Estudo
O excesso de emissões de dióxido de nitrogénio – um produto cancerígeno – de motores diesel, acima dos valores limite...

Essa é a conclusão a que chegaram os autores de um novo estudo realizado pelo Instituto Meteorológico Norueguês em cooperação com o Instituto Internacional de Análise de Sistemas Aplicados (IIASA, pela sigla em inglês) da Áustria e a Universidade da Tecnologia Chalmers da Suíça.

Num comunicado publicado hoje pelo IIASA é referido o escândalo da manipulação de dados sobre emissões de motores diesel que, após inicialmente ser revelado como um problema da Volkswagen, veio a descobrir-se que afeta vários fabricantes de automóveis.

A investigação concentrou-se no efeito dessas emissões excessivas na saúde dos europeus.

“Este novo estudo estima que por cada ano cerca de 10 mil mortes prematuras podem ser atribuídas a emissões de óxido de nitrogénio dos automóveis, carrinhas e veículos comerciais ligeiros de motores diesel”, explica o IIASA num comunicado hoje publicado.

Cerca de metade dessas mortes, ou seja, umas cinco mil, “devem-se ao facto de as emissões de óxido de nitrogénio (NOx) serem muito mais altas do que os valores limites estabelecidos”, acrescenta.

“Se as emissões dos automóveis diesel forem tão baixas como as de automóveis de gasolina, poderia ter-se evitado três quartos, ou 7.500 mortes prematuras”, afirma no comunicado Jens Borken-Kleefeld, especialista em transportes do instituto internacional.

Os cientistas recordam que, no total, “cerca de 425 mil mortes prematuras anuais associam-se aos níveis atuais de contaminação atmosférica” na região citada (União Europeia, Noruega e Suíça).

“Mais de 90% dessas mortes prematuras são causadas por doenças respiratórias e cardiovasculares relacionadas com a exposição a partículas finas”, das quais “o NOx é um percursor chave”.

A situação pirou nos últimos anos, já que “a proporção de carros a diesel na União Europeia aumentou até alcançar cerca de 50% da frota”, com atualmente mais de 100 milhões destes motores a circular na Europa, o que representa “o dobro do resto do mundo”.

E agora foi revelado que “as suas emissões de NOx são quatro a sete vezes mais altas” nas ruas ou estradas do que nos testes oficiais de certificação, indica o comunicado.

Alzheimer’s Global Summit
Mais de 80 especialistas mundiais começam hoje, em Lisboa, a debater a doença de Alzheimer e as demências de forma global,...

A cimeira internacional “Alzheimer’s Global Summit”, que começa hoje e se prolonga até sexta-feira, decorre na Fundação Champalimaud e é coorganizada pela Fundação Rainha Sofia, de Espanha.

Segundo os organizadores, o encontro tem como objetivo discutir e partilhar os recentes progressos em duas áreas distintas, mas complementares: a da intervenção terapêutica e a área de investigação sobre doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer, Huntington e Parkinson.

A crise global da demência afeta mais de 50 milhões de pessoas no mundo e, até 2050, estima-se que este número possa quase triplicar.

A cimeira vai reunir cientistas internacionais de mais de 20 países.

Richard Axel e John O'Keefe, que receberam o Prémio Nobel da Medicina em 2004 e 2014, farão intervenções sobre neurologia e genoma e redes de cérebro essenciais para a construção de memórias.

De Portugal surgem oradores como o neurologista António Damásio, Prémio Príncipe das Astúrias para Investigação 2005, ou Rui Costa, investigador do Centro Champalimaud especialista em neurobiologia da ação e do movimento.

O encontro contará com a presença da Rainha Sofia de Espanha, do Presidente da República português, Marcelo Rebelo de Sousa, do comissário europeu para a Investigação, Ciência e Inovação, Carlos Moedas, com o diretor de saúde mental da Organização Mundial da Saúde, Shekkar Saxena, e com a presidente da Champalimaud, Leonor Beleza.

Estudo europeu
Os carros a gasóleo são piores para as alterações climáticas, não só poluindo mais como também emitindo mais gases com efeito...

A Federação Europeia de Transportes e Ambiente fez uma análise do ciclo de vida dos carros a gasóleo e dos carros a gasolina e comparou as emissões de dióxido de carbono (CO2).

Esta análise da Federação, a que pertence a associação ambientalista portuguesa Zero, conclui que há um maior impacto climático do gasóleo.

Esse maior impacto deve-se ao processo de refinação deste combustível, que tem um uso mais intensivo de energia, e ainda à necessidade de utilizar mais materiais na produção de motores mais pesados e complexos.

Também contribui para um maior impacto climático o facto de haver emissões mais elevadas do biodiesel misturado no gasóleo.

Os carros a gasóleo emitem ao longo da sua vida mais 3,65 toneladas de CO2 do que um equivalente a gasolina.

“Esta análise desacredita a afirmação dos fabricantes de automóveis de que carros a gasóleo são necessários para atingir os seus objetivos climáticos”, refere a associação Zero, parceira da Federação Europeia de Transportes e Ambiente, que realizou este estudo.

A Federação considera que, na Europa, o mercado automóvel “é distorcido a favor do gasóleo”, nomeadamente através de regulamentos “tendenciosos e impostos injustos”.

A quita de carros a gasóleo na Europa é de 50%, enquanto na China e nos Estados Unidos corresponde a 2% e 1%, respetivamente.

Dois anos depois do ‘dieselgate’ – com a descoberta de que alguns fabricantes de carros usavam um dispositivo para manipular as emissões de poluentes nos testes -, a Federação Europeia de Transportes e Ambiente alerta que existem “mais de 37 milhões de carros e carrinhas ilegalmente poluentes que circulam por toda a Europa”.

“É hora de os fabricantes de automóveis assumirem a responsabilidade pela limpeza e financiamento das medidas locais para combater a crise da poluição atmosférica urbana que em grande parte causaram”, argumenta a Federação.

