Organização Mundial da Saúde
Dezenas de pesquisas contra o vírus Zika estão a ser desenvolvidas atualmente, mas nenhuma vacina estará disponível para...

"Cerca de 40 vacinas permanecem em estudo. Algumas estão em fase de ensaios clínicos, mas uma vacina considerada segura o suficiente para ser usada por mulheres em idade fértil não poderá ser totalmente licenciada antes de 2020", disse a diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Há exatamente um ano a OMS decretou que o vírus Zika, ligado a anormalidades cerebrais graves em crianças, representava uma "emergência de saúde pública de alcance global."

Este estado de emergência foi retirado em 18 de novembro, quando a organização considerou que "um forte mecanismo técnico de longo prazo a havia obrigado a a dar uma resposta global."

"Um ano depois, onde estamos? A propagação internacional do vírus continuou, mesmo com um monitoramento melhor. Cerca de 70 países e territórios nas Américas, África, Ásia e no Pacífico Ocidental têm relatado casos de vírus Zika desde 2015", acrescentou Margareth Chan.

O vírus Zika, que afetou principalmente o Brasil, é transmitido pela picada do mosquito 'Aedes aegypti' e através de relações sexuais.

A doença tem sido apontada como causa de problemas neurológicos em adultos e de defeitos congénitos como a microcefalia, que foi observada em fetos e recém-nascidos de mães infetadas pelo vírus Zika durante a gravidez.

Estudo
Um estudo internacional, publicado na revista Nature, identificou 83 variações genéticas que controlam a altura humana, numa...

"A ideia era que, se pudéssemos compreender a genética da altura humana, poderíamos aplicar este conhecimento para desenvolver ferramentas genéticas para prever outras características ou o risco de desenvolvimento de doenças comuns", assinalou um dos coordenadores do estudo, Guillaume Lettre, professor na Faculdade de Medicina da Universidade de Montreal, no Canadá.

Para Panos Deloukas, outro coordenador do estudo e professor na Universidade Queen Mary de Londres, no Reino Unido, torna-se agora possível "começar a identificar variações genéticas que podem influenciar o risco de desenvolvimento de doenças comuns como a diabetes, o cancro e a esquizofrenia".

A investigação envolveu mais de 300 cientistas de cinco continentes e 700 mil participantes e algumas das variações genéticas descobertas influenciam a altura de adultos em mais de dois centímetros.

Segundo Guillaume Lettre, os genes afetados por estas variações modulam o desenvolvimento dos ossos e das cartilagens e a produção e ativação da hormona do crescimento.

Para descobrir as 83 variações genéticas, a equipa de investigadores mediu a presença de 250 mil variações no ADN (informação genética) dos 700 mil voluntários.

No caso da altura, os cientistas encontraram vários genes que podem ser bons alvos para tratamentos de problemas de crescimento em crianças e concluíram que as variações genéticas que inativam o gene STC2 aumentam a altura das pessoas que os têm no seu ADN, ao atuarem sobre determinados fatores de crescimento.

Ministro da Saúde
O ministro da Saúde mostrou-se hoje preocupado com a utilização de dados de saúde por entidades públicas e privadas que as...

“Vemos com alguma preocupação a utilização de dados em saúde por entidades privadas e públicas que cedem inapropriadamente essa informação a terceiras entidades, com o fim comercial”, disse Adalberto Campos Fernandes após um almoço promovido pelo International Club of Portugal em que foi orador convidado.

O ministro anunciou que o Governo está a preparar a apresentação à Assembleia da República de uma nova Lei de Dados em Saúde “para arrumar as questões de segurança e, nomeadamente, a utilização inapropriada e indevida de dados”.

Segundo Adalberto Campos Fernandes, “algumas situações estão sinalizadas e estão a ser investigadas, constituindo um perigo”.

“Tal como em relação à fraude financeira, seremos absolutamente implacáveis com a utilização inapropriada e insegura de dados que, felizmente, não são clínicos, mas sobre o receituário”, disse.

Trata-se, segundo o ministro, de “informações sobre o comportamento prescritivo do médico” e a sua passagem “a entidades terceiras, naturalmente partes interessadas no processo”.

Direção-Geral da Saúde
A subdiretora geral da Saúde, Graça Freitas, disse hoje que o risco de infeção para o ser humano por gripe aviária "é...

"O risco para o ser humano é muito pequeno, só muito raramente que os vírus aviários passam a barreira das espécies e conseguem infetar os humanos", disse aquela responsável, na sequência da deteção de um caso de gripe aviária no Algarve.

De acordo com Graça Freitas, o tipo de vírus que foi detetado numa garça-real no concelho de Loulé, o H5N8, "é um dos muitos que vive na natureza" e que se hospeda nas aves, sobretudo nas aquáticas, sendo que existem apenas três tipos de vírus da gripe que infetam habitualmente a espécie humana.

"O que às vezes acontece é que [o vírus] pode passar das aves silvestres para aves domésticas e, nessa passagem, pode provocar doença e epizootias [o equivalente, na veterinária, a epidemias] nas aves domésticas", explicou, sublinhando que em Portugal "nem sequer existe esse surto nas aves domésticas".

A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária confirmou na terça-feira a deteção no Algarve de uma garça-real infetada com o vírus da gripe aviária, o que levou ao aumento do nível de alerta para a doença e ao reforço das medidas de proteção e vigilância na região.

Foi igualmente proibido o comércio de aves em mercados rurais, largadas de pombos, de espécies cinegéticas criadas em cativeiro e caça com negaças vivas.

Segundo o comunicado emitido pela Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), as freguesias de Almancil, em Loulé, e de Montenegro, em Faro, são consideradas zonas de restrição, sendo ali proibidas as movimentações de aves por um período de 21 dias, sem a autorização daquele organismo.

Nestas freguesias aplica-se ainda "a vigilância clínica a todas as explorações comerciais, de detenção caseira e de aves em cativeiro com eventual colheita de amostras".

Nas zonas de maior risco para a gripe aviária são ainda proibidas "as concentrações de aves de capoeira e de outras aves em mercados, espetáculos, exposições e eventos culturais nos quais se utilizem aves, incluindo soltas de pombos".

Nas explorações avícolas localizadas nestas zonas é proibida a manutenção de aves de capoeira ao ar livre.

Ordem dos Psicólogos
A Ordem dos Psicólogos lança hoje uma campanha para tornar as escolas “mais saudáveis” e vai atribuir anualmente um selo de...

“Os requisitos serão lançados hoje com a campanha e vão ao encontro de uma preocupação que penso que todos os pais têm: será que a escola dos meus filhos é saudável?”, afirmou Francisco Rodrigues.

Para levar a campanha às escolas, foi elaborado um manual de boas práticas destinado a garantir “um maior bem-estar” a toda a comunidade educativa, explicou.

A Ordem insiste que são necessários mais profissionais nas escolas e com maior participação na preparação das atividades escolares.

A última contratação oficial (contrato efetivo) foi feita em 1999, segundo o responsável, sendo que, deste grupo, se mantêm em funções cerca de 300 psicólogos.

