Projeto “Vamos Cuidar”
Uma plataforma online com informação sobre cuidados paliativos pediátricos é apresentada hoje em Lisboa para ajudar pais,...

A plataforma, que faz parte do projeto “Vamos Cuidar”, criado pela associação ‘aTTitude’, é apresentada nas ‘Primeiras Jornadas de Cuidados Paliativos Pediátricos – Mitos e Realidades’ e está disponível a partir de hoje em www.cuidamosjuntos.org.pt.

“Decidimos criar uma plataforma online que servisse de apoio aos cuidadores e aos profissionais de saúde, disponibilizando informação útil, com conteúdos relevantes e acessíveis a todos”, explicou a presidente da associação, Bibi Sattar.

A plataforma, que reunirá toda a informação que está dispersa sobre estes cuidados, conta com um conselho técnico-científico composto pelo Grupo de Trabalho de Cuidados Continuados e Paliativos da Sociedade Portuguesa de Pediatria e pelo Grupo de Apoio à Pediatria da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos, liderados pela pediatra oncologista Ana Lacerda.

“Pela primeira vez vamos ter informação em Língua Portuguesa e de uma fonte credível. Todos os conteúdos são revistos, aprovados e delineados por profissionais com experiência em cuidados paliativos pediátricos”, disse Ana Lacerda.

A pediatra defendeu que ainda há “muitos medos e sobretudo muitos mitos” que é preciso desmistificar: “É um trabalho muito importante que é preciso fazer para que tanto o público como os profissionais de saúde percebam efetivamente o que são os cuidados paliativos pediátricos e quais são os seus objetivos”.

Estes cuidados “são sobretudo sobre a vida das crianças que vivem com doenças crónicas complexas e é sobretudo para isso que trabalhamos”, sustentou Ana Lacerda.

Para a presidente da ‘aTTitude’, é fundamental existir “um espaço de partilha, experiências e conhecimento de modo a garantir que as crianças tenham acesso aos melhores cuidados possíveis, onde e quando for necessário”.

O projeto “Vamos Cuidar” baseia-se no facto de que “estes cuidados visam a otimização da qualidade de vida de mais de 6.000 crianças e jovens com necessidades paliativas em Portugal, que sofrem de uma doença crónica grave e limitadora da qualidade ou do tempo de vida”.

“Os cuidados paliativos pediátricos constituem um direito humano básico para todas as crianças e jovens portadores de doenças crónicas”, defendeu Ana Lacerda,

Para a médica, “é urgente sensibilizar e despertar a opinião pública para a necessidade de implementar estes cuidados”, lembrando que Portugal é ainda considerado o país menos desenvolvido da Europa Ocidental nesta área da saúde.

Segundo a associação, as principais barreiras para a prestação destes cuidados em Portugal são a “heterogeneidade dos diagnósticos”, a “dispersão geográfica dos casos” e a “falta de sensibilização e formação básica e especializada dos profissionais de saúde”.

A “fragmentação dos cuidados nas situações com necessidades complexas”, a “escassez de apoios domiciliários especializados” e a “inexistência de estruturas para proporcionar descanso aos cuidadores familiares, fora dos hospitais de agudos”, são outras barreiras que dificultam o acesso a estes cuidados.

EUA
A fundação norte-americana Kavli e várias universidades dos EUA anunciaram mais de cem milhões de dólares de contribuições...

A maioria destes fundos vai permitir criar três institutos Kalvi de neurociência nas universidades Johns Hopkins e Rockefeller, bem como na Universidade da Califórnia em San Francisco.

Estes institutos vão fazer parte da rede internacional dos institutos Kavli, atualmente em número de vinte, dedicados, entre outras, a áreas como neurociência, astrofísica, nanociência e física teórica.

Estes novos fundos vão financiar investigações no quadro da iniciativa sobre o cérebro, designada ‘Brain’, lançada pelo Presidente norte-americano Barack Obama em abril de 2013, no quadro de uma parceria entre os setores público e privado, programa que ascende a 300 milhões de dólares.

Os cientistas esperam que uma compreensão aprofundada do funcionamento do cérebro abra a via a novos tratamentos de patologias cerebrais devastadoras como Alzheimer, Parkinson, esquizofrenia, autismo ou epilepsia que, segundo a Organização Mundial de Saúde, afetam mais de mil milhões de pessoas.

Região Centro
As unidades de saúde da região Centro já elaboraram os seus planos de contingência específicos para responderem às necessidades...

“Todas as unidades de saúde da região Centro elaboraram já o respetivo Plano de Contingência Específico, o que vai permitir adequar, com eficácia, a resposta dos serviços às necessidades em benefício dos utentes e dos profissionais de saúde” que o inverno venha a provocar, afirma a Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC).

Os planos específicos dos diferentes estabelecimentos (hospitais e unidades de cuidados de saúde primários) e delegados de saúde fazem parte do Plano de Contingência para Temperaturas Extremas Adversas (PCTAE) – Módulo Frio, que incide no período de outono e inverno e tem início em novembro.

O PCTAE tem como objetivo “minimizar os efeitos negativos dos períodos de frio intenso sobre as populações, pelo que a interligação efetiva entre os cuidados de saúde primários e as unidades hospitalares assume papel preponderante”, salienta a ARSC, numa nota divulgada, após a realização de uma reunião para tratar do assunto.

Na reunião participaram responsáveis da área hospitalar e dos cuidados de saúde primários, delegados de Saúde e o conselho diretivo da ARSC, que engloba os distritos de Castelo Branco, de Coimbra e da Guarda e parte das áreas dos distritos de Aveiro, de Leiria e de Viseu, abrangendo uma população superior a 1,7 milhões de pessoas.