Emoções
Espanha está há cinco anos a utilizar cães em doentes com Alzheimer, uma intervenção que conseguiu já benefícios a nível...

“Os objetivos principais que trabalhamos são a ativação de emoções positivas, a reminiscência, a promoção da afetividade e socialização”, explicou à agência Lusa a investigadora e terapeuta Elisa Pérez Redondo, responsável pela intervenção assistida com cães do Centro de Referência Estatal de Espanha dedicado a pessoas com demências.

Elisa Pérez Redondo vem esta semana a Lisboa partilhar a sua experiência na cimeira internacional sobre Alzheimer, que decorrerá a partir de segunda-feira na Fundação Champalimaud, em Lisboa.

Em resposta escrita à Lusa, a terapeuta adianta que os cães usados nesta intervenção com doentes com demência “têm uma educação e caraterísticas concretas” para desenvolver o trabalho, que é orientado por pessoas da área social e da saúde e que têm formação específica.

“O que torna única a intervenção assistida com cães é o benefício que consegue a nível afetivo e emocional, é o uso de cães como instrumento motivador, sempre complementado com os restantes tratamentos”, referiu Elisa Redondo.

Desde 2012 até agora, o Centro de Referência Estatal para o Alzheimer já desencadeou quatro investigações na intervenção com cães e, no total, recebeu mais de 120 doentes.

Os resultados dos estudos feitos mostram que durante a intervenção com os animais os doentes têm uma redução da tensão arterial, exibem menos comportamentos disruptivos e mostram condutas sociais e emocionais mais positivas.

Atualmente, está a decorrer uma outra investigação que compara os comportamentos emocionais e sociais dos doentes durante as terapias farmacológicas e o seu estado durante sessões individuais com um robot terapêutico e sessões com cães.

Os doentes a incluir na intervenção assistida com cães têm de ter afeto e um interesse passado por animais e não podem ter medo de cães nem alergias ou problemas de saúde que impeçam o contacto com animais.

Segundo Elisa Redondo, os objetivos gerais da terapia com cães passam por ativar as emoções positivas, fomentar a autoestima, melhorar a motivação e atenção, ampliar a estimulação sensorial e a socialização. Também se procura dar apoio na psicomotricidade fina e na coordenação motora.

A importância dos cães neste projeto estatal é tão central que os animais têm direito a apresentação no site da instituição. Atualmente, fazem parte deste projeto cinco cães: dois labradores, com sete e três anos, um golden retriever de quatro anos, um teckel de dois anos e um cão sem raça específica de cinco meses.

Telemonitorização
Os doentes que recebem cuidados respiratórios em casa vão passar a ser acompanhados à distância pelo centro de contacto do...

O presidente dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), Henrique Martins, disse à agência Lusa que a prescrição dos cuidados respiratórios ao domicílio, que abrange mais de 120 mil doentes, vai passar no próximo mês a ser feita integralmente sem papel, sendo unicamente digital.

Atualmente, os doentes recebem a prescrição dos cuidados em papel e as empresas fornecedoras dos equipamentos (como ventiladores) vão depois a casa instalar os meios prescritos pelo médico. Toda a faturação é também ainda feita em papel.

A partir de outubro “tudo será conectado digitalmente, 100% sem papel”, notou Henrique Martins.

Na consulta, o médico vai passar a prescrever o tratamento de forma eletrónica. O contacto do fornecedor do equipamento escolhido pelo doente e o código de instalação são disponibilizados através de SMS, email ou guia de tratamento. Depois, é o cidadão que contacta o prestador para agendar a data de entrega do equipamento na sua casa.

Estes tratamentos não têm custos para o cidadão, sendo suportados pelo SNS, que gasta cerca de 30 milhões por ano nestes cuidados.

Entretanto, o centro de contacto do SNS (antiga linha Saúde 24) vai começar a fazer o acompanhamento dos doentes em cuidados respiratórios, verificando se há desvios nos tratamentos e se há necessidade de ligar ao doente.

Segundo Henrique Martins, a maioria destes doentes com equipamentos respiratórios em casa não é ainda monitorizada à distância, indo apenas às consultas médicas que são espaçadas no tempo consoante as necessidades.

De outubro até ao verão do próximo ano será implementada esta telemonitorização dos doentes com cuidados respiratórios em casa.

Marcação de consultas
Quase dois mil utentes marcaram, em menos de quinze dias, consultas para os seus médicos de família através do telefone do...

O centro de contacto do Serviço Nacional de Saúde possibilita desde dia 4 de setembro a marcação de consultas para o médico família através do telefone e tem recebido em média 150 chamadas por dia para este efeito, segundo dados avançados à Lusa pelo presidente dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS).

O SNS 24, que veio substituir a linha Saúde 24, mantém o mesmo número telefónico (808 24 24 24), mas passou a integrar vários canais como internet, ‘smartphone’, aplicações móveis e área do cidadão do Portal do SNS.

Além da marcação de consultas nos médicos de família, a partir da próxima semana, o SNS 24 vai iniciar serviços informativos, para já dirigidos sobretudo às taxas moderadoras e também apoiando a campanha de vacinação contra a gripe, adiantou o presidente dos SPMS, Henrique Martins.

Uma das áreas em que os SPMS querem continuar a apostar este ano é a das teleconsultas, mas para isso é necessário reforçar a distribuição de ‘webcams’ e microfones nos hospitais e centros de saúde, tendo este ano sido distribuídos mais de 200 equipamentos.

De acordo com Henrique Martins, no primeiro semestre deste ano houve já tantas teleconsultas como em todo o ano de 2016, mas a intenção é incrementar.

O presidente dos SPMS diz que vão ser compradas mais 1.200 câmaras para hospitais e centros de saúde de modo a atingir 1.500 computadores aptos a teleconsultas no SNS.

Dados de diagnóstico
A cada três segundos há uma pessoa no mundo com diagnóstico de demência, um problema que atinge 50 milhões de pessoas e que se...

