HIPRA
A HIPRA HUMAN HEALTH, com o apoio do Observador, reuniu especialistas de referência na Ordem dos Médicos para uma reflexão...

Carlos Cortes enfatizou a necessidade de uma visão mais holística e colaborativa sobre a saúde, alertando para o impacto da degradação ambiental no bem-estar humano: “Não podemos continuar a tratar a saúde humana como uma ilha isolada da realidade ecológica e da vida animal”. “Não há verdadeira saúde humana num planeta doente. Nenhuma resposta será eficaz se não formos capazes de pensar e agir em conjunto e em proximidade”, destacou o Bastonário da Ordem dos Médicos na intervenção de abertura.

 

César Jesus, Associate Director da Hipra, reforçou a importância do conceito One Health num mundo em constante mudança, onde as interações entre humanos e animais se intensificam: “Para nós é muito importante trazer este tema à discussão. Neste momento faz todo o sentido falar sobre as interligações entre a saúde humana e animal, este conceito de One Health. É um tema muito apetecível, mas que traz muitos desafios. Na Hipra estamos firmemente comprometidos em continuar a investir em tecnologia e continuar a desenvolver as melhores respostas”.

 

O evento contou com três painéis, que abordaram o conceito de One Health em diferentes perspetivas. O primeiro painel, sob o mote “One Health: Inter-relações e desafios”, contou com a participação de Rita Sá Machado, Diretora- Geral da Saúde, Susana Guedes Pombo, Diretora- Geral da Direção Geral de Alimentação e Veterinária, José Pimenta Machado, Presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, e Carlos Robalo Cordeiro, Presidente do Conselho de Escolas Médicas Portuguesas.

 

Rita Sá Machado falou das doenças que têm origem nos animais e afetam os seres humanos, como o H5N1 (gripe aviária). Chamou a atenção para o papel dos mosquitos como vetores de transmissão e a necessidade de uma vigilância epidemiológica reforçada para mitigar riscos sanitários. Salientou também que a discussão sobre One Health “é uma excelente demonstração da interligação institucional e operativa da DGS com instituições da área da saúde, da alimentação e da veterinária”.

 

Susana Guedes Pombo destacou o papel dos médicos veterinários: “A atuação dos médicos veterinários tem sido cada vez mais importante, mais crítica, não apenas para detetar as doenças nos animais, mas para agir como sinalizadores ou sentinelas de problemas potenciais de saúde pública”. Além da gripe aviária, mencionou também a febre do Nilo Ocidental, que afeta equídeos e humanos e já registou casos em Portugal.

José Pimenta Machado, Presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, alertou para o impacto das alterações climáticas na saúde pública, referindo-se aos eventos extremos cada vez mais frequentes, como temperaturas recordes, cheias, secas e incêndios. Falou ainda sobre o impacto da poluição na qualidade do ar e o aumento das doenças associadas à exposição a plásticos e outros agentes contaminantes.

No segundo painel, dedicado à discussão “Saúde Humana e Animal: Do Conhecimento à Prevenção”, os participantes foram Paulo Costa, Professor e Investigador no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto, Gabriela Saldanha, Presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina do Viajante, Bernardo Gomes, Presidente da Associação Nacional Médicos de Saúde Pública, e Jorge Barroso Dias, Presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina do Trabalho. Foram discutidos os efeitos da resistência antimicrobiana (AMR), a prevenção de zoonoses, o impacto da circulação global e do movimento internacional de pessoas na transmissão de doenças, e a globalização do mercado de trabalho e novos riscos.

No terceiro e último painel, a discussão foi sobre “Lições recentes e políticas de preparação para futuras pandemias”, e o alinhamento de participantes foi o mais alargado: Filipe Froes, membro do ACPHE-EC, Ana Margarida Alho, perita nacional destacada na DG HERA (Autoridade Europeia de Preparação e Resposta a Emergências Sanitárias), Fernando Almeida - Presidente do Conselho Diretivo do Instituto Ricardo Jorge (INSA), Ricardo Baptista Leite – CEO da Agência Global para a Inteligência Artificial Responsável na Saúde, Pedro Fabrica, Bastonário da Ordem dos Médicos Veterinários, e Hélder Mota Filipe, Bastonário da Ordem dos Farmacêuticos. Neste painel foi discutido o papel da vigilância epidemiológica, o que aprendemos com o SARS-CoV-2 e o H5N1, o desenvolvimento e acesso a vacinas, o papel da Inteligência Artificial no combate às crises de saúde, como antecipar e preparar o sistema de saúde, a importância da articulação global e como pode ser feito um investimento sustentável na prevenção.

Filipe Froes abordou a importância estratégica da autonomia científica e tecnológica, tanto a nível europeu como nacional. Defendeu a criação de uma fábrica de vacinas em Portugal, reforçando que o país deve garantir uma produção própria para responder a futuras crises sanitárias. Além disso, questionou: “Se estamos a falar de uma percentagem mínima do PIB para defesa, porque não uma percentagem do PIB para investigação científica?”.

Ricardo Baptista Leite trouxe para a discussão o papel fundamental da inteligência artificial na deteção de riscos e na antecipação de respostas eficazes. “Temos de ter um futuro no qual ambicionamos não ter pandemias”, declarou. Alertou ainda para um dos maiores desafios da saúde global: a resistência aos antibióticos: Uma das próximas pandemias pode ser provocada por uma resistência aos antibióticos. Pensar num mundo sem antibióticos é um regresso às trevas”, afirmou, sublinhando a necessidade de uma ação urgente para garantir o uso responsável destes medicamentos e prevenir futuras crises.

Além da troca de ideias, a conferência realçou a importância da colaboração entre instituições e a necessidade de ultrapassar obstáculos operacionais e institucionais que, por vezes, dificultam a implementação de soluções eficientes. A eliminação de barreiras e a promoção de uma visão integrada são essenciais para garantir um futuro mais seguro e sustentável.

Opinião
A prática desportiva, seja de alta competição ou de lazer, traz benefícios físicos e psicológicos am

A realidade das lesões desportivas

Dados internacionais apontam que mais de 30% dos praticantes de desporto experienciam, pelo menos uma vez por ano, uma lesão com necessidade de acompanhamento médico. Luxações, entorses, roturas musculares e tendinites são algumas das situações mais comuns, afetando não só o desempenho, mas também a motivação para continuar a prática desportiva.

Por outro lado, as lesões mal diagnosticadas ou tratadas de forma inadequada estão na origem de inúmeras situações crónicas, que comprometem articulações essenciais como o joelho, tornozelo, ombro ou coluna lombar.

 

O papel da prevenção: um investimento inteligente

A boa notícia é que grande parte das lesões desportivas pode ser evitada. A prevenção é, cada vez mais, reconhecida como uma área fundamental da Medicina Desportiva e deve ser encarada como um investimento — não apenas em performance, mas em longevidade funcional.

A chave está nos detalhes. Um plano de treino mal estruturado, a ausência de aquecimento adequado, o uso de calçado impróprio ou a negligência de sinais precoces (como dor ou rigidez) são fatores que aumentam exponencialmente o risco de lesão.

