Associação de bebidas espirituosas concorda
O secretário-geral da Associação Nacional de Empresas de Bebidas Espirituosas, Mário Moniz Barreto, aplaudiu a intenção do...

A propósito da realização, hoje, da reunião anual do Fórum Nacional Álcool e Saúde, no qual deverá ser discutida à alteração à lei do álcool, Mário Barreto Moniz disse que o sector sempre defendeu que a idade mínima para o consumo passasse para os 18 anos, à semelhança do que acontece em vários países europeus.

“O sector das bebidas espirituosas aplaude esta intenção do Governo, uma vez que corresponde inteiramente às posições defendidas pelo sector em Portugal desde há vários anos”, disse à Lusa Mário Moniz Barreto, Associação Nacional de Empresas de Bebidas Espirituosas (ANEBE).

Publicado em Abril de 2013, o diploma legal veio proibir a venda, disponibilização ou consumo de bebidas espirituosas a menores de 18 anos e de cerveja e de vinho a menores de 16.

No mês passado, o ministro da Saúde, Paulo Macedo admitiu o aumento da idade mínima para o consumo de bebidas alcoólicas, no âmbito de um conjunto de medidas que o seu ministério está a preparar para reduzir as doenças ligadas ao consumo de álcool.

O tema, segundo os jornais Público e Jornal de Notícias, vai ser debatido hoje em Loures, na reunião anual do Fórum Nacional Álcool e Saúde.

Em declarações hoje à Lusa, o secretário-geral da ANEBE disse que o sector sempre defendeu que a formulação da actual lei seria não só ineficaz do ponto de vista da facilitação da fiscalização e passaria a mensagem errada de que há “bom e mau álcool”.

“Pudemos comprovar, depois da aprovação da lei há dois anos, que esta não tem eficácia, junto de jovens, e por outro lado cria a imagem de que há um álcool mais adulto que outro”, explicou.

No entender do responsável, “18 anos é a idade que reúne maior consenso no que diz respeito à iniciação no consumo de álcool”.

“Regozijamo-nos com este anúncio de alteração, a curto prazo, da lei. Nós defendemos que a indústria não pode querer fazer lucro à custa dos menores de 18 anos. Os 18 anos é a idade em que, segundo estudos médicos, é mais seguro a iniciação nas bebidas alcoólicas”, sublinhou.

Mário Moniz Barreto disse ainda esperar que haja “fumo branco” hoje na reunião anual do Fórum Nacional Álcool e Saúde e que as alterações “aconteçam num curto espaço de tempo.

Os especialistas do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) defenderam em Fevereiro que a lei do álcool deve ser mais restritiva, sugerindo também mais controlo e fiscalização.

Depois de um estudo sobre os padrões de consumo de álcool nos jovens após a nova lei ter entrado em vigor, em meados de 2013, o SICAD concluiu que a frequência e padrões de consumos se mantiveram nos adolescentes e nos jovens.

A associação de produtores de bebidas espirituosas pediu em Fevereiro ao Governo para reformular a lei, acabando com a distinção da idade mínima para consumo consoante o tipo de bebida.

Estudo pioneiro em Portugal
Um projecto inédito em Portugal está a ajudar alcoólicos a recuperar as faculdades neuropsicológicas perdidas devido ao consumo...

Este trabalho intitulado “Reabilitação neuropsicológica em alcoólicos com recurso a aplicações móveis” permitiu perceber que é possível reabilitar pessoas dependentes do álcool através de sessões de estimulação cognitiva.

O estudo está a ser desenvolvido pelo mestrado de Neuropsicologia Aplicada da Escola de Psicologia e Ciências da Vida (EPCV) da Universidade Lusófona em parceria com o Instituto S. João de Deus – Casa de Saúde do Telhal.

Segundo Paulo Lopes, o estudo consistiu em fazer uma avaliação neruopsicológica, em todos os doentes internados, tendo sido escolhidos aleatoriamente dois grupos, um que entrou no projecto da estimulação cognitiva e outro que foi sujeito ao tratamento convencional.

A estimulação cognitiva é feita com recurso a uma aplicação móvel (mHealth), cujo modelo já existia noutros países mas com utilizações pontuais, explicou Paulo Lopes.

Portugal é até agora o país que faz uso deste programa de forma mais alargada e abrangente: na Casa de Saúde do Telhal foram avaliadas, desde 2011, 185 pessoas, das quais 83 usufruíram do programa de estimulação cognitiva.

Os principais resultados demonstram que estatisticamente o grupo estimulado “melhorou significativamente” em relação ao outro grupo sujeito apenas ao tratamento convencional.

A razão para isto tem a ver com o facto de a zona cerebral mais afectada pelos consumos ser “a parte frontal do cérebro, uma área importante em termos de coordenação de actividades motoras, do pensamento, da resolução de problemas, é a área do cérebro tida como a parte executiva”, explicou.

O programa de estimulação consiste em jogos psicológicos, aplicados a ‘tablets’ ou telemóveis, que treinam as funções cognitivas e permitem recuperá-las.

“São dez sessões de 50 minutos ao longo de três semanas. As sessões são padronizadas, as aplicações são desenhadas e construídas por nós. Nessas aplicações temos tarefas para fazer: ver imagens, agrupar por pares, escolher as imagens correctas. São jogos para treinar a rapidez, a memória, a velocidade de processamento, a percepção e a linguagem”, disse o responsável.

O que se verificou no grupo estimulado foi uma maior capacidade de adaptação a situações adversas, maior controlo sobre si próprio, capacidade de resistir a um impulso e melhores tomadas de decisão.

Actualmente o programa já está a ser aplicado a todos os doentes internados na Casa de Saúde do Telhal e está a iniciar-se em duas comunidades terapêuticas - Caritas Diocesanas de Beja e Ares do Pinhal – e num programa de substituição opiácea (também na associação Ares do Pinhal).

“Neste momento já temos uma amostra de alcoólicos, de toxicodependentes e toxicodependentes em substituição opiácea, em que 80 foram avaliados e 12 fizeram a estimulação cognitiva”.

Na mesma comunidade terapêutica (Ares do Pinhal) há 45 doentes em avaliação, 18 com estimulação cognitiva, disse o responsável, que não soube precisar o número de doentes actualmente em avaliação na Cáritas Diocesana.

O programa está agora a começar a ser testado com idosos, numa parceria com a Junta de Freguesia de Benfica.

As conclusões deste estudo serão apresentadas nos dias 14 e 15 de Abril, no XII Congresso de Psiquiatria do Instituto S. João de Deus.

Congresso de Associação Europeia de Urologia 2015
A Astellas Pharma anunciou novos dados do ensaio clínico de fase II, TERRAIN, que compara a enzalutamida com a bicalutamida no...

