A doença mais comum de quem viaja:

Diarreia do viajante

A diarreia do viajante é o maior problema de saúde associado com a alimentação e as águas contaminadas.
Diarreia do viajante

A diarreia do viajante é a doença mais comum dos que se deslocam de viagem, podendo atingir 30 a 70 por cento das pessoas que o fazem, embora dependa muito do destino. Também conhecida por catarro intestinal, gripe intestinal ou intestino do turista, esta doença caracteriza-se por evacuações diarreicas, náuseas e vómitos.

Os organismos mais propensos a causar a diarreia do viajante são os tipos de Escherichia coli que produzem certas toxinas e alguns vírus como o Norwalk. Contudo, os agentes causadores desta diarreia do viajante podem ser bactérias (80 a 90 por cento), vírus (5 a 8 por cento) e parasitas (10 por cento).

Resulta fundamentalmente da ingestão de alimentos, bebidas ou água para consumo, contaminados com estes microrganismos. Os viajantes devem portanto evitar o consumo de alimentos e bebidas potencialmente contaminadas. Por isso o factor de risco, mais determinante é o destino da viagem, havendo diferenças regionais, quer no grau de risco, quer no tipo de agente causal.

De salientar que os agentes patogénicos não são exclusivos dos países menos desenvolvidos. O risco associa-se, sobretudo, a práticas de higiene menos adequadas na manipulação e preparação dos alimentos.

Os destinos podem, grosso modo, dividir-se por grau de risco:
- Países de baixo risco: EUA; Canadá; Austrália; Nova Zelândia; Japão; Europa Ocidental
- Países de risco moderado: Europa de Leste; África do Sul; algumas ilhas das Caraíbas
- Países de alto risco: Ásia; Médio Oriente; África; México; América Central e do Sul 

Sintomas e diagnóstico
A diarreia causada por bactérias e por vírus apresenta-se de forma súbita, com sintomas que podem variar de cólicas moderadas e fezes mais pastosas até fortes dores abdominais, febre, vómitos e diarreia com sangue. A diarreia provocada por parasitas instala-se, habitualmente, de forma mais progressiva, com sintomas mais moderados.

As náuseas, os vómitos, os ruídos intestinais, as cólicas abdominais e a diarreia podem aparecer combinados e com um grau variável de gravidade. Os vómitos, a dor de cabeça e as dores musculares são particularmente frequentes nas infecções provocadas pelo vírus Norwalk. Os casos são, em geral, ligeiros e desaparecem sem tratamento. Raramente são necessários testes de laboratório.

O período de incubação pode ser um bom auxiliar de diagnóstico. Na diarreia bacteriana e virusal, entre 6 a 48 horas; na diarreia parasitária, 1 a 2 semanas (raramente presente nas primeiras semanas de viagem). Já a duração da diarreia do viajante de origem bacteriana é de cerca de 3 a 5 dias e a de origem virusal pode durar de 2 a 3 dias. A diarreia causada por parasitas pode persistir por semanas a meses. 

Prevenção
A melhor forma de prevenção passa por ser bastante meticuloso com a higiene pessoal. As bactérias podem ser transportadas para a boca pelas mãos ou objectos. Lave sempre as mãos antes de comer e evite colocá-las perto da boca. A segunda regra é a de ser muito selectivo naquilo que come ou bebe.

Assim, os viajantes deverão ter especial atenção em ingerir alimentos e bebidas seguros, aprendendo a seleccionar os mais adequados e menos arriscados. Devem frequentar restaurantes com uma reputação de segurança e não deverão aceitar comidas nem bebidas oferecidas por vendedores ambulantes.

Os cuidados com a alimentação devem ser redobrados quando nos deslocamos para países com culturas gastronómicas e técnicas culinárias diferentes das nossas, climas quentes e, acima de tudo, com padrões higiénico-sanitários menos rigorosos.

