Férias
Optar por destinos acessíveis e tranquilos, respeitar os períodos de descanso e fazer exames médicos antes de viajar são...

Com a chegada do verão, muitas pessoas começam a planear as suas férias, escapadelas e atividades ao ar livre. Neste contexto, ter pessoas idosas na família significa ter em conta certas recomendações para que possam também desfrutar destes momentos sem comprometer a sua saúde ou bem-estar.

“As férias são um período fundamental para reforçar os laços familiares, especialmente com a população mais idosa, que valoriza muito o tempo partilhado com a família. No entanto, é importante adaptar os planos para que eles se sintam confortáveis, seguros e envolvidos em todos os momentos. Para isso, é essencial ouvir as suas necessidades, encorajar a autonomia dentro das suas capacidades e prevenir os riscos associados ao calor ou ao esforço físico excessivo”, afirma Miryam Piqueras, Diretora de Governação Clínica da Sanitas Seniors, área especializada no cuidado de idosos da Sanitas, empresa ibérica de serviços de saúde que pertence à seguradora Bupa Portugal.

As temperaturas elevadas características do verão representam um risco para os idosos, que se adaptam pior ao calor e podem desidratar-se com mais facilidade. Do mesmo modo, as mudanças de rotina ou as viagens longas podem provocar ansiedade ou desorientação se não forem bem geridas. Nesta situação, é necessário planear com antecedência, dando sempre prioridade à sua tranquilidade.

“Os planos que envolvem caminhadas longas ao sol ou atividades demasiado intensas devem ser descartados. Existem muitas alternativas de lazer culturais, gastronómicas ou ligadas à natureza que podem ser desfrutadas em horários adequados e em ambientes acessíveis”, acrescenta Miryam Piqueras.

Neste momento, para ajudar as famílias a organizarem férias adaptadas e seguras para todos, a Sanitas Seniors partilha as seguintes recomendações:

Optar por destinos acessíveis e tranquilos: escolher locais sem multidões, com boas infraestruturas de saúde, sombra natural e áreas de descanso é aconselhável para facilitar a participação dos idosos e evitar situações de esforço físico ou emocional.

Evitar as horas de maior calor: as temperaturas são mais elevadas entre o meio-dia e as 17 horas. Por conseguinte, é preferível organizar atividades de manhã cedo ou ao fim da tarde, reservando assim as horas mais quentes para o relaxamento no interior.

Hidratação e alimentação ligeira: Sempre que for realizar uma atividade com pessoas idosas, é essencial ter água à mão, bem como oferecer alimentos ricos em água, como frutas e legumes. Por outro lado, devem ser evitadas refeições volumosas ou de difícil digestão. O objetivo é prevenir os golpes de calor e melhorar o bem-estar geral.

Proteja a sua pele e os seus olhos do sol: usar protetor solar de alta proteção, óculos sol com filtro UV, chapéus e roupas leves de cor clara durante as caminhadas é importante para minimizar o risco de queimaduras solar, insolação ou fadiga térmica.

Respeitar as horas de descanso e as rotinas: As pessoas idosas beneficiam da manutenção de horários regulares para as refeições e para o sono. Neste sentido, a alteração destes hábitos pode causar desconforto ou confusão, especialmente nas pessoas com défice cognitivo.

Finalmente, Miryam Piqueras adverte que “antes de embarcar em qualquer viagem, é aconselhável fazer um check-up médico com um profissional de confiança pessoalmente ou através de consulta por vídeo. Desta forma, a medicação pode ser revista ou qualquer tratamento pode ser ajustado, se necessário, o que garantirá que a pessoa idosa esteja em ótimas condições para desfrutar do verão”. 

 

ANADIAL
A Associação Nacional de Centros de Diálise (ANADIAL) acaba de lançar um novo episódio do podcast “À conversa sobre Diálise”,...

O episódio centra-se na realidade e nos desafios da hemodiálise em Portugal, que Eduardo Costa classifica como uma história de sucesso. “Portugal oferece cuidados de hemodiálise de elevada qualidade e segurança, nomeadamente quando comparado com outros países europeus. A diálise em Portugal tem sido marcada por uma parceria eficaz entre o SNS e o setor privado, que tem funcionado bem”, afirma.

A conversa aborda também o estudo do economista sobre o “Preço compreensivo da hemodiálise em Portugal”, valor pago pelo Estado que cobre, além do tratamento, todos os cuidados, exames e consultas associadas. Este preço, congelado desde 2011, não acompanhou os custos crescentes do setor. Embora os prestadores privados tenham conseguido melhorar a sua eficiência ao longo do tempo, Eduardo Costa alerta que essa margem está, atualmente, a esgotar-se.

Como resposta, propõe um modelo de atualização anual do preço compreensivo que assegure a manutenção dos resultados de qualidade para o utente/doente, traga equilíbrio à relação financiador/prestador e mantenha a previsibilidade para o financiador.

O podcast “À conversa sobre Diálise” comemora o 40.º aniversário da ANADIAL e tem como objetivo abordar a evolução do tratamento da doença renal crónica ao longo das últimas quatro décadas. Convida mensalmente um especialista para debater temas relevantes para doentes renais, profissionais de saúde e o público em geral.

O novo episódio já está disponível no YouTube e Spotify.

 

Apostando na excelência na prestação de cuidados
Novo cargo de Provedora dos Destinatários dos Serviços de Enfermagem constitui uma figura independente e próxima dos cidadãos.

Natália Espírito Santo, diretora da EIA, entidade que integra a Atlântica – Instituto Universitário e a ESSATLA – Escola Superior de Saúde Atlântica, é a primeira pessoa a assumir a nova função de Provedora dos Destinatários dos Serviços de Enfermagem da Ordem dos Enfermeiros. A partir de agora, os cidadãos têm um canal aberto, através do qual podem partilhar preocupações, apresentar sugestões ou sinalizar eventuais ocorrências relacionadas com enfermagem.

A criação do cargo de Provedora dos Destinatários dos Serviços de Enfermagem é uma obrigação legal e estatutária e constitui uma figura independente e próxima dos cidadãos que recebem cuidados de enfermagem. Desta forma, a Ordem dos Enfermeiros reforça também o seu compromisso com a transparência, a valorização dos cidadãos e com a qualidade dos cuidados de enfermagem.

Com um percurso profissional de mais de 25 anos dedicado à área da educação, Natália Espírito Santo afirma que “é com forte sentido de responsabilidade que aceito esta função, que considero de responsabilidade pública e crucial para garantir o exercício de excelência dos cuidados de enfermagem”. A Provedora indica ainda que “é fundamental que os cidadãos sintam que podem contar com alguém isento que os apoie e ajude a solucionar eventuais situações que possam reportar. Acredito também que este cargo desempenhará um papel importante de acompanhamento e sensibilização junto dos cidadãos”.

 

 

Opinião
A decisão de conservar ou não o sangue e tecido do cordão umbilical do recém-nascido é uma dúvida cr

Atualmente, as células do cordão umbilical já são usadas para tratar diversas doenças hematológicas e oncológicas, como leucemias, linfomas e anemias severas. Além disso, as células estaminais mesenquimais derivadas do cordão são amplamente estudadas para o surgimento de terapias promissoras em doenças como autismo, paralisia cerebral, Alzheimer, Parkinson, diabetes, enfarte do miocárdio, doença de Crohn e lesões da medula espinal, entre outras.

Um estudo publicado na Signal Transduction and Targeted Therapy descreve o quarto caso documentado de cura funcional da infeção por HIV, utilizando uma abordagem inovadora que combina células estaminais hematopoiéticas haploidenticas com sangue de cordão umbilical HLA-mismatched (não totalmente compatível). Este caso é notável por ser o primeiro numa mulher, de origem mista a utilizar um transplante de sangue do cordão com mutação CCR5Δ32/Δ32 (mutação que confere resistência ao HIV).

O tratamento foi realizado numa paciente com leucemia mieloide aguda, que recebeu um transplante combinado de células CD34+ de um dador haploidentico e sangue de cordão umbilical. Esse protocolo permitiu uma recuperação hematológica mais rápida e robusta, além de reduzir o risco de complicações infeciosas associadas à neutropenia prolongada. Após o transplante, a paciente permaneceu sem sinais de HIV detetáveis, mesmo após a interrupção da terapia antirretroviral, sugerindo uma possível erradicação funcional do vírus.

Este avanço destaca o potencial terapêutico das células estaminais do cordão umbilical, especialmente quando combinadas com estratégias como a mutação CCR5Δ32/Δ32, que confere resistência ao HIV. Além disso, reforça a importância da criopreservação do sangue do cordão umbilical como uma opção terapêutica valiosa para o futuro.

Estudos recentes apontam para o potencial das células do cordão em doenças como paralisia cerebral e Lúpus Eritematoso Sistémico. As investigações clínicas demonstraram assim que a infusão dessas células pode melhorar a função motora em crianças e modular a resposta imunitária em pacientes com lúpus, trazendo esperança para tratamentos mais seguros e eficazes.

