Infeção comum

As 8 coisas que tem mesmo de saber sobre a infeção por HPV

Atualizado: 
22/01/2020 - 12:41
Responsável por vários tipos de infeções, o Papiloma Vírus Humano está associado a mais de 90% dos cancros do colo do útero. A sua infeção não dá qualquer sinal ou sintoma e atinge qualquer pessoa sexualmente ativa, sem que sejam necessários comportamentos de risco. Neste artigo, e com a ajuda da ginecologista Anabela Colaço, mostramos-lhe o que precisa saber sobre o HPV.
Mulher com vestido branco deitada

1. A infeção pelo HPV é extremamente comum.

O Papilomavírus Humano (HPV) é um vírus muito frequente. É facilmente transmitido por contacto genital, sendo a doença de transmissão sexual mais prevalente.

Estima-se que 75 a 80% das pessoas sexualmente ativas, tenham contacto com o vírus em alguma altura das suas vidas.

O Papilomavírus Humano infeta tanto homens, como mulheres. Na maioria das vezes a infeção pelo vírus não tem qualquer sintoma e mesmo quando a doença já está instalada, esta pode ser assintomática.

2. A infeção pelo HPV não tem tratamento mas pode ser prevenida.

A infeção por HPV não tem tratamento. Apenas as lesões pré-malignas induzidas por esta infeção nos epitélios podem ser tratadas.

Existem 2 tipos de prevenção:

Prevenção primária através de vacinas profiláticas e prevenção secundária por métodos de rastreio do cancro do colo do útero.

Prevenção primária: vacinação de mulheres e homens com as vacinas profiláticas comercializadas – vacina quadrivalente (protege dos genótipos 6, 11, 16 e 18), nonavalente (protege dos genótipos 6, 11, 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58) e vacina bivalente (protege dos genótipos 16 e 18).

A vacina quadrivalente integra o plano nacional de vacinação da DGS desde 2008 para raparigas dos 9 aos 14 anos de idade. A vacina nonavalente veio substituir a vacina quadrivalente no PNV em janeiro de 2017.

Desde janeiro deste ano, o PNV abrange ambos os sexos entre as 9 e 14 anos de idade.

A eficácia da vacinação é próxima de 100% para os genótipos incluídos na vacina quando administrada antes do início da vida sexual.

Porém, a vacinação está atualmente preconizada e cientificamente comprovado o seu benefício em qualquer grupo etário, especialmente nas mulheres conferindo-lhes proteção de novas reinfeções ou de recorrências de lesões tratadas no passado.

Prevenção secundária do cancro do colo do útero por exames de rastreio como a citologia esfoliativa (Papanicolaou) e teste de deteção do HPV.

O exame de rastreio preconizado são os testes de biologia molecular que detetam os genótipos oncogénicos do HPV pela sua elevada sensibilidade (≈100%) e reprodutibilidade.

A citologia esfoliativa é recomendada como método de rastreio entre os 25 e 30 anos pela elevada prevalência de infeção por HPV e ausência de lesões pré-malignas associadas neste grupo etário.

Como complemento do teste HPV positivo para genótipos de alto risco que não o HPV 16 e 18, a partir dos 30 anos de idade.

3. A infeção por HPV é assintomática – qualquer pessoa sexualmente ativa pode estar infetada e infetar o parceiro sem saber.

A infeção por HPV é geralmente assintomática e regride espontaneamente em ambos os sexos.

Porém, em 10% das mulheres infetadas pelos genótipos oncogénicos a infeção persiste e ao longo de vários anos podem induzir lesões pré-malignas de alto grau que são verdadeiramente as lesões precursoras do cancro do colo do útero. Estas lesões são igualmente assintomáticas.

A infeção pelos genótipos não oncogénicos, dos quais os genótipos 6 e 11 são os mais frequentes, pode manifestar-se por condilomas (verrugas) na área genital, perianal e orofaringe quer no homem quer na mulher.

As lesões pré-malignas e malignas nos genitais masculinos, no ânus e orofaringe de ambos os sexos são raras comparativamente com a prevalência do cancro do colo do útero.

4. Existem mais de 200 tipos de HPV mas a maioria não se vai desenvolver em cancro.

Existem mais de 200 genotipos diferentes de HPV, dos quais 40 afetam preferencialmente os órgãos genitais (vulva, vagina, colo do útero, pénis), ânus e orofaringe. Dividem-se em genotipos de alto e baixo risco, em função das doenças que causam.

Nos HPV de alto risco incluem-se os tipos 16 e 18, que são responsáveis por 70% das lesões mais graves (cancerosas).

Nos HPV de baixo risco estão incluídos os genotipos 6 e 11, que são responsáveis pela maioria das doenças benignas causadas pelo HPV, das quais as mais frequentes são os condilomas ou verrugas genitais.

5. As variações de HPV de alto risco podem provocar 6 tipo de diferentes de cancro.

Os genótipos oncogénicos do HPV podem induzir transformação neoplásica nos genitiais femininos (colo do útero, vagina, vulva), genitais masculinos (pénis), ânus e orofaringe. A frequência destas lesões difere muito de acordo com a localização da lesão.

A nível mundial são estimados 528 000 novos casos de cancro no colo do útero, 42 000 e 18 000 na orofaringe e 13 000 e 14 300 no ânus respetivamente no homem e na mulher, 19 960 na vagina e vulva e 10 500 no pénis.

6. A maioria das infeções por HPV regride espontaneamente.

Na maioria dos casos, a infeção provocada pelo HPV desaparece espontaneamente ao fim de 1 a 2 anos.

10% das pessoas inicialmente infetadas persistem com o HPV e apenas 1 em cada 10 destas podem desenvolver cancro ao longo de anos, habitualmente uma década.

Não é possível prever quem irá desenvolver doença associada ao vírus.

7. O uso do preservativo não garante proteção total contra o HPV.

O uso de preservativos está indicado na prevenção de todas as infeções de transmissão sexual. É importante reforçar que as áreas de pele não cobertas pelo preservativo não estão protegidas.

O HPV transmite-se através do contacto genital (pele-pele), não sendo necessário haver relação sexual com penetração.

O uso de preservativo não protege completamente da infeção por HPV, exatamente por não cobrir a totalidade da pele da região genital.

8. Os homens também podem desenvolver doenças relacionadas com o HPV.

Os homens são habitualmente vetores da transmissão do HPV e raramente sofrem transformação neoplásica. A localização de lesões malignas e sua incidência já foi referido no ponto 5.

*as explicações são médica ginecologista Anabela Colaço, do Hospital Lusíadas de Lisboa 

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Autor: 
Sofia Esteves dos Santos
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
Foto: 
Pixabay