Em plataforma de acesso europeu
Os casos suspeitos na alimentação que envolvam contaminantes químicos, aditivos alimentares e resíduos de pesticidas vão estar...

Para a criação deste sistema nacional de gestão de dados do controlo oficial de alimentos será assinado, na quarta-feira, um protocolo entre o Instituto Ricardo Jorge, a Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária, a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária e o Instituto Português do Mar e da Atmosfera.

Estes organismos participam no projecto-piloto do SSD2, uma plataforma de dados do controlo oficial de alimentos que “será uma ferramenta adequada e eficaz na harmonização da comunicação de dados entre Portugal e a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA).

O presidente do INSA, Fernando de Almeida, explicou que a grande vantagem deste projecto é a possibilidade de “todos [os organismos dos vários países europeus] poderem saber ao mesmo tempo, e online, através de uma comunicação estandardizada e por todos perceptível, qualquer problema que surja com alimentos”.

“Antes, cada um comunicava à sua maneira, mas esta plataforma vai permitir que os vários organismos estejam em comunicação permanente com tudo o que se passa nos países europeus, nomeadamente ao nível dos problemas que envolvam químicos, aditivos alimentares e pesticidas”, adiantou.

O protocolo será assinado na quarta-feira, no âmbito das celebrações do Dia Mundial da Saúde, que se assinala hoje e é este ano dedicado ao tema da segurança alimentar.

Ainda na quarta-feira terá lugar a primeira reunião entre os representantes dos organismos que assinam o protocolo, devendo começar de imediato o trabalho no projecto.

Cancro colo rectal
Associação Europacolon Portugal quer sensibilizar para a necessidade desse fazer o rastreio do cancro colo rectal, que mata 11...

O anúncio que há uma semana pode ser visto na RTP2 não tem a ousadia e o tom bem-humorado de outros, feitos nos EUA, por exemplo, em que as pessoas são convidadas “a amar o seu rabiosque”, a “salvar o rabo” ou a descobrir “o lado positivo” de “mostrar o traseiro”. São apenas uns segundos de letras e algarismos brancos em fundo azul e uma voz-off que indica que em Portugal morrem 11 pessoas por dia com cancro colo rectal. Sobra tempo para pouco mais, como mostrar o número de telefone através do qual os interessados podem saber que passos dar para fazer o rastreio, em que estão envolvidas 135 farmácias do país.

“Talvez devêssemos fazer uma campanha mais ousada, mais chocante. Mas não temos dinheiro para fazer uma coisa desse género. Além disso, temos de atender à mentalidade portuguesa. Lembro-me de um anúncio do Reino Unido, fantástico, que mostrava homens e mulheres a levantarem-se da sanita e a olharem para trás, para dentro dela. Mas, em Portugal, não podemos convidar as pessoas a observarem atentamente as suas fezes – como é reagiriam?”, comenta Vítor Neves, dirigente da Europacolon Portugal, ao jornal Público.

O presidente daquela associação de apoio ao doente com cancro digestivo tem a convicção de que é por “a comunicação social e sociedade em geral considerarem o recto e o intestino assuntos pouco sexy” que a associação tem “tanta dificuldade em fazer passar a mensagem de forma maciça” – “Vamos conseguindo algum espaço, mas não é fácil”, diz.

Nos últimos dias de Março, a Europacolon decidiu prolongar a campanha que marcou o mês de luta contra o cancro colorrectal até ao fim de Abril. Durante mais 30 dias, quem ligar para o telefone 808 200 199 ou consultar o site da associação obterá informação sobre quais as farmácias a que pode recorrer para fazer a pesquisa de sangue oculto nas fezes. Também lhe será dito que quem tiver entre 50 e 74 anos tem o direito de “exigir aos seus médicos de família” que lhe prescreva este teste.

“Exigir não é o termo adequado. Mas discutir com o seu médico o assunto sim, claro – tem o direito e deve fazê-lo”, reage Nuno Miranda, coordenador do Plano Nacional para as Doenças Oncológicas. São relativamente frequentes os momentos em que estes dois homens se digladiam.

Há menos de um ano, Nuno Miranda considerou um passo importante a aprovação da norma clínica sobre a prescrição do exame de pesquisa de sangue oculto nas fezes, para a detecção de cancro do intestino, a pessoas sem sintomas da doença com idades entre os 50 e 74 anos. Jorge Neves, pelo contrário, chegou a dizer que avançar com o rastreio oportunístico e não o de base populacional (organizado, por convocatória, de maneira a abranger, toda a população daquela faixa etária, no país) se devia “a falta de vontade política e era um acto “agressivo e criminoso”.

Esta semana, em declarações ao jornal Público, Nuno Miranda voltou a frisar que não faria sentido que um esperasse pelo outro e a fazer notar que os projectos-piloto de rastreio de base populacional e o oportunístico já permitem cobrir cerca de 22% da população entre os 50 e os 74 anos. À medida que os primeiros forem crescendo substituirão o segundo, segundo explica.

O coordenador do Plano Nacional para as Doenças Oncológicas frisa que apesar de o rastreio de base populacional estar nos planos oncológicos há mais de dez anos “ele nunca chegou a ser, realmente, planeado, o que está a ser feito neste momento”. “Estabelecemos prioridades – os rastreios do cancro da mama e do colo do útero – mas, ao mesmo tempo, trabalhamos o do cancro colo rectal. Não há qualquer má vontade. Por mim, ele estaria implementado ontem”, disse.

Tanto Nuno Miranda como a actual coordenadora de rastreios da Administração Regional de Saúde do Centro, Fernanda Loureiro, admitem que o grande obstáculo está na dificuldade em garantir a realização das colonoscopias no prazo adequado, em caso de resultado positivo na pesquisa de sangue oculto nas fezes.

Em Abril de 2014, o Ministério da Saúde comprometeu-se a aumentar o número de colonoscopias após a divulgação do caso de uma doente que aguardou mais de um ano num hospital público por este tipo de exame. Passou a comparticipar as colonoscopias com sedação nas unidades privadas com acordos com o Estado e lançou um concurso, que ainda está a decorrer, para aumento das convenções com entidades particulares.

O problema do acesso às colonoscopias, no entanto, está longe de estar resolvido. “Os hospitais estão cheios, trabalham para os seus doentes”, comentou há uma semana o presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia, Leopoldo Matos, a propósito de eventuais problemas com aquele concurso, relacionados com o preço proposto por exame e que é inferior ao estabelecido há um ano pela tutela.

Ao mesmo tempo, a procura aumenta. “A população está mais esclarecida e os centros de saúde começam a utilizar os métodos de pesquisa do sangue oculto nas fezes, o que induz cada vez mais exames deste  tipo”, acrescentou Leopoldo Matos.

É neste contexto que o presidente da delegação do Centro da Liga Portuguesa contra o Cancro (LPCC), Carlos Oliveira, concorda com Nuno Miranda; “Temos de saber quando devemos agir e quando devemos abrandar. Não seria ético avançar com o rastreio de base populacional ou fazer uma campanha agressiva de apelo às pessoas para que façam a pesquisa de sangue oculto num momento em que não lhes podemos garantir que têm acesso às colonoscopias”, comentou. A alternativa, diz, “é pressionar o Governo para ir removendo os obstáculos e apostar nas acções de prevenção, no rastreio oportunístico e nos projectos-piloto”.

