Pela primeira vez em Portugal
Uma equipa de cirurgiões da UOC – Unidade de Oftalmologia de Coimbra tem alcançado resultados muito promissores com a aplicação...

Esta clínica de oftalmologia em Coimbra aplicou, pela primeira vez em Portugal, a técnica em mais de 20 pacientes, com sucesso e resultando em grandes melhorias para a sua visão. A intervenção pioneira torna desnecessário o uso de óculos na maioria das situações e sem queixas de diminuição da qualidade de visão à noite.

A nova lente intraocular desenvolvida pela Alcon, empresa líder em saúde visual, e destina-se a corrigir a presbiopia associada às cataratas. Graças ao seu design inovador de não difração, consegue fornecer uma gama completa de visão, reduzindo assim a dependência dos óculos.

As cataratas são a patologia ocular mais comum relacionada com a idade e a principal causa de cegueira evitável, sendo a cirurgia da catarata um procedimento cirúrgico corrente. As cataratas têm como uma das consequências a diminuição da visão, em particular em pessoas com mais de 60 anos, com evidentes impactos na sua qualidade de vida. Os doentes que são tratados com esta técnica inovadora realçam o facto de esta oferecer, simultaneamente, uma visão à distância e intermédia de alta qualidade e uma boa visão funcional ao perto, com pouco desconforto visual.

O Professor Doutor Joaquim Murta, líder da equipa clínica da UOC – Unidade de Oftalmologia de Coimbra e professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, destaca o avanço que esta lente significa para a qualidade de vida dos doentes. “Os resultados têm sido extraordinários. Os doentes que tratámos com esta técnica referem que conseguem alcançar uma excelente visão de longe e de média distância e uma grande independência na visão de perto, possibilitando a dispensa dos óculos em praticamente todas as suas atividades. Ao mesmo tempo, referem a ausência de halos e de outras perturbações visuais, mesmo em ambientes com muito pouca luminosidade. Comporta-se como uma lente monofocal mas funciona como uma lente multifocal. Este é, efetivamente, um grande avanço no tratamento da presbiopia associada às cataratas”, sublinha.

“Vamos iniciar, ainda este mês, um estudo comparativo detalhado entre diversos tipos de lentes intraoculares para correção da presbiopia. Temos a convicção de que esta nova lente poderá vir a ser, em breve, a primeira escolha na grande maioria dos doentes sujeitos a cirurgia de catarata”, acrescenta o Professor Joaquim Murta.

Associação Portuguesa de Nutrição recomenda
A Associação Portuguesa de Nutrição revela 10 cuidados para prevenir o cancro.

1. Evite o consumo de alimentos ricos em açúcar e gorduras

A ingestão excessiva de calorias, leva ao ganho de peso corporal, o que para além de aumentar o risco de desenvolvimento de cancro, deixa pouco espaço para o consumo de alimentos saudáveis responsáveis pela sua prevenção.

2. Aumente o consumo de hortícolas e fruta

O seu consumo está relacionado com um menor risco de desenvolvimento de cancro do pulmão, da boca, do esófago, do estômago e cólon, pela sua riqueza em vitaminas, minerais, fibras, antioxidantes e fitoquímicos. Frutos e hortícolas brancos (banana, melão, alho, cebola) são cada vez mais associados à redução do risco de cancro. Os de cor roxa (amora, beringela) e vermelha (morango, tomate), estão directamente relacionados com a diminuição de cancro do tracto urinário. A Organização Mundial de Saúde recomenda um consumo de pelo menos 400 g de hortofrutícolas por dia.

3. Inclua na sua alimentação leguminosas

A sua riqueza em fibras, vitaminas e minerais, contribui para a diminuição de risco de cancro do cólon, estômago, pulmão, útero e ovário. Segundo a nova Roda dos Alimentos, o consumo de leguminosas deve ser de uma a duas porções diárias (uma porção = três colheres de sopa de leguminosas secas ou frescas cozinhadas, cerca de 80g).

4. Consuma cereais integrais

O efeito protector dos alimentos à base de cereais integrais, está especialmente ligado ao cancro do cólon, quer pela sua riqueza em fibras, quer pela existência de hidratos de carbono fermentes cíveis. O consumo de fibra deve ser de 25g por dia.

5. Limite o consumo de carnes vermelhas e carnes processadas

Privilegie o consumo de peixe e carnes brancas (aves, coelho, caça). As carnes vermelhas e as processadas industrialmente (enchidos, fiambre) são ricas em gordura saturada e colesterol, e potencialmente responsáveis pelo aumento do cancro colo-rectal, pulmão, mama, endométrio e próstata. Os peixes gordos (sardinha, salmão), fontes de ácidos gordos ómega-3, apresentam um efeito protector contra o cancro.

6. Limite o consumo de bebidas alcoólicas

As bebidas alcoólicas devem ser bebidas com moderação. O consumo excessivo de álcool aumenta o risco de desenvolvimento de cancro da boca, laringe, faringe e esófago e o risco associado ao álcool é ainda maior quando as pessoas são simultaneamente fumadoras. Se é um adulto saudável, poderá beber até dois copos de vinho por dia (homens) e um copo de vinho (mulheres) e deve fazê-lo às refeições. Faça da água a sua bebida de eleição.

7. Consuma menos sal (fonte de sódio)

Os alimentos processados podem conter quantidades elevadas de sódio, por isso leia os rótulos para saber exactamente o valor de sódio existente no alimento. Lembre-se que poderá ingerir no máximo 5 g de sal por dia. Procure eliminar o sal de mesa, e utilize ervas aromáticas e especiarias para temperar os seus pratos.

8. Tenha cuidado com a preparação dos alimentos

Opte por não ingerir alimentos total ou parcialmente carbonizados. Evite alimentos salgados e fumados. Estes produtos podem conter compostos cancerígenos.

9. Não reutilize as gorduras

Tenha atenção às gorduras que utiliza para cozinhar como a manteiga, margarina e óleos, que se alteram com temperaturas elevadas podendo formar substâncias cancerígenas. Use pouca gordura na confecção de alimentos e prefira azeite ou óleo de amendoim. O azeite, rico nutricionalmente em ácidos gordos moninsaturados, poderá diminuir o risco de desenvolver cancro da mama, cólon, ovário e próstata.

10. Procure ter uma alimentação equilibrada e variada e praticar actividade física

O excesso de peso e obesidade estão relacionados com o aumento de risco de cancro da mama em mulheres após menopausa, cólon, endométrio, rim e esófago. Existe também ligação com cancro do pâncreas, esófago, vesícula biliar, tiróide, ovário e colo uterino.

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro e/ou Farmacêutico.
Combate à Covid-19
As equipas multidisciplinares criadas no âmbito do combate à Covid-19 em cinco concelhos da área Metropolitana de Lisboa...

Profissionais da Saúde, Segurança Social, Proteção Civil/Municípios e forças de segurança têm ido ao terreno sensibilizar a população para as medidas de prevenção da doença, bem como verificar e encontrar soluções para quem necessita de apoio alimentar e realojamento, por exemplo.

Entre os dias 30 de junho e 25 de julho, os elementos das equipas constituídas nos Agrupamentos de Centros de Saúde da Amadora, Lisboa Norte, Lisboa Central, Lisboa Ocidental e Oeiras, Loures-Odivelas e Sintra realizaram ações de rua e visitaram agregados familiares. No total, 7.295 pessoas foram alvo desta intervenção.

Além de contactar pessoas que possam necessitar de ajuda complementar para cumprir o confinamento/isolamento profilático – e assim ajudar a quebrar as cadeias de transmissão da Covid – estas equipas também têm visitado estabelecimentos comerciais e realizados ações de sensibilização à população.

 

 

 

Doentes crónicos
O projeto “PrimaryCare@COVID-19” criou uma plataforma digital ao nível dos cuidados de saúde primários para apoiar e...

Este projeto insere-se no contexto da saúde digital, sendo uma oportunidade para gerir pessoas com doença crónica durante epidemias, evitando que as suas doenças se descontrolem e evita idas desnecessárias aos serviços de saúde e urgência. Esta plataforma digital possui componentes “inteligentes”, como seja algoritmos que permitem um conjunto de alertas para os médicos e enfermeiros.

O projeto é financiado pela Fundação para Ciência e Tecnologia, no âmbito do Research4COVID-19, e resulta de uma colaboração entre a Universidade Nova de Lisboa (UNL) e ARS Lisboa e Vale do Tejo, envolvendo ainda parceiros como o INOV INESC Inovação, na área da inovação, e uma parceria estratégica com a unidade de doenças crónicas do Hospital Universitário de Genebra, Suíça.