“A informação apresentada no Congresso demonstra o alcance e profundidade do programa de desenvolvimento da enzalutamida,” afirmou Claire Thom, Vice-presidente Sénior e Responsável da Área Oncológica da Astellas Pharma. “Somos motivados por ver que a enzalutamida continua a gerar informação promissora e importante para homens com cancro da próstata avançado e para as suas famílias.”

Destaques da informação da Enzalutamida

Título: Um estudo aleatorizado, de fase II, em dupla ocultação, sobre a segurança e eficácia de enzalutamida em comparação com bicalutamida no cancro da próstata metastático resistente à castração: ensaio clínico TERRAIN1

O ensaio clínico TERRAIN, de fase II, envolveu 375 doentes na América do Norte e Europa. O ensaio incluiu doentes com cancro da próstata metastático cuja doença progrediu apesar do tratamento com análogo LHRH ou após castração cirúrgica. O objectivo primário do ensaio foi a sobrevivência livre de progressão (PFS), definida enquanto tempo desde a aleatorização até à confirmação de progressão radiográfica, ocorrência de acontecimentos músculo-esqueléticos, início de nova terapia antineoplásica ou morte, dependendo de qual acontecer primeiro. O ensaio clínico foi desenvolvido para avaliar a enzalutamida numa dose de 160 mg em toma única diária oralmente versus bicalutamida numa dose de 50 mg tomados uma vez ao dia, sendo esta a dose aprovada em combinação com análogo LHRH.

“Os resultados do ensaio clínico TERRAIN, se confirmados, têm o potencial para impactar o contexto do tratamento do cancro da próstata metastático resistente à castração (CPRCm)”, afirmou Axel Heidenreich, Director do Departmento de Urologia, Hospital Universitário Aachen, Alemanha. “O estudo demonstrou melhoria com enzalutamida em comparação com a prática standard de adição da bicalutamida ao análogo de LHRH.”

  • O ensaio clínico alcançou o seu objectivo primário de um aumento estatisticamente significativo na PFS para enzalutamida comparativamente com bicalutamida. A PFS mediana no braço tratado com enzalutamida foi de 9,9 meses mais longa comparada com o braço tratado com bicalutamida (15,7 vs 5,8 meses, respectivamente) com um Hazard Ratio (HR) de 0,44 (intervalo de confiança de 95%, 0,34-0,57; p<0,0001);
  • O tempo mediano para progressão do PSA foi de 13,6 meses mais longo com enzalutamida (19,4 meses) relativamente ao tratamento com bicalutamida (5,8 meses) com um HR de 0,28 (p<0,0001);
  • 82% dos doentes tratados com enzalutamida atingiram uma redução do PSA ≥ 50% redução desde a linha de base à semana 13 versus 21% nos doentes tratados com bicalutamida;
  • O tempo mediano em tratamento com enzalutamida foi de 11,7 meses comparativamente a 5,8 meses com bicalutamida;
  • O perfil de segurança dos doentes tratados com enzalutamida no TERRAIN é consistente com o perfil de segurança de enzalutamida conhecido anteriormente.

o   Efeitos adversos graves (AEs) foram reportados em 31,1% de doentes tratados com enzalutamida versus 23,3% de doentes tratados com bicalutamida e AEs cardíacos de grau 3 ou superior foram observados em 5,5% dos doentes tratados com enzalutamida versus 2,1% dos doentes tratados com bicalutamida. Foram reportadas duas convulsões com enzalutamida e uma com bicalutamida;

o   Os AEs comuns (≥10%) reportados mais frequentemente com enzalutamida versus bicalutamida foram: fadiga (27,9% vs 20,1%), dorsalgia (19,1% vs 18,0%), rubor quente (14,8% vs 11,1%), hipertensão(14,2% vs 7,4%), diarreia (11,5% vs 9,0%), perda de peso (10,9% vs 7,9%) e dores nas extremidades (10,9% vs 5,3%).

Título: Enzalutamida em homens com cancro da próstata metastático resistente à castração: Análise final da sobrevivência global do ensaio clínico de fase III PREVAIL2

PREVAIL é um ensaio clínico de fase III, aleatorizado, com dupla ocultação, controlado com placebo, multinacional, envolveu de 1717 doentes em centros de investigação nos EUA, Canadá, Europa, Australia, Rússia, Israel e Ásia, incluindo Japão. O ensaio clínico incluiu doentes que ainda não tinham recebido tratamento prévio com quimioterapia e cuja doença progrediu após tratamento com análogo LHRH ou após orquiectomia. Os objectivos coprimários deste estudo foram a sobrevivência global e a sobrevivência livre de progressão radiográfica. O estudo foi desenhado para avaliar a eficácia da enzalutamida na dose de 160 mg, uma vez ao dia, por via oral comparativamente a placebo.

"As observações mais interessantes sobre esta informação são: a enzalutamida atingiu sobrevivência global significativa apesar de muitos doentes receberem tratamento adicional; o diagnóstico de quando a doença se torna metastática, que impulsiona o tempo de início da terapia, é importante”, afirmou Bertrand Tombal, Professor no Departamento de Urologia da Universidade de Louvain, Bruxelas. Segundo Tombal, “A abordagem standard, como a feita no braço de placebo no PREVAIL, é geralmente aguardar por alguns sintomas ou rápida progressão radiográfica antes de iniciar a quimioterapia. No entanto, este estudo demonstra que iniciar enzalutamida aos doentes no momento em que o cancro da próstata resistente à castração (CPRC) se torna metastático tem potencial para prolongar a sobrevivência.”

  • Foi conduzida uma análise actualizada da sobrevivência global às 784 mortes e foi encontrado um benefício estatisticamente significativo com a redução de 23% no risco de morte (OS: HR 0,77; 95% CI 0,67–0,88; p=0,0002) e uma melhoria na sobrevivência mediana de 4 meses com enzalutamida (35,3 meses [95% IC 32,2– ainda não alcançados]) acima do placebo (31,3 meses [95% IC 28,8–34,2]). Em junho de 2014 deu-se a data de termino com um follow up mediano com a duração de 31 meses:

                o   52% dos doentes tratados com enzalutamida e 81% dos doentes tratados com placebo receberam ≥ 1 terapêutica(s) subsequente(s) para o cancro da próstata.

