Prevenção Rodoviária Portuguesa lembra
A propósito do Dia Internacional do Idoso, que se assinalou no dia 1 de Outubro, a Prevenção Rodoviária Portuguesa alerta para...

Do total das 593 vítimas mortais resultantes de acidentes rodoviários em 2015, 29,8% tinha idade igual ou superior a 65 anos, para uma percentagem de população que representa apenas 21% do total, e que apresenta uma muito menor exposição ao risco, pois circula, em média, bastante menos do que a população mais jovem. A taxa de mortalidade na população sénior situa-se nas 86 vítimas por milhão de habitantes (cerca de 70 na UE), um número bastante superior à taxa para a restante população, que se fica pelas 54 vítimas por milhão de habitantes.

No que diz respeito aos condutores, as vítimas mortais e feridos graves com idade igual ou superior a 65 anos representam 21,5% e 15,5%, respetivamente. Se considerarmos que apenas 13% dos condutores envolvidos em acidentes tinham idade igual ou superior a 65 anos, podemos observar uma tendência nesta faixa etária para sofrer consequências mais graves que as restantes.

Particularmente preocupante é a sinistralidade nos idosos enquanto peões. Em 2015, 56,3% dos 146 peões atingidos mortalmente, nas estradas portuguesas, tinham 65 anos ou mais. Foram 156 os peões idosos feridos com gravidade e 1438 sofreram ferimentos ligeiros, o que representa respetivamente 36,4% e 29,8%, percentagens significativamente maiores do que a sua quota parte da população portuguesa.

De acordo com dados do Eurostat, Portugal é um dos países da Europa com maior percentagem de idosos. É expectável que a sinistralidade entre os mais velhos se agrave, já que, em 2050 cerca de 35% da população portuguesa terá idade igual ou superior a 65 anos, quando atualmente são apenas 21%.

Para José Miguel Trigoso, presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP), estes dados “são bastante demonstrativos de que a população sénior é a mais afetada pela sinistralidade nas estradas portuguesas e, o mais grave, é que é esperado que estes números aumentem. Promover a segurança dos utentes seniores é prioritário, tanto no que respeita à segurança dos peões - prioridade das prioridades -, como garantindo que mantêm as condições físicas necessárias para uma condução segura”.

Locutores unidos em Campanha de Sensibilização
Os locutores Vasco Palmeirim e Carla Rocha, juntam-se à Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos, para dar vida à campanha...

A Campanha “Qualidade e dignidade até ao fim”, foi desenvolvida pela Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP), a propósito do Mês dos Cuidados Paliativos, que se assinala em outubro, e segundo a mensagem defendida pela Worldwide Hospice Palliative Care Alliance (WHPCA): "viver e morrer com sofrimento não é algo que tenha de acontecer”. No âmbito desta iniciativa, os locutores Vasco Palmeirim e Carla Rocha lançam um desafio a todos os portugueses, para que vistam a camisola pela pessoa com necessidades paliativas, no dia 8 de outubro, data em que se comemora o Dia Mundial dos Cuidados Paliativos.

“Quando fui contactada pela APCP, não hesitei, não poderia ficar indiferente a esta campanha que pretende aumentar o conhecimento sobre os cuidados paliativos junto da população, profissionais de saúde e classe política. Tenho a certeza que, juntos podemos sensibilizar para o desenvolvimento destes cuidados em Portugal”, diz Carla Rocha.

Os locutores Vasco Palmeirim e Carla Rocha são os protagonistas de um spot de Televisão e Rádio transmitido pela SIC, TVI, RTP, Antena 1, Cinemas NOS e Metro do Porto, durante todo o mês de outubro. Também a Federação Portuguesa de Futebol irá promover a transmissão do spot informativo, durante o jogo entre Portugal e Andorra, que decorrerá no dia 7 de outubro no estádio de Aveiro, pelas 19h45.

A Campanha “Qualidade e dignidade até ao fim” promove ainda um lançamento de balões, um ato simbólico em homenagem à pessoa com necessidades paliativas, a decorrer em Lisboa e Porto, no Terreiro do Paço e Praça Gomes Teixeira, respetivamente, no dia 8 de outubro, pelas 16 horas.

Yoshinori Ohsumi
O prémio Nobel da medicina foi hoje atribuído ao japonês Yoshinori Ohsumi pelas suas investigações sobre os mecanismos da...

As descobertas de Ohsumi, de 71 anos, escreve o júri do Nobel da Medicina no comunicado em que anuncia o laureado, "levaram a um novo paradigma na compreensão de como a célula recicla o seu conteúdo".

"As suas descobertas abriram o caminho à compreensão da importância fundamental da autofagia em muitos processos fisiológicos, como a adaptação à fome ou a resposta à infeção. As mutações nos genes da autofagia podem provocar doenças e o processo autofágico está envolvido em diversos problemas, incluindo o cancro e a doença neurológica.

A palavra autofagia vem das palavras gregas 'auto', que significa "o próprio", e 'phagein', que significa comer, pelo que significa comer-se a si próprio.

Este conceito surgiu nos anos 1960, quando os investigadores observaram pela primeira vez que a célula conseguia destruir os seus próprios conteúdos ao encerrá-los em membranas, formando vesículas em forma de sacos que são transportadas para um compartimento de reciclagem, chamado lisossoma, onde são degradados.

O processo era difícil de estudar e pouco se sabia sobre ele até que, numa série de experiências no início dos anos 1990, Yoshinori Ohsumi usou fermento de padeiro para identificar os genes essenciais à autofagia.

