Entidade Reguladora da Saúde
A Entidade Reguladora da Saúde (ERS) identificou “falhas no acesso e na qualidade dos cuidados prestados” pelo Hospital de São...

Uma deliberação da ERS hoje publicada refere que o jovem (David Duarte) não viu, da parte do Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC), a que pertence o Hospital de São José, acautelado “o seu direito de acesso de universal e equitativo ao serviço público de saúde, bem como o seu direito à prestação de cuidados de saúde de qualidade”.

A ERS identificou “falhas no acesso e na qualidade dos cuidados prestados” a este jovem, transferido do Hospital de Santarém para o serviço de urgência do Hospital de São José, a 11 de dezembro do ano passado, numa sexta-feira.

Apesar de necessitar de uma cirurgia para clipagem do aneurisma, a mesma não foi realizada porque na altura o Hospital de São José não dispunha de equipas multidisciplinares disponíveis à sexta-feira e durante o fim-de-semana, pelo que ficou a intervenção adiada para segunda-feira.

Entre as falhas identificadas pela ERS está o facto do CHLC- HSJ não possuir “capacidade para a prestação de cuidados de saúde específicos, nomeadamente, realização de cirurgia em situação de rotura de aneurisma cerebral por falta de recursos humanos especializados, essenciais à sua realização, após ter sido diagnosticada a rotura do aneurisma”.

Mas também porque esta unidade de saúde, “considerando que o utente demonstrava já sinais de agravamento clínico”, não procurou “uma alternativa efetiva de acesso para o utente, seja através de convocação da equipa necessária para a realização da cirurgia” ou “através de transferência do utente para outra unidade hospitalar”.

O hospital poderia ainda ter adotado “uma intervenção de tipo 'life saving'”, prossegue o regulador.

Gravidez e teste pré-natal não invasivo
Numa altura em que existem cada vez mais marcas de testes de rasteio pré-natal não invasivos disponí

Com um preço, não comparticipado pelo Sistema Nacional de Saúde, que oscila entre os 395 e os 750 euros, os testes de rastreio pré-natal não invasivos têm vindo a ser, cada vez mais, procurados por grávidas com o objetivo de evitar uma aminocentese. No entanto, os especialistas adiantam que estas análises não substituem o procedimento, ainda que possam contribuir para a redução do número dos exames invasivos, já que permitem a redução até <0,1 por cento dos falsos positivos que resultam nos testes convencionais (os designados testes pré-natais combinados do 1º trimestre).

Não obstante a sua utilidade, há ainda alguma «desconfiança» e falta de informação, que leva uma larga maioria a considerar este um negócio.

Para Jorge Branco, Professor Associado de Medicina (Obstetrícia e Ginecologia) na Faculdade de Ciências Médicas (UNL), “ainda existe pouco conhecimento sobre o seu interesse no despiste das principais trissomias” junto da generalidade das grávidas e que se deve ao facto destas serem análises novas, disponibilizadas recentemente no mercado português.

Por outro lado, explica que “todas as inovações em Medicina, por acarretarem um novo custo para o doente ou para o Sistema de Saúde, são vistas como um «negócio». Estes testes inovadores não podiam ser exceção”.

“Por serem muito recentes, não são ainda comparticipados pelo Serviço Nacional de Saúde”, justifica o especialista em Obstetrícia e Ginecologia. 

No entanto, admite que os seus resultados “trazem uma grande confiança e tranquilidade à grávida e ao médico assistente”.

Importa, por isso, explicar em que consistem e em que casos são recomendados.

“O teste pré-natal não invasivo (NIPT), na sua vertente mais simples, baseia-se na deteção do ADN do feto no sangue da grávida, de forma a rastrear as trissomias mais frequentes: Trissomia 21 (ou Sídrome de Down), Trissomia 18 (ou Síndrome de Edwards) e Trissomia 13 (ou Síndrome de Patau)”, começa por explicar Jorge Branco.

Por outro lado, dá a opção, à grávida, de saber o sexo do bebé, se assim o desejar.

“Numa vertente mais complexa, o teste pré-natal pode também avaliar as aneuploidias dos cromossomas sexuais”, acrescenta.

A designada deteção do ADN é feita através de uma simples amostra de sangue materno. “A fração de ADN fetal é purificada, ampliada e, na maioria dos testes comerciais disponíveis, sequenciada. Os diferentes testes de rastreio pré-natal não invasivos diferem na metodologia da análise do ADN e no algoritmo de interpretação dos dados de sequenciação”, explica o especialista.

Embora admita que as opiniões sobre a necessidade de realização deste teste sejam relativas e muito distintas, eles são eficazes. “A verdade é que a especificidade do rastreio convencional é de aproximadamente 95 por cento, o que significa que, em média, em cada 100 gestações de fetos saudáveis, cinco serão classificadas como «rastreios positivos», podendo levar a procedimentos invasivos que possivelmente colocam a mãe e o feto em risco”, começa por explicar.

De acordo com os dados disponíveis, a elevada especificidade dos testes pré-natais de nova geração permite reduzir o número de falsos positivos até <0,1 por cento, “evitando um elevado número de procedimentos invasivos desnecessários”, como é o caso da amniocentese.

Sabe-se ainda que estes testes apresentam uma taxa de deteção de 99,9 por cento para Trissomia 21 e 99,8 por cento para Trissomia 18.

“Outra vantagem é o ganho de tempo que proporcionam. Quanto mais cedo a grávida fizer o teste, e quanto mais rápido receber os seus resultados, mais célere será a atuação perante um resultado positivo (que implicará um procedimento invasivo que, a ser realizado, é recomendado que seja nas fases mais precoces da gravidez”, afirma.

Estes testes são, habitualmente, recomendados às grávidas com rasteio convencional, comumente conhecido como pré-natal combinado do 1º trimestre, positivo.

Uma vez que a elevada especificidade do teste pré-natal não invasivo possibilitará esclarecer a maioria dos casos de rastreios “falsos positivos”, ele deve preceder a realização da amniocentese.

“A amniocentese consiste na recolha do líquido amniótico para análise genética dos cromossomas do feto”, explica o ginecologista Jorge Branco.

O facto de se tratar de um processo invasivo, uma vez que a recolha da amostra de líquido amniótico é efetuada através de punção abdominal, realizada sob controlo ecográfico, comporta o risco (ainda que inferior a 1 por cento) de perda fetal.  Talvez por isso, seja tão temido junto das grávidas.

No entanto, ao contrário da amniocentese, que é considerada uma técnica de diagnóstico que “permite evidenciar a maioria das alterações cromossómicas do feto, quer por citogenética que por biologia molecular”, o teste pré-natal é apenas uma análise de rastreio, “realizado através de uma amostra de sangue e que deteta a probabilidade de existência das trissomias mais frequentes no feto”, pelo que não a pode substituir.