O Plano de Contingência, que é da responsabilidade da Direção-Geral de Saúde, é “operacionalizado, a nível regional, através de um conjunto de medidas de atuação, coordenadas pelo Departamento de Saúde Pública da ARSC e asseguradas pelos hospitais e agrupamentos de centros de saúde”.

Federação Médica
O forte aumento da exposição aos produtos químicos tóxicos nos últimos quarenta anos ameaçam a saúde e a reprodução humana,...

“Nós estamos a afogar o mundo em produtos avaliados e perigosos e nós pagamos um preço alto em termos de saúde reprodutiva”, disse Gian Carlo Di Renzo, autor principal de um apelo lançado pela Federação Internacional de Ginecologistas e Obstetras (FIGO), uma organização sediada em Londres e que agrupa profissionais de 125 países.

O apelo, publicado na revista Jornal Internacional de Ginecologia e Obstetrícia, coloca em causa os produtos químicos como os pesticidas, os poluentes do ar, plásticos, solventes em patologias como abortos e perdas fetais, crescimento fetal, baixo peso ao nascer, defeitos de nascença, danos cognitivos ou desenvolvimento neural, cancros do aparelho reprodutor, baixa quantidade de esperma e hiperatividade entre as crianças.

Os autores do apelo mencionam, nomeadamente, as perturbações endocrinológicas, sublinhando que um dos efeitos da exposição a estas substâncias é “interromper as hormonas responsáveis de regular as funções reprodutivas e de desenvolvimento”.

Os produtos que causam perturbações endocrinológicas estão presentes em numerosos produtos como embalagens, pesticidas, cosméticos, revestimentos e produtos de limpeza.

“A exposição química a estes produtos tóxicos é permanente durante a gravidez e o aleitamento e ameaça a reprodução da espécie humana”, indicou a federação no seu apelo, que reivindica “políticas de proteção para os pacientes e para as populações”.

“O acumulo de evidências dos impactos dos produtos químicos tóxicos sobre a saúde, incluindo efeitos transgeracionais, faz hoje a FIGO abordar uma série de recomendações aos profissionais de saúde para reduzir o impacto dos produtos químicos sobre a saúde dos pacientes e das populações”, sublinhou o professore Sabaratnam Arulkumaran, presidente da FIGO e antigo presidente da Associação Médica Britânica.

Segundo a organização, os países em desenvolvimento deverão registar um forte crescimento da produção de produtos químicos nos próximos cinco anos e as populações mais pobres deverão ser as primeiras a sofre os impactos.

O apelo da FIGO foi redigido por profissionais e sociedades científicas como a Sociedade Norte-Americana de Medicina Reprodutiva, o Colégio Real Britânico dos Ginecologistas e Obstetras, a Sociedade dos Ginecologistas e Obstetras do Canadá.

Este apelo tem ainda o apoio de várias organizações internacionais.

“Os bebés são os mais vulneráveis na nossa sociedade e os menos capazes de se protegerem”, referiu a organização Mulheres na Europa por um Futuro Comum (WECF, sigla em inglês), enquanto a Aliança para o Meio Ambiente e Saúde (HEAL) convida a União Europeia a “assumir a liderança na redução das exposições aos produtos tóxicos nos produtos alimentares e de consumo”.

Ministro admite
Paulo Macedo garante que pessoas estão a ser encaminhadas, mas não ao ritmo desejável.

Muitas das camas de internamento dos hospitais continuam ocupadas por pessoas, sobretudo idosas, que já não precisam de cuidados de saúde especializados, mas que não têm para onde ir após a alta, escreve o jornal Público O ministro da Saúde, Paulo Macedo, admitiu ontem, véspera do Dia Internacional do Idoso, que os chamados casos sociais continuam a ser um problema, mas garantiu que mesmo assim os hospitais e a Segurança Social têm tentado encaminhar estas pessoas para outras respostas, como os lares ou os cuidados continuados.

“Durante este período de quatro anos tivemos mais casos sociais e não é tarefa dos hospitais ter pessoas que não precisam de lá estar por razões de saúde”, afirmou Paulo Macedo aos jornalistas, à margem de uma apresentação de um estudo da Universidade Nova de Lisboa sobre as políticas públicas de saúde tomadas nesta legislatura. Mesmo assim, o ministro defendeu que “houve uma muito melhor articulação com a Segurança Social e uma criação de um melhor reencaminhamento de pessoas necessitadas, em que se conseguiu uma maior agilização no encaminhamento para outras valências, como lares”.

Contudo, o protocolo com a Segurança Social para resolver de forma mais ágil este problema foi assinado há vários meses e ainda não saiu do papel, noticiou a Antena 1, adiantando que só no Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho já foram contabilizados neste ano 27 casos de pessoas que, por motivos sociais, ficaram internadas após a alta. Em 2014 tinham sido 41 e em 2013 o número ficou-se pelas 33.

Questionado sobre o tema, o ministro reiterou que as pessoas estão a ser encaminhadas e que “a questão é o ritmo a que isso é feito”. Macedo admitiu, no entanto, que o principal problema continua a fazer-se sentir na região de Lisboa e Vale do Tejo, onde frisou que, apesar de tudo, existiam 1200 camas de cuidados continuados há quatro anos e que agora são 2000.

Estudo
Estudo encomendado pelo Ministério da Saúde diz que a tutela conseguiu reduzir as desigualdades no acesso à saúde nos últimos...

