estabelecer contactos com eventuais parceiros para "comercializar o equipamento".

"Este é um produto que torna também a higiene masculina mais eficiente, e que permite melhorar a higiene das casas de banho públicas masculinas", acrescentou.

 

No Porto
Investigadores do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto desenvolveram um algoritmo que, ao recorrer a um...

Em entrevista, Mariana Farraia, investigadora do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), explicou que o estudo, recentemente distinguido pela European Academy of Allergy & Clinical Immunology, surgiu da "necessidade que existe na área, de pesquisar novas tecnologias e ferramentas" que auxiliem os clínicos no diagnóstico e monitorização de doentes com asma.

O estudo, denominado Human Volatilome Analysis To Identify Individuals With Asthma In Clinical Settings, que está agora em fase de revisão para ser submetido a publicação, desenvolveu-se em duas fases: na criação de um algoritmo e na validação clínica, tendo recrutado 207 pacientes do Centro Hospitalar de São João, no Porto.

"O objetivo era testar esta tecnologia [nariz eletrónico] para avaliar asmáticos durante as consultas e perceber de que forma é que a avaliação do ar exalado poderia ajudar no próprio diagnóstico da asma", afirmou Mariana Farraia, adiantando que “existem diferenças no ar exalado de pessoas que têm sintomas de asma".

"Através de um tubo, recolhemos as amostras do ar exalado dos pacientes. As amostras foram posteriormente colocadas no dispositivo, que avaliou e analisou os perfis dos compostos presentes no ar", esclareceu.

Segundo a investigadora, bolseira da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), o recurso a este dispositivo médico, que está a ser "amplamente estudado a nível europeu", poderá também vir a ajudar "no ‘target’ de terapias".

"Queremos contribuir para facilitar no diagnóstico desta doença. O diagnóstico da doença é complicado, porque o médico tem de avaliar muitas condicionantes, e a aplicação do tratamento é feita consoante as recomendações internacionais, na medida em que se vai aumentando ou diminuindo as doses consoante o estado sintomático dos doentes", afirmou.

Dados do Inquérito Nacional de Saúde (INS) estimam que em Portugal, a prevalência da asma seja de 5,3%, aproximadamente 530 mil pessoas, sendo que 1,4% dos portugueses sofrem de formas mais graves da doença.

Mariana Farraia adiantou que pretende agora fazer "um estudo longitudinal" e perceber se "as mudanças se traduzem no ar exalado ao nível da monitorização da doença", assim como "se é possível que as mudanças a nível inflamatório e sintomático se reflitam no ar exalado".

O trabalho dos investigadores do ISPUP foi também distinguido, em novembro de 2018, no ISAF - International Severe Asthma Forum, que decorreu em Madrid.

ADSE
A Frente Comum pediu ontem “bom senso” no processo de suspensão das convenções entre grupos privados e o sistema de saúde dos...

“Acho que quem está a ameaçar sob chantagem rescindir os acordos devia pôr na opinião pública todo o dinheiro que já ganhou e que lhe permitiu prosperar e abrir mais hospitais durante estes anos todos”, disse a coordenadora da Frente Comum, Ana Avoila em conferência de imprensa.

Por outro lado, continuou, é preciso “bom-senso e calma” para todas as partes envolvidas se sentarem à mesa para discutir.

O Conselho Geral e de Supervisão (CGS) da ADSE aprovou na terça-feira, por unanimidade, uma resolução na qual apela para um “urgente diálogo” entre os prestadores de saúde e o conselho diretivo do instituto público.

“O CGS apela aos prestadores de saúde e ao conselho diretivo da ADSE para um urgente diálogo que, respeitando a lei e as convenções, permita encontrar soluções adequadas para a prestação de serviços de saúde de qualidade, a preços justos, sem discriminações e garantindo fiabilidade às diferentes entidades envolvidas”, lê-se na resolução aprovada após uma reunião de cerca de cinco horas.

Em discussão esteve a eventual suspensão das convenções com a ADSE por parte de vários grupos privados de saúde, entre os quais o grupo José Mello Saúde (que gere os hospitais CUF) e a Luz Saúde.