Teve início, esta semana, um piloto de demonstração do sistema, envolvendo vários médicos e enfermeiros em três USF da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo: USF das Conchas (Lumiar), USF Jardim dos Plátanos (Miraflores) e USF Ribeirinha (Barreiro), podendo vir a ser adotado por qualquer outra unidade de saúde dos cuidados primários em Portugal. A Equipa de Investigação e Desenvolvimento conta com cinco médicos (Bruno Heleno, Jorge Seixas, Jorge Correia, David Rodrigues e Margarida Conde) e um enfermeiro (Vasco Pedrosa) e vários especialistas de saúde digital (Miguel Mira da Silva, Mélanie Maia, Mariana Santos e João Gregório) na equipa coordenada por Luís Lapão, professor do Instituto de Higiene e Medicina Tropical, da Universidade Nova de Lisboa (IHMT NOVA).

Os doentes crónicos são pessoas particularmente vulneráveis às complicações do COVID. Espera-se que esta plataforma melhore o acesso de pessoas com doença crónica aos cuidados de saúde numa altura de grande sobrecarga dos sistemas de saúde. Além disso, os profissionais de saúde poderão realizar consultas com segurança e rigor evitando que os mais vulneráveis às complicações tenham que ir para salas de espera com muita gente. Finalmente, permitirá reservar os espaços das unidades de saúde para aqueles em que é indispensável a observação presencial por enfermeiro ou médico, reduzindo o risco de contágio dentro das unidades de saúde. Com esta plataforma digital, os profissionais de saúde poderão realizar consultas com segurança e rigor e acompanhar a adesão aos medicamentos, bem como informá-los sobre as medidas da COVID-19.

Investigação
Ensaio clínico usou células estaminais hematopoiéticas expandidas a partir do sangue do cordão umbilical para reduzir...

A conclusão de um ensaio clínico de fase III de transplante de células estaminais hematopoiéticas, expandidas a partir do sangue do cordão umbilical, em pessoas com doenças hemato-oncológica revela que estas células podem reduzir as complicações após um transplante, nomeadamente o risco de infeções e, consequentemente, melhorar o tempo de recuperação destes doentes.

 As pessoas com doenças hemato-oncológicas, comumente conhecidas como cancros do sangue, fazem frequentemente transplantes de células estaminais, para substituir as células da medula óssea danificadas pela quimioterapia ou radioterapia. Estes transplantes podem ser feitos com células da medula óssea, com células estaminais presentes no sangue ou com células estaminais do cordão umbilical. No entanto, os transplantes de medula óssea acarretam um risco elevado para os doentes relacionado com a possível incompatibilidade e rejeição do organismo. Com os transplantes de sangue do cordão umbilical esta rejeição não é tão comum, por isso torna este tratamento mais seguro e vantajoso.

Uma vez que o sangue do cordão umbilical está limitado ao número de células colhidas no momento do parto, a investigação nesta área tem suscitado muito interesse por parte da comunidade científica, especialmente no âmbito da transplantação hematopoiética e da expansão do número de células estaminais colhidas no sangue do cordão umbilical no momento do parto. Os resultados obtidos num ensaio clínico de fase III, acabam de dar mais um passo em direção à expansão das células estaminais hematopoiéticas do sangue do cordão umbilical.

A empresa Gamida Cell, biotecnológica sedeada nos E.U.A, anunciou as conclusões do ensaio clínico de fase III de transplante de células estaminais expandidas a partir do sangue do cordão umbilical, em pessoas com doenças hemato-oncológicas, como leucemias e linfomas. O ensaio clínico envolveu 50 centros de transplantação, pelo mundo inteiro, e permitiu concluir que o tempo de recuperação de neutrófilos (células do sistema imunitário) foi reduzido para 12 dias após o transplante, em vez de 22 dias do grupo de controlo, que recebeu o transplantes de células estaminais do cordão umbilical standard.

Os resultados permitem concluir que a utilização de células estaminais hematopoiéticas expandidas do sangue do cordão umbilical, para o transplante destes doentes, favorece a redução de complicações, como o risco de infeções e, consequentemente reduzem o período de hospitalização.

Em Portugal, a BebéVida desenvolveu um projeto de investigação nesta área com o Instituto de Medicina Molecular (IMM), da Faculdade de Medicina de Lisboa, e a empresa Stemcell2MAX, para testar uma nova molécula de expansão de células estaminais hematopoiéticas.  Neste projeto foram testadas algumas amostras de sangue do cordão umbilical e conseguiu verificar-se uma expansão em alguns casos de até 100 vezes o número de células contidas numa amostra de sangue do cordão umbilical. 

“Os testes que realizámos permitiram provar a capacidade da molécula na expansão das células estaminais hematopoiéticas in vitro, agora o próximo passo é fazer os mesmos testes in vivo e verificar se as células expandidas têm o mesmo comportamento das células originais. Esta avaliação permitirá uma redução do tempo de recuperação de neutrófilos e plaquetas, o que irá encurtar o tempo de recuperação hematológica, minimizando por consequência os riscos associados a um transplante. Este é o desafio que temos em mãos nesta área para o futuro” – afirma João Sousa, Diretor de Qualidade da BebéVida.

Estes resultados sustentam a decisão que muitos pais tomam de criopreservar as amostras de sangue do cordão umbilical em Bancos de Sangue do Cordão Umbilical, alargando o potencial terapêutico destas células.

Opinião
Celebrar o “Dia Mundial da Conservação da Natureza” (28 de julho) é refletir sobre a situação da nat

As Nações Unidas, ao promoverem estas iniciativas, remetem-nos para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (2020), os quais visam promover o desenvolvimento social harmónico e o respeito pela natureza e seus ecossistemas, indispensáveis à sobrevivência das espécies, incluindo a humana.

Ao longo dos anos, o meu contacto diário com os alunos (predominantemente de Medicina) tem-me feito refletir sobre os conteúdos do curriculum e integração das questões de cidadania e justiça ambiental na prática profissional.

Constato com algum desencanto que a vasta maioria dos futuros médicos resolve estas complexas equações baseado no modelo de exame por perguntas de escolha múltipla e nos parágrafos, bem definidos, da bibliografia disponibilizada. Saber fazer perguntas e procurar respostas é muito mais complexo e pouco valorizado.

Felizmente que, ocasionalmente, encontro jovens médicos/médicas e outros profissionais de saúde que compreendem e valorizam o conhecimento e são garantes do futuro.

Neste contexto, regressemos à SPAVC e ao seu meritório contributo para enriquecer o conhecimento e a prática profissional.

Seguem-se alguns exemplos do que não aprendi na faculdade, os quais poderão servir de reflexão, ilustrando a ligação entre a clínica, o doente sintomático, a saúde pública e as políticas públicas e os objetivos da celebração em apreço.

A toxicidade dos metais pesados

Se mencionarmos a doença de Minamata recordar-se-ão, provavelmente, do aparecimento de um elevado número de doentes com diversos e complexos síndromes neurológicos, provenientes da comunidade piscatória de Minamata (Japão). A infeliz situação é um tratado de patologia do sistema nervoso. Os primeiros casos foram diagnosticados em 1956 e estabelecida a associação com a descarga de grandes quantidades de águas residuais industriais contendo metilmercúrio ou seus percursores e o desejável consumo alimentar da produção local – peixe! Um segundo episódio ocorreu na prefeitura de Niigata em 1965. Em 2001 foram reconhecidas oficialmente mais de 2000 vítimas das quais cerca de 80% já tinham falecido. Pelo meio assinale-se a atribuição de algumas compensações aos pescadores e o substancial crescimento económico da comunidade resultante da atividade da indústria. A negligência da empresa, a ocultação de evidência que dispunham e a sua subversão ilustram o desprezo pelo meio ambiente e, consequentemente, pelo ser humano.

Outro exemplo da utilização do mercúrio está associado à corrida ao ouro na Serra Pelada, estado do Pará, Brasil, iniciada em 1979. Para a separação do ouro utilizaram-se vastas quantidades de mercúrio, seguindo modelos de há milénios. A possibilidade de contaminação do peixe e animais que se alimentam do peixe é real, tendo sido documentados teores elevados de mercúrio no cabelo de comunidades indígenas as quais lutam contra a presença dos “garimpeiros”.