Sobre XTANDI™ (enzalutamida)

XTANDI é um inibidor da via de sinalização do receptor androgénico (RA), com toma única diária por via oral. XTANDI actua em três fases diferentes da via de sinalização do receptor androgénico:

  • Bloqueia a ligação dos androgénios:

Inibe competitivamente a ligação dos androgénios aos receptores androgénicos

  • Impede a translocação nuclear dos RA:

A translocação do RA para o núcleo é um passo essencial na mediação da regulação do gene do receptor androgénico

  • Afecta a ligação ao DNA, impedindo a modulação da expressão genética:

A interacção do receptor androgénico ao DNA é essencial para a modelação da expressão do gene

Enzalutamida foi aprovada pela Comissão Europeia em Junho de 2013 para o tratamento de homens adultos com CPRCm cuja doença tenha progredido durante ou após o tratamento com docetaxel. A enzalutamida está actualmente aprovada na Europa também para o tratamento do cancro da próstata metastático resistente à castração em doentes assintomáticos ou ligeiramente sintomáticos após insucesso da terapia de privação androgénica, para os quais a quimioterapia não é ainda clinicamente indicada.

Sobre a Astellas Pharma

A Astellas Pharma é uma companhia farmacêutica comprometida com a melhoria do estado de saúde das populações mundiais, fornecendo as mais recentes e inovadoras terapêuticas. O foco da organização está na disponibilização de terapêuticas, ao nível da I&D e da comercialização de tratamentos eficazes, que melhorem a vida dos doentes, continuando a crescer de forma sustentada no seu sector. É uma das 20 maiores empresas farmacêuticas, que emprega cerca de 15 mil colaboradores em todo o mundo.

A Astellas está em Portugal desde 1967, conta com cerca de 53 colaboradores e focaliza-se nas seguintes áreas terapêuticas: Oncologia, Urologia, Dermatologia, Transplantação, Anti-infecciosos e Dor.

Para mais informações sobre a Astellas visite http://www.astellas.com.pt/pt/.

Referências

1 A randomized, double-blind, phase 2, efficacy and safety study of enzalutamide vs. bicalutamide in metastatic castrate resistant prostate cancer: TERRAIN trial. Abstract presented at EAU 2015
2 Enzalutamide in men with chemotherapy-naïve metastatic castration-resistant prostate cancer (mCRPC): Final overall survival analysis of the phase 3 PREVAIL study. Abstract presented at EAU 2015
3 Tran C, et al. Development of a second-generation antiandrogen for treatment of advanced prostate cancer. Science 2009; 324:787-790 
4 Hu R, Denmeade SR and Luo J. Molecular processes leading to aberrant androgen receptor signaling and castration resistance in prostate cancer. Expert Rev Endocrinol Metab 2010; 5 (5): 753–764
5 European Medicines Agency. XTANDI (enzalutamide). Summary of Product Characteristics, 2015

Instituto de Apoio à Criança defende
A presidente do Instituto de Apoio à Criança, Dulce Rocha, defendeu a criação de um plano nacional para a prevenção dos maus...

Em declarações, a propósito dos dois mais recentes casos de morte de crianças, uma assassinada, outra alegadamente vítima de maus tratos, Dulce Rocha defendeu que é preciso mais prevenção e formação de maneira a detectar mais precocemente casos de violência infantil, principalmente sobre crianças que não conseguem queixar-se.

“À semelhança do que já sucede com a violência doméstica, devia haver um plano nacional para a prevenção dos maus tratos, um plano nacional contra a violência sobre as crianças porque as crianças têm direito a uma vida sem violência”, sustentou.

Segundo Dulce Rocha, os casos de violência sobre as crianças são cíclicos e se há alturas em que o Instituto de Apoio à Criança (IAC) os consegue diagnosticar atempadamente, outros há que são muito imprevisíveis.

“O que me parece, que é uma conclusão a retirar, é que as crianças, principalmente as que ainda não falam e também aquelas com deficiências, que têm dificuldade de comunicação, são das mais vulneráveis de todas”, apontou a responsável.

Nesse sentido, a presidente do IAC defendeu que é preciso estar mais atento aos sinais em crianças que não conseguem ainda expressar-se.

“A atenção tem que ser cada vez maior, a formação também, a formação dos profissionais para conseguirem ler os sinais, mesmo que uma pessoa menos atenta não consiga”, frisou.

Sobre essa questão, concretizou que os profissionais que lidam com este tipo de casos deveriam ter uma formação mais específica, que lhes permitisse descobrir mais cedo, quando o caso já não é apenas um risco, mas já estão perante uma situação de perigo.

“Todos achamos inadmissível, mas temos de tomar medidas para que a situação não continue na mesma porque às vezes parece que há uma acalmia destes casos, nas depois vem ciclicamente e somos confrontados com casos deste tipo”, alertou Dulce Rocha, salientando que a prevenção nestes casos está muito ligada ao conhecimento.

Defendeu, por isso, que seja uma formação de prevenção com conhecimento, sublinhando que a formação ao nível dos procedimentos ou dos processos é importante, mas não é fundamental.

“O fundamental é ouvir os médicos experientes, os magistrados experientes, as pessoas que já tiveram casos, haver estudos de casos. Isso é que me parece que seria uma formação que não deixaria tudo na mesma”, sustentou.

Na opinião de Dulce Rocha, ainda existe uma visão muito romântica da família, vista como lugar de afectos, quando há muitos casos em que isso não acontece e em que a família se transforma num “lugar de tormento, de grande violência”.

Nesse sentido, defendeu que não se pode automaticamente partir do princípio que todas as famílias são lugares de afectos e deve haver um trabalho de verificação para perceber se deve ou não ser feita vigilância.

Burla ao SNS
A Polícia Judiciária anunciou a detenção de quatro pessoas com ligações ao ramo farmacêutico por burla ao Estado e falsificação...

No âmbito de um inquérito dirigido pelo Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa e relacionado com a investigação de fraudes ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), a Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC) da PJ deteve dois homens, de 62 e 31 anos, e duas mulheres, de 50 e 56 anos, pelos crimes de falsificação de documento agravada e burla qualificada, adianta a PJ em comunicado.

A Polícia Judiciária conseguiu averiguar “um esquema fraudulento executado por pessoas com ligações ao ramo farmacêutico, que terão obtido lucros ilícitos através da apresentação em farmácias de receituário contrafeito referente a medicamentos com elevada taxa de comparticipação”.

Durante a investigação, que contou com a colaboração do Ministério da Saúde, foi também apreendido receituário, medicamentos, dinheiro em numerário, armas e munições, bem como material informático e de comunicações, refere a PJ.

Os quatro detidos foram presentes a tribunal, ficando um deles em prisão preventiva e os restantes sujeitos a medidas de coação de inibição de exercício de funções e caução, para além do termo de identidade e residência.

A PJ indica ainda que a investigação vai continuar para determinar todas as condutas criminosas e o seu alcance, bem como o prejuízo total causado ao Estado português através de comparticipações obtidas fraudulentamente do SNS e às farmácias que se encontram lesadas.

