Transmitidos por via respiratória

Pneumonia por fungos

Atualizado: 
14/08/2019 - 10:39
A pneumonia por fungos caracteriza-se por um processo inflamatório que atinge os pulmões. A sua intensidade está relacionada com as condições de saúde e a idade do doente.
Homem a tossir

A pneumonia pode ser causada pela infecção de bactérias, vírus, fungos, e outros parasitas que geralmente são transmitidos por via respiratória. Estes microorganismos ultrapassam as defesas naturais do corpo e invadem o pulmão, causando infecção e inflamação desse órgão.
A pneumonia por fungos deve-se, frequentemente, a três tipos principais: Histoplasma capsulatum, que causa a histoplasmose, Coccidioides immits, que causa a coccidioidomicose, e Blastomyces dermatitidis, que causa a blastomicose.

Histoplasmose

A histoplasmose ocorre em todo o mundo, mas prevalece nos vales fluviais e nas zonas de clima temperado e tropical. Os fungos não causam sintomas em todas as pessoas que os aspiraram. Na realidade, muitas ficam a saber que estiveram expostas a fungos só depois de um teste cutâneo.
Outras podem ter tosse, febre, dores musculares e dores torácicas. A infecção pode causar pneumonia aguda ou crónica e neste caso os sintomas persistem durante meses.
É pouco frequente que a infecção se propague a outras zonas do corpo, especialmente à medula óssea, ao fígado, ao baço e ao tracto gastrointestinal. A forma disseminada da doença tende a manifestar-se em indivíduos com SIDA e outras perturbações do sistema imune.

Coccidioidomicose

A coccidioidomicose apresenta-se, sobretudo, nas zonas de clima semi-árido, especialmente no Sudoeste dos Estados Unidos e em certas zonas da América do Sul e da América Central. Uma vez aspirado, o fungo pode causar sintomas ou então provocar uma pneumonia aguda ou crónica.
Em alguns casos, a infecção estende-se para além do aparelho respiratório, habitualmente à pele, aos ossos, às articulações e às membranas que envolvem o cérebro (meninges). Esta complicação é mais frequente nos homens, especialmente em indivíduos que sofrem de SIDA e outras perturbações do sistema imunitário.

Blastomicose

Na blastomicose, depois de ter sido aspirado, o fungo causa infecção sobretudo no pulmão, mas, em geral, não produz sintomas. Alguns indivíduos desenvolvem uma doença semelhante à gripe e, às vezes, os sintomas de uma infecção crónica pulmonar persistem durante vários meses.
A doença pode propagar-se a outras partes do organismo, especialmente à pele, aos ossos, às articulações e à próstata.

Outros fungos

Outras infecções por fungos ocorrem fundamentalmente em indivíduos cujo sistema imunitário se encontra gravemente afectado.
Estas infecções são, entre outras, a criptococose, causada por Cryptococcus neoformans; a aspergilose, causada por Aspergillus; a candidíase, causada por Candida, e a mucormicose.
Estas quatro infecções verificam-se em todo o mundo. A criptococose, a mais frequente, pode manifestar-se em indivíduos sãos e, em geral, só é grave para os que sofrem de perturbações subjacentes do sistema imunitário, como a SIDA. A criptococose pode propagar-se especialmente às meninges, onde a doença resultante é a meningite criptocócica.

O Aspergillus causa infecções pulmonares em pessoas que sofrem de SIDA ou que foram submetidas a um transplante de órgão. A candidíase pulmonar, uma infecção rara, produz-se com maior frequência em doentes que têm valores de glóbulos brancos inferiores ao valor normal. É o caso de pessoas com leucemia ou submetidas a quimioterapia.

A mucormicose, uma infecção relativamente rara provocada por fungos, produz-se com maior frequência nos indivíduos que sofrem de diabetes aguda ou de leucemia.

Diagnóstico da pneumonia por fungos

De um modo geral, o diagnóstico assenta na identificação do fungo presente numa amostra de expectoração ou na análise de sangue que identifica determinados anticorpos. No entanto, a análise ao sangue demonstra simplesmente a exposição ao fungo, mas não confirma que ele seja o causador da doença.

Sintomas da pneumonia por fungos

Geralmente, os indivíduos que contraem a infecção só têm sintomas menores e não se dão conta que estão infectados. Porém, alguns adoecem gravemente. Ou seja, a gravidade da pneumonia, bem como a ocorrência de complicações, dependem da saúde global do indivíduo, idade, bem como do tipo e da extensão da pneumonia nos pulmões.

Por isso, os sintomas podem surgir de forma aguda e rápida, mas também se desenvolvem lentamente. No início os sintomas são semelhantes aos da gripe ou constipação e pode gerar confusão.

Contudo, os sintomas mais comuns da pneumonia são:

  • Febre, suor intenso ou calafrios;
  • Tosse com catarro amarelado ou esverdeado (em alguns tipos de pneumonia, a tosse pode ser seca ou sem catarro);
  • Dor no peito ou dor no tórax que pode piorar com a respiração;
  • Respiração rápida e curta.

Podem ocorrer sintomas gerais como:

Nos casos mais graves pode haver ainda:

  • Falta de ar e maior dificuldade respiratória;
  • Cianose (coloração azulada ou arroxeada) de extremidades (dedos, nariz, lábios) devido à baixa da oxigenação sanguínea;
  • Confusão mental ou desorientação (observado principalmente em idosos);
  • Queda da pressão arterial ou pressão baixa;
  • Aceleração do pulso ou da frequência cardíaca.

Tratamento da pneumonia por fungos

Habitualmente, para as pneumonias causadas por fungos são necessários medicamentos antifúngicos.
Indivíduos jovens e saudáveis geralmente são tratados com sucesso na maioria das vezes. Já pessoas mais idosas, fumadores, portadores de doenças cardíacas (insuficiência cardíaca) ou pulmonares (enfisema pulmonar) podem ser mais difíceis de tratar. Também os doentes com sistema imunitário deficiente, como os doentes de SIDA, têm maior dificuldade em recuperar de alguns tipos de infecção.

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Fonte: 
Manual Merck
Nota: 
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