Não pode deixar de nos surpreender que tenham tido que decorrer várias décadas após os acontecimentos acima resumidos para que, com o patrocínio das Nações Unidas, apenas tenha entrado em vigor, em Agosto de 2017, a “Minamata Convention on Mercury”, tratado através do qual se pretende alertar para a ocorrência, exploração, usos deste metal e as consequências da sua libertação para o meio ambiente – ar, água e solo e subsequentemente, evitar / controlar a indesejável exposição dos seres humanos.

Nesta breve nota não há espaço para abordar, em detalhe, os riscos associados à exposição ao chumbo, particularmente grave quando ocorre na infância, acarretando atrasos significativos no desenvolvimento psico-motor das crianças. A abolição da gasolina com chumbo, e de tintas contendo o mesmo metal pesado nos brinquedos e nas habitações, assim como o controlo da exposição laboral (os pais transportam consigo, no vestuário, resíduos relevantes) muito têm contribuído para a significativa melhoria verificada, apesar de, entre nós, ser muito escassa a inclusão da avaliação da possibilidade de ocorrência deste “envenenamento” na avaliação neuropsicológica.

Qualidade do ar

São inúmeras as áreas em que a forte evidência acumulada é, sistematicamente, desvalorizada e questionada. Se há tema que, atualmente, deve merecer máxima atenção é a poluição do ar (atmosférico e ar interior) e o seu impacto na saúde dos cidadãos. Grande parte da investigação neste contexto tem-se centrado nos efeitos agudos deste fator de risco, sobretudo sobre o aparelho respiratório.

No entanto, desde a última década do século passado até ao presente, são inúmeros os estudos que têm estabelecido uma sólida relação entre a poluição atmosférica e os efeitos agudos e crónicos sobre os sistemas circulatório e nervoso. Recentemente, Lin e colaboradores analisaram os efeitos a longo prazo numa coorte de seis países de rendimento médio e baixo. Estimou que, em média, 6,5% dos AVC podem ser atribuíveis às partículas finas. Estas encontram-se no ar interior, resultantes sobretudo da combustão de produtos do tabaco e, no ar exterior, resultam das emissões dos veículos automóveis e outros motores de combustão, da queima de madeira e dos fogos florestais.

Podemos questionar-nos sobre o que se passa em Portugal no que respeita à qualidade do ar e as conhecidas recorrentes violações dos limites em áreas específicas do país. Quem observa as emissões de um elevado número de escapes que todos os dias passam por nós, certamente concorda com o parecer resultante da auditoria à qualidade do ar do Tribunal de Contas, disponibilizado recentemente:

“Portugal tem boas políticas sobre a qualidade do ar, mas falha noutros aspetos, como a sua concretização e acompanhamento, falta de recursos e falta de informação”.

Esta situação ilustra a crónica falência de que sofre a nossa sociedade – boas ideias e más práticas, das quais resultam riscos e um peso enorme para a saúde das populações.

Passar do conhecimento à ação de Saúde Pública será, inquestionavelmente, um dos pilares do nosso futuro.

Prof. José Manuel Calheiros
Professor Catedrático Convidado da Universidade Fernando Pessoa e Professor Catedrático Jubilado da Universidade da Beira Interior
Membro da Comissão Científica da Sociedade Portuguesa do AVC

 

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Sintomas e tratamento
Embora sempre que se fala de Hepatite tenhamos a tendência para pensar nas hepatites víricas, existe

A hepatite corresponde a uma inflamação no fígado que, dependendo do agente que a provoca, se pode resolver apenas com repouso, requerer tratamentos prolongados, ou, em casos mais graves, só se resolver com um transplante de fígado.

De acordo com Rui Tato Marinho, a hepatite pode ser uma “hepatite alcoólica (excesso de consumo de álcool), hepatite medicamentosa, hepatite tóxica (poderemos pensar num produto tóxico, até pode ser um produto natural), hepatite isquémica (falta de sangue), esteatohepatite (excesso de gordura no fígado, fígado gordo), hepatite autoimune”.

Os diferentes tipos de Hepatite

Hepatite Medicamentosa

Segundo o especialista em gastrenterologia, “quase todos os medicamentos podem provocar lesão hepática”. No entanto, destaca o paracetamol, alguns antibióticos - entre eles a combinação de amoxicilina e ácido clavulânico - anti-inflamatórios e anti-depressivos como os “mais agressivos” para o fígado e que, mais frequentemente, causam a inflamação deste órgão. Rui Tato Marinho, chama a atenção ainda para “os ditos produtos naturais” que podem estar na origem da Hepatite Tóxica.

Quase sempre assintomática neste tipo de hepatite “apenas se regista alteração das análises do fígado (ALT, GGT)”. No entanto, acrescenta o especialista, “quando existem sintomas, nomeadamente icterícia, a situação pode complicar-se”. Por isso, tenha cuidado! Siga sempre as instruções do seu médico no que diz respeito à utilização de medicamentos.

Hepatite Autoimune

De acordo com o Presidente Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia, este tipo de hepatite ocorre “quando substâncias do próprio organismo auto lesionam o fígado. Podem ser graves, evoluir para cirrose, nalguns casos necessitar de transplante hepático”, explica acrescentando que são as mulheres as que correm maior risco de desenvolver algumas patologias autoimunes, como é o caso deste tipo de Hepatite.

O seu tratamento é feito com recurso a corticoides, “que podem ser associados a outros fármacos imunossupressores (…) que vão controlar as nossas defesas (para não provocarem lesões no fígado”. Segundo explica, apesar do medo generalizado da utilização deste tipo de fármacos, graças aos “potenciais efeitos secundários”, diz, “tem que se ter a noção de que salvam vidas”. E faz saber: “os casos que segui que necessitaram de recorrer a transplante eram pessoas que não cumpriram a medicação”.

Cansaço, olhos amarelos são alguns dos sintomas que podem lançar a suspeita deste diagnóstico, no entanto, Rui Tato Marinho, reforça “a necessidade de realizar análises ao fígado, incluindo neste caso os autoanticorpos, as tais substâncias que se viram contra o próprio organismo e destroem o fígado”.

Hepatite Alcoólica

A hepatite alcoólica é um tipo de hepatite causada pelo uso prolongado e excessivo de bebidas alcoólicas que, ao longo do tempo, provoca alterações no fígado e leva ao aparecimento de sintomas como fortes dores abdominais, náuseas, vómitos e perda de apetite, por exemplo. Quando não tratada, com abstinência alcoólica, pode evoluir para cirrose ou a insuficiência hepática. Os cuidados alimentares também são importantes para o seu tratamento.

Esteatohepatite

Vulgarmente conhecida por Fígado Gordo, a Esteatose Hepática é já considerada a doença do fígado mais frequente, embora pouco se oiça falar dela.  Atingindo mais de um milhão de portugueses, esta condição resulta da acumulação de triglicéridos e ácidos gordos livres nas células do fígado que, em casos mais graves e avançados, pode evoluir para cirrose.

As Hepatites Víricas

Provocadas por vírus, as mais frequentes são a hepatite A, B e C.

Hepatite A – provocada pelo vírus VHA, a sua transmissão “está associada a alguma quebra nas regras de higiene, mãos mal lavadas, alimentos contaminados, prática de sexo em grupo (homens com homens), viagens a continentes de risco como África e Ásia”.

Não existindo um tratamento específico, “apenas quando em casos raros as lesões do fígado são tão graves que implica um transplante hepático”, a melhor forma de prevenção é feita através da vacinação. “Eficaz em 95% dos casos”, explica Rui Tato Marinho, a vacina é “dada em duas doses, por via intramuscular”.

Hepatite B – é aquela que infeta mais pessoas no mundo - cerca de 250 milhões de pessoas. Segundo o especialista, “há países em que 10% da população é portadora crónica do vírus, sendo um reservatório ambulante e potencialmente infecioso e contagiante”.

Quanto à forma de transmissão, este vírus, também conhecido como por VHB, pode transmitir-se da mãe para o Filho se esta estiver infetada e o filho não for vacinado logo que nasce; por via sexual, por contacto com material injetável, ou perfurante contaminado por alguém que tenha o vírus ativo.

“Na grande maioria dos casos não existem sintomas, é assustadoramente uma hepatite silenciosa. Quando surgem sintomas é habitualmente na fase da cirrose avançada (icterícia, barriga de água, alterações mentais) ou do cancro do fígado”, explica o médico que recomenda a vacinação e a prática de relações sexuais protegidas como arma contra o vírus.

Hepatite C – provocada pelo vírus VHC, estima-se que, em todo o mundo existam 71 milhões de pessoas infetada. Em Portugal, contabilizam-se cerca de 40.000 com a doença.

