Young Oncologists Research Project
O Núcleo de Internos e Jovens Especialistas da Sociedade Portuguesa de Oncologia anunciou a abertura das candidaturas para 10...

Para além do apoio monetário de 2.500 euros por bolsa, este programa possibilita ainda o acompanhamento do projeto durante um ano por elementos com reconhecida experiência na área, que vão contribuir e assegurar a implementação e qualidade dos projetos.

Podem candidatar-se a estas bolsas trabalhos de investigação clínica ou básica, preferencialmente a ser desenvolvidos por equipas multidisciplinares e com a colaboração de várias instituições nacionais e/ou internacionais.

“Com esta iniciativa, a Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO) aposta claramente nos jovens para o desenvolvimento de projetos científicos de qualidade que sejam inovadores e por isso pertinentes nas várias áreas, impulsionando a investigação na área da oncologia em Portugal. Pretendemos também que esta atividade tenha uma periodicidade anual, integrando de forma rotineira as agendas dos vários grupos de investigação estimulando, ao mesmo tempo, novas parcerias de sucesso”, afirma Miguel Abreu, presidente do Núcleo de Internos e Jovens Especialistas da SPO.

O prazo de entrega para o envio das candidaturas é até dia 31 de maio de 2017 e as candidaturas deverão ser submetidas através de formulário próprio disponível no site da SPO, em www.sponcologia.pt.

Os resultados deste concurso serão anunciados no Congresso Nacional de Oncologia, promovido pela SPO. Este programa de investigação é da responsabilidade do Núcleo de Internos e Jovens da SPO e conta com o apoio da Merck Sharp and Dohme, Novartis Oncology, Roche e Celgene. 

Após estudo da Deco
A Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica vai analisar o estudo da Deco sobre a carne picada vendida nos talhos e...

A Deco Proteste apelou hoje aos consumidores para que não comprem hambúrgueres já picados nos talhos, onde encontrou bactérias nocivas e aditivos alergénicos usados para fingir que a carne é fresca.

Em declarações, o inspetor-geral da Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica (ASAE), Pedro Portugal Gaspar, disse desconhecer ainda o estudo da Deco, mas considerou que é um bom contributo para a defesa do consumidor e que o vai remeter para o conselho científico da ASAE.

“Analisaremos o estudo e remeteremos para o Conselho Científico e, se necessário for, tomaremos medidas de fiscalização suplementar”, afirmou o responsável.

Pedro Portugal Gaspar considerou também que esta é uma matéria “já sinalizada” pela ASAE e que tem sido muito acompanhada pelas autoridades.

Segundo disse, em 2016 foram inspecionados uma média de dois talhos por dia, num total superior a 600.

“É um setor com vários incumprimentos, como há vários. O incumprimento zero, o risco zero não existe “, disse.

Questionado sobre se faria sentido alguma proposta da parte da ASAE para uma alteração legislativa que proibisse a venda de hambúrgueres já feitos nos talhos, o responsável lembrou que “o quadro legal obedece a um enquadramento comunitário”.

“Portugal é parte integrante e tem de ter presente qual o quadro sobre este tipo de situações nos vários países da União Europeia e nós, com os vários parceiros da UE não temos uma sinalização de risco que se coloque neste tipo de situação”, acrescentou.

Pedro Portugal Gaspar lembrou ainda que a ASAE tem de ter elementos que lhe que permitam atuar para eventuais suspensões de atividade ou encerramentos de instalações.

“Temos de ter elementos para poder tomar medidas com a devida proporcionalidade, sob pena de tomar medidas desproporcionais para todos os agentes, quer consumidores que agentes económicos”, concluiu.

Contrariar a indústria tabaqueira
A luta contra o tabaco traz benefícios económicos e não prejudica financeiramente os países, declarou a secretária-geral da...

Margaret Chan indicou os avanços nas políticas para reduzir o consumo de tabaco como uma das maiores realizações nos dez anos em que esteve à frente da Organização Mundial da Saúde (OMS), depois de dois mandatos que terminará em meados deste ano.

“A conclusão é clara: o controlo do tabaco tem um bom sentido económico e não prejudica as economias. A evidência é abundante e convincente e deve pôr fim a um dos argumentos mais frequentes da indústria”, afirmou Chan na primeira sessão do ano do conselho executivo da OMS.

A luta contra o tabaco foi um tema central nos mandatos de Margaret Chan, que hoje pediu aos delegados do comité executivo que continuem a persuadir os seus governos em relação às vantagens económicas de aumentos os impostos dos cigarros.

“Os ministros da Saúde estão convencidos. Peço-lhes que convençam os ministros das Finanças, do Comércio, dos Negócios Estrangeiros para que não se deixem influenciar pelos falsos argumentos da indústria tabaqueira”, afirmou.

Dados publicados este ano e citados por Chan indicam que as perdas económicas pelo consumo de tabaco superam amplamente o que arrecadam os governos em termos de impostos.

Estudo evidencia
Um estudo de investigadores do Porto e de Bragança indica que a cirurgia corretiva do pé boto (torto), uma deformidade...

"Até há pouco tempo pensava-se que o pé contra lateral [oposto ao operado] tinha um comportamento de membro saudável", tendo este trabalho demonstrado que as crianças submetidas a tratamentos cirúrgicos desenvolveram uma estratégia de marcha "singular para compensação do membro patológico", explicou a investigadora Andreia Flores.

Verificou-se também que estas crianças apresentam maior instabilidade de movimentos nos membros inferiores afetados e maior rigidez nas articulações do joelho e do tornozelo por parte do membro operado.

Com este estudo, denominado "Análise da marcha em crianças com tratamento cirúrgico do pé boto", pretendia-se analisar a marcha de crianças submetidas a este tipo de procedimento, que era recomendado há cerca de duas décadas.

Foi focado na região mais crítica (articulações do pé), onde foram analisadas as forças de reação do solo e os ângulos da articulação e registada a ativação muscular de alguns músculos da perna, recorrendo à eletromiografia.

O projeto surgiu de uma colaboração entre o Instituto Politécnico de Bragança (IPB), o Laboratório de Biomecânica da Universidade do Porto (LABIOMEP) e o serviço de Ortopedia Pediátrica da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), tendo os dados sido obtidos através de avaliações a crianças com o pé boto, tratadas e seguidas no Hospital de São João.

As crianças com esta patologia apresentam alterações anatómicas diversas, como um menor comprimento dos tendões do pé e da perna e um incorreto posicionamento do pé, podendo este encontrar-se parcialmente ou totalmente rodado, por exemplo.

As causas da patologia "não são completamente conhecidas" mas acredita-se que estejam relacionadas com fatores ambientais, deficiências vasculares, posicionamento do embrião no útero, inserções musculares anormais bem como fatores genéticos, sendo esta última a mais aceite.

O tratamento atualmente preconizado, segundo a investigadora, não recorre necessariamente à cirurgia, podendo ser substituído pelo método de Ponseti, que consiste numa técnica de manipulação em gesso, colocado até à base da coxa. O gesso é trocado, em média, a cada sete dias, num total de cinco a sete substituições.

A cirurgia corretiva, indica ainda, tem como principal desvantagem induzir a pés muito rígidos e deformados, que prejudicam a eficiência da marcha.

