Ciências ULisboa
Ciências ULisboa integrou recentemente o projeto “Autonomia 21”, um projeto da Associação Pais 21 - Down Portugal cujo objetivo...

A Pais 21 é uma associação formada em 2008 por pessoas com T21, famílias e sociedade civil, que promove a informação e sensibilização da opinião pública para as questões relacionadas com esta condição genética, fornece apoio individualizado às famílias, e procura capacitar as pessoas com T21 com vista à sua autonomização e integração plena na sociedade.

De forma a responder a estes objetivos, e perante as dificuldades partilhadas pelas famílias no que diz respeito ao apoio disponibilizado pelas instituições sociais, a associação dinamiza várias atividades e grupos de apoio, nos quais crianças e jovens com T21 podem desenvolver as suas capacidades sociais e cognitivas.

Rita Avelino, tesoureira da associação e mãe de um jovem com T21, explica como surgiu a ideia para o projeto “Autonomia 21”. “No ano passado tínhamos jovens a acabar o 12.º ano, que não tinham solução”, conta, referindo-se à dificuldade em arranjar um emprego depois de concluída a escolaridade obrigatória. Foi desta vontade que nasceu o projeto, em 2022, ao qual se foram associando várias instituições e empresas, entre elas a Ciências ULisboa.

A associação inicia o processo de profissionalização dos jovens de forma individualizada, analisando os gostos, aptidões e expectativas de cada um. Rita Avelino diz que, ao contrário do que acontece na maioria das instituições, em que os cursos de formação são generalistas e pouco adaptados às necessidades de cada um, para a associação o foco está na pessoa.

O passo seguinte é confrontar esta análise com as possibilidades existentes no mercado de trabalho e as entidades parceiras disponíveis para receber estes jovens. Numa primeira fase, os participantes começam por fazer um estágio, com o objetivo de posteriormente vir a ser celebrado um contrato de trabalho com a entidade.

A Pais 21 é uma associação formada em 2008 por pessoas com T21, famílias e sociedade civil, que promove a informação e sensibilização da opinião pública para as questões relacionadas com esta condição genética, fornece apoio individualizado às famílias, e procura capacitar as pessoas com T21 com vista à sua autonomização e integração plena na sociedade.

De forma a responder a estes objetivos, e perante as dificuldades partilhadas pelas famílias no que diz respeito ao apoio disponibilizado pelas instituições sociais, a associação dinamiza várias atividades e grupos de apoio, nos quais crianças e jovens com T21 podem desenvolver as suas capacidades sociais e cognitivas.

Rita Avelino, tesoureira da associação e mãe de um jovem com T21, explica como surgiu a ideia para o projeto “Autonomia 21”. “No ano passado tínhamos jovens a acabar o 12.º ano, que não tinham solução”, conta, referindo-se à dificuldade em arranjar um emprego depois de concluída a escolaridade obrigatória. Foi desta vontade que nasceu o projeto, em 2022, ao qual se foram associando várias instituições e empresas, entre elas a Ciências ULisboa.

A associação inicia o processo de profissionalização dos jovens de forma individualizada, analisando os gostos, aptidões e expectativas de cada um. Rita Avelino diz que, ao contrário do que acontece na maioria das instituições, em que os cursos de formação são generalistas e pouco adaptados às necessidades de cada um, para a associação o foco está na pessoa.

O passo seguinte é confrontar esta análise com as possibilidades existentes no mercado de trabalho e as entidades parceiras disponíveis para receber estes jovens. Numa primeira fase, os participantes começam por fazer um estágio, com o objetivo de posteriormente vir a ser celebrado um contrato de trabalho com a entidade.

Margarida Cunha, psicóloga que acompanha João Pedro, explica que o seu papel é de mediadora, entre a entidade, a associação e os pais. Atualmente acompanha o João Pedro nas vindas à Faculdade, para o ajudar na concretização das tarefas e na integração com os colegas do laboratório. “O objetivo é que ele seja o mais autónomo possível nas tarefas que faz - a cada semana estou com ele progressivamente menos tempo, vou desaparecendo até que deixarei de vir, porque ele tem capacidade para começar a vir sozinho”, afirma.

Para Rita Avelino, este é um projeto com inúmeras mais valias, tanto para as pessoas com T21 como para a sociedade em geral. A experiência de trabalho confere aos jovens mais autonomia e confiança, assim como desenvolve as suas capacidades sociais. Para a sociedade, a vivência com estas pessoas é muito gratificante pois lhes dá uma outra perspetiva sobre a deficiência intelectual.

Ao todo, participam neste projeto oito jovens, a trabalhar em cafés, restaurantes e jardins de infância, entre outros locais. Rita Avelino conta que o feedback dos pais destes jovens é muito positivo, pois denotam muita evolução na confiança e autonomia dos filhos na execução das tarefas diárias.

Federico Herrera afirma que “o projeto está a funcionar muito bem, e tem muitas possibilidades de futuro”. Para o investigador, esta experiência pode perfeitamente ser alargada a outros laboratórios da Faculdade, já que as tarefas que o João Pedro e a Vera desempenham são tarefas transversais a vários departamentos e centros de investigação.

Enquanto investigador e formador, o professor diz que o seu trabalho é formar cientistas – “neste caso continuamos a fazer exatamente a mesma coisa, mas agora também com pessoas com trissomia 21, alargando um pouco o espectro de pessoas que estamos a formar”, afirma. Como elemento nuclear da vida em sociedade, o trabalho é sinónimo de integração, explica. Neste sentido, “a ideia é usar o trabalho como local de integração, para pessoas com e sem deficiências. O laboratório não é só um local para fazer ciência, o laboratório é um local de formação e integração com muito potencial”.

Manuela Pereira, professora do DQB e investigadora principal do Laboratório de Bioenergética do BioISI também envolvida no projeto, enfatiza a importância do trabalho da Vera – “Uma pessoa com o perfil da Vera conseguiria ser perfeitamente uma excelente técnica de laboratório de vários laboratórios de Bioquímica – é uma simbiose!”

O projeto “Autonomia 21”, abraçado inicialmente por Federico Herrera e posteriormente também por Manuela Pereira, permite à Ciências ULisboa atuar num dos pilares da sustentabilidade, o da sustentabilidade social, constituindo uma marca na relação entre a academia e a sociedade. Foi neste sentido que, no passado dia 19 de abril, durante o Dia de Ciências, foi atribuído ao professor Federico Herrera um reconhecimento pelo seu impacto na comunidade de Ciências ULisboa.

Linha de Apoio à Renovação Energética dos Edifícios da Administração Pública Central
No âmbito do Programa de Recuperação e Resiliência (PRR), linha de Apoio à Renovação Energética dos Edifícios da Administração...

Num valor total de investimento que ronda os 600 000,00€, dos quais 492 850,00€ são financiados pelo PRR, a intervenção a realizar tem como principais objetivos: a melhoria dos níveis de conforto para trabalhadores e utentes, nomeadamente no que respeita ao conforto térmico; a melhoria da qualidade do ar no interior; a extensão da vida útil e condições estruturais do edifício; a redução da fatura e da dependência energética; bem como a redução de emissões de gases com efeito de estufa (GEE).

Nesse sentido, o projeto contempla a execução de diversas medidas, das quais se destacam: a aplicação de isolamento térmico na cobertura; a implementação de um chiller mais eficiente; utilização de luminárias LED; implementação de sistema de Gestão Técnica Centralizada (GTC) e instalação de sistema solar fotovoltaico de produção de energia elétrica para autoconsumo. Estas medidas vão potenciar uma redução anual do consumo de energia primária no edifício em causa de 911.228,00 kWh/ano, que equivale a uma diminuição anual estimada das emissões de gases com efeito de estufa de 92,32 t CO2eq/ano. A classe energética do edifício passará de C para B.

 

 

APDP pede ação urgente
Estima-se que os casos de diabetes em todo o mundo ultrapassem os 1,310 milhões até 2050, mais do dobro face a 2021, caso não...

“O tempo de agir é agora! Estes valores corroboram todos os avisos que enquanto associação temos feito ao longo dos anos. É necessário diagnosticar de forma mais precoce, tratar melhor e, principalmente, adotar estratégias de prevenção eficazes.”, defende José Manuel Boavida, presidente da APDP.