“A análise do líquido amniótico colhido por amniocentese é a única com caractér diagnóstico e que analisa de uma forma global todos os cromossomas”, acrescenta.

“Porém, a mair sensibilidade dos NIPT comparativamente às anteriores análises de rastreio, diminui muito a necessidade de confirmação e, consequentemente, a realização de testes invasivos como a amniocentese. Assim sendo, estas novas análises por serem testes de rastreio não vêm substituir a amniocentese ou outras técnicas diagnósticas invasivas”, justifica o especialista.

No entanto, dada sua especificidade são altamente recomendados, sobretudo, no caso de gestações tardias em que “é maior o risco de aneuploidias, pelo que é mandatório o rastreio das trissomias mais comuns”.

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IPMA
Todas as regiões do país apresentam hoje risco ‘Muito Elevado’ de exposição à radiação ultravioleta (UV), informou o Instituto...

Nas regiões com risco com níveis 'Muito Elevado' e 'Elevado', o instituto recomenda o uso de óculos de sol com filtro UV, chapéu, ‘t-shirt’, guarda-sol e protetor solar, além de desaconselhar a exposição das crianças ao sol.

Os índices UV variam entre menor do que 2, em que o UV é 'Baixo', 3 a 5 ('Moderado'), 6 a 7 ('Elevado'), 8 a 10 ('Muito Elevado') e superior a 11 ('Extremo').

O IPMA prevê para hoje, no continente, céu pouco nublado ou limpo, apresentando-se geralmente muito nublado no litoral a norte do Cabo Raso até meio da manhã e para o final do dia, podendo essa nebulosidade persistir em alguns locais da faixa costeira.

Está também previsto vento fraco a moderado de noroeste, soprando moderado a partir do final da manhã no litoral oeste e sendo por vezes forte e com rajadas até 60 quilómetros por hora a sul do Cabo Carvoeiro.

Nas terras altas, prevê-se vento moderado de noroeste, tornando-se moderado a forte durante a tarde e com rajadas até 60 quilómetros por hora.

A previsão aponta ainda para uma pequena descida da temperatura máxima, exceto no sotavento algarvio e neblina ou nevoeiro matinal no litoral norte e centro.

Na Madeira prevê-se períodos de céu muito nublado, apresentando-se em geral pouco nublado nas vertentes sul, vento fraco a moderado de nordeste, soprando por vezes forte nas terras altas e pequena descida da temperatura máxima nas terras altas.

Para os Açores está previsto períodos de céu muito nublado com boas abertas, possibilidade de aguaceiros fracos e vento noroeste bonançoso na madrugada, tornando-se fraco.

No que diz respeito às temperaturas, em Lisboa vão oscilar entre 17 e 26 graus Celsius, no Porto entre 15 e 22, em Viseu entre 13 e 27, em Vila Real entre 15 e 27, em Bragança entre 15 e 31, na Guarda entre 14 e 26, em Coimbra entre 16 e 26, em Castelo Branco entre 18 e 33, em Portalegre entre 16 e 31, em Santarém entre 15 e 29, em Évora e Beja entre 15 e 34, em Faro entre 21 e 37, no Funchal entre 20 e 26, em Ponta Delgada entre 18 e 26, na Horta entre 21 e 26 e em Santa Cruz das Flores entre 20 e 25.

Cientistas americanos desenvolvem
Uma equipa de cientistas dos Estados Unidas desenvolveu uma técnica de imagiologia no cérebro que será aplicada a doenças como...

Os resultados da investigação, realizada na Universidade de Yale, em Connecticut, concluíram que através desta técnica será possível diagnosticar distúrbios e doenças cerebrais comuns, não só no caso de Alzheimer como noutras doenças neuro-degenerativas e epilepsia.

A novidade desta técnica é a análise aprofundada das sinapses, isto é, a transmissão dos impulsos nervosos que até então só poderiam ser analisados numa autópsia.

“Esta é a primeira vez que temos medidas de densidade sináptica em seres vivos. Até então as medidas da densidade de sinapses eram 'postmortem'”, explicou o professor de radiologia e biomedicina que Richard Carson que liderou a investigação.

Através deste método é possível conhecer o número de sinapses e a sua densidade em cérebro vivos, sendo possível obter muita informação sobre os transtornos cerebrais.

Esta técnica é uma combinação entre a bioquímica e o exame de imagem conhecido como tomografia por emissão de pósitrons (PET), o mais utilizado nos dias de hoje para a doença de Alzheimer.

Desta forma, foi desenvolvido um composto químico que injetado no paciente atua como um marcador radioativo desenhando uma trajetória das reações que ocorrem no cérebro.

Através do exame de diagnóstico PET, os cientistas coletam a “trajetória” que depois decifram através de cálculos matemáticos.

A técnica já foi testada em primatas e em seres humanos, e em ambos os casos foi provada a sua efetividade.

As aplicações potenciais desta investigação são muitas, principalmente para o Alzheimer, uma doença neuro-degenerativa progressiva que se caracteriza pela perda de memória, da fala, controlo emocional e a capacidade de raciocinar e tomar decisões lógicas.

Projeto de lei
O projeto de lei do BE para permitir a gestação de substituição, com alterações introduzidas após o veto do Presidente da...

O novo diploma foi aprovado com os votos favoráveis do BE, PS, PEV, PAN e 20 deputados do PSD, votos contra da maioria dos deputados do PSD, do PCP, do CDS e de dois deputados do PS, e a abstenção de oito deputados sociais-democratas.

O presidente do PSD e ex-primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, absteve-se, bem como Carlos Abreu Amorim, Berta Cabral, Sara Madruga da Costa, Laura Magalhães, Joana Barata Lopes, Emília Cerqueira, Joel Sá.

Votaram a favor os deputados do PSD Margarida Mano, Margarida Balseiro Lopes, António Leitão Amaro, Simão Ribeiro, Duarte Marques, Lima Costa, Sérgio Azevedo, Paula Teixeira da Cruz, Costa Silva, Teresa Leal Coelho, Álvaro Batista, Miguel Santos, Fátima Ramos, Ângela Guerra, Firmino Pereira, Luís Vales, Regina Bastos, Pedro Pinto, Rubina Berardo, Cristóvão Norte.

Os deputados do PS que votaram contra foram Renato Sampaio e Isabel Santos.

O PSD apresentou um requerimento para o adiamento deste diploma para a próxima sessão legislativa, mas o pedido foi rejeitado pelo plenário, com os votos a favor do PSD e CDS-PP, abstenção do PCP, votos contra do PS, BE, PEV e PAN.

