Falsas urgências
No ano passado os hospitais do SNS realizaram 6,4 milhões de urgências, o valor mais alto desde 2012. O problema maior é que 40...

Desde 2013 que a percentagem de falsas urgências se mantém estável, a rondar os 40%. O retrato está visível nos dados disponíveis no site da Administração Central do Sistema de Saúde, que mostra igualmente que é na região de Lisboa e Vale do Tejo que esta realidade tem mais peso. Nos últimos anos o peso das falsas urgências nesta região tem estado sempre acima dos 45%, quando as restantes dificilmente chegam aos 40%.

As prioridades no atendimento da urgência são feitos com base na triagem de Manchester, escreve o Diário de Notícias. Aos casos considerados urgentes, que precisam de cuidados hospitalares são atribuídas pulseiras vermelha (emergente, que deve ser atendido de imediato), laranja (muito urgente, com um tempo máximo de espera até 10 minutos) e amarela (urgente, com atendimento até 60 minutos). As pulseiras verdes são considerados pouco urgentes, em que o atendimento deve ser feito até 120 minutos, e as azuis não urgentes, que podem esperar até 240 minutos. As pulseiras brancas são dadas por razões administrativas, por exemplo alguém que tem um exame marcado e que dá entrada para o fazer através da urgência.

Razões culturais
Entre as várias razões que levam os casos menos urgentes aos hospitais estão também motivos culturais, afirma Rui Nogueira, presidente da Associação dos Médicos de Família: "A sobreutilização das urgências é também um problema cultural que não se resolve de um dia para o outro. Ainda temos pessoas que pensam que recorrer ao médico é ir às urgências." Miguel Guimarães, bastonário dos médicos, lembra um inquérito feito há seis anos pela secção norte da Ordem a 200 a 300 utilizadores, sobre os fatores que as levaram às urgências. "Apesar de saberem que teriam de esperar mais tempo para serem atendidos, sabiam que eram vistos por um médico da especialidade e que fariam exames".

Região de Lisboa
Em 2015, mais de 44 mil doentes da região de Lisboa foram mais de quatro vezes às urgências hospitalares. Os utilizadores...

O retrato preliminar da região está traçado. Em 2015, cerca de 45% das urgências foram pulseiras verdes, azuis e brancas (falsas urgências) e 44 283 utilizadores (4,5%), de um universo de 988 mil, foram mais de quatro vezes a este serviço hospitalar, o que os torna utilizadores frequentes. Ainda não é possível apurar por quantos episódios de urgência foram responsáveis e qual a percentagem que justificaria ou não a ida ao hospital.

Nesse ano, segundo dados da Administração Central do Sistema de Saúde, os hospitais de Lisboa e Vale do Tejo realizaram 2,2 milhões de urgências. Esta é a segunda maior região de saúde do país, com 3,6 milhões de utentes inscritos nos centros de saúde. Tem 15 agrupamentos de centros de saúde e 21 hospitais, é uma das que mais falta tem de médicos de família e a que nos últimos anos tem registado a percentagem mais alta de falsas urgências.

"A população está a envelhecer e é essa a população mais debilitada, que geralmente fica internada, com mais doenças. Ainda somos a região mais carenciada de médicos de família, embora estejamos a melhorar substancialmente. No ano passado contratámos 140 médicos de família e 80 clínicos reformados, o que permitiu aumentar a cobertura para que não existam falhas. Quem precisar, tem um médico para lhe prestar assistência nos cuidados de saúde primários", diz ao Diário de Notícias Rosa Matos, presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT).

Cerca de um terço dos utilizadores frequentes tem mais de 70 anos. Os principais motivos que os levaram às urgências foram situações de descompensação de doença cardiovascular, respiratória, psiquiátrica, neurológica e do âmbito do apoio social. "Muitos dos nossos idosos vivem sozinhos, esquecem-se de fazer a medicação, outros desconhecem o que têm de fazer. Há também a questão económica, em que não têm dinheiro para levar todos os medicamentos. Pode haver situações em que o doente não tem o seguimento que deveria no centro de saúde, que espero que seja uma percentagem mínima. É um conjunto de fatores que pode levar à descompensação", refere.

Quanto aos casos de cariz social, Rosa Matos lembra que é um reflexo da solidão. "A noite é terrível e mesmo não tendo um problema de saúde, as pessoas precisam de apoio e procuram carinho. Qual o sítio que está aberto 24 horas por dia e é quente? Temos de fazer a ligação entre a saúde e os serviços sociais, paróquias, autarquias", diz.

A ARSLVT já está a analisar os números de 2016, de modo a ter um retrato global continuado, ao mesmo tempo que, com os dados de 2015, está a estudar o perfil de utilizadores de cada um dos hospitais da região. "As populações de cada zona são diferentes e posso ter características diferentes que precisem de respostas direcionadas."

Para já, têm o perfil de um grande hospital que mostrou que 4,4% são utilizadores frequentes e que realizaram 16% das urgências. Em média foram 5,4 vezes a este serviço e fizeram 6,5 consultas no centro de saúde no mesmo período e 84% tem médico de família atribuído. "O que vemos neste caso é que os grandes utilizadores das urgências são também grandes consumidores de cuidados de saúde primários e têm assistência. É este grupo que temos de trabalhar", diz.

Estão já a ser implementadas medidas como o reforço da articulação entre as equipas dos hospitais e as dos centros de saúde, reforçar a comunicação interna entre os médicos com envio diário de informação por parte das urgências aos centros de saúde, dados sobre quem foi internado, quem terá altas nas 72 horas seguintes e que cuidados vai precisar. A aposta passa também pela ligação mais próxima com serviços sociais e instituições de solidariedade, lares, autarquias e rede de cuidados continuados e ainda formação dos utentes para que saibam lidar melhor com a sua doença. "Este é um trabalho conjunto que já está a ser feito, primeiro nas zonas onde a situação é mais prioritária", explica.