Projecto português dedicado ao Autismo
Um ano após o lançamento da Eforcing Kids, plataforma de informação global sobre Autismo, no Dia Internacional do Autismo,...

A aplicação Enforcing Kids está disponível gratuitamente e pode ser usada nos quatro idiomas de trabalho da Enforcing Kids: português, castelhano, francês e inglês.

A aplicação móvel junta-se assim ao universo Eforcing Kids presente nas redes Facebook, Youtube, Twitter e Blogger.

Enforcing Kids é um projecto português dedicado ao autismo, uma plataforma de informação a que se junta agora a aplicação móvel de apoio à terapia de crianças com síndrome do autismo.

Os responsáveis por este projecto são Cátia Raminhos e Jorge Santos, alunos da Universidade de Lisboa dos mestrados de Engenharia Informática e de Metodologias e Tecnologias em E-Learning.

O Enforcing Kids surgiu em Portugal e tem como função partilhar dúvidas, esclarecimentos, opiniões e experiências sobre o autismo. Neste momento é um projecto conhecido a nível mundial com adesão em mais de 50 países.

A plataforma de informação foi criada em final de Março de 2014 e surgiu no seguimento da criação da aplicação móvel, que agora foi lançada.

A plataforma é destinada ao público adulto que lida com a temática do autismo, enquanto a aplicação móvel está pensada para ser usada por crianças acompanhadas por adultos responsáveis pela terapia.

Disponível nas redes sociais mais populares, a plataforma é facilmente utilizável. A aplicação móvel está desenhada para ser usada nos dispositivos móveis mais utlizados actualmente.

Todo o processo de criação da aplicação móvel decorreu no âmbito de um trabalho académico na disciplina de Computação Móvel (coordenada pelos docentes Tiago Guerreiro e Luis Carriço). A plataforma de informação foi desenvolvida no tempo livre dos seus organizadores e não tem quaisquer custos de utilização. O acesso gratuito também é garantido para o blogue com acesso reservado a um público mais especializado.

Este projecto é apoiado pelo Departamento de Investigação LaSIGE da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa

Mais informações em www.facebook.com/enforcingkids.

Pelo 46º ano
A Sociedade Portuguesa de Cardiologia e a Sanofi vão atribuir no dia 21 de Abril, no âmbito do XXXVI Congresso Português de...

Sendo o objectivo deste prémio incentivar o espírito de investigação nos cardiologistas portugueses, o trabalho premiado terá de ser efectuado em instituições nacionais e os autores dos trabalhos concorrentes terão de ser maioritariamente nacionais. O primeiro autor terá de ter nacionalidade portuguesa e ser Cardiologista ou Interno de Cardiologia.

Os trabalhos a concurso devem, obrigatoriamente, ter sido apresentados no Congresso Português de Cardiologia ou numa das Reuniões ou Jornadas promovidas pela Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC), no Congresso Anual da Sociedade Europeia de Cardiologia (SEC) ou numa das reuniões ou Jornadas promovidas pela SEC, na reunião anual do American College of Cardiology, na reunião anual da American Heart Association ou no Congresso da European Association for Cardiothoracic Surgery.

Fernando Sampaio, director-geral da Sanofi Portugal, sublinha que “este é o Prémio de investigação mais antigo da Sociedade Portuguesa de Cardiologia e a Sanofi continua a apoiá-lo porque o incentivo à investigação em Portugal é um dos pilares da nossa actividade. Acreditamos que o nosso desígnio de contribuir para a sustentabilidade da Saúde em Portugal também passa por apoiarmos os projectos dos profissionais e instituições de saúde”.

De acordo com os recentes indicadores sobre saúde apresentados pelo INE em 6 de Abril de 2015, a principal causa de morte em Portugal em 2013 foi a patologia do aparelho circulatório, que estive na origem de 29,5% do total de óbitos, pelo que incentivar a investigação nesta área continua a ser um compromisso de futuro.

Nas autarquias
O baixo número de nutricionistas e de dietistas contratados pelas câmaras municipais pode estar na origem da fraca qualidade...

Apesar de as autarquias serem, desde 2008, responsáveis pelo fornecimento das refeições escolares, apenas 10% das câmaras municipais tinham nutricionistas e dietistas integrados nos seus quadros de pessoal.

Um estudo do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), intitulado “O valor nutricional de refeições escolares” e divulgado no seu mais recente Boletim Epidemiológico Observações, denuncia uma prevalência excessiva de sal e um insuficiente valor energético em 36 refeições escolares analisadas, na zona de Grande Lisboa, face às recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS). Já em 2011, o estudo “Baixo valor calórico e elevado teor de sal nas refeições servidas em cantinas escolares”, publicado na Acta Médica Portuguesa, referente ao Grande Porto, analisou 32 refeições e salientou exactamente as mesmas conclusões.

Para a Ordem dos Nutricionistas, este cenário é, acima de tudo, o retrato de uma preocupação insuficiente e uma falta de controlo significativa no que toca às refeições que são servidas nas cantinas das escolas do 1º ciclo do ensino básico, sobretudo quando se sabe que o almoço realizado na escola deve constituir uma resposta para a luta contra a carência alimentar de algumas crianças e contra o excesso de peso nos mais jovens (segundo os dados mais recentes da Direcção Geral da Saúde, em Portugal a prevalência da obesidade e excesso de peso em crianças com 7-8 anos é de 31,5% nos rapazes e de 36,2% nas raparigas).

É sabido também que uma alimentação saudável e equilibrada constitui um factor determinante para a saúde de qualquer cidadão e, particularmente, no que diz respeito ao aproveitamento e sucesso escolar dos estudantes. Desta forma, estes dados vêm apenas sustentar aquela que tem sido uma das maiores preocupações da Ordem dos Nutricionistas nos últimos anos: a integração insuficiente de nutricionistas e de dietistas nas estruturas do poder local.

O Decreto de Lei nº 144/2008 delega às autarquias a responsabilidade de gestão dos refeitórios e de fornecimento das refeições escolares. Neste contexto, a especificidade das competências dos membros da Ordem dos Nutricionistas levaria ao cumprimento efectivo da Circular N.º 3/DSEEAS/DGE/ 2013 da Direcção Geral da Educação, referente às orientações sobre as ementas e refeições escolares, de forma inequívoca e rigorosa. Além disso, a sua presença asseguraria a eficiência associada à prestação destas funções e, consequentemente, seriam oferecidas aos alunos e às instituições de ensino melhores condições de alimentação e nutrição, assentes num planeamento mais adaptado às necessidades dos estudantes e numa supervisão mais próxima.