Financiado pelo LABIOMEP, com o apoio da FMUP e do IPB, o estudo foi liderado pelo investigador da FEUP Mário Vaz e pelo médico do Hospital de São João e especialista no método de Ponseti, Nuno Alegrete, tendo a colaboração dos professores Arcelina Marques, do Instituto Superior de Engenharia do Porto, e Paulo Piloto, do IPB, e da equipa de técnicos do LABIOMEP.

Neste momento, Andreia Flores integra uma equipa de investigação em Engenharia Biomédica do Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial - INEGI, que tem participado em projetos relacionados com a biomecânica, orientados para a indústria, o lazer, a saúde e o desporto.

Situação agravou desde dezembro
A Organização Mundial de Saúde encontra-se em alerta perante a propagação de surtos de gripe das aves, com casos reportados em...

“Peço aos países que vigiem atentamente os focos de gripe das aves e os casos humanos que possam estar relacionados com eles”, disse a diretora-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Margaret Chan, na sua intervenção durante a primeira sessão do comité executivo da Organização.

Vários dos surtos reportados à OMS correspondem a tipos de vírus altamente infecciosos em aves de capoeira e em aves selvagens.

Das estirpes virais que passaram para o ser humano, Chan mencionou o caso do vírus H7N9, que circula na China desde 2013 e que provocou mais de um milhar de casos da doença com uma mortalidade de 38,5%.

Também aparecerem recentemente novas estirpes, como a H5N6, que está a provocar um surto grave na Ásia e que provém do intercâmbio genético de quatro diferentes vírus.

Surtos de gripe das aves registaram-se ainda em países como Chile, Croácia, Japão e Taiwan.

A situação agravou-se desde dezembro, com um aumento inesperado e forte de casos, o que leva a diretora-geral da OMS a pedir a todos os países cumprir com a obrigação de detetar e avisar de casos humanos que sejam identificados.

O comité executivo da OMS, uma instância de decisão composta por 34 países membros, reúne-se entre hoje e o dia 1 de fevereiro para, entre outros assuntos, eleger os três candidatos a substituir Margaret Chan. Esta eleição ocorrerá em maio.

Indústria tabaqueira acredita que sim
Se o enorme investimento feito pelas tabaqueiras nas alternativas aos cigarros clássicos resultar, os fumadores passarão a usar...

Demonizadas por venderem um produto que provoca doenças graves, cercadas por legislações cada vez mais restritivas, as grandes tabaqueiras querem salvar o seu negócio... acabando com os cigarros clássicos. Paradoxal? Parece, mas este caminho para um mundo livre de fumarada — no longo prazo, claro — está a ser desbravado pelas mesmas multinacionais que continuam a arrecadar milhões e milhões com os velhinhos maços de tabaco.

Portugal foi um dos primeiros países escolhidos para servir de teste e de rampa de lançamento para um dos produtos que a Philip Morris International (a PMI, de que a Tabaqueira é subsidiária no nosso país) acredita ser o futuro do colossal negócio: um dispositivo que tenta mimetizar ao máximo a inigualável experiência proporcionada pelo cigarro tradicional, enquanto, em simultâneo, promete ser “potencialmente” muito menos nocivo para a saúde. O iQOS (I quit ordinary smoking) é um aparelho, com o preço de 70 euros, que se assemelha a um pequeno telemóvel e funciona como um carregador de uma caneta onde se enfiam os heatsticks, uma espécie de mini cigarros que incluem filtro, tabaco e se vendem em maços de 20 unidades, por 4,70 euros. Estes heatsticks são aquecidos na caneta e libertam um aerossol. A Tabaqueira adianta que, num ano, conquistou perto de 10 mil consumidores. Mas a ambição é, no limite, conquistar todos os fumadores.

Philip Morris pode deixar de fabricar cigarros
Foi o próprio presidente executivo da PMI que admitiu, numa polémica entrevista à BBC, em Novembro passado, que a empresa poderá no futuro deixar de fabricar cigarros tradicionais, à medida que o mercado de produtos alternativos for conquistando terreno. No futuro, a simples imagem de acender um cigarro e fazer fumo desaparecerá, portanto. Mas os viciados em nicotina não. Este é um produto para os fumadores inveterados, os que não querem ou não conseguem largar o cigarro, alega. Não é um cigarro eletrónico, porque estes funcionam com líquidos que podem ou não conter nicotina e produzem vapor.

Qual é o segredo destes novos produtos, então? É simples: em vez de queimar, como no cigarro convencional, em que a combustão chega aos 800 graus Celsius, aquece-se folha de tabaco a uma temperatura inferior (250º a 350º) no dispositivo. João Travassos, presidente da Associação Portuguesa de Vaping, não acredita que este produto tenha pernas para andar neste mercado tão exigente: “Não sabe a nada, é pouco prático, é caro. Dizem que é um produto alternativo ao tabaco mas não deixa de ser tabaco”. Travassos acredita que o futuro passa é pelos cigarros eletrónicos: “Até a minha mãe, que fumava dois maços, usa agora líquidos com vários sabores, sem nicotina. Os e-cigars são menos nocivos”.

Não há coincidências: o novo produto da Tabaqueira, que se segue a outras experiências que não resultaram no passado, está a ser divulgado em Portugal numa altura em que no Parlamento se discutem alterações à legislação atual. Mudanças que, a concretizar-se, vão equiparar estes produtos aos cigarros clássicos e, portanto, interditar o seu uso em espaços públicos fechados e a publicidade a estes artigos.

A PMI alega que o iQOS é “90 a 95% potencialmente menos nocivo” do que os cigarros convencionais. O “potencialmente” não surge por acaso. Não há por enquanto estudos independentes. Os únicos estudos disponíveis foram efetuados pelos mais de 400 cientistas e especialistas contratados pela multinacional, que afirma já ter gasto perto de 3 mil milhões de euros na investigação, desde 2008. A PMI não está sozinha nesta corrida. O conceito heat not burn (aquecer não queimar) já tem muitos anos. Pelo caminho ficaram muitos produtos. As outras grandes tabaqueiras, como a British American Tobacco (BAT), com o glo e o glo Ifuse, a Reynolds American (que acaba de ser comprada pela BAT) e a Japan Tobacco (com o Ploom e o PAX), têm investido muito nesta área.

A Reynolds foi a primeira, em 1988, com o Premier. Seguiu-se o Eclipse, que emergiu das cinzas do anterior. “O fumo desaparece. A sua namorada não”, rezava o slogan. Com o tempo, vários novos produtos, tabaco aquecido e também cigarros eletrónicos — porque as tabaqueiras renderam-se entretanto também a estes dispositivos — foram surgindo, falhando e dando lugar a sucedâneos. O iQOS é apenas mais um, enfatizam os críticos. Mas o grande passo, para a PMI, foi a entrega, em Dezembro, do dossier com os resultados dos estudos à FDA (agência norte-americana que regula a segurança de medicamentos e de outros produtos).