Para o conseguir, a associação defende a urgência da implementação de um programa de prevenção da diabetes. “A APDP reuniu-se com deputados de todos os grupos parlamentares, tendo proposto à Comissão de Saúde da Assembleia da República um grande encontro para assinalar o Dia Mundial da Diabetes, no próximo dia 14 de novembro, no qual estejam presentes todos os stakeholders cuja área tenha impacto direto na diabetes, como é o caso das Comissões do Ambiente e do Trabalho. Mais do que discutir o problema que a diabetes representa para o futuro da nossa população, é necessário agir, pelo que aguardamos a colaboração dos deputados para dar início à reunião que poderá mudar o panorama da diabetes em Portugal.”, alerta o endocrinologista.

Além disto, a APDP reforça ainda a necessidade da atualização do Inquérito Nacional de Saúde com Exame Físico, “divulgado pela primeira e única vez em 2016. O investimento neste estudo é urgente, uma vez que a incapacidade de gestão desta situação no presente irá, sem dúvida, representar uma carga económica muito maior no futuro”, continua José Manuel Boavida.

Em 2021, estimava-se a existência de 529 milhões de casos de diabetes, 90% dos quais tipo 2, que se prevê que seja também a principal responsável pelo provável aumento de casos, uma vez que se relaciona fortemente com o aumento da obesidade. Atualmente, a taxa de prevalência global da diabetes, uma das principais causas de morte e incapacidade, é de 6,1%, sendo especialmente evidente em pessoas com 65 ou mais anos.

“Se considerarmos o impacto que a diabetes tem no aumento do risco de doença cardíaca isquémica e de acidente vascular cerebral, por exemplo, percebemos as consequências da inatividade no que diz respeito a ações de prevenção.”, remata.

“A diabetes será uma doença definidora deste século. A forma como a comunidade de saúde lidar com a diabetes nas próximas duas décadas irá moldar a saúde da população e a expectativa de vida durante os próximos 80 anos. O mundo falhou no que diz respeito à perceção da natureza social da diabetes e subestimou a verdadeira escala e ameaça que esta doença representa.”, lamenta o The Lancet.

Planeado para coincidir com a 83ª Sessão Científica da Associação Americana da Diabetes (ADA), o The Lancet e o The Lancet Diabetes and Endocrinology publicam agora uma série sobre Desigualdade Global na Diabetes. Composta por dois estudos (um a nível global e outro focado nos EUA), conta a “história infeliz e desigual da diabetes”.

4 mil mortes prematuras por ano em Portugal são causadas pela má qualidade do ar
Com a chegada das temperaturas altas, as concentrações de formaldeído no interior aumentam até 20 ve

No verão, é comum deixar as janelas abertas, permitindo que o pó e outros poluentes se acumulem mais rapidamente dentro de casa. Além disso, a poluição interior também pode ser causada pela presença de partículas geradas dentro de casa. Atividades como cozinhar podem emitir poluentes como PM2,5 e NO₂, enquanto os produtos de limpeza e de higiene pessoal podem libertar gases COV.

O calor aumenta as partículas nocivas para o organismo

Existem investigações que mostram como as ondas de calor aumentam diretamente os níveis de partículas (PM), dióxido de azoto (NO2) e ozono troposférico presentes no ar. Além disso, quando combinadas com a humidade, as temperaturas elevadas levam à libertação de COV (Compostos Orgânicos Voláteis), como o formaldeído, um gás nocivo presente em mobiliário, colchões e paredes dentro de casa. As concentrações de formaldeído em interiores são, em média, 20 vezes mais elevadas no verão do que no inverno, dependendo das condições de temperatura e humidade interiores.

O calor também facilita a reação destes compostos entre si. Quando a luz solar reage com os óxidos de azoto (NOx) e os compostos orgânicos voláteis (COV) no ar, é gerada uma neblina fotoquímica potencialmente nociva chamada ozono troposférico.

As pequenas dimensões dos COV, do ozono troposférico e das partículas em suspensão com um diâmetro inferior a 10 microns são capazes de penetrar profundamente no trato respiratório e depositar-se nos alvéolos pulmonares, podendo mesmo atingir a corrente sanguínea, causando um aumento do stress oxidativo, pró-inflamatório e pró-trombótico.

Ser capaz de controlar a qualidade do ar interior pode ser um primeiro passo para reduzir a exposição a poluentes provenientes tanto do exterior como de dentro de casa.

8 dicas para um ambiente doméstico saudável:

  1. Ventilar com conhecimento

É aconselhável verificar regularmente a poluição do ar exterior e as concentrações de pólen para evitar abrir as janelas quando os níveis de pólen são elevados. Por exemplo, é útil fechar as janelas de manhã cedo e à noite, tendo especial cuidado durante a época de verão.

  1. Espaço sem fumos

A coisa mais importante para melhorar a qualidade do ar interior é manter a casa livre de fumo. Isto reduz a exposição a concentrações elevadas de partículas e gases nocivos. Nas casas com fumadores, as concentrações de partículas finas são duas a três vezes mais elevadas do que nas casas de não fumadores.

  1. Escolher a mobília certa

Muitos produtos como tapetes e mobiliário emitem pequenas quantidades de formaldeído, um químico incolor, inflamável e com um cheiro forte, utilizado no fabrico de materiais e na produção de muitos produtos domésticos. Para além de manter as divisões bem ventiladas quando se introduzem novos móveis ou tapetes em casa pela primeira vez, seria sensato escolher pavimentos de superfície dura em vez de alcatifas, comprar móveis em segunda mão (após alguns anos, os produtos deixam de libertar formaldeído) ou procurar colchões feitos de materiais naturais, como o algodão, a lã e o látex natural.

  1. Eliminar o pó

O pó da casa é uma mistura de sujidade, ácaros, pelos de animais, pólen e outras partículas como produtos químicos emitidos por móveis, aparelhos eletrónicos, plásticos e tecidos. Para o combater, podemos adotar hábitos como limpar regularmente os tapetes; colocar os sapatos num espaço perto da porta; aspirar frequentemente todo o tipo de superfícies, pavimentos e colchões com um aspirador de pó totalmente selado e com um sistema de filtragem adequado para reter eficazmente o pó.

  1. Evitar produtos de limpeza potencialmente tóxicos

Recomenda-se a utilização de produtos de limpeza sólidos ou líquidos em vez de aerossóis. Também é aconselhável utilizar a menor quantidade possível de produtos e abrir as janelas durante a limpeza. Em todo o caso, a melhor forma de evitar o contacto com os produtos químicos presentes nos produtos de limpeza é não os utilizar.

  1. Cuidado na cozinha!

Assegurar que os aparelhos (por exemplo, lareiras, fogões e fornos) têm uma saída completamente vedada para o exterior e que são corretamente instalados, utilizados e mantidos. É também aconselhável instalar um detetor de monóxido de carbono ou outro dispositivo capaz de medir em tempo real a qualidade do ar em casa e cozinhar com eletricidade em vez de gás para eliminar emissões.

  1. Evitar os espaços húmidos e a condensação

O bolor e os ácaros desenvolvem-se em ambientes quentes e escuros, como os quartos. O bolor também se desenvolve em locais frios e húmidos, como a casa de banho. Uma das medidas que podemos tomar para os evitar é ter as cozinhas, as casas de banho e os corredores sem alcatifas, uma vez que estes são frequentemente locais húmidos, o que favorece o crescimento de bolor. Também é útil fechar as portas interiores da cozinha e da casa de banho quando se cozinha e se toma banho, para evitar que o vapor entre noutras divisões, bem como abrir as janelas, utilizar um purificador de ar ou um exaustor quando se utilizam estas divisões. Por último, evite secar a roupa molhada dentro de casa ou em cima de radiadores; é preferível secá-la ao ar livre.

  1. Ter em conta os animais de estimação e os seus alergénios

A caspa e o pelo dos animais de estimação são alergénios para muitas pessoas e acumulam-se juntamente com outros tipos de pó doméstico. Medidas como manter os animais de estimação fora do quarto ou de outras divisões onde passam muito tempo, ou não permitir que se sentem ou durmam em móveis macios pode ajudar a reduzir a sua propagação. Por outro lado, não esquecer a importância de aspirar frequentemente.

Em suma, há muitas coisas que podemos fazer para garantir que, dentro de casa, respiramos o ar mais saudável possível, criando um espaço seguro contra os compostos nocivos que estão constantemente a aumentar no exterior. Como vimos, não basta arejar de vez em quando: podemos adquirir hábitos de limpeza e até de comportamento para manter afastados os poluentes que são gerados.

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Doença rara e manifesta-se no primeiro ano de vida
Em Portugal, calcula-se que possam existir cerca de 450 pessoas com esta patologia, estimando-se uma

De acordo com a DRAVET Portugal, esta síndrome consiste numa “encefalopatia progressiva rara que se caracteriza por uma epilepsia grave e resistente ao tratamento”, com origem numa mutação genética no gene SCN1A, que codifica os canais de sódio que interferem na excitabilidade dos neurónios. Os restantes casos, explica Ana Isabel Dias, Neurologista Pediátrica no Hospital Dona Estefânia, “serão devidos a alterações em outros genes, muitos deles ainda desconhecidos”.

