Agência Europeia do Ambiente
As zonas balneares europeias com qualidade excelente atingem 83,8% do total das 21.500 controladas, estando Portugal pouco...

O relatório da entidade europeia (EEA na sigla em inglês), baseia-se em amostras recolhidas em 21.582 zonas balneares, da costa e do interior, em 2015, por cada um dos Estados membros da União Europeia (UE), Suíça e Albânia, mas pretende ser indicativo para a situação deste ano.

Os banhistas europeus e os visitantes destas zonas de lazer podem encontrar mais de 90% de águas com excelente qualidade em oito países - Luxemburgo (na totalidade), Chipre, Malta, Grécia, Croácia, Itália, Alemanha e Áustria.

Ao contrário, escreve o Sapo, foram encontradas 385 zonas balneares com má qualidade, embora o seu peso no total tenha caído para 1,6%, quando em 2014 era de 1,9%, um conjunto liderado pela Itália e França, com 95 casos (1,7% e 2,8% do total, respetivamente) e Espanha, com 58 situações (2,6%).

A qualidade melhorou de má para, pelo menos, suficiente em 125 casos - França (32 locais), Itália (24) e Espanha (20), enquanto movimento contrário, de deterioração, sucedeu em 76 situações - França, Espanha, Itália e Holanda.

Itália é o país com o maior número de zonas balneares, atingindo 5.518, e o Luxemburgo com menos, ficando nas 11.

Em Portugal foram controladas 569 zonas balneares, mais que 11 que no ano anterior, e 481 delas apresentavam uma qualidade "excelente", a que se juntam 55 com "boa" e 12 com "suficiente", totalizando 96,3% com nota positiva.

Com "má qualidade" são indicados três locais portugueses (0,5% do total), metade daqueles registados no relatório de 2015, dois deles na Madeira (praia do Gorgulho e Poças do Gomes, no Funchal) e uma no centro do país (Jardim de Oudinot, em Ílhavo).

Para estas praias, a diretiva europeia diz que devem ser avançadas medidas como a proibição de banhos, identificação das causas para a poluição e ações para prevenir, reduzir ou eliminar as causas da contaminação.

O documento da EEA acrescenta ainda que para 18 zonas não foi possível ter a classificação das suas águas.

Em 2015, mais de dois terços das zonas balneares europeias monitorizadas eram praias costeiras, sendo as restantes 31% rios ou lagos.

Em Portugal, as praias de mar são 460, e destas 90% são excelentes e três más, e as zonas internas são 109, das quais 63,3% tiveram a nota máxima.

A EEA recorda que 2015 foi o primeiro ano em que todos os países da UE monitorizaram as zonas balneares, seguindo a diretiva para esta área, com a classificação a depender dos níveis de concentração de enterococos intestinais e a Escherichia coli (E.coli), bactérias que podem indicar a existência de poluição e causar problemas de saúde.

Para o comissário europeu para o Ambiente, Karmenu Vella, a situação atual deve-se a "40 anos de investimentos em infraestruturas para tratar a água e as águas residuais, é um sinal de que a legislação europeia está a resultar e um testemunho de que uma economia altamente desenvolvida pode ter igualmente altos níveis ambientais".

Ministro da Saúde
O ministro da Saúde afirmou que uma redução de 15 a 20 por cento da despesa com os convencionados, orçada em mil milhões de...

Adalberto Campos Fernandes, que está a ser ouvido na Comissão Parlamentar de Saúde, sobre a política do setor, não se mostrou contra o recurso ao setor convencionado, que “é bom e gera emprego”, mas criticou a relação de dependência deste em relação ao Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Sem especificar se vai avançar com cortes neste setor, o ministro disse ver com bons olhos uma redução de 15 a 20 por cento anuais desta despesa (o que representaria uma poupança de 150 milhões de euros a 200 milhões de euros por ano), a qual “não comprometia em nada o crescimento do setor”.

Ainda sobre o recurso aos privados, Adalberto Campos Fernandes criticou a dependência destes em relação ao Estado e apontou o exemplo de Coimbra, onde existe um centro hospitalar universitário, que é a unidade do SNS que emite mais cheques de cirurgia (para operações no privado, por alegada falta de resposta no público).

“Isto é mau uso do dinheiro público e uma afronta aos contribuintes”, declarou.

Sobre a reposição das 35 horas, sobre a qual foi questionado por vários deputados, o ministro garantiu que esta entrará em vigor a 01 de julho e que em relação a esta matéria “não há nenhum drama nem novidade”.

“O que disse está dito. O que está dependente da iniciativa legislativa é um detalhe de afinamento da forma como a medida vai ser implementada”, disse Adalberto Campos Fernandes durante uma audição que decorre na Comissão Parlamentar da Saúde sobre a política geral do ministério e outros assuntos de atualidade.

Segundo o ministro, estes ajustamentos estão a ser feitos com a ajuda dos sindicatos.

Adalberto Campos Fernandes disse ainda que, nesta matéria, falar de 35 ou 40 horas na saúde não é a mesma coisa do que falar de um outro trabalho administrativo.

“No caso dos enfermeiros, é da mais elementar justiça” a reposição das 35 horas, disse.

Biénio 2016-2018
Luís Campos, diretor do serviço de Medicina Interna do Hospital de S. Francisco Xavier - Centro Hospitalar Lisboa Ocidental,...

A nova direção é, de resto, composta pelos internistas António Oliveira e Silva, Lelita Santos e Rui Victorino (vice-presidentes), João Sá (presidente da Assembleia Geral), Armando Carvalho e Fernando Salvador (vogais da Assembleia Geral), João Araújo Correia (secretário-geral), Vasco Barreto, Luis Costa Matos e Ana Sofia Duque (secretários adjuntos), Jorge Crespo (tesoureiro), Olga Gonçalves (presidente do Conselho Fiscal), Vitor Branco e Nuno Bernardino Vieira (vogais do Conselho Fiscal).

O novo presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), Luís Campos, explica que “a nova direção quer afirmar a Medicina Interna em Portugal como uma especialidade nuclear para dar resposta aos doentes do futuro, rasgando novos horizontes para os internistas, particularmente os mais jovens. Isto vai depender, obviamente, da nossa capacidade, da nossa qualidade e da nossa ação, mas é esta a nossa visão para o mandato desta direção”. Manifesta também “total abertura para colaborar com os decisores de saúde para encontrar novas soluções que melhorem a qualidade e a eficiência dos cuidados hospitalares e para uma melhor articulação com os cuidados primários numa resposta integrada aos doentes crónicos”.