ADSE
A Associação 30 de Julho, de defesa dos interesses de beneficiários da ADSE, enviou uma carta aos associados apelando à...

“A gravidade da situação exige o alerta e a intervenção dos beneficiários”, afirma a associação na carta que foi ontem também divulgada aos órgãos de comunicação social.

Para assegurar uma intervenção ativa dos beneficiários da ADSE, e a defesa dos seus interesses, a Associação 30 de Julho anunciou que vai promover sessões de esclarecimento e de debate sobre a situação atual e futura da ADSE.

Sessões nas cidades de Lisboa, Porto e Coimbra estão já agendadas, tendo lugar a primeira em menos de duas semanas, a 25 de fevereiro, em Lisboa.

A associação diz ainda ter solicitado reuniões “com todos” os grupos parlamentares e “reiterado” pedidos de entrevista ao Governo e ao Conselho Diretivo da ADSE, com vista a transmitir as suas preocupações com a situação da ADSE.

"É pois indispensável que o Conselho Diretivo da ADSE e o Governo, responsável pelo modelo de gestão imposto à ADSE e que persiste em não dar resposta às propostas e recomendações do Conselho Geral e de Supervisão, encontrem rapidamente uma solução que defenda os legítimos interesses dos beneficiários utilizadores dos serviços dos hospitais privados com os quais a ADSE tem atualmente convenção, sem prejuízo de assegurar o necessário alargamento da rede a novos prestadores convencionados", defende naquela carta.

Vários grupos privados, entre os quais o grupo José de Mello Saúde e Luz Saúde, pretendem suspender a partir de abril as convenções com o sistema de saúde dos funcionários públicos ADSE, segundo uma notícia do Expresso divulgada na semana passada.

No mesmo dia, o conselho diretivo da ADSE disse não ter recebido "formalmente, de nenhum destes grupos, a comunicação da denúncia ou resolução das convenções em vigor", sublinhando que existem prazos contratuais que têm de ser cumpridos quando se procede à denúncia.

Na terça-feira, o grupo Luz Saúde comunicou aos seus colaboradores o fim das convenções com o subsistema de saúde da função pública a partir de 15 de abril.

“Informamos que os hospitais e clínicas da rede Hospital da Luz se veem obrigados, a partir de 15 de abril, a deixar de prestar os serviços ao abrigo das convenções celebradas com a ADSE. Fazemo-lo com a convicção de que tentámos, até ao limite, encontrar um entendimento com a ADSE", lê-se no comunicado interno.

Também a José de Mello Saúde formalizou na segunda-feira a suspensão da convenção com a ADSE para prestação e cuidados de saúde aos seus beneficiários em toda a rede CUF, podendo evoluir para denúncia definitiva da convenção.

De acordo com uma nota interna da José Mello Saúde, assinada pelo presidente Salvador Mello a que o jornal Expresso teve acesso, a suspensão da convenção com a ADSE tem efeitos a partir do dia 12 de abril.

Já no final de dezembro, a Associação Portuguesa de Hospitalização Privada revelou que alguns prestadores admitiam deixar de ter convenção com a ADSE, após esta ter exigido 38 milhões de euros por excessos de faturação em 2015 e 2016.

ADSE
A ADSE conta com 1,2 milhões de beneficiários, entre funcionários públicos no ativo, aposentados do Estado e familiares, sendo...

O sistema existe há mais de meio século e funciona como uma espécie de seguro de saúde dos funcionários públicos e reformados que, a troco de um desconto mensal de 3,5% sobre o seu salário ou pensão, podem ter acesso a prestadores de saúde privados a preços mais baixos (regime convencionado). Podem ainda optar pelo regime livre, sendo reembolsados mais tarde.

Nos últimos meses, a ADSE tem estado envolta em polémica devido a um diferendo com alguns hospitais privados, já que o instituto público de gestão participada exige a devolução de 38 milhões de euros por excesso de faturação em 2015 e 2016.