Avanços na terapia com células do cordão umbilical também indicam benefícios na recuperação de doentes após AVC isquémico e o ensaios clínicos revelam melhorias significativas quer na função neurológica quer na autonomia dos pacientes, reforçando o valor da criopreservação.

Já perante as doenças inflamatórias crónicas, como a psoríase — que afeta até 3% da população — também podem se beneficiar da terapia com células estaminais do cordão umbilical uma vez que essas células podem modular o sistema imunológico, reduzindo a inflamação e melhorando sintomas, apontando para uma nova fronteira no tratamento dessas condições.

A verdade é que guardar o sangue e o tecido do cordão umbilical é muito mais do que uma simples precaução — é uma estratégia de prevenção ativa que pode transformar o futuro da saúde da criança e de sua família. Com os avanços nas terapias celulares e na medicina regenerativa, as células estaminais do cordão umbilical (proveniente do sangue e tecido) tornaram-se um recurso médico valioso, capaz de oferecer tratamentos inovadores para doenças graves e crónicas.

A colheita do sangue do cordão umbilical é um procedimento simples, seguro, indolor e não invasivo, realizado logo após o parto, sem riscos para a mãe ou para o bebé. As células mantêm a sua viabilidade e propriedades terapêuticas mesmo após décadas armazenadas em criopreservação, garantindo um acesso imediato a tratamentos eficazes, quando necessário.

Conservar as células do cordão umbilical acaba por se traduzir num investimento em segurança e saúde, que pode ser considerado como um “plano B” que cria esperança para o futuro.

Diante das evidências científicas e dos avanços clínicos constantes, guardar as células estaminais do cordão umbilical é um ato de cuidado e generosidade que pode salvar ou melhorar vidas e revolucionar tratamentos médicos.

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Opinião
O fígado é fundamental no metabolismo e na desintoxicação do organismo, estando envolvido no metabol

O consumo excessivo de álcool está diretamente associado a várias patologias hepáticas. A Esteatose Hepática Alcoólica, também conhecida como fígado gordo alcoólico, caracteriza-se pela acumulação de gordura nas células do fígado e, embora frequentemente assintomática, pode evoluir para estágios mais graves se o consumo de álcool persistir.  A Hepatite Alcoólica é uma inflamação do fígado que nas apresentações mais severas é frequentemente fatal, e em que pode já coexistir uma cirrose hepática. O consumo excessivo, mantido, de álcool, pode levar ao desenvolvimento de Cirrose Hepática, em que o desenvolvimento de fibrose (“cicatrizes”) no fígado altera a sua estrutura comprometendo a sua função e circulação do sangue através dele, com risco de surgimento de complicações como hemorragias digestivas,  ascite (popularmente conhecida como “barriga de água”), alterações do comportamento, disfunção de outros orgãos, infeções e do desenvolvimento de Cancro do fígado.

A suscetibilidade às lesões hepáticas pelo álcool pode variar de pessoa para pessoa, dependendo de fatores como a predisposição genética, o estado nutricional e a presença de outras condições médicas. No entanto, a evidência científica é clara ao demonstrar que a ingestão excessiva de álcool representa um risco significativo para a saúde do fígado, sendo uma das principais causas de doença hepática crónica a nível global.

A Semana de Consciencialização para o Álcool tem como principal objetivo aumentar a consciencialização sobre os efeitos negativos do álcool não apenas na saúde, mas também nas relações interpessoais, na produtividade e na qualidade de vida. Sob o lema "Álcool e Custo", esta campanha incentiva a que reflitamos sobre os prejuízos associados ao consumo excessivo e a considerar mudanças no estilo de vida.

A prevenção é, naturalmente, a melhor estratégia.  Durante esta semana, várias organizações, incluindo a Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado (APEF), alertam para a importância de adotar hábitos saudáveis e limitar significativamente ou mesmo evitar o consumo de álcool. 

Em suma, a relação entre o álcool e o fígado é inegável e, muitas vezes, perniciosa. A Semana de Consciencialização para o Álcool surge como um momento de reflexão e educação, incentivando a que façamos escolhas mais conscientes para protegermos a nossa saúde e melhorarmos o nosso bem-estar pessoal e social.

 

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Hospital de Portimão
A Unidade de AVC (UAVC) da Unidade Hospitalar de Portimão da ULS Algarve celebrou, no passado dia 1 de julho, o seu primeiro...

Desde a sua criação, a UAVC de Portimão tem sido fundamental na abordagem ao AVC, garantindo cuidados contínuos ao longo de todas as fases do processo. “Desde a sua inauguração, a unidade tem assumido um papel determinante na resposta ao AVC agudo na região do Algarve, promovendo a integração dos cuidados desde a fase aguda até à reabilitação precoce e à articulação com outras unidades orgânicas com a missão de prestar os melhores cuidados à população”, afirma a Dr.ª Isabel Taveira, Coordenadora da UAVC.

Num contexto historicamente marcado pela escassez de recursos, a existência deste serviço permite uma abordagem verdadeiramente multidisciplinar e centrada na pessoa e na sua família. Mais de 350 doentes já foram tratados na UAVC de Portimão, um número expressivo que reflete a elevada incidência do AVC na região algarvia.

O primeiro ano da UAVC foi marcado por muitos desafios, com a unidade a iniciar a sua atividade com apenas um médico dedicado ao serviço, mas também por conquistas importantes. “Com esforço e perseverança, reorientámos a equipa médica, de enfermagem e de técnicos auxiliares de saúde para a prestação de cuidados de qualidade, centrados na pessoa sobrevivente do AVC, de acordo com as melhores práticas nacionais e internacionais”, refere a especialista em Medicina Interna que também é embaixadora regional da SPAVC para a região sul. “Reforçámos a equipa multidisciplinar, dotando-a de profissionais especializados, sempre com um espírito de entreajuda e com o foco no superior interesse da pessoa e da sua família”, acrescenta.

Este trabalho de excelência tem vindo a ser reconhecido através da atribuição dos prestigiados ESO Angels Awards, com a UAVC de Portimão a alcançar, desde o seu primeiro trimestre de atividade, a distinção máxima de Diamante em todos os trimestres, um feito inédito e motivo de enorme orgulho para a equipa.

O primeiro ano de atividade da UAVC de Portimão tem sido marcado pelo reconhecimento de várias entidades. Entre elas, destaca-se a Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral (SPAVC), que felicitou a unidade pelo seu aniversário e pelo trabalho notável na resposta ao AVC na região. O Prof. Vítor Tedim Cruz, Presidente da Direção da SPAVC, sublinha a importância deste serviço para o sul do país, destacando o impacto que tem tido na prestação de cuidados diferenciados e estruturados. “É com grande satisfação que reconhecemos o trabalho desenvolvido por toda a equipa da UAVC de Portimão que, em apenas um ano de atividade, conseguiu tornar-se uma referência regional no tratamento do AVC agudo, numa área do país onde há muito se sentia a carência de uma resposta diferenciada”, afirma o neurologista. Enfatiza igualmente as distinções ESO Angels Awards, considerando que estas “atestam não só a qualidade dos cuidados prestados, mas também o espírito de superação que norteia a equipa multidisciplinar da UAVC”.

Por fim, o Presidente da Direção SPAVC manifesta a sua satisfação pela existência de parceiros institucionais empenhados na missão comum de melhorar a resposta ao AVC em Portugal, reafirmando a total disponibilidade da SPAVC para continuar a colaborar com a UAVC de Portimão em iniciativas que promovam a prevenção, a formação e a melhoria contínua dos cuidados prestados à população.

 

SHARP
Lisboa, 8 de julho de 2025 – O reforço de infraestruturas e de recursos humanos, a criação de um modelo centralizado de...

O relatório estratégico que é apresentado hoje, dia 8 de julho, sobre o futuro da terapia com células CAR-T em Portugal, delineia um caminho para a expansão e sustentabilidade da adoção desta terapia. A terapia celular CAR-T é uma das mais inovadoras abordagens no tratamento do cancro, oferecendo uma alternativa promissora para pacientes com cancros hematológicos que não respondem aos tratamentos convencionais.

Este trabalho reuniu os principais stakeholders do ecossistema da saúde, incluindo profissionais de saúde, investigadores, decisores políticos e executivos, bem como pacientes, associações de pacientes e cuidadores, com o objetivo de definir uma estratégia coordenada e sustentável para garantir um acesso equitativo e atempado a este tratamento inovador.

Segundo Henrique Lopes, Diretor do NCGH, “o que este relatório propõe é uma ponte entre a inovação científica e a decisão política – um contributo para que os atores políticos e institucionais disponham das bases necessárias para tomar decisões informadas para garantir a adoção sustentável e equitativa destas terapias em Portugal”.  Acrescenta ainda que “o desafio é coletivo: transformar as recomendações em decisões que façam a diferença na vida dos doentes e na capacidade de resposta do sistema de saúde”.

