Conferência de Melbourne
Participantes na conferência internacional sobre VIH expressaram a sua indignação em relação a países com leis que estigmatizam...

Este assunto divide de forma acentuada os países ricos, contra a discriminação dos homossexuais, dos estados mais pobres, que têm adoptado legislação homofóbica.

A Prémio Nobel da Medicina e co-autora da descoberta do vírus da sida, Françoise Barré-Sinoussi chamou a atenção para uma realidade cruel em todo o mundo: “o estigma e a discriminação continuam a ser as principais barreiras para o acesso efectivo aos cuidados”.

“Precisamos de gritar bem alto que não vamos ficar parados quando os governos, violando os princípios dos direitos humanos, estabelecem leis monstruosas que apenas marginalizam as populações já vulneráveis”, declarou.

Especialistas presentes na conferência internacional avisam que se os homossexuais ou bissexuais são ameaçados com prisão ou perseguição, evitarão fazer o teste da sida ou procurar tratamento caso já estejam infectados: “esta atmosfera tóxica de silêncio e medo é um perfeito terreno fértil para a propagação do VIH”.

Os cerca de 12 mil participantes na conferência de Melbourne são convidados a assinar uma declaração que salienta que os homossexuais e transgénero “devem ter os mesmos direitos e igualdade de acesso à prevenção, assistência, informação e serviços para a sida”.

Segundo um relatório da ONUSIDA divulgado na semana passada, 79 países têm leis que criminalizam as relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo e sete deles prevêem a pena de morte.

Enquanto os direitos dos homossexuais têm aumentado nos países ocidentais, noutros estados, como em alguns africanos e na Rússia, tem-se reforçado a legislação contra a homossexualidade.

 

10% do total de concelhos
Mais de 150 mil pessoas em 30 concelhos portugueses vivem sem dentista, segundo dados oficiais da Ordem dos Médicos Dentistas,...

Os números da Ordem mostram que em 30 concelhos (10% do total) não há qualquer médico dentista registado, embora o bastonário admita que possa haver profissionais de concelhos limítrofes a dar algumas consultas nesses locais.

“São concelhos pequenos, relativamente despovoados, fundamentalmente do interior do país. São regiões que estão numa desertificação crescente e que têm dificuldade em atrair médicos dentistas e concelhos com uma população muito baixa”, especificou Orlando Monteiro da Silva.

O bastonário defende que o Estado pode e deve criar “mecanismos de estímulo” para atrair médicos dentistas a instalarem-se em “zonas com muito pouca ou mesmo sem cobertura”, lembrando que as câmaras municipais “também têm o seu papel”.

Alcoutim, Aljustrel, Alvito, Arraiolos, Barrancos, Chamusca, Corvo (Açores), Figueiró dos Vinhos, Freixo de Espada à Cinta, Gavião, Marvão, Nisa, Oleiros, Ourique, Penamacor, Viana do Alentejo ou Vila Velha de Ródão são alguns dos concelhos sem dentistas registados.

Nestes 30 concelhos, a média da população residente é de 4.864 pessoas, de acordo com os dados da Ordem relativos a 2014.

 

“Não querer saber é pior do que desconhecer”
“Hepatite: Pense de Novo” é o lema da campanha mundial do Dia Mundial das Hepatites que se assinala
Dia Mundial Hepatite

A hepatite é uma infecção no fígado e pode ser provocada por bactérias, por vírus, entre os quais estão os seis tipos diferentes de vírus da hepatite (A, B, C, D, E e G). Também o consumo de produtos tóxicos como o álcool, medicamentos e algumas plantas podem provocar hepatite.

Existem vários tipos de hepatites e a gravidade da doença é variável em função disso e também dos danos já causados ao fígado quando a infecção é descoberta. Assim, dependendo do seu tipo a hepatite pode ser curada de forma simples, apenas com repouso, ou pode exigir um tratamento mais prolongado e complicado, podendo não levar à cura completa. Apesar de em muitos casos se conseguir controlar a evolução da doença, uma hepatite pode tornar-se crónica e pode evoluir para uma lesão mais grave no fígado (cirrose) ou para o carcinoma hepático (cancro do fígado) e em função disso provocar a morte. Contudo, deste que detectadas atempadamente, as hepatites crónicas podem ser acompanhadas, controladas e mesmo curadas.

Existem ainda as hepatites auto-imunes que são no fundo uma espécie de uma perturbação do sistema imunitário, que sem que se saiba ainda porquê, desenvolvem auto-anticorpos que atacam as células do fígado, em vez de as protegerem.

Segundo dados da SOS Hepatites existem “cerca de 500 a 550 milhões de pessoas infectadas no Mundo, sendo que 1 em cada 12 pessoas no Mundo é portadora de Hepatite B e/ou C, e a maioria desconhece este facto”. Isto porque a doença é “completamente assintomática”, explica Emília Rodrigues, presidente da Associação.

Em Portugal “continuamos a não ter dados concretos de quantos infectados existem. A Organização Mundial de Saúde estima que 1,5% da população portuguesa está infectada com o vírus da hepatite C. Esta percentagem dá-nos uma média de 150 mil pessoas”, diz a presidente.

Factores de risco
O principal factor de risco para contrair a infecção é a partilha de objectos pessoais. “Corta unhas e alicates das unhas, as giletes, as escovas de dentes e todos os objectos passíveis de fazer sangue não se partilham. O sexo com preservativo sempre!”, esclarece Emilia Rodrigues.

Por outro lado, uma pessoa que:

- Esteve na Guerra do Ultramar e da Índia

- Deu ou recebeu sangue antes de 1992/1993

- Foi operado antes de 1992/1993 (mesmo em pequena cirurgia - "pontinhos")

- Foi mãe

- Fez abortos

- Tem os valores ALT, AST e Gama GT alterados,

- Consome (consumiu) drogas inaláveis/injectáveis (mesmo que só 1 vez)

- Tem (teve) múltiplos parceiros sexuais

- Faz (fez) sexo sem preservativo

- Tem tatuagens e/ou piercings

Deve procurar o médico de família e solicitar o rastreio.

O estigma ainda persiste
A hepatite é geralmente ignorada, estigmatizada e mal entendida. Apesar de mais conhecida e de a população estar mais consciencializada para a prevenção desta infecção, a hepatite ainda é uma doença tabu. Emília Rodrigues refere que, “embora hoje haja mais conhecimento o estigma continua e ainda se pode utilizar a frase da SOS Hepatites: ‘Não querer saber é pior do que desconhecer’”.

Para consciencializar e influenciar mudanças reais na prevenção da doença e no acesso ao exame e tratamento a Organização Mundial de Saúde (OMS) estabeleceu a celebração do Dia Mundial das Hepatites. Infelizmente, lamenta Emília Rodrigues, “a OMS alterou a data de celebração de 19 de Maio para 28 de Julho o que torna complicado a comemoração do Dia, uma vez que é tempo de férias”. Porém, à semelhança do que aconteceu no passado transacto a SOS Hepatites comemora o Dia Mundial das Hepatites na praia. “Hepatite: Pense de Novo” é o lema da campanha mundial de 2014. “Este ano estamos na Costa da Caparica durante todo o dia com aulas de ginástica, música, entrega de folhetos e brindes. Vamos ter também a presença de várias figuras públicas que nos apoiam neste Dia”, informa a responsável que defende a realização de “campanhas, campanhas, campanhas… a falar nas hepatites desmistificando-as e alertando a população para os meios de contágio”.

Dificuldades socioeconómicas dos doentes
O acesso à terapêutica inovadora é, neste momento, a principal dificuldade sentida pelos doentes. Emília Rodrigues conta que também têm reclamações de doentes por falta de medicação tripla e da convencional, apesar de estarem disponíveis em Portugal os mesmos tratamentos que em qualquer outro país.

Contudo, também a questão social e familiar é difícil para os doentes com hepatite C. “Temos que pensar que cada doente de hepatite tem junto a si, no mínimo, dois afectados pela doença. Os cônjuges e os filhos são quem mais sofre com toda a ‘problemática’ do portador. O desgaste psicológico da doença acrescido à falta de medicação, à progressão da doença e a degradação física do doente, deprime não só o portador mas também a família”, conta a responsável, acrescentando que “a nível social muitos dos portadores escondem a sua real situação com medo do desemprego, do afastamento dos amigos, e algumas vezes da própria família”.

