Terceira edição do Rethinking Pharma
Cerca de 400 profissionais analisam fatores críticos de uma indústria afetada pelo contexto socioeconómico nacional.

O Rethinking Pharma, o maior evento para profissionais da indústria farmacêutica em Portugal, já tem o programa definido e as inscrições abertas. Cerca de 400 profissionais da área estarão reunidos para debater as tendências, ameaças e oportunidades do sector farmacêutico durante a próxima década. O congresso vai realizar-se no Hotel Aqualuz em Tróia, nos dias 29 e 30 de Outubro.

A nova gestão da carreira nas empresas farmacêuticas; a importância da reputação e imagem neste sector de atividade; a regeneração do sistema de saúde e o acesso ao medicamento; e as tecnologias digitais na indústria farmacêutica são os quatro grandes temas definidos para a terceira edição do Rethinking Pharma. O encontro surge da necessidade de repensar o papel da indústria farmacêutica em Portugal, num momento especialmente crítico para a economia nacional e para este sector em concreto.

Este ano, o congresso conta com o apoio de um Advisory Board constituído por cinco profissionais com largos anos de experiência na Administração e Direção Geral de companhias farmacêuticas. Alberto Inez, Board Member da Biodecon e Enzifarma; Ana Torres, Country Manager & Global Innovative Pharma Head da Pfizer; Cristina Campos, Diretora Geral da Novartis Portugal; Nelson Pires, General Manager da Jaba Recordati; e Paulo Lilaia, CEO/Administrador-Delegado da Generis Farmacêutica vão moderar as quatro mesas programadas entre as 9h30 e as 18h, de 30 de Outubro.

Especialista diz
Portugal está em condições de suspender a administração universal da vacina contra a tuberculose BCG, mantendo a vacinação a...

José Gonçalo Marques, que coordena o grupo técnico da BCG da Comissão Técnica de Vacinação (CTV) falava na cerimónia do Dia do Serviço Nacional de Saúde (SNS), este ano sobre os 50 anos do Programa Nacional de Vacinação.

Na sua exposição, o médico recordou que a vacina BCG, que faz parte do Programa Nacional de Vacinação (PNV) e é recomendada para os recém-nascidos, é eficaz na prevenção da infeção disseminada, mas tem pouco impacto na transmissão da doença.

A revisão da estratégia de Portugal sobre a vacina BCG já decorre há algum tempo, estando em fase de análise e em vias de auscultação de especialistas exteriores à CTV.

José Gonçalo Marques garantiu que as dificuldades de abastecimento desta vacina, que têm atingido Portugal, nada têm a ver com a revisão da estratégia da BCG.

De acordo com o especialista, Portugal cumpre atualmente os critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Centro Europeu de Prevenção e Controlo da Doença (ECDC) para a suspensão da vacinação universal da BCG.

Estes critérios passam, nomeadamente, pela incidência da doença, a existência de um sistema de notificação, a taxa de bacilíferos (bacilos infetados) e a concentração da doença em grupos de risco.

O especialista refere que, ao respeitar estes critérios, Portugal está em condições de suspender a vacinação universal da BCG, tal como o fizeram o Reino Unido e a Suécia.

Atualmente, apenas Portugal, Irlanda e Hungria mantêm esta medida universal.

A BCG deve, contudo, continuar a ser administrada a grupos de risco, os quais ainda não estão definidos, mas que poderão, por exemplo, ser crianças que vivem em locais onde a tuberculose é maior ou que estejam em contacto com doentes.

Em Portugal, a doença é mas frequente nos distritos de Lisboa, Porto e Setúbal.

José Gonçalo Marques disse que a proposta da CTV ainda não está concluída, mas que, após a sua apresentação, carece de uma decisão da tutela, da operacionalização da medida e da divulgação da mesma.

A subdiretora Geral da Saúde, Graça Freitas, confirmou a existência de uma discussão técnica sobre a manutenção, ou não, da BCG para todas as crianças, assegurando que esta nada tem a ver com a falta da vacina.

“É mais complexo retirar uma vacina do Programa Nacional de Vacinação (PNV) do que incluí-la”, disse.

Sobre a eventualidade da vacina sair do PNV, Graça Freitas defendeu uma vigilância muito apertada dos grupos de risco.

“Não deixaremos de combater a tuberculose, mas com outros meios”, declarou.

A especialista em doenças infeciosas acrescentou que “não é boa prática dar uma vacina a quem já não precisa dela”.

Para já, Graça Freitas garantiu que todas as crianças nascidas em 2015 ainda vão receber a BCG, assim que ela chegar a Portugal.

Presente na cerimónia do dia nacional do SNS, o ministro da Saúde confirmou que a estratégia de vacinação da BCG está a ser estudada, mas disse que, para já, esta vacina vai continuar a ser administrada às crianças.

O Programa Nacional de Vacinação "é tudo menos estático”, afirmou.

Medicina Geral e Familiar
O presidente da Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiar apelou, no Porto, ao Governo para que proceda à “abertura...

O objetivo, segundo explicou, seria “complementar o atual, que é um autêntico desastre, e garantir a contratação de todos os médicos de família, evitando o desperdício destes jovens e evitando a ‘implosão’ de Unidades de Saúde Familiar”.

Bernardo Vilas Boas falava numa conferência de imprensa que contou também com o presidente da secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos, de um responsável da Federação Nacional dos Médicos (FNAM) e de dezenas de jovens médicos de família.

O presidente da Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiar (USF-NA) considerou que “este concurso é mais um exemplo de ausência de uma verdadeira política, de estratégia, de gestão e valorização dos recursos humanos na saúde”.