Os dados são do relatório mundial sobre a doença de Alzheimer de 2016 e são destacados pelo presidente da Alzheimer Portugal, José Carreira, a propósito da cimeira internacional sobre a doença que decorre esta semana na Fundação Champalimaud, em Lisboa.

As demências podem atingir 75,6 milhões de pessoas em 2030 e em 2050 chegar a mais de 130 milhões. A doença de Alzheimer representará entre 60 a 70% de todos os casos.

José Carreira diz que os dados sobre a doença em Portugal são oscilantes e apenas estimativas, mas apontam para mais de 180 mil pessoas com demências, 150 mil delas com Alzheimer, a forma de demência mais prevalente.

Muitos dos casos de demência não estão diagnosticados, uma realidade que afeta vários países desenvolvidos, estimando-se que quase metade dos casos possa não estar identificada.

“Um dos grandes problemas é a inexistência de diagnóstico ou o diagnóstico tardio. Duas a cada três pessoas sentem ainda que há pouca informação sobre demências”, refere o presidente da Alzheimer Portugal em declarações à agência Lusa.

Para a Associação Portuguesa de Familiares e Amigos dos Doentes de Alzheimer, a preocupação central em Portugal é ter um plano e uma estratégia nacional “com um envelope financeiro”.

“Sem financiamento torna-se difícil fazer alguma coisa no Serviço Nacional de Saúde ou no mundo associativo”, frisa, indicando que Portugal é dos poucos países da União Europeia sem uma estratégia nacional definida.

Um plano e uma estratégia devem contemplar os cuidados a prestar às pessoas com demência mas também os seus cuidadores, incluindo os apoios a quem cuida e às organizações que atuam nesta área.

As demências envolvem recursos financeiros elevados, nota José Carreira. Segundo estimativas internacionais, se a demência fosse um país seria a 18ª economia do mundo em termos orçamentais com o que se estima que serão os encargos até 2050 dos serviços nacionais de saúde e dos sistemas de proteção social.

Mais de 80 especialistas mundiais em doenças neurodegenerativas mundiais vão estar na próxima semana na Fundação Champalimaud, em Lisboa, a debater a doença de Alzheimer.

O encontro tem como objetivo discutir e partilhar os recentes progressos em duas áreas: a da intervenção terapêutica e a área de investigação.

Alerta IPMA
O arquipélago da Madeira apresenta hoje um risco ‘muito elevado’ de exposição à radiação ultravioleta (UV), enquanto o resto do...

De acordo com o Instituto, todas as regiões do continente e Açores estão hoje com risco ‘elevado’ de exposição à radiação UV, com exceção de Lisboa, que está com níveis ‘moderados’.

Para as regiões com risco 'muito elevado' e ‘elevado’, o IPMA recomenda o uso de óculos de sol com filtro UV, chapéu, ‘t-shirt’, guarda-sol e protetor solar, além de desaconselhar a exposição das crianças ao sol.

No caso de risco ‘moderado’ são aconselhados óculos de Sol e protetor solar.

Os índices UV variam entre 1 e 2, em que o UV é 'baixo', 3 a 5 ('moderado'), 6 a 7 ('elevado'), 8 a 10 ('muito elevado') e superior a 11 ('extremo').

O IPMA prevê para hoje nas regiões do Norte e Centro do continente céu com períodos de muita nebulosidade, apresentando-se temporariamente muito nublado até meio da manhã, e tornando-se gradualmente pouco nublado no interior a partir da tarde.

Está também previsto períodos de chuva fraca ou chuvisco na região Norte e litoral da região Centro até ao início da manhã, mais frequente no Minho e Douro Litoral, onde será temporariamente moderada.

A previsão aponta ainda para vento fraco a moderado do quadrante oeste, subida da temperatura mínima, mais significativa na região Norte e pequena subida da temperatura máxima.

No sul prevê-se céu pouco nublado ou limpo, temporariamente muito nublado no litoral oeste e interior do Alentejo até meio da tarde, possibilidade de ocorrência de períodos de chuva fraca ou chuvisco no litoral oeste até final da manhã e vento fraco a moderado de noroeste, soprando durante a tarde, moderado e temporariamente de sudoeste na no sotavento algarvio.

Na Madeira prevê-se céu com períodos de muita nebulosidade e vento fraco a moderado do quadrante leste. No Funchal, as temperaturas vão variar entre 19 e 26 graus Celsius.

O IPMA prevê para os Açores períodos de céu muito nublado, aguaceiros e vento fraco a bonançoso.

Em Ponta Delgada (São Miguel) e Angra do Heroísmo (ilha Terceira) as temperaturas vão oscilar entre 21 e 25 graus e em Santa Cruz das Flores (Ilha das Flores) entre 21 e 26.

As temperaturas mínimas no continente vão variar entre 08 (Guarda) e 15 (Faro) graus Celsius e as máximas entre os 20 (Viana do Castelo e Guarda) e os 30 (Faro).

Cuidados de saúde primários
Mais de nove em cada dez centros de saúde não têm profissionais dedicados especialmente às demências, segundo um inquérito...

Os dados constam do documento “Bases para a Definição de Políticas Públicas na Área das Demências”, que esteve em consulta pública até sexta-feira e que pretende apresentar propostas para uma estratégia que enquadre os cuidados a prestar às pessoas com demência.

No inquérito feito nos cuidados primários de saúde foram recebidas mais de 670 respostas de várias unidades de 55 agrupamentos de centros de saúde.

Dessas respostas conclui-se que 91,6% das unidades não tem, nas equipas, elementos dedicados especialmente às demências, sendo que e 2,5% das unidades não responderam.

“Este dado sugere a premência de envolver mais diretamente os cuidados de saúde primários nesta área clínica”, referem os autores do documento, coordenado por António Leuschner e por Manuel Lopes.

Em declarações à agência Lusa, António Leuschner, do Conselho Nacional de Saúde Mental, destacou precisamente a necessidade de dar mais formação aos profissionais de saúde e também aos profissionais que lidam com idosos institucionalizados, como os que vivem em lares.

