Investigadores revelam
As unidades de saúde têm tido aumento de produtividade muito à custa da redução dos tempos de consulta, ao mesmo tempo que a...

“Sabemos que os cuidados de saúde primários têm tido um processo de reforma, tem havido um aumento de produtividade, mas muitas vezes é feito à custa da redução dos tempos de consulta ou da seleção de doentes em função das suas patologias”, afirmou à agência Lusa o investigador Tiago Correia, coordenador do livro “Novos Temas de Saúde, Novas Questões Sociais” que é apresentado quinta-feira em Lisboa.

No livro do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, a reforma dos cuidados de saúde primários é encarada como tendo sido “pouco explicada, pouco divulgada e pouco ou nada participada”.

A investigadora Lurdes Teixeira assume um aumento do número de atos médicos ou de enfermagem, mas questiona se os utentes precisarão de mais consultas ou antes de mais tempo de consulta.

“Precisam, sobretudo, que independentemente do tempo de prestação do cuidado, o médico ou o enfermeiro não centre o olhar, a atenção ou a preocupação, nos registos informáticos dos indicadores e promova uma efetiva e satisfatória interação”, refere a autora.

Segundo o artigo, a relação médico e enfermeiro/doente é “cada vez mais mediada pelo computador”. Além disso, o imperativo de cumprir os indicadores da unidade de saúde pode “promover uma preferência oculta” por indicadores (ou utentes) mais facilmente alcançáveis, respondendo não à necessidade do doente mas antes à escolha do indicador que é mais produtivo.

Noutro artigo do livro lançado pelo ISCTE, da autoria de Rosemarie Andreazza, o investigador Tiago Correia considera que fica demonstrado que os utentes demonstram uma “enorme racionalidade” na forma como usam os cuidados de saúde, ao contrário do que muitas vezes é dito pelos decisores políticos quando se deparam com os atendimentos nas urgências hospitalares, por exemplo.

“Mesmo utilizando os cuidados de saúde primários, reconhecendo seu médico de família, os utentes avaliam que este é um lugar para trocar receitas, para medir a tensão e obter a licença de trabalho. Parecem não os visualizar como locais de produção de cuidado. Creditam ao hospital este papel”, refere a autora do artigo.

Rosemarie Andreazza pretende mostrar ainda que é o próprio sistema que vai empurrando os doentes nas suas escolhas: “a ação dos doentes é movida pela necessidade de encurtar tempos e diminuir com isto os processos de adoecimento, dor e sofrimento”.

Para Tiago Correia, o livro, que é lançado quinta-feira pelo ISCTE, pretende “dar visibilidade a efeitos desconhecidos em reformas prosseguidas no Serviço Nacional de Saúde nos últimos anos”, bem como tenta “decifrar os comportamentos dos cidadãos na forma como consomem e acedem aos recursos de saúde”.

Esta obra, de acordo com o próprio ISCTE, é apadrinhada pelo ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes.

Em Portugal
O primeiro transplante cardíaco em Portugal, há 30 anos, colocou no estrelato a equipa do cirurgião Queiroz e Melo, mas também...

“A comunidade médica, quase toda, apoiou maciçamente e ficou entusiasmada. A sociedade civil também, mas nem todos. Recebi ameaças de morte em casa, cartas anónimas. Durante uns 15 dias, três semanas olhava para um lado e para o outro quando saia de minha casa para ver se havia algum suspeito”, disse o cirurgião.

A propósito das três décadas da cirurgia, Queiroz e Melo, que se encontra aposentado e já não opera, recordou no Hospital de Santa Cruz, em Lisboa, os dias fantásticos que envolveram o transplante, que aconteceu nesta unidade de saúde a 18 de fevereiro de 1986, tinha ele 41 anos.

“Foi algo que no nosso país ainda é raro e que na altura era raríssimo: perceber que o progresso em medicina se faz com trabalho em equipa, não é ´one man show`, é um trabalho de grupo e não de grupos na mesma especialidade”.

Esta equipa encontrava-se no estado da arte da altura e deu aquilo que era “um passo natural no tratamento de doentes que então, como agora, são os mesmos – com insuficiência cardíaca e que não têm outro tipo de tratamento”.

A cirurgia foi realizada sob secretismo, de tal maneira que a equipa definiu um código para a identificar: Teresa Costa, nome que começa com as iniciais das palavras transplantação cardíaca.

A doente Eva Pinto foi a escolhida e recebeu o coração de um dador de Coimbra, cujo órgão chegou de helicóptero. O sucesso da operação, que durou quatro horas, foi noticiado no telejornal da meia-noite e foi dessa forma que a tutela – a ministra da Saúde era Leonor Beleza – tomou conhecimento do feito.

Deslumbrado com o pioneirismo da cirurgia estava José Neves, atual diretor do serviço de cirurgia cardiotorácica do Santa Cruz e, em 1986, um interno de 32 anos que teve “a sorte de assistir e entrar como terceiro ou quarto ajudante na primeira cirurgia de transplantação no país”.

“Era o top da cirurgia cardíaca. Toda a gente queria transplantar. Eram os deuses. O cirurgião que transplantasse tinha a vida nas mãos”, disse.

Desse dia, José Neves recorda o “deslumbramento”, mas também o facto de “tudo a acontecer ao mesmo tempo” numa “sala cheia de gente”.

José Neves fez o seu primeiro transplante cardíaco cinco ou seis anos depois e ainda hoje reconhece que este é “um ponto alto na carreira de um cirurgião”.

