Universidade de Aveiro
Um grupo de investigadores da Universidade de Aveiro criou um sistema capaz de simular o impacto de um objeto quando colide com...

Pensado para testar a eficácia de uma nova geração de capacetes com revestimento de cortiça e mais exato do que os testes de colisão feitos com bonecos, o projeto pode ser também aplicado na medicina forense na hora, por exemplo, da reconstrução de acidentes ou de crimes.

O “Yet Another Head Model (YEAHM)”, projeto do Centro de Tecnologia Mecânica e Automação (TEMA) do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Aveiro (UA) despertou já o interesse da Faculdade de Medicina do Porto e da Universidade de Stanford (EUA) que pretendem usar o modelo, respetivamente, no ensino de medicina forense, e na avaliação de concussões em jogadores de futebol americano. A Federação Portuguesa de Desportos de inverno está também a avaliar a possibilidade de ter o YEAHM ao serviço do desenvolvimento de capacetes desportivos mais seguros para os esquiadores.

O YEAHM foi desenvolvido a partir de imagens médicas obtidas por TAC e ressonância magnética, das quais resultou “um modelo numérico com uma geometria em tudo fiel ao crânio e cérebro humano”.

Para testar as consequências na massa encefálica, ossos e tecidos, os investigadores apenas têm de programar, entre outras variáveis, força, ângulo e localização dos impactos consoante desejam simular, por exemplo, um acidente rodoviário e a eficácia do capacete, ou um golpe criminoso na cabeça.

“Este modelo pode e deve ser utilizado em situações onde interessa avaliar a existência de risco de lesões na cabeça”, diz o investigador Fábio Fernandes, do TEMA, que aponta as diversas aplicações do modelo, seja “na otimização de equipamento de segurança, desde capacetes ao interior dos automóveis e ‘airbags’”, seja na “reconstrução de acidentes e crimes onde se pode tornar uma importante ferramenta forense”.

“Face aos modelos já desenvolvidos por outros grupos, este destaca-se por ter um cérebro com uma geometria muito precisa, estando presentes os sulcos e os giros. A modelação destes é muito importante na previsão de determinados tipos de lesão, como é o caso da concussão cerebral”, explica o professor Ricardo Sousa, coordenador do projeto.

Intolerância à lactose
O valor nutricional do leite de vaca é sobejamente conhecido e fomos habituados a acreditar que o se

Estima-se que cerca de 5 a 10% da população da Europa Ocidental seja intolerante à lactose e que, em algumas áreas da Ásia e da África, essa intolerância atinja mais de 70%. A assimilação da lactose (açúcar do leite e de outros lacticínios) efectua-se pelo nosso organismo graças a um enzima intestinal: a lactase.

Esta intolerância é causada por uma deficiência ou ausência de lactase. Sem este enzima a lactose não pode ser digerida e surgem sintomas como ventre inchado, gases, diarreia, cólicas e dores abdominais.

A intolerância difere de pessoa para pessoa e depende da quantidade de leite ingerida. Alguns intolerantes ainda conseguem beber um copo de leite, enquanto outros nem sequer toleram uma gota. A lactose faz parte da composição de muitos géneros alimentícios e mesmo de medicamentos, pelo que deve estar atento à lista de ingredientes.

Diferente da intolerância à lactose é a alergia ao leite de vaca. Esta alergia, frequente nos bebés, é uma reacção do sistema imunitário às proteínas do leite de vaca e manifesta-se por sintomas como erupções cutâneas, dificuldades respiratórias, vómitos, problemas digestivos e intestinais.

Normalmente, as pessoas que a demonstram devem banir da alimentação todos os produtos à base de leite de vaca.

Actualmente, as pessoas que não podem ou não querem beber leite, não necessitam de ser privadas de alguns prazeres culinários, pois os lacticínios podem ser substituídos com bastante facilidade.

Devido à crescente necessidade, os produtores viram-se forçados a apresentar alternativas ao leite e, assim, têm surgido nos últimos anos, bebidas elaboradas à base de soja, aveia, cereais, arroz, amêndoa, etc.

Também surgiram tipos de leite de vaca cujo teor de lactose foi reduzido (em cerca de 80%) para que a sua digestão seja mais fácil.

Como alternativa mais completa, destaca-se sem dúvida, o “leite” de soja pelas propriedades benéficas.

À semelhança da carne, a soja é rica em proteínas e contém todos os aminoácidos essenciais. Este grão é rico em ácidos gordos essenciais, nomeadamente poliinsaturados. Fornece igualmente vitaminas e minerais e é isenta de colesterol, pelo que se revela um alimento a utilizar na prevenção das doenças cardiovasculares.

A soja contém um razoável teor de fibras e é rica em fitoquímicos, em especial as isoflavonas, que parece ajudarem na prevenção de doenças como o cancro e na menopausa.

Ao compararmos o valor energético do leite de vaca e do “leite” de soja, verifica-se que o primeiro apresenta cerca de 64Kcal/100ml, enquanto o segundo apenas tem 36Kcal/100ml.

No que respeita o teor de ácidos gordos poliinsaturados o leite de vaca apenas tem 3% enquanto o de soja contém 62%.

Como já referi, o “leite” de soja é desprovido de colesterol (0mg/100ml). Em comparação, 100ml de leite de vaca têm 10mg mas, se se tratar da mesma quantidade de leite de vaca meio gordo, contém 5mg.

Quanto à lactose, o leite de vaca possui cerca de 4,5g/100ml, enquanto o de soja é isento.

Em relação ao cálcio, o leite de vaca possui cerca de 120mg/100ml enquanto o de soja apenas apresenta cerca de 20mg/100ml, mas a maior parte das marcas de “leites” de soja adiciona-lhes cálcio.

Tal como o leite de vaca, o de soja não deve ser dado a lactentes sem indicação médica.

A bebida de soja é elaborada a partir de grãos de soja inteiros, demolhados e moídos. Depois de cozida, esta massa é filtrada e obtém-se o “leite” de soja.

Como para algumas pessoas, o seu sabor não é muito agradável, surgiram “leites” de soja com sabores a chocolate, morango, baunilha, banana, etc.

Para além de bebidas, existem ainda outros produtos elaborados a partir de soja (tofu, sobremesas, cremes, etc.) que podem integrar a alimentação daqueles que não desejem ingerir lacticínios.

Por último, chamo a atenção para o facto de existirem algumas bebidas que têm soja na sua composição, mas numa quantidade ínfima e nem sempre extraída de grãos de soja inteiros… Escolha um verdadeiro “leite” de soja, de preferência com cálcio adicionado e de agricultura biológica e ficará surpreendido…

Foto: 
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Centro Hospitalar Lisboa Norte
Administração do Centro Hospitalar Lisboa Norte quer apostar na investigação e internacionalização. Está previsto um plano de...

