Semana Mundial das Alergias
No âmbito da Semana Mundial das Alergias, que se assinala entre 2 e 8 de Abril, a Sociedade Portugue

A obesidade, a mudança nos hábitos alimentares, o sedentarismo ou a crescente utilização de antibióticos são algumas das causas apontadas para o aumento de casos de alergia respiratória registados nos últimos anos. “São várias as causas apontadas e que se prendem muito com as alterações profundas do estilo de vida das sociedades ocidentais no últimos 50-60 anos, como a maior permanência dentro das casas, um menor contato com estímulos infecciosos pouco perigosos, a poluição ou as alterações climáticas que, por exemplo, são responsáveis por maior quantidade de pólenes na atmosfera e durante mais tempo”, começa por explicar o alergologista Manuel Branco Ferreira.

De acordo com o especialista, estima-se que entre 30 a 35% da população portuguesa sofra de doença alérgica respiratória, sendo a rinite alérgica a patologia mais frequente, “logo seguida de asma brônquica”.

“Nas crianças a doença alérgica respiratória é a causa mais frequente de doença crónica”, revela o clínico adiantando que “em Portugal a maior parte dos doentes com alergia respiratória tem alergia aos ácaros do pó doméstico ou a pólenes de plantas, árvores e ervas. Alguns doentes são ainda alérgicos a fungos (bolores) ou a pelos de animais”.

Conjuntivite, rinosinusite e lariingotraqueíte crónicas são outras patologias relativamente frequentes e que, muitas vezes, fazem acompanhar as queixas de rinite ou asma.

Comichão, corrimento e obstrução/congestão nasal são os principais sintomas de rinite alérgica. “Na asma os sintomas são a tosse seca crónica, a chiadeira no peito, a falta de ar e a sensação de aperto toraccico”, explica acrescentando que, em ambos os casos, os sintomas são frequentemente recorrentes.

E é na recorrência dos sintomas que reside, muitas vezes, o maior obstáculo para o seu diagnóstico.

“Uma patologia que está presente quase todos os dias, e desde tenra idade, tem tendência a ser entendida pelo doente quase como normal e como um sofrimento de que tem de padecer, apenas sendo reportados os episódios de grande agravamento que, por exemplo, levam o doente à urgência ou que o obrigam a faltar ao trabalho”, afirma o secretário-geral da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC).

Por outro lado, a pouca importância que alguns médicos dão às patologias alérgicas, “que não têm uma grande mortalidade e que às vezes são olhadas como patologias «menores»”, condiciona a sua avaliação.

“No entanto, o impacto na vida destas pessoas é muito significativo e podemos dizer que, por exemplo no caso da rinite, a rinite é uma doença banal apenas para quem não sofre dela”, afirma Manuel Branco Ferreira.

A alergia respiratória não causa apenas sofrimento físico pelos sintomas. “Também tem grande impacto no bem-estar psíquico porque os doentes respiram pior, sentem-se mais cansados, não conseguem descansar de noite, podem ter quadros de algum embaraço social (por exemplo, se estiver sempre a espirrar ou a assoar-se ou a tossir) que levam a retração social, isolamento e eventualmente depressão”, justifica.

A diminuição da qualidade de vida surge, deste modo, como uma complicação importante da alergia não tratada.

Por outro lado, a doença alérgica pode evoluir para uma forma mais grave. “Estas situações de inflamação crónica das vias aéreas podem evoluir em termos de se irem tornando progressivamente mais graves, com menor resposta à terapêutica SOS ou de alívio e ainda afetarem outros órgãos para além dos iniciais”, explica o alergologista dando como exemplo a evolução para asma dos doentes com rinite não tratada.

“Finalmente nas fases mais avançadas da doença alérgica podemos já ter quadros com fibrose irreversível, ou seja, em que as diferentes estruturas desses órgãos são substituídas por tecido fibroso (cicatrizes) perdendo-se irremediavelmente a função desses tecidos”, acrescenta.

Quando recorrer a consulta de especialidade

“Os casos mais ligeiros podem perfeitamente ser medicados por médicos generalistas e se essa medicação for suficiente não há necessidade de consultar um especialista”, afiança Manuel Branco Ferreira.

No entanto, nos casos em que a terapêutica não fôr suficientemente eficaz deve procurar ajuda especializada. “Essa consulta torna-se necessária quando se quer identificar a causa da alergia ou fazer tratamento com as vacinas da alergia e obviamente nos casos mais graves”, acrescenta.

Como principais recomendações, o secretário-geral da SPAIC destaca a necessidade do doente conhecer bem a sua doença alérgica no sentido de evitar o contato com o alérgeno. “No caso dos doentes alérgicos aos pólenes estes devem procurar conhecer os níveis polínicos na sua área de residência, o que podem fazem através da consulta ao Boletim Polinico da Rede Portuguesa de Aerobiologia disponível de forma gratuita no site da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica”, acrescenta.

Manuel Branco Ferreira reforça ainda a importância de seguir “criteriosamente” as indicações terapêuticas do médico. “Particularmente no que diz respeito a manter algumas terapêuticas de uma forma mais ou menos continuada e mesmo na ausência de sintomas, bem como tratar precocemente os sintomas que eventualmente possam surgir”, adianta terminando esta série de conselhos reafirmando que “quando adequado” o doente deve procurar a opinião de um especialista.

 

Fonte: 
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Sociedade Portuguesa de Medicina Interna
Luís Campos, presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna foi eleito Honorary Fellow (membro honorário) do American...

Este título é atribuído a internistas que se notabilizaram internacionalmente nesta especialidade. A distinção é entregue numa cerimónia de convocação onde o Colégio reconhece e aplaude os seus novos Fellows e os destinatários de várias honras, incluindo Mestres, Governadores de Capítulo e Prémios Nacionais. A comunidade global de medicina interna é representada por colegas de numerosas Sociedades de Medicina Interna de todo o mundo, além da Sociedade Internacional de Medicina Interna, da Federação Europeia de Medicina Interna (EFIM) e das Faculdades e Academias Reais, que se unem aos líderes do American College of Physicians (ACP) neste importante para a especialidade.

Luís Campos é atualmente diretor do Serviço de Medicina do Hospital de S. Francisco Xavier/Centro Hospitalar Lisboa Ocidental, Professor Auxiliar convidado da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, sendo ainda Presidente do Comité de Qualidade e Assuntos Profissionais da EFIM, membro da Comissão Nacional dos Centros de Referência e membro da Comissão das Reformas de Proximidade.

O American College of Physicians foi fundado em 1915, sendo a maior organização de especialidades médicas nos Estados Unidos. Os membros do ACP incluem 148.000 médicos de medicina interna, sub-especialistas relacionados e estudantes de medicina.