SOS Hepatites
A SOS Hepatites desenvolve ao longo do ano várias acções de sensibilização junto das escolas, Juntas de Freguesia, Santas Casa da Misericórdia. Realiza Workshops, está presente em reuniões científicas nacionais e internacionais e realiza anualmente um Congresso. Assinala o Dia Mundial das Hepatites e enquanto membro da European Liver Patients Association (ELPA) e da World Hepatitis Alliance (WHA) está presente nas reuniões que estas organizações desenvolvem ao longo do ano.

Em jeito de conclusão, Emília Rodrigues deixa a mensagem: “As hepatites, embora silenciosas, podem MATAR sem que tenhamos qualquer sintoma. Vamos solicitar o rastreio junto dos nossos médicos de família e preservar a nossa saúde. Podemo-nos salvar e ajudar quem amamos”.

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico e/ou Farmacêutico.
OMS alerta
A hepatite é uma doença que mata quase tanto quanto a SIDA. Quase 1,4 milhões de pessoas morrem todos os anos por causa da...

O alerta acontece a alguns dias do Dia Mundial contra a Hepatite, celebrado a 28 de Julho. Os especialistas da Organização Mundial de Saúde afirmam que a doença, que pode causar cancro, deve ser combatida.

Um total de 1,5 milhão de pessoas morreram com SIDA em 2013.

Dos 1,4 milhões de pessoas mortas pela doença, 90% tinham contraído hepatite B e C, responsáveis por dois terços dos cancros de fígado no mundo.

“A melhor forma de prevenção contra o cancro de fígado ou contra as cirroses hepáticas é a prevenção e o tratamento da hepatite viral”, declarou o professor Samuel So, cirurgião e professor da Universidade de Stanford, na Califórnia.

“Se agirem assim, vão salvar muitas vidas e, ao mesmo tempo, economizar custos sanitários”, declarou à imprensa em Genebra.

Com este objectivo, Samuel So, acompanhado de especialistas da OMS, defendeu um reforço dos testes que detectam a doença, tendo em conta que se estima em 500 milhões o número de pessoas portadoras do vírus da hepatite.

Segundo Stefan Wiktor, encarregado do programa de luta contra a hepatite na OMS, há novos tratamentos contra a doença, com um índice de cura de 95%, o que representa uma “revolução terapêutica”.

 

Recomendações
O calor expõe os bebés e as crianças ao risco de desidratação rápida, uma vez que estes são mais sen
Calor creches jardim de infância

 

A termo-regulação é menos eficaz e a quantidade relativa de água que possuem no seu peso corporal é mais importante do que nos adultos. Por outro lado, quando as crianças precisam de satisfazer as suas necessidades hídricas, normalmente necessitam de ajuda.

 

 

Medidas gerais de prevenção

Edifício

  • Verificar o bom funcionamento e manutenção dos estores, das portadas, das janelas, do sistema de climatização ou providenciar a sua instalação;
  • Proteger as fachadas e as janelas expostas ao sol, fechando as portadas e estores, tornando as superfícies opacas ou reflectoras da luz. Como alternativa podem ser colocadas coberturas de protecção;
  • Manter as janelas e persianas fechadas sempre que a temperatura exterior for superior à temperatura interior;
  • Estudar outras possibilidades de limitar as entradas de calor dentro das salas;
  • Ao entardecer, quando a temperatura no exterior for inferior àquela que se verifica no interior do edifício, provocar correntes de ar, mas tendo em atenção os efeitos prejudiciais desta situação;
  • Privilegiar os espaços protegidos e frescos (idealmente 5ºC abaixo da temperatura ambiente);
  • Colocar termómetros nas salas para avaliar a temperatura ambiente. Se a temperatura for elevada e não existir sistema de climatização, utilizar ventoinhas e distribuir garrafas com gelo pela sala de forma a facilitar a descida da temperatura ambiente.

Alimentação e bebidas

  • Acautelar as condições de armazenamento e conservação dos alimentos (frigoríficos, arcas congeladoras);
  • Assegurar o aprovisionamento de água e gelo.

Sensibilização

  • Sensibilizar os profissionais que estão em contacto com as crianças para os problemas que poderão ocorrer numa situação de calor, identificando-os e definindo as medidas de prevenção a tomar;
  • Desenvolver medidas de sensibilização junto dos pais para os cuidados a ter com as crianças, na rua e em casa, de forma a protegê-las do excesso de calor e da radiação UV.

Medidas individuais de prevenção

Dentro do edifício

  • Se estiver calor no interior do edifício, deixar os bebés e as crianças com vestuário leve, particularmente durante o período em que estão a dormir, sem os cobrir com lençóis ou cobertores;
  • Dar banhos frequentes durante o dia com água a uma temperatura 1 ou 2ºC abaixo da temperatura corporal.

Alimentação e bebidas

  • Fazer com que as crianças e bebés bebam água regularmente para além daquela que bebem no seu regime alimentar habitual, mesmo quando não haja solicitação, evitando bebidas com elevados teores de açúcar;
  • Vigiar a qualidade da alimentação e providenciar refeições leves e frequentes (saladas, frutas e vegetais).

Na rua

  • Evitar as saídas para o exterior durante as horas de maior calor (entre as 11 e as 17 horas), particularmente se se tratar de um lactente;
  • Em caso de saída, vestir as crianças evitando partes expostas da pele, sem esquecer o chapéu e óculos de sol;
  • Utilizar de forma abundante e regular um protector solar com um índice elevado (superior a 30);
  • Quando houver lugar ao transporte de crianças, ter o cuidado de não as manter muito tempo dentro dos veículos.

Outras

No caso de crianças que possuem doenças crónicas (asma, doenças renais e cardíacas crónicas, mucoviscidose e drepanocitose), aplicar as recomendações específicas aconselhadas pelo médico assistente.

Sinais de alerta e acções a desenvolver

Os primeiros sinais de um golpe de calor incluem:

  • Febre;
  • Cor anormal da pele;
  • Sonolência ou agitação atípicas;
  • Sede intensa e/ou perda de peso;
  • Perturbações da consciência;
  • Recusa ou impossibilidade de beber.

As acções a desenvolver incluem:

  • Pôr a criança numa divisão fresca;
  • Dar-lhe imediata e regularmente líquidos, se estiver consciente;
  • Fazer baixar a febre através de um banho com água 1 ou 2ºC abaixo da temperatura corporal;
  • Contactar um médico;
  • Contactar o serviço Saúde 24- 808 24 24 24 ou o número nacional de emergência- 112.
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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico e/ou Farmacêutico.
Impacto da crise na profissão
Os números da Ordem dos Médicos Dentistas mostram que o impacto da crise económica e financeira tem vindo a aumentar. Mais de...

Actualmente há perto de mil médicos dentistas portugueses a exercer no estrangeiro, uma subida de 45% face ao que se verificava em 2008, altura em que começou a crise económico-financeira.

Mais de 65% dos médicos dentistas que exercem no estrangeiro estão em Inglaterra, sendo França o segundo destino dos médicos dentistas portugueses, com quase 9%. Quase metade dos médicos dentistas que emigrou tem entre 26 e 40 anos.

Para além dos médicos dentistas que desempenham funções a tempo inteiro no estrangeiro, há dezenas de médicos dentistas que trabalham em simultâneo em Portugal e no estrangeiro.

O bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) considera que “a actual conjuntura socioeconómica está a ter um impacto na medicina dentária nunca antes sentido pela profissão em Portugal. As dificuldades sentidas pelos médicos dentistas expressam aquilo que pode ser um retrocesso grave no acesso à medicina dentária, com consequências futuras na saúde oral e na saúde geral das populações.

Orlando Monteiro da Silva defende que “é urgente implementar mecanismos adicionais que permitam assegurar um direito humano básico, o direito de acesso da população a cuidados de medicina dentária”.

Os números da OMD mostram que em 2013 estavam inscritos na Ordem 8.147 médicos dentistas, uma subida face aos 7.779 registados em 2012.

O bastonário salienta que “nos últimos 10 anos, o número de associados da OMD tem crescido à taxa anual de 6.70% e as projecções indicam que este número continuará a aumentar até 2018, estimando-se que, daqui a quatro anos, existam 10.903 médicos dentistas a exercer em Portugal.”