O rácio por aluno é de 1/1.700, mas a meta é atingir 1/1000, indicou Francisco Rodrigues, acrescentando que foi neste sentido que foi assinado um protocolo com a Direção Geral de Educação, com contratações a começarem este ano, nomeadamente com “a contratação agora de cerca de 200 psicólogos”.

Francisco Rodrigues estima que faltem cerca de 500 psicólogos para serem alcançados os rácios pretendidos.

“O problema, neste momento, é que mesmo os psicólogos que estão nas escolas não estão a tempo inteiro”, afirmou, referindo que muitas vezes só conseguem dar resposta às solicitações mais urgentes: “O trabalho de prevenção está completamente posto em causa”.

Os psicólogos consideram que uma maior intervenção poderia resultar em menos custos para o Estado, alegando que uma reprovação tem um custo de 4.000 euros/ano para os contribuintes e que um aluno que reprova tem 300% mais de probabilidades de voltar a chumbar e ter outras situações problemáticas no futuro.

“Os psicólogos atualmente terminam os seus contratos quando termina o ano letivo e só voltam a ser contratados lá para o final de setembro”, lamentou, criticando a descontinuidade do trabalho e ausência na preparação do ano letivo.

Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral
O presidente da Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral, José Castro Lopes, disse hoje, no Porto, que a incidência e...

“Não vai ser possível a breve trecho, mas vai diminuir muito a sua incidência e a sua mortalidade, como aconteceu nos últimos dez anos. O ‘acabar’ é mais longínquo, mas é uma guerra que não está perdida”, afirmou o neurologista em declarações a propósito da 11.ª edição do Congresso Anual da Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral (SPAVC), que começa quinta-feira, no Porto.

“Poder acabar com o AVC”, será o tema da conferência inaugural do congresso que decorrerá até sábado, com a presença de “mais de 800 participantes”, segundo a organização.

O presidente da SPAVC e do Congresso salientou a realização da Sessão de Informação à População, agendada para a tarde de sábado.

“A população tem de ajudar, a população é que está a falhar. Não vai assistir às sessões de esclarecimento que programamos como, por exemplo, a que programámos para sábado à tarde, que é uma sessão aberta para aprender como é que se deve proteger do AVC e outras informações. As pessoas não aparecem nestas sessões, temos tido salas com pouca gente”, sustentou.

De acordo com Castro Lopes, “estamos a ter progressos extraordinários na parte aguda do tratamento do AVC, mas a prevenção exige muito da população”.

“É também fundamental reconhecer os sinais do AVC e, ao menor desses sinais, recorrer de imediato ao 112 e exigir - é essa a palavra - ser levado ao hospital que tenha uma unidade de AVC, porque aí já se fazem os tais tratamentos de fase aguda, capazes de desobstruir a artéria que estava a danificar o cérebro, restabelecer a circulação e ficar bem”, acrescentou.

O AVC é uma doença súbita que afeta uma zona limitada do cérebro, causada pelo bloqueio ou rompimento de uma artéria cerebral.

Nas suas ações dirigidas à população, a SPAVC tem reforçado a importância do reconhecimento dos 3F’s: desvio da face, dificuldade em falar e falta de força num braço. Estes sinais devem motivar a ativação imediata dos serviços de emergência Médica (112), porque quanto menor for o período entre a ocorrência destes primeiros sintomas e a chegada ao hospital, maior será a probabilidade de sobrevivência sem sequelas.

De acordo com a SPAVC, em Portugal, as elevadas taxas de AVC têm sido atribuídas a um fator de risco específico, a hipertensão arterial, que, por sua vez, tem como principal causa o consumo excessivo de sal. O sedentarismo, a obesidade e o tabagismo, entre outros, são também fatores de risco.

Castro Lopes destaca alguns temas do congresso que vêm reforçar as mensagens-chave transmitidas pela SPAVC ao longo dos anos: “Estilos de vida na vanguarda do AVC”, “A importância do risco vascular na deterioração cognitiva” e “Os aspetos do tratamento da fase aguda do AVC isquémico”.

O neurologista chamou ainda a atenção para a sessão dedicada à reabilitação, salientando que “a reabilitação pós-AVC é um direito que deve ser mantido enquanto o doente não readquirir as funções perdidas”.

Complementando o congresso, mas de entrada livre a toda a população interessada, a SPAVC volta a promover uma sessão de informação dirigida ao público em geral. A sessão acontece sábado, pelas 15:30, no auditório onde decorrerá o congresso, no Hotel Sheraton, no Porto.

Riscos de uma dieta restritiva
Desenvolvida por dois especialistas em nutrição britânicos, a dieta SIRT promete acelerar o metaboli

“A dieta SIRT é uma dieta da moda que se baseia no consumo de um grupo específico de alimentos, ricos em fitonutrientes (polifenóis), e que segundo os seus autores, ativam as moléculas denominadas sirtuínas – Silent Information Regulators ou SIRTs”, explica Rita Fonseca Silva.

Na realidade, Aidan Goggins e Glen Matten, os dois expecialistas em nutrição que “criaram” este novo plano alimentar, descobriram, durante o estudo que permitiu desenvolver a dieta SIRT, que alguns povos (como os japoneses de Okinawa ou os Índios americanos Kuna) que baseava a sua dieta em alimentos ricos em sirtuínas, se mantinham mais magros e mais saudáveis do que os outros.

“As sirtuínas são proteínas que, de acordo com estudos realizados em animais e ao nível celular, parecem contribuir para regular o metabolismo e o processo de envelhecimento”, adianta a nutricionista.

Esta descoberta levou os dois britânicos a criar uma dieta que defendem ser rica em nutrientes que  são capazes de despertar o “gene” do emagrecimento.

No entanto, Rita Fonseca Silva adverte que, embora nas últimas décadas tenham surgido muitos estudos sobre estas proteínas, “mais estudos serão necessários para aprofundar o conhecimento no tema e sobre a relação entre a ingestão de determinado alimento e estas moléculas”.

A verdade é que, de acordo com esta especialista, o fator que hoje em dia mais condiciona a regulação do peso coporal é essencialmente o nosso estilo de vida. “No geral sedentário e com pouca atividade física diária”, adianta.

No grupo dos alimentos que supostamente ativam o gene magro encontram-se, essencialmente, produtos de origem vegetal como o azeite virgem extra, as cebolas roxas, a salsa, a couve, as nozes, os morangos, a curcuma ou o açafrão, os produtos à base de soja, o cacau,  o chá verde e o café.

“Estes alimentos contêm de facto alguns fitonutrientes, ou seja, substâncias que existem naturalmente nos alimentos e plantas, que apresentam características associadas à proteção contra o envelhecimento  prevenção de doenças crónicas”, refere Rita Fonseca Silva que admite ser inquestionável que os alimentos escolhidos apresentem alto teor nutritivo. São “ricos em fitonutrientes importantes, não só em polifenóis mas também de bioflavonoides, carotenoides, licopeno, isoflavonas, sulforafanos”, entre outros.