Durante a manhã, Pedro Passos Coelho, que votou a favor quando a primeira versão do diploma foi aprovada em maio, apelou ao PS para que viabilizasse o adiamento e disse que poderia mudar o seu sentido de voto caso tal não acontecesse.

"É importante não criar uma divisão entre o parlamento e o Presidente", afirmou Pedro Passos Coelho.

"Espero que o líder do PS e primeiro-ministro, António Costa que tem obtido do Presidente da República um apoio permanente - e penso que tem sido importante mesmo do ponto de vista externo para o Governo - possa ser sensível a esta matéria", acrescentou.

No requerimento, o PSD invocava a apresentação de uma petição à Assembleia da República, subscrita por mais de 4 mil pessoas, pedindo um referendo sobre a matéria, e que o grupo parlamentar social-democrata considerava dever constituir-se "como um contributo útil à discussão" e que "mereceria ser apreciada antes de terminado este processo legislativo em curso".

No dia 13 de maio, a primeira iniciativa do BE foi aprovada em maio com os votos favoráveis do proponente, do PS, PEV e PAN e 24 deputados do PSD, entre os quais o presidente e ex-primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho. A maioria da bancada do PSD votou contra, assim como PCP, CDS-PP e dois deputados do PS. Três sociais-democratas abstiveram-se.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, usou pela primeira vez o veto político ao fim de quase três meses de mandato, em 07 de junho, precisamente face ao decreto que introduz a possibilidade de recurso à gestação de substituição, aprovado na Assembleia da República a 13 de maio.

Rebelo de Sousa decidira com base nos pareceres no Conselho Nacional de Ética e para as Ciências da Vida, devolvendo o diploma ao parlamento para uma "oportunidade de ponderar, uma vez mais, se quer acolher as condições preconizadas".

A legislação em causa introduz a possibilidade de uma mulher suportar uma gravidez por conta de outrem e entregar a criança após o parto, renunciando aos poderes e deveres da maternidade, a título excecional e com natureza gratuita, para casos como a ausência de útero.

As alterações agora introduzidas pelo BE estabelecem essencialmente a necessidade de um contrato escrito entre as partes, "que deve ter obrigatoriamente disposições sobre situações de malformação do feto ou em que seja necessário recorrer à interrupção voluntária da gravidez", de acordo com o deputado bloquista Moisés Ferreira.

"Poupe na Receita”
A “Poupe na Receita” possibilita ainda a localização de farmácias na proximidade do utilizador.

A “Poupe na Receita” está disponível para sistemas iOS e Android

O Infarmed (Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde) actualizou e melhorou a aplicação mobile gratuita “Poupe na Receita”, que permite consultar os preços dos medicamentos, facilitando a identificação das opções mais baratas.

Lançada em 2014, esta aplicação permite às pessoas poupar na factura da farmácia, através da identificação prévia (ou no momento da compra) dos medicamentos mais baratos que existem para a substância activa receitada pelo médico, explica o Infarmed em nota divulgada nesta quarta-feira. Os consumidores podem assim perceber quanto terão de pagar e simular conjugações que se possam revelar mais baratas.

Mas a consulta dos preços dos medicamentos e a comparação com outros fármacos disponíveis com preços mais baixos é apenas uma das funcionalidades da aplicação. A “Poupe na Receita” possibilita também a identificação de um medicamento através da leitura do código de barras disponível na embalagem ou na receita médica, recorrendo à câmara fotográfica do telemóvel, ou pesquisando o nome do fármaco.

É ainda possível visualizar o folheto informativo do medicamento, consultar as novidades e alertas sobre medicamentos e outros produtos de saúde, localizar farmácias na proximidade do utilizador e criar um plano de tomas de medicamentos com um sistema de alertas, sublinha o Infarmed.

Disponível para sistemas iOS e Android, a “Poupe na Receita” funciona em modo online e offline, no caso de o utente não usufruir de pacote de dados no tarifário do seu telemóvel.

A aplicação pode ser descarregada em iOS na App Store e Android na Play Store. Para mais informações consulte a infografia “Poupe na Receita”.

Ministério da Saúde vai compensar hospitais que melhorem desempenho.
O recurso excessivo a antibióticos tem contribuído para o surto de infecções

O Ministério da Saúde anunciou que, a partir do próximo ano, os hospitais que apresentem boas práticas e melhorias na taxa de infecções vão receber incentivos. O problema das infecções hospitalares tem estado em destaque depois de terem sido noticiados vários surtos de uma estirpe da bactéria Klebsiella pneumoniae, microrganismo muito resistente a antibióticos, e que surgiram nos hospitais de Gaia, no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e no Hospital de São João (Porto).

No Hospital de Gaia foram detectados 102 doentes portadores da Klebsiella pneumoniae resistente a carbapenemos (antibióticos de largo espectro), um surto que fez três vítimas mortais, em Novembro de 2015. O mesmo tipo de bactéria foi responsável por um surto detectado em Fevereiro passado no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra em 21 doentes internados, três dos quais acabaram por morrer. Em Abril, foi conhecido um novo surto, desta vez no Hospital de S. João (Porto), onde, na sequência de um rastreio, nove doentes foram detectados com várias estirpes da Klebsiella pneumoniae.

Portugal surge no último relatório do ECDC (Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças) como um país onde já ocorrem surtos episódicos de infecção pela estirpe desta bactéria resistente ao carbapenemos, antibióticos de largo espectro. No mapa europeu, porém, a Grécia e a Itália encontram-se numa posição muito pior, dado que estão já numa situação endémica.

Centro de Controlo e Prevenção de Doenças
Um relatório divulgado recentemente mostra que o número de casos de gonorreia resistente a antibióticos no mundo aumentou mais...

De acordo com o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC), que fica nos Estados Unidos, essa elevação alarmante faz especialistas acreditarem que, em breve, não haverá mais alternativas para tratar a doença sexualmente transmissível (DST).

A gonorreia é uma das DST mais comuns. A infecção é causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae. No passado, antes da descoberta da penicilina, era considerada uma verdadeira peste, já que pode afectar outros órgãos, como a garganta, olhos e articulações.

Para piorar, os sintomas iniciais, como secreção purulenta, dores abdominais e ardor ao urinar, podem não aparecer em muitos pacientes, especialmente mulheres. A infecção pode evoluir para a doença inflamatória pélvica, que, por sua vez, pode gerar esterilidade ou até levar à morte. Além disso, a infecção pode ser transmitida de mãe para filho.

