Saúde mental

Um olhar sobre a Esquizofrenia

A esquizofrenia é considerada uma das perturbações mais graves na psiquiatria, pelas implicações familiares, sociais, financeiras e profissionais e utilizada para justificar alguns crimes e violência. Estes doentes, ao longo dos tempos, sempre foram muito descriminados e estigmatizados pela sociedade, sendo mesmo rotulados como “débeis mentais”, “imbecis”, “idiotas” ou “cretinos”.

A esquizofrenia é uma “afecção mental endógena de causa desconhecida, caracterizada essencialmente: pela dissociação da personalidade (incoerência ideoverval, ideias delirantes, mal sistematizadas); pela impressão de estar sob a influência de forças estranhas; por profundas perturbações afectivas no sentido do distanciamento e estranheza dos sentimentos, do ensimesmamento (autismo) e perda de contacto com a realidade, sem que, em geral, a lucidez se mostre afectada, nem haja deterioração irreversível das faculdades intelectuais. Em rigor, o conceito de esquizofrenia engloba um grupo de psicoses com evolução crónica e o seu significado é diferente conforme os países de vista dos grandes psiquiatras que fazem escola.” 1,2,4,5

Perspectiva histórica
As primeiras referências na literatura que descrevem perturbações mentais parecidas com a esquizofrenia surgiram na literatura com Hipócrates (séc. V aC)2. Conceito que permaneceu inalterável até Willis (1602) descrever a doença como sendo uma forma de “estupidez adquirida”, que surgia em adolescentes mentalmente saudáveis3,4. Com o evoluir do conhecimento científico, o conceito foi sofrendo transformações. Kraepelin (1899), que ainda hoje marca decisivamente a prática clinica da esquizofrenia, estabeleceu uma classificação de transtornos mentais baseados na etiologia, sintomatologia, curso e resultados comuns e identificou-a como “demência precoce” e definiu-a como uma doença de causa endógena, por ter início em idade jovem e que quase sempre levava a perturbações psíquica, com alucinações, perturbações da atenção, da compreensão e do pensamento, esvaziamento afetivo e catatonia5.

Mas foi Bleuler (1908) que substituiu a “demência precoce” por “esquizofrenia” (esquizo = divisão, phrenia = mente) e descrevia assim o fenómeno mais importante desta patologia que era a dissociação entre as diversas funções da mente (cognitiva, emocional e volitiva) e introduziu o prognóstico de cronicidade6. Schneider (1848) descreveu os sintomas de primeira e segunda ordem3, chamados hoje negativos e positivos respectivamente. São estes sintomas que ainda hoje são consensuais como patognomónicos no diagnóstico da esquizofrenia por toda a comunidade psiquiátrica, nomeadamente pela Organização Mundial de Saúde7 e pela Associação Americana de Psiquiatria8.

 

Sinais e sintomas
O quadro clinico inicial da esquizofrenia é geralmente prodrómicos, com os sinais a evoluírem lenta, mas progressivamente. Destacando-se o isolamento social, perda de interesse e deficiência nos cuidados de higiene pessoal3.

Trata-se de uma perturbação que dura pelo menos seis meses, com pelo menos um mês de sintomas ativos8. Sintomas estes ligados a perturbações básicas como o pensamento (forma e conteúdo), a perceção, ao rendimento cognitivo, à efetividade e ao comportamento, levando a graves perturbações nas relações interpessoais e a uma perda completa da realidade. Salientando-se a dissociação da unidade de pensamento e consequente alteração da própria personalidade, impossibilitando-a de poder viver de forma independente, necessitando não só de apoio de um cuidador, como requer enormes recursos de saúde para diminuir o elevado impacto social8. São sintomas de esquizofrenia8:

Sintomas positivos: alucinações; delírios; perturbações da forma e do curso do pensamento, comportamento desorganizado, bizarro, agitação psicomotora e mesmo neglicência dos cuidados pessoais.

Sintomas negativos (perda de capacidades ou funções): pobreza do conteúdo do pensamento e da fala (alogia); perda de sensibilidade afetiva (atimia); expressão facial imutável; catatonia; ausência de gestos expressivos; apatia (abulia) – descuido no arranjo pessoal e na higiene, pouco empenho ao nível do trabalho e falta de energia e anedonia. 

Se os sintomas positivos são exuberantes e atraem a atenção, os negativos tendem a prejudicar a capacidade do doente em ter uma vida dita “normal”, nomeadamente no relacionamento familiar e social.