“E é ético deixar morrer as pessoas?”, indigna-se Jorge Neves. “A situação é revoltante, mas o que cada um tem de perguntar a si mesmo é: 'Não podendo fazer a colonoscopia, gostaria de saber que tinha um resultado positivo numa pesquisa de sangue oculto nas fezes, ainda que isso não significasse que tinha um cancro?'”, sugere Carlos Oliveira.

O dirigente da delegação do Centro da LPCC frisa que não tem medo das reacções a campanhas agressivas e que, no momento certo, as fará. Era presidente nacional da LPCC, há alguns anos, quando publicou cartazes sem pingo de humor, que muitos criticaram precisamente por os consideraram “agressivos e sinistros”. Incluíam um cartaz semelhante ao das funerárias, com fotografias de 11 pessoas com uma tarja negra (tantas quantas as que morrem por dia, em Portugal, devido ao cancro colo rectal) e um espelho que fazia com que a elas se juntasse o rosto de quem lia a mensagem. E esta era: “Não morra de vergonha. Consulte o seu médico e faça um exame de rastreio.”

Projecto-piloto marca passo no Centro
A dificuldade na realização de colonoscopias é o principal motivo de atraso no crescimento do projecto-piloto de rastreio organizado de cancro colo rectal, que arrancou em 2009, afirmou, em declarações ao Público, a coordenadora de Rastreios da Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC), Fernanda Loureiro. A percentagem de dados inconclusivos é outras das características do programa que, segundo a coordenadora, "crescem de forma lentíssima".

De acordo com os últimos dados publicados, em 2013, e à semelhança do que acontecia em 2012, o programa abrangia 35 dos 77 concelhos da região e apresentava uma taxa de cobertura de 12% da população alvo, pessoas com idades compreendidas entre os 50 e os 70 anos. Dos 391 que fizeram colonoscopias nos hospitais públicos de referência do projecto, 229 (mais de 58%) tiveram resultado positivo, traduzido em adenomas (289), pólipos (29) e adenocarcinomas (seis).

“A taxa de cobertura, de 12%, foi muito inferior à planeada. No entanto, caso se tivesse atingido os 25%, não haveria capacidade hospitalar para a realização de colonoscopias”, pode ler-se no relatório relativo a 2013.

Naquele ano, a taxa de participação daqueles que receberam a convocatória para se apresentarem no centro de saúde e fazerem a pesquisa de sangue oculto nas fezes foi de cerca de 55%, adiantou Fernanda Loureiro. Foram realizados 10.690 testes, dos quais 503 (4,71%) tiveram resultados positivos e 510 (4,8%) foram inconclusivos. Esta percentagem, de acordo com a ARSC, tenderá a baixar com a melhoria das indicações dadas aos utentes na primeira consulta no centro de saúde, sobre a forma correcta de realizarem a recolha, em casa. Fernanda Loureiro disse desconhecer "ainda" o destino dos que não fizeram as colonoscopias, mas admite que uma parte tenha feito o exame no privado e que outra tenha desistido do rastreio.

Estudo
Um grupo de cientistas conseguiu reactivar o crescimento das células musculares do coração de um rato através do estímulo de...

“O que a equipa de investigação conseguiu fazer foi aumentar o número de células musculares cardíacas em até 45% depois de um ataque do coração”, realçou Richard Harvey, da Universidade de Nova Gales do Sul e do Instituto de Investigação Cardíaca Victor Chang de Austrália.

Para o especialista, trata-se de um importante passo para reparar corações danificados, já que as suas células não se regeneram “ao contrário das do sangue, cabelo ou da pele”, refere um comunicado da universidade.

“A divisão celular no coração praticamente estagna pouco depois do nascimento, o que significa que não pode regenerar-se completamente se se danificar ao longo da vida”, explicou o mesmo responsável, acrescentando que estudos anteriores mostram que se podem regenerar estas células, mas a níveis mínimos.

No âmbito desta investigação, os cientistas centraram-se no sistema de sinalizações do coração – onde intervém a hormona neuroregulina, cuja via foi modificada e quando estimulada durante um ataque cardíaco contribuiu para a substituição dos músculos afectados, segundo o comunicado citado pela agência Efe.

“Esta conquista fará com que a atenção se dirija para o campo da restauração das células dos músculos do coração como uma opção terapêutica para as doenças cardiovasculares isquémicas”, enfatizou o chefe deste estudo do Instituto de Ciência Weizmann (Israel), em colaboração com o Instituto Victor Chang, publicado na revista Nature Cell Biology.

DGS
A Direcção-Geral da Saúde informou que o fornecimento da vacina contra a tuberculose fica regularizado em Junho, depois de há...

“A empresa que distribui a vacina BCG em Portugal informou que prevê a regularização do fornecimento no início do mês de Junho”, refere em comunicado a Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Segundo o comunicado, as dificuldades de fornecimento estão relacionadas com problemas de produção no “único laboratório que fabrica vacina para a Europa”, um laboratório público na Dinamarca.

A Direcção-Geral da Saúde insiste que a “situação não constitui risco para a saúde pública”.

Em relação às crianças que não forem vacinadas à nascença, a Direcção-Geral da Saúde informa que serão posteriormente contactadas pelos centros de saúde.

“Os cuidadores destas crianças podem também contactar o seu centro de saúde para obter informações sobre a vacinação”, refere.

No dia 23 de Março, a DGS alertou para dificuldades no fornecimento da vacina contra a tuberculose e pediu às administrações regionais de saúde para fazerem uma “boa gestão das reservas existentes”.

Ordem Médicos
Um elemento da Ordem dos Médicos denunciou que há médicos condenados por pedofilia que continuam a trabalhar com crianças,...

Heloísa dos Santos, que terça-feira será ouvida na Comissão de Educação, Ciência e Cultura, a propósito do registo de pedófilos, disse que se a legislação fosse cumprida, não aconteceriam casos como os que ainda hoje se registam.

A médica disse que existem médicos condenados por pedofilia que continuam a trabalhar com crianças, porque “ninguém cumpre a legislação, nomeadamente os empregadores”.

Heloísa dos Santos refere-se à Convenção de Lanzarote (para a protecção das crianças contra a exploração sexual e abusos sexuais) e, em concreto, a legislação portuguesa (113/2009) sobre o “recrutamento para profissões, empregos, funções ou actividades, públicas ou privadas, ainda que não remuneradas, cujo exercício envolva contacto regular com menores (…)”.

Segundo esta legislação, “a entidade recrutadora está obrigada a pedir ao candidato a apresentação de certificado de registo criminal e a ponderar a informação constante do certificado na aferição da idoneidade do candidato para o exercício das funções”.

De acordo com Heloísa Santos, que pertence ao Conselho Nacional de Ética e Deontologia Médicas (CNEDM) da Ordem dos Médicos, esta legislação “não está a ser cumprida”.

Recentemente, o CNEDM elaborou uma proposta de intervenção sobre médicos pedófilos, a qual recomenda que a Ordem dos Médicos possa “determinar que um médico comprovadamente pedófilo seja inabilitado especificamente para prestar assistência a menores, com fundamento no princípio da protecção dos doentes, da protecção do próprio médico inabilitando e dos valores fundamentais da medicina como sejam a confiança, a beneficência, a não maleficência e a autodeterminação”.