Há muito tempo, a penicilina e outros antibióticos deixaram de fazer efeito contra a Neisseria. O remédio mais usado actualmente é a azitromicina, e os novos casos de resistência demonstram que essa opção também poderá tornar-se ineficaz, deixando os pacientes sem opção, segundo as informações do CDC, noticiadas pelo site Medical Daily.

Nos Estados Unidos, estima-se que 800 mil pessoas tenham gonorreia a cada ano. Apesar disso, só metade recebe o diagnóstico, porque certos pacientes não apresentam sintomas, ou não fazem exames. A melhor maneira de se prevenir é usar preservativo em todas as relações sexuais, além de procurar o médico sempre que algum sinal diferente aparece, como corrimentos ou secreções.

EUA
As autoridades sanitárias da Flórida, no sudeste dos EUA, anunciaram que estão a examinar um prov+ável caso de Zika que terá...

Os serviços sanitários da Flórida “estão ativamente a realizar uma investigação epidemiológica”, indica um comunicado do departamento de Saúde da Flórida, divulgado na terça-feira, depois de um possível caso ter surgido em Miami-Dade.

Até agora não há nenhuma prova de que os mosquitos "aedes aegypti", vetores do vírus Zika, tenham chegado ao território continental dos Estados Unidos, mas as autoridades de saúde têm alertado que esta possibilidade está iminente. O território norte-americano de Porto Rico registou um aumento de casos nos últimos meses.

O comunicado refere também que ‘kits’ de prevenção do vírus, assim como produtos anti mosquitos vão estar disponíveis nos serviços de saúde e ser distribuídos na zona sob observação.

“Os ‘kits’ Zika são destinados às mulheres grávidas”, declararam os serviços de saúde.

O serviço de luta contra os mosquitos “já levou a cabo ações de redução e de prevenção na zona em causa”, precisou o departamento de saúde da Flórida.

Em meados de julho, as autoridades sanitárias norte-americanas tinham já contabilizado 1.306 casos de Zika no território continental dos Estados Unidos e no Havai.

Nenhum destes casos resultou de uma picada de mosquito ocorrida nesta área. Catorze dessas pessoas foram infetadas através de relações sexuais e outra por contacto acidental com uma amostra de sangue em laboratório.

O vírus Zika pode causar uma grande variedade de sintomas, incluindo erupções cutâneas, dores nas articulações e músculos, mas na maior parte dos casos a infeção passa despercebida.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) previu um crescimento acentuado do surto nas Américas, com até quatro milhões de pessoas infetadas.

O vírus espalhou-se rapidamente pela América Latina, com um grande número de casos no Brasil.

O vírus Zika está presente em 60 países e o Brasil é o país mais afetado pela atual epidemia, com 1,5 milhões de casos registados.

O Zika é um vírus transmitido pela picada de mosquitos e não existe um tratamento ou uma vacina para a doença.

Na terça-feira, uma universidade canadiana anunciou que irá realizar o primeiro teste no mundo em humanos de uma vacina contra o vírus Zika.

A vacina que se está a desenvolver será administrada em seres humanos "nos próximos dias", de acordo com um comunicado da Universidade de Laval, que se localiza na cidade do Quebec, na província com a mesma designação.

“Estamos muito orgulhosos de fazer parte da primeira equipa internacional do mundo a completar todas as etapas do processo de regulamentação" da vacina, disse Gary Kobinger, doutor em microbiologia e professor de medicina na universidade, que está a supervisionar o estudo.

Kobinger sublinhou que o desenvolvimento desta vacina contra o Zika foi autorizado pelas agências reguladoras do setor no Canadá (Health Canada) e nos Estados Unidos (FDA).

Técnica pioneira em Espanha
Um mulher com queimaduras em 70% do corpo recebeu pele fabricada a partir de células estaminais. Transplante desenvolvido pela...

Uma mulher de 29 anos que ficou com 70% do corpo queimado em abril na sequência de um acidente doméstico foi agora submetida em Espanha ao primeiro transplante do mundo de pele humana fabricada com células do próprio corpo da paciente.

A técnica pioneira combina engenharia de tecidos, nanoestruturas e técnicas de microcirurgia.

As células são combinadas com agarose, uma substância química presente em algas marinhas que melhora a elasticidade da pele artificial e aumenta a sua espessura.

Vários especialistas multidisciplinares dos hospitais de Granada e Sevilha e da Universidade de Granada desenvolveram o tecido. O projeto contou com a participação de 80 investigadores. O novo tipo de pele humana permite manipulação cirúrgica e adapta-se facilmente às necessidades do paciente.

Outros métodos já utilizados nos Estados Unidos com pele artificial servem apenas para pequenas áreas queimadas e não utilizam células do paciente, aumentando os riscos de rejeição e infeção.

A equipa utilizou duas lâminas de pele da jovem, com quatro centímetros quadrados cada, para fabricar 5,9 mil centímetros de pele, que foram implantados no corpo da jovem - membros superiores e inferiores, abdómen e tórax, região cervical e parte das costas - em duas intervenções cirúrgicas, escreve o jornal El Mundo.

Segundo o médico Miguel Alaminos, um dos responsáveis pelo procedimento, esse transplante representa um marco após uma década de trabalho para criar um biomaterial com estrutura similar à pele.

A paciente deve receber alta médica dentro de um mês se o caso evoluir de forma favorável.

Dia do Transplante
O dia do Transplante foi instituído, há oito anos, com o objetivo de alertar a população para a impo

A transplantação de orgãos sólidos constitui uma das áreas mais desafiantes e, simultaneamente, de maior sucesso da medicina moderna. Portugal, também nesta área, esteve na “linha da frente” com Linhares Furtado (em Coimbra) e João Pena (em Lisboa) a iniciarem e a desenvolverem programas de transplantação renal desde o final da década de sessenta, do século passado.

A transplantação renal é a que predomina em quase todas as séries, quer de forma isolada, quer em transplante duplo (ex: pâncreas + rim ou fígado + rim).

Ao longo de quase cinco décadas, as equipas multidisciplinares de médicos portugueses (incluindo nefrologistas,  cirurgiões, urologistas, gastrenterologistas, cardiologistas, pneumologistas, imunologistas, etc.) aprofundaram e otimizaram programas de transplantação de órgãos, que são hoje apontados como referência a nível mundial.

A transplantação de orgãos pode ser a única alternativa para manter a vida dum doente. A transplantação de orgãos sólidos constitui uma das áreas mais desafiantes e, simultaneamente, de maior sucesso da medicina moderna. (como acontece, por exemplo num transplante hepático, num transplante de coração ou num transplante de pulmão).