Esta situação, que se seguiu a um agitado período de negociação em torno da tabela de preços da ADSE, levou a que dois dos maiores grupos de saúde privados – José de Mello Saúde e Luz Saúde - tenham ameaçado romper as convenções com a ADSE a partir da segunda semana de abril.

Eis alguns pontos essenciais sobre o tema:

ADSE existe há mais de 50 anos
A ADSE (Assistência na Doença aos Servidores Civis do Estado) foi criada em 1963 e os seus beneficiários não efetuavam qualquer desconto para o sistema. No início, abrangia apenas os funcionários públicos no ativo, mas foi sendo alargada aos dependentes, cônjuges e aposentados.

Os beneficiários começaram a contribuir para o sistema de saúde em 1979 com 0,5% do salário, ficando os reformados isentos. Um ano depois, a ADSE foi transformada na Direção-Geral de Proteção Social aos Trabalhadores em Funções Públicas e o desconto aumentou para 1% e assim se manteve durante mais de 20 anos.

Inscrição é facultativa e renúncia passa a ser possível
Em 2006, com o Governo de José Sócrates entraram em vigor várias alterações ao funcionamento e ao esquema de benefícios da ADSE, passando esta a ser equiparada a entidade administradora das receitas provenientes do desconto obrigatório.

A inscrição na ADSE deixou de ser obrigatória e os beneficiários passaram a poder renunciar ao subsistema de saúde, ficando, no entanto, sem hipótese de regressar.

O desconto aumentou em 2007 para 1,5% no caso dos funcionários no ativo e os aposentados passaram a contribuir com 1% da sua pensão, percentagem que foi subindo gradualmente até atingir 1,5%. Os descontos passaram então a constituir receita própria da ADSE.

Contribuição mais do que duplicou durante a ‘troika’
Durante o programa de ajustamento, com o Governo de Passos Coelho, a taxa de desconto dos beneficiários aumentou num primeiro momento para 2,5% e, menos de um ano depois, em maio de 2014, voltou a subir para 3,5%, valor que se mantém até hoje.

Nesse ano, as receitas provenientes dos descontos ultrapassaram 520 milhões de euros (contra cerca de 280 milhões de euros em 2013).

Foi nessa altura que o sistema deixou de receber verbas do Orçamento do Estado e passou a ser suportado integralmente pelos descontos dos beneficiários, tendo registado o seu primeiro excedente, de 63 milhões de euros, em 2015.

Encargos da ADSE com saúde em 2016
De acordo com o último relatório de contas publicado pela ADSE, o universo dos prestadores convencionados, em 2016, abrangeu 1.613 entidades. Cerca de 908 mil beneficiários procuraram a rede da ADSE, enquanto 475 mil optaram pelo regime livre.

De acordo com a demonstração de resultados de 2016, os custos com o sistema de financiamento de cuidados de saúde, suportados diretamente pela ADSE totalizaram 538,8 milhões de euros, um acréscimo de 19,6% face ao ano anterior.

A faturação dos prestadores da rede convencionada aumentou 26,3% entre 2015 e 2016 para 405,3 milhões de euros.

Segundo o relatório, o custo médio de financiamento por beneficiário da ADSE no regime convencionado “tem vindo aumentar substancialmente ao longo dos últimos anos”, tendo crescido 29,6% entre 2015 e 2016, para 331,45 euros. Já o custo médio por beneficiários em regime livre foi de 137,74 euros.

ADSE transforma-se em instituto público
A ADSE passou para a tutela do Ministério da Saúde em 2015 e no ano seguinte foi criada a Comissão de Reforma do modelo da ADSE, tendo esta passado a ser um instituto público de gestão participada a partir de 01 de janeiro de 2017. Foi no final desse ano que começou a ser discutida a atualização das tabelas da ADSE e que estalou o diferendo entre o instituto público e os hospitais privados.

Discussão sobre novas tabelas não foi pacífica
As novas tabelas de preços que a ADSE apresentou ao setor privado motivaram fortes críticas do setor, tendo a Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP) considerado que os valores representavam "perdas incomportáveis" para os privados e punham em causa o acesso dos beneficiários aos cuidados de saúde.