A necessidade de reforçar os cuidados de saúde primários é um dos pontos prioritários identificados pelos peritos, a par da colaboração entre centros de saúde e cuidados hospitalares.

“Existe ainda necessidade de dotar os profissionais de saúde e do setor social de conhecimentos sobre défice cognitivo e demências”, indicam os especialistas que elaboraram as bases para uma política na área das demências.

É ainda aconselhado que os currículos do ensino superior pré e pós-graduado dos profissionais de saúde e do setor social incluam temas associados à demência.

“O percurso de cuidados deve ser coordenado, considerando o doente integrado no seu meio familiar como centro de cuidados, complementado com o apoio informal possível e desejável”, refere o documento, que esteve um mês em consulta pública.

Os peritos consideram ainda que há “muito poucas” respostas sociais a nível nacional que tenham acordos de cooperação em vigor com o Instituto de Segurança Social e intervenção especializada na prestação de cuidados a pessoas com demência.

Foram identificados um lar e quatro centros de dia da Associação Portuguesa de Familiares e Amigos de Doentes de Alzheimer com cuidados especializados. Em 2013 foi criada uma unidade de cuidados continuados em Fátima, da iniciativa das Misericórdias e que é destinada a pessoas com demência.

Como recomendações essenciais, o psiquiatra António Leuscnher destaca a necessidade de se elaborar um plano ou estratégia para as demências em Portugal, embora o importante não seja nem o nome nem a designação que lhe é dada.

“Estou mais preocupado com o facto de haver efetivamente respostas concretas às pessoas e famílias que precisam de cuidados e de atenção especial e que têm muitas vezes de correr ‘Ceca e Meca’”, afirmou à Lusa.

Esse plano nacional terá de ser necessariamente ajustado às realidades regionais, com António Leuscnher a exemplificar que as necessidades de Castelo Branco, a região mais envelhecida do país, são diferentes das de Braga, o “distrito mais jovem”.

Mais de 80 especialistas mundiais em doenças neurodegenerativas vão estar na próxima semana na Fundação Champalimaud, em Lisboa, a debater a doença de Alzheimer, a mais prevalente entre as demências.

O encontro tem como objetivo discutir e partilhar os recentes progressos em duas áreas: a da intervenção terapêutica e a área de investigação.

As fundações Champalimaud e Rainha Sofia participam na organização do encontro, que contará com a presença da Rainha Sofia de Espanha, com o Presidente da República português, Marcelo Rebelo de Sousa, com o comissário europeu para a Investigação, Ciência e Inovação, Carlos Moedas, com o diretor de saúde mental da Organização Mundial da Saúde, Shekkar Saxena, e com a presidente da Champalimaud, Leonor Beleza.

Crianças
Os cerca de 500 especialistas de oftalmologia reunidos até sábado no Porto, no 39.º Congresso Europeu da Associação Europeia de...

O congresso, a decorrer na Alfândega do Porto, e que conta com a participação dos principais oftalmologistas mundiais da saúde ocular infantil, estrabismo e ambliopia, mais conhecida como o "olho preguiçoso", decorre sob a presidência de Pedro Menéres, que faz a argumentação do alerta.

Para o diretor do Serviço de Oftalmologia do Centro Hospitalar Universitário do Porto (CHUP) e professor no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto (ICBAS), o facto de as aulas estarem a iniciar-se "é o momento de lançar o alerta".

Admitindo que "muitas das crianças que agora iniciam o ano letivo poderão ter problemas oftalmológicos por diagnosticar", o especialista enfatiza a recomendação de "que deverão fazer um exame oftalmológico completo aos seis anos", num estudo que deve ser precedido de "rastreios entre os dois e os quatro anos".

Segundo o diretor do CHUP, o aumento da esperança de vida "traz maior rentabilidade ao investimento na visão das crianças", defendendo ser "fulcral e um investimento rentável" a melhoria da visão de um olho com ambliopia (vulgo ‘olho preguiçoso’)".

E prosseguiu: "isso vai possibilitar a um indivíduo aprender com mais facilidade e, mais tarde, trabalhar com maior eficácia, sobretudo num mundo mais digital como aquele em que vivemos nestes dias", acrescentou.

Segundo o especialista "se, em idade avançada, esse indivíduo tiver uma doença grave que lhe reduza muito a acuidade visual de um olho, o trabalho de prevenção ou tratamento na infância pode permitir uma qualidade de vida excelente", disse, recordando outros casos graves como as vítimas de acidente vascular ou outra doença grave da retina no seu melhor olho, "quando o outro quase não vê, apenas porque não usou óculos ou um penso em pequeno".

Das temáticas do congresso, Pedro Menéres destacou os "três simpósios principais sobre ambliopia, endotropia de aparecimento precoce e exotropia intermitente" bem como "uma conferência sobre cirurgia precoce de estrabismo e um curso dedicado a procedimentos cirúrgicos".

Serviço Nacional de Saúde
O histórico militante socialista António Arnaut, considerado “o pai” do Serviço Nacional de Saúde, disse hoje que está a...

"Estou a trabalhar, há cerca de um ano, numa nova lei para o Serviço Nacional de Saúde, que tem como pedra basilar as carreiras profissionais, porque as carreiras profissionais são a trave mestra do Serviço Nacional de Saúde", disse António Arnaut, em Coimbra, numa cerimónia evocativa dos 38 anos do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

O advogado, que esteve na génese do serviço público de saúde, argumentou que este precisa de carreiras "estáveis, com profissionais de todos os setores, todas as graduações, todos os patamares, que se sintam motivados, ou então não há Serviço Nacional de Saúde de Qualidade, não há estabilidade", alegou.

"Os profissionais têm de ter estabilidade, têm de ter formação permanente, têm de ter espírito de equipa que só a estabilidade é que dá e ter uma remuneração condigna para com a sua responsabilidade profissional e social", adiantou António Arnaut.