O Conselho propõe que, através da revisão do Estatuto Disciplinar dos Médicos, se possa “permitir, expressamente, a punição, no âmbito da Ordem dos Médicos, do crime de pedofilia, com a pena de suspensão de quaisquer actividades médicas relacionadas com menores durante o período nunca inferior a 23 anos (tempo de registo na respectiva informação criminal, conforme decorre da Lei 113/2009)”.

Segundo o documento do CNEDM, “deve manter-se, mas apenas como medida disciplinar acessória, a suspensão, por um período transitório, de todas as actividades médicas [além da pediatria], porque esta última medida disciplinar, quando atribuída isoladamente, não terá qualquer influência no impedimento de futuros actos de pedofilia contra doentes menores”.

O Conselho acordou ainda solicitar uma audiência formal à ministra da Justiça, a quem deverá ser requerido “o cumprimento obrigatório da introdução, no registo criminal dos condenados, da condenação por crime de pedofilia e da sua manutenção pelo período previsto de, pelo menos, 23 anos”.

Em revista de referência
A Universidade do Porto anunciou que um artigo desenvolvido por investigadores da Faculdade de Engenharia da Universidade Porto...

O trabalho “Medical image registration: a review” é da autoria de Francisco P. M. Oliveira e João Manuel Tavares e foi desenvolvido no âmbito do Programa Doutoral em Engenharia Biomédica da Faculdade de Engenharia da Universidade Porto (FEUP).

Neste artigo, publicado on-line em 2012, e em papel em 2014, os autores apresentam “o estado da arte relacionado com a área de registo de imagem médica. Para além da revisão das metodologias existentes, são descritos os passos principais e as vantagens/desvantagens de cada uma, havendo ainda espaço para a designação das métricas de qualidade habitualmente usadas”, esclarece a Universidade do Porto (U.Porto).

Actual investigador na Universidade de Coimbra, Francisco Oliveira desenvolveu o artigo no quadro do Programa Doutoral em Engenharia Biomédica pela U.Porto (concluído em 2012), sob orientação de João Manuel Tavares, docente do Departamento de Engenharia Mecânica da FEUP e investigador do Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial (INEGI).

O projecto de doutoramento (centrado no domínio da Visão Computacional e na tentativa de determinar a melhor correspondência que alinha elementos homólogos de estruturas representadas em imagens 2D/3D) foi um dos 25 distinguidos com Bolsas de Investigação a Programas de Doutoramento de Universidades Portuguesas promovidas pela Fundação Calouste Gulbenkian.

Para João Manuel Tavares, “o artigo é de utilidade relevante para os investigadores que pretendam desenvolver novas metodologias de registro de imagem, em particular de imagem médica, ou pretendam seleccionar e usar alguma das metodologias existentes nas suas aplicações”.

Actualmente, o artigo conta com mais 1.400 acessos, estando também na lista dos artigos mais citados da revista.

Segundo a U.Porto, a “Computer Methods in Biomechanics and Biomedical Engineering”, editada pela Taylor & Francis e indexada pela Thomson Reuters, registou um factor de impacto (número médio de citações de artigos científicos publicados em determinado periódico) de 1.793 em 2014.

Entre 2002 e 2013
O número de camas de internamento diminuiu nos hospitais públicos e aumentou nos privados, entre 2002 e 2013, segundo dados do...

Os dados divulgados indicam que, em 2002, existiam 28.733 camas de internamento nos hospitais públicos, número que baixou para 25.029 em 2013.

Pelo contrário, as camas nos hospitais privados cresceram de 8.429 para 10.474, no mesmo período.

Ou seja, em 2013, os hospitais oficiais tinham aproximadamente menos 3.700 camas de internamento do que em 2002 e os privados mais 2 mil camas.

Ao todo, as camas de internamento passaram de 37.162 em 2002 para 35.503 em 2013: menos 1.659 camas.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2013 quase 90% das camas de internamento dos hospitais oficiais eram enfermarias, enquanto no caso dos hospitais privados, a percentagem de camas de internamento em enfermarias, apesar de maioritária, não atingia 60%.

Nos hospitais privados, os quartos semiprivados e privados representavam cerca de um terço das camas de internamento (3.512), 254 nos hospitais oficiais.

O mesmo documento indica ainda que, em 2013, “registaram-se cerca de 1,2 milhões de internamentos nos hospitais portugueses (80,4% dos quais em hospitais tutelados pelo Estado) e perto de 10,2 milhões de dias de internamento (73,2% dos quais em hospitais oficiais)”.

“Nos hospitais oficiais, cerca de 95% dos internamentos de 2013 foram em enfermarias (com especial relevo nas especialidades de medicina interna, cirurgia geral e ginecologia-obstetrícia) e registou-se uma duração média de internamento de oito dias”.

O período de internamento mais longo ocorreu em psiquiatria, com uma média de 25,3 dias por internamento.

Nos hospitais privados, a maior parte dos internamentos foi feita em quartos semiprivados ou privados (61%). Em média, os doentes ficaram internados 12 dias.

O INE refere ainda que, em 2012, existiam em Portugal 387 centros de saúde, dos quais 94 com Serviço de Urgência Básica (SUB) ou Serviço de Atendimento Permanente ou Prolongado (SAP) e 17 com internamento.

“O número de centros de saúde manteve-se relativamente estável entre 2002 e 2012, todavia com um decréscimo acentuado no número de centros de saúde com SUB ou SAP e com internamento. Em 2002, cerca de 70% dos centros de saúde dispunha de SUB ou SAP e perto de 20% tinha internamento, enquanto em 2012 as percentagens de centros de saúde com estas valências foram respectivamente de 24% e menos de 5%”, lê-se na informação.

Revisão bibliográfica
Nas sociedades contemporâneas a mudança do estilo de vida das mulheres tem sido notório, nomeadament

A prevalência da Diabetes Gestacional (DG) tem vindo a aumentar em todo o mundo, o que implica um acréscimo da necessidade de recursos de saúde. O conhecimento, o diagnóstico precoce e o controlo da DG permitem otimizar uma gravidez com menos riscos quer para a grávida quer para o feto/ recém-nascido.

Fizemos uma revisão bibliográfica com o objetivo de compreender estas mudanças e promover maior qualidade nos cuidados de saúde prestados às grávidas com DG, quer durante as consultas, quer durante o trabalho de parto e parto.

A Diabetes Gestacional define-se como uma intolerância aos hidratos de carbono, de grau variável, que é diagnosticada ou reconhecida pela primeira vez durante a gravidez (American Diabetes Association, 2011). Geralmente desaparece após o nascimento do bebé (DGS, 2011).

Durante a gravidez, as hormonas produzidas pela placenta fazem subir a glicémia, o que faz com que o pâncreas segregue mais insulina para manter a glicose materna em níveis normais. Quando esse aumento de insulina é insuficiente, o nível de glicose sobe, podendo dar origem à diabetes gestacional.

São fatores de risco para a diabetes, a idade, antecedentes familiares de diabetes, obesidade e diabetes gestacional em gestação anterior.