Por outro lado, “a parte mais apelativa desta dieta parece ser o consumo de vinho e cacau, mas não existem ainda evidências dos benefícios desta dieta na perda de massa gorda ou no aumento do metabolismo em seres humanos”.

Deste modo, a nutricionista defende que a alimentação deve ser variada sendo “crucial a sinergia existente no consumo diário de uma ampla variedade de alimentos, e não apenas alguns”. É que a dieta SIRT não é mais do que uma dieta restritiva, até em termos calóricos, o que constitui, por si, um risco.

“Estas restrições podem levar a perdas de peso repentinas, que não são consideradas sustentáveis”, afirma a nutricionista acrescentando que, este tipo de dieta, a curto prazo, vai promover “sobretudo a perda de glicogénio e água no organismo” e como não é acompanhada de mudanças no estilo de vida, pode mesmo resultar no aumento de hormonas que estimulam o apetite.

“A perda de gordura corporal deverá sempre ser gradual, à custa de uma reeducação dos hábitos alimentares e com a prática regular de exercício físico”, defende.

Para Rita Fonseca Silva a dieta ideal passa sobretudo por uma alimentação equilibrada. “A dieta ideal inclui, não exclui. Assim, os alimentos propostos nesta dieta (SIRT) podem e devem ser incluídos e consumidos como parte de uma dieta completa (com alimentos dos sete grupos alimentares), variada (com vários tipos de alimentos dentro de cada grupo alimentar) e equilibrada (na proporção diária adequada)”, defende.

“Na perda de massa gorda não existem soluções rápidas, existe trabalho, empenho e um bom acompanhamento (com um profissional da área) para atingir os objetivos pretendidos”, afirma.

Por isso, para aqueles que estão a ponderar perder peso, a especialista aconselha ajuda profissional. “Consulte um profissional da área credenciado (inscrito na ordem dos nutricionistas), para melhor estar informado e para ser acompanhado tendo em conta a sua situação em particular”, conclui.

 

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Proposta de lei
Os profissionais de saúde e responsáveis por laboratórios que não notifiquem as doenças de declaração obrigatória vão passar a...

De acordo com a proposta de Lei de Saúde Pública, que deverá ser aprovada na quinta-feira, cabe ao membro do Governo responsável pela área da Saúde aprovar “o regulamento de notificação de doenças, de quadros sindrómicos e os riscos ou fenómenos”. “Todos os profissionais de saúde que exerçam atividade no Serviço Nacional de Saúde, no sector privado ou social, bem como os responsáveis por laboratórios, ficam sujeitos ao dever de notificação obrigatória”, lê-se no diploma.

O documento refere que “a instrução dos processos de contraordenação, bem como a eventual aplicação de coimas, compete à Direção-Geral da Saúde (DGS), no âmbito das suas atribuições, a quem devem ser enviados os autos levantados pelas autoridades de saúde”.

O incumprimento da notificação obrigatória “constitui contraordenação muito grave, punível, no caso de pessoas singulares, com uma coima que se situa entre os 100 euros e os 10 mil euros. No caso de pessoas coletivas, está prevista uma coima entre os 10 mil e os 25 mil euros.”

A nova Lei de Saúde Pública, que pretende “consolidar num único diploma a mais relevante legislação específica de saúde pública produzida ao longo de várias décadas e dispersa por inúmeros normativos, procedendo-se à sua atualização”, define algumas “medidas de exceção”.

Estas acontecerão sempre “no seguimento de declaração pública a realizar pelo membro do Governo responsável pela área da saúde” e podem incluir “a restrição, a suspensão ou o encerramento de atividades ou a separação de pessoas que tenham sido expostas, ainda que não estejam doentes, de forma a evitar a eventual disseminação da infeção ou contaminação”. Esta “separação” pode também ser determinada para “animais, objetos, meios de transporte ou mercadorias que potencialmente possam representar riscos para a saúde pública”.

A proposta de lei visa ainda “consolidar e atualizar os progressos alcançados na área de intervenção específica da saúde pública, mantendo as suas atribuições e competências, mas reforçando a capacidade dos seus serviços, enriquecendo a participação alargada dos seus profissionais na vida dos mesmos e dotando-os dos necessários instrumentos vitais ao seu funcionamento, incluindo os modernos sistemas de informação e a articulação cooperativa em rede, envolvendo os diversos atores da saúde e das áreas conexas relevantes para a mesma”.

Esta proposta mereceu já críticas por parte da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), escreve o Sapo, para quem se trata de uma “consolidação da legislação existente” e que, por isso, “nada trás de reformador”.

Para a FNAM, a proposta “limita-se a plasmar, no essencial, o que já está definido e, reconheça-se, está bastante desajustado das exigências que uma moderna Saúde Pública reclama no século XXI”. “Quando se constata a importância das novas patologias sociais e a necessidade de intervir nos seus determinantes, a visão que estará em debate cinge-se à abordagem das patologias infeciosas”, prossegue a Federação.

Desenvolvido no Porto
Um aluno do Instituto Superior de Engenharia do Porto desenvolveu um sistema que deteta os modos de transportes utilizados...

De acordo com o criador do projeto SmarTrans, Nuno Cardoso, ao monitorizar esses transportes - autocarro, metro, comboio, carro, caminhar e estar parado - é possível auxiliar o trabalho dos profissionais de saúde, dando-lhes informações sobre os hábitos de atividade física do utilizador.

O sistema permite "perceber se o idoso tem uma vida sedentária, se existem mudanças nos padrões de movimento diário, fornecer indicação sobre a falta de atividades sociais, se é suficientemente independente" no quotidiano ou se faz exercício suficiente, disse o aluno de Engenharia Informática do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP).

Com o aumento da esperança média de vida, "é percetível o envelhecimento da população e, consequentemente, uma diminuição das condições sociais e económicas para o cuidado diário de idosos", indicou o coordenador académico do projeto, Nuno Pereira.

Devido a isso, "está a ser dada mais atenção aos sistemas de cuidados remotos para ajudar os pacientes a cuidar de si mesmos, diminuindo a necessidade de cuidados de saúde convencionais", acrescentou.

Segundo o docente do ISEP, escreve o Sapo, a atividade física é uma característica importante de alguns dos novos sistemas de prevenção e monitorização, tendo os parâmetros relacionados com esta temática recebido um interesse crescente por parte dos profissionais de saúde.

O projeto foi desenvolvido sob a coorientação do investigador do centro de investigação Fraunhofer Portugal AICOS João Madureira, em parceria com a Universidade do Porto.

Roxall
O grupo farmacêutico BIAL anunciou hoje que vai vender à empresa alemã Roxall a sua unidade de negócio de imunoterapia alérgica...

A “BIAL chegou a acordo com a empresa alemã Roxall para vender a unidade de negócio de imunoterapia alérgica, conhecida como BIAL Aristegui”, indica a empresa em comunicado.