A nova legislação, indicou, está a ser trabalhada por um médico e gestor - cuja identidade não revelou - mas a quem compete "a parte técnica", estando António Arnaut responsável pelos "princípios essenciais da filosofia e da doutrina do Serviço Nacional de Saúde", um serviço "para todos os portugueses, independentemente da sua condição económica e social".

"Acreditem que o futuro para o Serviço Nacional de Saúde é melhor do que o presente e do que o passado. Acreditem que o Governo está sensibilizado, já conhece o essencial das minhas sugestões e está de acordo com isso", adiantou.

Dirigindo-se aos representantes de secções regionais de ordens profissionais do setor - que hoje assinaram um protocolo de colaboração - o histórico socialista garantiu que a saúde "vai ter carreiras dignas", manifestando-se disponível para estar ao lado dos profissionais do setor "naquilo que for justo" nas negociações à mesa com o Governo.

Na cerimónia simbólica de rega de uma oliveira, plantada há oito anos por iniciativa da Liga dos Amigos dos Hospitais da Universidade de Coimbra, no parque Verde do Mondego, nas comemorações do 30.º aniversário do SNS, António Arnaut recordou o recente período de dois meses de internamento hospitalar a que esteve sujeito.

"Estou vivo graças ao Serviço Nacional de Saúde", frisou, alegando ter vivido "uma experiência difícil", durante a qual contactou "do corpo à alma" com o SNS.

Disse ainda ter reforçado a ideia que tinha de que "há muitas insuficiências" mas, na sua qualidade de utente do SNS, verificou também "uma grande dedicação" de médicos, enfermeiros e assistentes operacionais.

"E verifiquei uma grande dedicação, sobretudo dos enfermeiros. Eu sempre tive um grande apreço pelos enfermeiros, por todos, mas enquanto o médico, depois de me operar e de toda aquela solicitude própria, vem de manhã e fala comigo quatro ou cinco minutos, por que tem muitos [doentes] para ver, o enfermeiro está 24 horas por dia, três turnos sobre 24 horas. A gente toca à campainha e vem um enfermeiro. E não têm grandes condições de trabalho, eles em geral trabalham até à exaustão", descreveu António Arnaut.

Incêndios
Uma cobertura noticiosa dos incêndios que banaliza o acontecimento, assim como o recurso ao sensacionalismo, pode ter um efeito...

"Há uma banalização da gravidade dos atos", disse a psicóloga da Polícia Judiciária, Cristina Soeiro, que há muito estuda os incendiários.

Para esta especialista, a simples referência a "época de incêndios" ou mostrar o mapa de Portugal a laranja e vermelho é uma forma de "normativizar e banalizar a informação", sendo que a cobertura, com longos minutos na televisão com imagens de floresta a arder, "é excessiva e pode ter um efeito de empolgar a situação".

"Não se pode dizer só que está a arder. Isso não é produtivo. Em vez de se focarem nas imagens do fogo, deviam focar-se na entrevista das pessoas responsáveis em tomar decisões, no que poderá estar errado, nas consequências do incêndio para as pessoas pensarem um bocadinho que qualquer coisa que faça na floresta é sua responsabilidade", defendeu Cristina Soeiro.

Desde 1997, que a PJ monitoriza os incendiários detidos. Neste momento, tem cerca de 600 indivíduos estudados, permitindo dividir os incendiários em "três grandes padrões".

Cristina Soeiro realça que o grupo mais frequente (55%) está normalmente associado a três fatores: défice cognitivo, alcoolismo e outros problemas de saúde mental, como o autismo.

O segundo grupo mais frequente (40 a 44%) é o das pessoas que usam o incêndio como instrumento "de vingança ou retaliação", seja para "chamar a atenção dos outros ou resolver problemas de divisão de terras", sendo que este perfil tem vindo "a diminuir progressivamente nos últimos anos".

O terceiro grupo - o menos expressivo ("não passa dos 6%") - é constituído por pessoas "que retiram algum benefício de um incêndio", nomeadamente pegar fogo para limpar terrenos.

Há também quem receba "montantes pequenos para incendiar uma zona qualquer", não sendo identificado nesse terceiro grupo "a presença de um perfil de um crime organizado", realçou.

Por se estar a falar de um perfil de incendiário que, na sua maioria, está associado a um grupo de pessoas vulneráveis, Cristina Soeiro vincou que o tratamento noticioso pode ter consequências positivas, caso seja moderado e procure dar "a notícia completa - não apenas a floresta a arder, mas as consequências, de tudo o que se perde, da ausência dos animais".

No entanto, a psicóloga da PJ referiu que não há "nenhum estudo estruturado" que permita dizer que as imagens da floresta a arder possam "ter um efeito de ativação em indivíduos, principalmente no grupo de risco maior".

"Na minha perspetiva, como psiquiatra, há um exagero manifesto na mostra de imagens de incêndios", afirmou à Lusa o psiquiatra e professor na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra Carlos Braz Saraiva, que enquanto psiquiatra forense estudou incendiários nos grandes fogos de 2003 e 2005.

O psiquiatra sublinhou que a maioria dos incendiários têm "personalidades mais vulneráveis", sendo que "os minutos e minutos consecutivos" de imagens podem ter um impacto negativo, recordando o caso de um jovem na Serra do Açor que lhe confessou a alegria de ver os aviões e os helicópteros a sobrevoar a sua terra.

"É um espetáculo e devia haver uma autorregulação" da cobertura dos fogos, defendeu.

O coordenador do Centro de Prevenção e Tratamento do Trauma Psicológico de Coimbra, João Redondo sublinha que os media podem ter um efeito benéfico junto das populações.

Nesse sentido, recorda o projeto internacional eFIRECOM, que traça algumas recomendações que os jornalistas deveriam seguir: "melhorar a compreensão social em relação à gestão de riscos de incêndios, promover uma melhor compreensão da fragilidade e da vulnerabilidade do meio ambiente, reduzir o ‘show' nas notícias sobre os incêndios florestais a fim de não motivar atitudes propensas à indução de incêndios, evitar a instrumentalização política e mediática do fenómeno dos incêndios florestais e o tratamento sensacionalista do evento catastrófico".

