Perturbação mental grave

Esquizofrenia

Atualizado: 
05/07/2019 - 13:04
A esquizofrenia é uma perturbação mental grave caracterizada por uma perda de contacto com a realidade.
Homem com esquizofrenia

O que é a esquizofrenia?

A esquizofrenia é uma doença mental que se caracteriza por uma desorganização ampla dos processos mentais. É um quadro complexo que apresenta sinais e sintomas na área do pensamento, percepção e emoções, causando marcados prejuízos ocupacionais, na vida de relações interpessoais e familiares. Dito de forma mais simples, esta é uma doença do cérebro com manifestações psíquicas através da perda de contacto com a realidade (psicose), alucinações, delírios (crenças falsas), pensamento anormal e alteração do funcionamento social e laboral.

A pessoa perde o sentido de realidade ficando incapaz de distinguir a experiência real da imaginária. Esta doença manifesta-se em crises agudas com sintomatologia intensa, intercaladas com períodos de remissão, quando há um abrandamento de sintomas, ficando alguns dos sintomas presentes mas em menor intensidade.

Habitualmente, a esquizofrenia desenvolve-se no final da adolescência ou início da idade adulta antes dos 40 anos. O curso desta doença é sempre crónico com marcada tendência à deterioração da personalidade do indivíduo.

Não se conhecem as causas da esquizofrenia, embora haja evidências de que decorre de uma combinação de factores biológicos, genéticos e ambientais que contribuem em diferentes graus para o aparecimento e desenvolvimento da doença. Para além disso, sabe-se que filhos de indivíduos esquizofrénicos têm maior probabilidade (cerca de 10 por cento) de desenvolver a doença, enquanto na população geral o risco de desenvolver a doença é de aproximadamente 1 por cento.

A esquizofrenia é um problema de saúde pública de primeira grandeza em todo o mundo. A prevalência da esquizofrenia no mundo parece ser algo inferior a 1 por cento, embora se tenham identificado zonas de maior ou de menor prevalência. Em alguns países, as pessoas com esquizofrenia ocupam cerca de 25 por cento das camas dos hospitais.

Sintomas da esquizofrenia

Os quadros de esquizofrenia podem variar de doente para doente com uma combinação em diferentes graus dos seguintes sintomas:

Delírios

O indivíduo acredita em ideias falsas, irracionais ou sem lógica. Em geral são temas de perseguição, grandeza ou místicos;

Alucinações

O doente tem ideia de estímulos que na realidade não existem, como ouvir vozes, ver pessoas ou vultos;

Discurso e pensamento desorganizado

O doente esquizofrénico fala de forma ilógica e desconexa, demonstrando uma incapacidade de organizar o pensamento numa sequência lógica;

Expressão das emoções

O indivíduo esquizofrénico tem um "afecto inadequado", ou seja, tem dificuldade em demonstrar as emoções/sentimentos. Não consegue demonstrar se está alegre ou triste, por exemplo, tem dificuldade de moldar o afecto de acordo com o contexto, mostrando-se indiferente a diversas situações do quotidiano;

Alterações de comportamento

Os doentes podem ser impulsivos, agitados ou retraídos, muitas vezes apresentando risco de suicídio ou agressão, além da exposição moral, como por exemplo falar sozinho em voz alta ou andar sem roupa em público.

Diagnóstico da esquizofrenia

Para o diagnóstico da esquizofrenia não existem marcadores biológicos, nem exames complementares específicos, embora existam evidências de alterações da anatomia cerebral demonstráveis em exames de neuro-imagem e do metabolismo cerebral, como a tomografia computadorizada, a ressonância magnética, entre outros.

Por isso, o diagnóstico baseia-se na observação clínica dos sintomas e na história médica do doente. Para além de identificar a doença, o especialista quererá também perceber qual o subtipo clínico que o doente apresenta. Essa diferenciação baseia-se nos sintomas que predominam em cada pessoa e na evolução da doença que é variada conforme o subtipo específico.

Os principais subtipos são:

  • Paranóide - predomínio de delírios e alucinações
  • Desorganizada - predomínio de alterações da afectividade e desorganização do pensamento
  • Catatónico - alterações da motricidade
  • Simples - diminuição da vontade e afectividade, empobrecimento do pensamento, isolamento social
  • Residual - estágio crónico da doença com muita deterioração e pouca sintomatologia produtiva.

Tratamento da esquizofrenia

O tratamento da esquizofrenia requer duas abordagens: medicamentosa e psicossocial. A terapêutica medicamentosa é feita com remédios chamados antipsicóticos ou neurolépticos. Actuam diminuindo os sintomas (alucinações e delírios), procurando restabelecer o contacto do doente com a realidade. Para além disso controlam as crises e ajudam a evitar uma evolução mais desfavorável da doença. Habitualmente esta terapêutica é ininterrupta para não ter novas crises.

As abordagens psicossociais são necessárias para promover a reintegração do doente à família e à sociedade. São utilizadas várias técnicas, como a psicoterapia ou a terapia ocupacional, com o objectivo de ajudar o doente a melhor lidar com as dificuldades do dia-a-dia.

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Fonte: 
Abcdasaude.com
Nota: 
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