Placas na cavidade oral

Leucoplasia

Atualizado: 
09/08/2019 - 17:00
A leucoplasia é uma condição em que existe formação de placas brancas e espessas nas gengivas, no interior das bochechas, na parte inferior da boca e, por vezes, na língua. Não é possível raspar facilmente estas placas.
Mulher com a língua de fora

A causa da leucoplasia é desconhecida, mas o tabaco, fumado, mascado ou mastigado, é considerado o principal culpado do seu desenvolvimento.

Geralmente, a leucoplasia não é perigosa, mas, por vezes, pode ser grave. Apesar de a maioria das placas de leucoplasia ser benigna, uma pequena percentagem apresenta sinais precoces de cancro e muitos dos cancros da boca ocorrem perto das áreas de leucoplasia. Por esse motivo, é melhor consultar o seu dentista caso possua alterações incomuns e persistentes na boca.

 

Sintomas da leucoplasia

A leucoplasia pode possuir diversos aspectos. Ocorrem geralmente alterações nas gengivas, no interior das bochechas, na parte inferior da boca e, por vezes, na língua. A leucoplasia pode ter o seguinte aspecto:

  • Placas brancas ou acinzentadas que não podem ser eliminadas;
  • Áreas irregulares ou com textura lisa;
  • Áreas espessas ou rígidas;
  • Lesões salientes e vermelhas (eritroplasia) que tendem mais a apresentar alterações pré-cancerosas.

Um tipo de leucoplasia denominada leucoplasia pilosa afecta principalmente pessoas cujos sistemas imunitários foram enfraquecidos por medicação ou doença, especialmente VIH/SIDA. A leucoplasia pilosa provoca placas brancas e pilosas que se assemelham a pregas ou elevações nas partes laterais da língua. É geralmente confundida com candidíase oral, uma infecção marcada por placas de cor branca creme na área que se estende da parte posterior da língua à parte superior do esófago (faringe) e no interior das bochechas. A candidíase oral é comum em pessoas com VIH/SIDA.

Por vezes, as feridas na boca podem ser incómodas e dolorosas sem serem perigosas. Mas, noutros casos, os problemas orais podem indicar uma situação mais grave. Por esse motivo, consulte o seu dentista caso apresente:

  • Placas brancas ou feridas na boca que não sarem por si próprias num prazo de sete a 10 dias;
  • Nódulos ou placas brancas, vermelhas ou pretas na boca;
  • Alterações persistentes nos tecidos orais.

Causas da leucoplasia

A causa da leucoplasia depende do tipo de leucoplasia que possui, a padrão ou a pilosa.

Leucoplasia

Apesar da causa da leucoplasia ser desconhecida, o consumo de tabaco, seja fumado ou mastigado, parece ser responsável pela maioria dos casos. Três em quatro utilizadores de produtos de tabaco sem combustão acabam por desenvolver leucoplasia onde mantêm o tabaco contra as bochechas. O consumo a longo prazo de álcool e de outros irritantes crónicos pode igualmente contribuir para a ocorrência de leucoplasia.

Leucoplasia pilosa

Por vezes denominada leucoplasia pilosa oral, resulta de uma infecção pelo vírus Epstein-Barr (EBV). Após ter sido infectado com EBV, o vírus permanece no seu corpo para sempre. Normalmente, o vírus está adormecido, mas caso o seu sistema imunitário esteja enfraquecido, devido a doença ou a determinados medicamentos, o vírus pode reactivar, resultando em problemas como a leucoplasia pilosa.

As pessoas que vivem com VIH/SIDA tendem especialmente a desenvolver leucoplasia pilosa. Apesar de a utilização de medicamentos antirretrovirais ter reduzido o número de casos, a leucoplasia pilosa ainda afecta 25% das pessoas seropositivas e pode ser um dos primeiros sinais de infeção por VIH. O aspecto da leucoplasia pilosa oral pode igualmente ser uma indicação de que a terapia antirretroviral não está a surtir efeito.

Diagnóstico da leucoplasia

Muitas vezes, os dentistas diagnosticam leucoplasia examinando as placas na boca e excluindo outras causas possíveis. Para analisar se se trata de sinais de cancro, o seu dentista poderá:

  • Remover uma amostra do tecido (biopsia) para análise. Isto envolve remover uma porção da lesão com uma escova pequena e rotativa (biopsia de escova oral) ou toda a lesão (biopsia excisional);
  • Enviar o tecido para análise laboratorial.Um sistema imagiológico especializado permite que um patologista detecte células anormais;
  • Enviá-lo para tratamento se o relatório for positivo. Se a sua biopsia de escova oral for positiva, o seu dentista pode efectuar uma biopsia que remove toda a placa de leucoplasia, caso seja pequena, ou poderá encaminhá-lo para um cirurgião oral se for de grandes dimensões.

Tratamento da leucoplasia

No caso da maioria das pessoas, parar o consumo de tabaco ou álcool geralmente elimina o problema. Quando isto não é eficaz ou se as lesões apresentarem sinais de cancro, o seu dentista pode encaminhá-lo para tratamento, que envolve:

  • Remoção de placas de leucoplasia. As placas podem ser removidas utilizando um bisturi, um laser ou uma sonda extremamente fria que congela e destrói as células cancerígenas (criossonda).
  • Consultas de acompanhamento. As recorrências são comuns.

Uma vez que o seu prognóstico é melhor quando a leucoplasia é descoberta e tratada com antecedência, quando é pequena, é importante examiná-la com regularidade como, por exemplo, inspeccionando frequentemente a boca, verificando se existem áreas que não parecem estar normais.

Os efeitos dos retinoides, derivados da vitamina A utilizados para tratar acne grave e outros problemas dermatológicos, na leucoplasia foram investigados por pesquisadores. Parecem ter um efeito limitado no controlo da leucoplasia.

Tratamento da leucoplasia pilosa

Nem todos os casos de leucoplasia pilosa necessitam de tratamento e o seu médico ou dentista pode preferir aguardar, mantendo-o/a em observação. Caso necessite de tratamento, existem diversas opções disponíveis:

Medicação sistémica, que inclui medicamentos antivirais, que impedem que o vírus Epstein-Barr se reproduza, mas que não o eliminam do corpo. Os tratamentos com antivirais podem eliminar as placas da leucoplasia, mas estas regressam geralmente quando a terapia termina.

Medicação tópica que inclui soluções de resina de podofilina e tretinoína (ácido retinoico). Quando aplicadas de forma tópica, estas terapias podem melhorar o aspecto das placas de leucoplasia mas assim que se para a medicação, pode piorar.

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Fonte: 
sanfil.pt
Nota: 
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