Hidratos de carbono
Marca Lay's admite "erro tipográfico" que corta hidratos de carbono para um sexto do valor real. Foi alertada há...

Luís Aguiar-Conraria foi de férias com a filha e descobriu umas batatas fritas com poucos hidratos de carbono. A criança tem diabetes tipo 1 e, por isso, o professor universitário e a mulher acharam boa ideia a escolha daquele snack, uma vez que estes doentes tomam insulina de acordo com os hidratos que ingerem. O problema é que calcularam a dose de insulina com base na informação nutricional errada que estava escrita no pacote e a menina acabou por ter uma crise de hiperglicemia. "Achámos que ela podia estar à vontade e tínhamos de dar menos insulina, mas nessa noite os valores de glicemia dispararam para 400, quando ela raramente passa dos 170,180. Tivemos de dar insulina extra para compensar", recorda.

A marca de batatas em questão é a Lay"s no forno originais, que confirmou, ao Diário de Notícias, haver um "erro tipográfico" na descrição dos hidratos de carbono. Na embalagem está escrito que tem 12 gramas de hidratos por cada 100 gramas de batatas, mas na verdade tem 72 gramas de hidratos. "A informação está errada nas embalagens do mercado espanhol e português", indicou o gabinete de comunicação da PepsiCo, detentora da Lay"s.

A marca foi alertada para este erro em agosto por membros de um grupo no Facebook para doentes diabéticos. "Quando a marca surgiu comentamos no grupo que tinha baixos hidratos, porque andamos sempre à procura destas coisas, depois algumas pessoas começaram a comentar que tinham valores alterados, mas não percebíamos se era das batatas, porque pode haver outras causas. Mas depois uma das pessoas do grupo do Facebook foi a França e percebeu que afinal as batatas têm seis vezes mais hidratos do que o indicado. Isto é uma diferença brutal porque está inteiramente ligado à quantidade de insulina que tomamos", conta Cristina Mota ao DN, recordando o alerta que fez em agosto à marca.

Em resposta, a Lay"s escreveu: "Informamos que realmente se tratava de um erro. Muito obrigado por nos avisar. Estávamos cientes do ocorrido e quando tivermos uma oportunidade iremos modificá-lo". Cristina Mota refere que ainda pediu à marca para que fizessem "um comunicado público, de alerta".

Ao Diário de Notícias, a assessoria da marca refere que está "a mudar os rótulos", mas não têm "nada pensado" para alertar os consumidores de que as embalagens ainda à venda têm um erro nutricional. A garantia é de que "já não deve faltar muito" para as embalagens com os rótulos corretos começarem a chegar aos postos de venda. Até lá, o erro vai manter-se, sem aviso prévio aos consumidores.

Para Luís Aguiar-Conraria esta passividade é "potencialmente criminosa". "Imagine uma pessoa que coma um pacote inteiro de batatas e calcule a insulina com esses valores errados, no limite, pode entrar em coma."

O médico e presidente da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal, José Manuel Boavida, lembra que não são apenas os alimentos que têm influência, mas que ter dados errados, "com uma variação tão grande, como neste caso", representa uma "uma variação de insulina enorme". O especialista lembra que devia "haver mais controlo na rotulagem em Portugal" e que se devia apresentar queixa deste caso junto das autoridades.

Em Portugal quem fiscaliza os rótulos é a ASAE, que indicou não ter recebido qualquer queixa sobre esta marca. Em relação à atuação, a ASAE garantiu que irá analisar o caso e que tomará todas as medidas legais necessárias.

Associação Zero
Portugal está a deixar escapar a maior parte dos gases nocivos para o ozono usados nos equipamentos de frio, dos quais só uma...

Antecipando o Dia Mundial para a Preservação da Camada de Ozono, que se assinala no sábado, a Zero refere que em 2016 só foram tratadas em Portugal "28,3 toneladas de gases de refrigeração das 308 toneladas destes gases que estão nos resíduos dos equipamentos de frio como frigoríficos, arcas congeladoras ou ares condicionados", ou seja, apenas 9,1 por cento.

Em relação à recolha destes equipamentos, só 23,8% das 31.354 toneladas postas no mercado entre 2013 e 2015 foram recolhidas e tratadas, escreve o Sapo.

"Não se sabe onde param 76% destes resíduos, o que é inconcebível face ao impacto na atmosfera que estes resíduos podem causar", considera.

Citando números do princípio desta semana registados pela agência espacial norte-americana, a Zero afirma que o buraco na camada de ozono que protege a terra da radiação ultravioleta do Sol atinge 20 milhões de quilómetros quadrados, mais dois milhões do que na mesma altura do ano passado.

Além da recolha escassa, 45% dos equipamentos são recolhidos sem os compressores, o que a Zero atribui a um possível "esquema generalizado de roubo dos compressores para venda no mercado paralelo face ao seu elevado conteúdo em cobre".

No resto da União Europeia a meta vigente para recolha destes resíduos é de 45% e está a ser cumprida, afirma a associação, que conclui que as entidades que a gerem e o Ministério do Ambiente "não estão a dar a devida atenção" ao assunto.

Para mudar o panorama, sugere que as entidades que recolhem os equipamentos de frio paguem mais pelos que ainda têm o sistema de refrigeração intacto, para "desincentivar os desvios 'internos' de componentes como os compressores".

Quer ainda que os agentes que gerem estes resíduos, como autarquias e empresas de tratamento, sejam alvo de um programa de fiscalização "de forma a se perceber para onde é que estão a ir os cerca de 76% de equipamentos de frio desaparecidos, assim como os compressores".

Estudo
Os adoçantes, muitas vezes utilizados como substitutos do açúcar, podem estar diretamente ligados com o aumento de peso e a...