Ao contrário do que se possa pensar, prevenir lesões não é apenas uma preocupação dos atletas de elite. Cada vez mais, praticantes amadores, corredores ocasionais, jogadores de padel, ciclistas ou frequentadores de ginásio estão conscientes da importância de manter as articulações e estruturas musculares protegidas.

 

Estratégias simples. Resultados duradouros

A medicina preventiva oferece hoje um conjunto de recomendações baseadas na evidência, que podem fazer toda a diferença:

  • Avaliação médica prévia, especialmente em caso de retoma ou início de atividade
  • Aquecimento e alongamentos regulares
  • Fortalecimento muscular com foco nas articulações mais sujeitas a impacto
  • Respeito pelos períodos de descanso e recuperação
  • Boa hidratação e alimentação equilibrada
  • Acompanhamento técnico adequado à modalidade praticada
  • Escuta ativa dos sinais do corpo, especialmente a dor persistente

Além disso, a vigilância médica permite identificar variações anatómicas ou desequilíbrios musculares que podem predispor a lesões — um conhecimento essencial para adaptar o treino e evitar complicações.

 

Conclusão: mudar o jogo começa na prevenção

A prevenção de lesões no desporto é um pilar essencial da saúde musculoesquelética. Com acompanhamento especializado e medidas simples, é possível reduzir o risco, melhorar o desempenho e, sobretudo, garantir uma prática desportiva segura, prazerosa e sustentável ao longo do tempo.

Porque, no desporto como na vida, prevenir continua a ser o melhor remédio.

Foto: 
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Nos dias 9 e 10 de maio
A Fisioterapia centrada na pessoa, o seu papel na saúde pública, a regulação profissional, as inovações tecnológicas e o...

Organizado pela Ordem dos Fisioterapeutas, o Congresso, que termina amanhã, tem como mote 360º Identidade e Valor e reúne profissionais, nacionais e internacionais, e também estudantes que irão refletir sobre a identidade profissional e debater os desafios e inovações que moldarão o futuro da Fisioterapia. Portugal conta com mais de 13.000 Fisioterapeutas, dos 72,5% são mulheres.

O papel da Fisioterapia na saúde pública em Portugal será um dos temas em destaque durante os trabalhos. Hoje existem apenas 1500 Fisioterapeutas no Serviço Nacional de Saúde (SNS) e destes só 150 estão envolvidos com os cuidados de saúde primários. A Ordem dos Fisioterapeutas defende

que os recursos humanos e os serviços das Unidades Locais de Saúde (ULS) sejam reorganizados com serviços e unidades de fisioterapia, com modelo de organização e funcionamento semelhante ao que já está a ser implementado para outras profissões de saúde, como psicólogos e nutricionistas.

Os Fisioterapeutas atuam na promoção da saúde e na educação para a saúde, na redução do risco e prevenção da lesão, perturbação ou doença e na manutenção, recuperação, habilitação, reabilitação e paliação de pessoas, grupos ou comunidades. Intervêm na saúde ocupacional, no envelhecimento ativo e na saúde mental.

O XII Congresso acontece na mesma altura em que foi homologado, pelo Ministério da Saúde, o Regulamento Geral de Especialidades Profissionais de Fisioterapia. É uma etapa relevante para o reconhecimento e a valorização das especialidades dentro da profissão, permitindo que os Fisioterapeutas possam obter, para já, o título de especialista nas áreas de Fisioterapia Cardiorrespiratória, Fisioterapia Músculo-Esquelética, Fisioterapia Neurológica e Fisioterapia.

O regulamento estabelece ainda a criação dos colégios de especialidade e define claramente as competências exigidas dos profissionais, bem como o processo para obtenção e renovação do título de especialista. O processo de criação de especialidades é um reflexo da constante evolução da profissão e visa, principalmente, melhorar a excelência, a qualidade e segurança dos cuidados prestados aos utentes.

Aumentar a acessibilidade aos cuidados dos Fisioterapeutas a partir da referenciação por médicos de qualquer especialidade, aprofundar a elaboração de normas técnicas e estabelecer protocolos de intervenção em colaboração com as várias especialidades médicas e outros profissionais de saúde e promover o desenvolvimento da investigação científica são algumas das metas da Ordem para os próximos anos.

Para António Lopes, Bastonário da Ordem, o Congresso será “um evento de enorme importância para todos nós, em que celebramos a nossa identidade profissional, refletindo sobre o impacto que a Fisioterapia tem tido e continuará a ter na vida dos cidadãos e no sistema de saúde português”. 

Na Maia
O MaiaShopping volta a assinalar o “Mês do Coração” com rastreios de saúde, realizados em parceria com a Farmácia Sousa Torres....

Sob o mote “O seu coração fala. Escute-o.”, esta campanha visa sensibilizar a população para a importância da prevenção das doenças cardiovasculares, incentivando hábitos de vida saudáveis e o controlo regular de parâmetros de saúde essenciais.

Durante os dois dias, estarão presentes no Centro profissionais de saúde para realizar rastreios completos que incluem a medição do perímetro abdominal, avaliação da pressão arterial (sistólica e diastólica), análise dos níveis de colesterol total, HDL e LDL, bem como triglicéridos. Será ainda feita a medição da glicémia em jejum e pós-prandial, e pesagem.

Com esta iniciativa o MaiaShopping reforça o seu papel ativo na promoção da saúde junto da comunidade, proporcionando um acesso simples, gratuito e conveniente a rastreios fundamentais para a prevenção de doenças cardiovasculares.

 

Agenda:

Local: Maia, MaiaShopping, Praça do Lago, Piso 1

Datas: 12 e 13 de maio

Horário: das 09h00 às 18h00

 

Com foco na comunidade sénior
A prevenção em segurança e saúde assume uma importância vital para o bem-estar das comunidades. Neste sentido, o MAR Shopping...
Esta 4ª edição decorre entre 8 e 10 de maio e contará com várias ações de formação e de sensibilização, tendo por objetivo envolver a comunidade em geral, com destaque para a comunidade sénior, uma vez que uma população informada contribuirá para alcançar uma melhor qualidade de vida.
 
Nas três últimas edições, o evento atraiu um número considerável de visitantes, contando com a participação de cerca de 15 mil visitantes, o que demonstra o envolvimento da comunidade neste tipo de iniciativas.
 
Este ano, o evento tem como foco principal a promoção de uma vida ativa, segura e saudável para a comunidade sénior, fortalecendo os laços comunitários e garantindo o bem-estar de todos. Esta iniciativa está alinhada com a estratégia de impacto social do MAR Shopping Matosinhos, que reconhece os desafios enfrentados pela população sénior em Portugal, e a importância da promoção de uma vida ativa.
Entre as ações planeadas para esta edição, destacam-se a peça de teatro “A Raposa Chama”, que faz parte de um projeto educativo e de sensibilização sobre a prevenção de incêndios rurais em Portugal, e uma peça de teatro desenvolvida e apresentada pela Universidade Sénior da Senhora da Hora; a participação da Banda da PSP na inauguração da ação; demonstrações de cães de assistência e resgate, exposições de viaturas de emergência e apresentações de viaturas de resgate animal pela Associação Portuguesa de Busca e Salvamento (APBS); atividades educativas com sessões de contos, divulgação de programas de segurança como "Eu estou aqui" pela PSP, informações sobre os objetivos de desenvolvimento sustentável do Município de Matosinhos; rastreios de saúde promovidos pela ULSM (Unidade Local de Saúde de Matosinhos); exposição de meios, tapete simulador teste de álcool e sistema de retenção de cadeiras auto de transporte de crianças apresentados pela Polícia Municipal; Suporte Básico de Vida com Interpretação em Língua Gestual Portuguesa pela Cruz Vermelha Portuguesa; entre outras.
 