Para Maria José Rebocho, coordenadora de transplantação cardíaca e que foi responsável pelos doentes desde o início do projeto, recorda que foi contagiada pelo “entusiasmo” de Queiroz e Melo, que a dada altura terá afirmado: “Quem não vem comigo fica para trás”. E ela foi. Tinha 39 anos.

A médica sublinha que todo o hospital, e principalmente os doentes, beneficiou com a introdução desta técnica, pois os exames e cuidados que exigia passaram a ser aplicados a todos.

“Se o tabuleiro da comida vai tapado para os doentes transplantados, então passa a ir assim para os outros doentes também. Tudo modifica e melhora, como ao nível do controlo da infeção”.

Do dia da operação, Maria José Rebocho recorda como ponto alto o “momento emocionante” em que o coração é colocado no recetor e começa a bater de novo.

Em relação aos doentes – que durante muito tempo continuam a ser seguidos no hospital e mantêm, por isso, uma ligação longa e forte com a equipa que os operou – a médica refere que, tal como há 30 anos, acolhem bem a hipótese de serem transplantados.

“Eles querem [ser transplantados] porque percebem que é o fim da vida”, afirmou.

Queiroz e Melo tem a mesma opinião: “ Um doente que precisa de ser transplantado sente-o e não é preciso convencê-lo”.

“As pessoas sabem que vão morrer, sentem que vão morrer. Têm uma qualidade de vida péssima e, quando lhes é dada oportunidade, não hesitam”, adiantou.

O cirurgião recorda que “a doente em causa era uma senhora de fé, de grande misticismo, acreditava muito na vida. Esse foi um não problema”.

Realizado há 30 anos
O presidente da Sociedade Portuguesa de Transplantação enalteceu “o pioneirismo e a coragem” da equipa liderada pelo cirurgião...

A propósito desta efeméride, que se assinala na quinta-feira, Fernando Macário disse que Portugal tem razões para comemorar o feito.

“Comemorar 30 anos de transplantação cardíaca é uma oportunidade para mostrar a nossa admiração pelo pioneirismo e a coragem da equipa de Queiroz e Melo, numa altura em que a medicina não estava de forma nenhuma tão desenvolvida como hoje”, afirmou.

A 18 de fevereiro de 1986, no Hospital de Santa Cruz, em Carnaxide, foi transplantado pela primeira vez em Portugal um coração, na doente Eva Pinto, que viveria ainda mais dez anos.

Fernando Macário recorda “o caminho que a transplantação cardíaca fez nos últimos 30 anos e as elevadas centenas de pessoas que puderam beneficiar de um transplante cardíaco”.

“Aquele que necessita de um transplante cardíaco, se não o tiver, vai falecer”, adiantou.

O presidente da Sociedade Portuguesa de Transplantação (SPT) considera que este aniversário é igualmente uma oportunidade para celebrar “a grande qualidade com que as unidades de transplantação cardíaca estão a trabalhar em Portugal: Santa Cruz, Santa Marta, São João e o Hospital da Universidade de Coimbra”.

“Podemos celebrar o primeiro transplante que permitiu o arranque, e que foi de uma coragem enorme, e celebrar a forma como trabalham as equipas de transplantação cardíaca, permitindo dar resposta à quase total das necessidades de transplante cardíaco em Portugal”, referiu.

O ano passado, 51 pessoas receberam um coração transplantado.

Ministro da Saúde do Brasil
O Ministro da Saúde brasileiro, Marcelo Castro, disse após uma reunião com 24 representantes de países da União Europeia, que o...

"Estamos dizendo, com bastante segurança, que as Olimpíadas não terão nenhuma dificuldade para serem realizadas", afirmou.

O governante brasileiro recordou ainda que a população de 'Aedes aegypti', mosquito transmissor do vírus Zika, da Dengue e da Chikungunya, costuma ter uma forte queda no inverno, quando os atletas estarão a competir.

As autoridades brasileiras esperam que além desse fator sazonal, ações de combate ao mosquito como a mobilização nacional realizada no país no último sábado façam a população do vetor ser ainda menor durante os Jogos.

Castro também recomendou que os turistas estrangeiros adotem os mesmos cuidados de prevenção que os brasileiros, como, por exemplo, a aplicação recorrente de repelente e uso de roupas claras e compridas para cobrir grande parte do corpo.

Em Madrid
A polícia espanhola deteve o dono da cadeia de clínicas dentárias Vital Dent, assim como outros 12 altos cargos do grupo, por...

As detenções foram feitas em vários locais da Comunidade de Madrid, pela unidade da Polícia Nacional espanhola especializada em crime económico e fiscal. Entre os detidos conta-se o uruguaio Ernesto Colman, fundador e dono do grupo, assim como o responsável de operações em Itália.

"Os detidos formavam parte de um grupo organizado criado dentro da estrutura empresarial, para evitar pagar impostos. Para fugir às obrigações fiscais, o máximo responsável da empresa depositava as receitas das [clínicas] franqueadas em entidades bancárias da Suíça ou do Luxemburgo", adiantou a polícia num comunicado.

Posteriormente, parte desse capital era reinvestido em Espanha, na aquisição de imóveis, veículos de gama alta, artigos de luxo e mesmo um avião, completando assim a operação de branqueamento. A fraude terá sido feita às clínicas franqueadas.

Além das detenções, a polícia espanhola realizou 15 operações de apreensão de documentos e bens nas sedes da Vital Dent.

