Mitos e Verdades
Também conhecido como Toxina Botulínica tipo A, o Botox é um relaxante muscular que permite atenuar

A toxina botulínica tipo A pode ser utilizada para aumentar o volume dos lábios.

Mito. A toxina botulínica não é um volumizador. Não altera o volume do local onde é aplicada. É um relaxante muscular.

A toxina botulínica tipo A pode paralisar o músculo, deixando o paciente sem expressão.

Verdade. Numa dose inapropriada e quando é administrada com uma má técnica, pode acontecer. Quando é administrada por profissionais experientes e certificados, este efeito adverso é evitado.

A toxina botulínica tipo A pode ser viciante.

Mito. Não induz qualquer tipo de vício. O resultado do tratamento é tão satisfatório que a paciente poderá querer repetir para manutenção dos resultados.

Os cremes anti-rugas oferecem resultados similares ao tratamento com a toxina botulínica tipo A.

Mito. Os cremes são aplicados topicamente e nunca conseguirão atingir, numa pele integra, a profundidade da ação de uma substância injetável. Além disso, os resultados da ação são incomparáveis.

A toxina botulínica tipo A pode substituir uma cirurgia plástica.

Mito. A toxina botulínica pode ser um adjuvante de uma cirurgia plástica. Não poderá substituí-la.

Os efeitos da toxina botulínica são imediatos.

Mito. Os efeitos começam a notar-se nos primeiros 3-4 dias e o pico do tratamento é atingido aos 15 dias.

A toxina botulínica oferece outros benefícios além do rejuvenescimento facial.

Verdade. Além de relaxar os músculos da região frontal, a toxina contribui para diminuir a oleosidade da pele ao interferir com a secreção das glândulas.

É também uma importante arma terapêutica no tratamento da hiperhidrose (suor excessivo) nas axilas, palmas das mãos e plantas dos pés.

A toxina botulínica pode ser aplicada em qualquer parte do rosto com rugas.

Mito. O uso da toxina está aprovado para a utilização na testa e nas linhas do canto dos olhos (pés de galinha). A sua utilização noutras regiões faciais não é aprovada e quando é realizada por alguém não certificado e com experiência poderá ter consequências nefastas (por exemplo, perda da continência oral e alterações da fala).

O tratamento com a toxina botulínica é indicado para homens e mulheres.

Verdade.

O tratamento com toxina botulínica pode ser feito por pessoas de todas as idades.           

Mito. Só está aprovado na idade adulta e até aos 65 anos.

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
No Porto
Investigadores da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto desenvolveram um produto à base de bolotas para substituir o...

"O café é uma das bebidas mais apreciadas e consumidas em todo o mundo. Contudo, a presença de cafeína pode causar alguns efeitos negativos nos consumidores", disse Diana Pinto, investigadora da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto (FFUP) e uma das responsáveis pelo projeto.

Quando consumido em doses elevadas, continuou, o café pode originar ou aumentar sintomas como taquicardia, palpitações, insónias, ansiedade, tremores e dores de cabeça.

Segundo a investigadora, esses efeitos indesejáveis verificam-se igualmente em indivíduos mais sensíveis à cafeína, mesmo que não consumam elevadas quantidades de café.

"Certos consumidores com distúrbios gástricos, anemia por deficiência de ferro, hipertensos ou em situações de 'stress' podem apresentar sensibilidade aumentada ao café", referiu.

Para ultrapassar esta questão, contou a investigadora, torna-se necessário procurar alternativas para o desenvolvimento sustentável de substitutos do café, onde se incluem produtos alimentares sem valor comercial.

Neste projeto, a equipa usou as sementes de 'Quercus cerris', conhecidas por bolotas e consideradas um recurso com baixo impacto na alimentação humana, para desenvolver uma bebida que pode ser um substituto do café tradicional.

Utilizando as sementes, a equipa criou um pó, com um sabor menos intenso do que o do café, que tem que ser disperso em água e filtrado antes de consumido, à semelhança do que acontece com o café em pó ou com os seus substitutos.

De acordo com Diana Pinto, estas sementes são ricas em compostos antioxidantes, como polifenóis e vitamina E, e têm uma elevada captação de espécies reativas de oxigénio e de azoto.

Além disso, não apresentam toxicidade para as células intestinais.

Os próximos passos do projeto passam pela identificação e quantificação dos compostos bioativos presentes na constituição da bebida desenvolvida e pela análise sensorial do produto.

Participam no projeto os investigadores da FFUP Santiago Diaz Franco, Anabela Costa, Sónia Soares, Francisca Rodrigues e Maria Beatriz Oliveira, também membros do REQUIMTE, LAQV/Departamento de Ciências Químicas, e Snezana Cupara, Marijana Koskovac e Ksenija Kojicic, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Kragujevac (Sérvia).

 

Associação explica
A alergia alimentar caracteriza-se por uma resposta adversa do organismo que envolve o sistema imunológico, desencadeada pela...

Alguns alimentos tais como cereais (trigo, centeio, cevada), crustáceos (lagosta, camarão), ovos, peixe, amendoins, soja, leite e seus derivados, frutos de casca rija (frutos secos como amêndoa, avelã, nozes e coco), aipo, mostarda, sementes de sésamo, entre outros são exemplos de alimentos prevalentes em alergias alimentares. As alergias acontecem de forma continuada e ao longo de toda a vida, apesar de poderem desaparecer, normalmente ainda na infância. Os sintomas manifestam-se através de sintomas na pele, dificuldades respiratórias, ou cardíacas, por exemplo.

Por outro lado, a intolerância alimentar caracteriza-se pela resposta fisiológica do organismo a um alimento, não envolvendo o sistema imunológico. Pode desenvolver-se a qualquer altura da nossa vida, associando-se a um consumo excessivo de determinado alimento ou a uma patologia que envolva alterações morfológicas ou anatómicas do intestino. As intolerâncias alimentares são mais difíceis de detetar do que as alergias, uma vez que a resposta não é tão evidente e exacerbada como no caso das alergias e podem não apresentar reação causa-efeito imediata.