Os objetivos para este ano do conselho de administração do Centro Hospitalar Lisboa Norte, que inclui Santa Maria e Pulido Valente, é conseguir proveitos no valor de 400 milhões de euros. A maior parte do valor, admite o presidente Carlos Martins, será através do contrato-programa, mas haverá aposta na venda de serviços. Prevê um plano de investimento de 90 milhões de euros, perto de metade através de fundos comunitários. No Pulido Valente mantém-se a transformação em Parque Saúde. Às criticas de profissionais e doentes diz que não houve redução de serviços, escreve o Diário de Notícias.

"Para este ano temos de conseguir proveitos de 400 milhões de euros. Sabemos que grande parte será o contrato-programa e adendas", mas fará parte do trabalho para chegar a este valor cobrar créditos, terminar a renegociação do plano de equilíbrio financeiro e ter atividade diversificada: "vender serviços a outras instituições e ter atratividade para conseguir outras atividades na área da investigação e internacionalização", diz.

Carlos Martins tem previsto um plano de investimento de 90 milhões de euros, 40 milhões dos quais através de candidaturas a fundos comunitários. "Entregámos uma candidatura de eficiência energética no valor 15 milhões de euros, outra na área das tecnologias e renovação de equipamento e equipamento de ponta de 20 milhões de euros. Temos mais uma de tecnologia de informação de 5 milhões de euros. Já temos uma candidatura aprovada para a Faculdade no projeto do Centro de Simulação Avançado. A maior parte dos pontos do plano já tem projetos e candidaturas comunitárias", diz, salientando a articulação que tem sido feita com outras unidades como IPO, Centro Hospitalar Lisboa Central ou Instituto de Medicina Molecular na utilização de equipamentos pesados.

"Temos um conjunto de instituições que vão investir no Pulido Valente", refere ainda o responsável, sobre a transformação do hospital em Parque Saúde: "No conjunto das intervenções do Instituto Português do Sangue e Transplantação, SUCH - Serviço de Utilização Comum dos Hospitais, Administração Regional de Saúde, Santa Casa da Misericórdia, Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências e ministério, vamos ter 25 milhões de investimento".

Tem havido críticas de profissionais a algumas mudanças no Pulido Valente e um grupo de doentes do hospital de dia de oncologia de pneumologia fizeram uma petição contra a mudança de instalações. Carlos Martins refuta as criticas: "Não houve redução da capacidade nem cortes. Este conselho criou o departamento do tórax e o serviço de cirurgia torácica, o hospital de dia está no dobro da área que tinha, com proximidade do serviço de pneumologia, passamos a ter consultas de psiquiatria e pedopsiquiatria no Pulido Valente", afirma.

Esta década
Portugal duplicou o valor da exportação de medicamentos desde o início desta década: passou de 444 milhões de euros em 2010...

De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) enviados ao Diário de Notícias, o aumento foi também significativo quando comparado com 2015: mais 13,8%. Nesse ano, as exportações valeram 799 milhões de euros. Entre os principais países compradores estão os Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido.

Nos últimos anos, na lista de produtos exportados estão vacinas, antibióticos, analgésicos, medicamentos para o sistema nervoso central, cardiovasculares, epilepsia. Genéricos, produção de substâncias ativas para outros laboratórios e também produtos inovadores, como é o caso da Bial. A farmacêutica assinou recentemente um acordo com o Estado no valor de 37 milhões de euros com o objetivo de aumentar a investigação e o desenvolvimento da empresa nas áreas dos sistemas nervoso central e cardiovascular.

Os dados do INE - 2015 ainda são provisórios e os do ano passado preliminares - mostram que a lista dos cinco principais compradores a Portugal se tem mantido estável, com os Estados Unidos à cabeça, desde 2014. No ano passado os norte-americanos compraram 221 milhões de euros a Portugal, valor que tem vindo sempre a crescer, e que representa 24% do total das vendas. Segue-se a Alemanha (com 16% do total das vendas), Reino Unido (12%), Irlanda (9%) e Angola (5,5%). A zona do Médio Oriente, para onde partem hoje uma delegação da Associação Empresarial de Portugal e 13 empresas do setor da Saúde para participar numa feira, no Dubai, é outra das apostas. Apesar do aumento das exportações, os valores ainda estão longe do que o país gasta em compras nesta área. Entre janeiro e novembro do ano passado foram 1,7 mil milhões de euros.

Em entrevista ao Diário de Notícias, o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, salienta as indicações "muito boas" das exportações na área da saúde. "Não só das exportações de medicamentos e produtos farmacêuticos, mas também os princípios base de produtos farmacêuticos e dispositivos médicos estão a ter um crescimento muito interessante, que pode ser superior a 10% ao longo do ano. Penso que em 2016 - os dados ainda não estão fechados - os produtos de saúde deverão ultrapassar os 1,3 mil milhões de euros de exportações", refere o responsável, estimando que no total das exportações o peso da saúde seja pelo menos de 1,5%. "Um aspeto muito interessantes é a expansão que está a acontecer de produtos de inovação de base portuguesa, nomeadamente os da Bial, no mercado dos Estados Unidos que é o maior mercado do mundo em consumo de medicamentos. O setor dos produtos de saúde inclui também dispositivos médicos e hospitalares e há também nessa área várias empresas a fazer investimento e a aumentar a capacidade de produção".

Receita para o futuro: inovação
Em 2000 a companhia suíça OM Pharma decidiu deslocalizar parte da produção para Portugal. Hoje a fábrica de Lisboa assegura parte significativa da produção da empresa e exporta para 65 países. E estão a construir uma nova fábrica em Alfragide para a produção de um novo medicamento para todo o mundo, à exceção dos Estados Unidos. "Produzimos duas vacinas para infeções respiratórias e urinárias que são os principais produtos para exportação e um anti-hemorrágico. Depois para Portugal temos o Aero-OM", diz António Jordão, diretor-geral da OM Pharma Portugal & Head of Southern Europe Vifor Pharma, que salienta que os números das exportações devem ser lidos com cautela, há valor gerado através da exportação paralela e não por criação de valor no país.

Feita a ressalva, salienta o desenvolvimento que o país tem registado e que contribuiu para a subida do valor das exportações. "Temos muitas empresas como a Bial que está na área dos inovadores e tem vindo a crescer, há uma parte importante de produção para terceiros e outra de genéricos. Temos uma estrutura de custos de produção muito equilibrada, com pessoas com muita qualidade e experiência e custos de produção mais baixos que outros países, cumprimos prazos. Foi isso que nos permitiu ganhar o concurso para a nova fábrica", explica, referindo que os principais mercados de exportação da empresa são a Europa, principalmente Itália, América-Latina, Médio Oriente e alguns países da Ásia, tendo também contacto com os países africanos de língua portuguesa. A receita para o futuro é "apostar em inovação e em investigação para se chegar a preços mais competitivos e fazer crescer o valor do mercado de exportações".