A manifestação dos sintomas – que podem surgir no contexto febril e não febril – surgem, habitualmente, entre os cinco e os oito meses, “em crianças previamente saudáveis”, sendo que as suas crises podem apresentar-se como “estado de mal epilético febril, com duração de mais de 20 minutos, sobretudo nos primeiros anos de vida”. Segundo a especialista, cada criança pode ter 500 ataques por dia que, em casos mais graves, podem conduzi-la a um estado de coma.

É importante sublinhar que, apesar destas crises não estarem associadas a fatores desencadeantes, ou seja, estas acontecer sem fatores associados, há, no entanto, situações já identificadas que podem precipitá-las, como é o caso de quadros febris, vacinação, mudanças bruscas da temperatura corporal, ambientes quentes e ruidosos, stress emocional ou estímulos visuais. Sendo que estes últimos não são iguais para todos os doentes.

A partir do segundo ano de vida, alerta a DRAVET Portugal, “começam a observar-se sintomas de deterioração no desenvolvimento cognitivo e psicomotor. Em muitos casos é observada ataxia, transtornos incluídos no espectro autista, problemas alimentares, de crescimento e transtornos do sono. A fala apresenta-se como uma das faculdades mais afetadas”.

A partir dos 5 anos de idade, dá-se uma estabilização do quadro clínico, “com um espectro que vai dum deficit cognitivo profundo a uma criança com problemas sérios de aprendizagem, mas com algum potencial para uma autonomia quando adulto”.

Os dados revelam ainda que 15 por cento das crianças com esta síndrome morre antes de atingir a adolescência.

Diagnóstico e tratamento

Tratando-se de uma doença rara, muitas vezes confundida com convulsões febris ou outras formas de epilepsia, o diagnóstico correto é de extrema importância.  

Este é baseado em achados clínicos e electroencefalográficos (EEG). E, é frequente que, as alterações produzidas só sejam identificadas mais tarde. Ou seja, o EEG é geralmente normal numa fase inicial.

No entanto, sublinha-se a importância do seu diagnóstico o mais precocemente possível. “A falta de um diagnóstico correto ou o uso de fármacos antiepilépticos agravantes pode ser fatal”, alerta a DRAVET Portugal.

O diagnóstico deve, deste modo, ser clínico e incluir um teste genético. Segundo a neurologista pediátrica, “o teste genético pode identificar uma alteração SCN1A, confirmando o diagnóstico”.

Quanto ao tratamento, Ana Isabel Dias revela que há vários fármacos que podem ser utilizados e adaptados, caso a caso, porque diz, há determinados medicamentos que podem até agravar as crises. O principal objetivo do tratamento é reduzir a frequência das crises e prevenir a ocorrência do estado de mal epilético.

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27 de junho
No âmbito do Dia Mundial do Microbioma, que se assinala no dia 27 de junho, a NOVA Medical School vai realizar consultas...

O microbioma, composto por uma comunidade complexa de micro-organismos, incluindo bactérias, vírus e fungos, desempenha um papel crucial na digestão, metabolismo e sistema imunológico. O intestino é um órgão essencial para a manutenção de um estado nutricional adequado, e consequentemente para um bom estado de saúde. No intestino ocorre a digestão e absorção de nutrientes, sendo também fundamental no desenvolvimento do sistema imunitário.

O intestino desempenha um papel importante na manutenção de um estado nutricional adequado e, portanto, de uma boa saúde geral. No entanto, vários distúrbios gastrointestinais, como a síndrome do intestino irritável (SII), o sobrecrescimento bacteriano no intestino delgado (SIBO), a doença inflamatória intestinal (DII), a doença celíaca e intolerâncias alimentares, necessitam de uma abordagem nutricional específica, de modo a modular o microbiota intestinal.

As consultas gratuitas de Nutrição & Saúde Intestinal têm lugar no próximo dia 27 de junho de 2023, entre as 8h30 e as 17h00, na Sala de Ensaios Clínicos, no Edifício da Biblioteca da NOVA Medical School. A marcação deverá ser efetuada através https://forms.office.com/e/UkC9XEgx2B

 

 

Hub científico de Oeiras amplia a capacidade de desenvolver projetos na área da biotecnologia
A Ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Elvira Fortunato, inaugura hoje, em Oeiras, o novo edifício iBET Biofarma,...

Com uma área total de 6700 m2, esta nova unidade de investigação que contribui para a valorização e transferência de tecnologia do iBET, é financiado por fundos próprios e cofinanciado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), num investimento total de 25 milhões de euros.

Este hub científico de Oeiras vai permitir aumentar o investimento internacional em I&D para o desenvolvimento de biofármacos e produtos para terapias avançadas, de que são exemplo terapias celulares e génicas e vacinas de nova geração.

“Trata-se de um investimento que trará certamente um elevado retorno em termos de criação de valor para a economia portuguesa. Irá permitir expandir a atividade de R&D do iBET, em grande percentagem alavancada em investimento internacional, criando mais emprego científico, reter pessoas altamente qualificadas e atrair novos talentos. É uma aposta de futuro para a ciência e desenvolvimento tecnológico em Portugal”, refere Paula Marques Alves, Chief Execute Officer do iBET, Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica.

Para além da Ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Elvira Fortunato, cerimónia de inauguração do novo edifício conta com as intervenções do Ministra da Saúde, Manuel Pizarro, Presidente da Câmara de Oeiras, Isaltino Morais e da Chief Executive Officer do iBET – Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica, Paula Alves.

Presente no evento, estará ainda a Ministra da Agricultura e da Alimentação, Maria do Céu Antunes.

 

 

Dia Internacional para a Consciencialização da Escoliose assinala-se a 24 de junho
A escoliose idiopática do adolescente (EIA) é uma patologia que afeta entre 2 a 4 por cento da popul

Ainda que, na maioria dos casos, a causa seja idiopática (que significa de causa desconhecida, embora saibamos que terá a ver com um determinismo genético ainda não identificado), pode ter outras causas como neurológicas, congénitas, do tecido conjuntivo e outras. A escoliose idiopática pode ainda ser infantil (< 3 anos), juvenil (3 – 10 anos) e do adulto e pode ainda ser “de novo” em adultos habitualmente na 5ª década que não sofriam desta patologia.

Na EIA há quem acredite que o peso das malas e mochilas pode potenciar o surgimento desta patologia, o que é errado. O transporte de mochilas e malas, ainda que possam aumentar a quantidade de stress na coluna vertebral, devido ao peso excessivo, a utilização das mesmas não é o principal fator de desenvolvimento de escoliose. O máximo que pode acontecer é que a dor sentida aumente. Vários estudos comparativos entre crianças que usam mochila em apenas um ombro com as que não usam mochila, revelaram que a incidência de escoliose é igual em ambas.

No entanto, pode sim existir uma relação entre o peso das malas e algumas alterações de postura. Por forma a que não haja um comprometimento da coluna, recomenda-se que o peso carregado não ultrapasse 10 por cento do peso corporal.

Os principais sinais de alerta são os ombros a alturas diferentes, um lado da anca mais levantado do que o outro, inclinação do corpo para um dos lados e proeminência da grelha costal (gibosidade ou bossa torácica) ao fletir a coluna para a frente. Por vezes, a escoliose pode ser facilmente confundida com a desigualdade do comprimento das pernas, sendo estes casos uma das causas de atitude escoliótica e não escoliose, na qual temos para além da curvatura da coluna uma rotação das vértebras.

As escolioses que apresentam entre 20-25 graus (Ângulo de Cobb) apenas necessitam de vigilância regular até à conclusão do crescimento da coluna vertebral. Porém, quando a curvatura é entre 20-25 e 40-45 graus, pode ser recomendada a utilização de um colete para impedir que a curva se agrave. As curvas maiores têm habitualmente indicação cirúrgica.

Relativamente ao tratamento da escoliose, este deve ser personalizado e individualizado, consoante a gravidade da situação. O problema mais importante relacionado com a escoliose é a progressão da deformidade e os efeitos colaterais resultantes, como distúrbios respiratórios e dor.

