Lagarta do pinheiro: como identificar sintomas e o que fazer de imediato

Nos últimos anos, tem-se registado uma maior sensibilização por parte dos tutores para este risco sazonal, mas continuam a existir casos de exposição acidental durante passeios. A curiosidade natural dos cães leva-os a cheirar, lamber ou até ingerir estas lagartas, o que pode desencadear reações inflamatórias intensas. Perante este cenário, a informação e a prevenção tornam-se fundamentais para proteger os patudos.
“A lagarta do pinheiro é um risco sazonal que exige atenção redobrada por parte dos tutores, sobretudo durante os passeios”, explica Elena Díaz, médica veterinaria da Kivet, clínicas veterinarias da Kiwoko.
“Promover a sensibilização para este tema é fundamental, especialmente numa altura do ano em que o risco aumenta e os momentos ao ar livre são mais frequentes”, conclui.
Como identificar a lagarta do pinheiro
A lagarta do pinheiro é facilmente reconhecível pelo seu comportamento característico: desloca-se em fila, formando uma espécie de “procissão”. Apresenta um corpo castanho-escuro com pelos urticantes que libertam toxinas perigosas. É mais comum encontrá-la no solo, em parques, jardins e zonas florestais com pinheiros, sobretudo entre o final do inverno e o início da primavera. Os ninhos, em forma de bolsas brancas, são visíveis nas copas dos pinheiros e indicam a sua presença na área.
Porque a lagarta do pinheiro é perigosa
A lagarta do pinheiro representa um risco significativo devido aos seus pelos urticantes microscópicos, conhecidos como tricomas, que contêm uma toxina altamente irritante. Quando entram em contacto com a pele, mucosas ou olhos, estes pelos libertam substâncias que desencadeiam reações inflamatórias intensas.
Nos cães, o perigo é particularmente elevado porque o contacto ocorre frequentemente através da boca, ao cheirar, lamber ou tentar ingerir a lagarta. Esta exposição pode provocar lesões graves na língua e cavidade oral, incluindo inflamação severa e, em casos mais avançados, necrose dos tecidos.
Além do contacto direto, os tricomas podem ser transportados pelo ar, o que significa que mesmo a proximidade a zonas infestadas pode ser suficiente para causar reação. Em situações mais graves, a resposta do organismo pode evoluir para dificuldade respiratória ou choque anafilático, tornando esta uma condição potencialmente fatal e que exige intervenção imediata.
Principais sintomas após contacto
O contacto com a lagarta pode provocar reações quase imediatas e potencialmente graves. Entre os sinais mais comuns estão a salivação excessiva, o inchaço da língua, lábios ou focinho, bem como dor intensa e agitação. Em alguns casos, podem surgir vómitos, dificuldade respiratória e alterações na coloração da língua, que podem evoluir para necrose. Em situações mais severas, existe ainda o risco de choque anafilático, colocando a vida do animal em perigo.
O que fazer de imediato
Perante a suspeita de contacto, é essencial agir rapidamente e com cautela. Deve evitar tocar diretamente na zona afetada, uma vez que os pelos da lagarta são igualmente urticantes para humanos. A área deve ser lavada com água abundante, sem esfregar, de forma a remover os pelos tóxicos. É importante impedir que o cão agrave a situação através de lambidelas ou fricção e procurar assistência veterinária com a maior brevidade possível, garantindo uma avaliação e tratamento adequados. Em situações de ingestão, a urgência é ainda maior, mesmo que os sintomas iniciais pareçam ligeiros.
Como prevenir o contacto
A prevenção assume um papel fundamental na proteção dos animais. Durante os períodos de maior risco, é aconselhável evitar passeios em zonas com elevada presença de pinheiros e manter o cão sob vigilância, preferencialmente com trela. A atenção à presença de ninhos nas árvores ou de lagartas no solo pode ajudar a evitar situações de perigo, sendo também importante sinalizar às autoridades locais eventuais focos de infestação.