Na operação, batizada de "Topolino", a polícia espanhola apreendeu o avião privado, 36 carros de luxo.

A Vital Dent é uma empresa espanhola que, desde 1997, tem vindo a espalhar-se em sistema de franquia ('franquicia', 'franchising'). Conta com uma rede de mais de 350 clínicas em toda a Espanha, que também passou por Portugal.

Em fevereiro de 2012, a Ordem dos Médicos Dentistas de Portugal anunciou que iria processar as clínicas Vital Dent por publicitarem uma especialidade (implantologia), que "não existe" e atender os utentes por um comercial, sem qualquer formação clínica.

Em declarações, na altura, o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), Orlando Monteiro da Silva, afirmou ter tido conhecimento desta situação através de várias queixas de colegas.

Segundo o bastonário, eram "recorrentes as diligências disciplinares de inquérito aos dirigentes da Vital Dent", embora neste caso tenha havido um agravar da situação.

A OMD detetou duas situações ilegais: por um lado, a promoção, em folhetos comerciais, de serviços de médicos dentistas "especialistas em implantologia", que não existem, e, por outro, a introdução, nas suas clínicas, da figura comercial do chamado "assessor odontológico".

A alegada fraude agora detetada pela justiça espanhola ascenderá a vários milhões de euros e as detenções ocorreram perante o "risco de fuga" do dono da Vital Dent.

Ministro da Saúde
O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, afirmou estar a repensar e olhar para a saúde no Algarve com muita atenção,...

“Sobre o Centro Hospitalar do Algarve (CHA) nada de novo, vejo que há umas notícias que têm carater especulativo. O que vai acontecer é que a curto prazo será identificada e encontrada uma nova equipa para o centro hospitalar que fará o seu trabalho no seu espaço e tempo, tudo o resto são cenários que estão a ser estudados e que decorrem da circunstância de estarmos a repensar e a olhar para o Algarve com muita atenção, cuidado e ponderação”, disse, à margem da apresentação do novo Conselho de Administração do Centro Hospitalar de São João, no Porto.

O presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve disse hoje à agência Lusa desconhecer que esteja a ser preparada a dissolução do CHA e a criação de duas Unidades Locais de Saúde.

"A única coisa que a tutela me pediu neste momento foi para fazer um trabalho sobre os constrangimentos e as soluções em relação à saúde no Algarve", afirmou João Moura Reis, sublinhando que "nada foi orientado no sentido de dizer que haveria um novo figurino".

Contactada, fonte do Ministério da Saúde não confirmou a intenção de dissolução do CHA e a sua substituição por duas Unidades Locais de Saúde (ULS), hoje noticiada pelo jornal "Público”, limitando-se a dizer que "está em curso um estudo sobre a reorganização do Serviço Nacional de Saúde" no Algarve.

O presidente da ARS/Algarve adiantou que foi entregue ao ministro da Saúde, no início do mês, um relatório com o levantamento dos principais problemas e possíveis soluções na área dos cuidados de saúde, mas sublinhou não ter tido qualquer orientação no sentido de criação de novas entidades.

"Nada foi orientado no sentido de dizer que haveria um novo figurino em termos de criação de novas entidades ou outro tipo de circunstâncias que não fosse formar-se um novo Conselho [de Administração] para o CHA e manter aquilo que existe", declarou.

Admitindo que, no futuro, possam vir a ser analisadas "outro tipo de figuras", João Moura Reis alertou para a necessidade de qualquer reorganização do sistema de saúde no Algarve ter que ser "muito bem planeada e analisada".

A alegada extinção do CHA, criado em 2013 e que agrega os hospitais de Faro, Portimão e Lagos, suscitou uma carta aberta ao ministro da Saúde, redigida por um diretor de serviço do centro hospitalar e publicada nas redes sociais.

Segundo a missiva, assinada por Horácio Guerreiro, a avançar, esta solução "pode satisfazer as estruturas políticas dos partidos governantes", mas "empobrece a saúde na região e conduzirá à desvalorização do Algarve como entidade regional com peso político".

Universidade de Aveiro
Manequins que falam, têm batimentos cardíacos e mesmo convulsões, vão ser usados pelo Centro de Simulação Clínica da...

A primeira ação de formação, a realizar a 3 de março, é dedicada a Emergências Pediátricas, sendo um curso avançado de simulação em Pediatria, promovido conjuntamente com a Associação para a Formação Profissional e Investigação da Universidade de Aveiro (UNAVE).

O curso é dirigido a pediatras, anestesistas, médicos de medicina geral e familiar, cirurgiões pediatras, cardiologistas pediátricos, internos e enfermeiros dedicados à Pediatria, baseado na simulação de casos clínicos reais e na utilização de simuladores.

Segundo uma nota informativa da UNAVE, as situações clínicas com que os formandos vão ser confrontados durante a formação são reproduzidas em manequins neonatais e pediátricos, com capacidade de mimetizar sons respiratórios, batimentos cardíacos, cianose e convulsões, que também falam.

Na área da saúde, a UNAVE realiza também nos dias 4 e 5 uma formação sobre Segurança do Medicamento, destinada a farmacêuticos, enfermeiros, técnicos de farmácia e outros profissionais de saúde.

As duas entidades vão ainda realizar uma formação em Laparoscopia, com recurso a simuladores, nos dias 11 e 12, dedicada ao treino de procedimentos avançados em cirurgia digestiva "hands-on", dirigida a cirurgiões, que terá como formadores Novo de Matos, Leonor Manaças e José Castro.