Pelo contrário, na transplantação de rim isolado ou de pâncreas + rim, o resultado da transplantação compara com as alternativas existentes para a manutenção da vida (hemodiálise, diálise peritoneal, insulina, etc). Por isso, nestes últimos, temos de ser ainda mais rigorosos na seleção dos candidatos, dos dadores, das terapêuticas e no despiste dos eventuais riscos, para que os benefícios ultrapassem claramente os riscos associados a qualquer grande cirurgia.

Os orgãos para transplante são um bem muito escasso e que deve ser tratado como tal, quer pela equipa terapêutica quer pelo doente transplantado. Importa salientar que o tempo de espera média por um transplante renal de dador cadáver é de três a quatro anos e que a sobrevida média de um enxerto renal é de 10 a 11 anos.

Por estes motivos, a pressão para a transplantação de orgãos sólidos tem sempre de ser balanceada com os verdadeiros ganhos em saúde e qualidade de vida para o transplantado.

Os novos fármacos imunossupressores permitem uma  modulação da resposta imunitária, atuando de forma altamente seletiva, e protegendo o hospedeiro dum risco muito aumentado de infeções oportunistas e do desenvolvimento de tumores. Estes são os principais “espinhos” da atividade de transplantação.

O binómio entre o médico responsável pelo acompanhamento do transplantado nas fases pré, per e pós transplante e o hospedeiro constitui a unidade fundamental para a otimização da atividade de transplantação. Esta relação joga-se sempre, em temos terapêuticos, num equilíbrio instável entre a deficiente imunossupressão que pode conduzir à rejeição (aguda ou crónica) e o excesso de imunossupressão que se associa a um risco muito aumentado de infeções e de tumores.

Em 2015 realizaram-se, em Portugal, 485 transplantes renais (estando incluído neste total os transplantes duplos de rim e pâncreas e de rim e fígado). Este nº de transplantes renais corresponde a 46,7 por milhão de habitantes, o que está longe dos melhores anos da transplantação renal em Portugal, que foram 2009 e 2010 com 55,8 transplantes por milhão de habitantes. No entanto são números francamente melhores que os alcançados em 2012, nos quais se registou uma queda preocupante para 40,6 transplantes por milhão de habitantes, a qual foi justificada por importantes alterações organizacionais e de coordenação da atividade de transplantação, entretanto ultrapassadas.

Quando olhamos para a área específica da transplantação renal, o sucesso a longo prazo é uma evidência, como é ilustrado pelo facto de sermos o 12º país do mundo com mais transplantes renais realizados anualmente por milhão de habitantes e subirmos para o 2º lugar a nível mundial (apenas ultrapassados pela Noruega), no nº de transplantados vivos com enxerto renal funcionante, por milhão de habitantes. Este ressultado indica que os doentes transplantados renais portugueses têm uma sobrevida prolongada e um longo periodo com enxerto renal funcionante.

Portugal ocupa o 9º lugar no mundo na incidência (novos doentes / ano) de doentes com insuficiência renal crónica terminal (IRCT), isto é de doentes que para sobreviverem necessitam de fazer diálise (hemodiálise ou diálise peritoneal) ou de ser transplantados.

Subimos para o 5º lugar no mundo no que respeita à prevalência (nº total acumulado de doentes vivos) com estas características.

A esmagadora maioria dos doentes com IRCT, em Portugal, iniciam terapêutica substitutiva da função renal através de hemodiálise (89,5%). Cerca de 9,5% fazem-no através de diálise peritoneal.

Menos de 1% dos doentes foram diretamente transplantados (“pre-emptive”), sem passarem por uma das técnicas dialíticas. Só conseguiremos aumentar este número se fôr significativamente incrementada a dádiva de doação em vida.

Mesmo neste capítulo reconhecemos, com grande agrado, que a evolução tem sido muito positiva: embora os recetores prevalentes de dador vivo sejam de apenas 8%, os transplantados de dador vivo incidentes em 2015 já subiu para 12,8%.    

Para respondermos às necessidades nacionais dos candidatos a transplantação renal, que neste momento têm de esperar, em média 4 a 5 anos por um enxerto renal, é necessário:

•    aumentar as colheitas de dador cadáver, vencendo barreiras organizacionais, que parecem estar na origem de assimetrias acentuadas entre diferentes zonas do país.

•    implantar um programa nacional de transplante renal com dador em "paragem cardio-respiratória", que apesar de já ter suporte legal para implementação, coloca enormes desafios organizacionais para os hospitais envolvidos.

•    incentivar a dádiva em vida, recorrendo sempre que necessário, com mais frequência, à dádiva "cruzada" em pares de dador / recetor.

Na verdade, como dizia um slogan feliz da Sociedade Portuguesa de Transplantação, há alguns anos, a dádiva de um enxerto renal em vida, faz bem ao coração…

 

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Administração Central do Sistema de Saúde
A abertura do concurso para o preenchimento de 736 postos de trabalho para a categoria de assistente, das áreas hospitalar e de...

O concurso destina-se recrutar pessoal médico para a categoria de assistente, das áreas hospitalar e de saúde pública — carreira especial médica e carreira médica dos estabelecimentos de saúde com a natureza jurídica de entidade pública empresarial integrados no Serviço Nacional de Saúde.

A Administração Central do Sistema de Saúde menciona que o concurso está aberto pelo prazo de cinco dias úteis, a contar da publicação deste aviso.

De acordo com o texto publicado, o prazo de cinco dias úteis previstos para apresentação das candidaturas "fundamenta-se na urgente contratação, como assistentes, dos médicos que sejam detentores do correspondente grau de especialista e preencham os requisitos subjetivos para se apresentarem a concurso, permitindo, assim, com a maior brevidade possível, colmatar as necessidades mais prioritárias dos serviços e estabelecimentos"

"Podem candidatar-se ao procedimento concursal aberto pelo presente aviso, os médicos detentores do grau de especialista na correspondente área profissional de especialização que, tendo realizado e concluído o internato médico, não sejam detentores de uma relação jurídica de emprego público por tempo indeterminado previamente constituída com qualquer serviço, entidade ou organismo do Estado incluindo do respetivo setor empresarial e não se encontrem impedido de celebrar contrato de trabalho", refere o aviso.

Segundo um levantamento do Ministério da Saúde, divulgado na semana passada, há em falta nos hospitais públicos do país 736 os especialistas, entre os quais se destacam os de medicina interna, os anestesiologistas e os psiquiatras, relativamente aos quais a tutela identificou, respetivamente, 129, 57 e 46 vagas a preencher urgentemente.

De acordo com esse levantamento, é no Centro Hospitalar do Algarve que mais se verifica falta de especialistas: um total de 51, para praticamente todas as especialidades.