Sendo muito silenciosa, cursando praticamente sem sintomas durante anos, quando surgem as primeiras manifestações, é quase sempre tarde demais. “Em cerca de 25% dos casos pode evoluir para cirrose, que é um estado de destruição do fígado em que as suas células morrem, formam-se cicatrizes e a sua estrutura fica muito desorganizada. A cirrose tem um risco elevadíssimo de evolução para cancro do fígado, 10-40% ao fim de 10 anos. O cancro do fígado é daqueles com pior prognóstico”, esclarece Rui Tato Marinho adiantando que o principal desafio quanto a este tipo de hepatite é conseguir identificar quem está infetado pelo VHC. E, tendo em conta que o tratamento com os antivíricos durante 2 a 3 meses, apresentam uma eficácia de quase 100%, o que significa que esta é uma doença que tem cura e que facilmente poderia ser erradicada, o Presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia admite que só temos três hipóteses: “ou testamos aqueles que pensamos serem de elevado risco, ou testamos pelo menos uma vez na Vida, ou testamos todos os portugueses. O mais racional é associar as duas primeiras estratégias”.

As principais complicações associadas à Hepatite C são: cirrose, cancro do fígado e mesmo morte. Segundo o especialista, “a cirrose pode, ao fim de 20-30 anos descompensar. Nesta situação só um transplante, se for exequível, pode salvar a vida. Na fase de “descompensação” tem que se pensar em substituir o fígado com um transplante hepático, se se tiver até 65-70 anos e não existirem contraindicações”. Tato Marinho adianta ainda que “Portugal tem sido um dos países do Mundo com um dos melhores programas de transplantes hepáticos”, chegando a realizar-se cerca de 250 por ano.  

Hepatite D – “É a chamada Hepatite Delta”, começa por explica Rui Tato Marinho. Trata-se, como esclarece, de um vírus “defeituoso” que precisa do vírus da hepatite B para viver. “Pode aparecer ao mesmo tempo do que a hepatite B, a chamada coinfecção ou surgir em quem já tem hepatite B, apelidando-se assim de superinfeção”, afirma. Muito rara em Portugal, “foi relativamente frequente há cerca de 20-30 anos em jovens consumidores de drogas”.

Com uma evolução rápida para a cirrose, não há um tratamento eficaz para este tipo de hepatite, no entanto, “a vacina da hepatite B previne também a hepatite Delta”.

No mundo, prevalecem alguns casos no Brasil, na região da Amazónia, em algumas zonas da Venezuela, e em alguns países de Leste.

Hepatite E – “A hepatite E é também mais uma das cinco principais hepatites víricas. Nas formas de transmissão é um pouco semelhante à hepatite A, ditas de transmissão fecal-oral. Ou seja, associadas a má higiene, mãos sujas ou alimentos contaminados, mas lavados”, começa por explicar o especialista acrescentando que “uma das caraterísticas principais é ser uma zoonose, pois pensa-se que se transmita do porco, javali para o Ser Humano. Não é só o coronavírus. Há estudos que demonstraram que talvez 4% dos portugueses possam ter tido contacto com este vírus”.

Embora se pensasse que este vírus só existiria no continente asiático e em África, ou seja, zonas de menor desenvolvimento económico, a verdade é que há casos de Hepatite E no continente europeu, inclusivamente em Portugal.

“Em Portugal é uma das causas mais raras de hepatite aguda. Não obstante, devemos sempre pensar na hepatite E neste contexto”, chama a atenção o médico afirmando que o seu diagnóstico é fácil, uma vez que existem testes serológicos para o efeito, mas apenas se tivermos presente que este vírus existe.

“É muito grave nas grávidas onde chega a ter 25% de evolução fatal. Em doentes com as defesas em baixo (ditos imunossuprimidos, por exemplo transplantados) pode evoluir para cirrose. Existe vacina, mas não está comercializada na Europa. A Hepatite E tem sido responsável por grandes epidemias na China e restante continente asiático”, refere o Presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia.

Hepatite G – “Em tempos falou-se muito de um eventual novo vírus chamado de G, que poderia estar associado a uma hepatite G. O vírus foi isolado de um cirurgião cujas iniciais seriam GB. Pensa-se que a forma de transmissão seja semelhante à hepatite C e B (sangue e sexo)”, no entanto, afirma o especialista, não tem significado em termos epidemiológicos e clínicos.

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Protocolo
O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e a Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM) assinaram, no início...

A ANEM é uma federação que representa os estudantes de medicina das oito escolas médicas portuguesas. O protocolo celebrado com o INEM visa agilizar e formalizar a realização de estágios nos diversos meios de emergência, contribuindo para uma melhor integração dos conhecimentos adquiridos pelos estudantes, designadamente no âmbito da emergência médica pré-hospitalar e do Sistema Integrado de Emergência Médica.

O protocolo vai permitir também que os estudantes de medicina participem em ações de masstraining de SBV, reforçando a Bolsa de Monitores do INEM para estas ações. Estas ações visam ensinar cidadãos de todas as idades sobre como atuar caso se deparem com uma vítima em paragem cardiorrespiratória.

Este protocolo prevê também a realização de diversos cursos de Suporte Básico de Vida e Desfibrilhação Automática Externa, nas respetivas Delegações Regionais do INEM a estudantes de medicina.

O INEM e a ANEM comprometem-se, ainda, a promover e colaborar na realização de conferências e workshops na área da Emergência Médica.

 

Teste do pezinho
O número de nascimentos em Portugal aumentou ligeiramente no primeiro semestre deste ano, totalizando 42.149, mais 11 face a...

De acordo com os dados do Programa Nacional de Diagnóstico Precoce, coordenado pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), este é o valor mais elevado desde 2017, ano em que foram rastreados 41.689 bebés nos primeiros seis meses do ano.

Janeiro foi o mês que registou o maior número de “testes do pezinho” realizados (8.043), seguido de março (7.182), abril (7.067), junho (7.048), maio (6.910) e fevereiro (5.899).

Segundo os dados avançados à agência Lusa, Lisboa foi a cidade que registou o maior número de nascimentos (12.478), seguida do Porto (7.707) e de Braga (3.283).

Nas regiões autónomas da Madeira e dos Açores nasceram 859 e 1.016 bebés, respetivamente.

Os números indicam que, no total, 2019 foi o ano que registou o valor mais alto dos últimos quatro anos, com 87.364 recém-nascidos estudados. Em 2018, tinham sido 86.827 e no ano anterior 86.180.

 

População vulnerável
O Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central (CHULC) e o Grupo de Ativistas em Tratamentos (GAT) associam-se no objetivo...

Ao abrigo de um protocolo assinado pelas duas entidades, o serviço de Gastrenterologia do CHULC, que funciona no Hospital de Santo António dos Capuchos, inicia uma consulta descentralizada no centro de rastreiro IN-Mouraria, que se destina à prestação de cuidados assistenciais e tratamento a Pessoas que Usam/usaram Drogas (PUD) e Pessoas em Situação de Sem Abrigo (PSSA) infetadas com o vírus da hepatite C (VHC). As PUD e PSSA estão entre as populações mais atingidas pelo VHC, que maiores dificuldades têm em se deslocar aos hospitais e que mais ficam para trás no acesso aos tratamentos do VHC.

A recente transformação do Serviço de Gastrenterologia do CHULC em Centro de Responsabilidade Integrado (CRI) constitui um incentivo para a promoção desta resposta na comunidade, tendo ainda em conta o compromisso de Portugal em atingir os objetivos da Organização Mundial da Saúde (OMS) e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) para a eliminação das hepatites virais.
O serviço do GAT IN-Mouraria, aberto em 2012, é reconhecido publicamente pela OMS e pelo Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (EMCDDA) como centro e exemplo de inovação e boas práticas.

O projeto da consulta descentralizada foi desenvolvido no ano passado, antes do aparecimento da pandemia, mas é particularmente pertinente no atual contexto, estando em sintonia com as medidas preventivas da Direção Geral da Saúde: minimização das deslocações ao hospital, distanciamento social, descentralização da consulta médica e recurso à telemedicina. Esta consulta pode constituir um case study para modelos de tratamento de outras patologias e de outras populações vulneráveis no contexto da Covid-19.