O responsável defende “um concurso nacional, com regras iguais para todos, conduzido centralmente e com mapas de vagas adequados a nível nacional, regional e local levando em consideração nos seus critérios o local de formação dos médicos”.

“É fundamental que se mantenha a aposta nas unidades de saúde familiar e que seja respeitado o princípio da escolha mútua da equipa e do profissional. A criação e desenvolvimento das unidades de saúde familiar foi, até hoje, a melhor resposta e a resposta de qualidade para que cada cidadão e cada família em Portugal tenham um médico de família”, sublinhou.

Dados divulgados pelo responsável da FNAM referem que, no Norte, existiam “cerca de 386 mil utentes” sem médico de família. Formaram-se “102 especialistas em Medicina Geral e Familiar”, em março. De imediato, a ARS do Norte atribuiu listas de utentes a estes 100 especialistas, ficando assim “cerca de 182 mil cidadãos sem médico de família”.

Nem todos os 100 candidatos (dois desistiram) vão conseguir vaga, na medida em que apenas foram disponibilizadas 74.

“Ou seja, um número considerável de 26 médicos vai ter de sair de uma região onde não faltam utentes sem médicos de família e vão ter que rumar a outra região”, disse, desafiando “o Ministério da Saúde, seja qual for, a disponibilizar aos profissionais e aos cidadãos os dados sobre onde há médicos de família onde é que faltam, quais são as unidades que tem carências e aquelas que estão supridas em relação aos recursos humanos”.

O presidente da secção regional do Norte da Ordem dos Médicos, lamentou que no dia em que se assinalam 36 anos do SNS “os concursos médicos continuem a não ser transparentes, a ter desigualdades nos critérios e a funcionar em tempos diferentes”.

“Como consequência imediata deste concurso, cerca de 50 mil utentes vão ficar sem médico de família, 16 unidades de saúde familiar vão ter muitas dificuldades no seu funcionamento e algumas delas correm o risco de encerrar e 28 médicos jovens especialistas em medicina familiar estão a ser empurrados para fora do SNS”, disse.

Miguel Guimarães apelou também “ao bom senso do ministro da Saúde, no sentido de corrigir de imediato e contratar com caráter de urgência todos os médicos que estão na iminência de sair do SNS”.

De acordo com a Ordem dos Médicos/Norte, no concurso determinado pelo despacho 5471-A/2015, quase três dezenas de jovens médicos de família, que desde há cerca de 6 a 18 meses asseguram listas de 1900 utentes em centros de saúde da ARS do Norte, vão ficar excluídos do SNS.

21 a 25 de setembro
O Grupo de Estudos de Cancro de Cabeça e Pescoço vai realizar ações junto de médicos, doentes e restante população que visam...

As ações de sensibilização fazem parte da terceira Semana Europeia de Luta Contra o Cancro de Cabeça e Pescoço, que decorre de 21 a 25 de setembro e tem como objetivo “promover a educação para prevenção, sinais e sintomas” de uma doença que mata três portugueses por dia.

Em declarações, a presidente do Grupo de Estudos de Cancro de Cabeça e Pescoço, Ana Castro, destacou a importância de sensibilizar a população para os sinais e sintomas desta doença, que se for tratada inicialmente os doentes podem ter uma taxa de sobrevivência entre os 80 e os 90%.

“O nosso problema é que anualmente temos cerca de 3.000 novos casos diagnosticados, mas a grande maioria deles em estadios muito avançados, isto leva a que tenhamos muito menos gente a sobreviver e a sobreviver com uma qualidade de vida pior devido à necessidade dos tratamentos que têm que fazer”, disse Ana Castro.

Esta situação deve-se, muitas vezes, “ao pouco conhecimento” da população em geral sobre o cancro de cabeça e pescoço, mas também dos profissionais de saúde “que não estão tão alerta para esta doença, porque não é tão falada”.

“O cancro da mama, toda a gente conhece, assim como o do cólon e da próstata, mas o da cabeça e pescoço algumas pessoas não sabem bem onde se localizam, acham que são tumores do cérebro”, comentou.

Este ano, a iniciativa apostou na formação dos médicos de medicina geral e familiar com “uma sessão que ajuda a identificar lesões precoces para um diagnóstico precoce”.

“São a primeira porta do doente, mas não têm uma formação específica nesta área. O nosso papel é ajudá-los nessa área para serem mais eficientes no diagnóstico que fazem” e para isso preciso de “ter mais armas, mais confiança e mais informação”, defendeu Ana Castro.

Feridas, aftas, nódulos do pescoço, uma dor de garganta ou ouvido que se prolonga, o nariz entupido só de um dos lados por mais de três semanas e rouquidão persistente são sintomas que devem ser analisados pelo médico.

Ana Castro adiantou que esta doença está muito associada ao consumo de tabaco e de álcool, mas começam a observar-se mais casos em pessoas com menos de 40 anos e que não têm nenhum destes fatores de risco.

Na origem destes casos pode estar o papiloma vírus humano (HPV). “Pela primeira vez, começa a falar-se na associação deste vírus com os carcinomas da cavidade oral e da orofaringe”, sublinhou.

A Semana Europeia, que tem o apoio da Sociedade Europeia de Cabeça e Pescoço, vai apostar nas redes sociais com a finalidade de “Unir Vozes” por estes doentes, de forma a capacitá-los e mostrá-los que “não estão a sofrer sozinhos”.

Será também lançado o Planeta Dentix, um projeto infanto-juvenil que ensina às crianças a importância de manter uma boa higiene oral.