Em Lisboa
A Cerimónia Pública de distinção dos Projetos selecionados no âmbito da Edição de 2016 do Programa Gilead GÉNESE decorrerá no...

O Programa Gilead GÉNESE, inserido na política de responsabilidade social da Gilead Sciences, pretende envolver a Comunidade e tem contribuído para a geração de valor no domínio da investigação científica e da intervenção na área da Saúde. Anualmente são distinguidos os melhores projetos no âmbito da investigação e da Comunidade.

O Programa Gilead GÉNESE, criado em 2013, é já um programa de referência no apoio à investigação científica e projectos da Comunidade. Ao longo de quatro edições, o montante global de financiamento atribuído aos projetos apoiados pelo programa Gilead Génese ascendeu a mais de um milhão de euros.

A esta edição do Programa Gilead GÉNESE candidataram-se cerca de 30 projetos nacionais submetidos por diferentes entidades científicas, académicas e da sociedade civil.

“O programa Gilead GÉNESE tem contribuído para que o nosso país seja um exemplo, ao nível internacional, na intervenção em áreas tão importantes com a VHC, o VIH e a Hemato-Oncologia. Em todas as edições do programa temos distinguido projetos que contribuem para a inovação em saúde, mas também comunidades ou pessoas que se preocupam em melhorar a qualidade de vida daqueles que os rodeiam”, refere Vítor papão, diretor geral da Gilead Portugal.

A avaliação das candidaturas submetidas foi assegurada por duas Comissões externas de Avaliação que selecionaram 12 projetos, 6 de natureza Científica e 6 de Iniciativa Comunitária, pelo seu potencial contributo para a otimização da prática clínica, da melhoria da qualidade de vida dos doentes e dos resultados em saúde.

Na investigação, os projetos distinguidos nesta 4ª edição do Programa Gilead GÉNESE incidem em especial sobre novas abordagens ao VIH, colocando, por exemplo, a possibilidade de desenvolver nova medicação que atue por via tópica e a hipótese de encontrar uma cura ao conseguir bloquear a multiplicação viral que o VIH-1 induz ao transformar as células Tfh em ‘fábricas’ produtoras de vírus.

Quanto aos projetos da comunidade, refira-se a preocupação em atuar para corrigir mitos e falsas crenças que contribuem para os índices de doenças sexualmente transmissíveis, e em promover o sexo seguro através de iniciativas de sensibilização e educação para estilos de vida e comportamentos que apoiem a redução destas doenças, nomeadamente do VIH/SIDA, assim como para realizar rastreios que permitam aumentar o conhecimento da comunidade sobre o seu estatuto serológico relativamente ao VHC (Vírus da Hepatite C). 

Estudo
Investigadores portugueses descobriram, numa experiência com ratinhos, que a eliminação dos neurónios (células do sistema...

Uma equipa liderada por Ana Domingos, do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), descobriu, em 2015, que os neurónios periféricos, quando ativados, queimavam gordura.

Agora, num estudo publicado hoje na revista Nature Communications, os investigadores concluíram que essas células, quando desativadas, através de uma técnica de manipulação genética, provocam o aumento rápido de peso.

Ana Domingos explicou à Lusa que os neurónios que estão fora do cérebro, no tecido nervoso, libertam uma substância que 'comunica' com os adipócitos, as células do tecido adiposo responsáveis pelo armazenamento de gordura no corpo.

Em resultado desse 'contacto', as células adiposas ficam mais pequenas e a gordura é queimada.

"Se retirarmos os neurónios, os adipócitos não têm como queimar gordura, e esta vai acumulando", assinalou a cientista, acrescentando que, mesmo que os ratinhos "façam dieta, não conseguem perder peso". O mesmo sucede com as pessoas obesas.

A descoberta deste mecanismo biológico associado à obesidade permite partir agora para a sua utilização em sentido inverso, no combate à obesidade.

"Ficamos com uma ideia biológica de como atacar a doença [a obesidade] farmacologicamente em humanos", apontou Ana Domingos.

O grupo já está a trabalhar num medicamento para a obesidade que usa estes neurónios como alvo, sem atingir o cérebro, e procura investidores.

Na experiência com os ratinhos, geneticamente modificados, os investigadores criaram uma nova técnica genética que permite 'matar' neurónios específicos do sistema nervoso periférico sem afetar o cérebro.

Na prática, a equipa de Ana Domingos, com o apoio do químico Gonçalo Bernardes, do Instituto de Medicina Molecular, alterou uma técnica muito utilizada em engenharia genética para eliminar células, que se baseia no uso da toxina diftérica (libertada pela bactéria que causa a difteria).

A toxina "só mata as células que contêm o seu recetor", precisa o IGC em comunicado. Os recetores são proteínas que estão nas membranas das células e permitem a interação de determinadas substâncias com os mecanismos de metabolismo celular.

Os ratos, ao contrário dos humanos, não têm o recetor da toxina diftérica.

O que os investigadores fizeram foi introduzir geneticamente "o recetor da toxina nos neurónios que inervam o tecido adiposo nos ratos, tornando esses neurónios suscetíveis à ação letal da toxina", adianta o IGC.

Mas, uma vez que a toxina poderia afetar, nestes termos, neurónios semelhantes que existem no cérebro, a equipa modificou quimicamente a toxina diftérica, aumentando o tamanho da molécula para impedir a sua entrada no cérebro.

Deste modo, a toxina apenas 'mata' os neurónios que estão fora do cérebro.

BeCyberSafe
Investigadores de oito países (Chipre, Espanha, Itália, Noruega, Portugal, Reino Unido, República Checa e Turquia)...

Estas ferramentas – guias para alunos, pais e escolas e um videojogo, já disponíveis online – resultam do projeto europeu de investigação “Beat Cyberbullying: Embrace Safer Cyberspace”, financiado pelo programa Erasmus+ da União Europeia, no qual participaram Armanda Matos e Ana Maria Seixas, docentes da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação Universidade de Coimbra (FPCEUC).

Numa primeira fase do projeto, realizado ao longo dos últimos dois anos, a equipa realizou um estudo junto de crianças e adolescentes, com idades compreendidas entre os 9 e os 14 anos, com o objetivo de “compreender a perceção que este público-alvo tem sobre o fenómeno de cyberbullying e quais as necessidades sentidas para prevenir e lidar com a problemática”, explica Armanda Matos.

O estudo demonstrou “que há muito trabalho a fazer para prevenir o fenómeno, nomeadamente ao nível da sensibilização das crianças e dos adolescentes para os potenciais riscos da comunicação mediada pelas tecnologias. Os participantes no estudo revelam, por exemplo, que partilham informação privada nos seus perfis de redes sociais, e afirmam que têm necessidade de receber formação sobre as várias vertentes do problema, ou seja, receber formação quer em termos de prevenção do cyberbullying quer sobre o uso das tecnologias”, afirma a especialista da Universidade de Coimbra (UC) em Educação para os Media.

