O trabalho Impacto de programas de reabilitação cardíaca em Sobreviventes de Cancro com Elevado Risco Cardiovascular, apresentado por Sofia Meixedo, da ULS Gaia-Espinho, venceu o prémio Melhor Comunicação Oral. Este é um estudo prospetivo desenvolvido no Centro de Reabilitação do Norte, que avaliou um programa estruturado de reabilitação cardíaca em sobreviventes de cancro com elevado risco cardiovascular. Demonstraram-se melhorias significativas, nomeadamente em parâmetros de risco cardiovascular e no bem-estar psicossocial.
“Esta distinção representa um reconhecimento do trabalho desenvolvido pela equipa liderada pela Professora Doutora Sofia Viamonte e reforça a importância da integração sistemática da reabilitação cardíaca nos cuidados de suporte nesta população sobrevivente de cancro", refere Sofia Meixedo.
Foram também premiados estudos sobre as limitações que a dor causada por doenças músculo-esqueléticas pode colocar na reabilitação cardíaca de um paciente, sobre crianças com paralisia cerebral ou a fadiga na esclerose múltipla.
“Os projetos distinguidos em categorias como Melhor Comunicação Oral, Melhor Artigo na Revista de 2025, Imagens Clínicas ou Melhor Poster, entre outras, reforçaram a relevância dos cuidados de reabilitação e da existência de equipas multidisciplinares em toda a cadeia de cuidados, acompanhando os doentes desde a fase aguda, durante a jornada de recuperação e no regresso à vida em comunidade”, considera o presidente da SPMFR, Renato Nunes.
Fadiga na esclerose múltipla: Existe associação com a severidade clínica, funcionalidade e atividade da doença? Um estudo transversal, apresentado por Rita Almeida e Silva (ULS S. João) recebeu a 1ª Menção Honrosa nesta categoria da Melhor Comunicação Oral. E Rita Correia D’Horta (ULS Alentejo Central, Évora) foi distinguida com a 2ª Menção Honrosa com um estudo sobre crianças com paralisia cerebral (LIFE-CP: Lifestyle, Function, and Bone Integrity in Children with Cerebral Palsy – Insights from a Cross-Sectional Comparative Study).
O prémio para o Melhor Póster do congresso foi atribuído a Vasco Folhadela Simões, pelo trabalho “Implicações da patologia músculo-esquelética num programa de reabilitação cardíaca”. O trabalho demonstrou como a dor e as limitações funcionais podem condicionar a participação no exercício e, potencialmente, comprometer os ganhos em saúde cardiovascular. Representa um reforço da necessidade de integrar a avaliação músculo-esquelética na abordagem global do doente cardíaco.
O médico fisiatra sublinha que esta distinção reconhece “a relevância clínica da investigação em Medicina Física e de Reabilitação” e destaca o trabalho desenvolvido pelo Programa de Reabilitação Cardíaca da ULS-Região de Leiria, “que se afirma como uma unidade de excelência na recuperação e prevenção secundária dos nossos doentes".
Foi atribuída Menção Honrosa a José Inácio Meneses, com o trabalho “Reintegração profissional pós-síndrome de Guillain-Barré: experiência de um centro de reabilitação”.
Na categoria Imagens Clínicas, foi distinguida Daniela Teixeira com “A espargata involuntária: padrão atípico de tetraparesia espástica”, que descreve o caso de um bebé de 5 meses com Síndrome de Cornélia de Lange. Após infiltração ecoguiada de toxina botulínica aos músculos, conseguiu-se reduzir o tónus muscular e a dor, permitindo-lhe estar deitado de lado e sentar-se com suporte. “Este desfecho traduziu-se num ganho funcional relevante, com impacto direto no conforto da lactente e na qualidade dos cuidados prestados”, refere Daniela Teixeira, que sublinha “o trabalho multi e interdisciplinar da equipa de Reabilitação Pediátrica do Hospital de Faro” que representou no Congresso da SPMFR. Para a especialista, “casos complexos exigem soluções centradas na funcionalidade, constituindo este um exemplo claro da repercussão que uma intervenção específica, integrada num programa de reabilitação, pode ter na qualidade de vida dos doentes.”
Nesta categoria, foram atribuídas Menções Honrosas a Bruno Paiva, por “Quisto de Baker com fragmentos osteocondrais: quando a harmonia dispensa intervenção”, e a Rita Almeida, com “O nervo sem etiqueta à mesa: um desafio diagnóstico inesperado”.
O Prémio Melhor Artigo Original na Revista da SPMFR de 2025 foi atribuído ao estudo “A Relevância da Vigilância da Mobilidade e da Funcionalidade das mãos em pacientes com Esclerose Sistémica”.
O trabalho, de natureza transversal, analisou a função da mão em doentes com Esclerose Sistémica. Concluiu-se que é “importante a vigilância da amplitude articular da mão e a prescrição de produtos de apoio para a realização de atividades de vida diária como a autoalimentação”, diz um dos autores do estudo, Nuno Madureira, reconhecendo que este é mais um contributo para afirmar a relevância que a avaliação em MFR deve ter.
O Melhor Artigo da categoria Caso Clínico na Revista da SPMFR 2025 foi “Características Clínicas e Resultados Funcionais após Reabilitação na Neuropatia do Femoral Secundária a Hematomas do Iliopsoas: Uma série de casos”. O estudo descreve três casos de uma condição relativamente rara, mas que pode ser incapacitante e cuja abordagem atempada pode influenciar o prognóstico funcional.
“Este trabalho evidencia o papel fundamental da Medicina Física e de Reabilitação no diagnóstico, tratamento e recuperação das lesões neurológicas periféricas”, refere Sofia Moreira, em nome da equipa composta também por Sandra Assunção, André Ribeiro, Sara Cabete Martins, Inês Morais, Joana Machado Santos, Teresa Rodrigues.
O prémio Melhor Artigo de Revisão também na Revista da SPMFR distinguiu “Tratamento Farmacológico da Disfunção Erétil Neurogénica: Uma revisão narrativa”, de Mariana Martins, Ana Pereira, Marta Amaral Silva, Elsa Marques.
O congresso de 2026 da SPMFR, realizado entre 26 e 28 de fevereiro, reuniu cerca de 500 médicos fisiatras em Braga.