Entre as prioridades eleitas pela nova direção da SPMI para o seu mandato destacam-se:

·         Conhecer a realidade da Medicina Interna em Portugal;

·         Melhorar a atividade editorial e a divulgação das atividades da Medicina Interna;

·         Promover a visibilidade da Medicina Interna;

·         Aumentar a capacidade formativa no âmbito da SPMI;

·         Promover a afirmação científica da Medicina Interna e as atividades de investigação;

·         Contribuir para a manutenção da Medicina Interna como disciplina nuclear do ensino pré-graduado e dos serviços de Medicina como locais preferenciais de formação;

·         Fomentar a cooperação com as sociedades congéneres e organizações internacionais;

·         Contribuir para que a especialidade de Medicina Interna se torne mais atrativa para os internos.

As marcas distintivas da Medicina Interna são a competência na avaliação, no diagnóstico e no tratamento de doentes adultos, das doenças agudas e das doenças crónicas, dos diagnósticos difíceis e das doenças sistémicas, garantido a continuidade do processo assistencial. Os valores que regem a especialidade são o profissionalismo, o rigor intelectual, a formação contínua, a gestão da informação, a capacidade de adaptação a novas realidades e a resposta a novos desafios, a capacidade de liderança, a procura da qualidade e da melhoria contínua e, principalmente, o compromisso com o doente e com o bem público.

Ministro da Saúde
O ministro da Saúde anunciou que vão ser banidas das instituições do Serviço Nacional de Saúde as máquinas de dispensa de...

Adalberto Campos Fernandes falava na Comissão Parlamentar da Saúde, onde está a decorrer uma audição sobre política geral do ministério e outros assuntos de atualidade.

De acordo com o ministro, a publicação desta orientação “está por dias” e visa dar o exemplo de “boas práticas alimentares”, pelo menos nas instituições do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Dia Mundial da Tiroide
Cerca de 200 milhões de pessoas, em todo o mundo, apresentam alguma forma de doença da tiroide.

“O melhor cancro que se pode ter”.  Esta é uma citação que é comum ouvir aos cirurgiões que tratam cancros e que, em suma, quer dizer que a termos um cancro que seja um bem diferenciado da tiroide.

A GLÂNDULA TIROIDE

A tiroide é uma glândula endócrina em forma de borboleta localizada na parte anterior e inferior do pescoço, sobre a traqueia. Tem dois lobos e o istmo que os une.

A sua função é, a partir do iodo que é absorvido no tubo digestivo, formar hormonas tiroideias, tiroxina (T4) e Triiodotironina (T3), que são depois libertadas na corrente sanguínea para todos os órgãos e tecidos do corpo. Esta função está dependente de  um mecanismo de autoregulação, que envolve a produção de TRH (Thyrotropin Releasing Factor) no hipotálamo, e de TSH (Thyrotropin Stimulating Hormone) na hipófise, que se localizam no cérebro.

As principais doenças da tiroide relacionam-se com a alteração da sua função, decorrente da alteração da sua produção hormonal, ou com a alteração da sua forma ou estrutura, decorrente do seu aumento de dimensão e/ou formação de nódulos.

As alterações funcionais denominam-se hipertiroidismo e hipotiroidismo, conforme há aumento ou diminuição da produção das hormonas circulantes (T3 e T4). Estas doenças são pouco frequentes e são habitualmente tratadas por Endocrinologia. Em alguns casos, o tratamento pode ser cirúrgico.

O aumento da dimensão da tiróide denomina-se bócio e é a alteração mais frequente da tiroide. Há vários tipos de bócio. O tratamento a realizar vai depender do tipo de bócio. O tratamento é frequentemente cirúrgico. Há, no entanto, muitos casos em que não é necessário qualquer tratamento, apenas vigilância clinica.

Os nódulos da tiroide são muito frequentes. A maioria (80%) são benignos e não têm qualquer importância clinica, ou seja, não originam qualquer tipo de sintomas e não precisam de qualquer tipo de tratamento.

Os nódulos da tiroide podem ser malignos (cancro da tiróide), e neste caso o seu tratamento é obrigatório.

Por este facto, vamos debruçar-nos mais sobre esta doença.

CANCRO DA TIROIDE

É raro e muito tratável.

Na maior parte dos casos é curado com cirurgia ou cirurgia seguida de iodo radioactivo.

Mesmo nos casos mais avançados é possível fazer-se um tratamento eficaz e bem tolerado.

Em geral o prognóstico do cancro da tiroide é excelente. Nos cancros pequenos, em doentes com menos de 45 anos e com  histologia de carcinoma papilar a cura aos 10 anos é cerca de 100% . Geralmente não dão sintomas.

As análises não ajudam no diagnóstico de cancro da tiróide.

O melhor método de despistar a existência de cancro da tiroide é ficarmos seguros que não existe nenhum nódulo na glândula, pelo exame físico realizado por um médico.

Muitos são detectados por acaso, por Ecografia ou TAC realizados por outros motivos. Não há, no entanto, indicação para fazer “ecografia de rastreio”.

Ocasionalmente é o próprio doente que  detecta um nódulo no pescoço.

O cancro da tiroide é mais comum nas pessoas que receberam radiação em altas doses na região da cabeça ou pescoço para tratamento de outras doenças, pessoas expostas a radiação nos desastres nucleares como Chernobyl e Fukushima, pessoas que têm história familiar de cancro da tiróide e que têm mais de 40 anos.

O diagnóstico definitivo é feito apenas após a cirurgia, pelo exame histológico da peça operatória. No entanto, a Ecografia e principalmente a Citologia Aspirativa realizadas antes da cirurgia para estudar o nódulo, dão-nos informações muito importantes, fundamentais para tomar a decisão de operar.

Existem 4 tipos de cancro da tiroide:

Carcinoma papilar. É o mais comum – 70 a 80%. Tem crescimento lento e pode disseminar para os gânglios linfáticos do pescoço. É o que tem melhor prognóstico.

Carcinoma folicular – 10 a 15% e geralmente aparece em doentes mais velhos que o carcinoma papilar. Pode disseminar para os gânglios linfáticos mas também pelos vasos sanguíneos para os pulmões e ossos

Carcinoma medular: 5 a 10% dos cancros da tiroide. Tem incidência familiar e pode estar associado a outos problemas endócrinos.

Carcinoma anaplástico: Felizmente raro, menos de 2%. O tipo mais agressivo e com poucas respostas ao tratamento.

O tratamento do cancro da tiroide  é cirúrgico: Tiroidectomia total com ou sem exérese dos gânglios linfáticos adjacentes. Em casos seleccionados a exérese de um só lobo da tiroide é suficiente.