O cancro de cabeça e pescoço é o 6º mais comum em todo o mundo e mata mais de 62.000 pessoas em toda a Europa, anualmente.

União Humanitária dos Doentes com Cancro
A União Humanitária dos Doentes com Cancro, que presta apoio gratuito a doentes com cancro e familiares, alerta que a falta de...

“Há mais de 15 anos que apoiamos doentes com cancro, especialmente de famílias carenciadas, que precisam do nosso apoio para sobreviverem à doença. Contudo, devido à situação económica que Portugal tem vindo a atravessar, houve, nos últimos anos, uma drástica redução dos donativos para a União”, comenta Cláudia Costa porta-voz da União Humanitária dos Doentes com Cancro (UHDC).

“A UHDC sobrevive exclusivamente de donativos, pelo que apelamos à ajuda de todos, pessoas e empresas, através de um donativo solidário, para que possamos continuar a apoiar quem mais precisa” continua Cláudia Costa.

Para garantir a continuidade da Associação será necessário angariar perto de 24 mil euros até ao final deste ano. Só desta forma, a UHDC consegue continuar todas as atividades de apoio a doentes com cancro e seus familiares, como a Linha Contra o Cancro e o Núcleo de Apoio ao Doente Oncológico.

O cancro é a segunda causa de morte no nosso país e a primeira no grupo etário entre os 35 e os 64 anos. Estima-se que as taxas de cancro podem aumentar cerca de 20 por cento, até 2020.

Como ajudar?
Os donativos podem ser depositados nos balcões do Montepio, ou enviados através do Multibanco, por transferência, para o NIB: 003602169910007736322.

De cada donativo recebido será emitido o correspondente recibo, que será enviado a quem o solicitar, nomeadamente, através de telefone ou do e-mail: [email protected].

Dezembro de 2017
Uma das inovações da medicina mais aguardadas de todos os tempos é o transplante de cabeça. O cirurgião italiano Sergio...

O primeiro paciente será o russo Valery Spiridonov, portador da doença de Werdnig-Hoffman. Trata-se de uma atrofia muscular espinhal rara que resulta em enfraquecimento muscular, escreve o Diário Digital. Não existe tratamento nem cura. Nessa condição o cérebro desenvolve-se normalmente, o que torna Spiridonov apto para ser submetido ao procedimento.

Nesta histórica cirurgia, o médico italiano Sergio Canavero irá colocar a cabeça de Spiridonov noutro corpo num processo que durará 36 horas ao todo. Cerca de 150 pessoas serão envolvidas no procedimento.

Este transplante parece uma coisa de ficção científica, mas Canavero diz que a tecnologia atual está avançada para vivermos este futuro. Em entrevista à agência russa Sputnik, os dois anos até à cirurgia serão necessários para realizar todos os cálculos e estudos científicos. “Só será feita [a cirurgia] depois que todos os médicos e especialistas tenham 99% de certeza de sucesso”, disse.

A cabeça do paciente será arrefecida para desacelerar a decomposição das células. Já as veias e artérias do pescoço serão ligadas a máquinas que manterão o fluxo de sangue. A medula espinhal será rompida para o encaixe no novo corpo. Para realizar tudo isso, os médicos usarão polietileno glicol para a fusão dos tecidos conjuntivos e células.

No encaixe do novo corpo, a medula espinhal será a primeira a ser ligada. Os músculos, nervos, artérias e veias da cabeça são conectados por último. A recuperação deverá durar um ano.

Os riscos são enormes. Além dos riscos da cirurgia em si, a cabeça do paciente poderá rejeitar o novo corpo.

No próximo ano
A partir do próximo ano, os Centros de Saúde vão poder aceder em tempo real, a exames que os doentes fizeram nos hospitais.

Numa primeira fase a informação partilhada resume-se à radiologia, escreve a RTP, mais tarde vai alargar-se a outro tipo de exames. A consulta em tempo real vai permitir ao médico tomar decisões mais rápidas e eficazes. Por outro lado, evita custos com duplicação de exames, ou deslocações desnecessárias do próprio doente . Segundo avança o Diário de Notícias, os Centros de Saúde de Sintra e da Amadora já acedem a exames feitos no Hospital Amadora-Sintra. O objetivo é que no próximo ano todos os hospitais partilhem as imagens. Nesse sentido, os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde vão lançar, ainda este mês, um concurso internacional, no valor de 500 mil euros. 

Ordem dos Médicos
Áreas como ortopedia ou cirurgia não têm médicos suficientes. Bastonário quer mais especialistas nas equipas para garantir...

Os serviços de urgência dos hospitais estão a ser investigados pela Ordem dos Médicos (OM), que está a apurar se existem os especialistas necessários para garantir que os doentes são tratados com qualidade e em segurança, escreve o Diário de Notícias. A OM tem estado a atualizar ou a elaborar as normas que determinam o número mínimo de médicos por equipa e já avançou com auditorias em todo o país. O incumprimento é generalizado, dizem os especialistas, mas há quem conteste a exagerada exigência das regras. Algumas unidades já foram obrigadas a reforçar as equipas, garante o bastonário José Manuel Silva. Ortopedia, medicina interna ou cirurgia são algumas das áreas mais desfalcadas.

Há cerca de dois anos, o bastonário da OM deu instruções aos colégios das especialidades para que emitissem normas relativas à composição das equipas, seja quanto ao número de clínicos ou quanto ao número e à forma como os internos a podem integrar. Um desafio que surgiu depois de vários problemas associados à falta de recursos humanos nestes serviços.

A partir de 2016
A Universidade dos Açores vai estudar as pastagens da ilha de São Miguel, a partir de 2016, para perceber onde se produz leite...