Os critérios de diagnóstico para a DG hoje adotados são baseados em estudos recentes, conforme refere a Direção-Geral da Saúde (DGS, 2011), que demonstram uma relação direta entre os valores da glicémia materna e a morbilidade materna, fetal e neonatal. A grávida com DG tem risco aumentado de vir a desenvolver hipertensão arterial (HTA) na gravidez atual, de ter um parto mais traumático, necessidade de um parto por cesariana e de desenvolver diabetes no futuro. Já para o feto/RN existe um risco superior de malformações fetais, morte fetal in útero, traumatismo no parto como resultado de macrossomia, dificuldade respiratória ao nascer, alterações metabólicas e maior prevalência de vir a sofrer de diabetes. Sendo assim, uma boa vigilância e controlo da glicémia durante a gravidez diminui as complicações maternas e a morbilidade e mortalidade perinatais.

O diagnóstico de Diabetes Gestacional é feito em duas fases distintas

  1. Glicémia plasmática em jejum na primeira consulta de vigilância pré-natal. Se este valor for ≥92 mg/dl e <126 mg/dl, faz o diagnóstico de Diabetes Gestacional.
  2. Prova de Tolerância à Glicose Oral (PTGO) realizada entre as 24-28 semanas de gestação. Esta prova só é realizada se a glicémia plasmática em jejum for <92 mg/dl.

A glicémia plasmática em jejum ≥126 mg/dl ou um valor de glicémia plasmática ocasional >200 mg/dl podem indiciar a presença de Diabetes prévia à gravidez e que só foi diagnosticada na gestação em curso. A orientação e o tratamento destas grávidas é idêntico ao das mulheres com diabetes prévia.

A Prova de Tolerância à Glicose Oral realizada às 24-28 semanas de gestação consiste numa sobrecarga de 75 g de glicose diluída em 300 ml de água e bebida pela grávida. Fazem-se determinações das glicémias às 0, 1 e 2 horas. Esta prova deve ser realizada de manhã e após um jejum de pelo menos 8 horas e nunca superior a 14 horas, devendo a grávida estar em repouso enquanto efetua as colheitas de sangue.

O diagnóstico da DG faz-se quando um ou mais valores das três avaliações for igual ou superior aos valores de referência do quadro seguinte:

Hora

Glicémia plasmática

0

≥ 92 mg/dl

1

≥180 mg/dl

2

≥153 mg/dl

 

Se os resultados forem todos inferiores aos valores de referência descritos no quadro, a prova é considerada negativa.

Quando se confirma o diagnóstico da DG ou provável diabetes prévia, a grávida deve ser referenciada à consulta Hospitalar de Medicina Materno-Fetal para a Diabetes. Nesta consulta a grávida é informada, de forma individualizada, dos riscos maternos e perinatais e recebe aconselhamento sobre a importância e necessidade de fazer modificações no seu estilo de vida. Esta consulta deve contemplar uma equipa multidisciplinar, constituída por obstetra, endocrinologista, dietista, enfermeiro especialista em saúde materna e obstétrica e ainda, estar dotada de recursos necessários ao acompanhamento da grávida, feto/RN.

Dos cuidados de enfermagem prestados à grávida com DG é dado particular enfase ao cumprimento do plano alimentar, à prática de exercício físico (em particular a marcha em período pós-prandial), e ao autocontrolo das glicémias bem como a administração de insulina (caso seja necessário). São também, efetuados ensinos adequados à idade gestacional e vigilância do bem-estar materno-fetal a partir das 35 semanas com a realização de registo cardiotocográfico (RCT).

A mulher a quem foi diagnosticada DG deve realizar uma prova de reclassificação, 6 a 8 semanas após o parto. Esta PTGO consiste numa sobrecarga de 75g de glicose com apenas duas determinações da glicémia plasmática: às 0 e às 2 horas. Esta prova é considerada negativa se os valores de glicémia em jejum forem <110 mg/dl e <140 mg/dl 2 horas após a ingestão da glicose, contudo a mulher deve fazer uma determinação anual da glicémia plasmática em jejum, uma vez que tem risco aumentado para desenvolver Diabetes Mellitus.

Numa futura gravidez, a mulher com antecedentes de diabetes gestacional deve realizar uma avaliação da glicémia pré-concecional.

Em conclusão salienta-se que quanto mais precocemente for diagnosticada a Diabetes Gestacional e iniciado o controlo metabólico, menor é o risco de ocorrência de complicações maternas e morbilidade e mortalidade perinatais.

Artigos relacionados

A grávida com Diabetes: cuidados a ter com doença crónica

Doenças durante a gravidez

 

Bibliografia:

AmericaN Diabetes Association (2011), “Diagnosis and classification of diabetes mellitus”. Diabetes care. Mars; 34 (I): 62-69.
Dores, Y. et al (2011), “Relatório de consenso sobre a diabetes e gravidez”. Disponível em www.dgs.pt, consultado em 3/3/2015.
International diabetes Federation (2009), “Global Guideline on Pregnancy and Diabetes”.
Norma da direcção geral da Saúde nº 007/2011, janeiro de 2011. Disponível em www.dgs.pt, consultado em 3/3/2015.
Orientações Clinicas de Saúde Reprodutiva/Planeamento familiar (2008), “Critérios Médicos de elegibilidade” Direcção Geral da Saúde, Lisboa.

Cristina Paula Ferreira Oliveira Albuquerque, Enfermeira Especialista em Saúde Materna e Obstétrica. Pós Graduação em Gestão de Serviços de Saúde e Socióloga

Maria Manuela Figueiredo Pereira Marques, Enfermeira Especialista em Saúde Materna e Obstétrica. Pós Graduação em Gestão de Serviços de Saúde

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro e/ou Farmacêutico.
Três em cada 10 portugueses desconhecem que têm uma doença reumática
Site feito pela Sociedade Portuguesa de Reumatologia em parceria com a Associação Nacional de Espondilite Anquilosante quer...

As dores de costas são comuns entre novos e velhos, homens e mulheres. É um sintoma que tem vindo a crescer de mãos dadas com o sedentarismo e a obesidade. Mas nem sempre este mal-estar é igual de pessoa para pessoa e há alguns sinais que o devem retirar da banalidade. O site Dói-me as Costas pretende precisamente ajudar a distinguir quando é que se pode estar perante algo de mais sério, como uma espondilite anquilosante – e ajuda a trocar por miúdos o nome desta doença inflamatória. “Nem todas as dores nas costas são comuns e transitórias. Algumas podem corresponder a doenças crónicas que merecem uma atenção particular”, avisa o reumatologista Fernando Pimentel, em declarações ao jornal Público.

Para o especialista do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental – Hospital de Egas Moniz um dos principais sinais de alerta está na persistência da dor. “Quando as dores duram há mais de três meses e surgem antes dos 45 anos de idade merecem uma especial atenção. As dores banais nas costas são dores que se agravam quando as pessoas fazem movimentos e que aliviam quando a pessoa pára a realização desses movimentos. Quando as dores têm o ritmo oposto, quando se agravam quando as pessoas param e melhoram quando há actividade, é um sinal de alerta”, explica o também professor da Nova Medical School, reforçando que quando se está perante a espondilite anquilosante os doentes costumam também acordar mais na segunda metade da noite e sentir rigidez muscular pela manhã. Estima-se que possam existir em Portugal 50 mil pessoas com a doença.