O cientista identificou depois os mecanismos subjacentes à autofagia no fermento e mostrou que as células humanas usam um sistema sofisticado do mesmo tipo.

Embora a autofagia seja conhecida há mais de 50 anos, a sua importância fundamental na fisiologia e na medicina só foi reconhecida após a investigação de Yoshinori Ohsumi nos anos 1990, que o júri do Nobel da Medicina considera ter operado uma mudança de paradigma.

Yoshinori Ohsumi nasceu em 1945 em Fukuoka, no Japão e terminou o seu doutoramento na Universidade de Tóquio em 1974.

Após três anos na Universidade Rockefeller, em Nova Iorque, regressou à Universidade de Tóquio, onde estabeleceu a sua equipa de investigação, em 1988.

Desde 2009, é professor no Instituto de Tecnologia de Tóquio.

A temporada dos prémios Nobel 2016 começou hoje com o anúncio do Nobel da Medicina e prossegue com o da Física (terça-feira), da Química (quarta-feira), da Paz (sexta-feira) e da Economia (dia 10).

O Nobel da Literatura será atribuído a 13 de outubro.

Os prémios Nobel, criados em 1895 pelo químico, engenheiro e industrial sueco Alfred Nobel (inventor da dinamite), foram atribuídos pela primeira vez em 1901.

O prémio Nobel corresponde a uma recompensa de oito milhões de coroas suecas, o equivalente a cerca de 834.000 euros.

Autoridade para as Condições do Trabalho defende
A Autoridade para as Condições do Trabalho organiza hoje uma sessão de reflexão sobre segurança e saúde no trabalho em meio...

A campanha da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) para promoção da segurança e saúde no trabalho em meio escolar coincide propositadamente com o período de regresso às aulas, “um momento de excelência” que desde há três anos este organismo aproveita para reforçar a sua disponibilidade para ações de sensibilização ao longo do ano nas escolas, com alunos, professores e até encarregados de educação.

Carlos Pereira, diretor de Serviços para a Promoção da Segurança e Saúde no Trabalho da ACT, explicou que o objetivo das ações de sensibilização, pedidas pelas escolas, servem sobretudo para abordar conceitos como perigo, risco, segurança, stress, entre outros, e com os quais, sublinhou, a comunidade escolar não está muitas vezes familiarizada.

As mais de 600 ações já realizadas nos últimos três anos – período desde o qual a ACT tem uma campanha direcionada ao meio escolar – dirigiram-se maioritariamente a alunos, mas podem também direcionar-se a professores e encarregados de educação.

“Consoante a faixa etária, escolhemos os temas que nos parecem mais adequados”, referiu Carlos Pereira, que especificou que, por exemplo, com as crianças há muitas vezes a necessidade de alertar para os perigos para a saúde de uma incorreta utilização das mochilas e do peso que carregam.

As temáticas abordadas nas sessões deviam ser incluídas nos currículos escolares, defendeu Carlos Pereira, até porque, explicou, as ações de sensibilização são realizadas por inspetores de trabalho, que são insuficientes para chegar a todas as escolas e território.

De acordo com o responsável da ACT, o objetivo destas ações é que sejam direcionadas “às prioridades e necessidades identificadas pelas escolas”, uma vez que são estas que solicitam junto da autoridade a sua realização.

A ACT organiza uma sessão de lançamento da campanha de 2016, que decorre durante a tarde no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, contando com a presença de responsáveis do Ministério da Educação, de inspetores do trabalho e de Carlos Pereira, que tutela esta temática na ACT.

O objetivo, referiu o diretor do serviço, é “promover uma reflexão” sobre o tema na educação.

Desde 1 de outubro
Cerca de 1,2 milhões de doses de vacina contra a gripe estão desde sábado disponíveis gratuitamente no Serviço Nacional de...

Segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS), a vacinação contra a gripe vai continuar a ser gratuita para pessoas a partir dos 65 anos e para internados em instituições.

Este ano, as vacinas são igualmente gratuitas para os doentes a aguardar transplante, sob quimioterapia, com trissomia 21, fibrose quística, doença neuromuscular e com défice de alfa-1 antitripsina.

As vacinas gratuitas para aqueles grupos não requerem receita médica nem pagamento de taxa moderadora.

As vacinas dadas pelo Serviço Nacional de Saúde foram selecionadas em concurso e são de marcas comerciais que também estarão disponíveis em farmácias, refere a DGS.

Segundo o diretor-geral da Saúde, a aquisição destes 1,2 milhões de vacinas custaram ao SNS cerca de 3 milhões de euros.

Quanto às receitas médicas das vacinas, têm uma validade até 31 de dezembro, à semelhança do que aconteceu em anos anteriores.

Ministro da Saúde
O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, afirmou que o Governo tem “aberto caminho” para uma nova abordagem de...

“O procedimento legislativo foi aprovado na generalidade no Conselho de Ministros temático para a saúde e, agora, há trabalho a fazer com as organizações sindicais e os representantes dos médicos”, disse à margem da cerimónia de homenagem ao presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Porto (CHP), Sollari Allegro.

O governante considerou que esta alteração pode transformar de “forma significativa” a realidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS), acrescentando que “pela primeira vez” o governo encara de frente a necessidade de proteger o interior e de dignificar as condições do exercício da profissão médica.