O projeto científico, a desenvolver durante três anos, está a cargo da equipa liderada pelo professor Armindo Rodrigues, do departamento de Biologia da academia, e será candidatado, até ao final do mês, a financiamento comunitário.

A iniciativa visa “perceber quais são as zonas da ilha mais ricas e menos ricas, as que têm maior carência em iodo e naquelas em que há maior concentração de iodo, perceber se esse iodo passa ou não para as vacas e destas para o leite”, afirmou Armindo Rodrigues, acrescentando que há países europeus, como a Alemanha e a Holanda, que já dão suplementos às vacas para terem leite com os níveis de iodo recomendados.

O iodo é um elemento químico que existe na natureza e que se revela fundamental para o funcionamento da tiroide e para o desenvolvimento do sistema nervoso durante a fase fetal e nos primeiros anos de vida de uma criança. Nos Açores, as grávidas já tomam suplementos com iodo.

O investigador adiantou que os estudos preliminares já realizados indicam que a distribuição de iodo pelos solos da ilha de São Miguel é “bastante heterogénea”, pelo que serão estudadas “várias pastagens, em várias zonas” da maior ilha açoriana, onde residem mais de cem mil pessoas.

“Um dos produtos que geralmente é utilizado nas populações humanas para compensar a falta de iodo é o leite. Vamos analisar solos da ilha de São Miguel e perceber que nuns sítios há maior concentração de iodo e, noutros, concentrações muito baixas. A nossa questão é perceber se isso também se vai refletir - provavelmente refletirá - na qualidade do leite”, referiu Armindo Rodrigues, acrescentando que este conhecimento trará benefícios para a população, para a lavoura e para a indústria do leite.

Segundo o investigador, o projeto já foi dado a conhecer à Associação Agrícola de S. Miguel e à Cooperativa Unileite, uma das maiores indústrias de lacticínios na região, tendo ambas manifestado interesse, uma vez que em causa está a produção de um “produto premium”, com grande valia em termos económicos, e a possibilidade de passar a dar suplementos em pastagens com menos iodo.

Armindo Rodrigues explicou que as ilhas “são montes que emergem do fundo oceânico e os sedimentos do fundo do oceano acabam por não conseguir enriquecer o ambiente terrestre em iodo”. Além disso, “não há hábito de comer algas e o próprio rossio do mar junto à costa acaba por ser lixiviado devido à grande quantidade de pluviosidade nas ilhas”.

Um estudo científico da Universidade dos Açores, publicado em agosto e que envolveu cerca de 350 crianças em idade escolar da ilha de Santa Maria e das freguesias da Ribeira Quente e Furnas, em São Miguel, demonstrou que há um “carência de iodo relativamente grave” nas crianças micaelenses.

Estas e outras questões vão ser abordadas na conferência “Vulcanismo e Saúde”, que Armindo Rodrigues profere na quarta-feira na Igreja do Núcleo de Santa Barbara do Museu Carlos Machado, em Ponta Delgada.

O investigador fará uma reflexão sobre a história da geologia médica, uma ciência “relativamente recente”, mas de “grande importância”, dado que a qualidade das águas, solos ou ar em que as pessoas habitam se reflete na saúde.

Esta iniciativa está integrada num ciclo de conferências do museu, no âmbito da exposição “Natureza em Diálogo”, que está patente no Núcleo de Santa Bárbara até 18 de outubro.

Estudo
As pessoas idosas que sofrem carência de vitamina D conhecem um declínio cognitivo nitidamente mais rápido do que as que têm...

“Em média as pessoas com fortes deficiências em vitamina D sofrem um declínio das suas capacidades mentais até três vezes mais depressa do que as que têm níveis adequados desta vitamina”, explicou Joshua Miller, professor de ciências da alimentação na Université Rutgers, no Estado de New Jersey, cujo estudo foi publicado na Revista da Associação Médica Americana, secção de Neurologia.

A vitamina D, conhecida sobretudo por ser essencial para a saúde dos ossos, é obtida principalmente pela exposição ao sol, com a ação dos raios ultravioletas sobre um derivado do colesterol na pele. Também está presente no leite e em certos peixes.

No Algarve
As análises laboratoriais a um caso suspeito de infeção pelo vírus do Nilo, transmitido pela picada de mosquito, detetado num...

Em nota publicada no ‘site’, a Direção-Geral da Saúde (DGS) indica que os testes de neutralização, específicos para identificação viral, realizados pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, e só agora conhecidos, “vieram confirmar a presença do vírus nas amostras colhidas”.

“Estes resultados não alteram a situação anterior, mas confirmam a causa da infeção”, explica a DGS, sublinhando que as medidas preventivas tomadas na altura se mantêm em vigor e que as instituições envolvidas vão continuar a acompanhar a situação.

O caso remonta a julho e agosto, altura em que um homem português residente no Algarve desenvolveu a doença que se suspeitou ser provocada pelo Vírus do Nilo Ocidental, tendo entretanto tido alta sem sequelas.

Este episódio levou a DGS a recomendar às autoridades o reforço dos mecanismos de luta contra os mosquitos e à população a redução da exposição corporal à picada do mosquito, usando repelentes e redes mosquiteiras.

O combate à larva dos mosquitos foi também intensificado no Algarve, sobretudo em tanques de água com matérias orgânicas.

O vírus do Nilo não se transmite de pessoa para pessoa, mas unicamente por picada de mosquito do género Culex, podendo, em 20% das infeções, provocar doença febril com manifestações clínicas ligeiras, que raramente pode evoluir para meningite viral.