A venda daquela unidade inclui, segundo o grupo farmacêutico, as “áreas comerciais dedicadas à alergologia em Espanha, Portugal e Itália, que, em 2016, representaram 7% da faturação global da BIAL, bem como a unidade de Inovação e Desenvolvimento e industrial de Bilbau (Espanha), envolvendo cerca de 100 colaboradores que serão integrados na empresa Roxall”.

Esta operação irá permitir à BIAL “concentrar a sua atividade na investigação e desenvolvimento (I&D) de novos medicamentos para o sistema nervoso central e cardiovascular e na sua expansão internacional, em particular na Europa, com o reforço da sua atividade de promoção de medicamentos através das suas filiais em Espanha, Alemanha, Reino Unido e Itália”.

O anúncio surge 15 dias depois da Bial assinar com o Estado Português um contrato de investimento no valor de 37,4 milhões para investigação científica nas áreas dos sistemas nervoso central e cardiovascular.

Este contrato estende-se até 2018 e vem na sequência de o Governo ter aprovado benefícios fiscais para investimentos industriais aprovados em Conselho de Ministros em dezembro passado.

“Este investimento da BIAL é particularmente relevante do modelo que o país tem definitivamente de assumir, que é o desenvolvimento assente da inovação”, afirmou então o primeiro-ministro, António Costa.

Citado no comunicado, António Portela, CEO do grupo BIAL, explica também hoje que “esta operação vai permitir uma maior focalização nos objetivos estratégicos” do grupo que irá centrar os seus investimentos nos “medicamentos na área das neurociências e cardiovascular” e no reforço da sua presença na Europa.

Em Espanha, que continuará a ser o mercado prioritário no programa de internacionalização da empresa, irá manter-se a unidade de negócio de medicamentos que atingiu em 2016 um volume de faturação de 60 milhões de euros.

“Toda a atividade de investigação e industrial de BIAL passará a estar concentrada em Portugal”, realça a empresa em comunicado, segundo o qual está em curso um “forte” programa de inovação e desenvolvimento com um investimento médio anual de 50 milhões de euros.

As operações da BIAL na imunoterapia alérgica remontam a 1998, quando adquiriu em Espanha a empresa Aristegui, com atividades nesta área e com uma pequena atividade na área do medicamento.

 

Em 2011 a BIAL construiu em Bilbau, Espanha, uma Unidade Integrada de Produção e Investigação, dedicada à investigação e produção de vacinas personalizadas.

Estudo
Viver em condições socioeconómicas más provoca a perda de dois anos de vida, quase tanto quanto o sedentarismo, segundo um...

Ao rever 48 estudos efetuados nos EUA, na Austrália e em vários países europeus, os investigadores descobriram que as más condições socioeconómicas – como um trabalho subqualificado ou um fraco nível de instrução – podem reduzir a esperança de vida média em 2,1 anos.

O tabagismo é, por sua parte, associado a uma perda de esperança de vida de 4,8 anos, o diabetes de 3,9 anos e o sedentarismo de 2,4 anos.

O estudo foi realizado no quadro do projeto Lifepath, consagrado ao envelhecimento e financiado pela Comissão Europeia.

“Sabemos que a educação, o rendimento e o trabalho afetam a saúde, mas poucos estudos têm avaliado as suas importâncias”, explicou Mika Kivimaki, da University College de Londres, que participou no estudo.

Os investigadores sublinharam que as condições socioeconómicas podem ser modificadas por políticas locais, nacionais ou internacionais e que o impacto destas mudanças na esperança de vida pode ser mais importante que as ajudas a deixar de fumar ou o aconselhamento dietético.

Estas últimas intervenções aproveitam mais às pessoas privilegiadas.

“O estatuto socioeconómico é importante, porque é o resumo de uma exposição, durante toda a vida, a condições e comportamentos perigosos”, destacou, por seu lado, Paolo Vineis, o chefe do projeto Lifepath.

O objetivo do Lifepath é compreender os mecanismos biológicos através dos quais as desigualdades sociais geram desigualdades no campo da saúde.

Especialista
A presidente da Fundação Oswaldo Cruz, Nísia Trindade, disse no Rio de Janeiro que é praticamente impossível acabar com o '...

Segundo a Agência Brasil, que cita declarações daquela especialista num seminário, "o combate ao 'Aedes [aegypti'] talvez seja o maior desafio da saúde pública [do Brasil], porque existe uma série de fatores que deveriam ser realizados para que ele seja eficiente. Hoje é praticamente impossível acabar com o mosquito".

A proliferação do 'Aedes aegypti' é foco de grande preocupação para o Brasil, que sofre há décadas com o problema do dengue e, nos últimos dois anos, teve que defrontar outras epidemias preocupantes como a do vírus Zika e da Chikungunya.

Em 2017, a febre-amarela, outra doença transmitida por este mosquito vetor, já está a causar problemas.

Segundo um levantamento do Ministério da Saúde do Brasil, divulgado na segunda-feira, diversos Estados do país já notificaram 568 casos suspeitos de febre-amarela.

Deste total, 430 casos permanecem em investigação, 107 foram confirmados e 31 descartados.

Também foram notificadas 113 mortes causadas pela mesma doença, tendo sido confirmados 46 casos, com 64 ainda sob investigação e três mortes foram descartadas.

A presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) explicou que o ressurgimento da febre-amarela em áreas urbanas do Brasil não deve causar pânico entre a população.

"O cenário não é de desespero. Temos vacinas suficientes para aplicarmos naqueles que necessitam, e os que não precisam, peço que, por favor, não façam uso da medicação, pois estarão retirando do público-alvo", concluiu.

Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra
O Hospital Pediátrico do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra inaugurou hoje 12 módulos de ciência para crianças e...

"Isto é que é modernidade: aproveitar a capacidade da ciência, trazê-la de encontro às crianças que estão internadas e privadas do seu convívio habitual para, neste contexto, poderem ter uma visão moderna da ciência", sublinhou o presidente do Hospital Pediátrico do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), José Martins Nunes.

O presidente do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra disse ainda que os módulos interativos podem ajudar as crianças "a diminuírem o sofrimento e o dos pais, porque estar no hospital tem sempre uma certa carga" negativa.

Com este projeto, acrescentou, o "hospital deixa de ser apenas um local de doença, para poder a ser um espaço de conhecimento".

Martins Nunes frisou ainda que "poucos hospitais do mundo têm esta oportunidade" de proporcionar o contacto com a ciência às crianças e jovens internados, que no caso do Pediátrico de Coimbra rondam os 80, em média.

Para o diretor do Departamento Pediátrico, Jorge Saraiva, a capacidade de experimentar e aprender "sempre foi e será cada vez mais importante para a educação dos jovens", pelo que uma iniciativa deste género é bastante benéfica.

"Quando os jovens, por motivos de saúde, têm de permanecer no hospital, quanto mais próximo estiverem da sua vida diária menores serão os impactos no seu crescimento e desenvolvimento, pelo que esta é oportunidade de interagir e de continuar a desenvolver de uma maneira agradável os seus conhecimentos", salientou.