Participam nesta 4ª edição entidades como ÂNIMAS - Cães de Assistência, Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL), , Associação Portuguesa de Busca e Salvamento (APBS), Bombeiros Voluntários de Matosinhos-Leça, Cruz Vermelha Portuguesa, Guarda Nacional Republicana (GNR), Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), Polícia de Segurança Pública (PSP), Serviço Municipal de Proteção Civil, Unidade Local de Saúde de Matosinhos (ULSM), Universidade Sénior da Senhora da Hora, entre outras.
 
O acesso a todas as atividades é gratuito.
 
PROGRAMA
Consulte a programação completa em MAR Shopping Matosinhos. Programa sujeito a alterações.
 
LOCAL
Atrium MAR Shopping Matosinhos, piso 0
Parque de estacionamento exterior, MAR Shopping Matosinhos
Novo episódio de “À Conversa sobre Diálise”
O novo episódio do podcast “À Conversa sobre Diálise”, da Associação Nacional de Centros de Diálise (ANADIAL), assinala o Dia...

A conversa centra-se no papel da Medicina Geral e Familiar, enquanto centro de cuidados primários, na prevenção, diagnóstico e gestão da Doença Renal Crónica (DRC) em Portugal. Durante o episódio, o entrevistado aborda as características desta doença e o papel do médico de família no seu acompanhamento, destacando ainda a importância da prevenção e diagnóstico precoce, sinais de alerta e as principais preocupações dos doentes renais crónicos.

“Os médicos de família desempenham um papel fundamental no diagnóstico precoce desta doença, através da monitorização da tensão arterial, dos níveis de açúcar no sangue e da função renal. Após o diagnóstico, a maioria dos doentes continua a ser acompanhada nos cuidados de saúde primários, sendo encaminhada para nefrologia apenas nos estádios mais avançados da DRC. Mesmo nesses casos, o seguimento no centro de saúde deve ser mantido em paralelo”, destaca Nuno Jacinto.

Outros temas abordados incluem os benefícios da prática de exercício físico para os doentes renais crónicos, o impacto da doença nas dinâmicas familiares, a ausência de indicadores específicos para a DRC nos cuidados de saúde primários e a colaboração entre os setores público e privado.

O podcast “À conversa sobre Diálise” comemora o 40.º aniversário da ANADIAL, tendo como objetivo abordar a evolução do tratamento da doença renal crónica ao longo das últimas quatro décadas. Convida mensalmente um especialista para debater temas relevantes para doentes renais, profissionais de saúde e o público em geral.

O episódio já está disponível nas plataformas YouTube e Spotify.

Testado na UMinho
Uma equipa do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e da Saúde (ICVS) da Escola de Medicina da Universidade do Minho...

Os resultados do estudo, agora publicado na prestigiada revista “Biomedicine & Pharmacotherapy”, mostram que o fármaco experimental NLX-101 pode aliviar dois dos sintomas mais graves: a respiração irregular e os défices cognitivos.

A Síndrome de Rett afeta aproximadamente uma em cada 10.000 meninas no mundo. Estas doentes têm, geralmente, um desenvolvimento normal nos primeiros meses de vida, mas acabam por perder gradualmente capacidades já adquiridas como o andar e o falar. Muitas apresentam também episódios de apneia (paragens na respiração), que têm um forte impacto na sua qualidade de vida e podem agravar outros sintomas.

O novo estudo do ICVS demonstrou que uma administração precoce e continuada do fármaco num roedor que replica vários aspetos da doença prevenia os seus défices cognitivos. Além disso, após uma só administração do fármaco, os episódios de apneia foram significativamente reduzidos. Este fármaco foi desenhado para atuar exclusivamente num subtipo de recetores do neurotransmissor serotonina, chamados 5-HT1A, em zonas específicas do cérebro ligadas à cognição e ao controlo da respiração, permitindo obter os efeitos terapêuticos desejados e evitando efeitos adversos.  

 

Estudos prosseguem

“Apesar de a terapia genética ser muito promissora, recuperando os níveis da proteína afetada pela mutação causadora da doença, a sua aprovação e estabelecimento demorarão vários anos”, explica a investigadora Daniela Monteiro-Fernandes. “O NLX-101 poderá contribuir para a melhoria significativa de sintomas debilitantes da doença, como o défice cognitivo ou as apneias, que colocam muitas vezes em risco a vida das doentes”, acrescenta. Além de poder ter um efeito significativo na vida das doentes, indiretamente impactará a qualidade de vida da família e de cuidadores destas meninas, já que esta doença “afeta profundamente toda a estrutura familiar”.

O trabalho no ICVS envolveu ainda as cientistas Sara Guerreiro, Daniela Cunha Garcia, Joana Pereira Sousa, Stéphanie Oliveira, Andreia Teixeira Castro, Sara Duarte Silva e Patrícia Maciel e contou com a parceria de colegas da Universidade de Bristol (Reino Unido) e da farmacêutica Neurolixis (EUA).

São necessários mais estudos para avaliar a segurança e a eficácia do fármaco em humanos. No entanto, este trabalho abre caminho para novas terapias direcionadas, com potencial para transformar os cuidados prestados a quem vive com esta doença rara e complexa.

Dia Mundial da Hipertensão
Quando as doenças são silenciosas, o desafio do tratamento é ainda maior, como mostram os dados do estudo 'Adesão à...

No caso da hipertensão arterial, a ausência de sintomas leva muitos a subestimarem a gravidade da sua condição e a importância do tratamento. É para combater esta realidade que a Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH) organiza, no âmbito do Dia Mundial da Hipertensão, uma campanha de rastreios gratuitos, com um duplo objetivo: identificar novos casos desta doença silenciosa e sensibilizar para a importância de manter os seus valores tensionais controlados, prevenir complicações cardiovasculares e melhorar a adesão ao tratamento.

No próximo dia 10, a edição deste ano da Feira da Educação e da Saúde, que se realiza no Jardim Vasco da Gama, em Belém, vai ser palco, entre as 10h00 e as 17h00, de rastreios e partilha de informação. Rastreios que vão também decorrer no dia 15, no Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, abertos a toda a comunidade.

“A questão da hipertensão está longe de estar resolvida”, refere Fernando Gonçalves, presidente da SPH. “Temos problemas de prevenção, problemas de diagnóstico e temos problemas de adesão à terapêutica, assim como dificuldades de acesso dos doentes aos médicos”, pelo que considera iniciativas como estas importantes para sensibilizar e informar, não só a população em geral, mas também os profissionais de saúde.