Mudanças são precisas
Os motivos de descompensação podem ser vários, diz Miguel Guimarães, bastonário dos médicos, desde faltar às consultas ou não fazer a medicação: "Não tem que ver com os médicos de família. Um dos grandes problemas é que a estrutura familiar é mais pequena, mais fraca". A Ordem tem feito várias propostas para melhorar as urgências. "Temos de ter mais médicos de família, centros de saúde abertos até mais tarde, com capacidade de pedirem exames simples. Mas mesmo isto só funciona se existir um grande programa de informação e educação para que as pessoas percebam em que situações devem ir aos centros de saúde e quais são urgências", aponta o responsável, que considera que a organização das urgências é fundamental. Uma das propostas é a criação de equipas dedicadas e maior articulação com lares e cuidados continuados.

Rui Nogueira, presidente da Associação dos Médicos de Família, explica que muitas vezes é o médico de família que encaminha o doente em descompensação para o hospital. As urgências acabam por ser a porta de entrada. "Uma consulta de especialidade prioritária tem de ter resposta em 30 dias. Para uma descompensação é muito tempo. Deveria haver um mecanismo para uma consulta rápida, em dois ou três dias", diz, sugerindo que nas grandes cidades existem urgências básicas, que permitam drenar casos que não precisam de urgências tão especializadas como as dos grandes hospitais.

Medidas implementadas em Lisboa e Vale do Tejo

Hospitais e centros de saúde mais próximos
Nas consultas de teledermatologia estão envolvidos quatro hospitais e nove agrupamentos de centros de saúde. Desde o início de 2016 é possível fazer diagnóstico precoce de cancro da pele num centro de saúde, que envia a imagem ou faz a consulta em direto com um médico especialista de um hospital. Foi também possível reduzir os tempos de espera com este método. A teledermatologia representa já 6% do total das primeiras consultas da especialidade.

Obesidade: [email protected]
Este é um projeto de identificação, prevenção e controlo da obesidade infantil no concelho das Caldas da Rainha. Os promotores do projeto são a Câmara Municipal, o agrupamento de centros de saúde Oeste Norte e a Associação nacional de Animação e Educação. A iniciativa passa por rastrear as crianças do primeiro ano do 1.º ciclo para identificar as que têm excesso de peso e obesidade e fornecer consultas especializadas de nutrição para reduzir a prevalência.

"Saúde a seu lado" em Odivelas
Este é o nome da unidade de cuidados na comunidade do agrupamento de centros de saúde Loures-Odivelas. Uma equipa multidisciplinar com áreas prioritárias de intervenção tendo em conta as características da população local. Fazem intervenção junto de pessoas dependentes e dos cuidadores, junto de grupos em risco de exclusão social, de pobreza, de violência ou de negligência, e aposta em ações para promoção da saúde.

Doença afeta cerca de 20 mil portugueses
Tratando-se de uma doença sem cura, estima-se que entre sete a 10 milhões de pessoas, em todo o mund

A doença de Parkinson, descrita pela primeira vez há 200 anos, é a segunda doença neurodegenerativa mais frequente, sendo uma causa importante de incapacidade. Além dos sintomas motores clássicos, é cada vez mais reconhecida a presença de manifestações não motoras da doença.

Os sintomas motores são a bradicinesia (movimentos lentos), rigidez e tremor. Para o diagnóstico é necessária a presença de bradicinesia e pelo menos um dos outros sintomas, tremor ou rigidez.

Os sintomas não motores são frequentes e englobam alterações cognitivas, do sono, neuropsiquiátricas, sensitivas e autonómicas.

No momento de fazer o diagnóstico, é necessário separar a doença de Parkinson do tremor essencial, uma doença frequente em que o principal sintoma é um tremor de ação.

Tem também que ser considerada a possibilidade de se tratar de uma das outras síndromes parkinsónicas mais raras e com prognóstico diferente.

O tratamento da doença tem como objetivo manter a independência e a qualidade de vida dos doentes. A doença é heterogénea, e a seleção do tratamento é individualizada, tendo em consideração a idade, os sintomas presentes e a sua severidade, a ocupação e estilo de vida, o estado cognitivo, comportamental e psiquiátrico, e as comorbilidades médicas.

Existem variadas opções de tratamento com fármacos, que são utilizadas de acordo com os sintomas motores e não motores.

É importante manter atividade física regular e a fisioterapia é útil. Com estas opções terapêuticas, a maioria dos doentes tem bom controlo dos sintomas durante bastante tempo.

Quando os sintomas motores se tornam difíceis de controlar com a medicação oral, tratamentos mais invasivos, como a administração subcutânea ou intra-intestinal de fármacos, e o tratamento cirúrgico, são úteis.

O tratamento cirúrgico mais utilizado consiste na estimulação elétrica de estruturas cerebrais, os núcleos subtalâmicos. O efeito da estimulação é semelhante ao efeito obtido com a medicação, mas com melhoria das complicações motoras, flutuações motoras e discinesias.

Os doentes com flutuações motoras alternam ao longo do mesmo dia entre períodos em que os sintomas estão bem controlados e períodos em que os sintomas reaparecem e provocam incapacidade. As discinesias correspondem a movimentos anormais involuntários que surgem nos períodos em que a medicação faz efeito, e que podem interferir com as tarefas motoras. A estimulação cerebral, ainda que não altere a progressão da doença, controla essas complicações motoras, permite reduzir a medicação, e melhora a autonomia e a qualidade de vida dos doentes.

O tratamento cirúrgico tem indicação para uma pequena parte dos doentes (10 a 20%). Devem ter menos de 70 anos, manter boa resposta à medicação, ter incapacidade provocada sobretudo pelas complicações motoras, estarem cognitivamente bem, não terem contra-indicações médicas ou neurorradiológicas, e estarem motivados.

A cirurgia tem riscos, sendo o principal o de hemorragia cerebral, que ocorre em cerca de 2% dos doentes, e pode deixar sequelas. Para os doentes com incapacidade devida às complicações motoras, que não possam ser submetidos a cirurgia por não cumprirem os critérios ou por não estarem motivados para esse tratamento, a administração subcutânea ou intra-intestinal de fármacos permite melhoria importante das complicações motoras.

Existe intensa investigação no desenvolvimento de novos fármacos para o tratamento da doença de Parkinson. Os fármacos existentes e os que estarão em breve disponíveis, têm efeito sintomático.

Existe também muita investigação sobre os mecanismos da doença e sobre formas de alterar a sua progressão, que esperamos possam vir a existir num futuro não muito distante.

 

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Inquérito revela
Ir ao ginásio e fazer marcha ou caminhada são as atividades físicas preferidas dos portugueses com 15 ou mais anos, indicam os...