Diagnóstico
O diagnóstico da esquizofrenia só é possível pelas manifestações clinicas da doença, pois não existem exames laboratoriais ou imagiológicos capazes, por si só, de o fazerem4, apesar das tentativas recentes para se encontrar biomarcadores. Contudo, alguns achados são possíveis observar através de imagens da tomografia por emissão de positrões (PET), como alterações no fluxo sanguíneo no lobo frontal, tálamo e cerebelo; pela ressonância magnética, como a disrupção funcional em circuitos cerebrais e o alargamento dos ventrículos lateral e terceiro, acompanhado por uma redução geral do volume cerebral e da massa cinzenta cortical9.

Assim, são critérios de diagnóstico de esquizofrenia8:

  • Dois (ou mais) dos seguintes sintomas, cada um presente por um período significativo de tempo (um mês ou menos se tratado com sucesso). Pelo menos um deles deve ser: delírios, alucinações ou discurso desorganizado (incoerência ou descarrilhamento de ideias). Outros sintomas: comportamento amplamente desorganizado ou catatónico e os sintomas negativos.
  • Desde o início da perturbação e durante um determinado período de tempo, o nível de funcionamento de uma ou mais áreas como o trabalho, as relações interpessoais ou o autocuidado encontram-se num nível marcadamente inferior ou que o doente possuía antes. Quando a patologia surge na infância ou adolescência, existe uma incapacidade para atingir o nível esperado de funcionamento interpessoal, académico ou ocupacional.
  • Os sinais contínuos da perturbação persistem pelo menos por seis meses e destes pelo menos um mês tem de incluir sintomas (ou menos se tratados com sucesso) enquadráveis nos critérios de A e deve incluir períodos prodrómicos ou sintomatologia residual, durante os quais os sinais da doença devem manifestar-se apenas por sintomas negativos ou por dois ou mais sintomas listados em A (ex: crenças bizarras ou experiências perceptivas inusuais).
  • As perturbações esquizoafetivas, bipolar, depressiva com traços psicóticos foram excluídas, dado que: 1) nenhum episódio depressivo major ou maníaco ocorrem concomitantemente com os sintomas de fase ativa e 2) caso tenham ocorrido episódios relacionados com humor durante a fase de sintomas positivos, esses estiveram presentes num espaço de tempo minoritário da duração total da fase positiva e da residual.
  • A perturbação não pode ser atribuída ao efeito psicológico de uma substância (como o abuso de medicamentos ou drogas (ou a outra condição medica.
  • Havendo história de autismo ou um distúrbio de comunicação desenvolvido na infância, o diagnóstico adicional de esquizofrenia é feito apenas se delírios ou alucinações proeminentes coexistem com os outros sintomas de esquizofrenia, pelo menos durante um mês (ou menos se tratado com sucesso).

Formas clínicas
Para melhor se entender a esquizofrenia foram elaboradas múltiplas divisões clinicas (subtipos), que não são estanques. Tendo por base as características predominantes, podem ser classificadas do seguinte modo8:  

Desorganizada – quando o discurso e o comportamento estão desorganizado e o afecto inadequado. O discurso pode ser acompanhado de um comportamento infantil, com risos desajustados e inapropriados. A desorganização pode ser de tal ordem que pode levar a uma incapacidade para desempenhar as actividades da vida diária (alimentar-se, lavar-se, vestir-se). As ideias delirantes não são organizadas, nem sistematizadas. O doente apresenta um contacto pobre com a realidade e pode ocorrer irritabilidade ou mesmo agressividade. 

Paranóide – forma mais fácil de identificar, por apresentar um quadro clinico dominado por ideias delirantes paranóides, bem organizadas e alucinações auditivas, com alguma preservação das funções cognitivas e do afeto. O contacto com a realidade é maior que no tipo desorganizado.

Catatónica – forma rara e de predomínio de alterações psicomotoras. Caracteriza-se por imobilidade motora/atividade motora excessiva, negativismo extremo, mutismo, ecolalia e ecopraxia com repetição de palavras/frases (“papaguear”) e movimentos ditas/feitos por terceiras pessoas.

Indiferenciado – habitualmente de início insidioso, com acentuado isolamento social (apatia, falta de iniciativa, perda de vontade e indiferença com o mundo exterior) e diminuição no desempenho laboral e intelectual.