Por outro lado, os alunos “dizem desconhecer se as suas escolas têm ou não medidas para prevenir e lidar com esta nova forma de violência”. Por isso, sublinha Armanda Matos, “é necessário um trabalho de consciencialização contínuo porque o cyberbullying tem uma audiência muito mais ampla que o bullying tradicional, pode ocorrer 24 horas, sete dias da semana, e permite o anonimato (ou a ilusão de anonimato) a quem o pratica”.

Os recursos produzidos pelos investigadores dos oito países parceiros do projeto “fornecem conhecimentos básicos, conselhos práticos e orientações para ajudar alunos, pais e escolas a evitar os resultados indesejados deste fenómeno que, em Portugal, apresenta uma taxa de prevalência de 7,6 por cento de vítimas, segundo dados de um estudo anterior, realizado também pela FPCEUC e coordenado pelo professor João Amado. Nestes recursos são facultadas abordagens e estratégias para motivar e envolver os diferentes públicos no uso mais seguro da Internet e na luta contra o cyberbullying”, conclui a docente da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da UC.

Os guias elaborados no âmbito do projeto estão disponíveis, em versão inglesa, no site BeCyberSafe criado para o efeito. Podem ser obtidos gratuitamente em: http://www.becybersafe.org/pubblications/.  

O videojogo, destinado a um público mais jovem, está disponível em várias línguas, incluindo o português, e pode ser instalado a partir de http://www.becybersafe.org/becybersafe-game/.

Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde
Uma equipa do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde anunciou ter desenvolvido uma ferramenta 'online&...

Este instrumento vai servir para apoiar a decisão dos médicos na escolha e acompanhamento do tratamento para cada doente, de forma a garantir o melhor controlo possível da doença intestinal.

Segundo Cláudia Camila Dias, investigadora principal do projeto, esta ferramenta permite “prever a evolução da doença em cada paciente e adaptar a terapêutica de forma rápida, eficiente e nada invasiva, ou seja, sem necessidade de recorrer a testes genéticos nem laboratoriais”.

A especialista em bioestatística do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS) explicou que este modelo de prognóstico na doença inflamatória intestinal baseia-se na recolha de dados demográficos e informações clínicas facilmente obtidas em consulta, como a idade em que o paciente foi diagnosticado, o uso de corticoides, a existência de doença perianal e os hábitos tabágicos, por exemplo.

A doença inflamatória intestinal inclui duas patologias diferentes: a doença de Crohn e a colite ulcerosa. Trata-se de doenças incapacitantes, de causa desconhecida, que podem afetar qualquer parte do intestino.

De acordo com os especialistas, “os pacientes que sofrem destas doenças vêm a sua qualidade de vida (pessoal, social e profissional) muito afetada. No entanto, só muito recentemente é que se passou a verificar uma preocupação com a manutenção da qualidade de vida destes doentes, através da redução do número de cirurgias a que são submetidos e das hospitalizações a que são sujeitos”.

Em comunicado, o CINTESIS refere que para o desenvolvimento da nova ferramenta foi necessário “estudar de forma aprofundada” a relação entre a doença inflamatória intestinal e as diferenças demográficas e clínicas dos pacientes.

No âmbito desse trabalho prévio, foi possível averiguar que “os doentes com Crohn com menos de 40 anos, que foram tratados com corticoides e que sofrem de doença perianal, estão em maior risco de apresentarem doença incapacitante. No caso dos pacientes com colite ulcerosa, são os homens, com doença extensa e que usam corticoides, os que estão em maior risco de atingir níveis mais graves da doença, que exijam a remoção de parte do intestino”, acrescenta.

Os investigadores avaliaram ainda o impacto que o uso de imunossupressores – um tipo de tratamento que diminui a atividade do sistema imunológico do paciente, baixando a inflamação – tem na evolução da doença inflamatória intestinal. As análises realizadas revelaram que os doentes a quem estes medicamentos são prescritos mais tardiamente são operados mais vezes.

Cláudia Camila Dias afirmou que esta ferramenta vai ser “integrada no sistema de interface com a base de dados do GEDII - Grupo de Estudos da Doença Inflamatória Intestinal para ser utilizada pelos clínicos”.

“Este instrumento é completamente funcional, expondo as capacidades analíticas e preditivas desenvolvidas nos modelos criados”, acrescentou.

O sistema será usado pelos gastrenterologistas durante a consulta de especialidade, através da utilização da interface com a base de dados da consulta.

O projeto, que resultou em vários artigos publicados em revistas científicas como o Journal of Crohn’s and Colitis, Inflammatory Bowel Disease e a PLoS One, foi desenvolvido em colaboração clínica com o gastrenterologista Fernando Magro, e colaboração científica com os investigadores do Cintesis Pedro Pereira Rodrigues, Raphael Oliveira, Guilherme Macedo e Altamiro da Costa-Pereira.

O CINTESIS é uma unidade de investigação e desenvolvimento (I&D) cuja missão é encontrar respostas e soluções, no curto prazo, para problemas de saúde concretos, sem nunca perder de vista a relação custo/eficácia.

Sediado na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, o CINTESIS beneficia da colaboração das Universidades Nova de Lisboa, Aveiro, Algarve e Madeira, bem como do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), do Instituto Superior de Engenharia (ISEP) e da Escola Superior de Enfermagem do Porto (ESEP).

No total, o centro agrega cerca de 450 investigadores, em 16 grupos de investigação que trabalham em quatro grandes linhas temáticas: Investigação Clínica e Serviços de Saúde; Neurociências e Envelhecimento Ativo; Diagnóstico, Doença e Terapêutica; e Dados e Métodos.

Em todo o país
Os boletins de vacinas vão passar a ser digitais para a globalidade da população até ao fim do ano, permitindo o registo...

Esta é uma das novidades que será abordada no Portugal eHealth Summit, que decorre entre terça e quinta-feira em Lisboa e contará com a participação de mais de 8.000 pessoas, segundo estimativas dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS).

Segundo o presidente dos SPMS, o boletim digital de vacinas vai ser generalizado até ao fim do ano, com as vacinas a integrarem um registo vacinal nacional que é eletrónico.

Desta forma, qualquer médico ou enfermeiro poderá aceder às vacinas dos utentes em qualquer unidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Numa urgência, por exemplo, pode ser fundamental um médico saber se o doente tem a vacina do tétano em dia, exemplifica o presidente dos SPMS, Henrique Martins.

Os utentes também podem aceder às suas vacinas através da área do cidadão do portal do SNS.

Outra vantagem, segundo Henrique Martins, é a de possibilitar que o utente faça a sua vacina em qualquer centro de saúde do país.