OMS
Cerca de 800 mulheres e perto de 7.700 recém-nascidos morrem diariamente no mundo devido a complicações relacionadas com a...

A agência das Nações Unidas referiu ainda que diariamente outras 7.300 mulheres têm nados-mortos, uma situação que, segundo a organização, poderia ser evitada com a aplicação de medidas básicas de saúde materno-infantil.

Estes números foram hoje lançados na apresentação em Genebra, Suíça, da nova Estratégia Mundial para a Saúde das Mulheres, Crianças e Adolescentes, que será lançada oficialmente no próximo dia 26 de setembro durante a Assembleia-geral da ONU.

Conseguir uma redução radical dos níveis de mortalidade é um dos principais objetivos deste novo documento, que defende a aplicação de medidas urgentes e específicas que visem estes três grupos que continuam a ser negligenciados pela sociedade atual, principalmente nas comunidades mais pobres do mundo.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) reconheceu os progressos alcançados nas últimas duas décadas para melhorar a saúde materna, como por exemplo a redução em 40% da taxa de mortalidade de mulheres grávidas.

No entanto, a agência das Nações Unidas salientou que ainda há muito por fazer, especialmente no reforço dos sistemas de saúde e na compreensão cultural e social sobre a importância de ter uma gravidez saudável.

Um dos pontos-chave desta área passa pelo investimento em programas de educação sexual e de planeamento familiar, mas também por um acompanhamento regular em todas as fases de gestação.

No que diz respeito às crianças, o índice de mortalidade entre menores com menos de cinco anos verificou uma redução de 53% desde 1990.

Mesmo assim, cerca de 16 mil crianças com menos de cinco anos continuam a morrer diariamente em todo o mundo, sobretudo na África subsaariana e no sudeste asiático, mas também em países que enfrentam conflitos, calamidades naturais ou grandes deslocações.

Mais de 70% destas mortes ocorrem no primeiro ano de vida.

As respostas para este cenário passam, segundo a OMS, pela prevenção das doenças mais mortíferas entre as crianças, como a pneumonia e a diarreia, que podem ser evitadas através de vacinação.

Ao nível dos adolescentes, a organização internacional defendeu intervenções adaptadas a cada faixa etária que ataquem os principais problemas deste grupo, como é o caso da gravidez precoce.

Escola Superior de Comunicação Social e Genzyme
Sob o tema da Esclerose Múltipla é lançada a primeira edição do Prémio Genzyme ‘Melhor Campanha de Comunicação para a Esclerose...

A instituição, pertencente ao Instituto Politécnico de Lisboa, lança o desafio aos alunos e recém-licenciados nos últimos dois anos pela escola, em Relações Públicas e Comunicação Empresarial, para o desenvolvimento de um projeto integrado de comunicação na área da Esclerose Múltipla (EM).

O prémio Genzyme, no valor de 5 mil euros, será atribuído à campanha que melhor promova a sensibilização e o aumento do conhecimento para esta doença bem como permita gerar uma campanha de angariação de fundos.

Os candidatos deverão ter como fonte principal de recolha de informações as três associações de doentes existentes, ANEM (Associação Nacional de Esclerose Múltipla),TEM (Todos com Esclerose Múltipla) e SPEM (Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla).

A submissão dos trabalhos realizar-se-á até final de Outubro em www.premioem.pt, estando a apreciação das campanhas a cargo de uma comissão composta por elementos da Escola Superior de Comunicação Social (ESCS) e outras entidades ligadas à área, as quais avaliarão a qualidade e originalidade dos trabalhos, exequibilidade e cumprimento dos objetivos.

Tornar as escolas “amigas” dos alunos com epilepsia
A EPI – Associação Portuguesa de Familiares, Amigos e Pessoas com Epilepsia, vai promover durante o mês de setembro um conjunto...

As ações de formação decorrem no âmbito do programa Escola Amiga da EPI, um projeto que pretende dotar as escolas de condições adequadas para integrar alunos com epilepsia e que tem o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian em parceria com a Liga Portuguesa Contra a Epilepsia.

O que fazer perante uma crise epitética? Quais as implicações da epilepsia na aprendizagem e qualidade de vida do aluno? Estas são algumas das questões que vão ser respondidas nas várias ações de formação que a EPI vai realizar.

Estas ações de formação pretendem sensibilizar a população escolar para a temática da epilepsia, uma vez que é na escola que as crianças passam a maior parte do seu tempo e desenvolvem as competências psicossociais. Para além disso, há estudos que concluem que professores bem informados sobre a epilepsia poderão ser mais capazes de potenciar o desempenho destes alunos, de desfazer crenças e mitos profundamente errados sobre a doença e de mitigar os efeitos do estigma, usando a influência significativa que têm sobre os alunos para lhes transmitir conhecimentos e atitudes adequadas face à doença.

De acordo com a Direção da EPI: “Em Portugal, estima-se que existam cerca de 50.000 pessoas com epilepsia e todos os anos surgem cerca de 5000 novos casos, na sua maioria crianças e adolescentes. Embora muitas crianças com epilepsia não revelem dificuldades no desenvolvimento psicossocial e cognitivo, alguns estudos indicam que a epilepsia pode estar associada a problemas de comportamento e aprendizagem.

Os responsáveis da entidade acrescentam ainda que: “Estas dificuldades são frequentemente ampliadas pelo preconceito e pelo estigma que derivam do desconhecimento sobre a doença e do desconforto perante as crises epiléticas. É para fazer face a este desconhecimento que a EPI desenvolveu estas ações de formação”.