Residual – quando os sintomas não se enquadram em nenhuma das anteriores e “típica” em pessoas com longos anos de evolução e internamento em hospitais psiquiátricos. Salienta-se o isolamento social marcado, insensibilidade afectiva e pobreza do pensamento e do discurso.

Evolução
A esquizofrenia tem geralmente um início insidioso e evolução lenta, podendo levar vários meses ou mesmo anos a ser diagnosticado. Mas, por vezes, pode ter um início rápido, evoluindo em dias ou semanas.

Na evolução da esquizofrenia podem ser consideradas três fases4:

Fase aguda – a mais ativa da doença, geralmente com um quadro psicótico e necessitando de internamento, pela adesão ao tratamento em meio ambulatório ser muito difícil.

Fase de estabilização e manutenção – continuação do controlo de alguns sintomas que ainda persistam, com a adequação da dosagem da medicação. É sobretudo uma fase de controlo de recaídas.

Fase de recaída – relativa a um novo período de agudização da doença. Importante o controlo do doente após a alta e a intervenção terapêutica o mais precoce possível.

Etiologia
São várias as tentativas para explicar a etiologia de esquizofrenia, contudo permanece ainda hoje desconhecida. E, como se trata de uma doença complexa, é possível existir uma etiologia multifactorial4. Podendo ser resumidas como eventuais causas a predisposição genética, talvez a mais importante, factores biológicos, sistema nervoso central, doenças orgânicas, factores culturais e socioeconómicos, factores psicológicos e a hipótese viral9

Epidemiologia
A esquizofrenia é considerada uma das dez doenças mais incapacitantes, com maior carga social a longo prazo e com elevado custo para a saúde e encontra-se identificada em todo o mundo, atingindo todas as raças, culturas, classes sociais e género. Relativamente à prevalência a nível mundial varia entre 0,5 e 1%, sendo considerada uma doença de baixa prevalência, enquanto em Portugal é de 3,3%10. Num estudo realizado em Portugal (2000) a prevalência era de 0,4%, o risco de desenvolver a doença ao logo da vida era de 0,7%, surgia no final da adolescência ou inicio da vida adulta e a percentagem era aproximadamente igual em ambos os sexos9.

 

Tratamento
O objectivo do tratamento da esquizofrenia visa essencialmente o reconhecimento da doença o mais precocemente possível por parte do doente, o tratamento dos sintomas e a aquisição nos doentes e famílias de aptidões e competências que lhes permitam saber lidar melhor com a doença. E, ainda, promover a recuperação, prevenir recaídas e integração na sociedade, com o intuito de obterem uma realização plena. O tratamento na fase aguda por vezes pode levar ao internamento, mas regra geral é feito em ambulatório.

Assim e segundo o Relatório Mundial de Saúde11,6,8 o tratamento é o resultado da combinação de três factores (tratamento integrado): a medicação (farmacoterapia) “para aliviar os sintomas e evitar recidiva”, geralmente os antipsicóticos (neurolépticos); “a educação e as intervenções psicossociais ajudam os pacientes e seus familiares a fazer face à doença e suas complicações, bem como a evitar recorrências”; e “a reabilitação ajuda os pacientes a se reintegrarem na comunidade e a recuperar o funcionamento educacional e ocupacional”.

Este tratamento integrado ainda não é uma realidade para todos os que deles necessitam3, fazendo com que aumente a taxa de abandono no tratamento, maior risco de recidivas e menor qualidade de vida e funcionamento social.

Quanto ao tratamento farmacológico, não há consenso. Na maioria dos países europeus predomina a polimedicação e a prescrição de doses superiores às recomendadas12, não havendo evidência científica da sua maior eficácia, mas aumentando o risco de erro e de efeitos secundários. 

Conclusão
A esquizofrenia, apesar do enorme interesse da comunidade cientifica no último século, continua a ser a doença mais problemática no âmbito da Psiquiatria, por se tratar de uma doença das mais devastadoras, difíceis de tratar e apresentar uma grande diversidade de sintomas que afetam o funcionamento psíquico, desde o pensamento ao comportamento.

Apesar da cura parecer ainda hoje uma miragem, é provável que com o notório interesse de toda a comunidade científica e de novas políticas de saúde a nível mundial, parece que um ponto de viragem poderá estar para breve. Contudo, sabemos que algumas das pessoas que sofrem deste transtorno podem recuperar por completo e levar uma vida “normal” como qualquer outra pessoa.