De acordo com Ana Lúcia Silva, Vice-Presidente da ALIMENTA “A investigação nestas áreas tem sido limitada, pelo que a falta de informação científica não permite saber de forma concreta quantas pessoas têm alergias ou intolerâncias alimentares, contudo estima-se que até 10% da população possa apresentar alergias alimentares. Estes dados podem ir até 35% caso as reações adversas aos alimentos sejam auto reportadas (sem confirmação clínica). Relativamente à doença celíaca estima-se que 1% da população mundial apresente esta doença autoimune.”

A nutricionista reforça ainda que “apesar da pouca evidência científica quanto às prevalências de alergias e intolerâncias alimentares, sabe-se do ponto de vista empírico que cada vez mais pessoas reportam reações adversas a alimentos, principalmente nos países industrializados, em idade pediátrica quando comparado com a idade adulta e que os alergénios mais comuns, tais como o leite de vaca, amendoim, frutos de casca rija, marisco e trigo, são responsáveis por aproximadamente 90% das reações alérgicas.”

As dificuldades na definição de alergias e intolerâncias alimentares, devem-se ao facto de a maioria dos estudos envolverem amostras de conveniência e não representativas da população, bem como a utilização de diferentes metodologias. Contudo pelo aumento de casos e severidade das alergias alimentares, a investigação tem evoluído bastante nos últimos anos e continuará num futuro próximo trazendo novos dados e métodos de diagnóstico e de tratamento mais céleres.

Já as doenças autoimunes, tais como o lúpus, doença de crohn, artrite reumatóide ou psoríase, definem-se através de uma resposta imunológica adversa contra as células (tecidos ou órgãos) do próprio organismo, como se de um agente agressor se tratasse. A doença celíaca, por exemplo, é uma doença autoimune caracterizada pela reação imunológica contra as células do intestino delgado após a ingestão de glúten (proteína presente nalguns cereais tais como trigo, centeio e cevada). Até hoje não se conhece nenhum outro tratamento possível que não a dieta isenta de glúten para toda a vida, o que permite a regeneração das lesões do intestino e a recuperação do organismo.

De forma a alertar a sociedade para este tipo de problemas e angariar fundos para financiar estudos e investigações científicas, a Maratona da Saúde, escolheu o tema “Alergias e Doenças Autoimunes” para a sua 5ª Edição que está neste momento a decorrer em parceria com a RTP. O objetivo é aliar o entretenimento à sensibilização e à angariação de fundos para apoiar projetos de investigação científica na área da saúde desenvolvidos em Portugal.

 

DGS recomenda
A Direção-Geral da Saúde recomendou hoje aos portugueses que se vacinem contra o sarampo, lembrando que é a “melhor forma” de...

“Aproxima-se a primavera e o verão, período em que os movimentos internacionais de cidadãos são mais intensos e o risco de contrair a doença é maior”, afirma a Direção-Geral da Saúde (DGS) em comunicado.

Como “o sarampo é um risco para a saúde”, a DGS recomenda aos portugueses que verifiquem o boletim de vacinas e se vacinem caso seja necessário.

Segundo o esquema vacinal recomendado no Programa Nacional de Vacinação, a primeira dose de vacina VASPR (sarampo, papeira e rubéola) deve ser tomada aos 12 meses de idade e a segunda aos cinco anos.

A vacina também é recomendada para os adultos nascidos em 1970 ou depois, que nunca tiveram a doença nem foram vacinados contra o sarampo.

A DGS recorda que foram notificados na Europa, em 2017, mais de 14.000 casos de sarampo, triplicando o número de casos registados no ano anterior.

Relembra ainda que, em 2017, verificaram-se, a partir de dois casos importados de outros países, dois surtos de sarampo em Portugal, registando-se 27 casos confirmados e um falecimento.

“As pessoas não protegidas pela vacinação correm maior risco de contraírem sarampo através do contacto com pessoas doentes ou em período de incubação da doença, provenientes de outros países”, sublinha a DGS.

Quem for viajar, poderá necessitar de doses adicionais de vacina pelo que deve contactar a sua unidade de saúde ou consultar o seu médico assistente, adianta.

A Direção-Geral da Saúde lembra que “o sarampo é uma das doenças infecciosas mais contagiosas podendo provocar doença grave ou mesmo a morte”.

Atualmente, em alguns países europeus, continuam a verificar-se surtos de sarampo, em crianças e adultos, adverte, sublinhando que “a vacinação continua a ser a melhor forma de evitar o sarampo”.

A vacinação contra o sarampo é efetuada, gratuitamente, nas unidades de saúde do Serviço Nacional de Saúde.

Em caso de dúvidas, as pessoas podem contactar o SNS 24 através do número 808 24 24 24.

O sarampo provocou 35 mortes no ano passado na região europeia considerada pela Organização Mundial da Saúde, que inclui 53 países, onde foram registados mais de 20 mil casos.

A OMS recorda que os surtos de sarampo registados no ano passado afetaram um em cada quatro países da região europeia, tendo sido notificados surtos em 15 dos 53 países abrangidos pela OMS Europa.

Segundo os dados de 2017, mais de 87% das pessoas que contraíram sarampo não estavam vacinadas.

 

Ministro da Saúde
O despacho com a abertura do concurso para a colocação dos médicos recém-especialistas nos hospitais, reclamado há meses por...

Adalberto Campos Fernandes fez este anúncio na Assembleia da República, onde hoje decorre um debate sobre a saúde.

Questionado pelo PSD sobre a falta de colocação de 700 médicos recém-especialistas, que na quinta-feira entregaram uma carta aberta no parlamento a apelar para a sua colocação nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS), o ministro referiu que o despacho será publicado na próxima semana, em Diário da República.

O ministro sublinhou, contudo, que estes profissionais estão a trabalhar no SNS, embora não tenham o vínculo e a remuneração correspondente à sua especialização.

“Não vale a pena enganar os portugueses e dizer que estão fora” do SNS, adiantou.

Na quinta-feira, um grupo de recém-especialistas da área hospitalar, acompanhados da Ordem dos Médicos e de representantes da Federação Nacional dos Médicos (FNAM) e do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), entregou no parlamento uma carta aberta a contestar o facto de 700 profissionais estarem há largos meses à espera da abertura de concurso.

 

Estudo
Chamam-se "exómeros" e nunca ouviu falar deles, mas desempenham um papel essencial na progressão do cancro. É essa a...