Cepticismo dos médicos
Os médicos que lidam com doenças graves causadas pelo tabagismo olham para estas tentativas da indústria tabaqueira com ceticismo. Notam que as tabaqueiras apenas “estão a fazer o que sempre fizeram — vender produtos que causam dependência”. “São novas formas inteligentes e apelativas de não desligar as pessoas do hábito, do gesto e da cultura de fumar”, lamenta o pneumologista Carlos Robalo Cordeiro. Também o especialista em saúde pública Henrique Barros, que deixou de fumar aos 42 anos, é muito crítico: “Não há tabaco que faça bem ou menos mal. Esse foi sempre o discurso deles”. Hilson Cunha Filho, da Confederação Portuguesa de Prevenção do Tabagismo, admite que, até ao momento, os resultados dos estudos apresentados “são promissores”. O problema, frisa, é que “não foram replicados pela comunidade científica idónea”.

A indústria invoca a redução de risco, mas essa “não pode ser a questão principal”, contrapõe João Boléo Tomé, coordenador da Comissão de Tabagismo da Sociedade Portuguesa de Pneumologia. “Dizer que a manteiga tem 50% menos lípidos não a torna um produto sem lípidos, (...) mas passa uma ideia positiva ao consumidor. No caso do tabaco e da nicotina está demonstrado que não há um nível seguro”, defende. E acrescenta: “É ingénuo pensar que após um século a vender e promover um produto que mata metade dos seus consumidores, [a indústria tabaqueira] agora queira subitamente preocupar-se apenas com a saúde. Isto já aconteceu em muitas outras ocasiões no passado (os cigarros light, os cigarros de baixo teor de alcatrão, etc)”. “É uma guerra muito complicada”, corrobora a pneumologista Ana Figueiredo, para quem os novos produtos do tabaco tornam “mais complicado fazer a desnormalização do hábito de fumar”.

Também Emília Nunes, responsável pelo programa antitabágico na Direção-Geral da Saúde, não acredita que o iQOS seja “uma alternativa segura ao consumo de tabaco”. “Ainda não há estudos publicados, por entidades independentes, e sem conflitos de interesses com a indústria, que permitam conhecer com exatidão o tipo e a quantidade de substâncias cancerígenas, tóxicas ou mutagénicas existentes no aerossol”, frisa. Nesta equação entram ainda os cigarros eletrónicos, que conheceram um boom em Portugal em 2013, para depois perderem mercado. Emília Nunes nota que os riscos destes até são inferiores: “Embora a investigação sobre as emissões e os riscos dos cigarros eletrónicos ainda esteja em curso, os riscos dos produtos de tabaco por aquecimento são certamente superiores aos decorrentes do consumo dos eletrónicos, devido ao facto de conterem tabaco na sua composição”.

Estudo
Efeito é mais notório nas mulher do que nos homens. Estudo confirma que risco de desenvolver excesso de peso aumenta...

As pessoas com um nível de escolaridade mais elevado apresentam um menor risco de ficarem obesas ou de desenvolverem excesso de peso. Esse efeito protetor cresce à medida que aumenta o nível de ensino, sendo mais notório nas mulheres do que nos homens. Estas são as principais conclusões de um estudo do Instituto Nacional de Saúde Pública Doutor Ricardo Jorge, publicado na última edição do Boletim Epidemiológico do organismo.

O objetivo do estudo, intitulado Influência dos fatores socioeconómicos no excesso de peso e obesidade na população portuguesa em 2014, era perceber se fatores socioeconómicos como a educação e o rendimento apresentavam alguma relação com o risco de ficar obeso. As autoras do estudo não encontraram qualquer associação entre o rendimento e a probabilidade de desenvolver obesidade, escreve o jornal Público, mas detetaram um efeito protetor nas pessoas com níveis de ensino mais elevados, especialmente nas mulheres. Confirmaram igualmente que o risco de ficar obeso ou de desenvolver excesso de peso aumenta de forma progressiva com a idade, uma relação já conhecida.

Os últimos dados da obesidade em Portugal, ainda preliminares e do mesmo instituto, indicam que dois terços das pessoas pesadas e medidas no primeiro inquérito nacional de saúde com exame físico, em 2015, tinham excesso de peso e 28,7% eram já obesas, percentagens que tem vindo a crescer nas duas últimas décadas. Esse aumento está associado ao consumo de dietas hipercalóricas e à ausência de atividade física.

Investir na educação para combater obesidade
“O nível de escolaridade também se encontra associado ao excesso de peso e obesidade, especialmente no sexo feminino, dado que as mulheres com ensino superior apresentam um menor risco de desenvolver excesso de peso e obesidade, comparativamente às mulheres com ensino pré-escolar”, lê-se no resumo do artigo. A probabilidade de as mulheres com formação superior ficarem obesas é menor do que a verificada nas mulheres que apenas possuem formação pré-escolar. E o efeito protetor vai diminuindo à medida que desce o nível de ensino (secundário e 3.º ciclo do ensino básico) e deixa de ter significado nas mulheres com o primeiro e segundo ciclo do ensino básico.

Face aos resultados, uma das autoras do estudo, Vânia Gaio, destaca a importância de investir na educação. “Aumentando os níveis de educação conseguimos combater a incidência da obesidade”, realça a bolseira de investigação do Departamento de Epidemiologia do instituto. A investigadora nota que este efeito protetor já foi associado a outros problemas de saúde, como a hipertensão, e, por isso, sustenta: “Tudo o que se faça para aumentar o nível de escolaridade terá um efeito positivo ao nível da saúde da população”.

Vânia Gaio, Joana Santos e Irina Kislaya, as três autoras do estudo, não exploraram porque é que o efeito protetor do nível de escolaridade é mais notório nas mulher do que nos homens. Mas Vânia Gaio considera que é um aspeto a investigar no futuro.“O que sabemos é que os níveis de escolaridade nas mulheres têm muito mais consequências na adoção de estilos de vida mais saudáveis, o que não se verifica nos homens”, afirma.

A análise usou dados do inquérito nacional de saúde de 2014, que possui uma amostra representativa da população portuguesa. As estimativas de prevalência de excesso de peso e da obesidade foram obtidas com base no índice de massa corporal, calculado a partir de peso e altura reportados pelos visados. Esse é um aspeto que, reconhece Vânia Gaio, pode trazer alguns desvios à análise. “Sabemos que há uma tendência para reportar uma altura maior do que a real e um peso inferior ao real”, afirma. A investigadora explica que em 2015 foi feito o primeiro inquérito nacional de saúde com um exame físico associado e que tal permitirá perceber o impacto dos dados analisados terem sido reportados pelos visados e não contabilizados por terceiros. “Vai ser interessante perceber se no novo inquérito o padrão se mantém”, remata a investigadora.

Estudo
Cientistas catalães usaram ADN para criar dispositivos de armazenamento de dados com memórias cem vezes superiores aos atuais,...

Na investigação do Instituto de Química Avançada da Catalunha, os cientistas criaram segmentos de ADN (as moléculas que carregam a informação genética dos seres vivos) que colaram a outras moléculas funcionais.

Com esta técnica, projetam criar nanodispositivos, do tamanho de moléculas ou átomos, e associá-los a outros dispositivos microeletrónicos e a moléculas funcionais, como as de proteínas ou enzimas, escreve o Sapo.

