Uma nova fase na vida da mulher

Menopausa

A menopausa é uma fase natural da vida da mulher caracterizada pela perda da actividade ovárica e da menstruação.
Menopausa

A menopausa é o momento na vida da mulher em que cessa a função cíclica dos ovários e a menstruação. Assim, a menopausa começa no final da última menstruação. No entanto, esse facto só é comprovado mais tarde, quando não há fluxo menstrual durante, pelo menos, 12 meses. Trata-se de um fenómeno fisiológico que se deve à redução gradual do funcionamento dos ovários. Estas glândulas deixam, assim, de libertar óvulos, mensalmente, e de produzir hormonas femininas, os estrogénios, deixando de ter capacidade reprodutiva.

A idade média em que a menopausa começa é por volta dos 50 anos, mas pode surgir em mulheres com apenas 40 anos ou menos e nestes casos a menopausa denomina-se de prematura. Entre as suas causas destacam-se uma predisposição genética e doenças auto-imunes, nas quais se criam anticorpos que podem lesar várias glândulas, entre elas os ovários.

O hábito de fumar também é associado à menopausa prematura, isto porque o consumo de tabaco impulsiona um declínio dos níveis de estrogénio no sangue, podendo desencadear uma menopausa precoce. A menopausa não é uma doença, é apenas uma nova fase na vida da mulher. No entanto, ocorrem diversas alterações no organismo feminino que podem predispor ao aparecimento e ao agravamento de várias doenças.

Para além da menopausa natural e precoce há ainda a menopausa artificial que deriva de uma intervenção médica que reduz ou interrompe a secreção hormonal dos ovários. Estas intervenções incluem a cirurgia, para extrair os ovários ou para reduzir a quantidade de sangue que recebem, e a quimioterapia ou a radioterapia sobre a pélvis (incluindo os ovários), para tratar o cancro. A intervenção cirúrgica em que se extrai o útero (histerectomia) tem como consequência a suspensão da menstruação, mas não afecta a quantidade de hormonas desde que os ovários continuem intactos e, portanto, não provoca menopausa.

Segundo a Sociedade Portuguesa de Menopausa há uma percentagem cada vez maior da população feminina que está em pós-menopausa, devido ao aumento da esperança média de vida, à diminuição da mortalidade e, em consequência, ao envelhecimento global da população. Isto quer dizer que, actualmente, as mulheres viverão cerca de um terço da sua vida em pós-menopausa. No entanto, e segundo os especialistas da mesma entidade, os tratamentos de correcta compensação hormonal permitem dar "mais anos as suas vidas e mais vida aos seus anos".

Lamentavelmente, só cerca de 15 por cento das mulheres que iniciaram um tratamento o mantêm após um ano, o que significa que a grande maioria da população feminina não está a ser correctamente tratada e protegida. Isto deve-se, sobretudo, à falta de informação e à desinformação.

Climatério
É considerado climatério ou perimenopausa, o período imediatamente antes da menopausa, quando os dados endocrinológicos, biológicos e clínicos são sugestivos do início da menopausa e prolonga-se, pelo menos, durante um ano depois da menopausa.

Sintomas da menopausa
O estrogénio, mais especificamente o estradiol, é a hormona natural e básica da mulher. A sua produção começa na adolescência, e é responsável pelo aparecimento dos sinais sexuais secundários na mulher. A falta de estrogénio é a causa dos principais sintomas da menopausa, que diferem de caso para caso e, por isso, se designam de suaves, moderados ou agudos. Por serem diferentes causam, por vezes, dificuldades de diagnóstico para quem não esteja familiarizado com este problema.

São frequentes os afrontamentos, calores súbitos, dores de cabeça, insónias, humor depressivo, irritabilidade, secura da vagina, dificuldades sexuais, incontinência urinária, aumento de peso, modificação da pele e do cabelo, dores ósseas e articulares. Há, também, tendência para o aumento de pressão arterial, subida de colesterol e, por vezes, para o aparecimento de dores pré-cordiais e alteração no electrocardiograma. Os afrontamentos afectam 75 por cento das mulheres. Durante um acesso de calor, a pele, em especial a da cabeça e do pescoço, fica vermelha e quente e a sudação pode ser intensa. A maioria das mulheres têm afrontamentos durante mais de um ano e entre 25 e 50 por cento sofrem-nos durante mais de cinco anos. Duram entre 30 segundos e 5 minutos e podem ser seguidos de calafrios.

Os sintomas psicológicos e emocionais como fadiga, irritabilidade, insónia e nervosismo também podem ser provocados pela diminuição de estrogénios. A sudação nocturna é um factor de perturbação do sono e agrava o cansaço e a irritabilidade. Por vezes, a mulher pode sentir-se enjoada, ter sensação de formigueiro (picadas) e sentir os batimentos do seu coração, que parece palpitar com força. Também pode sofrer de incontinência urinária, inflamação da bexiga e da vagina e ter dores durante o coito devido à secura vaginal. Às vezes, surge uma sensação dolorosa nos músculos e nas articulações.

A osteoporose (o intenso adelgaçamento dos ossos) é o principal problema para a saúde que a menopausa provoca. As mulheres brancas magras e as que fumam, ingerem quantidades excessivas de álcool, tomam corticosteróides, ingerem pequenas quantidades de cálcio ou têm uma forma de vida sedentária correm maior risco de sofrer desta doença. Durante os primeiros 5 anos posteriores à menopausa, perdem-se entre 3 e 5 por cento de massa óssea por ano e, depois, entre 1 e 2 por cento por ano. Daí que ocorram fracturas a partir de lesões menores e até, nas pessoas de idade avançada, sem que exista nenhuma lesão.
Os ossos que se fracturam com maior frequência são as vértebras (o que provoca encurvamento e dor de costas), o fémur (ancas) e os ossos dos pulsos.