 

Um marco na luta contra o cancro, mas ainda com desafios na sua adoção em Portugal

A terapia com células CAR-T (Chimeric Antigen Receptor T-cell therapy) consiste numa imunoterapia personalizada, onde os linfócitos T do próprio paciente são geneticamente modificados para reconhecer e eliminar células cancerígenas. Apesar da sua eficácia clínica comprovada, o acesso a este tratamento em Portugal ainda enfrenta desafios significativos, nomeadamente:

  • Heterogeneidade de critérios de referenciação e elegibilidade para tratamento, potencialmente contribuindo para um acesso não equitativo à terapia;
  • Limitada evidência de utilização das terapias celulares e de divulgação de dados epidemiológicos atempadamente, o que dificulta a tomada de decisão a todos os níveis;
  • Modelo de financiamento inadequado e custo elevado da terapia, dificultando a sustentabilidade e a expansão da sua utilização.
  • Insuficiência de infraestruturas, recursos materiais e recursos humanos especializados, restringindo a disponibilidade para expansão da utilização da terapia;
  • Escassez de apoios dedicados aos pacientes, cuidadores e suas famílias, limitando a acessibilidade à terapia e a facilidade de completar todo o processo de tratamento.

O relatório final da Iniciativa SHARP, elaborado pelo NCGH em colaboração com o Steering Committee (SC) da Iniciativa, composto por peritos de referência, propõe um conjunto de medidas estratégicas para responder a estes desafios e permitir a expansão da utilização da terapia CAR-T em Portugal.

“Só um número limitado dos doentes com indicação potencial para terapia com células CAR T tem acesso a ela, em Portugal como noutros países”, alerta Maria Gomes da Silva, médica hematologista do IPO de Lisboa e membro do SC da iniciativa SHARP. A especialista considera fundamental “tornar mais claros, homogéneos e eficazes os percursos dos doentes candidatos, de forma a otimizar e reforçar os recursos existentes e alargar o acesso a todos os que possam beneficiar deste tratamento”.

A estes fatores impõe-se, segundo Fernando Leal da Costa, médico hematologista do IPO de Lisboa e membro do SC, a necessidade de “definição da distribuição territorial dos centros de referência para tratamentos com células CAR e a organização dos fluxos de doentes.”

Importa ainda referir a indispensabilidade de um cuidador que acompanhe o doente, garantindo que nos primeiros trinta dias após o tratamento o mesmo está permanentemente acompanhado, o que, segundo Manuel Abecasis, Presidente da Associação Portuguesa Contra a Leucemia e membro do SC, implica “rever o estatuto do cuidador para estes doentes, de modo a garantir que o cuidador não é prejudicado materialmente pelo desempenho destas funções”.

 

Cinco eixos de atuação prioritários para o futuro da terapia CAR-T em Portugal

Através de um Think Tank estruturado em três sessões, a iniciativa SHARP identificou cinco eixos de atuação prioritários para garantir o acesso equitativo e atempado a esta terapia no Serviço Nacional de Saúde:

  1. Investir na capacitação dos profissionais e dos serviços de saúde, garantindo a alocação dos recursos necessários
  • Criar equipas dedicadas às terapias celulares.
  • Agilizar o acesso a meios complementares de diagnóstico e terapêutica.
  1. Criar um programa vertical de financiamento centralizado
  • Garantir financiamento uniforme e sustentável para os centros de tratamento.
  • Negociar o preço da terapia, tornando-a mais acessível e equitativa.
  1. Desenvolver uma rede nacional de referenciação para terapias celulares e uniformizar os critérios de elegibilidade para tratamento
  • Harmonizar os critérios e o processo de referenciação e tratamento.
  • Criar uma rede integrada de centros de tratamento.
  1. Assegurar o suporte socioeconómico, logístico e formativo necessário ao paciente, seu cuidador e família
  • Estabelecer redes de apoio comunitário ao longo da jornada de tratamento.
  • Criar uma resposta social formal perante a inexistência ou incapacidade do cuidador.
  1. Robustecer a capacidade de gerar e divulgar evidência de mundo real na área das terapias celulares
  • Criar um Registo Nacional de Terapias Celulares.
  • Desenvolver estudos com evidência do mundo real.

 

Um apelo à ação: implementar uma estratégia nacional coordenada para melhorar a adoção das terapias celulares em Portugal

A Iniciativa SHARP destaca a necessidade premente de uma estratégia nacional coordenada para ampliar o acesso à terapia CAR-T em Portugal. As conclusões deste relatório oferecem um quadro orientador para decisores políticos e executivos, profissionais de saúde e indústria, permitindo a implementação de medidas concretas que maximizem o benefício para os pacientes e reforcem a posição de Portugal na utilização de inovação terapêutica.

Esta iniciativa reafirma o compromisso do NCGH em contribuir para a geração de conhecimento para a tomada de decisões informadas em saúde, tendo em vista a modernização do sistema de saúde em Portugal, promovendo soluções que melhorem a equidade de acesso e eficiência dos cuidados de saúde para toda a população.

 

Dia Mundial das Alergias assinala-se a 8 de julho
Em muitas das nossas paisagens, principalmente na zona litoral (mas não só!), encontra-se em abundância uma espécie muito...

Esta espécie originária da região das Pampas, na América do Sul, foi introduzia em Portugal como planta ornamental nos jardins, mas não ficou circunscrita a esses espaços. Graças aos milhões de minúsculas flores, dispersadas facilmente pelo vento, começou a proliferar, sem a ajuda do Homem, e tornou-se invasora, de forma mais óbvia a partir dos finais do século passado. Atualmente a espécie continua em expansão acelerada no nosso território, dominando por completo muitas áreas, maioritariamente urbanas, periurbanas e na margem de estradas e caminhos de ferro, ou seja, áreas de alguma forma perturbadas. Mas também invade outros locais, como sapais, dunas ou mesmo o subcoberto de habitats florestais. Esta dominância resulta em problemas graves de carácter ambiental (degradação dos ecossistemas e eliminação das espécies nativas) e económicos (custos acrescidos no seu controlo e eliminação) que se já se tornam impossíveis de “ignorar”.

Acresce a estes problemas o facto de a espécie ter características alergénicas para o ser humano, criando um problema adicional de saúde pública. A erva-das-pampas pertence à família de plantas das gramíneas, o que requer um alerta especial para quem sofre de alergias relacionadas com o pólen produzido por estas plantas, e ao qual cerca de 20% da população mundial revela algum tipo de reação alergénica. As reações a este tipo de plantas podem traduzir-se em, por exemplo, renite alergénica, conjuntivite ou até problemas de asma, diminuindo significativamente a qualidade de vida das pessoas afetadas.

 

Mas as plantas nativas também nos causam alergias! Qual é o problema desta?

As gramíneas nativas também nos causam problemas de saúde, sobretudo durante o período de primavera. O que diferencia a erva-das-pampas da maioria das nossas espécies nativas é o seu período de floração que, ao ocorrer a partir do meio do verão até ao outono, tem o potencial para provocar um pico de alergias adicional, fora do período a que estamos habituados.

Dados reportados por cientistas, parceiros do projeto LIFE COOP Cortaderia, na região norte de Espanha (Fig. 1) onde a espécie está muito dispersa, revelam um significativo aumento na quantidade de pólen presente no ar, coincidente com a época de floração da erva-das-pampas. Esta época “extra” de alergias tem potencial para ter no futuro um impacte enorme na qualidade de vida das pessoas. Quanto mais a espécie se continuar a expandir, mais indivíduos desta planta existirão e mais acentuados serão estes problemas. É um efeito bola de neve!

O que podemos fazer para evitar este problema?

Acima de tudo, é essencial conter a expansão e eliminar todos os exemplares possíveis, até porque esta espécie está classificada como espécie exótica invasora no nosso país.

O Decreto-Lei  92/2019 proíbe a detenção, cultivo, comércio, criação, introdução na natureza e repovoamento com espécies exóticas que integrem a Lista Nacional de Espécies Invasoras, a qual inclui, entre muitas outras espécies de plantas e animais, a erva-das-pampas (Cortaderia selloana). Está, assim, proibida a venda, colheita e/ou uso de plumas, as quais se tornam especialmente atrativas na sua época de floração pela beleza exuberante que têm.

A utilização e promoção da utilização das plumas para decoração contribui para a dispersão das sementes da espécie, pode agravar ainda mais as alergias, inspira outros cidadãos a utilizá-la e, adicionalmente, incorre numa contraordenação ambiental cujas multas podem chegar aos 37.500€!

Há, no entanto, ações que podem ser tomadas para combater o problema da expansão da erva-das-pampas. Esta espécie foi muito usada como planta ornamental antes da sua proibição, pelo que é normal que possa ainda ter algum exemplar no seu jardim. É importante que todos os exemplares sejam eliminados, incluindo os que estão isolados! Se não sabe o que fazer para eliminar a erva-das-pampas, explore na figura 2 (anexo) algumas dicas que podem ajudar.