As escolas que pretenderem fazer parte deste projeto e assim tornarem-se “amigas” do aluno com epilepsia, basta contatarem a EPI (http://www.epilepsia.pt ).

Próximas Sessões:
14.09: Colégio Salesianos de Mogofores | Aveiro
16.09: Agrupamento de Escolas de Coimbra Sul | Coimbra
18.09: Agrupamento de Escolas da Murtosa | Aveiro

ANF sempre esteve contra
Há dez anos que os medicamentos sem receita médica podem ser vendidos fora das farmácias, mas estas consideram que as grandes...

“O preço dos medicamentos vendidos fora das farmácias aumentou 12% e apenas três cadeias de distribuição detêm 80% do mercado destes medicamentos vendidos fora das farmácias”, disse o diretor da área profissional da Associação Nacional de Farmácias (ANF).

Para Humberto Martins, estas duas situações demonstram que “as principais vantagens da medida não se concretizaram: a baixa de preço e a melhoria do acesso”.

A ANF sempre esteve contra a medida, alegando que as farmácias são a maior rede de acesso de medicamentos aos utentes.

“Os preços dos medicamentos vendidos nas farmácias baixaram 30%, enquanto fora destes estabelecimentos aumentaram 12%”, acrescentou.

A venda de Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica (MNSRM) para uso humano fora das farmácias foi permitida com a publicação do Decreto-Lei n.º 134/2005, de 16 de agosto, tendo entrado em vigor a 15 de setembro desse ano.

Dados da autoridade que regula o setor do medicamento (Infarmed) indicam que atualmente existem 1.035 locais de venda destes fármacos autorizados.

Por número de embalagens, as substâncias ativas mais vendidas nestes espaços são o paracetamol (15%), o ibuprofeno (5%), o diclofenac (5%), a clorofenamina com o paracetamol (4%) e o dexpantenol (3%). As restantes substâncias representam 68 por cento das embalagens vendidas.

Questionado sobre o preço dos medicamentos vendidos fora das farmácias, o Infarmed referiu que os fármacos “cuja comercialização pode ser efetuada fora das farmácias estão sujeitos ao regime de preços livre, cabendo ao local que os vende estabelecer esse preço”.

“Uma vez que o preço pode variar relativamente ao mesmo produto de estabelecimento para estabelecimento, não existem dados objetivos e concretos que permitam concluir que o preço destes produtos seja mais barato ou mais caro nas farmácias ou nos locais de venda de MNSRM”, adianta o Infarmed.

A ANF defende que a legislação que agora assinala dez anos seja “revisitada”, tendo em conta que as vantagens inicialmente anunciadas não se concretizaram.

“É necessário revisitá-la [a lei] para levar a um aumento tecnicamente sustentado da concorrência e a melhoria do acesso”, afirmou Humberto Martins.

Uso excessivo
A saúde mental pode ser afetada por vários fatores.
Computador ilustra a relação das novas tecnologias e a saúde mental

Para além das “más posturas”, e que ocorrem de forma sistemática, também a utilização excessiva destes dispositivos pode provocar problemas relacionais, interferir na comunicação entre as pessoas, levar a acidentes quando utilizados durante a condução de viaturas, ocupar excessivamente o tempo da pessoa ao ponto desta perder horas que poderiam ser investidas noutras atividades pessoais ou mais sociais. Mesmo as lesões físicas podem posteriormente comprometer a saúde mental.

Quem consegue passar um dia sem consultar o seu smarthpone?

Provavelmente muitas pessoas sofrem desta dependência que pode ficar fora do controlo, trazendo graves consequências, quer a nível físico, como mental. É muito frequente assistirmos à não comunicação familiar, por exemplo num restaurante em que cada um fica em “diálogo” com o seu dispositivo, esquecendo a relação com o outro. Há quem diga mesmo que todos precisaríamos de uma desintoxicação ou de umas férias das tecnologias.

O aparecimento destes dispositivos, veio também revolucionar o mundo do trabalho, transformando-o numa realidade com alguns riscos, principalmente quando não são geridos de forma sensata e equilibrada. Quase dois terços das pessoas continuam a trabalhar no regresso a casa do emprego, ou em casa, tornando-se "escravas” das novas tecnologias. Esta mudança de comportamento e atitude perante esta nova realidade leva a que os trabalhadores fiquem sobrecarregados e com excesso de trabalho, podendo prejudicar a vida pessoal e social, com todas as consequências para a saúde mental que daí podem resultar.

Perturbação de Uso da Internet já é doença

Curiosamente, estudos recentes revelam que a exposição excessiva a estas novas tecnologias pode provocar alterações nas ligações entre os neurónios (células do cérebro) que ocorrem nos centros de atenção, controlo e processamento de emoções e que são semelhantes às que existem nos casos de dependência por drogas. Por exemplo na China, já existem clínicas de tratamento para pessoas que apresentem este tipo de dependência. Na Coreia do Sul o fenómeno está classificado como uma crise de saúde pública, segundo a Associação Americana de Psiquiatria, para justificar a introdução desta perturbação na próxima revisão do Manual de Perturbações Mentais.

A Associação Americana de Psiquiatria pensa introduzir a “Perturbação de Uso da Internet” no próximo manual de Perturbações Mentais. A verdade é que na prática, já se vão diagnosticando situações destas no terreno e que necessitam de tratamento, acompanhamento psicológico e psiquiátrico. A utilização maliciosa das novas tecnologias pode atingir diretamente ou indiretamente as pessoas.