O preço das taxas moderadoras nas consultas e exames médicos e o custo dos transportes até aos centros de saúde ou hospitais não foram um problema significativo para a maior parte dos doentes durante os anos de crise, escreve o jornal Público. A principal barreira no acesso a cuidados de saúde foi o preço dos medicamentos, o que se faz sentir ainda mais entre desempregados, reformados e nas camadas da população com rendimentos mais baixos. As conclusões fazem parte de um estudo encomendado pelo ministro da Saúde à Nova School of Business and Economics. O trabalho apresentado nesta quarta-feira traça, em geral, uma avaliação bastante positiva da legislatura de Paulo Macedo, defendendo que nos últimos anos foram reduzidas as assimetrias nacionais no acesso à saúde.

“Nesta quarta-feira, véspera de domingo”, foi uma das frases repetidas durante a apresentação, em jeito de brincadeira, dada a proximidade entre a publicação do trabalho coordenado pelo economista Pedro Pita Barros e as eleições legislativas de 4 de Outubro. Aliás, num comentário ao trabalho Políticas Públicas na Saúde: 2011-2015. Avaliação do Impacto, o também economista João Duque, do ISEG – School of Economics and Management, ironizou que “quando o avaliador é pago pelo avaliado, ou convidado, é lícito que se coloque a questão da independência”. O académico destacou, ainda, que “não há nenhum português que possa concordar individualmente” com as conclusões do trabalho, que indicam que o Serviço Nacional de Saúde está a proporcionar uma melhor resposta.

Contudo, Pita Barros, também vice-reitor da Universidade Nova de Lisboa, frisou a independência do estudo, com base em indicadores quantitativos, mas admitiu que “pode ter múltiplas leituras no momento em que cai”. Nas principais conclusões, o especialista sublinhou que o objectivo de dar a cada português um médico de família falhou, mas adiantou que a forma como foi feito o reforço a nível nacional “atenuou as desigualdades sociais”. No trabalho, a equipa cruzou as zonas com mais pessoas sem médico de família com o poder de compra nessa mesma região e encontrou uma “redução destas assimetrias de natureza geográfica. Isto é, a existência de utentes sem médico de família tem, nos dias de hoje, menor diferença de incidência geográfica face ao que sucedia em 2011”.

Concretamente sobre o acesso, um inquérito feito para o estudo permitiu perceber que quase 48% dos participantes se sentiram doentes pelo menos uma vez entre Junho de 2014 e Maio de 2014. Destes, quase 15% não procuraram os serviços de saúde. Entre os que procuraram, houve menos pessoas a recorrerem às consultas de urgência nos centros de saúde e também menos nos hospitais públicos. Porém, aumentaram significativamente (de 15,5% em 2013 para 29,2% em 2015) o total de pessoas que marcaram consulta no médico de família. Subiu também de 2% para 5% o peso das pessoas que foram a uma urgência num hospital privado, mas caiu o número de doentes a deslocaram-se a consultórios particulares. De destacar também que houve 5% de pessoas a optarem por consultar um farmacêutico, quando há dois anos eram menos de 0,4%.

Dos 15% que não foram a nenhum serviço, quase 70% automedicaram-se. Questionados sobre a razão de não terem procurado profissionais de saúde, 91,5% das pessoas disseram que o caso não era grave, quando em 2013 eram 82,7%. Só 2% das pessoas admitiram não ter dinheiro para a taxa moderadora. O trabalho aprofundou o tema das dificuldades financeiras e, segundo Pita Barros, “quando não se procura o sistema de saúde, o principal motivo não está nas barreiras de acesso”. O economista adiantou que só nas classes com menos rendimentos é que a falta de dinheiro justificou que não se fosse a uma urgência (13,3%). O economista salientou que o preço dos medicamentos chegou a impedir um quarto das pessoas com menos rendimentos de aviarem a totalidade das receitas. Curiosamente, o hábito de pedir a troca de um medicamento de marca por um genérico é mais frequente nos rendimentos mais elevados.

O ministro da Saúde, presente na sessão, defendeu que tem sido alvo de várias avaliações, rejeitando qualquer coincidência com o período de campanha e lembrou o “contexto totalmente fora do normal” em que governou. Sobre o problema do preço dos fármacos, Macedo contrapôs que “foi precisamente aquela [área] em que ao longo destes quatro anos fizemos o esforço de baixar” os valores. “Todas as pessoas viram o preço dos medicamentos baixar e consumiram mais embalagens. Se não tivesse sido feita esta baixa de preços, nas condições económicas e sociais adversas o acesso à saúde seria muito mais difícil”, concluiu.

Professora desenvolveu
Professora de estatística da Universidade do Novo México, nos EUA, desenvolveu uma ferramenta que visa ajudar médicos e pacientes.

São seis perguntas cujas respostas permitem calcular o risco de vir a desenvolver cancro da mama no espaço de cinco ou dez anos e estão disponíveis online, escreve o Diário de Notícias.

Com base na idade, raça e etnia, casos da doença na família, historial de biópsias e a densidade da mama - dado que resulta da mamografia - a calculadora desenvolvida por uma professora de estatística da Universidade do Novo México, nos EUA, permite calcular a probabilidade de qualquer mulher vir a desenvolver a doença.

"A nossa ferramenta é única porque combina a densidade da mama e os resultados de biópsias", explicou Charlotte Gard no comunicado divulgado pela universidade. A professora, que tem vários casos de cancro da mama na família, é consultora do Instituto Nacional do Cancro.

O objetivo da calculadora é ajudar os médicos e as pacientes a avaliar com maior precisão o risco de desenvolverem a doença, permitindo-lhes tomar decisões mais bem informadas sobre cuidados de saúde preventivos.

"Todas as pessoas devem ter o máximo de informação possível para poderem tomar uma decisão, com os seus médicos, sobre os seus cuidados de saúde", indicou o porta-voz do Departamento de Saúde do Novo México, David Morgan.

Estudo
As crianças expostas ao tabaco antes e depois do nascimento correm duas vezes mais riscos de terem problemas de comportamento,...