Ministro da Saúde anuncia
O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, anunciou a criação do Conselho Nacional dos Centros Académicos de Medicina,...

“Nós estamos a trabalhar, e posso anunciar aqui, em primeira mão, com o senhor ministro da Ciência e Ensino Superior, a constituição, já em março, do Conselho Nacional dos Centros Académicos de Medicina, porque é preciso criar uma reserva natural onde a investigação, conhecimento e entrosamento entre a parte hospitalar tradicional e ensino, se formalize e concretize”, afirmou o ministro, durante a apresentação do novo Conselho de Administração do Centro Hospitalar de São João, no Porto.

O governante revelou ainda ter “desafiado” o presidente do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP), Sobrinho Simões, para chefe de equipa do Conselho Nacional dos Centros Académicos de Medicina.

Segundo Adalberto Campos Fernandes, o objetivo deste conselho é criar uma dinâmica a nível nacional, um padrão de funcionamento e incentivos ao desenvolvimento dos centros académicos.

“Em Portugal, existem quatro ou cinco centros criados, mas nós queremos que haja seis ou sete, no sentido de criar um padrão de desenvolvimento e de funcionamento que seja mais sustentado e mais sólido”, disse.

Para o ministro, a saúde em Portugal representa uma fileira muito importante, ao nível da investigação e desenvolvimento.

E realçou: “Queremos criar mecanismos para que as competências que existem ao nível da ciência, investigação, conhecimento e saúde, façam de Portugal um país que esteja na primeira linha em termos europeus”.

Questionado pelos jornalistas sobre a proposta do Orçamento do Estado, se estava ou não satisfeito com os valores apontados para o setor, Adalberto Campos Fernandes afirmou que “nunca nenhum ministro da Saúde, com sentido mínimo de responsabilidade, considera o orçamento suficiente”.

“No quadro de dificuldades do país é o orçamento possível, vamos fazer tudo para com este orçamento fazer o máximo possível”, sustentou.

Nos EUA
Técnica desenvolvida pelo Centro de Investigação para o Cancro Fred Hutchinson, em Seattle, foi aplicada em doentes num estado...

Há uma nova esperança para a cura do cancro. Um tratamento inovador, desenvolvido pelo Centro de Investigação para o Cancro Fred Hutchinson, em Seattle, Estados Unidos, mostrou resultados que os cientistas consideraram “extraordinários” em doentes num estado muito avançado da doença, escreve a TVI24.

Um dos estudos mais promissores envolveu 35 doentes com leucemia. No final to tratamento, 94% dos participantes entrou em estado de remissão, isto é, deixaram de apresentar manifestações da doença. Noutros casos, que envolveram doentes com outros tipos de cancro, quatro em cada cinco mostraram uma resposta positiva ao tratamento e mais de metade também deixou de evidenciar sintomas da doença.

A técnica laboratorial usada consiste em remover as células imunitárias, as células T, e incrementar nestas células moléculas recetoras que detetam o cancro. Depois, volta-se a colocar as células T, já com as novas moléculas, no corpo do indivíduo.

O que acontece é que estas novas moléculas recetoras vão reduzir a possibilidade de o cancro se proteger contra o sistema imunitário do corpo. Isto porque, apesar de o sistema imunitário tentar combater o cancro, muitas vezes as defesas do corpo humano são incapazes de atuar, por não conseguirem reconhecer as células cancerígenas.

O líder da investigação, o cientista Stanley Riddell, explicou, durante o encontro anual promovido pela Associação Americana para Avanços da Ciência, a importância destes resultados.

“Isto é extraordinário. Nunca na medicina se tinham obtido níveis de resposta a esta escala em pessoas num estado tão avançado da doença.”

Para Riddell poderemos estar perante uma “mudança de paradigma” no tratamento do cancro.

O investigador salientou que é necessário continuar a trabalhar esta técnica, sublinhando que não se sabe durante quanto tempo os doentes vão permanecer num estado de remissão da doença. 

A equipa de Seattle estudou a aplicação desta técnica em doentes em estado terminal, que tinham entre dois a cinco meses de vida. Agora, o próximo passo é levar este tratamento a doentes que se encontrem noutras fases da doença.

Infarmed
O Comité de Farmacovigilância de Avaliação do Risco da Agência Europeia do Medicamento concluiu a revisão de segurança do...

Conforme divulgado na Circular Informativa N.º 079/CD/8.1.7., de 08/05/2015, esta revisão avaliou o risco de leucoencefalopatia multifocal progressiva (LMP) associado ao uso deste medicamento.

A LMP é uma infeção cerebral rara e muito grave causada pelo vírus John Cunningham (JC).

Nos doentes tratados com Tysabri, os fatores de risco conhecidos para o desenvolvimento de LMP são: a presença de anticorpos contra o vírus JC, a duração do tratamento superior a dois anos e a utilização prévia de medicamentos imunossupressores. Os doentes que tenham estes três fatores de risco são considerados de maior risco de LMP.

Os novos dados de ensaios clínicos sugerem que o nível de anticorpos contra o vírus JC (índice) está relacionado com o risco de LMP. Mais especificamente, a evidência atual sugere que o risco de LMP é baixo para valores de índice1 ≤ 0,9 e aumenta substancialmente em doentes com valores de índice > 1,5 que tenham sido tratados com natalizumab durante mais de 2 anos.