Para além de eliminar exemplares, pode ainda ajudar a mapear a ocorrência da espécie. Estes registos são fáceis e de elevada importância, podendo dar um contributo relevante para o planeamento e gestão que as entidades públicas e privadas do seu território poderão estar a efetuar para o combate à espécie.

Pode fazê-lo de forma fácil e rápida através do seu telemóvel, usando a aplicação gratuita iNaturalist, onde se deve registar antes do primeiro registo. Para efetuar cada registo basta tirar uma fotografia ao(s) exemplar(es) que pretende registar, fazer a identificação como erva-das-pampas e marcar a localização (marcação automática se tiver o GPS do telemóvel ligado). Para além de ajudar as entidades gestoras, estes registos vão também contribuir para o estudo da espécie e do seu comportamento no nosso país.

Se procura saber mais sobre a espécie, os seus impactes e métodos de controlo consulte a página do Life COOP Cortaderia (https://lifecoopcortaderia.org/) ou não hesite em contactar para [email protected].

O projeto COOP Cortaderia conta com a participação de parceiros espanhóis, franceses e portugueses, e tem como objetivo sensibilizar, educar / capacitar e promover a intervenção dos vários setores da sociedade de forma a gerir melhor a invasão por erva-das-pampas. Além de levar a cabo intervenções de controlo, nas áreas de alguns dos parceiros, e apostar fortemente na sensibilização ambiental, este projeto convida entidades públicas e privadas a aderir à Estratégia Transnacional de luta contra a Cortaderia no Arco do Atlântico, oferecendo formação e consultoria profissional para melhorar a gestão da espécie com o objetivo de travar a sua expansão e, onde for possível, eliminar a sua presença.

Todos os Municípios, Comunidades Intermunicipais, Concessionárias de (Auto)Estradas, assim como outras entidades, incluindo Associações, ONGs, empresas, etc. foram já contactadas e convidadas a aderir. Existem até à data 100 entidades portuguesas aderentes (lista disponível em lifecoopcortaderia.org/pt), de entre um total de 242 entidades nos três países. Entre todas estas entidades umas têm intervindo de forma mais “musculada”, com ações de controlo, outras têm apostado na prevenção com ações de sensibilização dos cidadãos ou voluntariado para mapear a espécie ou remover as plumas: exemplos inspiradores que mostram que ainda que o desafio seja grande, é possível ganhar algumas batalhas! No entanto, muitas entidades não chegaram sequer a responder ao convite de adesão e entre as aderentes há algumas que tardam em intervir de forma mais proactiva permitindo o avançar da invasão da espécie com consequentes impactes negativos que se avolumam rapidamente.

Se pertence a uma entidade pública ou privada que tem esta espécie no seu território (ainda que pontualmente!), pode juntar-se à Estratégia Transnacional, trabalhar em conjunto com parceiros que enfrentam o mesmo desafio, e passar a fazer a diferença usufruindo dos benefícios que o projeto lhe pode oferecer. Se, por outro lado, é um cidadão preocupado, pode controlar a espécie nos seus terrenos (se os tiver), deixar de usar a espécie, ou fazer pressão junto das entidades para que controlem esta (e outras) espécie invasora! Pode também divulgar o projeto COOP Cortaderia e a possibilidade de adesão à Estratégia junto de empresas, escolas, associações e, principalmente, dos agentes políticos locais (juntas de freguesia e municípios). Se for professor, o projeto oferece-lhe ainda um programa de ciência cidadã no qual pode participar com grupos de alunos e contribuir ativamente para aumentar o conhecimento, o mapeamento e o controlo desta espécie: os 5 Desafios COOP CORTAderia, disponíveis em https://lifecoopcortaderia.org/desafios-corta-deria/.

 

Links úteis:

Website: https://lifecoopcortaderia.org/pt/portada-pt/

DL 92/2019: https://diariodarepublica.pt/dr/legislacao-consolidada/decreto-lei/2019-124568069

Artigos científicos: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39726321/ e https://www.nature.com/articles/s41598-021-03581-5

Vídeo sobre a Estratégia e o projeto Life COOP Cortaderia: https://www.youtube.com/watch?v=6IG69ZsvSfI&t=2s&ab_channel=LIFECOOPCortaderia

Manual de Boas práticas STOP Cortaderia: https://www.seo.org/lifecoopcortaderia/kit-stop-cortaderia/
Estratégia Transnacional STOP Cortaderia: https://www.seo.org/lifecoopcortaderia/kit-stop-cortaderia/

 

 

Atos prescritos pelas ULS/IPO
A Associação Nacional dos Laboratórios Clínicos (ANL) assinala a entrada em vigor, a 1 de julho, da nova fase de execução do...

Os utentes podem consultar os prestadores convencionados disponíveis e solicitar, através do SNS24, o agendamento, que será, posteriormente, remetido por e-mail à entidade por si escolhida. A ANL saúda esta iniciativa e recorda que está previsto o desenvolvimento de funcionalidades adicionais, no início de 2026, permitindo a escolha com base nas disponibilidades de agenda das unidades convencionadas.

O Despacho consagra, de forma expressa, a livre escolha do utente e o seu direito a recorrer ao setor convencionado, sem qualquer restrição, quando a prescrição haja sido efetuada pelos cuidados primários, bem como a obrigatoriedade de recurso ao setor convencionado pelos cuidados hospitalares, sempre que não exista capacidade de resposta interna dentro dos 85% do Tempo Máximo de Resposta Garantido (TMRG) ou do Tempo Clinicamente Aceitável (TCA). Contribuindo para a correta aplicação do Despacho, a ANL publicou o seu parecer sobre os conceitos de TMRG e TCA, clarificando a obrigação legal, das Unidades Locais de Saúde (ULS) e de todas as entidades do SNS, de recurso ao setor convencionado (para aceder ao parecer da ANL, consulte ANL - Parecer Técnico-Jurídico sobre TMRG, TCA e Recurso ao Setor Convencionado no SNS).

Esta obrigação, aliada à introdução de mecanismos operacionais que permitem a marcação dos atos diretamente pelos utentes, reforçam a articulação entre os prestadores públicos e convencionados, bem como a complementaridade destes últimos na resposta do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

A simplificação administrativa, a valorização da complementaridade do setor convencionado para a melhoria do acesso dos utentes do SNS, assegurando a liberdade de escolha, a proximidade territorial e a eficiência do sistema, são peças fundamentais para que o sistema de saúde trabalhe, cada vez mais e melhor, para o Cidadão, conforme alerta o diretor-geral da ANL, Nuno Marques: “a interoperabilidade entre o setor público e os prestadores convencionados é uma condição essencial para a eficiência do SNS. Este modelo traz ganhos claros para o cidadão, para o Estado e para o acesso à Saúde, mas também exige estabilidade, valorização contratual e um trabalho de colaboração com o setor convencionado para que a integração técnica se desenvolva corretamente”.

A ANL continuará a acompanhar a implementação do Despacho n.º 12876-C/2024, defendendo o seu cumprimento integral e o reforço da confiança no setor convencionado, como extensão do SNS.

30 de setembro
A Associação Portuguesa das Empresas de Dispositivos Médicos (APORMED), para assinalar os seus 35 anos de existência, vai...

De acordo com Antonieta Lucas, presidente da APORMED, “o evento marca as comemorações do 35.º aniversário da APORMED e pretende reunir associados, representantes institucionais e parceiros do setor da saúde, para um momento de reflexão sobre a caracterização do mercado e o valor que o setor aporta ao sistema nacional de saúde, bem como os desafios futuros das tecnologias médicas em Portugal”.

E acrescenta: “Há 35 anos, 16 empresas uniram esforços para constituir a APORMED. Desde então, crescemos juntos, superámos desafios, celebrámos conquistas e criámos valor. Hoje, somos mais de 90 empresas associadas. É graças a este percurso coletivo que a APORMED é hoje um interlocutor responsável e credível junto de decisores políticos, de entidades oficiais públicas e entidades privadas. Continuaremos, assim, a trabalhar pela valorização do setor e pelo acesso dos cidadãos portugueses às tecnologias médicas”.

A conferência contará com a divulgação dos resultados de um estudo de mercado e intervenções de especialistas, tais como, entre outros,  Ricardo Mestre, Professor na Escola Nacional de Saúde Pública e Secretário de Estado da Saúde no XXIII Governo Constitucional; Peter Villax, CEO da Mediceus; Hugo Cláudio Marques, Country Head Digital and Automation da Siemens Healthineers; Eduardo Costa, Economista e Professor no Instituto Superior Técnico; e Nadim Habib, Economista, Consultor Internacional e Professor na NOVA SBE; que abordarão temas-chave para o futuro das tecnologias médicas, como a transformação digital, os dados em saúde, a inteligência artificial e a sustentabilidade do setor.