Referências
1MANUILA, L; MANUILA, A; LEWALLE, P & NICOULIN, M (2004). Dicionário Médico. Lisboa: Climepsi Editores. 3ª Ed.
2PALHA, A; ESTEVES, M (1997). The origin of dementia praecox. Schiozophr Res. 28 (2-3): 99-103.
3CAMPOS, L (2009). Doença mental e prestação de cuidados. Lisboa: Universidade Católica Editora Unipessoal.
4AFONSO, F (2011). A doença mental nem sempre é doença: racionalização leigas sobre a saúde e a doença mental. Porto: Edições Afrontamento.
5SHORTER, E (2005). A historial dictionary of psychiatry. Nova Iorque: Oxford University Press.
6FORREST, A (1975). Concepts of schizophrenia: historial revew. In Forrest, A e AFFLECK, J – New perspectives in schizophrenia. London: Churchil Livingston.
7OMS CID-10 (1994). Classificação Internacional de doenças. Genebra: WHO.
8APA (2014). DSM-V-TR: Manual de diagnóstico e estatística das perturbações mantais. Lisboa: Climpsi Editores, 5ª Ed
9MUESER, KT; McGURK, SR (2004). Shizophrenia. The Lancet. 363; 2063-2072; AMARO, F (2005). Factores sociais e culturais da esquizofrenia. Lisboa: Instituto Superior de Ciências Sociais e Politicas
10DGS (2014). Portugal – Saúde mental em números. Lisboa: DGS.
11OMS (2001). Relatório sobre a saúde mental no mundo. Saúde mental: nova concepção, nova esperança. Genebra: OMS
12JORDANOVA, V [et al.] (2010). Prescribing practices in psychiatric hospitals in Eastern Europe. European Psychiatric. 