Geralmente só a cirurgia é suficiente para curar o cancro.

Em casos seleccionados deve associar-se terapêutica com iodo radioactivo para destruição de tecido tiroideu restante após a cirurgia.

As principais complicações da cirurgia da tiroide relacionam-se com a  lesão de estruturas próximas da glândula, como as glândulas paratiróides, os nervos laríngeos recorrentes e laringeos superiores. A lesão destes nervos pode condicionar uma alteração da voz e a lesão das glândulas paratiróides pode condicionar uma falta de cálcio no sangue.

Após tratamento os doentes devem ser avaliados regularmente pelo Cirurgião e ou Endocrinologista.

Os doentes sujeitos a tiroidectomia total necessitam de fazer terapêutica com Levotiroxina  (Letter; Thyrax; Eutirox;) para toda a vida em doses que irão sendo ajustados face ao valor do TSH. Poderão também ter que tomar comprimidos de cálcio, se houver lesão das paratiróides.

O seguimento dos doentes é feito realizando exame físico regular, análises, com doseamento de T4, TSH, Tireoglobulina e anticorpos anti-tireoglobulina, e ecografia cervical. A frequência destes exames é definida pelo seu médico.

 

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Dia Mundial da Esclerose Múltipla
A esclerose múltipla é uma doença crónica inflamatória desmielinizante e degenerativa do sistema ner

A distribuição da doença no mundo parece ser mais complexa do que se supunha no passado, mas em termos gerais, parece seguir o chamado “gradiente de latitude” baseado no facto da prevalência da esclerose múltipla em regra aumentar conforme nos afastamos do equador. Em Portugal, estima-se uma prevalência de cerca de 50 por 100.000 habitantes.

Existe uma larga evidência científica sugerindo que a esclerose múltipla seja uma doença autoimune, embora a sua causa primária, tal como doutras doenças autoimunes, permaneça desconhecida.

Os dados biológicos e epidemiológicos existentes confirmam a existência de susceptibilidade genética para a esclerose múltipla, parecendo igualmente inequívoco o papel de fatores ambientais entre os quais se salientam a exposição solar / vitamina D, o fumo do tabaco e os agentes infecciosos, nomeadamente o vírus Epstein-Barr.

Classicamente, são consideradas duas formas de apresentação: a forma surto-remissão e a primária progressiva. O chamado síndrome clínico isolado corresponde a um primeiro episódio de doença desmielinizante afetando o sistema nervoso, sugestivo de esclerose múltipla, mas sem critérios para o seu diagnóstico definitivo.

Os surtos são eventos agudos em que se instalam novos défices neurológicos ou existe um agravamento significativo dum défice já existente, seguindo-se habitualmente recuperação frequentemente completa.

As queixas / défices apresentados pelo doente irão depender de quais as estruturas do sistema nervoso afetadas durante cada surto.

Passado um número variável de anos, uma percentagem significativa dos doentes com a forma surto-remissão assume um curso progressivo, com ou sem sobreposição de surtos, a chamada forma secundária progressiva.

Na ausência dum teste específico da esclerose múltipla, o diagnóstico continua a ser efetuado por meio de critérios clínicos, suportados por exames complementares, nomeadamente a ressonância magnética, se bem que o exame do líquido cefalorraquidiano continue a ter o seu papel.

Uma caraterística da doença é a sua grande variabilidade de doente para doente, desde casos ditos benignos com uma longa evolução praticamente assintomáticos, ao outro extremo de casos evoluindo rapidamente para um grau elevado de incapacidade.

O grau de incapacidade determinado pelos défices acumulados é habitualmente quantificado pelos neurologistas de acordo com uma escala designada EDSS (“Expanded Disability Status Scale”), em que 0 significa um exame normal e 10 morte por esclerose múltipla.

As pontuações de 4 e de 6 são usadas como etapas importantes da doença, podendo o tempo de duração para se atingir essas pontuações ser considerado como um indicador de progressão.

O indicador dum EDSS 4 é tanto mais importante porque hoje se considera que o tempo desde o início da doença até se atingir um EDDS 4 corresponde ao período de grande variabilidade individual da progressão da doença. Uma vez atingido um grau de incapacidade correspondente a um EDSS 4, a evolução da doença e respetiva progressão de incapacidade passa a ser bastante uniforme entre os doentes. Na prática, esse período corresponde também à chamada janela terapêutica, isto é o período durante o qual as terapêuticas poderão influenciar a evolução da doença, se bem que quanto mais cedo se iniciar a terapêutica, melhor.

A terapêutica na esclerose múltipla incide fundamentalmente em dois aspetos: tratamento sintomático e tratamento modificador da evolução da doença. São exemplos da primeira categoria os fármacos para a espasticidade, fadiga e incontinência urinária, entre outros.

Quanto à segunda categoria, para além dos benefícios duma dieta saudável, prática regular de exercício físico e abstinência tabágica, existe já uma experiência substancial com alguns fármacos injetáveis, os interferons (interferão ß-1a intramuscular e subcutâneo, interferon ß-1b) e o acetato de glatirâmero, a que se juntaram recentemente os chamados fármacos orais (fumarato de dimetilo e teriflunomida) com indicação de primeira linha para o tratamento da forma surto-remissão, e para os casos mais graves o natalizumab, fingolimod e alemtuzumab.

Vários outros fármacos estão em desenvolvimento e/ou já em fase de aprovação.

O benefício de todos estes fármacos reflete-se sobretudo na diminuição no número de surtos e de novas lesões na ressonância magnética e numa diminuição de progressão da incapacidade, especialmente quando iniciados precocemente na evolução da doença.

Torna-se, portanto, essencial reconhecer precocemente perfis evolutivos menos favoráveis e/ou de previsível insucesso com as terapêuticas ditas de primeira linha, para adequar as medidas terapêuticas da forma mais eficiente possível à situação clínica do doente individual.

Os estudos epidemiológicos e da história natural da doença identificaram um conjunto de variáveis clínicas que permitem precocemente, no início da doença, elaborar uma previsão, em termos populacionais, da progressão da doença a longo termo, salientando-se: o género, idade no início da doença, sintomas iniciais e perfil evolutivo (surto-remissão versus progressivo), grau de recuperação do surto inicial e número de surtos nos 5 primeiros anos de doença.

Presentemente, a ressonância magnética não só é o melhor marcador em termos de previsão prognóstica a longo termo (o número de lesões na ressonância magnética inicial, volume lesional e atrofia cerebral, são bons exemplos), como ainda, em associação com o número de surtos no primeiro ano, permite prever o insucesso de tratamento com os fármacos de primeira linha.