O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, em declarações à Lusa em janeiro de 2018, classificou como “absolutamente escandalosos” os preços que a ADSE paga por alguns atos médicos.

“Não me admira que quem gere a medicina privada em Portugal possa recusar ter o seguro da ADSE nestas circunstâncias, disse Miguel Guimarães na altura.

Devolução de 38 milhões de euros agravou discórdia
A discórdia entre os privados e a ADSE agravou-se nos últimos meses quando, em dezembro, o conselho diretivo do instituto público comunicou aos hospitais e clínicas privados que estes teriam de devolver 38 milhões de euros devido a excessos de faturação efetuados entre 2015 e 2016.

A decisão da ADSE teve por base um parecer da Procuradoria Geral da República (PGR) que surgiu na sequência de um recurso à justiça por parte da APHP onde contestava as regularizações.

O que está em causa nas regularizações
Segundo o conselho diretivo da ADSE, os prestadores de saúde podem faturar o valor que entenderem sobre atos médicos, sobretudo medicamentos, dispositivos ou cirurgias, sem que esteja definido um valor máximo. Porém, estão sujeitos a uma regularização posterior, já que em 2009 foi introduzido o princípio da regularização.

Porém, a APHP disse desconhecer o parecer da PGR, sublinhando que o assunto estava a ser dirimido nos tribunais, tendo a associação um outro parecer em seu poder, da autoria de Vital Moreira, a defender exatamente o contrário.

Segundo a associação, “não é razoável pretender fazer regularizações retroativas de faturas conferidas e pagas, com base em valores que ninguém sabe quais são e em que contexto foram praticados”.

Privados ameaçam romper convenções com ADSE
Já no final do ano passado a APHP realizou uma assembleia-geral extraordinária para analisar a situação e o presidente da associação, Óscar Gaspar, contou que alguns prestadores admitiam deixar de ter convenção com a ADSE.

Esta semana, a José de Mello Saúde (que gere os hospitais e clínicas CUF) e a Luz Saúde anunciaram romper as convenções com a ADSE a partir da segunda semana de abril, motivando reações de vários partidos políticos e do Presidente da República, que apelou a um entendimento.

Governo
O Governo vai testar, em projetos experimentais, a possibilidade de os trabalhadores do regime de proteção social convergente...

Esta medida está prevista no Plano de Ação para a Segurança e Saúde no Trabalho na Administração Pública 2020, hoje publicado em Diário da República, no qual o Governo define as medidas que lhe vão permitir ponderar novos modelos ajustados a cada realidade organizacional.

Quanto ao regime de ausência por doença de curta duração, o plano prevê “desenvolver projetos experimentais em organismos piloto” que envolvam a introdução, para os trabalhadores no regime de proteção social convergente, da possibilidade de dispensa de apresentação de atestado médico para ausências até dois dias, e num máximo de sete dias por ano.

Ainda neste âmbito, o plano prevê a avaliação desta introdução de alterações ao regime legal da justificação da doença “que conduza a uma simplificação dos procedimentos e à convergência do regime previsto na Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas com o Código do Trabalho”.

O regime de proteção social convergente (RPSC) abrange os trabalhadores admitidos na Administração Pública até 31 de dezembro de 2005 e que estavam inscritos na Caixa Geral de Aposentações (CGA).

O plano de ação determina ainda o controlo das ausências por doença e acidente de trabalho, no sentido de reforçar a eficácia e eficiência dos sistemas de verificação de incapacidades, designadamente nas situações de reincidência de baixas médicas ou baixas prolongadas, bem como dos sistemas de acompanhamento e monitorização em sede de emissão dos Certificados de Incapacidade Temporária.

Quanto a este controlo das ausências por doença e acidente de trabalho, o plano também determina a promoção da realização de projetos experimentais “que visem encontrar soluções inovadoras”.