No âmbito deste trabalho conjunto, o GAT irá referenciar para a consulta realizada pelo CHULC, pessoas que tenham um resultado positivo no rastreio à infeção por VHC, onde serão realizados procedimentos clínicos, como a confirmação da infeção, análises,
elastografia, prescrição e avaliação do sucesso terapêutico. A medicação prescrita pelo CHULC será levantada pelo GAT com o consentimento informado dos doentes e dispensada no centro IN-Mouraria, com a possibilidade de programa de toma assistida.
As consultas médicas podem ser presenciais ou por telemedicina, sendo que o GAT assume a responsabilidade da gestão de cada caso, através da equipa de enfermagem e de técnicos de rastreio pares e gestores de caso.

 

Mais de 4 mil assinaturas reunidas
A Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP) recolheu 4 329 assinaturas para a petição “Quantos somos com diabetes...

“A concretização de um registo nacional da diabetes tipo 1 é fundamental para que possamos construir uma estratégia de apoio às pessoas com diabetes tipo 1, com real impacto na promoção e qualidade das suas vidas, com informação fidedigna. O período de pandemia da COVID-19 tornou ainda mais urgente esta fonte de dados para conseguirmos ter uma melhor definição de políticas de saúde relacionadas com o enquadramento de novas perspetivas terapêuticas a nível imunológico e tecnológico”, refere José Manuel Boavida, presidente da APDP.

José Manuel Boavida reforça ainda que “a saúde está perante uma era de inovação que se traduz num período de esperança de novos caminhos terapêuticos”.

“Falamos de pessoas, crianças, jovens e adultos que não vivem sem insulina. E, apesar do aumento da incidência e prevalência da diabetes tipo 1, não temos um programa estruturado e coerente que aborde integradamente esta doença. Estamos a falar de um universo entre as 30 e 75 mil pessoas”, conclui João Filipe Raposo, diretor clínico da APDP.

Esta petição tem o apoio da Associação Mellitus Criança, do Grupo DiabéT1cos, da Sociedade Portuguesa de Diabetologia, da Secção de Endocrinologia e Diabetologia Pediátrica da Sociedade Portuguesa de Pediatria e do Núcleo de Estudos da Diabetes Mellitus da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna.

 

 

Saiba como se pode proteger
A diarreia aguda é mais prevalente nos meses de calor e é um motivo frequente de ida às urgências.

“No verão, os nossos alimentos, as substâncias orgânicas estão mais quentes e os micro-organismos multiplicam-se com maior facilidade. Há o risco de os alimentos terem grandes cargas desses micro-organismos patogénicos, capazes de provocar doença”, explica. Por outro lado, lembra que nesta época do ano há uma tendência para comermos mais frutas, vegetais e outros alimentos não cozinhados, pelo que “é fundamental que estes estejam bem lavados e sejam consumidos antes de estarem expostos ao calor, para não se deteriorarem”. 

Para o especialista, a prevenção é o melhor remédio para não transformar um agradável passeio em família num pesadelo. Jorge Fonseca sublinha que as pessoas devem, por isso, ter especial cuidado na escolha dos locais onde fazem as refeições, na forma como acondicionam os alimentos quando levam comida para consumir fora de casa, assim como devem optar por bebidas engarrafadas e lavar frequentemente as mãos. “Num dia de calor, as fontes podem ser tentadoras para matar a sede, mas é preciso ter cuidado porque a água pode estar contaminada. Daí que não seja apenas importante ter em conta a qualidade dos sumos, a água a copo e o gelo que se coloca nas bebidas que se consomem em bares ou restaurantes”, acrescenta.  

O médico recomenda também atenção redobrada para os locais escolhidos para tomar banho. “As praias fluviais, os rios e as piscinas, regra geral, não têm uma monitorização tão sistemática como a água do mar, portanto devemos optar por locais onde haja plena confiança na qualidade da água”, explica. 

Prevenção 

A maioria dos casos de diarreia aguda está relacionada com bactérias patogénicas (como a Escherichia coli, Salmonella, Shigella ou a Campylobacter jejuni) ou com vírus (norovírus, rotavírus), embora possa também ser provocada por parasitas. “Os intestinos estão repletos de micro-organismos. Na realidade um metro de intestino grosso tem mais micro-organismos do que nós temos células humanas. Uma infeção no intestino não são exatamente micro-organismos a crescer em quantidade, como acontece noutros órgãos. São desequilíbrios na microbiologia intestinal, ou seja, do ecossistema das bactérias que habitualmente defendem o intestino e o mantêm equilibrado”, refere Jorge Fonseca.  

“As diarreias agudas são habitualmente muito breves, um a três dias, e são frequentemente autolimitadas, ou seja, desaparecem espontaneamente. Contudo, o melhor conselho é a prevenção. Por isso, além dos cuidados que mencionei, as pessoas, antes de irem de férias, devem procurar o seu médico ou farmacêutico para terem consigo medicamentos que tratem a diarreia aguda e que sejam capazes de restabelecer a flora intestinal alterada, a tomar em caso de necessidade e sob a orientação prévia desse médico ou farmacêutico”, afirma o especialista.  

Existem medicamentos que contêm eles próprios micro-organismos vivos, os quais combatem os agentes invasores, prevenindo e reduzindo a duração da diarreia1. Estes podem ser incluídos nas caixas de SOS que habitualmente levamos para férias, juntamente com os auxiliares no tratamento e desinfeção de feridas, analgésicos, repelentes, etc. 

Quando recorrer à urgência 

Para o gastroenterologista, “nos casos de diarreia simples (cinco a seis dejeções por dia de fezes moles), sem febre superior a 37,5ºC, sem mal-estar excessivo, as pessoas não se devem expor ao risco de se deslocarem a um serviço de urgência, em particular no atual contexto de pandemia”. Ao contrário, “devem ir ao médico perante uma diarreia prolongada acompanhada, por exemplo, de febre elevada, sangue nas fezes ou sinais de desidratação (prostração, vómitos, falta de força ou pressão arterial baixa)”. 

Tratamento 

A desidratação pode ser particularmente preocupante nas crianças, nos idosos e doentes crónicos. Em caso de diarreia, Jorge Fonseca recomenda a reidratação com água e chá de ervas, para serem bebidos com frequência e em pequenas quantidades. Sugere que se evitem os alimentos demasiado ricos em fibras ou em gorduras. A reintrodução de alimentos deve ser gradual, para verificar se são bem tolerados. 

Em relação às crianças, o médico defende que não devem ser forçadas a comer quando não têm apetite, mas alerta que é muito importante mantê-las hidratadas (fórmulas de reidratação oral, água, água de arroz, etc.) e vigiar os níveis de glicose no sangue e o equilíbrio eletrolítico. “Quando a criança estiver mais recetiva pode começar por comer pequenas quantidades de carne branca magra, arroz, massa tipo macarrão ou batata cozida, pão branco torrado e alguma fruta, como a banana e a maçã”, explica. 

Referências: 
1 - Vários estudos mostram que a levedura Saccharomyces boulardii CNCM I-745 tem um efeito protetor. Trata a diarreia e reduz a duração da mesma: 1. ESPGHAN Working Group for Probiotics and Prebiotics. Use of Probiotics for Management of Acute Gastroenteritis: a position paper by the ESGHAN Working Group for Probiotics and Prebiotics, JPGN, 58 (4), april 2014: 531-539 | 2. Guarino A. et al. European Society for Pediatric Gastroenterology, Hepatology, and Nutrition/European Society for Pediatric Infectious Diseases Evidence-Based Guidelines for the Management of Acute Gastroenteritis in Children in Europe: Update 2014. JPGN Volume 59, Number 1, July 2014 | 3. WGO Global Guideline Probiotics and prebiotics. October 2011.4. McFarland, L V. Systematic review and meta-analysis of Saccharomyces boulardii in adult patients. World J Gastroent 2010 May 14; 16 (18): 2202-22222. 3- Burande. J Pharmacol Pharmacother. 2013 Jul-Sep; 4(3): 205-208 | 4- Villarruel G, Rubio OM, Lopez F, et al. Saccharomyces boulardii in acute childhood diarrhoea: a randomized, placebo-controlled study. Acta Paediatr. 2007;96(4):538-41. 

Fonte: 
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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Innovation Lab Talks Webinar Cycle
Coordenação, forte capacidade de adaptação e estreita colaboração entre todas as entidades operacionais no terreno são fulcrais...

Uma forte capacidade de adaptação e coordenação entre todas as entidades, são pontos fulcrais para a recuperar a sociedade após um desastre natural. Esta foi a opinião expressa pelos convidados da sessão “Logistics Reconstruction in a Post-Natural Disaster Scenario”, a última do “Innovation Lab Talks Webinar Cycle – How to Adapt Logistics to Extreme Situations?”, organizado pela APP – Advanced Products Portugal, com o objetivo de debater a capacidade de adaptação da logística portuguesa a situações extremas.