Para Joaquim Cunha, diretor executivo da associação Health Cluster Portugal, o aumento das exportações "é o resultado do trabalho feito ao longo dos últimos anos, que demora a aparecer pelo processo de desenvolvimento dos medicamentos inovadores, a própria afirmação externa é um processo lento de consolidação". "Uma vez que a máquina comece a funcionar, anda por ela. Estamos a tirar benefícios disso", diz, salientando a exigência de mercados tão grandes como o dos Estados Unidos, que se torna também "um bom cartão de visita" da capacidade portuguesa. Quanto ao futuro, fala de dois objetivos: "Olhar para a saúde como um setor que gera riqueza, como motor de desenvolvimento de emprego, de exportação. Outro é trabalhar a imagem externa do país no seu todo, a reputação da prestação de cuidados, a produção científica, mostrar que a saúde é uma aposta do país."

Relatório revela
Com base em dados da Organização Mundial de Saúde de Julho de 2016, a Health Consumer Powerhouse analisou em que países o...

Portugal está, por isso, assinalado a "verde" no relatório desta organização de origem sueca, que é divulgado nesta segunda-feira. A Health Consumer Powerhouse (HCP) utiliza uma escala de cores, de vermelho a verde, para assinalar os pontos fracos e fortes de cada sistema nacional de saúde em 35 países.

À cabeça surgem a Bulgária, a Roménia, a Estónia e a Hungria, seguidas da Suécia, com mais de 300 interrupções voluntárias de gravidez (IVG) por mil nados-vivos, uma situação que os responsáveis da HCP lamentam. Do lado oposto, aparecem a Croácia, a Suíça, a Eslováquia, a Alemanha e a Holanda, escreve o jornal Público.

A análise deste indicador é complexa, porque há vários países onde a IVG não é permitida a pedido da mulher (ao contrário do que acontece em Portugal, onde esta prática está despenalizada até às 10 semanas de gravidez). É o caso do Chipre, da Irlanda, de Malta e da Polónia. Também é impossível obter dados fiáveis da Áustria, uma vez que as mulheres não interrompem voluntariamente a gravidez nos hospitais púbicos, e do Luxemburgo, porque estas vão muitas vezes abortar noutros países.

Holanda em 1º lugar
A Holanda é o país com a melhor classificação numa avaliação dos sistemas de saúde de 35 países europeus, do ponto de vista do...

Portugal subiu, de 2015 para 2016, seis posições num ranking internacional, o Euro Health Consumer Index (que compara o desempenho dos sistemas de saúde de 35 países europeus) e ficou, pela primeira vez, à frente do Reino Unido e de Espanha. Efetuada por uma organização sueca numa perspetiva diferente da habitual (a do consumidor), esta avaliação anual coloca Portugal em 14.º lugar, com 763 pontos em mil possíveis.

Na edição de 2016, a Holanda voltou a ser o país que reuniu mais pontos nos 48 indicadores avaliados, conseguindo uma classificação de 927 em 1000, por oposição à Roménia, que se ficou pelos 497 pontos. A Health Consumer Powerhouse (HCP) faz esta análise desde 2005, escreve o jornal Público.

Na edição de 2016, Portugal ultrapassou o Reino Unido por uma margem estreita, numa “escalada” que é destacada no relatório da HCP, divulgado nesta segunda-feira. Mas têm sido oscilantes as classificações obtidas por Portugal ao longo dos últimos anos neste ranking — do 25.º lugar, em 2012, passou para o 16.º no ano seguinte, subindo para o 13.º em 2014 e caindo para o 20.º lugar, em 2015, uma queda que, lê-se no estudo, se ficou a dever à perceção menos “positiva dos doentes sobre os tempos de espera”.

A avaliação é feita a seis áreas distintas. As áreas em que Portugal pontua pior, e em que deveria investir mais, são a da “acessibilidade” — devido às listas de espera — e a “diversidade e abrangência dos serviços prestados”. Em contrapartida, conseguimos melhor classificação na área dos direitos dos doentes, dos resultados dos tratamentos e na prevenção.

Portugal fica também bem colocado, nesta espécie de fotografia, no que diz respeito à relação entre os gastos em saúde e os resultados obtidos, uma análise do custo-eficiência dos cuidados de saúde que é designada “Bang for the buck”. Posiciona-se aqui no 10.º lugar, à frente da Holanda. Quando fala em resultados, a HCP refere-se, por exemplo, a sobrevivência ao cancro, mortalidade por doenças cardiovasculares e mortalidade infantil.

Mas ainda é longo o caminho a percorrer. Os principais problemas nacionais observados neste estudo não constituem surpresa, na maior parte dos casos. A HCP utiliza uma escala de cores para assinalar pontos fracos e fortes nos diferentes países, que vai de vermelho a verde, passando pelo amarelo. Portugal surge a vermelho no que diz respeito à elevada taxa de cesarianas, à extrema dificuldade de acesso a cuidados de saúde oral (estamos no segundo pior lugar, a seguir à Letónia) e ao problemático acesso direto a consultas com médicos especialistas.

A vermelho são igualmente assinalados os elevados tempos de espera para exames de diagnóstico em situações não agudas e a alta prevalência de infeções hospitalares por Sptaphylococcus aureus resistente aos antibióticos mais comuns (neste caso, estamos no segundo pior lugar, a seguir à Roménia).

Em contrapartida, o país aparece a verde em vários indicadores, como a queda na mortalidade por enfarte, o rácio de cirurgias às cataratas na população idosa (estamos em segundo lugar, a seguir à França) e a boa taxa de vacinação.

A amarelo destacam-se, entre outros indicadores, a acessibilidade a médicos de família e a disponibilidade de camas em lares de idosos e cuidados continuados por 100 mil habitantes.

Holanda e Suíça na liderança
No grupo dos 35 países, a Noruega regista o melhor resultado nas áreas dos direitos dos doentes e informação e na prevenção, enquanto a Holanda e a Suécia se destacam na diversidade e abrangência dos serviços e tratamentos disponibilizados, com a pontuação máxima (125). Os melhores resultados em saúde (“outcomes”) foram encontrados na Finlândia, Islândia, Alemanha, Holanda, Noruega e Suíça.

A Bélgica, a Macedónia e a Suíça estão na liderança no que à acessibilidade diz respeito. Já nos aspetos relacionados com medicamentos, os melhores resultados são obtidos pela França, Alemanha, Irlanda, Holanda e Suíça.

No cômputo geral, a organização conclui que os sistemas de saúde europeus estão a melhorar e que o direito à escolha e o envolvimento dos doentes também. Pela primeira vez, acentua, há dois países (a Holanda e Suíça) que ultrapassam a barreira dos 900 pontos em mil. Mas os responsáveis da organização lamentam a persistente desigualdade entre os melhores classificados e os piores (Roménia, Montenegro, Bulgária, Albânia e Polónia).

Um exemplo que merece destaque, pela positiva, é o da Macedónia, que mudou radicalmente de posição no que à acessibilidade diz respeito, por ter posto em prática um sistema de registo eletrónico dos doentes a aguardar tratamento, o que permitiu quase eliminar as listas de espera.

Resultados devem ser vistos com “cautela”
Compilado a partir de estatísticas públicas, de informação de organizações de doentes e de investigação independente, este ranking tem motivado algumas críticas de especialistas, que põem em causa o rigor dos seus resultados. A própria organização sublinha, aliás, que os resultados devem ser olhados com “cautela”, devido aos problemas da “qualidade da informação” que é fornecida. No entanto, as autoridades de saúde dos diversos países enviam dados e informações para este projeto. Em Portugal, a Direcção-Geral da Saúde colabora desde 2009.