A questão dos novos dispositivos leva a algumas preocupações, nomeadamente com as crianças e jovens, que estão muitas horas por dia expostas às radiações e adotando posturas incorretas, cada vez mais precocemente. Para além destas questões, o uso excessivo destes dispositivos ”corta” a comunicação entre os pares.

Quem já não viu jovens, cada um com o seu dispositivo eletrónico sem estabelecer comunicação verbal com aqueles que o rodeiam? Assim percebe-se que estas práticas comprometem fortemente a comunicação e por isso as competências sociais/relacionais, a capacidade de comunicar eficazmente, a memória e a concentração. E quando as pessoas estão expostas a mais que um ecrã ao mesmo tempo (por ex TV, telemóvel e tablet)? O risco ainda é maior.

Sabemos que com toda a oferta que existe nos dias de hoje, e pelas características atrativas que estes dispositivos possuem, não é tarefa fácil educar as crianças para a não utilização excessiva destes dispositivos. Teremos que investir e reinventar novas formas de sensibilizar o cidadão e desde muito cedo, para todos os riscos inerentes à utilização desequilibrada das novas tecnologias, principalmente para os da área da saúde mental, uma vez que ainda falta comprovar muitos dos riscos físicos.

Links de interesse:
http://www.dinheirovivo.pt/Imprimir.aspx?content_id=4331544
https://nakedsecurity.sophos.com/pt/2015/03/24/are-smartphones-bad-for-our-kids/
http://www.ime.usp.br/

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Há uma geração que não desliga: dependência pela tecnologia está a aumentar

Que consequências traz a utilização da tecnologia em excesso (smartphones, tablets e PlayStation) para a criança?

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro e/ou Farmacêutico.
Estudo
Um novo estudo realizado nos Estados Unidos defende que documentar o dia-a-dia em excesso pode fragilizar e tornar a memória...

Uma investigação realizada pela psicóloga Linda Henkel, da Universidade Fairfield, nos Estados Unidos, indica que tirar fotos pode de facto prejudicar a capacidade de lembrar momentos e detalhes de um acontecimento, apesar - e por causa do – esforço de fotografar sem parar.

Durante o estudo, escreve o Sapo, um grupo de estudantes fez uma visita guiada a um museu, tendo sido incumbidos de fotografar certas obras de arte, enquanto outras deveriam ser apenas observadas.

No dia seguinte, quando testados, os estudantes conseguiram lembrar-se de menos detalhes dos objetos que tinham fotografado. Fenómeno que Henkel descreve como "efeito prejudicial de tirar fotos".

Para vários psicólogos que comentaram o estudo, a câmara passou a ser encarada como um "drive externo" da memória humana, podendo afetar a perceção e a própria capacidade de armazenamento de informação.

"Temos a expectativa de que o aparelho vai lembrar-se de coisas por nós e que assim não é necessário continuar a processar aquele objeto. Por isso não interagimos nem nos envolvemos com as coisas que nos ajudariam a lembrar dele", acrescentou a investigadora em entrevista à BBC.

Henkel reconhece, no entanto, que enquanto podemos atrapalhar a memória a curto prazo, estar na posse de fotos pode também ajudar-se a lembrar determinados eventos no futuro.

Por outro lado, um outro dado do estudo mostra-se interessante: os efeitos negativos da recolha de fotografias na memória diminuíram quando os estudantes tiveram que fazer um "zoom" em algum aspeto particular do objeto antes de o fotografar. Isso sugere que o esforço e a concentração da tarefa ajudou o processamento da memória.

"Isto faz sentido porque as investigadores científicas mostram que a dispersão da atenção é o maior inimigo da memória", disse ainda Henkel.

Estudos
Trabalhar 365 dias por ano ou fazer grandes serões a trabalhar, sem pausas, pode prejudicar - e muito - a sua saúde. E...

A ciência comprova e aconselha: ir de férias faz bem à saúde. Segundo o Observador, vários estudos realizados nas últimas duas décadas, garantem que tirar uns dias de folga traz mesmos benefícios para a saúde — a nível psicológico, mas também a nível físico.

Mas, se tem por hábito trabalhar dias a fio (ou anos) sem fazer uma pausa, fique a saber quais são os malefícios para a sua saúde:

Os malefícios para o corpo
Ao que parece, existe uma relação muito forte entre o trabalho em demasia e o risco de desenvolver problemas cardíacos. Dados recolhidos em 1991 mostram que as mulheres que trabalham em casa e que tiram férias uma vez de seis em seis anos têm o dobro da probabilidade de sofrerem ataques cardíacos ou de desenvolver um problema de saúde fatal do que as mulheres que fazem uma pausa, pelo menos, duas vezes por ano, refere a Quartz.

Um outro estudo, publicado no American Journal of Epidemiology em 2012, refere que trabalhar dez ou mais horas por dia aumenta em 80% a probabilidade de homens e mulheres sofrerem um ataque cardíaco, uma consequência que poderá estar relacionada com os níveis de stress psicológico e os problemas de saúde por eles causados.

Os malefícios para a mente
Se, por um lado, ir de férias faz bem ao corpo e à mente, por outro, trabalhar 365 dias por ano faz exatamente o oposto. De acordo com a Quartz, em comparação com quem trabalha entre sete a oito horas diárias, quem fica no trabalho durante mais de 11 horas tem uma maior propensão para desenvolver episódios clínicos de depressão. Mesmo que nunca os tenha tido.

Para além disso, segundo um estudo realizado por uma equipa de investigadores da Universidade de Uppsala, na Suécia, uma pessoa que tire férias regularmente pode mesmo contribuir para a melhoria ,da saúde mental daqueles que o rodeiam. Comparando os níveis de depressão do país, os cientistas descobriram que existe uma relação pequena mas “praticamente significativa” entre o período de férias e a diminuição da venda de antidepressivos.