“A intervenção no quadro da Segurança e Saúde no Trabalho (SST) pode ser facilitada através da atuação em rede”, afirma o executivo no diploma, precisando que a rede colaborativa, através do plano de ação hoje publicado, vai “implementar e reforçar os serviços SST para que todos os trabalhadores” da Administração Pública tenham acesso a estes serviços até ao final de 2020.

A rede é coordenada pelo ministro que tutela o emprego público, em articulação com os membros do Governo responsáveis pelas áreas do emprego e da saúde, e integra o inspetor-geral da Autoridade para as Condições do Trabalho e os diretores gerais da Direção-Geral da Saúde, da Direção-Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP), da Direção-Geral da Qualificação dos Trabalhadores em Funções Públicas, entre outros membros.

Dia Internacional do Preservativo
No Dia Internacional do Preservativo, que se assinala hoje, o GAT apela à criação de um plano nacional de prevenção, que aborde...

Em 2018, o GAT (Grupo de Ativistas em Tratamento) distribuiu cerca de 1,5 milhões de preservativos, muitos dos quais disponibilizados pela organização AIDS Healthcare Foundation Europe (AHF) e pela Direção-Geral de Saúde (DGS). Para Ricardo Fernandes, diretor executivo do GAT, “apesar dos esforços das autoridades nacionais, os preservativos distribuídos pela DGS continuam a ser amplamente insuficientes e não estão a chegar onde deveriam, como por exemplo às escolas”.

De acordo com o estudo “Vida Sem Sida”, publicado em 2018 pela Universidade de Lisboa, um terço dos infetados pelo VIH/SIDA tem menos de 30 anos. Cerca de 97% dos jovens portugueses entre os 18 e os 24 anos estão genericamente bem informados relativamente à importância do preservativo, mas mais de 60% assumem ter relações sem o seu uso. “Estes dados mostram que o problema poderá não estar tanto na falta de informação, mas sim na falta de acesso”, salienta o diretor executivo do GAT.

Ricardo Fernandes vai mais longe, referindo que “mesmo onde os preservativos existem, há sempre entraves ao seu acesso. Nas escolas é preciso passar pelo psicólogo, nos centros de saúde pela consulta de planeamento familiar”. Na visão do GAT, de forma a evitar quaisquer constrangimentos, “os preservativos deviam estar disponíveis em locais de fácil acesso e sem qualquer obstáculo, como em caixas distribuidoras. É urgente criar um plano nacional de prevenção que indique de que forma será feita a distribuição de preservativos para que estejam disponíveis onde são precisos e sem mais barreiras”.

Segundo o estudo “Atitudes e Comportamentos da População Portuguesa face ao VIH” (2015), somente cerca de 19% dos inquiridos utiliza sempre preservativo nas suas relações sexuais. Quase 10% das pessoas concordaria também em ter relações sexuais com um novo parceiro sem utilizar o preservativo e 16% acredita que o material do preservativo não é suficientemente forte para prevenir o VIH. De notar que 76% dos não teve acesso gratuito a preservativos no ano anterior ao inquérito.

Segundo o Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV/SIDA estima-se que, em todo o mundo, 45 milhões de infecções pelo VIH tenham sido evitadas graças ao uso do preservativo desde 1990. Se se atingir a meta de distribuição global de preservativos até 2020, evitar-se-ão 3,4 milhões de novas infecções. O custo por infeção evitada seria de aproximadamente 450 dólares, bem abaixo do custo com o tratamento antirretroviral.

OMS
A Organização Mundial da Saúde publicou ontem uma recomendação para que os fabricantes de smartphones e outros leitores de...

Estes sistemas devem permitir informar os utilizadores destes aparelhos sobre o nível sonoro e a duração da escuta e alertá-los para o perigo, explicou ontem a organização em conferência de imprensa realizada em Genebra, na Suíça.

“Para já, estamos só a basear-nos no nosso instinto” para se saber se o volume de som está demasiado elevado, referiu a consultora de otorrinolaringologia da OMS.

A atual situação “é como se conduzíssemos numa autoestrada sem mostrador de velocidade no carro nem limite de velocidade”, explicou.