Em 2013, a Ordem dos Nutricionistas verificou que apenas 10% das estruturas do poder local de todo o país tinham nutricionistas e dietistas, um número que esta considera excessivamente reduzido atendendo às necessidades populacionais e dos próprios estabelecimentos de ensino.

O mesmo estudo verificou que 30% destes profissionais que integram as estruturas das autarquias afirmam que nem tampouco incluem questões de Nutrição e Alimentação nas suas acções, e 42,6% reflecte a realização de funções específicas destas áreas por profissionais não qualificados. Atendendo que se verificou que as Escolas do Ensino Básico do 1.º, 2.º e 3.º ciclos são as instituições com as quais se mantém uma parceria mais notória nos mesmos âmbitos, a Ordem dos Nutricionistas afirma que os dados apontados pelo INSA serão apenas mais um indicador de que as autarquias necessitam de aumentar exponencialmente os nutricionistas e os dietistas integrados nas suas estruturas de modo a conseguirem salvaguardar a qualidade das refeições servidas nas cantinas escolares.

Circular Informativa N.º 063/CD/8.1.7.
O Comité de Avaliação do Risco em Farmacovigilância da Agência Europeia do Medicamento concluiu a revisão de segurança dos...

Conforme divulgado na Circular Informativa N.º 136/CD/8.1.7., esta revisão avaliou o risco cardiovascular dos medicamentos contendo ibuprofeno de acção sistémica, quando utilizados em doses elevadas (2400 mg/dia).

O ibuprofeno pertence à classe dos medicamentos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), sendo uma das substâncias activas mais utilizadas para o tratamento da dor e inflamação.

A avaliação dos dados disponíveis confirmou a existência de pequeno aumento do risco de desenvolvimento de problemas cardiovasculares, como ataque cardíaco e acidente vascular cerebral (AVC), em doentes a tomar doses elevadas de ibuprofeno (2400 mg/dia). Este risco é semelhante ao conhecido para outros AINEs como o diclofenac e os inibidores da COX-2.

Quando o ibuprofeno é tomado em doses até 1200 mg/dia, não se observou aumento do risco de problemas cardiovasculares.

O Comité de Avaliação do Risco em Farmacovigilância (PRAC) concluiu que os benefícios do ibuprofeno ultrapassam os seus riscos, no entanto recomenda a actualização das precauções de utilização de doses elevadas de ibuprofeno para minimizar o risco cardiovascular:

- Os doentes com problemas cardíacos ou circulatórios graves como insuficiência cardíaca, cardiopatias e distúrbios circulatórios ou que já tiveram ataque cardíaco ou AVC devem evitar a toma de doses elevadas de ibuprofeno (2400 mg/dia ou superiores);

- Os médicos devem avaliar cuidadosamente os factores de risco de problemas cardíacos ou circulatórios antes do início do tratamento com ibuprofeno, especialmente nos casos em que é necessário o uso de doses elevadas. Devem ser considerados como factores de risco o tabagismo, a hipertensão, a diabetes e o colesterol elevado.

O PRAC efectuou ainda a revisão dos dados de interacções entre o ibuprofeno e doses baixas de ácido acetilsalicílico, usadas na redução do risco de ataques cardíacos e AVC. Os estudos laboratoriais demonstraram que o ibuprofeno reduz os efeitos anticoagulantes do ácido acetilsalicílico. Contudo, ainda não está provado que o uso prolongado de ibuprofeno na prática clínica reduza os benefícios do ácido acetilsalicílico na prevenção de ataques cardíacos e AVC; o uso ocasional não parece afetar os benefícios do ácido acetilsalicílico.

O PRAC recomendou o reforço da informação no resumo das características do medicamento e folheto informativo sobre o risco cardiovascular associado ao uso de doses elevadas de ibuprofeno e a actualização da informação disponível sobre a interacção entre o ibuprofeno e doses baixas de ácido acetilsalicílico.

As recomendações para o ibuprofeno também se aplicam ao dexibuprofeno, uma substância ativa semelhante ao ibuprofeno. Consideram-se doses elevadas de dexibuprofeno doses iguais ou superiores a 1200 mg/dia.

As recomendações do PRAC serão remetidas ao Grupo de Coordenação (CMDh) que emitirá uma posição e disponibilizará recomendações aos profissionais de saúde e doentes.

Infarmed
O Infarmed alerta para a recolha voluntária de alguns lotes de medicamento da Ratiopharm.

A empresa Ratiopharm – Comércio e Indústria de Produtos Farmacêuticos, Lda., irá proceder à recolha voluntária dos lotes abaixo indicados do medicamento Sertralina ratiopharm 50 mg Comprimidos Revestidos por película, com o número de registo 4897286, por terem sido detectados resultados fora das especificações para o parâmetro doseamento.

Lote Validade
18G194101 06-2015
18G194102 06-2015
18G262301 08-2015
18G262302 08-2015
18H167401 05-2016
18H167402 05-2016

Assim, o Infarmed determina a suspensão imediata da comercialização destes lotes.

Face ao exposto:
- As entidades que possuam estes lotes de medicamento em stock não os podem vender, dispensar ou administrar, devendo proceder à sua devolução.
- Os doentes que estejam a utilizar medicamentos pertencentes a estes lotes não devem interromper o tratamento. Logo que possível, devem consultar o médico assistente para emissão de nova prescrição que permita a dispensa de outro lote ou de outro medicamento.

Estudo do CICS-UBI
Uma equipa de investigadores do CICS - Centro de Investigação em Ciências da Saúde, na Universidade da Beira Interior, está a...

Este estudo já revelou que animais com sobre expressão da regucalcina apresentam resistência ao desenvolvimento de tumores mamários, o que sugere que esta proteína pode actuar na supressão de tumores. Desta forma, “podemos pensar que aumentando os níveis desta proteína podemos actuar na protecção do desenvolvimento dos tumores, o que, em termos mais simples, significa que a descoberta desta proteína abre uma nova porta muito promissora, não no tratamento do cancro, mas da prevenção do mesmo, quase como uma "vacina" para o cancro” refere fonte do CICS.

Estudos anteriores do grupo de investigação liderado pela docente Sílvia Socorro haviam demonstrado que a regucalcina (RGN), uma proteína reguladora dos níveis de cálcio intracelular e envolvida em diversas vias de sinalização, apresenta uma expressão diminuída em casos de cancro da mama relativamente a tecidos não neoplásticos. No estudo, recentemente publicado na revista Experimental Cell Research, os mesmos investigadores do Centro de Investigação em Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior (CICS-UBI) identificaram a RGN como uma molécula com uma acção protectora na carcinogénese da glândula mamária.