Ações que ajudam a reforçar a partilha de informação e a literacia em saúde, que é um dos objetivos da Missão 70/26, uma iniciativa pioneira da Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH), em parceria com a Servier Portugal, que tem como objetivo controlar, até 2026, 70% dos doentes hipertensos com idades entre os 18 e os 64 anos, vigiados nos Cuidados de Saúde Primários*, e que, a menos de um ano de chegar ao fim, mostra uma tendência muito positiva. “Temos notado uma evolução crescente e acreditamos que vamos atingir o nosso objetivo. Começámos com um valor de metade, ou seja, só 52% daquelas pessoas entre os 18-64 anos que eram seguidas nos Cuidados de Saúde Primários tinham os seus valores controlados e podemos dizer que neste momento estamos com uma evolução positiva”, confirma Rosa de Pinho, presidente cessante da SPH para o biénio 2023-2025. Resultados que não deixam dúvidas: a Missão está no caminho certo.

Há ainda muito a fazer, sobretudo no que diz respeito às barreiras que os doentes hipertensos enfrentam no controlo da sua doença. Barreiras que, segundo Rosa de Pinho, se prendem com o facto de “a hipertensão ser uma doença silenciosa, que não dá sintomas, pelo que a pessoa, se não for procurar alguém para lhe medir a pressão arterial, não vai perceber se esta está elevada. Depois, sobretudo para algumas pessoas mais jovens, é ainda um pouco confuso terem de tomar medicação quando não sentem nada”.

Aqui, junta-se o facto de os doentes hipertensos não terem só hipertensão, mas, “muitas vezes, outros problemas de saúde, que fazem com que tenham a pressão arterial mais alta, nomeadamente excesso de peso. Em termos de custos, o nosso Ministério da Saúde comparticipa, em muitos, estes fármacos, mas a comparticipação poderia ser superior, como acontece com outras patologias, assim como podia haver também mais apoio para a aquisição dos aparelhos de medição da pressão arterial, que tornaria mais fácil medir em casa”.

Há ainda, refere a médica, a questão da literacia, ou falta desta. “Apesar das pessoas estarem mais conscientes hoje em dia, penso que ainda temos muito trabalho para fazer, porque ainda não percebem bem o impacto que a hipertensão pode ter, sobretudo em termos de incapacidade”, refere Rosa de Pinho, que defende “uma parceria com o Ministério da Educação, para que se possa começar mais cedo, nas escolas, a falar sobre estes temas”.

12 de maio – Dia Internacional da Enfermagem
Instituído pelo Conselho Internacional dos Enfermeiros, o Dia Internacional da Enfermagem assinala-se anualmente a 12 de maio....

Lucía Méndez González, da SPP, salienta o papel abrangente desta especialidade e que “vai além do cuidado clinico, englobando também a educação para a saúde, a gestão de serviços e a investigação cientifica”. A enfermeira não tem dúvidas de que “com dedicação, conhecimento técnico e uma abordagem humanizada, os enfermeiros e enfermeiras desempenham um papel fundamental na promoção, prevenção, tratamento e reabilitação da saúde”.

A missão dos enfermeiros especializados em cuidados respiratórios é igualmente sublinhada, sendo esta uma área crítica para a Saúde Pública com as doenças respiratórias a representarem a terceira causa de morte no nosso país. Assim, para Lucía Méndez González, torna-se essencial “o reconhecimento de que investir na Enfermagem é investir na saúde de todos”.

No entanto, nesta data, importa ainda referir que, apesar da sua extrema relevância, “a Enfermagem enfrenta diariamente desafios significativos, como a sobrecarga de trabalho devido à escassez de profissionais e os riscos ocupacionais, incluindo a exposição a doenças e o burnout”.

Para assinalar o dia, a Sociedade Portuguesa de Pneumologia divulga um vídeo com a participação de vários enfermeiros e que pretende reforçar a mensagem de que a Enfermagem não só salva vidas, como também transforma realidades - garantindo o acesso equitativo à saúde e fortalecendo as comunidades.

 

A fertilidade começa no prato
A fertilidade é influenciada por uma complexa interação entre fatores genéticos, hormonais, ambienta

Manter um peso corporal saudável é igualmente importante. O excesso de peso pode afetar o equilíbrio hormonal e a ovulação nas mulheres, enquanto nos homens está associado a uma menor qualidade do sémen. Por outro lado, o baixo peso também pode comprometer a fertilidade, sendo essencial encontrar um equilíbrio nutricional. 

Uma nutrição adequada é importante para a maturação folicular, para a ovulação e para a regulação hormonal. A escassez ou o excesso de certos nutrientes pode comprometer a saúde reprodutiva. A exposição a dietas nutricionalmente muito pobres ou com excesso calórico pode levar a ciclos anovulatórios, desregulação hormonal piorando a infertilidade feminina. 

Nos homens, a formação de espermatozoides é igualmente sensível ao estado nutricional. Fatores como baixos níveis de zinco, vitamina D, e antioxidantes estão associados a uma redução dos parâmetros espermáticos. 

Estudos demonstram que um padrão alimentar rico em açúcares refinados, gorduras saturadas e hidrogenadas muito presentes em alimentos ultraprocessados, está associado a uma menor taxa de fertilidade.  

Outro fator a considerar é o stress oxidativo. Este é um dos principais mecanismos com implicação negativa na função ovárica e na deterioração da qualidade dos espermatozoides. Antioxidantes como as vitaminas C e E, selénio, zinco, e compostos fenólicos presentes em frutas e vegetais, têm um papel protetor contra os danos celulares.  

Padrões alimentares como a dieta mediterrânica têm mostrado associações positivas com a fertilidade. Este padrão alimentar, caracterizado por uma elevada densidade nutricional, elevado teor de ácidos gordos monoinsaturados (como o azeite), antioxidantes naturais e fibra alimentar, favorece o equilíbrio hormonal, reduz a inflamação sistémica e promove uma microbiota intestinal saudável, fatores que influenciam diretamente a função reprodutiva. 

A OMS, no seu último relatório sobre fertilidade, incluiu o estilo de vida, a obesidade e consumo excessivo de álcool como fatores que afetam a fertilidade. A evidência científica atual mostra que a nutrição tem um papel central na promoção da fertilidade.  

Assim sendo, uma alimentação variada, rica em nutrientes essenciais e pobre em substâncias inflamatórias ou tóxicas, é um pilar fundamental para quem deseja conceber. Idealmente, estas mudanças devem ser iniciadas alguns meses antes da conceção, permitindo ao organismo criar um ambiente propício para o início da vida. Procurar o acompanhamento de um nutricionista pode ser um passo determinante neste processo. 

 

Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
O papel determinante do One Health para o futuro humano
Os desafios da migração para a saúde global são um dos temas centrais do IV congresso internacional 1H-TOXRUN, que se realiza a...

António Vitorino, presidente do Conselho Nacional para as Migrações e Asilo, fará a conferência de abertura às 9h30 de dia 8. Este congresso é organizado pelo polo 1H-TOXRUN (do Instituto Universitário de Ciências da Saúda da CESPU) da Unidade de Investigação UCIBIO.