Orlando Monteiro da Silva mostra-se preocupado com este crescimento, tendo em conta que “a razão população/médicos dentistas em Portugal é de um médico dentista por cada 1.296 habitantes. O rácio indicado pela Organização Mundial de Saúde para a região da Europa Ocidental é de um médico dentista por 2.000 habitantes”.

Nas 7 faculdades portuguesas há três mil alunos inscritos em medicina dentária.

Dos associados activos na OMD, 57% são mulheres e cerca de 60% dos médicos dentistas têm entre 26 e 40 anos.

Quase metade dos médicos dentistas, 48%, exerce a sua actividade nos distritos de Lisboa e Porto, existindo 30 concelhos, essencialmente no interior de Portugal Continental e nas regiões autónomas dos Açores e da Madeira, onde não existem médicos dentistas inscritos na ordem.

A OMD tem inscritos 703 médicos dentistas estrangeiros, de 37 nacionalidades, sendo que mais de metade veio do Brasil.

 

“Hiperactividade e Défice de Atenção”
O livro “Perturbação da Hiperactividade e Défice de Atenção”, escrito por uma equipa multidisciplinar de especialistas está no...

Para Ana Serrão Neto, pediatra e coordenadora da equipa responsável por esta obra e pela Unidade de Neurodesenvolvimento do Centro da Criança do Hospital CUF Descobertas, “a manutenção do livro no top de vendas desde o seu lançamento demonstra a preocupação crescente da sociedade face ao PHDA. Pais e professores estão hoje mais despertos para importância de perceber esta perturbação e conhecer as estratégias do dia-a-dia mais adequadas que possam contribuir para que os seus filhos e os seus alunos venham a ser crianças bem sucedidas e adultos realizados. Para nós, é muito estimulante sentir que estamos a contribuir para fazer a diferença na vida das crianças”.

O livro “Perturbação da Hiperactividade e Défice de Atenção”, escrito por uma equipa multidisciplinar de pediatras, neuropediatras, pedopsiquiatras, psicólogos e outros técnicos com intervenções distintas nas crianças, coordenada pela Unidade de Neurodesenvolvimento do Centro da Criança do Hospital CUF Descobertas está no Top 10 de vendas de livros em Portugal há 5 semanas consecutivas.

Esta obra, que além de contextualizar a Perturbação da Hiperactividade e Défice de Atenção (PHDA), apresenta estratégias práticas para pais e professores lidarem com as crianças que têm esta perturbação. Trata-se ainda do primeiro livro em português sobre este tema escrito por uma equipa multidisciplinar.

Apesar dos conhecimentos científicos actuais, há ainda muitas pessoas que continuam a entender as dificuldades comportamentais das crianças com PHDA como meras faltas de educação. No entanto, a PHDA atinge 5 a 8% das crianças em idade escolar, o que significa que existem mais de 80 mil casos em Portugal que devem ser devidamente acompanhados através de estratégias e procedimentos multidisciplinares.

 

Estudo publicado na revista Nutrición Hospitalaria
O exercício físico está a ser utilizado como um "remédio" para promover hábitos saudáveis
Actividade física reduz peso

É preciso avaliar a frequência adequada de actividade física necessária para cada indivíduo, e conhecer qual é a ingestão ideal de líquidos, para alcançar a máxima eficiência do exercício e assim prevenir doenças cardiovasculares e inflamatórias, bem como ajudar a perder peso. Esta indicação é dada pela revisão liderada pela professora de investigação Ascensión Marcos do Instituto de Ciência, Tecnologia dos Alimentos e Nutrição do Conselho Superior de Investigações Científicas, e publicada na revista Nutrición Hospitalaria.

Segundo é salientado nesta publicação científica, actualmente, o exercício físico está a ser utilizado como se fosse um medicamento para promover hábitos saudáveis e reduzir o risco de certas doenças, mas é necessário, tal como se faz com a medicação, ser feita uma avaliação da dose, frequência e duração para se obter a máxima eficácia.

Controvérsias para medir o nível de hidratação
Ainda hoje há controvérsias sobre qual é a ingestão necessária de líquidos (não só água, mas também refrigerantes e outros líquidos) para assegurar uma hidratação adequada, da mesma forma que não existem ferramentas capazes de medir a hidratação de uma pessoa. Como refere o artigo, é importante ter este tipo de medida para conhecer até que ponto cada pessoa não mantém uma hidratação adequada ou está em risco de desidratação e, assim, prevenir a situação de acordo com a faixa etária.

Vários estudos no campo da nutrição avaliam o nível de hidratação através de estimativas do balanço hídrico entre a ingestão e eliminação de líquidos, marcadores, tais como o plasma ou a osmolaridade urinária, assim como gamas de bioimpedância eléctrica e diluição de isótopos.

As bebidas para desportistas são uma ferramenta eficaz no fornecimento de hidratos de carbono para ajudar a manter a concentração de glicose sanguínea, repor electrólitos (para evitar a hiponatremia) e evitar a desidratação.

Recomendações
Este trabalho também inclui um decálogo de recomendações para ajudar a garantir a hidratação adequada, o que, combinado com actividade física regular, ajuda a prevenir as consequências da obesidade ou do excesso de peso.

  • Beber pelo menos 2 a 2,5 litros de líquidos por dia de forma moderada e variada (água, chá, sumos, refrigerantes, sopas ou outras bebidas).
  • Dependendo do esforço realizado e respectiva duração, o atleta deve beber uma quantidade adequada de líquidos (80-350 kcal/1.000 ml, das quais pelo menos 75% devem provir de hidratos de carbono simples, tais como a glucose).
  • Para evitar a hiponatremia, os atletas devem beber bebidas com quantidades adequadas de sódio (entre 460 e 1150 mg/litro) entre 0,6 e 1,2 litros por hora, nas actividades de longa duração.
  • A alimentação diária deve ser equilibrada por uma elevada variedade de alimentos, mas em quantidades moderadas.
    • Hidratos de Carbono: Entre 55 e 60% (dos quais 5-6% devem ser simples)
    • Gorduras: 30-35% da ingestão total. 10% de ácidos gordos monoinsaturados (principalmente através do azeite), 10% de saturados e 10% de polinsaturados.
    • Proteínas: 10-12% da ingestão total.
  • Consumo de 20 a 30 gramas de fibra por dia (incluída em legumes, cereais integrais e três porções de legumes e três de fruta).
  • Comer 4-6 refeições por dia, no momento adequado e nas quantidades adequadas.
  • Cerca de 420 minutos por semana de actividade física moderada a intensa em crianças e adolescentes, e pelo menos três dias por semana de actividade forte ou muito intensa.
  • Pelo menos 150 minutos de actividade física moderada por semana, ou 75 minutos de actividade intensa em adultos. Cada minuto conta e desempenha um papel muito importante na saúde.
  • Fazer pausas de 30 minutos quando se está sentado para evitar consequências negativas para a saúde associadas ao sedentarismo prolongado.
  • Em geral, cada pessoa deve encontrar o seu próprio balanço energético para alcançar o bem-estar e um estado saudável através de uma nutrição adequada, hidratação apropriada e actividade física para prevenir a inactividade.
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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico e/ou Farmacêutico.
Saúde segura
Imagine que foi a uma consulta médica e que, no regresso a casa, lhe começam a surgir uma série de d
Consulta médica

O que ele quis dizer com...? Devia ter mencionado....? Há efeitos secundários com este medicamento? Existem outras opções terapêuticas? Estas podem ser algumas perguntas que fará a si mesmo depois de sair de uma consulta médica. Ou porque não se sentiu à vontade para questionar o profissional de saúde, ou porque não entendeu… múltiplas dúvidas que pode evitar se preparar 10 mandamentos para consultas médicas. 10 regras simples que cada doente pode e deve ter em conta quando se trata de controlar a sua saúde.

10 mandamentos de preparação de uma boa visita ao médico

Faça o trabalho de casa
Quanto mais informação preparar antes da consulta com o seu médico, melhor. Para além de ficar melhor preparado para esclarecer eventuais dúvidas, ficará também mais confiante e no controle da situação. Investigue antecedentes médicos familiares e tente ser o mais específico possível com o médico. Pense nas respostas a perguntas tais como:

  • Que sintomas sente?
  • Com que frequência são esses sintomas?
  • Quando começaram?