“Queremos acabar com esta dependência de empresas prestadoras de trabalho médico que tão mal tem feito ao sistema de saúde e à qualidade dos serviços, sobretudo em zonas do país que têm direito a ser tratadas como é tratado o Porto e Lisboa”, salientou.

A edição do Jornal de Notícias (JN) de hoje revela que os médicos que optem por trabalhar no interior e noutras zonas onde há falta de especialistas ganharão mais de mil euros mensais, para além dos incentivos já anunciados pelo Ministério da Saúde.

“O Ministério da Saúde está disposto a pagar um acréscimo de 40% no salário, tendo por referência a remuneração base atribuída a quem inicia a carreira. Feitas as contas auferirão mais 1.098,50 euros mensais brutos”, lê-se no diário.

A proposta consta do Programa Nacional para a Coesão Territorial e é uma das medidas do novo pacote de incentivos para a colocação de médicos nas áreas do país onde há maior carência de clínicos, depois do plano traçado pelo anterior ministro da Saúde, Paulo Macedo, ter convencido apenas 20 médicos, adiantou.

DGS
A vacinação contra a gripe nos lares é na ordem dos 94 por cento, um “caso de sucesso” bem superior aos 61 por cento dos idosos...

Graça Freitas falava na apresentação do Plano Inverno & Saúde – Plano de Contingência para Temperaturas Extremas Adversas, durante a qual anunciou que os lares são “um sítio de grande sucesso da vacinação” e que resulta de estratégias diferentes e locais.

“Cada unidade organiza-se como quer. O que é importante é que as vacinas cheguem nas melhores condições aos utentes dos lares e que estes depois reportem à Direção-Geral da Saúde (DGS)”, disse.

A DGS quer este ano aumentar a cobertura vacinal e alerta para a dificuldade que representa o facto de as pessoas não terem medo da gripe.

“As pessoas acham que não precisam de se vacinar”, disse Graça Freitas, especialista em doenças infeciosas.

Na apresentação do plano, o diretor-geral da Saúde, Francisco George, manifestou a disponibilidade do organismo para alargar os locais de vacinação ao setor social e privado.

Para a campanha de vacinação contra a gripe, que começa no sábado, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) conta com 1,2 milhões de doses, que custaram cerca de três milhões de euros.

“Mais vacinas por menos dinheiro”, comentou Francisco George.

Este ano, os doentes a aguardar transplante, sob quimioterapia, com trissomia 21, fibrose quística, doença neuromuscular e com défice de alfa-1 antitripsina poderão, pela primeira vez, receber gratuitamente a vacina contra a gripe.

A vacinação vai continuar a ser gratuita para pessoas a partir dos 65 anos, doentes crónicos, pessoas residentes em instituições e profissionais de saúde.

Em relação aos profissionais de saúde, e quando estes trabalhem no setor privado, cabe ao empregador comprar as vacinas para administrar aos seus funcionários.

Os grupos prioritários são idosos com 65 ou mais anos, doentes crónicos e imunodeprimidos, grávidas e profissionais de saúde.

Em relação ao plano de verão, Graça Freitas remeteu para mais tarde os dados que estão a ser ultimados, mas adiantou que as altas temperaturas que se verificaram não resultaram num impacto anormalmente elevado de mortalidade.

O balanço é, pois, “muito positivo”, disse a especialista.

DGS
Os doentes a aguardar transplante, sob quimioterapia, com trissomia 21, fibrose quística, doença neuromuscular e com défice de...

A medida foi hoje avançada pela Direção Geral de Saúde (DGS) durante a apresentação do Plano Inverno & Saúde – Plano de Contingência para Temperaturas Extremas Adversas.

A partir de sábado, decorrerá a campanha nacional de vacinação contra a gripe, com 1,2 milhões de doses disponíveis no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

A vacinação vai continuar a ser gratuita para pessoas a partir dos 65 anos e para internados em instituições.

Os grupos prioritários são idosos com 65 ou mais anos, doentes crónicos e imunodeprimidos, grávidas e profissionais de saúde.

Estudo
Um novo estudo francês afirma que nove em cada 10 profissionais de medicina são favoráveis à vacinação da população mas a...

10% dos médicos é contra as vacinas que combatem HPV e o pneumococo. O número acaba de ser avançado por um estudo da Société Française de Médecine Générale (SFMG) e, segundo vários especialistas internacionais, não difere muito da realidade de outros países europeus mais próximos, como é o caso de Portugal, escreve o Sapo. De acordo com este organismo, nove em cada 10 profissionais de medicina é, de um modo geral, favorável à vacinação.

Nos últimos tempos, muitos têm, contudo, sido confrontados com uma desconfiança maior e uma resistência crescente dos pacientes face à vacinação. Dois terços dos 1.069 médicos inquiridos nos últimos dois anos acaba por assumir, todavia, que nem sempre dispõe de tempo durante as consultas para discutir o problema com os doentes. A vacina do Vírus do Papiloma Humano (HPV) é, em 90% dos casos, a que gera mais desconfiança.

 

Para nove em cada 10, a vacina anti-pneumocócica também é vista com algum preconceito. 22,4% dos especialistas inquiridos confessou mesmo não ser adepto da prescrição desta vacina. Um terço dos médicos critica ainda os meios de comunicação social e os organismos de saúde pública do país pelas informações que muitas das vezes transmitem. “As crises e os escândalos sanitários abalaram a confiança das pessoas”, afirma a SFMG.

