Infeção fúngica

Candidíase oral

Atualizado: 
24/05/2019 - 12:07
Vulgarmente conhecida por “sapinhos” é um infeção provocada por "Candida albicans" com lesão na boca, com aspeto cremoso branco, mau sabor e desconforto ao comer.
Candidíase oral

Este fungo, juntamente com outros, é um comensal na mucosa oral e pode ocasionar infeção mais frequente em bebés, quando há terapêutica antibacteriana, nos doentes que utilizam próteses e nos imunodeprimidos. As lesões são caracterizadas por placas ou nódulos brancos, de consistência variável, podendo suas bordas apresentarem-se eritematosas. Podem ser assintomáticas ou haver queixa de dor ou ardência, com dor intensa, ferida, inflamação da mucosa e tendência para sangramento.

Admite-se que, até 60% das pessoas saudáveis são portadoras assintomáticas de Candida spp.

A Candida albicans é o mesmo agente capaz de ocasionar a candidíase vaginal e complicar a dermatite das fraldas. É frequente nos recém-nascidos porque contraem a infeção ao passar pelo canal vaginal durante o parto. A candidíase oral pode também ser contraída pela inalação de corticosteroides e após terapêutica antibiótica, neste caso, estes doentes devem ser dirigidos ao médico porque podem sofrer de distúrbios imunitários e pode também ser um problema para doentes com próteses.

As lesões cremosas surgem na língua, no interior das bochechas, no céu-da-boca, gengivas e amígdalas. São dolorosas e podem sangrar quando são raspadas, dá a sensação de algodão na boca, pode ainda haver diminuição do paladar.

Nos casos graves as lesões podem espalhar-se pelo esófago dificultando a deglutição dando a sensação que tem alimentos a obstruir a garganta.

Os lactentes podem ter dificuldade em alimentar-se e manifestar irritação, podendo transmitir a infeção aos seios maternos, podendo ocorrer na mãe sintomas como mamilos vermelhos e sensíveis com prurido, pele lesionada, dor ao amamentar.

Qualquer pessoa pode apresentar candidíase oral mas há fatores predisponentes como: lactente, compromisso do sistema imunitário, uso de próteses dentárias, possuir patologias orais, diabetes ou anemia, tomar certos medicamentos como antibióticos ou corticosteroides orais ou inalados, estar submetido a quimioterapia ou radioterapia para o cancro, ter diabetes, anemia grave, deficiência em ferro, folato ou vitamina B12, ter a saúde debilitada, uso excessivo de soluções de desinfeção oral, possuir xerostomia ou ser fumador, cateteres venosos, terapia de substituição renal, cuidados intensivos e respiração assistida prolongada, gravidez, contracetivos orais de doses elevadas de estrogénios, psoríase, dermatites, malnutrição, maceração cutânea, calor, humidade, corticosteroides tópicos, idoso.

Tratamento da Candidíase Oral

Podem aplicar-se medidas gerais e utilizar medicamentos na terapêutica da candidíase oral.

Medidas Gerais

Podem incluir-se nestas medidas gerais, as que são recomendadas com efeito aditivo dos medicamentos para a cura da candidíase, assim como as medidas preventivas que podem ser tomadas para evitar a infeção.

A ingestão de iogurte simples não açucarado e cápsulas de Lactobacillus acidophilus que reequilibram a flora da boca e garganta, lavar a boca com água salgada morna pode dar algum alívio e, no caso de usar próteses estas devem ser bem lavadas diariamente. Na presença de infeção fúngica vaginal, deve ser tratada de imediato. Reduzir a ingestão de alimentos açucarados e com fungos, que facilitam a infeção.

Há um conjunto de medidas essenciais como adjuntas da terapêutica medicamentosa que se destinam a aliviar a duração da infeção e reduzir a transmissão, que se resumem abaixo:

  • Efetuar o tratamento até ao final;
  • As tetinas dos biberões e as chuchas devem ser fervidas à parte durante 20 minutos antes da última esterilização;
  • Após cada mamada, deve ser dada ao bebé, 5-10 mL de água fervida para remover da boca os restos de leite;
  • Manter boa higiene das mãos antes e depois da mamada;
  • Nos jardins de infâncias, não permitir troca de chuchas;
  • Ferver talheres, copos e pratos das pessoas afetadas.

Há alguns cuidados a seguir que podem contribuir para minimizar o risco da candidíase oral:

  • No diabético: manter a glicemia controlada;
  • No tratamento com corticosteroides inalados: aplicar a técnica correta de inalação, usar um dispositivo de câmara e enxaguar a boca após cada inalação;
  • No uso de próteses: manter a prótese fora da boca durante a noite ou durante 6 horas/dia, lavando-a frequentemente com desinfetante e esfregando-a e deixando secar. Lavar o interior da boca com uma escova. Consultar o dentista se a prótese não conseguir ficar bem fixa.
  • Toma de medicamentos que causam boca seca: falar com o médico;
  • Nas anemias: tratar corretamente;
  • No fumador: deixar de fumar;
  • Imunodepressão de qualquer origem: pode chupar pastilhas contra a candidíase (com antifúngico).

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Prof. Doutora Maria Augusta Soares
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