Doença reumática

Artrite Psoriática

Atualizado: 
26/02/2014 - 09:23
A artrite psoriática é uma doença inflamatória das articulações que se manifesta por rubor (vermelhidão), edema (inchaço), calor e dor na área afectada. Trata-se de uma doença reumática crónica e surge em 5 a 8 por cento dos doentes com psoríase.

A artrite psoriática só foi reconhecida nos anos 60 do século XX, sendo os doentes até então classificados como tendo artrite reumatóide ou outras formas de artrite. Na verdade a artrite psoriática é uma doença crónica inflamatória das articulações, associada à psoríase, que afecta entre 0,05 e 0,025 por cento da população. A denominação "artrite” refere-se à inflamação das articulações, com queixas de dor, tumefacção, rigidez matinal e dificuldade na mobilização das articulações afectadas. A causa da doença é desconhecida, mas pensa-se que haverá influência de factores genéticos, ambientais e (possivelmente) de agentes infecciosos que levam à inflamação das articulações e tendões.

As articulações mais afectadas são as das mãos e pés, mas também pode atingir grandes articulações, como os joelhos, tornozelos e ancas, bem como a coluna vertebral. A doença é mais frequente em indivíduos caucasianos, e afecta homens e mulheres com a mesma frequência. Pode atingir pessoas de qualquer idade, embora o início ocorra com maior frequência entre os 35 e os 55 anos.

Sintomas
A artrite psoriática evolui habitualmente por surtos e remissões. Os sintomas variam de ligeiros a extremamente incapacitantes, e no início podem ser de início súbito. Geralmente, a doença apresenta-se com um ou mais dos seguintes sinais e sintomas:

  • Cansaço generalizado;
  • Desconforto, dor ou tumefacção sobre os tendões;
  • Dor e tumefacção difusa de dedos - um ou vários, das mãos ou pés;
  • Desconforto, dor, tumefacção ou rigidez em uma ou mais articulações;
  • Limitação do movimento articular;
  • Alterações das unhas. 

Diagnóstico
Não existe nenhum exame de diagnóstico específico para a artrite psoriática. Para confirmar o diagnóstico desta doença, o especialista (habitualmente o reumatologista) fundamenta-se em vários aspectos da história clínica do doente, exame clínico e exames complementares.

O especialista avalia as queixas compatíveis com a presença de inflamação em uma ou mais articulações, tendões ou na coluna, bem como a existência de dor de agravamento nocturno, rigidez matinal nas articulações, tumefacção articular ou limitação funcional. Deve também estudar os antecedentes pessoais ou familiares de psoríase ou de artrite.

O exame clínico tem por objectivo identificar a presença de sinais de artrite (tumefacção articular, mobilidade dolorosa e limitada), dactilite (dedo em salsicha), tendinite (dor ou sinais inflamatórios sobre o tendão, mobilização dolorosa), espondilite (dor vertebral com amplitude de movimentos diminuída) ou psoríase da pele ou das unhas. A presença de lesão articular, óssea ou vertebral característica de artrite psoriática pode ser confirmada através das radiografias, excluindo ao mesmo tempo imagens sugestivas de outras formas de artrite. Por fim, as análises clínicas podem ser úteis para excluir outras doenças.

Tratamento
A terapêutica da artrite psoriática varia de acordo com o tipo e a gravidade e vai desde o exercício a talas para estabilização de articulações inflamadas, tratamentos locais, orais ou injectáveis, infiltrações articulares ou cirurgias ortopédicas, com o objectivo de diminuir a dor e a inflamação, reduzir a progressão da doença, melhorar a incapacidade e restaurar a função das articulações afectadas.

A fisioterapia é muitas vezes esquecida ou usada apenas em fases avançadas da doença, quando na verdade pode ser muito útil também nas fases iniciais. É eficaz no alívio da dor e da rigidez articular, permitindo o ensino de exercícios e a correcção de gestos e posturas que podem prevenir outros problemas futuros.

No que respeita à terapêutica farmacológica existem os anti-inflamatórios não-esteróides que partilham propriedades analgésicas e anti-inflamatórias, sendo utilizados em diversas situações, nomeadamente para o alívio da dor, da inflamação e da rigidez. Ainda no âmbito dos fármacos são utilizados os corticóides através de injecções directamente na articulação. Trata-se de um método muito eficaz de controlar a inflamação numa fase precoce, quando existem poucas articulações envolvidas e estas são de grande dimensão e fácil acesso, como o joelho. A melhoria da dor e a recuperação da mobilidade são habitualmente rápidos, e os efeitos secundários são mínimos.

Já os corticoesteróides são medicamentos com um poderoso efeito anti-inflamatório e revelam-se excelentes no tratamento de uma crise de agudização da artrite. São também utilizados a longo prazo em baixa dose para tentar manter um menor nível de inflamação articular, sem condicionar o aumento da toxicidade. Para reduzir a actividade inflamatória da doença a longo prazo, e deste modo prevenir a ocorrência de lesão articular são utilizados os fármacos modificadores da doença para além dos agentes biológicos, fármacos obtidos através de biotecnologia, que têm como alvo uma molécula que desempenha um papel fundamental na amplificação do processo inflamatório na artrite psoriática.