Associação Portuguesa de Apoio à Vítima
A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima defendeu que os profissionais que trabalham em equipamentos sociais e de saúde têm de...

A coordenadora do Centro de Formação Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), Maria de Oliveira, contou que há idosos autónomos que estão em lares contra a sua vontade e outros que nem sabem o valor da sua reforma.

“Muitas vezes quando questionamos os idosos sobre o valor da sua pensão, muitos não sabem, porque não geram o seu próprio património”, disse a técnica, que falava a propósito do Dia Internacional das Pessoas Idosas (01 de outubro).

Há outros casos de idosos que assinam procurações sem saber muito bem o que são e os técnicos dos equipamentos “têm que estar alerta para ver se não existe uma situação de crime”, defendeu.

“Tudo isto tem que mudar e os equipamentos de acolhimento também têm que se adaptar a novas realidades, porque as pessoas idosas” de hoje têm “outras realidades e outras necessidades”, frisou.

Entre 2013 e 2015, a APAV apoiou 2.603 idosos vítimas de crime e de violência. Os principais agressores foram os filhos (37,9%) e o cônjuge (28,2%).

Estes dados mostram que “existem violações claras dos direitos básicos das pessoas idosas em relação ao exercício das suas competências normais, como ir ao supermercado”, ou mesmo a decisão de ir para o lar.

Segundo a técnica, há “uma situação na lei que possibilita a ação de familiares de usurpação dos direitos” do idoso, que resulta em “situações de abuso de confiança e “utilização indevida dos bens”.

À associação chegam denúncias de "terceiros, familiares e amigos" sobre idosos que estão em lares contra a sua vontade, mas também relatos de situações de negligência, maus-tratos, violência física e psicológica em instituições.

“Nestes equipamentos sociais existe uma rotatividade de pessoas, existe também um grande desgaste emocional dos profissionais”, que lidam diariamente com a morte e precisam de ter formação.

A este propósito, a técnica anunciou que a APAV vai lançar, na segunda-feira, um curso de formação para profissionais de várias áreas (saúde, justiça, social) e forças de segurança.

O curso está aberto a todos que pretendam “adquirir mais competência de como agir e identificar este tipo de situações e quais os recursos que podem acionar, porque ainda existe muito desconhecimento” em relação a algumas situações contra os idosos.

Maria Oliveira alertou também para a situação de muitos reformados estarem a tomar conta de pessoas com idade mais avançada, o que causa “um grande desgaste emocional” e pode levar “a situações extremas de violência física”.

Aludindo a um projeto do anterior governo que previa penas de prisão para quem abandonasse um idoso ou se aproveitasse das suas limitações mentais para aceder aos seus bens, a técnica disse que “não basta punir por punir”.

“Tem que haver respostas” e uma articulação com os serviços de saúde, adiantou, defendendo que os profissionais de saúde também “têm de estar alerta” perante uma situação que suspeitem ser de violência e acionar os mecanismos adequados.

“Não podemos continuar a ver uma violação dos direitos das pessoas idosas”, disse a técnica, lamentando ainda existir “muito estigma”, “preconceito e falta de respeito” em relação ao idosos.

Patologia genética rara
O Dia Mundial da Doença de Gaucher assinala-se este ano pela primeira vez em Portugal com o objetivo de chamar a atenção para...

O número de pessoas em Portugal com a doença poderá ser maior, mas ainda estarem casos por diagnosticar, admite o médico especialista em genética Rui Gonçalves.

As manifestações clínicas da doença de Gaucher são muito diversificadas e os sintomas diversos, o que dificulta o diagnóstico, que é conseguido através de testes genéticos, feitos no Centro de Genética Médica Doutor Jacinto Magalhães.

As manifestações clínicas da doença apresentam-se ao nível hematológico, visceral ou ao nível esquelético, podendo ocorrer em qualquer idade.

A doença é provocada por mutações num gene que reduzem ou anulam a atividade de uma enzima, fazendo com que o substrato se acumule e faça inchar as células, o que vai prejudicar os órgãos. Aliás, uma das formas caraterísticas que pode assumir a doença é o aumento de alguns órgãos como o baço ou o fígado.

Existem três tipos principais da Doença de Gaucher, sendo que só num deles não há alterações neurológicas ou do sistema central.

Segundo o médico Rui Gonçalves, o estudo genético das pessoas com esta patologia tem especial importância, até por se tratar de uma doença multissistémica (pode afetar órgãos, parte esquelética e sistema nervoso central).

Hoje em dia o diagnóstico pode ser feito com uma simples gota de sangue através de uma picada, quase indolor.

Trata-se de uma doença que pela sua cronicidade e progressão se não for tratada pode levar a uma sintomatologia exuberante, incapacitante e a uma morte precoce.

O tratamento passa sobretudo por administrar, periodicamente, a enzima em falta. Quando é iniciado atempadamente, os sinais e sintomas podem regredir e quase desaparecer.

A Associação Raríssimas decidiu este ano marcar pela primeira vez em Portugal o Dia Mundial da Doença de Gaucher, que é assinalado no sábado, tentando mobilizar apoios à doença através das redes sociais.

Conferência lembra
O aleitamento materno, “a primeira vacina do bebé”, e a sua importância para o desenvolvimento sustentável estão hoje em debate...