A Associação Portuguesa das Empresas de Dispositivos Médicos (APORMED) foi criada em 1990 por 16 membros fundadores e conta atualmente com 94 empresas associadas que representam cerca de 60 por cento do mercado do setor das tecnologias para a saúde. 94% dos associados da APORMED são micro, pequenas e médias empresas.

Saiba mais em: www.apormed.pt

 

Estudo
O ADN antigo revela a pré-história de duas importantes famílias linguísticas euro-asiáticas. ...

A equipa de investigação, da qual faz parte Daniel Fernandes, investigador do Centro de Antropologia e Saúde (CIAS) da FCTUC, analisou dados genómicos de 180 indivíduos antigos, datados entre 17.000 e 3.000 anos atrás, em toda a Eurásia do Norte. As suas descobertas identificam duas populações ancestrais que podem ser ligadas às dispersões iniciais das línguas urálicas – como o finlandês, o estoniano e o húngaro – e do ienisseiano, hoje representado apenas pelo povo ket, mas antes falado numa região mais vasta da Sibéria. Até agora, os movimentos populacionais subjacentes a estas expansões linguísticas permaneciam indefinidos.

De acordo com Daniel Fernandes, a nova investigação documenta como uma cadeia ancestral contínua de caçadores-recolectores da Idade da Pedra Tardia (há cerca de 10.000 a 6.000 anos), que se estendia pelo cinturão florestal do norte da Eurásia, foi posteriormente fragmentada pela miscigenação com populações migratórias.

Dois dos grupos resultantes tinham legados linguísticos e demográficos a longo prazo: a Yakutia_LNBA (da Bacia do Rio Lena, no extremo leste da Sibéria, datada de há cerca de 4.200 anos) contribuiu significativamente para quase todas as populações urálicas atuais, desde os nganasanos aos estónios. Esta ancestralidade penetrou na Sibéria Ocidental e, depois, na Europa Oriental, em associação com o fenómeno Seima-Turbino, uma rápida expansão cultural e tecnológica transcontinental marcada pela disseminação da metalurgia do bronze. As descobertas sugerem que este movimento também marcou a dispersão mais precoce para oeste dos falantes de urálico.

O Cisbaikal_LNBA (culturas do Neolítico Final da região do Baikal, entre há 5.100 e 3.700 anos) atinge hoje o seu pico na população Ket de língua ienissei da Bacia do Rio Ienissei. A presença desta ascendência em indivíduos da Idade do Bronze Tardia das regiões do Baikal e do Alto Ienissei fornece uma nova referência genética para traçar a história da língua ienissei.

«Este estudo identifica esta população como a fonte genética mais improvável para os falantes do antigo ienissei e sugere que a componente genética Cisbaikal_LNBA pode oferecer um potencial suporte genético para o antigo elo linguístico dene-ienisei entre a Sibéria e a América do Norte», revela o investigador da FCTUC.

«Estes resultados fornecem provas contundentes contra os principais modelos de origem das línguas urálicas, descobrindo uma assinatura genética até então não identificada, presente em todos os povos atuais que falam línguas urálicas e que apareceu pela primeira vez de forma não misturada a milhares de quilómetros a leste de todas as terras natais propostas nos modelos tradicionais», revelam os especialistas.

«Uma língua não pode ser lida diretamente a partir de genomas, mas, quando a ancestralidade genética, o contexto arqueológico e a geografia linguística convergem, inferências robustas tornam-se possíveis. Os nossos resultados destacam a importância da investigação multidisciplinar e da colaboração internacional na reconstrução de trajetórias pré-históricas complexas», afirma a equipa de investigação.

O estudo também documenta zonas de contacto onde os falantes urálicos interagiram com grupos de estepes indo-iranianos, oferecendo um contexto plausível para empréstimos linguísticos bem conhecidos.

A equipa internacional, liderada por Tian Chen Zeng (Universidade de Harvard), Leonid Vyazov (Universidade de Ostrava), Alexander Kim (Universidade de Harvard), Ron Pinhasi (Universidade de Viena), Vagheesh Narasimhan (Universidade do Texas, Austin) e David Reich (Universidade de Harvard), inclui especialistas em genética e arqueologia e baseia-se em mais de uma década de trabalho colaborativo e recolha de dados em toda a Eurásia do Norte.

O estudo completo está disponível aqui

Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa
Nos dias 7 e 8 de julho, a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL) organiza a FMUL Bicentennial Conference, uma...

“Esta conferência é um momento simbólico das comemorações do nosso bicentenário, onde celebramos o papel da investigação no percurso da FMUL, com contributos de quem faz parte da nossa história e de quem continua a construí-la todos os dias”, afirma João Eurico da Fonseca, diretor da FMUL.

Entre os oradores convidados está António Damásio, neurocientista da Universidade do Sul da Califórnia e alumni da FMUL, que fará uma apresentação sobre o tema “Biologia da Consciência Humana”, e que será distinguido pelo Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Eng.º Carlos Moedas, com a Medalha de Honra da Cidade, numa cerimónia que terá lugar cerca das 19h00 do dia 07 de julho, no Salão Nobre dos Paços do Concelho.

O encontro reunirá investigadores que passaram pela FMUL e que atualmente desenvolvem o seu trabalho em instituições internacionais, bem como investigadores dos diversos centros de investigação ligados à faculdade. O programa inclui sessões sobre neurociências, infeção, inflamação e imunidade, abordagens sistémicas à doença, saúde global e investigação clínica.

Outros oradores confirmados: Carlos Caldas (Universidade de Cambridge), Sílvia Portugal (Max Planck Institute for Infection Biology, Berlim), Ana Domingos (Universidade de Oxford), Tiago Branco (Sainsbury Wellcome Centre), Ana Pombo (Max Delbruck Center for Molecular Medicine), Cristina Sampaio (CHDI Foundation) e Ruy Ribeiro (Los Alamos National Laboratory).

As inscrições no evento podem ser realizadas através do seguinte link: https://fmul.up.events/e/Bicentennial-Conference

 

Dermocosmética
O mundo dos cuidados com a pele e bem-estar está a evoluir, unindo o melhor da tradição com os avanç

O poder da natureza com precisão científica

Um exemplo evidente deste equilíbrio está no uso moderno da Centella, uma planta conhecida pelas suas propriedades cicatrizantes e calmantes. Tradicionalmente utilizada na medicina ayurvédica e na medicina chinesa, a centella asiática tem vindo a ganhar destaque nos cuidados dermatológicos contemporâneos, sobretudo quando formulada com precisão científica. Os seus compostos ativos, como os triterpenos, ajudam a regenerar a pele, combater inflamações e melhorar a elasticidade, sendo especialmente úteis em casos de vermelhidão, acne e sensibilidade cutânea.

Plataformas como a Korean Skincare têm sido essenciais na divulgação e comercialização de soluções inovadoras que combinam o melhor da natureza com a eficácia tecnológica. O crescimento do interesse por dermocosméticos que respeitam a pele e utilizam ingredientes naturais está diretamente ligado à exigência dos consumidores por fórmulas eficazes, seguras e éticas. Esta abordagem integra o uso de extratos botânicos com processos tecnológicos avançados, como encapsulamento de ativos e biotecnologia de ponta, que garantem melhor absorção e resultados visíveis.

A tecnologia como ponte entre o passado e o futuro

O desenvolvimento de cosméticos naturais de última geração é um ótimo exemplo de como a tecnologia pode valorizar ainda mais os benefícios das plantas medicinais. Atualmente, é possível extrair princípios ativos com grande pureza e combiná-los com sistemas de entrega inteligentes, que os transportam até às camadas mais profundas da pele. Este tipo de inovação permite que ingredientes como camomila, chá verde, calêndula ou a própria centella ajam de forma mais eficaz, com menor risco de irritação.

Além disso, as ferramentas digitais — como apps de análise de pele, diagnósticos personalizados online e inteligência artificial — estão a transformar a forma como cada pessoa escolhe os seus cuidados. Em vez de confiar apenas na experimentação, é possível hoje identificar os ingredientes mais compatíveis com o tipo e estado da pele, tornando o uso de remédios naturais mais orientado e personalizado.

Benefícios adicionais de uma abordagem híbrida

Ao integrar o melhor dos dois mundos — natureza e ciência —, criam-se rotinas mais equilibradas, com menos ingredientes agressivos e maior eficácia a longo prazo. Esta estratégia também tem vantagens ambientais, visto que muitas marcas apostam na sustentabilidade, na redução de resíduos e em embalagens recicláveis. A consciência ecológica tornou-se parte essencial da inovação no sector da beleza e do bem-estar.

Tradição com visão de futuro

Os remédios naturais não são apenas uma moda passageira, mas sim uma forma de resgatar práticas eficazes com o suporte da ciência moderna. Quando aliados à tecnologia, estes ingredientes oferecem um novo patamar de cuidado, que respeita o corpo e o ambiente. Para quem procura soluções que cuidem da pele de forma profunda e natural, sem abrir mão da eficácia, esta abordagem híbrida representa o melhor caminho.