Tendo como situação um desastre natural, a terceira sessão teve como convidados Tânia Barbosa, Director of International Department da AMI, Tiago Garcia, Transport Center Manager da Luís Simões, José Cordeiro, Product/Supplier Quality Manager da Auchan e Manuel Pizarro, CEO da APP, que debateram em conjunto a resposta da logística neste cenário.

Tânia Barbosa, Director of International Department da AMI, destacou a importância da colaboração entre os vários atores envolvidos, assim como o prolongamento de sinergias pré-existentes e a sua aplicabilidade nos territórios afetados. A avaliação correta da complexidade da situação em curso é fundamental para resolver os problemas imediatos de uma situação de crise humanitária e a sua priorização adequada. Já Tiago Garcia, Transport Center Manager da Luís Simões, referiu que embora o mundo esteja a sofrer cada vez mais com desastres naturais de vários tipos, a tecnologia que dispomos atualmente permite dar resposta adequada. O mesmo responsável considera também que é importante que as organizações tenham a capacidade de investir para além do imediato, de forma a poderem se preparar para situações inesperadas. José Cordeiro, Product/Supplier Quality Manager da Auchan, destacou a importância de encontrar os recursos necessários rapidamente e que para tal uma excelente relação de confiança construída com os fornecedores é vital, assim como a identificação de parceiros noutras regiões ou continentes que permitam manter o fluxo de abastecimento. Numa situação de emergência a facilidade de utilização dos equipamentos por qualquer pessoa independentemente da sua formação e conhecimento, garantido a qualidade e o fornecimento de medicamentos e outros bens essenciais, foi um dos pontos destacados por Manuel Pizarro, CEO da APP. O líder da APP salientou ainda a importância dos investimentos prévios e a coordenação das entidades no terreno para que a ajuda seja dada a quem precisa, sem desperdícios e entropias.

O ciclo “Innovation Lab Talks Webinar Cycle – How to Adapt Logistics to Extreme Situations?” foi composto por 3 sessões. Cada sessão dedicou-se a analisar um cenário extremo específico. Os cenários analisados ao longo do ciclo foram: How Can Logistics Handle a Technological Crash?  Modelling Logistics in Response to Bioterrorism e Logistics Reconstruction in a Post-Natural Disaster Scenario.

O mundo pós pandemia
Requalificar os trabalhadores é fundamental para nos ajudar a evitar o pior da crescente crise económica e garantir um mundo de...

Já a 27 de maio de 2020, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) estimou que 94% da força de trabalho global vive em países com medidas ativas de confinamento e fecho do local de trabalho. Empresas de vários setores estão a enfrentar perdas catastróficas, que resultam em milhões de trabalhadores vulneráveis ​​a demissões. Enquanto isso, os últimos meses também viram uma rápida aceleração de três tendências principais: desglobalização, digitalização e consolidação empresarial.
 
Com os hábitos do consumidor a mudarem para o consumo on-line, as empresas tiveram de responder rapidamente com planos de "transformação digital" em meses, em vez de anos. Este é um cenário único - milhões de desempregados, por um lado, e necessidades de competências em rápida evolução e crescimento, por outro. Há uma oportunidade para o primeiro resolver o problema do segundo. Com isso, é urgente que empresas, governos e organizações de trabalhadores unam forças e ofereçam à força de trabalho global caminhos claros de qualificação.
 
Na Adecco acreditamos que as competências de hoje não corresponderão aos empregos de amanhã, e as competências recém-adquiridas podem rapidamente tornar-se obsoletas, e esse é um passo necessário para a recuperação económica. A boa notícia é que alguns investimentos em novas competências, no reskilling já estão em curso.
 
Conforme sustenta também, um estudo desenvolvido pela Adecco Portugal, entre Maio e Junho de 2020, a empresas nacionais de vários setores de atividade, em termos de competências, as empresas apostam nitidamente na requalificação (45% do total de empresas analisadas), e outras apostam na extensão das competências existentes (35%).
 
Com base nestas conclusões, a Adecco ajuda a decifrar o que é o reskilling, quanto tempo pode demorar e o investimento que pode significar para as indústrias.
 
O que significa um Reskilling?

O conteúdo é algo único na qualificação. Não se trata apenas de um meio de aprendizagem, mas de aprender a serviço de um resultado, que geralmente é a transição bem-sucedida para um novo trabalho ou a capacidade de assumir novas tarefas. Significa não apenas aprendizagem de competências técnicas específicas do trabalho, mas também à aquisição de competências essenciais, como adaptabilidade, comunicação, colaboração e criatividade.

Os três formatos podem ser desde o regresso à universidade ou instituição de ensino, ou a A aprendizagem não formal que envolve atividades de aprendizagem organizadas por um formador ou por um empregador com certificação ou a aprendizagem informal que envolve a aprendizagem de colegas e supervisores ou mesmo durante atividades de lazer.

Investimento financeiro está provado que pode custar até menos seis vezes do que contratar no mercado. Embora esse cálculo varie significativamente com base na ocupação e na função do emprego, apresenta um forte argumento para empregadores e governos considerarem os custos de requalificação de uma perspetiva holística.

Quanto tempo demora uma requalificação?
A resposta bem popularizada (e criticada) a essa pergunta é do psicólogo K. Anders Ericsson, que afirma que são necessárias 10.000 horas de prática deliberada para obter conhecimento. Dan Coyle, autor do The Talent Code, alternativamente, fala sobre o valor de um compromisso consciente e de longo prazo.
Na Adecco acreditamos que a resposta pode variar de pessoa para pessoa. Mas é seguro dizer que aqueles que desejam uma requalificação de sucesso devem estar prontos para dedicar um tempo significativo a aprender.
 
Como podemos tornar o requalificar uma realidade para todos?
Dado o que sabemos sobre a qualificação, os seus vários formatos, custos e quanto tempo pode levar, acreditamos que existem três políticas concretas que governos e organizações podem implantar para disponibilizá-las a todos.
 
Criar e capacitar conselhos de competências do setor (CCS). Os CCS são organizações sem fins lucrativos focadas em ajudar um único setor a definir e fechar as suas lacunas de competências. Esses grupos geralmente colaboram com os órgãos governamentais relevantes para fornecer aos representantes das organizações de empregadores e de trabalhadores informações críticas sobre novas competências críticas. Por exemplo, no setor de tecnologia, o Tech Partnership Degrees no Reino Unido é um CCS que reúne empregadores e universidades para “melhorar o fluxo de talentos na força de trabalho digital”.
 
Apoios a pequenas empresas. Pequenas e médias empresas (PMEs) geralmente precisam de mais recursos financeiros e técnicos para qualificar os seus funcionários. O apoio do setor público é vital e destina-se a ajudar as PME a identificar as necessidades de competências nas suas organizações, bem como a planear ações de formação coordenadas.
 
Tornar o reskilling mais acessível a funcionários individuais. Todos os funcionários devem ter acesso a algum tipo de apoio ao desenvolvimento de carreira, financiado por uma mistura de contribuições pessoais, investimento do empregador e patrocínio do Estado. Alguns países já lideram o caminho.

Tecnologia de elevada precisão
O sistema mede a temperatura corporal com precisão e rapidez e deteta pessoas com sintomas de febre, uma capacidade essencial...

A gestora dos aeroportos espanhóis Aena entregou à Indra, uma das principais empresas mundiais de tecnologia e consultoria, a implementação do sistema de controlo de temperatura de passageiros, através da instalação de câmaras termográficas em 13 dos seus aeroportos mais movimentados em termos de tráfego aéreo e passageiros. A Aena está a trabalhar em estreita colaboração com a Autoridade Espanhola de Saúde Exterior nas operações de vigilância e controlo, fornecendo os meios tecnológicos necessários para a instalação e uso de câmaras termográficas.

O contrato foi adjudicado à Indra num processo de concurso público. As câmaras da Indra foram instaladas nos aeroportos: Adolfo Suárez Madri-Barajas, Josep Tarradellas Barcelona-El Prat, Palma de Maiorca, Málaga-Costa del Sol, Alicante-Elche, Ibiza, Gran Canária, Tenerife Sur, Valência, César Manrique- Lanzarote, Sevilha, Fuerteventura e Menorca.