Como tal, o Comité de Farmacovigilância de Avaliação do Risco (PRAC) concluiu que doentes que tenham níveis de anticorpos elevados, que não tenham tomado imunossupressores antes do tratamento com natalizumab e que tenham sido tratados com este medicamento durante mais de 2 anos são também considerados em maior risco de LMP.

Estudos recentes sugerem que a deteção e tratamento precoces de LMP, quando a doença é assintomática (ainda em estadios iniciais e sem sintomas), são extremamente importantes para limitar o grau de lesão cerebral e a consequente incapacidade causada pela doença. Os casos assintomáticos de LMP podem ser detetados por um exame de ressonância magnética (RM). Com base nestes dados, o PRAC concluiu que nos doentes com maior risco de LMP deve ser considerado efetuar uma RM com maior frequência (por exemplo, a cada 3 a 6 meses).

Face ao exposto, o PRAC recomenda o seguinte:
- Nos doentes com maior risco de desenvolverem LMP, o tratamento com natalizumab só deve ser continuado se os benefícios superarem os riscos;
- Nos doentes que tenham um índice baixo de anticorpos e que não utilizaram imunossupressores antes do início do tratamento com natalizumab, devem repetir o teste de anticorpos a cada 6 meses, quando o tratamento com natalizumab for superior a 2 anos;
- Os doentes que apresentem um resultado negativo para anticorpos contra o vírus JC devem repetir o teste de anticorpos de JC a cada 6 meses;
- O tratamento com natalizumab deve ser interrompido se existir suspeita de LMP, sendo apenas retomado se a LMP for excluída.

Estas recomendações serão remetidas ao Comité de Medicamentos de Uso Humano (CHMP) da Agência Europeia do Medicamento (EMA) para a adoção de uma opinião. Nessa altura, serão publicadas recomendações adicionais para os doentes e profissionais de saúde.

Infarmed
O Comité de Avaliação do Risco em Farmacovigilância da Agência Europeia do Medicamento concluiu a revisão da segurança dos...

Conforme divulgado na Circular Informativa N.º 107/CD/8.1.7., de 15/06/2015, esta revisão avaliou o risco de cetoacidose diabética associado ao uso destes medicamentos.

Os inibidores SGLT2 são utilizados para o tratamento da diabetes tipo 2 por aumentarem a eliminação de glucose na urina e, consequentemente, diminuirem os níveis de glicemia. Em Portugal encontram-se comercializados os medicamentos Forxiga (dapagliflozina) e Xigduo (dapagliflozina+metformina).

A cetoacidose diabética é uma complicação grave da diabetes causada por níveis baixos de insulina., Em doentes com diabetes tipo 2 tratados com inibidores SGLT2 ocorreram raros casos de cetoacidose diabética, alguns com risco de vida. Alguns desses casos tiveram uma apresentação atípica, manifestada por níveis de glicose sanguínea abaixo do que seria de esperar.

A cetoacidose diabética atípica pode atrasar o seu diagnóstico e tratamento, pelo que os profissionais de saúde devem considerar a possibilidade de ocorrência deste efeito em doentes que tomam estes medicamentos e que apresentam sintomas compatíveis, mesmo quando os níveis de glicemia não se encontram elevados.

Assim, os doentes devem ser alertados para a necessidade de contactar o médico com urgência, caso apresentem os seguintes sintomas: rápida perda de peso, náuseas, vómitos, dor abdominal, sede excessiva, dificuldade em respirar, confusão, cansaço, sonolência invulgar, hálito doce, sabor doce ou metálico na boca, odor diferente na urina ou no suor.

Em caso de suspeita ou confirmação de cetoacidose, o tratamento deve ser imediatamente interrompido e não deve ser reiniciado, a menos que se identifique (e seja resolvida) outra causa para a sua ocorrência.

Os profissionais de saúde devem estar atentos e informar os doentes que há fatores de risco para a ocorrência de cetoacidose, os quais incluem uma baixa reserva de células secretoras de insulina, condições em que ocorra restrição de alimentos ou possa ocorrer desidratação, uma redução brusca dos níveis de insulina ou aumento das necessidade de insulina devido a doença, cirurgia ou abuso de álcool.

O Comité de Avaliação do Risco em Farmacovigilância (PRAC) concluiu que os benefícios dos inibidores SGLT2 continuam a ser superiores aos seus riscos, no entanto, recomenda que o tratamento com estes medicamentos seja temporariamente interrompido em doentes hospitalizados para efetuar grandes cirurgias ou com doenças graves.

O PRAC recorda aos profissionais de saúde que estes medicamentos não estão autorizados no tratamento da diabetes tipo 1, e faz notar que alguns casos de cetoacidose ocorreram com a utilização off-label.

As recomendações do PRAC serão remetidas ao Comité de Medicamentos de Uso Humano (CHMP) da Agência Europeia do Medicamento (EMA) para a adoção de uma opinião.

Infarmed
O Infarmed, I.P. celebrou, a 17 de julho de 2015, um protocolo de colaboração com as associações profissionais do setor do...

Este projeto tem como objetivo melhorar o acesso a medicamentos pertencentes à lista de medicamentos cuja exportação/distribuição intra-comunitária é sujeita a notificação prévia ao Infarmed, I.P. (cfr. lista anexa à Deliberação n.º 1157/2015, de 4 de junho), através do esforço conjunto das entidades voluntariamente envolvidas.

Atualmente os medicamentos abrangidos por este projeto são os incluídos na lista anexa.