Os adoçantes, que muitas pessoas utilizam como substitutos do açúcar, podem aumentar o risco de diabetes tipo 2. A conclusão é de um estudo da Universidade de Adelaide, na Austrália, que visava perceber se grandes quantidades de adoçante alteram a capacidade do corpo de controlar os níveis de glucose no sangue.

O estudo é contudo reduzido e os resultados detalhados ainda não foram publicados, escreve o Observador, mas os especialistas dizem que esta descoberta vai no mesmo sentido de pesquisas anteriores que estabeleciam uma ligação direta entre os adoçantes e o aumento de peso.

Alguns dos 27 voluntários saudáveis que participaram no estudo beberam o equivalente a 1,5 litros de bebidas ditas sem açúcar, na forma de cápsulas de dois adoçantes diferentes, sucralose e acesulfame-K. Tomaram as cápsulas três vezes por dia, durante duas semanas, sempre antes das refeições. O resto das pessoas do estudo tomava placebos.

Os testes feitos ao final de duas semanas mostraram que a resposta do corpo à glucose tinha sido prejudicada. “Este estudo suporta o conceito de que os adoçantes podem reduzir o controlo dos níveis de açúcar no sangue e destaca a possibilidade de valores exagerados de glucose nos utilizadores deste substituto, o que pode deixá-los suscetíveis a desenvolver diabetes tipo 2″, dizem os autores, que apresentaram os resultados na Associação Europeia para o Estudo da Diabetes, em Lisboa.

Inês Cebola, da Imperial College of London, membro da Sociedade de Endocrinologia, disse ao The Guardian que “este estudo fala sobre um problema de saúde global muito importante, já que os adoçantes são frequentemente usados não só por diabéticos como por cidadãos saudáveis”.

Ainda que sejam levados como seguros e até benéficos, o consumo de adoçantes já foi anteriormente relacionado com o aumento de peso e o desenvolvimento de intolerância à lactose, que pode levar à diabetes tipo 2″, alerta Inês Cebola.

No passado, estes estudos só tinham sido feitos em animais. Por isso mesmo, Inês Cebola realça que “mesmo que seja provado no futuro que os adoçantes são prejudiciais para a população geral, isto pode não ser verdade em todos os casos. A diabetes tipo 2 é fruto de uma interação entre fatores ambientais e genéticos, muitos dos quais ainda não entendemos por inteiro. É então prematuro apontar o dedo aos adoçantes como elementos isolados de risco”.

218 vagas
A Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo anunciou sexta-feira a abertura de um concurso para a contratação de...

"O concurso para a contratação de recém-especialistas de Medicina Geral e Familiar já foi aberto. Das 218 vagas previstas para a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), quase 25% são para a Península de Setúbal, o que permitirá aumentar o número de utentes com médico de família atribuído", refere a ARSLVT em comunicado.

Para a Península de Setúbal estão previstos mais de 50 médicos de medicina geral e familiar, sendo 17 para o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Almada-Seixal, 18 para o ACES Arco Ribeirinho e 18 para o ACES Arrábida.

"Estas vagas, a serem preenchidas, vão permitir a atribuição de médico de família a mais cerca de 90 mil utentes. Este concurso dá continuidade ao compromisso assumido pela ARSLVT de melhorar a resposta assistencial aos utentes", acrescenta o documento.

A ARSLVT salienta que tem procurado "reforçar, sempre que possível, o número de profissionais nas várias unidades", dando o exemplo do Centro de Saúde da Baixa da Banheira, no distrito de Setúbal, com mais horas médicas.

A partir de hoje
Luís Nunes é o novo diretor clínico do Centro Hospitalar de Lisboa Central, substituindo no cargo, a partir de hoje, António...

"Ser diretor clínico do Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC) é uma enorme responsabilidade, mas também um dever. É estar disponível e empenhado, integrado numa equipa coesa de administração de uma enorme organização de cuidados de saúde", afirmou Luís Nunes, citado pelo CHLC em comunicado.

Luís Nunes, de 62 anos, desempenhava as funções de diretor clínico adjunto do CHLC - Hospital de Dona Estefânia.

"Vou procurar contribuir para manter os padrões de elevada qualidade assistencial nas áreas de prestação de cuidados do CHLC, melhorar a organização funcional, tornando-a mais adequada, flexível e amigável, quer para profissionais quer para os doentes, e reforçar a comunicação e colaboração entre as diferentes áreas assistenciais", salientou.

O novo diretor clínico espera a colaboração de todos para desempenhar as suas novas funções, referindo que vai privilegiar "o diálogo, a colaboração de saberes e as experiências" reunidas no CHLC.

Luís Nunes vai assumir as novas funções a partir de hoje.

Autoridade Marítima
Vinte pessoas morreram nas praias portuguesas desde maio, das quais nove antes da abertura da época balnear, divulgou a...

De acordo com um balanço divulgado ontem, um total de 11 pessoas morreram já durante a época balnear: três pessoas em praias vigiadas, seis em praias sem vigilância e duas em praias fluviais vigiadas (nenhuma faleceu em praias fluviais não vigiadas).

Foram nove as pessoas que faleceram antes da abertura da época balnear: duas na Nazaré, duas em Espinho, uma na praia da Rainha (Cascais), uma na praia da Lagoa (Póvoa de Varzim), uma na Foz do Lisandro (na Ericeira), uma em São Torpes (Sines) e uma em Porto Covo.

Das mortes neste período, três pessoas (um casal espanhol de 63 e 65 anos e uma austríaca de 66 anos) foram colhidas por ondas enquanto passeavam junto ao areal e as restantes sete morreram afogadas enquanto nadavam.

Também antes da abertura da época balnear, que é decidida pelos municípios, morreram uma criança de 10 anos, três jovens de 17, 18 e 19 anos, e dois homens de 32 e 39 anos. Embora a maior parte destas vítimas tivessem nacionalidade portuguesa, entre os mortos estava também um cidadão brasileiro e um outro cabo-verdiano.