Num comentário feito por escrito aos resultados desta classificação, Catarina Sena, da Direcção-Geral da Saúde, considera que Portugal ficou à frente de Inglaterra e de Espanha “porque está melhor classificado no que respeita à acessibilidade, sendo, entre outros aspetos, valorizada a possibilidade de marcação de uma consulta nos cuidados de saúde primários no próprio dia”.

Nota, porém, que a pontuação de Portugal é “penalizada” porque este estudo “parte de um diferendo ideológico face ao nosso sistema, ou seja, privilegia o acesso indiscriminado aos cuidados de saúde, sendo que Portugal, ao seguir o modelo de Beveridge (também seguido no Reino Unido), parte de uma conceção de referenciação prévia, habitualmente via cuidados de saúde primários [médico de família]”.

Tratamentos estéticos
Os tratamentos estéticos vaginais são cada vez mais populares, o que levanta questões sobre a perceção da "normalidade...

Em 2015, mais de 95 mil labioplastias (cirurgia e/ou injeções nos pequenos lábios vaginais) e mais de 50 mil vaginoplastias foram praticadas no mundo inteiro, de acordo com a Sociedade Internacional de Cirurgia Estética (ISAPS).

Praticamente inexistentes há cinco anos, estes procedimentos ocupam agora o 19º e 22º lugar no ranking das operações mais praticadas. Só no ano passado, segundo o Sapo, foram realizadas nos Estados Unidos cerca de 9 mil labioplastias, o que se traduz num aumento de 16% face ao ano anterior.

Esta intervenção consiste, geralmente, em reduzir o tamanho dos pequenos lábios a laser (fala-se também de ninfoplastia).

"Se me tivessem falado neste tipo de procedimento durante os anos 80, eu teria dito que estava tudo louco", admite Renato Saltz, cirurgião plástico perto de Salt Lake City (EUA) e presidente da ISAPS, entrevistado pela Agência France-Presse (AFP).

"As mulheres preocupam-se muito mais com a aparência dos seus genitais", observa Nolan Karp, cirurgião em Nova Iorque membro do conselho da ISAPS, que reconhece a influência da Internet neste fenómeno.

"Antes da era da Internet, quantas mulheres é que viam outra pessoa do sexo feminino completamente nua?", pergunta Karp. De acordo com o cirurgião, hoje em dia as pessoas "compreendem melhor o que é normal, o que é belo e aquilo que não é".

Uma "normalidade" difícil de estabelecer, uma vez que a aparência desta parte da anatomia feminina pode variar.

Se considerarmos como "normal" uma vagina onde os pequenos lábios "não ultrapassam" os grandes lábios, então apenas 20% das mulheres satisfaz este critério, reconhece Nicolas Berreni, ginecologista-obstetra em Perpignan, durante o congresso de medicina estética IMCAS em Paris.

"Uma vagina de Barbie"
Esta busca pela anatomia "perfeita" é "preocupante", considera Dorothy Show, ex-presidente da Sociedade de Obstetras e Ginecologistas do Canadá (SOGC).

A vagina apresentada como modelo "não tem nenhum pelo e é muito plana", como a das crianças. Uma aparência distante da realidade, diz à AFP.

Ela teme que as adolescentes, cujo desenvolvimento físico ainda não está completo, recorram a esta prática. É comum, durante a puberdade, que os pequenos lábios se tornem mais proeminentes do que os outros.

De acordo com um estudo publicado em 2005, com base numa amostra de apenas 50 mulheres, o comprimento dos pequenos lábios variava de 2 a 10 cm e sua largura de 0,7 a 5 cm.

Além disso, "é surpreendente ver cirurgiões afirmarem que uma operação destas pode permitir obter uma vagina de aparência 'normal'", sublinham os autores, convidando outros profissionais a divulgar estes resultados junto das mulheres que ponderam fazer uma intervenção cirúrgica.

Mas a mania parece que está para ficar, e se algumas mulheres sofrem mesmo com a fricção dos pequenos lábios hipertrofiados, este argumento é muitas vezes uma desculpa para preocupações estéticas.

"Em 40% dos casos, as mulheres que procuram uma ninfoplastia por se queixarem de dor estão a mentir", assegura o Dr. Berreni. "O que elas querem é uma vagina de Barbie, onde não se consegue ver os pequenos lábios", acrescenta.

A operação não está isenta de riscos: dor crónica, hemorragias, infeções. "Durante a cicatrização, há o risco de que as terminações nervosas se encontrem no tecido cicatricial, causando dor", diz Dra. Shaw.

De acordo com o guia de boas práticas da estética genital da SOGC, publicado em 2013, não há nenhuma evidência de que estas intervenções melhorem a satisfação sexual ou a auto estima.

O documento apela para que todos os médicos responsáveis assegurem que a prática não seja semelhante a uma mutilação genital.

O Dr. Berreni enfatiza que, aparentemente, "as vaginas submetidas a uma ninfoplastia envelhecem muito mal", com casos de tecidos fibrosos, retrátil e de aparência inchada.

Uma alternativa menos arriscada passa pela injeção de ácido hialurónico para aumentar os grandes lábios, que vão acabar por cobrir os pequenos, acrescenta.

Estudo
Um novo estudo sugere que a Doença de Alzheimer, uma patologia neudegenerativa comum, pode ter origem durante o desenvolvimento...

A doença de Alzheimer pode afinal surgir antes do nascimento, ainda no útero das mulheres, quando as progenitoras não ingerem frutas e legumes suficientes durante a gravidez, de acordo com um novo estudo.

Segundo os cientistas da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, um dieta pobre em vitamina A pode ser responsável pelos primeiros passos no desenvolvimento da doença. Por outro lado, escreve o Sapo, a mesma investigação descobriu que o início desta doença neurodegenerativa pode ser retardado por uma dieta rica em suplementos durante a gravidez.

"O nosso estudo mostra claramente que a deficiência marginal de vitamina A, na gravidez, tem um efeito prejudicial sobre o desenvolvimento do cérebro e tem um efeito duradouro que pode facilitar a doença de Alzheimer", conclui Weihong Song, investigador da Universidade da Colúmbia Britânica.

Entre os alimentos mais ricos em vitamina estão a batata doce, tomate, espinafre, repolho, cenoura, alface, uva, manga, melancia e damasco. Outras boas fontes de vitamina A são o óleo de fígado de bacalhau e fígado. Pequenas quantidades desta vitamina podem ser encontradas na manteiga, produtos lácteos gordos, peixes e ovos.

Weihong Song, professor de psiquiatria, baseou-se em estudos anteriores que relacionavam baixos níveis de nutrientes com deficiências cognitivas para chegar a estas conclusões.

Em experiências conduzidas em ratos, a equipa deste médico descobriu também que apenas uma ligeira deficiência de vitamina A aumentava a produção de proteínas beta-amilóide no cérebro, a principal causa da doença de Alzheimer.