Em conclusão, a esclerose múltipla é uma doença do sistema nervoso central crónica e incapacitante, afetando principalmente adultos jovens, de causa desconhecida de provável natureza autoimune, com apresentação tipicamente por surtos e remissões, e para a qual existe já um arsenal terapêutico (e em franco crescimento) que, se devidamente utilizado, poderá minimizar os malefícios da doença e melhorar a qualidade de vida do doente com esclerose múltipla.

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Escola Superior de Enfermagem de Coimbra organiza
A Escola Superior de Enfermagem de Coimbra organiza, nos dias 27 e 28 de maio, o seminário “Enfermagem de Reabilitação e Lesão...

Neste seminário, a ter lugar nas instalações da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (Polo B, em S. Martinho do Bispo), serão abordados diversos conteúdos que suportam os cuidados de Enfermagem às pessoas com lesão medular, alguns de natureza generalista e outros específicos para o enfermeiro de Reabilitação.

O encontro insere-se nas atividades pedagógicas da unidade curricular de “Enfermagem de Reabilitação em Neurotraumatologia” afeta aos cursos pós-graduados em Enfermagem de Reabilitação da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC).

No seminário participarão, na qualidade de oradores, profissionais da ESEnfC, do Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro Rovisco Pais, do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e do Centro Hospitalar do Porto.

Para mais informações podem os interessados aceder ao sítio do “Enfermagem de Reabilitação e Lesão Medular” na Internet, em www.esenfc.pt/event/erlm, o mesmo espaço reservado às inscrições no evento.

A ESEnfC assinala, em 2016, os 135 anos de ensino de Enfermagem em Coimbra e em Portugal, além dos dez anos de fusão das duas instituições de ensino superior que lhe deram origem: as anteriores escolas Dr. Ângelo da Fonseca e de Bissaya Barreto.

Projeto pioneiro
Seis países europeus estão envolvidos num projeto à escala mundial de estudo da doença de Parkinson para desenvolverem um teste...

O trabalho, apoiado com fundos da União Europeia, tem a Faculdade de Motricidade Humana como um dos parceiros e pretende criar o primeiro teste de deteção precoce da doença de Parkinson, já que tal permitirá mais qualidade de vida aos doentes, como o coordenador do projeto em Portugal, José Alves Diniz.

Além de Portugal participam no projeto instituições ligadas à saúde e à tecnologia da Grécia, Bélgica, Alemanha, Suécia e Reino Unido, todos presentes nas reuniões de Lisboa (uma delas hoje), as primeiras depois de uma reunião na Grécia quando da constituição do consórcio, em fevereiro passado.

São ao todo 11 organizações, desde universidades a centros de pesquisa e de tecnologia, que vão trabalhar quatro anos no i-Prognosis, para criar um diagnóstico precoce da doença mas também desenvolver intervenções que melhorem a qualidade de vida do doente.

José Alves Diniz, também presidente da Faculdade de Motricidade Humana, explicou que os trabalhos estão em fase inicial mas que se pretende criar uma plataforma à qual as pessoas podem aderir através de uma aplicação de um telemóvel ou tablet, por exemplo.

A aplicação vai medir a forma como as pessoas usam o teclado e a voz (não o conteúdo das conversas mas o tom) e detetar alterações que possam indicar o início da doença. Em caso positivo (de possível deteção) as pessoas são aconselhadas a procurar um médico.

O alvo são pessoas com mais de 55 anos mas o número de adesões ou a origem não tem limite, explicou o professor, explicando que o processo é todo automático e nunca está em causa a privacidade dos participantes.

“O diagnóstico da doença só se faz com alguns testes, que só têm capacidade de a detetar numa fase já muito avançada, e por isso fica limitada a capacidade intervenção para retardar os sintomas”, disse o responsável, para quem o sucesso do trabalho, em termos de adesão, pode levar a que no futuro esses sintomas possam ser detetados precocemente. “É importante este contributo para o futuro”, afirmou.

A doença de Parkinson é progressiva e incapacitante e não tem cura. É causada pela perda de células cerebrais específicas e caracteriza-se por tremores e outros problemas motores, afetando 63 milhões de pessoas no mundo, sendo mais comum nos países ocidentais,

“Termos uma forma objetiva e mais fácil e capaz de detetar a doença mais precocemente será um avanço significativo relativamente a futuros doentes”, disse José Alves Diniz, para quem o projeto de investigação permite também o aconselhamento das pessoas, quer em termos de alimentação ou atividade física, quer em termos de interação com o médico.

“Uma vertente do projeto são também as recomendações que são criadas, no sentido por exemplo de retardar os sintomas mais graves”, explicou.

Das organizações que participam, incluindo especialistas em Parkinson ou em envelhecimento, Portugal está representado pela Faculdade e pela empresa Plux, da área da investigação e tecnologia aliada à saúde

A doença de Parkinson afeta pessoas que por norma têm mais de 55 anos e não tem cura nem forma de a reverter. Tem como alguns dos primeiros sintomas a prisão de ventre, perda de olfato, distúrbios do sono e depressão e dor.

A pedido do PAN
A inclusão de comida vegetariana nas cantinas públicas vai ser debatida no parlamento, a 16 de junho, a pedido do PAN - Pessoas...

O debate foi marcado depois de o PAN ter recorrido ao agendamento potestativo, direito regimental que permite a um partido "forçar" a discussão de um tema no plenário do parlamento.

Em março, o PAN entregou na Assembleia da República uma petição com cerca de 12.000 assinaturas validadas, a defender a inclusão de refeições vegetarianas nas escolas, nas universidades e nos hospitais.

O partido considera, numa nota de imprensa hoje divulgada, que a medida, a ser aplicada, impede a discriminação das pessoas que já seguem a dieta.

Segundo o PAN, as crianças e os jovens "sentem-se muitas vezes discriminados nas escolas, pelos colegas, professores e auxiliares, por comerem comida diferente, necessariamente trazida de casa".

O partido justifica-se, ainda, citando a Direção-Geral da Saúde, com "os benefícios de uma alimentação baseada em produtos de origem vegetal".

Em 2015
A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa apresentou resultados positivos de 5,8 milhões de euros em 2015, uma subida de 17,6% em...

De acordo com o relatório & Contas 2015 da instituição, as receitas registaram em 2015 um aumento de 8,1 %, face a 2014, para um montante de 216,7 milhões de euros.

O documento assinala um aumento das receitas correntes em 8,1%, nomeadamente as provenientes da área da Ação Social e do Património, que subiram respetivamente 3,8% e 56%.

