Sistema Digestivo

As doenças digestivas mais frequentes

Todos os anos a 29 de Maio a Organização Mundial de Gastrenterologia celebra o Dia Mundial das Doenças Digestivas procurando chamar a atenção da população para as doenças digestivas mais frequentes e captar a atenção da opinião pública para o seu melhor conhecimento e consequentes prevenção e diagnóstico precoce. Vítor Viriato, gastrenterologista, dá-lhe a conhecer algumas das mais prevalentes doenças digestivas entre nós.

AZIA

Azia é uma sensação de queimadura com origem na parte de trás do peito e que, por vezes, sobe podendo irradiar até ao pescoço e garganta.

O ardor é quase sempre provocado pelo refluxo do suco gástrico para o esófago.

O esfíncter esofágico inferior, uma espécie de válvula que está entre o esófago e o estômago, só deveria abrir para a passagem dos alimentos durante as refeições, mas por funcionamento deficiente permite o fluxo do ácido do estômago em sentido inverso.

Prevenir e controlar:

Evitar alimentos que favorecem a azia: bebidas alcoólicas, café, chá, chocolate, bebidas gaseificadas, refeições pesadas e ricas em gorduras (por exemplo, com muitos molhos), sumo de laranja, sumo de tomate.

Corrigir alguns hábitos: deve evitar ir para a cama antes do esvaziamento gástrico estar completo – o que demora cerca de três horas.

Deixar de fumar é fundamental — o tabaco favorece a azia. E prevenir a obesidade é também importante. Os obesos, devido ao aumento da pressão intra-abdominal, associada a hábitos alimentares prejudiciais, são um conhecido grupo de risco. E está provado que o simples facto de reduzir o peso em alguns quilos leva a um melhor controlo e/ou desaparecimento da azia.

Conhecer os factores de risco: durante a gravidez,  o aparecimento de azia é quase inevitável. Isto deve-se não só ao aumento da pressão intra-abdominal devido ao crescimento progressivo do útero, mas também a alterações hormonais (aumento de progesterona e estrogénios que baixam a pressão do esfíncter inferior do esófago). Alguns fármacos também podem ser prejudiciais: anti-inflamatórios, aspirina, alguns medicamentos para doenças do coração e hipertensão (nitratos, inibidores do Cálcio) e asma. Consulte o seu médico.

DISPEPSIA

Dispepsia é o termo médico que designa a dificuldade de digestão. Consiste na existência de dor ou mal estar no abdómen superior de forma crónica ou recorrente, sensação de enfartamento e saciedade precoce.

Pode acompanhar-se de distensão abdominal, náuseas, eructações (“arrotos”) e azia.  Trata-se de uma queixa muito comum que ocorre em cerca de 25% da nossa população e é  a causa de de 40% das consultas de Gastrenterologia.

Pode ser provocada por um problema orgânico, por exemplo úlcera duodenal, úlcera gástrica, refluxo gastro-esofágico, doenças biliares ou pancreáticas ou até Cancro do estomago. No entanto na maioria dos casos não existe nenhuma alteração orgânica responsável pelas queixas tratando-se então da chamada dispepsia funcional.

É  portanto de uma situação cujas causas são variadas indo desde a dispepsia funcional em que não existe nenhuma alteração estrutural por detrás das queixas até situações de maior gravidade sendo por esse motivo essencial o recurso a consulta médica de forma a haver conveniente orientação. A orientação poderá passar apenas por medidas simples como alteração de hábitos alimentares ou de vida, até terapêutica farmacológica ou então poderá ser necessária a realização de exames (endoscopia, ecografia)  e análises para estabelecer o diagnóstico. Por tudo isto é fundamental que converse com o seu médico o qual avaliará a melhor forma de proceder.

SINDROME DO INTESTINO IRRTÁVEL

O sindrome do intestino irritável é popularmente conhecido como “colite nervosa”, “colite espástica (seca ou húmida)”, “cólon irritável” ou “doença funcional do intestino”.

A designação de intestino irritável deve-se ao facto de, nestes doentes, o tecido muscular do intestino ser mais sensível e reagir mais intensamente a estímulos habituais, como alimentação e stresse. A disfunção muscular pode ocasionar atraso ou aceleração no movimento intestinal e, consequentemente, alteração na frequência, forma ou consistência das fezes.

Nos países desenvolvidos, estima-se que, aproximadamente, 20% da população sofre desta doença funcional que é responsável por cerca de 12% das consultas de clínica geral e 25% das consultas de gastrenterologia.

Esta doença benigna não apresenta complicações orgânicas a longo prazo, nomeadamente, risco elevado de cancro. Todavia, devido à intensidade e cronicidade dos sintomas, pode provocar desconforto com alteração da actividade diária, em alguns doentes.

Quais os sintomas mais frequentes?

• Dor abdominal, frequentemente desencadeada pela ingestão de alimentos e aliviada pela defecação ou emissão de gases. A dor localiza-se, geralmente, na parte inferior do abdómen.
• Alteração na frequência, forma ou consistência das fezes (obstipação e/ou diarreia).
• Distensão e sensação de gás abdominal.

• Sensação de evacuação incompleta.

• Presença de mucosidade nas fezes.

Os doentes apresentam, geralmente, vários destes sintomas durante longos períodos de tempo. Podem associar-se outros sintomas do aparelho digestivo, por exemplo, digestão difícil, bem como sintomas de outros aparelhos (urinário, genital, músculo-esquelético).
A sintomatologia é habitualmente agravada pelo stresse e ansiedade.

Geralmente não se verifica presença de sangue nas fezes, emagrecimento ou febre. A ocorrência destes sintomas deve ser referida ao seu médico.

Dr. Vítor Viriato - Gastrenterologista Hospital Lusíadas Porto
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
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