O registo vacinal digital já está a ser aplicado a cerca de 100 mil doentes portugueses, numa experiência no Litoral Alentejano. A ideia da SPMS é abranger todo o território até final do ano.

Na Portugal eHealth Summit, os SPMS vão abordar ainda outros projetos, como os exames médicos sem papel. O objetivo é que no segundo semestre os médicos de família já possam receber por via eletrónica os resultados das análises laboratoriais prescritas ao doente e feitas em entidades convencionadas.

Outro dos projetos é a progressiva substituição e modernização do software dos centros de saúde.

Henrique Martins explicou à agência Lusa que uma das ideias centrais do Portugal eHealth Summit é reunir todos os agentes interessados no “uso do digital para transformar a saúde”, sejam utentes, profissionais de saúde, empresários, autarquias ou organismos públicos.

Durante três dias, esta iniciativa vai reunir especialistas nacionais e internacionais, envolvendo a academia, empresas empreendedoras, ‘startups’, ordens profissionais, sociedades científicas, associações de doentes, outras entidades da administração pública e representantes da área da investigação e financiamento em saúde.

Médico
A vacinação de pelo menos 1.900 pessoas em Lisboa controlará o surto de hepatite A, que se transmite apenas por água e...

“Através de modelos estatísticos que existem das várias variáveis envolvidas sabemos que se conseguirmos vacinar no mínimo 1.900 pessoas, e é difícil de objetivar o máximo, na região de Lisboa, conseguimos controlar o surto aqui”, afirmou o médico, após a reunião desta tarde do grupo de coordenação de controlo do surto da doença, na Direção-Geral da Saúde (DGS), em Lisboa.

O tempo que demorará o controlo, segundo o responsável, depende da capacidade de resposta dos serviços e da informação das pessoas, que se “devem vacinar se for o caso”, pelo que o primeiro passo será ir ao médico para uma avaliação.

A organização não-governamental (ONG) Grupo de Ativistas em Tratamentos (GAT) disponibiliza um serviço especializado no Príncipe Real (Lisboa) para homens que têm sexo com homens.

O médico aproveitou para precisar que as duas únicas vias de transmissão da hepatite A são “através de água e alimentos contaminados, o que acontece sobretudo em viajantes, e através do contacto sexual”.

Diogo Medina notou a existência de “muita confusão” quanto aos meios de transmissão da doença “ainda pouco conhecida do grande público”.

“Estão alguns mitos a ser propagados como, por exemplo, que se transmite através do telemóvel, dos puxadores de portas, casas de banho e botões do elevador. E que não haja dúvidas que sem ser por água e alimentos contaminados e contacto sexual não é possível ser infetado por este vírus”, sublinhou.

O médico notou que o surto está agora identificado e que se está a avançar na proteção de três populações prioritárias: aqueles que contactam com as “pessoas que estão doentes, que vão ser vacinados”, tal como cidadãos em risco identificados pelos médicos, segundo as recomendações da DGS, e os viajantes.

A DGS decidiu alargar a prevenção contra a hepatite A, além da Unidade de Saúde da Baixa, em Lisboa, às consultas de viajante de todo o país.

Isabel Aldir, diretora do Programa Nacional para as Hepatites Virais da DGS, explicou que será aplicada imunoglobulina, que “protege mais rapidamente, mas de forma mais transitória” do que a vacina.

O surto centrado na região de Lisboa afetou desde janeiro até ao momento 126 pessoas.

Direção-Geral da Saúde
A prevenção contra a hepatite A passará a ser disponibilizada, além da Unidade de Saúde da Baixa em Lisboa, nas consultas de...

A decisão de alargar as medidas foi tomada numa reunião do grupo de coordenação de controlo do surto da doença, em Lisboa, com Isabel Aldir, diretora do Programa Nacional para as Hepatites Virais da Direção-Geral da Saúde (DGS), a explicar que será aplicada imunoglobulina, que “protege mais rapidamente, mas de forma mais transitória” do que a vacina.

“Na consulta do viajante a estratégia que vai ser seguida será da aplicação de imunoglobulina, que é igualmente segura e protetora para o viajante e que será alvo de dispensa de farmácia comunitária”, disse.

Neste alargamento de proteção, gratuita no contexto do surto, a especialista referiu será dada atenção a viajantes que se deslocam para países da África, África Subsariana, Ásia e América Central e do Sul.

A responsável sublinhou que a prevenção da doença se destina a “todas as pessoas a quem o médico faça uma avaliação de risco”.

Isabel Aldir referiu que a situação de surto está a ser seguida “a todo o momento” e cuja dimensão ainda se desconhece, mas que “com as medidas que estão a ser definidas se irá ver qual a evolução”.

Com esta decisão, a DGS visa resguardar o uso de vacinas para “quem efetivamente mais precisa”, uma vez que o mercado internacional não dispõe de mais unidades e porque o ciclo de produção demora cerca de dois anos.

Até ao momento, o surto afetou 126 casos: 119 homens e sete mulheres.

Na sexta-feira, a DGS decidiu requisitar cerca de sete mil vacinas contra a hepatite A ao circuito comercial, que serão administradas gratuitamente e sem pagamento de taxa moderadora na Unidade de Saúde da Baixa, em Lisboa.

No Porto
Leo tem seis anos e é autista, Guilherme tem 14 e foi-lhe diagnosticado espetro autista e trissomia em mosaico e, em comum, têm...

A oferta de terapias alternativas com cavalos e a póneis foi disponibilizada a ambos pelo Pony Clube do Porto, uma associação que desde 2013 já auxiliou cerca de 130 jovens, revelou a coordenadora Diana Pinto.

Bruno Faria, pai do Leo, contou que a doença foi diagnosticada quando a criança tinha dois anos. Acrescentou que, após "várias terapias, desde a da fala à ocupacional, uma pesquisa na Internet e uma indicação" levou-os ao Pony Clube.

"Desde que aqui estamos, o Leo tem vindo sempre a evoluir", afirmou, elencando as capacidades ganhas pelo filho: "hoje é capaz de caminhar, de fazer tarefas sozinho, sossegado, de estar junto a outras pessoas".

E continuou: "É também capaz de acompanhar outras crianças e já começou a dizer as primeiras palavras, a comunicar, a olhar nos olhos das pessoas".

Há três anos em terapia de periodicidade semanal, a recomendação médica para o Leo "é para que continue".

Guilherme, de 14 anos, acrescenta ao problema de autismo a trissomia em mosaico, doença caracterizada por deformação facial, atraso mental ligeiro e anomalias das articulações, tendo chegado muito mais tarde ao Pony Clube, associação que conheceu "por acaso", durante uma visita a uma feira rural do Porto, indica a mãe, Margarida Macedo.