Foto: 
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Jaba Recordati
Plataforma www.maisolhosnabarriga.pt destina-se tanto ao público geral como aos profissionais de saúde, assumindo-se como um...

Num contexto em que os problemas digestivos afetam cada vez mais a qualidade de vida da população, surge a plataforma Mais Olhos na Barriga, um projeto digital de responsabilidade social da Jaba Recordati, inteiramente dedicado à Saúde Digestiva, uma componente fundamental da saúde global, mas frequentemente desvalorizada no dia a dia.

Segundo dados da Organização Mundial de Gastroenterologia, cerca de 20% da população global sofre de algum tipo de problema gastrointestinal, incluindo dores de estômago, mas 90% das pessoas não procura ajuda médica, optando por automedicação ou, simplesmente, ignorando os sintomas1. Esta realidade evidencia a necessidade urgente de promover a literacia em saúde, nomeadamente no que diz respeito ao sistema digestivo.

A plataforma Mais Olhos na Barriga surge precisamente para preencher essa lacuna de conhecimento, com o objetivo de informar, capacitar e prevenir, contribuindo para melhoria da qualidade de vida e a promoção do bem-estar geral.

 

Porquê priorizar a Saúde Digestiva?

O sistema digestivo é a porta de entrada da saúde. Responsável por processar, absorver e distribuir nutrientes vitais, o bom funcionamento deste sistema é essencial para manter o organismo equilibrado e saudável. A sua relevância vai além da digestão: está profundamente ligado ao sistema imunitário, ao metabolismo e até à saúde mental, através do chamado sistema nervoso entérico — razão pela qual o intestino é muitas vezes apelidado de “segundo cérebro”.

Ao tornar a Saúde Digestiva uma prioridade, capacita-se o indivíduo a reconhecer sinais de alarme, evitar complicações e adotar comportamentos preventivos com impacto direto na sua longevidade e vitalidade.

 

Estômago: o órgão que dá o primeiro sinal de alerta

Entre os vários órgãos abordados na plataforma — boca, faringe, esófago, estômago, intestino delgado, intestino grosso, reto e ânus — o estômago assume um destaque particular, não só por ser o ponto de entrada da digestão, mas também por ser frequentemente o primeiro a manifestar sintomas de disfunção digestiva. Dor, azia, náuseas, gastrites, úlceras ou refluxo são queixas comuns e, muitas vezes, subestimadas. O papel deste órgão na saúde global é muitas vezes desvalorizado, sendo fundamental uma melhor compreensão do seu funcionamento e das patologias a ele associadas.

O estômago é uma peça-chave no sistema digestivo, funcionando como o primeiro grande centro de processamento dos alimentos. É também, frequentemente, o primeiro a dar sinais de alarme, como dor, azia ou sensação de enfartamento, que não devem ser ignorados. Sintomas persistentes, especialmente em pessoas com mais de 45 anos ou com histórico familiar de cancro digestivo, devem motivar uma avaliação médica. Um diagnóstico precoce pode fazer toda a diferença, e a atenção ao estômago é um passo essencial para garantir a saúde digestiva”, alerta o Professor Diogo Libânio, gastrenterologista.

Mesmo na ausência de sintomas, o acompanhamento médico é crucial, sobretudo quando falamos de doenças gástricas que podem evoluir silenciosamente. A infeção por Helicobacter pylori, por exemplo, é comum e muitas vezes assintomática, mas pode originar problemas mais graves se não for detetada a tempo. Por isso, plataformas como a Mais Olhos na Barriga são fundamentais: promovem literacia em saúde, desmistificam mitos e ajudam os cidadãos a compreender melhor o seu corpo, adotando comportamentos preventivos e conscientes”, destaca o Professor.

 

Mais Olhos na Barriga, uma plataforma acessível, interativa e educativa

O portal www.maisolhosnabarriga.pt disponibiliza conteúdos organizados por órgão do sistema digestivo (boca, faringe, esófago, estômago, intestino delgado, intestino grosso, reto e ânus), com vários vídeos explicativos curtos (1-2 minutos), artigos acessíveis, conselhos úteis, respostas a dúvidas frequentes, e ainda a possibilidade de colocar questões diretamente, quando os conteúdos não forem suficientes para esclarecer preocupações individuais.

Com um design intuitivo e uma abordagem centrada no utilizador, esta plataforma fornece informação científica fiável e atualizada, com o objetivo de apoiar a população na compreensão do sistema digestivo, dos seus principais órgãos e das patologias que lhes estão associadas. Dirigida tanto ao público em geral como aos profissionais de saúde, Mais Olhos na Barriga posiciona-se como uma ferramenta de educação, prevenção e literacia em Saúde Digestiva, contribuindo para diagnósticos mais precoces, melhores decisões de saúde e maior consciencialização sobre a importância deste sistema. Importa reforçar que a consulta do site não substitui a avaliação por um profissional de saúde, sendo fundamental procurar aconselhamento médico em caso de dúvidas ou sintomas persistentes.

 

Um olhar moderno e responsável sobre a digestão

O nome “Mais Olhos na Barriga” parte de um provérbio popular, reinterpretado à luz da ciência, para nos lembrar que é fundamental olhar para o sistema digestivo com mais atenção, mais conhecimento e mais responsabilidade. Este projeto de responsabilidade social da Jaba Recordati pretende melhorar o estado da Saúde Digestiva da população portuguesa e, com isso, contribuir para a melhoria da saúde global.

Ao promover a literacia em Saúde Digestiva, a plataforma ajuda a criar uma sociedade mais informada, proativa e saudável, em que o conhecimento se torna uma ferramenta poderosa de prevenção.

Mais informações em: www.maisolhosnabarriga.pt.

1Dados da Organização Mundial de Gastroenterologia (World Gastroenterology Organization, WGO) - www.worldgastroenterology.org.

 

 

08 de julho | Dia Mundial da Alergia
“Estima-se que mais de três milhões de portugueses convivam com algum tipo de manifestação de doença alérgica”, destaca Ana...

Entre as alergias mais comuns, a imunoalergologista refere os dados dos estudos epidemiológicos que estimam uma prevalência global de rinite em 30% da população, de asma alérgica em 10%, de alergias alimentares e medicamentosas em até 5%, e de anafilaxia e alergia aos venenos de himenópteros (abelhas e vespas) entre 1% e 2%.

Além do impacto que têm na qualidade de vida, Ana Môrete salienta que “algumas alergias podem mesmo ser fatais, sobretudo quando causam anafilaxia”. Para a imunoalergologista, esta é a reação alérgica “mais temida por ser súbita e potencialmente fatal, podendo afetar simultaneamente a pele, vias respiratórias, sistema cardiovascular e gastrointestinal”. A anafilaxia pode ser desencadeada por alimentos - como leite, ovo, amendoins, frutos secos, marisco e peixe -, medicamentos - especialmente anti-inflamatórios e antibióticos betalactâmicos – ou por picadas de himenópteros.

É precisamente com o intuito de alertar para esta reação alérgica que, este ano, o mote para a Semana Mundial da Alergia (assinalada de 29 de junho a 5 de julho) é “anafilaxia, uma ameaça evitável”. “A anafilaxia é, muitas vezes, subdiagnosticada e subvalorizada, sendo muito importante reconhecer os sinais precoces, educar doentes, cuidadores e profissionais de saúde sobre como agir rapidamente e reforçar a utilização de adrenalina autoinjectável que pode salvar vidas e reduzir o estigma e o medo, capacitando os doentes a viver com segurança”, salienta Ana Môrete.

Ainda no âmbito do Dia Mundial da Alergia, a presidente da SPAIC deixa um alerta final: “impulsionada por fatores ambientais e de estilo de vida, a tendência nos próximos anos é a de aumento da incidência e da gravidade das alergias”. A imunoalergologista explica o porquê: “as recentes alterações climáticas do nosso planeta, sobretudo o aquecimento global, provocam inícios e picos de floração cada vez mais precoces e períodos de polinização mais longos com aumento dos totais anuais de pólenes. Isto traduz-se numa temporada de alergias mais longa e mais difícil com a presença importante de pólenes no outono. Além disso, os níveis mais elevados de ozono e dióxido de carbono, bem como outros eventos climáticos, como as tempestades de areia, que agora atingem frequentemente o nosso país, libertam partículas finas que levam a um risco acrescido de patologia alérgica e respiratória. Estas alterações climáticas promovem ainda mais a poluição exterior, períodos mais longos de exposição aos pólenes e maior suscetibilidade a infeções, aumentando a expressão, duração e gravidade da doença alérgica. Também a mudança nos padrões alimentares, com maior consumo de alimentos processados e exposição a novos ingredientes, pode estar a contribuir para o aumento das alergias alimentares”.