Pode consultar o estudo completo aqui.

Raquel Varela na ESEnfC
Raquel Varela, investigadora do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa e comentadora do programa da...

A especialista em História Global do Trabalho e em História do Estado Social e da Segurança Social participa, assim, no Seminário de Enfermagem Transcultural que, durante esta semana, a Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC) organiza para alunos do 4º ano da licenciatura e que visa, entre outros objectivos, oferecer aos estudantes a oportunidade de analisarem a influência das culturas nos cuidados de saúde de vários países, adquirindo competências e sensibilidade cultural para o exercício profissional além-fronteiras.

Raquel Varela é coordenadora do Grupo de Investigação História Global do Trabalho e dos Conflitos Sociais, no IHC da Universidade Nova de Lisboa, e investigadora do Instituto Internacional de História Social, onde coordena o projecto internacional “In the Same Boat? Shipbuilding and ship repair workers around the World” (1950-2010). É, também, coordenadora do projecto História das Relações Laborais no Mundo Lusófono (Fundação para a Ciência e a Tecnologia) e doutora em História Política e Institucional (ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa).

Em 2013 venceu o prémio de Internacionalização em Ciências Sociais Santander/FCSH.

Tem vários livros publicados, seja na qualidade de autora, seja enquanto coordenadora. “História do Povo na Revolução Portuguesa 1974-1975” (Bertrand, 2014), “A Segurança Social é Sustentável. Trabalho, Estado e Segurança Social em Portugal” (Bertrand, 2013) e "Quem paga o Estado Social em Portugal? (Bertrand, 2012) são alguns exemplos.

Estudo aponta
Um estudo internacional liderado pela Universidade de Coimbra admite que a origem da esquizofrenia não seja neuronal, mas antes...

“Até agora, a comunidade científica assumia que a origem da esquizofrenia é neuronal, mas um estudo internacional” sugere que “poderá não ser assim e que a origem desta patologia está na glia, que sustenta uma espécie de memória de longa duração do cérebro e que assume o suporte funcional dos neurónios”, anunciou a Universidade de Coimbra (UC).

A descoberta, liderada por investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da UC, surgiu no âmbito de um estudo que foi “desenvolvido ao longo dos últimos quatro anos” e que visou “analisar o papel dos receptores A2A para a adenosina (‘antenas’ que detectam a adenosina, molécula que indica sinal de perigo no cérebro) nos problemas de memória”, acrescenta a UC.

“Experiências em ratinhos permitiram observar que, além de estarem presentes nos neurónios, os receptores A2A surgiam igualmente na glia, especialmente nos astrócitos, as células mais abundantes da glia”, adianta a UC na mesma nota.

Os investigadores decidiram então recorrer à engenharia genética e retirar os receptores A2A somente dos astrócitos para analisar possíveis reacções.

Ao bloquear a presença de A2A na glia, os especialistas observaram que “a comunicação dos neurónios fica seriamente comprometida”, salienta a UC.

“Notou-se uma perturbação disseminada ao sistema nervoso central e os ratinhos passaram a comportar-se como indivíduos que padecem de esquizofrenia”, adianta Rodrigo Cunha, coordenador do estudo, que também envolveu cientistas de dois grupos de investigação dos EUA.

Tal como acontece na esquizofrenia, “registaram-se três grandes tipos de alterações no funcionamento do sistema nervoso central dos animais, designadamente sintomas negativos (isolamento), sintomas positivos (alucinações visuais e sonoras, delírios, etc.) e problemas cognitivos (memória e concentração)”, sublinha Rodrigo Cunha.

“Verificou-se ainda que os ratinhos ficaram ávidos de fármacos psicoactivos”, acrescenta o investigador do CNC.

Os resultados do estudo, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, por fundos europeus e por duas fundações norte-americanas, evidenciam que “os receptores A2A são responsáveis por garantir o equilíbrio entre a glia e os neurónios e sugerem que a glia pode ter um papel central no desenvolvimento de doenças psiquiátricas”, afirma Rodrigo Cunha.

“Ao desvendar mais uma peça chave no funcionamento do sistema nervoso é agora possível avançar para mais estudos tendo em vista o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas para uma das mais incapacitantes doenças psiquiátricas”, conclui a UC.

Estudo
Os casos de cancro continuam a aumentar na China e prevê-se que até três milhões de pessoas morram devido a esta doença nos...

Na última década, o número de casos e as mortes devido a esta doença “aumentaram significativamente” na China e vão continuar a aumentar nos próximos 20 anos, informa um relatório do Registo Nacional de Cancro citado pela Rádio Internacional da China.

Segundo os dados mais recentes, cerca de 3,3 milhões de pessoas foram diagnosticadas com cancro em 2011 na China, dois terços das quais faleceram.

O cancro do pulmão continua a ser o “mais mortífero”, causando a morte de até 530 mil pessoas por ano, segundo o relatório.

50 anos do Programa Nacional de Vacinação
As vacinas fazem parte do dia-a-dia dos profissionais de saúde, que, 50 anos após a criação do Programa Nacional de Vacinação,...

“A vacinação é para a vida inteira. Enquanto cá estamos devemos estar protegidos contra as doenças”, disse Luísa Carvalho, médica de família na Unidade de Saúde Familiar (USF) Gerações, em Lisboa.

A clínica sublinhou a importância da vacina contra o tétano e a difteria, que é preciso actualizar de dez em dez anos.

José Soares, 53 anos e utente nesta USF, reconheceu que durante anos teve as vacinas atrasadas, mas recentemente tomou consciência da necessidade de ter esta medida profilática actualizada e agora não falha a toma.

“Não é porque nos apeteça, mas porque faz bem”, disse após tomar a vacina contra o tétano e a difteria, sublinhando a importância desta imunização que evita doenças “que podem levar à morte”.

Disso mesmo também tem consciência Maria Ângela da Silva, 65 anos, que não falha uma toma, nem mesmo da vacina contra a gripe que recebe anualmente.

“Temos de ter muito cuidado com as nossas doenças, que queremos chegar até aos 100” anos, disse.

Após actualizar o seu boletim de vacinas com a prevenção do tétano e da difteria, a sexagenária sublinhou que assim está mais protegida.

E dá o exemplo da vacina contra a gripe – que toma anualmente – e que a tem impedido de ficar doente.

“Vacinei-me no ano passado e nunca mais tive gripe”, disse.

Para Sofia, 20 anos, não vacinar-se seria “quase hipócrita”, principalmente porque está a estudar Saúde.

A vacinação “é fundamental, é o melhor método de prevenção que há. É a forma mais valiosa de saúde pública que nós temos”.