“O leite materno é a primeira vacina de um bebé, a primeira e melhor proteção que pode ter contra doenças e outros problemas de saúde. Ao nível mundial as mortes de recém-nascidos representam quase metade de todas as mortes de crianças menores de 5 anos, e o aleitamento desde a primeira hora de vida pode fazer a diferença entre a vida e a morte. Se todos os bebés fossem alimentados apenas com o leite materno desde o nascimento até aos seis meses, mais de 800.000 vidas seriam salvas todos os anos”, refere um comunicado da UNICEF Portugal.

A conferência, que decorre hoje no auditório do Infarmed, em Lisboa, e que pretende alertar para a relação entre o aleitamento materno e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, vai reunir cerca de 150 profissionais de saúde portugueses, assim como alguns especialistas convidados, entre os quais o professor Bernardo Horta, investigador em saúde materno-infantil da Universidade de Pelotas, no Brasil.

O investigador brasileiro vai apresentar na conferência dados relativos a uma investigação de 30 anos e que resultam de um acompanhamento dos efeitos do aleitamento materno num grupo populacional.

“Estudos da UNICEF mostram que, ao nível global, uma grande percentagem das mulheres não estão a receber o apoio de que precisam para iniciaram o aleitamento materno imediatamente a seguir ao parto, mesmo quando um médico, enfermeiro ou parteira presta assistência durante o parto”, refere a nota de imprensa.

A conferência acontece no âmbito da Semana Europeia do Aleitamento Materno.

A Comissão Nacional Iniciativa Amiga dos Bebés foi criada em 1992 pelo Comité Português para a UNICEF, é constituída por um grupo de profissionais de saúde de várias áreas que de forma voluntária procuram promover o aleitamento materno de acordo com as recomendações da Organização Mundial de Saúde: em exclusivo até aos seis meses de idade do bebé, e em conjunto com a alimentação até aos dois anos.

Estudo
Os anti-inflamatórios como o iboprofeno e o diclofenaco estão ligados a um maior risco de problemas cardíacos, segundo um...

Segundo o estudo, as pessoas que consomem aquela classe de medicamentos tem 19% de probabilidades de ter uma falha cardíaca nos 14 dias seguintes a ingestão do medicamento.

As conclusões da equipa da Universidade Milano-Bicoca (Itália) baseiam-se em dados relativos a 10 milhões de pessoas do Reino Unido, Holanda, Itália e Alemanha, que iniciaram um tratamento com aqueles anti-inflamatórios entre 2000 e 2010.

Estudos anteriores já tinham estabelecido um vínculo entre aquele tipo de medicação e ritmos cardíacos anormais, assim como o aumento do risco de as pessoas sofrerem de ataques cardíacos e derrames cerebrais se consumidos de forma regular.

“Sabemos desde há anos que aquele tipo de medicamentos deve ser utilizado com precaução pelos pacientes com risco de sofrerem de problemas cardíacos, particularmente adultos”, afirmou, em comunicado, Peter Weissberg, diretor da organização britânica, que realizou a investigação médica British Heart Foundation.

Neurofisiologista diz
As carícias no tratamento de doentes podem melhorar o conforto destes, ao estimularem zonas cerebrais específicas que...

Em declarações à agência noticiosa Efe, Montero afirmou: “Temos de romper barreiras para que o contacto tátil faça parte das armas dos profissionais de saúde”.

Para assinalar a sua jubilação, depois de uma longa carreira no Hospital de Llobregat, Montero fez uma conferência intitulada “Neurofisiologia da carícia”, durante a qual defendeu a importância das carícias na aprendizagem humana e nas relações sociais.

Montero sublinhou que a neurociência demonstra que as carícias ativam uns recetores específicos no cabelo da pele que transportam esta sensação diretamente às áreas cerebrais que regulam as emoções de maneira singular, isto é, estas zonas não se podem ativar de outra forma.

Sublinhou também que a carícia é um elemento presente na natureza, sobretudo entre os mamíferos, que acariciam permanentemente a sua cria quando nasce.

Neste sentido, destacou a necessidade de os familiares acarinharem fisicamente os mais pequenos e avisou que um bebé que durante o seu primeiro ano de vida não receba suficiente contacto humano pode apresentar carências durante o seu desenvolvimento.

Montero insistiu que as carícias e o contacto, seja com familiares, sejam com doentes, deve ocorrer sempre com respeito e educação.

Para o médico, a cultura é fonte das reservas que impedem as pessoas de se tocarem mais, já que em muitas ocasiões não se sabe como tocar de maneira adequada.

Neste sentido, advogou um trabalho de pedagogia e o fomento destes contactos suaves, em todos os âmbitos da vida, desde a família ao trabalho, passando pelas amizades.

“As carícias e o contacto devem estar presentes em todos os âmbitos, mas talvez no hospitalar seja onde é mais necessário”, considerou.

Um exemplo do que poderia ser conveniente, na sua opinião, é o fomento das carícias dos profissionais de saúde aos doentes graves e terminais para lhes dar conforto e reforçá-los emocionalmente.

Diagnóstico à distância
O presidente da Associação Portuguesa de Telemedicina (APT) defende a implementação de um programa nacional de diagnóstico à...

"É importante implementar um programa nacional de telemedicina", disse o presidente da associação, Eduardo Castela, que foi o dinamizador de uma rede de telemedicina no serviço de cardiologia pediátrica a partir do Hospital Pediátrico de Coimbra.

Para o responsável, a telemedicina "é uma solução inevitável", especialmente na resposta a algumas carências de recursos e ausência de determinadas especialidades em hospitais fora dos grandes centros urbanos.