Seja honesto(a)
Não se esqueça de informar o seu médico acerca dos seus hábitos de vida: se fuma ou não, se pratica exercício físico ou não, que tipo de alimentação faz… por vezes é-nos difícil admitir alguns maus hábitos que temos mas, ninguém é perfeito e, para o seu médico, esta informação pode fazer diferença e ajudar a um diagnóstico mais correcto.

Anote tudo
Prepare uma lista das perguntas que pensa fazer ao seu médico assim como de todos os medicamentos que toma ou tiver tomado, incluindo suplementos alimentares naturais ou outras vitaminas. Anote ainda todas as alergias de que padece e leve consigo os seus exames e análises. Não pense que está a pecar por excesso, o seu médico deve ser o único a decidir o que é relevante.

Vá com tempo
Tente agendar a sua consulta para um período do dia em que tenha disponibilidade e que não tenha o tempo limitado, por exemplo porque tem uma reunião. Não há nada pior para si ou para o seu médico do que não ter tempo suficiente para lidar completamente com as suas questões e preocupações.

Vá acompanhado
É normal acompanharmos um idoso ou uma criança a uma consulta médica mas um adulto, por norma, vai sozinho. Sempre que possível tente alterar este hábito e vá acompanhado. A pessoa que o acompanha pode sempre ajudá-lo com alguns esquecimentos e, se for o caso de se sentir nervoso, um amigo ou familiar pode ajudá-lo a manter a calma. Poderá ainda fazer uma interpretação mais clara do que o médico lhe disse e ajudá-lo a compreender melhor o seu diagnóstico.

Surpresa! O Seu médico é... Humano!
Os médicos, sem dúvida, pertencem a um dos sectores profissionais mais “inteligentes”, mas isso não significa que eles saibam absolutamente tudo e que, tal como o resto de nós, não tenham um dia de mau humor e muito menos que tenham resposta para todos os casos. Assim, esperar que o seu médico o oriente sobre os passos que deve dar e estar disposto a investigar ainda mais a sua condição é inteiramente razoável mas, esperar que ele seja uma base de dados médica ou que lhe dê respostas imediatas é irreal.

Você é o doente... não o médico
Estar informado sobre a sua saúde e os sintomas é bom sinal mas, dizer ao seu médico tudo sobre o seu estado tendo por base as suas pesquisas pessoais antes que ele tenha a hipótese de dizer qualquer coisa é altamente contraproducente. Não só estará perdendo tempo valioso de consulta, como também está a colocar alguma pressão indirecta sobre o seu médico. Informe-o de como se sente e deixe que ele lhe responda e o oriente.

Você é o “cliente”
Mesmo que a sua consulta seja no seu Centro de Saúde e gratuita não significa que tenha que dizer que sim a tudo, sentindo a necessidade de concordar com tudo o que o médico diz ou, dizer que entende quando realmente não percebeu e ficou cheio de incertezas e inseguranças. A sua saúde é muito importante e, como tal, não se sinta constrangido em pedir uma segunda opinião. Devendo mesmo fazê-lo até se sentir seguro e confortável.

Esteja informado sobre a medicação
Algumas das questões mais confusas que podem surgir na consulta têm ver com a medicação. Não só deve informar o seu médico sobre qualquer medicação que está a tomar, como também deve garantir que não restam dúvidas quanto á forma como deve tomar a sua medicação e também aos eventuais efeitos secundários que possam surgir com a mesma: por exemplo, se tem que fazer a toma de um medicamento de manhã deve fazê-lo antes ou depois de comer? É possível continuar a beber café? Há outros medicamentos ou suplementos que podem interferir/interagir com a sua medicação?

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Saiba as respostas
A Paralisia cerebral refere-se a um grupo de desordens no desenvolvimento do controlo motor e da pos
Mãos a segurar os pés de recém nascido

A lesão pode ocorrer no nascimento, anteriormente ou no período que se segue. Não agrava, não progride, mas causa limites na actividade.

A Paralisia Cerebral (PC) afecta aproximadamente 2 em cada 1000 indivíduos. É o problema de desenvolvimento mais comum nas crianças. A incapacidade mais visível é a motora que torna a mobilidade difícil. Frequentemente, as crianças têm problemas de marcha e/ou em usar adequadamente os braços e as mãos.

Muitas crianças com PC têm, também, outras alterações que resultam de lesão cerebral, as quais incluem, por exemplo, problemas de cognição, comunicação, percepção, atenção, concentração e/ou epilepsia.

O que é a Paralisia Cerebral?

A criança com Paralisia Cerebral tem uma perturbação do controlo da postura e movimento, em consequência de uma lesão ou anomalia cerebral que afecta o cérebro em período de desenvolvimento.

Algumas crianças têm perturbações ligeiras, quase imperceptiveis, que as tornam desajeitadas a andar, falar ou usar as mãos.

Outras são gravemente afectadas com incapacidade motora grave, impossibilidade de andar e falar, sendo dependentes nas actividades de vida diária.

Entre estes dois extremos existem os casos mais variados.

De acordo com a localização das lesões e áreas do cérebro afectadas, as manifestações podem ser diferentes.

Os tipos mais comuns são:

Espástico

Caracterizado por paralisia e aumento de tonicidade dos músculos resultante de lesões no córtex ou nas vias daí provenientes. Pode haver um lado do corpo afectado (hemiparésia), os quatro membros afectados (tetraparésia) ou os membros inferiores (diplegia).

Disquinésia

(Atetose/Coreoatetose ou Distonia) – Caracterizada por movimentos involuntários e variações na tonacidade muscular resultantes de lesões dos núcleos situados no interior dos hemisférios cerebrais (Sistema Extra-Piramidal).

Ataxia

Caracterizada por diminuição da tonicidade muscular, incoordenação dos movimentos e equilíbrio deficiente, devidos a lesão ou anomalia no cerebelo ou das vias cerebelosas.

A criança com Paralisia Cerebral pode ter inteligência normal ou até acima do normal, mas também pode ter atraso intelectual, não só devido às lesões cerebrais, mas também pela falta de experiência resultante das suas deficiências. Os esgares da face e deficiência na fala, devidos ao descontrolo dos movimentos, podem fazer aparentar um atraso mental que na realidade não existe.

Além da perturbação motora há também, muitas vezes, défices sensoriais, deficiência visuais e auditivos, dificuldades percetivas, deficiência na fala e epilepsia, o que torna o quadro mais complexo.

Quais as causas da Paralisia Cerebral?

Como o seu filho, outras crianças podem nascer com Paralisia Cerebral. Em cada 1000 bebés que nascem, 2 podem ser afectados por Paralisia Cerebral.

A Paralisia Cerebral não é, geralmente, devida a qualquer deficiência nos pais ou doença hereditária. Pode ser causada por hemorragias, deficiência na circulação cerebral ou falta de oxigénio no cérebro, traumatismo, infecções, nascimento prematuro ou icterícia grave neonatal.

Não se sabe exactamente, num grande número de casos, como e porquê foi afectada, mas sabe-se que houve uma lesão ou anomalia geralmente antes do nascimento, na altura do parto, ou após este, que é responsável pela deficiência.

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Uma equipa de investigadores do Instituto Superior de Engenharia do Porto está a desenvolver uma ferramenta de tradução...

O projecto – ‘Virtual Sign’ – passa pelo desenvolvimento de “um tradutor bidireccional de língua gestual [que] permite a tradução de Língua Gestual Portuguesa de gesto para texto e de texto para gesto”, começou por explicar à Lusa Paula Escudeiro, professora no ISEP e mentora da investigação.

Três anos depois da sua aprovação, e comparticipação de 100 mil euros pela Fundação Ciência e Tecnologia (FCT), o ‘Virtual Sign’ conta com dois dispositivos externos – uma luva com sensores e uma câmara Kinect (câmara com sensor utilizada em consolas de jogos) – que permitem identificar os gestos, movimentos corporais e faciais e “traduzi-los para texto” que é então “transmitido para um computador”.

“Na outra direcção, escrevendo um texto, por exemplo num computador, permite que um ‘avatar’ [representação gráfica de uma pessoa] identifique o texto que está a ser escrito e o transforme em gesto. É esta a tradução bidireccional”, acrescentou a investigadora.