A iniciativa de colocar 12 módulos de ciência interativa no Hospital Pediátrico resulta do projeto 'A Ciência faz bem' do Exploratório - Ciência Viva Coimbra, que pretende levar a ciência a espaços diferentes, como uma unidade hospitalar.

Segundo o diretor do Exploratório, Paulo Trincão, trata-se de uma experiência inovadora, que não existe em mais nenhuma unidade hospitalar de Portugal, e que se baseia no conhecimento através da experimentação.

"Pretendemos que as crianças experimentem sem medo de falhar e se falharem que voltem a fazer outra vez, situação que às vezes não acontece nas escolas por falta de tempo", disse, salientando que o projeto pretende "criar o bem-estar possível numa situação de stress" das crianças.

4 de fevereiro de 2017
“Nós podemos. Eu posso”. É este o lema que acompanhará todas as atividades da Liga Portuguesa Contra o Cancro, no próximo dia 4...

Anualmente, cerca de 8 milhões de pessoas, em todo mundo, morrem de cancro e estima-se que a doença venha a atingir 21,7 milhões até 2030. A incidência da doença tende a aumentar, principalmente em países desenvolvidos, mas muitas destas mortes podem ser evitadas com maior apoio governamental e financiamento para programas de rastreio, prevenção e tratamento do cancro.

A iniciativa mundial da Union for International Cancer Control (UICC) pretende explorar individual e coletivamente como podemos agir na luta contra o cancro e mostrar que é possível agir para reduzir o impacto desta doença sobre as pessoas, famílias e sociedade em geral. No próximo Dia Mundial da Luta Contra o Cancro, a UICC e LPCC deixam algumas mensagens para refletir: 

- Inspirar, Motivar e Agir. Podemos trabalhar para melhorar a resposta à doença oncológica, exigindo ações que contribuam para prevenir, diminuir o número de mortes prematuras e melhorar a qualidade de vida dos doentes oncológicos;

- Desafiar perceções. Podemos acabar com os mitos e reduzir o estigma associado à doença oncológica, através de ações que combatam a desinformação da sociedade;

- Melhorar o acesso a cuidados de saúde, através da implementação de medidas de proteção social que assegurem que indivíduos e famílias tenham igual oportunidade de acesso a tratamentos e oportunidades para prevenir e controlar o cancro;

- Aderir aos programas de rastreio, uma vez que o diagnóstico precoce está relacionado com uma maior taxa de sobrevivência. Nem todos os cancros têm sinais de alerta, mas é possível detetar alguns sintomas;

- Falar sobre Cancro. Podemos ser agentes ativos, divulgando informação para influenciar as políticas públicas de prevenção do cancro e acompanhamento da doença oncológica;

- Fazer escolhas saudáveis. Podemos deixar de fumar, ser fisicamente ativos e escolher alimentos saudáveis para reduzir o risco de cancro. A adoção de um estilo de vida saudável pode evitar um terço dos cancros mais comuns; 

- Informar e Impulsionar, educando e informando os doentes no sentido de participarem na decisão terapêutica. Devemos atuar na defesa da autonomia dos doentes, do respeito pelos seus direitos e da proteção contra o erro ou negligência em cuidados de saúde;

- Ajudar os outros. Podemos ajudar o doente oncológico a adaptar-se às alterações na sua vida, contribuindo também para melhorar a qualidade da mesma;


“A LPCC é uma das instituições mais antigas, a nível europeu, que integra esta rede de cooperação internacional e temos como objetivo colaborar ativamente no desenvolvimento e implementação de projetos que reforcem a nossa missão. Voltamos a associar-nos à UICC para sensibilizar a população portuguesa, promover uma maior consciência, individual e coletiva, e fomentar a participação ativa em áreas fundamentais, como a prevenção, rastreios, educação, tratamento e cuidados”, explica Vítor Veloso, Presidente da LPCC. 

Para mais informações, visite www.ligacontracancro.pt

Primeira causa de morte
Considerado como a principal causa de morte e de incapacidade permanente, o Acidente Vascular Cerebr

Estima-se que, todos os anos, ocorram cerca de 6,5 milhões de mortes por Acidente Vascular Cerebral, em todo o mundo. Em Portugal, por hora,  três portugueses sofrem um AVC, um dos quais resulta em morte. Metade fica com sequelas incapacitantes para o resto da vida.

Dados alarmantes que fazem desta doença a principal causa de morte e incapacidade no país.

“O AVC é uma doença súbita que afeta uma zona limitada do cérebro, causada pelo bloqueio ou rompimento de uma artéria cerebral, interrompendo o fornecimento de sangue ao cérebro”, começa por explicar o Professor José Castro Lopes, presidente da Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral.

“A irrigação sanguínea do cérebro pode ser interrompida devido a um fenómeno isquémico (obstrução de uma artéria) ou a um fenómeno hemorrágico (rompimento de uma artéria)”, acrescenta adiantando que o AVC isquémico implica sempre um “entupimento” de um vaso sanguíneo que condicionará a chegada do sangue às células cerebrais, seja ele provocado por um trombo ou por um embolo.

“Já o AVC hemorrágico é causado por uma hemorragia, ou seja, pelo “rompimento” de um vaso sanguíneo dentro do cerébro”, afirma o neurologista.

De acordo com este especialista, os AVC hemorrágicos são menos comuns que os isquémicos, ocorrendo apenas em 15% dos casos, no entanto, a gravidade dos mesmos depende de vários fatores. “A cada área do cérebro corresponde uma função diferente: a função motora, o equilíbrio, a linguagem, a memória, a coordenação, a sensibilidade, entre outras. Neste contexto, as manifestações de um AVC e subsequentes sequelas vão depender da zona lesada e da extensão dos danos causados pela falta de irrigação”, justifica.

Deste modo, quanto menor for o período entre a ocorrência dos primeiros sinais de AVC e a chegada ao hospitral, maior será a probalibilidade de sobrevivência sem sequelas.

Afetanto, sobretudo, pessoas com mais de 65 anos, o Acidente Vascular Cerebral apresenta vários fatores de risco, sendo a hipertensão arterial um dos mais relevantes.

“Em Portugal, as elevadas taxas de AVC têm sido atribuídas a um fator de risco específico – a hipertensão arterial – que, por sua vez, tem como principal causa o consumo excessivo de sal”, refere o presidente da SPAVC.

No entanto, admite que não se devem menosprezar outros fatores que condicionam a doença. “No caso do AVC, existem fatores de risco modificáveis e não modificáveis. Fatores de risco não modificáveis são os que não são passíveis de qualquer tipo de intervenção”, explica. Fatores genéticos, hereditários ou individuais, idade, raça e sexo configuram nesta definição.

“Fatores de risco modificáveis são aqueles que, mediante controlo e tratamento adequados, podem ser minimizados e ter um impacto menos relevante no risco de AVC. É o caso, por exemplo, do sedentarismo, da obesidade, da hipertensão arterial, do tabagismo, da fibrilhação auricular, da diabetes mellitus, do consumo excessivo de bebidas alcoólicas”, descreve o especialista que defende a adoção de estilos de vida saudáveis como arma contra a doença.