Da amostra total, e quando questionados sobre o exercício físico que fazem regularmente, 11% optam pelo ginásio e 11% fazem marcha ou caminhada. Estas são as atividades preferidas dos inquiridos (amostra de 2256 pessoas), bem mais do que o futebol (4%) ou do que o uso da bicicleta ou ciclismo (3%).

Em terceiro lugar nesta lista de preferências, segundo o jornal Público, surge a corrida/atletismo (7%) e, em quarto, a hidroginástica/natação, com 4%, a par do futebol/futsal e da ginástica. A percentagem de pessoas que afirma usar a bicicleta várias vezes por semana é semelhante à que afirma dançar com regularidade.

As atividades de mar, natureza e aventura são preferidas por apenas 1% do total. A corrida, o futebol e o uso da bicicleta são atividades com grande predominância no sexo masculino, enquanto a ginástica (por exemplo, em idosos), a marcha e a dança predominam no sexo feminino.

Estudo
Investigadores da Universidade de Medicina em Shenyang estudaram a associação entre os sintomas de insónia e a incidência de...

A partir de uma meta-análise, os cientistas analisaram informações provenientes de 15 estudos com dados de 160.867 pessoas. Segundo os investigadores, foram encontradas diferenças significativas entre a dificuldade em adormecer, a dificuldade em manter o sono e o sono não reparador e o risco de doença cardíaca.

Concretamente, escreve o Sapo, foi encontrado um aumento de 27%, 11%, e 18%, respetivamente, naqueles riscos, em comparação com quem não tinha qualquer sintoma de insónia.

"Dormir é importante para a recuperação biológica e ocupa cerca de um terço da nossa vida, mas, na sociedade moderna há cada vez mais pessoas a queixarem-se de distúrbios do sono", comenta a autora principal do estudo, Qiao He, numa nota de imprensa daquela instituição de ensino.

"Estudos anteriores demonstraram que a insónia pode fazer alterar o metabolismo e a função endócrina, aumentar a ativação simpática, subir a pressão arterial e elevar os níveis citoquinas pro-inflamatórias e inflamatórias – todas são fatores de risco para a doença cardiovascular e AVC", explica ainda.

Estudo
Um estudo apresentado no congresso da Associação Americana para o Estudo do Cancro estabeleceu uma associação entre a falta de...

Para o estudo, os investigadores conduzidos por Susan Gapstur, da Sociedade Americana do Cancro, trataram dados de 823.000 homens residentes nos Estados Unidos. No início do estudo, segundo o Sapo, nenhum dos homens acompanhados tinha sido diagnosticado com cancro. No final da investigação, cerca de 10 mil morreram vítimas de tumor maligno da próstata.

Segundo os cientistas, os homens com menos de 65 anos que dormiam apenas três a cinco horas por noite apresentavam maior propensão (55%) para desenvolver cancro da próstata fatal em comparação com os que dormiam pelo menos sete horas de sono por dia.

Os homens que dormiam seis horas por noite apresentavam um risco de morte por cancro da próstata 29% maior comparativamente a quem dormia sete horas. Já os homens com 65 anos ou mais de idade não demonstraram qualquer diferença no risco de morte por cancro independentemente das horas de sono.

“Estas descobertas poderão contribuir para a evidência existente que sugere a importância de se obter um sono adequado para uma melhor saúde”, comentou a autora principal do estudo, numa nota emitida pela universidade.

A investigadora salienta ainda que a falta de sono afeta a produção de melatonina, uma hormona que regula os ciclos de sono e cuja inibição pode levar ao aumento de alterações genéticas nocivas.

Estudo
As terras frias sub-árticas, que retêm gases nocivos e bactérias adormecidas, são mais suscetíveis ao aquecimento global do que...

Um novo estudo conclui que mesmo que se estabilize o aumento da temperatura global em dois graus Celsius - o objetivo dos Acordos de Paris - cerca de 40% do permafrost pode derreter, uma estimativa acima das previsões anteriores.

O permafrost é um conjunto de camadas de gelo que retêm metano e que está situado nas latitudes altas, escreve o Sapo. O alerta é de um estudo publicado na revista "Nature Climate Change". Esse processo tanto pode demorar séculos, como pode ser intensificando pelo aquecimento global, lê-se na investigação.

Considerados a bomba-relógio das mudanças climáticas, os 15 milhões de quilómetros quadrados do hemisfério norte contêm aproximadamente o dobro de carbono - principalmente na forma de metano e dióxido de carbono (CO2) - do que a atmosfera terrestre. Atualmente, a atmosfera contém cerca de 400 partes por milhão de CO2, 30% a mais do que no século XIX.

"Calculamos que quatro milhões de quilómetros quadrados (do permafrost) desaparecerão para cada grau adicional de aquecimento", cerca de 20% a mais do as estimativas anteriores, disse à agência de notícias France Presse um dos autores do estudo, Sebastian Westermann, professor na Universidade de Oslo.

O permafrost retém vírus e bactérias que são considerados um mistério para os cientistas.

O aquecimento global causado pelo homem já aumentou em um grau Celsius a temperatura do planeta e deverá incrementá-la mais dois graus até ao final do século, caso as emissões de gases com efeito de estufa não sejam reduzidas nas próximas décadas, segundo dados da ONU.

Estudo
Um novo estudo garante que existem alguns sintomas que indicam se está a beber água demais. Afinal, parece que até a água tem o...

Hidratação excessiva: é possível? Um novo estudo garante que sim e identifica até os sinais e sintomas de quem bebe demasiada água e dos problemas que tal excesso pode causar, a começar pelos rins. A regra de beber um mínimo de dois litros de água por dia já tinha sido contestada, mas, afinal, como sabemos qual o limite de consumo de água? A resposta está na sede, explica o El País.

Os sinais estão sinalizados no estudo e indicam os sintomas que mostram quando estamos a beber demasiada água, escreve o Observador. “As pessoas que bebem menos água do que deveriam ainda é muito maior do que a população que excede o seu consumo. Porém, é curioso que nos últimos anos se tem observado que cada vez mais cresce o fenómeno de pessoas que têm um estilo de vida saudável andem com a sua garrafa para todo o lado”, explica o investigador Lluís Serra-Majem.