Estas proteínas são conhecidas por formar placas que sufocam e destroem os neurónios, levando à perda de memória e confusão.

Os resultados da investigação foram publicados na revista médica Acta Neuropathologica.

A partir desta semana
A tributação dos refrigerantes e das bebidas açucaradas vai aumentar a partir de quarta-feira, uma subida prevista na lei do...

A título de exemplo, uma garrafa de refrigerante vai ficar 15 cêntimos mais cara se tiver um teor de açúcar de até 80 gramas por litro e vai encarecer 30 cêntimos se o teor de açúcar for acima daquele valor, aumentos que já incluem o IVA (Imposto sobre o Valor Acrescentado).

Uma das novidades criadas com o Orçamento do Estado para 2017 foi a tributação dos refrigerantes e das bebidas açucaradas em sede de Imposto sobre o Álcool e as Bebidas Alcoólicas (IABA), o que mudou o nome do imposto, que passou a ser imposto sobre o álcool, as bebidas alcoólicas e as bebidas adicionadas de açúcar ou outros edulcorantes.

A partir de quarta-feira, segundo o Sapo, ficam sujeitas a este imposto as bebidas não alcoólicas destinadas ao consumo humano adicionadas de açúcar ou de outros edulcorantes, as bebidas com um teor alcoólico superior a 0,5% vol. e inferior ou igual a 1,2% vol. (como os vinhos de uvas frescas, os vermutes, a sidra e o hidromel).

Também bebidas não alcoólicas como águas, incluindo as minerais e as gaseificadas, adicionadas de açúcar ou de outros edulcorantes ou aromatizadas passarão a ser tributadas, sendo a receita consignada à sustentabilidade do Sistema Nacional de Saúde.

Quanto às taxas do imposto a que estes produtos vão ficar sujeitos, será de 8,22 euros por hectolitro (100 litros), no caso das bebidas cujo teor de açúcar seja inferior a 80 gramas por litro, e de 16,46 euros por hectolitro para as bebidas cujo teor de açúcar seja igual ou superior àquele limite.

Estudo
O número de mulheres entre os 19 e os 34 anos a realizar este tipo de intervenções aumentou 41%. O objetivo é evitar marcas e...

As gerações mais novas acreditam que quanto mais cedo se começar a aplicar botox, melhor se vai conseguir prevenir o surgimento de marcas que ainda nem sequer apareceram no rosto.

Os últimos dados levantados pela International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS) contaram 20 milhões de intervenções realizadas em todo o mundo só em 2014. Desses 20 milhões, quase oito correspondem aos chamados tratamentos flash anti-idade: a toxina butulínica (botox) e os preenchimentos de ácido hialurónico. Dois anos depois, os números serão muito superiores e, em conjunto, essas intervenções representam o primeiro lugar das mais realizadas no mundo nos dias de hoje, escreve o Observador.

Numa cultura assente na imagem corporal, poderemos estar a alimentar uma tendência perigosa?

O botox pode reduzir sintomas de depressão ou, afinal, é um vício?

No início de 2016, um estudo realizado pela universidade de Texas-Austin trouxe a público uma teoria positiva: 9 em cada 10 participantes mostraram sinais de redução nos sintomas de transtornos de depressão após injeções de botox.

No entanto, novos dados tornados públicos este mês vieram contradizer este estudo e alertam para os perigos de estarmos perante uma nova obsessão: a idade. De acordo com os dados da American Society for Aesthetic Plastic Surgery, o número de mulheres entre os 19 e os 34 anos a realizar este tipo de intervenções aumentou 41 por cent0 desde 2011, tendo também sido visível um aumento por parte dos homens que, agora, representam 10 por cento do total de utilizadores de botox.

Citada pelo jornal britânico The Guardian, Dana Berkowitz, professora de sociologia da Universidade do Estado do Louisiana e autora do livro Botox Nation: Changing the Face of America (Geração Botox: Mudando a Cara da América) defende que as mulheres estão erradas quando acreditam que o botox é preventivo e que, para piorar, os próprios médicos estão a fomentar esta ideia. Berkowitz questiona mesmo se os médicos estarão a criar comportamentos viciantes ao sugerirem a sua aplicação cada vez mais cedo.

“O problema é que o botox só dura entre quatro a seis meses, uma vez que se uma pessoa começa a ver linhas, vai voltar imediatamente ao cirurgião para repetir. As mulheres que entrevistei falaram sobre o viciante que se torna”, diz Berkowitz ao The Guardian.

Mas há ainda uma outra parte do problema, ainda mais grave: o universo da cosmética (dermatologistas, cirurgiões, influentes digitais) está a fomentar a ideia de que quanto mais cedo se começar a aplicar botox, melhor se vai conseguir prevenir o surgimento de marcas que ainda nem sequer apareceram no rosto. Berkowitz destaca uma frase que a impressionou: “É como quereres limpar o quarto antes que fique demasiado sujo”.

Em Portugal, os preços para cada sessão de botox rondam os 300 a 400 euros e, atualmente, vemos cada vez mais jovens com pouco mais de 20 anos com o rosto já “artilhado” para o futuro.

“Eu uso botox porque é preventivo. Tenho uma amiga que começou a usar aos 22 anos e, assim, as rugas nem sequer se formam” é uma outra citação que Berkowitz retirou das suas entrevistas.

Para juntar ao problema, num artigo publicado em agosto de 2016, o Observador já tinha falado dos perigos destas intervenções a preço de saldo e dos cuidados que são necessários perante as “festas do botox”, um conceito famoso que também já existe em Portugal, muito apelativo para os mais jovens e onde se chegam a dar injeções a 25 euros.

No seu livro, Dana Berkowitz critica este conceito preventivo porque é perigoso: continua a criar nas mulheres a ideia de que não correspondem a um qualquer padrão e que a idade, ao invés de ser natural, é algo de que devemos fugir a sete pés.

Especialistas defendem
Investigadores do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde alertaram para a necessidade de pacientes com...

A recomendação já tinha sido feita por sociedades científicas nacionais e internacionais, mas “faltava informação relativamente aos custos que a aplicação desta medida acarretaria para os Sistemas de Saúde”, afirmou o investigador do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (Cintesis) e clínico no Instituto Português de Oncologia (IPO) de Coimbra, Miguel Areia.

Agora, sublinhou, já é possível avançar que o custo associado desta política de saúde pública é de “pouco mais de 18 mil euros por ano de vida salvo”, sendo assim “considerado comportável” pelo Sistema Nacional de Saúde.

“O cancro gástrico representa um problema de saúde a nível global. As elevadas taxas de incidência e de mortalidade desta patologia fazem dela o quinto tumor mais comum e a terceira causa de morte por cancro”, referiu Miguel Areias.

Em Portugal, este tipo de cancro é especialmente prevalente na zona Norte do país, afetando 13 por cada 100 mil habitantes, um nível considerado muito acima dos padrões europeus.