Alguns conselhos habituais são:
- Beber apenas água engarrafada, com a tampa intacta. Não se deve ter vergonha de pedir outra garrafa, caso isso não aconteça.  
- Tentar evitar bebidas com gelo. Também não se deve ter vergonha de perguntar se o gelo é feio com água boa. Já é relativamente usual que isso aconteça, mesmo em sítios mais modestos.
- Utilize as mesmas precauções para a lavagem dos dentes (água engarrafada, fervida ou desinfectada)
- Evitar beber leite em natureza ou não pasteurizado. Preferir sempre leite ultrapasteurizado (UHT) ou pasteurizado (leite do dia), fervendo-o antes de ingerir.
- Evitar consumir sumos e comida em vendedores ambulantes.
- Preferir alimentos bem cozinhados em vez de crus ou mal cozinhados (ex: saladas, ovo).
- Evitar todo o tipo de molhos, especialmente maionese e natas.
- Preferir frutos que possam ser descascados ou lavados em água segura e recusar os que o exterior não esteja intacto.
- Em alguns locais menos seguros, lavar os dentes com água engarrafada.
- Lave sempre as mãos com água e sabão antes de preparar ou ingerir alimentos e depois de utilizar a casa-de-banho, de tossir ou de espirrar (se não dispuser de água e sabão poderá utilizar um desinfectante de mãos com um mínimo de 60 por cento de teor de álcool)
- Não beba sumos naturais de fruta 

Tratamento
A maioria dos surtos é auto-limitado, tem recuperação em poucos dias e raramente é perigosa. O seu tratamento baseia-se em evitar a desidratação, ingerindo muitos líquidos, em especial água (sempre engarrafada ou tratada) ou um chá fraco, e fazer uns dias de dieta.

Nas primeiras horas faça uma paragem alimentar, mas mantenha a ingestão de líquidos, em pequenas quantidades de cada vez:
- Água engarrafada (ou fervida); Água de arroz (1 litro de água com 3 colheres de arroz fervida até reduzir a metade); Bebida de cola (ou similar) retirando o gás; Chá preto fraco

Conforme a evolução vá dando início à ingestão gradual de alimentos sólidos:
- Torradas com compota; Arroz cozido; Cenoura cozida; Maçã ou pêra cozida; Carne magra cozida ou grelhada; Evite o leite ou derivados, vegetais, fruta crua, gorduras.

Os antibióticos não são recomendados para a diarreia ligeira, a menos que o afectado tenha febre ou sangue nas fezes. Estes fármacos podem causar dano ao eliminar as bactérias que normalmente habitam nas fezes, facilitando o crescimento de outras que são resistentes aos referidos fármacos.

Já os medicamentos antidiarreicos promovem alívio dos sintomas, servindo como terapêutica adicional aos antibióticos. Aliás, os antidiarreicos são dos medicamentos mais importantes a não esquecer na farmácia do viajante mas só devem ser tomados se houver certeza que se trata de uma diarreia benigna, pois, em casos de infecções sérias, podem até ser prejudiciais.

Se a diarreia persistir por mais de 3 dias e for acompanhada por sangue ou muco nas fezes, vómitos ou febre, deve-se consultar um médico rapidamente, com especial urgência no caso de se encontrar numa zona geográfica onde se verificou a presença de cólera.