"O Guilherme tinha imensas terapias que eram suportadas por nós. Tivemos de optar e deixar a terapia com cavalos de lado", explicou a mãe.

No Pony Clube, "perto de casa e com bons profissionais", o Guilherme “começou a terapia há três anos e tem evoluído imenso", acrescentou Margarida Macedo, referindo que o filho, embora tema animais como os gatos e cães caseiros, gosta de lidar com cavalos.

"Para ele é muito importante a empatia com o animal”, referiu.

Acrescentou que "todos os profissionais que lidam com ele, desde a pedopsiquiatria à neurologia, concordam que esta terapia é muito importante. Pois, ao mesmo tempo é terapia, é lúdico e desporto, tem tudo combinado para ser o ideal para ele".

Diana Pinto, coordenadora de equitação terapêutica, explicou que Leo e Guilherme chegaram ao Pony Clube "a desencadear frustrações".

"Hoje, o Guilherme tem um comportamento na aula de equitação e no relacionamento com os cavalos muito adequado e faz provas de equitação adaptada com sucesso e tudo para ele é muito gratificante", disse.

Quanto ao Leo, "era ainda criança e não verbalizava. Com os cavalos começou a desenvolver um vocabulário, principalmente o ‘anda cavalo’, e através da repetição de algumas palavras já conseguiu atribuir algum significado às palavras, discriminar cores e os animais".

O Pony Clube do Porto tem dez cavalos e póneis, associados conforme a idade ou peso da criança, e faz terapia a cerca de 130 jovens, de segunda-feira a sábado.

Estudo
Uma excessiva empatia emocional impede as crianças com autismo de comunicarem com o mundo, segundo um estudo, o que representa...

O Grupo de Investigação de Perinatalogia do Instituto de Investigação Sanitária de La Fe, em Valência, Espanha, avaliou a reação de crianças com e sem perturbação do espetro do Autismo perante expressões faciais de diferentes emoções e concluiu que o autismo não se caracteriza por falta de empatia, mas sim por um excesso de sensibilidade perante as emoções dos outros.

Com os dados e experiencias analisados na investigação, chega-se à conclusão de que o retraimento e o ensimesmamento das crianças com autismo é uma maneira de se protegerem perante um ambiente emocionalmente esmagador.

Segundo explicaram à EFE fontes do hospital, esta descoberta dignifica as perturbações do espetro do autismo – cujo dia mundial se assinala no domingo -, já que se caracterizam por um excesso de sensibilidade face às emoções e não por um defeito.

Os transtornos do espetro do autismo são considerados alterações do neurodesenvolvimento que podem provocar problemas de interação social, comunicacionais e comportamentais significativos.

Até ao momento, sempre se procurou modificar os comportamentos sociais atípicos das crianças com autismo, cuja origem se acreditava ser a falta de empatia.

Contudo, este estudo demonstra o contrário: que as crianças com autismo têm uma excessiva empatia quando atentam às emoções dos outros e é, precisamente, essa experiência avassaladora que os leva a retraírem-se e os impede de comunicar.

O artigo “Communication deficits and avoidance of angry faces in children with autism spectrum disorder” é da autoria da doutorada em psicologia clínica Ana García-Blanco e foi publicado na revista científica “Research in Developmental Disabilities”.

Com uma equipa do Grupo de Investigação de Perinatalogia e do serviço de psiquiatria de La Fe, Ana García-Blando avaliou 30 rapazes e raparigas autistas, com idades entre os seis e os 18 anos, e outros 30 sem a perturbação.

Foram apresentadas a todas estas crianças expressões faciais de tristeza, alegria, zanga e neutras e avaliou-se o modo como reagiam a esses rostos.

Os resultados mostraram que os rostos com carga emocional captavam a atenção de todas as crianças, independentemente de apresentarem ou não perturbação do autismo.

No entanto, quando as crianças autistas se mostraram capazes de exercer controlo sobre a sua atenção, preferiam evitar os rostos irritados, porque lhes causavam grade mal-estar, o que estará relacionado com os problemas de comunicação social que estas crianças apresentam.

As emoções captam a atenção das crianças com perturbação do autismo de maneira semelhante à das crianças sem o transtorno, mas, tão rapidamente como identificam uma emoção stressante, os autistas tendem a evitá-la, para acalmar o mal-estar que sentem.

Estas peculiaridades no processamento das emoções poderão ser um mecanismo subjacente aos problemas de comunicação social que estas crianças apresentam e contradizem a habitual tese que considera que o comportamento e os problemas cognitivos é que são os obstáculos que dificultam a sua comunicação.

Cirurgião da Cruz Vermelha
Os portugueses são dos poucos que podem entrar em missão humanitária em qualquer país em conflito, uma das vantagens apontadas...

“Eu quase diria que os portugueses têm, para começar, uma grande vantagem, que é o passaporte português. É dos poucos no mundo que não tem restrições de entrada em nenhum dos cenários em conflito em que tenho andado”, refere Nelson Olim, que é há dois anos e meio o único médico português a trabalhar em exclusivo no Comité Internacional da Cruz Vermelha.

Como exemplo, Olim refere que o seu antecessor no cargo de cirurgião sénior no Comité Internacional da Cruz Vermelha era libanês e que havia países para os quais não podia viajar por causa da nacionalidade.

“Existem imensos cenários onde há restrições de nacionalidade, para franceses, britânicos, americanos, australianos, canadianos. E não conseguem entrar em cenários em conflito. Nós, portugueses, conseguimos ir para qualquer lado no mundo, o que é uma vantagem enorme”, assinala o cirurgião de guerra português em entrevista.

A integração cultural e a capacidade de se desenrascar são outras caraterísticas que Nelson Olim distingue nos portugueses e que lhes confere vantagens em cenários de guerra ou de conflito.

“Aquilo que eu vejo em muito destes contextos é que os portugueses tentam sempre estabelecer laços com a comunidade local e tentam integrar-se e aprender coisas da língua local. E depois temos este ‘desenrasca’ que é tão típico, de improvisar e conseguir encontrar alternativas onde outras nacionalidades, pela sua formação cultural, bloqueiam”, afirma.

Contudo, o cirurgião afirma que é preciso mais do que ter capacidade de adaptação a novas situações para se conseguir entrar em missões em contextos de guerra.

“Do ponto de vista pessoal tem de haver algum desapego. Não sei se é muito bom como caraterística de uma pessoa, mas é quase uma condição. Temos de conseguir desapegar-nos para largar tudo e ir dois ou três meses para onde nos falta quase tudo”, refere.

Tem ainda de haver verdadeiro gosto pelo trabalho humanitário, a par de alguma frieza e sangue frio e nunca pode faltar a humildade: “Cada vez mais é isto que sinto. Nestes cenários não pode haver ‘prima donas’, temos de ser humildes e reduzir-nos àquilo que somos, à nossa pequenez”.