Face aos resultados obtidos na fase piloto, o Projeto “Via Verde do Medicamento” vai estender-se a todo o território continental, a partir de 15 de fevereiro de 2016.

Este projeto consiste numa via excecional de aquisição dos medicamentos abrangidos, que pode ser ativada quando a Farmácia não tem stock do medicamento pretendido. 

Nestes casos, a Farmácia coloca a encomenda Via Verde ao Distribuidor aderente, com base numa receita médica válida; o Distribuidor satisfaz o pedido com o stock reservado para este canal, atribuído pelo titular de autorização de introdução no mercado (AIM) do medicamento.

Para mais informações sobre a adesão e funcionamento deste projeto, sugere-se o contacto com as associações profissionais aderentes.

O Infarmed, I.P. irá, no âmbito das suas competências, monitorizar o funcionamento do projeto.

Infarmed
A Autoridade do Medicamento recomenda a retirada do mercado dos produtos que contêm o antibiótico de uso local fusafungina ...

“Em Portugal encontra-se comercializado o medicamento Locabiosol 125 microgramas, solução para pulverização bucal ou nasal, indicado no tratamento local das afeções das vias aéreas superiores”, refere uma nota divulgada no site do Infarmed - Autoridade do Medicamento em Portugal.

A recomendação da retirada do mercado surge na sequência de uma revisão de segurança do Comité de Avaliação do Risco em Farmacovigilância do regulador europeu, que avaliou os riscos de reações alérgicas graves em doentes a usar fusafungina, concluindo que os benefícios do medicamento não são superiores aos riscos.

Contudo, esta posição ainda será submetida a uma decisão final e, até lá, os medicamentos mantêm-se à venda.

“A maioria das reações alérgicas graves ocorreu logo após o uso do medicamento e incluíram broncospasmo. Apesar destas reações serem raras, podem ser fatais e não foram identificadas medidas que pudessem minimizar significativamente este risco”, acrescenta a Autoridade do Medicamento no seu comunicado de divulgação da posição do comité de avaliação europeu.

Foi ainda analisado o aumento de resistências bacterianas causados pela fusafungina, concluindo a Agência Europeia do Medicamento que não há evidências suficientes, mas que o risco não pode ser excluído.

De acordo com a nota do Infarmed, concluiu-se que a relação benefício-risco “destes medicamentos é negativa para todas as indicações aprovadas na União Europeia”, recomendando-se “a revogação das respetivas autorizações de introdução no mercado”.

Estudo
Cientistas britânicos da University College London utilizaram a realidade virtual para tratar pacientes com depressão. Os...

No novo método de terapia, os pacientes são projetados numa realidade virtual, encarnando primeiro um avatar adulto e depois o de uma criança.

Depois de colocarem auscultadores, os doentes veem uma projeção de um avatar adulto, que recria os seus movimentos corporais, escreve o Jornal de Notícias. Depois, um segundo avatar aparece, o de uma criança a chorar, e é-lhes pedido que exprimam compaixão, para consolar a criança.

Os pacientes pedem, então, à criança que lembre momentos felizes e pessoas que ame. É neste momento da experiência que os papéis se invertem. Os doentes em tratamento passam a "encarnar" a criança e ouvem as frases de compaixão que antes disseram.

O objetivo principal é ajudar as pessoas "a terem mais compaixão por elas próprias e serem menos autocríticas", explicou o investigador e professor Chris Brewin.

A experiência foi feita com 15 pessoas, dez mulheres e cinco homens, todas elas a serem tratadas por depressão, com a faixa etária entre 23 os 61 anos.

Nove dos pacientes reduziram os níveis de depressão após um mês da experiência e quatro desses nove tiveram "uma descida significativa na severidade da depressão". Os restantes não experimentaram qualquer mudança.

O estudo foi publicado pelo "British Journal of Psychiatry Open" e financiado pelo "Medical Research Council".

Estudo
Os homens sofrem de duas vezes mais riscos do que as mulheres de contrair cancro da boca e do pescoço derivado da infeção pelo...

Quase dois em cada três casos de cancro da orofaringe são provocados pela infeção do HPV 16 e a sua frequência aumentou nos últimos anos, explicou Gypsyamber D'Souza, epidemiologista que apresentou a pesquisa na Conferência Anual sobre Avanços na Ciência (AAAS).

A prática do sexo oral (tanto no pênis como na vagina) faz com que este tipo de cancro afete muito mais os homens, sobretudo os brancos de idade média, do que as mulheres, escreve o Sapo.

A análise mostra que estas práticas generalizadas começam cada vez mais cedo e que a frequência de novos parceiros é igualmente maior.

"O nosso estudo mostra que entre os homens o risco de uma infeção por vírus do papiloma humano (HPV) aumenta com o número de parceiros com os quais mantiveram sexo oral", explicou D'Souza, professor de epidemiologia na universidade Johns Hopkins, em Baltimore.

Ao contrário, entre as mulheres o número de parceiros recentes não parece aumentar o risco de contrair a doença. E com a mesma quantidade de relações, os homens têm maior probabilidade de se infetar com HPV 16.

O estudo determinou que as mulheres que têm mais relações sexuais vaginais têm menor risco de contrair HPV durante estas práticas.

Tal sugere que a primeira exposição vaginal ao HPV confere uma proteção maior ao ativar uma maior resposta imunitária, deduz D'Souza.