Em suma, no Algarve faltam médicos de anestesiologia, cardiologia, cirurgia geral, cirurgia plástica e reconstrutiva, cirurgia vascular, dermatovenereologia, gastrenterologia, ginecologia/obstetrícia, infecciologia, medicina física e reabilitação, medicina interna, nefrologia, neurologia, oftalmologia, oncologia, ortopedia, otorrinolaringologia, patologia clínica, pediatria, pneumologia, psiquiatria, radiologia e urologia.

A outra instituição hospitalar com mais carência de médicos é o Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, onde foram identificadas 37 vagas, para 28 especialidades, a preencher urgentemente.

Seguem-se o Centro Hospitalar de Leiria e o Hospital Espírito Santo de Évora, ambos com 31 vagas por preencher.

Os centros hospitalares de Vila Nova de Gaia/Espinho e de Entre Douro e Vouga necessitam de 26 e 25 especialistas, respetivamente.

No Instituto Português de Oncologia foram contabilizados 26 especialistas em falta, a serem distribuídos por Lisboa, Porto e Coimbra.

Entre as especialidades com carência de médicos, a cardiologia pediátrica é a que menos falta tem, com apenas uma vaga aberta para o Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental.

A publicação deste despacho deverá ocorrer duas vezes por ano, em janeiro e em julho, nas épocas de avaliação final (normal e especial) do internato médico.

Serviço de Verificação de Incapacidades Temporárias
Cerca de 1.500 beneficiários de subsídio de doença estão a ser convocados para as Juntas Médicas verificarem se estão ou não...

Trata-se de um “processo extraordinário de convocatórias de beneficiários de subsídio por doença a Juntas Médicas da segurança social”, ao qual acresce o processo de rotina de convocatórias.

As convocatórias dos beneficiários de subsídio de doença ao Serviço de Verificação de Incapacidades Temporárias (SVIT), designado por Juntas Médicas, é “a forma mais eficaz de deteção de fraude numa prestação social desta natureza é através da convocatória a juntas médicas, as quais verificam se o beneficiário de subsídio de doença está ou não apto para o trabalho”.

Em comunicado, o ministério especifica que “estão a ser convocados extraordinariamente a Junta Médica, pelos respetivos Centros Distritais de Segurança Social, cerca de 1.500 beneficiários de Subsídio por Doença, com baixa há mais de 40 dias consecutivos e que não tenham ainda sido convocados ou que, tendo sido, não compareceram ao SVIT”.

“Estão ainda em curso procedimentos adicionais por parte dos serviços da segurança social, com o objetivo de, ainda no decurso do corrente mês e nos meses seguintes, serem convocados, com caráter extraordinário, outros grupos de beneficiários”.

O Ministério sublinha que a medida tem “uma particular relevância e necessidade face ao acréscimo do número de beneficiários com «baixa» e da despesa associada, registados nos anos mais recentes”.

Estudo
Cerca de 2,5 milhões de pessoas são anualmente infetadas com o VIH, número que tem diminuído pouco nos últimos dez anos, ao...

Divulgado hoje pela revista Lancet HIV para coincidir com a Conferência Internacional sobre SIDA, a decorrer em Durban, África do Sul, o estudo revela que o número de novos casos de infeção por VIH caiu apenas 0,7% por ano entre 2005 e 2015, quando no período entre 1997 e 2005 a queda era de 2,7% anuais.

O relatório revela "uma imagem preocupante do lento progresso na redução das novas infeções por VIH", disse o principal autor do estudo, Haidong Wang, do Instituto para a Métrica e a Avaliação da Saúde (IHME, na sigla em inglês), da Universidade de Washington, em Seattle.

O pico do número anual de novas infeções foi em 1997, quando se registaram 3,3 milhões de novos casos da infeção pelo vírus, que desde os anos 1980 matou mais de 30 milhões de pessoas.

Segundo o estudo, 38,8 milhões de pessoas vivem hoje com o VIH, um importante aumento face aos 27,96 milhões de 2000, que se deve ao aparecimento das terapias antirretrovirais em 1997.

Estas terapias contribuíram também para reduzir o número anual de mortes associadas ao vírus de 1,8 milhões em 2005 para 1,2 milhões em 2015.

A proporção de pessoas com VIH a receber terapias antirretrovirais aumentou de 6,4% em 2005 para 38,6% em 2015, nos homens, e de 3,3% para 42,4% nas mulheres.

Ainda assim, a maioria dos países ainda está longe de alcançar a meta da ONUSIDA de cobrir 81% das pessoas infetadas até 2020.

Para o diretor da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, Peter Piot, que é também fundador e diretor executivo da ONUSIDA, o número de novas infeções por VIH no mundo é "provavelmente o fator mais perturbador anunciado na conferência de Durban".

"Significa que a sida não acabou", disse.

O problema poderá agravar-se com as reduções no financiamento dos programas e medicamentos de combate à doença, alertam os autores do estudo.

"Em 2015, [o financiamento] caiu abaixo do nível de 2014 e em muitos países de baixo rendimento os recursos são escassos e estima-se que aumentem devagar, se aumentarem", avisou Wang numa conferência de imprensa em Durban.

"Temos de reduzir as taxas de novas infeções", acrescentou.

O diretor do IHME, Christopher Murray, disse em comunicado que os países e as agências internacionais precisam de aumentar em muito os seus esforços se quiserem alcançar os 36 mil milhões de dólares (33 mil milhões de euros) necessários para alcançar o objetivo de acabar com a sida até 2030.

Nos últimos 15 anos, os países dedicaram 110 mil milhões de dólares em "ajuda ao desenvolvimento" para programas de combate ao VIH/Sida.

Até hoje, não existe uma cura ou uma vacina para a sida e as terapias antirretrovirais apenas suprimem o vírus, permitindo às pessoas viverem mais anos, mas os medicamentos são caros e têm efeitos secundários.

Outro fator que ajudou a reduzir a taxa de mortalidade associada à doença foi a sensibilização e os medicamentos que previnem a transmissão do vírus de mulheres grávidas para os fetos.

O estudo baseia-se em dados recolhidos desde 1980 e até 2015 em 195 países.

UNICEF
Os programas para evitar a transmissão do vírus da Sida de mãe para filho evitaram desde o ano 2000 a infeção de 1,6 milhões de...

Segundo os dados da UNICEF, Fundo das Nações Unidas para a Infância, os programas para evitar a transmissão do vírus entre mãe e filho nos países com alta prevalência de Sida permitiram que ao nível mundial a infeção de mãe para filho caísse 70% nos últimos 15 anos.

Isso equivale a evitar a infeção de 1,6 milhão de menores. Já a introdução de antirretrovirais no tratamento de milhares de pessoas salvou outros 8,8 milhões de vidas em todo o mundo.