O cirurgião que está há dois anos e meio em exclusivo no Comité Internacional da Cruz Vermelha admite que há cada vez mais dificuldade de acesso a algumas zonas em conflito, devido à fragmentação dos grupos em oposição.

“Uma das razões pelas quais ainda não conseguimos ter equipas cirúrgicas na Síria é porque há mais de 100 grupos identificados e diferentes a lutar no país. Como é que é possível, neste contexto, garantirmos a segurança das nossas equipas? Porque nós não temos proteção armada, não temos nada, temos apenas uma cruz”, refere o médico em entrevista.

As dificuldades de acesso devem-se à alteração do panorama dos conflitos. Enquanto há 50 ou 60 anos era relativamente fácil compreender que havia dois blocos ou dois estados em oposição num conflito armado, atualmente são raros os cenários em que isto se verifica.

“O Comité Internacional da Cruz Vermelha tem como princípio a independência, a neutralidade e a imparcialidade. O que quer dizer que, em qualquer conflito onde entremos temos de ter o acordo das partes em conflito. Têm de perceber que vamos apoiar todos os lados”, explica o cirurgião português.

Nelson Olim reconhece que a cirurgia de guerra é uma área “com futuro”, na medida em que os conflitos vão crescendo no mundo, mas alerta que há cada vez mais dificuldade de acesso por parte das organizações humanitárias.

“Não há nenhum conflito hoje em dia que eu possa dizer: isto vai melhorar nos próximos tempos. A maior parte dos conflitos está numa fase de escalada. E há muitas situações que são barris de pólvora”.

Universidade de Coimbra
A Faculdade de Medicina da Universidade da Universidade de Coimbra investiu 315 mil euros em equipamento para as clínicas de...

Os novos equipamentos, que serão inaugurados na hoje, representam “o maior volume alocado à renovação de vinte equipamentos dentários, que constituem duas das três clínicas da área da medicina dentária”, afirma a Universidade de Coimbra (UC).

A Faculdade de Medicina da Universidade da Universidade de Coimbra (FMUC) passa a dispor de uma “câmara intraoral policromática”, que permite “adquirir imagens reais a três dimensões de ambas as arcadas dentárias”, refere a UC, sublinhando que esta é “a primeira instituição pública de ensino da medicina dentária [em Portugal] a usufruir deste tipo de equipamento”.

Do novo equipamento também faz parte, por exemplo, um microscópio para “microfocagem e ampliação até 40 vezes, com uma câmara de vídeo integrada”, ferramenta “essencial” no ensino pré e pós-graduado de algumas especialidades, destaca a UC.

A instalação destes novos meios técnicos na medicina dentária e ortodontia representam “um nível de esforço que esperamos possa ter continuidade nos próximos anos, para que tudo o que está à disposição dos docentes de medicina dentária possa sofrer uma renovação profunda”, disse o diretor da Faculdade, Duarte Nuno Vieira, citado pela UC.

Para a coordenadora de medicina dentária da FMUC, Isabel Poiares Batista, este investimento é “uma mais-valia inequívoca” para esta área da faculdade, na qual “normalmente são efetuadas as primeiras consultas, algumas aulas de pré-graduação e aulas clínicas dos cursos de pós-graduação”, que vinham a ser feitas com recurso a meios que têm mais de 25 anos.

Agora vai ser possível “facilitar e capacitar o aumento de oferta na prestação de serviços à comunidade e ter outro tipo de acesso a tratamentos altamente diferenciados”, sublinha a responsável.

Trata-se de “uma clara aposta noutra vertente fundamental” da prestação de cuidados de saúde altamente especializados à comunidade”, sustenta o coordenador da pós-graduação de ortodontia da FMUC, Francisco do Vale.

“A clínica da pós-graduação em ortodontia tem em tratamento mais de 800 pacientes com dismorfias craniofaciais, provenientes de todo o país continental e ilhas, que são consultados com periodicidade mensal”, salienta Francisco do Vale.

Direção-Geral da Saúde
A Direção-Geral da Saúde requisitou cerca de sete mil vacinas contra a hepatite A ao circuito comercial, que serão...

Segundo o diretor Geral da Saúde, a medida excecional visa combater o surto epidémico de hepatite A, que atinge Portugal bem como outros países europeus, e já com mais de 123 pessoas infetadas no país.

No final de um encontro que juntou o diretor-geral de Saúde, o Infarmed, Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, Instituto Nacional Ricardo Jorge, Grupo Ativista pelo Tratamento (GAT) e a Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual e Transgénero (Ilga), Francisco George garantiu que Portugal tem meios para combater este surto epidémico e que há vacinas suficientes.

Francisco George disse ainda que se estima serem necessárias duas mil vacinas para contornar o problema e que, neste momento, as autoridades de saúde dispõem de sete mil doses.

Estas doses encontravam-se à venda em farmácias, mas foram requisitadas no âmbito desta medida excecional.

Para receberem esta vacina ou outro tratamento complementar, os utentes terão de se deslocar à unidade de saúde familiar da Baixa, em Lisboa, mas apenas se tiverem prescrição médica, a qual será terá de ser passada em papel.

Estes utentes, infetados ou familiares, que os médicos considerem que têm o risco que justifique a medida profilática, não precisam de agendar a toma da vacina (entre as 14:00 e as 19:00, em dias úteis), não pagarão a vacina nem as taxas moderadora.

Francisco George alertou para os utentes não se automedicarem e recorrerem a este serviço apenas com indicação médica.

“Não há razões para alarmismo, Portugal está equipado e preparado para combater a epidemia”, garantiu o diretor-geral de Saúde.

Instituto Pasteur
O Instituto Pasteur de Paris anunciou que está a desenvolver uma vacina contra a tuberculose, mais eficaz no combate à doença,...

A nova vacina experimental, para a qual ainda não se iniciaram os ensaios clínicos, é mais eficaz que a única existente no mercado – o bacilo de Calmette-Guérin (BCG) – graças à introdução de um “sistema de secreção de proteínas heterogéneas” denominado ESX-1, refere a agência espanhola EFE, que cita um comunicado do Instituto Pasteur.

A unidade de patogéneos microbacterianos do Instituto Pasteur, dirigida por Ronald Brosch, conduziu os trabalhos que contaram com o apoio financeiro da União Europeia, da Fundação para a Investigação Médica em França e de um laboratório dependente da agência nacional francesa de investigação.

Para Brosch, a vacina que está a ser testada consegue provocar respostas imunitárias “qualitativamente e quantitativamente melhoradas” quando comparada com a BCG.

“Apresentámos a patente relativa a esta matriz com a ideia de passar aos ensaios clínicos”, disse Brosch, cuja investigação sobre a doença foi publicada na revista científica ‘Cell Reports’ em 14 de março.