“Vamos abordar a necessidade de respostas integradas, intersectoriais para os problemas emergentes na saúde pública. A migração global é um dos maiores desafios deste nosso século com mais pessoas do que nunca a atravessarem fronteiras. Este movimento acarreta dificuldades para a saúde tanto nas populações migrantes, como nas dos países que as acolhem. E se, por exemplo, as doenças infeciosas são muitas vezes associadas a estas deslocações (sobretudo em contextos de crise ou más condições sanitárias), subestima-se o impacto das doenças não comunicáveis e da exposição a problemas ambientais (como a poluição do ar, pesticidas, metais pesados e solventes), que contribuem em larga escala para a morbilidade e mortalidade destas populações. Porém, este impacto é profundo e duradouro, pelo que é preciso abordarmos cientificamente esta questão, encontrarmos soluções e adotarmos respostas integradas de saúde pública para mitigar esses impactos”, afirma Ricardo Dinis-Oliveira, presidente do comité organizador do congresso

É por isso que, durante dois dias, no Hotel Cristal Porto, cerca de 200 investigadores e profissionais de todo o mundo, especialistas nas áreas da toxicologia, biomedicina, medicina, ciências do ambiente, nutrição, saúde pública, educação e farmacêuticos, abordarão o impacto que a inovação, a transformação digital (com papel preponderante para a Inteligência artificial) e a educação podem ter nas próximas gerações, assumindo como grande chapéu o conceito de One Health – Uma só Saúde.

Desde a resistência a antibióticos, a ingestão de substâncias químicas pela água que bebemos, a problemas de segurança alimentar causados por microplásticos ou pela presença de metais pesados nos chás, os riscos da gentrificação (nomeadamente a segregação espacial empurrando os mais pobres para periferias mal servidas por transporte, saúde e educação), e até o papel das ciências forenses na reunificação de famílias em cenários de crise humanitária, são múltiplas as temáticas que serão apresentadas, com o objetivo de “encontrar uma abordagem unificada para otimizar a saúde humana, animal e ambiental”, considera Ricardo Dinis-Oliveira, toxicologista e professor catedrático na CESPU.

 

“A Vitória Contra a Doença Renal Crónica começa na Prevenção”
A Associação Nacional de Centros de Diálise (ANADIAL) vai realizar, no próximo dia 14 de maio, na Escola Básica da Venda do...

“O que pretendemos com esta iniciativa é promover a literacia em saúde entre os mais jovens, sensibilizando-os para a importância de prevenirem, de forma informada e responsável, fatores de risco associados à doença renal, como o tabagismo, a diabetes, a obesidade e a hipertensão. Acreditamos que, ao dotar os jovens de conhecimento sobre como proteger a saúde renal, estaremos a contribuir decisivamente para a prevenção desta doença”, destaca Paulo Dinis, presidente da ANADIAL.

A campanha “A Vitória Contra a Doença Renal começa na Prevenção” conta com o apoio da Associação de Doentes Renais de Portugal, da Associação Portuguesa de Enfermeiros de Diálise e Transplantação, da Associação Portuguesa de Insuficientes Renais, da Sociedade Portuguesa de Nefrologia e da Sociedade Portuguesa de Transplantação.

Desde 2018, a ANADIAL já marcou presença em mais de 200 escolas básicas e secundárias, de norte a sul do país, envolvendo mais de 10 mil alunos na prevenção da doença renal crónica.

A doença renal crónica caracteriza-se pela deterioração lenta e irreversível da função dos rins. Como consequência da perda desta função, existe retenção no sangue de substâncias que normalmente seriam excretadas pelo rim, resultando na acumulação de produtos metabólicos tóxicos no sangue (azotemia ou uremia). Os doentes com diabetes, hipertensão arterial, obesidade e historial familiar de doença renal podem estar em risco de desenvolver esta doença.

ESSATLA
Instituição recebe profissionais, especialistas e estudantes para debater os atuais desafios da área, com foco na era digital,...

A ESSATLA – Escola Superior de Saúde Atlântica volta a organizar, no dia 23 de maio, as Jornadas Internacionais de Enfermagem, um evento que se assume como um espaço privilegiado para a discussão de temas relevantes no setor da saúde. Sob o mote “Enfermagem e Inovação”, a quarta edição promove o desenvolvimento da enfermagem através da partilha de conhecimentos e experiências entre profissionais, especialistas e estudantes. Destaque para a presença, já confirmada, de Luís Barreira, bastonário da Ordem dos Enfermeiros e de Maria do Rosário Rodrigues de Barros, Chief Nursing Officer em Portugal.

Debates, mesas-redondas e conferências 
Ainda antes da cerimónia de abertura, que terá lugar às 10h00, o programa inicia-se às 9h00 com a apresentação das Comunicações Livres e dos resultados do “Multiplier Event Breath” – um projeto europeu de colaboração e inovação que visa promover a atividade física junto de pessoas com doenças respiratórias crónicas. Após um coffee break, a primeira conferência do dia convida, a partir das 11h00 à reflexão sobre o tema “Healthcare Challenges in the XXI Century”, seguindo-se um debate sobre os “Desafios da Era Digital para a Enfermagem”. 

De tarde, pelas 13h45, retomam-se as atividades com a mesa-redonda “A Era Digital e as Especialidades de Enfermagem”. Já às 15h15, a conferência “Del aula a la realidad: el Hospital Virtual de la Universidad Católica de Valencia como estrategia innovadora en Enfermería” apresenta um caso de sucesso da implementação da tecnologia na formação integrada em saúde, contando com testemunhos internacionais.

Por fim, às 15h45, a segunda mesa-redonda do dia tem como foco a “Inovação na Investigação e Ensino em Enfermagem”. A cerimónia de encerramento e a entrega de prémios está marcada para as 16h30, contando com a atuação da TUNATLA, às 17h00. 

A entrada nas IV Jornadas de Enfermagem é gratuita e as inscrições podem ser efetuadas através do formulário disponível no site da ESSATLA.  

 

Associação Nacional de Centros de Diálise
Durante o “apagão” que deixou Portugal sem eletricidade e comunicações durante várias horas, na segunda-feira, de norte a sul...

“As clínicas privadas de diálise operaram normalmente, tratando todos os doentes programados, em todo o país, em mais de 120 localizações. Todas as clínicas têm geradores e teriam capacidade de fazer tratamento por mais algumas horas”, afirma Paulo Dinis, novo presidente da ANADIAL para o biénio 2024-2026. “No entanto, não nos foi prestado qualquer apoio nem tivemos qualquer tipo de contacto das entidades centrais neste tipo de cenário. Apesar de prestarmos um serviço que garante a vida a milhares de portugueses não temos ainda o apoio da Rede de Emergência Nacional, algo que a par dos hospitais, devemos ter”, continua.

“Aguardamos até hoje pela devolução do contacto feito à Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil. É urgente sermos olhados como um conjunto de clínicas que devem ter o apoio proativo da Proteção Civil tendo em conta a nossa missão. Esse contacto proativo, ou outro qualquer das autoridades, não só não aconteceu, como fomos ignorados, contando apenas com os nossos associados”, conclui Paulo Dinis.

