Ossos vulneráveis

Osteoporose

A osteoporose é uma doença óssea sistémica e assintomática que se não for prevenida ou tratada precocemente, a perda de massa óssea vai aumentando progressivamente.
Osteoporose

A osteoporose é uma doença do esqueleto, podendo atingir qualquer porção do mesmo. Caracteriza-se pela diminuição da resistência óssea, tornando os ossos mais vulneráveis a fracturas.

O osso é constituído por minerais, dos quais se salienta o cálcio, e por matéria orgânica rica em proteínas, entre as quais o colagéneo, a proteína mais abundante do nosso organismo. A quantidade de massa óssea é adquirida, quase na totalidade, até aos 20 anos. Entre os 20 e os 30 anos atingimos o auge em termos de massa óssea a que se chama capital ósseo, e vai diminuindo a partir dos 40/45 anos de uma forma contínua em ambos os sexos. No caso das mulheres de uma forma abrupta e mais rápida depois da menopausa. Contudo, existem casos em que a osteoporose pode ser acelerada por certas doenças ou medicamentos.

À medida que a idade avança, o processo contínuo e obrigatório de remodelação óssea (indispensável e desejável num osso normal) realiza-se de uma forma desequilibrada. Ou seja, o osso destruído é sempre superior ao osso formado. Isto conduz a uma estrutura óssea composta por travessas muito finas a que se chama trabéculas, que se tornam mais frágeis e descontínuas. Apesar de o nosso esqueleto estar preparado para suportar cargas em diversos sentidos e de diversas formas, o osso osteoporótico torna-se frágil, quebradiço, incapaz de suportar cargas, mesmo que mínimas.

Sintomas
A osteoporose é frequentemente chamada de "ameaça oculta” porque o primeiro sinal ou sintoma é o da fractura que ocorre no decurso de um traumatismo mínimo ou na ausência do mesmo. Quer isto dizer que podem decorrer muitos anos de uma forma insidiosa sem que o doente se aperceba que sofre de osteoporose.

As fracturas que mais vezes decorrem no decurso desta doença são a das vértebras, do colo do fémur (anca) e do antebraço (punho). São também frequentes fracturas das costelas e bacia, embora possam ocorrer fracturas em qualquer porção do esqueleto.

As fracturas da anca e do pulso são, evidentemente, fáceis de reconhecer. As fracturas vertebrais, pelo contrário, são bastante mais discretas clinicamente (pensa-se que 50 por cento não tenham tradução na clínica). Uma compressão ou uma fractura vertebral, que resulta de um passo em falso ou de um movimento efectuado ao levantar um objecto pesado, manifesta-se por uma dor aguda. Várias fracturas vertebrais podem levar a um quadro doloroso crónico, perda de estatura corporal, aumento da cifose (curvatura) das costas e, in extremis, a diminuição da capacidade respiratória. No conjunto, isto acarreta dor e perda de qualidade de vida e há diversos estudos que indicam que uma osteoporose fracturária pode aumentar o risco de mortalidade.

Grupos de risco
A osteoporose pode afectar tanto os homens como as mulheres, mas estas são atingidas em maior número, em particular após a menopausa. Isto porque o osso masculino tem uma biologia um pouco diferente do feminino, devido ao ambiente hormonal durante a puberdade, a fase onde é adquirida a maior parte do capital ósseo. O osso masculino, habitualmente, é de maiores dimensões do que os femininos, sendo por conseguinte menos susceptível a fracturas.

O capital ósseo adquirido na adolescência é determinado geneticamente em 70 a 80%. Pode ser optimizado por medidas inerentes ao estilo de vida, como sejam uma alimentação adequada, suficiente absorção de cálcio e de vitamina D, exercício físico, e evitar o consumo de substâncias como café, álcool e tabaco. Estas condições não garantem, contudo, que a osteoporose não se manifeste, dado que existe uma predisposição familiar.

Factores de risco

Reconhecidos pela Organização Mundial de Saúde os mais pertinentes factores de risco são:
· Sexo - sobretudo o feminino;
· Idade - à medida que a idade avança maior a probabilidade de osteoporose;
· Baixo peso e estatura - baixo índice de massa corporal;
· Existência de fracturas de baixo impacto depois dos 40 anos;
· Existência de fracturas da anca por parte dos pais;
· Ingestão elevada de álcool;
· Tabagismo;
· Artrite Reumatóide.

Factores de risco indicadores da presença de osteoporose:
· Sofreu uma fractura depois dos 50 anos;
· Tem dificuldade em manter-se de pé;
· A sua mãe ou a sua irmã sofreram uma fractura depois dos 50 anos;
· Entrou na menopausa antes dos 45 anos de idade;
· É magra;
· Praticou muito pouco exercício físico, ou ficou acamada durante meses;
· Tomou/toma corticosteróides (como por exemplo a cortisona);
· Consome muito poucos produtos lácteos;
· Fuma.