A fisioterapia, osteopatia, exercícios de alongamento ou reforço das cadeias musculares, não têm validação científica quanto à correção da curva. São, contudo, importantes quando pensamos em atitudes escolióticas e correções posturais, o que é diferente das verdadeiras escolioses. Nestas, para além da inclinação lateral do tronco temos ao mesmo tempo a rotação da coluna no seu eixo vertical, que corresponde clinicamente ao aparecimento da gibosidade ou bossa torácica dorsal.

As ortóteses, recomendadas entre os 20-40 graus, têm como principal objetivo que a curva não progrida com o crescimento da adolescência. Podem ser de vários tipos, sendo os mais comuns os coletes de Boston, Providence e Charleston. Os dois primeiros são habitualmente usados 23 horas por dia, podendo em alguns casos aplicar-se o colete de Charleston apenas durante o período noturno.

Na EIA apenas é aconselhada a cirurgia nos casos graves, com curvas superiores a 40-45º, recorrendo-se a anestesia geral e a um período de internamento que varia entre quatro a sete dias. É uma cirurgia que se realiza habitualmente com monitorização neurológica, sendo colocado no paciente uns implantes em titânio que permitem a correção da deformidade em 70 a 80% do ângulo pré-operatório. No início da 4ª semana da data da cirurgia podem retomar as suas atividades escolares, recomendando-se atividades físicas sem contacto físico a partir das 6 semanas e sem restrições do desporto escolar a partir dos 4 meses.

Os outros tipos de escoliose, que não a EIA, têm tratamentos específicos caso a caso, necessitando de um tratamento personalizado a ser encetado por um especialista da área (Ortopedista/Fisiatra).


Dr. Nelson Carvalho - Cirurgião de Coluna (Ortopedista); Diretor do Centro de Responsabilidade Integrada de Coluna do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central (Cri Coluna do CHULC); Vice-Presidente da Sociedade Portuguesa da Patologia da Coluna Vertebral (SPPCV)

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Com projeto do Centro Materno Infantil do Norte
No V Encontro Internacional de Novos Paradigmas na Sexualidade, a 5ª edição do Prémio Nascer Positivo distinguiu o Centro...

O Centro Materno-Infantil do Norte (CMIN) do CHUdSA é atualmente a maior maternidade do país, com uma longa história na cidade do Porto.

Aliamos a tradição e a modernidade, somos a união de diversas instituições que contribuem na sua missão para cuidar das pessoas e acompanhar a comunidade, com competência e proximidade.

Os tempos mudaram e surgiram novos desafios e é deste carecimento que nasce o projeto, para promover o parto normal e devolver à mulher a sua capacidade inata para dar à luz. O projeto "Voltamos a nascer todos os dias", em curso desde 2021, surgiu porque o CMIN/ CHUdSA é cada vez mais procurado por casais que pretendem uma abordagem mais fisiológica durante o trabalho de parto.

Para operacionalização deste projeto o serviço de Núcleo de Partos do CMIN/ CHUdSA, começou pela formação dos profissionais na área da verticalidade e mobilidade durante o trabalho de parto e parto, e na aquisição de materiais facilitadores a oferecer à grávida durante este momento.

Neste sentido, foi possível uma mudança de paradigma e em 2021 e 2022 foram realizados 2130 partos eutócicos pelos Enfermeiros Especialistas em Saúde Materna e Obstétrica (EESMO), no total de 6093 partos realizados neste biénio.

O Prémio Nascer Positivo é uma oferta da Vozes da Mulher – Associação pelo autoconhecimento, Liberdade e Respeito®, no âmbito do projeto NASCER POSITIVO. Este prémio, no valor de 500€, visa destacar e homenagear projetos na área da Saúde da Mulher e da Saúde Materna e Obstétrica.

 

23 de junho
A Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), com o apoio da APORMED, promove a 1ª Edição do Fórum de...

O Fórum de Inovação e Tecnologia em Saúde terá lugar amanhã, dia 23 de junho, pelas 14h00, na sede da Microsoft, no Parque das Nações, em Lisboa e contará com convidados especialistas nacionais e internacionais.

A primeira parte do Programa será dedicada ao tema “Dispositivos Médicos inovadores: que modelos para a sua adoção no SNS?” e incluirá também a apresentação da 1ª Edição do Index Nacional dos Dispositivos Médicos, em parceria com a Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa (FFUL) e parceria técnica da IQVIA que procurará caracterizar a situação atual e discutir propostas de melhoria no âmbito da gestão dos equipamentos e dispositivos médicos em Portugal.

A segunda parte do Programa, terá como tópico “Compras baseadas em Valor: entre a necessidade e a utopia” e contará com a participação de Rossana Alessandrello, em representação da Agència de Qualitat i Avaluació Sanitàries de Catalunya (AQuAS), e responsável pelas compras de equipamentos e dispositivos médicos baseados em valor na Catalunha, que irá apresentar uma abordagem centrada em novas soluções.

Os temas serão debatidos por dois painéis de comentadores, que contarão com a presença dos principais stakeholders desta área: Ordens Profissionais, Administradores Hospitalares, INFARMED, Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, Agência Nacional da Inovação, Associações de doentes e representantes da indústria.

Conheça o Programa do Fórum de Inovação e Tecnologia em Saúde aqui.

Conselhos para uma alimentação mais saudável
A alimentação deve ser completa, equilibrada e variada.

Dicas e alternativas mais saudáveis:

  • Substitua os molhos mais calóricos (maionese, natas...) por menos calóricos, como os preparados com iogurte magro, queijo quark ou molho de tomate natural. Além disso, como aperitivos, pode optar por guacamole e húmus (simples ou de beterraba).
  • Prefira confeções como grelhados, cozidos, estufados ou assados simples com pouca adição de gordura. Evite os fritos. Por exemplo, não misture batata frita com arroz. Retirar a batata frita de qualquer prato, torna-o significativamente menos calórico.
  • Não adicione gordura desnecessariamente às confeções. Por exemplo, no caso do arroz não o frite, coloque-o diretamente na água de cozedura e, no caso da massa, não adicione manteiga ou outra fonte de gordura no final da confeção.
  • Não opte por alimentos prontos a consumir, como lasanhas, pizzas, panados ou barrinhas de peixe ou de carne. Para refeições mais rápidas e ao mesmo tempo saborosas, opte por enlatados em água e por ovos (cozidos, escalfados ou mexidos sem adição de gordura numa frigideira antiaderente).
  • Para reduzir a utilização de sal, utilize também ervas aromáticas como coentros, cebolinho e hortelã.
  • Evite a ingestão de refrigerantes e bebidas alcoólicas. Prefira limonada caseira, águas aromatizadas ou infusões de ervas sem adição de açúcar.

 

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
O que dizem os especialistas
Os linfomas cutâneos primários são um grupo heterogéneo e raro de neoplasias linfóides, que se manif

Os linfomas cutâneos primários de células T são os mais frequentes, correspondendo a cerca de 75% dos casos, sendo a micose fungóide o subtipo mais comum. Os linfomas cutâneos primários de células B constituem aproximadamente 25% dos linfomas cutâneos.

Apresentam grande variabilidade clínica, podendo observar-se eritrodermia (“vermelhidão” atingindo mais de 90% da superfície corporal), manchas, pápulas, placas, nódulos e/ou tumores, que podem ulcerar ao longo do tempo.

A escolha do tratamento depende essencialmente do tipo de linfoma cutâneo e do seu estadio.

De acordo com as recomendações terapêuticas propostas pelos grupos especializados internacionais, nos estadios iniciais de alguns tipos de linfomas cutâneos primários devem ser privilegiadas as terapêuticas dirigidas à pele, nomeadamente a fototerapia. Por definição, a fototerapia baseia-se na utilização da radiação ultravioleta (UV), com ou sem a adição de agentes fotossensibilizantes exógenos, para o tratamento de uma grande variedade de dermatoses. Atualmente existem várias modalidades de fototerapia, de acordo com os diferentes comprimentos de onda utilizados. Destacam-se, pela sua maior frequência na prática clínica, a fototerapia com UVB de banda estreita e a PUVAterapia.

Sabe-se que durante muitos séculos, o tratamento com recurso à luz solar (radiação UV), conhecido como helioterapia, foi usado no tratamento de diversas doenças cutâneas.

Consequentemente, é prática médica comum a recomendação de exposição solar a estes doentes, dependendo do tipo e do estadio do linfoma cutâneo. Geralmente aconselha-se a realização de helioterapia a doentes com o diagnóstico de micose fungóide (linfoma cutâneo de células T) em estadios iniciais (estadios IA-IIA) tendo em conta que, nestes doentes, a fototerapia é considerada uma terapêutica de 1ª linha. De uma forma global, os doentes com micose fungóide em estadio inicial toleram muito bem a helioterapia, obtendo benefício clínico significativo.