Os malefícios para a produtividade
Quando está com dificuldade em resolver uma tarefa ou um problema, fazer uma pausa do trabalho é, muitas vezes, a melhor solução. E foi exatamente a esta conclusão que chegou um grupo de psicólogos da Universidade da Califórnia. De acordo com um estudo de 2012, a maioria das pessoas tem mais facilidade em resolver um problema depois de fazer uma pequena pausa. E a criatividade também é maior.

Por outro lado, trabalhar horas a fio pode produzir exatamente o efeito contrário. Um estudo de 2008 do Instituto Finlandês de Saúde Ocupacional, realizado ao longo de cinco anos, refere que as pessoas que trabalham 55 horas por semana (sendo que o normal são 40) têm um menor funcionamento cognitivo — o vocabulário é mais pobre e o raciocínio mais fraco.

Se ainda tem dúvidas quanto aos benefícios de umas longas férias longe do trabalho, um estudo realizado pela cientista comportamental Jessica Bloom garante que o efeito provocado por estas é “vital” e que se prolonga por algum tempo. Nas palavras da cientista, questionar a importância das férias “seria um bocadinho como perguntar: ‘porque é que dormimos se vamos ficar cansados outra vez?“

Universidade de Coimbra
Investigadores de Coimbra descobriram “sinalizadores” biológicos sem células sanguíneas que poderão antecipar o alerta para o...

“Uma equipa de investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) e da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), liderada por Ana Cristina Rego, descobriu ‘sinalizadores’ biológicos sem células sanguíneas que poderão alertar precocemente para o surgimento da doença de Alzheimer”, afirma a Universidade de Coimbra (UC), numa nota divulgada.

Antes do aparecimento da doença de Alzheimer “ocorre a formação de radicais livres” e a investigação realizada revela que esses radicais “ativam um ‘sinalizador’ biológico” (uma “proteína, designada Nrf2, que tem como função proteger as células dos radicais livres”), refere a mesma nota.

Os radicais livres são “moléculas que poderão conduzir à morte dos neurónios nesta doença”.

“A sinalização da proteína é mais evidente quando surgem as primeiras queixas de memória, numa etapa inicial da doença de Alzheimer”, explica Ana Cristina Rego, coordenadora do estudo, que já foi publicado na revista Biochimica et Biophysica Acta (BBA)- Molecular Basis of Disease.

Além disso, “nesta fase, aumenta a sinalização de ‘moléculas de stresse’ no ‘retículo endoplasmático’, um organelo celular com várias funções, nomeadamente na síntese de novas proteínas e nos processos de destoxificação celular”, acrescenta a investigadora.

O período que antecede a doença de Alzheimer trabalhado nesta investigação, designado por Défice Cognitivo Ligeiro (DCL), situa-se entre os indivíduos cognitivamente saudáveis e os doentes com Alzheimer provável.

“Cerca de 10 a 20% das pessoas acima dos 65 anos encontram-se nesta fase intermédia de DCL e aproximadamente 15% irão progredir para um estado de demência anualmente”, refere a UC na mesma nota.

“As alterações que ocorrem em indivíduos com DCL podem ser cruciais para se compreender o início dos processos de disfunção celular e morte neuronal na doença de Alzheimer, e auxiliar no desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas capazes de impedir a progressão da doença”, salienta Ana Cristina Rego, citada pela UC na mesma nota.

O estudo foi desenvolvido em “estreita colaboração com investigadores de outro grupo do CNC e da FMUC, liderado por Cláudia Pereira, e com Isabel Santana, do serviço de neurologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) e da FMUC”.

Estudo
Quase um quinto das mais de mil grávidas inquiridas num estudo português indicam ter consumido bebidas alcoólicas mesmo depois...

O estudo foi desenvolvido pelo Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) com o objetivo de caraterizar o consumo de álcool entre as grávidas nos concelhos de Lisboa e Oeiras e envolveu 1.104 participantes inquiridas através de questionários apresentados pelos profissionais de saúde.

19% das mulheres inquiridas declararam ter tomado bebidas alcoólicas após terem conhecimento da gravidez, “sendo este consumo essencialmente esporádico”, enquanto um por cento tomaram bebidas até ficarem ‘alegres’ ou fizeram consumos ‘binge’ (consumo ocasional excessivo).

“Verifica-se um certo consenso em torno da ideia de que o consumo de bebidas alcoólicas na gravidez tem efeitos negativos no bebé, mas uma ambiguidade quanto ao tipo de consumo que é nocivo”, refere o sumário executivo do estudo.

Por isso, o SICAD entende que é necessário “divulgar mensagens claras e concretas quanto ao consumo de bebidas alcoólicas na gravidez: não é seguro beber qualquer copo na gravidez”.

O SICAD frisa ainda que “a ideia de que não é seguro beber qualquer copo de bebida alcoólica por semana na gravidez é a que mais contribui para a diminuição da probabilidade de consumir”.

Segundo os dados do estudo, entre as mulheres que consumiam álcool antes da gravidez, 74% deixaram de o fazer durante o planeamento da gravidez ou já depois de saberem estar grávidas. Das que mantiveram o consumo de bebidas alcoólicas – 26% do total de consumidoras -, metade (13%) reduziu esse consumo.

“As alterações ao consumo na gravidez ocorrem sobretudo aquando do conhecimento da gravidez e são motivadas pela necessidade de evitar problemas de saúde para o futuro filho”, explica o SICAD.

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