Segundo Eduardo Castela, já há algum trabalho feito para se "dinamizar a telemedicina" - um vetor do Serviço Nacional de Saúde que "já esteve adormecido, mas que acordou".

No entanto, "há muito por fazer", notou, esperando agora que também a associação seja ouvida (a APT não esteve presente no grupo de trabalho de telemedicina criada pelo anterior Governo).

"Há muito que andar mas, devagarinho, as coisas estão a avançar", referiu, dando como exemplo iniciativas no âmbito de especialidades como dermatologia, genética ou cardiologia pediátrica.

O também diretor de cardiologia pediátrica do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) sublinhou que no seu serviço 25% das consultas são feitas com recurso a telemedicina.

Se no ano de arranque do projeto, em 1998, foram feitas 19 consultas, em 2015, o serviço registou quase 3800 com recurso ao diagnóstico à distância, afirmou.

"São muitas crianças e pais que deixam de vir da Covilhã, Guarda, Leiria ou Viseu" devido ao recurso ao diagnóstico à distância, realçou.

Neste momento, no CHUC, é assegurado um serviço de 24 horas por dia de telemedicina em cardiologia pediátrica para todos os hospitais da região Centro e Trás-os-Montes, sublinhou.

Além da parceria com hospitais nacionais, o serviço tem protocolos com Angola, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, estando a ser estudada a possibilidade de chegar à Guiné-Bissau, informou.

Milhares de consultas depois, "nunca tivemos uma queixa", apontou, referindo que, "há 18 anos, muitos não acreditavam na telemedicina".

A APT promove na sexta-feira o seu quinto encontro com o tema "Tele-Saúde: vetor estratégico do SNS - Acessibilidade, qualidade dos cuidados e sustentabilidade", em Conímbriga, Condeixa-a-Nova, estando prevista a presença do secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Araújo, o reitor da Universidade de Coimbra, João Gabriel Silva, e o bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva.

Hepatite C
Dia 1 de Outubro assinala-se o Dia Internacional de Consciencialização para a Hepatite C.

Hepatite é um termo médico que designa inflamação do fígado. Pode ter inúmeras causas, como os vírus (por exemplo vírus da hepatite B e vírus da hepatite C), alcoolismo, toxicidade de alguns medicamentos ou outros tóxicos (por exemplo cogumelos «venenosos»).

A maioria das pessoas que estão infectadas com o vírus da hepatite C (VHC) tem nenhuns ou apenas ligeiros sintomas, o que faz com que muitas pessoas desconheçam que têm a doença. Com o passar do tempo, habitualmente anos, a infecção crónica por VHC pode levar a lesão grave do fígado, a que chamamos fibrose, que no seu estádio mais avançado é a cirrose hepática.

Muitas das pessoas com hepatite por VHC não sabem como foram infectadas. A principal via de contágio do VHC é através do sangue. Assim, a maioria das pessoas infectadas adquiriu o vírus através de:

- partilha de agulhas, seringas e outro material usado para consumo de drogas endovenosas;

- transfusões de sangue anteriores a 1990, quando o sangue ainda não era testado para este vírus;

- relações sexuais com uma pessoa infectada.

A transmissão do VHC de mãe para filho durante a gravidez é muito rara. A transmissão não se dá através de beijos e abraços, espirros ou tosse, partilha de copos, talheres e outros utensílios de uso comum.

Não existe qualquer vacina para a hepatite C.

Quando uma pessoa inicialmente se infecta com o VHC desenvolve o que se chama uma hepatite aguda que pode ou não dar sintomas. Algumas pessoas conseguem combater e resolver a infecção nesta fase e ficam curadas, mantendo presente no sangue o anticorpo para o VHC, que é como que uma “cicatriz” indicadora de que já estiveram em contacto com o vírus. Mas a grande maioria das pessoas, entre 60 a 80%, não tem essa capacidade, o que significa que o vírus fica ativo no organismo, embora silencioso,  e desenvolve-se uma hepatite crónica.

A hepatite crónica por VHC é relativamente comum, com uma prevalência que se estima em quase 3% da população mundial.

Sendo uma infecção crónica com poucos ou nenhuns sintomas (o mais frequente é o cansaço, muito inespecífico), o diagnóstico da hepatite por VHC é feito muitas vezes em análises de rotina, ou quando se detectam algumas alterações nas análises gerais relacionadas com o fígado.

Numa primeira fase faz-se a pesquisa no sangue do anticorpo contra o VHC; se este for positivo avança-se para uma análise mais elaborada em que se pesquisa a presença do próprio vírus (o RNA do vírus).

Esta segunda análise pode vir negativa – o que significa que a pessoa está entre a minoria que conseguiu curar sozinha a infecção; ou vem positiva, sendo mandatório referenciar o doente a uma Consulta de Hospitalar (Gastroenterologia, Hepatologia, Infecciologia) de forma a se pesquisar qual o tipo de vírus C em causa (existem vários chamados genótipos, sendo o 1, 3 e 4 os mais frequentes em Portugal), avaliar o grau de lesão do fígado que já existe e propor o doente para tratamento.

A avaliação do grau de lesão ou fibrose do fígado faz-se hoje em dia por rotina através de meios não invasivos (em casos muito raros pode ainda recorrer-se a uma biopsia hepática).