De acordo com o especialista, há fatores ambientais que contribuem para esta realidade, nomeadamente o consumo excessivo de sal, de fumados e os hábitos tabágicos. Há ainda uma componente genética que não deve ser esquecida.

Acresce que 80% dos portugueses estão infetados pelo ‘helicobacter pylori’ – uma bactéria que se instala no estômago podendo, com o decorrer dos anos, facilitar o aparecimento de doenças do foro digestivo.

A bactéria existe em níveis elevados entre a população do Norte de Portugal, logo aos 20 anos de idade, esclarece o gastrenterologista, que sublinha que é mais tarde, sobretudo depois dos 50 anos, que os sintomas gástricos se manifestam.

Mário Dinis-Ribeiro, líder do grupo de investigação em cancro do estômago do Cintesis e médico no IPO do Porto, referiu também que “a maioria dos casos está relacionada com infeção por ‘helicobacter pylori’ e outros agentes ambientais e, portanto, a incidência aumenta com a idade”.

Segundo adiantou, “devido ao envelhecimento das populações, nomeadamente em Portugal, estima-se que a incidência e a mortalidade associadas a cancro gástrico aumentem nos próximos 20 anos”.

De acordo com os especialistas, o cancro do estômago pode ocorrer após vários anos de progressão de uma condição benigna como a gastrite. A endoscopia é o primeiro exame a ser efetuado para o diagnóstico destas condições pré-malignas que devem ser avaliadas e graduadas, sendo que só as mais severas têm necessidade de ser seguidas.

Defendem, por isso, que “os médicos devem ser ensinados a fazer esta triagem de forma eficiente para se garantir que os doentes em maior risco são, efetivamente, vigiados de mais perto”.

A endoscopia digestiva alta é “o procedimento de eleição para diagnosticar as doenças do sistema digestivo que envolvem o esófago, o estômago e o duodeno. É um método disponível na maioria das instituições de saúde, preciso e relativamente pouco invasivo, mas os seus custos de utilização impedem que seja adotado como ferramenta de triagem para o cancro gástrico na maioria dos cenários clínicos”.

Além de Miguel Areia e Mário Dinis-Ribeiro, o trabalho contou com a colaboração de Francisco Rocha Gonçalves, investigador do Cintesis e membro do IPO do Porto.

Agência Portuguesa do Ambiente
Uma avaliação aos solos na área do hospital CUF Descobertas, em Lisboa, concluiu não haver riscos para a saúde e ambiente, mas...

"De acordo com a avaliação preliminar já feita, é possível apontar a ausência de riscos para a saúde pública e para o ambiente, fruto desta obra" do parque de estacionamento do hospital, localizado no Parque das Nações, refere uma nota enviada à imprensa pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

Os trabalhos de remoção dos solos remanescentes na obra "só poderão ser retomados após autorização da CCDR-LVT [Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo], comprovados os requisitos que forem essenciais na defesa do ambiente de acordo com a legislação em vigor", avança a APA.

Em meados de janeiro, moradores da freguesia do Parque das Nações denunciaram um cheiro a gás proveniente da construção do parque de estacionamento subterrâneo do hospital CUF Descobertas e, na quinta-feira, anunciaram que iriam exigir análises à qualidade do ar, ponderavam recorrer aos tribunais e queixavam-se da falta de resposta das autoridades públicas às suas preocupações.

Num memorando enviado à Câmara Municipal de Lisboa (CML), o grupo José de Mello Saúde, dono da obra, refere terem sido encontrados solos contaminados, classificados tanto como perigosos, como não perigosos, dependendo da concentração de hidrocarbonetos (por já ter existido ali uma refinaria), que foram encaminhados para aterros.

Agora a APA vem esclarecer que a construção promovida pela José de Mello Saúde está devidamente licenciada do ponto de vista urbanístico pela CML, tendo sido realizadas as análises aos solos adequadas pelo dono da obra.

"Tal como determinam as leis e regulamentos em vigor, estes solos têm sido encaminhados para local de destino adequado e licenciado para o efeito", garante.

A CCDR-LVT efetuou uma ação de fiscalização à obra e pediu à empresa José de Mello Saúde que garantisse a apresentação de "evidências da não contaminação do solo imediatamente subjacente à área de construção" e que realizasse uma caracterização da qualidade do ar no local, através de um laboratório acreditado, para avaliar a concentração de compostos orgânicos voláteis.

Ajuda ao desenvolvimento
Um grupo de voluntários com mais de 55 anos, de áreas como a saúde e a educação, decidiram criar uma associação à qual chamaram...

A associação, que hoje vai ser apresentada publicamente, inspira-se no Projeto Mais-Valia, apoiado pela Fundação Gulbenkian, que decorreu entre 2012 e 2016 enquanto programa de bolsas de voluntariado para profissionais experientes com mais de 55 anos na área da cooperação para o desenvolvimento nos PALOP.

Em declarações, a presidente da associação, que fez três missões no âmbito do projeto da Gulbenkian, explicou que o objetivo é dar continuidade, criando uma bolsa de voluntários mais alargada para o desenvolvimento de iniciativas, não só nos países de língua oficial portuguesa, mas também em Portugal.

Os membros da bolsa nem sempre têm capacidades físicas para ir para África, sendo por isso importante poderem desenvolver as suas competências em Portugal ou noutros países da Europa.

Na verdade, adiantou Maria França, a população com mais de 55 anos é cada vez mais jovem e não quer deixar de estar ligada à sua profissão, sentindo-se capaz de usar essas competências e pô-las ao serviço dos outros.

Mafalda França foi educadora de infância na Misericórdia de Lisboa e deu formação nesta área. Enquanto voluntária no âmbito do projeto “Mais Valia”, uma das vezes em Moçambique, teve como missão o reforço das capacitações técnicas das pessoas que trabalham com crianças.

O objetivo destes voluntários, frisou, nunca foi substituir as pessoas locais, mas sim reforçar as competências dos que trabalham nas organizações. Não ocupar postos de trabalho, mas ser um reforço para o desenvolvimento dos projetos locais.

Há três áreas nas quais a associação espera vir a trabalhar: educação, saúde e direitos sociais, procurando agora parceiros. As organizações não-governamentais de desenvolvimento e as instituições estatais ou privadas podem agora contar com esta bolsa de voluntários como uma mais-valia e um reforço dos projetos e nunca como substitutos.

Com o fim do projeto desenvolvido pela Gulbenkian, os voluntários sentiram necessidade de dar continuidade a uma iniciativa que era já “uma mais-valia” e em coordenação com a fundação, que apoia agora o nascimento desta associação, cerca de 40 voluntários deram corpo a um desejo.

Maria Hermínia Cabral, diretora do Programa Gulbenkian Parcerias para o Desenvolvimento e responsável pelo Projeto Mais-Valia (2012-2016), disse que é gratificante para todos quando um projeto pontual se autonomiza desta forma.

O projeto que coordenou, explicou, foi uma ideia que veio colmatar uma necessidade efetiva e que agora é posta em prática de uma forma institucionalizada, ajudando na construção de soluções da comunidade, quer em Portugal quer noutros países, em áreas como a saúde, educação ou gestão.