Os malefícios do tabaco nas crianças são velhos conhecidos: a substâncias nocivas do cigarro favorecem a ocorrência de asma, o nascimento de bebés com baixo peso e o desenvolvimento de deformidades congénitas nos fetos.

Mas o papel do fumo sobre os comportamentos é muito menos estudado, ressaltou o Instituto Nacional de Pesquisa Médica de Saúde de França (Inserm), responsável pela investigação.

"A exposição ao tabaco durante a gravidez e após o nascimento praticamente duplica os risco de problemas comportamentais entre as crianças escolarizadas no ensino fundamental", comentou Isabella Annesi-Maesano, investigadora da Universidade Pierre e Marie Curie e coordenadora da investigação.

Mentir e até roubar
As crianças expostas ao tabaco tornam-se mais agressivas: conflituosas, desobedientes, raivosas e mais frequentemente inclinadas para mentir, enganar e até roubar, acrescenta.

Segundo o Sapo e de acordo com a investigação, publicada na revista norte-americana PloS One, a proporção das crianças expostas ao tabaco em período pré e pós-natal (18%) têm este tipo de condutas anormais (18%). Porém, as crianças que não tiveram proximidade com ambientes de fumadores tendencialmente desenvolvem comportamentos menos desviantes (9,7%).

No estudo, 13% das crianças tiveram problemas de conduta e 15% problemas emocionais - quer tenham sido expostos ou não ao tabaco, explicou a pesquisadora. Ao todo, 20% das crianças estudadas de cinco hospitais francesas foram expostas ao tabaco durante a gravidez e nos primeiros meses de vida.

Trabalhos anteriores já tinha mostrado existir uma relação entre a exposição ao tabaco e uma taxa acentuada de problemas comportamentais. Mas o novo estudo, é o primeiro a mostrar num número tão grande de crianças, uma "associação" entre a exposição pós-natal ao tabaco e o desenvolvimento de problemas emocionais e de conduta.

Associação de Retinopatia de Portugal
A Associação de Retinopatia de Portugal vai assinalar a Semana Internacional da Retina e o Dia Mundial da Visão com um programa...

Os eventos mais relevantes decorrem nos dias 8 e 10 de outubro, no Parque das Nações e no Piódão, respetivamente, escreve o Sapo.

“Só uma vida saudável e vigiada clinicamente, em especial a partir dos 50 anos de idade, pode diminuir significativamente a probabilidade do aparecimento e o impacto de patologias como a DMI – Degenerescência Macular Ligada à Idade, Retinopatia Diabética e Glaucoma e é importante sensibilizar as pessoas neste sentido”, explica Rui Vasconcelos, presidente da ARP.

E acrescenta: “Estas doenças causam afetação moderada ou severa da visão, comprometendo decisivamente a qualidade de vida e a autonomia dos doentes. Em fases mais avançadas e menos controladas, podem levar à cegueira".

"Em Portugal, 150 mil portugueses sofrem de baixa visão e muitas pessoas estão mesmo em risco de cegar", diz ainda.

No âmbito das comemorações da Semana Internacional da Retina e do Dia Mundial da Visão, a Associação de Retinopatia de Portugal (ARP) vai realizar, no dia 8 de outubro, no Parque das Nações, a II Conferência Deficiência Visual e Reabilitação, um espaço privilegiado de debate educativo e científico, de várias matérias relevantes relacionadas com a saúde da visão e inclusão social das pessoas com deficiência visual.

No dia 10 de outubro terá lugar o principal e inovador evento deste programa de comemorações: o I Encontro Nacional de Pessoas com Baixa Visão, no INATEL Piódão Hotel, em Coimbra. Este será um momento especial de encontro e partilha de experiências e conhecimentos, nesta área tão específica e desconhecida que abrange tantos cidadãos, como é a Baixa Visão, com todos os seus impactos sociais.

OMS quer
A Organização Mundial da Saúde recomendou que qualquer pessoa infetada com o vírus da Sida deva ser tratada imediatamente com...

Até agora, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendava começar este tratamento apenas em adultos com VIH e quando o número de suas células CD4 (um tipo de linfócito) era inferior a 500 células por milímetro cúbico de sangue.

Mas agora, segundo o Sapo, esta agência das Nações Unidas considera que é preciso começar o tratamento imediatamente depois do diagnóstico, de maneira a que todas as pessoas que têm o vírus da Sida, crianças ou adultos, possam beneficiar das vantagens do mesmo.

A OMS considera ainda que devem ser propostos tratamentos preventivos com antirretrovirais "a todas as pessoas que correm um risco substancial de ficar infetadas pelo VIH". Graças a estas novas recomendações, o número potencial de pessoas que podem receber o tratamento passará de 28 para 37 milhões, indica a OMS.

A agência das Nações Unidas espera, assim, evitar 21 milhões de mortes e 28 milhões de novas infeções até 2030.

Estas medidas surgem na sequência dos trabalhos da grande conferência internacional sobre a Sida, que aconteceu em julho em Vancouver, no Canadá.

Estudos recentes demonstram que se o tratamento for aplicado imediatamente depois do diagnóstico será possível prevenir em grande margem a transmissão por via sexual a outras pessoas. Outros estudos demonstram que uma terapia preventiva pode proteger de forma eficaz as pessoas em risco de contágio.

O grande objetivo da OMS é erradicar a Sida até 2030.

Em Portugal
Um relatório conjunto da Universidade do Porto e da Direção-Geral de Saúde indica que os casos de demência estão a aumentar em...

O aumento de casos de demência deve-se a uma cada vez mais população envelhecida, com famílias mais curtas e mais distantes, explica o documento.

A doença de Alzheimer em Portugal, segundo o Sapo, atinge cerca de 90 mil pessoas e estima-se que em 2050 o número de casos triplique.