“O que propomos é que os smartphones passem a estar equipados com um ‘mostrador de velocidade’, ou seja, um sistema que meça e informe sobre a quantidade de som que está a ser recebida e que indique se o limite está a ser ultrapassado”, acrescentou a especialista.

A Organização Mundial de Saúde propõe também, segundo o Sapo, que seja criado um controlo parental do volume ou uma limitação automática do som.

Cerca de metade dos jovens entre os 12 e os 35 anos, ou seja, 1,1 mil milhões de pessoas, estão em risco de sofrer perdas auditivas devido a “uma exposição prolongada e excessiva a sons fortes”, adiantou a OMS.

"Temos os conhecimentos necessários para evitar a perda de audição, [por isso] não deveria haver tantos jovens a prejudicar a sua audição para ouvir música", sublinhou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Atualmente, 5% da população mundial, ou seja, cerca de 466 milhões de pessoas, incluindo 34 milhões de crianças, sofrem de perdas auditivas, mas a OMS não sabe que parte está relacionada com o uso indevido de dispositivos de áudio.

Reino Unido
Quando Bethany e Kieron Simpson foram confrontados com o diagnóstico da sua bebé, que mostrava uma malformação genética,...

Um processo inovador para tentar salvar um bebé diagnosticado com espinha bífida, uma malformação genética que causa deficiência nas crianças, foi realizado na passada semana no Reino Unido. O feto foi retirado do útero da mãe, submetido a cirurgia para reparar a coluna e depois foi colocado de volta para que a mãe continuasse a gravidez.

Quando Bethany Simpson, a mãe da criança, estava grávida de 20 semanas, uma consulta de rotina revelou que a cabeça do bebé não tinha as medidas corretas e que a medula espinal da criança não estava completamente desenvolvida, escreve o Diário de Notícias. Os médicos deram três opções a Bethany e ao marido: continuar a gravidez e aceitar os riscos, terminá-la ou realizar uma cirurgia ao feto para tentar corrigir o problema.

O casal optou pela operação. Para realizar a cirurgia, Bethany teve de passar por um processo longo e exigente. "Eu e o meu bebé tivemos de fazer várias amniocenteses e ressonâncias magnéticas. No dia 17 de dezembro, a nossa cirurgia foi aprovada. A partir daí, as nossas vidas tornaram-se uma montanha-russa durante as semanas seguintes" contou ao jornal britânico The Independent.

Simpson fez a operação no Hospital Universitário de Londres, a 8 de janeiro, onde médicos do Great Ormond Street Hospital trabalharam para reparar a espinha do bebé. Passada uma semana da operação, Bethan felicitou o trabalho dos médicos que realizaram a intervenção, no seu Facebook, e comentou ser muito triste que, mesmo nos dias de hoje, 80% das gravidezes continuem a ser terminadas quando os pais descobrem que o seu bebé tem espinha bífida. "Sim, há riscos de as coisas poderem correr mal, mas pensem mais sobre o que é a espinha bífida. Já não é o que era."

Mais recentemente, Bethan partilhou na sua rede social que o seu bebe já tem "a cabeça do tamanho normal de um bebé" e que "a lesão na espinha já não é visível". Foi a quarta vez que esta operação se realizou no Reino Unido. Bethan deverá dar à luz em abril.

Em Portugal são diagnosticados cerca de 4 mil casos por ano
A epilepsia é uma doença crónica com grande impacto a nível pessoal, familiar, social e profissional

Epilepsia é uma palavra com origem no termo grego epilambaneim que significa surpreender, pois carateriza-se pela predisposição para a ocorrência de crises epiléticas repetidas, que têm habitualmente início súbito e são imprevisíveis.

É a disfunção do sistema nervoso mais comum, afetando 65 milhões de pessoas em todo o mundo. Pode surgir em qualquer idade, sendo mais frequente nas crianças e nos idosos, constituindo uma das principais causas de doença crónica em idade pediátrica. Em Portugal são diagnosticados cerca de 4 mil novos casos por ano, a maioria em crianças e adolescentes.