Até agora estas estruturas minúsculas eram desconhecidas pela ciência. Os exómeros foram agora identificados pela primeira vez por uma equipa internacional de cientistas como nanopartículas com influência nas evolução dos tumores. O trabalho foi publicado na revista Nature Cell Biology esta semana, escreve o Sapo.

Já se sabia que as células de cancro comunicam à distância com outras células e que essa comunicação inclui o envio de proteínas e de vesículas, como por exemplo os exossomas. Aplicando às células cancerígenas uma técnica de fracionamento que nunca tinha sido aplicada neste contexto, explica Celso Reis, investigador principal do trabalho realizado em Portugal, "os investigadores conseguiram separar em pormenor vários subtipos destas vesículas e, nessa separação, identificaram um novo grupo de vesículas a que chamamos, exómeros e que têm aproximadamente 35 nanómetros" (três mil vezes mais fino do que um fio de cabelo).

Estes exómeros são ainda menores do que os exossomas e o seu conteúdo é significativamente diferente das outras vesículas, não só nas proteínas, mas também nos glicanos (hidratos de carbono complexos que existem nas células e que estão muito alterados nas células tumorais).

Utilizando linhas celulares de diversos tipos de cancro e também modelos animais, os investigadores descobriram também que estes exómeros têm uma distribuição pelos órgãos do animal diferente das outras vesículas, "sugerindo, por isso, uma função diferente no processo de progressão tumoral", adianta Celso Reis.

Aberta porta ao desenvolvimento de novos tratamentos
No decorrer do trabalho, acrescenta o investigador, "percebemos também que as proteínas que estão particularmente enriquecidas nos exómeros são proteínas que sabemos serem importantes na biologia tumoral, ou seja, contribuem para a evolução do tumor".

Os próximos passos desta investigação irão permitir definir especificamente as diferentes funções biológicas destas partículas no microambiente tumoral e na progressão da doença.

Esta descoberta permitirá também desenvolver no futuro novas estratégias para melhorar o diagnóstico e, eventualmente, avaliar o seu potencial no tratamento.

 

Oncologia
O serviço de oncologia do Hospital Pediátrico de Coimbra registou um aumento de cancros infantojuvenis em 2017, ano em que...

Segundo a especialista, os linfomas e as leucemias estão a aumentar, enquanto o número de tumores sólidos (em órgãos) se mantém estável.

"Tenho a impressão que o acréscimo de novos tumores se deve ao aumento dos fatores de risco ambientais, como a poluição, aliado a uma maior fragilidade das crianças e jovens aos mesmos fatores agressores", explicou.

Em 2017, de acordo com a diretora do serviço de oncologia, foram registados 70 novos casos de cancro no Hospital Pediátrico de Coimbra, que integra o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).

Aquele serviço foi criado na sequência da criação do CHUC, em janeiro de 2011, tendo alargado o seu atendimento até aos 18 anos, mas desde o final da década de 1970 que prestava cuidados diferenciados às crianças com cancro.

Os dados registados em Coimbra, refere Fátima Heitor, indicam que os níveis de doença oncológica se encontram dentro da média nacional.

De acordo com o registo oncológico, todos os anos cerca de 400 crianças e jovens são diagnosticadas com cancro em Portugal, doença que continua a ser a primeira causa de morte não acidental na população infantojuvenil, apesar dos grandes progressos a nível do diagnóstico e tratamento.

No sábado, o Hospital Pediátrico de Coimbra recebe o 4.º Seminário Oncologia Pediátrica, organizado pela Fundação Rui Osório de Castro, destinado a pais, familiares e amigos de crianças com cancro, que se realiza pela primeira vez fora de Lisboa.

"Este ano decidimos ir para Coimbra e no próximo para o Porto, pois a ideia é estarmos cada vez mais perto dos doentes e proporcionar um ponto de encontro de toda a comunidade que trabalha ou que tem, de alguma forma, a ver com o cancro infantil", disse Cristina Potier, diretora-geral da instituição.

Com base no "feedback" e testemunhos dos pais, o seminário vai discutir este ano "quase todo o processo de tratamento de uma criança", desde o internamento, o regresso a casa e ao dia-a-dia e a investigação em oncologia pediátrica.

Segundo Cristina Potier, vão também ser abordadas "todas as questões que têm a ver com o pós-doença: as possíveis sequelas, a parte social, o regresso à escola e à vida normal", com a participação da pediatra Ana Teixeira, que é a responsável pela única consulta que existe em Portugal para sobreviventes de cancro infantil.

 

Alimentação saudável
A Ordem dos Nutricionistas congratulou-se com os Projetos de Resolução aprovados no parlamento que recomendam ao Governo a...

A Assembleia da República aprovou na quinta-feira projetos de lei do CDS-PP, PSD e PCP que recomendam ao Governo a criação de uma plataforma que valorize o setor alimentar, a promoção de um comité científico e o reforço da investigação nesta área.

Alexandra Bento, Bastonária da Ordem dos Nutricionistas, afirma que “é com grande satisfação que a Ordem dos Nutricionistas vê a alimentação na agenda política”, defendendo, todavia, que é necessário que estas recomendações se traduzam em ações concretas e que o Governo aja em conformidade.

Este comité científico, segundo os partidos promotores dos diplomas, seria constituído por entidades como as ordens dos Nutricionistas e dos Médicos academias científicas e institutos vocacionados para a investigação para “estabelecer um consenso a nível académico” de forma a “recuperar a confiança dos consumidores” e a “desfazer mitos”.

Pretendem ainda concentrar a informação dispersa, apoiar agricultores e produtores a desenvolverem produtos endógenos e reforçar a investigação, experimentação, apoio, acompanhamento e aconselhamento agrícola, criando condições para os agricultores mais pequenos acederem à inovação.

Já em janeiro de 2016, a Ordem dos Nutricionistas tinha recomendado ao Ministério da Saúde a criação de um órgão consultivo interministerial que pudesse auxiliar as instituições governamentais com competências na definição de políticas, propondo linhas de orientação estratégicas com impacto na alimentação e no estado nutricional da população.

A Ordem dos Nutricionistas considera fundamental que a criação de um comité agroalimentar defenda “a saúde em todas as políticas”, com a integração de vários setores governamentais, envolvendo os ministérios da Saúde, Educação, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Economia, Ambiente, Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural.