“Não é verdade que consumir mais água do que o recomendado ajuda a perder peso ou a melhorar a saúde. Há, no entanto, uma medida específica de litros a consumir: tudo depende de algo tão simples como a sede. Os seres humanos têm sobrevivido a partir dos primatas até agora pela sede. Porque antes bebia-se apenas quando se tinha necessidade. Agora, bebemos porque temos mais acesso à informação e pensamos constantemente no número de copos que bebemos por dia”, diz o professor Lluís Serra-Majem.

Mais, acrescenta, “de um ponto de vista tanto cardiovascular como metabólico, beber mais copos de água do que o recomendado não deveria supor um problema grave, porque o corpo filtra e elimina essa água. Não conheço nenhuma patologia para o excesso de hidratação, salvo casos graves em atletas e desportistas de elite que, se bebem em excesso, muito mais do que o corpo pode assimilar, podem sofrer fracasso cardiovascular”, conclui.

Um outro estudo da Universidade de Monash, Austrália, demonstrou que o cérebro tem um mecanismo de defesa que se ativa quando vê que está a receber mais líquidos do que aquilo que deveria. Para avaliar os dados, a equipa registava, através de uma ressonância magnética, a atividade cerebral e o esforço que implicava beber água em duas situações: com sede, depois de fazer exercício físico intenso, e sem sede, depois de ter consumido muita água.

Os resultados obtidos concluíam que, nos casos de consumo excessivo de água, criava-se uma sensação de que a garganta se estava a ‘fechar’ e custava até três vezes mais ao beber o líquido. O que acontece é que muitas pessoas não prestam atenção a este sinal de que já se está satisfeito e continuam a beber água por acreditarem que têm de beber aquela quantidade por dia.

Foi nos anos 80, segundo o El País, que se começaram a detetar casos de morte (em atletas) por excesso de hidratação, durante competições de grande duração. Esta situação é conhecida como sendo uma “hiponatremia associada ao exercício físico”. Neste caso, o excesso de hidratação provoca um desequilíbrio hidroeletrónico e aumenta a pressão no crânio, náuseas, vómitos, confusão mental e pode até mesmo chegar a convulsões, coma e morte. Se detetada a tempo, pode-se dar ao doente uma solução salina que volta a equilibrar os níveis.

Numa atualização deste mesmo estudo realizada pela universidade de Oakland, algumas conclusões pertinentes foram atualizadas. Dos 80 casos de hidratação excessiva verificados, os principais afetados foram atletas de elite, como os praticantes de triatlo, escalada, maratonas, treinos militares e até aulas de ioga.

“A minha recomendação é beber apenas quando se tem sede, nem demais nem de menos. E se pretendemos competir neste tipo de provas, devemos treinar com profissionais que nos ensinem a regular os níveis de sódio e a medir a nossa própria hidratação. Não basta ler informação na internet sobre quanta água devemos beber, porque cada corpo é diferente e, nestes casos, o acompanhamento profissional é imprescindível, porque está em jogo a própria saúde”, conclui José Antonio López Calbet, professor de Fisiologia do Exercício da Universidade das Palmas, Grande Canária.

Curso de Medicina
A Cooperativa de Ensino Superior, Politécnico e Universitário, sediada em Paredes, disse que vai apresentar uma queixa-crime...

Esta posição surge depois de António Araújo ter acusado o Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD), em Vila Real, de “dar cobertura” a um “falso” Curso de Medicina da Cooperativa de Ensino Superior, Politécnico e Universitário (CESPU).

“A CESPU lamenta que a Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos, que nunca contactou a instituição para obtenção de esclarecimentos adicionais sobre a matéria, venha publicamente, na pessoa do seu presidente António Araújo, proferir juízos falsos sobre as instituições envolvidas. Face à gravidade das afirmações proferidas, a CESPU irá agir judicialmente contra os responsáveis”, referiu em comunicado.

Para esclarecer a situação e demonstrar as “evidentes falsidades”, a instituição de ensino vai solicitar a intervenção dos ministérios da Saúde e da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

A CESPU adiantou que através dos seus estabelecimentos de ensino “nunca” submeteu à Agência de Acreditação do Ensino Superior (A3ES) um Curso de Medicina em colaboração com uma universidade espanhola como, diz, é do conhecimento das entidades competentes.

“Os licenciados em Ciências Biomédicas que continuam os seus estudos numa outra universidade, portuguesa, espanhola ou de qualquer outro país, passam a ser alunos dessa universidade. Como acontece com os licenciados de qualquer outra instituição quando ingressam num dos cursos de Medicina das universidades, portuguesas através de concurso especial para licenciados”, sustentou.

A cooperativa revelou ainda que “há muito é sabido” o seu interesse em lecionar o Mestrado Integrado em Medicina, sendo atualmente a única instituição com uma candidatura em avaliação pela A3ES.

Aos alunos do Curso de Ciências Biomédicas é-lhes proporcionado, à semelhança de outras licenciaturas, ensino em ambiente real de trabalho, dado ser uma “mais-valia”, podendo posteriormente prosseguir a sua formação em mestrados integrados, mestrados ou doutoramentos quer em Portugal, quer noutros países.

A CESPU, constituída em 1982, é uma instituição privada, sem fins lucrativos, que tutela administrativamente o Instituto Universitário de Ciências da Saúde e o Instituto Politécnico de Saúde do Norte, que integra a Escola Superior de Saúde do Vale do Ave e a Escola Superior de Saúde do Vale do Sousa.

Estudo
Um estudo da Fundação Calouste Gulbenkian conclui que o setor da saúde é "de longe" a principal área de aplicação de...

O estudo "Portugal no Centro", da Iniciativa Cidades da Calouste Gulbenkian, destaca o peso do setor de saúde quando se aborda a criação de projetos de inovação na região Centro, emergindo como a área que "reúne um maior leque de organizações que aí direcionam os seus esforços".

Os restantes setores que se destacam pela aplicação de processos de inovação são, por ordem decrescente, as máquinas industriais, a indústria agroalimentar, a construção, os transportes e logística e a energia.

No entanto, é impossível olhar para a região como uma zona que se possa organizar em torno de um só ‘cluster', disse um dos investigadores do estudo, José Manuel Félix Ribeiro, classificando o Centro como "um mosaico" com diferentes atividades económicas relevantes.