A ANADIAL teme que uma repetição desta situação ou de outra que possa durar mais tempo faça perigar a capacidade dos seus associados de operarem com normalidade, tratando milhares de pessoas e pondo em  efetivo risco de vida estas pessoas. A Associação apela a que o mais rapidamente possível possa contar com a integração da Rede de Emergência Nacional, que, na prática, se traduziria na obtenção de formas complementares de comunicação, além do acesso a bens de primeira necessidade para o seu funcionamento normal, como combustível para os geradores e transportes, abastecimento de água e apoio na gestão de transportes de doentes. 

A Associação Nacional de Centros de Diálise lembra ainda que também numa situação de crise mais prolongada, como na Pandemia do Covid-19, nunca deixou de prestar a assistência devida a todos os que precisavam de diálise para viver e no que depender de si, todos os portugueses podem contar com os seus associados.

11 de maio
O Banco Alimentar Contra a Fome do Porto promove, este domingo, 11 de maio, uma Caminhada Solidária. A iniciativa – que...

Todos aqueles que quiserem associar-se a esta ação poderão efetuar a sua inscrição através do formulário https://forms.gle/11hRBcqXnUPujdzW9, sendo que, neste caso, a inscrição assume um carácter simbólico, uma vez que os participantes terão apenas de doar um cabaz de alimentos, que deverá conter apenas o que cada um pretender oferecer. Leite, óleo, azeite, massa, arroz ou enlatados são apenas alguns dos alimentos que poderão ser incluídos.

Os alimentos angariados serão posteriormente distribuídos pelas 300 instituições apoiadas pelo Banco Alimentar do Porto, assegurando que chegam rapidamente a quem mais necessita. Acrescente-se que, até ao momento, o BA Porto recebeu cerca de duas centenas de inscrições, mas o objetivo passa por reunir um número ainda maior de pessoas.

Bárbara Barros, presidente do Banco Alimentar Contra a Fome do Porto, deixa, por isso, o apelo: “Queremos, no próximo domingo, reunir uma enorme mancha de apoio ao nosso Banco Alimentar do Porto, fechando, assim, em grande, as comemorações dos nossos 30 anos de vida”. E acrescenta: “Serão apenas sete quilómetros de uma caminhada em que se pretende celebrar a partilha, a solidariedade e o apoio. Temos a convicção plena de que contaremos com a força de todos os portugueses e portuenses”.

Depois da caminhada solidária, o Banco Alimentar promove, a nível nacional, a sua primeira Campanha de Recolha de Alimentos do ano, iniciativa que decorrerá de norte a sul do país, nos dias 31 de maio e 1 de junho.

Comunicar para Cuidar
A Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL) anuncia a abertura das inscrições para a conferência 'Comunicar para...

A conferência terá lugar no dia 15 de maio, a partir das 17h40, no Leap Amoreiras - Espaço Amoreiras, em Lisboa. A iniciativa pretende promover a partilha de estratégias e ferramentas de comunicação que contribuam para uma relação mais eficaz entre profissionais de saúde e doentes, reforçando o trabalho em equipa e preparando todos os intervenientes para os desafios diários da hemato-oncologia. 

O evento contará com a participação de especialistas nas áreas da comunicação em saúde, psicologia, enfermagem e medicina, oferecendo uma abordagem prática e multidisciplinar centrada na melhoria da comunicação e da qualidade dos cuidados. Terá ainda sessões interativas dedicadas à identificação de barreiras e desafios reais na comunicação, bem como um painel de debate com especialistas e um doente, com o objetivo de refletir sobre soluções concretas. 

A conferência terá início com uma mensagem de boas-vindas por parte de um representante da direção da APCL, seguindo-se a intervenção da Dra. Patrícia Rodrigues, medical writer e formadora em comunicação em saúde, que apresentará o tema 'Construindo Pontes – Ferramentas e Estratégias para Melhorar a Comunicação'.

Após a sessão de abertura, Andreia Cardoso, psicóloga clínica e diretora clínica do APESSOAR, e Sara Teixeira, psicóloga clínica da ULS Lisboa Ocidental, irão conduzir uma sessão prática dedicada à identificação de barreiras e desafios reais na comunicação. A atividade será seguida por uma partilha coletiva das dificuldades apontadas, igualmente moderada por ambas. 

Um dos momentos centrais do evento será o painel de discussão dedicado à reflexão e debate sobre soluções para os desafios identificados. A sessão será moderada por Isabel Pereira Santos, responsável de políticas públicas da Roche Farmacêutica, e contará com a participação da Dra. Patrícia Rodrigues, da médica hematologista Ana Carolina Freitas, da enfermeira Sandra Ponte (AEOP), das psicólogas clínicas Andreia Cardoso e Sara Teixeira, e de Maria João Taborda, que irá partilhar a sua perspectiva enquanto doente. 

A APCL convida todos os interessados a participar nesta conferência, que se espera que seja um espaço privilegiado de partilha de experiências, aquisição de conhecimentos e reforço das práticas comunicacionais no contexto da hemato-oncologia.  

A inscrição no evento é gratuita, mas obrigatória, e pode ser efetuada através do preenchimento do seguinte formulário online.

Dia Mundial do Lúpus – 10 de maio
O Lúpus Eritematoso Sistémico (LES) é uma doença inflamatória crónica autoimune caraterizada pela pr

O LES afeta predominantemente o sexo feminino num rácio de cerca de 9:1, e em mais de 80%, ocorre em mulheres em idade fértil. Estima-se que a prevalência em Portugal seja de 100 a 200/100 000 habitantes, superior aos restantes países na Europa do Sul onde varia entre 34 - 91 casos/100 000 habitantes. 

A história natural da doença caracteriza-se por um curso ondulante de episódios de recidivas intercalados com períodos de remissão, com um prognóstico variável e que ocorrem mesmo sob terapêutica. Nas últimas décadas, tem-se verificado uma redução da mortalidade devido à doença e está descrita uma remissão progressiva a longo prazo, sendo os eventos trombóticos a causa de morte mais frequente. Desta forma, a presença de comorbilidades cardiovasculares (hipertensão arterial, tabagismo e dislipidemia) ocupa um papel de relevo na avaliação de doentes com LES.
 
O LES pode ser avaliado em duas dimensões: através da atividade da doença e da lesão órgão-alvo acumulada. No LES não existem biomarcadores que possam prever a progressão da doença. Vários estudos identificaram fatores de mau prognóstico na doença, sendo globalmente reconhecidos: a idade jovem à data do diagnóstico, o género, o estatuto socioeconómico, a etnia e a atividade da doença medida pelo SLEDAI. A idade de início correlaciona-se com a expressão clínica, o padrão de órgãos atingidos e os achados serológicos. Alguns estudos tentaram definir quais os determinantes da morbilidade e mortalidade nos doentes com LES. Foram destacados: atividade da doença (artrite, eritema malar, nefropatia ativa, febre, envolvimento neurológico, fenómeno Raynaud, serosite, trombocitopenia e trombose), infeções, hipertensão arterial, dislipidemia, tabagismo, osteoporose, citopenias relacionadas com o uso de imunossupressores e neoplasias.
 
