A síndrome seco

Xerostomia e xeroftalmia

Atualizado: 
24/04/2014 - 12:34
A síndrome seco caracteriza-se pela presença clínica de olho seco e boca seca.

A síndrome seco é definida pela presença de xeroftalmia - "olho seco" - e xerostomia - "boca seca". Por outro lado, a síndrome seco é o quadro principal da síndrome de Sjögren, que se caracteriza pela existência de sintomas de secura da boca, dos olhos, da pele, vias aéreas e mucosa vaginal.

É importante salientar que a síndrome seco pode ocorrer em idosos sem síndrome de Sjögren e ser secundário à toma de alguns medicamentos, como anti-depressivos, anti-histamínicos, alguns anti-hipertensores etc., ou relacionados com a diabetes, a sarcoidose, infecções virais ou outras doenças.

A investigação da síndrome seco exige uma história clínica apurada. As queixas devem ser valorizadas de acordo com a idade e sexo do doente, já que existe uma diminuição da produção do filme lacrimal com a idade, durante a gravidez e após a menopausa. O desenvolvimento das queixas é normalmente insidioso, pelo que se as queixas forem de início abrupto, há que averiguar da toma de nova medicação ou da presença de estados ansiosos e depressivos.

Xeroftalmia
Assim, a xeroftalmia - "olho seco" - caracteriza-se pela diminuição da secreção aquosa lacrimal, e descrita pelos doentes como a sensação de corpo estranho, associada a prurido e/ou sensação de queimadura nos olhos, que aumenta ao longo do dia. São também frequentes as queixas de fotofobia. Os principais sintomas são a secura ocular, ardor ou dor ocular, sensação de ardor ou prurido. A xeroftalmia mantida pode levar à formação de úlceras na córnea (queratoconjuntivite sicca), que podem, se não tratadas, evoluir com gravidade.

Por outro lado, a xerostomia - "boca seca" - caracteriza-se pela diminuição da produção de saliva pelas glândulas salivares. Manifesta-se pela sensação de secura oral, necessidade da ingestão frequente de líquidos e dificuldade na ingestão de alimentos sólidos ou em falar continuamente. Traduz-se por um aumento de cáries, necessidade do uso de próteses dentárias e susceptibilidade a infecções, como a candidíase oral recorrente. As razões para o seu aparecimento são variadas.

Com o intuito de minimizar os sintomas deste problema deve alterar hábitos, medicações ou factores ambientais que podem prejudicar os olhos, bem como evitar ambientes com baixa humidade, fluxos de ar de ventoinhas ou ar condicionado, fumo ou poeiras. Também é conveniente evitar a utilização excessiva de maquilhagem, utilizar lubrificantes oculares para manter os olhos húmidos durante a noite, se possível evitar medicamentos que originem secura ocular, como alguns anti-hipertensivos, anti-depressivos ou anti-histamínicos.

Outras atitudes preventivas incluem o uso de óculos com protecção lateral ou de lente larga de modo a evitar a evaporação da lágrima bloqueando o vento e aumentando a humidade à volta dos olhos, manter os olhos lubrificados durante o dia, mesmo nas alturas em que não tem sintomas, evite permanecer muito tempo sem pestanejar, porque leva a uma maior evaporação da lágrima e aplique compressas mornas nos olhos, para humedecer os tecidos secos e irritados, e aumentar a secreção de substâncias oleosas pelas glândulas palpebrais.

Xerostomia
A xerostomia pode ser muito incomodativa e levar a grande incapacidade. Pode causar dificuldade na mastigação, rápida degradação dos dentes e infecções (sobretudo fúngicas, candidíase). Pode haver dor ou ardor, alterações no paladar e mesmo dificuldade em falar. Por vezes os sintomas são causados não por uma diminuição da saliva, mas sim por uma diminuição da qualidade da saliva.

Deve por isso beber pequenas quantidades de água frequentemente para manter a boca húmida, mas evitar beber grandes volumes de uma vez, porque remove a camada protectora de saliva, evitar bebidas ácidas, como refrigerantes ou bebidas energéticas, a cafeína, porque pode aumentar a sensação de secura oral.

A secreção de saliva pode ser aumentada com pastilhas ou rebuçados sem açúcar ou à base de Xilitol - adoçante que ajuda a prevenir a degradação dos dentes. Contudo, estes produtos têm um efeito temporário, sendo úteis sobretudo em pessoas com xerostomia grave. A secura labial pode ser prevenida com cremes ou batons hidratantes e pode utilizar um humidificador para aumentar a humidade ambiente, sobretudo de noite.

É importante também prevenir e tratar os problemas dentários bem como prevenir e tratar infecções da boca. As infecções orais mais frequentes nestes doentes são causadas por fungos, sobretudo candidíase, manifestando-se por inflamação da mucosa oral e sensação de ardor na boca, por isso a prevenção, com limpeza frequente da boca, dentes e dentaduras, para remover restos de comida e potenciais agentes patogénicos é essencial.

Tratamento
No caso da xerostomia existem medicamentos que reduzem os sintomas de secura oral e aumentam a secreção de saliva durante algumas horas, no entanto, associam-se frequentemente a efeitos secundários, podem não ser eficazes em todos os doentes e podem não prevenir as cáries, devendo ser utilizados apenas por indicação médica.

É também importante avaliar medicamentos que o doente esteja a tomar por outras indicações (hipertensão, depressão) e que possam agravar as queixas de secura.

Para a xeroftalmia, as lágrimas artificiais - de venda livre - podem proporcionar alívio temporário das queixas oculares. Contém água, sais minerais e polímeros, mas não possuem as proteínas habitualmente presentes na lágrima natural.

No tratamento da inflamação crónica que agrava a secura ocular mediante a perturbação da secreção lacrimal existem aplicações tópicas, mas devem ser administradas pelo seu médico.

A manutenção da higiene e saúde das pálpebras é fundamental para manter uma boa lubrificação ocular. As infecções palpebrais devem ser prontamente tratadas, e problemas cutâneos que possam envolver as pálpebras devem ser identificados e tratados.

Fonte: 
Sociedade Portuguesa de Reumatologia
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico e/ou Farmacêutico.
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