O tratamento da hepatite por VHC teve uma evolução extraordinária nos últimos anos, sendo considerado uma das grandes revoluções da Medicina moderna. Até há poucos anos os tratamentos disponíveis incluíam injeções que o doente auto-administrava, eram difíceis de tolerar, com efeitos secundários muito significativos que levavam muitas vezes o doente a interromper o tratamento. Além disso, as taxas de sucesso do tratamento eram consideravelmente baixas, raramente atingindo os 50% de cura. Ou seja, com um tratamento longo e difícil de tolerar, por cada dois doentes tratados apenas um ficava curado.

Mais recentemente foram desenvolvidos e rapidamente introduzidos no mercado os chamados agentes antivirais de acção direta (AAD), sob a forma de comprimidos, muito bem tolerados (raros ou nenhuns efeitos secundários), e com taxas de sucesso terapêutico que rondam os 95-100%, dependendo do tipo de vírus, do grau de fibrose existente, e do historial terapêutico do doente. Estes medicamentos são de fornecimento exclusivo hospitalar.

Assim, com os tratamentos atualmente disponíveis, é possível ambicionar curar 100% da população infectada, o que significa que a hepatite crónica por VHC é uma doença potencialmente erradicável.

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Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Organização Mundial de Saúde alerta
A Organização Mundial de Saúde alertou que a discriminação em função da idade é um problema generalizado, sobretudo nos países...

Num comunicado distribuído para assinalar o Dia Internacional das Pessoas Idosas, a agência das Nações Unidas para a Saúde revela os resultados de um inquérito que conclui que 60% das pessoas consideram que os idosos não são respeitados.

O estudo da OMS, que abrangeu mais de 83 mil pessoas em 57 países, visava avaliar as atitudes perante os idosos em todas as faixas etárias e concluiu que os níveis mais baixos de respeito surgem nos países de alto rendimento.

"Esta análise confirma que o etarismo [discriminação em função da idade] é extremamente comum. No entanto a maioria das pessoas não tem qualquer consciência dos estereótipos subconscientes que mantém sobre as pessoas mais velhas", disse John Beard, diretor da OMS para o Envelhecimento e Curso de Vida.

O responsável compara esta forma de discriminação com o sexismo e o racismo e lembra que é possível mudar as normas sociais.

"É tempo de parar de definir as pessoas pela sua idade. Isso resultará em sociedades mais prósperas, mais igualitárias e mais saudáveis".

É que as atitudes negativas sobre o envelhecimento e os idosos podem ter "consequências significativas para a saúde física e mental" dos idosos, alerta a OMS.

Os idosos que se veem como um fardo percecionam a sua vida como tendo menos valor, o que os coloca em risco de depressão e isolamento social.

Estudos recentes citados pela OMS mostram que as pessoas mais velhas que têm uma ideia negativa do seu próprio envelhecimento não recuperam tão bem das doenças e vivem em média menos 7,5 anos do que as pessoas com uma atitude mais positiva.

Até 2025, estima-se que o número de pessoas com mais de 60 anos duplique, e até 2050 deverá alcançar os dois mil milhões em todo o mundo.

Alana Officer, coordenadora do departamento de Envelhecimento e Curso de Vida na OMS, lembra que "o etarismo pode ter muitas formas", incluindo a representação das pessoas idosas como frágeis, dependentes e desligadas da realidade nos media, práticas discriminatórias como o racionamento dos cuidados de saúde por idade ou políticas institucionais como a reforma obrigatória a uma determinada idade.

Ministro da Economia e Secretária de Estado da Ciência presentes
É já amanhã que se realiza mais uma edição da Noite Europeia dos Investigadores. À sessão de abertura, que tem lugar pelas...

Moderado pelo jornalista José Vítor Malheiros, o debate contará, também, com a participação do Vice-Reitor da Universidade de Lisboa, Prof. Rogério Gaspar, do Diretor da FCT NOVA, Prof. Fernando Santana, do Diretor do ICS, Prof. José Luís Cardoso e da Eng.ª Cristina Vaz Tomé, ex-dirigente do IICT agora na Direção da RTP, entre muitos outros nomes de peso na área da ciência, inovação e economia.

 

Recorde-se que a Noite Europeia dos Investigadores oferece mais de 90 atividades de entrada livre pensadas sobretudo para o público jovem. Em Lisboa, as iniciativas prolongam-se pelo eixo MUHNAC-UL – Praça do Príncipe Real – Miradouro de São Pedro de Alcântara, entre as 18h00 e as 24h00. Esta é uma iniciativa promovida pelo MUHNAC-UL (entidade proponente do consórcio SCILIFE Science in Everyday Life – Ciência no Dia-a-Dia) em parceria com a Universidade Nova, a Universidade de Lisboa, o Instituto Universitário de Lisboa e, ainda, a Escola de Ciências da Universidade do Minho e o Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto. O evento conta, ainda, com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, ao envolver o espaço público nesta iniciativa, sendo a centralizadora das atividades que decorrerão durante essa noite em Lisboa.

Dia 1 de outubro de 2016
O Dia Mundial da Doença de Gaucher assinala-se a 1 de outubro e tem como objetivo alertar a população para uma patologia rara...

A Dra. Tabita Magalhães Maia, Hematologista responsável pela consulta de Gaucher e do sector de Patologia do Glóbulo Vermelho do serviço de Hematologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, explica que “A doença de Gaucher é uma doença hereditária rara causada por um défice de uma enzima responsável por digerir uma gordura, glucocerebrosídeo, que se acumula dentro de um tipo de células chamadas macrófagos. É uma doença autossómica recessiva, o que significa que as pessoas que só herdaram a mutação genética se um dos pais são portadores, mas não têm a doença, se os dois elementos de um casal forem portadores, têm, em cada gestação, 25% de probabilidade de ter um filho com a doença”.