O protocolo de colaboração entre a fundação Calouste Gulbenkian e a recém-criada Associação Ser Mais Valia será assinado hojedurante uma conferência intitulada “O que fazemos com o tempo? Trabalho, voluntariado e envelhecimento ativo”, na qual participará Helena André (Organização Internacional do Trabalho) e Susana Réfega (Fundação Fé e Cooperação).

No ano passado
A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica doou no ano passado 4,4 toneladas de bens alimentares e mais de 14.000 bens...

De acordo com dados da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), no ano passado foram apreendidos em fiscalizações produtos alimentares avaliados em 20.971 euros e produtos não-alimentares no valor de 240.667 euros, num total de 261.637 euros.

Segundo os dados, foram apreendidas 4,4 toneladas de bens alimentares, 72 embalagens e 532 unidades de produtos alimentares.

Foram também apreendidas 14.034 peças de vestuário e complementos e outros: 250 unidades de sprays, 42 brinquedos, 30 consolas, duas caldeiras/esquentadores e 44 têxteis domésticos.

Entre as 97 doações efetuadas em 2016, estão produtos como carnes e produtos cárneos, pescado e produtos da pesca, cereais em natureza, chocolates, géneros alimentícios vários (salsichas, pão e queijos), mel, vestuário e complementos, sprays, brinquedos, consolas, caldeiras/esquentadores e têxteis domésticos.

Os distritos de Faro, Lisboa, Santarém e Coimbra foram os distritos onde houve mais instituições a receber bens doados, mais de 10 entidades.

De acordo com os dados da ASAE, entre as entidades que receberam doações estão instituições públicas e reinserção social, de apoio à família e comunidade, de apoio a crianças e jovens, apoio na velhice, invalidez, de conservação das espécies e habitats, apoio na deficiência e incapacidade, de resposta social de instituição religiosa local, de apoio e defesa dos animais e de resposta social de instituição de âmbito nacional.

Em 2015, a ASAE tinha apreendido 25,7 toneladas de produtos alimentares e 5.325 produtos não alimentares, no valor total de 302.000 euros.

Naquele ano foram feitas 67 doações a 49 entidade de 33 concelhos de 14 distritos.

Publicado em Diário da República
Um vencimento superior em 40%, mais férias e preferência na colocação do cônjuge são alguns dos incentivos à mobilidade...

O objetivo da medida é “capacitar os serviços com a colocação efetiva de um maior número de profissionais, tendo em vista a melhoria do nível de acesso aos cuidados de saúde por parte da população”, lê-se no diploma.

Os médicos que optem por esta solução podem contar com um incentivo “fixado em 40% da remuneração base correspondente à primeira posição remuneratória da categoria de assistente, da carreira especial médica ou da carreira médica”.

Mais dois dias de férias enquanto permanecer no estabelecimento cujo posto de trabalho está identificado como carenciado e mais um dia de férias por cada cinco anos de serviço efetivamente prestado estão igualmente previstos.

Os incentivos preveem “a preferência pelo cônjuge ou pela pessoa com quem viva em união de facto na lista de ordenação final dos candidatos (…) para ocupação de posto de trabalho em serviço ou organismo da administração direta e indireta do Estado sito na localidade onde o trabalhador médico é colocado, desde que se trate de trabalhador com vínculo de emprego público constituído por tempo indeterminado”.

Os médicos podem “participar em atividades de investigação ou desenvolvimento das correspondentes competências e qualificações profissionais, mediante exercício de funções em serviços ou estabelecimento de saúde à sua escolha, situados em território nacional, pelo período máximo de 15 dias, por ano, seguido ou interpolado, com direito a ajudas de custo e transporte nos termos legais”.

O trabalhador que se candidate tem preferência no procedimento concursal de recrutamento para preenchimento de postos de trabalho na categoria de assistente graduado sénior, na lista de ordenação final dos candidatos, em caso de igualdade de classificação.

Estes incentivos, que entram em vigor no sábado, são atribuídos pelo período de três anos, após a colocação no posto de trabalho.

Novo estudo diz que até combatem a demência
Investigadores indicam que experiências em roedores e humanos mostram que algumas tipologias de cogumelos contêm substâncias...

De acordo com um novo estudo da Universidade de Malaya, em Kuala Lumpur, os fungos contêm substâncias químicas que previnem a inflamação dos neurónios e promovem o crescimento dos nervos cerebrais.

A investigação que se debruçou sobre onze tipos de cogumelos - alguns já usados para fins medicinais - descobriu que estes aumentam a massa cinzenta ao estimular a produção de um produto químico chamado fator de crescimento nervoso, uma pequena proteína de secreção interna, importante para o crescimento, manutenção e sobrevivência de determinados neurónios (células nervosas).

As descobertas publicadas no Journal of Medicinal Food sugerem que os cogumelos são um potencial "superalimento" que pode reduzir ou mesmo atrasar o desenvolvimento de patologias relacionadas com a demência, como a doença de Alzheimer, escreve o Sapo.

Durante o estudo, os investigadores analisaram várias descobertas científicas prévias e descobriram que estes fungos "podem cumprir uma função preventiva contra o desenvolvimento da doença de Alzheimer".

"O consumo regular de cogumelos pode reduzir ou retardar o desenvolvimento da neuro-degeneração relacionada com a idade", conclui o professor e responsável pelo estudo Vikineswary Sabaratnam, da Universidade de Malaya, em Kuala Lumpur.

"Entretanto, são necessários extensos ensaios clínicos em humanos e animais, o que poderá levar à criação de alimentos funcionais ou novos medicamentos terapêuticos para prevenir ou mitigar os efeitos das doenças neurodegenerativas".

Saúde pública
O Governo aprovou a proibição de uso de pesticidas em espaços públicos como jardins infantis, parques e jardins urbanos,...

De acordo com o comunicado da reunião do Conselho de Ministros, “foi aprovada a alteração da regulação relativa aos produtos fitofarmacêuticos, por transposição da Diretiva nº 2009/128/CE”.

Os produtos fitofarmacêuticos são produtos químicos para uso agrícola com o objetivo de combater ou evitar pragas em culturas e plantas, escreve o Sapo.

“Com o objetivo de reduzir e controlar os efeitos sobre a saúde pública da utilização destes produtos, o Governo decidiu proibir a sua utilização em zonas de maior exposição da população ou tipicamente utilizadas por população mais vulnerável, como jardins infantis, parques e jardins urbanos de proximidade, parques de campismo, estabelecimentos de ensino, hospitais e outros locais de prestação de cuidados de saúde, e estruturas residenciais para idosos”, refere o comunicado.

Ficam fora da proibição os “casos excecionais devidamente autorizados pela autoridade fitossanitária nacional (DGAV)”.

Em julho de 2016 o ministro do Ambiente já tinha avançado que o Governo se preparava para proibir o uso de pesticidas com glifosato, depois de uma polémica suscitada em torno do uso do produto, sobretudo em meio urbano, devido ao seu potencial carcinogénico.