Mário Oliveira - Enfermeiro Especialista em Saúde Infantil e Pediátrica na USF Senhora de Vagos
Nota: 
As informações e conselhos disponibilizados no Atlas da Saúde não substituem o parecer/opinião do seu Médico, Enfermeiro, Farmacêutico e/ou Nutricionista.
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Transact Lat, 40 mg, penso impregnado Flurbiprofeno Leia com atenção todo este folheto antes de começar a utilizar este medicamento, pois contém informação importante para si. Utilize este medicamento exatamente como está descrito neste folheto, ou de acordo com as indicações do seu médico ou farmacêutico. - Conserve este folheto. Pode ter necessidade de o ler novamente. - Caso precise de esclarecimentos ou conselhos, consulte o seu farmacêutico. - Se tiver quaisquer efeitos secundários, incluindo possíveis efeitos secundários não indicados neste folheto, fale com o seu médico ou farmacêutico. - Se não se sentir melhor ou se piorar 5 dias, tem de consultar um médico. O que contém este folheto: 1. O que é Transact Lat e para que é utilizado 2. O que precisa de saber antes de utilizar Transact Lat 3. Como utilizar Transact Lat 4. Efeitos secundários possíveis 5. Como conservar Transact Lat 6. Conteúdo da embalagem e outras informações. 1. O que é Transact Lat e para que é utilizado Grupo farmacoterapêutico: 9.1.10 Aparelho locomotor. Anti-inflamatórios não esteroides. Anti-inflamatórios não esteroides para uso tópico. Indicações terapêuticas: TransAct LAT está indicado no tratamento sintomático das situações de inflamação musculoesquelética localizada de origem pós-traumática ou reumática, resultando em dores musculares ou das articulações, que podem ser de natureza aguda ou crónica. Transact Lat é um penso impregnado, o qual liberta de uma forma sustentada níveis de flurbiprofeno diretamente para a área afetada com uma absorção sistémica mínima. Se não se sentir melhor ou se piorar após 5 dias, tem de consultar um médico. 2. O que precisa de saber antes de utilizar Transact Lat Não utilize Transact Lat:- Se tem alergia (hipersensibilidade) ao flurbiprofeno ou a qualquer outro componente deste medicamento (indicados na secção 6). - Se tem hipersensibilidade ao ácido acetilsalicílico ou outros fármacos anti-inflamatórios não esteroides - Se sofre ou sofreu de: - Hemorragia gastrointestinal ou perfuração, relacionada com terapêutica anterior com AINE. - Colite ulcerosa, doença de Crohn, úlcera péptica recorrente ou hemorragia gastrointestinal (definida como dois ou mais episódios distintos de ulceração ou hemorragia comprovada). - Insuficiência cardíaca grave. - Terceiro trimestre de gravidez - Em peles feridas ou muito frágeis, nem em locais afetados por dermatoses ou infeção. Advertências e precauções Fale com o seu médico ou farmacêutico antes de utilizar Transact Lat. Na medida em que existe a possibilidade de absorção cutânea de Transact Lat, não é possível excluir a ocorrência de efeitos sistémicos. O risco de ocorrência destes efeitos depende, entre outros fatores, da superfície exposta, quantidade aplicada e tempo de exposição. Os efeitos indesejáveis podem ser minimizados utilizando a menor dose eficaz durante o menor período de tempo necessário para controlar os sintomas (ver secção “Como utilizar Transact Lat” e informação sobre os riscos GI (gastrointestinais) e cardiovasculares em seguida mencionados).Efeitos cardiovasculares e cerebrovasculares Têm sido notificados casos de retenção de líquidos e edema associados ao tratamento com AINE, pelo que os doentes com história de hipertensão arterial e/ou insuficiência cardíaca congestiva ligeira a moderada deverão ser adequadamente monitorizados e aconselhados. Os dados dos ensaios clínicos e epidemiológicos sugerem que a administração de alguns AINE (particularmente em doses elevadas e em tratamento de longa duração) poderá estar associada a um pequeno aumento do risco de eventos trombóticos arteriais (por exemplo enfarte do miocárdio ou AVC). Não existem dados suficientes para eliminar o risco de ocorrência destes efeitos aquando da utilização de flurbiprofeno. Os doentes com hipertensão arterial não controlada, insuficiência cardíaca congestiva, doença isquémica cardíaca estabelecida, doença arterial periférica, e/ou doença cerebrovascular apenas devem ser tratados com flurbiprofeno após cuidadosa avaliação. As mesmas precauções deverão ser tomadas antes de iniciar o tratamento de longa duração de doentes com fatores de risco cardiovascular (ex: hipertensão arterial, hiperlipidémia, diabetes mellitus e hábitos tabágicos). Os medicamentos tais como Transact Lat podem estar associados a um pequeno aumento do risco de ataque cardíaco (enfarte do miocárdio) ou Acidente Vascular Cerebral (AVC). O risco é maior com doses mais elevadas e em tratamentos prolongados. Não deve ser excedida a dose recomendada nem o tempo de duração do tratamento. Se tem problemas cardíacos, sofreu um AVC