O Dói-me as Costas (doimeascostas.pt) é uma iniciativa da Sociedade Portuguesa de Reumatologia em parceria com a Associação Nacional de Espondilite Anquilosante e o site foi reformulado nesta semana para dar respostas mais interactivas aos visitantes. De perguntas mais frequentes a descrições sobre as dores nas costas, as doenças e sintomas, até a um questionário que os doentes podem imprimir para mostrar ao médico, são várias as formas de comunicar as patologias que passam muitas vezes despercebidas. Entre os primeiros sintomas e o diagnóstico chegam a passar cinco a dez anos, ilustra Fernando Pimentel, que reforça que o público em geral pode encontrar também informação simples no site da sociedade e da associação de doentes.

“O principal problema para o atraso no diagnóstico é que, como é um sintoma comum, apesar de as pessoas terem muito acesso a informação, acabam por estar sempre à espera que passe e só quando compromete o dia-a-dia é que se lembram de consultar um médico”, sublinha o reumatologista. “Quando as pessoas acordam e a rigidez dura mais de meia hora isso é um terceiro aspecto que diferencia estas dores da lombalgia comum”, reforça o médico, que admite que também existem alguns atrasos na referenciação entre os médicos de medicina geral e familiar e os reumatologistas.

Em relação ao diagnóstico, Fernando Pimentel garante que agora é mais fidedigno, uma vez que se alargaram os critérios. Antes era tomada em consideração “uma radiografia da bacia com evidência de inflamação entre o osso sacro e o ilíaco, que é um sinal muito tardio da evolução da doença”. Agora os especialistas contam também com a ressonância magnética e com uma análise ao marcador genético HLA-B27, já que o diagnóstico precoce permite um melhor controlo. O médico explica que esta alteração está presente sobretudo na população caucasiana, mas apenas em 8% a 9% das pessoas. Dentro destas, apenas 5% das pessoas sem historial na família evoluem para as chamadas espondiloartrites. Nas pessoas com casos próximos o valor passa para 20% “mas não há uma hereditariedade directa”.

Os tratamentos começam com anti-inflamatórios não esteróides e, quando estes não resultam ou a doença é mais avançada, há também a hipótese de recorrer aos chamados imunomoduladores e aos biológicos, com Fernando Pimentel a salientar que têm chegado ao mercado cada vez mais alternativas promissoras para assegurar a qualidade de vida dos doentes e reduzir o absentismo. “Pode ter-se uma vida muito próxima da que teria uma pessoa saudável e voltar a dormir melhor”, garante, dando como exemplo uma corrida que terá lugar em Maio no âmbito de um simpósio da Sociedade Portuguesa de Reumatologia e que conta com a participação dos doentes.

De acordo com um estudo publicado na revista The Lancet em 2007, as dores nas costas afectam 632 milhões de pessoas em todo o mundo. O valor subiu cerca de 45% nos últimos 20 anos. Estima-se que mais de 80% das pessoas tenham em algum momento da vida dores relacionadas com a coluna vertebral. Aliás, segundo a Organização Mundial de Saúde as dores nas costas são uma das principais causas de consultas médicas. Em relação a Portugal, um estudo realizado no ano passado no âmbito de uma campanha intitulada Olhe pelas Suas Costas indicava que mais de 28% dos inquiridos sentiam que a vida profissional tinha sido prejudicada por este sintoma.

Zentiva
A Zentiva, marca de genéricos da multinacional farmacêutica Sanofi, é a primeira a lançar no mercado português o Ácido...

Com este lançamento, a Zentiva dá continuidade à sua política de crescimento que pretende facilitar o acesso a medicamentos actuais a preços acessíveis ao maior número possível de pessoas. Ao ser disponibilizado a um preço mais acessível, o Ácido Zoledrónico Zentiva pode representar um avanço vital no acesso dos doentes ao tratamento.

De acordo com Fernando Sampaio, Director Geral da Sanofi Portugal, “A Zentiva em 2014 lançou 14 novas moléculas e em 2015 irá continuar a reforçar a sua posição em Portugal, disponibilizando uma gama de medicamentos genéricos cada vez mais alargada aos doentes do nosso país. A Zentiva é uma prova do compromisso que a Sanofi tem com Portugal”.

Dia Mundial da Saúde 2015 - “Segurança Alimentar”
Toda a gente precisa de alimentos. Todos os dias, em momentos e em contextos diferentes. Acontece é que um alimento, até chegar...

Os alimentos não seguros contêm determinados tipos de bactérias, vírus, parasitas e substâncias químicas nocivas que podem causar mais de 200 tipos de doenças, desde insuficiência renal, cancro, complicações cerebrais, artrite reativa, entre muitas outras.

O armazenamento seguro dos alimentos é um dos principais pontos que a Ordem dos Nutricionistas salienta como merecedor de preocupação por parte dos consumidores. Mas sabe como armazenar correctamente os seus alimentos de forma a salvaguardar a sua máxima qualidade e a não colocar a sua saúde em risco?

É essencial que o local de armazenamento se apresente em perfeito estado de higiene e com boa ventilação e iluminação. Os alimentos devem ser separados de modo a prevenir contaminações cruzadas.

Quanto aos alimentos confeccionados ou prontos a comer, devem ser colocados no frigorífico ou no congelador, caso não se preveja o seu rápido consumo, de forma a prolongar a sua durabilidade.

A disposição dos alimentos, seja nas prateleiras seja no próprio frigorífico, deve ser pensada tendo em conta a validade dos alimentos, colocando-se os alimentos com prazo de validade menor em zona de melhor visibilidade para que o seu consumo seja prioritário face aos que têm uma prazo de validade mais alongado, evitando-se assim o desperdício e o consumo não intencional de produtos cujo consumo não é recomendado.

Sobre o armazenamento de alimentos à temperatura ambiente, os locais onde se encontram deverão ser mantidos secos. No caso de se tratar de uma despensa, por exemplo, deve estar limpa e sem resíduos, de forma e evitar a presença de animais como insectos ou roedores. As portas de acesso devem ser mantidas fechadas e a disposição dos produtos devem ser organizada, com uma separação clara entre os produtos para consumos e os produtos de higiene.

Lembre-se que o frio é um aliado precioso na conservação dos alimentos, uma vez que inibe o crescimento microbiano e diminui a actividade das enzimas alimentares. Não obstante, saliente-se que a refrigeração não aumenta além de alguns dias o tempo de conservação de grande parte dos alimentos.

Não coloque no frigorífico alimentos quentes, tais como uma sopa acabada de fazer, pois estará a aumentar a temperatura do ambiente que envolve os restantes alimentos, colocando em causa a conservação eficaz e segura dos mesmos. Procure antes arrefecer os alimentos rapidamente, de forma a preservar a qualidade de todos os ingredientes envolvidos na confecção da sua refeição.