Fonte: 
consultaviajante.ufp.edu.pt
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico e/ou Farmacêutico.
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Resumo das Características do Medicamento: 1. NOME DO MEDICAMENTO Beacita 60 mg cápsulas. 2. COMPOSIÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA Cada cápsula contém 60 mg de orlistato. 3. FORMA FARMACÊUTICA Cápsula. 4. INFORMAÇÕES CLÍNICAS 4.1 INDICAÇÕES TERAPÊUTICAS Beacita é indicado para perda de peso em adultos com excesso de peso (índice de massa corporal, IMC, ≥28 Kg/m2) e deve ser tomado em associação a uma dieta moderadamente hipocalórica e de baixo teor em gorduras. 4.2 POSOLOGIA E MODO DE ADMINISTRAÇÃO Adultos: A dose recomendada de Beacita é uma cápsula de 60 mg três vezes ao dia. Não devem ser tomadas mais do que três cápsulas de 60 mg em 24 horas. O tratamento não deve exceder 6 meses. Caso os doentes não consigam perder peso após 12 semanas de tratamento com Beacita, devem consultar o seu médico ou um farmacêutico. Pode ser necessário descontinuar o tratamento. A dieta e o exercício são partes importantes dum programa para perder peso. Recomenda-se que se inicie uma dieta e um programa de exercício antes de iniciar o tratamento com Beacita. Enquanto estiver a tomar Beacita, o doente deve fazer uma dieta equilibrada do ponto de vista nutricional, moderadamente hipocalórica e em que as gorduras contribuam aproximadamente em 30% para o valor calórico total (por exemplo, numa dieta de 2000 kcal/dia, isto equivale a <67 g de gordura). A ingestão diária de gorduras, de hidratos de carbono e de proteínas deve ser distribuída pelas três refeições principais. A dieta e o programa de exercício devem continuar a ser seguidos após interrupção do tratamento com Beacita. Populações especiais. População pediátrica: Beacita não deve ser utilizado em crianças e adolescentes com idade inferior a 18 anos devido a insuficiente informação sobre segurança e eficácia. Idosos (> 65 anos de idade): existem dados limitados sobre o uso do orlistato em idosos. No entanto, como o orlistato é minimamente absorvido, não é necessário ajustar a dose para idosos. Disfunção hepática e renal: não foram estudados os efeitos do orlistato em doentes com insuficiência hepática e/ou renal. Contudo, como o orlistato é absorvido em frações mínimas, não é necessário ajustar a dose nos doentes com compromisso hepático e/ou renal. Modo de administração: a cápsula deve ser tomada com água imediatamente antes, durante ou até 1 hora após cada refeição principal. Se for omitida uma refeição ou se esta não contiver gordura, a dose de Beacita deve ser omitida. 4.3 CONTRAINDICAÇÕES Hipersensibilidade à substância ativa ou a qualquer um dos excipientes, tratamento concomitante com ciclosporina, síndrome de mal absorção crónica, colestase, gravidez, amamentação, tratamento concomitante com varfarina ou outros anticoagulantes orais. 4.8 EFEITOS INDESEJÁVEIS As reações adversas ao orlistato são essencialmente de natureza gastrointestinal e relacionadas com o efeito farmacológico do fármaco na prevenção da absorção da gordura ingerida. Infeções e infestações: Muito frequentes: Influenza, Doenças do sangue e do sistema linfático: Frequência desconhecida: Diminuição do valor da protrombina e aumento de INR, Doenças do sistema imunitário, Frequência desconhecida: Reações de hipersensibilidade, incluindo, anafilaxia, broncospasmo, angioedema, prurido, erupção cutânea e urticária, Doenças do sistema imunitário: Frequência desconhecida: Reações de hipersensibilidade, incluindo anafilaxia, broncospasmo, angioedema, prurido, erupção cutânea e urticária, Doenças do metabolismo e da nutrição: Muito frequentes: Hipoglicémia, Perturbações do foro psiquiátrico, Frequentes: ansiedade, Doenças do sistema nervoso, Muito frequentes: cefaleias, Doenças respiratórias, toráxicas e do mediastino, Muito frequentes: Infeção respiratória superior, Frequentes, Infeção respiratória inferior, Doenças gastrointestinais, Muito frequentes, Eliminação de manchas oleosas pelo reto, Gases com descarga, Sensação de urgência em defecar, Fezes gordurosas/oleosas, Evacuação oleosa, Flatulência, Fezes moles; Frequentes: Dor abdominal, Incontinência fecal, Fezes líquidas, Aumento da defecação, Distensão abdominal, Afeção nos dentes, Afeção nas gengivas, Frequência desconhecida: Diverticulite, Pancreatite, Hemorragia retal ligeira; Afeções hepatobiliares: Frequência desconhecida: Hepatite que se pode tornar grave, Colelitíase, Aumento das transaminases e da fosfatase alcalina; Afeções dos tecidos cutâneos e subcutâneos: Frequência desconhecida: Erupções vesiculares; Doenças renais e urinárias: Frequência desconhecida: Nefropatia por oxalato; Perturbações gerais e alterações no local de administração: Frequentes: Fadiga. 5. TITULAR DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO Actavis Group PTC ehf., Reykjavikurvegur 76-78, IS-220, Hafnarfjordur, Islândia. 6. NÚMERO(S) DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO Registado no Infarmed I.P. com o nº 5474143, blister de 60 unidades. Registado no Infarmed I.P. com o nº 5474150, blister de 84 unidades. 7. DATA DA REVISÃO DO TEXTO 29 de outubro de 2012. Para mais informações deverá consultar o titular de autorização no mercado. Medicamento Não Sujeito a Receita Médica.