O sistema inclui câmaras fixas na zona de chegadas e câmaras móveis de backup, que permitirão realizar verificações aleatórias em qualquer lugar do terminal.

A tecnologia usada pela Indra distingue-se pela sua elevada precisão e sensibilidade. Os sensores termográficos das câmaras possuem um ponto de referência (black body) com uma temperatura fixa que garante a precisão.

Além disso, esta é uma solução inteligente que deteta de forma autónoma o passageiro sem exigir que este se imobilize ou fique a uma distância específica. É capaz de reconhecer o rosto da pessoa e identificar as áreas cobertas pela máscara, boné ou outros adereços, selecionando o local ideal para uma medição precisa da temperatura, sem qualquer intervenção humana.

A solução oferece mais segurança aos passageiros sem causar atrasos nas suas deslocações; também reduz ajuntamentos nos pontos de controlo e minimiza os riscos para os funcionários do aeroporto.

A capacidade desta solução para detetar pessoas com febre num aeroporto ou em qualquer outro meio de transporte é essencial para evitar contágios.

Esta tecnologia de controlo de temperatura, identificação e alerta de sintomas de doença faz parte da linha de soluções Mova Protect da Indra e está integrada num conjunto de sistemas para a gestão e controlo da mobilidade de pessoas e passageiros em diferentes meios de transporte.

Aeroportos seguros com a tecnologia da Indra

A pandemia de Covid-19 forçou aeroportos em todo o mundo a reduzir ao mínimo a sua atividade. O processo de regresso à normalidade que estão a enfrentar atualmente exige a implementação de tecnologias inovadoras. Entre as tecnologias atualmente oferecidas pela Indra, destacam-se:

Soluções de Passenger Flow para controlar o fluxo de passageiros em qualquer ponto do terminal. Big Data ou Inteligência Artificial ajudam a gerir com eficiência os espaços interiores e os recursos associados, especialmente nas zonas em que possam existem ajuntamentos de indivíduos: balcões de check-in, controlo de segurança, pontos de informação ou portas de embarque.

Estas tecnologias também permitem prever as necessidades dos passageiros e o seu comportamento, conseguindo assim uma gestão mais eficiente das operações, especialmente no contexto atual, em que se estão a implementar processos de inscrição ou alocação de intervalos de tempo (slots) para voos de chegada.

Estas soluções fazem parte da Indra Mova Solutions, a resposta mais eficaz aos desafios que o setor enfrenta, com uma gama de soluções de ponta a ponta que facilitam a digitalização na gestão de qualquer infraestrutura de transporte e garantem a máxima proteção e mobilidade para os passageiros. Estas soluções também aumentam a capacidade efetiva, a segurança, a sustentabilidade e a eficiência da infraestrutura.

A plataforma de gestão da informação de segurança física (iSIM) da Indra é uma ferramenta que fornece uma visão única do que está a acontecer a cada momento no aeroporto e facilita um controlo integral de todos os sistemas de videovigilância, controlos de acesso, megafones e deteção de intrusos, bem como sistemas de medição de temperatura dos passageiros, através de câmaras termográficas.

A solução ajuda o gestor do aeroporto a implementar procedimentos padronizados para assegurar a segurança, de maneira rápida e flexível.

A Indra tem mais de 30 anos de experiência no desenvolvimento e implementação de soluções para o setor de transporte e mobilidade e fornece soluções que ajudam a transformar um aeroporto digital “Smart” num aeroporto “Touchless”.

Doença afeta maioritariamente pessoas com mais de 70 anos
O Hospital do Espírito Santo de Évora realizou a primeira implantação de uma válvula aórtica através da técnica minimamente...

Para Lino Patrício, que liderou a equipa multidisciplinar “O hospital executou um plano específico a vários níveis para assegurar condições similares às de outros centros nacionais, com cardiologia de intervenção, cirurgia cardíaca, anestesista, imagiologia, enfermagem e técnicos treinados. Dispusemos de equipamentos de assistência circulatória em caso de emergência, o que raramente acontece, mas é indispensável pois, apesar de ser já uma rotina em muitos locais, trata-se de um procedimento altamente diferenciado por cateterismo”. 

O coordenador do CRI Cérebro-cardiovascular acrescentou “Esperamos assim desenvolver uma resposta multidisciplinar em parceria para que os doentes que necessitam de tratar a estenose aórtica possam, doravante, ser avaliados e tratados em proximidade”.

A técnica minimamente invasiva para implante de uma válvula aórtica foi introduzida em Portugal há 12 anos e constitui, para muitos doentes, a única opção, possibilitando uma rápida recuperação dos doentes.

Para Rui Campante Teles, coordenador do Registo Nacional de Cardiologia de Intervenção (RNCI) da APIC: “Existem diversas barreiras que têm limitado o crescimento da técnica em Portugal, sobretudo a escassez no número de salas de hemodinâmica e de cardiologistas de intervenção. A expansão do tratamento tem ocorrido em paralelo com a sua segurança e projetos no SNS como este, tal como outros lançados por equipas multidisciplinares de Heart Team há vários anos em centros privados, terão certamente um papel na aproximação à prática Europeia e à mitigação das desigualdades no acesso à saúde cardiovascular das populações. É importante organizar e aumentar os recursos para a intervenção cardíaca e atrair mais cardiologistas e cirurgiões cardíacos treinados aos laboratórios de hemodinâmica para que os doentes tenham a reposta que necessitam” concluiu.

Segundo os dados do RNCI, em 2019, foram realizados 746 VAP, o correspondente a uma média de 72 procedimentos por milhão de habitante, ainda bastante inferior à maioria dos países europeus. Assim, em Portugal, estes procedimentos minimamente invasivos da válvula aórtica estão agora disponíveis em 8 centros cardiológicos do Serviço Nacional de Saúde (Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/Espinho, Hospital de São João, CHUC, Hospital de Santa Marta, Hospital de Santa Cruz, Hospital de Santa Maria, Hospital do Funchal e Hospital do Espírito Santo de Évora) e em vários centros privados.

Para aumentar a consciencialização para a estenose aórtica, a APIC está a promover a campanha Corações de Amanhã. “Acreditamos que com esta iniciativa, que conta com o Alto Patrocínio do Presidente da República, temos a oportunidade de unir esforços entre todos, que possam contribuir para melhorar a qualidade de vida das pessoas acima dos 70 anos”, afirma João Brum Silveira, presidente da APIC.

A estenose aórtica é uma doença que afeta cerca de 32 mil portugueses, sobretudo acima dos 70 anos, limitando as suas capacidades e qualidade de vida. Se não for detetada atempadamente, esta doença pode ter um desfecho fatal, uma vez que a válvula aórtica vai tornar-se cada vez mais estreita, impedido o fluxo sanguíneo para fora do coração.

Os sintomas são cansaço, dor no peito e desmaios.

Combate à pandemia
O cumprimento rigoroso das medidas de prevenção da transmissão de covid-19 é “absolutamente decisivo” para manter “uma...

A norma, que estabelece os critérios para a definição de contacto, que incluem, por exemplo, a exposição a um caso de Covid-19, ou a material biológico de um caso confirmado, dentro do período temporal de transmissibilidade (desde 48 horas antes do início dos sintomas), estabelece que o rastreio de contactos é um dos elementos-chave para a deteção precoce de casos e limitação da propagação da doença.

No decurso da conferência de imprensa de atualização dos dados sobre a Covid-19 em Portugal, Marta Temido salientou também a necessidade de reforçar a capacitação de recursos humanos nos serviços de medicina intensiva, observando, no entanto, que esse é um processo demorado.

“Formar um especialista em medicina, em qualquer área, é um processo que demora vários anos e, portanto, não é possível ter intensivistas com a mesma velocidade com que se adquirem equipamentos de cuidados intensivos”, explicou. O reforço de especialistas em Medicina Interna é um processo no qual a tutela se encontra a trabalhar e poderá passar pela maximização das vagas para a formação especializada, abertura de concursos para a colocação de médicos nos serviços de medicina intensiva e a integração nos quadros dos enfermeiros com contratos a termo certo.

“A Comissão de Acompanhamento da Resposta Nacional em Medicina Intensiva para a Covid-19 acabou por ter uma missão mais ampla do que aquela que seria a da resposta estrita à covid-19 e ajudou-nos também a fazer uma revisão da rede nacional de especialidade hospitalar e de referenciação”, observou. A revisão da Rede de Referenciação Hospitalar em Medicina Interna encontra-se, atualmente, em consulta  

Sobre o reforço dos cuidados intensivos, a governante adiantou ainda que o objetivo é que até ao início de 2021 Portugal disponha, em média, de 11,5 camas por 100 mil habitantes, alinhado com a média de referência europeia.