O estudo elenca como ‘megaclusters' da região a cerâmica e materiais de construção, a alimentação e bebidas, o setor automóvel e a mecânica, material elétrico e automação.

Já como ‘protoclusters' (conjunto que desempenha um papel na emergência de atividades inovadoras), surgem as indústrias e serviços de saúde, as telecomunicações, as tecnologias de informação e aplicações industriais e móveis da automação e robótica.

O estudo "Portugal no Centro", que é apresentado em Coimbra na quarta-feira, destaca também que a estrutura de inovação económica desta zona do país privilegia "as relações de maior proximidade territorial dentro da região Centro, mas que se estende para além do subsistema, sobretudo para o noroeste".

"O Centro é muito importante na articulação do país", estabelecendo "relações estreitas com o norte e com a Área Metropolitana de Lisboa, indo do litoral até à fronteira de Espanha", notou José Manuel Félix Ribeiro, sublinhando a importância da região "para a coesão territorial".

Face ao seu território extenso e assente num pequeno conjunto de "cidades médias", a região acaba por potenciar "múltiplas geometrias de relacionamento territorial".

"Aveiro liga-se a Viseu e Coimbra, e articula-se com a metrópole do Porto", Leiria relaciona-se com Coimbra, com o Oeste e Vale do Tejo, e com a metrópole de Lisboa, "Castelo Branco tende cada vez mais para o litoral e para a metrópole de Lisboa", enquanto a Guarda pende para ocidente e interliga-se com o Douro e Espanha. Viseu é uma polaridade de intermediação entre o litoral e o interior", refere o estudo.

A apresentação do estudo, editado em livro, vai decorrer na quarta-feira, a partir das 16:00, na Sala do Senado da Universidade de Coimbra, estando prevista a presença do reitor da Universidade de Coimbra, João Gabriel Silva, e do presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Artur Santos Silva.

Ordem dos Médicos
O presidente do Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos acusou hoje o centro hospitalar sediado em Vila Real de “dar...

António Araújo disse que o Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD) mantém atualmente a estagiar nos seus serviços clínicos alunos da Licenciatura de Ciências Biomédicas da Cooperativa de Ensino Superior Politécnico e Universitário (CESPU), tendo como objetivo a sua preparação para continuarem uma Licenciatura de Medicina numa universidade espanhola, o que rotula de “ilegal”.

Repudiando “por completo” esta situação, o responsável exige que as entidades competentes encerrem o Curso de Ciências Biomédicas, por “má-fé e atitude fraudulenta” da CESPU, e que o Conselho de Administração do CHTMAD denuncie “ainda hoje” o contrato de colaboração com esta instituição e proíba nas suas instalações a realização destes estágios.

“Não é admissível que a CESPU, após lhe ter sido recusado pelas instâncias competentes, por duas vezes, a pretensão de abrir um Curso de Medicina em colaboração com uma universidade espanhola, por demonstrada falta de competência e de capacidade formativa nesta área, tente manter o seu projeto de uma forma encapotada e tente contornar as decisões legais”, referiu.

António Araújo frisou que não é igualmente aceitável que o Conselho de Administração do CHTMAD tenha admitido alunos de um curso que sabia de antemão ser ilegal.

“Assim como não é admissível que o CHTMAD e o seu corpo clínico recebam alunos de um curso que não de um Mestrado Integrado em Medicina, permitindo-lhes assistir e participar em atividade assistencial, o que levanta graves questões de ética e de sigilo profissional”, vincou.

O presidente do Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos disse que estes estágios decorrem desde o mês de março, pelas informações que obteve, não podendo garantir de que o CHTMAD seja a única unidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS) a acolher estes alunos.

“Aguardo pelo esclarecimento de toda esta situação e consequente tomada de posição por parte dos ministérios implicados, de forma a que se reponha a legalidade, se puna as entidades infratoras e se evitem que situações destas aconteçam”, salientou.

Contactado, o CHTMAD e a CESPU remeteram explicações para mais tarde.

Dia Mundial da Doença de Parkinson assinala-se a 11 de abril
A Doença de Parkinson é uma doença degenerativa do sistema nervoso central, crónica e progressiva.

A Doença de Parkinson (DP) é a segunda doença neurodegenerativa mais comum, estimando-se que em Portugal existam cerca de 18 mil doentes.

A causa da doença ainda não é conhecida, mas admite-se que resulta de uma combinação de fatores ambientais e genéticos. Embora já sejam conhecidos alguns genes que favorecem o aparecimento da DP, ela não é por regra uma doença hereditária. O maior fator de risco para o aparecimento da DP é o envelhecimento. A DP costuma desenvolver-se de forma lenta e progressiva geralmente a partir dos 55 anos de idade, embora em 10% dos casos surja antes dos 40 anos. Afeta ambos os sexos e é mais frequente nos europeus e norte-americanos do que nos asiáticos ou africanos.

O diagnóstico é clínico, pela história e exame médico do doente, não existindo nenhum exame complementar definitivo. É importante que o despiste da doença seja por isso realizado por um médico neurologista especialista em doenças do movimento.

Entre os principais sinais de alerta desta doença destacam-se sintomas como o tremor em repouso (mais frequentemente num dos braços), a lentidão de movimentos, a rigidez muscular, o andar com passos curtos, a diminuição do tamanho da letra, e a dificuldade na articulação da fala. Apesar dos sintomas mais conhecidos da doença serem motores, a DP manifesta-se também através de sinais como a depressão, ansiedade e alterações no sono.

Apesar de ser uma doença sem cura, existem várias opções de tratamento que são muito potentes a melhorar as queixas dos doentes. Estes tratamentos incluem a toma de comprimidos, injecção contínua de medicamentos através de uma bomba infusora, medicamentos administrados por um penso na pele, fisioterapia e tratamento neurocirúrgico. Relativamente a esta última opção, nem todos os doentes podem ser submetidos a este tratamento. Os especialistas consideram que esta opção é adequada para os doentes que, apesar de terem uma terapêutica farmacológica optimizada, apresentam períodos do dia em que alternam entre ter o efeito da medicação (período on) e outros sem o efeito da medicação (períodos off), e em que estes os sintomas motores interferem de forma significativa com as actividades do dia-a-dia. O tratamento neurocirúrgico consiste numa cirurgia designada por estimulação cerebral profunda, que começou a ser realizada em Portugal em 2002 e que actualmente é feita em vários hospitais do país. Esta abordagem cirúrgica consiste no implante de 2 eléctrodos cerebrais ligados a um neuroestimulador, um dispositivo médico semelhante a um pacemaker. Este dispositivo envia pequenos impulsos eléctricos para as áreas do cérebro responsáveis pelo controlo do movimento. Após o procedimento, os doentes registam melhorias na ordem dos 50 a 75 por cento, o que resulta numa melhoria na qualidade de vida significativa, maior autonomia e autoestima dos doentes.