Os alimentos devem ser armazenados fora das embalagens originais depois de serem abertos, pelo que poderá recorrer a recipientes (recomenda-se a utilização dos de vidro aos de plástico) e a película aderente, por exemplo. É importante que exista esta protecção prevendo situações como o apodrecimento de alimentos no frigorífico que irá promover a transmissão de odores e de bactérias. Limpe regularmente o seu frigorífico com água e bicarbonato de sódio ou produtos de limpeza destinados ao efeito, e certifique-se que enxagua devidamente com um pano húmido.

A Ordem dos Nutricionistas salienta a importância associada ao cumprimento das cinco recomendações chave propostas pela Organização Mundial da Saúde sobre a segurança dos alimentos:

  • Mantenha a limpeza;
  • Separe alimentos crus de alimentos cozinhados;
  • Cozinhe bem os alimentos;
  • Mantenha os alimentos a temperaturas seguras;
  • Use água e matérias-primas seguras.

O não cumprimento das regras de segurança alimentar é responsável pela criação de ciclos viciosos de doença e de malnutrição, afectando particularmente os mais pequenos e os idosos, que mais rapidamente começam a manifestar sinais de intoxicação alimentar: náuseas, vómitos, diarreias, dores de estômago.

A Ordem dos Nutricionistas apela aos organismos e aos próprios consumidores que tenham sensibilidade para o impacto associado a negligências ao nível das condições de segurança dos alimentos visto que, por exemplo, se sabe que as diarreias originadas por alimentos contaminados ou por água nas mesmas condições são responsáveis por, aproximadamente, 2 milhões de mortes por ano mundialmente.

Em Singapura
Cientistas da Universidade Tecnológica de Nanyang de Singapura anunciaram ter descoberto uma nova forma de tratar a demência...

O novo tratamento, conhecido como estímulo cerebral profundo, é um procedimento terapêutico já utilizado em algumas partes do mundo para várias situações neurológicas como tremores ou distonia.

Os cientistas da Universidade Tecnológica de Nanyang (NTU) indicaram ter descoberto que esse estímulo pode também ser usado para aumentar o crescimento de células cerebrais, mitigando os efeitos nocivos das condições relacionadas com a demência e melhorar a memória a curto e longo prazo.

A investigação mostra que as novas células, ou neurónio, podem ser formadas através do estímulo da parte frontal do cérebro, que está envolvida na retenção da memória, através do recurso a impulsos eléctricos.

“O aumento de células cerebrais reduz a ansiedade e a depressão e promove a aprendizagem, impulsionando, em termos globais, a formação e retenção de memória”, indicou a universidade em comunicado citado pela agência noticiosa Xinhua.

Segundo a universidade, cujos cientistas testaram os impulsos em ratos, os resultados da investigação abrem novas oportunidades para o desenvolvimento de soluções inovadoras ao nível do tratamento de pacientes que sofrem de perda de memória no devido a condições relacionadas com a demência, como as doenças de Alzheimer e mesmo de Parkinson.

Nova oferta
O "turismo holístico" combina ambiente com bem-estar, visando fins terapêuticos, e é uma das novas ofertas que...

“Considerando que o ser tem quatro cones fundamentais, o mental, emocional, físico e espiritual, promovemos o bem-estar a partir deste conceito holístico, oferecendo a partir daí esta relação privilegiada com a natureza, uma vez que os Açores são um palco perfeito para isso”, declarou Lisa Medeiros, uma das promotoras da Holistika, empresa criada na ilha de São Miguel.

A psicóloga referiu que o projecto surgiu em Janeiro de 2014, numa parceria com um colega licenciado em turismo, que serve de guia, pretendendo mostrar uma “nova forma de viver a ilha” de São Miguel, oferecendo o ambiente numa perspectiva terapêutica.

A oferta inclui passeios em terra e no mar, propondo-se na primeira modalidade várias actividades terapêuticas e para o desenvolvimento pessoal inseridas na natureza, tais como ioga, tai chi, meditação ou "viagens sonoras" através de instrumentos que promovem o relaxamento.

No que concerne aos passeios realizados no mar, Lisa Moreira explica que há também diversas modalidades, incluindo um com golfinhos, numa “perspectiva mais meditativa da relação com este cetáceo”.

Lisa Moreira, que refere que o projecto tem registado boa adesão, afirma que recebe turistas que fazem reservas directas, mas que também trabalha com agências de viagens.

A título de curiosidade, referiu que uma das acções que tem registado maior sucesso é uma ida à noite à Poça da Dona Beija, no vale das Furnas. A Poça da Dona Beija é um espaço com piscinas de água termal quente.

Lisa Moreira pretende com o seu produto desviar-se também do turismo de massas, uma vez que considera que os Açores “são privilegiados por oferecerem espaços de bem-estar e de contacto com a natureza”.

“É um turismo muito específico e nós fizemos a opção de não irmos por um turismo de observação, mas sim desfrutar deste palco natural”, afirma, referindo que a empresa dá a possibilidade ao cliente de construir o seu próprio pacote através de várias sugestões que lhe são apresentadas.

Antropólogo Aurélio Lopes
O antropólogo Aurélio Lopes vai publicar um estudo sobre a medicina tradicional portuguesa, antecedendo a realização, em...

Aurélio Lopes disse que o seu estudo, “Ritual e magia nas terapias populares – a ciência da crença e a crença da ciência”, partiu de uma edição do espólio de Michel Giacometti (“Artes de cura e espanta males”), do Instituto de Estudos de Literatura Tradicional e Património Imaterial (IELT) da Universidade Nova de Lisboa, que lhe permitiu o acesso “a alguns milhares de registos”, a que juntou dados de outras proveniências e trabalho de campo que realizou no Ribatejo.

O estudo, disse, “versa as lógicas subjacentes das práticas de medicina popular (ontem e hoje), as suas razões de ser, configurações e explicações”, numa “concepção do mundo holística, empírica e analógica”.

Aurélio Lopes procurou descortinar as “maneiras de pensar”, a linguagem, os rituais, o porquê do uso de determinadas plantas, do que está para além da eficácia da cura, ou seja, “as analogias, as configurações, o entendimento do mundo, a noção cíclica do Mundo”.

Uma das questões que se colocou foi por que razão as pessoas continuam hoje a procurar o “curandeiro”, visto como “um membro da comunidade” a que se vai “porque alguém recomenda e lhe reconhece competências também transcendentais”.

Ao contrário do médico, a medicina tradicional usa a “sugestão”, pelo que o “curandeiro” tem que “se interessar pelo doente, criar empatia”, disse.

Exige uma “perspicácia empírica”, sublinhou, referindo que, se a doença não passa, “nunca a culpa é do curandeiro. Ou é vontade de Deus ou a culpa é do paciente”.

A confiança no médico é condicionada pela relação que este estabelece com o doente. Se este “não gostar do médico, não só não acredita nele como não acredita nos medicamentos que ele receita”, afirmou.

“O famoso placebo é o que o curandeiro faz há milénios”, disse, realçando que a medicina popular beneficia também de “experiências milenares que se sabe que resultam”.

Aurélio Lopes referiu o facto de outras culturas terem mantido “aspectos essenciais da existência do ritual”, ao contrário da cultura ocidental, marcadamente técnica e científica, quase reduzida à prescrição e “sem muita paciência para aturar” o doente.