A tuberculose é considerada uma das doenças transmissíveis mais letais do mundo, responsável pela morte de 1,8 milhões de mortes por ano, segundo dados da Organização Mundial de Saúde de 2015.

O Instituto Pasteur apresenta-se como uma fundação privada, sem fins lucrativos, cuja missão e a ajudar à prevenção e tratamento de doenças - sobretudo aquelas que têm origem infecciosa – através da investigação, ensino e iniciativas no âmbito da saúde pública.

Dia Mundial da Consciencialização do Autismo
No dia Mundial da Consciencialização do Autismo, a psicóloga clínica Sílvia Botelho descreve-nos uma

A Perturbação Espectro Autismo (PEA) é uma disfunção do desenvolvimento que se vai modificando ao longo da vida, afecta o comportamento da pessoa, a sua capacidade de comunicar e socializar , apresenta dificuldades de empatizar (colocar-se no lugar do outro) e pode haver hipersensibilidade a estímulos sensoriais (luz, texturas, sons, cheiros...)

Não se obtém o diagnóstico através de análises de sangue, de uma TAC ou de uma ressonância magnética, pois não existem marcadores biológicos. O diagnostico é apenas clínico, no entanto, pessoas com autismo têm um conjunto de características especificas que se fazem notar de maneira mais intensa e que conduzem a um diagnóstico. É importante perceber que numa criança com Autismo, não tem que necessariamente abarcar todos os sinais de alerta que nos são fornecidos pela literatura, pois existem várias variantes, inclusive existem casos que crianças com autismo que são adultos normais.

Alguns são considerados sobredotados outros com dificuldades intelectuais, uns apresentam graves dificuldades na linguagem, outros utilizam palavras complexas e construção de frases acima da média.

Para se perceber um autista, é preciso aprender a pensar como ele, e este é um passo que pode ser mais complexo do que parece.

A palavra AUTISMO tem um impacto enorme junto dos pais.

Alguns médicos e psicólogos receiam comunicar o diagnóstico aos pais nas variantes mais leves, pois a palavra AUTISMO tem um impacto enorme junto das famílias. A verdade é que independentemente do técnico usar a palavra ou não para descrever uma criança, o filho continua a ser exactamente como sempre foi, com as características que sempre lhe foram peculiares e especiais. Existem vários tipos de autismos, com várias intensidades e é sim possível ser-se um adulto normal.

A maioria das pessoas com autismo são muito atentas aos detalhes e à exactidão, aprendem bem visualmente e têm uma memória muito acima da média. É provável que as informações, rotinas ou processos uma vez aprendidos, sejam retidos, sendo que algumas pessoas conseguem concentrar-se na sua área de interesse específico durante muito tempo. São pessoas leais e de confiança.

Uma das poucas certezas sobre esta doença é que quanto mais cedo houver intervenção terapêutica ao nível comportamental, melhores serão os resultados.

Uma vez identificadas as áreas em que a criança apresenta dificuldades, é elaborado um plano de intervenção especifico, com base em terapias comportamentais. Não existem medicamentos, nem vitaminas, que curem o autismo ou que melhorem a capacidade de socialização e empatia. Portanto, são utilizadas técnicas comportamentais para tentar minorar e melhorar o comportamento das crianças com autismo. A par da ajuda especializada, os pais desempenham um papel determinante tanto pela forma como encaram a disfunção como pelas estratégias que usam para lidar com ela.

 

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Relatório
Uma combinação de preços recorde, conflitos e condições climatéricas adversas em 2016 fez subir para 108 milhões o número de...

O número, relativo ao que as organizações internacionais designam pessoas confrontadas com uma “insegurança alimentar grave”, representa um aumento de 35% em relação a 2015, quando havia 80 milhões nessa situação.

A designação diz respeito às pessoas que já sofrem de desnutrição grave e sem meios para prover as suas necessidades energéticas de forma duradoura.

A situação pode agravar-se ainda mais em 2017, onde a situação é especialmente séria no Sudão do Sul, Somália, Iémen e no nordeste da Nigéria.

O relatório, elaborado com base em várias metodologias de classificação, resulta de uma colaboração entre a UE, várias agências da ONU, a agência norte-americana USAid e vários organismos regionais.

Em nove das dez piores crises humanitárias de 2016, a fome foi causada por um conflito civil. Em alguns casos registam-se outros fatores, como o clima, sobretudo secas e chuvas irregulares causadas pelo fenómeno El Niño.

À parte as regiões ameaçadas de fome, em países como o Iraque, a Síria (e os refugiados sírios em países vizinhos), o Malauí e o Zimbabué a situação de insegurança alimentar generalizou-se.

“Podemos evitar que as pessoas morram de fome”, frisou o diretor-geral da Organização da ONU para a Agricultura e Alimentação (FAO), José Graziano da Silva, apelando para uma “intensificação dos esforços para salvar, proteger e investir nos meios de subsistência rurais”.

E a situação já não é “apenas” uma crise humanitária, explicou a diretora do Programa Alimentar Mundial (PAM), Ertharin Cousin. “A fome exacerba as crises, provocando mais instabilidade e insegurança. O que hoje parece um desafio ligado à segurança alimentar, vai tornar-se amanhã num desafio ligado à segurança em si”.

“É uma corrida contra o tempo, o mundo tem de agir agora para salvar as vidas e os meios de subsistência de milhões de pessoas”, sublinhou.

Dia Nacional do Doente com AVC
O evento promovido pela Daiichi-Sankyo Portugal terá lugar hoje, ao final da tarde, na Tapada da Ajuda, em Lisboa, e conta com...

O fármaco comercializado pela Daiichi Sankyo já está disponível nas farmácias com indicação para a prevenção do acidente vascular cerebral (AVC) e embolismo sistémico (ES) em doentes adultos com fibrilhação auricular não-valvular (FANV) e para o tratamento da trombose venosa profunda (TVP) e da embolia pulmonar (EP) e prevenção da TVP e da EP recorrentes.

A eficácia e segurança de edoxabano foram investigadas em dois dos maiores ensaios globais comparativos com varfarina alguma vez realizados com um anticoagulante oral, em doentes com fibrilhação auricular não-valvular (ENGAGE AF-TIMI 48) ou com tromboembolismo venoso agudo (Hokusai-VTE), envolvendo 21.105 e 8.292 doentes, respetivamente.1,2

Referindo-se aos resultados deste estudo, o Prof. Doutor Pedro Monteiro afirmou que “o edoxabano demonstrou ser um fármaco seguro, eficaz, de toma única diária, que vai permitir tratar ainda melhor os nossos doentes com fibrilhação auricular, no sentido de prevenirmos o drama de saúde pública que representa o AVC em Portugal”.