Num estudo publicado na revista especializada Advanced Materials, os cientistas catalães "colaram" um conjunto de moléculas de ADN numa superfície de ouro e conseguiram imprimir uma linha como as que se utilizam nos circuitos eletrónicos, numa superfície de 10 nanómetros (uma medida mil milhões de vezes mais pequena que o metro).

Este método permitirá criar circuitos mais pequenos, possibilitando armazenar mais memória em menos espaço (como uma 'pen', ou dispositivo USB com cem vezes mais capacidade que as atuais) ou criar sensores de alta resolução.

Universidade de Coimbra
Uma equipa de investigadores do Departamento de Matemática da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, em...

Os Drug-Eluting Stents, também conhecidos como stents farmacológicos, são dispositivos médicos utilizados na desobstrução de artérias. O que os distingue dos stents convencionais é o facto de a estrutura metálica ser revestida por um material polimérico, em que é disperso um fármaco antiproliferativo, que é posteriormente libertado, evitando, ou pelo menos limitando, a posterior ocorrência de reestenose (reoclusão) no vaso intervencionado.

O comportamento dos DES, isto é, a distribuição ao longo do tempo do fármaco libertado nas paredes do vaso, é determinado por uma complexa combinação de fenómenos que dependem das propriedades do polímero, das propriedades do fármaco e da situação clínica do paciente, em particular do estado clínico das paredes do vaso sanguíneo intervencionado.

E é por esta razão que o modelo desenvolvido pela equipa do Centro de Matemática da UC, constituída pelos investigadores José Augusto Ferreira, Maria Paula Oliveira e Jahed Naghipoor, em colaboração com Lino Gonçalves, diretor do Serviço da Cardiologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, pode assumir um papel preponderante.

O modelo permite a introdução de parâmetros que caracterizam a situação clínica do paciente, como, por exemplo, a viscosidade do sangue e a geometria e composição da placa aterosclerótica. Uma vez personalizado o quadro clínico, o conjunto de equações que constituem o modelo simula a distribuição de fármaco, ao longo dos meses subsequentes à implantação do stent, assim como algumas características da circulação sanguínea na região de implantação, para cada paciente individual.

As informações fornecidas pelo modelo podem constituir uma importante ferramenta de apoio à decisão clínica, possibilitando a definição de estratégias terapêuticas para prevenir o aparecimento da reestenose.

Este trabalho, publicado na revista científica Mathematical Biosciences, foi desenvolvido ao longo de quatro anos. A modelação matemática do acoplamento “in vivo”, de um stent e de um vaso sanguíneo, revelou-se uma tarefa de elevada complexidade porque o processo depende de múltiplos fenómenos interdependentes como as características da degradação do revestimento polimérico do stent, a cinética do fármaco na matriz polimérica, a sua difusão na parede do vaso sanguíneo e a influência das propriedades fisiológicas da parede do vaso.

“O sucesso do trabalho que desenvolvemos deve-se à estreita colaboração e ao constante diálogo interdisciplinar entre os matemáticos da equipa e o cardiologista Lino Gonçalves” afirma José Augusto Ferreira.

Os investigadores pretendem agora completar o modelo, “através da criação de um novo algoritmo que tenha também em atenção a proliferação celular que ocorre durante a reestenose. Seguir-se-á a validação do modelo, que se baseará na casuística do Serviço de Cardiologia. Concluída esta fase, a equipa disponibilizará uma plataforma computacional a ser utilizada em ambiente hospitalar”, explica o investigador da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. 

Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra
O Hospital Pediátrico de Coimbra, que integra o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, coordena desde o final de 2016...

"Em duas áreas, é mesmo o único centro ibérico: no caso das doenças genéticas ósseas raras e das síndromes dismórficas com atraso intelectual grave", sublinhou o responsável, salientando que as candidaturas foram aprovadas pela Comissão Europeia com base nos serviços e estruturas já existentes.

No caso das doenças hepáticas com doença rara, o Hospital Pediátrico de Coimbra é o único centro português de referência e um de dois centros ibéricos.

Coordena ainda as redes europeias de referência em transplante de órgãos em crianças, doenças oncológicas pediatras e doenças metabólicas. Participa também no centro de tratamento das doenças epiléticas raras, onde há uma vertente pediátrica, e no das doenças oftalmológicas raras, ambos coordenados pelo polo Hospital Universitário / Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).

As candidaturas foram abertas em 2016 para todos os países da União Europeia e para aqueles que têm acordos que permitem integrar redes europeias neste modelo, como é o caso de Suíça e Noruega, tendo as redes europeias de referência sido aprovadas em dezembro.

"Acho muito gratificante este sucesso e duvido que haja outra instituição nacional ou ibérica que tenha conseguido ultrapassar as barreiras num leque tão amplo e exigente como o Hospital Pediátrico conseguiu", frisou Jorge Saraiva.

Segundo o diretor do departamento pediátrico - Hospital Pediátrico / CHUC, coordenar os seis centros constitui um desafio para o futuro, "na forma de garantir a continuidade do reconhecimento que já foi feito à capacidade instalada e à experiência acumulada a diagnosticar e tratar doentes com estas patologias".

Depois dos 14 centros de referência nacionais reconhecidos em 2016, o presidente do conselho de administração do CHUC, Martins Nunes, salientou que foi feito "um esforço enorme, envolvendo todos os profissionais, nesta estratégia de os integrar nos centros europeus de referência".

"Quando em pouco mais de um ano conseguimos integrar seis centros de referência pediátricos e dois de adultos em centros europeus, penso que é uma boa notícia para o país e para o Serviço Nacional de Saúde (SNS), porque esta posição que o CHUC ocupa a nível europeu tem um impacto direto na qualidade dos serviços e também na credibilidade da medicina portuguesa", sublinhou.

Segundo Martins Nunes, desde o "início que estrategicamente o CHUC se quer posicionar no centro da qualidade dos serviços de saúde europeus e, portanto, isto é muito importante para o hospital e para os profissionais, mas sobretudo para os doentes, porque qualquer doente europeu sabe que em Portugal existe uma unidade que trata determinadas doenças e que estão creditados por esta integração nos centros europeus".

"A nossa posição foi sempre dar um contributo para o país nos aspetos reputacionais da medicina portuguesa e também para os nossos doentes ao nível da confiança, quer sejam do SNS ou estrangeiros", enfatizou.

O CHUC é centro de referência nacional em transplantes de coração, onco-oftalmologia e transplantação hepática pediátrica.

É também centro de referência em cardiologia de intervenção estrutural, cardiopatias congénitas, doenças hereditárias do metabolismo, epilepsia refratária, cancro do esófago, cancro do testículo, cancro do reto, sarcomas das partes moles e ósseos, cancro hepatobilio/pancreático, oncologia pediátrica e transplante de rim adultos.

Estudo
A Deco Proteste apelou aos consumidores para que não comprem hambúrgueres já picados nos talhos, onde encontrou bactérias...

Num estudo publicado hoje, a associação de defesa dos consumidores diz que identificou carne guardada a temperaturas demasiado altas, "milhões de bactérias por grama", entre as quais a 'salmonella' e outras de origem fecal, demasiada gordura e sulfitos usados ilegalmente como conservantes.

