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Artrites Idiopáticas Juvenis

Atualizado: 
29/09/2014 - 17:30
Artrites Idiopáticas Juvenis são as doenças reumáticas crónicas mais frequentes nas crianças e nos adolescentes.
Artrites Idiopáticas

O que são artrites idiopáticas juvenis (AIJ)?
As AIJ são de origem desconhecida e constituem um grupo heterogéneo de doenças que se iniciam antes dos 16 anos de idade e que se caracterizam pela presença de artrite de uma ou mais articulações, persistente durante, pelo menos, seis semanas.

O conhecimento destas doenças ainda é limitado.

São consideradas doenças autoimunes, cuja origem envolve factores genéticos, imunológicos e ambientais.

 

Classificações das artrites idiopáticas juvenis
Há diferentes classificações, em função das características clínicas e laboratoriais detectadas nos seis primeiros meses de evolução da doença.

Artrite Sistémica: artrite acompanhada ou precedida de febre diária com picos quotidianos de 39°C, no mínimo durante três dias, acompanhada por um ou mais dos seguintes sinais:

  • Exantema eritematoso, fugaz, não fixo;
  • Adenomegalias generalizadas;
  • Hepato ou esplenomegalia (aumento de volume do baço);
  • Serosite (inflamação da membrana serosa).

Oligoartrite: artrite que afecta uma a quatro articulações nos primeiros seis meses da doença.

A oligoartrite persistente afecta não mais de quatro articulações em todo o curso da doença. A oligoartrite alargada afecta um total cumulativo de cinco ou mais articulações após os primeiros seis meses da doença.

Poliartrite com factores reumatóides negativos: artrite que afecta cinco ou mais articulações durante os primeiros seis meses de doença, com factores reumatóides Imunoglobulina M (IgM) persistentemente negativos.

Poliartrite com factores reumatóides positivos: artrite que afecta cinco ou mais articulações durante os primeiros seis meses de doença, com factores reumatóides IgM persistentemente positivos.

Artrite psoriática: artrite associada à psoríase (doença cutânea caracterizada por descamação epidérmica provocada pela inflamação crónica da derme) ou artrite associada a pelo menos dois dos seguintes sinais:

  • Dactilite, com tumefacção de um ou mais dedos, geralmente de distribuição assimétrica, que se estende para além da margem articular;
  • Ponteado ungueal ou onicólise (desprendimento das unhas);
  • História familiar de psoríase em familiar de primeiro grau.

Artrite relacionada com entesite: artrite e entesite com dor à palpação na inserção de tendão, ligamento, cápsula articular ou fáscia no osso; ou artrite e entesite com, pelo menos, dois dos seguintes factores:

  • Dor à palpação da(s) sacroilíaca(s) e/ou espondilalgia inflamatória;
  • Presença do antigénio HLA-B27;
  • História familiar de doença associada ao antigénio HLA-B27, como espondilartrite anquilosante, sacroileíte associada com doença inflamatória do intestino ou uveíte anterior aguda, em familiar de primeiro ou segundo grau;
  • Uveíte anterior aguda;
  • Sexo masculino;
  • Idade superior a 8 anos quando do início as sintomatologia do alarme.

Outras artrites: artrites com causa desconhecida, com duração igual ou superior a seis semanas e que não são classificáveis em nenhuma das anteriores ou que podem ser classificáveis em mais de uma das categorias anteriores.

Quais são os factores de risco?
Não são conhecidos factores de risco determinantes. É muito raro acontecer antes dos seis meses de idade. Sendo as AIJ de etiologia desconhecida, não é possível a prevenção primária.

Como se tratam?
Normalmente é necessária a intervenção de uma equipa multidisciplinar e coordenada, onde a colaboração da família é fundamental.

O tratamento das AIJ engloba múltiplos factores, desde a educação da criança e da família, a terapêutica farmacológica, a medicina física e reabilitação, vigilância oftalmológica e estomatológica e, até por vezes, cirúrgica.

O apoio psicológico e social ao doente e à família também é muito importante.

Entre as medidas terapêuticas gerais incluem-se:

  • Medidas para combater a dor e a rigidez matinal;
  • Promoção de posturas e posicionamentos articulares correctos;
  • Uso de talas para prevenir as deformidades;
  • Realização de programa diário de exercícios;
  • Dieta equilibrada;
  • Adequação das actividades físicas;
  • Práticas desportivas;
  • Cuidados com a boca e dentes.

É também importante a prevenção e tratamento de eventuais complicações extra-articulares, nomeadamente da uveíte, aguda ou crónica, das alterações do crescimento, da osteoporose e da amiloidose secundária.

O acompanhamento da evolução das AIJ deve ser periódico, por pediatra e reumatologista, oftalmologista e estomatologista. São também necessários exames laboratoriais periódicos e, sempre que adequado, radiografias das articulações afectadas.

Periodicamente deve também ser feita a avaliação da capacidade funcional e da qualidade de vida do doente.

As AIJ são “doenças benignas”?
As AIJ têm um prognóstico muito variável e imprevisível, sobretudo nas fases iniciais da doença. O prognóstico depende, por isso, da forma de início e da evolução da doença.

Fonte: 
Portal da Saúde
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico e/ou Farmacêutico.
Foto: 
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