A ideia surgiu depois de a equipa de investigadores, também professores, se terem deparado com situações em que alunos com deficiências auditivas manifestavam maiores dificuldades em acompanhar as aulas.

“Começamos a pensar um pouco nisso e surgiu-nos a ideia de criar algo que permitisse ajudar esses alunos a estarem incluídos no nosso processo de ensino”, assinalou.

Paralelamente, a equipa está também a criar “um jogo educativo que permita ensinar e aprender a língua gestual portuguesa”.

O projecto está em fase de testes, já foi experimentado em contexto de sala de aula, com resultados “muito bons”, mas a sua fase de desenvolvimento “ainda não terminou”.

Paula Escudeiro espera que a sua utilização em salas de aula arranque “mal termine o período alocado para produção” do projecto, prevendo que o mesmo suceda “mais ou menos no final deste ano”.

Para além das aulas no ISEP, os investigadores querem fazer chegar o ‘Virtual Sign” a outros contextos de formação, e até a “outros domínios do próprio dia-a-dia”, e estão também a preparar-se para concorrer a projectos de financiamento de nível internacional que permitam o alargamento a mais línguas.

A equipa, coordenada pelo ISEP, inclui também investigadores da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, da Universidade Aberta e uma profissional em Língua Gestual Portuguesa.

 

Timor-Leste
Portugal e Timor-Leste assinam protocolos de colaboração na regulamentação de medicamentos e a criação de um sistema de...

Os governos português e timorense assinaram hoje protocolos de cooperação em matérias como a regulamentação de medicamentos e a criação de um sistema de emergência médica pré-hospitalar em Timor-Leste, considerados “históricos” pelo director-geral da Saúde, Francisco George.

“Os dois países irão intensificar a cooperação já existente na área da saúde. Nesta conformidade, o ministro Paulo Macedo, aqui presente, efectuou também uma visita bilateral a Timor-Leste, e acabámos de assinar diversos instrumentos jurídicos com esse fim”, declarou o chefe do executivo português, Pedro Passos Coelho, à comunicação social, em Díli, no final de um encontro com o primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão.

Francisco George considerou que os protocolos hoje assinados são “históricos nas relações de cooperação no domínio da saúde” entre os dois países, e adiantou que este reforço de cooperação “foi solicitado por Timor”.

 

Investigadores da Universidade do Minho
Uma equipa de investigadores da Universidade do Minho demonstrou, numa experiência com ratinhos, a razão para alterações...

Investigadores da Universidade do Minho demonstraram, numa experiência com ratinhos, que a morte dos astrócitos, células do cérebro que comunicam com os neurónios, pode justificar alterações comportamentais típicas de doenças mentais como a depressão ou a esquizofrenia.

“Se afectarmos os astrócitos, os neurónios serão afectados também por consequência”, disse João Oliveira, coordenador da equipa, do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e da Saúde, da Universidade do Minho.

Segundo o investigador, o estudo introduziu “um novo jogador”, os astrócitos, para explicar alterações de comportamento que habitualmente ocorrem em doentes mentais, uma vez que era do conhecimento que nestes “há danos” nos neurónios - outras células do sistema nervoso.

O que é?
A endocardite infecciosa é uma infecção do endocárdio e das válvulas do coração.
Endocardite infecciosa

As bactérias (ou, menos frequentemente, os fungos) que penetram na corrente sanguínea ou que, raramente, contaminam o coração durante uma operação de coração aberto podem alojar-se nas válvulas do coração e infectar o endocárdio. As válvulas anómalas ou lesionadas são mais propensas à infecção, mas as normais podem ser infectadas por algumas bactérias agressivas, sobretudo quando chegam em grandes quantidades. As acumulações de bactérias e de coágulos nas válvulas (o que se denomina de vegetações) podem desprender-se e chegar aos órgãos vitais, onde podem bloquear o fluxo de sangue arterial. Estas obstruções são muito graves, pois podem causar um icto, um enfarte do miocárdio, uma infecção e lesões na zona onde se situem.

A endocardite infecciosa pode aparecer repentinamente e chegar a ser mortal em poucos dias (endocardite infecciosa aguda) ou pode desenvolver-se gradualmente e de forma quase despercebida ao longo de semanas ou de vários meses (endocardite infecciosa subaguda).

Causas
Embora não haja normalmente bactérias no sangue, uma ferida na pele, no interior da boca ou nas gengivas (inclusive uma ferida provocada por uma actividade normal como mastigar ou escovar os dentes) permite a uma pequena quantidade de bactérias penetrar na corrente sanguínea.

A gengivite (infecção e inflamação das gengivas), pequenas infecções da pele e infecções em qualquer parte do organismo permitem às bactérias entrar na corrente sanguínea, aumentando o risco de endocardite.

Certos procedimentos cirúrgicos, dentários e médicos também podem introduzir bactérias na circulação sanguínea; por exemplo, o uso de cateteres intravenosos para administrar líquidos, nutrientes ou medicamentos, uma citoscopia (colocação de um tubo para ver o interior da bexiga) ou uma colonoscopia (introdução de um tubo para ver o interior do intestino grosso).

Em pessoas com as válvulas do coração normais, não se verifica qualquer contratempo e os glóbulos brancos destroem estas bactérias. As válvulas lesionadas, no entanto, podem fixar as bactérias, que se alojam no endocárdio e começam a multiplicar-se. Em algumas ocasiões, durante a mudança de uma válvula do coração por uma artificial (protésica) podem introduzir-se bactérias, que costumam ser resistentes aos antibióticos. Os doentes com um defeito congénito ou com alguma anomalia que permite ao sangue passar de um lado para o outro do coração (por exemplo, de um ventrículo para o outro) têm também um maior risco de desenvolver uma endocardite.

A presença de algumas bactérias no sangue (bacteriemia) pode não causar sintomas de imediato, mas pode converter-se numa septicemia, isto é, uma infecção grave no sangue que, geralmente, produz febre, arrepios, tremores e diminuição da pressão arterial. Uma pessoa com uma septicemia tem um elevado risco de desenvolver uma endocardite.

As bactérias que provocam a endocardite bacteriana aguda são, por vezes, suficientemente agressivas para infectar as válvulas normais do coração; as que provocam a endocardite bacteriana subaguda infectam quase sempre as válvulas anormais ou lesionadas. Pôde-se constatar que os casos de endocardite se apresentam normalmente em pessoas com defeitos congénitos das cavidades do coração e das válvulas, em pessoas com válvulas artificiais e em pessoas mais velhas com válvulas lesionadas por uma febre reumática na infância ou com anormalidades da válvula devido à idade. Os que se injectam com drogas correm um risco elevado de endocardite porque muitas vezes injectam bactérias directamente na circulação sanguínea através das agulhas, das seringas ou das soluções de drogas contaminadas.

Nos toxicodependentes e nas pessoas que desenvolvem endocardite pelo uso prolongado de um cateter, a válvula de entrada para o ventrículo direito (a válvula tricúspide) é a que se infecta mais frequentemente. Nos outros casos de endocardite, as que resultam infectadas são a válvula de entrada para o ventrículo esquerdo (a válvula mitral) ou a válvula de saída do dito ventrículo (a válvula aórtica).

Numa pessoa com uma válvula artificial, o risco de sofrer uma endocardite infecciosa é maior durante o primeiro ano posterior à substituição; depois deste período, o risco diminui, mas permanece maior que o normal. Por razões desconhecidas, o risco é sempre maior com uma válvula artificial aórtica do que com uma mitral e com uma válvula mecânica mais do que com uma válvula de origem porcina.

Sintomas
A endocardite bacteriana aguda costuma começar repentinamente com febre elevada (39ºC a 40ºC), frequência cardíaca acelerada, cansaço e lesões rápidas e extensas das válvulas. Os fragmentos das vegetações que se desprendem (êmbolos) podem alcançar outras áreas e espalhar a infecção. Pode desenvolver-se pus (abcesso) na base da válvula infectada ou nos pontos onde os êmbolos colidem.

As válvulas podem furar-se e em poucos dias podem verificar-se grandes perdas de sangue pelas mesmas. Em alguns casos, verifica-se choque e os rins e outros órgãos deixam de funcionar (uma afecção denominada síndroma do choque séptico). Finalmente, as infecções arteriais debilitam as paredes dos vasos sanguíneos e provocam a sua ruptura. Isso pode ser mortal, sobretudo, se se produzir no cérebro ou próximo do coração.