Por último existe ainda a opção cirúrgica nos doentes em que, apesar dos tratamentos e intervenções anteriores, ocorreu dano articular que resultou na perda de função de uma articulação ou em acentuada deformação. Consiste, na maioria das vezes, na substituição da articulação por uma prótese, como no caso do joelho e da anca, ou no realinhamento cirúrgico da articulação, como no caso do tornozelo ou das pequenas articulações dos dedos. A cirurgia habitualmente resulta na recuperação da função e melhoria da dor.

Tipos de artrite psoriática
São reconhecidos cinco subgrupos de artrite psoriática, mas existe alguma sobreposição entre esses grupos. A artrite psoriática afecta com maior frequência as articulações mais próximas das unhas (chamadas articulações distais). Outros sítios habitualmente envolvidos são os punhos, joelhos, tornozelos, ombros, cotovelos, coluna lombar e pescoço.

Oligoarticular Assimétrica: Até há pouco tempo era considerada a forma mais frequente. Esta forma de artrite psoriática afecta menos de cinco articulações simultaneamente (oligo = poucas), de um dos lados do corpo (daí ser chamada assimétrica). O envolvimento das mãos e pés habitualmente ocorre primeiro, sendo frequente a tumefacção difusa de um dedo da mão ou pé, com o aspecto característico de "dedo em salsicha” – denominado dactilitite. Um exemplo desta forma de envolvimento seria a presença de artrite de um joelho, do tornozelo do lado oposto, e de uma ou duas articulações de dedos da mão.

Poliartrite Simétrica: Consiste no envolvimento simultâneo de várias articulações (poli = muitas) de ambos os lados do corpo (simétrico), sendo as articulações mais frequentemente atingidas as das mãos, punhos, tornozelos e pés. Esta forma foi recentemente reconhecida como uma das mais frequentes, com predomínio no sexo feminino. Este padrão assemelha-se à artrite reumatóide, mas dois aspectos importantes que a diferenciam são o envolvimento das articulações interfalângicas distais (IFD) e uma menor tendência para a ocorrência de deformação e erosões, que no caso de surgirem também apresentam características distintas.

Envolvimento Predominante das Articulações Interfalângicas Distais: É considerado específico da artrite psoriática, apesar de ocorrer em apenas 5 a 10 por cento dos doentes. O envolvimento é sobretudo das IFD das mãos e pés, acompanhando-se quase sempre de alterações das unhas. Por vezes há grande tumefacção e deformação do leito unguel e da IFD, dificultando a avaliação da presença de artrite.

Espondilite com ou sem Sacro-iliíte: Consiste na inflamação da coluna vertebral, provocando dor e rigidez que envolvem sobretudo a coluna lombar e pescoço, podendo também ocorrer inflamação das articulações sacro-ilíacas (sacroiliíte). O envolvimento predominante da coluna representa 5 por cento dos casos de artrite psoriática, sendo mais frequente no sexo masculino. No entanto, a presença de espondilite, sacroiliíte ou ambas pode também surgir associada aos outros subgrupos de artrite psoriática.

Artrite Mutilante: É uma forma particularmente grave de artrite psoriática, representando menos de 5 por cento dos casos. Afecta principalmente as pequenas articulações das mãos e pés, com reabsorção do osso (osteólise) e destruição da articulação, levando a deformação e encurtamento dos dedos afectados, com excesso de pele.

Artrite Psoriática Juvenil: Representa 8 a 20 por cento das artrites da infância e adolescência, com predomínio no sexo feminino. Em cerca de metade dos casos a artrite surge antes do aparecimento da psoríase, e é habitualmente de início monoarticular (apenas uma articulação). A evolução é muitas vezes favorável, embora em alguns casos possa ser grave e destrutiva, continuando-se pela idade adulta. Em crianças gravemente afectadas por artrites juvenis, o crescimento ósseo é prejudicado, levando a encurtamento do membro atingido.

Relação entre artrite psoriática e psoríase
A presença de psoríase ou história familiar de psoríase é uma característica distinta da artrite psoriática. A psoríase é uma doença crónica da pele que afecta 2 a 3 por cento da população. Caracteriza-se pela aceleração do processo de substituição das células da pele, que leva à sua acumulação sob a forma de placas avermelhadas elevadas revestidas com pequenas "escamas” de cor prateada ou acinzentada, que descamam – é a chamada psoríase em placas ou psoríase vulgar, que representa 80 por cento dos casos.

Outras formas de psoríase incluem a psoríase ungueal (com alteração do aspecto e da textura das unhas), a psoríase gutata, a psoríase pustulosa e a psoríase eritrodérmica.

Estima-se que 5 a 8 por cento das pessoas com psoríase tenham manifestações de artrite psoriática, mas em pessoas com psoríase grave pode chegar aos 40 por cento. A psoríase habitualmente antecede a artrite, por um intervalo que pode ir até aos 20 anos, sendo por vezes muito dissimulada (couro cabeludo, umbigo, orelhas, sulco anal, ou apenas envolvimento das unhas). No entanto, em 15 a 20 por cento dos casos a artrite surge antes do aparecimento da psoríase, apesar de muitas vezes existir história familiar de psoríase.

É importante dizer que as pessoas com psoríase também podem ser afectadas por outras doenças articulares, como a artrite reumatóide ou a osteoartrose.

Fonte: 
Portal das doenças reumáticas
Nota: 
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