ou pensa que pode estar em risco de vir a sofrer destas situações (por exemplo se tem pressão sanguínea elevada, diabetes, elevados níveis de colesterol ou se é fumador) deverá aconselhar-se sobre o tratamento com o seu médico ou farmacêutico. Hemorragia, ulceração e perfuração gastrointestinal Têm sido notificados com todos os AINE casos de hemorragia, ulceração e perfuração gastrointestinal potencialmente fatais, em várias fases do tratamento, associados ou não a sintomas de alerta ou história de eventos gastrointestinais graves. O risco de hemorragia, ulceração ou perfuração é maior com doses mais elevadas de flurbiprofeno, em doentes com história de úlcera péptica, especialmente se associada a hemorragia ou perfuração e em doentes idosos. Nestas situações os doentes devem ser instruídos no sentido de informar o seu médico assistente sobre a ocorrência de sintomas abdominais e de hemorragia digestiva, sobretudo nas fases iniciais do tratamento. Nestes doentes o tratamento deve ser iniciado com a menor dose eficaz. Em caso de hemorragia gastrointestinal ou ulceração em doentes a utilizar Transact Lat, o tratamento deve ser interrompido. Flurbiprofeno deve ser administrado com precaução em doentes com história de úlcera péptica e doença inflamatória do intestino (colite ulcerosa, doença de Crohn), uma vez que estas situações podem ser exacerbadas. Foi demonstrado que o flurbiprofeno administrado por via sistémica pode prolongar o tempo de hemorragia; Transact Lat deve ser usado com cuidado em doentes com tendência para hemorragias anormais. Tal como com outros AINE, flurbiprofeno pode inibir a agregação plaquetária e prolongar o tempo de hemorragia. Idosos Os idosos apresentam uma maior frequência de reações adversas com AINE, especialmente de hemorragias gastrointestinais e de perfurações que podem ser fatais. Transact Lat deve ser utilizado com precaução em doentes com história de asma não alérgica. Foram reportados casos de broncospasmo com o uso de flurbiprofeno em doentes com antecedentes de asma brônquica. Recomenda-se precaução especial quando o flurbiprofeno é utilizado por doentes com história de insuficiência cardíaca ou hipertensão uma vez que foram reportados edema e retenção de fluídos associados com a administração de flurbiprofeno. Flurbiprofeno deve ser administrado com precaução em doentes com insuficiência renal, cardíaca ou hepática. No início de tratamento, flurbiprofeno tal como outros AINE deve ser administrado com precaução em doentes com considerável desidratação. Na medida em que existe a possibilidade de absorção cutânea de Transact Lat, não é possível excluir a ocorrência de efeitos sistémicos. O risco de ocorrência destes efeitos depende, entre outros fatores, da superfície exposta, quantidade aplicada e tempo de exposição. Segurança Cutânea dos AINE: Têm sido muito raramente notificadas reações cutâneas graves, algumas das quais fatais, incluindo dermatite esfoliativa, síndroma de Stevens-Johnson e necrólise epidérmica tóxica, associadas a administração de AINE (ver secção 4. Efeitos secundários possíveis). Aparentemente o risco de ocorrência destas reações é maior no início do tratamento, sendo que na maioria dos casos estas reações se manifestam durante o primeiro mês de tratamento. Transact Lat deve ser interrompido aos primeiros sinais de rash, lesões mucosas ou outras manifestações de hipersensibilidade. Outros medicamentos e Transact Lat Informe o seu médico ou farmacêutico se estiver a utilizar, tiver utilizado recentemente, ou se vier a utilizar outros medicamentos. Desconhecem-se quaisquer interações medicamentosas com a utilização de Transact Lat. Por via sistémica, podem ocorrer possíveis interações com a digoxina, tolbutamina, ciclosporina, antiácidos, ácido acetilsalicílico e outros medicamentos contendo anti-inflamatórios não esteroides. Diuréticos, Inibidores da Enzima de Conversão da Angiotensina (IECA) e Antagonistas da Angiotensina II (AAII): Os anti-inflamatórios não esteroides (AINE) podem diminuir a eficácia dos diuréticos assim como de outros medicamentos antihipertensores. Nalguns doentes com função renal diminuída (ex: doentes desidratados ou idosos com comprometimento da função renal) a co-administração de um IECA ou AAII e agentes inibidores da cicloxigenase pode ter como consequência a progressão da deterioração da função renal, incluindo a possibilidade de insuficiência renal aguda, que é normalmente reversível. A ocorrência destas interações deverá ser tida em consideração em doentes a fazer a aplicação de flurbiprofeno, sobretudo se for em zonas extensas da pele e por tempo prolongado, em associação com IECA ou AAII. Consequentemente, esta associação medicamentosa deverá ser utilizada com precaução, sobretudo em doentes idosos. Os doentes devem ser adequadamente hidratados e deverá ser analisada a necessidade de monitorizar a função renal após o início da terapêutica concomitante, e