A incidência das doenças cardiovasculares aumenta mais rapidamente depois da menopausa, também devido ao facto de os estrogénios diminuírem. Uma mulher que tenha sofrido a extracção dos ovários e que, em consequência, tenha menopausa prematura, e que não se submeta a uma terapia de reposição de estrogénios, tem o dobro de probabilidades de sofrer de doenças cardiovasculares do que uma mulher pré-menopáusica da mesma idade.
As mulheres pós-menopáusicas que tomam estrogénios sofrem muito menos de doenças cardiovasculares do que as que não os tomam. Por exemplo, entre as doentes pós-menopáusicas que sofrem de doenças das artérias coronárias, as que tomam estrogénios têm, em média, uma maior esperança de vida. Estas vantagens devem-se, em parte, aos efeitos favoráveis dos estrogénios sobre a quantidade de colesterol. A diminuição de estrogénios provoca um aumento no chamado colesterol mau (lipoproteínas de baixa densidade - LDL) e uma diminuição do chamado colesterol bom (lipoproteínas de alta densidade - HDL).

Tratamento
O tratamento hormonal consiste na administração de hormonas, naturais ou sintéticas, para substituir as hormonas que os ovários deixam de produzir quando a mulher chega à menopausa.
Cada caso tem de ser estudado criteriosamente, de modo a escolher-se o melhor tratamento a utilizar, a dose recomendada e a melhor via da sua administração. Durante o tratamento é indispensável verificar se se obtém a desejada eficácia clínica e se há normalização dos factores de risco ósseo e cardiovascular. O objectivo primordial do tratamento da menopausa é prevenir certas doenças e melhorar a qualidade da vida da mulher.
Pode iniciar-se de modo seguro até um ano após o início da menopausa, ou seja, na idade do climatério, para o alívio sintomático, bem como para prevenção dos riscos associados à falta de estrogénios, nomeadamente a doença cardíaca e a osteoporose. Na fase do climatério ou perimenopausa, os tecidos reagem bem ao tratamento hormonal, ou seja, os tecidos beneficiam do tratamento desde que ainda estejam saudáveis, ainda não tenham ocorrido lesões e não haja um longo período de tempo sem hormonas.

Segundo indicação das Sociedades de Menopausa Americana, Europeia e Internacional, entre outras, não há limite de tempo para o tratamento hormonal desde que se atinjam os objectivos e não surjam contra-indicações. Não é, portanto, correcto afirmar que o tratamento não deve fazer-se por mais de cinco anos.

Assim, no tratamento da menopausa, observa-se o desaparecimento dos afrontamentos, insónias, irritabilidade e crises depressivas. Verifica-se humidificação da vagina e melhoria da vida sexual; redução de dores ósseas; normalização de pressão arterial e do colesterol e do peso. Há uma melhoria da pele do cabelo e uma diminuição da perda da massa óssea (por vezes, até aumenta) com redução em 50 por cento do risco de fracturas, para além da elevada redução do risco de doenças cardíacas que são a principal (50 por cento) causa de morte das mulheres (o cancro é causa de morte em apenas 5 por cento). Há portanto, uma melhoria substancial da qualidade vida e da longevidade.

Terapêutica Hormonal de Substituição (THS) vs. Tratamento hormonal
As terapêuticas hormonais que se instituem após a menopausa fisiológica não devem ser consideradas substitutivas uma vez que o hipoestrogenismo é fisiológico. O facto de se receitar estrogénios não serve para substituir mas sim para beneficiar das suas propriedades farmacológicas. Neste sentido, é mais correcto falar de terapêuticas hormonais na menopausa do que em terapêutica hormonal de substituição (THS).

Não obstante, caso se trate de uma menopausa cirúrgica (com ovariectomia) ou de uma menopausa precoce, nestes casos a terapêutica com estrogénios é verdadeiramente substitutiva. Ou seja, a verdadeira THS existe, só não deve ser entendida de uma forma global e/ou abrangente.

Riscos do tratamento hormonal
Grande parte da informação veiculada acerca dos riscos do tratamento hormonal deve-se tanto a más interpretações de estudos realizados, como à falta de rigor observada na realização de outros, sobretudo no que se refere à definição da amostra - mulheres em faixas etárias onde o tratamento não é recomendado.

Exemplo disso é o estudo WHI - Women's Health Initiative, realizado em 2003, cujos resultados não foram devidamente interpretados. O facto de não ter sido feita a destrinça entre os termos risco absolutoe relativo desencadeou uma série de falsos alarmismos que desencorajam as mulheres no que respeita ao tratamento hormonal.

O facto da média de idades das mulheres que participaram nesse estudo ser de 63 anos conduz, igualmente, a resultados considerados nulos na questão do tratamento hormonal, mas também porque as consequências podem ser adversas a partir dessas idades. Até ao momento, não há nenhum estudo que se tenha referido exclusivamente às mulheres abaixo dos 60 anos, nomeadamente entre os 50/55 anos, que é a faixa etária indicada para o tratamento hormonal.

De concluir que tão importante é o rigor estatístico usado na realização de estudos como a boa interpretação dos resultados. Até ao momento não são conhecidos riscos associados a um tratamento prolongado, desde que estejam reunidas três condições principais - que o início ocorra na fase do climatério, não se conheçam contra-indicações e a mulher seja considerada saudável.

Simultaneamente, assume-se que os riscos que podem advir de mulheres que não fazem tratamento hormonal 10 anos após o início da menopausa são superiores aos que eventualmente decorram do tratamento hormonal desde que este seja iniciado cedo.

Fonte: 
Manual Merck
Sociedade Portuguesa de Menopausa
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico e/ou Farmacêutico.
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