 

Opinião
Com a chegada do verão e o aumento das temperaturas, manter-se bem hidratada torna-se ainda mais ess

Durante a gravidez há alterações fisiológicas importantes, como o aumento da atividade renal, respiratória e metabólica, as perdas e necessidades hídricas aumentam. Mas há também um aumento no volume de sangue da mulher que pode rondar os 40 a 50%. Este acréscimo exige mais água para manter a circulação adequada e o fornecimento de nutrientes à placenta. Além disso, a água é fundamental para a formação do líquido amniótico, que protege e envolve o bebé ao longo de toda a gravidez. 

O calor, típico desta estação do ano, leva a um aumento da transpiração, e desta forma o risco de desidratação torna-se maior. A desidratação pode causar sintomas como fadiga, dores de cabeça, tonturas e prisão de ventre. Em casos mais graves, pode aumentar o risco de parto prematuro ou reduzir a quantidade de líquido amniótico. Por isso, é essencial que a grávida esteja atenta aos sinais do seu corpo e beba água regularmente. O American College of Obstetricians and Gynecologists afirma, inclusive, que a grávida deve beber ao longo do dia e não apenas quando estiver com sede. 

Apesar de não existir uma recomendação transversal para todas as grávidas, a recomendação geral é que uma grávida beba entre 2 a 2,5 litros de água por dia, podendo esse valor aumentar em dias muito quentes ou com maior atividade física. Além da água, é importante a grávida consumir vegetais e frutas ricas em água, como melancia, melão, pepino, tomate e laranja. 

Uma boa estratégia é ter sempre uma garrafa de água por perto, e para as mais distraídas, colocar lembretes ao longo do dia ou até mesmo recorrer a algumas aplicações para o telemóvel, pode ajudar. 

Uma hidratação adequada é um gesto simples, mas muito importante. Contribui para uma gravidez mais saudável, confortável e potencia uma melhor digestão, absorção e circulação de nutrientes. Por todos estes motivos, a recomendação é manter uma boa hidratação, pelo bem-estar da grávida e pelo do bebé. 

 

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Apresentação dos resultados do primeiro inquérito global
No dia 5 de julho, a Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL), a Associação Portuguesa de Leucemias e Linfomas (APLL) e a...

Este encontro, que irá decorrer entre as 09h30 e as 13h30, reflete-se nos pilares fundamentais da missão destas associações: promover o conhecimento, humanizar os cuidados e amplificar a voz dos doentes com estas patologias. Será uma oportunidade única para reunir doentes, cuidadores e especialistas de referência na área da hematologia. Juntos, num diálogo aberto, aprofundarão a realidade diária e discutirão novas estratégias para otimizar o tratamento e a qualidade de vida destes doentes no nosso país.  

A colaboração entre a APLL, a APCL e a Lymphoma Coalition é um passo significativo para dar visibilidade à realidade dos doentes portugueses com Linfomas e LCC" refere Isabel Barbosa, Presidente da APLL. "Acreditamos que ao partilhar estes dados e ao promover o diálogo entre todos os intervenientes poderemos impulsionar mudanças positivas e garantir que ninguém se sinta sozinho nesta jornada." 

A sessão terá início com a apresentação dos resultados obtidos, com foco especial na realidade de Portugal. Natacha Bolaños, Regional Manager Europe da Lymphoma Coalition, destaca a importância da participação portuguesa neste estudo. “É com grande satisfação que vemos Portugal a atingir os 100 participantes neste inquérito global, contribuindo com dados valiosos que enriquecem a nossa compreensão mundial sobre os Linfomas e a LLC, é um avanço significativo na geração de evidência sobre dados da experiência do doente “ 

O evento inclui também um painel de discussão de hematologistas de diversos centros hospitalares, nomeadamente do IPO Porto, IPO Lisboa, ULS Braga e ULS Coimbra, e será moderado pela Professora Maria Gomes da Silva, presidente da Sociedade Portuguesa de Hematologia e Hematologista no IPO Lisboa. 

Na segunda parte do encontro, serão abordadas as perspetivas dos doentes e dos cuidadores, refletindo sobre a realidade vivida durante e após o diagnóstico. Este painel, moderado por Aurora Araújo, enfermeira do IPO Porto, contará com testemunhos na primeira pessoa onde serão discutidos temas como o acesso a diagnóstico e tratamento, o impacto psicossocial da doença, a importância do apoio ao cuidador e as desafios identificadas no sistema de saúde. 

"Este inquérito é uma ferramenta crucial para compreendermos melhor as necessidades e os desafios dos doentes com linfoma em Portugal", afirma Lara Cunha, Diretora Executiva da APCL. “Com estes resultados, poderemos direcionar políticas de saúde mais centradas no doente, abordando acesso a tratamento, impacto psicossocial, apoio ao cuidador e desafios do sistema. É essencial que a voz dos doentes seja ouvida e que os dados impulsionem ações concretas para melhores cuidados”. 

A APCL, a APLL e a Lymphoma Coalition convidam todos os interessados a participar neste evento. A inscrição pode ser feita através do preenchimento do formulário online

Na Foz do Arelho
A APELA – Associação Portuguesa de Esclerose Lateral Amiotrófica, no dia 21 de junho celebrou o Dia Mundial da Esclerose...

O encontro teve como objetivo principal criar um espaço de partilha, apoio mútuo e celebração da vida, proporcionando momentos de convívio e bem-estar. Num ambiente informal, mas significativo, sublinhou-se a importância da humanização no cuidado e da ligação entre todos os que vivem ou acompanham o impacto da E.L.A. no quotidiano.

O programa incluiu sessões temáticas e atividades destinadas a fortalecer laços e inspirar uma abordagem positiva perante os desafios da doença. Além disso, foram exibidos vídeos e realizadas ações de divulgação para aumentar a consciencialização e solidariedade na comunidade.

“Este dia foi um marco de união e compromisso, fortalecendo a missão da APELA e dando voz e visibilidade à nossa Comunidade. Uma data que nos desafia a olhar com mais atenção para uma realidade tão silenciosa quanto devastadora. A Esclerose Lateral Amiotrófica é uma doença neurodegenerativa rara, mas o seu impacto é profundo, transformando para sempre a vida de quem d(ELA) é diagnosticado e de quem caminha ao seu lado, dia após dia, numa jornada exigente e extenuante, onde num jogo de perdas, muitas vezes se torna difícil encontrar a positividade. É urgente sensibilizar a sociedade para esta condição que, apesar de pouco frequente, exige respostas robustas, rápidas, equitativas em território nacional e claro está solidárias. A inclusão passa por envolver tanto as Pessoas com E.L.A. como as suas famílias”, frisou Filipe Gonçalves, Presidente da Direção da APELA.

A APELA reitera o seu compromisso no trabalho ativo para a promoção da dignidade, do cuidado e da inclusão das Pessoas com E.L.A., em estratégias que procurem apoiar e melhorara qualidade de vida de todos os que direta e indiretamente lutam contra a doença. E apelar para respostas robustas e solidárias frente as necessidades identificadas, nesta realidade tão desafiadora.

 

Entrevista
Joana Botelho, Country Manager da Kyowa Kirin em Portugal, destaca o compromisso da farmacêutica com

No âmbito das doenças raras, cujo conhecimento do Grande Público é normalmente reduzido, como é que a Kyowa Kirin se posiciona em termos de comunicação?

A Kyowa Kirin procura ser uma empresa que está ao lado dos doentes, famílias e prestadores de cuidados a quem vive com uma doença rara. Queremos continuar a erguer a voz para que as doenças raras recebam a visibilidade que merecem. O nosso objetivo é proporcionar uma abordagem cada vez mais célere e custo-efetiva, mas de alta qualidade. Para nós é muito importante transmitir aos doentes e às suas famílias que têm o apoio de profissionais, associações de doentes e empresas farmacêuticas, que ouvem e procuram soluções para os ajudar a ter uma melhor qualidade de vida.

 

Acha que o Grande Público começa a estar mais informado?

Há um interesse crescente do público por temas relacionados com a saúde, especialmente quando as pessoas são afetadas pessoalmente por uma doença ou conhecem alguém que o é. A Internet revolucionou o acesso à informação sobre saúde. Atualmente, as pessoas podem pesquisar facilmente sintomas, diagnósticos e tratamentos, o que não era possível à mesma escala há décadas atrás. No entanto, as pesquisas na Internet também conduzem a conteúdos não verificados, fóruns ou estudos sem significado estatístico ou mesmo sem relevância científica, que por vezes podem desinformar mais do que educar, pelo que é crucial que as pessoas possam aceder a fontes fiáveis.

 

Que importância tem a comunicação para o Grande Público em comparação com os profissionais de Saúde?

Ambos têm um papel essencial no nosso objetivo de sermos um aliado dos doentes, famílias e cuidadores que vivem com uma doença rara, e é por isso que oferecemos espaços e conteúdos adaptados a cada público específico, porque cada um tem necessidades diferentes. Na Kyowa Kirin, estamos a trabalhar em conjunto com as diferentes partes envolvidas para chegar à sociedade através de iniciativas como o CertamenT, o primeiro concurso de fotografia e curta-metragem sobre o Linfoma Cutâneo de Células T, que acabámos de lançar.