A fototerapia em combinação com terapêuticas sistémicas é uma modalidade recomendada também para doentes com eritrodermia (síndrome de Sézary ou micose fungóide eritrodérmica) como terapêutica adjuvante. No entanto, é muito importante referir que, nestes doentes, a exposição à radiação UV deve ser feita com muita prudência, em virtude da presença da eritrodermia associada à sensação de calor e de prurido, que podem dificultar a perceção da ocorrência de queimaduras. Na maioria dos casos, o doente não tolera a exposição à radiação UV, quer sob a forma de helioterapia ou de fototerapia, referindo agravamento da “vermelhidão”, do prurido e da sensação de calor.

Em conclusão, apesar da helioterapia ser uma potencial arma terapêutica para estas patologias, deve ser recomendada apenas a determinados doentes, dependendo do tipo e do estadio da doença.

Além disso, a exposição solar deve obedecer às regras básicas aplicadas à população em geral, devendo ser cuidadosa, evitando sempre as horas de maior intensidade da radiação UV (entre as 11h e as 17h).

Autoria:

Iolanda C. Fernandes1,3,4, Rita Peixeiro2,3, Renata Cabral2,3,4

1Serviço de Dermatologia

2Serviço de Hematologia

3Consulta Multidisciplinar de Linfomas Cutâneos e Mastocitoses

3Centro Hospitalar Universitário de Santo António

4Unidade Multidisciplinar de Investigação Biomédica

Foto: 
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Projetos europeus
A Universidade de Coimbra (UC) integra três projetos europeus que pretendem avançar com soluções inovadoras, usando tecnologia...

As investigações querem avançar com novas abordagens terapêuticas para doenças prevalentes (como as cardiovasculares), para patologias ainda sem opções terapêuticas (o caso de várias doenças raras) ou com tratamentos limitados (como sucede com a lesão na espinal medula), com o objetivo de melhorar a investigação translacional, potenciando a replicação da ciência na prática clínica e, assim, melhorar a qualidade de vida de doentes, com tratamentos mais céleres e eficazes para as suas condições de saúde. 

Os três projetos – intitulados “DREAMs”, “REBORN” e “Piezo4Spine” – são financiados pela Comissão Europeia, através do programa Horizonte Europa, tendo conquistado um valor global de financiamento de mais de 16 milhões de euros (mais de 7,7 milhões para o projeto “DREAMs”, cerca de 5 milhões para o “REBORN” e mais de 3,5 milhões para o “Piezo4Spine”). Na Universidade de Coimbra, os projetos estão a ser desenvolvidos pelo Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC-UC), através do grupo de investigação de Terapias Avançadas.

O projeto “DREAMS”, coordenado pelo Center for Stem Cell Studies (CECS, França) e que envolve 9 parceiros, vai decorrer ao longo de 5 anos e pretende trazer novas respostas para os desafios científicos, financeiros e de regulação que afetam o campo da produção de medicamentos para doenças raras, muitas delas ainda sem opções de tratamento. O investigador da Faculdade de Medicina da UC (FMUC) e líder do grupo de investigação de Terapias Avançadas do CNC-UC, Lino Ferreira, explica que esta investigação pretende «usar tecnologia de ponta para identificar formas de enfrentar os desafios científicos, de regulação e de financiamento que impactam a descoberta de medicamentos para doenças raras; e, ao fazê-lo, descobrir de forma mais rápida e económica tratamentos medicamentosos que possam ser reutilizados em várias doenças raras».

Na área das doenças cardiovasculares, a Universidade de Coimbra integra também o projeto “REBORN – Remodelling of the infarcted heart: piezoelectric multifunctional patch enabling the sequential release of therapeutic factors”, coordenado pelo Politécnico de Turim (Itália) e que envolve 10 parceiros europeus. Sendo as doenças cardiovasculares responsáveis por 3,9 milhões de mortes na Europa por ano, e face à limitada capacidade regenerativa do coração quando afetado negativamente por alterações estruturais e funcionais cardíacas, a equipa de investigação pretende, ao longo de 4 anos, «desenvolver um patch cardíaco inteligente e multifuncional, formado por materiais e moléculas capazes de estimularem o tecido cardíaco,  que, quando aplicado na parte clínica, possa ajudar a prevenir significativamente a insuficiência cardíaca em pacientes que sobreviveram a enfartes agudos do miocárdio, reduzindo, assim, a mortalidade e melhorando a sua qualidade de vida», contextualiza Lino Ferreira.

Denominado “Piezo4Spine – Piezo-driven theramesh: A revolutionary multifaceted actuator to repair the injured spinal cord”, o projeto coordenado pela agência estatal espanhola Conselho Superior de Investigações Científicas junta 7 parceiros da Europa e pretende desenvolver uma nova terapia para a lesão na espinal medula. Até ao momento, as opções terapêuticas para pacientes com esta lesão estão limitadas a tratamento sintomático. Para dar resposta à necessidade de um tratamento que promova a recuperação e não apenas o aligeiramento de sintomas resultantes da condição clínica, ao longo de 4 anos, a equipa de investigação pretende «fazer uso dos últimos avanços nas áreas da nanotecnologia, biologia molecular e engenharia de tecidos para criar uma malha 3D bio impressa (3D-theramesh), que possa ser capaz de fornecer à lesão diversos agentes de terapia génica e, assim, promover a recuperação funcional», adianta o investigador da Universidade de Coimbra.

«A participação do grupo de investigação de Terapias Avançadas em 3 projetos internacionais, todos com início em 2023, é de uma grande responsabilidade, mas também uma excelente oportunidade para dar visibilidade à ciência básica e translacional que se faz no CNC-UC e FMUC», remata Lino Ferreira. Os três projetos de investigação vão contratar 10 cientistas ao longo dos próximos 5 anos.

Iniciativa gratuita e sem fins lucrativos dirigida à comunidade local
Viana do Castelo recebe nos dias 30 de junho, 1 e 2 de julho, a 5ª edição da Festa da Saúde. Esta iniciativa da SPMI, com a...

Viana do Castelo recebe a edição de 2023 da Festa da Saúde de 30 de junho a 2 de julho. Esta é uma iniciativa promovida pela SPMI - Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, com o apoio do Serviço de Medicina da Unidade Local de Saúde do Alto Minho e da Câmara Municipal de Viana do Castelo.

“A zona Ribeirinha de Viana do Castelo terá a honra de receber a 5ª edição do único evento gratuito e sem fins lucrativos em Portugal que junta o espetáculo da música, cultura, desporto e alimentação à prevenção da doença e promoção da saúde” afirma Diana Guerra, internista e responsável pela organização do evento.

“Segundo um relatório da Organização Mundial da Saúde, diversas doenças crónicas podem ser prevenidas, nomeadamente 80 por cento dos casos de doença coronária, de acidentes vasculares cerebrais e de diabetes no adulto, e 40 por cento dos casos de cancro. A sua prevenção passa pela adoção de uma alimentação equilibrada, pela prática de exercício físico regular e pela abstinência tabágica”, frisa Dr. Aníbal Marinho, Diretor do Serviço de Cuidados Intensivos do CHUdSA e coordenador do Núcleo de Nutrição Clínica da SPMI.

“Esta é uma oportunidade única para os visitantes, com três dias com diversos rastreios efetuados pelos Núcleos de Estudo da SPMI, experiências desportivas, culturais, gastronómicas e de bem-estar, desde concertos, aulas de ginásio e desportos aquáticos, showcookings e workshops, através dos quais a população pode ter um contacto próximo com os profissionais de saúde que lhes prestam cuidados todos os dias, bem como artistas, desportistas e chefs de renome, que prometem fazer da saúde um bem fundamental mais próximo, acessível e inclusivo” conclui Diana Guerra.

Esta é também uma oportunidade única perceberem o impacto que a malnutrição tem na sua qualidade de vida. Falamos particularmente dos doentes idosos e dos seus cuidadores. Durante o envelhecimento ocorrem alterações psicológicas, fisiológicas, bem como o aumento da suscetibilidade a patologias crónicas e da polimedicação, fatores que levam a um aumento do risco da malnutrição nos idosos. Por ser um processo lento e a quem os médicos não dão muitas vezes a importância devida esta patologia é frequentemente subdiagnosticada, ocorrendo muitas vezes uma intervenção terapêutica tardia, com impactos muito importantes para a qualidade de vida do cidadão.