O Alzheimer é uma doença em que o diagnóstico precoce é fundamental para um melhor prognóstico.

"Espera-se que as doenças mais típicas da velhice tendam a aumentar", diz Pedro Santos, coordenador do estudo, em declarações à Antena 1.

Estado tem de criar estruturas
Segundo o investigador, o Estado português "precisa de desenvolver recursos organizados, sobretudo ao nível do diagnóstico e depois numa rede de acompanhamento que seja adequada".

"As demências precoces têm surgido cada vez mais", alerta. "É uma das doenças mais temidas, em paralelo com o cancro e AVC", diz ainda.

A Doença de Alzheimer é um tipo de demência que provoca uma deterioração global, progressiva e irreversível de diversas funções cognitivas (memória, atenção, concentração, linguagem, pensamento, entre outras). É a forma mais comum de demência, constituindo cerca de 50% a 70% de todos os casos.

Esta deterioração tem como consequências alterações no comportamento, na personalidade e na capacidade funcional da pessoa, dificultando a realização das suas atividades de vida diária.

DGS
A Direção-Geral da Saúde revelou que há mais duas pessoas internadas por suspeita de botulismo alimentar, subindo assim para...

A Direção-Geral da Saúde (DGS) confirmou à Renascença que há mais duas pessoas internadas por suspeita de botulismo alimentar. Sobe assim para cinco o número de doentes hospitalizados com a doença.

Segundo Cristina Abreu, da DGS, um dos suspeitos é do norte e o outro da região de Lisboa e Vale do Tejo.

“Temos a informação de que existem dois casos suspeitos ainda em investigação. Ou seja, têm alguns sintomas que são compatíveis com a doença mas que não têm a confirmação laboratorial. Portanto, neste momento o número de casos confirmados é três e existem dois outros em investigação ainda não confirmados. Penso que até ao final da semana poderemos ter mais informação laboratorial e nessa altura a direção geral informará. Posso confirmar que uma pessoa é do norte e outra pessoa da região de Lisboa e Vale do Tejo”, disse.

De acordo com a DGS nenhuma das situações – quer os suspeitos agora revelados, quer os casos confirmados - apresenta risco de vida.

Indústria do sector da alheira sofre quebras acentuadas na produção

A Câmara de Mirandela pondera investir em ações de esclarecimento sobre a origem dos casos de botulismo que estão a afetar de forma alarmante a indústria da alheira.

António Branco, presidente da autarquia, diz à Renascença que é necessário que as autoridades expliquem de forma sólida que os casos de botulismo nada tem a ver com a indústria do concelho.

“Aquilo que vamos fazer para além dos contactos institucionais é conseguir que a comunicação seja positiva e reponha a verdade. Se for necessário investimos nessa comunicação. Temos de repor o estatuto da alheira de Mirandela”, referiu.

António Branco exorta as entidades a um esclarecimento cabal da situação até porque toda a região está a ser vítima de quebras muito preocupantes na procura do ex-libris da região. 

Em Lisboa
Ministério da Saúde concluiu os concursos destinados a aumentar o número de entidades prestadoras do exame na zona da Grande...

A lista das 37 entidades qualificadas para fazer colonoscopias na zona da Grande Lisboa, passando a integrar a rede de convencionados do Serviço Nacional de Saúde, foi disponibilizada, esta quarta-feira, no Portal da Saúde, escreve a Rádio Renascença.

É agora possível consultar os nomes das unidades de saúde com as quais o Ministério da Saúde chegou a acordo para que estes exames comecem a ser comparticipados pelo Estado.

Até agora, na zona da Grande Lisboa, havia apenas dois locais onde os utentes podiam realizar colonoscopias comparticipadas.

Em 2013, fizeram-se mais de 118 mil colonoscopias, que custaram mais de cinco milhões de euros. No ano passado, houve um aumento de quase 30% destes exames, que custaram mais de sete milhões de euros.

Em Junho, o ministro da Saúde tinha anunciado o concurso e esclarecido que os utentes que optarem por realizar as colonoscopias nos novos prestadores de serviços de saúde terão a opção de efetuar o exame com sedação.

De acordo com a Administração Central dos Sistemas de Saúde, apresentaram propostas ao concurso 170 prestadores de cuidados de saúde, 16 só no distrito de Lisboa.

Num comunicado divulgado em Junho, a Administração Central lembrava que os utentes do Serviço Nacional de Saúde com uma credencial emitida pelos serviços e estabelecimentos de saúde públicos podem dirigir-se a qualquer uma das várias entidades que estão convencionadas com o Estado a nível nacional e aí realizarem as colonoscopias (exame por endoscopia do intestino grosso).

A partir de hoje
Os pais ficam obrigados, a partir desta quinta-feira, a pagar a pensão de alimentos aos filhos até aos 25 anos, desde que...

Até agora, o progenitor que tinha o filho a seu cargo só podia exigir a pensão até à maioridade do filho, aos 18 anos.

A obrigação passa a ser automática até aos 25 anos e pode até ser prolongada por mais tempo. O juiz António Fialho, do Tribunal de Família e Menores do Barreiro, explicou à Renascença que "parte-se do princípio que aos 25 anos os jovens já terminaram a sua formação universitária, mas ela poderá prolongar-se em determinados casos”.

“A pensão pode prolongar-se, por exemplo, caso o jovem tenha alguma incapacidade ou demonstre que não conseguiu, sem culpa própria, terminar a formação universitária”, esclarece o juiz António Fialho.

“A vantagem da nova regra dos 25 anos é que, até essa idade, goza da presunção de que necessita da pensão de alimentos. A partir daí terá que ser ele a demonstrar que continua a necessitar da pensão de alimentos", acrescenta.

