Opinião

Novembro Mês azul: o que ainda falta melhorar na diabetes

Atualizado: 
17/12/2018 - 16:46
Novembro é o mês azul, o mês da diabetes! O dia mundial da diabetes comemora-se dia 14 de novembro, em memória do dia de aniversário de Frederick Banting, que, juntamente com Charles Best, foi o responsável pela descoberta da insulina, em 1922. Esta descoberta alterou a visão que se tinha da diabetes, abriu todo um mundo novo na investigação e terapêutica que felizmente até hoje tem tido desenvolvimentos muito importantes.

Este mês, ao longo de todo o país muitas foram as comemorações nas associações e centros hospitalares para assinalar este dia. Muitas ações se fizeram para lembrar esta condição e despertar a população para a prevenção da diabetes tipo 2 que afeta grande parte da população portuguesa, já que a diabetes tipo 1 não pode ser evitada. No entanto, a diabetes existe todos os dias, e todos os dias é possível fazer ainda mais pela diabetes e pelas pessoas que vivem as 24h do dia com esta condição!

Nos últimos anos a tecnologia e o acesso a ela tem evoluído muito positivamente e contribuído assim para que cada vez mais pessoas possam viver com diabetes mais tempo e com mais qualidade de vida. Mas quando estamos no terreno, quando vivemos na pele esta mesma condição, muitas coisas ainda falham e é preciso continuar a trabalhar para que sejam resolvidas. É preciso de uma vez por todas dar voz a quem vive com esta condição todos os dias e olhar também para a vida social das pessoas com diabetes!

Tornar o acesso às consultas de especialidade mais ágil e fácil uma realidade, o acesso à tecnologia, o acesso à formação e informação por parte dos doentes e cuidadores mas também por parte dos profissionais de saúde…

Os direitos sociais das pessoas com diabetes estarão a ser satisfeitos? Serão estes suficientes para proteger e garantir a tranquilidade de vida que esta condição requer para garantir uma boa gestão da doença? Será que a pessoa com diabetes tem estabilidade, respeito, condições, no local de trabalho?

Será que os cuidadores informais são reconhecidos como deveriam ser e têm as ferramentas necessárias para auxiliar o cuidado a estas pessoas, muitas ainda crianças?

E a integração? E a Inclusão?

Toda a gente fala de diabetes. Pouca gente fala bem sobre diabetes. Muita gente desconhece o que realmente é a diabetes e de como condiciona (ainda) bastante a vida social de muitas das pessoas com esta condição.

Quantos de nós ouvem comentários descabidos, uns pela ignorância de quem infelizmente não teve ainda a oportunidade de aceder a informação válida, outros por pura maldade? Quantos de nós já viveram situações de más práticas sociais e profissionais que implicaram o nosso sofrimento? Sim, estas situações existem!

E ainda mais grave é saber que existem nas escolas, por parte dos colegas, dos funcionários e dos professores!

Todos temos obrigação de fazer a nossa parte. Os pais e as pessoas com diabetes devem falar, explicar, desmistificar a diabetes em todas as oportunidades, mas também precisam de apoio para o fazer de forma eficaz e de sentir recetividade da outra parte para ouvir, aprender e compreender.

A situação da integração/inclusão das crianças com diabetes nas escolas continua a ser um assunto que não é tratado da melhor forma. Vários esforços estão a ser feitos, a maioria pelas associações e grupos das redes sociais que ouvem na 1ª pessoa o desabafo dos pais que vêem o seu filho sofrer pela falta de compromisso da escola e da saúde escolar em envolver a criança e o jovem na comunidade escolar. Se há escolas que fazem um bom trabalho, e felizmente existem, a maioria desconhece esta urgência e não dá muitas vezes sequer a oportunidade aos pais de fornecerem ajuda e informação.

Estamos em novembro, o mês azul. O mês em que se fala muito sobre diabetes. Mas a escola começou em setembro. Ainda aguardamos diretivas superiores, complementos legais, orientação, trabalho em equipa para que o lema deste ano lançado pela IDF “a diabetes e a família” faça realmente sentido, pois a família (e a escola, os amigos as associações, a saúde escolar… são a nossa família alargada) é muito importante para a boa gestão desta condição.

Emiliana Querido - presidente da Federação Portuguesa das Associações de Pessoas com Diabetes (FPAD)
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
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FPAD