O Sistema Nervoso (SN) é frequentemente afetado e as manifestações neuropsiquiátricas (MNP) são a segunda causa de morbimortalidade na doença. Não obstante serem um achado comum com impacto significativo na qualidade de vida dos doentes, são provavelmente, das menos compreendidas. O principal obstáculo prende-se com a distinção entre LES Neuropsiquiátrico (LESNP), (MNP devidas à atividade da doença) e MNP secundárias a outras condições associadas. 
 
A disfunção cognitiva (DC), também referida como “brain fog”, é uma das 19 síndromes neuropsiquiátricos considerados pelo American College of Rheumatology (ACR) no LES. É uma complicação frequente e das mais impactantes, embora considerada geralmente como uma MNP menor. Os défices cognitivos podem manifestar-se precocemente após o diagnóstico de LES ou como apresentação inaugural, sendo a sintomatologia inespecífica e de difícil deteção. Este facto, aliado à falta de um método de avaliação cognitiva consensual, eficaz e de aplicação universal na prática clínica, contribuem para o subdiagnóstico da disfunção cognitiva no LES. Acresce a inexistência de recomendações relativas à sua prevenção ou tratamento. Este conjunto de circunstâncias e o impacto brutal da disfunção cognitiva na qualidade de vida dos doentes, traduzido por perturbações na autonomia e funcionalidade, alterações nas relações interpessoais, incapacidade para o trabalho e estigma social, tornam especialmente relevante o estudo desta condição. Afigura-se, assim, pertinente uma perspetiva global e atual sobre o tema de forma a possibilitar uma correta abordagem destes doentes.
 
O lúpus é mais do que uma doença física, é um desafio que pode ter um impacto significativo na saúde mental dos pacientes. A incerteza da doença, a luta com a dor e a necessidade de tratamento podem levar a problemas emocionais como depressão e ansiedade. No entanto, com a avaliação e tratamento adequados, com apoio social e uma abordagem multidisciplinar, os doentes com lúpus podem aprender a lidar com esses desafios e viver uma vida plena e gratificante. É imperativo que os médicos estejam atentos à saúde mental dos seus doentes pois esta é um direito e não um privilégio.

 

Foto: 
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Universidade de Coimbra
Ao longo dos próximos três anos, uma investigação liderada pela Universidade de Coimbra (UC) vai tentar desvendar novas...

Com os resultados deste estudo, espera-se vir a compreender mais aprofundadamente os fenómenos que podem impactar o cérebro no período neonatal, ou seja, durante os primeiros 28 dias de vida.

O projeto Interação microglia-endotélio na construção do sistema cerebrovascular vai ser financiado com 250 mil euros pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia no âmbito do Programa ERC-PT A-Projects. Este programa de financiamento destina-se a apoiar candidaturas nacionais apresentadas às prestigiadas bolsas do Conselho Europeu de Investigação (European Research Council, com a sigla em inglês ERC) que tenham conquistado uma avaliação de topo e recomendação para financiamento, mas que não obtiveram financiamento por limitações de orçamento.

Na transição do meio intrauterino para o mundo exterior, “o cérebro neonatal enfrenta um período de intensa adaptação, em que está particularmente vulnerável a influências que podem ter impacto duradouro ao longo da vida”, explica a investigadora do Centro de Imagem Biomédica e Investigação Translacional (CIBIT) do Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS) da UC, Vanessa Coelho-Santos, que lidera o projeto de investigação.

Neste contexto, o entendimento dos primeiros dias de vida, nomeadamente a interação entre os sistemas vascular e imunitário cerebrais, é fundamental para perceber as mudanças que podem impactar o cérebro. No caso concreto da linha de investigação de Vanessa Coelho-Santos, que se tem dedicado ao estudo do desenvolvimento cerebrovascular neonatal, ainda muito pouco se sabe sobre as células endoteliais – a base dos vasos sanguíneos –, nomeadamente “como  se organizam para criar a rede capilar cerebral, e de que forma as células do sistema imunitário do cérebro contribuem para essa formação durante esta fase essencial do desenvolvimento do cérebro dos recém-nascidos”, destaca a investigadora da Universidade de Coimbra.

Ao confirmar-se qual o contributo das microglias – que têm a função de “vigiar e defender” o ambiente cerebral – para a organização da rede de vasos sanguíneos no cérebro “poderemos transformar a nossa compreensão sobre como os vasos do cérebro se formam e como as respostas neuroimunes – nomeadamente após uma infeção ou dano cerebral – moldam a rede capilar cerebral e, consequentemente, influenciam o desenvolvimento do cérebro”, avança Vanessa Coelho-Santos. “Acredito que esta investigação pode ajudar-nos a identificar processos, conhecimento que pode impactar, futuramente, o tratamento de patologias cerebrais em recém-nascidos”, acrescenta.

Esta investigação pré-clínica vai decorrer até março de 2028. Vanessa Coelho-Santos, assim como a equipa que vai ser contratada no âmbito deste financiamento, vai desenvolver a investigação em murganhos, através de imagens do cérebro em tempo real, obtidas a partir de microscopia de multifotão, uma metodologia de imagem avançada que permite captar imagens de alta resolução ao longo do tempo, necessária para estudar estes sistemas do nosso cérebro tão dinâmicos.

Inquérito ‘Autarquias e Saúde Oral’
Os resultados do inquérito ‘Autarquias e Saúde Oral’, promovido pela Ordem dos Médicos Dentistas com o apoio da Associação...

Em ano de legislativas e autárquicas, desafia o bastonário Miguel Pavão, estes números vieram “confirmar que Portugal necessita de um pacto nacional para a Saúde Oral, sem ideologias partidárias, seja qual for o Governo a sair das eleições”. “Os portugueses estão saturados de promessas e exigem respostas, conforme demonstram os estudos da OMD realizados nos últimos anos”, acrescenta.

Das mais de 90 câmaras que responderam ao inquérito, mais de metade (54,3%) confirmaram que não desenvolveram em 2024 qualquer projeto relacionado com Saúde Oral para os respetivos munícipes.

No que diz respeito às câmaras que alocaram verbas a iniciativas de apoio às populações, 58,7% destas dizem que gastaram até 5000 euros ao longo de todo o ano. “A atenção dada pelas autarquias à Saúde Oral é lamentável. Qualquer festa custa mais do que os 5000 euros gastos na saúde oral”, afirma Miguel Pavão, sublinhando que 85% dos municípios gastaram até 20 mil euros e as restantes (15%) acima deste valor.

Outra conclusão a retirar do inquérito reforça o muito que ainda há a fazer na prestação de cuidados de saúde oral aos portugueses: “Apenas 12 autarquias apoiaram na instalação de gabinetes de saúde oral nas unidades de cuidados de saúde primários”.

A par do inquérito, a OMD levou a cabo o Roteiro de Saúde Oral nas Autarquias, com visitas a 12 municípios, de Norte a Sul do país. O bastonário, Miguel Pavão, reuniu-se com autarcas de Évora, Seixal, Almada, Cascais, Oeiras, Vila Nova de Gaia, Santa Maria da Feira, Coimbra, Leiria, Valença, Matosinhos e Braga, para conhecer as boas práticas e os principais desafios locais.

Uma das principais conclusões é que a descentralização de competências em matéria de Saúde não foi acompanhada dos recursos financeiros necessários, persistindo a ausência de programas que permitam às autarquias candidatar-se a apoios específicos para projetos de Saúde Oral.