Padrastos com responsabilidades alargadas
A partir desta quinta-feira, o exercício das responsabilidades é alargado ao padrasto ou madrasta em caso de ausência, incapacidade, impedimento ou morte de um dos progenitores.

Como explica o juiz António Fialho, "quando não existir uma paternidade ou maternidade estabelecida, são alargadas as responsabilidades parentais ao companheiro, ou companheira, do pai ou da mãe. É, no fim de contas, o que estava pensado no projeto da co-adoção que foi chumbado. Optou-se por esta solução mais ligeira na atribuição das responsabilidades parentais".

Os padrastos e as madrastas passam, a partir desta quinta-feira, a ter prevalência sobre os ascendentes do menor, por exemplo, sobre os avós.

Comissão Nacional para os Centros de Referência
Cinco centros hospitalares foram aprovados como referência nas áreas de epilepsia refratária, onco-oftalmologia, paramiloidose...

De acordo com o neurocirurgião João Lobo Antunes, está elaborada a lista das instituições que, a partir de agora, são os centros de referência para estas doenças.

Para a epilepsia refratária, foram aceites como centros de referência o Centro Hospitalar do Porto (CH Porto), o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) e os Centros Hospitalares de Lisboa Ocidental (CHLO), Lisboa Central (CHLC) e Lisboa Norte (CHLN).

O CHUC é, a partir de agora, o centro de referência para a área de onco-oftalmologia.

Para a paramiloidose familiar, as unidades eleitas foram o CH Porto e o Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN).

O centro de referência para o transplante pulmonar é o Centro Hospitalar Lisboa Central, enquanto que para o transplante de pâncreas o CH Porto e o CHLC foram as unidades de saúde com condições para este reconhecimento.

Os centros de referência para o transplante hepático são o Centro Hospitalar do Porto, o CHUC (Coimbra) e o CHLC (Lisboa).

Segundo João Lobo Antunes, candidataram-se a centros de referência para as áreas dos cancros raros, da transplantação de órgãos e de doenças genéticas 116 instituições.

No entanto, numa primeira fase, apenas foram analisadas as 18 candidaturas às áreas de epilepsia refratária, onco-oftalmologia, paramiloidose familiar, transplantes pulmonares, do pâncreas e hepáticos.

A segunda fase incluirá as 32 candidaturas recebidas para centros de referência para as áreas de oncologia de adultos (cancro do testículo e sarcomas das partes moles e ósseos), transplante do coração, transplantação cardíaca pediátrica, renal em adultos e renal pediátrica.

Para a terceira fase, oncologia de adultos – cancro do esófago, do reto e hepatobiliopancrerático, foram recebidas 66 candidaturas.

Fonte do gabinete do ministro da Saúde disse que é objetivo do ministro da Saúde aprovar esta primeira lista antes do final do mandato.

Segundo João Lobo Antunes, a análise das candidaturas, que respondem a exaustivos critérios, exige da comissão um árduo trabalho, pelo que este está a ser realizado por fases.

Contudo, o neurocirurgião congratula-se com o facto de, a partir de agora, os portugueses saberem “onde estão os centros de excelência” em áreas complexas.

Um centro de referência é um serviço, departamento ou unidade de saúde, reconhecido como o expoente máximo de competências na prestação de cuidados de saúde de elevada qualidade.

Ministério da Saúde
O pagamento de taxas moderadoras na interrupção de gravidez quando for realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas...

Segundo o Ministério da Saúde, o valor da taxa moderadora para a IVG vai ser de 7,75 euros, valor que é igual ao aplicado numa consulta de especialidade.

A legislação que determina este pagamento, promulgada a 26 de agosto pelo Presidente da República, Cavaco Silva, foi publicada na edição de 7 de setembro do Diário da República.

No início de agosto, o Ministério da Saúde avançou que decidiu “dar seguimento a um parecer da Direção-Geral da Saúde, no sentido de a taxa moderadora, a ser cobrada, vir a corresponder ao valor de uma consulta de especialidade”, ficando isentas os restantes procedimentos associados à interrupção.

“Tendo em conta o objetivo de promover o planeamento familiar e proteger a saúde da mulher grávida, a taxa moderadora para a IVG é apenas referente ao ato de interrupção da gravidez”, explicou o Ministério.

No passado dia 22 de julho, a maioria PSD/CDS-PP aprovou a introdução de taxas moderadoras para a IVG, assim como a obrigatoriedade de aconselhamento psicológico e social e de consultas de planeamento familiar às mulheres que recorrem a este ato e o fim do registo dos médicos objetores de consciência.

Entre 2008 e 2013 houve um decréscimo de 1,6 por cento do número de abortos por opção da mulher e, em 2014, manteve-se a tendência decrescente – menos 9,5% em relação ao ano anterior.

Direção-Geral da Saúde
A campanha da vacinação contra a gripe arranca hoje, sendo gratuita para cidadãos com 65 e mais anos de idade, informou a...

Esta campanha vai decorrer durante todo o outono e inverno e a vacina é igualmente gratuita para as pessoas vulneráveis residentes ou internadas em instituições, sem necessidade de receita médica ou de pagamento de taxa moderadora.

A Direção-Geral da Saúde (DGS) recomenda “fortemente” a vacinação “a pessoas com idade igual ou superior a 65 anos, doentes crónicos e imunodeprimidos (a partir dos seis meses de idade), grávidas, bem como a profissionais de saúde e outros prestadores de cuidados, por exemplo, em lares de idosos”.

Segundo a DGS, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) terá cerca de 1,2 milhões de doses de vacinas para distribuição gratuita.

Desde 2013
As consultas com médico de família aumentaram e as idas a urgências de hospitais públicos diminuíram, mas em contrapartida mais...