A DP é uma doença que traz grandes alterações à vida dos doentes, mas também à dos familiares e cuidadores. É fundamental procurar ajuda especializada através de uma abordagem multidisciplinar que inclua a implementação de um programa de reabilitação especializado.

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Estudo
Investigadores na Alemanha criaram um rato transgénico que poderá ajudar a identificar novas estirpes do vírus da gripe capazes...

No artigo do Journal of Experimental Medicine, os cientistas criaram através de manipulação genética um rato com uma proteína encontrada no sistema imunitário humano, a MxA.

Esta proteína é um dos obstáculos às infeções pelo vírus da gripe, e é capaz de proteger culturas de células do vírus da gripe aviária mas é ineficaz contra mutações que conseguem infetar humanos.

Os cientistas esperam que os ratos transgénicos consigam ser como uma espécie de alarme. Se algum vírus os infetar, sabe-se que se trata de um vírus com uma mutação que é capaz de vencer o sistema imunitário humano.

"O nosso rato transgénico com MxA consegue distinguir entre estirpes do vírus sensíveis à proteína e estirpes que conseguem fugir-lhe e, em consequência, têm potencial de provocar pandemias em humanos", afirmou o investigador Peter Staeheli, do Instituto de Virologia do Centro Médico da Universidade de Freiburgo.

Ministério da Saúde
Portugal vai ter o primeiro rastreio nacional de voz dirigido a artistas e outros profissionais da voz, que será promovido pelo...

O rastreio gratuito começa esta semana no Hospital Egas Moniz, em Lisboa, e a partir de maio vai estender-se pelo país e pelas regiões autónomas. A ideia é que seja feito pelo menos uma vez por ano em todos os distritos.

Através deste rastreio é possível fazer o diagnóstico precoce de várias doenças típicas dos profissionais da voz, como cantores ou atores, segundo explicou a médica Clara Capucho, fundadora da Unidade de Voz do Hospital Egas Moniz.

“O rastreio é uma forma de chamar a atenção dos cantores e dos atores portugueses para os cuidados regulares que devem ter com o seu aparelho vocal: a exigência permanente a que a voz profissional está sujeita desenvolve algumas patologias que, se não forem detetadas cedo e corrigidas, podem comprometer a prazo a qualidade do desempenho artístico”, referiu a cirurgiã otorrinolaringologista.

Clara Capucho vai deslocar-se em cada mês a duas capitais de distrito para realizar ações de rastreio a profissionais da voz mas que também serão abertos à população geral.

A nível local as autoridades regionais vão depois anunciar previamente as unidades de saúde onde serão realizados os rastreios, dando oportunidade às pessoas para se inscreverem.

Segundo Clara Capucho, a laringite crónica de refluxo é uma das doenças mais comuns entre os profissionais da voz, em quem também são frequentes as lesões que surgem por má colocação da voz.

Este primeiro rastreio da voz artística resulta de uma iniciativa da GDA (entidade que em Portugal gere os direitos de propriedade intelectual de músicos, atores e bailarinos), em parceria com o Ministério da Saúde e o Hospital Egas Moniz.

No sábado, véspera do Dia Mundial da Voz, será apresentado publicamente em Lisboa, no Teatro Nacional D. Maria II, este rastreio nacional de voz.

Esta semana haverá já rastreios gratuitos no Hospital Egas Moniz. Hoje e terça-feira os dias são dedicados a guias, intérpretes e tradutores, na quarta-feira será a vez dos fumadores e na quarta-feira será dedicado aos profissionais da voz como atores e cantores. Os rastreios repetem-se no Egas Moniz na semana seguinte.

Instituto Português do Sangue e da Transplantação
“Dê sangue. Fica-lhe bem.” Esta é a mensagem solidária da campanha de dádivas de sangue que o MAR Shopping Matosinhos e o...

Estacionada no parque exterior, junto à entrada MAR (porta giratória) estará a Unidade Móvel do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST), pronta a receber novas dádivas de sangue, que se destinam às reservas dos bancos de sangue hospitalares, que lutam por manter níveis autossustentáveis.

Este é o sexto ano consecutivo em que MAR Shopping Matosinhos e IPST se unem nesta missão, tendo, até ao final do ano passado, angariado 500 inscritos para dádivas de sangue.

Recentemente o presidente do IPST, João Paulo Almeida e Sousa, apelou às dádivas de sangue por parte da população mais jovem. Atualmente, na zona norte do país, os menores de 25 anos representam 18% dos dadores e 25% correspondem aos que possuem entre 25 e 34 anos.

“Sendo os jovens a nossa esperança futura e uma geração solidária e atenta aos problemas sociais, vão abraçar esta causa com todo o seu empenho para possibilitar que, no futuro, os avanços da medicina e da cirurgia possam ser sustentados pelas dádivas de sangue”, acredita Ofélia Alves, responsável de programação e colheitas do Centro de Sangue e Transplantação do Porto.

Direção-Geral da Saúde
Pessoas que vivem ou têm contacto sexual com doentes com hepatite A devem ser vacinadas até duas semanas após o último contacto...

As vacinas da hepatite A administradas no âmbito deste surto passam a ser gratuitas e com isenção de taxas moderadoras.

“São elegíveis para vacinação os contactos de pessoas com hepatite A (coabitantes e contatos sexuais) que deverão ser vacinados até duas semanas após a última exposição”, recomenda a Direção-Geral da Saúde (DGS).

Também são elegíveis para vacinação homens que praticam sexo anal ou oro-anal com outros homens e que se deslocam ou vivem em locais afetados pelo atual surto.

Quanto aos viajantes com destino a países endémicos para a hepatite A só são elegíveis para vacinação a título excecional, devendo o médico prescritor da vacina contactar previamente a DGS.