O seu trabalho procurou olhar a “lógica funcional da medicina tradicional”, as semelhanças práticas com a medicina científica e até que ponto é importante a relação empática com o doente, já presente na moderna medicina humanista.

A medicina tradicional, ao contrário da convencional, tem muito presente a importância de o paciente participar no acto de cura – muitas vezes o mal é psicossomático –, e da noção de que o indivíduo deve ser visto como um todo e não como um conjunto de sintomas.

São “comportamentos e estratégias que os curandeiros desenvolvem há milénios (e explicam as suas persistências), tão visíveis na tradição portuguesa, e que a medicina científica (imersa numa lógica quase estritamente tecnológica) só agora está a descobrir”, disse.

Aurélio Lopes é autor de livros como “Religião Popular do Ribatejo” (1995), “Videntes e Confidentes” (2009), um estudo sobre as aparições de Fátima, e “Anátema, devoção e poder - a santa da Ladeira” (2014), que resultou da sua tese de doutoramento.

Estudo
A maioria dos pilotos que sofrem de depressão ocultam a doença das companhias e das autoridades aéreas, segundo um estudo...

O copiloto da Germanwings, Andreas Lubitz, que se suspeita terá despenhado deliberadamente um avião da companhia, que fazia a ligação entre Barcelona (Espanha) e Dusseldorf (Alemanha), sofreria de depressão e, segundo a investigação em curso, teria feito na véspera buscas na internet sobre métodos de suicídio.

Segundo o estudo divulgado pelo Bild, o caso de Andreas Lubitz, não é único entre os pilotos, que procuram esconder os problemas de saúde dos seus superiores.

A análise, do director do departamento de medicina da Organização Civil Internacional da Aviação (ICAO, em inglês), Anthony Evans, datada de Novembro de 2013, revela a existência de défices graves no acompanhamento dos pilotos em matéria de saúde mental.

Cerca de 60% dos pilotos que sofrem algum tipo de depressão decidem continuar a voar sem comunicar aos empregadores, segundo o estudo, baseado na análise de 1.200 casos de pilotos com depressão.

Já cerca de 15% optam por tratar-se em segredo com medicamentos que conseguem pelos seus próprios meios e apenas 25% declara ao empregador que está a fazer tratamento.

O estudo resulta da observação de casos entre 1997 e 2001, segundo o Bild, que sublinha a enorme pressão a que são submetidos os pilotos e o facto de um diagnóstico de depressão implicar o seu afastamento do serviço.

A investigação alemã à queda do avião da Germanwings revelou que Lubitz fez há alguns anos, antes de receber a sua licença de piloto, tratamento psicoterapêutico por "tendências suicidas".

Nas buscas à casa do copiloto e dos pais foi descoberto que Andreas Lubitz estava em tratamento e que tinha uma baixa médica para o dia da catástrofe, que não tinha comunicado à Germanwings.

Confederação dos Agricultores de Portugal
A Confederação dos Agricultores de Portugal considera que a utilização de herbicidas alternativos aos que usam glifosato “é...

“Eles [os herbicidas alternativos] existem e são aplicados, não apenas porque a abrangência do glifosato sobre todas as infestantes não é total, como também porque, tal como a maioria dos produtos fitofarmacêuticos, podem eventualmente induzir resistências. Se estas se manifestarem, o herbicida deixa de actuar como será suposto”, explicou a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP).

Questionada sobre se tinha informado os seus associados sobre os avisos da Organização Mundial de Saúde (OMS), que considerou o glifosato como uma substância “possível ou provavelmente” cancerígena, a CAP respondeu que partilha a informação relativa a “normas e regulamentações de uso de produtos fitofarmacêuticos na União Europeia e em Portugal”, mas “não tem competência técnica sobre este tipo de produtos”.

Sublinhou ainda que este herbicida é utilizado em praticamente todas as culturas no sentido de eliminar infestantes.

O glifosato, herbicida cuja produção é a mais significativa em volume, é a substância activa do ‘Roundup’, um dos produtos com maiores vendas no mundo, pois, além da agricultura, onde a sua aplicação tem aumentado bastante, também é usado nas florestas e em jardins privados.

De acordo com a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Cancro (IARC), estrutura especializada da Organização Mundial de Saúde (OMS), o glifosato foi encontrado no ar, na água e nos alimentos, e a população está particularmente exposta, por viver perto de áreas intervencionadas com o herbicida, ainda que os níveis de exposição observados sejam "geralmente baixos".

Após o alerta, 11 organizações não-governamentais das áreas do ambiente e agricultura reunidas na Plataforma Transgénicos Fora pediram ao governo português para adoptar medidas para proteger os cidadãos.

Para a Plataforma, a situação em Portugal "é particularmente grave" pois, em 2012, foram aplicadas para fins agrícolas mais de 1.400 toneladas de glifosato, quantidade que é mais do dobro daquela registada 10 anos antes.

O glifosato comercializado em Portugal é também vendido livremente para uso doméstico em hipermercados, hortos e outras lojas e é usado "com abundância" por quase todas as autarquias para limpeza de arruamentos, sendo esta uma das formas mais relevantes de exposição das populações.

Um dos impactos identificados pela IARC foi entre exposição ao glifosato e o Linfoma não Hodgkin (LNH) - um tipo de cancro no sangue - e, entre 41 países europeus, Portugal apresenta uma taxa de mortalidade "claramente superior à média da União Europeia", sendo o sétimo país onde mais se morre daquela doença.

A nível nacional, o LNH é o 9º cancro mais frequente, com 1.700 novos casos por ano, segundo dados citados pela Plataforma.

Ministério da Agricultura
O Ministério da Agricultura e Mar vai aguardar pelas autoridades europeias para decidir sobre a segurança dos glifosatos,...

O ministério sugeriu, além disso, que as conclusões da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Cancro (IARC), a estrutura da Organização Mundial de Saúde (OMS) que classificou recentemente este produto como "possível ou provavelmente" cancerígeno para o homem, podem ter sido precipitadas.

Numa resposta escrita, o Ministério da Agricultura salienta que “a análise conduzida pelas autoridades alemãs (e que Portugal consubstancia)” não encontrou evidências de propriedades carcinogénicas nesta substância.

“As autoridades alemãs refutam as conclusões tiradas pelo IARC, referindo que aquela entidade não realizou uma apreciação exaustiva de toda a informação disponível (…) e, portanto, parece ter efectuado uma análise incompleta e enviesada da informação tendo, nessa circunstância concluído erradamente sobre a substância”, refere a mesma resposta.

Portugal vai esperar, por isso, pela publicação oficial das conclusões da Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar, que está a avaliar o relatório produzido pelas autoridades alemãs, para emitir um parecer em consonância “com a devida informação técnica e científica actualizada”.

O glifosato é a substância activa mais comercializada dos herbicidas em Portugal, representando cerca de 64% do total, segundo dados da Direcção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV).

Em 2012, último ano relativamente ao qual existem dados disponíveis, foram vendidos em Portugal 1.768.622 quilos de herbicidas, menos 11,4% do que em 2011.

De acordo com as entidades oficiais, não existem até à data “casos comprovados de envenenamento com produtos à base de glifosato” que é usado “para controlo de pós emergência das infestantes anuais e perenes das culturas”, não existindo alternativas.