Neste sentido, e procurando uma solução que vá ao encontro das populações, a OMD e a ANMP propõem-se a apresentar medidas concretas que permitam integrar a saúde oral nos orçamentos municipais e no próximo Orçamento do Estado.

Entre as diferentes iniciativas que podem ser concretizadas ao nível local, Miguel Pavão recupera o manifesto entregue aos autarcas durante o roteiro. No documento são propostos desafios aos candidatos às autárquicas que vão da distribuição de kits de higiene oral e rastreios periódicos às populações, à inclusão da Saúde Oral nos Planos Municipais de Saúde, passando pela integração da medicina dentária nos cuidados de saúde primários.

“O papel do poder local na promoção de uma boa saúde oral é ímpar, seja pelo facto de o Governo central lhe delegar competências, seja pela autonomia de criar projetos em área vitais. As autarquias são um parceiro fundamental para cumprirmos o desígnio da OMS para a Saúde Oral”, considera Miguel Pavão, recordando os objetivos que Portugal se comprometeu cumprir até 2030: garantir o acesso a cuidados de saúde oral a 80% da população, reduzir em 10% a prevalência das principais doenças orais e diminuir em 50% o consumo de açúcares livres.

Relatórios OMD de 2024:

Saúde Oral em Portugal (Barómetro Saúde Oral)

  • 65,7% (+6.9 pp) da população tem falta de pelo menos um dente
  • 28% (+5.8 pp) da população não tem 6 ou mais dentes
  • 34,3% (-6.8pp) da população tem dentição completa
  • 1 milhão nunca vai ao Médico Dentista (300 mil por falta de dinheiro)

Precaridade/Emigração (Diagnóstico à profissão 2024)

  • 64,6 % dos Médicos Dentistas a trabalhar no estrangeiro emigraram já depois de trabalhar em Portugal
  • 65,4% dos Médicos Dentistas no estrangeiro foram por falta de rendimento satisfatório em Portugal
  • 4,1% dos Médicos Dentistas exerciam no SNS (43,5% a recibos verdes)

Excesso de Médicos Dentistas (Números da Ordem 2024)

  • 1339 médicos dentistas têm inscrição suspensa há mais de 5 anos. É recorde.
  • 2312 médicos dentistas com inscrição suspensa (54,4% para trabalhar no estrangeiro)
  • Rácio recomendado pela OMS: 1MD/2000 habitantes; Portugal tem 1MD/796;

 

6 de maio – Dia Mundial da Asma
Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica, Sociedade Portuguesa de Pneumologia, Grupo de Doenças Respiratórias...

De acordo com o estudo EPI-ASTHMA – Prevalência e caracterização das pessoas com asma, de acordo com a gravidade da doença, em Portugal, cujos resultados foram publicados em 2024, cerca de 600 mil adultos portugueses sofrem de asma. Ou seja, na população adulta, a prevalência é de 7,1%, o que faz da asma uma das doenças crónicas mais comuns na nossa população. Do ponto de vista epidemiológico, não tem havido um aumento exponencial do número de casos desde 2011 (na altura a prevalência era de 6,8%), contudo, tem-se verificado um aumento do número de casos mais graves da doença, sobretudo, entre as populações mais jovens, eventualmente, como consequência da exposição ambiental a alergénios ou agentes desencadeantes ou agravantes dos sintomas (poeiras, gases, fumos), do aquecimento global e do aumento da poluição.

Igualmente relevante é o facto de, também à luz dos resultados do estudo EPI-ASTHMA, 68% dos doentes asmáticos não terem a sua doença controlada. A má adesão à terapêutica e erros comuns na utilização dos dispositivos inalatórios podem justificar parcialmente este indicador, sobre o qual é urgente intervir.

A terapêutica inalatória é o pilar do tratamento da asma e, por esse motivo, este ano, o GINA (Global Initiative for Asthma) propôs como tema de celebração do Dia Mundial da Asma “Tornar os tratamentos inalatórios disponíveis para todos”.

É também sob este mote que a Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC), a Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP), o Grupo de Estudos de Doenças Respiratórias da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (GRESP) e a Associação Nacional de Farmácias (ANF) uniram esforços numa iniciativa de formação dirigida a farmacêuticos. No dia 6 de maio, pelas 20.30, as quatro entidades vão transmitir uma sessão webinar especialmente dirigida aos farmacêuticos sobre terapêutica inalatória e sobre dispositivos inalatórios.

Segundo Tiago Maricoto, “a terapêutica inalatória é essencial para o tratamento da asma, mas a maioria dos pacientes comete alguns erros no manuseio dos dispositivos, o que compromete a sua eficácia terapêutica”. Para melhorar o desempenho na utilização de inaladores, o especialista em Medicina Geral e Familiar sublinha que “é fundamental investir em programas educacionais estruturados e revisões da técnica inalatória frequentes, que podem incluir estratégias como o treino com dispositivos-placebo, vídeos, folhetos, entre outros”.

“O plano de tratamento da asma, em que a terapêutica inalatória assume um papel central, consiste num ciclo contínuo entre a avaliação do controlo da asma, o ajuste do tratamento instituído e a monitorização”, afirma Maria João Mendes. De acordo com a farmacêutica, “os corticosteroides inalados são fundamentais no tratamento da asma, ao reduzirem a inflamação crónica das vias aéreas, prevenindo exacerbações e melhorando o controlo a longo prazo da doença”.

Da mesma forma que a escolha da terapêutica farmacológica deve ser personalizada e ajustada a cada doente asmático, é igualmente importante que cada dispositivo inalatório seja eleito em função da preferência e comodidade de cada doente.

 

A asma fala através dos sintomas

A par da elevada prevalência e da elevada taxa de mau controlo da asma, o subdiagnóstico da doença continua a ser motivo de preocupação. Também de acordo com o estudo EPI-ASTHMA, cerca de 23% dos doentes não estão diagnosticados, ou seja, não sabem que têm a doença e, por isso, não fazem qualquer tratamento para controlo dos sintomas. Segundo Ana Mendes, “a asma "fala" através dos sintomas: o diagnóstico não se vê num exame — ouve-se na história clínica. Os sinais da doença são muito claros e identificá-los é a chave para o diagnóstico”. Dispneia, pieira, tosse, sensação de aperto no peito com variabilidade ao longo do tempo, e cansaço são, segundo a imunoalergologista, alguns dos sintomas cardinais da asma.

Apesar de, ao longo dos anos, a mortalidade por asma ter vindo diminuir, esta doença continua a ser causa de ida recorrente aos serviços de urgência, de internamento e de consumo de recursos de saúde.

“Uma crise de asma pode ser fatal”, sublinha José Coutinho Costa. De acordo com o pneumologista, os episódios de agudização de asma caracterizam-se por “agravamento progressivo dos sintomas respiratórios – tosse, falta de ar, sibilância e aperto no peito. “Se suspeitar que está a ter uma crise de asma, use a sua medicação de alívio conforme prescrito pelo seu médico. Se os sintomas forem graves ou não melhorarem rapidamente com a medicação, procure assistência médica urgente”, recomenda.

Páginas