periodicamente desde então. Glicósidos cardíacos: Os AINE podem exacerbar uma insuficiência cardíaca, reduzir a taxa de filtração glomerular e aumentar os níveis plasmáticos de glicósidos cardíacos. Anticoagulantes: os AINE podem aumentar os efeitos dos anticoagulantes, tais como a varfarina. Ácido acetilsalicílico: Tal como com outros medicamentos contendo AINE, a administração concomitante de flurbiprofeno com ácido acetilsalicílico não é recomendada devido a um potencial aumento de efeitos adversos. Agentes antiagregantes plaquetários e inibidores seletivos da recaptação da serotonina: aumento do risco de hemorragia gastrointestinal. Sais de lítio: Os AINE podem diminuir a depuração renal do lítio com resultante aumento dos níveis plasmáticos e toxicidade. Caso flurbiprofeno seja utilizado por um doente a fazer terapêutica com lítio, deve ser feita uma monitorização apertada dos níveis de lítio. Metotrexato: os AINE podem aumentar os níveis de metotrexato pelo que a administração concomitante de flurbiprofeno e metotrexato deve ser efetuada com precaução. Ciclosporina: A administração de AINE e ciclosporina apresenta um risco aumentado de nefrotoxicidade. Corticosteroides: Aumento do risco de ulceração ou hemorragia gastrointestinal. Inibidores seletivos da ciclooxigenase-2: A administração concomitante de flurbiprofeno com outros AINE, incluindo inibidores seletivos da ciclooxigenase-2, deve ser evitada, devido ao potencial efeito aditivo. Digoxina: Os AINE podem aumentar os níveis plasmáticos de digoxina. Antibióticos da classe das quinolonas: Dados em animais indicam que os AINE, em associação com antibióticos da classe das quinolonas, podem aumentar o risco de convulsões. Os doentes a tomar AINE e quinolonas podem apresentar um risco aumentado de desenvolver convulsões. Mifepristona: Não se deve tomar AINE durante 8-12 dias após a administração de mifepristona, uma vez que os AINE podem reduzir os efeitos da mifepristona. Gravidez e amamentação Se está grávida ou a amamentar, se pensa estar grávida ou planeia engravidar, consulte o seu médico ou farmacêutico antes de utilizar este medicamento. A segurança do Transact Lat durante a gravidez e o aleitamento não foram ainda estabelecidas. Os dados dos estudos epidemiológicos sugerem um aumento do risco de aborto espontâneo, de malformações cardíacas e de gastrosquise na sequência da utilização de um inibidor da síntese das prostaglandinas no início da gravidez. Deste modo, flurbiprofeno não deverá ser administrado durante o 1º e 2º trimestre de gravidez, a não ser que seja estritamente necessário. A administração de flurbiprofeno está contraindicada durante o terceiro trimestre de gravidez Não se recomenda a utilização de flurbiprofeno em mulheres a amamentar. Condução de veículos e utilização de máquinas Não se aplica. 3. Como utilizar Transact Lat Utilize este medicamento exatamente como está descrito neste folheto, ou de acordo com as indicações do seu médico ou farmacêutico. Fale com o seu médico ou farmacêutico se tiver dúvidas. Os efeitos indesejáveis podem ser minimizados utilizando a menor dose eficaz durante o menor período de tempo necessário para controlar os sintomas (ver “Advertências e Precauções”). O TransAct LAT é exclusivamente para uso externo. Recomenda-se a aplicação de um só penso impregnado, sobre a área afetada, devendo ser substituído de 12 em 12 horas. Crianças: Não é recomendado em crianças Idosos ou doentes com insuficiência renal: Apesar de flurbiprofeno ser bem tolerado pelos doentes idosos, alguns deles especialmente os que têm insuficiência renal, apresentam uma eliminação lenta dos anti-inflamatórios não esteroides, devendo nestes casos Transact Lat ser administrado com precaução. Modo e via de administração Uso cutâneo A pele sob a área músculo-esquelética afetada deve ser limpa antes da aplicação de Transact Lat. Remover o revestimento protetor do penso impregnado e aplicar o lado aderente sobre a pele. Quando se aplica o Transact Lat sobre uma articulação, como por exemplo o cotovelo e o joelho, deve ser colocado com a articulação um pouco fletida, podendo ser conveniente a utilização de uma ligadura ou manga (inclusa) sobre o penso impregnado. Modo de aplicação Passo 1 Lavar e secar cuidadosamente a zona afetada Passo 2 Retirar um penso impregnado da saqueta e fechá-la em seguida. Passo 3 Com as duas mãos segure o penso impregnado tal como indicado na figura e puxe ligeiramente para fora. O revestimento protetor solta-se a partir do meio do penso impregnado. Remover o revestimento protetor e aplicar a parte aderente diretamente sobre a pele. Passo 4 Aplicar a parte aderente diretamente sobre a zona afetada de forma uniforme evitando a formação de pregas. Logo após a aplicação pode ocorrer uma sensação de frio. Passo 5 Se a zona afetada for uma articulação, aplicar o penso impregnado com a articulação um pouco fletida Passo 6 Em caso de aplicação