A especialista reforça ainda que “a falta desta enzima, que se chama glucocerebrosidase, leva à acumulação de substâncias dentro dos lisossomas que estão presentes em vários tecidos e órgãos, como por exemplo o baço, o fígado e a medula óssea. Assim, vai haver uma acumulação de material nestes órgãos, que aumentam de volume (baço e fígado), a medula óssea fica com dificuldade em produzir as células do sangue (o que leva a anemia, falta de plaquetas e/ou glóbulos brancos baixos), os ossos ficam mais frágeis e podem apresentar lesões múltiplas (com dor óssea crónica e/ou aguda, fraturas ósseas patológicas) e pode inclusivamente atingir o sistema nervoso. É por isso uma doença grave, crónica, progressiva e mutissistémica que se pode apresentar com um conjunto muito variado de sinais e sintomas que são comuns a outras doenças. Este facto faz com que o diagnóstico da Doença de Gaucher nem sempre seja suspeitado e o quadro clínico se agrave progressivamente”.

Hoje em dia o diagnóstico pode ser feito com uma simples gota de sangue de uma picada no dedo, quase indolor. Trata-se de uma doença que pela sua cronicidade e progressão se não for tratada pode levar a uma sintomatologia exuberante, incapacitante e a uma morte precoce. Desde há vários anos que existe tratamento para a Doença de Gaucher, que consiste na administração quinzenal ou mensal, por via endovenosa, da enzima em falta. Quando o tratamento é iniciado atempadamente, há desaparecimento da quase totalidade dos sinais e sintomas e uma normal qualidade de vida. Outra opção terapêutica, indicada apenas para alguns doentes é um medicamento oral que ajuda à redução destas substâncias. Já há um destes medicamentos em Portugal e, muito em breve, será lançado um outro cujos ensaios clínicos parecem mostrar melhor tolerabilidade e eficácia.

Em Portugal existem cerca de 100 doentes diagnosticados, mas acreditamos que se trata de uma doença infra diagnosticada, sobretudo a doença de Gaucher de aparecimento tardio. Apesar de ser uma doença genética, uma parte significativa dos casos é diagnosticada na idade adulta. Dos doentes com indicação para tratamento, temos já alguns com mais 15 anos sob tratamento enzimático de substituição com recuperação dos valores hematológicos, volume orgânico e com ótima qualidade de vida.

 

Em síntese: a doença de Gaucher tem um leque muito variado de apresentações clinicas, obrigando ao diagnóstico diferencial com uma série de outras patologias. Pode-se apresentar em qualquer idade e o diagnóstico é fácil e rápido. O tratamento de substituição enzimática não tem efeitos colaterais e tem ótimos resultados, com recuperação dos valores hematológicos, redução do volume orgânico e prevenção das lesões ósseas.

Neways: Cancer Network for Welfare Aging
Atualmente assistimos a um envelhecimento gradual da população, sendo que o grupo etário com mais de 65 anos corresponde a 19,1...

Por estarem conscientes de que este grupo etário necessita que sejam desenvolvidas estratégias específicas para a área das doenças oncológicas, um grupo de especialistas criou o projeto "Neways - Cancer Network for Welfare Aging” com vista a definir e implementar atividades que visam melhorar ou otimizar a situação em Portugal.

Estimular a investigação no sentido de produzir conhecimento relativo à realidade da oncogeriátrica portuguesa e, em função do conhecimento produzido gerar informação; desenvolver boas práticas para a prestação de cuidados de saúde ao doente idoso com doença oncológica; promover o patient advocacy, isto é, a decisão participada dos doentes e dos cuidadores nos processos de decisão relativos à doença, nomeadamente na estratégia de tratamento mais adequada; sensibilizar os profissionais de saúde sobre as características especiais da subpopulação idosa, estimulando formação específica nesta área para médicos e profissionais de saúde; aumentar o uso de ferramentas que permitam avaliar os doentes oncológicos idosos em Portugal; e promover a discussão e a responsabilidade da Sociedade Civil sobre a importância de um correto exercício de oncologia geriátrica são os principais objetivos que irão juntar amanhã, 30 de setembro, os peritos que constituem a "Neways - Cancer Network for Welfare Aging”.

O Steering Committee deste projeto é constituído pelo Professor Dr. Francisco Pimentel, representante nacional da SIOG; pelo Professor Dr. Carlos Oliveira da Liga Portuguesa Contra o Cancro; pelo Professor Dr. Jorge Soares, da Fundação Calouste Gulbenkian; e pelo Professor Dr. Manuel Veríssimo responsável pelo Núcleo de Geriatria da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna. A equipa diretiva responsável pela gestão do projeto definiu grupos de trabalho correspondentes a áreas específicas, que procurarão identificar mitos e barreiras no contexto da oncologia geriátrica dentro das respetivas áreas de atuação como são a Prática Clínica; a Economia e Políticas de Saúde; a Investigação Epidemiológica e Social; e outras como a literacia em saúde, as tecnologias de informação para os doentes, as questões éticas, e o patient advocacy.

 

A "Neways - Cancer Network for Welfare Aging” é uma network de especialistas que promove a discussão pela Sociedade Civil da importância de melhorar a qualidade de vida do doente idoso oncológico.

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