 

Considera que o lançamento de websites específicos melhora a comunicação e a apresentação de informação fidedigna e directamente relacionada com a doença?

Enquanto empresa farmacêutica inovadora, trabalhamos para desenvolver medicamentos que ajudem as pessoas com doenças raras a melhorar a sua qualidade de vida. Mas para o conseguir, temos de nos concentrar não só na investigação, mas também em conhecer as necessidades dos doentes muito de perto para criar soluções conjuntas que satisfaçam as suas necessidades para além de um tratamento. Por esta razão, temos websites, como o “ XLHLink Patient Website” ou o “ LCCT Answers | Home”, que têm como objetivo apoiar os doentes com Hipofosfatemia Ligada ao X (XLH) e Linfomas Cutâneos de Células T (LCCT), respetivamente, para os acompanhar e ao seu ambiente no processo de viver com esta doença.

 

Promovendo Websites dedicados às doenças, onde doentes e familiares possam ter contacto com conteúdos relevantes e que foram verificados por especialistas, podemos dizer que a Kyowa está neste caso a desenvolver um autêntico serviço público?

Dispor de informações e recursos é uma grande ajuda numa altura tão crucial como o diagnóstico de uma doença rara. Além disso, com o passar do tempo, é muito útil ter recursos disponíveis para apoiar estes doentes em diferentes alturas e fases das suas vidas, como a adolescência no caso da XLH.

 

Nota alguma diferença no interesse demonstrado pelo Grande Público por conteúdos relacionados com doenças raras entre os Países com os quais tem contacto?

O interesse demonstrado pelo público em geral por conteúdos relacionados com as doenças raras nos países com os quais estou em contacto não apresenta diferenças significativas. Apesar das variações nos sistemas de saúde, nas políticas públicas e nos níveis de investimento na investigação, as pessoas com doenças raras partilham uma essência e necessidades comuns que vão para além das fronteiras.

Embora seja verdade que existem diferenças nas práticas e nos recursos disponíveis nos vários países, o interesse e a preocupação do público em geral em relação às doenças raras é consistente. As pessoas com doenças raras partilham necessidades essenciais e enfrentam desafios semelhantes, o que sublinha a importância de uma resposta global e coordenada para melhorar os seus cuidados e a sua qualidade de vida.

 

Acha que existe hoje em dia uma maior abertura na divulgação de informações e conteúdos relacionados com as doenças raras?

Graças a este tipo de iniciativas de divulgação de informação promovidas pela Kyowa Kirin, é possível tornar visível a realidade de muitas famílias que enfrentam corajosamente e com esperança uma doença rara como a XLH e o LCCT.

 

Podemos dizer que estão a ser ultrapassados alguns estigmas em relação às doenças raras?

Sim, podemos afirmar que estão a ser ultrapassados alguns estigmas associados às doenças raras — e iniciativas como o CertamenT, desenvolvida em parceria com a APCL (Associação Portuguesa Contra a Leucemia) AEAL (Asociación Española de Afectados por Linfoma, Mieloma y Leucemia) e com a AEDV (Academia Espanhola de Dermatologia e Venereologia), contando com o nosso apoio, são um reflexo claro dessa mudança. A normalização das doenças raras é fundamental para combater a desinformação e o preconceito que ainda afetam muitos doentes e cuidadores. Trazer estas realidades para o espaço público, através de projetos artísticos e culturais, permite dar voz às experiências muitas vezes silenciadas de quem vive com estas condições.

O CertamenT, sendo o primeiro concurso ibérico de fotografia e curtas-metragens dedicado ao Linfoma Cutâneo de Células T, é um exemplo desta evolução. Ao convidar os participantes a representar, de forma criativa e sensível, as emoções, sensações e vivências associadas a esta doença oncológica rara — que afeta principalmente a pele — o concurso promove a empatia, a informação e a visibilidade. Mais do que uma competição artística, o CertamenT é um espaço de partilha e consciencialização.

 

O que podemos esperar de futuro em relação à comunicação com doentes, familiares e profissionais de saúde? Uma maior abertura em termos de comunicação?

Na Kyowa Kirin, acreditamos que a evolução constante que caracteriza a nossa indústria deve ser acompanhada pelos elementos certos que se adaptam e reflectem as mudanças que a sociedade está a viver.

 

De que forma a democratização de conteúdos sobre Saúde pode ajudar a criar uma maior normalidade em relação às doenças raras?

Acreditamos que é essencial apoiar iniciativas que ajudem a tornar mais visível a realidade das pessoas com doenças raras, como a XLH ou o LCCT. Estamos confiantes de que esta é a forma de contribuir para a construção de um futuro muito mais esperançoso para estes doentes e para as suas famílias.

 

Que cuidados considera relevantes na divulgação de conteúdos deste género? O facto de neste caso em específico ser uma empresa farmacêutica a promover a divulgação, considera que tem de haver algum cuidado especial?

Ao divulgar conteúdos sobre doenças raras, nomeadamente por parte de uma empresa farmacêutica, é essencial adotar uma abordagem ética e responsável que dê prioridade ao bem-estar e à dignificação das pessoas com doença, em aspetos fundamentais para evitar a estigmatização e promover um entendimento e conhecimento adequados.

É essencial garantir que a informação é exata e validada; a comunicação deve basear-se em dados científicos atualizados; evitar a estigmatização e os estereótipos; apoiar a educação e a formação: disponibilizar recursos educativos para o público em geral contribui para uma melhor compreensão e gestão destas doenças.

E, claro, a colaboração com as associações de doentes é fundamental. Os websites acima mencionados são um exemplo de como a colaboração pode fomentar a sensibilização e trabalhar no sentido de melhorar a sua qualidade de vida.

 

Este ano além do website, temos novos projectos por parte da Kyowa que estão mais adaptados a uma divulgação mais em massa. Faz parte de uma nova estratégia da Kyowa?

Adicionalmente aos websites, temos também vários projetos e iniciativas que são o reflexo do nosso “compromisso com a vida”, incluindo o projeto português “Não, não é normal”. Uma campanha que procura sensibilizar para sinais simples e de alerta que podem ser detetados por médicos e profissionais de saúde não especializados em doenças raras, uma vez que especialidades mais abrangentes como MGF são cruciais para um diagnóstico precoce.

"O conteúdo desta entrevista é da autoria do interveniente/médico/especialista, refletindo a sua perspetiva clínica e/ou trabalhos seus não publicados."

 

Foto: 
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Na Bulgária
A equipa de futsal portuguesa DiabPT United, composta por pessoas com diabetes de vários pontos do país, já está em preparação...

“É sempre um orgulho imenso estar a representar Portugal numa competição destas. Depois de uma esmagadora vitória na semi-final do ano passado contra a Polónia (9-1), a nossa equipa conquistou o segundo lugar no Campeonato. Estamos focados nos nossos treinos e a afinar a estratégia para o campeonato na Bulgária. É um motivo de satisfação para nós termos uma forma de promover a educação sobre a diabetes junto da população, mostrando que a diabetes não é uma barreira, mas sim um desafio que, com boa gestão, nos permite alcançar grandes feitos, inclusive no desporto.”, afirma João Nabais, manager da equipa.

Segundo os dados mais recentes, em Portugal, cerca de 1,1 milhões de portugueses entre os 20 e os 79 anos têm diabetes, o que representa 14,1% da população neste grupo etário. Calcula-se ainda que mais de 40% dos portugueses entre as mesmas idades vivem com diabetes ou pré-diabetes, sendo crucial agir de forma mais precoce, recorrendo a atitudes preventivas.

A inatividade física é um fator de risco responsável por cerca de 5 milhões de mortes anuais em todo o mundo, contribuindo para o aparecimento das principais doenças crónicas não transmissíveis, como é o caso da diabetes. E está ainda comprovado que a atividade física tem impactos positivos diretos na saúde, como a melhoria do controlo da glicose no sangue.

“A atividade física é um dos pilares da gestão da diabetes, mas também promotora da própria prevenção da diabetes tipo 2. Por isso mesmo, é essencial. No entanto, existem ainda algumas questões de discriminação ligadas à prática desportiva e o que queremos é precisamente mostrar que a diabetes não representa uma limitação para a prática desportiva. A nossa preparação para o DiaEuro na Bulgária é a prova viva disso.”, remata João Nabais.

O projeto DiabPT United foi criado em 2012 pelo Núcleo Jovem da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (NJA), com o apoio da Associação de Jovens Diabéticos de Portugal (AJDP). O objetivo deste passa por fomentar a partilha de experiências entre pessoas com diabetes, desfazer mitos associados a esta doença e inspirar pessoas com diabetes a fazer desporto.

Englobada neste projeto está a formação de uma equipa de futsal, totalmente composta por pessoas com diabetes, para representar Portugal no Campeonato Europeu de Futsal para Pessoas com Diabetes (DiaEuro). O evento anual, criado também em 2012, destina-se exclusivamente a jogadores com diabetes.

 

Páginas