Depois da abertura da época balnear, morreram 11 pessoas, a maior parte delas (6) em praias marítimas não vigiadas: na praia da Ilha do Farol (Olhão), na praia da Amorosa e na praia de Belinho (ambas em Viana de Castelo), na praia da Cova do Vapor (Lisboa), praia do Cabedelo (Figueira da Foz).

Nestas praias morreram pessoas entre os 33 anos (um homem que nadava e morreu afogado) e os 74 anos (uma mulher que passeava à beira-mar e cuja causa da morte permanece por conhecer).

Nas praias marítimas vigiadas morreram três pessoas: um rapaz de 17 anos, que nadava na praia da Fonte da Telha (Lisboa) e teve uma presumível congestão, uma mulher de 52 anos, que nadava na praia das Maçãs (Cascais), que também teve uma congestão, e uma ucraniana de 60 anos que teve um ataque cardíaco na praia da Fuzeta (em Olhão).

Os dados da Autoridade Marítima Nacional dão conta ainda de duas mortes em praias fluviais: de um jovem de 15 anos na praia Fluvial da Eira (Montemor-o-velho), que "não voltou à superfície depois de um salto para a água", e um outro de 24 anos, de nacionalidade guineense, que "desapareceu na água sem ser visto" na praia fluvial de Adaúfe (Braga).

Entre 01 de maio e 14 de setembro, os nadadores salvadores fizeram 434 salvamentos, prestaram primeiros socorros 640 vezes e fizeram buscas por crianças 44 vezes.

A maioria das praias portuguesas inicia a época balnear durante o mês de junho, de acordo com a portaria publicada pelo Governo em Diário da República, que refere que a época balnear decorre entre 1 de maio e 15 de outubro.

Compete às câmaras municipais definir a época balnear em cada praia do seu concelho.

Estudo
Mais de nove milhões de pessoas morreram, em 2016, com cardiopatia isquémica, doença cardíaca que lidera a lista de causas de...

Segundo o estudo "Global burden of disease 2016" (Peso global da doença), que abrangeu 195 países e territórios, incluindo Portugal, 9,48 milhões de pessoas morreram no mundo, em 2016, com cardiopatia isquémica, "a principal causa de morte prematura em todas as regiões", com excepção dos países mais pobres, onde as infeções respiratórias prevaleceram.

A morte por cardiopatia isquémica, que se caracteriza por diminuição do fornecimento de sangue ao miocárdio (músculo cardíaco), aumentou, em termos globais, 19% desde 2006, indica o trabalho, coordenado pelo Instituto de Métricas e Avaliação de Saúde da Universidade de Washington, nos Estados Unidos.

De acordo com a meta-análise, que avalia dados de 1970 a 2016 sobre as causas de morte e doença no mundo, a diabetes matou, no ano passado, 1,43 milhões de pessoas, representando uma subida de 31,1% em dez anos.

Em geral, as mortes por doenças infecciosas diminuíram, com exceção das provocadas por dengue (que aumentou na última década 81,8%, para 37.800 óbitos em 2016) e tuberculose multirresistente (que cresceu 67,6%, para 10.900 óbitos em 2016).

O estudo realça que em 2016, apesar dos progressos alcançados desde 2006, um milhão de pessoas morreu de sida, 1,21 milhões de tuberculose e 719.500 de malária.

No ano passado, o tabaco foi responsável pela morte de 7,1 milhões de pessoas e as dietas alimentares pobres (com alto teor de sal e pouca fruta, peixe ou leguminosas) por uma em cada cinco mortes.

Na última década, o número de pessoas que morreram em guerras e ataques terroristas aumentou 143%, para 150.500 em 2016, uma consequência, segundo o estudo, citado em comunicado pela The Lancet, em grande parte devida a conflitos no Norte de África e no Médio Oriente.

As mortes provocadas por armas de fogo aumentaram igualmente no mesmo período. Mais de 67 mil pessoas morreram por autodisparos, o que equivale a uma subida de 4,3% desde 2006, e 161 mil em assaltos, um crescimento de 5,7%.

O "Peso global da doença", revisto anualmente, salienta que a taxa de mortalidade desceu em todas idades, com o maior progresso a ser registado em crianças com menos de cinco anos, em que o número de óbitos caiu para menos de cinco milhões em 2016 (em 1970, morreram 16,4 milhões de crianças com a mesma idade).

Em 2016, de acordo com os dados, o número de nados-vivos atingiu os 128,8 milhões e o de mortos 54,7 milhões (mais 11,9 milhões face a 1970).

Estudo
Portugal é um dos países que mais aumentaram a esperança média de vida, mais do que seria esperado atendendo ao seu nível de...

Segundo o estudo "Global burden of disease 2016" (Peso global da doença), a esperança média de vida em Portugal, em 2015, era de 83,9 anos para as mulheres e de 77,7 anos para os homens, ultrapassando a esperança média de vida global (obtida entre todos os países analisados), que era de 75,3 anos para as mulheres e de 69,8 anos para os homens.

O trabalho, que avalia dados de 1970 a 2016 sobre as causas de morte e doença em 195 países e territórios, coloca Portugal ao lado da Etiópia, das Maldivas, do Nepal, do Níger e do Peru na lista de "países exemplares que podem fornecer informação sobre políticas bem-sucedidas que ajudaram a acelerar o progresso na saúde".

De acordo com a meta-análise, coordenada pelo Instituto de Métricas e Avaliação de Saúde da universidade norte-americana de Washington, os seis países tiveram "grandes aumentos na esperança média de vida, muito além do que seria expectável com base no seu nível de desenvolvimento".

O Japão continua a ser o país com a mais alta esperança média de vida (86,9 anos para as mulheres e 80,7 anos para os homens), ao contrário da República Centro-Africana, que tem a mais baixa (52,1 anos para as mulheres e 47,4 anos para os homens).

O estudo, revisto anualmente, teve contributos de instituições portuguesas, como o Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, o Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz, em Almada, e a Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica do Porto.

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