A atividade física e uma dieta saudável são, deste modo, consideradas como importantes medidas de prevenção.

“Um estilo de vida inativo pode contribuir para a obesidade, fator de risco importante para o acidente vascular cerebral. A Sociedade Portuguesa do AVC aconselha a uma caminhada diária de pelo menos 30 minutos”, afirma advertindo, no entanto, que esta atividade deve ser adaptada às capacidades motoras e estilo de vida de cada um.

Por outro lado, “uma alimentação saudável contribui para a manutenção de um peso adequado e, consequentemente, para a prevenção de muitas das doenças crónicas não transmissíveis, entre as quais a obesidade, um já referido fator de risco para o AVC”.

“Uma dieta rica em gorduras faz com que o colesterol se acumule no sangue e estreite as artérias. Demasiado sal pode levar à pressão arterial elevada”, explica o Professor.  Deste modo, reforça a importância de adoptar um regime alimentar equilibrado, “rico em legumes frescos e frutas da época, pobre em gorduras, açúcares e sal, com consumo moderado de bebidas alcoólicas (no máximo de um copo standard de vinho por dia nas mulheres, e dois nos homens), sem esquecer a ingestão de água em quantidade suficiente (entre 8 a 10 copos por dia) para manter a hidratação”.

“Tempo é cérebro”

Os principais sinais de um Acidente Vascular Cerebral surgem de forma súbita e dependem do local e extensão do cérebro afetada. No entanto, eles podem ser lembrados como os “3F”: desvio da Face, dificuldade na Fala, falta de Força no braço.

De acordo com o presidente da Associação Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral basta um destes sinais aparecer para se suspeitar de um AVC, devendo ser accionado de imediato o serviço de emergência para que o doente receba o tratamento adequado, tão rápido quanto possível.

A verdade é que, quanto mais cedo o doente chegar ao hospital e quanto mais precoce for a administração da terapêutica de fase aguda, maiores são as hipóteses de sobrevivência e de minimização de sequelas.

“O tratamento só pode ser administrado nas primeiras horas após a instalação dos primeiros sintomas e é tanto mais eficaz e seguro quando mais cedo for iniciado. É caso para dizer que tempo é cérebro, pelo que o AVC tem que ser encarado como uma situação de emergência”, alerta o neurologista.

As sequelas da doença dependem de fatores, como a localização do AVC, a extensão das lesões e o período decorrente entre o aparecimento dos primeiros sintomas e a implementação da terapêutica em fase aguda. Elas podem ser reversíveis ou permanentes mas “sempre com impacto na qualidade de vida”.

“Afasia, disfagia, hemiparesia, ataxia, epilepsia, incontinência urinária e fecal ou alterações congnitivas (como a perda de memória e pensamento confuso) são algumas das complicações mais comuns.

Formar e informar a população

Apesar da gravidade da doença, na opinião de José Castro Lopes, os portugueses continuam a prestar pouca atenção ao sistema cerebrovascular, sendo por isso urgente, envidar esforços para sensibilizar a população para aquela que é a principal causa de morte e incapacidade.

“É necessário, e diria até mesmo urgente, um esforço conjunto, que envolva profissionais de saúde, população, comunicação social e decisores políticos, para reduzir o peso do AVC no nosso país”, refere o especialista.

“O problema reside em chegar à população em geral, apesar da múltiplas ações que vimos organizando, desde sessões abertas realizadas no âmbito do Congresso Português do AVC, a ações especialmente dirigias à comunidade geral, tais como rastreios e sessões de esclarecimento”, afiança acrescentado que se torna essencial formar e informar a população “no que respeita a uma doença que afeta três portugueses por hora. Mas, acima de tudo, é preciso educar as pessoas a adotar estilos de vida saudáveis desde muito cedo, praticando as medidas de prevenção durante toda a vida.

Para debater esta temática, decorre, entre 2 e 4 de Fevereiro, aquele que é considerado o grande fórum em Portugal da doença vascular cerebral.

O 11º Congresso Português do AVC levará a discussão temas como “Estilos de Vida na vanguarda do AVC”, “A importância do risco vascular na deterioração cognitiva” ou “Os aspetos do tratamento da fase aguda do AVC isquémico”, tendo como protagonistas vários especialistas nacionais e internacionais.

Para além das palestras, está prevista ainda uma Sessão de Informação à População que faz deste Congresso o único no mundo a promover um contato estreio com a população.

“Considerando a fraca participação na prevenção e no tratamento do AVC por parte da população geral, a SPAVC inclui sempre nas suas atividade científicas, finalizando-as, uma sessão com entrada livre destinada à população geral”, conclui José Castro Lopes.

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Universidade do Minho
Uma equipa da Universidade do Minho conseguiu reverter parcialmente as limitações motoras de ratinhos com lesões na espinal...

Espera-se que estes avanços venham no futuro a ser aplicados em pacientes com lesões vertebro-medulares. O trabalho, publicado na revista “Biomaterials”, teve a colaboração das universidades de Toronto (Canadá) e Tulane (EUA) e foi financiado pelo Prémio Santa Casa Neurociências - Melo e Castro, atribuído pela Misericórdia de Lisboa.

A espinal medula é uma espécie de autoestrada para o cérebro e o resto do corpo comunicarem entre si. Por aí passam impulsos nervosos que controlam todas as nossas tarefas. Quando por acidente há uma lesão vertebro-medular, a estrutura é afetada, destruindo as ligações nervosas e com consequências severas, como as motoras (locomoção). A maioria destas lesões tem um grau de recuperação muito reduzido, escreve o Sapo, pois o tecido nervoso possui baixa capacidade de regeneração.

A equipa da Universidade do Minho: Rui Lima, Nuno Silva, António Salgado, Eduardo Gomes e Rita Silvacréditos: Universidade do Minho

António Salgado, Nuno Silva, Eduardo Gomes, Rita Silva e Rui Lima, ligados ao Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (laboratório associado ICVS/3B’s) e à Escola de Medicina da UMinho, em Braga, conseguiram contornar a situação, desenvolvendo uma nova estratégia multidisciplinar para regenerar as lesões vertebro-medulares.

Esta estratégia consiste na transplantação de dois tipos de células (células estaminais do tecido adiposo e células gliais do bolbo olfativo), que são encapsuladas num hidrogel biodegradável. Este último protege as células no processo de transplantação, permitindo em simultâneo estabelecer novas estruturas nervosas, cujo crescimento é induzido pelas duas populações celulares utilizadas.

“Demonstrámos que é possível recuperar de forma parcial a funcionalidade do tecido nervoso presente na espinal medula e, com isso, induzir a recuperação motora do animal”, explica António Salgado.