Pelo contrário, registou-se uma quebra nas receitas na área da Saúde (-7,4%) resultante principalmente da redução nas prestações de serviços e do impacto decorrente das quebras de resultados das aplicações financeiras.

“A exploração, designadamente das unidades hospitalares, continua a apresentar resultados negativos, por efeitos do tipo de cuidados prestados. Ainda assim, o resultado líquido negativo foi inferior ao registado no ano transacto, nomeadamente no CMRA [Centro de Medicina de reabilitação de Alcoitão], que obteve uma melhoria de 1 milhão de euros no resultado líquido”, é assinalado.

A instituição registou em 2015 uma redução global nas despesas para 198 milhões de euros, “dos quais 17,9 milhões de euros foram despesas correntes com estabelecimentos cedidos pelo Instituto da Segurança Social”, para resposta social pública na grande Lisboa.

Tratou-se de um corte nas despesas correntes de 1,5% em 2015 face ao ano anterior, “o que acontece pela primeira vez desde o início da Grande Crise Financeira de 2008”, é descrito no documento.

A despesa realizada verificou-se sobretudo na Ação Social (59%) e na Saúde (22%). Quase 20 milhões do total da despesa são referentes a despesas com estabelecimentos cedidos pelo Instituto de Segurança Social.

Apesar do crescimento económico de 1,5% registado em 2015, segundo o relatório, não se verificou nesse ano uma diminuição de procura de ajuda junto da Santa Casa.

A Santa Casa destaca ainda uma redução de 10% nas despesas com fornecimento e serviços externos em 2015, face a 2014.

Em relação a 2014, registou-se um decréscimo de 8,4 milhões de euros no investimento.

No entanto, verificou-se o aumento em 31,8%, relativamente a 2014, no investimento realizado na área do Património, que incluiu a aquisição do Hospital Militar da Estrela por 14,9 milhões de euros.

Bial
O Governo solidarizou-se com a Bial e manifestou confiança naquela farmacêutica, estimulando-a a prosseguir a investigação e...

“A Bial, sendo uma das mais relevantes empresas portuguesas no domínio da inovação, tem a confiança e a solidariedade do Governo Português, bem como o estímulo para prosseguir a investigação e desenvolvimento em projetos de relevante contributo para a economia portuguesa e para o bem-estar dos cidadãos e dos doentes”, afirma o Ministério da Economia em comunicado.

Não obstante, afirma estar a “acompanhar com especial atenção” o desenvolvimento do incidente ocorrido em janeiro, em Rennes, França, com uma molécula experimental do laboratório.

O Governo sublinha que o relatório publicado na segunda-feira pela Inspection Générale des Affaires Sociales (IGAS) reafirmou a regularidade do protocolo do ensaio e confirmou que não foram detetados quaisquer sinais prévios que pudessem ter previsto o sucedido na fase pré-clínica, realçando o caráter inesperado e imprevisível dos acontecimentos.

Até ao momento, ainda não foram determinadas as causas concretas do acidente.

“O Governo Português aguarda que a divulgação, que se deseja para breve, dos relatórios médicos de todos os voluntários, dos dados da autópsia do voluntário que lamentavelmente faleceu, bem como dos procedimentos levados a cabo pelo Centro Hospitalar de Rennes, possam ajudar a esclarecer as reais razões deste acontecimento”, acrescenta o Ministério da Economia.

O Governo francês afirmou na segunda-feira que o laboratório português Bial e a empresa especializada Biotrial “têm responsabilidade, de várias formas” no ensaio clínico em que morreu um voluntário e exigiu um plano de ação que impeça a repetição das “falhas graves”.

A 17 de janeiro, Guillaume Molinet, de 49 anos, morreu durante um ensaio clínico realizado em Rennes pela empresa especializada Biotrial, enquanto testava para o laboratório português Bial uma molécula que atuava sobre o sistema nervoso.

Outros cinco voluntários tiveram também de ser hospitalizados e alguns deles apresentam ainda sequelas neurológicas decorrentes dos testes com aquela substância que tinham sido validados pela Agência Nacional de Segurança do Medicamento (ANSM).

Morte súbita
A Sociedade Portuguesa de Cardiologia escolhe o mês de maio, mês do coração, para alertar para a realidade da morte súbita em...

Em Portugal, em média, cerca de 10 mil pessoas deverão sofrer morte súbita cardíaca, tendo em conta os números da mortalidade cardiovascular anual. A prevalência desta situação clínica é superior em faixas etárias mais avançadas, muito embora se possa registar em jovens com doença cardíaca hereditária. Cerca de 20% da mortalidade global da população ocorre como morte súbita e aproximadamente metade das mortes cardiovasculares devem-se a episódios de morte súbita.

A questão essencial para a Sociedade Portuguesa de Cardiologia é que, inúmeros casos de morte súbita poderiam ter sido evitados se manobras de reanimação imediatas tivessem sido aplicadas. Tal seria possível se a generalidade dos cidadãos, tivesse sido treinada para tal, independentemente da faixa etária ou grau de diferenciação. Em alguns países o treino de “suporte básico de vida” (SBV) é ensinado nas escolas, como parte do programa curricular , há mais de 20 anos. A par desta formação, recorrente e obrigatória nas escolas, a sensibilização de todos os cidadãos para a importância desta aprendizagem e treino, reveste-se de particular importância, devendo ser assumida coletiva e individualmente.

Finalmente a disponibilização de equipamento apropriado, denominado DAE (desfibrilhador automático externo) em locais públicos, de maior concentração de pessoas, como recintos desportivos, grandes superfícies comerciais, aeroportos ou até mesmo na via publica deve ser considerado requisito básico de segurança.

A verdade é que ainda não existem medidas ou legislação que suportem estes objetivos, sendo por isso importante sensibilizar os governos e a sociedade civil para esta realidade.

Garantir que o cidadão comum sabe reanimar e compreende os princípios práticos e básicos do suporte básico de vida, é garantir que, nos momentos seguintes a um episódio de morte súbita, a vítima possa ser reanimada e assim uma vida possa ser salva.

Salvar vidas é tarefa dos médicos, é certo!. Mas, muito mais vezes do que se possa pensar, a possibilidade de salvar uma vida em risco de morte súbita, pode estar nas mãos do cidadão comum.

O cardiologista Prof. Mário Oliveira, Cardiologista e Arritmologista, Vice-Presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, esclarece algumas questões essenciais inerentes a este tema:

O que é a morte súbita?
A morte súbita é a morte que ocorre de forma inesperada no espaço de uma hora, ou até uma hora depois de se iniciarem os sintomas.