"Mesmo assim, a Sida é a segunda causa de morte para quem têm entre 10 e 19 anos ao nível mundial, e a primeira em África", lembrou o diretor-executivo da UNICEF, Anthony Lake.

Segundo dados de outras agências da ONU, a primeira causa de morte entre os adolescentes são os acidentes de trânsito, a segunda a Sida e a terceira o suicídio.

No início do século, no entanto, a Sida não estava entre as dez primeiras causas de morte entre os adolescentes. Desde então a infeção pelo vírus triplicou, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo diz a UNICEF em comunicado, "ainda há muito trabalho a ser feito para proteger as crianças e adolescentes da infeção, da doença e da morte".

De acordo com os dados da ONU, no ano passado a cada hora pelo menos 29 adolescentes entre os 15 e 19 anos foram infetados pelo vírus.

Cerca de 65% dos novos infectados são menores do sexo feminino. Só na África Subsaariana, onde se concentra 70% de toda a população mundial seropositiva, três em cada quatro novos adolescentes infetados são mulheres.

Investigação
Os substitutos artificiais do açúcar natural afetam as áreas do cérebro que estimulam a fome e, por isso, incentivam a ingestão...

A investigação científica foi publicada na revista especializada Cell Metabolism.

Charles Perkins da Universidade de Sydney e o Instituto Garvan de Investigação Médica concluíram que os adoçantes artificiais estimulam o apetite e alteram as percepções de sabor.

Apesar de terem na prática menos calorias do que o açúcar natural, os adoçantes provocaram aumento de peso nos animais testados, refere a investigação.

"Depois da exposição crónica a uma dieta com adoçante a base de sucralose, vimos que os animais começaram a comer mais", comenta Greg Neely, principal autor do estudo e professor na Universidade de Sydney.

"Descobrimos que dentro do cérebro, a sensação de doce é similar ao do conteúdo energético. Quando se perde o equilíbrio entre o doce e a energia durante um determinado período de tempo, o cérebro procura a necessidade de aumentar o total de calorias consumidas", explicou.

A primeira parte do estudo foi conduzida em moscas da fruta. Após serem expostas por cinco dias a adoçantes artificiais, aumentaram o consumo de calorias em 30% em relação à dieta anterior, à base de frutas com açúcar natural.

A segunda parte da análise foi realizada com ratinhos de laboratório que, depois de sete dias a consumir adoçantes artificiais, passaram a comer uma maior quantidade de alimentos devido a uma visível alteração nas redes neuronais.

"O consumo crónico de adoçante artificial aumenta a intensidade do doce em relação ao açúcar real e consequentemente incentiva o animal a comer mais", conclui Neely citado pela agência de notícias espanhola EFE.

Este aumento do consumo de calorias gerado pelos adoçantes artificiais pode, por isso, aumentar o risco de obesidade ou excesso de peso, supõe ainda a investigação.

Investigação
Tomar um banho quente é uma boa forma de aliviar os músculos após fazer exercícios, mas e se pularmos directamente para o duche...

O investigador Steve Faulkner, da Universidade de Loughborough, realizou uma experiência que compararia no Reino Unido os efeitos no corpo de um longo banho com os de uma hora de pedalada.

Nesse estudo, um grupo de voluntários teve os seus níveis de açúcar no sangue monitorizados continuamente. Mantê-los em patamares considerados normais é uma medida importante para avaliar o nosso condicionamento "metabólico".

Outro equipamento ainda media quantas calorias seriam queimadas, e um termómetro retal indicaria a temperatura interna do organismo.

A primeira parte da pesquisa foi muito relaxante: consistia em tomar um longo banho quente.

Enquanto estavam sentados na banheira, mantida a 40ºC, a temperatura dos voluntários era acompanhada. Após esta subir e manter-se num determinado valor, os voluntários foram autorizados a sair da água para uma refeição ligeira.

Depois, o teste foi repetido, só que com uma sessão de uma hora numa bicicleta ergométrica em vez do banho. O resultado?

«Uma das coisas que monitorizamos», segundo Steve, «é o gasto de energia do corpo enquanto se esteve na banheira, e descobrimos um aumento de 80% só por estar sentado na água quente por uma hora.»

O total de energia dispendida no banho - 140 calorias - não chega perto do gasto calórico de uma pedalada de uma hora - 630 calorias -, mas foi equivalente a uma caminhada de 30 minutos.

E quanto ao nível de açúcar no sangue?

«Começamos a ver diferenças quando verificamos o pico de glicemia», adiantou Steve.

O pico de glicemia é o aumento do nível de açúcar no sangue após uma refeição. É um indicador de risco para diabetes tipo 2 e outros problemas metabólicos.

«O pico foi menor com o banho em comparação com o exercício, o que é totalmente inesperado.»

De facto, o pico de glicemia dos voluntários com o banho ficou, em média, 10% menor do que com o exercício. Mas porque é que isso acontece?

Steve acredita que se deve em parte à libertação de proteínas de choque térmico pelo organismo, que, como o nome diz, são proteínas libertadas em resposta ao calor. O gatilho para isso também podem ser outros tipos de stresse, como infecções, inflamações ou exercícios.

Estas proteínas fazem parte no nosso sistema de defesa e ajudam a prevenir danos no corpo, mas estudos com animais sugerem que também podem desviar o açúcar no sangue para os músculos. Manter o nível de glicose baixo é importante, porque, se ficar em patamares elevados, pode danificar artérias e nervos.

Para Steve, tomar um banho ou fazer sauna não substitui o exercício físico. Ele continua a recomendar 150 minutos por semana de exercício de intensidade moderada. Mas acredita que as pesquisas sobre os efeitos de aquecer o corpo por completo podem ser úteis para quem tem dificuldades de controlar o nível de açúcar no sangue ou de se exercitar.

Então, um banho quente tem de facto benefícios surpreendentes, mas e quanto à chamada «imagética motora»? É possível fortalecer os músculos apenas imaginando que se está a fazer um determinado exercício?

Não é tão estranho quanto parece. É algo muito usado por atletas de elite. Para descobrir os efeitos disso num grupo de voluntários sedentários, o cientista Tony Kay, da Universidade de Northampton, fez uma experiência.

Primeiro, fez alguns exames básicos. Testou a força dos participantes pedindo que empurrassem com a maior força possível uma placa ligada a sensores.

Depois, usou um ultrassom para medir o efeito no organismo. Finalmente, para saber exactamente o quanto destes músculos estavam a ser usados para pressionar a placa, deu leves choques eléctricos neles.