Aparentemente, o sistema imunitário dos homens é mais frágil, o que os torna mais vulneráveis à infeção, que é bastante comum. O sistema imunitário da maioria das pessoas consegue eliminar o vírus um ou dois anos, embora os pacientes do sexo masculino em menor medida do que as mulheres.

O HPV não causa diretamente mutações responsáveis por tumores, mas provoca mudanças nas células que infetam a garganta e o colo do útero e que podem provocar cancro.

O sexo oral aumenta o risco do cancro da boca e do pescoço em cerca de 22%, segundo um estudo publicado em janeiro pelo jornal especializado Journal of the American Medical Association. A incidência deste tipo de cancro aumentou 225% em 20 anos.

Em Lisboa
O Centro Especializado em Endometriose do Hospital Lusíadas Lisboa vai promover, no dia 22 de fevereiro, às 20h00, no auditório...

A reunião clínica vai dar a conhecer o Centro Especializado em Endometriose e promover a partilha de informação em torno dos desafios que os ginecologistas enfrentam no diagnóstico e tratamento da endometriose, escreve o Sapo.

"Temos profissionais vocacionados para todas as vertentes desta doença, com o intuito da diagnosticar e tratar a endometriose num mesmo Centro, numa lógica integrada. O Centro dispõe de Cirurgia Minimamente Invasiva e de técnicas de Procriação Medicamente Assistida, quando o problema é a infertilidade, congregando ainda especialistas da Dor, que permitem aliviar este sintoma, tão frequente nestas mulheres, sobretudo durante a menstruação e nas relações sexuais", revela Fátima Faustino, responsável do Centro Especializado em Endometriose do Hospital Lusíadas Lisboa.

A endometriose é uma doença benigna que pode afetar uma em cada dez mulheres e carateriza-se pelo crescimento de tecido endometrial fora do seu local habitual, que é a cavidade uterina. Sempre que ocorre a menstruação existe sangramento nessas zonas, o que provoca uma reação inflamatória crónica que produz aderência nos órgãos e o crescimento de tumores que, apesar de benignos, provocam dor e, em muitos casos, infertilidade.

A reunião realiza-se no Hospital Lusíadas Lisboa e vai ser transmitida, por videoconferência, em todos os hospitais do grupo.

A participação nesta iniciativa é gratuita e as inscrições podem ser realizadas através do contacto: [email protected].

Ordem dos Médicos Dentistas
A Ordem dos Médicos Dentistas entregou ao Governo uma proposta para a colocação daqueles profissionais nos centros de saúde,...

“A proposta, que cumpre os requisitos que foram comunicados pelo Ministério da Saúde, vai ser levada a cabo de forma faseada, através de experiências piloto em vários centros de saúde do país, com médicos dentistas a exercer nas instalações do Serviço Nacional de Saúde, nos cuidados de saúde primários em regime de contratualização ou avença”, adiantou o bastonário.

Orlando Monteiro da Silva, que falava na sequência da entrega da proposta ao Ministério da Saúde, noticiada pelo Diário de Notícias, esclareceu que os cuidados vão ser orientados numa primeira fase para prestar cuidados básicos de medicina dentária a uma população economicamente desfavorecida e portadora de doenças crónicas como o cancro, a diabetes ou doenças cardiovasculares.

“Outra condição foi a de esta inserção não se sobrepor à cobertura já prestada pela rede clínica e consultórios privados, no âmbito do programa do cheque-dentista, que vai permanecer tal como está e que recebe faixas da população muito importantes”, revelou, salientando que o projeto tem de levar e conta as restrições orçamentais.

Questionado sobre quantos médicos vão ser precisos para levar a cabo o projeto, Orlando Monteiro da Silva disse que o número vai ser calculado mais tarde em função dos centros de saúde que vierem a revelar-se operacionais para o efeito, estejam equipados ou possam ser adaptados para a consulta.

“A Ordem e a Direção-Geral das Saúde efetuaram já visitas aos locais, aos centros de saúde do país. Foi feito um levantamento do que existe para posteriormente se poder chegar à seleção dos centros e ao número de médicos que seja adequado”, disse.

Relativamente às expectativas quanto ao projeto-piloto, anunciado pelo secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Araújo, em dezembro, que pretendia integrar médicos dentistas em centros de saúde e unidades de saúde familiar, o bastonário disse que são realistas e moderadas.

“A concretizar-se esta ideia do governo, é um passo enorme: fazer com que grande parte da nossa população, que não tem acesso ao dentista, possa vir a tê-lo, mesmo que seja de forma gradual”, sublinhou.

No entender de Orlando Monteiro da Silva, é “terceiro-mundista um país que não proporciona aos seus cidadãos do seu sistema de saúde acesso aos cuidados de saúde oral”.

“Vamos ver se se concretiza ou não, estamos a fazer todos os esforços para assegurar que vá a bom porto, mas agora depende do Governo, do Ministério da Saúde que o projeto se possa concretizar”, concluiu.

O secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Araújo, anunciou em setembro que pretendia integrar médicos dentistas em centros de saúde e unidades de saúde familiar.

De acordo com o Diário de Notícias, nos centros de saúde trabalham cerca de 20 dentistas, ou seja, um para cada milhão de utentes.

O jornal adianta também que dos 20 médicos dentistas a trabalhar para o Serviço Nacional de Saúde, a maioria está na região de Lisboa e Vale do Tejo, seis no agrupamento de centros de saúde transmontano, dois na zona centro e um no Algarve.