Para Luísa Carvalho, “a vacinação já está muito instaurada nos hábitos dos portugueses”.

Porém, nos mais idosos, “ainda há a noção de que não é preciso manter o Programa Nacional de Vacinação (PNV) e temos o dever de informar que é preciso actualizá-lo”.

Sobre as novas vacinas que têm vindo a ser introduzidas no PNV, Luísa Carvalho disse que a imunização contra o meningococo-C (no Programa desde Janeiro de 2006) “foi muito em aceite e tem uma boa taxa de cobertura”.

Relativamente à vacina contra o Vírus do Papiloma Humano, uma das causas do cancro do colo do útero, que consta do PNV desde 2008, a médica disse que “as pessoas ainda têm a ideia de que a vacina deve ser feita quando se inicia a vida sexual”.

“O nosso objectivo é proteger muito antes dessa altura. Mais uma vez, é um trabalho de educação para a saúde que está a ser bem recebido”, adiantou.

Em Portugal, são administradas gratuitamente através do Serviço Nacional de Saúde (SNS) as vacinas que protegem contra a tuberculose, difteria, tétano, tosse convulsa, doença invasiva por Haemophilus influenzae tipo b, poliomielite, sarampo, papeira, rubéola, hepatite B, doença meningocócica C e infecção pelo VPH.

Especialista afirma
Ana Leça, da Comissão Técnica de Vacinação, considera que as situações de resistência às vacinas são residuais, “o que não...

A propósito dos 50 anos do programa Nacional de Vacinação, que se assinalam este ano e serão objecto de uma cerimónia pública na terça-feira, Ana Leça disse que “as taxas de cobertura vacinal demonstram que as situações de resistência à vacinação são residuais.

Isto “não significa que [as situações de resistência às vacinas] não sejam preocupantes”, adiantou.

Para Ana Leça, “a vacinação no âmbito do PNV deve ser percebida como um direito do indivíduo a ser protegido, mas também como um dever de contribuir para a protecção da comunidade”.

E explicou que, em Portugal, “uma criança não vacinada por opção dos pais pode estar protegida pela imunidade de grupo decorrente das elevadas coberturas vacinais”.

Contudo, adiantou, essa criança “estará em risco se for viajar para países onde estejam a ocorrer surtos (muitos países europeus) e contactar com um caso”.

Por seu lado, “uma criança não vacinada por opção dos pais que adquira sarampo, poderá transmitir a doença a outra criança que ainda não foi vacinada (com idade inferior a 12 meses, idade da primeira dose) e cujos pais pretendiam protegê-la da doença”.

“Ou pode também transmitir à minoria de crianças já vacinadas mas que, por razões individuais, não adquiriram imunidade”.

Na área da vacinação, “quando se alegam direitos de escolha individual, eles podem colidir com os direitos individuais dos outros e colidem certamente com o objectivo do PNV de protecção da comunidade”.

Segundo Ana Leça, a resistência à vacinação iniciou-se com a primeira vacina, a da varíola.

A especialista, actualmente consultora da Direcção-Geral da Saúde, refere que “a maioria dos jovens adultos apenas ouviu falar de doenças como a poliomielite, a difteria, e mesmo o sarampo, tendendo a desvalorizá-las”.

Verifica-se, pois, uma “inversão da percepção do risco, com mais medo das vacinas do que das doenças, sem suporte científico válido e consistente”.

Em relação ao sarampo, após um artigo publicado em 1998 na revista Lancet pelo médico inglês Andrew Wakefield, correlacionando a vacina VASPR com a doença inflamatória do intestino e com o autismo, assistiu-se a um aumento de pessoas a recusarem a vacina.

Esta relação entre as vacinas e as doenças foi desmentida, mas o seu efeito não foi travado. No Reino Unido, em 2003, a cobertura vacinal para a VASPR diminuiu para 80% nas crianças de dois anos, com aumento dos casos e surtos em vários locais.

Além do Reino Unido, assistiu-se a uma diminuição da cobertura vacinal em muitos países europeus, com a emergência de grandes epidemias de sarampo.

Em 2011 registaram-se mais de 30 mil casos em 36 países europeus, com nove óbitos, seis dos quais em França.

Este ano, “continuamos a assistir a surtos de sarampo na Europa e nos Estados Unidos, onde a doença se encontrava já controlada, não sendo cumprida a meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) de eliminar o sarampo no espaço europeu em 2015”.

Quando a poliomielite matava em Portugal
O Programa Nacional de Vacinação começou há 50 anos, com a vacina para a poliomielite, doença que ainda matava em Portugal....

“O Programa Nacional de Vacinação (PNV) foi determinante para a diminuição das taxas da mortalidade infantil, que são actualmente das mais baixas da Europa, se bem que outros factores tenham contribuído para os valores atingidos nos últimos anos, nomeadamente a excelência dos cuidados perinatais”, disse Ana Leça, consultora e colaboradora da Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Ana Leça, que é membro da Comissão Técnica de Vacinação (CTV) desde que este grupo de peritos foi criado, em 1997, referiu que, entre a década anterior ao PNV (1956-1965) e a década de 2003 a 2012, verificou-se uma redução de 39.578 casos de tétano, difteria, tosse convulsa e poliomielite e de 5.246 óbitos por essas doenças.

O PNV é um calendário, recomendado pelas autoridades de saúde, das vacinas, que são administradas de forma gratuita nas instituições do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Este plano inclui vacinas para 12 agentes. Após a imunização da poliomielite, foram introduzidas, em 1966, as vacinas para a tosse convulsa, a difteria, o tétano e a varíola.

Em 1974 foi a vez da vacina contra o sarampo e, em 1987, para a rubéola e a parotidite. Em 2000 entraram as vacinas para o Haemophilus b e a hepatite B e, seis anos depois, foi a vez da vacina contra o meningococo-C.

A última vacina a entrar para o PNV foi contra o Vírus do Papiloma Humano (HPV), em 2008.

Sobre estas alterações, Ana Leça salientou “a introdução progressiva de cada vez mais vacinas, determinada por fatores epidemiológicos e evolução tecnológica, com uma disponibilidade cada vez maior de vacinas eficazes e seguras”.

“A actualização sucessiva dos esquemas vacinais para melhor adaptação à realidade epidemiológica e facilitação e adesão ao cumprimento do PNV” também é destacada pela especialista.

Todas as vacinas do PNV “tiveram como impacto uma diminuição significativa dos casos das doenças alvo da vacinação, com a eliminação, em Portugal, da poliomielite, da difteria, do sarampo autóctone, da rubéola e da rubéola congénita”, adiantou

“Controlou-se o tétano, a meningite por Haemophilus influenza b e a meningite por meningococo C, assim como os casos de hepatite B na infância e adolescência”.