As crises epiléticas resultam de uma disfunção temporária da atividade elétrica cerebral, ocorrendo uma atividade neuronal excessiva ou síncrona, com duração variável (geralmente entre alguns segundos a vários minutos).

As manifestações das crises dependem do local do cérebro afetado e da sua extensão, nomeadamente: sintomas motores (abalos dos membros), alteração da perceção de sensações (formigueiros, alterações da visão ou audição), paragem súbita de atividade sem responder a estímulos, automatismos, etc. Por outro lado, o mesmo doente pode ter diferentes tipos de crises.

A origem desta disfunção neurológica pode ser genética, estrutural (quando resulta de malformações cerebrais ou de lesões adquiridas após, por exemplo, traumatismo craniano grave, asfixia, acidente vascular cerebral, ou infecções), metabólica, como em certas doenças hereditárias do metabolismo, ou de causa desconhecida.

O diagnóstico é clínico, ou seja, na maioria dos casos faz-se apenas através do relato e/ou observação das crises, mas deve ser confirmado com a realização de um eletroencefalograma (EEG), que consta no registo da atividade elétrica cerebral à superfície do crânio através da colocação de elétrodos no couro cabeludo. De acordo com a situação clínica, para esclarecer a causa, o médico poderá necessitar de pedir exames imagiológicos (TAC ou Ressonância magnética crânio-encefálicas) ou outros (nomeadamente estudos genéticos, metabólicos ou autoimunes).

Alguns tipos de epilepsia da infância não necessitam de tratamento, pois as crises são esporádicas, de breve duração e a epilepsia tem resolução espontânea ao fim de alguns anos. Nos restantes casos é necessário recorrer a fármacos anti-epiléticos. Estes fármacos não curam a epilepsia, destinam-se a prevenir a ocorrência de crises epiléticas. 60-70% das pessoas podem ter a sua epilepsia controlada mediante a utilização de fármacos anti-epiléticos, mas nem sempre se encontra o fármaco adequado para uma determinada pessoa à primeira tentativa, sendo por vezes necessárias várias tentativas até encontrar o(s) medicamento(s) certos para o controlo das crises. Nos restantes casos, em que a epilepsia não se pode controlar com fármacos, poderá ter indicação um tratamento cirúrgico, removendo ou desconectando a zona onde se originam as crises epiléticas, ou de neuromodulação (neuroestimulador do vago ou estimulação cerebral profunda). Noutros casos ainda se pode recorrer a um tipo de dieta com elevado teor em gordura, a dieta cetogénica.

Embora a maioria das crises ocorra de forma espontânea, há alguns fatores conhecidos como possíveis desencadeantes: privação de sono, consumo de álcool, falha da toma da medicação, estímulos luminosos ou sonoros (em certos tipos de epilepsia), alterações hormonais, stress ou cansaço extremo e a febre.

A epilepsia é uma doença crónica com grande impacto a nível pessoal, familiar, social e profissional, sobretudo nos casos em que não se consegue um controlo adequado das crises. Mas a maioria das crianças e adultos com epilepsia pode fazer uma vida normal, sem limitações, desde que se evitem os fatores desencadeantes mencionados.

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Infarmed
A Autoridade Nacional do Medicamento determinou a retirada do mercado do remédio Pneumorel xarope e comprimidos para tratamento...

Numa nota hoje disponível na página da Internet, o Infarmed determina a retirada do mercado dos medicamentos Pneumorel, xarope, 2mg/ml e Pneumorel retard, comprimidos gastrorresistentes, 80 mg.

O Infarmed esclarece que o laboratório Servier Portugal – Especialidades Farmacêuticas, Lda, decidiu suspender e retirar do mercado aqueles medicamentos devido à identificação de um potencial efeito nocivo no ritmo cardíaco associado à utilização de medicamentos contendo a substância fenspirida.

Estes medicamentos estão indicados no tratamento de afeções das vias respiratórias como rinofaringites, laringites, manifestações respiratórias e otorrinológicas da alergia, otites e sinusites e das afeções das vias respiratórias inferiores como rinotraqueobronquites, bronquites, bronquites crónicas com ou sem insuficiência respiratória crónica.