Qual a prevalência da morte súbita em Portugal?
20% da mortalidade global da população ocorre por morte súbita. Cerca de metade das mortes cardiovasculares devem-se a episódios de morte súbita.

Quais são os fatores de risco associados aos episódios de morte súbita?
Distinguem-se 3 grandes fatores de risco que determinam a grande maioria dos episódios de morte súbita, nomeadamente:

• Sobreviventes de enfarte – que ficam com uma cicatriz no coração e essa cicatriz pode originar arritmias malignas (culminando em morte);

• Pessoas com insuficiência cardíaca – que pode resultar quer de doença primária do músculo cardíaco, quer secundariamente a doença das válvulas ou das artérias coronárias. Independentemente da causa que motivou a insuficiência cardíaca, esta pode provocar o aparecimento de arritmias malignas e assim levar à morte súbita ;

• Doenças Cardíacas Hereditárias e/ou Elétricas – Doenças hereditárias do músculo cardíaco como a Miocardiopatia Hipertrófica ou doenças elétricas do coração como o Síndrome de Brugada, são alguns exemplos.

Em alguns tipos de doenças que podem provocar a morte súbita, o coração é estruturalmente normal, ou seja não há doença das válvulas nem do músculo cardíaco, como por exemplo no Sindrome de Brugada, tornando muito difícil o diagnóstico prévio ao episódio de morte súbita.

Que medidas de prevenção podemos destacar?
A medicina tenta identificar as pessoas com maior probabilidade de sofrer um ataque de Morte Súbita. Uma vez identificado um individuo com alto risco de morte súbita, deverá ser implantado um Cardioversor Desfibrilhador Interno (CDI). Este aparelho atua monitorizando o coração e, caso ocorra uma arritmia maligna, o aparelho estimula o coração, parando a arritmia.

Nos casos em que o doente não possui antecedentes cardiovasculares, mas tem critérios de risco para implantar um CDI, diz-se estar perante um caso de prevenção primária.

Quando o doente já sobreviveu a um evento cardiovascular arrítmico identificamos o caso como prevenção secundária.

O Presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, Dr. Miguel Mendes, comenta a realidade Portuguesa e esclarece a posição da Sociedade face a este tema.

O que podemos fazer para diminuir o número de mortes súbitas em Portugal?
A Sociedade Portuguesa de Cardiologia tem quatro eixos de atuação que garante que irão ser apresentados à tutela e que passam pela sensibilização para a alteração de algumas conjunturas que podem ser determinantes para a redução do número de mortes súbitas em Portugal:

- No sistema de ensino deveria ser ensinado Suporte Básico de Vida e noções básicas de saúde cardiovascular por forma a garantir a educação das crianças e jovens, desde cedo, nesta matéria;

- A sociedade civil deverá estar mais alerta para o que pode significar para o cidadão comum ter Formação em Suporte Básico de Vida , procurando formação em SBV, podendo assim contribuir para que cada individuo esteja apto a salvar uma vida;

- A legislação e segurança inerente às provas de desporto deverá ser revista: A SPC defende que em todas as provas desportivas os atletas amadores recorram aos serviços médicos para avaliação cardiovascular. Além disso, consideramos que as organizações desse tipo de provas deveriam ser obrigadas a possuir meios de ressuscitação com DAE (desfibrilhador automático externo) local;

- Deverá ser assegurada a existência de “ sistemas de reanimação de emergência organizada”, em locais onde se verifiquem aglomerados de pessoas, como é o caso dos centros comerciais, estádios desportivos, locais destinados a eventos públicos, e mesmo naqueles onde a prática do esforço físico é verificada (como é o exemplo dos ginásios.)

A Sociedade Portuguesa de Cardiologia relembra ainda que, no mês de maio, mês em que, juntamente com a Fundação Portuguesa de Cardiologia, se tem alertado para a problemática da Insuficiência Cardíaca, que atinge todos os anos cerca de 400 mil Portugueses, a Morte Súbita surge como mais uma das consequências desta doença que não pode ser esquecida!

Outras informações:

O que é o Suporte Básico de Vida?
É um conjunto de manobras, com compressões torácicas (massagem cardíaca) e ventilações, que permite a manutenção da vida no indivíduo em paragem cardíaca, até à chegada dos socorristas.

O que significa, no contexto da Morte Súbita, ter uma formação em Suporte Básico de Vida?
Uma pessoa com formação em Suporte Básico de Vida pode sempre intervir rapidamente e ganhar minutos que podem ser essenciais para a vida, até que meios de socorro mais avançados cheguem.

Inspeção Geral das Atividades em Saúde
A inspetora-geral das Atividades em Saúde disse no Porto que “entre 10 a 25%” da despesa com medicamentos resulta de “más...

Leonor Furtado, que falava na abertura de um debate sobre “Fluxo Seguro no Medicamento”, referiu que foi realizada uma auditoria às farmácias hospitalares, direcionada à prescrição médica e à utilização racional do medicamento.

Segundo a responsável, essa auditoria iniciou-se em 2014 e decorreu durante todo o ano de 2015 e, na sequência dos resultados obtidos, estão a ser desenvolvidas este ano diversas ações inspetivas para “verificação de procedimentos”.

Essa auditoria abrangeu na altura 19 entidades – agrupamentos de centros de saúde e centros hospitalares. Neste momento, “temos a inspeção direcionada para 12 entidades”, afirmou.

“A inspeção faz a monitorização da prescrição, sendo certo que os nossos procedimentos abrangem cinco áreas: a seleção, a aquisição, a prescrição e dispensa e o armazenamento e distribuição”, acrescentou.

Na identificação desses cinco procedimentos “foram detetadas muitas fragilidades, sendo que provavelmente as fragilidades mais significativas são as que dizem respeito à aquisição e ao armazenamento, no fundo, à segurança do próprio medicamento”.

“Verificou-se que havia irregularidades e ineficiências que permanecem e que comprometem os princípios da boa gestão”, salientou.

Referiu que entre essas “fragilidades” estão, por exemplo, “a possibilidade de os fornecedores acederem aos armazéns, a existência de medicamentos fora de prazo em enfermarias e em armazém ou ainda a dispensa de medicamento em ambulatório sem confirmação da identidade do doente ou ausência de procedimentos escritos para a dispensa sem suporte legal”.

“A dispensa de medicamentos sem suporte legal representa, no Serviço Nacional de Saúde, alguns milhões e é uma má prática. Dizem muitas vezes que é uma questão social. Se é uma questão social tem de estar regulamentada, e não é muito difícil, se é mais do que isso, então temos de rever a forma como se está a proceder”, sustentou.