Escola Superior de Enfermagem de Coimbra
A Escola Superior de Enfermagem de Coimbra acolheu mais 50 estudantes "incoming" (sobretudo estrangeiros) que,...

Sendo maioritariamente provenientes de Espanha e da Bélgica, há também novos estudantes externos em mobilidade na Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC) oriundos do Brasil, da China (Macau), da Letónia e de Portugal.

Em menor número, a ESEnfC recebe, ainda, estudantes da Finlândia, da França, da Hungria, da Holanda, da Estónia e da Polónia.

Este grupo de discentes vai frequentar períodos de ensino clínico em serviços diferenciados do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, bem como dos centros de Saúde de Celas, Norton de Matos, Santa Clara e São Martinho do Bispo.

A integração dos novos estudantes externos foi assegurada, no último domingo, pelo Gabinete de Relações Nacionais e Internacionais da ESEnfC.

Estudo
Cientistas dos Estados Unidos implantaram com êxito, em animais, estruturas de tecido vivo fabricadas com uma "sofisticada...

A técnica, desenvolvida pelo Wake Forest Baptist Medical Center, na Carolina do Norte, representa um avanço para a medicina regenerativa, pois indica que estas estruturas poderão ser futuramente implantadas em doentes, superando "vários obstáculos técnicos" que o dificultam na atualidade, destacam os autores em comunicado.

Os investigadores imprimiram estruturas cartilagíneas, ósseas e musculares "estáveis" que, após implantadas em roedores, progrediram até se converterem em tecido funcional, tendo desenvolvido um sistema de vasos sanguíneos.

Embora o tecido ainda não esteja pronto para ser aplicado em doentes, os primeiros resultados do estudo levam a crer que as estruturas criadas têm "o tamanho, a solidez e a funcionalidade adequadas para serem usadas em humanos", referem os autores do estudo.

"A nova impressora de tecidos e órgãos é um passo importante no nosso objetivo de fabricar tecidos de substituição para doentes", disse Anthony Atala, diretor do Instituto de Medicina Regenerativa do Wake Forest.

De acordo com o cientista, a bioimpressora 3D pode fabricar "tecido estável à escala humana de qualquer forma e tamanho", o que permitirá a impressão de "tecido vivo e estruturas de órgãos para implantação cirúrgica".

A investigação do Instituto de Medicina Regenerativa do Wake Forest teve o financiamento do Instituto de Medicina Regenerativa das Forças Armadas dos EUA, que pretende aplicar a criação em soldados feridos, dada a escassez de doadores de tecidos para implantes.

A precisão da nova impressora permite que, em breve, possam ser replicados os tecidos e órgãos mais complexos do corpo humano.

Desenvolvido ao longo dos últimos dez anos, o Sistema Integrado de Impressão de Tecidos e Órgãos recorre a materiais plásticos e biodegradáveis para criar a "forma" do tecido e o gel de base aquosa que mantém as células.

Outros dos desafios para a engenharia de tecidos é fazer com que as estruturas implantadas vivam o tempo suficiente para que possam integrar-se no corpo.

Nesse sentido, os investigadores otimizaram a "tinta" de água utilizada nas células para melhorar a sua "saúde" e promover o seu crescimento, ao mesmo tempo que imprimiram uma rede de "microcanais" nas estruturas, de modo a que os nutrientes e o oxigénio presentes no corpo humano se integrem nas estruturas implantadas, as mantenham vivas e desenvolvam vasos sanguíneos.

O diretor do Instituto de Medicina Regenerativa do Wake Forest e os colegas conseguiram já criar uma orelha minúscula que sobreviveu e apresentou sinais de vascularização um a dois meses após ser implantada.

O Sistema Integrado de Impressão de Tecidos e Órgãos revelou ainda capacidade para processar dados de tomografias e de ressonâncias magnéticas e "fabricar tecido à medida" de cada paciente.

Agência Internacional de Investigação sobre o Cancro
Nos países em desenvolvimento existem cinco vezes mais casos de cancro infantil que nas nações desenvolvidas, indicou a agência...

O número de casos de cancro infantil nos países em desenvolvimento é “inaceitavelmente alto”, denunciou o diretor da Agência Internacional de Investigação sobre o Cancro (IARC), Christopher Wild, num comunicado citado pela agência noticiosa espanhola EFE.

“Sobretudo quando temos o exemplo dos países ricos em relação ao que se pode conseguir com acesso a cuidados”, adiantou.

Anualmente são diagnosticados à volta de 215.000 casos de cancro entre os menores de 15 anos e 85.000 em adolescentes entre os 15 e os 19, segundo a IARC.

As estimativas têm por base dados recolhidos em 68 países entre 2001 e 2010 e indicam que nos países desenvolvidos o cancro infantil representa menos de 1% de todos os casos da doença.

Quase metade dos cancros infantis são leucemia e linfomas e alguns tipos da doença ocorrem quase exclusivamente nesta faixa etária, como o neuroblastoma, nefroblastoma e retinoblastoma.

Os carcinomas, quer sejam da mama, do pulmão ou do estômago, predominantes nos adultos, são “extremamente raros” nas crianças.

A IARC chamou ainda a atenção para o facto da taxa de sobrevivência, que chega aos 80% nos países ricos, poder ser de apenas 10% nos menos desenvolvidos.

“É essencial que os países em desenvolvimento obtenham o apoio técnico e financeiro de que necessitam para criar um sistema de saúde forte, que ofereça a cada criança a oportunidade de cura que existe nos países ricos”, defende a organização.

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