 

Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge
A atividade gripal mantém-se em níveis epidémicos, com baixa intensidade, e a proporção de consultas médicas nos cuidados...

Contudo, de acordo com os dados reportados pelo Instituto Ricardo Jorge, a taxa de incidência na semana entre 12 e 18 de fevereiro foi de 34,5/100.000 habitantes, uma ligeira subida relativamente à semana anterior, que apresentava uma taxa de 27,9/100.000 habitantes.

De acordo com a Direção-Geral da Saúde (DGS), nas últimas cinco semanas “verificou-se uma estabilidade da procura dos serviços de urgência, do número de doentes internados (por todas as causas), bem como da proporção de atendimentos”.

Na semana de 12 a 18 de fevereiro, foram internados 11 doentes nas Unidades de Cuidados Intensivos com gripe, menos seis do que na semana anterior, e a proporção de atendimentos da linha SNS 24 por síndrome gripal também baixou.

Quanto à procura do Instituto Nacional de Emergência Médica, mantém-se uma estabilidade do número de acionamentos registados.

De acordo com o Sistema de Vigilância Diária da Mortalidade, “a mortalidade por todas as causas registou valores acima do esperado para a semana em análise, o que se observa num contexto de temperaturas baixas, em especial nas regiões Norte e Centro”, refere a DGS.

 

Canábis
O GAT - Grupo de Ativistas em Tratamentos defendeu ontem no parlamento o uso da planta canábis e seus derivados para fins...

O presidente do GAT, Luís Mendão, foi ontem ouvido na comissão parlamentar de Saúde, no âmbito do grupo de trabalho para a utilização da canábis com fins medicinais, e que foi criado depois de o Bloco de Esquerda (BE) e o partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN) terem apresentado projetos de lei que preveem o autocultivo da planta e que 'baixaram' à especialidade.

A organização não-governamental em defesa dos direitos das pessoas com VIH/sida concorda com o "uso mais restrito, com indicação terapêutica", da planta e seus derivados, como óleos, mas discorda do autocultivo associado a esse fim, defendendo "a venda com prescrição médica".

Luís Mendão desafiou, no entanto, o parlamento a "fazer a discussão da legalização da canábis para consumo de adultos", independentemente do seu fim, depois de "resolvida a canábis terapêutica".

Para o dirigente do GAT, "a proibição de uma substância que é usada por dois por cento da população", para fins recreativos ou alívio de sintomas de doenças, e "fez crescer a venda no mercado negro não é uma resposta muito adequada".

O uso medicinal da canábis tem gerado controvérsia, com a Ordem dos Farmacêuticos a manifestar-se contra, alegando falta de dados científicos que comprovem a sua eficácia e segurança e a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed) a concordar sob condições controladas e específicas.

 

Alimentação saudável
O Governo lança na sexta-feira a campanha "O Açúcar Escondido nos Alimentos" para promover a saúde dos portugueses,...

A campanha, financiada pela Direção-Geral da Saúde (DGS) e inserida no Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, pretende alertar os portugueses para os perigos que se podem esconder nos rótulos dos alimentos e para o risco associado ao elevado consumo de açúcar.

O lançamento da campanha conta com a participação do humorista Herman José, da atriz Joana Solnado e do ator Lourenço Ortigão e coincide com o dia em que será formalizado um protocolo inédito com aquelas quatro estações televisivas, "em moldes nunca antes vistos".

A cerimónia está prevista para o Palácio da Rocha do Conde d'Óbidos (Cruz Vermelha Portuguesa), em Lisboa, com a presença dos representantes dos quatro canais de televisão e do secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Araújo.

"Na base da responsabilidade social, os quatro canais aceitaram passar, em simultâneo, ao longo do ano, mensagens promotoras de saúde pública, sendo a primeira a do açúcar - realizada por André Badalo e produzida pela FunnyHow", indica um comunicado do Ministério da Saúde.

A mesma nota salienta que o Ministério definiu como um dos seus eixos prioritários de ação a promoção de saúde pública, dando especial ênfase às áreas da alimentação saudável, luta contra o tabagismo e atividade física.

"Sendo claro que a mudança de comportamentos se consegue, em grande parte, com educação, o Ministério da Saúde acredita que a aposta na literacia e, neste sentido, em campanhas nacionais de promoção de saúde pública se traduzirá em melhorias nos comportamentos e nos estilos de vida dos Portugueses. E, por conseguinte, na saúde de todos", justifica o Governo.

De acordo com dados governamentais, cerca de um terço das crianças portuguesas tem excesso de peso ou já sofre de obesidade e considerando a população adulta essa percentagem ultrapassa os 50 por cento.

"Os dados mais recentes mostram ainda que um em cada dez portugueses sofre de diabetes. É preciso inverter este caminho que está a roubar anos de vida saudáveis aos portugueses. E essa mudança terá de passar, desde logo, por uma alteração nos hábitos de consumo alimentares, como a redução na ingestão de sal, açúcar e gorduras trans", alerta o mesmo ministério.

 

Ordem dos Médicos
A Ordem dos Médicos criou uma morada eletrónica para os clínicos denunciarem situações de “deficiência e insuficiência” no...

O anuncio foi hoje feito pelo bastonário da Ordem dos Médicos (OM), Miguel Guimarães, após ter acompanhado um grupo de recém-especialistas da área hospitalar que entregaram no Parlamento uma carta aberta a contestar o facto de 700 profissionais estarem há largos meses à espera da abertura de concurso.

O bastonário explicou que estas duas “formas inéditas” dos médicos protestarem contra o estado do Serviço Nacional de Saúde (SNS), que considerou “mau”, visam alertar a tutela para as situações de “deficiência e insuficiência” que atingem o setor.

Em relação à morada eletrónica ([email protected]), Miguel Guimarães espera que possa ser um meio para a OM conhecer os problemas que atingem os hospitais.

A outra medida pretende alertar o ministro da Saúde, mas também o da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, para “os problemas que pode causar a dita medicina tradicional chinesa”, a propósito da publicação da portaria que valida a criação de ciclos de estudo que conferem o grau de licenciado em medicina tradicional chinesa.

A portaria foi publicada este mês e recebeu a contestação imediata da OM, que acusou o Governo de ameaçar a saúde dos portugueses validando cientificamente práticas tradicionais chinesas através de uma licenciatura.