Depois de Lisboa, Porto, Viseu e Aveiro, a Festa da Saúde em 2023 chega a Viana do Castelo, com dois dias de muita animação. O objetivo da SPMI é motivar a população para hábitos de vida saudável e partilhar informação para prevenir a doença e promover a literacia em saúde. Viver mais, com qualidade de vida – o repto que a Festa da Saúde vai fazer a todos que aceitem o convite de ir a Viana do Castelo nesses dias!

Em causa está a escassez de água potável
A escassez de água vai continuar a agravar-se no futuro e a dessalinização tem sido uma das formas apresentadas para responder...

Neste âmbito, o ISQ trouxe a Portugal investigadores do “Centro de Dessalinização e Reutilização da Água” (WDRC) desta Universidade para debater tendências e desafios neste sector tendo também estado presentes várias entidades públicas e privadas que estão atentas a esta matéria como a EDP, a GALP, as Camaras Municipais de Albufeira, Mafra, Loulé, Sintra, Setúbal e ainda a AHETA - Associação de Hotéis do Algarve e as Águas de Santo André.

As alterações climáticas indicam que, no futuro, o tema da seca prevalecerá na ordem do dia. E, em todo o mundo, a dessalinização é vista cada vez mais como uma resposta possível aos problemas da qualidade e da quantidade da água já que com o crescimento da população, o calor extremo e as secas prolongadas, associadas às mudanças climáticas, será uma questão que se irá colocar cada vez mais. “Este é, portanto, o momento certo para se tomarem medidas concretas e consubstanciadas no conhecimento e lições aprendidas adquiridas por países que já têm larga experiência na implementação destas fábricas. O ISQ, como maior infraestrutura tecnológica portuguesa de apoio à indústria, não pode deixar de dar o seu contributo. Promovemos recentemente uma missão empresarial à Arabia Saudita para visitar tudo o que tem a ver com dessanilização e agora trouxemos a Portugal peritos nesta matéria”, acrescenta Pedro Matias.

O Algarve, por exemplo, consome mais de 230 milhões de m3 de água por ano e com uma central dessalinizadora cerca de 1/3 dessa água poderia ser “produzida” a partir de água do mar. “Sendo o Turismo a principal fonte de receitas do Algarve, assim como a diversificação económica que se pretende na Região com a aposta na Agricultura, sem as commodities necessárias, neste caso a água, não se poderá dar uma resposta de qualidade à procura que existe e à produção de emprego e riqueza na Região. Por isso mesmo está em debate desde 2022 a construção de uma central de dessalinização no Algarve possivelmente em Albufeira. Atualmente a tecnologia está muito mais madura e há um caminho crítico que é possível fazer mais rapidamente aprendendo com países como a Arabia Saudita, Israel ou mesmo Espanha que estão muito adiantados nesta matéria”, conclui Pedro Matias.

No caso da Arábia Saudita, atualmente, metade do abastecimento de água doce - um país com 33 milhões de habitantes e dos mais secos do planeta - é feito com água dessalinizada. O abastecimento da própria Universidade de KAUST é feita com esta água. Nos processos de dessalinização modernos são conjugadas também fontes de energia renovável para obviar o consumo necessário de energia.

Doença neurodegenerativa progressiva
Sem causa conhecida, a Esclerose Lateral Amiotrófica “constitui a forma mais comum de doença adquiri

Estimando-se uma prevalência, “na Europa e América do Norte, entre 2.7 e 7.4 por 100.000 habitantes, discretamente mais elevada no género masculino”, a Esclerose Lateral Amiotrófica é, como explica Bárbara Ramos, especialista em pneumologia e responsável pela consulta de Ventilação Não Invasiva da Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM), “uma doença neurodegenerativa progressiva, que causa fraqueza muscular, incapacidade e insuficiência respiratória grave levando, eventualmente, à morte”.

De acordo com a especialista, “a manifestação clínica inicial da ELA pode ocorrer em qualquer segmento do corpo”, sendo a fadiga e a fraqueza assimétrica dos membros a apresentação mais comum, atingindo entre 80 a 90% dos casos. “Uma percentagem menor pode apresentar perturbação na fala (disartria) ou na deglutição (disfagia), sendo menos comum a fraqueza dos músculos respiratórios, como forma de apresentação da doença”, adianta.

“O sistema respiratório é constituído pelos músculos inspiratórios, que são os que mais contribuem para a ventilação, pelos músculos expiratórios, que contribuem para a expiração forçada e para os esforços/reflexos expulsivos, como a tosse e, por último, pelo sistema bulbar, que protege a via aérea”, começa por explicar a médica sobre o impacto da doença na função pulmonar.

Segundo Bárbara Ramos, a fraqueza dos músculos implicados na respiração levam a uma “falta de ar (dispneia) progressiva ou a uma respiração superficial rápida (taquipneia), podendo resultar na incapacidade em permanecer deitado (ortopneia) e contribuir para distúrbios respiratórios do sono”. “Ao exame objetivo podemos constatar a utilização da musculatura respiratória acessória e a presença de respiração paradoxal (movimento para dentro do abdómen durante a inspiração)”, acrescenta revelando que entre os sintomas hipoventilação noturna estão “as cefaleias matinais, a sonolência diurna excessiva, a fadiga, as alterações de memória, entre outras”, que resultam da obstrução das vias aéreas superiores e da diminuição da atividade muscular inspiratória.

“Quando há acumulação de dióxido de carbono (hipercapnia), podemos constatar alterações do comportamento, como confusão mental ou letargia”, alerta.

Por outro lado, explica a médica, também a tosse pode estar comprometida por fraqueza das vias aéreas superiores e dos músculos inspiratórios/expiratórios. “A afetação da capacidade de tossir e a disfagia, para líquidos, sólidos ou mesmo com as secreções, aumentam o risco de infeções respiratórias por aspiração e contribuem para a desnutrição/desidratação do doente”, revela afirmando ainda que “a disfunção bulbar pode ainda manifestar-se por hipersalivação, disartria, fraqueza facial, entre outras”.

Deste modo, avança ser essencial a avaliação da capacidade vital, com recurso a provas de função pulmonar. “Sabemos que uma diminuição na capacidade vital está frequentemente associada a sintomas respiratórios e que valores abaixo do previsto estão relacionados com risco de insuficiência respiratória”, justifica.

Embora, a progressão da doença seja variável e o atingimento dos músculos respiratórios possa ocorrer meses ou anos após a fraqueza progressiva dos membros e/ou dos músculos bulbares, “mesmo na ausência de sintomatologia respiratória, este tópico deve ser alvo de discussão na consulta, com vista a alertar para os sintomas associados e permitir que o doente se familiarize com os exames complementares incluídos na vigilância”. Para Bárbara Ramos, é crucial que este conheça as opções de tratamento disponíveis, “como o suporte ventilatório ou, em fases mais avançadas, a traqueostomia, por forma a tomar decisões conscientes”.

O tratamento para a insuficiência respiratória no doente com ELA

Segundo a pneumologista, “a VNI constitui o tratamento de eleição na insuficiência respiratória no doente com ELA, com recurso a ventiladores em modo binível, complementada por outras terapias como os mecanismos de tosse assistida e a cinesioterapia respiratória”.

“Os modos ventilatórios disponíveis são vários, incluindo os controlados por pressão, controlados por volume ou volume assegurado, sendo que não existe evidência de benefício de um modo em detrimento do outro. O doente é ajustado a uma interface, normalmente facial para minimizar as fugas e garantir a ventilação adequada, que é conectada a um ventilador por meio de um tubo. São definidos os parâmetros para cada doente, avaliando a resposta clínica e em exames complementares às medidas instituídas. A ventilação pode ser ajustada ao longo do tempo, mediante resposta e necessidades”, explica.

Por outro lado, a traqueostomia pode ser considerada e proposta ao doente (se exequível), “sempre que existe dificuldade no manuseamento de secreções apesar das terapias adjuvantes, nos que requerem VNI contínua, mas tem alguma contraindicação como a disfunção bulbar grave, não toleram a terapia ou a mesma já não é suficiente ou, naqueles cujo desmame da ventilação mecânica invasiva não é possível”. “Importa destacar que, dependendo do suporte em ambulatório, o doente traqueostomizado pode ter alta para o seu domicílio, progredindo os cuidados no seu ambiente”, acrescenta.

“A avaliação da força da tosse é feita como parte da avaliação diagnóstica da fraqueza muscular respiratória, e monitorizada ao longo do tempo. A insuflação-exsuflação pode ser realizada com recurso a um dispositivo mecânico (dispositivo de tosse assistida). Durante a insuflação, é aplicada uma pressão positiva, que resulta num volume corrente inspirado. A pressão torna-se negativa e é suficiente para gerar um fluxo, com o objetivo de insuflar e esvaziar o pulmão, contribuindo para uma adequada limpeza das secreções”, acrescenta quanto às técnicas terapêuticas que a doença exige.