de Transact Lat sobre articulações móveis, como exemplo o cotovelo ou o joelho, é aconselhável o uso de uma ligadura ou manga (inclusa) Se utilizar mais Transact Lat do que deveria A ocorrência de sobredosagem é muito improvável dada a natureza desta formulação e a sua via de administração. Em caso de administração incorreta desta formulação, os sintomas de sobredosagem podem incluir dor abdominal, náuseas e vómitos. Não existe antídoto específico para flurbiprofeno. As medidas a tomar serão a lavagem gástrica e se necessário a correção dos eletrólitos séricos. Caso se tenha esquecido de utilizar Transact Lat Não utilize uma dose a dobrar para compensar uma dose que se esqueceu de utilizar. Se parar de utilizar Transact Lat Não se aplica. Caso ainda tenha dúvidas sobre a utilização deste medicamento, fale com o seu médico ou farmacêutico. 4. Efeitos secundários possíveis Como todos os medicamentos, este medicamento pode causar efeitos secundários, embora estes não se manifestem em todas as pessoas. O flurbiprofeno atinge níveis séricos mais baixos do que o mesmo fármaco administrado por via oral (é de realçar contudo, o facto de atingir níveis idênticos aos desta via sistémica, nas articulações e noutros tecidos situados profundamente sob a área cutânea onde o penso impregnado é aplicado). Sendo assim, é extremamente improvável a ocorrência de efeitos colaterais sistémicos. Em ensaios clínicos com flurbiprofeno de uso cutâneo, os efeitos adversos mais frequentemente reportados foram de reações locais (incluindo rubor, erupção cutânea, prurido, irritação da pele, entorpecimento e ardor); contudo a incidência foi baixa (4,6%). Efeitos secundários observados com AINE: Gastrointestinais: os eventos adversos mais frequentemente observados são de natureza gastrointestinal. Podem ocorrer, em particular nos idosos, úlceras pépticas, perfuração ou hemorragia gastrointestinal potencialmente fatais. Náuseas, dispepsia, vómitos, hematemese, flatulência, dor abdominal, diarreia, obstipação, melenas, estomatite aftosa, exacerbação de colite ou doença de Crohn têm sido notificados na sequência da administração destes medicamentos. Menos frequentemente têm vindo a ser observados casos de gastrite. Cardiopatias: Edema, hipertensão arterial, e insuficiência cardíaca, têm sido notificados em associação ao tratamento com AINE. Os dados dos ensaios clínicos e epidemiológicos sugerem que a administração de alguns AINE (particularmente em doses elevadas e em tratamento de longa duração) poderá estar associada a um pequeno aumento do risco de eventos trombóticos arteriais (por exemplo enfarte do miocárdio ou AVC). Reações bolhosas incluindo síndroma de Stevens-Johnson e necrólise epidérmica tóxica (muito raro). Se tiver quaisquer efeitos secundários, incluindo possíveis efeitos secundários não indicados neste folheto, fale com o seu médico ou farmacêutico. 5. Como conservar Transact Lat Não conservar acima de 25ºC. Duração de estabilidade após a abertura de cada saqueta é de 1 mês. Fechar bem as saquetas após a retirada de cada penso impregnado. Manter este medicamento fora da vista e do alcance das crianças. Não utilize Transact Lat após o prazo de validade impresso na embalagem exterior. O prazo de validade corresponde ao último dia do mês indicado. Não utilize se verificar sinais visíveis de deterioração. Não deite fora quaisquer medicamentos na canalização ou no lixo doméstico. Pergunte ao seu farmacêutico como deitar fora os medicamentos que já não utiliza. Estas medidas ajudarão a proteger o ambiente. 6. Conteúdo da embalagem e outras informações Qual a composição do Transact Lat - A substância ativa é o flurbiprofeno. Cada penso impregnado contém 40 mg de flurbiprofeno (0,294 mg de flurbiprofeno/cm2 de penso impregnado). - Os outros componentes são: Óleo essencial de hortelã-pimenta, miristato de isopropilo, glicerol, dióxido de titânio (E171), carmelose sódica, caulino pesado, ácido tartárico, polissorbato 80, sesquioleato de sorbitano, poliacrilato de sódio e água purificada. Qual o aspeto de Transact Lat e conteúdo da embalagem Transact Lat é constituído por uma película aderente de poliéster impregnada com 40 mg de flurbiprofeno. Os pensos impregnados são fornecidos em embalagens com uma ou duas saquetas laminadas e fechadas, contendo cada uma 5 pensos impregnados. É possível que não sejam comercializadas todas as apresentações. Titular da Autorização de Introdução no Mercado Amdipharm Limited Temple Chambers 3, Burlington Road Dublin 4 Irlanda Fabricantes Abbott S.r.L Strada Statale Pontina - Km 52 I-04010 Campoverdi di Aprilia - Latina Itália Amdipharm Plc Regency House - Miles Gray Road, Basildon SS14 3AF Essex Reino Unido Waymade Plc Sovereign House, Miles Gray Road, Basildon SS14 3FR Essex Reino Unido Distribuído por: Jaba Recordati, S. A. Lagoas Park, Edificio 5, Torre C, Piso 3 2740-298 Porto Salvo Este folheto foi revisto pela última vez em