A responsável sublinhou que “os procedimentos têm de ser claros, transparentes, para se perceberem”.

“Por exemplo, numa determinada entidade onde foi feita a intervenção, os inspetores verificaram que chegou um guarda prisional com uma lista e o medicamento foi todo dispensado sem ninguém questionar a quem se destinava ou se os doentes existiam e, assim, em cinco segundos saíram 50 mil euros de medicamentos”, apontou.

No debate que contou com a presença de diretores clínicos, diretores de serviço, farmacêuticos hospitalares e administradores hospitalares, Leonor Furtado referiu ainda que com as ações que realiza a Inspeção Geral das Atividades em Saúde visa “contribuir para a sedimentação de hábitos de transparência e para uma cultura da rejeição de fraude, eliminação do desperdício e prevenção da corrupção”.

“Outro objetivo é exigir o respeito pelos procedimentos e licenciamentos na contratação e na distribuição de modo a evitar as assimetrias no tratamento dos vários fornecedores”, acrescentou.

O encontro, que decorreu na secção regional do Norte da Ordem dos Médicos, foi organizado pela Associação Portuguesa de Engenharia e Gestão da Saúde para discutir a segurança nos fluxos operacionais do medicamento envolvendo a prescrição, o controlo da prescrição, a aquisição, armazenamento, distribuição, manuseamento e dispensa.

Em Portugal
A Associação Portuguesa de Bioética apresenta no parlamento uma proposta de lei para criar um Conselho Nacional de...

O objetivo deste conselho será supervisionar e regular, de forma independente, a experimentação animal nos centros que pratiquem esse tipo de investigação.

O presidente da Associação de Bioética, Rui Nunes, lembra que já existem normas nacionais e comunitárias que regulam esta prática, mas afirma que “ninguém tem a certeza se são cabalmente cumpridas”.

“A meu ver é uma falha grave de supervisão”, declarou o perito em bioética, que entrega formalmente no parlamento a proposta de lei que estabelece a criação do Conselho Nacional de Experimentação Animal.

A proposta defende que o Conselho funcione junto da Assembleia da República, com total independência e isenção, sendo constituído por especialistas de diferentes ramos do conhecimento, “ de modo a que seja possível efetuar investigação em animais não apenas nos termos da lei, mas, sobretudo, de acordo com normas éticas universais de proteção do bem-estar animal”.

O Conselho teria ainda como missão, segundo a proposta de lei, a coordenação dos comités de ética das diferentes instituições de ensino e de investigação que utilizam animais com esta finalidade.

A Associação de Bioética propõe que o Conselho seja composto por 11 elementos, cinco deles eleitos pela Assembleia da República, dois nomeados pelos membros do Governo que tutelam a veterinária e a ciência e outras quatro pessoas designadas pela Ordem dos Médicos Veterinários, pela Ordem dos Médicos, pela Ordem dos Biólogos e pelos Conselhos de Reitores das Universidades Portuguesas.

Rui Nunes lembra que existem órgãos com funções similares, como o Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida, que regula a experimentação em embriões humanos, ou o Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, que se pode também pronunciar sobre experimentação humana em geral.

O presidente da Associação de Bioética considera que a criação deste Conselho de Experimentação Animal seria um sinal de maturidade da sociedade portuguesa, num momento em que “cresce sustentadamente a noção de que os animais merecem uma proteção acrescida”.

Os dados disponíveis indicam que, na União Europeia, todos os anos há 11 milhões de animais submetidos a experimentação científica. Não há números da realidade portuguesa, mais uma falha que Rui Nunes acredita que um Conselho independente podia ajudar a colmatar.

Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger promove
“Há coisas que não se veem” dá o mote à campanha de sensibilização que pretende melhorar a compreensão do autismo e a gestão na...
30 de maio a 5 de junho
Autarquia quer continuar a promover estilos de vida mais saudáveis.

De forma a promover estilos de vida mais saudáveis e alertar para questões fundamentais ligadas ao bem-estar e à saúde, Mangualde volta a dedicar uma semana a estas temáticas. A IV edição da ‘Semana da Saúde’ realiza-se de 30 de maio a 5 junho e é promovida pela Câmara Municipal de Mangualde, com o apoio da Unidade de Cuidados Continuados na Comunidade de Mangualde, Ginasium, Clínica CuidaMais, Tempo XL, Instituto Português do Sangue, Centro Bujutsu de Mangualde, IAM, Arqueiros de Viseu, OMB Grupo Ótico, CEM Nancy, AzurPhisiovida, CLDS 3G, MGLSK8CREW, Melom Nice&Easy, 5 Sentidos, Medela, Ana Francisca Mendes, João Gouveia, Jorge Gonçalves e José Paisana.

Durante toda semana as iniciativas dedicadas à população são várias: dádiva de sangue, workshops, rastreios, tertúlias, desporto, música, dança e muita animação. As iniciativas dividem-se por vários espaços mangualdenses. Para além disso, há dias dedicados a temas específicos com várias atividades direcionadas, nomeadamente o Dia da Saúde Ativa (30 de maio), Dia da Parentalidade Responsável (31 de maio), Dia Mundial da Criança (01 de junho), Dia da Promoção da Saúde (02 de junho), Dia da Prevenção da Doença (03 de junho) e o Fim de Semana em Movimento (4 e 5 de junho).

“Mais Saúde Já!”
“Mais Saúde Já!” é o nome da iniciativa, inédita em Portugal. O desafio foi lançado aos prestadores. Os cidadãos podem...

A associação de defesa do consumidor Deco lança uma campanha para conseguir consultas médicas a preços especiais.

O objetivo é proporcionar aos portugueses consultas de saúde oral, oftalmologia, nutrição e psicologia a preços mais acessíveis.

“Aquilo que fizemos foi um contacto com vários operadores no mercado e que dispõem uma rede de prestadores de cuidados a estes níveis. Queremos mais acesso, a um custo mais baixo, que seja comportável para os cidadãos que, por um lado, não estão isentos de taxas, mas cujo poder para pagar não lhes permite aceder àquilo que é hoje o custo da oferta privada no mercado”, explicou à Rádio Renascença Bruno Santos, da Deco.

“Mais Saúde Já!” é o nome da campanha, na qual os cidadãos interessados se podem inscrever até dia 25 de Junho, na página da associação na internet dedicada à iniciativa.