 

 

Investigação
A Inteligência Artificial aplicada a imagens de microscopia de tumores deteta padrões de 167 mutações diferentes e prevê a...

Investigadores do Instituto Europeu de Bioinformática (EMBL-EBI) da EMBL, em Cambridge, Reino Unido, desenvolveram um algoritmo de inteligência artificial (IA) que usa visão computacional para analisar amostras de tecidos de doentes com cancro. Eles mostraram que o algoritmo pode distinguir entre tecidos saudáveis e cancerígenos, e também pode identificar padrões de mais de 160 fragmentos de ADN e milhares de alterações de RNA em tumores. O estudo, publicado hoje no Nature Cancer, destaca o potencial da IA para melhorar o diagnóstico, o prognóstico e o tratamento do cancro.

O diagnóstico e o prognóstico do cancro são em grande parte baseados em duas abordagens principais. Numa das abordagens, histopatologistas examinam o aparecimento de tecido cancerígeno sob o microscópio. Por outro lado, geneticistas, analisam as mudanças que ocorrem no código genético das células cancerígenas. Ambas as abordagens são essenciais para entender e tratar o cancro, mas raramente são usadas em conjunto.

"Os médicos usam, quase sempre, slides de microscopia para o diagnóstico de cancro. No entanto, todo o potencial desses slides ainda não foi desbloqueado. À medida que a visão computacional avança, podemos analisar imagens digitais desses slides para entender o que acontece ao nível molecular", diz Yu Fu, Pós-Doutorando do Grupo Gerstung da EMBL-EBI.

Algoritmos de visão computacional são uma forma de inteligência artificial que pode reconhecer certos recursos em imagens. Fu e restante equipa reaproveitaram tal algoritmo desenvolvido pela Google – originalmente usado para classificar objetos quotidianos, como limões, óculos de sol e radiadores – para distinguir vários tipos de cancro do tecido saudável. Eles mostraram que este algoritmo também pode ser usado para prever a sobrevivência e até mesmo padrões de mudanças de ADN e RNA a partir de imagens de tecido tumoral.

Algoritmos de ensino para detetar mudanças moleculares

Estudos anteriores usaram métodos semelhantes para analisar imagens de tipos únicos ou alguns de tumores com alterações moleculares selecionadas. No entanto, Fu e os seus colegas elevaram esta abordagem para uma escala sem precedentes: treinaram o algoritmo com mais de 17 mil imagens de 28 tipos de cancro coletados para o Atlas do Genoma do Cancro, e estudaram todas as alterações genómicas conhecidas.

"O que é bastante notável é que o nosso algoritmo pode ligar automaticamente a aparência histológica de quase qualquer tumor com um conjunto muito amplo de características moleculares e com a sobrevivência do paciente", explica Moritz Gerstung, Líder do Grupo da EMBL-EBI.

No geral, este algoritmo é capaz de detetar padrões de 167 mutações diferentes e milhares de mudanças na atividade genética. Esses achados mostram em detalhe como as mutações genéticas alteram o aparecimento de células e tecidos tumorais.

Uma potencial ferramenta para a medicina personalizada

A integração de dados moleculares e histopatológicos fornece uma imagem mais clara do perfil de um tumor. A deteção das características moleculares, a composição celular e a sobrevivência associadas a tumores individuais ajudariam os médicos a adaptar tratamentos adequados às necessidades de seus pacientes.

"Do ponto de vista de um médico, essas descobertas são incrivelmente emocionantes. O nosso trabalho mostra como a inteligência artificial pode ser usada na prática clínica", explica Luiza Moore, Cientista Clínica e Patologista do Wellcome Sanger Institute e do Hospital Addenbrooke. "Enquanto o número de casos de cancro está a aumentar em todo o mundo, o número de patologistas está a diminuir. Ao mesmo tempo, esforçamo-nos para nos afastar da abordagem "um modelo encaixa em todos" e trabalhar em medicina personalizada. Uma combinação de patologia digital e inteligência artificial pode potencialmente aliviar essas pressões e melhorar nossa prática e atendimento ao paciente."

As tecnologias de sequenciamento impulsionaram a genómica à vanguarda da pesquisa sobre o cancro, mas essas tecnologias permanecem inacessíveis para a maioria das clínicas em todo o mundo. Uma possível alternativa ao sequenciamento direto seria usar a IA para emular uma análise genómica usando dados mais baratos de coleta, como slides de microscopia.

"Obter todas essas informações de imagens padrão de tumores, de forma completamente automática, é revolucionário", diz Alexander Jung, doutorando na EMBL-EBI. "Este estudo mostra o que pode ser possível nos próximos anos, mas esses algoritmos terão que ser refinados antes da implementação clínica."

Fonte do Artigo:
FU, Y., et al. (2020). Pan-cancer computational histopathology reveals mutations, tumor composition and prognosisNature Cancer. Published online 27 07; DOI: 10.1038/s43018-020-0085-8

 

Investigação científica na área do adenocarcinoma gástrico
O Instituto Português de Oncologia do Porto Francisco Gentil (IPO Porto) lança esta segunda-feira, dia 27 de julho, a primeira...

Em avaliação vão esta trabalhos originais, de investigação clínica ou de translação, na área do cancro gástrico (epidemiologia, diagnóstico/diagnóstico precoce, terapêutica, prognóstico, resultados reportados pelo doente) que tenham sido publicados em revistas indexadas com revisão por pares nos últimos dois anos, sendo que pelo menos um dos autores tem de estar inscrito na Ordem dos Médicos, revela o IPO do Porto, em comunicado.

A data limite para submissão do trabalho é 31 de janeiro de cada ano civil “e pretende-se que o vencedor, este ano, seja conhecido a 31 de março e a distinção entregue aquando do curso anual que se realiza em maio de 2021, no IPO do Porto”, observa o Instituto Português de Oncologia do Porto. 

Os interessados deverão remeter as candidaturas devem ser remetidas para o seguinte endereço de e-mail: [email protected].

O prémio, pecuniário e anual, consiste na atribuição de mil euros ao trabalho de investigação que reúna os critérios exigidos.

 

 

9 e 10 de setembro
Numa altura de grandes desafios alimentares, o Congresso irá debater as várias problemáticas da nutrição para os próximos 10...

Nos dias 9 e 10 de setembro realiza-se o XIX Congresso de Nutrição e Alimentação, que contará com a presença de diversos oradores de diferentes áreas que darão uma panorâmica geral de como se vive a nutrição nos dias de hoje, com os olhos postos na próxima década. Este ano, considerando o contexto atual, e encarando-o como oportunidade, o XIX Congresso de Nutrição e Alimentação 2020 assumirá um formato totalmente digital.

A realização do Congresso online possibilitará a participação de todos os interessados a partir de qualquer local e em segurança, assistindo a todas as comunicações, nas diferentes salas, à distância de um click. Beneficiando ainda das oportunidades criadas pelo formato será possível interagir com os oradores em tempo real, através de chat disponível na plataforma, consultar, na área de exposição técnica, informação individualizada sobre as empresas parceiras do congresso, solicitar amostras/documentação de produtos/serviços e visitar a galeria virtual de posters e apresentações de trabalhos originais.

Num ano de grandes transformações como 2020, o Congresso reveste-se de especial importância no debate de temas como impacto da COVID-19 na vida dos portugueses e as alterações provocadas na alimentação e no estilo de vida e os desafios da alimentação para uma população em crescimento e da adoção de dietas saudáveis de baixa pegada de carbono, com o objetivo de alcançar o desenvolvimento sustentável e a estabilidade climática.

Como nos anos anteriores, os temas serão debatidos por especialistas das áreas da Alimentação, Saúde Pública e Sustentabilidade Alimentar. Destacam-se nomes como Maria João Gregório, Diretora do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável da Direção-Geral da Saúde, Henrique Barros, Presidente do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, Conceição Calhau, professora da NOVA Medical School, Vitor Hugo Teixeira, da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, entre muitos outros.

Durante dois dias serão debatidos não só os principais desafios atuais, mas sobretudo qual caminho a traçar para se implementarem medidas necessárias para construir um amanhã assente numa sociedade mais sustentável e consciente do valor da saúde do planeta e do impacto da alimentação na saúde da população.

As inscrições para o XIX Congresso de Nutrição e Alimentação podem ser realizadas aqui:  Inscrições. Programa em www.cna.org.pt

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