A endocardite bacteriana subaguda pode produzir sintomas durante meses antes de as lesões da válvula ou de uma embolia permitirem efectuar um diagnóstico claro.

Os sintomas são cansaço, febre ligeira (37,5ºC a 38,5ºC), perda de peso, suores e diminuição do número dos glóbulos vermelhos (anemia). Suspeita-se de endocardite, numa pessoa com febre sem evidência clara de infecção, se ela apresenta um sopro no coração ou se um sopro existente mudou de características. Pode palpar-se o baço aumentado. Podem aparecer manchas na pele muito pequenas que parecem sardas diminutas; é possível também observá-las no branco dos olhos ou por baixo das unhas dos dedos das mãos. Estas manchas são áreas de minúsculos derrames de sangue provocados por pequenos êmbolos que se desprenderam das válvulas do coração.

Os êmbolos maiores podem causar dores no estômago, obstrução repentina de uma artéria de um braço ou de uma perna, enfarte do miocárdio ou um icto.

Outros sintomas de endocardite bacteriana aguda e subaguda são arrepios, dores articulares, palidez, batimentos cardíacos rápidos, nódulos subcutâneos dolorosos, confusão e presença de sangue na urina.

A endocardite de uma válvula artificial pode ser aguda ou subaguda. Comparada com uma infecção de uma válvula natural, é mais provável que a infecção de uma válvula artificial se propague para o músculo cardíaco da base da válvula e que esta se desprenda. Neste caso, é necessário proceder a uma intervenção cirúrgica urgente para substituir a válvula porque a insuficiência cardíaca devida à perda de sangue através da válvula pode ser mortal. Por outro lado, é também possível que se interrompa o sistema de condução eléctrica do coração, o que provocará uma diminuição da frequência dos batimentos, que poderá causar uma perda de consciência súbita ou inclusive a morte.

Diagnóstico
Quando se suspeita de uma endocardite bacteriana aguda, deve hospitalizar-se o doente para diagnóstico e tratamento. Dado que os sintomas da endocardite bacteriana subaguda são no princípio muito vagos, a infecção pode lesionar as válvulas do coração ou disseminar-se para outros lugares antes de ser diagnosticada. Uma endocardite subaguda não tratada é tão perigosa como a aguda.

Pode suspeitar-se do diagnóstico a partir dos sintomas, sobretudo quando estes aparecem em alguém com predisposição para esta doença. O ecocardiograma, que se baseia na reflexão dos ultra-sons para criar imagens do coração, pode identificar as vegetações das válvulas e as lesões produzidas. Para identificar a bactéria que provoca a doença, colhem-se amostras de sangue para efectuar uma cultura. Dado que a libertação de bactérias para o sangue em quantidade suficiente para que sejam identificadas só ocorre de forma intermitente, colhem-se três ou mais amostras de sangue em momentos diferentes para aumentar a possibilidade de que pelo menos uma delas contenha bactérias suficientes para que cresçam nas culturas em laboratório. No mesmo processo laboratorial, experimentam-se vários antibióticos para escolher o mais eficaz contra a bactéria específica.

Por vezes, não é possível isolar qualquer germe a partir de uma amostra de sangue.

A razão prende-se com o facto de serem necessárias técnicas especiais para cultivar determinadas bactérias ou de o doente ter recebido anteriormente antibióticos que não curaram a infecção mas que reduziram suficientemente a quantidade de bactérias ao ponto de esconderem a sua presença. Há ainda outra possibilidade: a de não se tratar de uma endocardite, mas de outras doenças com sintomas semelhantes, como é o caso de um tumor.

Prevenção e tratamento
Aos doentes com anomalias das válvulas do coração, com válvulas artificiais ou com defeitos congénitos, são-lhes administrados antibióticos a título preventivo antes de procedimentos dentários ou cirúrgicos. Por isso, os dentistas e os cirurgiões devem saber se a pessoa a tratar teve algum problema valvular.

Embora o risco de aparecer uma endocardite não seja muito elevado no decurso de um procedimento cirúrgico e os antibióticos administrados de forma preventiva nem sempre sejam eficazes, as consequências são tão graves que, geralmente, o médico recomenda a administração de antibióticos, como medida de precaução, antes da aplicação daqueles procedimentos.

O tratamento requer quase sempre a admissão num hospital porque a administração de altas doses de antibióticos endovenosos deve fazer-se, pelo menos, durante duas semanas. Os antibióticos por si só nem sempre curam uma infecção numa válvula artificial. Por isso, é preciso recorrer, por vezes, à cirurgia cardíaca, com o objectivo de reparar ou de recolocar as válvulas lesionadas e eliminar as vegetações.

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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico e/ou Farmacêutico.
Hospital de Santa Maria
O Centro Hospitalar Lisboa Norte rejeita que o serviço do Hospital de Santa Maria esteja comprometido pela falta de enfermeiros...

O presidente do conselho de administração que gere dois hospitais de Lisboa, entre eles, o de Santa Maria, afirma que não despediu quaisquer profissionais nos últimos dois anos, avançou à TSF.

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses denunciou que a falta destes profissionais está a criar o caos generalizado no maior hospital do país.

A coordenadora regional de Lisboa garantiu que, nos últimos dois anos, saíram de Santa Maria 200 enfermeiros e 200 auxiliares de acção médica. Uma situação que está a deixar o hospital à beira da ruptura.

A administração do Centro Hospitalar, de que faz parte o Hospital de Santa Maria, nega a saída dos profissionais e acrescenta que todos os contratos a prazo foram recentemente integrados.

 

Estudo da Deco sobre excesso de peso
Mais de metade dos inquiridos num estudo da Deco, relacionado com excesso de peso, estavam a fazer dieta, 92% já tinham tentado...

O estudo, que será publicado na edição de Agosto/Setembro da revista Teste Saúde, decorreu entre Setembro e Dezembro de 2013, em Portugal, na Bélgica, em Espanha, em Itália e no Brasil, e envolveu 11.616 pessoas (1.799 em Portugal), com idades entre os 18 e os 64 anos, 54% das quais se encontravam a fazer dieta, no período em que decorreu o inquérito.

O coordenador do estudo, Osvaldo Santos, explicou que se trata de “uma repetição” de um inquérito realizado em 2001 pela associação de defesa do consumidor e pretendeu aferir a qualidade de vida associada ao excesso de peso, as percepções individuais sobre o problema e as medidas escolhidas para o combater.

“A obesidade é um problema sério de saúde, é uma doença muito prevalente e nós quisemos perceber um pouco melhor o impacto do excesso de peso na perspectiva das pessoas que são afectadas por esse problema”, disse Osvaldo Santos.

O estudo verificou que, apesar de haver uma “maior percepção” do problema, houve um aumento da prevalência de excesso de peso, incluindo a obesidade, comparativamente a 2001.

Osvaldo Santos apontou que 52% dos inquiridos têm um índice de massa corporal que corresponde a excesso de peso e 12% a obesidade, mas observou que esses valores estão abaixo dos obtidos num estudo recente do Observatório Nacional de Actividade Física e do Desporto, segundo o qual 67% dos homens e 58% das mulheres têm excesso de peso.

A percepção da necessidade de perder peso aumentou nos últimos 13 anos, sobretudo nos homens. Se, em 2001, 55% dos homens sentiam a necessidade de perder os quilos a mais, actualmente são 62%, uma subida que foi mais ligeira nas mulheres.

Sobre as razões que os motivaram a perder peso, 88% disseram que foi para se sentirem melhores consigo próprios, 40% por conselho médico, 17% para melhorar a vida social, 16% para ficar em forma numa época do ano, 12% por conselho do parceiro, 10% por sugestão de familiares ou amigos e 9% para melhorar a carreira.

Apesar de 63% dos inquiridos reconhecerem ter peso a mais, apenas 28% assumem estar insatisfeitos com o corpo, sendo nas mulheres o maior desagrado com as formas, enquanto os homens se queixam sobretudo do peso.

A falta de exercício é apontada por 55% dos participantes como a principal culpada, seguida do comportamento alimentar (48%). Cerca de um quarto dos inquiridos apontam causas genéticas para o problema.

Cerca de 92% dos participantes estão a tentar ou já tentaram controlar ou perder peso, mas apenas um em cada cinco recorreu a um nutricionista.