No caso dos homens que têm sexo anal e oro-anal com outros homens deve ser administrada uma dose única de vacina em formulação pediátrica. Mesmo quem tenham prescrição médica para a vacina de adulto devem ser vacinados com dose única da vacina pediátrica, sem necessidade de nova receita.

Em relação aos contactos próximos (que habitam ou têm relações sexuais) com doentes com hepatite A, deve ser dada dose única da vacina em formulação adequada à idade de cada pessoa.

No caso de ter sido ultrapassado o limite de duas semanas a seguir à exposição ou ao contacto com a pessoa com hepatite A, a vacina não está indicada. A DGS aconselha então os utentes a estarem vigilantes relativamente a eventuais sintomas e a reforçar medida para evitar a transmissão.

Cabe preferencialmente ao médico que identificou a infeção identificar os contactos e prescrever a vacina.

A DGS frisa que não são administradas a ninguém segundas doses de vacinas: “os cidadãos a quem tiver sido administrada uma dose da vacina contra a hepatite A no decurso da sua vida devem ser tranquilizados e informados que uma dose permite a eficácia desejada”.

É ainda recomendado aos médicos que avaliem criteriosamente a decisão de vacinar pessoas com mais de 55 anos, exceto se forem portadores de doença hepática.

Caberá a cada Administração Regional de Saúde e às secretarias regionais das Regiões Autónomas informar sobre os locais de vacinação em cada região. Os sites destas instituições e da DGS devem também divulgar esta informação.

Em Portugal, do início do ano até agora foram notificados 160 casos de hepatite A, cerca de metade dos quais foram internados. Do total de doentes, 93% são adultos jovens do sexo masculino e principalmente residentes na área de Lisboa e Vale do Tejo.

Estudo
Um estudo da Universidade George Washington, nos Estados Unidos, conclui que o consumo de adoçante pode promover a formação de...

Para o estudo, a equipa liderada por Sabyasachi Sen analisou os efeitos do adoçante artificial sucralose em células estaminais do tecido adiposo. Segundo a investigação, este tipo de adoçante é usado numa variedade ampla de alimentos, como cereais de pequeno-almoço, refrigerantes e bolos.

Em laboratório, segundo o Sapo, as células estaminais foram expostas a esta classe de adoçante durante 12 dias, numa dose equivalente à de quem consome quatro latas diárias de refrigerantes "light".

O estudo concluiu que as células estaminais expostas ao adoçante demonstravam um maior expressão dos genes indicadores de produção de gordura e inflamação.

Depois disso, foram efetuadas biópsias à gordura abdominal de oito adultos, consumires de adoçante, quatro dos quais obesos e quatro saudáveis. Os resultados foram comparados com material genético de adultos que não consumiam adoçante.

Os investigadores aperceberam-se que os adultos que consumiam adoçante evidenciavam um aumento no transporte da glicose para as células e uma expressão exagerada de genes associados à produção de gordura, sobretudo nos voluntários obesos.

Segundo os investigadores, este aumento no transporte da glicose para as células poderá ser particularmente preocupante para os adultos com pré-diabetes e diabetes. "Achamos que os adoçantes de baixas calorias promovem a formação adicional de gordura permitindo que entre mais glicose nas células, causando um processo de inflamação, o que pode ser mais nocivo para os indivíduos obesos", lê-se numa nota da Universidade George Washington.

Lançado em Matosinhos
Um projeto iniciado em 2014 no município de Matosinhos pelo Conselho Português de Ressuscitação para ensino das técnicas de...

Instituição particular de solidariedade social com sede no Porto, o Conselho Português de Ressuscitação (CPR) está a comemorar o 20.º aniversário e conta "milhares de pessoas formadas em Portugal e no estrangeiro nas áreas da reanimação".

Adelina Pereira, médica e presidente do CPR, disse que o projeto de levar o ensino de reanimação às escolas surgiu depois de em 2010 responsáveis pela instituição terem "reunido com alguns partidos com assento parlamentar e tentado sensibilizá-los, sem êxito, para que o projeto integrasse o currículo escolar".

Já em 2013/14, um projeto-piloto e autossustentável em Matosinhos, com o apoio da Câmara Municipal, Agrupamento Vertical de Escolas e dos enfermeiros de saúde escolar avançou com a formação de professores, relatou a responsável.

"A ideia, disse a responsável, “era que os professores, uma vez formados, pudessem replicar e, assim, essa prática chegar a cada vez mais pessoas, alunos incluídos, permitindo que o levassem até às próprias famílias".

Depois de Matosinhos, "seguiu-se Beja e Valongo tendo, ao todo, chegado a 113 professores, 10 enfermeiros de saúde escolar, num universo de mais de 2.000 alunos", elencou Adelina Pereira.

Este projeto decorre de outro, denominado "Salvar vidas" em cuja participação de "figuras públicas e a divulgação nas redes sociais proporcionou uma grande visibilidade daquela que é a ação do CPR", congratulou-se.

"Hoje fala-se muito mais em Portugal do Suporte Básico de Vida e de reanimação do que há seis anos", disse Adelina Pereira, sublinhando um "aumento da consciência social e cívica que permite consolidar a cadeia de sobrevivência".

A decisão de deixar de formar apenas técnicos de saúde para o levar também ao cidadão anónimo faz com que, nas escolas de formação associadas ao CPR "qualquer um possa aceder aos cursos", garantiu Adelina Pereira.

Portugal foi um dos "primeiros países a integrar o Conselho Europeu de Ressuscitação (ERC, sigla em inglês), que hoje integra 32 nações". Foi também dos países da Europa que "mais cedo criou escolas e um Conselho Nacional de Reanimação", frisou a responsável.

Seguindo "à risca e em permanência" as "linhas orientadoras e recomendações de reanimação, desde o suporte básico de vida, que querem seja uma questão de cidadania, até à reanimação para adultos em suporte avançado de vida e neonatal" emanadas da ERC, os cursos do CPR certificam a nível internacional.

"Temos a obrigação de nos mantermos atualizados e de transmitirmos às nossas escolas as novas linhas orientadoras", sublinhou Adelina Pereira dando conta de cursos de instrutores formados em Portugal ministrados "entre outros países, na Inglaterra, Bélgica, Egito, Itália e Suíça".