Na Comissão Parlamentar de Saúde, Miguel Guimarães esteve acompanhado de médicos recém-especialistas que aguardam colocação há meses, bem como por representantes da Federação Nacional dos Médicos (FNAM) e do Sindicato Independente dos Médicos (SIM).

Com 3.000 assinaturas, entre as quais nomes como o cirurgião Gentil Martins ou o especialista em transplantes Linhares Furtado, a carta foi apresentada por Miguel Guimarães como “feita por jovens médicos que esperam por concurso há meses, alguns há um ano”.

Para o bastonário, esta é “uma situação única”, uma vez que estas centenas de recém-especialistas aguardam há tanto tempo por concurso, apesar das carências destes profissionais nos hospitais.

Sobre a justificação do ministro da Saúde, que quarta-feira disse que está no Ministério das Finanças o processo para abrir o concurso para estes médicos, Miguel Guimarães disse que a mesma não pode ser aceite.

“Não podemos aceitar que as responsabilidades se passem para as Finanças”, afirmou, lembrando que “quem manda na saúde é o ministro da Saúde”.

Inês Mesquita, anestesiologista que aguarda pela abertura do concurso e que hoje esteve presente no Parlamento, apelou à ajuda para que estes médicos possam ajudar os portugueses.

“Temos de estar nos hospitais que nos deram a formação e não onde somos necessários”, lamentou, mostrando disponibilidade para ocupar uma vaga num hospital carenciado da sua especialidade.

Para o presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, o ministro da Saúde “não é capaz de fazer o trabalho que lhe compete”.

O médico classifica como “paradoxo” a existência de 700 médicos a aguardar colocação, quando existem tantas unidades onde são precisos.

A situação foi igualmente lamentada por Guida da Ponte (FNAM) e José Carlos Almeida (SIM), para quem a situação é “incompreensível”.

O vice-presidente da Comissão Parlamentar da Saúde, Moisés Ferreira, garantiu aos promotores da carta aberta que o atraso nos concursos para a colocação destes médicos está a ser acompanhado por este grupo.

 

Shire Portugal
O caminho até ao diagnóstico de doença rara é emocional, física e financeiramente desafiador, e impacta significativamente a...

"Reconhecemos que o Dia Mundial das Doenças Raras deve ser assinalado junto da comunidade que vive com uma doença, sendo que para isso trabalhamos todos os dias como um representante dos milhões de pessoas afetadas, das suas famílias e cuidadores e dos médicos que tratam doenças raras", afirma Carla Benedito, diretora geral da Shire Portugal. "A nossa missão é impulsionar a pesquisa e desenvolvimento, além de apoiar as pessoas que vivem com doenças raras, particularmente para aqueles que têm, ainda, muito poucas opções de tratamento disponíveis. Esforçamo-nos, através dos nossos medicamentos e abordagens científicas inovadoras e fornecendo recursos de acesso e apoio, para ser um líder e parceiro valorizado para a comunidade de doenças raras".

Uma das iniciativas a que a Shire se associou este ano foi à Comissão Global para Acabar com a Odisseia do Diagnóstico de Crianças com uma doença rara (Global Commission to End the Diagnostic Odyssey for Children with a Rare Disease). A Shire, a Microsoft e a EURORDIS uniram-se para enfrentar o desafio do diagnóstico multianual a que muitos pacientes são sujeitos, trabalhando com o objetivo de quebrar barreiras ao diagnóstico. A Comissão é parceira de especialistas vindos de vários setores, incluindo associações de doentes, instituições académicas e de investigação, sistemas hospitalares e de saúde, organizações políticas, empresas de tecnologia e biotecnologia, que se juntaram para desenvolver um roteiro necessário de apoio ao campo das doenças raras no acelerar do tempo de diagnóstico.

Estima-se que existam 350 milhões de pessoas em todo o mundo com doenças raras.

 

Saúde mental
Estudo que incluiu mais de 100 mil homens e mulheres que já tiveram depressão considerou todos os tipos de antidepressivos mais...

Há evidências muito fortes de que os antidepressivos são eficazes no tratamento à depressão aguda em adultos. Esta é a conclusão de um estudo, que se prolongou durante seis anos, e que foi agora publicado. Os autores sublinham a importância de um estudo sobre uma doença que afeta 350 milhões de pessoas em todo o mundo e cuja prevalência está a aumentar.

A revista The Lancet publicou um estudo de revisão de 522 ensaios clínicos, com 21 antidepressivos diferentes. A recolha de dados abrangeu 116 477 homens e mulheres que tiveram depressão e que foram alvos de tratamento clínico, pelo menos, durante dois meses, escreve o Diário de Notícias.

Os cientistas envolvidos neste estudo são da opinião de que todos os tipos de antidepressivos estudados, sem exceção, foram mais eficazes no objetivo de diminuir os sintomas de depressão ao longo do tempo do que o placebo - considerando um antidepressivo eficaz aquele que conseguisse diminuir a sintomatologia em 50%.

"Os antidepressivos são uma ferramenta eficaz para a depressão. A falta de tratamento para a depressão é um enorme problema por causa do impacto na sociedade", justificou Andrea Cipriani do Oxford Health Biomedical Research Centre, que liderou o estudo

A surpresa foi parcial, pois esperava-se que alguns antidepressivos se mostrassem mais eficazes do que o placebo, mas ninguém perspetivava que todos se mostrassem superiores ao placebo. "Estávamos abertos a qualquer resultado, por isso podemos dizer que esta é a resposta final a uma dúvida de anos", disse o investigador principal do estudo, Andrea Cipriani, da Universidade de Oxford, no Reino Unido.

Entre os antidepressivos também foi possível estabelecer um ranking de eficácia. Agomelatina, amitriptilina, escitalopram, mirtazapina, paroxetina , venlafaxina e vortioxetina foram aqueles que se mostraram mais combativos no ataque à redução dos sintomas. Os menos eficazes, concluíram os autores do estudo, mostraram ser a fluoxetina (Prozac, um dos menos eficazes mas dos mais bem tolerados), a fluvoxamina, a reboxetina e a trazodona.

 

Participação gratuita
Promover um maior conhecimento sobre as várias vertentes da saúde e incrementar o interesse da população sobre esta área é o...