A pesquisa envolveu ratinhos com a espinal medula parcialmente lesionada (hemi-secção). Os cientistas do ICVS estão agora a estudar modelos animais com a lesão total e por compressão/contusão. A equipa trabalha ainda em estratégias combinatórias, administrando conjuntamente terapias neuro-protetoras (fármacos) de forma a potenciar os resultados obtidos. Esta metodologia será depois avaliada em modelos animais de maior porte, para elevar esta possível terapia ao patamar mais próximo da aplicação clínica.

“Se no futuro esta estratégia inovadora for aplicada com sucesso em pessoas com lesões vertebro-musculares, isto poderá implicar melhorias do ponto de vista funcional (motor, sistemas gastrointestinal e urinário, entre outros) e também de qualidade de vida. No entanto, é de frisar que há ainda um vasto trabalho a realizar antes da possível aplicação clínica”, acrescenta António Salgado.

Estudo
Um grupo de investigadores do Imperial College de Londres, em Inglaterra, usou um tipo inovador de microscopia in vivo para...

Uma equipa de investigadores do Imperial College de Londres, em Inglaterra, que inclui o médico português Delfim Duarte, concluiu que as células de leucemia resistem à quimioterapia porque se movimentam de forma rápida na medula óssea, sem se fixarem numa área particular. A descoberta, publicada na revista Nature na reta final de 2016, possibilita novos tratamentos, que podem travar o movimento destas células, escreve o Sapo. “Sabia-se que, na medula óssea, as células estaminais que dão origem a todas as células do sangue são reguladas por microambientes”, refere Delfim Duarte.

“A grande questão era perceber se as células de leucemia são também dependentes destes nichos. Assim, estudámos um modelo de leucemia particularmente agressivo, a leucemia linfoblástica de células T, em ratinhos e confirmámos em amostras de pacientes”, acrescenta ainda o especialista luso, médico interno no Instituto Português de Oncologia do Porto e doutorando do programa GABBA, Graduado em áreas da Biologia Básica e Aplicada.

O que descobriam os especialistas?
“Ao utilizar um tipo inovador de microscopia in vivo que permitiu seguir as células de leucemia em tempo real durante várias fases da doença, verificámos que essas células, incluindo as que resistiam à quimioterapia, se distribuíam e proliferavam de forma aleatória e que as células de leucemia quimiorresistentes eram migratórias e rápidas. E verificámos que a leucemia destrói os microambientes que protegem as células estaminais normais”, refere Delfim Duarte.

Qual o potencial deste estudo?
“O nosso estudo sugere que a migração celular pode ser um alvo terapêutico importante no tratamento da leucemia linfoblástica de células T. Estamos neste momento a explorar os mecanismos que explicam o movimento destas células e formas de as conseguirmos parar. As nossas conclusões também apontam para a importância de proteger os osteoblastos, os tais microambientes, para manter a produção normal de sangue nestes doentes”, acrescenta ainda o especialista.

Descodificador:

- Leucemia linfoblástica de células T
Cancro do sangue especialmente frequente em crianças que se caracteriza por um aumento descontrolado do número de glóbulos brancos.

- Quimioterapia
Utilização de fármacos para eliminar as células cancerígenas.

Projeto Cancel Stem
Durante três anos, cientistas de três institutos em Portugal vão procurar novas estratégias de ataque às células estaminais do...

É um verdadeiro exército de conhecimento nas mais variadas áreas que se prepara para um ataque ao cancro. Os alvos são as células estaminais do cancro e o exército é formado por 75 investigadores do Porto, de Lisboa e Coimbra que, durante os próximos três anos, vão trabalhar juntos. Querem saber mais sobre estas células que existem em pequeno número nos tumores, mas que terão um papel decisivo na capacidade de um cancro formar metástases, reincidir e resistir a alguns fármacos. O consórcio chama-se Cancel Stem – Estaminalidade das Células do Cancro e envolve um investimento de 2,5 milhões de euros, financiados pelo programa Portugal 2020.

Nem todas as células estaminais são boas e sinónimo de regeneração. Além das células estaminais que contribuem para o nosso desenvolvimento embrionário, há ainda os pequenos reservatórios que mantemos no nosso organismo em idade adulta e que são chamados a atuar na regeneração de tecidos. Mas há também células estaminais do cancro. Representam uma percentagem baixa, que pode ir até aos 10 ou 20%, das células que existem num tumor mas, ainda assim, parecem desempenhar um papel importante nalguns dos aspetos mais críticos da doença: metastização, recidivas e resistência a fármacos.

“Estas células, devido às suas características muito semelhantes a células estaminais normais, têm algumas capacidades importantes como a capacidade de serem elas a induzir um tumor, de metastizar e, mais importante ainda, de serem capazes de resistir às terapias”, explicou ao jornal Público Joana Paredes, investigadora no I3S (Instituto de Investigação e Invocação em Saúde, ou I3S, no Porto) e coordenadora do Cancel Stem. “São células capazes de ser imortais e de resistir a tudo.”

No entanto, ainda se sabe muito pouco sobre estas células. O projeto que junta os esforços de três institutos em Portugal – o I3S, o Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), em Oeiras, e o Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC), em Coimbra – quer ajudar a mudar isso. Este consórcio tem nove projetos de investigação e 18 equipas a trabalhar nos próximos três anos em várias frentes. Como é que estas células aparecem? Como é que se mantêm vivas? Como é que invadem outros tecidos no corpo? Como comunicam? Como as podemos destruir? Estas são apenas algumas das questões que vão desafiar os investigadores.

“Acho que nestes três anos vamos conseguir aumentar o conhecimento nesta área. Queremos publicações, patentes e talvez produtos. Sabemos que estas coisas levam tempo. Mas termos algum dinheiro e recursos humanos para trabalhar é um bom ponto de partida”, diz a coordenadora do Cancel Stem.

Da comunicação às nanopartículas
Joana Paredes, por exemplo, vai trabalhar em quatro projetos diferentes. “Tenho várias perguntas. Uma delas está relacionada com a metastização cerebral nos casos de cancro da mama. Com a investigação que já fizemos, percebemos que estas metástases são muito enriquecidas em marcadores de células estaminais, contrariamente ao tumor primário de onde vieram.”

A cientista Mónica Bettencourt Dias, do IGC, vai juntar o que sabe sobre o papel de algumas estruturas das células (centrossomas e cílios) ao que uma outra equipa do I3S, liderada por Sérgia Velho, sabe sobre o ambiente celular no cancro. “Queremos saber se estas estruturas que normalmente comunicam através de uma troca de sinais e de diferentes formas de contacto usam o mesmo tipo de comunicação num tumor e se isso contribui para o seu desenvolvimento”, resume ao jornal Público. Expectativas? “Se estas duas comunicações estiverem relacionadas, é muito interessante e teremos conhecimento para desenvolver e, eventualmente, utilizá-lo para evitar o desenvolvimento dessas características das células.”