Neste sentido, e tratando-se de uma patologia que requer inúmeros cuidados diário é essencial o apoio de uma equipa especializada para acompanhar o doente e o seu cuidador.

“Os cuidados respiratórios domiciliários (CRD) surgem a partir do momento em que se identifica, na consulta de Pneumologia, a necessidade de implementar alguma das terapêuticas acima descritas. Desde o início do tratamento, seja com mecanismos de tosse assistida ou com ventilação, a equipa de CRD constitui um elemento fulcral no ajuste ao tratamento, monitorização da adesão e da resposta clínica, assim como na resolução de problemas”, revela a médica.

“A assistência é diária, mediante contacto efetuado pelo doente/cuidador ou de forma regular por parte dos profissionais de saúde que integram os CRD, com a periodicidade necessária. Esta pode diferir mediante a patologia, a fase da doença e as necessidades identificadas no doente ou seu cuidador. Toda a informação vital é transmitida ao Pneumologista assistente, como parte da vigilância em consulta ou com vista à resolução de problemas identificados”, comenta explicando que a equipa é constituída por “Enfermeiro, Técnico de Cardiopneumologia ou Fisioterapeuta”, que se encontra em total articulação com o Médico prescritor.

«Sempre que necessário, estas equipas dizem o que fazer, esclarecem dúvidas e agilizam consultas e exames»

Isabel, atualmente com 37 anos, sobrevive graças ao suporte ventilatório, contando com o apoio de uma equipa de cuidados respiratórios domiciliários “há cerca de três anos e meio”.

“Estes cuidados são fundamentais, porque sem o equipamento já não conseguia respirar sozinha. Além de eu ajudar com as máquinas, as equipas especializadas, compostas nomeadamente por enfermeiros, fazem visitas de dois em dois dias. Estes profissionais fazem a ponte com médicos e cuidados paliativos, garantindo um apoio fundamental na gestão da doença”, revela Angelina Fernandes, mãe e cuidadora informal de uma doente com Esclerose Lateral Amiotrófica.

Isabel tinha 31 anos quando foi diagnosticada com a doença. Na altura, recorda a mãe, “a primeira manifestação da doença foi essencialmente a falta de força num dos pés durante alguns meses”. Ao fim de um ano foi internada, dando-se início ao processo de diagnóstico. Um processo que revela, Angelina, não foi fácil: “só após um ano ter tido as primeiras manifestações, ser internada e fazer vários exames, é que se chegou ao diagnóstico”.

“Receber uma notícia destas é complicado. No início, a Isabel consultou uma psicóloga, para ter apoio na aceitação da doença. Foram poucas consultas, porque muito rapidamente deixou de se conseguir deslocar ao consultório e não podiam vir a casa”, recorda admitindo que sabendo pouco sobre a doença, recorreram à internet para saber mais. “Mais tarde, o médico dos cuidados paliativos explicou melhor a doença”, conta.

Angelina recorda que a progressão da doença tem sido rápida no caso da filha. “Numa fase inicial, as pernas começaram a falhar, tinha pouca força nas pernas e caía. Durante cerca de um ano (primeiro ano com a doença diagnosticada), a Isabel continuou a trabalhar e usava bengala. Depois, teve de começar a usar cadeira de rodas, uma vez que deixou de ter força para usar bengala. Nessa altura deixou de trabalhar e eu, enquanto cuidadora informal, deixei também o meu trabalho para poder estar e dar apoio à Isabel”, explica revelando que desde aí que tem vivido completamente dependente. “Desde essa altura está ligada a máquinas e recebe cuidados respiratórios domiciliários. Antes de ser eu a cuidar dela, era o companheiro na altura”, afirma admitindo que “sobreviver” e conviver com a ELA é muito “complicado”. “Tanto para a Isabel como para mim, enquanto mãe e cuidadora. É viver um dia de cada vez”.

Angelina lamenta que os apoios estatais a estes doentes e seus cuidadores sejam parcos. “A Isabel está reformada e recebe o valor da reforma. Eu, enquanto cuidadora informal, recebo um apoio de valor muito reduzido. É muito complicado, pois com o pouco que recebemos não é possível fazer frente às diversas despesas do dia a dia nem às despesas inerentes à doença, como por exemplo fraldas”, exemplifica.

Segundo esta mãe e cuidadora informal é preciso muita força, muita coragem e “principalmente, muito amor” para lidar com tudo o que esta doença implica e representa. “Não é fácil, mas enquanto cuidadores fazemos tudo o que está ao nosso alcance para apoiar e melhorar a qualidade de vida da pessoa que vive com a doença e pela qual temos um grande afeto”, diz.

Segundo Bárbara Ramos, “recorrer a uma associação de doentes com a mesma condição, onde são partilhadas experiências idênticas, pode constituir uma mais-valia. Importa reforçar a importância do apoio familiar ou de amigos próximos”.

Além disso, reforça que é essencial que o doente e familiares se aconselhem “acerca das fontes mais adequadas para obter informação adicional acerca da doença, evitando a ansiedade que a “desinformação” pode causar”.

“Ao conhecer os receios do doente e seus cuidadores, ao esclarecer as principais dúvidas e ao compreender os objetivos, o Médico pode ajudar nas decisões de tratamento que forem surgindo. Importa destacar que, em todas as fases da doença, o doente tem direito a recusar um tratamento, que tinha sido previamente aceite”, sublinha a especialista.

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
28 de junho
A GS1 Portugal, organização neutra, sem fins lucrativos, responsável pelo desenvolvimento de standards para a saúde, promove no...

Esta iniciativa junta diferentes agentes da área da saúde - públicos e privados – e traz a debate os desafios que hoje se colocam ao setor, com vista à implementação de medidas integradas conducentes à garantia da segurança do paciente e de todas as cadeias de valor.

Com a participação de especialistas da Escola Nacional de Saúde Pública, dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, da APIFARMA, da Associação Portuguesa de Desenvolvimento Hospitalar, da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada, da NOVA School of Business & Economics, da GS1 Irlanda e da GS1 Portugal, o principal foco da sessão incidirá sobre a importância do esforço persistente de todas as partes envolvidas no processo de diagnóstico e tratamento, em contexto hospitalar, de modo prioritário, e em ambulatório. O objetivo é promover os benefícios da adoção de uma política coordenada que acrescente valor a todas as partes interessadas. Nesse sentido, o Seminário vai equacionar o imperativo de uma abordagem sistémica e promotora da segurança, assente numa lógica de melhoria contínua.

Este evento, em formato híbrido, é aberto a todos os profissionais de saúde e a outros profissionais com interesse no tema.

A GS1 Portugal trabalha em conjunto com laboratórios, hospitais, farmácias, associações e reguladores, de forma a promover a adoção, utilização e expansão dos Standards GS1 na saúde, para que as organizações garantam a rastreabilidade e colaborem de forma mais eficiente, sempre com foco na redução de custos, na automatização dos processos e, principalmente, na segurança do paciente.

 

Estudo
Investigadores da Mayo Clinic identificaram uma grande variedade de químicos ambientais na bílis humana em doentes com...

A maioria das pessoas com colangite esclerosante primária também tem algum tipo de doença inflamatória intestinal, como a colite ulcerosa ou a doença de Crohn, que frequentemente conduz a uma doença hepática terminal e ao cancro. O transplante hepático é o único tratamento baseado em evidências para esta doença avançada, e não há terapia medicamentosa que melhore a sobrevivência sem o transplante.

"Sabemos que os pacientes com esta doença complexa das vias biliares têm um metaboloma alterado (o conjunto completo de pequenas moléculas químicas encontradas numa amostra biológica), que pode ser influenciado por substâncias químicas no ambiente", afirma o investigador da Mayo Clinic, Konstantinos N. Lazaridis. "Dispomos agora de uma caraterização expossómica abrangente da bílis, o que é fundamental porque a bílis entra em contacto direto com os canais biliares doentes."

Lazaridis observa que isto pode contribuir para uma maior absorção de químicos no ambiente por parte de doentes com colangite esclerosante primária que também têm doença inflamatória intestinal.

Esta doença hepática desenvolve-se provavelmente devido a fatores genéticos e ambientais. Compreender a contribuição das exposições ambientais para esta doença pode levar a uma melhor compreensão das suas causas e fatores de risco.