Para o Prof. Doutor Miguel Viana Baptista, neurologista do Hospital de Egas Moniz, “o aparecimento dos novos anticoagulantes orais permitiu que um maior número de doentes com fibrilhação auricular e risco tromboembólico passassem a fazer terapêutica anticoagulante” e que “a chegada de edoxabano poderá contribuir para que esse número aumente ainda mais, nomeadamente dentro de populações mais vulneráveis como os doentes idosos, que comportam um grande risco hemorrágico, mas também um elevado risco tromboembólico e que não podemos deixar de tratar sob pena de não os estarmos a proteger contra eventos isquémicos”.

Edoxabano está também indicado para a trombose venosa profunda, uma complicação frequente associada a uma elevada morbilidade e mortalidade. A idade avançada, as viagens de longa duração, o cancro, a imobilidade e a administração de determinados medicamentos, nomeadamente alguns contracetivos, são alguns dos fatores que aumentam o risco de tromboembolismo venoso (TEV), que pode ser fatal, ao provocar uma embolia pulmonar, ou causar sequelas para toda a vida, como a síndrome pós-trombótica, a insuficiência venosa e úlceras nas extremidades. Além disso, comporta um elevado risco de recorrência.

Relativamente a esta indicação, o especialista de Medicina Interna do Hospital de Santa Marta, Dr. Pedro Marques da Silva, avança que, “devido à segurança terapêutica e às características farmacocinéticas e farmacodinâmicas previsíveis do edoxabano, poderemos ter um maior número de doentes tratados em ambulatório, permitindo a redução dos custos hospitalares, e uma efetividade terapêutica que nos garanta uma eficácia na redução do tromboembolismo venoso recorrente”.

Edoxabano atua através da inibição do fator Xa, que é um ativador da coagulação, e tem um mecanismo de ação rápido, com um início de ação entre uma a duas horas após a administração. Não necessita de controlo laboratorial regular do INR e pode ser administrado com ou sem alimentos, tendo baixo risco de interações com outros medicamentos. O aparecimento deste novo fármaco amplia as opções terapêuticas que os médicos podem oferecer aos seus doentes.

Por outro lado, outro problema que condiciona a terapêutica anticoagulante nestes doentes é a má adesão ao tratamento. Ao ser administrado numa única dose diária, o edoxabano favorece uma melhor adesão terapêutica por parte dos doentes.

Referências

1Giugliano R, et al. Edoxaban versus warfarin in patients with atrial fibrillation. N Engl J Med. 2013;369(22):2093-2104.
2Büller H, et al. Edoxaban versus warfarin for the treatment of symptomatic venous thromboembolism. N Engl J Med. 2013;369(15):1406-1415.

Apoiar doentes com linfoma
A Associação de Apoio aos Doentes com Leucemia e Linfoma (ADLL) vai avançar com um projeto de psico-oncologia destinado, numa...

O projeto passa pela realização de reuniões onde haverá “explicação aos presentes das diferentes fases da doença, como evolui e o que devem esperar, por outros doentes que lidam com o linfoma há mais anos, decorrendo sob a supervisão de uma psicóloga”, explicou a responsável Fátima Ferreira.

"Numa primeira fase, as reuniões irão decorrer de duas em duas semanas, num total de seis encontros, abrangendo entre oito e dez pessoas, que não têm, obrigatoriamente de ser doentes, podendo juntar-se familiares ou cuidadores diretos", contou.

Nas reuniões estarão uma psicóloga e doentes que já viveram diferentes fases da doença que explicarão “aos participantes de que forma a doença evolui", num trabalho que pretende ser de "preparação e de troca de experiências".

Os encontros decorrerão nas instalações da associação, em Pedrouços, na Maia, e, numa segunda fase, a ADLL pretende também abranger "os doentes de Mieloma", num universo difícil de calcular "porque há sempre doentes novos".

"São doenças que, muitas vezes, precisam de ser tratadas ao longo dos anos porque tornam-se doenças crónicas e esse acompanhamento tem de acontecer", explicou.

Dia Nacional do Doente com AVC
São mais de 50 escolas de vários agrupamentos, centros educativos e colégios um pouco por todo o país a aderir à campanha de...

O que é o AVC, sinais de alerta, fatores de risco e medidas básicas de prevenção são as mensagens transmitidas em apenas dois minutos de animação multimédia. O vídeo será exibido ao longo do dia de hoje para crianças e jovens desde a idade pré-escolar até ao ensino superior e será integrado em ações de sensibilização promovidas em serviços hospitalares, Unidades de AVC e outras instituições de saúde para toda a população participante.

“É muito importante que a educação para a saúde comece desde muito cedo e faça parte do percurso escolar e familiar das crianças. Para além de atuarmos na prevenção do AVC, com a promoção de estilos de vida saudáveis e alertando para os fatores de risco daquela que continua a ser a primeira causa de morte e incapacidade em Portugal, atuamos também no reconhecimento dos sinais de alerta do AVC, pois poderão ser estas crianças e jovens a identificá-los em pais, avós ou outros familiares, tendo um papel ativo e determinante na ativação dos meios de emergência”, avança o Prof. Doutor José Castro Lopes, presidente da Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral (SPAVC).

Basta o aparecimento de um dos chamados “3Fs”: Dificuldade em falar; Desvio da face (Boca ao lado); Falta de força num braço, para suspeitar de um AVC e ligar de imediato para o 112. Através da Via Verde AVC, os doentes poderão chegar rapidamente aos hospitais capazes de fornecer os tratamentos adequados.

Todos os anos, mais de 6,5 milhões de vidas são perdidas em todo o mundo e 1 em cada 6 pessoas vai ter um AVC. Em Portugal, três pessoas por hora sofrem um AVC, um dos quais acaba por morrer e pelo menos metade ficará com sequelas incapacitantes. 

O AVC pode acontecer a qualquer pessoa, em qualquer idade, em qualquer momento e envolve todos: sobreviventes, familiares, amigos, profissionais de saúde, locais de trabalho e comunidade em geral. Responder rapidamente aos sinais de alerta pode fazer a diferença entre a recuperação e a incapacidade.

“Hoje, milhares de pessoas vão assistir a um vídeo que contém mensagens capazes de salvar vidas, quer através da prevenção do AVC, quer através do reconhecimento dos sinais que permitem um tratamento rápido e mais eficaz, sendo certo que a prevenção é sempre preferível ao tratamento”, finaliza o Prof. Doutor José Castro Lopes.

Para os doentes que sofreram um AVC, que dão “voz” a esta efeméride nacional, a mensagem do presidente da SPAVC é clara: “a reabilitação é um direito de todos os doentes, que deve ser exigido, e não uma esmola. A reabilitação deve começar no primeiro dia após o evento, ainda no hospital, e só deve terminar quando o doente recupera a sua autonomia”.

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