Com os parâmetros básicos em mãos, Tony pediu aos voluntários para passarem 15 minutos por dia a pensar no mesmo movimento contra a placa, imaginando que a estavam a pressionar com a maior força com que eram capazes.

O que aconteceu? Bem, para grande surpresa, só pensar no exercício realmente aumentou a força dos voluntários. Ao repetir o teste um mês depois, os seus músculos estavam, em média, 8% mais fortes.

Não porque ficaram maiores (isso não aconteceu), mas porque, depois de um mês a pensar num exercício específico, passaram a usar mais fibras musculares para fazer o mesmo movimento de antes.

«Eles ficaram melhores em aplicar os músculos de determinada forma», diz Tony, «por isso, conseguiram activar uma percentagem maior de músculo. Isso produziu mais força, então, sim, eles ficaram mais fortes.»

O pesquisador diz que, além de ajudar atletas, esta pode ser uma boa forma de evitar perder força quando se está magoado ou não é possível fazer exercício.

Campanha «Olhe Pelas Suas Costas»
Com o início do Verão, chegam as idas frequentes à praia ou à piscina. A campanha «Olhe Pelas Suas Costas» alerta para os...

«É importante sensibilizar toda a população para os riscos associados aos mergulhos durante a época balnear, ainda que estas situações sejam mais frequentes na população mais jovem. Um mergulho mal executado ou em locais onde a profundidade da água não é suficiente pode significar uma lesão permanente na coluna com um grande impacto na qualidade de vida e é fundamental que as pessoas saibam quais as consequências potenciais destes erros», alerta Paulo Pereira, coordenador nacional da campanha.
 
E acrescenta: «Embora sejam muitas vezes desvalorizados, estes traumatismos da coluna cervical relacionados com mergulhos são a terceira causa de lesões na espinal medula, a seguir aos acidentes de viação e às quedas de grandes alturas, estas últimas mais associadas a acidentes de trabalho.»
 
De acordo com o neurocirurgião Paulo Pereira: «Todos os anos surge um número elevado de internamentos de jovens, na sua maioria do sexo masculino, vítimas de acidentes de mergulho em águas rasas. Estes são tipicamente aqueles mergulhos em que a vítima corre até à água do mar, mergulha e bate com a cabeça na areia ou numa rocha que estava encoberta sob a superfície da água, provocando um traumatismo da coluna cervical que pode ter como desfecho uma paraplegia ou tetraplegia.»
 
«As pessoas ficam parcial ou totalmente dependentes para o resto da vida e os jovens devem estar conscientes destes riscos, sabendo ainda que, em casos mais graves, este tipo de acidentes pode mesmo ter como desfecho a morte da vítima», conclui.

Sobre a campanha Olhe Pelas Suas Costas
A campanha Olhe pelas Suas Costas visa sensibilizar a população em geral para as dores nas costas, alertar para as suas consequências na vida pessoal e profissional dos portugueses, e educar sobre as formas de prevenção e tratamento existentes. A campanha conta com o apoio científico da Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral, da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, da Sociedade Portuguesa de Neurocirurgia, da Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação e da Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia.

Protocolo
A Câmara de Vila Nova de Gaia vai atribuir benefícios às mulheres grávidas acompanhadas nas instituições públicas de saúde do...

Através de um protocolo com o Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/Espinho, a autarquia vai lançar o “Cartão da Grávida” e o “Cartão do Bebé” permitindo aos seus utilizadores o acesso, de forma vantajosa, a produtos, serviços e bens, disse hoje o presidente do município, Eduardo Vítor Rodrigues, no final da reunião do executivo.

O autarca explicou que os portadores destes cartões terão reduções de preços na utilização de equipamentos municipais, nas visitas ao Parque Biológico de Gaia e na realização de compras em lojas aderentes.

O “Cartão da Grávida” e o “Cartão do Bebé” deverão entrar em vigor a 01 de janeiro de 2017.

O objetivo desta iniciativa é valorizar o Centro Materno Infantil de Vila Nova de Gaia/Espinho porque tem um nível enorme de consultas em saúde materna e um grande acompanhamento de mulheres grávidas, mas depois os partos são feitos fora do concelho.

“Há esta discrepância. Há um investimento ao longo de nove meses, mas depois contabilisticamente as crianças vão nascer fora do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho”, salientou Eduardo Vítor Rodrigues.

Além disso, o autarca realçou que esta iniciativa pretende ainda estimular e potenciar a procura de vigilância e acompanhamento médico da gravidez para que os cuidados de saúde pré-natais cheguem a um maior número de mulheres, contribuindo para a prevenção na doença da grávida e do nascituro.

ONU
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, apelou hoje à comunidade internacional que atue de forma rápida para acabar com a sida...

“Como comunidade global, devemos atuar de forma rápida e decidida para alcançar os objetivos que nos ajudem a pôr fim a esta epidemia”, disse Ban Ki-moon durante a inauguração da conferência internacional sobre a sida que se celebra na cidade sul-africana de Durban.

Até à próxima sexta-feira, mais de 18.000 líderes, cientistas, ativistas e profissionais de saúde vão participar neste fórum para definir as estratégias que permitam acabar com a sida até 2030, um dos objetivos da agenda para o desenvolvimento promovida pela ONU.

O secretário-geral afirmou que é necessário estender o acesso ao tratamento, já que apesar dos progressos significativos alcançados até ao momento, mais de metade dos afetados pelo Hiv/sida ainda não têm acesso a eles.

Isto acontece porque as novas ferramentas de prevenção do Hiv/sida ficam fora do alcance da maioria dos que precisam, segundo um comunicado divulgado pela organização.

A atriz sul-africana, Charlize Theron, que também participou na cerimónia, falou sobre o impacto da doença, especialmente entre os adolescentes, uma geração “a que não se tem dado atenção”.

Segundo dados da ONU, em todo o mundo, no ano passado 29 adolescentes, entre os 15 e os 19 anos de idade, eram infetados a cada hora pelo vírus da sida.

Cerca de 65% dos novos infetados em todo o mundo são menores do sexo feminino. Só na África subsaariana, onde se concentra cerca de 70% de toda a população mundial seropositiva, três em cada quatro novos adolescentes infetados são raparigas.

Pelo seu lado, o presidente da Sociedade Internacional da Sida (SIS), Chris Beyrer, insistiu que para poder combater a sida em todas as partes do mundo, “é necessário garantir que cada ação que se tome seja baseada na ciência, respeite os direitos humanos e se financie na sua totalidade”.

“Se não tomamos decisões estratégicas corretas, corremos o risco de retroceder nos avanços alcançados com tanto esforço. Isso seria equivalente a uma derrota”, alertou.

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