"Desaconselhamos de todo a compra de carne previamente picada e de hambúrgueres frescos já preparados nos talhos", disse o técnico Nuno Lima Dias, que defende que o Governo deve proibir a venda deste formato.

Para o estudo, a Deco foi a 25 talhos de Lisboa e Porto e pediu hambúrgueres de carne de vaca que não contivesse cereais ou vegetais, para que estivesse livre de sulfitos, mas mesmo assim encontrou este tipo de conservantes de forma "escondida e ilegal" em 80 por cento das amostras, por vezes em "quantidades enormes".

Os sulfitos podem provocar alergias, náuseas, dores de cabeça, problemas de pele, digestivos e respiratórios, alertou, acrescentando que a reação alérgica pode, embora em casos muito raros, ser potencialmente mortal.

Os talhos estão fora da lei também por armazenarem a carne a temperaturas "muito superiores ao que a lei permite", apontou, referindo que se recomenda que não excedam os dois graus centígrados, mas a média ronda os oito graus, chegando em alguns casos aos 14.

Nuno Lima Dias afirmou que "os consumidores estão desprotegidos" quando compram os hambúrgueres já picados, uma vez que não há maneira de detetar, olhando para a carne, se esta é de qualidade inferior, sobretudo quando se usam sulfitos, que evitam o escurecimento da carne.

Foram encontradas ainda bactérias como a 'salmonella' e E Coli, de origem fecal, que podem provocar infeções alimentares.

A Deco defende que se deve escolher a peça de carne no talho e pedir para a picar na hora, ou comprar e picar em casa.

Na preparação da carne, deve cozinhar-se bem o alimento e evitar que entre em contacto com outros que são consumidos crus.

"Nada passou do razoável, a grande maioria dos estabelecimentos chumbou", disse Nuno Lima Dias.

Sistemas nervoso central e cardiovascular
A farmacêutica portuguesa Bial e o Estado português assinam hoje, na Trofa, Porto, um contrato de investimento no valor de 37,4...

O contrato de investimento da Bial com o Estado estende-se até 2018 e vem na sequência do Governo ter aprovado benefícios fiscais para investimentos industriais aprovados em Conselho de Ministros em dezembro passado.

A receção está marcada para as 10:15 de hoje, com uma visita ao Centro de investigação e desenvolvimento da Trofa marcada para arrancar pelas 10:30, e conta com a presença do primeiro-ministro, António Costa, disse à agência Lusa fonte da farmacêutica portuguesa.

“Os investimentos agora contratados destinam-se a incrementar a investigação e desenvolvimento da empresa nas áreas dos sistemas nervoso central e cardiovascular”, lê-se num comunicado.

No centro de I&D da Trofa estão cerca de 100 investigadores de nove nacionalidades a estudar e investigar novas soluções de tratamento naquelas duas áreas.

A farmacêutica Bial desenvolve uma atividade de investigação, tendo sintetizado 12 mil moléculas nos últimos 25 anos e patenteado mais de 1300 marcas. A Bial detém os únicos medicamentos desenvolvidos em Portugal e estão em comercialização em dezenas de países.

O primeiro medicamento da empresa, um antiepilético – Zebinix –, está hoje aprovado em 43 países, e é já comercializado em diversos países europeus e nos EUA.

O segundo medicamento de investigação da Bial, para o tratamento da Doença de Parkinson – Ongentys –, está à venda no Reino Unido e na Alemanha, estimando-se que seja introduzido nos restantes países europeus ao longo deste ano, informa a empresa.

A cerimónia da assinatura do contrato de investimento entre a Bial e a entidade empresarial do Estado Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), surge no âmbito do sistema de incentivos à investigação e desenvolvimento do PT 2020 - fundos comunitários destinados a Portugal até 2020 - e conta com as intervenções do primeiro-ministro e do diretor executivo da Bial.

Instituto de Medicina Tropical
O Instituto de Higiene e Medicina Tropical recomendou aos portugueses que pretendem viajar para o Brasil que se vacinem contra...

“Sim, com certeza, é recomendada a vacina contra a febre-amarela a quem for viajar para o Brasil neste momento", disse Carlos Araújo, diretor clínico da consulta de medicina do viajante do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT), da Universidade Nova de Lisboa.

O Ministério da Saúde brasileiro confirmou, na quarta-feira, que subiu para oito o número de mortos em decorrência da febre-amarela no estado brasileiro de Minas Gerais, que fica no sudeste do país, na mesma região de São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro.

“Neste momento, em que temos notícia de um surto de febre-amarela, pelo menos por enquanto no estado de Minas Gerais, e que não sabemos qual a dinâmica deste surto e até que ponto isto vai ficar limitado por ali ou não, claramente uma ida ao Brasil tem toda a justificação para a pessoa fazer uma vacina contra a febre-amarela”, acrescentou Carlos Araújo.

Segundo o ministério brasileiro, ao todo 53 mortes registadas em Minas Gerais estão a ser investigadas por suposta relação com a doença.

Até quarta-feira, as autoridades de saúde do Brasil indicaram que existiam 206 casos suspeitos de febre-amarela em 29 cidades no leste do estado de Minas Gerais, que já decretou situação de emergência devido ao surto.

Além do surto registado em Minas Gerais, as equipas de saúde também acompanham seis casos suspeitos em quatro municípios do estado do Espírito Santo.

Apenas alguns estados brasileiros estão fora da lista de risco de febre-amarela: Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Rio de Janeiro. O Espírito Santo também constava desta lista.

“O Brasil é um país endémico de febre-amarela, ou seja, é uma doença que tem sempre a possibilidade de poder ser contraída naquele país”, referiu Carlos Araújo.

Segundo o diretor clínico, “o Brasil não costuma exigir o certificado de vacina contra a febre-amarela para os viajantes que vão para o Brasil de países como Portugal, ou outro qualquer país da Europa, onde não há febre-amarela”.

“No entanto, como existe algum risco, normalmente costumamos falar nisso e recomendar a vacina”, referiu.

Carlos Araújo esclareceu que, anteriormente, a vacina contra a febre-amarela era renovada de 10 em 10 anos.

Com base na recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), de julho de 2016, quem for vacinado agora está imunizada, em princípio, contra doença para toda a vida.

Na consulta de medicina do viajante do IHMT, as pessoas poderão obter informação sobre os riscos de saúde relacionados com as viagens e obter aconselhamento médico orientado para as atitudes e precauções a ter antes, durante e após a viagem.

A vacinação só se efetua aos viajantes que realizam a consulta.

De acordo com o IHMT, a Consulta do Viajante deve ser realizada, de preferência, quatro a oito semanas antes da data da partida e os interessados devem levar o boletim de vacinas e a listagem da medicação regular, assim como qualquer documentação médica relevante.

Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências
Muitos jogadores compulsivos procuram ajuda nos serviços de saúde por outro tipo de comportamento, como a adição ao álcool, e...

“Muitas pessoas que procuram ajuda fazem-no não tendo a perturbação de jogo como queixa primordial, mas por outro tipo de comportamentos aditivos e dependências”, adiantou o presidente do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), João Goulão.