Esta iniciativa da Universidade Nova, mais especificamente da Nova School of Business & Economics (Nova SBE) e da Nova Healthcare Initiative (Nova HI), pretende transmitir os conhecimentos produzidos em ambiente académico aos portugueses e abrir a universidade a todos aqueles que tenham interesse em explorar os temas da saúde e assim desenvolverem uma participação mais ativa na sociedade.

“Métodos estatísticos aplicados à saúde”, “Análise de intervenções em saúde”, “Value-based health care”, “Análise económica”, “Economia da saúde”, “Análise de desigualdades em saúde”, “Gestão em saúde: análise de processo” e “Liderança, cultura e gestão da mudança” são os módulos disponibilizados pela Nova SBE através da Nova HI.

Pedro Pita Barros, João Marques Gomes, Julian Perelman e Céu Mateus são alguns dos nomes que fazem parte desta iniciativa e que irão partilhar os seus conhecimentos com os presentes. A participação nesta iniciativa é gratuita mediante inscrição através do e-mail: [email protected].

A Nova SBE é uma das escolas portuguesas de gestão e de economia mais conceituadas e que dá agora a conhecer e põe em prática o trabalho desenvolvido pela Nova HI, unidade de investigação e de consultoria da Nova SBE para as áreas de gestão e de economia da saúde, de saúde pública e de políticas de saúde. Esta unidade produz e dissemina conhecimento científico com o objetivo de contribuir para tomadas de decisão informadas e devidamente fundamentadas.

Para mais informação consulte: https://www.facebook.com/novahealthcareinitiative/ e http://www.novahi.pt.

 

Doença afeta entre 50 a 60 mil portugueses
A Epilepsia é uma doença que resulta de uma perturbação do funcionamento do cérebro, devido a uma de

Conhecida desde a antiguidade, já era representada em papiros e atribuída a entidades sobrenaturais. Hipócrates (460-375 A.C.) reconheceu pela primeira vez que a epilepsia é uma doença do cérebro. Todavia, apesar da grande evolução e progresso no conhecimento médico, com novas opções de tratamento farmacológico e cirúrgico disponíveis, vários séculos depois ainda existe bastante desinformação e alguns preconceitos relacionados com esta doença. 

A sua incidência é elevada, atingindo cerca de 4 a 7 por cada mil habitantes, e estimando-se que existam cerca de 50 000 a 60 000 doentes com epilepsia em Portugal.

A Epilepsia é caracterizada pela repetição espontânea de crises epilépticas, de diversos tipos e cujas manifestações clínicas são diferentes, de acordo com o local de onde se originam as crises. Poderá manifestar-se por convulsões com contração maciça de toda a musculatura, ou apenas por uma perturbação do comportamento habitual. De uma forma simplista poderemos agrupar em crises focais, originadas em redes limitadas a uma área do cérebro ou em crises generalizadas, que rapidamente atingem as redes neuronais bilaterais.

A distinção entres estas duas categorias tem implicações terapêuticas e prognósticas, por isso é fundamental uma descrição exaustiva das crises com vista a identificar uma síndrome especifica.

O que causa a Epilepsia?

A expressão da epilepsia num indivíduo é o resultado de múltiplos fatores genéticos e ambientais. Esta é uma área em grande evolução e atualmente as causas são agrupadas em (1) Genéticas (2) Estruturais (3) Metabólicas (4) Imunológicas (5) Infeciosas e (6) Desconhecidas.

Como se faz o diagnóstico?

O diagnóstico é fundamentalmente clínico e baseia-se na história clínica, sendo importante a história familiar, os antecedentes pessoais e sobretudo a descrição pormenorizada dos acontecimentos. Na descrição da crise importa caracterizar muito bem a situação em que ocorreu (sono/alerta, repouso/exercício), o que estava a fazer, a sequência exata de acontecimentos e o estado após a crise. Na maioria dos casos será necessário recorrer a exames complementares, Electroencefalograma (EEG) e Ressonância magnética cerebral, para ajudar a definir o tipo de Epilepsia e orientar a terapêutica farmacológica ou eventualmente cirúrgica.

Qual é o tratamento?

O tratamento é geralmente farmacológico. A terapêutica deve ser mantida durante, pelo menos, dois anos com reavaliações periódicas. Em determinadas situações, sobretudo nalgumas crianças, será possível suspender a medicação, mas sempre sob aconselhamento médico. No entanto, na maioria dos casos deverá manter-se ao longo da vida. É importante salientar que nem todas as crises epilépticas são controláveis, cerca de um terço dos doentes poderão necessitar de várias tentativas de ajuste da medicação, alguns de uma dieta especial (dieta cetogénica) e nalguns doentes poderá estar indicado um tratamento cirúrgico. Este consiste em retirar uma parte do tecido cerebral, a zona onde se iniciam as crises, sem retirar tecido que possa prejudicar o normal funcionamento do cérebro, mas tem indicações específicas.

O que fazer perante uma crise epiléptica?

A principal atitude é:

  • manter a calma;
  • não tentar restringir os movimentos, desapertar o colarinho;
  • evitar traumatismo da cabeça, colocando a mão, ou um casaco dobrado, debaixo da mesma;
  • recomenda-se ainda desviar móveis ou objetos que possam magoar;
  • Colocar a pessoa na posição lateral de segurança quando os abalos (‘convulsões’) pararem.

O que não deve fazer

  • nunca colocar nada na boca, nem puxar a língua, não existe o perigo se enrolar ou obstruir a passagem de ar, como comummente se pensa;
  • nunca dar água;
  • deve manter-se junto à pessoa e esperar que a crise passe.

Quando levar ao Hospital

  • Dirija-se ao hospital apenas se tiver uma primeira crise, se esta durar mais de 5 minutos, se a pessoa não recuperar a consciência ou se houver algum traumatismo ou ferimento decorrente da crise;
  • Se o doente sofrer uma crise epiléptica como tantas outras, não é necessário chamar a ambulância ou ir ao hospital.
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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Presidente
A presidente da Raríssimas, Margarida Laygue, alerta que a associação corre o risco de fechar caso os mecenas deixem de a...

“Efetivamente há esse risco, não vou negar, mas estamos a trabalhar para inverter a situação”, afirmou, na Casa dos Marcos, na Moita, a nova presidente da Associação Nacional de Deficiências Mentais e Raras.