Independentemente do método escolhido, só 14% não recuperaram os quilos perdidos.

Cerca de 30% recuperaram, 42% retomaram parte do peso perdido e 16% ganharam mais quilos do que tinham antes.

A prevalência das doenças crónicas mostrou-se maior entre os pré-obesos (43%) ou obesos (55%) do que entre os que apresentavam um peso normal (34%).

Os inquiridos com excesso de peso e obesidade também revelaram maior prevalência de problemas como ansiedade ou depressão.

O estudo sublinha que “o aumento de informação, que gerou uma maior consciencialização, não foi acompanhado da adopção de soluções práticas para resolver o problema”, defendendo que “é preciso investir junto da população na divulgação e no acesso a soluções práticas e duradouras que permitam alterar a situação a longo prazo”.

 

De origem portuguesa
Uma empresa portuguesa de biotecnologia está a investigar um novo fármaco para o pé diabético e que acaba de receber...

A solução para os casos de pé diabético resistente aos antibióticos está nas mãos da Technophage, uma empresa portuguesa de biotecnologia que está a investigar um novo fármaco para esta doença e que acaba de receber autorização dos EUA para avançar para os primeiros ensaios clínicos em humanos naquele país. O TP_102, nome de código do fármaco que recupera um tratamento que já era utilizado na Europa de Leste na década de 1950, torna-se assim no primeiro medicamento biológico português a receber luz-verde por parte do regulador norte-americano, a Food and Drug Administration (FDA), avança o jornal Público.

O director executivo da Technophage, Miguel Garcia, explicou ao Público que o medicamento inovador, que começou a ser desenvolvido em 2005 aquando do nascimento da empresa, em parceria com a farmacêutica portuguesa Tecnifar, tem como base um “cocktail de bacteriófagos”, isto é, um conjunto de vírus capazes de infectar as bactérias presentes no chamado pé diabético e que provocam úlceras que podem levar à necessidade de amputar os membros inferiores. Na categoria dos medicamentos biológicos, o TP_102 é o primeiro de origem portuguesa a chegar a esta fase de ensaios clínicos nos EUA, que até agora só tinham deixado avançar medicamentos químicos, isto é, que não têm como base matéria viva.

A prevalência da diabetes em Portugal é de cerca de 13% e estas infecções que resultam de complicações atingem quase 25% dos doentes, que ficam com um risco de amputação 15 a 30 vezes superior ao de uma pessoa sem a patologia. Todos os anos são feitas quase 1500 amputações relacionadas com o pé diabético. Apesar de nos últimos anos se ter conseguido reduzir o número de casos com a aposta nos cuidados de saúde primários, os dados mais recentes apontam para um revés: o relatório do Observatório Português dos Sistemas de Saúde destacou, no final de Junho, que houve uma inversão nas estatísticas desta doença, com os especialistas a reportarem em 2012 um aumento das amputações de membros inferiores, que cresceram 8,9% depois de estarem sempre a descer desde 2008.

Sobre o funcionamento do medicamento em investigação, Miguel Garcia adiantou que os “bacteriófagos são entidades que eliminam especificamente as bactérias”. “O nosso objectivo é combater as resistências bacterianas que existem aos antibióticos e percebemos que este produto as elimina e dá resposta a um problema médico não resolvido e que é um problema real, já que muitas infecções de pé diabético evoluem para amputação, levando mesmo por vezes à morte”, disse. O também investigador adiantou, ainda, que estes vírus “infectam directa e especificamente as bactérias hospedeiras, replicando-se dentro da própria bactéria e rebentando-a quando sai para o ambiente”. O ciclo repete-se até já não existirem bactérias.

Até agora a Technophage esteve a trabalhar nos modelos in vitro e em animais, que comprovaram a segurança e eficácia do medicamento. De tal forma que os ensaios de fase I em humanos, autorizados pela FDA, poderão ser feitos já em pessoas doentes, nas quais a solução líquida será aplicada directamente nas feridas, em vez de se ter de testar primeiro em voluntários saudáveis.

Miguel Garcia ainda não tem prazos definidos, estando a ultimar os protocolos e a ver se há necessidade de juntarem mais parceiros ao projecto que vai decorrer nos EUA por questões de protocolo. Até agora os ensaios foram em Portugal. O responsável acredita que o novo ensaio deverá contar com uma amostra de doentes “na casa das dezenas ou das centenas”. Quanto à chegada do TP_102 ao mercado, é prudente e admite que, mesmo se correr tudo dentro do previsto, não deve demorar menos de seis anos. “Por ser uma patologia não resolvida e com forte necessidade de medicação esperamos que o processo possa ser mais rápido”, explicou, adiantando que não excluem a hipótese de em fases mais avançadas venderem o produto a uma grande farmacêutica.

Por o TP_102 ser um medicamento biológico, ou seja, produzido a partir de matéria viva, Miguel Garcia já estava confiante de que seria seguro e pouco tóxico. Além disso, contou que “já foram utilizadas soluções semelhantes na Europa de Leste há algumas décadas, como a de 1950, 1960 e até 1980, mas sem o controlo do ponto de vista regulamentar pelo que os dados não podem ser usados, mas conferem uma enorme expectativa de segurança e de eficácia desta terapia como alternativa para as bactérias resistentes aos antibióticos”.

A empresa, que funciona nas instalações do Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, tem várias parcerias com a academia, mas também com outros países como a Holanda e a China. No total, a Technophage está a trabalhar em mais 11 projectos, sendo que os que estão em fases mais avançadas são na área da artrite reumatóide, osteoporose e doença de Parkinson.

 

Recomendações
No Verão, altura em que a prática de exercício no exterior é mais frequente, o aumento das temperatu
Desporto e calor

Compreender a forma como o corpo responde e se adapta à actividade física durante esses períodos é imprescindível para garantir a prática de exercício em segurança e de um modo eficaz.

A medida mais importante para prevenir lesões relacionadas com o calor consiste em manter os níveis de hidratação adequados antes, durante e depois da prática de exercício. Uma adequada ingestão de líquidos é essencial para o conforto, segurança e desempenho da actividade dos atletas.

Uma vez que existe uma grande variabilidade nas perdas de suor e nos níveis de hidratação dos indivíduos, é quase impossível determinar recomendações específicas sobre o tipo ou quantidades de líquidos que os atletas devem consumir, mas podem ser tomadas algumas medidas para que o Verão e o exercício físico possam ser apreciados de uma forma agradável e saudável.

Os indivíduos que praticam actividade física ao ar livre respiram mais rapidamente e de forma mais profunda e estão sujeitos a uma maior exposição aos poluentes atmosféricos, particularmente ao ozono e a partículas.

Desta forma, a quantidade de poluentes que atinge os pulmões aumenta consideravelmente. Assim sendo, podem surgir efeitos nefastos na saúde, principalmente ao nível do sistema respiratório, podendo agravar doenças crónicas do pulmão (como a asma) ou provocar danos permanentes neste órgão.

Medidas gerais de prevenção

1 – Aclimatizar o corpo de forma adequada
A exposição do corpo ao calor deve ser feita de forma regular para que este se adapte às mudanças de temperatura. A adaptação ao calor resultante do treino regular, em condições de temperaturas elevadas, aumenta consideravelmente a tolerância ao calor.

A adaptação ao calor leva em geral duas a três semanas a estar concluída. Durante este período é particularmente importante ter cuidado com a reidratação.

2 – Ajustar a intensidade do treino e da competição às condições ambientais
A intensidade do exercício deve ser apropriada à preparação física do indivíduo e às condições ambientais actuais. São necessários cuidados redobrados durante períodos de temperaturas extremas fora da época e em viagens para outras regiões com temperatura e humidade mais elevadas.

3 – Hora da actividade física
Os horários de treino e da competição que envolvam exercícios de intensidade moderada ou elevada devem evitar as horas mais quentes do dia e as de níveis de ozono são mais elevados (entre as 11 e as 17 horas).

Quando o atleta é forçado a competir nos períodos de maior calor deve ter um particular cuidado com a sua hidratação. Um atleta desidratado é normal que tenha aumento da temperatura corporal em repouso, de modo que a hipertermia durante o exercício ocorrerá mais cedo.