Segundo João Goulão, é “relativamente comum” a associação deste tipo de doença com outras doenças, designadamente do foro psiquiátrico, entre as quais as perturbações da ansiedade, do humor e da personalidade.

Para João Goulão, a adição ao jogo é um problema que merece atenção, “não só em matéria de tratamento, pela elevada dimensão clínica e disfunção psicossocial que frequentemente acarreta, como também no plano preventivo”.

“O jogo é uma atividade que, desde que praticada de modo responsável, não só não apresenta riscos para a saúde como oferece um terreno lúdico e de estimulação bastante relevantes”, afirmou.

Contudo, alertou, “a gradativa alteração dos padrões de socialização durante a infância e a adolescência”, frequentemente mediados pelo jogo on-line, faz antever a possibilidade de desenvolvimento de perturbações aditivas em idades precoces, potencialmente mais prevalentes em indivíduos com outros fatores de vulnerabilidade”.

João Goulão advertiu ainda que o contacto com as novas tecnologias acontece cada vez mais cedo, o que requer ”uma adaptação por parte dos cuidadores e educadores”.

“Estamos, portanto, a falar de um fenómeno cuja abordagem é bastante desafiante e requer uma integração de perspetivas múltiplas do conhecimento, desde as áreas mais clínicas às da educação”, defendeu.

Salientou ainda que não é claro o que determina uma eventual passagem de jogo sem recurso a dinheiro para jogo a dinheiro, mas considera que “poderá constituir um amplo caminho de investigação futura”.

Já no plano do tratamento, há “um caminho de diferenciação progressiva a fazer”, que já foi iniciado com a capacitação e formação dos profissionais do terreno na área dos comportamentos aditivos e dependência sem substância, adiantou.

O Serviço Nacional de Saúde também tem vindo a diferenciar as suas respostas na área dos comportamentos aditivos e dependências

Em todo o país, os Centros de Respostas Integradas, na dependência das Administrações Regionais de Saúde, têm equipas de tratamento especializado em comportamentos aditivos e admitem pessoas com perturbação de jogo.

O presidente do SICAD salienta que, tal como outros vícios, a perturbação de jogo decorre em “múltiplas fases do ciclo de vida e em contextos muito diversificados”.

Nesse sentido, defendeu, o apoio dado a pessoas com este tipo de perturbação ou em risco de a desenvolver deve “mobilizar todo o espectro de respostas em saúde”, mas também de outras entidades de outros ministérios e organizações não-governamentais com intervenção nesta área.

Contudo, ressalvou João Goulão, “a validação científica das intervenções mais eficazes a empreender em situações complexas de perturbação de jogo é ainda relativamente escassa”, pelo que deve acompanhar-se “atentamente a evolução do conhecimento neste domínio”.

Especialista defende
O coordenador do Instituto de Apoio ao Jogador, Pedro Hubert, defendeu que as entidades que promovem o jogo têm de alertar para...

“O que é muito importante é que todas as entidades que promovem e fornecem o jogo, seguindo o que é uma obrigatoriedade legal, tenham tudo muito claro” e deem informações como o impedimento de jogar a quem é menor ou conselhos como "só deve apostar uma quantia pré-fixada ou não deve jogar só para ganhar dinheiro", disse Pedro Hubert.

Além disso, as entidades que promovem o jogo devem ter associada uma linha de apoio. Contudo, não é isso que se observa: “As entidades que promovem o jogo, sejam casinos, sejam os novos ‘sites’, não aderem a linhas de ajuda, não proporcionam tratamento”, com exceção da Santa casa da Misericórdia de Lisboa, afirmou.

A Santa Casa foi a única que tomou “a iniciativa ao nível do jogo responsável”, por causa dos jogos Raspadinha e Placard, disse o especialista em jogo patológico.

Contactado, o Departamento de Jogos da Santa Casa informou que tem uma Linha de Apoio Jogo Responsável (214193721), que “presta auxílio direto” a todos os que tenham algum problema relacionado com o jogo a dinheiro e aos seus familiares ou amigos.

O objetivo “é levar os apostadores a apostar de forma responsável, fazendo escolhas informadas sobre os seus hábitos de jogo, mantendo sempre presente a componente lúdica do jogo a dinheiro”, refere a Santa Casa, que não divulgou o número de pessoas que pediram ajuda, por ser uma linha “totalmente confidencial”.

Além da Linha, o departamento de jogos disponibiliza ainda uma área de conteúdos sobre Jogo Responsável http://jogoresponsavel.jogossantacasa.pt/).

Pedro Hubert sublinhou que, apesar de as pessoas que têm problemas com o jogo serem uma minoria, precisam de “ser protegidas, encaminhadas, tratadas” porque têm “problemas graves”.

Nesse sentido - defendeu - os médicos também devem estar preparados para problemática do jogo compulsivo.

“Mesmo dentro das dependências, o tratamento de alguém que tem problemas, por exemplo, com drogas é bastante diferente de alguém que tem problemas com álcool e ainda é mais diferente, por uma série de razões, de quem tem problemas com o jogo”, explicou Pedro Hubert.

Quem tem problemas com o jogo são, muitas vezes, pessoas licenciadas, empregadas, com “uma parte narcísica grande, com uma parte competitiva de desafio, que obriga a um tratamento muito diferente”, com “especificidades que são muito importantes conhecer”.

Contactado, o presidente do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Ativos e nas Dependências, João Goulão, adiantou que o SICAD tem vindo a promover a capacitação e formação dos profissionais do terreno na área dos comportamentos aditivos e dependência sem substância.

Segundo João Goulão, os Centros de Respostas Integradas, na dependência das Administrações Regionais de Saúde, também têm equipas especializadas em comportamentos aditivos e admitem pessoas com perturbação de jogo.

Estas pessoas são sujeitas a uma avaliação inicial do seu problema, de âmbito multidisciplinar, e é delineado um projeto terapêutico adequado às suas necessidades, explicou o presidente do SICAD.

Jogos online
Os pedidos de ajuda ao Instituto de Apoio ao Jogador concentram-se agora nos jogos online, que registaram um “crescimento...

Todos os anos tem vindo a aumentar o número de pedidos que chegam ao instituto, através da linha de ajuda (968230998) e da marcação de consultas, mas o perfil de quem pede ajuda também tem mudado.

“Há uns anos, a maior parte era jogadores de casino, das máquinas, e agora tivemos um crescimento enorme de pedidos de ajuda” de pessoas com problemas com o jogo online, sobretudo apostas desportivas e póquer on-line, adiantou Pedro Hubert, coordenador do Instituto de Apoio ao Jogador (IAJ).

Também estão aparecer cada vez mais casos de adolescentes e jovens universitários com problemas relacionados com vídeojogos. Nestas situações, a componente não é tanto o dinheiro, mas o insucesso escolar, os problemas familiares e o isolamento, devido às horas que passam a jogar, muitas vezes 14 a 16 horas por dia, disse o especialista em jogo patológico.

A maior parte dos pedidos de ajuda relativos ao jogo a dinheiro, “seja online ou offline”, é feita pelos familiares (50 a 60%), enquanto nos vídeojogos, “99%, para não dizer 100%, são feitos pelos pais, porque os próprios nunca pedem ajuda”.