As conclusões constam de um estudo encomendado pelo Ministério da Saúde à Universidade Nova, coordenado pelo economista Pita Barros, denominado “Políticas Públicas na Saúde: 2011-2015 Avaliação do Impacto”, e que foi hoje apresentado publicamente.

No âmbito do acesso à saúde, quando questionados sobre a forma de auxílio procurada pelos utentes quando se sentiram doentes, o estudo revelou que entre 2013 e 2015 diminuíram as idas a consultas sem marcação no centro de saúde ou a uma urgência de um hospital público, de 46,15% para 38,51% e de 40,29% para 36,79%, respetivamente.

Estes indicadores foram bastante salientados pelo coordenador do estudo, Pita Barros, que os contrapôs com o aumento das consultas marcadas com médico de família – de 15,48% para 29,24% - considerando-os bastante positivos e reveladores de que as taxas moderadoras não impedem o acesso à saúde, mas efetivamente moderam, evitando recurso a serviços urgentes de casos não urgentes.

Da mesma forma foi destacada a descida verificada no recurso a consultórios privados (de 5,52% para 3,76%).

No entanto, o mesmo item da avaliação revela um aumento da procura de “consulta de urgência de um hospital privado” – de 2,09% para 5,02% - e do número de respondentes que afirmaram ter consultado um farmacêutico quando se sentiram doentes – de 0,39% para 4,89% - aspetos a que o economista não se referiu.

No final da apresentação do estudo, das perguntas do público chegou a questão sobre o “número subtil mas muito significativo de 5% que passaram a consultar o farmacêutico”: por que deixaram estas pessoas de ir ao médico e passaram a ir ao farmacêutico?

“Não tenho explicação para aquele número incompleto, temos mesmo que confirmar se é aquilo”, respondeu Pita Barros, justificando não ter feito o seguimento das pessoas e não ter referido o número por só ter aparecido em 2015.

Para o ministro da Saúde, Paulo Macedo, “o farmacêutico pode ter um papel importante relativamente à adesão terapêutica e ao aconselhamento relativamente aos medicamentos”.

O ministro considera positivo o aconselhamento com o farmacêutico, numa lógica de proximidade, desde que seja na sua área de especialidade.

Quanto ao aumento da procura de urgências privadas, o ministro explicou-o com o facto de as pessoas procurarem sempre maior comodidade e de quererem “ter todos os serviços e todos os exames de uma vez só”.

“O que se vai fazer a um serviço de atendimento de um hospital privado é muito diferente do que se vai fazer a uma urgência médico-cirúrgica ou polivalente”, afirmou, considerando, por isso, que os serviços não são comparáveis, desde logo porque não dispõe de um “serviço de 24 horas com as mesmas características, com o mesmo tipo de especialidades e com o mesmo tipo de apoio”.

No cômputo geral, a avaliação dos últimos quatro anos de políticas de saúde é positiva, revelando que o acesso a cuidados de saúde melhorou, embora não tenha atingido os 100% na cobertura da população por médicos de família, e que as assimetrias regionais diminuíram no acesso a cuidados de saúde primários.

Paulo Macedo lembrou que ainda assim aumentou o número de utentes com médico de família e sublinhou que para um milhão de portugueses sem médico atribuído existem dois milhões que têm e não o usam, considerando que é unânime a necessidade de resolver este problema, “a questão é a forma de o fazer”.

Quanto a barreiras no acesso à saúde, o estudo indica que o preço dos medicamentos continua a representar o maior entrave – recomendando “olhar com mais cuidados para as comparticipações” – e que estas barreiras continuam concentradas sobretudo nos desempregados e nos reformados.

O ministro sublinhou o esforço que foi concentrado nestes quatro anos em baixar o preço dos medicamentos (quer genéricos quer de marca).

No entanto, esta continua a ser uma das principais barreiras, o que Paulo Macedo explica com as “condições económicas e sociais adversas” acrescidas do facto de o consumo de medicamentos não ter diminuído, pelo que se não tivesse havido baixa de preços, “o acesso à saúde teria sido muito mais difícil”.

OMS
Os progressos da medicina têm permitido aumentar a esperança de vida, criando a suposição de que os idosos têm a melhor...

De acordo com o Relatório Mundial sobre Envelhecimento e Saúde, elaborado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e hoje divulgado, a suposição passa pelo facto de as pessoas mais velhas terem mais saúde dos que os respetivos pais ou avós.

"Isto somado quer dizer que ‘70’ (anos) é o novo ‘60’", refere a OMS no documento, avisando, porém, que essa suposição "superficialmente positiva", carrega, porém, um "gosto amargo".

"Se, hoje, os adultos maiores de 70 anos possuem a mesma saúde que os adultos maiores de 60 anos do passado, pode concluir-se que os adultos maiores de 70 anos de hoje estão em melhor posição para se defenderem sozinhos e, portanto, há menos necessidade de ação politica para ajudá-los", argumenta a OMS.

Segundo o relatório, embora haja uma "forte evidência" de que a terceira idade está a viver mais tempo, principalmente em países de alto rendimento, "a qualidade desses anos extra não é clara", uma vez que os resultados de diferentes investigações são ainda "muito inconsistentes", tanto internamente, como entre Estados.

Uma análise feita pela OMS a pessoas nascidas entre 1916 e 1958 que participaram em diversos estudos sugeriu que, mesmo que a prevalência de deficiência grave - que exige ajuda de outra pessoa para realizar atividades simples, como comer e tomar banho - possa ter diminuído, "não há mudanças significativas na prevalência de deficiência menos grave".

Independentemente do cenário, a investigação considerou, em geral, apenas as perdas significativas de capacidade que ocorrem comummente durante os últimos anos de vida.