Em relação aos primeiros tempos do seu trabalho na Comissão Técnica de Vacinação, Ana Leça realça “o aumento progressivo das coberturas vacinais e a consequente diminuição das doenças-alvo ao longo dos anos”.

“Satisfaz-me os resultados das avaliações anuais internas e externas. Satisfaz-me Portugal ser um exemplo de sucesso a nível mundial.

Sobre a introdução de novas vacinas, a especialista explica que “nem todas as vacinas comercializadas preenchem os critérios para ser incluídas no PNV”.

Por outro lado, sustentou, “algumas vacinas são comercializadas e só posteriormente, quando se consideram preenchidos os critérios para a sua inclusão, é feita a proposta”.

“Há uma diferença substancial entre os motivos que levam à prescrição de uma vacina a nível individual e a prova dos seus benefícios para a saúde pública e ganhos decorrentes da sua inclusão no PNV”, adiantou.

Na Austrália
O primeiro-ministro australiano, Tony Abbott, afirmou que Camberra pretende impedir o acesso dos pais que recusem vacinar os...

O anúncio surge numa altura de intenso debate sobre a imunização de crianças, com pais a defenderem que as vacinas contra doenças mortais são perigosas, num movimento que coincidiu com o ressurgimento do sarampo na Europa e nos Estados Unidos.

No início do mês, a Organização Mundial de Saúde (OMS) lançou um apelo aos Estados europeus para “intensificarem a vacinação contra o sarampo a grupos etários em situação de risco” para “pôr fim aos vários focos” e prevenir a ocorrência de novos surtos.

Actualmente, ao abrigo da lei, os pais com “objecções de consciência” mantêm a possibilidade de solicitar os apoios relacionados com as crianças.

Porém, a avançar, a política anunciada por Abbott em Sydney, vai fazer com que lhes passem a ser negadas ajudas – como descontos e benefícios fiscais –, o que poderá representar um corte anual de até 15.000 dólares australianos (10.862 euros) por criança.

Os pais que não pretendam vacinar as crianças por motivos médicos ou religiosos vão continuar a poder aceder aos benefícios, embora tenham sob requisitos de elegibilidade mais apertados.

Essa política precisa de ser aprovada pelo parlamento, mas conta com o apoio da oposição trabalhista. A intenção é aplicar o conjunto de medidas no início do próximo ano.

A Austrália tem taxas de vacinação superiores a 90% para crianças entre um e cinco anos.

Contudo, segundo dados oficiais, mais de 39.000 crianças com menos de sete anos de idade não foram vacinadas – um aumento superior a 24.000 casos ao longo da última década.

Por isso, o governo está “extremamente preocupado” relativamente aos riscos que tais acções podem representar para a restante população, realçou o primeiro-ministro australiano.

“A escolha feita pelas famílias de não imunizar as suas crianças não é apoiada pela política pública ou investigação médica, pelo que tal acção não deve ser suportada pelos contribuintes sob a forma de apoios para os cuidados infantis”, disse o líder australiano, numa declaração conjunta com Morrison.

Muitas dos pais temem que a vacina tríplice VSPR - contra o sarampo, papeira e rubéola - seja responsável pelos crescentes casos de autismo – uma teoria rejeitada por diversos estudos.

A controvérsia remonta à publicação de um artigo – agora contestado – na revista britânica Lancet em 1998, o qual causou o pânico, por estabelecer uma ligação entre a vacina e o autismo.

Famílias mais carenciadas
O Estado vai comparticipar a vacina Prevenar, contra a pneumonia, meningite e septicémia, disponibilizando uma verba de seis...

A vacina Prevenar está indicada para a imunização de bebés e crianças contra a doença invasiva causada pela bactéria ‘streptococus pneumoniae’ - que pode provocar meningite, pneumonia ou septicémia – e actualmente custa cerca de 180 euros às famílias e não tem comparticipação.

Segundo fonte oficial do Ministério da Saúde, até ao fim deste ano está disponível uma verba de seis milhões de euros para comparticipação da Prevenar.

O modelo de comparticipação será anunciado até ao fim deste mês pelo Ministério e deverá contemplar famílias mais desfavorecidas.

A Direcção-geral da Saúde tem estado a estudar a comparticipação ou inclusão no Plano Nacional de Vacinação da Prevenar, que está disponível em Portugal desde 2001 mediante receita médica e com o pagamento integral pelas famílias.

OMS
As cesarianas só devem ser realizadas por razões médicas, recomendou a Organização Mundial de Saúde, lamentando “a epidemia de...

“Em muitos países em desenvolvimento e desenvolvidos existe verdadeiramente uma epidemia de cesarianas, mesmo quando não são medicamente necessárias”, referiu Marleen Temmerman, directora do Departamento de Saúde e Investigação Reprodutiva da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Em muitos países, esta “epidemia” é verificada, sobretudo, pela vontade dos médicos de simplificar a vida, uma vez que as cesarianas podem ser planeadas, segundo afirmou a especialista, por ocasião da publicação de novas recomendações da OMS sobre esta matéria.

De acordo com as novas indicações da agência das Nações Unidas, “as cesarianas só devem ser praticadas quando forem medicamente necessárias”.

É a primeira vez que a OMS recomenda, de forma clara, que a prática das cesarianas deve ser limitada a razões médicas, segundo outro especialista da OMS, Metin Gulmezoglu.

Até à data, a OMS afirmava que a “taxa ideal de cesarianas” estaria situada entre 10 e os 15%. Este parâmetro foi estabelecido em 1985, mas, nos últimos anos, a prática de cesarianas cresceu significativamente em quase todo o mundo.

A taxa de cesarianas por gestantes atingiu os 23% na Europa, os 35,6% nas Américas e os 24,1% na região do Pacífico Ocidental, segundo os dados mais recentes da OMS, relativos a 2008.

Só o continente africano (3,8%) e o sudeste asiático (8,8%) ficaram de fora deste fenómeno.

Em certos países verifica-se uma verdadeira “cultura da cesariana”, sublinhou a agência das Nações Unidas, que dá como exemplo o Brasil.

No Brasil, perto de metade dos nascimentos ocorrem através de cesarianas, tornando o país líder mundial neste campo, referiu Marleen Temmerman.

A OMS conduziu entretanto novos estudos para tentar determinar uma taxa ideal de cesarianas.

Estes novos estudos revelaram que quando as taxas de cesarianas por população atingem os 10%, os casos de mortalidade materna ou neonatal registam uma diminuição. Mas, quando as taxas são superiores a 10%, não existem evidências de uma melhoria dos registos de mortalidade.

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