4 – Conhecer o percurso, as condições climatéricas e a qualidade do ar
O exercício físico deve ser realizado preferencialmente em percursos com sombras, evitando assim, a constante exposição directa à luz solar. É importante, também, verificar as condições climatéricas (valores de temperatura e de humidade relativa do ar) e da qualidade do ar para o dia em que se pretende praticar desporto no exterior.

Medidas individuais de prevenção

1 – Vestuário
O vestuário a utilizar durante a realização de exercício em caso de temperaturas elevadas deve ser leve e facilitar a perda de calor através dos seus principais meios: a convecção e a evaporação.

Algumas pessoas acreditam que praticar exercício com vestuário pesado é uma forma adequada de perder peso. Contudo, uma maior tolerância ao exercício conseguida pelo uso de vestuário leve é a melhor maneira de aumentar o dispêndio energético e melhorar a condição física.

Estas recomendações estendem-se ao calçado, que deve, sempre que possível, permitir a perda do calor e ter bom isolamento ao nível da sola.

2 - Bebidas
Para minimizar a desidratação, deve beber-se cerca de dois copos de água nas duas horas antes do exercício e durante todos os 15 a 20 minutos. Evitar beber mais de 2 a 3 litros de água, pois pode induzir mal-estar e, mais grave, diminuição da concentração de sódio no organismo.

Em exercícios com intensidade elevada ou com uma duração de 60 minutos ou mais, beber dois a três copos de água ou de bebidas desportivas por hora é suficiente.

Os hidratos de carbono e os electrólitos existentes nas bebidas desportivas ajudam a manter o equilíbrio hídrico e electrolítico do organismo e contribuem para melhorar o desempenho em provas desportivas de maior exigência.

Quando terminar a prática de exercício, é indispensável compensar o défice de água criado em cerca de 1,5 vezes. O controlo do peso antes e depois do exercício permite estimar o volume de água perdido.

Nestes casos, em que é necessário beber água para manter adequados níveis de hidratação, não utilizar a sede como indicador, uma vez que, quando isso acontece, provavelmente o atleta já estará desidratado.

3 - Alimentação
Comer regularmente. Embora o calor possa fazer decrescer o apetite, é importante proceder-se normalmente a refeições ligeiras cinco a seis vezes por dia. Devem incluir-se na alimentação grandes quantidades de frutas e vegetais.

4 - Medicação e outros aspectos relacionados com a saúde geral
Os atletas ou outros praticantes que estejam sobre medicação deverão procurar informação junto do seu médico sobre eventuais efeitos na termorregulação e tolerância ao calor e deverão ser ensinados a identificar precocemente os sintomas da exaustão pelo calor e insolação.

Os atletas e outros praticantes que estejam a recuperar de doença infecciosa e de síndrome febril poderão ter risco acrescido de exaustão pelo calor e insolação durante a prática de exercício físico, mesmo que já se encontrem sem febre ou outros sintomas.

5 – Protecção solar
Utilizar sempre protector solar com factor de protecção igual ou superior a 30 e renovar a sua aplicação de duas em duas horas, mesmo que os períodos de prática de exercício sejam de manhã cedo ou ao entardecer. As queimaduras solares, para além de provocarem dor e danos da pele, afectam a capacidade do corpo de arrefecer e provocam a perda de fluidos corporais.

6 – Outros
Utilizar o senso comum e não tentar realizar actividades extenuantes às quais o corpo não está habituado. Praticar exercícios com os quais se esteja familiarizado e se sinta confortável ao realizá-los.

Fazer várias pausas durante o período em que se está a fazer exercício, preferencialmente em zonas com sombra ou em locais com ar condicionado.

Sinais de alerta e acções a desenvolver

1 - Exaustão pelo calor e insolação

Os primeiros sinais provocados pelo calor incluem:

  • Grande fraqueza e/ou fadiga;
  • Tonturas, vertigens ou perturbações de consciência;
  • Cãibras musculares;
  • Pressão sanguínea baixa no final do exercício (exaustão pelo calor);
  • Temperatura corporal elevada (insolação).

Se um atleta exibir sinais de exaustão pelo calor ou insolação, devem tomar-se as seguintes medidas:

  • Remover a pessoa do local onde está a praticar exercício;
  • Deitá-la num local fresco;
  • Levantar as pernas para aumentar a pressão sanguínea;
  • Remover o excesso de roupa;
  • Arrefecer o corpo molhando a pele e ventilar de forma vigorosa (arrefecimento por evaporação);
  • Aplicar, indirectamente, elementos refrescantes (como cubos de gelo), nas virilhas, axilas e pescoço;
  • Dar água se a pessoa estiver consciente;
  • Monitorizar a temperatura corporal.

Se o atleta permanecer confuso, com vómitos ou mostrar sinais de consciência alterada, contactar de imediato um médico e proceder ao seu transporte para o hospital.

2 - Poluentes atmosféricos

Os primeiros sinais provocados por níveis de poluentes elevados são:

  • Irritação nos olhos;
  • Tosse;
  • Irritação na garganta;
  • Sensação de desconforto no peito;
  • Respiração mais rápida e profunda do que o normal;
  • Agravamento dos efeitos em indivíduos com doenças crónicas do pulmão (asma).

As acções a desenvolver em caso de sintomatologia por exposição a níveis de ozono elevados incluem:

  • Remover a pessoa do local onde está a praticar exercício;
  • Deitá-la num local fresco;
  • Remover o excesso de roupa;
  • Dar água se a pessoa estiver consciente;
  • Se a pessoa sofrer de doença crónica, como asma, deve seguir as indicações recomendadas pelo médico assistente em caso de agravamento dos efeitos sentidos;
  • Contactar um médico ou o número de emergência 112.
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As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico e/ou Farmacêutico.
Médicos Sem Fronteiras alerta
A organização humanitária Médicos Sem Fronteiras avisou hoje que os elevados preços continuam a ser a principal barreira no...

“Precisamos de melhores tratamentos de primeira linha, assim como de medicamentos de segunda linha com preços mais acessíveis para os casos em que a primeira linha não funciona”, apelou Jennifer Cohn, directora médica de uma campanha da Médicos Sem Fronteiras (MSF).

No momento em que decorre a conferência internacional sobre VIH/sida, em Melbourne, Austrália, o relatório da MSF sobre preço de medicamentos conclui que o custo dos tratamentos de primeira linha caiu ao longo do último ano.

Contudo, alguns tratamentos de segunda linha “custam mais do dobro que os de primeira linha”. Nalguns países, paga-se 12 vezes mais por estes tratamentos do que o preço mais baixo recomendado.

“Há milhões de pessoas sem acesso ao tratamento e muitas das que estão em tratamento precisam de ser transferidas para tratamentos mais recentes”, referem a organização MSF, em comunicado hoje divulgado.

Outro relatório dos Médicos Sem Fronteiras chama a atenção para as dificuldades de acesso por parte de alguns países aos testes de carga viral.

Estes testes medem a quantidade de vírus VIH no sangue e detectam precocemente problemas de adesão ao tratamento.

Segundo a MSF, países como África do Sul, Índia, Malawi, Quénia e Zimbabwe não têm sido capazes de implementar em larga escala estes testes de carga viral.

Melhor negociação do preço ou aluguer de equipamentos em vez de compra são algumas das medidas que podem ser tomadas para reduzir os custos destes testes.

De acordo com a organização humanitária, estes testes de carga viral permitem descobrir muitas pessoas nas quais os tratamentos de primeira linha não funcionam e que precisem de ser transferidos para tratamento de segunda linha.

“Assim, os preços dos medicamentos para tratamento de segunda linha tornam-se uma questão crucial”, justifica os Médicos Sem Fronteiras.

 

Em quatro regiões da Guiné-Bissau
A União Europeia é a principal financiadora de um projecto que pretende reduzir em 25% a mortalidade materno-infantil em quatro...

O Programa Integrado para a Redução da Mortalidade Materno-Infantil (Pimi) completa na quinta-feira o primeiro ano de actividade e a data vai ser assinalada com uma cerimónia pública na cidade de Canchungo, norte do país.

O objectivo é que as mulheres grávidas e as crianças com menos de cinco anos beneficiem, através do programa, de melhor acesso a cuidados de saúde básicos nas regiões de Biombo, Cacheu, Oio e Farim - abrangendo 530 mil pessoas, ou seja, cerca de um terço da população do país.

 

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