Os medicamentos são também utilizados nas manifestações respiratórias da gripe e possível tratamento de fundo da asma pura ou complicada.

Por isso, o Infarmed informa que os médicos não devem prescrever estes medicamentos e os farmacêuticos não devem dispensá-los e proceder à sua devolução.

Aos doentes, o Infarmed recomenda a interrupção do tratamento e a devolução das embalagens às farmácias para destruição.

“Em simultâneo, deverão consultar o médico para prescrição de uma alternativa terapêutica, caso necessário”, refere o Infarmed.

 

ADSE
O Conselho Geral e de Supervisão da ADSE aprovou ontem, por unanimidade, uma resolução onde apela para um “urgente diálogo”...

“O Conselho Geral e de Supervisão (CGS) apela aos prestadores de saúde e ao conselho diretivo da ADSE para um urgente diálogo que, respeitando a lei e as convenções, permita encontrar soluções adequadas para a prestação de serviços de saúde de qualidade, a preços justos, sem discriminações e garantindo fiabilidade às diferentes entidades envolvidas”, lê-se na resolução aprovada após uma reunião de cerca de cinco horas.

Em discussão esteve a eventual suspensão das convenções com a ADSE por parte de vários grupos privados de saúde, entre os quais o grupo José Mello Saúde (que gere os hospitais CUF) e a Luz Saúde.

Na resolução, o órgão consultivo começa por sublinhar que manifesta “confiança no futuro da ADSE”, mas “vê com preocupação as práticas de alguns grandes grupos de prestadores de saúde que livremente celebraram convenções com a ADSE”.

“Os motivos invocados não justificam tais ações”, consideram os membros do conselho presidido por João Proença e onde têm assento representantes dos beneficiários, dos sindicatos, dos pensionistas e do Governo.

O CGS reitera a necessidade de “reforçar o controlo das despesas e de respeitar o disposto na lei”, salientando que a existência de regularizações “resulta de obrigações contratuais assumidas pelos prestadores de saúde em 2009 e revistas em 2014”.

Ao conselho diretivo da ADSE, presidido por Sofia Portela, o CGS pede uma “rápida apresentação de propostas que completem a revisão das tabelas do regime convencionado e de revisão das tabelas do regime livre, no respeito pelo disposto no Decreto-Lei de Execução Orçamental, de maio de 2018”.

Além disso, o órgão defende que deve ser retomada a celebração de convenções com prestadores de saúde, “de modo a garantir uma rede adequada de regime convencionado”.

O grupo Luz Saúde comunicou ontem aos seus colaboradores o fim das convenções com o subsistema de saúde da função pública a partir de 15 de abril.

“Informamos que os hospitais e clínicas da rede Hospital da Luz se veem obrigados, a partir de 15 de abril, a deixar de prestar os serviços ao abrigo das convenções celebradas com a ADSE. Fazemo-lo com a convicção de que tentámos, até ao limite, encontrar um entendimento com a ADSE", lê-se no comunicado interno.

Segundo a carta enviada aos trabalhadores dos hospitais e clínicas da rede Hospital da Luz, a suspensão deve-se à "impossibilidade de se encontrar um acordo equilibrado na negociação de uma tabela que se encontra desatualizada”.

A rede hospitalar justifica também com a não aplicação retroativa de regras de regularização de faturação, que considera “manifestamente ilegais”.

Também a José de Mello Saúde formalizou na segunda-feira a suspensão da convenção com a ADSE para prestação e cuidados de saúde aos seus beneficiários em toda a rede CUF, podendo evoluir para denúncia definitiva da convenção.

De acordo com uma nota interna da José Mello Saúde, assinada pelo presidente Salvador Mello a que o jornal Expresso teve acesso, a suspensão da convenção com a ADSE tem efeitos a partir do dia 12 de abril.

Já no final de dezembro, a Associação Portuguesa de Hospitalização Privada revelou que alguns prestadores admitiam deixar de ter convenção com a ADSE, após esta ter exigido 38 milhões de euros por excessos de faturação em 2015 e 2016.

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