Após anos a apostar online e muitas noites mal dormidas a pensar em esquemas para arranjar dinheiro para jogar e recuperar o que já tinha perdido, Rui (nome fictício) decidiu que era altura de pedir ajuda.

Em 2001, tinha então 30 anos, Rui começou a jogar de forma lúdica, “sem qualquer tipo de compulsão”, sendo as apostas desportivas online o seu “jogo de eleição”.

Mais tarde, em 2013, passou por alguns problemas de saúde e conjugais que o levaram a “jogar mais compulsivamente, com valores de apostas superiores”, como contou à Lusa.

Jogava sempre no horário de trabalho. “Se trabalhasse oito horas estaria a apostar e a seguir jogos durante esse tempo”, admitiu.

Na fase mais aguda da compulsão havia dias em que chegava “a jogar, entre ganhar e perder, 500 a mil euros por dia”, contou.

Quando a família descobriu o seu vício, Rui ficou uns tempos sem jogar, “mais por não poder do que por não querer”, e teve de sair de casa onde morava com a mulher e os filhos.

“Fui viver para outra casa e passado um tempo, voltei a recair e foi nessa recaída que cheguei à conclusão que sozinho não conseguia resolver o meu problema de jogo”, contou Rui.

No próprio dia, ligou para os Jogadores Anónimos, falou com “um companheiro”, e foi à primeira reunião. Uma semana depois teve a primeira consulta no instituto.

“Foi aqui que começou o meu processo de recuperação e felizmente as coisas têm estado a correr bem”, disse Rui, contando que, nos primeiros seis meses, frequentou mais de 50 reuniões dos Jogadores Anónimos e tinha consultas semanais.

Está há oito meses sem jogar, mas confessa que “a vontade” permanece. “Eu sou um jogador e hei de ser o resto da vida”, porque “gosto de jogar”.

“O que tenho tentado fazer é munir-me de ferramentas que considero válidas e necessárias para conseguir ter o jogo cada vez mais controlado e distante da minha vida e isso passa muito pelas consultas, pelas reuniões dos jogadores anónimos, pelo nosso querer e pelas estratégias que vamos adotando na vida”, disse.

Uma das estratégias que arranjou foi entregar todas as suas finanças, desde cartões de crédito, acesso a ‘homebaking’ e transferências bancárias a um amigo e receber uma semanada.

O que mais valoriza na recuperação é a tranquilidade que sente quando se deita, “sem sentimentos de culpa, sem pensar no jogo. Não há nada que pague isso”.

Segundo o coordenador do IAJ, as taxas de recuperação, "independentemente de haver uma ou outra recaída", rondam os 60%, valores que vão ao encontro dos de outros centros europeus e norte-americanos.

Infarmed
O Infarmed registou 51 reações adversas graves inesperadas no decorrer dos ensaios clínicos que se realizaram no ano passado,...

De acordo com a autoridade que regula o setor (Infarmed), os 365 ensaios clínicos que decorrem atualmente em Portugal envolvem cerca de 13 mil voluntários.

Em relação ao número de suspeitas de reações adversas graves inesperadas ocorridas em Portugal, no âmbito de ensaios clínicos, foram notificadas 214 nos últimos cinco anos.

Em 2016 foram submetidos 142 pedidos de autorização de ensaios clínicos, foram autorizados 144 e indeferidos três.

O tempo médio de decisão foi, em 2016, de 25 dias úteis e 36 de calendário.

Os medicamentos experimentais que foram mais objeto de ensaio clínico foram os antineoplásicos e imunomoduladores (58), seguindo-se sistema cardiovascular (16) e sistema nevoso central (14) e anti-infeciosos (13).

A indústria farmacêutica continua a ser o principal promotor destes ensaios clínicos, sendo responsável por 132. Dez ensaios foram promovidos pelo meio académico e sem fim comercial.

Estudo
Os consumidores de cocaína têm mais dificuldade em esquecer coisas irrelevantes, o que afeta a sua capacidade de deixar o vício...

Os investigadores do Centro de Investigação da Mente, Cérebro e Comportamento, das universidades de Granada e Leiden, sugerem que a cocaína pode alterar o controlo da mente para esquecer informações irrelevantes ou persistentes.

Entre estas encontram-se os pensamentos intrusivos ou repetitivos que levam viciados em cocaína a consumir reiteradamente, tornando a desintoxicação mais difícil.

A experiência incidiu sobre consumidores ocasionais, viciados e pessoas que nunca consumiram drogas.

Confrontados com uma lista de palavras a recordar e outra de palavras a esquecer, os consumidores não conseguiram esquecê-las intencionalmente.

As palavras que não conseguiram esquecer pareciam interferir com as relevantes, tornando mais difícil recordar a informação relevante.

O consumo prolongado da cocaína altera as zonas do cérebro responsáveis pela seleção e processamento de informação.

Cuidados dentários
Consoante o estudo Cuidados de Saúde Oral – Universalização, da Nova School of Business and Economic

Uma saúde oral em bom estado é não apenas uma questão de autoestima, como de saúde pública. Dentro dos diversos ramos da Medicina Dentária - Ortodontia, Implantologia, Endodontia, Próteses, passando ainda pela Estética Dentária, Branqueamentos, Higiene e Radiologia Oral, entre outras -, a saúde dentária é uma área com lacunas no Serviço Nacional da Saúde (SNS). Garantir uma higiene oral cuidada acabará por se refletir muito no bem-estar individual.

Se ao nível dos cuidados de saúde gerais Portugal se encontra bem posicionado face ao resto da União Europeia (UE) (somente 5,1% dos portugueses com mais de 16 anos relata ter necessidades de saúde não satisfeitas, conforme o estudo supracitado), o mesmo não acontece com a saúde oral (neste campo o valor dispara para 18% quando a média europeia é de 7,9%).

“Atendendo a estes números e devido à falta de dentistas nos cuidados de saúde primários, o recurso ao setor privado não é uma escolha, mas sim uma necessidade. Geram-se então despesas avultadas a pagar, o que pode obrigar muitas famílias a abdicarem de bens de primeira necessidade. E o mais provável é que as de menores rendimentos fiquem mesmo excluídas destes tratamentos”, afirma Sérgio Pereira, diretor geral do ComparaJá.pt.

Desta forma, o recurso ao financiamento torna-se essencial, existindo cinco formas de o fazer. Desde logo, há que mencionar o célebre cheque-dentista, criado pelo Ministério da Saúde ao abrigo do Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral (PNPSO).

Este consiste na atribuição de cuidados dentários - que podem ser prestados em qualquer consultório ou clínica aderente - a mulheres grávidas que sejam seguidas no SNS, beneficiários do complemento solidário para idosos utentes do SNS e crianças e jovens com idade inferior a 16 anos.

A partir de março de 2016, esta modalidade passou a abranger igualmente os jovens de 18 anos, crianças com necessidades especiais e utentes portadores de VIH.

Cada cheque vale 35€, sendo que o número de atribuições por ano é definido pelo Ministério da Saúde consoante a situação dos utentes (os grupos de alto risco podem receber dois cheques-diagnóstico anuais, por exemplo). O processo é sempre iniciado pelo médico de família.