Segundo Margarida Laygue, o Estado “tem sido exemplar” e tem “permitido continuar” o trabalho da associação, que apoia 247 utentes.

[O Estado continua] “a apoiar-nos como sempre apoiou nas contratualizações que fazemos, dos utentes que recebemos do Estado”, o que permite continuar o serviço em determinadas valências, frisou.

No entanto, “há uma percentagem grande” do trabalho da instituição que “sobrevive com o apoio dos mecenas e essa parte está a ser afetada”.

“Não estarmos continuamente a receber esses apoios vai fazer com que haja um risco” de a instituição fechar portas, advertiu.

Quando fez um mês que tomou posse, no início de fevereiro, Margarida Laygue apelou em conferência de imprensa para a ajuda dos portugueses, principalmente dos mecenas, para salvar a instituição.

Depois deste apelo, disse que houve “algumas manifestações” de pessoas que escreveram a dizer que queriam contribuir com algum donativo e de duas empresas.

“Infelizmente não teve a extensão de impacto que pretendíamos que tivesse, mas não desistimos e vamos continuar”, afirmou Margarida Laygue, reconhecendo que “do ponto de vista geral” pensou que “iria mobilizar muito mais” apoios e reiterando que vai prosseguir o trabalho de recuperar a confiança dos portugueses.

Apesar de reconhecer que ainda “é muito pouco tempo” para a direção dar provas, pediu aos portugueses para darem “um voto de confiança” no trabalho que está a desenvolver.

Alguns passos já foram dados para salvar a instituição, como “cortar alguns custos que não eram imprescindíveis para a associação” e negociar com os fornecedores para se reduzir as despesas mensais.

Uma “auditoria certificada às contas de 2017”, “rever o orçamento traçado”, contactar com os mecenas e a criação de um sistema para que estes sejam informados sobre como foram aplicadas as verbas doadas são outras medidas em desenvolvimento, adiantou.

Apesar de toda a polémica que envolveu a Raríssimas e que levou à destituição da antiga presidente, Paula Brito da Costa, que foi constituída arguida, a associação conseguiu garantir que “todos os serviços continuassem a funcionar” com o apoio dos colaboradores que fizeram “um esforço para continuar com as suas obrigações”.

Os pais também “estão tranquilos”, porque “nada foi interrompido” nos serviços terapêuticos e de acompanhamento, no lar, na unidade de cuidados continuados e no centro de reabilitação.

Para Margarida Laygue, “o importante é a causa” e a instituição poder “permanecer para além das pessoas” que a estão a dirigir.

“Eu estou só a fazer um papel e por isso chamo a atenção e digo que a Paula Costa e a Margarida Laygue não são nada importantes ao lado da causa que é a Raríssimas”, vincou.

No entanto, reconheceu que o caso que envolve a anterior presidente levou a que se fizessem conotações com a instituição.

“Acho que, até certo ponto, foi personalizada essa obra e associada à pessoa que fez este trabalho notável efetivamente. Fazem essas ligações, o caso foi mediático, o foco foi muito nessa pessoa e é normal que façam essas conotações”, referiu.

Paula Brito da Costa, fundadora da Raríssimas, demitiu-se da presidência após uma reportagem da TVI em que se levantavam suspeitas sobre a sua gestão, nomeadamente a utilização de verbas da instituição para diversos gastos pessoais.

Sobre o que a levou a abraçar este desafio, Margarida Laygue disse que foi o facto de também ser mãe de “uma menina rara”, que frequenta diariamente há mais de um ano e meio a Casa dos Marcos para fazer os tratamentos e terapias que precisa.

“Quando surgiu esta polémica na televisão (…) fiquei bastante preocupada”, afirmou, porque “infelizmente não existem assim tantas respostas que congreguem tantas especialidades de reabilitação como a Raríssimas consegue fazer na Casa dos Marcos”.

Pensou que “era essencial ajudar de alguma forma, fosse ela qual fosse, para que a Raríssimas continuasse”.

Os impactos de não haver direção “podiam ser bastantes negativos” e alguém “tinha de assumir este papel”.

Quando pais e colaboradores decidiram apresentar uma lista, Margarida Laygue disse que se sentiu “impelida, quase que instintivamente, para o fazer”.

“Foi tudo muito rápido, acho que nem eu estava bem preparada na altura, mas era o meu coração de mãe a falar mais alto de que tínhamos de fazer qualquer coisa”, observou.

“Assim foi, a nossa lista ganhou e cá estamos nós com um desafio enorme pela frente para ajudar a Raríssimas a continuar o seu trabalho”, disse ainda.

 

Estudo da Empregabilidade
Cerca de 70% dos dentistas que trabalham no estrangeiro não pretendem regressar a Portugal, segundo dados da Ordem dos Médicos...

Segundo o Estudo da Empregabilidade realizado aos dentistas portugueses, apenas 30% dos profissionais emigrados pretende voltar a Portugal, mas sem um horizonte de tempo definido.

De acordo com a Ordem dos Médicos Dentistas, um em cada dez dentistas portugueses está a trabalhar no estrangeiro, sendo um total de 1.500 em 11 mil profissionais no ativo.

“Não estamos a dar condições de segurança, condições de remuneração e de carreira. O que estamos a oferecer em Portugal é uma grande precariedade a estes jovens médicos dentistas. E grande parte deles vai exercer para o estrangeiro, nomeadamente para países da Europa”, afirmou o bastonário, Orlando Monteiro da Silva.

A larga maioria dos emigrados que não pretende sequer regressar a Portugal indica que, no estrangeiro, tem melhores condições de trabalho e de vida.

Segundo o Estudo da Empregabilidade, realizado no ano passado e agora divulgado, 60% dos dentistas a exercer em Portugal trabalham em dois ou mais consultórios e mais de metade dos que se formaram há menos de uma década trabalha em mais de quatro consultórios.

O bastonário dos Médicos Dentistas sublinha que as condições de trabalho são difíceis, sobretudo para os médicos mais jovens, que trabalham muitas horas, em vários consultórios ao mesmo tempo e com deslocações grandes, por vezes a uma ou duas horas do local de residência.

