Uso excessivo

As novas tecnologias e os riscos para a Saúde Mental

Atualizado: 
02/07/2019 - 11:25
A saúde mental pode ser afetada por vários fatores. Nos últimos tempos tem-se falado da dependência das novas tecnologias, que fazem parte do dia a dia da maioria das pessoas. ‘Smartphones’, ‘tablets’ e ‘laptops’ que, para além da dependência mental, podem conduzir a perturbações do comportamento e a lesões físicas. Por exemplo, a luz azul violeta que brilha no ecrã dos ‘smartphones’ é potencialmente perigosa e tóxica à parte de trás dos olhos. Pode também existir o risco de lesões nos olhos, o risco de ficar com dores nas costas e no pescoço.
Computador ilustra a relação das novas tecnologias e a saúde mental

Para além das “más posturas”, e que ocorrem de forma sistemática, também a utilização excessiva destes dispositivos pode provocar problemas relacionais, interferir na comunicação entre as pessoas, levar a acidentes quando utilizados durante a condução de viaturas, ocupar excessivamente o tempo da pessoa ao ponto desta perder horas que poderiam ser investidas noutras atividades pessoais ou mais sociais. Mesmo as lesões físicas podem posteriormente comprometer a saúde mental.

Quem consegue passar um dia sem consultar o seu smarthpone?

Provavelmente muitas pessoas sofrem desta dependência que pode ficar fora do controlo, trazendo graves consequências, quer a nível físico, como mental. É muito frequente assistirmos à não comunicação familiar, por exemplo num restaurante em que cada um fica em “diálogo” com o seu dispositivo, esquecendo a relação com o outro. Há quem diga mesmo que todos precisaríamos de uma desintoxicação ou de umas férias das tecnologias.

O aparecimento destes dispositivos, veio também revolucionar o mundo do trabalho, transformando-o numa realidade com alguns riscos, principalmente quando não são geridos de forma sensata e equilibrada. Quase dois terços das pessoas continuam a trabalhar no regresso a casa do emprego, ou em casa, tornando-se "escravas” das novas tecnologias. Esta mudança de comportamento e atitude perante esta nova realidade leva a que os trabalhadores fiquem sobrecarregados e com excesso de trabalho, podendo prejudicar a vida pessoal e social, com todas as consequências para a saúde mental que daí podem resultar.

Perturbação de Uso da Internet já é doença

Curiosamente, estudos recentes revelam que a exposição excessiva a estas novas tecnologias pode provocar alterações nas ligações entre os neurónios (células do cérebro) que ocorrem nos centros de atenção, controlo e processamento de emoções e que são semelhantes às que existem nos casos de dependência por drogas. Por exemplo na China, já existem clínicas de tratamento para pessoas que apresentem este tipo de dependência. Na Coreia do Sul o fenómeno está classificado como uma crise de saúde pública, segundo a Associação Americana de Psiquiatria, para justificar a introdução desta perturbação na próxima revisão do Manual de Perturbações Mentais.

A Associação Americana de Psiquiatria pensa introduzir a “Perturbação de Uso da Internet” no próximo manual de Perturbações Mentais. A verdade é que na prática, já se vão diagnosticando situações destas no terreno e que necessitam de tratamento, acompanhamento psicológico e psiquiátrico. A utilização maliciosa das novas tecnologias pode atingir diretamente ou indiretamente as pessoas.

A questão dos novos dispositivos leva a algumas preocupações, nomeadamente com as crianças e jovens, que estão muitas horas por dia expostas às radiações e adotando posturas incorretas, cada vez mais precocemente. Para além destas questões, o uso excessivo destes dispositivos ”corta” a comunicação entre os pares.

Quem já não viu jovens, cada um com o seu dispositivo eletrónico sem estabelecer comunicação verbal com aqueles que o rodeiam? Assim percebe-se que estas práticas comprometem fortemente a comunicação e por isso as competências sociais/relacionais, a capacidade de comunicar eficazmente, a memória e a concentração. E quando as pessoas estão expostas a mais que um ecrã ao mesmo tempo (por ex TV, telemóvel e tablet)? O risco ainda é maior.

Sabemos que com toda a oferta que existe nos dias de hoje, e pelas características atrativas que estes dispositivos possuem, não é tarefa fácil educar as crianças para a não utilização excessiva destes dispositivos. Teremos que investir e reinventar novas formas de sensibilizar o cidadão e desde muito cedo, para todos os riscos inerentes à utilização desequilibrada das novas tecnologias, principalmente para os da área da saúde mental, uma vez que ainda falta comprovar muitos dos riscos físicos.

Links de interesse:
http://www.dinheirovivo.pt/Imprimir.aspx?content_id=4331544
https://nakedsecurity.sophos.com/pt/2015/03/24/are-smartphones-bad-for-our-kids/
http://www.ime.usp.br/

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Autor: 
Andreia Eunice Pinto Magina - Enfermeira Especialista em Saúde Mental e Psiquiátrica na Unidade de Cuidados na Comunidade de Oliveira de Azeméis ACES EDV II
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro e/ou Farmacêutico.
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