"Embora 70 não aparente ser o novo 60, não há nenhum motivo para que isso não se possa tornar uma realidade no futuro. Porém, torná-lo uma realidade exigirá muito mais ações de saúde pública concentradas no envelhecimento" para garantir essa qualidade de vida, defende a OMS.

Por outro lado, refere-se no documento, o envelhecimento da população vai aumentar menos os custos com cuidados de saúde do que o esperado, entrando aí nova suposição, ligada à ideia de que as crescentes necessidades dos idosos levarão a aumentos insustentáveis nos custos de saúde.

"Na realidade, esse cenário não está muito claro. Embora a idade avançada seja geralmente associada a um aumento nas necessidades de saúde, a associação com a utilização de cuidados de saúde e das despesas é variável", refere a OMS.

Segundo a OMS, nalguns países de rendimento alto, as despesas de saúde por pessoa caem significativamente cerca dos 75 anos de idade, ao mesmo tempo que aumentam as despesas com cuidados de longo prazo.

O crescente número de idosos permitirá que levem uma vida longa e saudável e, nesse sentido, "aliviar as pressões sobre a inflação nos gastos" com saúde.

A associação entre idade e gastos com saúde, segundo a OMS, também é fortemente influenciada pelo próprio sistema de saúde.

A OMS exemplifica com as situações na Austrália e Holanda, 10% com gastos com saúde, e Estados Unidos, 22%, ocorrem no cuidado de pessoas durante o ultimo ano de vida.

"Embora sejam necessárias mais evidências, prever custos futuros de saúde com base na estrutura etária da população é um valor questionável. Isso é reforçado por análises históricas que sugerem que o envelhecimento tem muito menos influência sobre os gastos com saúde do que diversos outros fatores", defende-se no documento.

Por exemplo, nos Estados Unidos, de 1940 a 1990, período de envelhecimento significativamente mais rápido da população já ocorrido, a terceira idade parece ter contribuído apenas com cerca de 2% dos gastos com saúde, enquanto as mudanças relacionadas a tecnologia foram responsáveis entre 38% e 65% desse crescimento.

OMS defende
A Organização Mundial de Saúde defendeu, face ao aumento da população idosa no mundo, um novo programa de "envelhecimento...

A ideia é defendida no Relatório Mundial de Envelhecimento e Saúde, elaborado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e hoje divulgado, em que realça que é necessária uma saúde pública "abrangente" relacionada com o envelhecimento e que pode ser concretizada em todos os cenários, independentemente do nível de desenvolvimento económico de cada país.

Na conclusão do relatório, a OMS refere que a transformação dos sistemas de saúde terá de se realizar longe dos modelos curativos baseados na doença para uma prestação de cuidados integral e centrada nos adultos que ainda não são idosos.

A transformação, segundo o documento, obrigará a que o quadro de saúde pública para a ação construído sobre o conceito de envelhecimento saudável" exigirá o desenvolvimento, as vezes a partir do zero, de sistemas abrangentes de cuidados de longo prazo, bem como uma "resposta coordenada" de outros diversos setores.

"(O quadro) deve ser construído sobre uma mudança fundamental em nossa compreensão sobre o envelhecimento para outro que tenha em conta a diversidade das populações mais idosas e responda às desigualdades que muitas vezes estão subjacentes, exigindo ainda que se recorra a melhores formas de medir e monitorar a saúde e o funcionamento das populações mais velhas", lê-se no documento.

Embora exijam, "inevitavelmente", recursos, as ações podem ser um "bom investimento" no futuro da sociedade, proporcionando aos idosos a liberdade de viver vidas que as gerações anteriores podem nunca ter imaginado".

Comentando o relatório, Margaret Chan, diretora-geral da OMS, destacou que o envelhecimento da população está a "acelerar rapidamente" em todo o mundo, realçando que, pela primeira vez na história, a maioria das pessoas poderá esperar viver além dos 60 anos, o que trará consequências"profundas" na saúde e nos sistemas de saúde.

Para Chan, o relatório responde aos desafios ao recomendar mudanças igualmente profundas na maneira de formular políticas em saúde e prestar serviços de saúde às populações que estão envelhecendo.

"O relatório baseia suas recomendações na análise das mais recentes evidências a respeito do processo de envelhecimento, e observa que muitas perceções e suposições comuns sobre as pessoas mais velhas são baseadas em estereótipos ultrapassados.

"Como mostra a evidência, a perda de habilidade comummente associada ao envelhecimento está apenas vagamente relacionada com a idade cronológica das pessoas. Não existe um ‘idoso típico’", frisou.

Segundo Chan, embora a maior parte dos mais idosos apresente múltiplos problemas de saúde com o passar do tempo, a idade avançada "não implica dependência".

"Ao contrário do que se pensa, o envelhecimento tem muito menos influência nos gastos com atenção à saúde do que outros fatores, inclusive os altos custos das novas tecnologias médicas", acrescentou a diretora-geral da OMS.

A mensagem do relatório, prosseguiu, é "otimista", uma vez que, criadas novas políticas, o envelhecimento da população pode ser considerado uma "preciosa oportunidade" tanto para as pessoas como para as sociedades.

"Do princípio ao fim, o relatório usa exemplos de experiências de diferentes países para ilustrar como problemas específicos podem ser abordados através de soluções inovadoras. Os temas explorados variam desde estratégias para prestar atenção integral e centrada nas pessoas, às populações mais velhas, às políticas que permitam que os adultos maiores vivam com conforto e segurança e às maneiras de corrigir os problemas e injustiças inerentes aos sistemas atuais de atenção a longo prazo", defendeu.

Na opinião de Chan, o relatório "tem potencial" para transformar a forma como os formuladores de políticas e prestadores de serviço veem o envelhecimento da população.

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