“Os nossos colegas mais jovens, sobretudo com menos de 10 anos de profissão têm uma grande precariedade, remunerações baixas, sem perspetivas de carreira e isso leva-os, nomeadamente, à emigração. É fundamental que a sociedade e os candidatos ao curso de Medicina Dentária se informem sobre as condições de emprego que vão encontrar e que desfaçam essa ideia de que a medicina dentária é uma profissão onde se ganha muito bem. Não é assim de há muito tempo a esta parte”, aconselha Orlando Monteiro da Silva.

Ao Governo, a Ordem dos Médicos Dentistas recomenda e apela a que sejam reduzidas as vagas nos sete cursos de Medicina Dentária existentes em Portugal.

“Parece-me óbvio que as faculdades têm de repensar a sua oferta para não continuarmos a formar pessoas para as convidarmos a exercer fora de Portugal”, indica o bastonário, lembrando que todos os anos saem dos cursos entre 600 a 700 novos licenciados em medicina dentária.

O responsável defende que este valor devia ser progressivamente reduzido, pelo menos 10 a 15 por cento por ano, apostando antes na formação pós-graduada.

Aliás, Portugal tem um médico dentista por cada mil habitantes, quando as recomendações internacionais apontam para um profissional para 1.500 a 2.000 habitantes.

“As próprias faculdades sabem que estão a formar médicos dentistas ou para o desemprego ou, talvez ainda mais grave, para o subemprego, a precariedade. Um médico dentista, por ser uma profissão ainda liberal, raras vezes se pode considerar desempregado. Ele está é numa situação grave de subemprego”, comenta o bastonário dos Médicos Dentistas.

 

Saúde oral
A Ordem dos Médicos Dentistas quer que o Estado comparticipe cuidados de saúde oral aos utentes do Serviço Nacional de Saúde,...

“Era fundamental [criar] uma comparticipação para os utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) quando não exista médicos dentistas nos centros de saúde, para complementar o programa do cheque dentista e para a generalidade da população. É preciso criar mecanismos de comparticipação das consultas. Para ajudar as famílias, até da classe média, a ter acesso à medicina dentária”, refere o bastonário dos Médicos Dentistas, Orlando Monteiro da Silva.

De acordo com o Estudo da Empregabilidade realizado no ano passado e agora divulgado pela Ordem, entre 50 a 60 por cento dos utentes em Portugal pagam integralmente no ato da consulta ou do tratamento no médico dentista.

Há ainda 13 a 16% que paga através de seguro de saúde, 10 a 13% por subsistema público e cinco a sete por cento por plano de saúde. Depois, cerca de 6% por cheque dentista e três a cinco por cento a crédito.

Apesar de 44% dos médicos dentistas considerarem que o número de utentes subiu entre 2016 e 2017, a Ordem sublinha que há uma larga fatia da população que “não tem capacidade económica para ir ao médico dentista”.

“As pessoas que não têm capacidade económica não vão ao médico dentista e as que não vão também não têm capacidade para fazer um seguro [de saúde]. É preciso investir muito no acesso à medicina dentária, criar outros mecanismos que ajudem os portugueses com menores recursos. Mesmo a classe média está impedida, em grande parte, de ter acesso à medicina dentária, porque apenas está presente no setor privado”, afirma Orlando Monteiro da Silva.

Embora aplauda os projetos que há menos de dois anos começaram a integrar médicos dentistas nos centros de saúde, o bastonário indica que a presença de dentistas no SNS ainda é tímida.

Por isso, defende comparticipações para ajudar a população a recorrer à medicina dentária.

A Ordem dos Médicos Dentistas chegou já a propor a criação de um seguro estatal para a saúde oral que funcione à semelhança da ADSE dos funcionários públicos.

Segundo um estudo apresentado pela Ordem em 2016, o Estado precisaria de 280 milhões de euros anuais para dar a todos os utentes acesso a cuidados de medicina dentária em regime de convenção com consultórios privados.

O custo anual de 280 milhões de euros permitiria incluir cerca de 90% dos cuidados de saúde para todos os utentes do SNS. Ou seja, naqueles custos estão contemplados os cuidados e tratamentos mais frequentes, como extrações, desvitalizações ou limpezas.

O estudo e 2016 apresentou vários cenários para aumentar o acesso dos portugueses a cuidados de saúde oral e recomenda que se opte pelo aumento da cobertura pública através de prestação privada, um regime convencionado como já acontece noutras áreas (análises clínicas, por exemplo).

A aplicação deste regime aponta para um encargo SNS de 280 milhões de euros por ano, o que daria uma despesa de 28 euros por cada português.

 

Casa de Saúde da Idanha
A robótica e terapias digitais no apoio a vítimas de demência está em destaque no congresso internacional dedicado às doenças...

O psiquiatra Pedro Varandas, diretor da Casa de Saúde da Idanha, onde se realiza o congresso, disse que já começou o uso de robôs e meios digitais na assistência a doentes em países como os Estados Unidos e o Japão.

Assinalando o envelhecimento da população portuguesa, o coordenador científico do congresso defendeu que "Portugal terá que pensar muito seriamente o que quer fazer nesta área", uma vez que não existe uma rede de cuidados específicos para estas doenças, que se estima que afetem "entre 50 mil a 60 mil pessoas" no país.

"Os equipamentos para internamento, por exemplo, são muito escassos. Quando as pessoas precisam de ser internadas, até por outras patologias, vão para dispositivos desadequados", referiu.

Meios digitais e robóticos que interagem com os doentes providenciam "conforto e dignidade" para os doentes, como "Paro", um robô com um grau de inteligência artificial que permite a interação com pessoas como se fosse um animal de estimação, e cujo criador, Takanori Shibata, estará presente no congresso.

"Estas doenças não podem ser travadas, mas podem ser estabilizadas", disse Pedro Varandas, acrescentando que há "técnicas neuro-psiquiátricas" modernas que visam alguma "reabilitação cognitiva", tentando recuperar áreas da memória e melhorar o desempenho intelectual dos doentes, maioritariamente de idade avançada.

O risco genético é um fator importante no desenvolvimento destas doenças, entre as quais sobressai o Alzheimer, mas os riscos ambientais decorrentes de "estilo de vida, alimentação, exercício", são também determinantes, disse.

Com as comunicações do congresso, que decorre quinta e sexta-feira, pretende-se fazer um ponto de situação nos cuidados prestados e no conhecimento científico mais atual.

 

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