Doenças ou intervenções cirúrgicas que aumentam o risco de Osteoporose:
· Foi submetida a uma ooferectomia (remoção dos ovários) antes dos 50 anos;
· Sofre de anorexia nervosa;
· Sofre de reumatismo;
· Sofre de diarreia crónica (por exemplo, doença de Crohn);
· Sofre de uma perturbação da tiróide ou paratiróide;
· Já foi submetida a um transplante de órgãos.

Factores que aumentam o risco de queda e, por isso, de fractura:
· Não tem força nas pernas;
· Tem problemas de equilíbrio;
· Vê mal;
· É epiléptico/a.

Diagnóstico
O diagnóstico da osteoporose é baseado na história clínica do doente e se o médico considerar que existem provas indicativas de que tem, efectivamente, predisposição para a osteoporose, solicitará a realização de exames complementares (densitometria óssea, radiografias e/ou análises sanguíneas).

A densitometria óssea é o exame mais importante para o diagnóstico da doença, uma vez que permite medir a densidade do osso que está directamente relacionada com a massa óssea. Este exame é indolor e rápido, utilizando raio-X em dose muito menor do que o utilizado numa radiografia de tórax, por exemplo, sendo também muito fiável. Este exame está recomendado para mulheres depois dos 65 anos e nos homens depois dos 70, ou em ambos os sexos depois dos 50 anos se existirem factores de risco.

Prevenção da doença
O provérbio "Mais vale prevenir do que remediar” aplica-se perfeitamente à osteoporose, uma vez que poderá fazer algo para a evitar em todas as fases da sua vida. A ingestão suficiente de cálcio e de vitamina D, bem como a prática de exercício físico, assumem uma importância vital para a saúde dos seus ossos em todas as etapas da nossa vida.

Deve, por isso, ter em atenção o seguinte:

Zelar por uma alimentação saudável, rica em cálcio
As crianças necessitam de cerca de 600 a 800 mg de cálcio por dia. No caso dos adolescentes, a quantidade varia entre 900 e 1200 mg. Nos adultos, a quantidade de cálcio recomendada situa-se entre os 800 e 1000 mg por dia. Os produtos ricos em cálcio são os produtos lácteos (magros) como o leite, o iogurte e o queijo; os legumes verdes, os cereais e o pão completo. Existem, presentemente, inúmeros produtos enriquecidos com cálcio. Evite bebidas gaseificadas e regimes alimentares com poucas proteínas, pois é necessário algum teor em proteína para assegurar a produção de colagéneo no osso.

Pratique suficiente exercício físico
Também neste caso, comece o mais cedo possível e não espere pelos 50. Todas as formas de exercício físico que solicitam as pernas contribuem para a solidez dos ossos. A marcha ou jogging são perfeitos. A natação tem uma acção relaxante e melhora o desempenho muscular, mas não estimula o metabolismo ósseo.

Passe regularmente algum tempo no exterior, ao sol
Os raios solares asseguram a síntese da vitamina D no organismo. Esta vitamina é indispensável para uma boa absorção do cálcio nos intestinos (a exposição ao sol deve ser moderada para evitar lesões cutâneas).

Consuma álcool com moderação e deixe de fumar
O excesso de álcool e nicotina exerce uma influência negativa sobre o osso.

Evite as quedas
É habitualmente depois de uma queda que ocorrem as fracturas, nomeadamente do punho e da anca. Assim, siga alguns conselhos:
· Evite locais mal iluminados e pavimentos molhados ou derrapantes;
· Prefira calçado com revestimento em borracha, anti-derrapante;
· Retire os tapetes ou faça-os aderir ao chão com material próprio;
· Não se levante da cama durante a noite sem recorrer a iluminação;
· Discuta com o seu médico sobre medicação que possa perturbar o equilíbrio;
· Em caso de haver insuficiência, tente melhorar a sua visão e audição;

Tratamento
Infelizmente, o cumprimento de algumas regras de vida não impede na totalidade a ocorrência de fractura osteoporótica. Em especial, devido ao facto de essas medidas serem instituídas, muitas vezes, em fases tardias da vida.

Perante uma osteoporose instalada e adequadamente diagnosticada, é necessário, na maioria das vezes, recorrer a medicamentos, co-adjuvados de cálcio e vitamina D, podendo estes elementos vir da dieta ou de suplementos. Os medicamentos vão actuar em diferentes mecanismos do metabolismo ósseo. A maioria dos medicamentos vai inibir a reabsorção/perda ósseas, embora existam outros medicamentos que estimulam a formação óssea e ainda outros que, eventualmente, actuam sobre ambos os mecanismos.

Além do mecanismo de acção, também estes medicamentos podem ser administrados de forma diferente: oral, diária, semanal, mensal ou injectável diária ou anual. Os medicamentos, se bem que concebidos para o mesmo fim, têm mecanismos de acção diferentes, sendo mais adequados para determinado perfil de doentes. Por isso o médico especialista deve institui-lhe o tratamento mais adequado ao seu caso.

Fonte: 
Portal das doenças reumáticas
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico e/ou Farmacêutico.
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