Ainda assim, esta possibilidade não abrange toda a população e para despesas mais elevadas, o próprio dentista apresenta soluções. Supondo um caso de uma família em que a mãe teve de colocar quatro implantes, o filho mais velho realizou tratamentos a cáries e o pai teve de fazer uma extração de um dente do siso incluso -, esta precisou de pagar, de uma só vez, cuidados dentários num total de 2.500€.

Não tendo acesso ao cheque-dentista e tratando-se de um gasto elevado a ser realizado de uma só vez, esta família recorreu diretamente ao seu dentista e obteve informações para financiamento junto do mesmo. É sempre útil sondar primeiro as condições do crédito através do consultório para depois compará-las com outras alternativas no mercado.

Existem empréstimos destinados a despesas de saúde de emergência (e cujas taxas de juro e condições costumam ser apelativas), mas estes geralmente apenas financiam acima dos 5.000€. Para custos abaixo deste montante, existe ainda a opção de crédito pessoal sem finalidade.

No âmbito dessa solução, supondo um empréstimo de 2.500€ para 24 meses com uma TAEG de 14,2%, o montante total imputado (ou seja, o custo final do crédito, que engloba todos os juros e encargos com o empréstimo mediante a Taxa Anual Efetiva Global) pode chegar aos 2.800€, numa prestação mensal a rondar os 127€. Todavia, estes valores são meramente indicativos e variam de banco para banco, sendo crucial solicitar diversas simulações e compará-las.

Porém, para gastos mais reduzidos pode fazer sentido recorrer ao cartão de crédito para financiar estas despesas, tendo sempre em consideração que a TAEG poderá ser mais elevada. Se, através do exemplo acima apresentado, a família em questão pagasse os 2.500€ através do cartão, acabaria certamente por gastar, pelo menos, 200€ a mais do que se financiasse os cuidados dentários com um crédito pessoal sem finalidade.

Comparando ambas as soluções (crédito pessoal e cartão), na realidade só compensaria esta última opção se os gastos da família no dentista fossem separados temporalmente, até porque haveria sempre a possibilidade de conseguirem pagar dentro do prazo em que não são cobrados juros. Para valores mais elevados, o montante total do crédito fica mais caro com o cartão do que com um empréstimo.

Ainda no âmbito das opções de financiamento importa referir, por último, os seguros de saúde dentária, que geralmente incluem acesso a uma rede de dentistas com a possibilidade de realização de check-ups orais e tratamentos a um preço mais reduzido do que é cobrado normalmente.

“Em Portugal, os cuidados ao nível da Medicina Dentária são sobretudo prestados pelo setor privado, o que faz com que os custos sejam muito superiores relativamente aos tratamentos através do SNS. Este óbice financeiro acaba por ter de ser colmatado com recurso ao financiamento bancário”, sublinha Sérgio Pereira, acrescentando que “Enquanto não houver uma reposta pública que permita satisfazer todas as necessidades na saúde oral, é essencial que os portugueses escolham as soluções financeiras mais adequadas à sua situação específica”. 

O responsável do ComparaJá.pt adverte ainda para o facto de ser “primordial que se comparem os diversos produtos existentes – seja o crédito pessoal sem finalidade, o crédito direcionado para despesas de saúde (mais usado nos casos em que os custos são elevadíssimos – como os de cirurgias de urgência que ascendem aos 10.000€, por exemplo) ou o cartão de crédito para gastos faseados – e que se façam escolhas que ajudem os consumidores a cuidarem da sua saúde oral sem arruinarem as suas finanças pessoais”.

“E nada como consultar o próprio dentista para abordar até a hipótese de solicitar um pagamento faseado dos tratamentos ou até um desconto”, conclui o responsável do portal gratuito de comparação de produtos financeiros. 

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Em 2017
A secretária de Estado Adjunta e da Justiça anunciou hoje que durante este ano o Ministério da Justiça vai contratar 27 médicos...

Helena Mesquita Ribeiro falava durante a cerimónia de assinatura do protocolo entre a Direção-geral de Reinserção e Serviços Prisionais e o Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge destinado a facilitar a realização de análises clínicas, exames de diagnóstico e outros cuidados de saúde a reclusos de diversas cadeias do país.

"Graças a este protocolo, facilitar-se-á muito a realização de análises clínicas aos reclusos dos Estabelecimentos Prisionais (EP) de Aveiro, Paços de Ferreira, Custóias, santa Cruz do Bispo, Braga, Guimarães, da PJ do Porto, Viana do Castelo, Vale do Sousa e de Coimbra, assim como do Hospital Prisional de São João de Deus", indicou Helena Ribeiro.

Na presença do secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, e do diretor-geral dos Serviços Prisionais, Celso Manata, a mesma responsável revelou ainda que, por despacho conjunto da ministra da Justiça e do ministro da Saúde, foi constituído um grupo de trabalho, incluindo "alguns dos mais reputados peritos em saúde em meio prisional", que fica encarregado de "analisar a fundo o acesso da população reclusa ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) e de conceber soluções para ultrapassar os desafios que ainda existem".

Para colmatar a "grande falta de profissionais de saúde" no sistema prisional, Helena Ribeiro frisou que é intenção do Ministério da Justiça, em 2017, contratar 27 médicos e 56 enfermeiros, para assegurar os cuidados de saúde de que necessita a população reclusa e, ao mesmo tempo, servir de "interlocutores privilegiados na necessária articulação com os profissionais do SNS".

Em declarações no final da cerimónia, o secretário de Estado da Saúde precisou que as análises previstas no protocolo abrangem a necessidade de prevenção, verificação e confirmação de algumas doenças infecto-contagiosas como o VIH/SIDA e hepatite C, bem como de outras situações clínicas.

Manuel Delgado e Helena Ribeiro destacaram a alteração de paradigma no sistema de recolha de análises, observando que, doravante, não será necessário os reclusos deslocarem-se aos serviços do SNS, passando a ser pessoal do Instituto Ricardo Jorge a fazer a recolha de vestígios junto do recluso doente, evitando assim os problemas logísticos inerentes ao transporte e segurança do recluso nas idas ao SNS, em benefício de uma "boa gestão dos recursos".

Helena Ribeiro admitiu que a realização de análises clínicas à população reclusa possa vir também a abranger a despistagem de drogas.

Os dois secretários de Estado observaram também que está em vigor um outro protocolo entre os Serviços Prisionais e o Hospital São João (Porto) para dar apoio dos doentes/reclusos com hepatite C, havendo a intenção de alargar a medida a outros EP.

Outra das novidades, avançou Helena Ribeiro, prende-se com a experiência em curso relativo à Telemedicina, ou seja, a possibilidade de o recluso ser visto por um médico à distância, num processo que têm também o apoio dos serviços clínicos da prisão.

Numa altura em que a população reclusa tem oscilado entre os 13.700 e os 14.500, Helena Ribeiro apontou para a necessidade de se aplicar medidas alternativas à pena de prisão, revelando que no mês passado houve uma diminuição de 400 reclusos, o que teve a ver também com a campanha de sensibilização junto dos tribunais para que, em alguns casos menos graves, não se opte por penas privativas da liberdade.

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