“Depois, quando anunciarmos a parceria ou o protocolo que viermos a estabelecer, no dia 28 de Junho, estas pessoas serão contactadas e receberão os termos e condições em que essa parceria será desenvolvida. Depois, decidem se querem ou não aderir ou aderir mais à frente”, indica o mesmo responsável da associação. 

Universidade do Minho
Utilizar a nanotecnologia para aumentar os resultados obtidos com alimentos funcionais - produtos enriquecidos com aditivos...

Os produtos criados serão incorporados em alimentos e testados num sistema gastrointestinal dinâmico, que simula a digestão no corpo humano.

A grande inovação deste projeto assenta no facto de procurar, utilizando a nanotecnologia, desenvolver produtos que aumentam a quantidade de compostos bioativos - vitaminas, probióticos e antioxidantes, entre outros – que são efetivamente absorvidos pelo corpo humano, aumentando, assim, a eficácia dos alimentos, escreve o Sapo.

Ao mesmo tempo, também se pretende que os novos produtos mantenham por mais tempo a chamada biodisponibilidade, ou seja, a velocidade e o grau com que uma substância ativa é absorvida a partir de um medicamento ou alimento e fica disponível dentro do corpo humano, explica a universidade em comunicado.

O projeto está organizado em quatro fases. O primeiro passo engloba a seleção das matérias-primas a utilizar na produção das nanoestruturas. Posteriormente, será feita a caracterização dos materiais selecionados em termos das suas propriedades físicas relevantes e serão efetuados testes de toxicidade e bioacessibilidade. Finalmente, os compostos produzidos serão submetidos a testes no sistema gastroinstestinal dinâmico, equipamento que simula a digestão humana e que foi desenvolvido no Centro de Engenharia Biológica (CEB).

Ana Cristina Pinheiro, a investigadora responsável por este projeto, afirma que o objetivo é obter "uma considerável gama de opções de sistemas de libertação funcionalizados, que serão desenvolvidos de forma a serem comestíveis e por isso aplicáveis na indústria alimentar".

"Serão produtos com uma bioatividade maximizada, dado que haverá aumento da biodisponibilidade, ou seja, compostos bioativos com elevada capacidade de absorção", refere ainda Ana Cristina Pinheiro, que acrescenta, "estas nanoestruturas funcionalizadas poderão ser usadas como plataformas para a produção de produtos inovadores com características melhoradas, tendo em consideração as mais recentes exigências dos consumidores".

Este projeto do CEB deverá também permitir obter informações fundamentais sobre a segurança das nanoestruturas no interior do corpo humano durante os processos de digestão e absorção. Um tema que ainda desperta bastante interesse na comunidade científica, dado que se desconhecem, alguns pormenores sobre o efeito destes produtos, ainda recentes, em humanos.

Neste âmbito, serão realizados testes nos quais o sistema gastrointestinal dinâmico será combinado com modelos celulares in vitro de modo a avaliar a toxicidade das nanoestruturas e monitorizar a resposta inflamatória.

Estudo
Um em cada cinco homens com mais de 80 anos perde o cromossoma Y das células do sangue, condição que foi agora relacionada com...

A perda do cromossoma Y é a mutação genética mais comum nos homens. Estudos anteriores mostraram que esta condição, que aparece com mais frequência em fumadores, pode aumentar também o risco de cancro precoce.

Cientistas afirmam agora que a condição pode servir como um biomarcador em relação a uma ampla gama de problemas de saúde, escreve o Sapo.. O estudo foi liderado por Lars Forsberg e Jan Dumanski, da Universidade de Uppsala, na Suécia, e contou com a participação de investigadores do Reino Unido, França, Estados Unidos e Canadá.

Os cientistas examinaram casos de 3.200 homens com uma média 73 anos, dos quais cerca de 17% apresentaram a perda do cromossoma Y nas células sanguíneas. Os pacientes que já tinham sido diagnosticados com Alzheimer tinham perdido esse cromossoma em maior grau.

"Ter perda do Y não implica a 100% desenvolver cancro ou doença de Alzheimer", advertiu Forsberg. Alguns homens com esta condição viveram sem sintomas de demência pelo menos até os 90 anos, relata o estudo.

"Mas, no futuro, a perda do cromossoma Y nas células do sangue pode tornar-se num novo biomarcador para o risco de doenças, (...) e pode ajudar a detetar e tratar os problemas mais cedo", disse o investigador.

De acordo com Chris Lau, professor do departamento de medicina da Universidade da Califórnia, o estudo não esclarece bem por que motivo o risco de Alzheimer pode ser mais alto nestes homens.

"Embora seja informativo, o estudo é de caráter preliminar e destaca apenas o facto de que o cromossoma Y pode desempenhar funções importantes além da determinação do sexo masculino e a produção de espermatozoides", disse Lau, que não participou na pesquisa.

Para o cientista, são necessárias mais investigações, uma vez que o cromossoma Y contém vários genes - alguns presentes exclusivamente nos homens e outros partilhados com as mulheres, que não têm o cromossoma Y.

ADSE
Depois de várias queixas, a ADSE decidiu que a nova tabela já não vai entrar em vigor a 01 de junho, segundo informação enviada...

A nova tabela de comparticipações da ADSE foi suspensa para ser reanalisada, informou a FESAP (Federação Sindical da Administração Pública).

"Congratulamo-nos com a suspensão da nova tabela de comparticipações, que ia aumentar muito as despesas dos funcionários e pensionistas em situação de doença", disse o dirigente federativo José Abraão.

Segundo a TSF, o diretor-geral da ADSE enviou à FESAP uma informação escrita onde afirma que "na sequência das diversas reuniões realizadas entre a ADSE e diversas organizações representativas dos trabalhadores da Administração Pública e de aposentados ou reformados", decidiu "suspender a entrada em vigor da alteração proposta na tabela das próteses intraoperatórias (...)".

Nesta tabela "estava prevista a introdução de um copagamento a cargo do beneficiário, de 20% do valor da prótese intraoperatória, que no entanto estava sujeito ao limite máximo de copagamento de 200 euros, ou seja de 20% sobre o valor de 1.000 euros".

"A ADSE vai estudar com as referidas entidades representativas de trabalhadores e aposentados, soluções à proposta apresentada e cujos efeitos se suspendem agora", diz o ofício enviado.

Para José Abraão esta suspensão faz todo o sentido, para possibilitar a discussão e negociação com os sindicatos. O sindicalista defendeu que essa negociação deve ocorrer no âmbito da comissão para a alteração do funcionamento da ADSE, que está em funcionamento.

A tabela revista de comparticipações da ADSE já tinha sido publicada e foi criticada, entre outros, por hospitais e dentistas.

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