Para o estudo, os investigadores analisaram amostras de bílis de pacientes com a doença utilizando espetrometria de massa de alta resolução e encontraram vários produtos químicos presentes no ambiente. Esta nova tecnologia permitiu aos investigadores medir e analisar as exposições químicas externas e as suas respostas biológicas, com uma cobertura suficiente para estudar as relações entre os potenciais causadores da doença e os seus efeitos.

Os investigadores avaliaram estas semelhanças e diferenças na bílis de doentes dos Estados Unidos e da Noruega.

Detetaram 83 substâncias químicas presentes no ambiente em doentes dos EUA e da Noruega em concentrações estatisticamente semelhantes.

Os doentes dos EUA revelaram uma maior presença de químicos ambientais na bílis e maiores associações entre os químicos e as vias metabólicas da bílis do que os da Noruega.

Os investigadores identificaram os compostos químicos bifenilo policlorado (PCB)-118 e PCB-101 de interesse para um estudo mais aprofundado, dadas as amplas ligações destas substâncias com as vias metabólicas nos pacientes dos EUA e da Noruega. Trata-se de substâncias orgânicas altamente estáveis que foram amplamente utilizadas em plastificantes, tintas e equipamento elétrico até serem proibidas pela Convenção de Estocolmo sobre poluentes orgânicos persistentes.

As vias de degradação dos glicanos foram associadas a um ou mais produtos químicos presentes no ambiente em ambas as amostras de doentes. Os glicanos são cruciais para a regulação do intestino e podem estar associados à causa da doença.

"As descobertas de ligações químicas e metabolómicas derivadas da bílis servem como ponto de partida", afirma Lazaridis. "São essenciais para compreender as alterações bioquímicas que ocorrem com a exposição a químicos no ambiente, uma vez que podem refletir a causa e a progressão da colangite esclerosante primária e podem também conduzir a novos tratamentos."

Nenhum scanner remoto pode substituir o olhar treinado de um profissional
Ser capaz de rir alegremente e ter um sorriso bonito em simultâneo é o desejo que muitos adultos gostariam de concretizar,...

Quem vive com os dentes desalinhados tem a possibilidade de corrigir as maloclusões em praticamente todas as faixas etárias, através dos aligners transparentes, por exemplo, que são praticamente impercetíveis. Contudo, é essencial fazê-lo com supervisão médica. Qualquer intervenção que modifique o posicionamento dos dentes corresponde a um procedimento médico que move os dentes através do osso. Posto isto, é necessário que a saúde oral do paciente, incluindo a condição da boca, gengivas, dentes, raízes e estruturas subjacentes da mandíbula, seja cuidadosamente avaliada por um médico dentista ou ortodontista, antes do início da terapia e seja continuamente monitorizado durante o tratamento.

O paciente deve sempre informar-se com o seu médico dentista sobre todas as opções de tratamento disponíveis. O médico dentista ou ortodontista deve determinar de forma independente qual a melhor opção de tratamento para o seu paciente, além disso, a examinação feita pelo profissional deve corresponder ao início de qualquer correção dos dentes, e deve ser mantida ao longo de todo o tratamento.

A saúde oral não é um dado adquirido

Atualmente, através da internet o consumidor tem acesso a muita informação, sendo que em alguns casos pode adquirir um tratamento com aligners diretamente online. Também são disponibilizadas informações sobre questões de saúde e permite comparações entre a oferta de mercado. No entanto, a saúde oral não é um dado adquirido. Nenhum scanner remoto pode substituir o olhar treinado de um médico dentista. A mordida uniforme, a posição do maxilar, o estado de cada dente e gengiva, quaisquer pré-condições existentes que possam afetar o tratamento dentário - são fatores que têm de ser examinados por um médico dentista numa consulta inicial presencial.

O alinhamento dos dentes com aligners transparentes não é apenas um procedimento estético, é um procedimento médico em que os dentes do paciente são deslocados no maxilar. O processo requer check-ups regulares com um médico dentista ou ortodontista, desde o diagnóstico inicial até à conclusão do tratamento.

A Ordem dos Médicos Dentistas, inclusive, lançou uma campanha para alertar os pacientes para as consequências destes procedimentos realizados sem consulta, por terem resultados de qualidade inferior, poder existir necessidade de tratamentos adicionais ou, nos casos mais graves, danos para a saúde oral. Referem que qualquer tratamento ortodôntico deve ser precedido de um exame clínico completo do paciente realizado por um médico dentista e que os resultados dos exames devem ser avaliados para permitir um enquadramento adequado do tratamento, identificando contraindicações ou riscos do tratamento.1

O diálogo entre o paciente e o médico dentista sobre os resultados que o paciente pode esperar da terapia, o que pode ser alcançado, com que método e a que custo é, obrigatoriamente, o primeiro passo e deve ser abordado na primeira consulta.

Os pacientes nem sempre estão cientes se são ou não bons candidatos para o tratamento ortodôntico, incluindo a terapia com aligners transparentes. Podem ter cáries ou doenças subjacentes, como a doença periodontal, que devem ser avaliadas e resolvidas antes do tratamento poder ser efetuado com segurança. Apenas um exame presencial realizado por um médico dentista ou ortodontista pode fazer esta avaliação.

Um processo que necessita de orientação

Empresas estabelecidas, como a Align Technology, que já tratou mais de 15 milhões de pacientes ao longo de 25 anos, com o seu sistema de aligners transparentes, disponibilizam scanners intraorais para os médicos dentistas registarem com precisão a situação inicial do sorriso do paciente. A Align utiliza dados de quase 15 milhões de casos de aligners transparentes para ajudar os médicos dentistas certificados a planear os resultados do tratamento previsíveis para os seus pacientes.

São produzidas séries de aligners transparentes ajustados individualmente, que o paciente deve usar por etapas, durante uma ou duas semanas, de acordo com a prescrição do seu médico dentista. Cada novo dispositivo aproxima um pouco mais os dentes da posição final desejada. Os aligners são prescritos pelo médico dentista e são feitos especialmente de acordo com as necessidades individuais de tratamento de cada paciente, com base na prescrição do médico dentista.

O médico dentista ou ortodontista supervisiona todo o tratamento, monitoriza o decurso da terapia e assegura, assim, que o resultado desejado é alcançado. Regra geral, em média, o paciente faz um check-up aproximadamente a cada seis semanas, permitindo ao médico dentista realizar o acompanhamento do processo, e explicar qualquer questão. Em simultâneo, os pacientes que optem pelo sistema de aligners transparentes da Align dispõem também de uma aplicação para telemóvel, com a qual podem acompanhar o progresso do tratamento, juntamente com o seu médico dentista.

Em formato online
“Desenvolvimento de calçado terapêutico inovador para prevenção das úlceras do pé diabético” é o título da conferência final do...

Sobre “O papel da indústria, da tecnologia e da Academia” falarão, amanhã, Cátia Sampaio (ICC/Lavoro), Sandra Carvalho (Universidade do Minho/Universidade de Coimbra), Júlio Viana, André Whitman e Fernando Duarte (todos da Universidade do Minho) e, ainda, Pedro Parreira e Liliana Batista (respetivamente, docente e investigadora na ESEnfC).

Sobre “O papel da indústria, da tecnologia e da Academia” falarão, amanhã, Cátia Sampaio (ICC/Lavoro), Sandra Carvalho (Universidade do Minho/Universidade de Coimbra), Júlio Viana, André Whitman e Fernando Duarte (todos da Universidade do Minho) e, ainda, Pedro Parreira e Liliana Batista (respetivamente, docente e investigadora na ESEnfC).

A nova tipologia de calçado terapêutico carateriza-se pelos «seguintes fatores distintivos: novos materiais ao nível da palmilha e da sola que permitam maior absorção de impactos, capacidade de adaptação da forma e uma maior recuperação após carregamento e menor abrasão, mas também capacidade de reduzir o risco de aparecimento de infeções associadas às úlceras», lê-se no documento-síntese do projeto.

Cofinanciado pelo COMPETE 2020, no âmbito do Sistema de Incentivos à Investigação e Desenvolvimento Tecnológico, na vertente de copromoção, com um incentivo aprovado de 700.047,24 euros, para um investimento de despesas elegíveis totais de 1 milhão de euros (€ 1.003.152,74), o projeto Science DiabetICC Footwear: Desenvolvimento de calçado terapêutico inovador para pé diabético está a ser construído pela ICC - Indústrias e Comércio de Calçado S.A., em colaboração com a ESEnfC, que identificou esta necessidade terapêutica, e a Universidade do Minho (através do IPC - Instituto de Polímeros e Compósitos, do 2C2T - Centro de Ciência e Tecnologia Têxtil e do CF-UM-UP - Centro de Física das Universidades do Minho e do Porto).

 

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