Próximo passo é criar órgãos para transplante
Cientistas conseguiram fazer crescer células humanas em embriões de porcos, naquele que pode ser o primeiro passo para a...

As conclusões da investigação são divulgadas na revista Cell. Nelas os autores descrevem os progressos obtidos para integrar células estaminais pluripotentes induzidas de uma espécie, as que são capazes de dividir-se, especializar-se e gerar a maioria dos tecidos, em embriões de uma outra espécie, muito diferente.

Os resultados, alcançados graças a uma experiência com 1.500 embriões de porco, "representam a prova do conceito de integração de células humanas numa espécie animal grande", segundo a equipa de cientistas liderada pelo espanhol Juan Carlos Izpisúa Belmonte, do Instituto Salk para os Estudos Biológicos, na Califórnia, nos Estados Unidos.

Depois de gerarem vários tipos de células pluripotentes humanas, os investigadores incorporaram-nas em embriões de porco, que, posteriormente, foram introduzidos em fêmeas de porco recetoras, escreve o Sapo.

A experiência foi interrompida às quatro semanas de gestação das porcas, para que fosse avaliada a segurança e a eficácia da tecnologia, e também por questões éticas. "Demonstrámos que esta tecnologia permite que um organismo de uma espécie gere um órgão composto por células de outra espécie", sustentou o coordenador da investigação, Juan Carlos Izpisúa Belmonte, assinalando que "isto proporciona uma ferramenta muito potente para estudar a evolução das espécies, o aparecimento e o desenvolvimento de doenças e a procura de novos medicamentos, podendo conduzir, em última instância, à possibilidade de se produzir órgãos humanos para transplante".

Apesar de ser um "primeiro passo importante", o crescimento de órgãos humanos em porcos ainda está "muito longe", ressalvou.

Alguns dos embriões de porco revelaram que as células humanas se tinham especializado e convertido em precursores de distintos tecidos, como músculo, coração, pâncreas, fígado e medula, ainda que a taxa de êxito e o nível de contribuição das células humanas em porcos tenha sido mais baixo quando comparado com ratos.

A equipa de cientistas conseguiu criar ratos com pâncreas, olhos e coração de ratas, mas decidiu trabalhar com porcos, porque os roedores são animais pequenos e com uma fisiologia muito diferente da dos humanos.

Universidade Nova reúne stakeholders do setor da saúde em Portugal
“Medição dos cuidados de saúde baseada em valor” é o tema da Conferência ICHOM em Portugal que se realiza nos dias 10 e 11 de...

Adalberto Campos Fernandes, Manuel Delgado, Marta Temido, Ana Rita Cavaco, Ricardo Baptista Leite, Isabel Vaz, José Maria Laranja Pontes, Joaquim Cunha, Rui Raposo, Fernando Fragateiro ou António Vaz Carneiro são alguns dos nomes que vão constituir os vários painéis de debate.

Este encontro conta também com Christina Åkerman, Presidente do ICHOM – International Consortium for Health Outcomes Measurement, Martin Ingvar, do Karolinska, Diane Bell, Diretora do PA Consulting Group para o setor da saúde, Paulo Gonçalves, Partner e Managing Director do The Boston Consulting Group Espanha e Maartje Schouwenburg, Cofundadora e Membro do Conselho de Administração da Value in Care, entre outras personalidades da saúde mundial.

Para João Marques Gomes, CEO da Nova Healthcare Initiative e investigador de gestão e economia da saúde na Nova SBE, “a iniciativa pretende lançar o debate e alertar os principais representantes da saúde em Portugal para a necessidade de existirem padrões de medição da qualidade dos serviços de saúde prestados no Sistema Nacional de Saúde ou Serviço Nacional de Saúde (SNS). Todos sabemos o número de consultas realizadas, o número de cirurgias ou o número de internamentos. Mas não sabemos se esses cuidados prestados foram de qualidade e se resultaram em benefício para o doente e é isso que esta iniciativa vem propor”.

ICHOM é o acrónimo de International Consortium for Health Outcomes Measurement. Trata-se de uma organização sem fins lucrativos, fundada por três instituições mundialmente reputadas – Harvard Business School, Karolinska Institute e The Boston Consulting Group, nos Estados Unidos da América.

O ICHOM tem como objetivo transformar os sistemas de saúde a nível mundial, através da mediação e avaliação dos resultados observados nos pacientes, sendo estes resultados fundamentais para medir a qualidade dos cuidados de saúde prestados.

Pode consultar todas as informações no site do evento, em www.ichomportugal.org.

Estudo
Um estudo liderado por Pedro Norton, investigador da Unidade de Investigação em Epidemiologia do Instituto de Saúde Pública da...

As conclusões referem também que os atos de bullying – termo que designa a exposição sistemática à humilhação e a comportamentos hostis e violentos contra um ou mais indivíduos – incidem sobretudo em pessoas do sexo feminino, que trabalham como enfermeiras, administrativas e assistentes operacionais.

“Os profissionais de saúde são um grupo ocupacional particularmente exposto ao bullying. Em Portugal, apenas existem dados representativos deste fenómeno em enfermeiros, pelo que este é o primeiro estudo de grande dimensão que avalia o bullying nos restantes grupos profissionais ligados à saúde”, refere Pedro Norton.

A nível dos agentes que praticam bullying, verificou-se que este tipo de agressões era perpetrado, predominantemente, por superiores hierárquicos das vítimas.

A falta de estabilidade no trabalho e as políticas de flexibilidade laboral estão, de acordo com os autores do estudo, intimamente associadas ao bullying no local de trabalho. Os trabalhadores temporários são um grupo particularmente vulnerável, devido ao receio de serem despedidos ou de não verem o seu contrato renovado, no caso de denunciarem a agressão. Também os trabalhadores com contratos a termo sofrem um maior risco de agressão comparativamente aos que possuem contrato por tempo indeterminado.

Os resultados apresentados foram obtidos através da análise das respostas a um inquérito aplicado a 707 profissionais de saúde hospitalares. A maioria dos participantes são mulheres (72,7%), com menos de 35 anos (46,2%) e que exercem a profissão de enfermagem (38,7%).

De realçar no entanto, que a prevalência de bullying observada neste estudo é inferior à registada em outros países: Austrália (50%), Estados Unidos da América (38%) e outros países Europeus (11,3%).

No entanto, “apesar da prevalência encontrada ser inferior à estimada em outros países, continua a afetar um número elevado de profissionais de saúde. Assim, o estabelecimento de medidas preventivas que possam minimizar as suas consequências quer a nível individual (físicas e psíquicas) quer a nível institucional (absentismo) torna-se imperativo. Neste contexto, os Serviços de Medicina do Trabalho devem ter um papel ativo no desenho de intervenções que tenham por objetivo a identificação e acompanhamento clínico dos casos, a referenciação para estruturas de apoio e a delineação de estratégias preventivas que eliminem ou minimizem este problema”, acrescenta.

O artigo “Prevalence and Determinants of Bullying Among Health Care Workers in Portugal” foi publicado na revista “Workplace Health & Safety” e pode ser consultado, através do seguinte link.

Páginas