João Nuno Moreira, do CNC, integra uma das equipas responsáveis por um ataque mais direcionado às células estaminais do cancro. “O desafio que temos é avaliar o impacto de uma determinada nanopartícula (que contém uma combinação de fármacos) na sobrevivência das células estaminais do cancro”, explica. Para já, as experiências serão feitas com linhas celulares de cancro da mama, mas o investigador admite que o produto possa ser usado noutros tumores.

Apesar de defender que a união de forças conseguida com este consórcio é “absolutamente fundamental” no combate ao cancro, João Nuno Moreira prefere não colocar a fasquia sobre os resultados demasiada alta: “Com os tumores não é possível falar de soluções. Um tumor é uma entidade demasiado inteligente para acharmos que vamos encontrar uma solução. Mas estou confiante de que vai sair daqui conhecimento relevante para poder ser levado para a prática.”

Estudo
Fumar custa muito dinheiro, sobretudo nos países em desenvolvimento, já que consome cerca de 6% dos gastos mundiais em saúde e...

Publicado na revista Tobacco Control, o estudo mostra que, em 2012, o custo total do tabagismo alcançava os 1,4 biliões de dólares no mundo todo, sendo que 40% desse valor correspondia aos países em desenvolvimento. Os investigadores analisaram dados de 152 países, que representam 97% dos fumadores do planeta.

Os cientistas avaliaram o custo do tabagismo incluindo os gastos diretos (hospitalização e tratamento) e os gastos indiretos (calculados com base na produtividade perdida por conta de doenças ou por morte prematura).

Em 2012, o tabagismo foi a causa de morte de mais de dois milhões de adultos entre os 30 e os 69 anos, ou seja 12% do total de mortes nessa faixa etária, relata o estudo.

As percentagens mais elevadas foram registadas na Europa (26%) e na América (15%), segundo os cientistas.

Nesse mesmo ano, segundo o Sapo, os gastos diretos de saúde relacionados com o tabagismo foram de 422 mil milhões no mundo, o que significa 5,7% dos gastos destinados à saúde, percentagem que aumenta para 6,5% nos países com rendimentos mais elevados.

Um quarto do custo económico total do tabagismo recai em quatro países: Brasil, China, Índia e Rússia.

Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) dos diferentes países, o tabagismo sai especialmente caro no Leste Europeu (3,6% do PIB), assim como nos Estados Unidos e no Canadá (3%). No resto da Europa esse número situa-se nos 2%, diante de 1,8% da escala mundial.

"O tabagismo representa um peso económico importante no mundo e especialmente na Europa e na América do Norte, onde a epidemia está mais avançada", assinalam os autores do estudo coordenado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

A OMS tem o objetivo de reduzir em um terço as mortes prematuras relacionadas com doenças não infecciosas, sobretudo o tabagismo, antes de 2030.

Para conseguir isso, os investigadores defendem a aplicação de "medidas globais" contra o tabagismo.

À espera de projetos de lei
O parlamento debate na quarta-feira uma petição a favor a despenalização da morte assistida, enquanto se aguarda o agendamento...

A petição do movimento cívico “Direito a morrer com dignidade” defende a despenalização da morte assistida, ou seja a eutanásia, e pede que a Assembleia da República legisle nesse sentido.

A morte assistida é um direito do doente, afirma-se na petição, assinada por mais de oito mil assinaturas, entregue a 26 de abril de 2016 na Assembleia da República, que foi baseada num manifesto assinado por uma centena de personalidades.

Os subscritores da petição pedem a “despenalização e regulamentação da morte assistida como uma expressão concreta dos direitos individuais à autonomia, à liberdade religiosa e à liberdade de convicção e consciência, direitos inscritos na Constituição”.

As petições dos cidadãos não são votadas na assembleia, tendo cada bancada parlamentar três minutos para o debate.

Em entrevista à TSF na segunda-feira, o novo bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, defendeu um referendo sobre o assunto, afirmando que deve ser debatido por toda a sociedade portuguesa e que o parlamento não tem competências para tomar uma decisão deste tipo.

Na frente parlamentar, o Bloco de Esquerda (BE) vai agendar para a próxima semana uma audição sobre o seu pré-projeto de lei, já com cerca de 25 artigos, seguindo-se debates pelo país com juristas, médicos e especialistas, contra e a favor da morte assistida, disseram fontes da bancada do BE.

Depois deste ciclo de debates, que o deputado bloquista José Manuel Pureza define de “período intenso de auscultação”, o BE apresentará o seu projeto de lei.

“É muito importante que o parlamento volte a fazer um debate que fez na altura do relatório e depois agendaremos o nosso projeto de lei, antecedendo esse agendamento por uma sessão pública muito alargada onde teremos a participação de um leque muito vasto de interlocutores”, justificou Pureza, a 12 de janeiro.

O PAN (Pessoas-Animais Natureza) também anunciou um projeto que dá às pessoas o direito “a escolher com dignidade” a sua vida, argumentando que não faz sentido que sejam terceiros a decidir como é que cada um pode ou deve morrer.

O projeto, como já explicou o deputado do PAN, André Silva, prevê que a morte assistida só seja possível com um consentimento consciente e reiterado de alguém com uma doença terminal, incurável e com um sofrimento atroz e inevitável.

O processo previsto pelo partido não é fácil, mas também não é moroso, segundo palavras do deputado: terá de ser analisado por um médico (médico de família, por exemplo), que terá de fazer uma segunda consulta (um especialista da patologia em causa) e depois uma terceira, no caso de um psiquiatra.

No projeto do PAN, menores e pessoas que não possam decidir conscientemente ficam de fora, e prevê-se também a criação de uma lista de médicos objetores de consciência.

A 23 de dezembro de 2015, em entrevista à RR, ainda enquanto candidato presidencial, Marcelo Rebelo de Sousa foi cauteloso na resposta à pergunta sobre o que faria se uma lei sobre morte assistida fosse aprovada pelo parlamento.

"Teria de olhar para a lei e ver se no quadro daquilo que eu entendo que é a conjugação da minha convicção, das minhas convicções, com a avaliação objetiva da realidade que ali me é apresentada se se justificava tomar uma posição positiva ou negativa", afirmou Marcelo que votou "não" nos dois referendos sobre o aborto.

“Há uma ponderação que é preciso fazer porque estamos perante uma realidade que é muito sensível, que é a vida humana, e depois outras realidades a que a sociedade contemporânea é crescentemente sensível, que são as realidades do sofrimento. Há, de facto, na sociedade contemporânea uma grande sensibilidade a essa realidade", disse à RR.

Ainda na frente parlamentar, a 09 de fevereiro, o PSD vai organizar um colóquio na Assembleia da República sobre morte assistida, que terá como primeiro objetivo esclarecer os deputados sociais-democratas numa matéria em que o partido dará liberdade de voto, a exemplo do que acontece com o PS.

Já em janeiro foi entregue mais uma petição no parlamento, com 14.196 assinaturas, mas contra a eutanásia e com o título “Toda a vida tem dignidade”, dinamizada pela Federação Portuguesa pela Vida. No texto, exige-se a reafirmação de que a sociedade e o Estado têm o dever de proteger toda a vida humana.

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