O Ministério da Agricultura aconselha, no entanto, que “os meios de luta biológicos, físico e outros meios não químicos sustentáveis devem ser preferidos aos meios químicos, se permitirem o controlo dos inimigos das culturas de uma forma satisfatória”.

A 25 de Março, cinco dias depois do alerta da OMS, 11 entidades não-governamentais das áreas do ambiente e agricultura reunidas na Plataforma Transgénicos Fora transmitiram as suas preocupações quanto à possibilidade de o herbicida "mais vendido em Portugal", causar cancro, pedindo ao governo português que adopte medidas para proteger os cidadãos.

O glifosato comercializado em Portugal é também vendido livremente para uso doméstico em hipermercados, hortos e outras lojas e é usado "com abundância" por quase todas as autarquias para limpeza de arruamentos, sendo esta uma das formas mais relevantes de exposição das populações, segundo a IARC, salientou a Plataforma Transgénicos Fora num comunicado.

A multinacional de agricultura e biotecnologia Monsanto, produtora do Roundup, um produto que tem o glifosato como ingrediente principal, veio garantir dois dias mais tarde que estes produtos "são seguros para a saúde humana".

Em duas noites
Oitenta e dois jovens foram premiados durante duas noites por terem apresentado uma taxa de zero de alcoolemia em acções de...

Os jovens premiados no distrito do Porto foram sujeitos a fiscalização na zona de Águas Santas, enquanto na zona de Lisboa as operações para atribuição de descontos em combustível decorreram na Costa da Caparica.

A completar 14 anos em 2015, o programa é uma iniciativa da Associação Nacional das Empresas de Bebidas Espirituosas (ANEBE), com o objectivo de consciencializar a população mais jovem para uma condução responsável e sem álcool.

Para Mário Moniz Barreto, secretário-geral da ANEBE, estes dados demonstram “que os jovens condutores portugueses aderem cada vez mais às mensagens que estão associadas ao programa”.

“Desde que o Programa 100% Cool se iniciou, as mortes anuais na estrada passaram de mais de mil para menos de 400 e número de vítimas mortais é o mais baixo dos últimos 55 anos (pelo menos). Entre 2013 e 2014 registou-se menos 17% de jovens condutores apanhados com álcool”, lê-se no comunicado divulgado pela ANBE.

Após meses esgotado
A autoridade que regula o sector do medicamento anunciou que o abastecimento do antibiótico Lentocilin, esgotado há alguns...

O Lentocilin, um antibiótico com a substância activa benzilpenicilina, pertencente ao grupo das penicilinas, está esgotado em várias farmácias e hospitais porque o laboratório que a produzia deixou de o fazer.

Trata-se de um antibiótico usado para o tratamento de infecções do trato respiratório superior, sífilis, febre reumática ou difteria, entre outras doenças.

Segundo uma nota da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed), foi já autorizado um novo fabricante da substância activa deste fármaco, o qual “permitirá regularizar o seu normal abastecimento”.

“O abastecimento deste medicamento sofreu perturbações, nas últimas semanas, devido a uma ruptura do fornecimento da substância activa, prossegue a nota.

O Infarmed garante que “adoptou medidas necessárias para agilizar o processo administrativo com vista à substituição do fornecedor da substância activa, assegurando o cumprimento de todos os requisitos para que a qualidade, a segurança e a eficácia destes medicamentos continuem asseguradas”.

Este organismo acrescenta que o titular da Autorização de Introdução no Mercado (AIM) do Lentocilin indicou que retomará o abastecimento do mercado a partir de dia 20 de Abril.

Estudo indica
Um estudo apresentado no Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto concluiu que “a tuberculose infantil é um...

De acordo com os dados mais recentes, incluídos no trabalho “Crianças sem confirmação diagnóstica de tuberculose – quais os critérios para iniciar tratamento em Portugal?”, da investigadora Sara Martins, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), do total de casos de tuberculose diagnosticados em Portugal, 0,7% ocorrem em crianças com menos de seis anos.

Segundo a investigadora, estudos anteriores demonstraram que nas crianças com menos de seis anos a confirmação do diagnóstico de tuberculose é baixa (19,2% a nível europeu em 2009 e 27,6% a nível nacional de 2000 a 2009).

Com o objectivo de identificar os critérios que levam os clínicos a iniciar tratamento antibacilar em crianças com menos de seis anos sem confirmação do diagnóstico, os autores implementaram um inquérito online, dirigido a médicos a nível nacional com experiência em tuberculose.

Com vista a iniciar o tratamento sem confirmação diagnóstica, foram valorizados o contexto epidemiológico (72%), alterações radiológicas (62%), história clínica e resultados de testes imunológicos (55%).

A decisão de iniciar tratamento sem confirmação do diagnóstico foi baseada na história de contacto recente, história clínica (principalmente febre prolongada) e na presença de alterações radiológicas.

Dos 65 inquéritos enviados, 29 (44.6%) estavam completos. Os inquiridos apresentavam uma média de 15,5 anos de experiência em tuberculose e 11,7 anos de experiência em tuberculose infantil.

Os dados foram divulgados numa sessão de apresentação e debate sobre Trabalhos de Investigação na área da Tuberculose, que decorreu no ISPUP.

Vários investigadores do ISPUP deram a conhecer os trabalhos de investigação que têm vindo a ser desenvolvidos pelo Instituto na área da tuberculose, sensibilizando para as questões que envolvem a doença, particularmente em Portugal.

Um desses trabalhos, “Tuberculose em população nascida em Portugal e no estrangeiro – o que as diferencia”, do investigador João Paulino, verificou que, em 2013, 17% dos casos de tuberculose ocorreram em doentes nascidos fora do país.

Este estudo pretendeu caracterizar a tuberculose em população nascida em Portugal e no estrangeiro, os factores de risco mais frequentes em cada uma das populações, as diferenças no tempo de diagnóstico, resultado do tratamento e ainda identificar barreiras na abordagem dos doentes nascidos no estrangeiro.

Para esse efeito foram analisados os dados do sistema de vigilância de tuberculose nacional e foi aplicado um inquérito online a médicos que tratam casos de tuberculose no país.

Verificou-se que os doentes nascidos no estrangeiro eram mais jovens, sendo menos frequente o desemprego, o consumo de álcool ou drogas nesta população quando comparado com a população nativa doente.

O factor de risco mais frequente foi a infecção por VIH. Na população nativa doente, os factores de risco identificados como mais frequentes foram o consumo de álcool ou drogas, infecção VIH e ser sem-abrigo.

De acordo com a investigação, o tempo até ao diagnóstico, assim como o resultado do tratamento foi semelhante nas duas populações, refletindo a acessibilidade aos cuidados da tuberculose – as consultas e o tratamento são gratuitas e de livre acesso a toda a população.

As barreiras mais frequentemente detectadas pelos clínicos na abordagem destes doentes foram a língua e o medo de deportação (nos imigrantes em situação irregular).

Em Portugal, a incidência de tuberculose tem vindo a diminuir tendo ultrapassado este ano, de acordo com os dados provisórios do Programa Nacional de Luta Contra a Tuberculose (PNT), o limiar da baixa incidência (20/100000 habitantes).

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