Auditados a cada três anos pela ERC, ao todo, em Portugal o CPR "formou 400 instrutores em Suporte Básico de Vida e mais 250 em Suporte Avançado de Vida de adultos".

"Dada a qualidade do método formativo que segue o CPR - revelou Adelina Pereira - o INEM, ainda que de modo informal, já está a adotar os mesmos modelos formativos, sendo que, formalmente, isso passará a verificar-se ainda no decorrer deste ano".

Mais justa
A Associação Nacional de Estudantes de Medicina congratulou-se com a alteração prevista na prova que os médicos fazem para...

“Queremos uma prova justa e adequada ao seu propósito: seriar os estudantes com base nos critérios mais adequados para o acesso a uma especialidade”, considera a presidente da Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM), citada num comunicado, sublinhando que “a realização de uma prova-piloto é fundamental para o sucesso da implementação do novo modelo de prova”.

No fim de semana, o jornal Público noticiou que a comissão nomeada pelo Ministério da Saúde já apresentou a proposta da nova prova, que substituirá o exame que os médicos fazem para aceder a uma especialidade, conhecido por Harrison.

A ANEM lembra a discussão pública do documento, que arranca esta semana, e diz que, em reunião com a tutela, solicitou “uma célere promoção da apresentação pública, aliada a sessões independentes em cada Escola Médica, para partilha das conclusões tecidas pela Comissão Nacional e informação da decisão tomada acerca da sua aplicação”.

O novo modelo de prova deverá ser trabalhado para que em 2018 haja um primeiro teste-piloto, mas será apenas em 2019 que o Harrison será definitivamente substituído pelo novo modelo de exame.

A ANEM recorda ainda que o Decreto de Lei n.º 86/2015 de 21 de maio indicava a aplicação de um novo modelo de prova ainda em 2018.

“É fundamental que não se deixe cair no esquecimento o trabalho desenvolvido pela Comissão Nacional responsável pela proposta do novo modelo de prova e que seja incitado o seguimento das recomendações tecidas para que o novo prazo de implementação seja cumprido”, afirma a presidente das ANEM, Ana Rita Ramalho.

“Se as conclusões apresentadas pela Comissão Nacional forem salvaguardas teremos certamente uma prova mais justa e adequada para todos os estudantes de Medicina portugueses”, acrescenta.

Segundo o Público, se a proposta que vai a discussão pública não sofrer grandes alterações, a prova passará a ter 150 perguntas com resposta de escolha múltipla, quando o Harrison contava com 100. O exame, que durava 150 minutos, passará a ser mais longo.

O Harrison focava-se apenas nas áreas da medicina interna e era um exame assente na capacidade de memorização.

A ANEM, fundada em 1983, é a representante legal dos cerca de 12.000 estudantes de medicina em Portugal.

Instituto Português do Mar e da Atmosfera
Quatro regiões da Madeira e do continente apresentam hoje risco ‘muito elevado’ de exposição à radiação ultravioleta enquanto o...

De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), as regiões do Porto Santo (Madeira), Vila Real, Bragança e Guarda estão em risco ‘Muito Elevado’ de exposição à radiação ultravioleta (UV).

As regiões de Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Viseu, Coimbra, Leiria, Castelo Branco, Santarém, Lisboa, Portalegre, Setúbal, Évora, Beja, Faro, Funchal (Madeira), Horta (ilha do Faial, Açores) apresentam risco ‘elevado’.

A exceção vai para Ponta Delgada (ilha de S. Miguel), Angra do Heroísmo (ilha Terceira) e Santa Cruz das Flores (ilha das Flores), nos Açores com risco ‘moderado’.

Para as regiões com risco 'muito elevado' e 'elevado', o Instituto recomenda o uso de óculos de sol com filtro UV, chapéu, ‘t-shirt’, guarda-sol e protetor solar, além de desaconselhar a exposição das crianças ao sol.

Os índices UV variam entre menor do que 2, em que o UV é 'Baixo', 3 a 5 ('moderado'), 6 a 7 ('elevado'), 8 a 10 ('muito elevado') e superior a 11 ('extremo').

O IPMA prevê para hoje no continente céu geralmente pouco nublado, apresentando períodos de maior nebulosidade na faixa costeira a sul do Cabo Espichel até meio da tarde.

Está também previsto vento em geral fraco do quadrante leste, temporariamente de noroeste na faixa costeira ocidental durante a tarde, soprando moderado a forte nas terras altas das regiões Centro e Sul, em especial até ao final da manhã, e no Algarve.

A previsão aponta ainda para uma pequena subida da temperatura.

Para a Madeira prevê-se céu geralmente muito nublado, períodos de chuva ou aguaceiros a partir do início da manhã e vento fraco a moderado predominando de sudoeste, soprando temporariamente moderado a forte nas terras altas.

O IPMA prevê para hoje no grupo ocidental (Flores e corvo) períodos de céu muito nublado, aguaceiros e vento norte muito fresco a forte com rajadas até 80 quilómetros por hora, tornando-se fresco.

No grupo central (Pico, Faial, Terceira, São Jorge e Graciosa) prevê-se períodos de céu muito nublado com abertas, tornando-se encoberto, chuva e aguaceiros, possibilidade de trovoadas e vento norte forte a muito forte com rajadas da ordem 110 quilómetros por hora durante a madrugada, rodando para nordeste e tornando-se moderado.

Para o grupo oriental (São Miguel e Santa Maria) prevê-se céu muito nublado, com abertas a partir da manhã, chuva durante a madrugada, passando a aguaceiros, possibilidade de trovoadas e vento noroeste moderado a fresco com rajadas até 50 quilómetros por hora rodando para nordeste e tornando-se bonançoso.

Quanto às temperaturas, em Lisboa as temperaturas vão oscilar entre 13 e 27 graus Celsius, no Porto entre 15 e 26, em Braga entre 08 e 30, em Viana do Castelo entre 11 e 29, em Viseu entre 14 e 27, em Vila Real entre 11 e 28, em Bragança entre 09 e 27, na Guarda entre 12 e 22, em Coimbra entre 12 e 29, em Castelo Branco entre 12 e 27, em Leiria entre 11 e 29, em Portalegre entre 15 e 26, em Évora entre 10 e 28, em Beja entre 11 e 27, em Santarém entre 12 e 31 e em Faro entre 14 e 24.

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